Tromboembolismo Pulmonar (TEP): tudo o que você precisa saber sobre essa emergência cardiovascular

Imagine um paciente que operou o joelho há três dias, evoluiu bem no pós-operatório, já caminhava com apoio pelo corredor e tinha alta marcada para o dia seguinte. De repente, sem aviso, ele refere falta de ar súbita, fica taquicárdico e a saturação começa a cair. Não houve febre, não houve piora gradual — foi de “bem” para “grave” em poucos minutos.

Esse tipo de cena é mais comum do que parece, e é exatamente por isso que o tromboembolismo pulmonar (TEP) é considerado uma das emergências cardiovasculares mais traiçoeiras da prática clínica: ele raramente avisa, e costuma atingir justamente quando a equipe já está de guarda baixa, acreditando que o pior já passou.

O TEP é uma das principais causas de morte evitável em pacientes hospitalizados, e ocorre quando um trombo (coágulo sanguíneo), geralmente originado nas veias profundas dos membros inferiores, desprende-se e percorre a corrente sanguínea até obstruir uma ou mais artérias pulmonares.

Essa obstrução impede que parte do pulmão receba fluxo sanguíneo adequado para realizar as trocas gasosas, provocando diminuição da oxigenação, sobrecarga do coração e, nos casos mais graves, choque e morte.

O reconhecimento precoce é fundamental, pois o tratamento instituído rapidamente reduz significativamente a mortalidade. Por isso, estudantes e profissionais de enfermagem devem conhecer os fatores de risco, os sinais clínicos e os cuidados necessários diante dessa condição.

Aqui você aprenderá o que é o tromboembolismo pulmonar, como ele acontece, quais são seus principais sintomas, formas de diagnóstico, tratamento, complicações e os cuidados de enfermagem mais importantes.

O que é o Tromboembolismo Pulmonar (TEP)?

O tromboembolismo pulmonar é a obstrução parcial ou total de uma artéria pulmonar ou de seus ramos por um êmbolo, geralmente um trombo sanguíneo.

Na maioria dos casos, esse coágulo se forma nas veias profundas das pernas ou da pelve, caracterizando uma Trombose Venosa Profunda (TVP). Quando esse trombo se desprende, ele passa pela circulação venosa, atravessa o coração direito e alcança a circulação pulmonar, onde pode ficar preso devido ao estreitamento progressivo das artérias pulmonares.

Em aproximadamente 90% dos casos, o TEP é consequência direta de uma trombose venosa profunda.

O que é um trombo? E um êmbolo?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles possuem significados diferentes.

  • Trombo é o coágulo formado dentro de um vaso sanguíneo.
  • Êmbolo é qualquer material que circula pela corrente sanguínea e pode obstruir um vaso.

No TEP, o êmbolo normalmente é um trombo desprendido, sendo chamado de tromboêmbolo.

Como acontece o Tromboembolismo Pulmonar?

Imagine uma pessoa que permaneceu vários dias acamada após uma cirurgia. Durante esse período, o sangue circula mais lentamente pelas pernas. Essa lentidão favorece a formação de coágulos nas veias profundas. Em determinado momento, parte desse trombo pode se desprender.

A corrente sanguínea leva esse fragmento até:

Veias das pernas → Veia cava inferior → Átrio direito → Ventrículo direito → Artéria pulmonar.

Ao atingir vasos pulmonares menores, o trombo fica impactado, interrompendo o fluxo sanguíneo.

A consequência é dupla:

  • parte do pulmão continua recebendo ar, mas deixa de receber sangue;
  • o ventrículo direito precisa fazer muito mais força para bombear sangue contra essa obstrução.

Nos casos graves, essa sobrecarga pode provocar insuficiência ventricular direita aguda e choque.

A tríade de Virchow

A formação dos trombos está relacionada à chamada Tríade de Virchow, descrita pelo patologista Rudolf Virchow no século XIX.

Ela envolve três fatores principais:

Estase venosa

É a diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo.

Pode ocorrer em:

  • repouso prolongado;
  • internações;
  • viagens longas;
  • imobilização por fraturas;
  • pós-operatório.

Lesão da parede do vaso

Pode acontecer por:

  • cirurgias;
  • traumas;
  • cateteres venosos;
  • inflamações.

Hipercoagulabilidade

O sangue torna-se mais propenso à formação de coágulos.

Pode ocorrer em:

  • câncer;
  • gravidez;
  • puerpério;
  • uso de anticoncepcionais hormonais;
  • trombofilias;
  • obesidade;
  • tabagismo;
  • síndrome nefrótica.

Esses três fatores aumentam significativamente o risco de trombose e, consequentemente, de TEP.

Quais são os principais fatores de risco?

Diversas situações favorecem o desenvolvimento do tromboembolismo pulmonar.

Entre elas:

  • idade acima de 60 anos;
  • trombose venosa profunda prévia;
  • histórico anterior de TEP;
  • cirurgia ortopédica;
  • cirurgia de grande porte;
  • internação prolongada;
  • permanência em UTI;
  • imobilização;
  • fraturas;
  • câncer;
  • obesidade;
  • gestação;
  • puerpério;
  • uso de anticoncepcionais;
  • terapia hormonal;
  • tabagismo;
  • insuficiência cardíaca;
  • acidente vascular cerebral;
  • COVID-19 grave;
  • doenças inflamatórias;
  • trombofilias hereditárias.

★ Cai em Concurso Tipos de Tromboembolismo Pulmonar

O TEP pode ser classificado conforme sua gravidade.

TEP maciço (alto risco)

É o mais grave.

Caracteriza-se por:

  • hipotensão persistente;
  • choque;
  • parada cardiorrespiratória;
  • importante disfunção do ventrículo direito.

Necessita tratamento imediato.

TEP submaciço (risco intermediário)

O paciente permanece com pressão arterial normal. Entretanto, apresenta sinais de sofrimento cardíaco, como:

  • aumento do ventrículo direito;
  • elevação de troponina;
  • BNP elevado.

Existe risco de piora clínica.

TEP de baixo risco

Não apresenta instabilidade hemodinâmica nem disfunção ventricular significativa.

O prognóstico costuma ser melhor.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam conforme o tamanho do trombo e a quantidade de vasos obstruídos.

Os mais frequentes são:

  • falta de ar súbita;
  • dor torácica, geralmente pior à inspiração;
  • taquipneia;
  • taquicardia;
  • ansiedade intensa;
  • sensação de morte iminente;
  • tosse;
  • hemoptise;
  • sudorese fria;
  • tontura;
  • síncope.

Em casos graves podem ocorrer:

  • hipotensão;
  • choque;
  • cianose;
  • parada cardiorrespiratória.

Sinais encontrados no exame físico

O profissional pode observar:

  • taquicardia;
  • aumento da frequência respiratória;
  • queda da saturação;
  • extremidades frias;
  • distensão jugular;
  • hipotensão;
  • sinais de trombose na perna, como edema unilateral, dor e aumento da temperatura local.

O Tromboembolismo Pulmonar sempre causa dor?

Não. Alguns pacientes apresentam apenas falta de ar. Outros desenvolvem somente taquicardia ou dessaturação inexplicada.

Isso torna o diagnóstico desafiador.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina avaliação clínica, probabilidade pré-teste, exames laboratoriais e exames de imagem.

Escalas de probabilidade clínica

As mais utilizadas são:

  • Escore de Wells;
  • Escore de Genebra Revisado.

Essas ferramentas ajudam a estimar a probabilidade de TEP e orientam a investigação.

Dímero-D

É um exame laboratorial que detecta produtos da degradação da fibrina. Quando o resultado é normal em pacientes de baixa probabilidade clínica, o TEP torna-se pouco provável.

Entretanto, um Dímero-D elevado não confirma o diagnóstico, pois pode aumentar em diversas situações, como infecções, câncer, gestação e pós-operatório.

Angiotomografia pulmonar

É considerada o principal exame para confirmação diagnóstica. Permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares.

Angiografia pulmonar

Durante muitos anos foi considerada o padrão-ouro. Hoje é reservada para situações específicas.

Ecocardiograma

Avalia sinais de sobrecarga do ventrículo direito. É muito útil em pacientes instáveis.

Ultrassom Doppler venoso

Procura identificar trombose venosa profunda nos membros inferiores.

Gasometria arterial

Pode demonstrar:

  • hipoxemia;
  • hipocapnia;
  • alcalose respiratória.

Entretanto, uma gasometria normal não exclui TEP.

Como é tratado?

O tratamento depende da gravidade:

Anticoagulantes

São a base do tratamento. Os mais utilizados incluem:

  • heparina não fracionada;
  • heparina de baixo peso molecular;
  • fondaparinux;
  • rivaroxabana;
  • apixabana;
  • edoxabana;
  • dabigatrana;
  • varfarina.

Os anticoagulantes impedem que novos trombos se formem e permitem que o organismo dissolva gradualmente o coágulo existente.

Trombólise

Indicada principalmente no TEP maciço com instabilidade hemodinâmica.

Os principais medicamentos utilizados são:

  • alteplase;
  • tenecteplase (em situações específicas).

Seu objetivo é dissolver rapidamente o trombo.

Embolectomia

Pode ser realizada por cirurgia ou cateter. É indicada quando a trombólise é contraindicada ou não apresenta sucesso.

Filtro de veia cava

Utilizado em pacientes com contraindicação absoluta ao uso de anticoagulantes ou em casos selecionados de recorrência de embolia pulmonar apesar da anticoagulação adequada.

Possíveis complicações

As principais complicações incluem:

  • insuficiência respiratória;
  • choque obstrutivo;
  • insuficiência ventricular direita;
  • hipertensão pulmonar tromboembólica crônica;
  • recorrência do TEP;
  • morte súbita.

Como prevenir?

A prevenção é extremamente importante. As medidas incluem:

  • Mobilização precoce após cirurgias.
  • Deambulação sempre que possível.
  • Uso de meias de compressão graduada quando indicadas.
  • Compressão pneumática intermitente.
  • Profilaxia farmacológica com anticoagulantes em pacientes de risco.
  • Hidratação adequada.
  • Evitar longos períodos sentado sem movimentar as pernas.

Você sabia?

O tromboembolismo pulmonar é considerado uma das principais causas evitáveis de morte hospitalar. Nem todo paciente com trombose venosa profunda desenvolve TEP, mas toda suspeita de TVP deve ser investigada rapidamente devido ao risco de embolização.

Em muitos casos, o primeiro sinal de uma trombose silenciosa pode ser justamente um episódio de embolia pulmonar. A falta de ar súbita acompanhada de dor torácica em pacientes internados ou no pós-operatório sempre deve levantar suspeita de TEP. A tromboprofilaxia hospitalar adequada reduz significativamente a incidência de tromboembolismo venoso e salva milhares de vidas todos os anos.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem desempenha papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento do tromboembolismo pulmonar. Entre os principais cuidados estão:

  • Realizar avaliação clínica frequente, monitorando sinais de dispneia, dor torácica, taquicardia, hipotensão e alteração do nível de consciência.
  • Monitorar continuamente sinais vitais, saturação periférica de oxigênio e frequência respiratória.
  • Administrar oxigenoterapia conforme prescrição e observar a resposta clínica do paciente.
  • Manter acesso venoso pérvio para administração rápida de medicamentos e fluidos quando necessário.
  • Administrar anticoagulantes rigorosamente conforme prescrição médica, observando dose, horário e possíveis sinais de sangramento.
  • Monitorar exames laboratoriais relacionados à anticoagulação, como TTPa, TP/INR e hemograma, conforme o anticoagulante utilizado.
  • Observar sinais de complicações hemorrágicas, incluindo hematomas extensos, epistaxe, hematúria, melena, gengivorragia e queda da pressão arterial.
  • Estimular mobilização precoce sempre que clinicamente possível e conforme orientação da equipe multiprofissional.
  • Orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento anticoagulante, do comparecimento às consultas de acompanhamento e da identificação precoce de sinais de sangramento.
  • Realizar medidas preventivas para trombose venosa profunda, como utilização correta de meias compressivas ou dispositivos de compressão pneumática quando prescritos.
  • Manter vigilância contínua em pacientes instáveis, comunicando imediatamente qualquer piora clínica.

