Bactérias: Formas e Flagelos

As bactérias, esses microrganismos unicelulares onipresentes, exibem uma diversidade surpreendente em suas formas e estruturas. Para nós, estudantes de enfermagem e futuros profissionais, entender essa variedade é fundamental, pois ela influencia a forma como as bactérias se movem, interagem com o ambiente e, em alguns casos, causam doenças.

Vamos explorar juntos essa rica taxonomia bacteriana, focando em sua morfologia básica e na presença e arranjo de flagelos.

Desvendando as Formas: Um Universo de Cocos, Bacilos e Espirais

A forma de uma bactéria é uma de suas características mais distintivas e uma das primeiras maneiras pelas quais elas são classificadas. Existem basicamente três formas principais, com algumas variações interessantes:

  • Cocos: Essas bactérias possuem uma forma esférica ou oval, lembrando pequenas bolinhas. Elas podem ocorrer isoladamente (cocos), aos pares (diplococos, como Neisseria gonorrhoeae), em cadeias (estreptococos, como Streptococcus pyogenes), em agregados irregulares semelhantes a cachos de uva (estafilococos, como Staphylococcus aureus) ou em grupos de quatro (tétrades) ou oito (sarcinas).
  • Bacilos: As bactérias com essa forma são alongadas e cilíndricas, como pequenos bastões. Assim como os cocos, podem se apresentar isoladamente (bacilos, como Escherichia coli), aos pares (diplobacilos), em cadeias (estreptobacilos, como Bacillus anthracis) ou em um formato mais curto e ovalado, sendo então denominados cocobacilos (como Haemophilus influenzae).
  • Espirais: Este grupo engloba bactérias com um formato helicoidal. Dentro dessa categoria, encontramos algumas subdivisões:
    • Vibriões: Bactérias que se assemelham a uma vírgula, apresentando uma curvatura em sua forma (como Vibrio cholerae).
    • Espirilos: Bactérias com um corpo espiralado rígido, que geralmente se movem utilizando flagelos (como algumas espécies do gênero Spirillum).
    • Espiroquetas: Bactérias espiraladas mais longas e flexíveis, que possuem filamentos axiais (fibrilas internas semelhantes a flagelos) responsáveis por seu movimento ondulatório característico (como Treponema pallidum, causador da sífilis, e Leptospira interrogans, causadora da leptospirose).

A Importância dos Flagelos: Apêndices para a Locomoção e Mais

Muitas bactérias possuem flagelos, estruturas filamentosas longas que se projetam da superfície celular e atuam como propulsores, permitindo a motilidade bacteriana. A presença e o arranjo dos flagelos são outra característica importante na classificação e identificação bacteriana:

  • Monotríquia: A bactéria possui um único flagelo em uma das extremidades da célula (por exemplo, Vibrio cholerae).
  • Anfitríquia: A bactéria apresenta um flagelo em cada extremidade da célula (por exemplo, Campylobacter jejuni).
  • Lofotríquia: A bactéria possui um tufo de flagelos em uma das extremidades (por exemplo, algumas espécies de Pseudomonas).
  • Peritríquia: A bactéria é coberta por flagelos que se distribuem por toda a sua superfície (por exemplo, Escherichia coli e Salmonella).

A motilidade conferida pelos flagelos é crucial para a sobrevivência de muitas bactérias, permitindo que elas se movam em direção a nutrientes, se afastem de substâncias tóxicas e, em alguns casos, colonizem seus hospedeiros. O movimento flagelar ocorre através da rotação do flagelo, impulsionando a célula através do ambiente líquido.

