Ecocardiografia Transesofágica

ecocardiograma transesofágico é um importante exame utilizado para investigar diversas doenças cardíacas, como aterosclerose, cardiomiopatia, pericardite, entre outras.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil, sendo responsáveis por mais de 30% dos óbitos registrados.

Entretanto, quando as doenças cardíacas são diagnosticadas precocemente, é possível evitar complicações mais graves como o infarto e outras condições que podem ser fatais.

Como funciona?

No ecocardiograma, um transdutor, aparelho que envia ondas sonoras, é alocado próximo às estruturas cardíacas. Essas ondas se movem através da pele até os tecidos do coração, onde ricocheteiam ou “ecoam”.

O transdutor capta as ondas refletidas e as envia para um computador, que exibe os ecos como imagens das paredes e válvulas do coração.

ecocardiograma transesofágico (ETE) usa um tubo longo e fino (endoscópio) para guiar o transdutor pelo esôfago (“tubo alimentar” que vai da boca ao estômago).

Isso permite que o médico veja imagens do coração sem que as costelas ou pulmões atrapalhem.

Um ETE é realizado quando o médico precisa de um exame mais atento do coração ou não obtém as informações necessárias com um eco regular, feito posicionando o transdutor na superfície do tórax.

O excesso de peso ou certas doenças pulmonares, por exemplo, podem interferir nas imagens do coração quando o transdutor é colocado simplesmente na parede torácica.

Para que serve o exame ecocardiograma transesofágico?

exame ecocardiograma transesofágico é importante para verificar como as válvulas e câmaras do seu coração estão funcionando e investigar inúmeras doenças cardíacas, tais como:

  • Aterosclerose: entupimento gradual das artérias;
  • Cardiomiopatia: aumento do coração devido a adoecimento do músculo cardíaco;
  • Doença cardíaca congênita: defeitos durante a formação do coração do feto;
  • Insuficiência cardíaca: músculo cardíaco enfraquecido;
  • Doença das válvulas cardíacas;
  • Tumor cardíaco;
  • Pericardite: inflamação ou infecção do saco que envolve o coração;
  • Endocardite infecciosa: infecção do coração;
  • Dissecção aórtica: rasgo na parede da aorta;
  • Coágulo de sangue e derrame: podem se libertar e então fluir para o cérebro ou outras áreas do corpo, causando derrame ou outros problemas.

Razões adicionais pelas quais um ETE pode ser feito incluem:

  • Avaliar o coração durante cirurgia de peito aberto e também durante cirurgia não cardíaca;
  • Avaliar o coração após procedimentos como bypass da artéria coronária ou substituição ou reparo da válvula;
  • Antes da cardioversão para fibrilação atrial ou flutter atrial para se certificar de que não há coágulos presentes.

Preparo para o ecocardiograma transesofágico

É necessário realizar um jejum de 4 a 6 horas antes de realizar o exame ecocardiograma transesofágico.

Também é importante informar ao seu médico sobre:

  • Possibilidade de gravidez;
  • Medicamentos (com e sem prescrição médica) e suplementos de ervas que você está tomando;
  • Histórico de distúrbios hemorrágicos ou se estiver tomando algum medicamento anticoagulante;
  • Doença valvar cardíaca, doença cardíaca congênita ou histórico de endocardite (infecção das válvulas cardíacas);

Com base em sua condição médica, seu provedor pode solicitar preparações específicas, como um exame de sangue para testar sua capacidade de coagulação, entre outros.

Como é feito o exame ecocardiograma transesofágico?

Geralmente, isto é o que acontece em um ecocardiograma transesofágico:

Antes de iniciar o ETE

  • Você deve remover joias ou outros objetos que possam interferir no procedimento. Dentaduras ou qualquer prótese oral  serão removidas antes da inserção da sonda;
  • Pode ser necessário remover suas roupas e vestir um avental;
  • Você é solicitado a esvaziar a bexiga;
  • Uma linha intravenosa é colocada em seu braço para injetar medicamentos, se necessário.

Durante o ETE

  • Você se deita em uma cama, posicionada do lado esquerdo. Um travesseiro pode ser colocado atrás de suas costas para suporte;
  • É conectado a um monitor de eletrocardiograma (ECG) para monitorar seu coração;
  • Outros sinais vitais (pressão arterial, frequência respiratória e nível de oxigênio) serão monitorados durante o procedimento;
  • Um spray anestésico local é aplicado na parte de trás da garganta, para tornar a passagem da sonda TEE mais confortável;
  • Um protetor de mordida é colocado em sua boca;
  • Você recebe um sedativo antes do procedimento para ajudá-lo a relaxar;
  • Se indicado, o oxigênio é administrado por meio de tubos nasais;
  • A sonda TEE é passada pela boca e pela garganta;
  • Assim que a sonda estiver no lugar certo, as imagens são feitas;
  • Depois que as imagens forem feitas, a sonda será removida de sua garganta.

Após o ETE

Você será transferido para uma área de recuperação, onde enfermeiras irão monitorar sua frequência cardíaca, pressão arterial e níveis de oxigênio.

Quando o reflexo de vômito retornar, seus sinais vitais estiverem estáveis ​​e você estiver mais alerta, você será liberado.