O tromboembolismo pulmonar é uma emergência médica potencialmente fatal, mas que pode ser prevenida em grande parte dos casos com medidas simples e eficazes de tromboprofilaxia. O reconhecimento precoce dos fatores de risco, dos sinais clínicos e das alterações hemodinâmicas permite diagnóstico e tratamento rápidos, reduzindo significativamente a mortalidade.

A equipe de enfermagem possui papel essencial em todas as etapas do cuidado, desde a prevenção da trombose venosa profunda até o monitoramento intensivo dos pacientes diagnosticados com TEP. Uma assistência baseada em evidências, aliada à educação em saúde e ao acompanhamento rigoroso, contribui diretamente para melhores desfechos clínicos e maior segurança do paciente.

Resumo para salvar

TEP: o paciente que ia bem e piorou em minutos

  • 90% dos casos de TEP vêm de uma trombose venosa profunda (TVP)
  • Sinais de alerta: falta de ar súbita, dor torácica à inspiração e taquicardia
  • Diagnóstico combina Escore de Wells, Dímero-D e Angiotomografia pulmonar
  • Anticoagulantes são a base do tratamento; casos graves podem exigir trombólise

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para tromboembolismo pulmonar. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes brasileiras de embolia pulmonar. Rio de Janeiro: SBC, 2022. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/. 
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Tromboembolismo Venoso. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Embolia Pulmonar e Tromboembolismo Venoso. São Paulo: SBC. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br
  6. KONSTANTINIDES, S. V. et al. 2024 ESC Guidelines for the management of acute pulmonary embolism. European Society of Cardiology. Disponível em: https://www.escardio.org
  7. AMERICAN COLLEGE OF CHEST PHYSICIANS (CHEST). Antithrombotic Therapy for VTE Disease: CHEST Guideline and Expert Panel Report. Disponível em: https://journal.chestnet.org
  8. BRAUNWALD, E. Braunwald’s Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine. 12. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022.
  9. KASPER, D. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022

Doença de Behçet: Guia Completo para Enfermagem

doença de behçet

A doença de Behçet, também chamada de síndrome de Behçet, é uma doença inflamatória crônica e multissistêmica que pode afetar diferentes partes do organismo. Ela faz parte do grupo das vasculites, ou seja, doenças nas quais existe inflamação dos vasos sanguíneos.

Uma das características que mais chama atenção é a presença recorrente de aftas orais, muitas vezes acompanhadas por úlceras genitais, alterações nos olhos e manifestações na pele. Entretanto, a doença não se limita a essas regiões. Dependendo da pessoa, pode envolver articulações, vasos sanguíneos, sistema nervoso e trato gastrointestinal.

Por isso, Behçet pode ser uma doença difícil de reconhecer. Um paciente pode chegar ao serviço de saúde relatando apenas “aftas que sempre voltam”, enquanto outro pode procurar atendimento por alteração visual, dor e edema em uma perna, sintomas neurológicos ou dor abdominal.

Para o estudante de Enfermagem, compreender essa doença é importante justamente porque suas manifestações podem aparecer em diferentes sistemas e exigir acompanhamento multiprofissional.

O que é a doença de Behçet?

A doença de Behçet é uma vasculite sistêmica de evolução geralmente recorrente e remissiva. Isso significa que períodos de atividade da doença podem alternar com períodos de melhora.

Ela pode comprometer vasos sanguíneos de diferentes calibres, tanto veias quanto artérias, e pode apresentar manifestações em diversos órgãos.

Entre os sistemas que podem ser afetados estão:

  • boca e mucosas;
  • pele;
  • olhos;
  • articulações;
  • vasos sanguíneos;
  • sistema nervoso;
  • trato gastrointestinal.

As recomendações da EULAR destacam justamente essa característica multissistêmica e ressaltam que o tratamento precisa ser individualizado conforme o órgão envolvido, gravidade, idade, sexo e preferências do paciente.

Por que ela recebe o nome de Behçet?

A doença recebeu esse nome em homenagem ao dermatologista turco Hulusi Behçet, que descreveu, em 1937, uma associação de manifestações clínicas que hoje reconhecemos como características da síndrome. Historicamente, entretanto, relatos semelhantes já haviam sido descritos anteriormente.

A doença apresenta maior frequência em algumas regiões que fazem parte da antiga rota da seda, incluindo áreas do Mediterrâneo, Oriente Médio e Ásia, embora possa ocorrer em qualquer população.

O que causa a doença de Behçet?

A causa exata ainda não está completamente esclarecida. Atualmente, entende-se que a doença provavelmente resulta de uma combinação de:

  • predisposição genética + alterações do sistema imunológico + fatores ambientais.

Isso significa que não existe uma causa única, como acontece em uma infecção bacteriana.

A presença de determinados fatores genéticos, especialmente associações com o HLA-B51, está relacionada a maior predisposição, mas ter esse marcador não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.

Também é importante lembrar que Behçet não é uma doença contagiosa. Não é transmitida por contato físico, saliva, relação sexual ou compartilhamento de objetos.

O sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo?

De certa forma, sim, mas a explicação é um pouco mais complexa. A doença envolve uma desregulação da resposta imunológica e inflamatória. O sistema imunológico passa a apresentar uma resposta inflamatória inadequadamente ativada, contribuindo para a inflamação dos vasos e dos tecidos. Por isso, Behçet é classificada como uma doença inflamatória e imunomediada.

Isso também explica por que alguns tratamentos utilizam medicamentos capazes de controlar ou modificar a resposta imunológica.

A doença de Behçet é uma doença autoimune?

Ela é frequentemente descrita como uma doença autoinflamatória e autoimune, mas a classificação não é tão simples. Existe participação importante tanto da imunidade inata quanto da adaptativa. Por isso, atualmente é comum encontrar a doença descrita como uma condição imunomediada.

Para o estudante de Enfermagem, o mais importante é compreender que a doença envolve uma resposta imunológica desregulada que produz inflamação em diferentes tecidos e vasos sanguíneos.

Quais são os principais sintomas da doença de Behçet?

Uma das características mais interessantes da doença é sua grande variedade de manifestações. Não existe necessariamente um único “paciente típico”. A combinação de manifestações pode mudar bastante de uma pessoa para outra.

Aftas recorrentes: uma das manifestações mais características

As úlceras orais recorrentes estão entre os sinais mais conhecidos da doença.

Podem aparecer na:

  • língua;
  • parte interna das bochechas;
  • gengivas;
  • palato;
  • lábios;
  • região da orofaringe.

Elas podem ser dolorosas e dificultar alimentação, mastigação e higiene oral. Um ponto importante é que ter aftas não significa ter Behçet. Aftas são extremamente comuns na população e possuem várias causas. O que chama atenção em Behçet é a recorrência, especialmente quando associada a outras manifestações características.

Úlceras genitais

As lesões genitais são outra manifestação importante. Podem aparecer em homens e mulheres e geralmente são dolorosas. Em alguns casos, podem deixar cicatrizes após a cicatrização. Quando o paciente apresenta úlceras genitais recorrentes associadas a aftas orais, alterações oculares, cutâneas ou vasculares, a possibilidade de Behçet passa a ser considerada.

A abordagem deve ser cuidadosa, respeitando a privacidade e a dignidade do paciente.

Alterações na pele

A pele também pode apresentar diferentes manifestações. Entre elas estão:

  • eritema nodoso, caracterizado por nódulos dolorosos, geralmente nas pernas;
  • lesões semelhantes à acne, mesmo em pessoas que não apresentavam acne previamente;
  • lesões papulopustulosas;
  • alterações relacionadas à inflamação dos vasos.

A EULAR destaca que o tratamento das manifestações mucocutâneas deve considerar qual lesão predomina e o impacto sobre a qualidade de vida.

O fenômeno de patergia

Uma característica bastante conhecida de Behçet é a patergia. Em algumas pessoas, uma pequena lesão na pele, como uma punção ou trauma superficial, pode desencadear uma resposta inflamatória exagerada. O fenômeno pode ser avaliado por meio de teste específico realizado por profissionais habilitados. Entretanto, a patergia não está presente em todos os pacientes.

Portanto, um teste negativo não exclui automaticamente a doença.

Behçet pode afetar os olhos?

Sim, e essa é uma das manifestações que merece maior atenção. A doença pode provocar uveíte, que corresponde à inflamação de estruturas do trato uveal do olho. Também pode haver inflamação dos vasos da retina, conhecida como vasculite retiniana.

O paciente pode apresentar:

  • dor ocular;
  • olho vermelho;
  • fotofobia;
  • visão borrada;
  • moscas volantes;
  • redução da acuidade visual.

Em alguns casos, a inflamação ocular pode ser grave e causar perda visual permanente. Por isso, alterações visuais em uma pessoa com Behçet devem ser valorizadas.

A EULAR destaca que o comprometimento ocular, principalmente quando envolve o segmento posterior, exige tratamento adequado e acompanhamento oftalmológico próximo para prevenir danos irreversíveis.

Por que a uveíte na doença de Behçet é tão importante?

Porque não é apenas uma questão de desconforto. Inflamações oculares recorrentes podem produzir danos permanentes às estruturas responsáveis pela visão. Por isso, o objetivo do tratamento não é simplesmente aliviar a dor ou vermelhidão. É necessário controlar a inflamação e prevenir novas crises.

Para a Enfermagem, uma queixa aparentemente simples como “minha visão está diferente” pode representar uma situação que necessita de avaliação rápida.

A doença pode causar trombose?

Sim. Esse é um aspecto muito importante de Behçet. A inflamação dos vasos pode favorecer o desenvolvimento de trombose venosa, incluindo trombose venosa profunda.

O paciente pode apresentar:

  • dor em um membro;
  • edema;
  • aumento da temperatura local;
  • vermelhidão;
  • sensação de peso.

Entretanto, a trombose na doença de Behçet não deve ser encarada simplesmente como uma trombose comum. Ela está relacionada à inflamação vascular, e isso interfere na estratégia de tratamento.

As recomendações da EULAR enfatizam o papel do controle da inflamação e alertam para a necessidade de avaliar a presença de aneurismas antes de determinadas decisões relacionadas à anticoagulação.

Behçet pode afetar as artérias?

Sim. A doença também pode provocar aneurismas arteriais, inclusive aneurismas das artérias pulmonares. Essa manifestação é menos comum, mas potencialmente grave. O rompimento de um aneurisma pode provocar hemorragia importante. Por isso, sinais como:

  • hemoptise;
  • dor torácica;
  • falta de ar;
  • queda da pressão arterial;
  • taquicardia;
  • palidez ou sinais de choque

devem ser tratados como situações potencialmente graves, especialmente em pacientes com doença vascular conhecida.

O sistema nervoso também pode ser afetado?

