Coberturas para cada Estágio/Fase das feridas

O cuidado com feridas é uma das áreas mais técnicas e sensíveis da enfermagem. Escolher a cobertura correta para cada tipo e estágio de ferida não é apenas uma decisão clínica, mas também um passo essencial para acelerar a cicatrização, reduzir a dor e evitar infecções. Cada fase da ferida requer um tipo diferente de manejo, e entender essa lógica faz toda a diferença na qualidade do cuidado.

Este artigo tem o objetivo de guiar o estudante de enfermagem na identificação dos estágios e fases das feridas e na escolha apropriada das coberturas, com explicações claras, exemplos práticos e orientações de cuidados.

Entendendo os estágios das feridas

Antes de falarmos sobre os curativos, é crucial lembrarmos os três principais estágios da cicatrização, pois é a partir deles que tomamos nossas decisões:

  • Fase Inflamatória: É o início do processo. A ferida está avermelhada, inchada, com dor e calor. Há a presença de exsudato (o líquido que a ferida produz). O objetivo aqui é controlar a inflamação, limpar e proteger.
  • Fase Proliferativa (ou de Granulação): A ferida começa a se reconstruir. Aparece o tecido de granulação, que é aquele tecido vermelho, brilhante e com aspecto granuloso, rico em vasos sanguíneos. O exsudato diminui, mas ainda está presente. O objetivo é manter um ambiente úmido e proteger o novo tecido.
  • Fase de Maturação (ou de Remodelação): O tecido de granulação se transforma em uma cicatriz. O objetivo é proteger a pele nova e garantir que a cicatriz se desenvolva da melhor forma possível.

Além dessas fases, as feridas por pressão (escaras) são classificadas em estágios, de I a IV, além de feridas não classificáveis e lesão de tecido profundo.

Coberturas indicadas para cada fase ou estágio da ferida

Estágio I – Eritema não branqueável

  • Características: Pele íntegra, com vermelhidão persistente, geralmente sobre proeminência óssea.
  • Objetivo do tratamento: Proteger a pele e evitar evolução para ferida aberta.
  • Coberturas indicadas:
    • Filmes transparentes (como poliuretano)
    • Hidrocoloides finos

Essas coberturas atuam como barreiras protetoras e permitem visualização da pele sem remoção constante.

Estágio II – Perda parcial da derme

  • Características: Lesão superficial, pode ter aparência de abrasão, bolha ou úlcera rasa.
  • Objetivo do tratamento: Manter o ambiente úmido e proteger contra infecção.
  • Coberturas indicadas:
    • Hidrocolóides
    • Hidrogéis com gaze secundária
    • Espumas de poliuretano finas

Estas coberturas ajudam a manter a umidade ideal para cicatrização sem agredir o leito da ferida.

Estágio III – Perda total da pele (epiderme e derme) com exposição de tecido subcutâneo

  • Características: Ferida profunda, com possível presença de exsudato moderado a intenso e tecido de granulação.
  • Objetivo do tratamento: Controlar exsudato, favorecer granulação e proteger o tecido.
  • Coberturas indicadas:
    • Espumas absorventes (com ou sem prata)
    • Alginatos de cálcio
    • Hidrofibras
    • Carvão ativado com prata (em caso de odor e infecção)

O uso de coberturas com maior poder de absorção é fundamental para controlar o excesso de exsudato e evitar maceração da pele ao redor.

Estágio IV – Perda total com exposição de músculo, osso ou tendão

  • Características: Ferida extensa, profunda, com alto risco de infecção e presença frequente de necrose ou túnel.
  • Objetivo do tratamento: Desbridamento, controle da infecção, absorção do exsudato e estímulo à granulação.
  • Coberturas indicadas:
    • Alginatos
    • Hidrofibras com prata
    • Espumas espessas
    • Hidrogéis (em áreas necróticas secas)
    • Terapia por pressão negativa (quando indicada)

Nessa fase, o cuidado multidisciplinar é ainda mais importante, pois há risco real de complicações sistêmicas.

