
Vá direto ao ponto!
- 1. Por que o estudante de Enfermagem precisa estar vacinado?
- 1.1. Antes de começar: confira sua caderneta de vacinação
- 1.2. Quais vacinas são especialmente importantes para quem vai estagiar em Enfermagem?
- 1.2.1. Vacina contra Hepatite B
- 1.2.2. dT — Difteria e Tétano
- 1.2.3. dTpa — Difteria, Tétano e Coqueluche
- 1.2.4. Tríplice viral — Sarampo, Caxumba e Rubéola
- 1.2.5. Varicela — Catapora
- 1.2.6. Influenza — Gripe
- 1.2.7. Covid-19
- 1.2.8. Febre amarela
- 1.3. E a vacina contra HPV?
- 1.4. Existe vacina obrigatória para fazer estágio em Enfermagem?
- 1.5. Por que a faculdade pede o comprovante de vacinação?
- 1.6. Posso começar o estágio enquanto ainda estou completando o esquema vacinal?
- 1.7. E se eu perdi minha carteira de vacinação?
- 1.8. Posso tomar várias vacinas de uma vez?
- 1.9. Vacinação antes do estágio também é uma questão de biossegurança
- 1.10. O que fazer se ocorrer um acidente com material perfurocortante?
- 1.11. Cuidados de Enfermagem relacionados à vacinação do estudante
- 1.12. O estudante precisa aprender a reconhecer eventos adversos
- 1.13. A vacinação também faz parte da formação profissional
- 1.14. Checklist antes de começar o estágio
- 1.15. Uma observação importante sobre a lista de vacinas
Começar o estágio na Enfermagem é um dos momentos mais esperados da formação. É quando aquilo que foi aprendido em sala de aula começa a fazer sentido diante de um paciente real, com situações clínicas que exigem conhecimento, atenção, responsabilidade e, principalmente, segurança.
Mas existe um detalhe importante que muitas vezes acaba ficando em segundo plano: a vacinação do estudante de Enfermagem precisa estar em dia antes do início das atividades práticas.
Isso não é apenas uma exigência burocrática da faculdade ou do hospital. O estudante que entra em uma unidade de saúde passa a estar potencialmente exposto a sangue, secreções, aerossóis, gotículas, materiais perfurocortantes e diversos agentes infecciosos. Ao mesmo tempo, ele também pode representar uma fonte de transmissão para pacientes mais vulneráveis.
Por isso, manter a caderneta de vacinação atualizada é uma medida de proteção para o próprio estudante, para seus colegas, para os profissionais da equipe e, principalmente, para os pacientes.
O Ministério da Saúde mantém um Calendário Nacional de Vacinação que é atualizado periodicamente, e a orientação para profissionais e estudantes da área da saúde possui algumas particularidades. Em 2026, por exemplo, o calendário oficial mantém recomendações específicas para trabalhadores da saúde, incluindo vacinas como hepatite B, tríplice viral, varicela, influenza, covid-19 e dTpa em situações determinadas.
Por isso, antes de pensar apenas em “quais vacinas a faculdade exige?”, o ideal é pensar em uma pergunta mais importante:
“Meu esquema vacinal está adequado para uma pessoa que terá contato direto com pacientes?”
Por que o estudante de Enfermagem precisa estar vacinado?
Durante o estágio, o estudante deixa de estar apenas no ambiente acadêmico e passa a frequentar locais onde existe maior possibilidade de exposição a agentes infecciosos.
Um simples procedimento como realizar uma punção venosa pode envolver contato com sangue. Uma aspiração de vias aéreas pode gerar exposição a secreções. Um curativo pode envolver contato com exsudato. Um acidente com agulha pode provocar exposição percutânea.
Além disso, existem doenças que podem ser transmitidas mesmo sem ocorrer um acidente com material perfurocortante.
É por isso que vacinação e biossegurança caminham juntas.