Pode. O comprometimento neurológico é conhecido como neuro-Behçet. Pode envolver diferentes estruturas do sistema nervoso central. Os sintomas dependem da região afetada e podem incluir:

  • cefaleia;
  • alterações de força;
  • alterações de sensibilidade;
  • dificuldade de equilíbrio;
  • alterações da fala;
  • confusão;
  • alterações de consciência;
  • convulsões;
  • déficits neurológicos focais.

Uma das apresentações importantes é a trombose dos seios venosos cerebrais. Qualquer alteração neurológica nova em uma pessoa com Behçet deve ser investigada.

Behçet pode causar sintomas gastrointestinais?

Sim. Embora nem todos os pacientes apresentem comprometimento gastrointestinal, podem ocorrer:

  • dor abdominal;
  • diarreia;
  • sangramento gastrointestinal;
  • úlceras intestinais.

O íleo e o cólon podem estar envolvidos, dependendo do caso. Um ponto importante é que sintomas gastrointestinais em uma pessoa com Behçet não devem ser automaticamente atribuídos à própria doença. A EULAR recomenda confirmar o comprometimento gastrointestinal por endoscopia e/ou exames de imagem quando indicado e considerar diagnósticos diferenciais, incluindo doença inflamatória intestinal, infecções e lesões relacionadas a anti-inflamatórios.

Behçet pode causar dor nas articulações?

Sim. As manifestações articulares são relativamente frequentes.

O paciente pode apresentar:

  • dor articular;
  • edema;
  • rigidez;
  • dificuldade para movimentar determinada articulação.

Os joelhos, tornozelos e outras articulações podem ser afetados. Em muitos casos, a artrite apresenta caráter episódico. A EULAR considera a colchicina uma das opções iniciais para artrite aguda associada à doença de Behçet, dependendo do contexto clínico.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único exame de sangue capaz de dizer: “Este paciente tem Behçet.” O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado por critérios de classificação e pela exclusão de outras doenças. O médico avalia o conjunto de manifestações. Por exemplo: uma pessoa com aftas recorrentes isoladamente pode ter inúmeras outras condições; mas uma pessoa com aftas recorrentes + úlceras genitais + uveíte + lesões cutâneas apresenta um conjunto muito mais sugestivo.

Existem critérios diagnósticos?

Existem critérios de classificação, utilizados principalmente para padronizar estudos e auxiliar na caracterização dos pacientes. Entre os sistemas utilizados estão os International Criteria for Behçet’s Disease (ICBD). É importante que o estudante entenda que critério de classificação não é necessariamente sinônimo de critério diagnóstico.

Na prática clínica, o diagnóstico depende da avaliação global do paciente.

Existe exame de sangue para Behçet?

Não existe um marcador laboratorial específico que confirme sozinho a doença. Exames podem mostrar alterações inflamatórias, como aumento de:

  • PCR;
  • VHS.

Entretanto, esses exames são inespecíficos. Podem estar normais mesmo quando a doença está presente. Também pode ser investigada a presença de HLA-B51, mas esse marcador não confirma a doença sozinho.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende diretamente de qual órgão está comprometido e da gravidade da doença. Essa é uma das principais características de Behçet. Não existe um único medicamento que seja adequado para todos os pacientes. A EULAR recomenda uma abordagem individualizada e multidisciplinar, especialmente porque manifestações oculares, vasculares, neurológicas e gastrointestinais podem ter maior risco de dano permanente.

Corticoides

Os corticoides são importantes no controle de crises inflamatórias. Podem ser utilizados em diferentes vias dependendo da manifestação. Por exemplo, podem ser empregados em situações de inflamação ocular, neurológica ou vascular. Entretanto, o uso prolongado exige acompanhamento devido aos possíveis efeitos adversos.

A Enfermagem deve estar atenta a:

  • glicemia;
  • pressão arterial;
  • retenção de líquidos;
  • alterações do humor;
  • risco de infecção;
  • alterações gastrointestinais;
  • alterações ósseas;
  • sinais de síndrome de Cushing quando uso prolongado.

Imunossupressores e imunomoduladores

Dependendo do quadro, podem ser utilizados medicamentos como:

  • azatioprina;
  • ciclosporina;
  • ciclofosfamida;
  • interferon-alfa;
  • inibidores do TNF, como infliximabe e adalimumabe.

A escolha depende do órgão afetado e da gravidade. A EULAR reconhece papel importante de imunossupressores e agentes biológicos em manifestações mais graves ou refratárias.

E a colchicina?

A colchicina é especialmente conhecida pelo seu papel no controle de manifestações mucocutâneas e articulares. Ela pode ser utilizada para prevenir recorrências de determinadas manifestações, particularmente quando há eritema nodoso ou artrite. Entretanto, não deve ser interpretada como tratamento universal para todas as formas de Behçet.

Medicamentos biológicos

Em situações específicas, podem ser utilizados medicamentos biológicos, especialmente os anti-TNF. Entre eles estão:

Esses medicamentos bloqueiam o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma molécula importante na resposta inflamatória. A utilização de imunobiológicos exige avaliação criteriosa e monitoramento do risco de infecções.

Por que o tratamento precisa ser multidisciplinar?

Imagine um paciente que apresenta:

  • aftas recorrentes;
  • uveíte;
  • trombose;
  • dor articular;
  • e lesões cutâneas.

É improvável que apenas uma especialidade consiga acompanhar adequadamente todas essas manifestações. Podem participar do cuidado:

  • reumatologista;
  • oftalmologista;
  • dermatologista;
  • neurologista;
  • gastroenterologista;
  • cirurgião vascular;
  • enfermeiro;
  • nutricionista;
  • fisioterapeuta;

entre outros profissionais. A própria atualização das recomendações da EULAR foi construída com participação de profissionais de diferentes especialidades, incluindo Enfermagem e representantes de pacientes.

Cuidados de Enfermagem na doença de Behçet

A Enfermagem possui papel importante tanto durante as crises quanto no acompanhamento longitudinal. O primeiro cuidado é conhecer o padrão habitual da doença daquele paciente. Como Behçet apresenta períodos de atividade e remissão, reconhecer mudanças em relação ao padrão habitual pode ajudar a identificar uma nova exacerbação.

Avaliação da cavidade oral

Como as úlceras orais são frequentes, a Enfermagem deve observar:

  • localização;
  • quantidade;
  • tamanho;
  • aspecto;
  • presença de sangramento;
  • dor;
  • dificuldade para mastigar;
  • dificuldade para deglutir;
  • ingestão alimentar.

A higiene oral deve ser estimulada de acordo com a tolerância do paciente. Alimentos muito ácidos, picantes ou irritantes podem piorar o desconforto em algumas pessoas.

Cuidados com as úlceras genitais

A avaliação deve ser realizada preservando rigorosamente a privacidade, intimidade e dignidade do paciente. É importante observar sinais de infecção secundária, secreção, sangramento, extensão das lesões e intensidade da dor. O paciente deve receber orientação para não manipular as lesões desnecessariamente.

Avaliação ocular

Esse é um dos pontos que merece muita atenção. Pergunte ao paciente se apresentou:

  • visão embaçada;
  • dor ocular;
  • fotofobia;
  • vermelhidão;
  • pontos ou manchas na visão;
  • redução da acuidade visual.

Alterações visuais novas devem ser comunicadas e avaliadas rapidamente.

Avaliação vascular

Em pacientes com doença vascular conhecida ou suspeita, observe:

  • edema;
  • dor;
  • alteração de coloração;
  • temperatura do membro;
  • diferença entre os membros;
  • dispneia;
  • dor torácica;
  • hemoptise.

Não se deve realizar massagem em um membro com suspeita de trombose.

Avaliação neurológica

  • A equipe de Enfermagem deve observar alterações como:
  • mudança do nível de consciência;
  • cefaleia intensa ou diferente do padrão;
  • alteração da fala;
  • fraqueza;
  • parestesias;
  • alteração da marcha;
  • convulsões;
  • confusão mental.

Alterações neurológicas agudas precisam de avaliação imediata.

Cuidados com medicamentos imunossupressores

Pacientes que utilizam imunossupressores ou imunobiológicos podem apresentar maior risco de infecções. A Enfermagem deve acompanhar sinais como:

  • febre;
  • calafrios;
  • tosse;
  • dispneia;
  • dor ao urinar;
  • lesões de pele;
  • secreções anormais;
  • mal-estar persistente.

Também é importante verificar a realização dos exames laboratoriais solicitados pela equipe médica. Dependendo do medicamento, podem ser acompanhados hemograma, função hepática, função renal e outros parâmetros.

Vacinação

O calendário vacinal deve ser avaliado individualmente. Em pacientes que utilizarão imunossupressores ou imunobiológicos, é particularmente importante verificar a situação vacinal antes do início do tratamento quando possível, pois algumas vacinas vivas podem ser contraindicadas ou exigir planejamento específico durante determinados tratamentos imunossupressores.

A orientação deve ser individualizada conforme o medicamento utilizado e as recomendações vigentes.

Educação do paciente

Uma das tarefas mais importantes da Enfermagem é ensinar o paciente a reconhecer os sinais de alerta. O paciente precisa entender que não deve simplesmente esperar uma consulta de rotina diante de sintomas potencialmente graves. Alteração visual súbita, falta de ar, dor torácica, hemoptise, edema doloroso de membro, sangramento importante ou déficit neurológico exigem avaliação rápida.

A doença de Behçet tem cura?

Atualmente, não existe uma cura definitiva estabelecida para a doença de Behçet. Porém, isso não significa que a pessoa necessariamente permanecerá sintomática durante toda a vida.

A doença pode apresentar períodos de remissão e períodos de atividade. A EULAR destaca que as manifestações podem diminuir ao longo do tempo em muitos pacientes e que, dependendo da evolução, o tratamento pode eventualmente ser reduzido ou até interrompido em determinadas situações.

Isso deve ser decidido pelo médico responsável. Nunca se deve interromper imunossupressores, corticoides ou imunobiológicos por conta própria.

Behçet é uma doença grave?

Pode ser, mas a gravidade varia muito. Algumas pessoas apresentam predominantemente:

  • aftas;
  • úlceras genitais;
  • lesões cutâneas;
  • artralgia ou artrite.
  • Outras podem desenvolver comprometimento:
  • ocular;
  • vascular;
  • neurológico;
  • gastrointestinal.

Essas últimas manifestações podem apresentar risco de dano permanente ou até risco de vida, especialmente quando não são reconhecidas e tratadas adequadamente. Por isso, a gravidade não deve ser avaliada apenas pela intensidade da dor ou pela quantidade de aftas.

Doença de Behçet e qualidade de vida

Mesmo quando não existe comprometimento de órgãos vitais, a doença pode interferir bastante na vida cotidiana. Imagine alguém que apresenta aftas dolorosas várias vezes ao ano, lesões genitais, dor articular e alterações cutâneas. Isso pode afetar:

  • alimentação;
  • sono;
  • sexualidade;
  • trabalho;
  • estudos;
  • relacionamentos;
  • autoestima;
  • saúde mental.

Por isso, o cuidado não deve se limitar ao controle da inflamação. A qualidade de vida também precisa ser considerada.

Resumindo a doença de Behçet

Uma forma simples de memorizar é pensar em “uma doença inflamatória que pode atingir vasos e vários órgãos”. As manifestações clássicas incluem:

  • aftas orais recorrentes;
  • úlceras genitais;
  • lesões cutâneas;
  • uveíte e outras manifestações oculares;
  • artrite;
  • trombose e outras manifestações vasculares;
  • comprometimento neurológico;
  • manifestações gastrointestinais.

O diagnóstico é clínico e não existe um exame isolado que confirme a doença. O tratamento depende do órgão afetado e da gravidade.

