Skin Tears: Lesão por Fricção

Você já ouviu falar no termo “Skin Tears”? Nada mais é do que a lesão por fricção,  ou seja, é um tipo de ferida traumática associada à pele frágil e delicada. A prevenção destas lesões na pele, especialmente em pessoas idosas, é um desafio porque mesmo pequenos movimentos ou toques podem resultar em danos à pele – a pele “rasga”.

A remoção de adesivos é outra forma de ferir esta pele delicada. Idade avançada, raça branca, pele seca, quedas e batidas e ingestão nutricional inadequada são alguns dos fatores de risco.

Ocorrendo principalmente nas extremidades de idosos e pode levar à:

  • separação da epiderme da derme (ferida de espessura parcial);
  • ou separar totalmente a epiderme e a derme das estruturas subjacentes (ferida de espessura total);

Estima-se que, a cada ano, 1,5 milhões de lesões por fricção acometem idosos institucionalizados e que, até 2030, o número de indivíduos em alto risco para essas lesões será de 8,1 milhões de pessoas, somente nos Estados Unidos.

Fazendo-se cálculos em porcentagem em níveis totais deste tipo de problema, conseguimos descobrir o maior local onde ocorre este tipo de lesão:

– 80% em antebraço e mãos;
– 42% em cotovelos;
– 22% em pernas;
– 13% em mãos;

Quais são os Fatores de Risco?

  • História prévia de lesão por fricção;
  • dade avançada;
  • Sexo feminino;
  • Raça branca;
  • Ingestão nutricional inadequada;
  • Equimoses ou hematomas;
  • Edema;
  • Pele seca e descamativa;
  • Dependência para as atividades de vida diárias;
  • Mobilidade prejudicada;
  • Rigidez e espasticidade;
  • Curativos e fitas adesivas;
  • Uso prolongado de corticóides;
  • Problemas vasculares;
  • Problemas pulmonares;

PELOS FATORES INATOS:

  • Síndrome de Ehlers-Danlos;
  • Deficiência da prolidase;
  • Osteogênese imperfeita;
  • Epidermólise bolhosa;

PELOS FATORES ADQUIRIDOS:

  • Envelhecimento;
  • Nutrição desfavorável;
  • Exposição solar;
  • Uso de alguns tipos de fármacos;

Como prevenir as lesões?

1. Utilizar sabonete com pH balanceado;

2. Utilizar água morna e não friccionar (não esfregar) a pele;

3. Reduzir o tempo do banho;

4. Aplicar, sem massagear, creme umectante (hidratante) com nutrientes especiais em todo corpo (não aplicar nas lesões);

5. Introduzir uma dieta balanceada e considerar a possibilidade de acrescentar nos intervalos uma dieta balanceada industrializada;

Obs: Para pessoas com pele muito frágil é recomendável o banho a cada dois dias, procedendo a higiene íntima diária e a aplicação de cremes umectantes (hidratantes) duas vezes ao dia.

Quais são os tratamento das lesões?

1. A limpeza inicial é muito importante para prevenir infecção e deve ser suficiente para remover toda sujidade de forma delicada para não traumatizar mais e não causar dor. Lavar abundantemente com soro fisiológico é uma boa opção.

2. Para controlar o sangramento, uma boa opção é a cobertura com alginato de cálcio.

3. Realinhar o retalho – quando possível, deve-se “ajeitar” a pele alinhando-a delicadamente sobre a lesão.

4. Opções:

a. Cobrir a ferida com curativo de silicone mantém o retalho no local, reduz a dor e pode ser trocado uma vez por semana. Como é poroso permite que o exsudato (líquido que sai da ferida) passe para as compressas – cobertura secundária – que deve ser trocada diariamente.

b. Hidrogel em placa.c. Compressa de petrolatum.

Obs: para evitar que a pele ao redor fique macerada (excesso de umidade) deve-se protegê-la com produtos de barreira.

Quais são os tempos de cicatrização?

  • Sem perda de tecido: 10 dias;
  • Perda parcial de tecido: 19 dias;
  • Derme exposta: 21 dias.