A própria NR-32, norma que estabelece medidas de segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, determina que trabalhadores dos serviços de saúde recebam gratuitamente imunização contra tétano, difteria e hepatite B, além de outras vacinas quando houver imunobiológicos eficazes contra agentes aos quais possam estar expostos. A norma também determina que a vacinação siga as recomendações do Ministério da Saúde.
Embora o estudante não seja simplesmente equivalente a um trabalhador contratado, o princípio de proteção é extremamente relevante para as atividades práticas em serviços de saúde.
O próprio Cofen já destacou a importância da vacinação de estudantes e estagiários da área da saúde que atuam em unidades de atendimento, especialmente diante da necessidade de garantir segurança durante a formação prática.
Antes de começar: confira sua caderneta de vacinação
O primeiro passo não é sair tomando várias vacinas. O primeiro passo é verificar o histórico vacinal. Pegue sua caderneta de vacinação e confira quais doses estão registradas. Se você utiliza a Carteira de Vacinação Digital, também é possível consultar os registros disponíveis pelos sistemas oficiais.
O Ministério da Saúde informa que, mesmo quando a pessoa perdeu a caderneta, isso não impede a atualização da vacinação. É possível procurar uma unidade de saúde para verificar os registros disponíveis e receber orientação sobre a atualização necessária.
Isso é particularmente importante para estudantes que receberam muitas vacinas durante a infância e não sabem exatamente quais doses foram administradas.
Também é importante lembrar que não se deve simplesmente repetir todas as vacinas sem avaliação. O profissional da sala de vacinação poderá verificar o histórico e indicar aquilo que realmente precisa ser atualizado.
Quais vacinas são especialmente importantes para quem vai estagiar em Enfermagem?
Não existe uma única lista universal que possa ser aplicada exatamente da mesma maneira para todos os estudantes. A indicação depende da idade, histórico vacinal, local do estágio, situação epidemiológica, condições de saúde e protocolos da instituição de ensino e do serviço onde ocorrerá a atividade prática.
Mesmo assim, algumas vacinas merecem atenção especial.
Vacina contra Hepatite B
Se existe uma vacina que merece atenção especial antes do estágio em Enfermagem, é a hepatite B. Isso acontece porque o vírus da hepatite B pode ser transmitido pelo sangue e por outros fluidos corporais, sendo uma preocupação importante para quem trabalha ou realiza atividades práticas em serviços de saúde.
Um acidente com agulha contaminada, por exemplo, pode representar uma situação de exposição.
O Ministério da Saúde recomenda a vacina contra hepatite B para pessoas não vacinadas, independentemente da idade, com esquema de três doses para adultos, conforme histórico vacinal e situações específicas.
Para o estudante de Enfermagem, entretanto, existe uma questão ainda mais importante:
não basta apenas dizer que tomou a vacina.
Em determinadas situações ocupacionais, é necessário verificar a resposta imunológica por meio da pesquisa de anticorpos anti-HBs, especialmente quando se deseja documentar proteção após o esquema vacinal.
Isso é particularmente relevante porque a hepatite B possui importância ocupacional na área da saúde. Portanto, se você está prestes a iniciar estágio e ainda não completou o esquema da hepatite B, não deixe essa questão para a última semana.
dT — Difteria e Tétano
A vacina dT protege contra difteria e tétano. O tétano é particularmente relevante quando pensamos em ferimentos e acidentes com materiais que podem provocar inoculação do agente. O calendário nacional estabelece reforços da vacinação contra difteria e tétano conforme histórico e faixa etária, além de antecipações em determinadas situações de exposição.
Para quem está entrando na Enfermagem, vale conferir se o esquema básico está completo e se o reforço está atualizado.
Não espere acontecer um acidente com perfurocortante para descobrir que sua vacinação estava atrasada.
dTpa — Difteria, Tétano e Coqueluche
A dTpa merece uma explicação separada porque existe uma recomendação específica para determinados profissionais e estudantes da área da saúde. O Ministério da Saúde indica dTpa para profissionais e estagiários da área da saúde que atuam em maternidades e unidades de internação neonatal, incluindo UTI neonatal, UCI convencional e UCI Canguru, devido à importância da proteção contra coqueluche em recém-nascidos.
