O que é Termo de Consentimento Informado do Paciente?

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O Termo de Consentimento Informado do Paciente é um documento que representa muito mais do que uma simples assinatura antes de um procedimento. Ele está relacionado diretamente ao direito do paciente de receber informações, compreender sua situação e participar das decisões sobre o próprio cuidado.

Na prática, o consentimento informado materializa um dos princípios mais importantes da assistência em saúde: a autonomia do paciente.

Para quem está começando na Enfermagem, é comum surgir a dúvida: “Se o paciente assinou o termo, significa que o profissional está protegido de qualquer responsabilidade?” A resposta é não.

A assinatura, sozinha, não transforma um procedimento inadequado em procedimento correto, não autoriza negligência ou imprudência e não substitui uma comunicação adequada com o paciente.

O consentimento é, antes de tudo, um processo de informação e decisão, e o documento serve como registro desse processo.

No Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, o Cofen determina que o profissional respeite a autonomia da pessoa na tomada de decisão livre e esclarecida sobre sua saúde, segurança, tratamento, conforto e bem-estar. O mesmo Código estabelece a necessidade de consentimento prévio para a prática profissional, ressalvadas situações previstas na própria norma, como incapacidade decisória sem representante ou responsável legal e outras situações legalmente estabelecidas.

O que é o Termo de Consentimento Informado?

O Termo de Consentimento Informado, também encontrado como Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou simplesmente consentimento informado, é um instrumento utilizado para registrar que o paciente recebeu informações adequadas sobre determinado procedimento, tratamento ou intervenção e teve oportunidade de decidir de maneira livre e esclarecida.

É importante diferenciar duas coisas:

Consentimento informado é o processo.

Termo de consentimento é o documento que registra esse processo.

Essa diferença é fundamental. Imagine que um paciente receba um formulário de várias páginas e simplesmente escute:

“Assine aqui.”

Ele pode ter assinado o documento, mas isso não significa necessariamente que tenha ocorrido um consentimento verdadeiramente informado.

Para que exista consentimento válido, o paciente precisa ter recebido informações compreensíveis e ter tido oportunidade de fazer perguntas e tomar sua decisão sem coerção.

A Recomendação CFM nº 1/2016, por exemplo, estabelece que a informação deve ser correta, suficiente, adequada e capaz de esclarecer as dúvidas do paciente, utilizando linguagem acessível e sem induzi-lo ao erro sobre natureza, características, riscos, consequências ou outros aspectos do procedimento.

Por que o consentimento informado é tão importante?

Imagine que uma pessoa precise realizar uma cirurgia.

Ela pode pensar que o procedimento é simples, mas desconhecer:

  • qual é exatamente o procedimento;
  • por que ele é necessário;
  • quais benefícios são esperados;
  • quais riscos podem ocorrer;
  • quais alternativas existem;
  • o que pode acontecer se não realizar o procedimento;
  • como será o período de recuperação.

Sem essas informações, a pessoa não consegue participar verdadeiramente da decisão. O consentimento informado procura justamente evitar que o paciente seja tratado como alguém que simplesmente “recebe ordens”. Ele reconhece que o paciente é sujeito ativo do próprio cuidado.

Isso está diretamente relacionado aos princípios de autonomia, dignidade, liberdade e respeito aos direitos humanos. O próprio Código de Ética da Enfermagem afirma que o profissional deve atuar respeitando a autonomia da pessoa e sua participação em decisões relacionadas à própria saúde.

Consentimento informado não é apenas uma burocracia

Um dos maiores erros é enxergar o termo apenas como um documento necessário para “liberar” uma cirurgia, exame ou procedimento. Na realidade, ele faz parte de uma relação de comunicação entre profissional e paciente. O documento deve ser consequência de uma conversa adequada. Por exemplo, imagine um paciente que receberá determinado procedimento invasivo.

Não basta entregar o papel. É necessário que ele tenha condições de compreender:

  • O que será feito?
  • Por que será feito?
  • Quais benefícios podem ser esperados?
  • Quais riscos existem?
  • Existem alternativas?
  • O que pode acontecer se ele não fizer?
  • Como será o cuidado depois?

Quando necessário, também devem ser explicados desconfortos, limitações, possibilidade de complicações e outras informações relevantes. A Recomendação CFM nº 1/2016 apresenta justamente elementos que devem compor o consentimento, incluindo justificativa, objetivos, descrição do procedimento, duração, possíveis desconfortos, benefícios, riscos, alternativas, consequências da não realização e cuidados posteriores.

Consentimento informado e autonomia do paciente

A autonomia significa, de maneira simplificada, o direito que uma pessoa capaz possui de participar das decisões sobre sua própria vida e saúde. Isso significa que o paciente não é obrigado a aceitar determinado tratamento simplesmente porque o profissional acredita que aquela seja a melhor opção.

Depois de receber informações adequadas, o paciente pode:

  • aceitar o procedimento;
  • recusar o procedimento;
  • fazer perguntas;
  • pedir esclarecimentos;
  • solicitar tempo para pensar, quando a situação permitir;
  • buscar uma segunda opinião.

O profissional deve respeitar a decisão dentro dos limites éticos e legais aplicáveis. Isso é particularmente importante porque uma decisão diferente daquela desejada pela equipe não significa necessariamente que o paciente “não sabe o que está fazendo”. A autonomia pressupõe justamente que pessoas capazes possam tomar decisões diferentes das que o profissional tomaria.

O paciente pode mudar de ideia depois de assinar?

Sim. Esse é um ponto muito importante. A assinatura do termo não significa que o paciente tenha perdido o direito de mudar sua decisão. O consentimento deve permanecer livre e voluntário.

Se, antes do procedimento, o paciente disser:

“Eu não quero mais fazer.” a equipe não deve simplesmente responder:

“Mas você já assinou.”

É necessário avaliar a situação, compreender o motivo da mudança, comunicar a equipe responsável e registrar adequadamente a decisão. A assinatura não transforma o consentimento em uma obrigação irrevogável.

O que deve constar em um Termo de Consentimento?

O conteúdo pode variar conforme o procedimento, instituição e legislação aplicável. Entretanto, de maneira geral, um termo adequado deve apresentar informações suficientes para que o paciente compreenda aquilo que está autorizando. Entre os elementos importantes estão:

Identificação

Deve haver identificação adequada do paciente e, quando aplicável, de seu representante legal. Também podem constar os profissionais envolvidos e informações de contato, conforme o modelo utilizado.

Descrição do procedimento

O paciente precisa saber o que será realizado. Evitar termos excessivamente técnicos é essencial. Em vez de simplesmente escrever:

“Realização de procedimento invasivo sob sedação.” é importante explicar, de forma compreensível, o que efetivamente acontecerá.

