<p>Faltando uma semana para o Carnaval, o número de pacientes já estava diminuindo e o movimento era outro — fato sentido pelos pacientes que ficariam internados em minha unidade. Eram 14 transplantados, 12 mulheres e dois homens.</p>
<p>Ao passar o plantão, a enfermeira da noite salientou que tais pacientes estariam tristonhos e dormiriam pouco, pois não gostariam de passar o Carnaval no hospital. Pela manhã, ao fazer o acompanhamento desse pacientes, constatei que havia tristeza no ar.</p>
<p>Para animá-los, disse que faríamos um &#8220;baile de Carnaval&#8221; e que todos ficaríamos bem. Pouco depois, para minha surpresa, procurou-me o esposo de uma paciente que morava na Grande Porto Alegre e tinha familiares em Santa Catarina, querendo saber qual a data e horário do &#8220;baile&#8221;, pois suas filhas e irmãs viriam para dar apoio e participar do evento.</p>
<p>O que me surpreendeu foi o tom de seriedade que esse senhor deu ao acontecimento. Então, expliquei que, quando falara em fazer um &#8220;baile de Carnaval&#8221;, não tinha sido no sentido real da expressão. Conversei com os outros pacientes para saber se todos tinham levado a questão tão a sério e, para meu alívio, descobri que não. Porém, comecei a pensar como poderia fazer alguma coisa para animar a todos e que realmente lembrasse um baile de Carnaval. Discuti o assunto com o pessoal do serviço de recreação, que estava acostumado a fazer esse tipo de atividade, e consegui seu apoio.</p>
<p>Então, retornei ao esposo da paciente, dizendo-lhe que o &#8220;baile&#8221; seria no sábado de Carnaval, às 16h. Passei a ideia para a enfermagem, equipe médica e pacientes, já chamando o acontecimento de &#8220;baile dos transplantados&#8221;. Com o auxílio da recreação, os pacientes passaram a confeccionar seus trajes ou fantasias. Isto gerou um novo movimento e a semana passou rapidamente, como eles mesmos disseram. Além disso, ocorreu uma integração entre os internos, que acabaram se conhecendo melhor e compartilhando suas experiências. Decidimos, então, que escolheríamos uma rainha, princesas, brotos e soberanos.</p>
<p>Todos ajudaram a fazer as faixas. Chegando o grande dia, montamos o cenário, com mesa, baleies, pipocas sem gordura, refrigerante diet, balas e uma flor para cada paciente. Após a enfermagem ter administrado a medicação das 16h, chamamos todos os pacientes e seus familiares, a supervisora de enfermagem e a estagiária da recreação.</p>
<p>Colocamos música de Carnaval e homenageamos todos os pacientes com as faixas que eles mesmos haviam confeccionado. Nunca vou esquecer desta experiência, por três razões. Primeiro, pela responsabilidade que devemos ter com aquilo que fazemos e dizemos às pessoas. Segundo, pela força da mensagem de alegria que uniu pacientes, familiares e equipe. E, finalmente, pela animação do grupo, ao preparar e participar daquele inesquecível baile.</p>
<p><em>Celia Mariana de Sousa é Enfermeira, uma crônica parte do &#8220;Caminho do Cotidiano da Enfermagem&#8221;.</em></p>
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[Crônicas de um Enfermeiro] Baile de Carnaval