E, para a Enfermagem, os principais pontos são observar, reconhecer sinais de atividade e complicações, administrar e monitorar tratamentos, prevenir infecções, orientar o paciente e atuar na educação em saúde. A doença de Behçet é um excelente exemplo de como uma doença sistêmica pode se apresentar de maneiras muito diferentes.

Uma simples afta recorrente pode parecer algo banal, mas quando aparece repetidamente associada a úlceras genitais, alterações oculares, lesões de pele, tromboses ou manifestações neurológicas, é necessário pensar em uma condição inflamatória sistêmica. O maior desafio está justamente em reconhecer o conjunto de manifestações.

Para o profissional de Enfermagem, conhecer Behçet significa estar preparado para olhar o paciente de forma integral. Não basta observar apenas a queixa que o trouxe ao serviço. É necessário investigar alterações em diferentes sistemas, reconhecer sinais de gravidade e compreender que manifestações aparentemente desconectadas podem fazer parte da mesma doença.

Além disso, o acompanhamento deve ser individualizado e multiprofissional. O objetivo não é apenas controlar os sintomas, mas principalmente evitar danos irreversíveis aos órgãos e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas em reumatologia. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Diretrizes para o manejo da doença de Behçet. São Paulo: SBR, 2022.
  4. HATEMI, G. et al. 2018 update of the EULAR recommendations for the management of Behçet’s syndrome. Annals of the Rheumatic Diseases, v. 77, n. 6, p. 808-818, 2018. Disponível em: EULAR – 2018 Update of the Recommendations for Behçet’s Syndrome. 
  5. HATEMI, G. et al. EULAR recommendations for the management of Behçet disease. Annals of the Rheumatic Diseases, v. 67, n. 12, p. 1656-1662, 2008. Disponível em: EULAR – Recommendations for the Management of Behçet Disease. 
  6. INTERNATIONAL STUDY GROUP FOR BEHÇET’S DISEASE. Criteria for diagnosis of Behçet’s disease. The Lancet, v. 335, n. 8697, p. 1078-1080, 1990.
  7. INTERNATIONAL TEAM FOR THE REVISION OF THE INTERNATIONAL CRITERIA FOR BEHÇET’S DISEASE. The International Criteria for Behçet’s Disease (ICBD): a collaborative study of 27 countries on the sensitivity and specificity of the new criteria. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, v. 28, n. 3, p. 338-347, 2014.
  8. YAZICI, H.; SEYAHI, E.; HATEMI, G.; YAZICI, Y. Behçet syndrome: a contemporary view. Nature Reviews Rheumatology, v. 14, p. 107-119, 2018.

DAOP (Doença Arterial Obstrutiva Periférica): tudo o que o profissional de enfermagem precisa saber

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma condição vascular crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e representa um importante problema de saúde pública. Apesar de ser relativamente comum, muitos pacientes convivem com a doença sem diagnóstico, principalmente porque os sintomas podem surgir de forma lenta e gradual.

Na prática clínica, a DAOP está associada a um risco aumentado de amputações, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular. Por isso, reconhecer seus sinais precocemente é fundamental.

Para a enfermagem, compreender a fisiopatologia, os fatores de risco, os sinais clínicos e os cuidados assistenciais é essencial para promover um atendimento seguro e contribuir para a prevenção de complicações graves.

Nesta publicação, vamos explorar tudo sobre a Doença Arterial Obstrutiva Periférica de forma clara, didática e aprofundada.

O Que Acontece nas Artérias?

De forma bem didática, imagine as artérias como canos que levam o sangue oxigenado para os músculos das pernas. Na DAOP, esses “canos” começam a ficar entupidos por placas de gordura, cálcio e tecido fibroso. Quando o paciente está em repouso, o pouco sangue que passa é suficiente para manter a perna “viva”. Mas, quando ele decide caminhar, o músculo exige mais oxigênio, e o fluxo limitado não dá conta do recado.

O resultado é a isquemia muscular, que gera dor, queimação e uma sensação de peso. Se a doença evolui, o paciente começa a sentir dor mesmo quando está deitado, o que chamamos de dor em repouso. Esse é um sinal de alerta vermelho, pois significa que a obstrução já é tão grave que o tecido está sofrendo permanentemente, podendo evoluir para úlceras isquêmicas e até necrose, que é o estágio mais temido da doença.

Em resumo, a DAOP é uma doença caracterizada pelo estreitamento ou obstrução das artérias periféricas, principalmente das pernas e pés, reduzindo o fluxo sanguíneo para os tecidos. Na maioria dos casos, essa obstrução ocorre devido à aterosclerose, um processo em que placas de gordura, colesterol e substâncias inflamatórias se acumulam na parede das artérias. Com o passar do tempo, essas placas diminuem o diâmetro do vaso e dificultam a passagem do sangue.

Como a DAOP acontece?

Para entender a doença, é importante lembrar que os tecidos dependem de oxigênio e nutrientes transportados pelo sangue arterial.

Quando uma artéria sofre estreitamento significativo:

  • chega menos oxigênio aos tecidos;
  • ocorre redução da perfusão;
  • os músculos passam a sofrer durante esforços;
  • podem surgir lesões de difícil cicatrização;
  • aumenta o risco de necrose e amputação.

Nos casos mais avançados, o fluxo sanguíneo pode ser tão reduzido que o paciente apresenta dor mesmo em repouso.

O que causa a DAOP?

A principal causa é a aterosclerose. Entretanto, diversos fatores contribuem para seu desenvolvimento.

Os principais fatores de risco incluem:

  • tabagismo;
  • hipertensão arterial;
  • diabetes mellitus;
  • dislipidemia;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • idade avançada;
  • histórico familiar de doença cardiovascular.

Entre todos esses fatores, o tabagismo é considerado um dos mais fortemente associados à DAOP.

Quem tem maior risco de desenvolver a doença?

A DAOP é mais comum em:

  • pessoas acima dos 60 anos;
  • fumantes ou ex-fumantes;
  • pacientes diabéticos;
  • indivíduos com hipertensão arterial;
  • pessoas com doença coronariana;
  • pacientes com histórico de AVC.

A presença de múltiplos fatores de risco aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver a doença.

Quais são os sintomas da DAOP?

Os sintomas variam conforme o grau de obstrução arterial. Em muitos casos, a doença permanece assintomática por anos. Quando os sintomas aparecem, o mais clássico é a claudicação intermitente.

Claudicação intermitente: o principal sinal

A claudicação ocorre quando o paciente sente dor, cansaço, peso ou desconforto nas pernas durante a caminhada. Após alguns minutos de repouso, a dor desaparece.

Quando a pessoa volta a caminhar, os sintomas retornam. Isso acontece porque o músculo exige mais oxigênio durante o exercício, mas a circulação comprometida não consegue suprir essa demanda.

Outros sinais e sintomas importantes

Além da claudicação, podem surgir:

  • sensação de frio nos pés;
  • diminuição dos pelos nas pernas;
  • pele fina e brilhante;
  • unhas espessas e quebradiças;
  • palidez do membro;
  • dor em repouso;
  • feridas que não cicatrizam;
  • úlceras isquêmicas;
  • necrose dos tecidos.

Nos casos mais graves, pode ocorrer gangrena.

O que é a isquemia crítica de membros?

A isquemia crítica representa uma das complicações mais graves da DAOP.

Ela é caracterizada por:

  • dor persistente em repouso;
  • úlceras isquêmicas;
  • necrose;
  • comprometimento severo da circulação.

Essa situação exige avaliação vascular urgente.

Como a DAOP é diagnosticada?

O diagnóstico envolve história clínica, exame físico e exames complementares. Durante o exame físico, o profissional pode observar:

  • pulsos periféricos diminuídos;
  • alterações de temperatura;
  • palidez;
  • alterações tróficas da pele;
  • enchimento capilar lento.

Índice Tornozelo-Braquial (ITB)

O ITB é considerado um dos exames mais utilizados para triagem da DAOP. Ele compara a pressão arterial do tornozelo com a pressão arterial do braço. Valores reduzidos sugerem comprometimento arterial. É um exame simples, não invasivo e de grande valor diagnóstico.

Outros exames utilizados

Dependendo do caso, podem ser solicitados:

  • ultrassonografia Doppler vascular;
  • angiotomografia;
  • angiorressonância;
  • arteriografia.

Esses exames ajudam a localizar a obstrução e planejar o tratamento.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da gravidade da doença. Em muitos casos, a primeira abordagem envolve mudanças no estilo de vida.

Controle dos fatores de risco

O tratamento inclui:

  • cessação do tabagismo;
  • controle rigoroso do diabetes;
  • controle da pressão arterial;
  • controle do colesterol;
  • perda de peso;
  • atividade física supervisionada.

A caminhada regular é uma das estratégias mais eficazes para melhorar a circulação periférica.

Tratamento medicamentoso

Os medicamentos podem incluir:

  • antiplaquetários;
  • estatinas;
  • anti-hipertensivos;
  • medicamentos para controle glicêmico.

Cada caso deve ser avaliado individualmente pela equipe médica.

Tratamento cirúrgico

Quando a obstrução é significativa, podem ser necessários procedimentos como:

  • angioplastia;
  • colocação de stent;
  • endarterectomia;
  • cirurgia de revascularização arterial.

Essas intervenções têm como objetivo restaurar o fluxo sanguíneo.

A Avaliação de Enfermagem: Além da Queixa de Dor

Como enfermeiros, nossa avaliação começa muito antes de tocar no paciente. Ela começa com uma anamnese detalhada. Pergunte sobre a distância que ele consegue caminhar antes da dor aparecer. A “distância de claudicação” é um dado precioso para acompanharmos se o tratamento está funcionando.

No exame físico, o foco principal é a perfusão. Avalie a temperatura da pele: pés muito frios em relação às coxas sugerem má circulação. Observe a coloração: a palidez quando o membro está elevado e a cianose (coloração arroxeada) ou rubor quando o membro está pendente são sinais clássicos de insuficiência arterial.

Outro cuidado fundamental é a palpação dos pulsos periféricos (pedioso e tibial posterior). Se você tiver dificuldade em senti-los, ou se houver assimetria entre as pernas, documente isso com clareza. E claro, sempre verifique a integridade da pele entre os dedos e nos calcanhares, buscando qualquer pequena ferida que, em um paciente com DAOP, pode ser o início de uma complicação grave.

Cuidados de Enfermagem e Promoção de Saúde

O tratamento da DAOP é multidisciplinar, mas a enfermagem é o pilar que sustenta as mudanças de estilo de vida. O controle do tabagismo é a intervenção mais importante de todas. O cigarro é o principal inimigo das artérias, e nossa abordagem deve ser empática e firme em relação à cessação do fumo.

Incentive a caminhada supervisionada. Pode parecer contra intuitivo pedir para um paciente com dor caminhar, mas o exercício programado estimula a formação de “circulação colateral”, que são pequenos vasos que contornam a obstrução principal.

O cuidado com os pés é outro pilar: oriente o paciente a usar sapatos confortáveis e nunca andar descalço, mesmo dentro de casa, para evitar cortes pequenos que ele pode não sentir devido à possível neuropatia associada.

Além disso, a educação sobre o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial é parte essencial do nosso trabalho. O paciente com DAOP deve entender que ele é um “paciente de alto risco cardiovascular”. O nosso papel é garantir que ele entenda que o cuidado com as pernas é, na verdade, um cuidado com o coração e com a vida como um todo.