Feridas não classificáveis e lesão de tecido profundo

  • Características: Cobertas por esfacelo ou necrose, impossibilitando a visualização do leito da ferida.
  • Objetivo do tratamento: Remover tecido desvitalizado e expor o leito para avaliação e cuidado adequado.
  • Coberturas indicadas:
    • Hidrogéis (desbridamento autolítico)
    • Carvão ativado com prata
    • Papaina (quando disponível, sob prescrição)
    • Desbridamento enzimático ou cirúrgico (quando indicado)

Essas lesões exigem avaliação contínua e, muitas vezes, intervenção médica direta.

Fase Inflamatória (ou Exsudativa)

Duração: Primeiros dias após a lesão (até 3 a 5 dias).
Características da ferida: Presença de exsudato (secreção), edema, dor, sinais de inflamação, possível infecção.

Objetivos do curativo:

  • Controlar o exsudato
  • Reduzir o risco de infecção
  • Manter o ambiente úmido adequado
  • Promover desbridamento autolítico, se necessário

Coberturas indicadas:

  • Espumas de poliuretano: absorvem o exsudato e protegem mecanicamente
  • Alginato de cálcio: excelente para feridas muito exsudativas
  • Carvão ativado com prata: quando há suspeita ou risco de infecção
  • Hidrogel: em feridas secas ou com crostas, para auxiliar na hidratação e desbridamento
  • Curativos com prata, PHMB ou iodo: com ação antimicrobiana

Fase Proliferativa

Duração: De 4 a 21 dias, dependendo do tipo de ferida.
Características da ferida: Formação de tecido de granulação, redução do exsudato, início da epitelização.

Objetivos do curativo:

  • Proteger o novo tecido
  • Manter ambiente úmido
  • Estimular a migração celular
  • Evitar trauma na troca de curativo

Coberturas indicadas:

  • Hidrocolóides: mantêm o meio úmido e são indicados para feridas com pouco exsudato
  • Espumas com baixa aderência: para absorver exsudato moderado e proteger o leito
  • Membranas de poliuretano transparentes (filmes): para feridas superficiais ou em epitelização
  • Curativos com colágeno: favorecem a proliferação celular
  • Hidrofibras: se ainda houver exsudato, ajudam a manter o equilíbrio da umidade

Fase de Remodelação (ou Maturação)

Duração: Pode durar semanas ou meses.
Características da ferida: Epitelização completa, redução da vascularização, cicatriz formada.

Objetivos do curativo:

  • Proteger o tecido novo
  • Prevenir traumas
  • Evitar hipertrofia ou quelóides

Coberturas indicadas:

  • Filmes de poliuretano: proteção e visualização sem remoção
  • Silicone em gel ou placas de silicone: para prevenção de cicatrizes hipertróficas
  • Curativos finos não aderentes: proteção mecânica até cicatrização total

Cuidados de enfermagem no manejo de coberturas

O enfermeiro ou técnico de enfermagem deve sempre observar aspectos importantes na escolha e no uso das coberturas:

  • Avaliação da Ferida: Antes de cada troca, avalie a ferida por completo (tamanho, profundidade, tipo de tecido, quantidade e tipo de exsudato, odor, sinais de infecção, estado da pele ao redor).
  • Limpeza Adequada: Limpar a ferida com soro fisiológico 0,9% é a regra de ouro, a não ser que haja outra prescrição.
  • Preparação da Pele Perilesional: Proteger a pele ao redor da ferida é tão importante quanto cuidar da ferida em si. Use cremes de barreira para evitar maceração.
  • Troca no Momento Certo: Não trocar o curativo mais do que o necessário. Trocas frequentes podem traumatizar o novo tecido.
  • Educação do Paciente: Explicar para o paciente e sua família o tipo de curativo que está sendo usado, por que ele foi escolhido e como ele funciona. Isso os tranquiliza e os torna parceiros no tratamento.
  • Registro Preciso: Documentar cada troca de curativo, descrevendo a ferida, o curativo usado e a resposta do paciente. Isso permite acompanhar a evolução e ajustar o plano de cuidados.