Finalidade

Deve ficar claro por que o procedimento está sendo proposto.

Benefícios esperados

O paciente deve saber quais resultados são esperados. É importante evitar promessas de resultados garantidos quando eles não podem ser assegurados.

Riscos e possíveis complicações

Os riscos relevantes devem ser apresentados de maneira compreensível. Não é necessário assustar o paciente, mas também não se deve esconder informações importantes.

Alternativas

Quando existirem alternativas razoáveis, elas devem ser apresentadas conforme a situação clínica.

Consequências da recusa

O paciente também precisa compreender o que pode acontecer caso decida não realizar o procedimento.

Cuidados posteriores

Quando aplicável, o documento deve informar cuidados necessários após o procedimento. A Recomendação CFM nº 1/2016 inclui esses elementos entre aqueles que devem constar no consentimento livre e esclarecido.

Linguagem simples é fundamental

Um termo de consentimento não deve ser escrito como se tivesse sido produzido exclusivamente para profissionais de saúde. Imagine entregar a um paciente:

“Consentimento para realização de procedimento com possibilidade de intercorrências hemodinâmicas, eventos tromboembólicos e complicações inerentes à abordagem invasiva.”

Para um profissional de saúde, a frase pode parecer relativamente compreensível, para muitos pacientes, não. Por isso, o ideal é explicar os termos técnicos.

Por exemplo:

  • Trombose: formação de um coágulo dentro de um vaso sanguíneo.
  • Hemorragia: sangramento que pode ser significativo dependendo da situação.
  • Sedação: uso de medicamentos para reduzir ansiedade, desconforto ou nível de consciência durante determinado procedimento.

A informação precisa ser adequada ao nível de compreensão do paciente.

Quem deve explicar o procedimento?

Essa é uma questão que merece bastante atenção. O profissional responsável pela realização ou indicação do procedimento deve cumprir as responsabilidades que lhe cabem na obtenção do consentimento, conforme o tipo de intervenção e as normas institucionais e profissionais.

A enfermagem também possui responsabilidades importantes. O profissional de Enfermagem deve garantir que sua atuação respeite a autonomia e o consentimento do paciente. O Código de Ética estabelece que a prática profissional deve ocorrer mediante consentimento prévio do paciente, representante ou responsável legal, ou decisão judicial, ressalvadas as situações previstas na própria norma.

Isso não significa, entretanto, que o técnico de enfermagem deva assumir a responsabilidade de explicar aspectos médicos de um procedimento para os quais não possui competência.

E se o paciente disser que não entendeu?

Esse é um momento em que a equipe precisa parar e esclarecer. Nunca é adequado pensar:

“Ele já assinou.”

Se o paciente demonstra dúvida, o consentimento precisa ser revisto e as informações novamente explicadas pelo profissional competente.

Um paciente que pergunta:

-“Mas existe risco de eu morrer?”; não deve receber simplesmente dizer:

– “Está tudo explicado no papel.”

Essa pergunta demonstra que existe uma preocupação que precisa ser acolhida e esclarecida.

Consentimento e capacidade de decisão

Nem toda pessoa possui capacidade para tomar decisões de saúde de forma autônoma em todas as situações. É necessário avaliar a capacidade de compreensão e decisão de acordo com o contexto.

Uma pessoa pode estar consciente e conversar normalmente, mas ainda assim apresentar alterações que comprometam sua capacidade de compreender determinada decisão. Por isso, estar acordado não é sinônimo de estar automaticamente apto a consentir sobre qualquer procedimento.

Quando o paciente não possui capacidade para decidir, a situação deve ser conduzida conforme a legislação, as normas profissionais e os protocolos institucionais, incluindo a participação de representante ou responsável legal quando aplicável.

Crianças e adolescentes

A situação envolvendo crianças e adolescentes exige atenção especial. Em determinadas circunstâncias, o consentimento é obtido do responsável legal, enquanto a criança ou adolescente pode participar do processo de decisão de acordo com sua capacidade de compreensão.

No contexto de pesquisa com seres humanos, por exemplo, a legislação brasileira diferencia consentimento do responsável e assentimento do participante menor ou legalmente incapaz, considerando sua capacidade de compreensão. A Lei nº 14.874/2024 estabelece regras específicas para pesquisas envolvendo seres humanos.

É importante não confundir automaticamente as regras de pesquisa científica com as regras aplicáveis à assistência clínica cotidiana: cada situação possui normas próprias.

E quando o paciente está inconsciente?

Em uma situação de emergência, o atendimento não pode simplesmente ser interrompido porque não foi possível obter uma assinatura. Existem situações em que o paciente está incapaz de manifestar sua vontade e não há representante disponível, enquanto a intervenção é necessária para preservar sua vida ou evitar dano grave.

Nessas circunstâncias, aplicam-se as exceções previstas na legislação, normas profissionais e protocolos institucionais. O próprio Código de Ética da Enfermagem prevê ressalvas ao consentimento prévio nos casos em que não haja capacidade de decisão e esteja ausente representante ou responsável legal, entre outras situações previstas.

Isso é diferente de simplesmente realizar um procedimento eletivo sem consentimento.

O consentimento informado protege o profissional?

Sim, o documento pode possuir importante valor documental, ético e jurídico. Mas existe uma diferença enorme entre documentar o consentimento e usar o termo como uma espécie de “blindagem” profissional. Imagine que um profissional cometa uma falha técnica durante um procedimento e depois tente justificar:

“Mas o paciente assinou o termo.” Isso não elimina automaticamente a responsabilidade pelo erro.

O consentimento significa que o paciente autorizou determinado procedimento depois de receber informações adequadas. Ele não autoriza o profissional a agir com negligência, imprudência ou imperícia.

O Código de Ética da Enfermagem estabelece responsabilidade profissional por faltas cometidas no exercício das atividades quando caracterizadas as condições previstas no próprio Código.

Portanto:

  • Consentimento não significa autorização para causar dano.
  • O termo também protege o paciente

Essa talvez seja uma das funções mais importantes do documento. O termo não deve ser encarado somente como proteção para o hospital ou para o profissional. Ele também protege o paciente porque documenta que determinadas informações deveriam ter sido apresentadas e que houve participação na decisão. Mais importante ainda: o próprio processo de consentimento ajuda o paciente a compreender melhor aquilo que acontecerá.

Consentimento informado e sigilo

O consentimento também se relaciona com privacidade e confidencialidade. Informações relacionadas à saúde do paciente são dados sensíveis e devem ser protegidas. O Código de Ética da Enfermagem determina o dever de manter sigilo sobre fatos conhecidos em razão da atividade profissional, ressalvadas as situações previstas em lei ou nas normas éticas.