Portanto, se seu estágio será em uma maternidade ou unidade neonatal, verifique essa recomendação com bastante atenção.
A dTpa protege contra:
- difteria;
- tétano;
- coqueluche.
O esquema dependerá do histórico vacinal.
Uma pessoa que já possui esquema básico completo de dT pode receber dTpa conforme as recomendações específicas para profissionais e estagiários desses setores.
Tríplice viral — Sarampo, Caxumba e Rubéola
A tríplice viral, também conhecida como SCR, protege contra: sarampo, caxumba e rubéola.
Essa vacina possui enorme importância para profissionais de saúde porque o sarampo é uma doença altamente transmissível.
O Ministério da Saúde estabelece que profissionais de saúde devem ter comprovação de duas doses da vacina tríplice viral, independentemente da idade, conforme as recomendações atuais.
Isso é especialmente importante para quem vai trabalhar ou estagiar em ambientes com grande circulação de pessoas. Um estudante pode estar perfeitamente saudável e, ainda assim, entrar em contato com um paciente infectado.
Por isso, a vacinação protege não apenas o profissional, mas também ajuda a evitar a transmissão dentro dos serviços de saúde.
Varicela — Catapora
A varicela é outra doença que merece atenção para quem trabalha em serviços de saúde. O Ministério da Saúde inclui a vacina contra varicela para trabalhadores da saúde sem histórico vacinal e sem história da doença, conforme avaliação e recomendações vigentes. Para adultos nessa situação, o calendário indica duas doses, com intervalo recomendado de 30 dias.
Aqui existe uma particularidade importante. Ter tido “catapora quando criança” pode ser considerado informação relevante, mas quando existe dúvida sobre a história da doença ou da vacinação, a situação deve ser avaliada pelo serviço de saúde.
Não é recomendado que o estudante simplesmente decida sozinho se precisa ou não da vacina.
Influenza — Gripe
A influenza pode parecer uma doença simples para algumas pessoas, mas dentro de um hospital ela pode representar um problema importante. Profissionais e estudantes podem entrar em contato com pacientes idosos, imunossuprimidos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. Além disso, o próprio estudante pode adoecer e transmitir o vírus para outras pessoas.
O calendário atual do Ministério da Saúde inclui a vacina influenza para adultos de acordo com os grupos e estratégias definidos pelo Programa Nacional de Imunizações, e a vacinação é atualizada conforme a temporada.
Por isso, é importante verificar anualmente a campanha e as regras vigentes.
Covid-19
A vacinação contra covid-19 continua fazendo parte das estratégias de imunização do Ministério da Saúde. As recomendações atuais variam conforme idade, grupo de risco e outras condições definidas pelo PNI. O calendário de 2026 inclui a vacina contra covid-19 e apresenta recomendações específicas para diferentes grupos.
Para o estudante que irá atuar em ambiente de saúde, é importante verificar tanto o calendário nacional quanto as exigências do campo de estágio e da instituição de ensino.
Febre amarela
A vacina contra febre amarela também faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. Para adultos, o Ministério da Saúde orienta a manutenção da situação vacinal conforme histórico e contexto epidemiológico. A recomendação ganha importância especial para residentes ou viajantes de áreas com circulação viral comprovada, surtos ou situações de maior risco.
Portanto, não é correto dizer que “todo estudante de Enfermagem precisa tomar febre amarela exclusivamente porque vai começar o estágio”.
A indicação deve considerar o histórico vacinal e as recomendações oficiais.
E a vacina contra HPV?
A vacina contra HPV também faz parte do Programa Nacional de Imunizações. Entretanto, ela não deve ser considerada uma vacina “obrigatória para começar o estágio”. Ela deve ser realizada de acordo com a faixa etária e os grupos contemplados pelo calendário vigente.