Quais são os objetivos do tratamento?

  • Reduzir o risco de infecção;
  • Estimular a cicatrização;
  • Diminuir a dor;
  • Obter uma cicatrização de boa qualidade;
  • E a autoconfiança.

Lesão por Fricção

Lesões Cutâneas

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As lesões cutâneas incluem qualquer anomalia que ocorre na pele, de uma pequena escoriação a uma ferida profunda.

As lesões cutâneas podem ser a consequência de diversas doenças de pele. Estes incluem:

  • Lesão física;
  • Alergia a alimentos/substâncias. Os alérgenos comuns são: leite, ovos, grãos de pólen, grama, etc.;
  • Doenças de pele, tais como: dermatite de contato, eczema, psoríase, sarampo, rubéola, varicela, queratose seborréica, furunculose, tinea, etc.

As lesões primárias são divididas em:

  • Lesões primária ou primitiva, são as consequências de uma doença inflamatória da pele;
  • Lesões secundárias são evolução das lesões primárias.

MORFOLOGIA PRIMÁRIA

– Cistos: Conhecidos popularmente por “cistos sebáceos”, os cistos encontrados com maior frequência são os epidérmicos e os triquilemais. O conteúdo de ambos não é sebo e sim queratina, a substância que forma a camada mais superficial da pele.

– Fissura: É uma fenda estreita e profunda na pele que se estende à carne, causado devido ao ressecamento da pele, e ocorre nos cantos da boca e nas mãos e pés.

– Mácula: São lesões planas e não palpáveis, em geral com diâmetro <10 mm. As máculas representam alteração da cor, não são elevadas ou deprimidas, se comparadas com a superfície da pele. Placa é uma grande mácula. Os exemplos incluem efélides, nevos planos, tatuagens, manchas em vinho do porto e exantemas devido à infecção por riquétsias, rubéola, sarampo e algumas erupções alérgicas por drogas.

– Nódulo: São pápulas firmes ou lesões que se estendem na derme ou no tecido subcutâneo. São exemplos os cistos, lipomas e fibromas.

– Pápula: São lesões elevadas, em geral com diâmetro < 10 mm e que podem ser sentidas ao tato ou à palpação. Os exemplos abrangem nevos, verrugas, líquen plano, picadas de inseto, queratoses seborreicas e actínicas, algumas lesões de acne e câncer de pele. O termo “maculopapular” é frequentemente impreciso e usado de maneira imprópria para descrever diversos exantemas eritematosos da pele; por ser inespecífico e facilmente mal empregado, esse termo deve ser evitado.

– Pólipo: O pólipo fibroepitelial, também conhecido como acrocórdon ou molusco pendulo, consiste em lesões de pele, benignas, assimétricas, geralmente decorrentes do atrito de roupas, joias, ou até mesmo do próprio cabelo ou unhas, com a pele. Os locais mais comuns de se encontrar estas lesões são no pescoço, face, axilas, porção superior do tronco, pálpebras e também no aparelho urinário de indivíduos de meia-idade ou idosos. Alguns fatores podem colaborar para o surgimento dos pólipos fibroepiteliais como obesidade, gravidez, menopausa e distúrbios endócrinos. Alguns pesquisadores acreditam que a presença dessa lesão pode indicar uma maior probabilidade de desenvolver pólipos de cólon.

– Pústula: São vesículas que contêm pus. São comuns em infecções bacterianas e foliculites, podendo ser encontradas em algumas doenças inflamatórias, como na psoríase pustulosa.

– Vesícula: São bolhas pequenas contendo líquido claro, com diâmetro < 10 mm. São características de infecções herpéticas, dermatite de contato alérgica aguda e algumas doenças bolhosas autoimunes (p. ex., dermatite herpetiforme).

– Bolha: São lesões com diâmetro > 10 mm, contendo líquido claro. Podem ser causadas por queimaduras, picadas, dermatite de contato irritativa ou alérgica e reações a drogas. As doenças bolhosas autoimune clássicas compreendem o pênfigo vulgar e o penfigoide bolhoso. As bolhas também podem surgir em doenças hereditárias que apresentam fragilidade cutânea.