Por isso, documentos de consentimento, prontuários e informações clínicas devem ser manejados de acordo com as normas de segurança e confidencialidade da instituição e da legislação aplicável.

Qual é o papel da Enfermagem?

A enfermagem está muito próxima do paciente durante todo o processo assistencial. Por isso, frequentemente é o profissional de enfermagem quem percebe primeiro que o paciente:

  • não entendeu o procedimento;
  • está inseguro;
  • apresenta dúvidas;
  • mudou de opinião;
  • está com medo;
  • não compreendeu os riscos;
  • acredita que está assinando outra coisa.

Nessas situações, a equipe de enfermagem deve acolher o paciente e comunicar o profissional responsável, evitando ultrapassar seus limites de competência. O Código de Ética também estabelece que o profissional de Enfermagem deve atuar de maneira autônoma e respeitar os direitos humanos, incluindo liberdade, dignidade, segurança pessoal e livre escolha.

Cuidados de enfermagem relacionados ao consentimento informado

Antes de um procedimento, a enfermagem pode contribuir para que o processo seja mais seguro verificando se o paciente está adequadamente identificado e se a documentação necessária está disponível, de acordo com o protocolo institucional. Também é importante observar se existe alguma situação que possa comprometer a compreensão ou a segurança do paciente.

Por exemplo, um paciente muito sedado, confuso ou com alteração importante do nível de consciência não deve ser tratado da mesma maneira que um paciente plenamente orientado.

Outro cuidado importante é não induzir a resposta do paciente.

Perguntar:

-“Você vai assinar, não é?”; é diferente de perguntar:

-“Você entendeu o procedimento e gostaria que eu chamasse o profissional responsável para esclarecer alguma dúvida?”

A segunda abordagem respeita muito mais a autonomia.

O que a enfermagem deve fazer se o paciente se recusar?

A recusa deve ser tratada com seriedade. O profissional não deve ameaçar, constranger ou ridicularizar o paciente. Uma abordagem adequada é compreender o motivo:

-“Você poderia me explicar o que está deixando você inseguro?”

Talvez o paciente tenha medo da dor. Talvez não tenha entendido o procedimento, talvez tenha recebido uma informação diferente de outro profissional ou talvez simplesmente não queira realizar o procedimento. Depois disso, a situação deve ser comunicada à equipe responsável e documentada conforme os protocolos institucionais.

O direito à autonomia não desaparece simplesmente porque a decisão do paciente é diferente daquela desejada pela equipe.

Termo de consentimento e prontuário

O termo normalmente integra a documentação assistencial e deve ser arquivado conforme as regras da instituição. A documentação precisa permitir identificar:

  • quem consentiu;
  • para qual procedimento;
  • quando;
  • em quais condições;
  • quem prestou as informações;
  • e quais documentos foram utilizados.

A Recomendação CFM nº 1/2016, por exemplo, prevê a existência de vias do termo, com uma destinada ao paciente e outra para arquivamento no prontuário médico. Os detalhes podem variar conforme o procedimento, instituição e regulamentação aplicável.

Consentimento informado não é o mesmo que autorização genérica

Essa diferença é muito importante. Um documento dizendo:

“Autorizo todos os procedimentos necessários.” é muito mais genérico do que um consentimento específico e esclarecido para determinada intervenção.

O paciente precisa saber o que está autorizando. Quanto mais relevante, invasivo ou complexo for o procedimento, maior é a importância de uma comunicação adequada e específica.

Consentimento para procedimentos de enfermagem

A relação entre consentimento e enfermagem não se limita a cirurgias. A assistência de enfermagem também envolve procedimentos que podem exigir consentimento conforme sua natureza, riscos, normas profissionais e protocolos institucionais.

Exemplos podem incluir determinados procedimentos invasivos, coleta de materiais, inserção de dispositivos, administração de determinados tratamentos ou participação em procedimentos específicos. O profissional precisa conhecer as normas institucionais e profissionais relacionadas à sua atividade.

O princípio geral permanece:

“o paciente não deve ser submetido a uma intervenção contra sua vontade, salvo as situações excepcionais previstas em lei e nas normas aplicáveis.”

Termo de consentimento e pesquisa científica

É importante fazer uma distinção. O consentimento para assistência à saúde não é exatamente a mesma coisa que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido utilizado em pesquisas com seres humanos. A pesquisa possui regras próprias.

A Lei nº 14.874/2024 dispõe sobre pesquisas com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, estabelecendo princípios e regras específicas para essa atividade.

Em pesquisas, o consentimento precisa abordar aspectos específicos relacionados à participação do indivíduo, riscos, benefícios, voluntariedade, proteção e demais exigências previstas nas normas aplicáveis.

Um exemplo prático para o estudante de enfermagem

Imagine que um paciente esteja internado e será submetido a um procedimento. Antes de encaminhá-lo, o técnico de enfermagem percebe que ele pergunta:

-“Mas o que exatamente vão fazer comigo?” Esse momento é um sinal de alerta.

A resposta não deve ser:

-“Está tudo no termo que você assinou.”

O profissional pode acolher a dúvida e verificar se o paciente recebeu as informações necessárias, acionando o enfermeiro e/ou profissional responsável pelo procedimento para esclarecimento. Isso é segurança do paciente.

O objetivo não é simplesmente conferir se existe uma assinatura no papel e sim verificar se o processo de cuidado está acontecendo de forma segura, ética e respeitosa.

Principais erros relacionados ao consentimento informado

Um dos erros mais comuns é transformar o termo em uma mera formalidade administrativa. Outro erro é entregar o documento sem explicar seu conteúdo. Também é inadequado utilizar linguagem excessivamente técnica, omitir riscos relevantes, pressionar o paciente para assinar ou tratar a assinatura como autorização para qualquer procedimento futuro.

Outro problema é não registrar adequadamente situações em que o paciente demonstra dúvida, recusa ou mudança de decisão. A enfermagem deve estar atenta a esses sinais.

O que o estudante de enfermagem precisa memorizar?

Se você estiver estudando para uma prova ou começando a trabalhar, pense em cinco palavras:

Informação.

O paciente precisa receber informações adequadas.

Compreensão.

Não basta entregar o documento; é necessário que a informação seja compreensível.

Liberdade.

A decisão não deve ser obtida por ameaça ou coerção.

Autonomia.

O paciente participa da decisão sobre seu próprio cuidado.

Registro.

O processo deve ser documentado adequadamente. Esses cinco pontos ajudam a entender a essência do consentimento informado.

Consentimento informado: não é apenas uma assinatura

O Termo de Consentimento Informado representa uma mudança importante na relação entre profissional e paciente. Durante muito tempo, o modelo de assistência foi fortemente baseado na ideia de que o profissional decidiria e o paciente simplesmente seguiria as orientações. Hoje, a assistência ética valoriza cada vez mais a autonomia, a informação e a participação do paciente.