É recomendado ter alguém que o leve para casa, pois pode se sentir fraco, ou grogue pelo resto do dia do teste. Você deve se sentir melhor no dia seguinte.

Sua garganta pode ficar dolorida por alguns dias devido à inserção da sonda ETE.

Geralmente, não há nenhum tipo de cuidado especial após o exame. No entanto, o seu médico pode dar-lhe outras instruções, dependendo da sua situação particular.

Riscos do ecocardiograma transesofágico

No geral, o ecocardiograma transesofágico é um exame simples e com poucos riscos associados. Possíveis complicações podem incluir:

  • Problemas respiratórios;
  • Problemas de ritmo cardíaco;
  • Sangramento;
  • Lesão nos dentes, boca, garganta ou esôfago.

Se você tem problemas no esôfago, como varizes esofágicas, obstrução ou estenose do esôfago ou realiza radioterapia na área do esôfago, pode não ser possível fazer um ETE. Seu médico irá avaliá-lo cuidadosamente antes de fazer o procedimento.

Pode haver outros riscos, dependendo da sua condição médica específica. Certifique-se de discutir quaisquer preocupações com seu médico antes do procedimento.

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein

Vaga CROSS: Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde

A CROSS Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde é Central de Regulação do Estado de São Paulo, criada, na Secretaria de Estado da Saúde, por meio do Decreto nº 56.061 de 02/08/2010.

Cabe à CROSS a operacionalização das atividades de regulação da oferta assistencial disponível às necessidades imediatas do cidadão, visando promover a equidade do acesso, garantindo a integridade da assistência ao paciente do Sistema Único de Saúde do Estado de São Paulo – SUS/SP, no âmbito de sua área de abrangência.

Como funciona?

A ideia é simples: todas as solicitações de vagas em hospitais e unidades de saúde do estado são recebidas pelo sistema informatizado do CROSS, que avalia diversos critérios, como a gravidade do caso, a proximidade do paciente ao hospital e a disponibilidade de leitos na região.

Com base nessas informações, o sistema CROSS realiza a distribuição das vagas disponíveis, encaminhando o paciente para o hospital mais adequado para o seu tratamento.

A CROSS realiza:

  • Regulação médica de urgência;
  • Regulação médica ambulatorial;
  • Monitoramento da oferta dos recursos disponibilizados no Portal CROSS;
  • Atendimento aos Programas Estratégicos de Governo;
  • Capacitação e suporte técnico aos usuários do Portal CROSS;
  • Suporte médico especializado, por meio de Telemedicina, para unidades de baixa e média complexidade.

Desde 01 de abril de 2021 a SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, que é uma Organização Social de Saúde (OSS), passou a ser a responsável pela gestão dos recursos humanos e técnicos para a operacionalização da CROSS, sendo que esta não determina nenhuma política de saúde, não contrata, define ou implanta novos serviços.

A CROSS operacionaliza as ações de regulação, seguindo estritamente as diretrizes definidas pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CRS/SES-SP) e diretrizes das Portarias GM/MS – 399/2006, GM/MS nº 1559/08 e GM/MS nº 2048/2002.

Referências:

  1. https://cross.gupy.io/
  2. https://www.siresp.saude.sp.gov.br/
  3. https://cross.spdmafiliadas.org.br/

Tipos de pneumonia: Área do Pulmão Afetado

Broncopneumonia, pneumonia lobar e pneumonia intersticial são três tipos de pneumonia que afetam os pulmões de maneiras diferentes.

As diferenças

A broncopneumonia é uma inflamação dos brônquios e dos alvéolos, que são as pequenas bolsas de ar nos pulmões.

A pneumonia lobar é uma infecção que atinge um ou mais lobos do pulmão, que são as grandes divisões do órgão.

A pneumonia intersticial é uma doença que causa fibrose e cicatrização do tecido pulmonar, reduzindo a capacidade respiratória.

Causas

As causas desses tipos de pneumonia podem variar, mas geralmente envolvem bactérias, vírus, fungos ou agentes inalatórios.

Sintomas

Os sintomas também podem ser diferentes, dependendo da gravidade e da extensão da infecção. Alguns sintomas comuns são febre, tosse, falta de ar, dor no peito e expectoração.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos, radiológicos e laboratoriais.

Tratamento

O tratamento depende do tipo e da causa da pneumonia. A broncopneumonia e a pneumonia lobar geralmente são tratadas com antibióticos, oxigenoterapia e hidratação.

A pneumonia intersticial pode requerer corticoides, imunossupressores e até transplante pulmonar em casos graves. A prevenção é feita por meio de vacinação, higiene das mãos e evitar o contato com pessoas infectadas.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Pneumonia: o que é? Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/pneumonia-o-que-e/
  2. Ministério da Saúde. Pneumonia: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/pneumonia
  3. Mayo Clinic. Interstitial lung disease. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/interstitial-lung-disease/symptoms-causes/syc-20353108

Osteosarcoma

Osteosarcoma é o câncer que se desenvolve nos ossos. As mesmas células que formam este câncer também são responsáveis por produzirem a matriz óssea, mas os tumores não costumam ser tão rígidos quanto os ossos.

A maior incidência deste câncer é em crianças e, principalmente, adolescentes, mas ele também pode ser diagnosticado em outras faixas etárias. Nos jovens, as áreas mais atingidas são extremidades de ossos longos, que normalmente estão em fase de crescimento.