O Olhar da Enfermagem: Implicações Clínicas e Cuidados Essenciais

Compreender a forma e a presença de flagelos nas bactérias pode ter implicações indiretas em nossa prática de enfermagem:

  • Identificação e Diagnóstico: Embora a identificação específica das bactérias seja realizada em laboratório por meio de coloração, cultura e testes bioquímicos, o conhecimento da morfologia básica pode fornecer pistas iniciais sobre o tipo de microrganismo envolvido em uma infecção.
  • Mecanismos de Patogenicidade: A motilidade conferida pelos flagelos pode ser um fator de virulência em algumas bactérias, facilitando a adesão a células hospedeiras e a disseminação da infecção.
  • Prevenção da Disseminação: Nossos cuidados de higiene, como a lavagem rigorosa das mãos, a desinfecção de superfícies e o uso adequado de equipamentos de proteção individual, são cruciais para interromper a cadeia de transmissão de bactérias, independentemente de sua forma ou motilidade.
  • Coleta de Amostras: Ao coletar amostras para exames microbiológicos (por exemplo, secreções, urina, sangue), é importante seguir as técnicas corretas para garantir a integridade da amostra e a identificação precisa do microrganismo causador da infecção.
  • Educação do Paciente: Informar os pacientes sobre a importância da higiene pessoal e das medidas preventivas para evitar a propagação de infecções bacterianas, independentemente da forma ou se possuem flagelos.

O estudo da bacteriologia, incluindo a morfologia e a motilidade bacteriana, é um componente essencial da nossa formação como enfermeiros, capacitando-nos a entender melhor o mundo microbiano e a fornecer um cuidado mais seguro e eficaz aos nossos pacientes.

Referências:

  1. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
  2. KONEMAN, E. W. et al. Diagnóstico Microbiológico: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
  3. MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; BENDER, K. S.; BUCKLEY, D. H.; SATTLER, W. C. Brock Biology of Microorganisms. 15. ed. Boston: Pearson, 2018. 

Tecido de Granulação

Vá direto ao ponto!

O Tecido de Granulação é constituído por vasos capilares sanguíneos neoformados, tecido conjuntivo propriamente dito e leucócitos. Não deve ser confundido com reação inflamatória crônica granulomatosa.

A literatura mostra que a ferida mais profunda tende a demandar mais tempo para cicatrizar, uma vez que o organismo tem que produzir mais tecido de granulação para preencher o espaço morto e posteriormente ocorrer a contração e epitelização das feridas.

O Seu Aspecto

Possui o aspecto vermelho, brilhante e úmido. O tecido doente tem aspecto pálido-escuro, podendo sangrar espontaneamente e com aparência friável (que se parte facilmente), indicando processo infeccioso em andamento.

O Cuidado

O cuidado com a ferida consiste na limpeza cuidadosa e rigorosa em toda sua extensão e profundidade. Atualmente, considera-se que a melhor técnica de limpeza do delicado leito da ferida compreende a irrigação com jatos de solução salina isotônica (NaCl 0,9%), que serão suficientes para remover os corpos estranhos e os tecidos frouxamente aderidos, além de preservar o tecido de granulação neoformado, que é um tecido frágil.

Deve-se evitar a agressiva esfregação da pele íntegra ao redor da área, pois pode-se traumatizá-la, destruindo assim a barreira protetora, o que propiciaria a penetração de bactérias.

Deverão ser registradas as características da ferida: porcentagem e aspecto do tecido de granulação e necrótico, aspecto, odor e volume do exsudato, característica de dermatite ao redor da ferida, sinais locais e sistêmicos de infecção e classificação da dor.

Referências:

  1. BRUNNER, L.S., SUDDARTH, D.S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1987. 2 v. cap. 21, p. 345-377: Enfermagem no pós operatório;
  2. DEALEY, C. Cuidando de feridas; um guia prático para enfermeiras. São Paulo: Atheneu, 1992. 256p;
  3. EAGLSTEIN, W.H. et al. New directions in wound healing; wound care manual. 5. ed. Princeton: Convatec, 1990;
  4. MOURA, M.L.P.A. Uma alternativa para o tratamento de feridas infectadas com exsudato; curativo de carvão ativado e prata. In: ENFTEC. 1990, São Paulo. Anais… São Paulo: Centro de Estudos de Enfermagem 8 de Agosto, 1990. 510p. p. 139-144.

Tipos de Necrose Como Diferenciar

necrose tipos

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 20/09/2026.

Nem todo tecido escuro, endurecido ou amolecido representa o mesmo tipo de necrose. A aparência ajuda a levantar hipóteses, mas a classificação dos tipos de necrose é principalmente morfológica e histopatológica, relacionada ao mecanismo e ao tecido afetado.