Além disso, o uso racional de coberturas evita desperdícios e reduz custos sem comprometer o cuidado.

Escolher a cobertura certa para cada estágio da ferida é um passo gigantesco para um tratamento eficaz. Com conhecimento, observação e um toque de humanidade, nós, profissionais de enfermagem, somos os verdadeiros catalisadores da cicatrização, trazendo alívio e bem-estar para os nossos pacientes.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de uso de coberturas para o tratamento de feridas. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em:
    https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_feridas.pdf
  2. SILVA, M. A.; SANTOS, L. C. Tratamento de Feridas: Guia Prático de Coberturas. São Paulo: Atheneu, 2019.
  3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTOMATERAPIA (SOBEST). Prática clínica em estomaterapia: feridas, estomias e incontinências. 2. ed. São Paulo: Manole, 2020.
  4. SOUZA, N. L.; LOPES, C. M. “Feridas: avaliação e escolha adequada da cobertura.” Revista de Enfermagem Atual, v. 88, n. 2, 2021.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_curativos_normas_tecnicas.pdf
  6. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar os capítulos sobre tratamento de feridas e coberturas).

    MONTOYA, V. M. G.; et al. As melhores evidências no cuidado de feridas. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 45, n. 4, p. 950-955, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Bv8y76yY7zSg4tPz9wWkMvD/?lang=pt

Coberturas de Curativos para Pacientes Queimados

O tratamento de grandes queimados é um desafio complexo para a equipe de saúde, exigindo cuidados especializados e abordagens multidisciplinares. Um dos aspectos mais críticos desse tratamento é a escolha das coberturas de curativos, que desempenham um papel fundamental na cicatrização, prevenção de infecções e conforto do paciente.

Nesta publicação, vamos explorar as melhores práticas e avanços no uso de coberturas para grandes queimados, com base no artigo disponível na Revista Brasileira de Queimaduras (link: https://www.rbqueimaduras.com.br/details/392).

A Importância das Coberturas de Curativos em Queimaduras

As queimaduras graves causam danos extensos à pele, comprometendo sua função de barreira protetora. As coberturas de curativos são essenciais para:

  1. Proteger a Ferida: Evitar contaminação por microrganismos.
  2. Promover a Cicatrização: Manter um ambiente úmido e favorável à regeneração tecidual.
  3. Controlar a Dor: Reduzir o atrito e a exposição da ferida.
  4. Prevenir Infecções: Barreira física contra bactérias e outros patógenos.

Tipos de Coberturas para Pacientes Queimados

O artigo da Revista Brasileira de Queimaduras destaca várias opções de coberturas, cada uma com indicações específicas. Vamos conhecer as principais:

  1. Coberturas Biológicas
  • Exemplos: Pele humana (aloenxerto), pele de porco (xenoenxerto).
  • Vantagens: Promovem a regeneração tecidual e reduzem a perda de líquidos.
  • Indicações: Queimaduras profundas e extensas, como ponte temporária até a realização de enxertos autólogos.
  1. Coberturas Sintéticas
  • Exemplos: Membranas de silicone, poliuretano, hidrocoloides.
  • Vantagens: Fácil aplicação, mantêm a umidade e reduzem a dor.
  • Indicações: Queimaduras superficiais e intermediárias.
  1. Coberturas com Substâncias Ativas
  • Exemplos: Curativos com prata (antimicrobiana), colágeno, ácido hialurônico.
  • Vantagens: Combatem infecções e aceleram a cicatrização.
  • Indicações: Queimaduras infectadas ou com alto risco de infecção.
  1. Terapia com Pressão Negativa (VAC – Vacuum-Assisted Closure)
  • Funcionamento: Aplica pressão negativa para remover exsudato e estimular a formação de tecido de granulação.
  • Vantagens: Reduz o edema, controla a infecção e acelera a cicatrização.
  • Indicações: Queimaduras complexas e feridas com grande perda tecidual.