CUIDADOS BÁSICOS DE ENFERMAGEM:

– Conservação da integridade da pele;
– Secar a pele sem fricção e hidratação;
– Evitar a maceração;
– Proteger as mãos do contato com a água e frio;
– Não abusar do uso do sabão;
– Utilização de luvas protetores com contato direto à lesão;
– Administração de medicação prescrita;
– Valorizar a área afetada;
– Controlar os fatores ambientais quanto a Tª e ambiente;
– Cuidados para o alívio de moléstias;
– Prevenir e tratar a sequelas da pele;
– Melhorar a autoestima do paciente;
– Alternativas para a melhoria da autoimagem;
– Educação para o autocuidado da pele;
– Informar sobre os cuidados da pele;
– Orientar sobre os hábitos alimentários;

Técnicas de Curativos

Em um ambiente onde seja em uma Uti, enfermaria, ou na residência do cliente, é indispensável o bom conhecimento técnico para realizar os curativos, acompanhar as cicatrizações e controlar as possíveis infecções. Quem poderá  avaliar as feridas, e indicar o tipo de tratamento, é o enfermeiro, onde o mesmo realiza o exame físico e a anamnese. O técnico de enfermagem as executa, de forma correta, anota os aspectos e características da ferida, e acompanha juntamente com o enfermeiro a evolução da mesma.

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Exemplo de carrinho de curativo.

Um bom curativo começa com uma boa preparação do carro de curativos. Este deve ser completamente limpo. Deve-se verificar a validade de todo o material a ser utilizado. Quando houver suspeita sobre a esterilidade do material que deve ser estéril, este deve ser considerado não estéril e ser descartado. Deve verificar ainda se os pacotes estão bem lacrados e dobrados corretamente.

O próximo passo é um preparo adequado do paciente. Este deve ser avisado previamente que o curativo será trocado, sendo a troca um procedimento simples e que pode causar pequeno desconforto. Os curativos não devem ser trocados no horário das refeições. Se o paciente estiver numa enfermaria, deve-se usar cortinas para garantir a privacidade do paciente. Este deve ser informado da melhora da ferida. Esse métodos melhoram a colaboração do paciente durante a troca do curativo, que será mais rápida e eficiente.

A limpeza das mãos com água e sabão, que deve ser feita antes e depois de cada curativo. O instrumental a ser utilizado deve ser esterilizado; deve ser composto de pelo menos uma pinça anatômica (par de ferro), duas hemostáticas e um pacote de gaze; e toda a manipulação deve ser feita através de pinças e gazes, evitando o contato direto e consequentemente menor risco de infecção.

Material
Exemplo de bandeja de curativo.

Deve ser feita uma limpeza da pele adjacente à ferida, utilizando uma solução que contenha sabão, para desengordurar a área, o que removerá alguns patógenos e vai também melhorar a fixação do curativo à pele. A limpeza deve ser feita da área menos contaminada para a área mais contaminada, evitando-se movimentos de vai-e-vem.

Nas feridas cirúrgicas, a área mais contaminada é a pele localizada ao redor da ferida, enquanto que nas feridas infectadas a área mais contaminada é a do interior da ferida. Deve-se remover as crostas e os detritos com cuidado; lavar a ferida com soro fisiológico em jato, ou com PVPI aquoso (em feridas infectadas, quando houver sujidade e no local de inserção dos cateteres centrais); por fim fixar o curativo com atadura ou micropore.

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Em certos locais o micropore não deve ser utilizado, devido à motilidade (articulações), presença de pêlos (couro cabeludo) ou secreções. Nesses locais deve-se utilizar ataduras. Esta vede ser colocada de maneira que não afrouxe nem comprima em demasia. O enfaixamento dos membros deve iniciar-se da região dista para a proximal e não deve trazer nenhum tipo de desconforto ao paciente.