O que é necrose?

Necrose é uma forma de morte celular associada a uma lesão irreversível. A perda da integridade da membrana celular permite o extravasamento do conteúdo intracelular e desencadeia resposta inflamatória no tecido ao redor.

Isquemia é uma causa importante, mas não é a única. Infecções, toxinas, traumatismos, pancreatite e processos imunológicos também podem produzir diferentes padrões de necrose.

Os principais tipos de necrose

Necrose de coagulação

É o padrão mais associado à isquemia em órgãos sólidos, com exceção do encéfalo. A arquitetura básica do tecido permanece reconhecível por algum tempo, embora as células estejam mortas.

Infarto agudo do miocárdio e isquemia renal são exemplos clássicos.

Necrose de liquefação

Aqui ocorre digestão enzimática do tecido, que perde sua estrutura e se transforma em material líquido ou viscoso.

É típica de infecções com formação de pus e também ocorre após isquemia no sistema nervoso central. Esse detalhe é importante para a prova: infarto cerebral apresenta necrose liquefativa, enquanto a maioria dos demais infartos de órgãos sólidos apresenta padrão coagulativo.

Necrose caseosa

Recebe esse nome pela aparência esbranquiçada e semelhante a queijo. É classicamente associada à tuberculose, podendo também ocorrer em algumas infecções fúngicas.

Um cuidado com a terminologia: o granuloma é a resposta inflamatória organizada que pode circundar a área de necrose caseosa; portanto, necrose caseosa e granuloma não são sinônimos.

Necrose gordurosa

Acomete tecido adiposo. Um exemplo clássico ocorre na pancreatite aguda, quando enzimas pancreáticas degradam a gordura e liberam ácidos graxos, que podem se combinar com cálcio, produzindo áreas esbranquiçadas de saponificação.

Também pode ocorrer no tecido mamário, inclusive após traumatismos.

Necrose fibrinoide

É um padrão observado principalmente em paredes de vasos sanguíneos, associado à deposição de proteínas plasmáticas, especialmente fibrina, e a processos de lesão vascular imunomediada.

Diferentemente de alguns padrões facilmente percebidos a olho nu, a necrose fibrinoide é essencialmente uma alteração microscópica.

E a necrose gangrenosa?

Aqui está uma correção importante da classificação antiga: gangrena é um termo clínico, não um padrão morfológico independente de necrose.

A gangrena seca geralmente corresponde à necrose isquêmica, predominantemente coagulativa. Na gangrena úmida, existe infecção sobre o tecido isquêmico, com maior componente de liquefação. A gangrena pode acometer principalmente extremidades e exige avaliação rápida porque a extensão da isquemia e a presença de infecção modificam completamente a conduta.

Necrose em feridas: cuidado com o diagnóstico pela aparência

Na assistência de enfermagem, é comum encontrar uma ferida com tecido preto, marrom ou amarelado e surgir a dúvida: “qual tipo de necrose é essa?”. A resposta não deve ser dada apenas pela cor.

Em feridas, termos como eschar/escara, slough/esfacelo, tecido de granulação e tecido epitelial descrevem características do leito da lesão e não correspondem automaticamente aos seis padrões histopatológicos de necrose.

Em uma lesão por pressão, por exemplo, uma área de escara seca e estável precisa ser avaliada considerando localização, perfusão, sinais de infecção e condição geral do paciente. A diretriz internacional de 2026 recomenda documentar características da lesão e evitar intervenções automáticas sem considerar o contexto clínico.

Em uma situação prática, imagine uma lesão no calcâneo coberta por escara seca, endurecida e sem secreção. A conduta não deve ser simplesmente “retirar porque é necrose”. Se houver comprometimento vascular, por exemplo, o desbridamento pode trazer risco e precisa ser avaliado pela equipe responsável. A diretriz internacional orienta atenção especial à perfusão e aos sinais de infecção antes de decidir pelo desbridamento.