Cuidados de Enfermagem no Manejo de Coberturas

A equipe de enfermagem desempenha um papel central na aplicação e monitoramento das coberturas de curativos. Aqui estão os principais cuidados:

  1. Avaliação da Ferida
  • Observe o tamanho, profundidade e características da queimadura.
  • Verifique sinais de infecção, como pus, odor fétido ou vermelhidão ao redor da ferida.
  1. Escolha da Cobertura
  • Selecione o tipo de cobertura de acordo com a extensão e gravidade da queimadura, seguindo as orientações médicas.
  1. Técnica Asséptica
  • Lave as mãos e utilize equipamentos esterilizados para evitar contaminação.
  • Limpe a ferida com solução fisiológica ou antissépticos adequados antes de aplicar a cobertura.
  1. Troca de Curativos
  • Realize a troca conforme a necessidade, evitando remoções frequentes que possam danificar o tecido em regeneração.
  • Documente as características da ferida e a resposta ao tratamento.
  1. Controle da Dor
  • Utilize analgésicos e técnicas de distração durante a troca de curativos.
  • Escolha coberturas que minimizem o atrito e a dor.
  1. Educação do Paciente e Familiares
  • Explique a importância da cobertura e os cuidados necessários.
  • Oriente sobre sinais de alerta, como febre ou piora da dor.

Avanços e Tendências

O artigo da Revista Brasileira de Queimaduras também destaca avanços promissores no tratamento de grandes queimados, como:

  • Coberturas com Células-Tronco: Promovem a regeneração tecidual e reduzem cicatrizes.
  • Bioprinting 3D: Criação de tecidos personalizados para enxertos.
  • Terapias com Fatores de Crescimento: Estimulam a cicatrização e a angiogênese.

As coberturas de curativos são um componente essencial no tratamento de pacientes queimados, contribuindo para a cicatrização, o controle de infecções e o conforto do paciente.

A escolha da cobertura adequada, aliada aos cuidados especializados da equipe de enfermagem, pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do paciente.

Referência:

  1. Revista Brasileira de Queimaduras. Coberturas de Curativos para Grandes Queimados. Disponível em: https://www.rbqueimaduras.com.br/details/392. 

Desbridamento Autolítico: Coberturas

O desbridamento autolítico é um processo natural de limpeza da ferida, onde o próprio organismo utiliza suas próprias enzimas para remover o tecido necrosado (morto). É como se o corpo fizesse uma limpeza interna, promovendo a cicatrização.

Como funciona?

As coberturas utilizadas nesse processo, como hidrogel e hidrocolóides, criam um ambiente úmido na ferida, o que facilita a ação das enzimas, e as enzimas presentes no organismo começam a decompor o tecido morto, transformando-o em um material gelatinoso que pode ser facilmente removido com a troca do curativo.

Coberturas para Desbridamento Autolítico

Cada cobertura possui características específicas que as tornam mais adequadas para diferentes tipos de feridas e estágios de cicatrização.

Hidrogel

    • Forma um gel na ferida, proporcionando um ambiente úmido e resfriante.
    • Indicado para feridas secas e com necrose.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na redução do odor.

Hidrocolóide

    • Forma um gel na superfície da ferida, mantendo a umidade e protegendo os tecidos saudáveis.
    • Indicado para feridas com pouco ou moderado exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na promoção da granulação.

Hidropolímero

    • Absorve o exsudato e mantém a umidade da ferida, proporcionando um ambiente ideal para a cicatrização.
    • Indicado para feridas com moderado a alto exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na prevenção da maceração.

Hidrofibra

    • Fibras altamente absorventes que formam um gel em contato com o exsudato.
    • Indicado para feridas com alto exsudato e cavitárias.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na manutenção de um ambiente úmido.

Fibras hidrodesbridantes

    • Fibras que interagem com o exsudato, formando um gel que facilita a remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas com tecido necrótico aderido.
    • Auxilia na remoção do tecido necrosado de forma suave e indolor.

Iodo cadexômero

    • Libera iodo de forma gradual, proporcionando ação antimicrobiana e auxiliando na remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas infectadas ou com risco de infecção.
    • Auxilia na prevenção da colonização bacteriana e na promoção da cicatrização.

Quando usar o Desbridamento Autolítico?