Sintomas

Um dos sintomas mais comuns do osteosarcoma é a dor óssea. A princípio, o incômodo pode não ser constante e se agravar apenas durante a noite ou após a realização de atividades físicas.

Dores e inchaços, no entanto, também são comuns em crianças e adolescentes, que estão sempre em movimento. O importante é o paciente e seus responsáveis ficarem atentos para, caso estes sintomas não desapareçam, procurar um médico.

Em alguns casos, dependendo da localização do tumor, o próprio paciente consegue sentir o nódulo. Se o nódulo não desaparecer entre uma e duas semanas, os especialistas também recomendam uma avaliação médica.

Fraturas, por fim, também podem ser um sinal de osteosarcoma, já que o câncer enfraquece a matriz óssea. Normalmente, ao fraturar uma região próxima ao tumor, os pacientes relatam que sentiram dor no membro há meses.

Fatores de risco

O risco de osteosarcoma é maior entre crianças e adolescentes, do sexo masculino, o que pode estar ligado ao crescimento rápido dos ossos. Jovens com a doença normalmente são altos demais para sua idade.

A exposição à radiação ionizante também é um fator de risco para osteosarcoma. Os pesquisadores ainda não sabem se exames de imagem, como raio-x, podem aumentar os riscos, mas há médicos que evitam pedir esses exames a crianças.

Diagnóstico

Ao investigar desconfortos que podem estar relacionados a osteosarcoma, o médico pode pedir ao paciente exames de imagem – como raio-x, tomografia computadorizada ou ressonância magnética – para analisar as estruturas ósseas dos pacientes à procura de nódulos ou lesões suspeitas.

É difícil, porém, confirmar um diagnóstico somente a partir dos exames de imagem. É por este motivo que uma biópsia pode ser solicitada ao paciente. Ao remover parte do tecido ósseo para análise laboratorial, é possível confirmar ou não confirmar se o tumor é maligno ou benigno.

Tratamento

O osteossarcoma pode ser tratado por meio de procedimentos cirúrgicos, quimioterapia ou radioterapia. Normalmente, a quimioterapia é prescrita depois da cirurgia, por oferecer a possibilidade de diminuir os riscos de o câncer reincidir.

Há oncologistas que preferem prescrever a quimioterapia antes, para que a cirurgia seja menos invasiva. Os procedimentos cirúrgicos normalmente são agressivos. Vão da remoção de uma pequena área do tecido ósseo à realização de enxerto em torno da fratura até à amputação de algum membro, em casos mais graves.

Prevenção

Para se prevenir do osteossarcoma, os especialistas recomendam que os pacientes mantenham um peso corporal adequado e abandonem hábitos que podem enfraquecer os ossos, como o consumo de refrigerantes e o tabagismo.

Não há, porém, grandes evidências sobre o que pode realmente prevenir este câncer, já que a maior parte dos fatores de risco é incontrolável, como o crescimento rápido dos ossos de crianças e adolescentes.

Referência

  1. American Cancer Society – https://www.cancer.org/cancer/osteosarcoma/

Anatomia da Ferida

A ferida é uma lesão que afeta a integridade da pele e dos tecidos subjacentes.

A ferida pode ser classificada de acordo com a causa, a profundidade, a extensão, o grau de contaminação e o estágio de cicatrização.

A anatomia da ferida envolve a compreensão das estruturas que compõem a pele e os tecidos subjacentes, bem como os processos fisiológicos que ocorrem na resposta inflamatória, na formação do tecido de granulação, na contração da ferida e na remodelação do tecido cicatricial.

O conhecimento da anatomia da ferida é essencial para o diagnóstico, a avaliação e o tratamento adequados das feridas.

A Anatomia

As margens, leito e pele perilesional determinam os limites anatômicos das feridas.

  • Perilesional: área que se estende ao redor da ferida;
  • Margem: contorno externo da ferida, limite anatômico entre a borda e a pele perilesional;
  • Leito: área central da ferida no qual a extremidade é limitada pela borda.

Características das Margens

  • Macerada: apresenta pele de coloração esbranquiçada, pode estar intumescida, fato que ocorre devido ao contato acentuado com exsudato;
  • Fibrótica: apresenta um tecido de coloração amarela ou branca que adere ao leito da ferida, mostra-se rígida e com consistência endurecida decorrente de áreas cicatrizadas;
  • Desnivelada: o leito da ferida é mais denso (profundo) do que a margem;
  • Epibolia: as margens das feridas dobram entre si.

Referência:

  1. CESARETTI IUR. Processo fisiológico de cicatrização da ferida. Pelle Sana. 1998; 2: 10-2.

Medicamentos Gastrointestinais

Os medicamentos gastrointestinais são aqueles que atuam no sistema digestivo, aliviando sintomas como azia, refluxo, gastrite, úlcera, constipação, diarreia, náusea e vômito.