Para a Enfermagem, isso significa compreender que cuidar não é apenas executar procedimentos. Cuidar também é informar, ouvir, respeitar, orientar, proteger e reconhecer o direito do paciente de participar das decisões sobre sua própria saúde. O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem é bastante claro ao estabelecer o respeito à autonomia da pessoa e ao consentimento prévio para a prática profissional, dentro das situações e exceções previstas.

Portanto, quando você encontrar um Termo de Consentimento Informado no ambiente hospitalar, não pense apenas:

“Preciso conferir se está assinado.”

Pense:

“O paciente sabe o que está acontecendo? Entendeu? Teve oportunidade de perguntar? Está decidindo livremente? E sua decisão está sendo respeitada?” Essa é a essência do consentimento informado.

Referências:

  1. BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Brasília, DF: Presidência da República, 2024. Lei nº 14.874/2024 – Planalto
  2.  

    CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Resolução Cofen nº 564/2017

  3. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Recomendação CFM nº 1/2016. Dispõe sobre o processo de obtenção de consentimento livre e esclarecido para assistência médica. Brasília, DF: CFM, 2016. Recomendação CFM nº 1/2016
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 556/2017, alterada pelas Resoluções Cofen nº 700/2022 e nº 757/2024. Regulamenta a atividade do enfermeiro forense e apresenta modelo de Termo de Consentimento Informado no âmbito de suas disposições. Brasília, DF: Cofen. Resolução Cofen nº 556/2017 e alterações
  5. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Entra em vigor novo Código de Ética da Enfermagem brasileira. Brasília, DF: Cofen, 2018. Cofen – Novo Código de Ética da Enfermagem
  6. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

A Troca da roupa de cama com paciente

A arrumação do leito hospitalar é um procedimento essencial para garantir o conforto e a higiene dos pacientes acamados.

Como realizar?

Materiais Necessários:

  • Lençol de baixo limpo
  • Lençol de cima limpo
  • Lençol móvel ou meio limpo
  • Fronha(s) limpa(s)
  • Edredom ou cobertor limpo (opcional)

Passos:

  1. Remova a roupa de cama usada:
    • Retire o edredom ou cobertor (se houver).
    • Retire o lençol de cima, meio ou móvel e as fronhas.
    • Por fim, retire o lençol de baixo.
  2. Faça a cama:
    • Vire o paciente para um dos lados do leito.
    • Enrolar os lençóis da metade livre da cama, em direção às costas da pessoa.
    • Estender o lençol limpo na metade da cama que está sem lençol.
    • Virar a pessoa sobre o lado da cama que já tem o lençol limpo e remover o lençol sujo, esticando o resto do lençol limpo.
    • Coloque o lençol de baixo no colchão e prenda-o sob os quatro cantos.
    • Coloque o lençol de cima sobre o colchão, alinhando as bordas com as bordas do lençol de baixo.
    • Coloque as fronhas nos travesseiros, acomodando o paciente sobre o mesmo.
    • Por fim, arrume o edredom ou cobertor (se houver) sobre o lençol de cima.

Dicas:

  • Para facilitar, dobre o lençol de baixo ao meio no comprimento e depois ao meio na largura. Isso criará uma linha central que você pode usar para alinhar o lençol no colchão.
  • Para esticar o lençol de cima, segure dois cantos opostos do lençol e puxe-os firmemente sobre os cantos opostos do colchão.
  • Troque a roupa de cama regularmente para manter um ambiente limpo e higiênico.

Referência:

  1. POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G.. Fundamentos de Enfermagem. 9.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

Consistência de líquidos para pacientes Disfágicos

A consistência dos líquidos é um aspecto crucial no manejo de pacientes com disfagia, uma condição que dificulta a deglutição. Essa condição pode afetar a segurança alimentar e nutricional dos pacientes, tornando essencial compreender as diferentes consistências e suas implicações.

Os Tipos de Consistência para Pacientes Disfágicos

Néctar:

    • Descrição: A consistência de néctar é utilizada principalmente para disfagias leves.
    • Características: Os líquidos espessados na consistência de néctar são mais fluidos do que o mel ou o pudim.
    • Indicação: Recomendado para pacientes com dificuldades leves de deglutição.

Mel:

    • Descrição: A consistência de mel é mais espessa do que a de néctar.
    • Características: Os líquidos espessados na consistência de mel têm uma viscosidade intermediária.
    • Indicação: Indicado para pacientes com disfagia moderada.

Pudim:

    • Descrição: A consistência de pudim é a mais espessa entre as três.
    • Características: Os líquidos espessados nessa consistência são densos e lentos para fluir.
    • Indicação: Recomendado para pacientes com disfagia grave.

A Importância da Padronização das Consistências

  • Segurança do Paciente: Fornecer a consistência correta é fundamental para evitar riscos de engasgos ou aspiração.
  • Confusão Terminológica: Múltiplos rótulos e definições podem causar confusão entre profissionais de saúde e cuidadores.
  • Desfechos de Tratamento: Uma terminologia clara permite melhores condições de tratamento e resultados positivos.

Em resumo, a padronização das consistências dos líquidos é essencial para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes com disfagia. É importante que os profissionais de saúde e cuidadores estejam cientes dessas diferenças e sigam as orientações adequadas para cada paciente.

Referências:

  1. Disfagia.org
  2. Nutriçãoclínica
  3. Enutri

Identificação Beira-Leito sem Erros

Placas de Identificação Beira Leito

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 26/09/2026.

A placa na cabeceira pode estar perfeita e, ainda assim, o paciente receber o cuidado errado. O ponto central da identificação segura não é a placa isoladamente, mas a conferência dos identificadores antes do cuidado. A identificação correta deve acompanhar o paciente durante todo o processo assistencial, da admissão às transferências e procedimentos.

Para que serve a placa beira-leito

A identificação beira-leito funciona como um recurso adicional de segurança, facilitando a visualização das informações padronizadas pela instituição. Ela pode conter dados do paciente e informações assistenciais ou de gerenciamento de riscos, conforme o protocolo local.

Mas existe um detalhe importante: a placa não deve substituir a pulseira. Um protocolo hospitalar atualizado em 2025 reforça que a placa beira-leito é uma medida adicional, porque o paciente pode sair do leito, sentar em uma poltrona ou ser transportado, aumentando o risco de associação incorreta entre a identificação e a pessoa.

O que deve constar

Não existe uma única placa nacional com todos os campos obrigatórios para todos os serviços. O conteúdo deve seguir o protocolo institucional.

Entre os dados que podem ser utilizados estão nome completo, data de nascimento, número de prontuário e outros identificadores definidos pelo serviço. Informações relacionadas a riscos assistenciais, como alergias ou risco de queda, também podem aparecer na identificação beira-leito quando previstas pelo protocolo institucional.