  • Feridas com tecido necrosado.
  • Feridas superficiais.
  • Pacientes com pouca dor.
  • Quando outros métodos de desbridamento não são adequados.

É importante ressaltar que a escolha da cobertura ideal e a condução do tratamento devem ser realizadas por um profissional de saúde qualificado.

Referência:

  1. SOBEST; URGO. Preparo do leito da ferida. 2016. Disponível em: https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Preparo-do-leito-da-ferida_SOBEST-e-URGO-2016.pdf

Coberturas e Correlatos de feridas: As diferenças

No contexto médico, especialmente no cuidado de feridas, coberturas e correlatos são termos distintos, embora interligados, com funções específicas no processo de cicatrização.

Entenda as diferenças

Coberturas

  • Função principal: Entrar em contato direto com a ferida, proporcionando um ambiente propício para a cicatrização.
  • Tipos: Variedade imensa, desde curativos simples (gaze, algodão) até produtos complexos (coberturas bioabsorvíveis, películas de hidrogel).
  • Características: Escolha depende das características da ferida (exsudato, profundidade, tecido necrosado, etc.), objetivo do tratamento (absorção, cicatrização úmida, controle de infecção) e perfil do paciente.
  • Exemplos:
    • Gaze: Absorve exsudato, facilita troca gasosa.
    • Cobertura de hidrogel: Mantém ambiente úmido, favorece desbridamento autolítico.
    • Alginato: Altamente absorvente, controla sangramento, indicado para feridas cavitadas.

Correlatos

  • Função principal: Complementar a ação das coberturas, auxiliando no processo de cicatrização.
  • Tipos: Antisépticos, soluções de limpeza, cremes, pomadas, gazes impregnadas com antimicrobianos, drenos, ataduras, bandagens, etc.
  • Características: Escolha depende da cobertura utilizada, características da ferida e comorbidades do paciente.
  • Exemplos:
    • Solução de salina: Limpa a ferida, remove sujidades e detritos.
    • Antisséptico: Combate microrganismos, reduz risco de infecção.
    • Pomada cicatrizante: Estimula cicatrização, reduz formação de queloides.
    • Drenos: Removem líquidos e secreções da ferida, impedem acúmulo e formação de hematomas.

Em resumo

  • Coberturas: “Vestem” a ferida, criando um ambiente ideal para cicatrização.
  • Correlatos: “Acessórios” que complementam as coberturas, otimizando o processo.

Juntas: Coberturas e correlatos trabalham em sinergia para promover a cicatrização rápida e eficaz, prevenindo infecções e complicações.

Observações importantes

  • A escolha correta de coberturas e correlatos deve ser feita por um profissional enfermeiro, com base em avaliação individual da ferida e do paciente.
  • Automedicação pode atrasar a cicatrização e colocar em risco a saúde.
  • Siga rigorosamente as instruções do profissional quanto à troca de curativos e uso dos produtos.
  • Mantenha dúvidas e preocupações em relação ao tratamento em aberto com o profissional responsável.

Referência:

  1. COREN-SP

Cloreto de Dialquil Carbamoil (Dacc)

O Cloreto de Dialquil Carbamoil (Dacc) é uma tecnologia física, com uma proteína hidrofóbica que tem na placa e que puxa a bactéria, o vírus, o fungo, tudo que está na ferida fica aderido na placa, quando o profissional faz a troca retira todo o vestígio com a limpeza.

Pacientes com feridas complexas crônicas têm o tempo de tratamento prolongado, geralmente, esses pacientes evoluem com resistência e a ferida fica estagnada, então o Dacc é uma alternativa segura que pode ser utilizada por tempo prolongado.

Composição

Curativo antimicrobiano composto de tecido acetato impregnado com Cloreto de Dialquil Carbamoil (DACC), uma substância fortemente hidrofóbica que se liga aos microrganismos de forma rápida e eficaz, promovendo a remoção de bactérias e outros microrganismos de feridas exsudativas contaminadas, colonizadas ou infectadas.