Tipos

Existem diferentes tipos de medicamentos gastrointestinais, que podem ser classificados de acordo com o seu mecanismo de ação e a sua indicação. Alguns exemplos são:

  • Antiácidos: neutralizam o excesso de ácido no estômago, reduzindo a irritação da mucosa gástrica. São usados para tratar azia, refluxo e gastrite. Exemplos: hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio, carbonato de cálcio;
  • Inibidores da bomba de prótons: bloqueiam a produção de ácido no estômago, favorecendo a cicatrização de úlceras e prevenindo complicações como sangramentos e perfurações. São usados para tratar úlcera péptica, esofagite de refluxo e síndrome de Zollinger-Ellison. Exemplos: omeprazol, pantoprazol, esomeprazol;
  • Antagonistas dos receptores H2: diminuem a secreção de ácido no estômago, aliviando os sintomas de azia, refluxo e gastrite. Também podem ser usados para tratar úlcera péptica. Exemplos: ranitidina, cimetidina, famotidina;
  • Protetores da mucosa gástrica: formam uma camada protetora sobre a mucosa do estômago e do duodeno, impedindo o contato com o ácido e as bactérias. São usados para tratar úlcera péptica, gastrite e prevenir lesões por uso prolongado de anti-inflamatórios. Exemplos: sucralfato, misoprostol, bismuto;
  • Laxantes: estimulam o funcionamento do intestino, facilitando a eliminação das fezes. São usados para tratar constipação intestinal ou preparar o paciente para exames ou cirurgias. Exemplos: lactulose, bisacodil, óleo mineral;
  • Antidiarreicos: reduzem a motilidade intestinal e aumentam a absorção de água e eletrólitos, diminuindo a frequência e o volume das evacuações. São usados para tratar diarreia aguda ou crônica. Exemplos: loperamida, carvão ativado, caolin;
  • Antieméticos: bloqueiam os receptores que estimulam o centro do vômito no cérebro, prevenindo ou tratando náuseas e vômitos. São usados para tratar enjoo por movimento, gravidez, quimioterapia ou outras causas. Exemplos: metoclopramida, ondansetrona, dimenidrinato.

Cuidados de Enfermagem

  • Avaliar o histórico clínico e os sintomas do paciente, bem como os possíveis efeitos colaterais e interações medicamentosas dos fármacos prescritos;
  • Orientar o paciente sobre a forma correta de administrar os medicamentos, seguindo as instruções do médico e da bula. Alguns medicamentos devem ser tomados antes, durante ou depois das refeições, outros devem ser mastigados ou dissolvidos na água, e outros ainda devem ser evitados com certos alimentos ou bebidas;
  • Monitorar a resposta do paciente aos medicamentos, observando a melhora ou piora dos sintomas, a ocorrência de reações adversas ou alérgicas, e a necessidade de ajuste da dose ou troca de medicamento;
  • Educar o paciente sobre os cuidados gerais com a saúde gastrointestinal, como manter uma alimentação equilibrada e rica em fibras, beber bastante água, evitar o consumo excessivo de álcool, cafeína, tabaco e alimentos irritantes, e procurar ajuda médica em caso de sangramento, dor abdominal intensa ou persistente, vômito com sangue ou fezes escuras.

Os medicamentos gastrointestinais podem aliviar os desconfortos e complicações do sistema digestivo, mas devem ser usados com cautela e sob orientação médica e de enfermagem. Seguir as recomendações dos profissionais de saúde é fundamental para garantir a eficácia e a segurança do tratamento.

Referências:

  1. Medicinanet
  2. SPINOSA, Helenice de Souza. Medicamentos que interferem nas funções gastrointestinais. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. Tradução . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. . . Acesso em: 02 jul. 2023.

Apendicovesicostomia de Mitrofanoff

O procedimento de Mitrofanoff, também conhecido como apendicovesicostomia de Mitrofanoff, é um procedimento cirúrgico no qual o apêndice é usado para criar um conduto, ou canal, entre a superfície da pele e a bexiga urinária.

A técnica descrita por Paul Mitrofanoff em 1980, baseia-se na criação de um duto entre a bexiga e a parede abdominal que permite o esvaziamento vesical por cateterismo intermitente limpo. A estrutura inicialmente descrita e utilizada foi o apêndice.

Porém nem sempre o apêndice encontra-se disponível e nem sempre isso pode ser definido antes da cirurgia. Como alternativa outras estruturas já foram utilizadas (ureter, trompas uterinas, estômago etc), todas com resultado inferior ao apêndice.

O princípio de Mitrofanoff tem como objetivo prover continência urinária e esvaziamento vesical adequados. Cabe ressaltar que tal técnica acrescentou muito à qualidade de vida dos pacientes com bexiga neurogênica, oferecendo liberdade, independência e um método eficaz para esvaziar a bexiga regularmente, por auto cateterismo.

Os métodos Cirúrgicos

Existem duas maneiras possíveis de realizar a cirurgia:

  • Cirurgia aberta – Um pequeno corte (alguns centímetros de largura) é feito na parte inferior da barriga. A pele é puxada de lado para que o cirurgião possa ver e trabalhar diretamente na criança. Esta é a única técnica cirúrgica utilizada em muitos hospitais.
  • Cirurgia robótica – Vários pequenos cortes (vários milímetros de largura) são feitos na barriga. O cirurgião usa um computador para controlar os braços robóticos, que movem pequenas ferramentas sob a pele para fazer a operação.

Por que é feito este tipo de procedimento?

O procedimento de Mitrofanoff é feito para crianças que não conseguem urinar sozinhas. Muitas dessas crianças usam cateteres tradicionais antes da cirurgia.