Já quando uma ferida passa a apresentar aumento de dor, edema, eritema, secreção purulenta, odor associado a deterioração local ou outros sinais de infecção, a situação muda. A presença de tecido desvitalizado pode exigir intervenção específica, e o paciente precisa ser reavaliado quanto à causa e à extensão da lesão.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação de uma lesão com suspeita de tecido necrótico, a enfermagem deve observar e registrar localização, extensão, aspecto do leito, tipo e quantidade de exsudato, condições da pele ao redor, odor, dor e sinais de infecção, além de acompanhar a evolução.

O desbridamento não deve ser tratado como procedimento automático para qualquer área escura. A escolha da técnica depende da etiologia da ferida, perfusão, extensão do tecido desvitalizado, condição clínica e protocolo ou competência profissional estabelecida. Em feridas relacionadas ao diabetes, por exemplo, diretrizes recomendam que o desbridamento faça parte de um plano de cuidado adequado, mas reconhecem que a evidência sobre a superioridade de cada método permanece limitada.

Também é fundamental investigar a causa do tecido desvitalizado. Corrigir ou controlar a causa — como isquemia, pressão, infecção ou doença de base — é tão importante quanto cuidar do leito da ferida.

Para memorizar

  • Coagulação: isquemia em órgãos sólidos, preservação temporária da arquitetura.
  • Liquefação: digestão enzimática, típica de infecção e do infarto cerebral.
  • Caseosa: aspecto semelhante a queijo, classicamente relacionada à tuberculose.
  • Gordurosa: destruição do tecido adiposo, especialmente na pancreatite.
  • Fibrinoide: lesão microscópica relacionada principalmente às paredes vasculares.
  • Gangrena: termo clínico para necrose isquêmica, podendo haver infecção associada.

Resumo para salvar

Tipos de Necrose

  • Necrose é morte celular por lesão irreversível
  • Coagulação é típica da isquemia em órgãos sólidos
  • Liquefação ocorre em infecções e no infarto cerebral
  • Gangrena é um termo clínico e não um padrão histológico independente

📌 LEIA TAMBÉM:

A Necrose

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Referências:

  1. ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Cotran: Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. Necrosis Pathology. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing. Disponível em: NCBI Bookshelf – Necrosis Pathology.
  3. NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. Cell Liquefactive Necrosis. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing. Disponível em: NCBI Bookshelf – Cell Liquefactive Necrosis.
  4. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. The International Guideline. 4. ed. 2026. Disponível em: International Guideline.
  5. INTERNATIONAL WORKING GROUP ON THE DIABETIC FOOT. IWGDF Guidelines on interventions to enhance healing of foot ulcers in people with diabetes. 2023. Disponível em: IWGDF Wound Healing Guideline. 

Apoptose: Morte Celular Programada

A Apoptose ou Morte Celular Programada é um tipo de “autodestruição celular” que requer energia e síntese proteica para a sua execução.

Está relacionado com a homeostase na regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, exercendo um papel oposto ao da mitose.

O termo é derivado do grego “apoptwsiz“, que referia-se à queda das folhas das árvores no outono – um exemplo de morte programada fisiológica e apropriada que também implica em renovação.

Fisiologicamente, esse suicídio celular ocorre no desenvolvimento embrionário, na organogênese, na renovação de células epiteliais e hematopoiéticas, na involução cíclica dos órgãos reprodutivos da mulher, na atrofia induzida pela remoção de fatores de crescimento ou hormônios, na involução de alguns órgãos e ainda na regressão de tumores (Tab. 1).

Portanto consiste em um tipo de morte programada, desejável e necessária que participa na formação dos órgãos e que persiste em alguns sistemas adultos como a pele e o sistema imunológico.

Tab. 1. Ocorrência de apoptose fisiológica

Apoptose Fisiológica
Membranas interdigitais
Desenvolvimento da mucosa intestinal
Fusão do palato
Involução normal de tecidos hormônio-dependentes
Atresia folicular ovariana
Leucócitos
Maturação linfóide e prevenção de autoimunidade
Citotoxidade

 

A apoptose é um processo rápido, que se completa em aproximadamente 3 horas e não é sincronizado por todo o órgão, portanto diferentes estágios de apoptose coexistem em diversas secções dos tecidos. Devido à taxa rápida de destruição celular é necessário que apenas 2 a 3% das células estejam em apoptose em determinado momento para que se obtenha uma regressão substancial de tecido, atingindo mesmo a proporção de 25% por dia.