O micropore deve ser inicialmente colocado sobre o centro do curativo e, então, pressionando suavemente para baixo em ambas as direções. Com isso evita-se o tracionamento excessivo da pele e futuras lesões.

O micropore deve ser fixado sobre uma área limpa, isenta de pêlos, desengordurada e seca; deve-se pincelar a pele com tintura de benjoim antes de colocar o mesmo. As bordas devem ultrapassar a borda livre do curativo em 3 a 5 cm; a aderência do curativo à pele deve ser completa e sem dobras. Nas articulações o micropore deve ser colocado em ângulos retos, em direção ao movimento.

Durante a execução do curativo, as pinças devem estar com as pontas para baixo, prevenindo a contaminação; deve-se usar cada gaze uma só vez e evitar conversar durante o procedimento técnico. Os procedimentos para realização do curativo, devem ser estabelecidos de acordo com a função do curativo e o grau de contaminação do local.
Obedecendo as características acima descritas, existem os seguintes tipos de curativos padronizados:

Técnicas de Curativos

CURATIVO LIMPO

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  • Ferida limpa e fechada;
  • O curativo limpo e seco deve ser mantido oclusivo por 24 horas;
  • Após este período, a incisão pode ser exposta e lavada com água e sabão;
  • Utilizar PVPI tópico somente para ablação dos pontos.

CURATIVO COM DRENO

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  • O curativo do dreno deve ser realizado separado do da incisão e o primeiro a ser realizado será sempre o do local menos contaminado;
  • O curativo com drenos deve ser mantido limpo e seco. Isto significa que o número de trocas está diretamente relacionado com a quantidade de drenagem;
  • Se houver incisão limpa e fechada, o curativo deve ser mantido oclusivo por 24 horas e após este período poderá permanecer exposta e lavada com água e sabão;
  • Sistemas de drenagem aberta (p.e. penrose ou tubulares), devem ser mantidos ocluídos com bolsa estéril ou com gaze estéril por 72 horas. Após este período, a manutenção da bolsa estéril fica a critério médico.
  • Alfinetes não são indicados como meio de evitar mobilização dos drenos penrose, pois enferrujam facilmente e propiciam a colonização do local;
  • A mobilização do dreno fica a critério médico;
  • Os drenos de sistema aberto devem ser protegidos durante o banho.

CURATIVO CONTAMINADO

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Estas normas são para feridas infectadas e feridas abertas ou com perda de substância, com ou sem infecção. Por estarem abertas, estas lesões são altamente susceptíveis à contaminação exógena.

  • O curativo deve ser oclusivo e mantido limpo e seco;
  • O número de trocas do curativo está diretamente relacionado à quantidade de drenagem, devendo ser trocado sempre que úmido para evitar colonização;
  • O curativo deve ser protegido durante o banho;
  • A limpeza da ferida deve ser mecânica com solução fisiológica estéril;
  • A anti-sepsia deve ser realizada com PVP-I tópico;
  • As soluções anti-sépticas degermantes são contra-indicadas em feridas abertas, pois os tensoativos afetam a permeabilidade das membranas celulares, produzem hemólise e são absorvidos pelas proteínas, interferindo prejudicialmente no processo cicatricial;
  • Gaze vaselinada estéril é recomendada nos casos em que há necessidade de prevenir aderência nos tecidos;
  • Em feridas com drenagem purulenta deve ser coletada cultura semanal (swab), para monitorização microbiológica;

Tipos de Feridas

  • Agudas – São feridas traumáticas. Características de cicatrização:
    – O processo de cicatrização dura cerca de 06 dias.
                            Sangra ⇒ Coagula ⇒ Desidrata ⇒ Crosta.
  • Crônicas – São feridas de longa duração. Características de Cicatrização:
    – O processo de cicatrização é extenso.
    Migração Celular ⇒Limpeza da Lesão por Fagocitose ⇒ Granulação ⇒ Contração dos Bordos  ⇒Epitelização ⇒Remodelagem.