Um cuidado importante para quem está estudando: número do quarto, enfermaria ou leito não deve ser utilizado como identificador do paciente. O leito pode mudar, enquanto a identificação deve acompanhar a pessoa.

Dois identificadores são o mínimo

O protocolo nacional orienta a utilização de pelo menos dois identificadores. Entre os exemplos estão nome completo, nome completo da mãe, data de nascimento e número do prontuário, conforme a padronização do serviço. Para recém-nascidos, existem cuidados adicionais relacionados à identificação materna e ao registro do próprio bebê.

Por isso, a informação antiga de que toda pulseira precisa obrigatoriamente ter nome, data de nascimento e número do prontuário deve ser substituída por uma orientação mais precisa: utilize os identificadores definidos no protocolo da instituição, respeitando o mínimo recomendado.

A conferência vem antes do cuidado

Não basta olhar rapidamente para a placa. Antes de administrar medicamento, coletar material, iniciar dieta, realizar procedimento ou transportar o paciente, a equipe deve confirmar a identidade utilizando os identificadores padronizados.

Quando o paciente consegue responder, uma pergunta aberta como “Qual é o seu nome completo?” é mais segura do que perguntar “Você é o senhor João?”. Depois, a resposta deve ser confrontada com a pulseira e com a informação do cuidado que será realizado.

Na prática, é justamente nos momentos de rotina que esse cuidado pode ser esquecido. Um paciente conhecido pela equipe há vários dias continua precisando ter a identificação conferida antes da medicação ou de um procedimento. Conhecer o paciente não elimina a barreira de segurança.

Quando a placa precisa ser revista

Nome incorreto, informação ilegível, mudança de setor, transferência, alteração de risco ou troca de leito são situações que exigem atenção à identificação.

Se a pulseira estiver ilegível, danificada ou tiver caído, deve ser providenciada uma nova identificação conforme o protocolo institucional. A equipe também precisa verificar se os dados da pulseira e da identificação beira-leito estão coerentes.

Em uma transferência interna, por exemplo, não basta trocar o paciente de cama e deixar a placa antiga no local. A identificação precisa acompanhar a pessoa e ser conferida novamente, porque mudanças de leito, setor e profissionais são situações reconhecidas como fatores de risco para falhas de identificação.

A placa não substitui a conferência

Esse é o ponto que mais merece atenção na assistência: identificação visual é uma barreira, não uma autorização para dispensar a conferência.

Mesmo que a placa esteja legível, o profissional deve utilizar os identificadores antes do cuidado. A Anvisa considera a existência de protocolo, o uso de pelo menos dois identificadores e a coincidência entre pulseira e identificação beira-leito elementos avaliados nas práticas de segurança do paciente.

Cuidados de enfermagem

Na rotina, a enfermagem deve:

  • conferir pelo menos dois identificadores antes do cuidado;
  • verificar se pulseira e identificação beira-leito estão legíveis e coerentes;
  • nunca utilizar número do leito como identificador;
  • atualizar a identificação quando houver mudança ou erro;
  • orientar paciente e acompanhante sobre a importância da conferência;
  • redobrar a atenção durante transferências e mudanças de leito;
  • verificar alergias e outros alertas conforme o protocolo institucional;
  • comunicar e corrigir imediatamente uma identificação ausente, ilegível ou incorreta.

A segurança aumenta quando o próprio paciente ou acompanhante participa da conferência, sempre que sua condição permitir. A identificação é uma responsabilidade compartilhada entre equipe, paciente e família.

Resumo para salvar

Identificação Beira-Leito sem Erros

  • A placa beira-leito é uma barreira adicional de segurança
  • Use pelo menos dois identificadores padronizados
  • Nunca use o número do leito como identificador
  • Confira a identificação antes de qualquer cuidado

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA; FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Protocolo de identificação do paciente. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Atualizado na página do Ministério da Saúde em 2026. Protocolo de Identificação do Paciente – Ministério da Saúde
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente – Hospitais com UTI: Protocolo implantado de identificação do paciente. Brasília: Anvisa, 2025. Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente – Anvisa
  3. DISTRITO FEDERAL. Secretaria de Estado de Saúde. Segurança do Paciente: identificação do usuário. Brasília: SES-DF, 2019. Protocolo de Segurança do Paciente – Identificação do Usuário
  4. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE DOURADOS. Protocolo de Identificação do Paciente – versão 06. Dourados: Ebserh, 2025. Protocolo de Identificação do Paciente – HU-UFGD

Sinais Vitais: Quando verificar?

Sinais vitais são medidas essenciais para avaliar o estado de saúde de uma pessoa. Eles incluem aferições como temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e saturação de oxigênio.

“Na minha rotina como técnica de enfermagem intensivista há 16 anos, aprendi que a frequência e a atenção aos sinais vitais fazem a diferença entre identificar uma deterioração clínica a tempo — ou não.”

Em que situações deve verificar os sinais vitais?

  • Na admissão — Quando um paciente chega a um hospital ou clínica, a medição dos sinais vitais é um passo inicial crucial para avaliar o estado geral e identificar possíveis alterações.
  • Na pré-consulta ou consulta ambulatorial — Fundamental para detectar alterações fisiológicas precoces.
  • Após qualquer intervenção ou procedimento — Cirurgias, exames ou procedimentos exigem monitorização para detectar reações adversas.
  • Quando o paciente apresenta sintomas de emergência — Dor no peito, falta de ar ou confusão exigem verificação imediata.
  • Antes e depois da administração de medicamentos — Especialmente relevante com drogas vasoativas.

“Na UTI, medicamentos como noradrenalina e dopamina exigem monitorização contínua ou de minuto em minuto da pressão arterial durante a titulação — um erro de frequência aqui pode significar hipotensão grave ou perfusão inadequada de órgãos.”

  • Antes e depois de mudanças no tratamento — Avalia a resposta terapêutica.
  • Quando o paciente relata alterações nos sintomas — Febre, tontura ou palpitações.
  • Quando o paciente apresenta ansiedade ou dor — Fatores emocionais e físicos alteram os parâmetros vitais.

Na Enfermaria: frequência de verificação baseada em risco (Escala NEWS)

Em áreas de internação, a frequência de verificação não é fixa — ela é determinada pelo escore de risco do paciente, seguindo a Escala NEWS (National Early Warning Score):

  • Categoria 0 (baixo risco): controle a cada 12 horas
  • Categorias 1–4: controle entre 4 e 6 horas
  • Categoria 5 ou mais (ou pontuação 3 em qualquer parâmetro isolado): controle a cada 1 hora
  • Categoria 7 ou mais: monitorização contínua

Cabe à equipe técnica coletar e registrar os dados, mas a avaliação da pontuação total e a definição de conduta são privativas do enfermeiro.