Necrose e Apoptose: Quais são as diferenças?

A necrose difere da apoptose por representar um fenômeno degenerativo irreversível, causado por um agressão intensa. Trata-se pois da degradação progressiva das estruturas celulares sempre que existam agressões ambientais severas.

É interessante salientar que o mesmo agente etiológico pode provocar tanto necrose quanto apoptose; sendo que a severidade da agressão parece ser o fator determinante do tipo de morte celular. Vários agentes etiológicos já foram confirmados como indutores de apoptose, entre eles diversas viroses, isquemia, hipertermia e várias toxinas.

Referências:

  1. Anilton Cesar Vasconcelos. Patologia Geral em Hipertexto. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, Minas Gerais, 2000.

 

A Necrose

Necrose

A Necrose é o estado de morte de um grupo de células, tecido ou órgão, geralmente devido à ausência de suprimento sanguíneo. A necrose pode ocorrer também por outros fatores que levam à lesão celular irreversível, como a ação causada por agentes químicos tóxicos ou resposta imunológica danosa. Fala-se de morte celular quando as suas funções orgânicas e processos do metabolismo cessam.

A necrose deve ser diferenciada da apoptose: 

A Apoptose (Morte celular programada) é um tipo de “autodestruição celular” que requer energia e síntese protéica para a sua execução. Está relacionado com a homeostase na regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, exercendo um papel oposto ao da mitose. Não existe liberação do conteúdo celular para o interstício e portanto não se observa inflamação ao redor da célula morta. Outro fato importante é a fragmentação internucleossômica do DNA, sem nenhuma especificidade de seqüência, porém mais intensamente na cromatina em configuração aberta; conseqüência da atividade de uma endonuclease. 

A Necrose (morte celular no organismo vivo) difere da apoptose por representar um fenômeno degenerativo irreversível, causado por um agressão intensa. Trata-se pois da degradação progressiva das estruturas celulares sempre que existam agressões ambientais severas. Aumento de volume do citoplasma, perda das estruturas de superfície, edema mitocondrial, ruptura de organelas, vesiculações da membrana. É sempre patológica.

As Causas

A Necrose pode ocorrer por conta de agentes físicos como ação mecânica, temperatura, efeitos magnéticos, radiação; agentes químicos, como tóxicos, drogas, álcool, etc. e agentes biológicos, como infecções virais, bacterianas, micóticas, parasitárias ou insuficiência circulatória. A necrose leva ao desaparecimento total do núcleo celular e, por fim, da própria célula, o que é precedido de alterações celulares estruturais graves.

Principais tipos de Necrose

  • Necrose de coagulação ou isquêmica: ocorre devido a uma hipóxia ou isquemia em qualquer tecido, exceto o cerebral, que sofre necrose por liquefação. Ela é determinada pela desnaturação das proteínas celulares autolíticas, com o que a célula não é destruída e a arquitetura tecidual é mantida por alguns dias até a digestão e remoção da necrose.
  • Necrose de liquefação: devido à infecção por agentes biológicos ou por isquemia ou hipóxia no tecido cerebral. A lesão e morte celular são causadas por toxinas produzidas pelos micro-organismos infecciosos ou por processo inflamatório. As células mortas são rapidamente fagocitadas e digeridas. A digestão do tecido necrótico resultará na formação de uma massa residual amorfa, geralmente composta por pus.
  • Necrose fibrinoide: o tecido necrosado adquire um aspecto róseo e vítreo, semelhante à fibrina. Ocorre em algumas doenças autoimunes e na hipertensão arterial maligna.
  • Necrose gangrenosa: um tipo de necrose de coagulação que acomete principalmente as extremidades de membros que perderam o suprimento sanguíneo, gerando gangrena, isto é, uma necrose seguida de invasão bacteriana e putrefação tecidual.
  • Necrose gordurosa: ocorre quando há o extravasamento de enzimas lipolíticas para o tecido adiposo, o que leva à liquefação dele. É o tipo de necrose que ocorre nas pancreatites agudas

Tratamentos para a Necrose

O tratamento dependerá da causa subjacente e a oportuna intervenção: por isso é importante para fazer a prevenção e compreender as causas que levaram à morte do tecido, bem como o tipo de doença que pode estar a caminho.