Finalidade

Tem como finalidade :

  • Aliviar a dor (Analisar a possibilidade de fazer analgesia prévia).
  • Evitar traumas (Aplicar e retirar as coberturas sem traumas, umedecendo a ferida sempre que necessário. Limpar a ferida com solução salina em jatos, utilizando seringa de 20Ml e agulha 40x 12)
  •  Evitar a Infecção (Utilizar técnica estéril e proteger as feridas abertas).
  • Manter a ferida com umidade natural (Após a limpeza da ferida, secar apenas os bordos da ferida).
  • Tratar as cavidades no caso de feridas crônicas (Ocupar o espaço morto com coberturas, favorecendo a cicatrização mais rápida).
  • Tratar as necroses no caso de feridas crônicas (Remover tecido necrótico para acelerar a cicatrização).

Tratamento para Feridas

Feridas Agudas:

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Feridas Crônicas:

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Materiais utilizados para tratamento de feridas

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O que observar e anotar sobre as Feridas:

  • Localização anatômica;
  • Aspecto dos Tecidos Adjacentes: Edema, Coloração, Pulso;
  • Em caso de dúvida, comparar com o membro não acometido pela ferida;
  • Medidas da Ferida – mensurar em sua extensão e profundidade em centímetros na admissão e semanalmente para observar a evolução do tratamento;
  • No caso de haver exposição óssea, prevenir osteomielite;
  • Aspecto e quantidade do exsudato: Seroso, purulento, Sanguinolento, misto;
  • Bordos da ferida: Contração, Maceração, Integridade;
  • Tecidos da ferida: Granulação, Esfacelo, Necrose.

Coleta de Material: A coleta de material, para avaliação de microorganismos nas feridas, deve ser feita com técnica asséptica, após a limpeza da ferida com soro fisiológico 0.9% e, preferencialmente, aspirar o exsudato (se houver coleções fechadas). Se não for possível, o swab só tem valor se colhido profundamente em tecido limpo (livre de esfacelo e necrose) para não dar falso resultado, ou seja, detectar apenas a colonização da ferida. O material colhido deve ser encaminhado ao laboratório o mais brevemente possível.

Placas de Hidrocolóides

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Os Hidrocolóides são curativos contendo agentes em formato gelatinoso, geralmente carboximetilcelulose sódica (NaCMC), pectina e gelatina. São normalmente embalados em placas de filme ou espuma de poliuretano, autoadesivas algumas e impermeáveis à água. De acordo com cada fabricante, a superfície de contato com a ferida pode apresentar variações. Estão disponíveis em placas mais finas ou mais espessas de diferentes formas. Pode ser encontrado também em formato de pasta, empregadas para preenchimento de cavidades.

Os Hidrocolóides atuam por interação com os exsudatos formando um composto úmido gelatinoso entre o curativo e o leito da úlcera; este composto propicia o desbridamento autolítico, otimizando assim a formação do tecido de granulação. Por outro lado, acredita-se que, proporcionando uma cobertura das terminações nervosas expostas no leito da ferida, os Hidrocolóides também auxiliam na diminuição da dor, muito embora os mecanismos que lhes conferem esse atributo ainda não estejam bem elucidados.

Em estado intacto os Hidrocolóides são impermeáveis aos vapores de água, mas com o processo de gelatinização no leito da ferida, o curativo se torna progressivamente mais permeável. A perda de água através do curativo aumenta sua capacidade de contribuir com a formação do exsudato. Por ocasião de sua retirada percebe-se a presença de componente líquido parecido com pus e a emissão de odor característico às vezes bastante intenso.

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Os Hidrocolóides diminuem os eventos infecciosos na medida em que oferecem certa barreira bacteriana. É preciso estar atento para a possibilidade de proliferação de anaeróbios em determinados pacientes.

Indicações principais:

  • Curativo primário ou secundário em feridas com exsudatomínimo ou leve.

Vantagens:

  • Propicia desbridamento autolítico;
  • Dificulta a invasão bacteriana;
  • Pode reduzir a dor;
  • Fácil de aplicar
  • É autoadesivo e de fácil modelagem ao local;
  • Capacidade de absorção de leve a moderada;
  • Pode ser utilizado sob terapia compressiva;
  • Reduz o trauma em áreas de pressão;
  • A troca pode ser feita de 03 a 07 dias (de acordo com as características da ferida).