Um exemplo de caso real:

“No pós-operatório de uma colectomia, um paciente de 64 anos clinicamente assintomático apresentou uma deterioração sutil em seus sinais vitais: a frequência respiratória subiu para 21 mpm (+2 pontos), a saturação de oxigênio caiu para 94% (+1 ponto) e a frequência cardíaca elevou-se para 92 bpm (+1 ponto). Embora individualmente aceitáveis, a soma desses parâmetros gerou um escore NEWS de 4 (Alerta Amarelo), o que acionou uma avaliação médica imediata e a realização de uma tomografia de urgência; o exame diagnosticou precocemente uma fístula na anastomose intestinal com peritonite inicial, permitindo a reoperação cirúrgica imediata e evitando que o quadro evoluísse para um choque séptico grave.”

Sinais vitais em situações específicas

  • Contenção mecânica: a equipe de enfermagem deve reavaliar sinais vitais, nível de consciência e estado geral a cada 15 minutos durante todo o procedimento.
  • Dimensionamento de equipe: sinais vitais e outros controles são um dos indicadores oficiais usados para calcular a carga de trabalho e o dimensionamento de pessoal de enfermagem.

“Em 16 anos de UTI, aprendi que a falência orgânica raramente avisa em voz alta; ela prefere sussurrar através de pequenas variações na frequência respiratória e no pulso. Negligenciar um único sinal vital alterado é ignorar o único rastro visível de uma tempestade clínica que já começou a se formar. No ambiente hospitalar, a sensibilidade de ferramentas como o NEWS salva vidas justamente porque transforma a vigilância sutil em ação imediata, muito antes que o pior aconteça.” – Christiane Ribeiro

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Resolução Cofen nº 746, de 20 de março de 2024. Normatiza os procedimentos de Enfermagem na contenção mecânica de pacientes. Disponível em: cofen.gov.br
  2. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Parecer Normativo nº 1/2024/Cofen. Parâmetros para o planejamento da força de trabalho da Enfermagem pelo Enfermeiro. Disponível em: cofen.gov.br
  3. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO PARANÁ (Coren-PR). Parecer Técnico Coren/PR nº 030/2024 — Aplicação da Escala NEWS (National Early Warning Score) pela equipe de enfermagem. Disponível em: ouvidoria.cofen.gov.br
  4. Link interno: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 

Sedestação: Por Que Ela Importa na UTI

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 08/09/2026.

Colocar um paciente sentado à beira do leito pode parecer uma mudança simples de posição, mas, na UTI, esse movimento representa uma etapa importante da recuperação funcional. A sedestação pode fazer parte da mobilização precoce e ajudar o paciente a recuperar controle de tronco, tolerância à posição vertical e participação nas atividades diárias, desde que realizada com avaliação de segurança e progressão individualizada.

O que é sedestação?

Sedestação é a colocação do paciente na posição sentada, que pode ocorrer no próprio leito, à beira do leito ou em uma poltrona, dependendo da capacidade funcional e do objetivo da mobilização.

Na sedestação à beira do leito, o paciente permanece sentado com apoio adequado e, quando possível, com os pés apoiados. A atividade pode ser utilizada para trabalhar equilíbrio, controle de tronco, tolerância postural e preparação para etapas posteriores, como transferência para a poltrona, ortostatismo e deambulação.

Por que mobilizar o paciente?

A imobilidade prolongada está relacionada à perda de força e capacidade funcional, incluindo a fraqueza adquirida na UTI. Por isso, a mobilização passou a integrar estratégias modernas de cuidado do paciente crítico, em vez de ser vista apenas como uma atividade de fisioterapia.

A diretriz PADIS atualizada em 2025 recomenda oferecer mobilização e reabilitação intensificadas em comparação ao cuidado habitual, embora ainda não exista uma frequência ou duração única que possa ser aplicada a todos os pacientes.

Na prática, isso significa que um paciente acordado, cooperativo e hemodinamicamente estável pode começar com uma mudança de posicionamento e evoluir gradualmente para sentar à beira do leito. Outro paciente, mesmo internado na mesma UTI, pode precisar de uma progressão muito mais lenta.

Quando a sedestação pode ser indicada?

A sedestação pode ser considerada em pacientes que apresentam redução da mobilidade, fraqueza muscular, permanência prolongada no leito ou necessidade de recuperar capacidade funcional, desde que não existam contraindicações ou instabilidade clínica que impeçam a atividade.

A avaliação deve considerar principalmente a estabilidade cardiovascular, respiratória e neurológica. O aparecimento de nova instabilidade, desconforto importante, alteração do nível de consciência, queda ou problema com algum dispositivo são motivos para interromper ou reavaliar a mobilização.

Um detalhe importante para quem trabalha em UTI é não considerar automaticamente a ventilação mecânica ou o uso de drogas vasoativas como impedimentos absolutos. O que importa é a estabilidade do paciente e a avaliação individual do risco, sempre seguindo o protocolo da instituição e a decisão da equipe responsável.

Como a progressão acontece?

A mobilização costuma seguir uma progressão conforme a capacidade do paciente: mudança de posicionamento, sedestação no leito, sedestação à beira do leito, transferência para poltrona, ortostatismo e, quando possível, marcha.

Não existe uma “dose” fixa de sedestação que sirva para todos. O tempo deve ser definido de acordo com tolerância, objetivo terapêutico e resposta clínica, podendo ser aumentado progressivamente quando o paciente evolui bem. Diretrizes brasileiras de mobilização precoce descrevem justamente essa progressão funcional, associando a posição sentada ao treinamento de controle de tronco e não simplesmente à permanência passiva nessa posição.

É comum perceber, durante uma mobilização, que o paciente tolera alguns minutos sentado e começa a apresentar queda da pressão arterial, tontura ou alteração da frequência cardíaca. Nesse momento, insistir para “completar o tempo” não faz sentido: a resposta clínica é mais importante do que cumprir uma duração predeterminada.

Segurança antes de levantar

Antes da sedestação, a equipe deve avaliar o estado clínico, nível de consciência, dor, força, capacidade de seguir comandos e estabilidade hemodinâmica e respiratória. Também é necessário conferir os dispositivos conectados ao paciente, como acesso venoso, cateteres, drenos, sondas e ventilação mecânica, planejando previamente como serão protegidos durante a movimentação.

Quando o paciente apresenta baixa capacidade funcional ou risco elevado de queda, a transferência pode exigir mais de um profissional e equipamentos auxiliares. A utilização de recursos adequados reduz riscos tanto para o paciente quanto para a equipe. Diretrizes recentes de posicionamento e mobilização destacam justamente a necessidade de organização, avaliação e utilização segura de estratégias e dispositivos durante a mobilização do paciente crítico.