Dependendo do tipo de necrose e o tecido necrosado afetado, o paciente pode passar por debridamento químico ou cirúrgico a critério médico; curativos diários; câmara hiperbárica (indicado a todos os casos); e a enxertia cirúrgica das partes acometidas.

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Exsudato Inflamatório: Saiba Identificar

exsudatos inflamatórios

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 30/09/2026.

Exsudato não é apenas “líquido saindo da ferida”. Ele resulta do aumento da permeabilidade vascular durante a inflamação e pode trazer proteínas, células e outros componentes para o tecido lesionado. Na enfermagem, observar esse líquido ajuda a acompanhar a evolução da ferida, mas a interpretação precisa considerar quantidade, viscosidade, cor, odor e o estado do leito e da pele ao redor.

Os principais tipos de exsudato

O seroso é geralmente claro ou amarelo-claro, fino e aquoso. Pequena quantidade pode aparecer normalmente durante a cicatrização. Já o serossanguinolento combina líquido seroso com pequena quantidade de sangue, apresentando aspecto rosado ou avermelhado.

O sanguinolento contém maior quantidade de sangue e pode estar relacionado a sangramento ou trauma vascular. Quando há líquido espesso, opaco, amarelado, esverdeado, acastanhado ou com aspecto de pus, descreve-se como purulento. Esse achado merece atenção, principalmente quando surge junto com aumento da dor, calor, eritema, edema, odor ou deterioração da ferida.

Na patologia, também existem descrições como fibrinoso, catarral, hemorrágico e pseudomembranoso, relacionadas ao tipo de resposta inflamatória e ao tecido envolvido. Elas continuam úteis para compreender a fisiopatologia, porém não devem ser confundidas com a nomenclatura usada rotineiramente para descrever o exsudato de uma ferida durante o curativo.

Um detalhe que costuma fazer diferença no plantão: encontrar exsudato amarelado não significa automaticamente que a ferida esteja infectada. Fibrina, tecido desvitalizado e diferentes componentes do leito podem alterar a aparência. O diagnóstico de infecção depende do conjunto de sinais clínicos e da evolução da lesão, e não de uma característica isolada.

Quantidade também precisa ser registrada

Não basta escrever “ferida com exsudato”. É mais útil registrar se está ausente, escasso, pequeno, moderado ou abundante, conforme a escala adotada pelo serviço. Uma avaliação estruturada permite comparar a ferida ao longo dos dias e perceber mudanças que poderiam passar despercebidas.

Na prática, durante um curativo, pode acontecer de uma cobertura aparentemente “muito molhada” chamar atenção antes mesmo da inspeção completa. Nesse momento, vale observar se houve realmente aumento do volume drenado, se a secreção mudou de aspecto e se a pele perilesional começou a apresentar maceração. A cobertura isoladamente não conta toda a história.

Outro cenário comum ocorre quando uma ferida que vinha apresentando pequena quantidade de secreção serosa passa a drenar mais, com mudança de viscosidade e aumento da dor local. Essa evolução é mais relevante do que simplesmente registrar “exsudato amarelo”, porque a comparação seriada ajuda a identificar deterioração e direcionar a avaliação clínica.

Cuidados de enfermagem

Durante a avaliação, observe o tipo, quantidade, cor, viscosidade e odor do exsudato, além do leito da ferida, bordas e pele ao redor. Registre a evolução de forma objetiva e comunique alterações relevantes.

A presença de secreção purulenta, aumento progressivo da dor, calor, edema, eritema, odor desagradável, atraso da cicatrização ou deterioração do tecido exige avaliação clínica mais cuidadosa. Uma cultura superficial, isoladamente, também não deve ser usada como sinônimo de infecção ou como único motivo para iniciar tratamento.