Em 2026, o Cofen também destacou a estratégia de resgate vacinal contra HPV para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não haviam recebido a vacina na faixa etária recomendada.
Portanto, o estudante deve verificar se está dentro de algum grupo indicado.
Existe vacina obrigatória para fazer estágio em Enfermagem?
Essa é uma das perguntas mais comuns. A resposta precisa ser dada com cuidado.
Não existe uma única lista nacional que determine que todo estudante de Enfermagem, independentemente do local do estágio, tenha exatamente as mesmas vacinas e doses.
Existem recomendações do Programa Nacional de Imunizações, normas de segurança, orientações específicas para profissionais de saúde e requisitos que podem ser estabelecidos pela instituição de ensino ou pelo campo de estágio.
O serviço pode solicitar comprovação de determinadas vacinas antes de permitir o início das atividades práticas. Por isso, além de consultar o Ministério da Saúde, o estudante deve procurar a coordenação do curso e verificar o protocolo da instituição onde realizará o estágio.
Por que a faculdade pede o comprovante de vacinação?
A exigência geralmente está relacionada à segurança. Imagine uma turma com dezenas de estudantes entrando diariamente em hospitais, UBS, unidades de pronto atendimento, maternidades e outros serviços. Esses estudantes terão contato com diferentes pacientes e profissionais.
A comprovação da vacinação ajuda a demonstrar que o aluno recebeu as imunizações recomendadas para sua condição e para o ambiente de exposição. Além disso, determinados campos de estágio podem possuir exigências próprias de controle de saúde ocupacional e biossegurança. Por isso, é bastante comum que a instituição solicite:
- caderneta de vacinação atualizada, comprovantes de doses, cartão de vacinação digital ou declaração de situação vacinal.
Posso começar o estágio enquanto ainda estou completando o esquema vacinal?
Isso depende da vacina, do esquema necessário, do risco do estágio e das regras da instituição. Não existe uma resposta universal. Em algumas situações, o estudante pode iniciar o esquema e completar as doses posteriormente.
Em outras, o campo de estágio pode exigir determinada documentação ou comprovação antes do ingresso. Por isso, não é aconselhável esperar o primeiro dia de estágio para resolver a vacinação.
Se você ainda está matriculado e sabe que terá estágio nos próximos meses, comece a conferir sua situação vacinal com antecedência. Algumas vacinas exigem mais de uma dose e determinados intervalos entre as doses.
E se eu perdi minha carteira de vacinação?
Não entre em pânico. A perda da caderneta não significa automaticamente que você precisa repetir todas as vacinas. O Ministério da Saúde informa que a ausência do cartão não impede a vacinação e orienta procurar uma unidade de saúde para avaliação e atualização. Procure também verificar se existem registros digitais disponíveis.
Quando não há documentação suficiente, a conduta dependerá da vacina, da idade, do histórico e das recomendações do serviço de vacinação.
Posso tomar várias vacinas de uma vez?
Em determinadas situações, sim. O calendário e os manuais de vacinação permitem a administração simultânea de diferentes vacinas, respeitando as regras específicas de cada imunobiológico. Porém, existem particularidades relacionadas a algumas vacinas vivas atenuadas.
O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde apresenta as regras sobre administração simultânea e intervalos entre determinados imunobiológicos. Por isso, não é recomendado que o estudante monte sozinho um calendário para “tomar tudo de uma vez”.
A equipe responsável pela vacinação deve avaliar quais imunobiológicos podem ser administrados na mesma visita e quais precisam respeitar intervalos.
Vacinação antes do estágio também é uma questão de biossegurança
Quando pensamos em biossegurança na Enfermagem, normalmente lembramos imediatamente de luvas, máscara, óculos de proteção, avental e descarte correto de perfurocortantes. Tudo isso é fundamental. Mas biossegurança começa antes mesmo de colocar o primeiro EPI.