 Esses cateteres são inseridos através da uretra, o local normal onde a urina sai do corpo. No entanto, os cateteres através da uretra podem causar dor nos meninos e podem ser difíceis para as meninas por causa de sua anatomia. As meninas que usam cadeiras de rodas geralmente não conseguem colocar um cateter, a menos que se sentem em um vaso sanitário, o que pode torná-las menos independentes.

Em alguns casos, as crianças para as quais é difícil cateterizar através da uretra podem ficar com fraldas. Em outros, os músculos do esfíncter não funcionam bem e a criança continua a vazar na fralda.

Fraldas podem se tornar socialmente desconfortáveis ​​para as crianças à medida que envelhecem. O cheiro de urina e seu impacto na pele e quaisquer feridas na área da fralda podem levar a uma baixa qualidade de vida.

Após um procedimento de Mitrofanoff, as crianças podem esvaziar a bexiga sem fraldas, sem necessidade de transferência para um banheiro e sem cateterismo pela uretra. Isso torna mais fácil e confortável para muitas crianças esvaziar a bexiga. 

Eles podem ficar secos entre os cateterismos. No caso de muitos cadeirantes, permite mais independência, pois as crianças podem se autocateterizar pela abertura na barriga ou no umbigo.

Os procedimentos de Mitrofanoff geralmente são feitos para crianças com:

Os Cuidados no Acompanhamento

Os cateteres devem permanecer no local por 3-4 semanas após a cirurgia. Isso permite que o inchaço diminua e os cortes e o novo tubo cicatrizem.

O paciente terá que retornar ao hospital para que a enfermagem remova os cateteres. A mãe e a criança também receberão treinamento de uma enfermeira para aprender como e quando cateterizar usando o novo tubo através do umbigo.

A enfermeira fornecerá alguns suprimentos iniciais e conectará você a recursos para envio doméstico de suprimentos no futuro.

Cerca de 1 mês após a saída dos cateteres cirúrgicos, a criança precisará de um ultrassom de acompanhamento para verificar se há inchaço nos rins. Isso permitirá que o médico saiba se a cirurgia funcionou para drenar efetivamente a urina da criança. A criança também precisará de um ultrassom pelo menos a cada ano para continuar verificando a saúde dos rins.

O deve esperar o seguinte após o procedimento de Mitrofanoff:

  • A pele cortada costuma ser fechada com pontos internos absorvíveis e cola de pele (exceto o novo furo na barriga onde o mastro se conecta, que fica aberto). Os pontos desaparecem por conta própria e não requerem nenhuma remoção ou cuidado especial.
  • A criança pode tomar banho com esponja nos 2 dias seguintes à cirurgia. Depois disso, os chuveiros são aceitáveis. Uma vez que os cateteres são removidos, os banhos também são permitidos.
  • Os cortes e cateteres podem ficar doloridos por alguns dias ou semanas.
  • Aulas de ginástica, atividades extenuantes e levantamento de peso devem ser evitados até que o cateter seja removido.
  • As transferências de cadeira de rodas podem começar novamente cerca de 2 semanas após a operação.
  • A criança deve enxaguar (irrigar) a bexiga uma vez por dia. Isso fará parte da nova rotina dela. O enxágue ajuda a limpar o muco produzido pelo tubo do apêndice. Se a criança não lavar a bexiga, ele pode ter pedras nos rins ou infecções.

A mãe deve ligar para o médico ou procurar atendimento médico para seu filho após o procedimento de Mitrofanoff se seu filho:

  • Tem febre de 38ºC ou superior antes da primeira visita de acompanhamento
  • Não pode passar urina através do cateter
  • Passa sangue pelo cateter
  • Acidentalmente puxa o cateter para fora
  • Queixa-se de dor intensa na barriga, na lateral ou nas costas que não é melhorada pelo remédio para dor que recebe na alta
  • Tem sintomas de infecção do trato urinário (ITU) ou infecção renal
  • Sente dor ou bloqueio ao cateterizar (uma vez que o cateter cirúrgico é removido).

Os benefícios do procedimento

Os procedimentos de Mitrofanoff permitem a cateterização intermitente – uma vez a cada poucas horas. Isso oferece um risco menor de infecção do que um cateter permanente (permanente) e permite que a pessoa não vaze urina continuamente como uma ileovesicostomia, que drena de um orifício (estoma) na barriga para uma bolsa.

Após o mitrofanoff, as crianças não precisam usar fraldas e podem ficar secas entre os cateterismos. Eles muitas vezes podem esvaziar suas bexigas de forma independente e sem transferência para um banheiro. A abertura na barriga é muito pequena; a maioria é difícil de ver mesmo quando se olha para a barriga. Todas essas características do procedimento de Mitrofanoff podem ajudar a melhorar a qualidade de vida das crianças.

Os Riscos

Em geral, os riscos do procedimento de Mitrofanoff incluem os de qualquer cirurgia, como infecção, vermelhidão, inchaço, sangramento, reações à anestesia ou falha da operação. Durante a cirurgia na bexiga, a urina também pode vazar para outras áreas e causar alguma irritação.

As cirurgias da Mitrofanoff também apresentam vários riscos exclusivos. Como o apêndice está sendo parcialmente descolado e movido, há um baixo risco de sangramento interno. É possível que após um Mitrofanoff haja problemas de cateterização.