Desvantagens:

  • Pode aderir fortemente à pele com possibilidade de trauma ao ser removido, razão pela qual sua remoção deve ser feita com os devidos cuidados. Atenção especial quando aplicado sobre pele friável;
  • Com o calor e a fricção amolece e perde o formato;
  • Pode provocar hipergranulação;
  • Não aplicável em feridas com espaços cavitários (exceto no formato pasta).

Obs.: Os hidrocolóides já são conhecidos e utilizados há mais de 20 anos e, apesar de raros, alguns podem provocar dermatite de contacto decorrente de substâncias usadas para conferir maior adesividade ao curativo.

Desaconselhável em:

  • Feridas com exsudato moderado ou abundante;
  • Feridas com franca infecção;
  • Pele do entorno da ferida: muito friável, com eczema ou muito macerada;
  • Feridas com exposição de músculos, tendões ou estruturas ósseas;
  • Alguns fabricantes desaconselham o uso em vasculite ativa;
  • Alguns autores recomendam EXTREMA CAUTELA em diabéticos, vasculite e feridas com componente isquêmico “devido risco aumentado de infecção por anaeróbios”.

Veja mais sobre curativos em nosso canal YouTube:

 

 

Locais comuns para aparecimento de Lesões de Pressão

Locais comuns para aparecimento de Lesões de Pressão

As proeminências ósseas são as áreas mais suscetíveis a desenvolver as lesões de pressão.

Isso ocorre porque essas regiões têm menor quantidade de tecido (músculo e tecido gorduroso) para amortecer os traumas.

Os pontos de pressão que são mais vulneráveis ao desenvolvimento de lesão num determinado paciente dependem da posição na qual esse paciente fica na maior parte do seu tempo.

O que deve fazer para prevenir?

– Não esquecer de realizar a mudança de decúbito a cada 2 horas!
-Manter colchão piramidal (caixa de ovo) sobre o colchão da cama do paciente;
-Colocar travesseiros macios embaixo dos tornozelos para elevar os calcanhares;
-Colocar o paciente sentado em poltrona macia, ou revestida com colchão piramidal, várias vezes ao dia;
-Quando sentado mudar as pernas de posição, alternando as áreas de apoio;
-Manter alimentação rica em vitaminas e proteína;
-Manter hidratação;
-Trocar fraldas a cada três horas, mantendo paciente limpo e seco;
-Hidratar a pele com óleos e/ou cremes a base de vegetais;
-Utilizar sabonetes com pH neutro para realizar a limpeza da região genital;
-Estar atento para o aparecimento de candidíase e outras infecções por fungos;
-Aplicação de filme transparente e/ou cremes ou loções a base de AGE nas áreas de risco aumentado para lesões;
-Realizar massagem suave na pele sadia, em áreas potenciais de pressão, com loção umectante e suave;
-Manter a limpeza das roupas de cama, bem como mantê-las seca e bem esticadas;
-NÃO utilizar lâmpada de calor sobre a pele, pois estimulam o ressecamento da mesma!

Classificação da Lesão por Pressão conforme NPUAP

Lesão por Pressão

No dia 13 de abril de 2016, o NPUAP anunciou a mudança na terminologia Úlcera por Pressão para Lesão por Pressão e a atualização da nomenclatura dos estágios do sistema de classificação.

Segundo o NPUAP, a expressão descreve de forma mais precisa esse tipo de lesão, tanto na pele intacta como na pele ulcerada. No sistema prévio do NPUAP, o Estágio 1 e a Lesão Tissular Profunda descreviam lesões em pele intacta enquanto as outras categorias descreviam lesões abertas.

Isso causava confusão porque a definição de cada um dos estágios referia-se à úlcera por pressão. Além dessa mudança, na nova proposta, os algarismos arábicos passam a ser empregados na nomenclatura dos estágios ao invés dos romanos.