A vacinação é uma das estratégias de prevenção. Isso fica muito evidente quando analisamos a NR-32, que trata especificamente da segurança e saúde nos serviços de saúde e estabelece obrigações relacionadas à imunização dos trabalhadores. Por isso, o estudante precisa compreender que vacinação não é apenas uma “papelada exigida pela faculdade”.
É parte da preparação para entrar em um ambiente biologicamente complexo.
O que fazer se ocorrer um acidente com material perfurocortante?
Mesmo com a vacinação em dia, acidentes podem acontecer. Uma agulha pode perfurar a luva, ou um material pode cair. Um paciente pode se movimentar inesperadamente durante um procedimento, e por isso, vacinação não substitui as medidas de biossegurança.
Se ocorrer exposição a sangue ou material biológico, o estudante deve:
- interromper a atividade de forma segura;
- realizar imediatamente os cuidados locais recomendados pelo protocolo institucional;
- comunicar o acidente ao responsável pelo estágio e ao serviço de saúde;
- seguir o fluxo institucional para avaliação da exposição;
- realizar avaliação médica/ocupacional quando indicada;
- verificar a situação vacinal e o histórico relacionado à hepatite B e tétano;
- realizar os exames e medidas de profilaxia indicados conforme o tipo de exposição.
Não espere “para ver se acontece alguma coisa”. Acidentes com material biológico precisam ser avaliados rapidamente.
Cuidados de Enfermagem relacionados à vacinação do estudante
Para o estudante de Enfermagem, conhecer vacinação não é apenas uma questão pessoal. Em pouco tempo, ele estará orientando pacientes sobre imunização. Por isso, aprender corretamente desde a graduação é fundamental.
Entre os cuidados que precisam fazer parte da formação estão a conferência da identificação do paciente, avaliação do histórico vacinal, verificação de contraindicações e precauções, conferência do imunobiológico, validade, lote, apresentação, via de administração, armazenamento adequado e registro correto.
O Ministério da Saúde destaca que a via de administração, a dose e o esquema de vacinação interferem na resposta imunológica e precisam seguir as recomendações estabelecidas para cada imunobiológico.
Outro ponto importante é a conservação. Vacinas não são simplesmente medicamentos que ficam armazenados em qualquer geladeira e elas dependem de condições adequadas de armazenamento e de manutenção da cadeia de frio. Um erro de conservação pode comprometer a qualidade do imunobiológico.
Por isso, o estudante precisa aprender desde cedo que vacinação envolve muito mais do que aplicar uma injeção.
O estudante precisa aprender a reconhecer eventos adversos
Depois da vacinação, podem ocorrer manifestações locais ou sistêmicas. Dor no local da aplicação, vermelhidão, mal-estar e febre podem ocorrer dependendo do imunobiológico. Entretanto, algumas manifestações exigem avaliação imediata.
Uma reação alérgica grave, por exemplo, pode evoluir rapidamente e exige atendimento adequado. A equipe de Enfermagem possui papel importante na observação do usuário, identificação de intercorrências, registro e notificação dos Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI), conforme os fluxos estabelecidos.
A Resolução Cofen nº 795/2025 regulamenta a atuação da equipe de Enfermagem no processo de vacinação e imunização e estabelece competências para enfermeiros, técnicos e auxiliares, incluindo administração de vacinas, registros, identificação e notificação de ESAVI, dentro das respectivas atribuições e sob as condições estabelecidas pela norma.
A vacinação também faz parte da formação profissional
Existe uma razão pedagógica para tudo isso. O estudante de Enfermagem não está apenas se protegendo, ele está aprendendo uma responsabilidade que futuramente fará parte de sua prática profissional. A Enfermagem participa diretamente das ações de imunização no Brasil.
O Cofen regulamentou, por meio da Resolução nº 795/2025, a atuação da equipe de Enfermagem no processo de vacinação e imunização, incluindo competências relacionadas à administração, registros, conservação, educação em saúde, acompanhamento e identificação de eventos supostamente atribuíveis à vacinação.
Portanto, conhecer o próprio calendário vacinal também é uma forma de começar a compreender a responsabilidade que a profissão terá na proteção coletiva.