Às vezes, um cateter de tamanho diferente ou mais lubrificante resolverá o problema. Os cateteres colocados durante a cirurgia também tornam as infecções mais prováveis ​​do que em outras cirurgias, mas seu filho receberá um curso de antibióticos durante o período de recuperação para ajudar a evitar infecções.

O novo buraco na barriga também pode vazar. Finalmente, as crianças que ganharem muito peso no futuro podem ter problemas para cateterizar a abertura.

O procedimento de Mitrofanoff tem uma alta taxa de sucesso. No entanto, a maioria das crianças eventualmente precisará de outra operação para ajustar o tubo do apêndice ou corrigir problemas, como cicatrizes que bloqueiam a nova abertura da barriga. Em muitos casos, essas cirurgias são pequenas e seu filho não precisará passar a noite no hospital.

Referência:

  1. https://www.nationwidechildrens.org/specialties/urology/procedures/mitrofanoff

Efeito Placebo Vs. Nocebo

Você já ouviu falar dos efeitos placebo e nocebo? Eles são fenômenos psicológicos que podem influenciar a nossa saúde de maneiras surpreendentes.

Entenda os efeitos

O efeito placebo é a melhora de um sintoma ou de uma condição clínica após a administração de uma substância ou de um tratamento que não tem nenhum efeito farmacológico específico.

Por exemplo, se uma pessoa com dor de cabeça toma um comprimido de açúcar pensando que é um analgésico, ela pode sentir alívio da dor simplesmente por acreditar que o remédio funciona. Isso acontece porque o cérebro libera substâncias químicas que atuam como analgésicos naturais, como as endorfinas.

O efeito nocebo é o oposto do efeito placebo. É o piora de um sintoma ou de uma condição clínica após a administração de uma substância ou de um tratamento que não tem nenhum efeito farmacológico específico.

Por exemplo, se uma pessoa com dor de cabeça toma um comprimido de açúcar pensando que é um veneno, ela pode sentir mais dor ou até mesmo ter efeitos colaterais como náusea, tontura ou palpitações. Isso acontece porque o cérebro libera substâncias químicas que atuam como estimulantes do sistema nervoso, como a adrenalina.

As diferenças

As diferenças entre os efeitos placebo e nocebo estão relacionadas com as expectativas e as crenças que temos sobre os tratamentos que recebemos. Se esperamos que algo nos faça bem, podemos ter uma resposta positiva.

Se esperamos que algo nos faça mal, podemos ter uma resposta negativa. Essas expectativas podem ser influenciadas por vários fatores, como a informação que recebemos dos profissionais de saúde, dos meios de comunicação ou dos nossos familiares e amigos, a cor, o tamanho ou a forma dos comprimidos ou das injeções, o preço ou a marca dos medicamentos, entre outros.

Os efeitos placebo e nocebo podem ter um impacto significativo na nossa saúde e na nossa qualidade de vida. Por isso, é importante conhecer esses fenômenos e saber como usá-los a nosso favor. Algumas dicas para aproveitar o efeito placebo e evitar o efeito nocebo são:

  • Ter uma atitude positiva em relação aos tratamentos que recebemos, confiando na sua eficácia e segurança;
  • Buscar informações confiáveis e científicas sobre os benefícios e os riscos dos tratamentos que recebemos, evitando fontes duvidosas ou alarmistas;
  • Seguir as orientações dos profissionais de saúde que nos atendem, respeitando as doses, os horários e as contraindicações dos medicamentos;
  • Manter um estilo de vida saudável, cuidando da alimentação, da hidratação, do sono, da atividade física e do controle do estresse;
  • Procurar ajuda psicológica se tivermos medos, ansiedades ou depressão relacionados com a nossa saúde ou com os tratamentos que recebemos.

Referência:

  1. 1. Teixeira MZ. Bases psiconeurofisiológicas do fenômeno placebo-nocebo: evidências científicas que valorizam a humanização da relação médico-paciente. Rev Assoc Med Bras [Internet]. 2009;55(1):13–8. Available from: https://doi.org/10.1590/S0104-42302009000100008

Posição PRONA Vs Nutrição Enteral

Encontrar pacientes de bruços nos leitos das Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil e no mundo se tornou comum durante a pandemia causada pela COVID-19. Esta técnica tem nome: posição PRONA.

Ela melhora a função dos pulmões dos pacientes com lesão pulmonar, facilitando as trocas gasosas, tão comprometidas por esta doença. O procedimento foi recomendado, ainda em março de 2020, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para pacientes com covid-19 em Síndrome Respiratória Aguda Grave. Ela é utilizada, desde os anos 1970, tendo sua maior popularidade a partir de meados da década de 1980.

Na posição PRONA (de bruços), há melhora dos parâmetros respiratórios, facilitando a abertura de alvéolos pulmonares que não participavam da respiração em posição normal (conhecida como posição supina). Isto favorece melhores trocas gasosas. Apesar de já ser velha conhecida, sua prática no ambiente de terapia intensiva não era tão comum quando agora.

Apesar de ser positiva para a melhora dos parâmetros respiratórios, a posição PRONA constitui um problema para a realização da terapia nutricional. Ao menos fisiologicamente, pacientes de bruços tem um aumento da pressão abdominal e maior risco de refluxo da dieta e vômitos.