Em uma situação bastante comum na UTI, o paciente está acordado, mas ainda muito fraco depois de vários dias no leito. Na primeira tentativa de sedestação, ele consegue permanecer sentado somente com apoio e precisa usar as mãos para manter o tronco. Esse momento já fornece uma informação funcional importante e pode servir de referência para comparar a evolução nas mobilizações seguintes.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem participa diretamente da segurança da sedestação, observando sinais vitais, nível de consciência, dor, perfusão, padrão respiratório e tolerância à mudança de posição. Também deve conferir a fixação e o posicionamento dos dispositivos antes da mobilização e comunicar alterações à equipe.

Durante a atividade, é importante observar sinais como tontura, dispneia, dessaturação, alteração importante da pressão arterial ou frequência cardíaca, alteração neurológica, dor ou intolerância. Se surgir instabilidade, a mobilização deve ser interrompida e o paciente reavaliado.

Depois de alguns dias de imobilidade, é possível encontrar um paciente que antes permanecia completamente dependente e, após sessões progressivas, já consegue sentar com menor necessidade de apoio e participar da higiene ou alimentação. Essa evolução funcional é justamente um dos objetivos da mobilização precoce: fazer o paciente recuperar participação ativa no próprio cuidado sempre que sua condição permitir.

Sedestação na UTI: o ponto principal

Sedestação não significa simplesmente “colocar o paciente sentado”. Ela faz parte de uma estratégia de mobilização precoce e recuperação funcional, que deve ser planejada, monitorada e progressiva.

Para a enfermagem, o mais importante é reconhecer quando o paciente está apto, preparar o ambiente e os dispositivos, acompanhar a resposta clínica e comunicar qualquer sinal de intolerância. O objetivo não é manter o paciente sentado por um tempo determinado, mas avançar com segurança para o próximo nível de funcionalidade.

Resumo para salvar

Sedestação na UTI

  • Sedestação é uma etapa da mobilização precoce
  • A progressão deve considerar a condição clínica e a tolerância do paciente
  • Estabilidade cardiovascular, respiratória e neurológica é fundamental
  • Enfermagem participa da avaliação, segurança e monitorização durante a mobilização

Referências:

  1. SCHALLER, Stefan J. et al. Guideline on positioning and early mobilisation in the critically ill by an expert panel. Intensive Care Medicine, v. 50, p. 1211-1227, 2024. DOI: 10.1007/s00134-024-07532-2. Disponível em: Springer Nature – Guideline on positioning and early mobilisation.
  2. LEWIS, K. et al. A focused update to the clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 53, n. 3, p. e711-e727, 2025. Disponível em: SCCM – Focused Update PADIS 2025.
  3. DEVLIN, John W. et al. Clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 46, n. 9, p. e825-e873, 2018. Disponível em: SCCM – PADIS Guidelines. 
  4. FRANÇA, E. E. T. et al. Diretrizes brasileiras de mobilização precoce em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, 2017. Disponível em: SciELO – Diretrizes Brasileiras de Mobilização Precoce.

Pulseira de Identificação: O que deve Conter?

A pulseira de identificação de pacientes é um elemento crucial no ambiente hospitalar. Ela atende a uma das mais relevantes necessidades do setor, que é assegurar a correta identificação dos pacientes.

Quando essa identificação é feita de maneira precisa, reduz-se significativamente o risco de erros, como equívocos na administração de medicamentos ou transfusões de sangue. Além disso, a identificação correta é fundamental para garantir a segurança no cotidiano de um hospital.

Itens importantes que devem conter em uma pulseira de identificação

  • Prevenção de Erros Médicos: A pulseira fornece informações essenciais sobre o paciente, como o nome, o número de identificação, o grupo sanguíneo e quaisquer condições médicas pré-existentes. Esses dados ajudam a equipe médica a fornecer o tratamento certo de forma rápida e eficaz, evitando erros que podem ter consequências graves.
  • Segurança em Casos de Doenças Contagiosas: Em áreas controladas e restritas, como zonas de isolamento para pacientes com doenças contagiosas, é fundamental identificar todas as pessoas que entram e saem. A pulseira permite rastrear os movimentos dos pacientes e visitantes, garantindo que todos estejam cientes das precauções necessárias.
  • Funcionamento da Pulseira: A pulseira pode ser impressa no momento em que o paciente chega à recepção do hospital. Ela contém informações como o nome do paciente, motivo da internação, medicamentos recorrentes, potenciais alergias e contato do responsável legal.
  • Identificadores Mínimos: Para garantir uma identificação correta, recomenda-se usar pelo menos dois identificadores na pulseira branca padronizada. Por exemplo, o nome completo e a data de nascimento são essenciais para evitar confusões.
  • Utilizar no mínimo dois identificadores como:
    • Nome completo do paciente;
    • nome completo da mãe do paciente;
    • data de nascimento do paciente;
    • número de prontuário do paciente.

Em resumo, a pulseira de identificação hospitalar é uma ferramenta vital para a segurança dos pacientes e deve conter informações relevantes para facilitar os cuidados médicos adequados.

Outros pontos importantes

Quanto à pulseira de identificação:

  • Deve conter nome completo – sem abreviatura e data de nascimento com dois dígitos para dia, 02 dígitos para mês e 04 dígitos para ano (xx/xx/xxxx).
  • Quando o paciente não puder ter sua identificação confirmada por estar sem documento, mas está consciente e sabe informar a nome completo e a data de nascimento e/ou seu acompanhante fornece os dados solicitados, a Identificação do paciente na pulseira e na ficha de identificação (anexo) será precedido da sigla PSD (paciente sem documento).
  • Quando o paciente estiver sem documento inconsciente, com confusão mental ou não sabe informar nome completo e data de nascimento, deverá ser utilizado como identificadores para nome: identidade sexual, cor da pele precedido da sigla PNI (paciente não identificado), se tiver cicatriz, tatuagem em face que o identifique, poderá ser acrescentado (ex.: PNI, homem de cor parda, D.I xx/xx/xxxx).
    • Identificadores para data de nascimento: será a data da internação (dia, mês e ano) precedida pela sigla DI (data da Internação): xx/xx/xxxx).
    • Neste caso, o número do atendimento será obrigatório estar descrito na pulseira de identificação e deverá ser conferido por leitura antes de cada cuidado e ou procedimento.
  • Nas demais situações o número do atendimento e ou prontuário poderá estar presente, não se faz obrigatório e não será considerado marcador de identificação obrigatório para auditorias.
  • Se a pulseira de identificação estiver danificada, for removida acidentalmente ou se tornar ilegível, deverá s ser solicitada ao setor de internação uma nova pulseira.
  • A pulseiras com registro manual deverá ser preenchida obrigatoriamente com letra de forma (caixa alta) legível.
  • Todos os formulários, etiquetas ou rótulos que identifiquem pacientes deverão possuir os dois marcadores de identificação nome e data de nascimento, e devem ser corretamente preenchidos.
  • A pulseira de identificação deve ser colocada, preferencialmente, no punho direito. Caso não seja possível a instalação nesse membro, será obedecida a seguinte ordem:
    • Punho esquerdo;
    • Tornozelo direito;
    • Tornozelo esquerdo.
  • Peça ao paciente que declare (e, quando possível, soletre) seu nome completo e data de nascimento.
  • Para a identificação do recém-nascido, a pulseira de identificação deve conter minimamente a informação do nome da mãe e o número do prontuário do recém-nascido e
    outras informações padronizadas pelo serviço de saúde.
  • Quando for realizada transferência para outro serviço de saúde, um identificador adicional do paciente pode ser o endereço.
  • Não usar o número do quarto/enfermaria/ leito do paciente como um identificador, em função do risco de trocas no decorrer da estadia do paciente no serviço.