Checklist antes de começar o estágio
Antes de iniciar suas atividades práticas, confira:
- Caderneta de vacinação atualizada.
- Hepatite B com esquema adequado.
- Verificação da necessidade de comprovação de proteção contra hepatite B conforme orientação ocupacional.
- dT atualizada.
- Tríplice viral com as doses indicadas para profissional/estudante da saúde.
- Varicela avaliada conforme histórico vacinal e de doença.
- Influenza atualizada conforme estratégia vigente.
- Covid-19 atualizada conforme recomendação vigente.
- Febre amarela conforme histórico e indicação.
- dTpa avaliada especialmente se o estágio envolver maternidade ou unidade neonatal.
- Demais vacinas avaliadas conforme idade, condição de saúde e calendário nacional.
- Comprovantes organizados para apresentação à instituição de ensino.
- Conhecimento do protocolo do campo de estágio para acidentes com material biológico.
Uma observação importante sobre a lista de vacinas
Essa lista não deve ser interpretada como uma prescrição individual, o calendário vacinal muda. As recomendações podem ser atualizadas pelo Ministério da Saúde conforme novas evidências, situação epidemiológica, disponibilidade de vacinas e mudanças nas políticas públicas.
Além disso, algumas vacinas dependem de idade, condição clínica, gestação, imunossupressão, histórico de doença, local de atuação e outros fatores. O próprio Ministério da Saúde disponibiliza o Calendário Nacional de Vacinação atualizado e orienta que a população mantenha a caderneta em dia.
Por isso, sempre confira a versão vigente do calendário antes de publicar ou utilizar uma informação sobre vacinação.
Começar o estágio na Enfermagem é muito mais do que comprar jaleco, separar estetoscópio e decorar os nomes dos medicamentos. É também preparar o próprio corpo e a própria mente para entrar em um ambiente onde existe contato direto com pacientes, procedimentos invasivos, agentes infecciosos e situações de risco.
Manter a vacinação atualizada é uma das primeiras medidas de proteção.
Entre as vacinas que merecem atenção especial para estudantes e profissionais da saúde estão hepatite B, dT, tríplice viral e, conforme o contexto, varicela, influenza, covid-19, febre amarela e dTpa. Entretanto, a indicação exata deve sempre ser conferida no Calendário Nacional de Vacinação vigente e nas orientações específicas para trabalhadores/estagiários da saúde.
E existe uma lição importante para quem está começando na profissão:
“antes de cuidar da saúde de outra pessoa, o futuro profissional de Enfermagem também precisa aprender a cuidar da própria segurança.”
A vacinação, nesse contexto, não é apenas um documento necessário para entrar no estágio. É uma atitude de responsabilidade profissional, proteção individual e compromisso com a segurança do paciente.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/vacinacao/.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário de Vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação.
- BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Brasília, DF: MTE. Disponível em: NR 32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 795, de 10 de novembro de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem no processo de vacinação e imunização. Brasília, DF: Cofen, 2025. Disponível em: Resolução Cofen nº 795/2025.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Cofen regulamenta atuação da Enfermagem na vacinação. Brasília, DF: Cofen, 2025. Disponível em: Cofen regulamenta atuação da Enfermagem na vacinação.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Estagiários da Saúde devem ser vacinados contra Covid-19. Brasília, DF: Cofen, 2021. Disponível em: Estagiários da Saúde devem ser vacinados contra Covid-19.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Cofen destaca prorrogação da estratégia de resgate vacinal contra HPV para jovens e o papel da Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Cofen destaca prorrogação da estratégia de resgate vacinal contra HPV.
- MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32): Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Saúde. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/nr-32.
-
PULSAR SAÚDE E TRABALHO. 6 vacinas recomendadas para profissionais de saúde. São Paulo, 2023. Disponível em: https://pulsarsaudeetrabalho.com.br/vacinas-recomendadas-profissionais-saude/.









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