Curiosidades sobre a DAOP

Nem todos os pacientes sentem dor

Muitos pacientes apresentam DAOP silenciosa, principalmente idosos e diabéticos.

A DAOP é um marcador de doença cardiovascular

Quem possui DAOP frequentemente apresenta aterosclerose em outros territórios vasculares.

Isso aumenta o risco de:

  • infarto;
  • AVC;
  • morte cardiovascular.

O tabagismo é um dos principais vilões

Parar de fumar é uma das medidas que mais impactam positivamente a evolução da doença.

O exame dos pulsos continua extremamente importante

Mesmo com toda a tecnologia disponível, a palpação dos pulsos periféricos permanece sendo uma etapa fundamental da avaliação clínica.

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica é uma condição progressiva que pode comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente e aumentar o risco de complicações graves, incluindo amputações, infarto e AVC. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, associado ao controle dos fatores de risco, pode modificar a evolução da doença e reduzir a mortalidade.

Para a enfermagem, a avaliação vascular cuidadosa, a educação em saúde e o monitoramento contínuo são ferramentas indispensáveis para garantir uma assistência segura e eficaz.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Atenção à Saúde da Pessoa com Doença Arterial Obstrutiva Periférica. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR (SBACV). Diretrizes de Doença Arterial Obstrutiva Periférica. Rio de Janeiro: SBACV, 2021. Disponível em: https://sbacv.org.br/. 
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV)
  5. Ministério da Saúde
  6. Manual MSD – Doença Arterial Periférica
  7. GERHARD-HERMAN, M. D. et al. 2016 AHA/ACC Guideline on the Management of Patients With Lower Extremity Peripheral Artery Disease. Circulation, v. 135, n. 12, 2017.
  8. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  9. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022.

Meias de Compressão: A Ciência por Trás da Prevenção de Trombos

Se você já acompanhou um paciente no pós-operatório ou esteve em uma unidade de terapia intensiva, certamente já se deparou com aquelas meias brancas, de textura mais firme, que os pacientes utilizam. Para quem observa de fora, parece apenas um acessório hospitalar padrão. No entanto, para nós, profissionais de enfermagem, as meias compressivas — ou meias antitrombos — representam uma das ferramentas mais eficazes que temos para salvar vidas e prevenir complicações devastadoras, como a Trombose Venosa Profunda (TVP) e o Tromboembolismo Pulmonar (TEP).

Entender como e por que usar essas meias não é apenas uma questão de protocolo; é uma competência clínica que todo estudante de enfermagem precisa dominar. Vamos desmistificar o uso desses dispositivos e entender o papel crucial que desempenhamos na sua aplicação e monitoramento.

A Mecânica da Compressão: Por que elas funcionam?

O segredo da meia antitrombo não está na sua cor ou no tecido, mas na física da compressão graduada. Quando um paciente está acamado ou com mobilidade reduzida, o retorno venoso das pernas para o coração torna-se lento. Esse sangue estagnado nas veias dos membros inferiores é o cenário perfeito para a formação de coágulos (trombos).

A meia exerce uma pressão graduada: ela é mais forte no tornozelo e diminui conforme sobe em direção à coxa. Esse gradiente de pressão atua “empurrando” o sangue de volta para a circulação central, evitando o acúmulo e, consequentemente, a formação de trombos. É uma intervenção simples, não invasiva, mas que exige precisão técnica para ser eficaz.

Indicações e a Importância Clínica

As meias são indicadas principalmente para pacientes cirúrgicos, pacientes acamados por longos períodos e pessoas com histórico de doenças venosas. Elas são essenciais em cirurgias de médio e grande porte, especialmente aquelas que envolvem o sistema ortopédico ou vascular, onde o risco de estase venosa é muito elevado.

A importância de sua utilização vai além do conforto. Uma TVP pode evoluir para um TEP, uma emergência médica gravíssima onde o coágulo se solta e viaja até os pulmões. Ao garantirmos que o paciente utilize a meia corretamente, estamos atuando diretamente na prevenção de eventos que podem prolongar a internação ou levar a desfechos fatais.

Contraindicações importantes

Doença arterial periférica grave

Doença Arterial Periférica

Pacientes com circulação arterial comprometida podem piorar com compressão inadequada.

Lesões cutâneas extensas

Feridas abertas podem exigir avaliação específica.

Edema grave não avaliado

Alguns tipos de edema precisam de investigação antes do uso.

A meia precisa ter tamanho adequado.

Uma meia muito apertada pode:

  • comprometer circulação;
  • causar lesões;
  • provocar desconforto.

Já uma meia frouxa perde eficácia.

Por isso, é importante realizar medidas corretas do membro.

A Avaliação de Enfermagem: O Ponto de Partida

Antes de colocar a meia no paciente, o enfermeiro precisa realizar uma avaliação minuciosa. Não existe “tamanho único” que sirva para todos. O uso de uma meia mal ajustada pode ser tão perigoso quanto não usar.

Primeiro, é necessário realizar a medição correta das circunferências da perna (tornozelo, panturrilha e, se necessário, coxa). Se a meia estiver muito apertada, ela pode gerar um efeito de torniquete, causando o oposto do que desejamos: ela pode interromper a circulação arterial em vez de ajudar a venosa.

Durante a avaliação, devemos observar a integridade da pele. A meia jamais deve ser colocada sobre feridas abertas, úlceras ou locais com infecção ativa sem orientação médica. Além disso, a sensibilidade e a coloração dos pés devem ser avaliadas. Pés frios, cianóticos ou com pulso diminuído podem indicar que a compressão está inadequada ou que o paciente possui uma doença arterial periférica, na qual a meia antitrombo pode ser contraindicada.

Cuidados de Enfermagem

A assistência de enfermagem não termina na colocação da meia. O acompanhamento diário é o que garante a segurança do paciente.

Monitorização constante

Uma vez por dia, retiramos a meia para realizar a higiene do paciente e inspecionar a pele. Esse é o momento de buscar sinais de irritação, marcas de pressão ou dermatites. A pele precisa estar limpa e seca antes de recolocarmos o dispositivo.

Evitando o Efeito Garrote

Ao vestir a meia, o enfermeiro deve garantir que ela esteja totalmente esticada, sem dobras. Qualquer dobra no tecido cria um ponto de pressão excessiva na pele, o que pode levar a lesões ou comprometer a circulação local. Se o paciente relatar dor ou formigamento, a meia deve ser removida imediatamente e a circulação reavaliada.

Educação em Saúde

Se o paciente for receber alta usando a meia, o cuidado começa com a educação. Precisamos ensinar o paciente e seus cuidadores como medir a perna, como lavar a meia sem perder a compressão (evitando água muito quente e secagem sob sol direto) e, principalmente, a identificar sinais de perigo, como inchaço súbito ou dor intensa na panturrilha, que indicariam a necessidade de procurar auxílio médico.

Observar sinais de compressão excessiva

Avaliar:

  • palidez;
  • extremidade fria;
  • dor intensa;
  • formigamento;
  • cianose.

Associação com outras medidas preventivas

As meias não substituem outras medidas de prevenção de trombose.

Elas podem ser associadas a:

  • deambulação precoce;
  • exercícios dos membros inferiores;
  • anticoagulantes;
  • hidratação adequada.

Possíveis complicações do uso inadequado

Quando utilizadas incorretamente, as meias podem causar:

  • lesão por pressão;
  • isquemia;
  • desconforto;
  • edema localizado;
  • comprometimento circulatório.

Por isso, a monitorização é fundamental.

As meias compressivas antitrombo são dispositivos fundamentais na prevenção da trombose venosa profunda, especialmente em pacientes hospitalizados e com mobilidade reduzida. Apesar de simples, seu uso exige avaliação criteriosa, escolha correta do tamanho e monitorização constante.

O enfermeiro possui papel essencial nesse processo, garantindo que o dispositivo seja utilizado de maneira segura e eficaz. Quando associadas a outros cuidados preventivos, as meias ajudam significativamente na redução de complicações vasculares e na promoção da segurança do paciente.

Referências:

  1. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do Paciente e Prevenção de Eventos Adversos. Brasília: Anvisa, 2023. Disponível em: . 
  2. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR (SBACV). Diretrizes para o tratamento de trombose venosa profunda. Rio de Janeiro: SBACV, 2021. Disponível em: . 
  4. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  5. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Informações sobre trombose venosa profunda e prevenção.
  6. ANVISA. Segurança do paciente e prevenção de tromboembolismo venoso.
  7. BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção de tromboembolismo venoso em pacientes hospitalizados. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br
  8. POTTER, Patricia; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier.
  9. SMELTZER, Suzanne; BARE, Brenda. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Complicações Circulatórias: Entendendo, Reconhecendo e Cuidando

O sistema circulatório é responsável por transportar oxigênio e nutrientes a todas as partes do corpo, garantindo que órgãos e tecidos funcionem adequadamente. Quando esse sistema apresenta falhas, seja por obstrução, dilatação ou fragilidade dos vasos, surgem as chamadas complicações circulatórias.

Elas variam desde condições comuns, como as varizes, até situações graves, como o acidente vascular cerebral (AVC) ou o aneurisma. Para profissionais e estudantes de enfermagem, compreender essas doenças é essencial para atuar na prevenção, no cuidado e no acompanhamento do paciente.

Varizes: Mais do que um Problema Estético

As varizes são um problema comum, mas que pode ir além da preocupação estética, causando dor e desconforto.

  • O que são: Veias dilatadas e tortuosas que se formam, principalmente, nas pernas. Elas surgem quando as válvulas dentro das veias, que ajudam o sangue a fluir de volta para o coração, se enfraquecem ou falham.
  • Causas: Fatores genéticos, sedentarismo, obesidade, gravidez, longos períodos em pé ou sentado e o envelhecimento.
  • Sintomas: Dor, sensação de peso nas pernas, inchaço, coceira e, em casos mais graves, o desenvolvimento de úlceras venosas.
  • Cuidados de Enfermagem: Acolher o paciente, orientar sobre o uso de meias de compressão, estimular a prática de exercícios físicos (como caminhada), elevar as pernas em repouso e orientar sobre a higiene adequada da pele para prevenir úlceras.

Trombose Venosa Profunda (TVP): O Coágulo Silencioso

A trombose é uma complicação séria que exige atenção imediata para evitar consequências graves.

  • O que é: A formação de um coágulo sanguíneo (trombo) dentro de uma veia profunda, geralmente nas pernas.
  • Causas: Imobilidade prolongada (pós-cirurgia, longas viagens), trauma, uso de anticoncepcionais orais, câncer e predisposição genética.
  • Sintomas: Inchaço, dor, calor e vermelhidão na perna afetada. No entanto, pode ser assintomática, tornando o diagnóstico difícil.
  • Complicação grave: Se o coágulo se solta e viaja até os pulmões, causa uma embolia pulmonar, que é uma emergência médica.
  • Cuidados de Enfermagem: Avaliar os sinais e sintomas (sinal de Homans positivo, por exemplo), estimular a movimentação precoce em pacientes hospitalizados, orientar sobre o uso de anticoagulantes, e educar sobre os riscos e a importância do tratamento.

Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS): A Pressão que Prejudica o Coração

A hipertensão é uma das doenças mais comuns e, muitas vezes, é silenciosa.

  • O que é: A pressão do sangue nas paredes das artérias está consistentemente elevada. É conhecida como “assassina silenciosa” porque raramente apresenta sintomas.
  • Causas: Fatores genéticos, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal e álcool, estresse e tabagismo.
  • Complicações: É um dos principais fatores de risco para Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
  • Cuidados de Enfermagem: Aferir a pressão arterial corretamente, educar o paciente sobre dieta (redução de sal), prática de exercícios, controle de peso e adesão ao tratamento medicamentoso.