A escolha da cobertura deve acompanhar o volume e as características do exsudato, protegendo a pele ao redor e evitando tanto o excesso de umidade quanto o ressecamento do leito. A evolução deve ser comparada com registros anteriores, preferencialmente utilizando critérios padronizados pelo serviço.

Resumo para salvar

Exsudato Inflamatório: Saiba Identificar

  • Exsudato seroso é claro e aquoso
  • Exsudato serossanguinolento contém pequena quantidade de sangue
  • Exsudato purulento exige avaliação clínica
  • Quantidade e aspecto devem ser registrados

Referências:

  1. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. Nursing Fundamentals. 2. ed. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, 2024. Tabela de avaliação de feridas. NCBI Bookshelf – Wound Assessment
  2. STATPEARLS. Wound Assessment. Treasure Island: StatPearls Publishing. NCBI Bookshelf – Wound Assessment
  3. HAESLER, E. et al. Clinical indicators of wound infection and biofilm: reaching international consensus. Journal of Wound Care, v. 28, Suppl. 3b, p. S4-S12, 2019. PubMed – Clinical indicators of wound infection and biofilm
  4. WOUND HEALING FOUNDATION. Management of Infected Wounds: A Wound Healing Foundation Consensus Statement. 2026. PubMed – Management of Infected Wounds

Classificação da Lesão por Pressão conforme NPUAP

Lesão por Pressão

No dia 13 de abril de 2016, o NPUAP anunciou a mudança na terminologia Úlcera por Pressão para Lesão por Pressão e a atualização da nomenclatura dos estágios do sistema de classificação.

Segundo o NPUAP, a expressão descreve de forma mais precisa esse tipo de lesão, tanto na pele intacta como na pele ulcerada. No sistema prévio do NPUAP, o Estágio 1 e a Lesão Tissular Profunda descreviam lesões em pele intacta enquanto as outras categorias descreviam lesões abertas.

Isso causava confusão porque a definição de cada um dos estágios referia-se à úlcera por pressão. Além dessa mudança, na nova proposta, os algarismos arábicos passam a ser empregados na nomenclatura dos estágios ao invés dos romanos.

O termo “suspeita” foi removido da categoria diagnóstica Lesão Tissular Profunda. Durante o encontro do NPUAP, outras definições de lesões por pressão foram acordadas e adicionadas: Lesão por Pressão Relacionada a Dispositivo Médico e Lesão por Pressão em Membrana Mucosa.

Referência: NPUAP

Veja mais em nosso canal YouTube:

 

Lesão por Pressão

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Cicatrização: Entenda as suas fases

Cicatrização

A cicatrização é um processo natural de reparação de tecidos orgânicos lesados feito por meio das fibras colágenas derivadas dos miofibroblastos que migram para o local ferido. Essas fibras recobrem a área lesada com tecido conjuntivo fibroso e, assim, o tecido epitelial pré-existente fica temporária ou permanentemente substituído por ele.

Chama-se cicatriz à alteração tecidual que resulta deste processo de cicatrização. Em virtude da maior vitalidade dos tecidos, a cicatrização se faz de forma mais rápida nas pessoas mais jovens que nas mais idosas, embora quanto mais jovem for a pessoa, pior será o aspecto da cicatriz e quanto mais idosa, melhor. Além disso, a aparência da cicatriz depende também da localização, da natureza do trauma e da profundidade da lesão. Ao seu final, o processo de cicatrização pode deixar na pele uma cicatriz e uma alteração da sensibilidade local duradoura ou permanente.

Quais são os tipos de cicatrizes?

Algumas cicatrizes formadas pelo processo de cicatrização não deixam vestígios ou eles são quase inaparentes e vão esmaecendo lentamente com o passar do tempo. No entanto, outras cicatrizes são mais exuberantes, salientes e de coloração avermelhada, chamadas de hipertróficas. Um modelo ainda mais extravagante é constituído pelos queloides.