Indicação

Indicado para todos os tipos de feridas exsudativas contaminadas, colonizadas ou infectadas, independentemente da sua etiologia, tais como feridas crônicas (úlceras venosas, arteriais ou diabéticas e lesões por pressão), além de outras indicações:

  • Feridas contaminadas, colonizadas ou infectadas com exsudação moderada à elevada;
  • Feridas crônicas (por exemplo, úlceras venosas, arteriais, diabéticas ou lesão por pressão);
  • Feridas pós-operatórias deiscentes;
  • Feridas traumáticas;
  • Feridas após a excisão de abscessos e fístula;
  • Feridas com Infecções fúngicas.

Tempo de Permanência

O curativo pode ser trocado diariamente ou permanecer no local por até 7 dias em feridas úmidas sob compressão, porém em média ele permanece no local de 1 a 3 dias.

Características

  • Efetividade antimicrobiana comprovada mesmo contra MRSA e VRE;
  • Pode ser utilizado por tempo prolongado de tratamento, pois não possui efeitos citotóxicos
  • Terapia segura para crianças, gestantes e lactantes, pois não libera nenhum agente químico no leito da lesão.
  • Gestão do exsudato confiável e adaptável a níveis variáveis de exsudato, mesmo sob terapia compressiva.
  • Bordas em silicone com aderência suave a pele íntegra perilesional
  • Película transparente na camada superior do curativo permite o acompanhamento eficaz da saturação do mesmo
  • Não adere no leito da ferida, facilitando as trocas de curativos e favorecendo o processo de cicatrização.

Apresentações

  • Round Swabs: tecido de acetado em formato redondo com 3cm, indicado para limpeza da ferida superficial, e preenchimento de cavidade em feridas pequenas e profundas.
  • Swabs (“compressa”): tecido de acetado, com medidas variadas, indicados como curativo primário em feridas superficiais ou profundas.

Referência:

  1. Utilização do cloreto de dialquil carbamoil na prevenção e tratamento de biofilme em feridas. Freitas, Paula de Souza Silva; Rezende, Lucas Dalvi Armond; Silva, Kelly Eduarda de Jesus; Fiorin, Bruno Henrique; dos Santos, Ramon Araújo; Ramalho, Aline de Oliveira.Estima (Online) ; 19(1): e1621, jan.-dez. 2021. ilus, Tab 

Curativo à Vácuo ou Pressão Negativa

A terapia a vácuo é uma tecnologia não invasiva, indicada ao tratamento de feridas, que favorece a cicatrização.  A técnica é realizada por curativos de Terapia por Pressão Negativa (TPN), que utiliza uma espuma de poliuretano, ajustada ao tamanho e profundidade de lesão, e a cobre com um filme transparente permeável ao vapor e com aderência sobre a esponja, gerando uma vedação.

Conectado a um tubo aspirador que o liga a um aparelho eletrônico (bomba portátil), é aplicada sobre esse sistema uma pressão uma pressão sub-atmosférica entre 5 e 125 mmHg, igualmente distribuída sobre toda a ferida, o que vai beneficiar na junção das bordas da lesão, na redução do edema, na circulação local e, consequentemente, na cicatrização mais rápida da ferida, já que todos os fluídos que contribuíam para o crescimento de micro-organismos são aspirados, removidos.

Objetivos

Desde 1990, quando foi criada, a terapia a vácuo possui os mesmos objetivos, que se resumem sempre na mais rápida cicatrização de feridas e, consequentemente, desospitalização do paciente. Para isso, ela age nas seguintes particularidades:

  • Estimulando o crescimento do tecido de granulação, característico e indispensável no processo cicatricial
  • Atraindo as bordas da ferida uma à outra
  • Removendo exsudato e secreções da ferida (quando existem)
  • Aumentando o fluxo sanguíneo e, consequentemente, o transporte de oxigênio
  • Preparando o leito da lesão para o fechamento

Indicações

Como toda intervenção médica, a escolha para a melhor intervenção ao paciente vem sempre do especialista. Em casos de ferida, enfermeiros também estão aptos na melhor escolha de tratamento, e o uso ou não da terapia a vácuo vai depender sempre da avaliação da ferida, gravidade da lesão, origem e local acometido. Mas, alguns casos específicos são geralmente indicados ao uso desta tecnologia:

  • enxertos de pele
  • deiscência de sutura
  • estase de linfa nos vasos e linfedema
  • Lesão por pressão
  • atrofia muscular, hipotrofia e espasmos musculares
  • queimaduras
  • síndrome de Fournier
  • fasceíte necrotizante
  • lipodistrofia
  • feridas diabéticas, incluindo o pé diabético
  • feridas traumáticas
  • infecções
  • úlceras tróficas
  • distonia vascular

Benefícios

• Maior rapidez na cicatrização
• Diminuição no tempo de internação
• Redução na demanda de assistência direta (enfermagem)
• Menos trocas de curativo
• Uso de materiais comuns às unidades de saúde
• Custos reduzidos, se comparado as demais opções de tratamento
• Método simples, prático e de fácil aplicação
• Maior conforto ao paciente: menos odor e vazamento
• Melhor qualidade de vida ao paciente

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Detectar fatores de riscos para infecção.
  • Verificar se há sinais localizados de infecção nos locais, nas incisões cirúrgicas, suturas ou feridas.
  • Avaliar e registrar as condições da pele e atentar para inflamação e secreção.
  • Verificar se há sinais e sintomas de sepse (infecção sistêmica): febre, calafrios, sudorese, alterações do nível de consciência.
  • Obter amostras adequadas de tecidos ou líquidos para exame, cultura e antibiograma.

Referência:

  1. repositorio.unilab.edu.br/jspui/handle/123456789/1393

Bandagem Elástica Adesiva

A Bandagem Elástica Adesiva, conhecida popularmente como “Tensoplast“, ou “Coban“, fornece suporte forte e flexível, além de compressão, muito utilizado para curativos que necessitam de compressão para a hemostasia (em casos de cateterismo cardíaco em radial ou femoral, por exemplo), fixação de dispositivos seja ela em pacientes adultos, pediátricos e neonatais para fortaceler a fixação primária e não sair do lugar, e imobilizar tensões, entorses praticado por esportistas, além de tratamento de veias varicosas e úlceras (flebíticas e trombólicas).

Sua grande elasticidade e capacidade adesiva mantêm a bandagem firmemente no lugar, mesmo durante longos tratamentos. O conforto proporcionado ao paciente faz da bandagem elástica a escolha ideal para uma ampla gama de indicações.

Algumas Características

  • Material permeável;
  • Permite a passagem de ar e umidade;
  • Reduz o risco de maceração da pele;
  • Substrato elástico de alta qualidade;
  • É moldável e resistente;
  • Garante suporte e compressão;
  • Revestimento adesivo;
  • Mantém a atadura no lugar;
  • É altamente confortável;
  • Linha central amarela;
  • Permite sobreposição precisa durante a aplicação;
  • Torna a aplicação rápida e fácil.

Algumas Indicações

  • Tratamento de todas as condições que exigem limitação de movimentos, como lesões esportivas, entorses e tensões;
  • Uso profilático durante atividades esportivas;
  • Suporte resistente e controle consistente para lesões em ligamentos ou articulações.

Esponja Hemostática

As Esponjas Hemostáticas estancam o fluxo de sangue e podem ser completamente reabsorvidas pelo organismo durante o processo de cicatrização. Feito de material com colágeno (gelatina) liofilizado de origem porcina, reabsorvível, altamente porosa, com ação hemostática e cicatrizante.

Indicações

  • Procedimentos cirúrgicos odontológicos (como extração dental convencional, remoção de dentes inclusos ou impactados, remoção de cistos e tumores, biópsias etc.)
  • Obtenção de hemostasia local, principalmente quando o controle do sangramento por ligadura ou procedimentos convencionais é ineficaz ou impraticável
  • Mantém o coágulo sanguíneo nas lojas cirúrgicas, protegendo o leito das feridas e acelerando o processo de cicatrização, prevenindo, assim, complicações pós-operatórias.