Acidente Vascular Cerebral (AVC): Quando o Cérebro Pede Socorro

O AVC é uma emergência neurológica, onde o tempo de atendimento faz toda a diferença.

  • O que é: Acontece quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é interrompido.
    • AVC Isquêmico: O mais comum, causado por um coágulo que obstrui uma artéria.
    • AVC Hemorrágico: Causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro.
  • Sintomas: Perda súbita de força em um lado do corpo (face, braço ou perna), dificuldade para falar ou entender, alterações visuais, tontura e dor de cabeça intensa.
  • Cuidados de Enfermagem: Agir rapidamente! Identificar os sinais e encaminhar para a emergência, monitorar sinais vitais, avaliar o estado neurológico, prestar assistência ao paciente e à família e atuar na reabilitação no pós-AVC.

Aneurisma: O Ponto Fraco da Artéria

O aneurisma é uma condição grave, muitas vezes assintomática, que pode levar a um quadro hemorrágico fatal.

  • O que é: Uma dilatação anormal e permanente em uma artéria. A parede do vaso fica enfraquecida e se expande.
  • Causas: Hipertensão arterial, tabagismo, aterosclerose e fatores genéticos.
  • Onde ocorre: Os mais comuns são o aneurisma da aorta abdominal e o cerebral.
  • Complicação grave: O aneurisma pode se romper, causando uma hemorragia interna grave.
  • Cuidados de Enfermagem: Monitorar a pressão arterial rigorosamente, orientar sobre o controle dos fatores de risco (tabagismo, HAS), e prestar cuidados intensivos em caso de ruptura ou cirurgia reparadora.

Insuficiência Cardíaca (IC): O Coração Fraco

A insuficiência cardíaca é uma síndrome crônica, resultado de outras doenças cardíacas.

  • O que é: O coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo.
  • Causas: Hipertensão arterial, Doença Arterial Coronariana (DAC), infarto do miocárdio, valvulopatias.
  • Sintomas: Falta de ar (dispneia), inchaço nas pernas e abdômen (edema), tosse, fadiga e dificuldade para realizar atividades simples.
  • Cuidados de Enfermagem: Monitorar os sinais vitais, balanço hídrico, peso diário, administrar medicamentos (diuréticos, anti-hipertensivos), orientar sobre a dieta (redução de sódio e líquidos) e a importância da atividade física moderada.

Doença Arterial Coronariana (DAC): As Artérias do Coração Entupidas

A DAC é uma das principais causas de mortalidade no mundo.

  • O que é: As artérias que fornecem sangue ao coração (artérias coronárias) ficam endurecidas e estreitadas devido ao acúmulo de placas de gordura (aterosclerose).
  • Causas: Tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo e obesidade.
  • Consequência: A redução do fluxo sanguíneo causa dor no peito (angina) e, se a artéria for totalmente obstruída, causa um infarto do miocárdio.
  • Cuidados de Enfermagem: Atuar na prevenção (educação sobre fatores de risco), prestar assistência em casos de angina e infarto, monitorar o paciente, administrar medicamentos e orientar sobre a reabilitação cardíaca.

Doença Arterial Periférica (DAP): O Problema nas Pernas

A DAP é uma aterosclerose que afeta as artérias dos membros, principalmente das pernas.

  • O que é: O acúmulo de placas de gordura nas artérias que levam sangue para os membros inferiores.
  • Causas: Fatores de risco semelhantes aos da DAC (tabagismo, hipertensão, diabetes).
  • Sintomas: Dor nas pernas ao caminhar (claudicação intermitente), que melhora com o repouso. Em casos graves, pode causar dor em repouso, feridas que não cicatrizam e, em último caso, gangrena.
  • Cuidados de Enfermagem: Estimular a caminhada supervisionada (mesmo que com dor), orientar sobre o cuidado com os pés (especialmente em pacientes diabéticos), monitorar pulsos periféricos e avaliar a presença de feridas.

O Nosso Papel Essencial na Saúde Circulatória

Todas essas condições, apesar de distintas, compartilham fatores de risco e a necessidade de um cuidado de enfermagem atento e humanizado. Nosso papel é de:

  1. Avaliação: Identificar os sinais e sintomas precoces.
  2. Educação: Ensinar o paciente a viver melhor, controlando a dieta, o peso, o tabagismo e o sedentarismo.
  3. Monitoramento: Aferir e registrar sinais vitais, balanço hídrico, e a resposta ao tratamento.
  4. Apoio: Oferecer suporte emocional e garantir que o paciente e sua família compreendam a jornada da doença.

A saúde circulatória é um tema vasto, mas com nosso conhecimento e dedicação, podemos ser os verdadeiros guardiões do bem-estar dos nossos pacientes.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. São Paulo: SBC, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mP54JpG87X573s99hGzBczq/?lang=pt.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR (SBACV). Complicações Circulatórias. Disponível em: https://www.sbacv.org.br/. (O site da SBACV é um excelente recurso para informações detalhadas sobre varizes, trombose, aneurismas e DAP).
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre sistema cardiovascular e cuidados de enfermagem).

Classificação da Hipotermia

A hipotermia é definida como a queda da temperatura corporal central abaixo de 35°C, podendo levar a complicações graves, incluindo arritmias cardíacas, falência de órgãos e morte. A classificação da hipotermia em leve, moderada e grave é essencial para determinar a abordagem terapêutica adequada.

Este artigo detalha cada estágio, seus sinais clínicos e os cuidados específicos de enfermagem necessários para um manejo eficaz.

Hipotermia Leve (32°C – 35°C)

Sinais e Sintomas

  • Tremores intensos (mecanismo de geração de calor);
  • Pele fria e pálida;
  • Taquicardia e taquipneia compensatórias;
  • Confusão leve e dificuldade de coordenação;
  • Pressão arterial normal ou levemente elevada.

Cuidados de Enfermagem

  • Aquecimento passivo:
    • Remover roupas molhadas e cobrir com cobertores secos.
    • Ambiente aquecido (25°C – 28°C).
  • Monitorar temperatura central (termômetro esofágico ou retal).
  • Oferecer líquidos quentes (se o paciente estiver consciente).
  • Evitar movimentos bruscos (risco de arritmia).

Hipotermia Moderada (28°C – 32°C)

Sinais e Sintomas

  • Tremores cessam (depleção de energia muscular);
  • Bradicardia e bradipneia;
  • Diminuição do nível de consciência (letargia, estupor);
  • Dilatação pupilar (midríase);
  • Hipotensão e diminuição do débito urinário;
  • Risco de fibrilação ventricular.

Cuidados de Enfermagem

  • Aquecimento ativo externo:
    • Manta térmica, compressas aquecidas (evitar queimaduras).
    • Oxigênio umidificado e aquecido (42°C – 46°C).
  • Monitorização cardíaca contínua (risco de arritmias).
  • Acesso venoso para fluidos aquecidos (soro fisiológico a 40°C – 42°C).
  • Preparo para intubação orotraqueal (depressão respiratória).

Hipotermia Grave (<28°C)

Sinais e Sintomas

  • Inconsciência (coma);
  • Arritmias graves (Fibrilação Ventricular, Assistolia);
  • Ausência de reflexos;
  • Pressão arterial indetectável;
  • Edema pulmonar e falência renal aguda;
  • Rigor mortis paradoxal (pode ser confundido com óbito).

Cuidados de Enfermagem

  • Aquecimento ativo interno:
    • Infusão intravenosa de soluções aquecidas.
    • Lavagem peritoneal ou pleural com fluido aquecido.
    • ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) em casos extremos.
  • Suporte avançado de vida (ACLS) com ênfase em:
    • Desfibrilação pode ser ineficaz abaixo de 30°C.
    • CPR prolongado até aquecimento (>30°C).
  • Evitar manipulação excessiva (risco de fibrilação ventricular).

Cuidados Gerais de Enfermagem

Prevenção de Complicações

  • Monitorização contínua: ECG, temperatura central, diurese.
  • Evitar rewarming shock (vasodilatação abrupta → hipotensão).
  • Avaliar lesões associadas (congelamento, trauma).

Educação ao Paciente e Familiares

  • Grupos de risco (idosos, alcoólatras, sem-teto).
  • Roupas adequadas para ambientes frios.
  • Reconhecer sinais precoces de hipotermia.

A classificação da hipotermia em leve, moderada e grave direciona a intervenção terapêutica, desde medidas simples de aquecimento até suporte avançado de vida. A enfermagem desempenha papel crucial no monitoramento, reaquecimento seguro e prevenção de complicações, melhorando o prognóstico dos pacientes.

Referências:

  1. ZAFREN, K. et al. Wilderness Medical Society Practice Guidelines for the Out-of-Hospital Evaluation and Treatment of Accidental Hypothermia. Wilderness & Environmental Medicine, v. 30, n. 4, p. S47-S69, 2019. Disponível em: https://www.wemjournal.org/article/S1080-6032(19)30170-6/fulltext.
  2. RASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo da Hipotermia Acidental. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  3. BROWN, D. J. A. et al. Accidental Hypothermia. New England Journal of Medicine, v. 367, n. 20, p. 1930-1938, 2012. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1114208.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 142, n. 16, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000000916. 

Entenda sobre a Neuropatia Diabética

Se você está estudando enfermagem ou já atua na área, com certeza já se deparou com pacientes com diabetes. Essa condição crônica exige um cuidado integral, e uma das complicações mais comuns e impactantes é a neuropatia diabética.

Para nós, futuros profissionais de enfermagem, entender essa condição em detalhes é crucial para oferecermos um cuidado eficaz e compassivo. Vamos juntos desmistificar a neuropatia diabética e descobrir como ela afeta nossos pacientes?

O Que Acontece com os Nervos no Diabetes? Uma Explicação Simples

Imagine seus nervos como fios elétricos que transmitem mensagens por todo o seu corpo, permitindo que você sinta, se mova e controle diversas funções. No diabetes, níveis elevados de glicose no sangue ao longo do tempo podem danificar esses “fios”, especialmente os menores e mais distantes, como os dos pés e das pernas. Essa lesão progressiva é o que chamamos de neuropatia diabética.

Existem diferentes tipos de neuropatia diabética, afetando diferentes partes do corpo e causando uma variedade de sintomas. A mais comum é a neuropatia periférica, que afeta os nervos dos membros.

Mas também podemos ter a neuropatia autonômica, que atinge os nervos que controlam funções involuntárias como a digestão, a frequência cardíaca e a pressão arterial; a neuropatia focal ou mononeuropatia, que afeta um único nervo; e a neuropatia proximal, que causa dor e fraqueza nas coxas, quadris e nádegas.