O objetivo é que todos os pacientes permaneçam com a mesma pulseira durante a sua permanência na instituição, mas certas situações clínicas exigem que seja realizado um rodízio de membros, como na presença de edemas, de dispositivos invasivos, amputações, dentre outros.

Quando for necessária a realização do rodízio, a equipe de enfermagem responsável pelo cuidado deverá solicitar a internação, uma nova pulseira e providenciar a troca, procurando seguir as prioridades na eleição do membro. A saber: membro superior direito, membro superior esquerdo, membro inferior direito, membro inferior esquerdo.

Referências:

  1. EBSERH
  2. ANVISA

Admissão: O que anotar?

A admissão de um paciente é um processo importante que envolve a coleta de dados relevantes sobre sua condição de saúde, história clínica, alergias, medicamentos em uso, entre outros.

Itens importantes

O que anotar na ficha de admissão depende do tipo de serviço e da instituição onde o paciente será atendido, mas alguns itens são comuns a todos os casos:

  • Dados pessoais: nome completo, data de nascimento, sexo, estado civil, profissão, endereço, telefone, documento de identidade, CPF, cartão do SUS ou convênio.
  • Motivo da admissão: o que levou o paciente a procurar o serviço de saúde, quais são seus sintomas, há quanto tempo eles começaram, se há alguma causa conhecida ou suspeita.
  • História clínica: doenças prévias, cirurgias realizadas, internações anteriores, vacinação em dia, hábitos de vida (tabagismo, alcoolismo, atividade física), antecedentes familiares de doenças crônicas ou hereditárias.
  • Exame físico: sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, respiração), peso, altura, índice de massa corporal (IMC), avaliação da pele, mucosas, cabelos, unhas, olhos, ouvidos, nariz, boca, pescoço, tórax, abdome, membros superiores e inferiores, genitais, ânus e reto.
  • Exames complementares: resultados de exames laboratoriais, de imagem ou outros que o paciente tenha realizado ou que sejam solicitados pelo médico responsável.
  • Diagnóstico: a conclusão do médico sobre o quadro clínico do paciente, baseada nos dados coletados e nos exames realizados.
  • Plano terapêutico: as medidas que serão tomadas para tratar o paciente, incluindo medicamentos prescritos, procedimentos cirúrgicos ou invasivos, orientações sobre dieta, repouso, atividade física e cuidados gerais.
  • Evolução: o registro diário da situação do paciente durante sua permanência no serviço de saúde, incluindo sua resposta ao tratamento, eventuais complicações ou intercorrências e alta ou transferência para outro serviço.

Esses são os principais pontos que devem ser anotados na admissão de um paciente. É importante que as informações sejam claras, objetivas e completas, para garantir uma assistência de qualidade e segurança ao paciente e à equipe de saúde.

Referência:

  1. COREN-SP

Paciente Colonizado Vs Infectado: As diferenças

As bactérias, assim como outros microrganismos, não estão sempre associadas à infecção, mas podem colonizar transitória ou permanentemente vários sítios corporais.

A diferença entre colonização e infecção leva em consideração não apenas o sítio corporal de onde o microrganismo foi isolado, mas também as condições clínicas do paciente.

Resumidamente, pode-se dizer que colonização é a presença de microrganismos sem que ocorram alterações nas funções normais do órgão/tecido ou resposta imune inflamatória; já na infecção, os microrganismos estão se multiplicando em grande quantidade e provocam alterações orgânicas.

Entenda as diferenças

Um paciente colonizado é aquele que tem uma bactéria em alguma parte do seu corpo, mas não apresenta sinais ou sintomas de infecção. A bactéria pode estar presente na pele, nas mucosas, nas feridas, nos cateteres ou em outros locais, mas não causa nenhum dano ao organismo. (Ex: testa positivo para bactéria Clostridium Difficile e pode ser agente de disseminação)

Um paciente infectado é aquele que tem uma bactéria que invade os tecidos ou os órgãos e provoca uma resposta inflamatória, com manifestações clínicas como febre, dor, vermelhidão, secreção ou alteração de exames laboratoriais. A infecção pode ser causada por bactérias comuns ou multirresistentes, que são aquelas que não são sensíveis a vários grupos de antibióticos.  (Ex: testa positivo para bactéria Clostridium Difficile porém já está em situação clínica vulnerável por outras doenças)

Como é diagnosticado?

O diagnóstico de colonização ou infecção depende da avaliação clínica do paciente e da realização de exames microbiológicos, como culturas de secreções ou de sangue. A colonização e a infecção podem ter implicações para o tratamento e a prevenção da transmissão de bactérias entre os pacientes e os profissionais de saúde.

A colonização pode ser detectada por meio de culturas de vigilância, que são exames realizados em pacientes de risco para identificar a presença de bactérias multirresistentes.
A infecção pode ser diagnosticada por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, que mostram evidências de comprometimento dos tecidos ou órgãos afetados pela bactéria.
Referências:
  1. EBSERH
  2. Secretaria de Saúde DF
  3. https://www.scielo.br/j/ape/a/J4qMbKZQVbZXsHgk5zjG4Kc/?lang=pt&format=pdf
Notícias da Enfermagem

Grupo da Enfermagem desenvolve aplicativo Paciente Empoderado

Vá direto ao ponto!1. Cuidado com o paciente2. Empoderamento do paciente3. Prêmios Uma das principais características da contemporaneidade é conhecida pela revolução tecnológica que se faz presente através de um click nos smartphones. Acessamos e-mails, conversamos com pessoas distantes em tempo real e muitos apps oferecem orientações para o cidadão comum sobre bem-estar e saúde. […]