Algumas Características

  • Esponja hemostática farmacêutica pura: feita 100% de colágeno (gelatina) porcino liofilizado.
  • Absorve 40-50 vezes seu próprio peso em sangue total.
  • Produto multifuncional: controle do sangramento, estabilização do coágulo sanguíneo, preenchimento dos espaços gerados nas cirurgias, aceleração do processo de cicatrização e proteção do leito da ferida cirúrgica.
  • Possibilita ótima visualização do campo cirúrgico.
  • Reabsorvível: é completamente reabsorvido pelo organismo em 15 dias.
  • Biocompatível: material atóxico e não pirogênico, sem riscos de intolerância ou contra indicações.
  • Pode ser aplicada seca ou saturada com solução salina estéril ou com antibióticos.
  • Versátil para uso diário: pode ser facilmente reduzida em tamanho a qualquer formato requerido.
  • Reduz o tempo da intervenção cirúrgica.
  • Prática, segura e confiável.
  • Esterilizada por raios gama.

Como é utilizado?

  • Depois do procedimento cirúrgico (como extração dental convencional, remoção de dentes inclusos ou impactados, remoção de cistos e tumores, biópsias etc.), deve ser cortado no tamanho desejado (espessura, comprimento e largura) e utilizado na menor quantidade necessária para obtenção da hemostasia;
  • Pode ser comprimido e aplicado seco à superfície hemorrágica;
  • Manter a esponja no local com pressão moderada até que seja obtida a hemostasia (10 a 15 segundos). Em geral, a esponja de gelatina estanca a hemorragia na primeira tentativa, caso contrário, deve-se fazer uma aplicação adicional utilizando-se novos pedaços de esponja. Estancada a hemorragia, os pedaços da esponja devem ser deixados no local, caso contrário a hemorragia poderá recomeçar;
  • É suturado a ferida cirúrgica mantendo o a esponja hemostática.

Tela não Aderente com Petrolatum

A Tela Não Aderente com Emulsão de Petrolatum é um curativo primário, estéril, não aderente, constituído por uma malha de acetato de celulose (Rayon) impregnada com uma emulsão de petrolatum, destinado ao tratamento de feridas.

BENEFÍCIO:

  • Mantém o meio úmido;
  • Não adere ao leito da ferida;
  • Promove o equilíbrio da umidade da lesão, pois permite que o exsudato seja absorvido pelo curativo secundário.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Lesões superficiais de queimaduras, úlceras, feridas superficiais limpas, abrasões, lacerações, áreas doadoras de enxerto.

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Feridas infectadas.
  • Feridas com intenso exsudato.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • A frequência das trocas deverá ser estabelecida de acordo com a avaliação do profissional que acompanha o cuidado.
  • A saturação do curativo secundário e a possível aderência da cobertura no leito da ferida devem ser levados em consideração.
  • Pode permanecer até 7 dias em feridas limpas.

CONSIDERAÇÕES:

  • Requer curativo secundário.

Polytube

O Curativo Polytube é uma membrana polimérica recoberta por um filme semipermeável. É uma matriz de poliuretano de alta densidade composta por 3 copolímeros: agente de limpeza (surfactante F68)+ agente umectante (glicerina) + goma super absorvente (prata inorgânica).

BENEFÍCIO:

  • Redução da manipulação recorrente da ferida ou estoma;
  • Pode absorver até 20x o seu peso.
  • Pode ser recortado;
  • Acelera o processo de cicatrização;
  • Aumenta o conforto do paciente.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Úlceras (diabéticas, venosas ou por pressão);
  • Desordens dermatológicas;
  • Queimaduras de 1º e 2º grau; Aplicação em estomas (traqueostomia, gastrostomia) e drenos;
  • Feridas exsudativas;
  • Feridas cavitárias;
  • Lesões agudas;
  • Deiscência cirúrgicas;
  • Locais de doação e enxerto.

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Não há

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • Troca quando ocorrer 80%da saturação do produto.
  • Tempo máximo de permanência é de 7 dias.

CONSIDERAÇÕES:

  • Funções: limpeza, absorção, hidratação e preenchimento de cavidade.