O termo “suspeita” foi removido da categoria diagnóstica Lesão Tissular Profunda. Durante o encontro do NPUAP, outras definições de lesões por pressão foram acordadas e adicionadas: Lesão por Pressão Relacionada a Dispositivo Médico e Lesão por Pressão em Membrana Mucosa.

Referência: NPUAP

Veja mais em nosso canal YouTube:

 

Lesão por Pressão

Características Exsudativas das Lesões

Exsudato

Regras Gerais de Curativos

Para proporcionar o conforto ao paciente (na qual é o mais importante, que é a diminuição de dor), e promovendo a cicatrização, devemos tomar alguns cuidados básicos para a realização dos curativos, como proteger a ferida para prevenir infecções, observar o aspecto da cicatriz cirúrgica e realizar a anotação da mesma, e manter a área limpa, por exemplos.

Para manter a constante manutenção destes curativos, existem algumas orientações básicas nas quais recebemos quantos aos cuidados dos mesmos, podendo ser lidos na tabela abaixo!

Curativos

Carrinho de Curativo: O que deve conter?

Carrinho de Curativo

O carrinho de curativo deve ser equipado com os produtos e equipamentos protocolados na instituição. dependendo dos tipos de curativos a serem realizados.

Material

Soluções:

  • Solução Salina Isotônica (Soro Fisiológico/SF);
  • Água oxigenada;
  • Benzina e/ou éter;
  • Substâncias especiais de curativos – papaína. alginato. etc;

Materiais diversos:

  • Álcool iodado;
  • Tintura de Benjoin Coloidal;
  • Adesol;
  • PVP-I tópico;
  • Cuba-rim;
  • Gazes em pacotinhos individualizados (cinco por pacote);
  • Fitas adesivas;
  • Tesoura para corte de fitas adesivas;
  • Ataduras;
  • Luvas de procedimentos e estéreis;
  • Hastes flexíveis com ponta de algodão (Cotonetes”, Palinetes®. marcas de mercados, etc.) esterilizadas e embaladas individualmente;
  • Compressa cirúrgica de algodão estéril;
  • Se necessário, adicionar para determinados curativos: pasta de Questran. gaze vaselinada, pomada de óxido de zinco, outras;
  • Outros materiais conforme o tipo de necessidade;
  • Saco plástico para descarte de curativo sujo.

Regras gerais

  1. Qualquer material esterilizado deverá estar identificado e datado;
  2. O carrinho de curativo tem como função acondicionar os materiais citados acima;
  3. O carrinho não deverá ser levado a enfermarias para a realização dos curativos;
  4. Materiais contaminados não devem permanecer sobre ele;
  5. Quartos e pacientes infectados deverão ter uma bandeja individualizada contendo os materiais que se fizerem necessários;
  6. A desinfecção do carrinho de curativo deverá ser feita com álcool a 70% a cada 24 horas e quando se fizer necessário. Na presença de matéria orgânica remover com água e sabão e friccionar com álcool a 70% por. pelo menos. 30 segundos;

Fitas adesivas

Deverá ter esparadrapo, fita crepe, fitas plásticas (transparentes ou não), fitas permeáveis (Micropore®. por exemplo). etc. As fitas poderão ser estéreis com exceção do esparadrapo em curativos, sempre colocar gaze estéril sob o esparadrapo.

Após 72 horas, as fitas permeáveis poderão ser colocadas diretamente sobre as feridas pequenas, se não houver sinais de infecção. Sempre utilizar a melhor opção de fita adesiva para determinado tipo de curativo.

Gaze furacinada

A gaze furacinada somente é esterilizada a uma temperatura de 121 ºC. A nitrofurazona (Furacin), não resiste a uma temperatura maior que 60°C, perdendo seu poder bactericida. Então:

  • para uma ação emoliente, utilizar gaze vaselinada estéril;
  • para uma ação bactericida, utilizar um antisséptico tópico.

Soluções utilizadas para o tratamento de feridas

Todas as soluções utilizadas para curativos, quando abertas pela primeira vez, deverão ter anotado no próprio frasco, dia, hora e nome do técnico de enfermagem que a abriu. Esse procedimento é necessário para controle rigoroso da data de validade do produto.