Além disto, manter o paciente nesta posição exige uma maior dose de medicações sedativo-analgésicas e relaxantes musculares, que por sua vez retardam o esvaziamento do estômago, aumentando ainda mais o risco de intolerância a dieta enteral.

Postergar o início da terapia nutricional em pacientes na posição PRONA inicialmente parece prudente. Porém sabemos que pacientes com lesão pulmonar grave geralmente apresentam um quadro pró-inflamatório e de catabolismo proteico acentuado. Iniciar um aporte nutricional adequado de forma precoce é importante para evolução destes acientes.

Uma terapia nutricional iniciada tardiamente (após 48h da internação) tem efeitos deletérios, com aumento da mortalidade, complicações infecciosas, tempo de internação na UTI e tempo maior de dependência da ventilação mecânica.

Não é por acaso que a terapia nutricional precoce se encontra nos protocolos para pacientes críticos das principais sociedades de Terapia Intensiva e de Terapia Nutricional do Brasil e do mundo.

O risco de aspiração nos pacientes, decorrente da intolerância gastrintestinal, pode ser uma preocupação para a administração da NE durante a pronação.

De fato, alguns estudos mostram que a NE precoce é mal tolerada, com maior frequência de episódios de vômitos, maior descontinuação de dieta, menor taxa de infusão da nutrição enteral e menor média  e dias recebendo dieta. Apesar disto, a literatura a respeito é bastante limitada, apresentando viés de quantidade e de grupos muito heterogêneos.

Apesar da evidência científica limitada, quando optado por administrar a terapia nutricional em pacientes em posição PRONA, um protocolo para minimizar risco de intolerância deve ser construído pela equipe e contemplar alguns pontos: cabeceira da cama elevada, uso de fórmula enteral com maior densidade calórica para reduzir o volume a ser infundido por hora, administração da NE de forma contínua por bomba de infusão, uso de procinéticos profiláticos, alternância do pescoço/cabeça para direita e esquerda a cada 2 horas, posicionamento da sonda em posição pós pilórica.

A literatura disponível acerca do efeito da administração da dieta enteral em pacientes críticos em posição prona na tolerância gastrintestinal e nos desfechos clínicos é ainda escassa e apresenta qualidade metodológica limitada.

Apesar disto, a orientação da Sociedade Brasileira de Terapia Nutricional Enteral e Parenteral (BRASPEN) e de outras sociedades de Terapia Nutricional no mundo é iniciar a terapia nutricional precocemente, mesmo na posição PRONA, se atentando a alguns fatores como por exemplo a pausa da dieta antes e depois da movimentação, cabeceira elevada e uso de procinéticos, dietas com maior densidade calórica e menor volume de infusão da dieta.

Referências:

  1. Izquierdo JA, et al. Enteral nutrition in patients receiving mechanical ventilation in a prone position. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2016;40(2):250-5.
  2. Jové Ponseti E, Villarrasa Millán A, Ortiz Chinchilla D. Análisis de las complicaciones del decúbito prono en el síndrome de distrés respiratorio agudo: estándar de calidad,
    incidencia y factores relacionados. Enferm Intensiva. 2017;28(3):125-34.
  3. Villet S, Chiolero RL, Bollmann MD, Revelly JP, Cayeux RN MC, Delarue J, et al. Negative impact of hypocaloric feeding and energy balance on clinical outcome in ICU
    patients. Clin Nutr. 2005;24(4):502-9.
  4. Cerra FB, Benitez MR, Blackburn GL, Irwin RS, Jeejeebhoy K, Katz DP, et al. Applied nutrition in ICU patients. A consensus statement of the American College of Chest
    Physicians. Chest. 1997;111(3):769-78.
  5. Fraser IM. Effects of refeeding on respiration and skeletal muscle function. Clin Chest Med. 1986;7(1):131-9.
  6. Reigner J, Mercier E, Le Gouge A, Boulain T, Desachy A, Bellec F, Clavel M, Frat JP,Plantefeve G, Quenot JP, Lascarrou JB; Clinical Research in Intensive Care and Sepsis
    (CRICS) Group. Effect of not monitoring residual gastric volume on risk of ventilatorassociated pneumonia in adults receiving mechanical ventilation and early enteral feeding: a randomized controlled trial. JAMA. 2013;309(3):249-56.

Exsudato de Feridas: O que precisa saber!

Um exsudato é um líquido que sai de uma ferida, como resultado de um processo inflamatório ou infeccioso. O exsudato pode ter diferentes características, dependendo da fase de cicatrização da ferida e do tipo de lesão. Existem os principais tipos de exsudato de feridas: seroso, serosanguinolento, sanguinolento, purulento e fibrinoso.