Os Sinais Sutis e os Sintomas Incômodos: Como a Neuropatia se Manifesta

A neuropatia diabética pode se desenvolver de forma lenta e gradual, e os sintomas podem variar bastante de pessoa para pessoa. Em alguns casos, a pessoa pode nem perceber os sinais no início. Mas, com o tempo, os nervos danificados começam a enviar sinais anormais ou a não enviar sinais corretamente, levando a uma série de sintomas:

  • Perda de Sensibilidade: Este é um dos sintomas mais comuns e perigosos. A pessoa pode perder a capacidade de sentir dor, temperatura ou toque nos pés e nas mãos. Isso significa que pequenos ferimentos, cortes, bolhas ou queimaduras podem passar despercebidos, evoluindo para problemas mais sérios como úlceras e infecções.
  • Sensações Anormais: Além da perda de sensibilidade, muitas pessoas com neuropatia periférica experimentam sensações estranhas, como formigamento, dormência, queimação, pontadas ou choques, especialmente à noite. Essas sensações podem ser leves no início, mas podem se tornar intensas e interferir no sono e na qualidade de vida.
  • Dor: A dor neuropática pode ser lancinante, constante ou intermitente, e muitas vezes é descrita como uma queimação profunda. Ela pode piorar à noite e ser difícil de controlar com analgésicos comuns.
  • Fraqueza Muscular: A neuropatia pode afetar os nervos que controlam os músculos, levando à fraqueza, principalmente nas pernas e nos pés. Isso pode causar dificuldade para caminhar, tropeçar com frequência e ter problemas de equilíbrio.
  • Problemas de Coordenação: A perda de sensibilidade e a fraqueza muscular podem afetar a coordenação dos movimentos, tornando atividades simples como abotoar uma camisa ou segurar objetos mais difíceis.
  • Deformidades nos Pés: A fraqueza muscular e a perda de sensibilidade podem levar a alterações na estrutura dos pés, como dedos em garra, joanetes e arcos caídos. Essas deformidades aumentam o risco de pressão em áreas específicas, facilitando o surgimento de úlceras.

Quando a neuropatia afeta o sistema nervoso autônomo, os sintomas podem ser ainda mais diversos:

  • Problemas Digestivos: Náuseas, vômitos, constipação ou diarreia podem ocorrer devido ao comprometimento dos nervos que controlam a motilidade intestinal. A gastroparesia (retardo no esvaziamento do estômago) é uma complicação comum.
  • Problemas Cardiovasculares: A neuropatia autonômica pode afetar a frequência cardíaca e a pressão arterial, levando a tonturas ao levantar (hipotensão ortostática) ou a um ritmo cardíaco anormal.
  • Problemas Urinários: Dificuldade para esvaziar a bexiga, incontinência urinária ou infecções urinárias frequentes podem ser sinais de neuropatia autonômica na bexiga.
  • Disfunção Erétil: Nos homens, a neuropatia autonômica pode afetar os nervos responsáveis pela ereção.
  • Sudorese Anormal: Algumas pessoas podem apresentar aumento ou diminuição da sudorese, especialmente à noite.
  • Dificuldade em Reconhecer a Hipoglicemia: A neuropatia autonômica pode interferir nos sinais de alerta da hipoglicemia, tornando mais difícil para a pessoa perceber quando o açúcar no sangue está baixo.

O Olhar Atento da Enfermagem: Nossos Cuidados Essenciais

Para nós, profissionais de enfermagem, o cuidado ao paciente com neuropatia diabética exige uma abordagem multidisciplinar e atenta a todos os aspectos da vida do paciente.

Nossas ações visam principalmente:

  • Avaliação Detalhada: Realizar uma avaliação completa do paciente, incluindo histórico da diabetes, controle glicêmico, sintomas neurológicos, exame físico focado (sensibilidade tátil, dolorosa, vibratória, reflexos), avaliação dos pés e da marcha.
  • Educação para o Autocuidado: Este é um pilar fundamental. Precisamos educar o paciente sobre a importância do controle glicêmico rigoroso para prevenir a progressão da neuropatia, os cuidados diários com os pés (inspeção, higiene, hidratação, uso de calçados adequados), a importância de evitar traumas e como identificar sinais de alerta (ferimentos, alterações na cor ou temperatura dos pés).
  • Manejo da Dor: A dor neuropática pode ser debilitante. Trabalhamos em conjunto com a equipe médica para implementar estratégias de controle da dor, que podem incluir medicamentos específicos para dor neuropática, terapias não farmacológicas (exercícios, acupuntura, estimulação nervosa elétrica transcutânea – TENS) e orientações sobre técnicas de relaxamento.
  • Prevenção de Lesões nos Pés: A perda de sensibilidade aumenta muito o risco de lesões nos pés. Nossas orientações devem ser enfáticas sobre a inspeção diária dos pés (inclusive entre os dedos), a lavagem cuidadosa e a secagem completa, o uso de meias de algodão sem costuras e sapatos confortáveis e adequados, e a importância de evitar andar descalço. Qualquer ferimento, por menor que seja, deve ser avaliado por um profissional de saúde.
  • Promoção da Mobilidade e Prevenção de Quedas: A fraqueza muscular e os problemas de equilíbrio aumentam o risco de quedas. Devemos orientar sobre exercícios de fortalecimento muscular e equilíbrio, avaliar o ambiente doméstico em busca de fatores de risco para quedas e, se necessário, recomendar o uso de dispositivos de auxílio à marcha.
  • Manejo dos Sintomas Autonômicos: Para pacientes com neuropatia autonômica, os cuidados serão direcionados aos sintomas específicos. Isso pode incluir orientações sobre mudanças posturais para evitar a hipotensão ortostática, manejo da dieta e horários das refeições para problemas digestivos, orientações sobre o controle da bexiga e encaminhamento para avaliação urológica, e discussão sobre o manejo da disfunção erétil.
  • Monitorização e Detecção Precoce de Complicações: Acompanhar regularmente o paciente, observando sinais de progressão da neuropatia ou surgimento de complicações como úlceras nos pés, infecções ou alterações cardiovasculares.
  • Suporte Emocional: Viver com neuropatia diabética pode ser frustrante e impactar a qualidade de vida. Oferecer escuta ativa, empatia e apoio emocional é fundamental para ajudar o paciente a lidar com os desafios da condição.

Cuidando dos “Fios da Vida”: Uma Abordagem Holística

A neuropatia diabética é uma complicação séria que exige um cuidado de enfermagem abrangente e individualizado. Nosso papel vai além de tratar os sintomas; envolve educar, prevenir complicações e promover a melhor qualidade de vida possível para nossos pacientes.

Ao entendermos a complexidade dessa condição e suas diversas manifestações, podemos oferecer um cuidado mais eficaz e compassivo, ajudando nossos pacientes a “cuidar dos seus fios da vida” da melhor maneira possível.

Referências:

  1. AMERICAN DIABETES ASSOCIATION (ADA). Standards of Medical Care in Diabetes—2024. Diabetes Care, v. 47, Supplement 1, p. S1-S263, 2024. (Consultar seção sobre neuropatia). Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/47/Supplement_1/S1/15386/1-Standards-of-Medical-Care-in-Diabetes-2024.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. São Paulo: SBD, 2019. (Consultar capítulo sobre neuropatia diabética). Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-SBD-2019.pdf.
  3. DYCK, P. J.; ALBERS, J. W.; ANDREWS, J. L.; et al. Diabetic polyneuropathy: update on research definition, diagnostic criteria, and nosologic principles. Diabetes Care, v. 34, n. 6, p. 1432-1437, 2011. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/34/6/1432/37259/Diabetic-Polyneuropathy-Update-on-Research.

Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

Hoje vamos conversar sobre um tema super importante e muito prevalente na nossa prática: a Hipertensão Arterial Sistêmica, ou HAS. Tenho certeza que vocês já ouviram falar, mas vamos aprofundar um pouco para entender todos os detalhes e, principalmente, o nosso papel crucial no cuidado desses pacientes.

Preparados?

O Que é, Afinal, Essa Tal de HAS?

De forma bem simples, a Hipertensão Arterial Sistêmica acontece quando a pressão que o sangue exerce nas paredes das nossas artérias se eleva de forma crônica. Imagina as artérias como canos por onde o sangue flui. Quando essa pressão fica muito alta por um longo período, pode danificar esses “canos” e também o “motor” que bombeia o sangue, que é o nosso coração.

A pressão arterial é medida por dois números: a pressão sistólica (o número mais alto), que representa a pressão quando o coração se contrai para bombear o sangue, e a pressão diastólica (o número mais baixo), que representa a pressão quando o coração relaxa entre as batidas. Consideramos hipertensão quando essas medidas ficam iguais ou acima de 140 mmHg (sistólica) e/ou 90 mmHg (diastólica) em diversas medições.

O grande problema da HAS é que, na maioria das vezes, ela é silenciosa. Muitas pessoas convivem com a pressão alta por anos sem sentir nenhum sintoma. É por isso que ela é conhecida como o “assassino silencioso”. E é justamente essa falta de sintomas que torna o diagnóstico tardio e aumenta o risco de complicações graves.

Por Que a Pressão Sobe? Entendendo as Causas

As causas da HAS podem ser divididas em dois grandes grupos:

  • Hipertensão Primária (ou Essencial): Essa é a forma mais comum, representando cerca de 90% dos casos. Nela, não conseguimos identificar uma única causa específica para a elevação da pressão. Ela geralmente se desenvolve ao longo dos anos e está relacionada a diversos fatores como histórico familiar de hipertensão, idade avançada, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal, estresse e tabagismo. É uma combinação de fatores genéticos e de estilo de vida.
  • Hipertensão Secundária: Essa forma é menos comum e geralmente tem uma causa subjacente identificável, como doenças renais, problemas hormonais (como o hiperaldosteronismo), apneia do sono, uso de certos medicamentos (como alguns anticoncepcionais e descongestionantes nasais) e até mesmo a gravidez (pré-eclâmpsia). Nesses casos, o tratamento da causa primária muitas vezes leva à normalização da pressão arterial.

É importante que a equipe médica investigue a possível causa da hipertensão para direcionar o tratamento de forma mais eficaz.

Os Perigos da Pressão Alta Não Controlada

Deixar a hipertensão sem tratamento ou com controle inadequado pode trazer consequências sérias para a saúde, afetando diversos órgãos e sistemas do nosso corpo:

  • Doenças Cardiovasculares: A pressão alta força o coração a trabalhar mais, o que pode levar ao espessamento do músculo cardíaco (hipertrofia ventricular esquerda), angina (dor no peito), infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) e insuficiência cardíaca (quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo).
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC): A pressão alta pode enfraquecer as paredes dos vasos sanguíneos do cérebro, aumentando o risco de rompimento (AVC hemorrágico) ou obstrução por coágulos (AVC isquêmico).
  • Doença Renal Crônica: A hipertensão danifica os pequenos vasos sanguíneos dos rins, prejudicando sua capacidade de filtrar o sangue, o que pode levar à insuficiência renal e à necessidade de diálise.
  • Problemas de Visão: A pressão alta pode afetar os vasos sanguíneos da retina, causando a retinopatia hipertensiva, que pode levar à perda da visão.
  • Outras Complicações: A HAS também pode contribuir para o desenvolvimento de demência vascular, disfunção erétil e doença arterial periférica.

Por isso, a detecção precoce e o controle adequado da hipertensão são fundamentais para prevenir essas complicações e garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente.

O Papel Essencial da Enfermagem no Cuidado ao Paciente Hipertenso

Nós, profissionais de enfermagem, desempenhamos um papel crucial em todas as fases do cuidado ao paciente com HAS. Nossa atuação vai desde a detecção precoce até o acompanhamento contínuo e a educação para a saúde.

Na Detecção e Diagnóstico:

  • Aferição da Pressão Arterial: Realizar a aferição da pressão arterial de forma correta, seguindo as técnicas padronizadas e utilizando equipamentos calibrados. Registrar os valores de forma clara e precisa no prontuário do paciente.
  • Identificação de Fatores de Risco: Durante a anamnese, identificar os fatores de risco para HAS presentes no paciente (histórico familiar, hábitos de vida, comorbidades).
  • Orientação sobre a Medição Domiciliar da Pressão Arterial (MAPA e MRPA): Explicar ao paciente a importância e a forma correta de realizar a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA), quando indicadas, e orientar sobre o registro dos resultados.

