<p><span id="yui_3_17_2_3_1468759652755_1335" class="ya-q-full-text">Me chamo Ju, não tenho nada a ver com a área da saúde (sou arquiteta), mas já estive do outro lado, o do paciente, muitas vezes mesmo. Parte dessas vezes, foi dentro de UTI e por muito tempo, sabe o que eu acho dos técnicos de enfermagem, auxiliares e estagiários? Foram meus ANJOS DA GUARDA! </span></p>
<p><span id="yui_3_17_2_3_1468759652755_1335" class="ya-q-full-text">Passei quase quatro anos entre idas e vindas de hospitais, tive tudo quanto é tipo de decepção com médicos, mas quanto as equipes de enfermagem, eu só tenho a agradecer. Acho que esse pessoal tem um dom especialíssimo de amar ao próximo, cuidar e mais um monte de coisas que, para mim, são inexplicáveis. Não conseguiria trabalhar nessa área nem por um dia, não seria capaz. Dos banhos, fraldões, comadres à sentar do meu lado, com um sorriso no rosto, no meio da madrugada, dizendo que tudo vai ficar bem, me fazendo acalmar, parar de chorar e dormir, eu só posso dizer que esas pessoas são anjos.</span></p>
<p><span id="yui_3_17_2_3_1468759652755_1335" class="ya-q-full-text"> Até hoje choro quando lembro do que fizeram por mim e não há como agradecer além dos abraços, beijos e obrigada que dei. Queria que você soubesse que existem pessoas que pensam como eu e que admiram demais vocês. Infelizmente, não posso fazer nada de concreto, como, por exemplo, aumentar os salários miseráveis que recebem, exigir muito mais respeito de toda a equipe de um hospital, etc.</p>
<p>Quanto as doentes que vocês salvam (e salvam mesmo, mais que os médicos que operam e deixam ao seus cuidados. Do que adianta uma operação bem sucedida se não houver total cuidado pós-cirúrgico? Quem sobreviveria?) acho que realmente, boa parte está em situação tão sofrida que não percebe direito o mundo ao seu redor, Está triste, com raiva, com dor e acaba descontando em quem está do lado. Não dá para julgar uma pessoa nessas condições, também me incomodo com isso, mas fazer o quê? </span></p>
<p><span id="yui_3_17_2_3_1468759652755_1335" class="ya-q-full-text">Eu, assim que acordava das muitas anestesias, birutinha, tratava de ler os nomes nos crachás, chamar cada um pelo nome, nunca (e não gritar ENFERMEIRAAAA), conversar sempre, perguntar sobre a vida de cada um, claro, isso tudo em pequenas doses porque a equipe de enfermagem está quase sempre correndo muito, e eu não podia &#8220;alugar&#8221; os ouvidos do pessoal. Dizer obrigada todo o tempo, por favor mais ainda, bom dia, boa tarde, boa noite.Fiz amigos inesquecíveis nas UTIs, pessoas com quem não tenho mais contato, mas moram no meu coração.</p>
<p>Na primeira vez que tive alta de uma UTI, fui para o quarto, claro, e quando tive alta de vez, fiz minha mãe comprar quilos de bombons e escrever uma cartinha (não podia escrever, não mexia os braços) de amor para o pessoal da UTI. Me levaram lá, fora do horário de visitas, numa cadeira de rodas, eu dei os bombons e entreguei a cartinha. Eles leram e pregaram em um mural. Beijei, abracei, chorei muito (e eles tb) e principlmente, agradeci demais. E ainda assim, me sinto em dívida ETERNA com todos.</span></p>
<p><em>Uma linda história vivida por um paciente, na qual conta sua experiência vivida no lado de ser cuidado. </em></p>


O outro lado da moeda