Ambas se devem ao excesso de produção de colágeno pelos fibroblastos, mas sempre existiu a dificuldade de se distinguir histologicamente as duas. Na verdade, o queloide parece ser uma cicatriz hipertrófica que não respondeu bem ao tratamento. Não é só o tipo de pele que interfere na maneira como se dá a cicatrização e na forma que a cicatriz assume; também influem a idade, o tipo de trauma que o tecido recebeu e a fase hormonal em que a pessoa se encontra. As cicatrizes na puberdade ou na gravidez, por exemplo, são piores que em outros momentos da vida. Há casos específicos, como o das cicatrizes provocadas por queimaduras que, às vezes, são muito extensas e causam problemas sérios para a vida.

Quais são as fases da cicatrização e como é a formação das cicatrizes?

O processo de cicatrização compreende quatro fases:

  • Limpeza: imediatamente após feridos, os tecidos libertam mediadores uímicos (exsudatos fibrinosos) na superfície, os quais em contato com o ar ressecam e formam uma crosta que, por um lado ajuda a conter a hemorragia e, por outro, protege o ferimento de contaminações externas.
  • Retração: a ação dos miofibroblastos reduz o tamanho do ferimento, contraindo-o e causando coceira. Nas cicatrizes muito extensas, como as das queimaduras, por exemplo, podem surgir contraturas musculares.
  • Granulação: é representada pelo novo tecido em crescimento para preencher o defeito. Juntamente com ele há um processo de angiogênese, o qual forma os vasos que vão irrigar essa nova estrutura.
  • Re-epitelização: as células epiteliais começam a se introduzir por debaixo da crosta, a partir das bordas, e dão fim ao processo de reparo. As células epiteliais crescem e restabelecem a continuidade do revestimento.

Como é tratado a cicatrização e as cicatrizes?

Atualmente, tanto existem recursos clínicos quanto cirúrgicos que permitem bons resultados na prevenção e tratamento das anomalias cicatriciais. Quanto mais precocemente iniciar-se o tratamento, melhores serão os resultados. Como existe uma característica individual dos processos de cicatrização, é de todo relevante colher-se uma história de como se dá esse processo no indivíduo e em sua família. Se for detectada a tendência para formar más cicatrizes (queloides, por exemplo) é fundamental o início precoce do tratamento.

As cicatrizes que se referem a ferimentos pequenos e superficiais em geral desaparecem por si mesmas, em maior ou menor tempo. Algumas cicatrizes são permanentes, porém seus maus efeitos estéticos ou funcionais podem ser amenizados com cremes, laser ou até mesmo enxertos. O tratamento deve visar a prevenção e a remoção das cicatrizes hipertróficas e queloidais. Nas queimaduras, as áreas queimadas não se regeneram todas por igual nem ao mesmo tempo e o tratamento deve começar pelas partes já cicatrizadas. Dependendo do tamanho e natureza da cicatriz esses tratamentos podem usar medicações tópicas, malhas compressivas, massagens, gel de silicone e, mesmo, cirurgia. Mais recentemente os raios laser têm sido tentados com sucesso no objetivo de remover ou minimizar a má aparência de algumas cicatrizes.

Quais são os cuidados que se deve ter com a cicatrização e com as cicatrizes?

  • É preciso hidratar a pele com cremes hidratantes. Isso diminui o prurido provocado pela cicatrização dos tecidos.
  • Se a coceira for muito intensa, pode-se pedir para prescrever um anti-histamínicos ou mesmo um corticoide de baixa potência.
  • A superfície recém cicatrizada não tolera arranhaduras, que podem inclusive romper os pontos da sutura.
  • Em regra, as bolhas que precedem as cicatrizações das queimaduras, pequenas ou grandes, não devem ser rompidas. EVITE fazer isso em ambiente doméstico e hospitalar; quando muito necessário, fazê-lo num ambiente cirúrgico estéril.
  • É importante que a pessoa não coce e não arranhe as cicatrizes. Afinal, passar a mão sobre a área cicatrizada aumenta a sensação de coceira. De qualquer maneira, pessoas com a pele em processo de cicatrização devem manter suas unhas sempre limpas e muito bem cortadas.
  • O paciente não deve expor-se ao sol enquanto a cor da cicatriz não tiver adquirido uma tonalidade próxima à da pele normal e deve usar filtro solar para proteger a cicatriz, assim como deve fazer com qualquer outra parte da pele.

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