Características

  • O exsudato seroso é um líquido claro e aquoso, que contém poucas células e proteínas. Ele é normalmente produzido na fase inicial da cicatrização, quando a ferida está limpa e sem infecção. O exsudato seroso ajuda a hidratar a ferida e a remover as impurezas.
  • O exsudato serosanguinolento é um líquido avermelhado, que contém sangue e soro. Ele é comum em feridas traumáticas ou cirúrgicas, que envolvem danos aos vasos sanguíneos. O exsudato serossanguinolento indica que a ferida está vascularizada e em processo de granulação.
  • O exsudato Sanguinolento ou hemático é um líquido vermelho, rico em sangue e células inflamatórias. Indica uma ferida com sangramento ativo ou recente, que pode ser causado por trauma, infecção ou necrose.
  • O exsudato purulento é um líquido espesso e amarelado ou esverdeado, que contém células mortas, bactérias e pus. Ele é típico de feridas infectadas ou necrosadas, que apresentam sinais de inflamação e mau cheiro. O exsudato purulento prejudica a cicatrização e requer tratamento específico.
  • O exsudato fibrinoso é um líquido viscoso e esbranquiçado, que contém fibrina e restos celulares. Ele é formado em feridas crônicas ou estagnadas, que não evoluem para a fase de epitelização. O exsudato fibrinoso forma uma crosta sobre a ferida, impedindo a sua oxigenação e nutrição.

Por que o exsudato pode impedir a cicatrização da ferida?

Enquanto o exsudato é essencial ao processo de cicatrização, ele também pode impedir a cicatrização da ferida. Isso pode acontecer se:

  • a ferida tiver a quantidade errada de exsudato (muito ou pouco);
  • o exsudato tiver a composição errada; ou
  • o exsudato estiver no local errado.

Conforme uma ferida começa a cicatrizar, a quantidade de exsudato que ela produz geralmente diminui. No entanto, muitas feridas crônicas podem ficar estagnadas no estágio inflamatório em que bactérias prejudiciais podem se desenvolver.

Em tais casos, o exsudato pode:

  • interromper a cicatrização;
  • retardar ou impedir o crescimento das células;
  • interferir na disponibilidade do fator de crescimento; e
  • conter níveis elevados de mediadores inflamatórios, por exemplo, plaquetas, neutrófilos, monócitos/macrófagos e mastócitos.

Isso nos leva de volta ao ‘espaço morto’ e porque é tão importante que essa lacuna seja manejada adequadamente para que a ferida cicatrize.

Conforme a ferida cicatriza, o nível de exsudato que ela produz diminui. No entanto, se a ferida ficar estagnada na fase inflamatória, ela continuará a produzir níveis elevados de exsudato – de moderado a alto.

Por que é importante avaliar o espaço morto

Quando você trata um paciente com uma ferida crônica, seu principal objetivo é ajudar e apoiar o processo de cicatrização da ferida. Saber como conduzir uma avaliação precisa da ferida é essencial.

Avaliações inadequadas de feridas podem levar a escolhas de tratamento incorretos, resultados negativos para o paciente e maior custo de tratamento.  Saber o que procurar ao examinar a ferida – e a lacuna entre o leito da ferida e o curativo – lhe dará uma ideia mais clara da condição da ferida o que te ajudará a decidir como fornecer um ambiente ótimo para a cicatrização. 

O que procurar ao avaliar o espaço morto​

Antes de vermos o processo de avaliação real, é importante lembrar-se de que o tratamento efetivo de feridas vai além da ferida em si.

Ao tratar pessoas com feridas – crônicas ou agudas – é sempre importante realizar uma abordagem holística. Isso significa anotar o histórico do paciente e de sua saúde, além da condição de sua ferida.

Em uma avaliação detalhada da ferida – e do espaço morto, lacuna entre a ferida e o curativo – você deve considerar.

  • há quanto tempo o paciente está com esta ferida?
  • qual é a etiologia da ferida (ou seja, o que a causou)?
  • como ela está cicatrizando? Você vê sinais de progresso?
  • quais são as características da ferida?
    • Aqui você deve analisar:
      • a profundidade da ferida, descolamento, tunelização e fístula
      • a estrutura e topografia do leito da ferida
      • a qualidade do tecido: Há sinais de granulação ou necrose?
      • a pele perilesão (ao redor da ferida) e a borda da ferida
      • o exsudato, ou líquido que sai da ferida – sua cor, consistência, odor e quantidade.

Com que frequência eu avalio a lacuna?​

Você deve fazer uma avaliação completa da ferida crônica pelo menos uma vez por semana ou, se possível, todas as vezes que trocar o curativo. Isso o ajudará a diagnosticar e tratar toda infecção no início. Ao detectar uma infecção no início, você reduz o risco de complicações sérias, tais como infecções que ameaçam o membro ou a vida.

Ao avaliar a ferida, procure pelos seguintes sinais de atenção:

  • excesso de exsudato, vazamento e sujidades
  • dano na pele perilesão (por exemplo, maceração, desnudação ou erosão na pele)
  • Atraso na cicatrização de ferida
  • sinais de infecção
  • trocas de curativos frequentes

Referências:

  1. Triangle in Practice (2019) Wound International
  2. Keast, David H. et al. Managing the gap to promote healing in chronic wounds – an international consensus. Wounds International 2020. Vol 11, issue 3
  3. World Union of Wound Healing Societies (WUWHS) Consensus Document. Wound exudate: effective assessment and management. Wounds International, 2019
  4. Adderly, U.J (2010) Managing wound exudate and promoting healing
  5. http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_2.html#:~:text=O%20exsudato%20ou%20fluidos%20da,e%20limitam%20o%20crescimento%20bacteriano.
  6. https://aps-repo.bvs.br/aps/qual-o-melhor-curativo-para-feridas-exsudativas/