No Tratamento e Acompanhamento:

  • Administração de Medicamentos: Garantir a administração correta da medicação anti-hipertensiva prescrita, observando a dose, a via e o horário. Orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento, os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles.
  • Monitorização dos Sinais Vitais: Acompanhar regularmente os sinais vitais, especialmente a pressão arterial, e observar a resposta ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso.
  • Identificação de Sinais de Alerta: Estar atento a sinais e sintomas que possam indicar descontrole da pressão ou complicações, como dor de cabeça intensa, tontura, alterações visuais, dor no peito, falta de ar e edema (inchaço). Comunicar imediatamente qualquer alteração à equipe médica.
  • Promoção de um Estilo de Vida Saudável: Essa é uma das nossas principais frentes de atuação. Precisamos orientar o paciente sobre a importância de:
    • Alimentação saudável: Redução do consumo de sal, gorduras saturadas e alimentos processados, e aumento da ingestão de frutas, verduras, legumes e fibras.
    • Prática regular de atividade física: Incentivar a realização de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) por pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana.
    • Controle do peso: Orientar sobre estratégias para alcançar e manter um peso saudável.
    • Abandono do tabagismo: Informar sobre os malefícios do cigarro e oferecer apoio para a cessação.
    • Moderação no consumo de álcool: Orientar sobre os limites seguros de consumo de bebidas alcoólicas.
    • Gerenciamento do estresse: Ensinar técnicas de relaxamento e estratégias para lidar com o estresse do dia a dia.

Na Educação em Saúde:

  • Esclarecimento sobre a HAS: Explicar de forma clara e acessível o que é a hipertensão, suas causas, os riscos de não tratamento e a importância do controle.
  • Reforço da Adesão ao Tratamento: Motivar o paciente a seguir as orientações médicas e a manter a medicação, mesmo quando se sentir bem.
  • Empoderamento do Paciente: Ensinar o paciente a monitorar sua pressão arterial em casa, a reconhecer sinais de alerta e a participar ativamente do seu tratamento.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional e escuta qualificada, pois o diagnóstico de uma doença crônica como a HAS pode gerar ansiedade e medo.

Nosso trabalho como profissionais de enfermagem são fundamentais para o sucesso do tratamento da HAS. Através da nossa avaliação, da administração de cuidados, da educação e do apoio, podemos contribuir significativamente para a prevenção de complicações e para a melhora da qualidade de vida dos nossos pacientes.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1 v. 116, n. 3, p. 516-658, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  2. MALACHIAS, M. V. B. et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3 supl. 3, p. 1-83, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

O Linfedema e seus Estágios

O linfedema é uma condição crônica caracterizada pelo inchaço de um membro (geralmente braço ou perna) devido ao acúmulo de líquido linfático nos tecidos. Esse acúmulo ocorre quando o sistema linfático, responsável por drenar o líquido dos tecidos, está obstruído ou danificado.

Estágios do Linfedema

Estágio 0 (Latente)

Neste estágio, o inchaço ainda não é visível, mas o sistema linfático já está comprometido. O indivíduo pode apresentar sintomas como sensação de peso no membro afetado, fadiga e rigidez.

  • Tratamento: O tratamento precoce é crucial para prevenir a progressão da doença. Geralmente, envolve exercícios leves, cuidados com a pele e medidas para evitar infecções.

Estágio I (Leve)

O inchaço é leve e reversível, ou seja, diminui com a elevação do membro. A pele pode apresentar uma textura um pouco mais espessa.

  • Tratamento: O tratamento nesse estágio inclui terapia de compressão, drenagem linfática manual e exercícios específicos.

Estágio II (Moderado)

O inchaço é mais evidente e persistente, mesmo com a elevação do membro. A pele pode apresentar fibrose (endurecimento) e alterações na coloração.

  • Tratamento: O tratamento é mais complexo e pode incluir terapia de compressão mais intensa, drenagem linfática manual regular, cuidados avançados com a pele e, em alguns casos, cirurgia.

Estágio III (Severo ou Avançado)

O inchaço é irreversível e causa deformidades no membro afetado. A pele pode apresentar verrugas, fissuras e infecções frequentes.

  • Tratamento: O tratamento nesse estágio visa controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente, pois a reversão do inchaço é difícil. As opções incluem cuidados avançados com a pele, terapia de compressão, drenagem linfática manual e, em alguns casos, cirurgia reconstrutiva.

Causas do Linfedema: As causas do linfedema podem ser divididas em primárias e secundárias:

  • Primário: Causado por um defeito congênito no sistema linfático.
  • Secundário: Decorrente de outras condições, como:
    • Câncer e seus tratamentos (radioterapia, cirurgia)
    • Infecções
    • Obesidade
    • Varizes
    • Traumatismos

Sintomas

Além do inchaço, outros sintomas comuns do linfedema incluem:

  • Sensação de peso no membro afetado
  • Dor
  • Rigidez
  • Fadiga
  • Alterações na pele (verrugas, fissuras, infecções)
  • Dificuldade para movimentar o membro

Diagnóstico

O diagnóstico do linfedema é feito por um médico especialista, que pode solicitar exames como:

  • Ultrassonografia
  • Ressonância magnética
  • Cintilografia linfática
  • Linfografia

Tratamento

 O tratamento do linfedema é individualizado e depende do estágio da doença, da causa e das características de cada paciente. As principais opções de tratamento incluem:

  • Terapia de compressão: Uso de meias ou mangas de compressão para reduzir o inchaço.
  • Drenagem linfática manual: Massagem especial que estimula o fluxo da linfa.
  • Exercícios: Exercícios específicos para fortalecer os músculos e melhorar a circulação linfática.
  • Cuidados com a pele: Hidratação e proteção da pele para prevenir infecções.
  • Cirurgia: Em alguns casos, pode ser indicada a cirurgia para remover tecido linfático obstruído ou para reconstruir o sistema linfático.

Prevenção

Embora não seja possível prevenir completamente o linfedema, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco, como:

  • Manter um peso saudável
  • Praticar atividade física regular
  • Cuidar da pele
  • Controlar infecções

Cuidados de Enfermagem

O tratamento do linfedema é individualizado e visa reduzir o inchaço, melhorar a função do membro afetado e prevenir complicações. O enfermeiro atua em diversas modalidades de tratamento:

  • Terapia de compressão: Auxiliar na escolha e aplicação de meias ou mangas de compressão, orientando sobre a importância do uso contínuo.
  • Drenagem linfática manual: Realizar ou supervisionar a técnica de drenagem linfática manual, que estimula o fluxo da linfa.
  • Exercícios terapêuticos: Ensinar e acompanhar os pacientes na realização de exercícios específicos para o linfedema, como os exercícios de bombeamento muscular.
  • Cuidados com a pele: Avaliar regularmente a pele do membro afetado, identificar e tratar lesões, e orientar sobre a importância da higiene.
  • Educação em saúde: Oferecer informações sobre o linfedema, suas causas, sintomas e tratamentos, para que o paciente possa participar ativamente de seu cuidado.

Acompanhamento do Paciente

O acompanhamento regular do paciente com linfedema é essencial para avaliar a evolução do tratamento, identificar e tratar complicações, e ajustar as intervenções conforme necessário. O enfermeiro deve:

  • Monitorar o inchaço: Realizar medidas periódicas do membro afetado para avaliar a efetividade do tratamento.
  • Avaliar a pele: Observar a presença de vermelhidão, calor, dor ou outras alterações na pele que possam indicar infecção.
  • Identificar e tratar complicações: Estar atento a complicações como celulite e linfangite, e orientar o paciente sobre os sinais e sintomas.
  • Oferecer suporte emocional: Acompanhar o paciente em suas dificuldades e oferecer suporte emocional, pois o linfedema pode afetar significativamente a qualidade de vida.

Outros Cuidados

Além das atividades já mencionadas, o enfermeiro pode realizar outras ações importantes, como:

  • Orientar sobre a importância de manter um peso saudável: A obesidade é um fator de risco para o linfedema, por isso é importante orientar o paciente sobre a importância de uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física regular.
  • Ensinar técnicas de bandagem: Em alguns casos, o enfermeiro pode ensinar o paciente a realizar bandagens compressivas para auxiliar no controle do inchaço.
  • Promover a autocuidado: Incentivar o paciente a participar ativamente de seu tratamento, realizando os cuidados em casa conforme orientação do profissional de saúde.

Referências:

  1. Mariana França Bandeira de Melo, Eduardo Carvalho Horta Barbosa, Conrado Carvalho Horta Barbosa, Janine Silva Pires Horta Barbosa, Patricia de Melo Faria Horta Barbosa. Fisiopatologia, diagnóstico e tratamento do linfedema: revisão narrativa. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 5, n. 4 ,p. 12464-12478, jul./aug., 2022.
  2. Paiva, A. do C. P. C., Elias, E. A., Souza, Í. E. de O., Moreira, M. C., Melo, M. C. S. C. de ., & Amorim, T. V.. (2020). Cuidado de enfermagem na perspectiva do mundo da vida da mulher-que-vivencia-linfedema-decorrente-do-tratamento-de-câncer-de-mama. Escola Anna Nery, 24(2), e20190176. https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2019-0176
  3. Marchito, L. de O., Fabro, E. A. N., Macedo, F. O., Costa, R. M., & Lou, M. B. de A. (2019). Prevenção e Cuidado do Linfedema após Câncer de Mama: Entendimento e Adesão às Orientações Fisioterapêuticas. Revista Brasileira de Cancerologia, 65(1), e-03273. https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2019v65n1.273

Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS)

Vá direto ao ponto!

A Púrpura de Henoch-Schonlein é uma vasculite (inflamação de vasos sanguíneos de pequeno calibre) e normalmente afeta a pele, os intestinos e os rins.

Esses vasos inflamados podem sangrar para o interior da pele causando uma erupção vermelha chamada de púrpura, ou também podem sangrar nos intestinos e rins causando fezes e urinas coradas de sangue. Esta doença não é hereditária, nem contagiosa e também não pode ser prevenida, sendo a idade de início dos sintomas antes dos 20 anos.

Sua causa é desconhecida, porém sabe-se que a Púrpura de Henoch-Schonlein pode ser desencadeada por agentes infecciosos (vírus e bactérias), sendo que muitas vezes aparece após uma infecção do trato respiratório superior.

Sintomas

  • Púrpura palpável (lesões de pele elevadas, que podem ser sentidas através do tato). É frequente nas pernas, coxas, pés e nádegas, embora possam também aparecer algumas lesões nos braços e no tronco;
  • Artralgia (dor articular) e Artrite (edemas, limitação de movimento, calor e vermelhidão nas articulações). Esses sintomas são temporários e desaparecem após alguns dias a semanas;
  • Dor abdominal (60% dos casos). Normalmente intermitente e localizada em volta do umbigo, podendo ser acompanhada por hemorragia gastrointestinal moderada ou grave.

Tratamento

A maioria dos doentes com Púrpura de Henoch-Schonlein não precisa de tratamento, evoluindo bem.

Pode ser necessário repouso e a utilização de analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides quando as queixas articulares são mais significativas. Em casos mais graves, o médico poderá tomar outras condutas de acordo com sua avaliação sobre o caso.

Referência:

  1. SILVA, Clovis Artur Almeida. **Púrpura de Henoch-Schönlein**. Sociedade  Brasileira de Pediatria , 14 nov. 2014. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/purpura-de-henoch- schoenlein/