Solução Salina Isotônica (Soro Fisiológico, SF a 0,9%)

Utilizada para infusões EV, gástricas, intraósseas, etc: Tem por finalidade a limpeza da ferida e áreas próximas. Depois de aberto, o frasco do soro deverá permanecer com sua abertura protegida com tampa estéril e sua validade será de, no máximo, 24 horas em geladeira ou 12 horas em temperatura ambiente.

Água oxigenada

É um antisséptico com ação oxidante fugaz na presença de matéria orgânica. Remove resíduos de sangue além de ser utilizada para desbridamento químico (age no tecido de granulação). Sofre ação da luz necessitando de frasco escuro ou embalagem original. Desprezar semanalmente.

Éter

Solução solvente, não antisséptica, irritante e tóxico à pele e mucosa. Utilizado com a finalidade de retirar a cola de fitas adesivas. Não deve ser friccionado sobre a incisão cirúrgica.

Polivinilpirrolidona-iodo a 10% (1% de iodo livre) – PVP-I

Antisséptico, cuja finalidade é remover e/ou destruir ou a reprodução de possíveis microrganismos presentes na ferida e área próxima.

Possui três formas de apresentação com indicações diferentes:

  • PVP-I tintura (PVP-I; álcool) para antissepsia de pele e demarcação do campo cirúrgico;
  • PVP-I degermante (PVP-I, solução degermante) para a degermação da pele;
  • PVP-I tópico (PVP-I, água) para antissepsia de mucosa e realização de curativos. Por ser solução aquosa pode ser contaminada por gram-negativos (principalmente Pseudomonas) necessitando, portanto, de troca de solução e dos frascos (por outros estéreis), semanalmente.

Líquido de Dakin

Solução de hipoclorito de sódio a 0,5%, tamponada, utilizada (desde a Primeira Guerra Mundial) para irrigação de feridas. Por ser tóxica e menos eficiente do que se supunha inicialmente, caiu em desuso (no curativo).

Ácido acético

Antisséptico (utilizado a 2%), tem ação sobre Pseudomonas e outros bacilos gram-negativos.

Tintura de benjoim coloidal

O Benjoim é uma resina que, ao ser aplicada na pele, forma uma película protetora, sendo utilizada  para proteção das áreas próximas às feridas e ostomias.

Pomada de Questran

Composta de óleo de amêndoas, colestiramina (Questran), benjoim e bentonita, tem indicação semelhante ao Benjoin coloidal. A vitamina ”A” que compõe essa pomada, auxilia na reepitelização da  pele.

Benzina

Solvente, derivada de petróleo, utilizada com os mesmos propósitos do éter e tem os mesmos efeitos tóxicos.

 

Veja também:

https://enfermagemilustrada.com/carrinho-de-emergencia-o-que-devo-saber/

Tipos de Coberturas para Curativos

Coberturas para Curativos

Existem, atualmente, muitos tipos de curativos com formas e propriedades diferentes. É importante, antes da realização do curativo, a avaliação da ferida e aplicação do tipo de curativo que melhor convier ao estágio em que se encontra, a fim de facilitar a cura.

Alginatos

São derivados de algas marinhas e, ao interagirem com a ferida, sofrem alteração estrutural: as fibras de alginato transformam-se em um gel suave e hidrófilo à medida que o curativo vai absorvendo a exsudação. É indicado para feridas com exsudação (grande ou moderada quantidade) e necessita cobertura com gaze e fita adesiva.

Carvão ativado

Cobertura composta por tecido de carvão ativado, impregnado com prata – exerce ação bactericida – é envolto por uma camada de não-tecido, selada em toda sua extensão. Indicado para feridas com mau odor (eficaz), cobertura das feridas infectadas exsudativas (com ou sem odor). Também necessita, como os alginatos, de gaze e fita adesiva na cobertura.

Hidrocoloide

As coberturas com hidrocoloide são impermeáveis à água e às bactérias e isolam o leito da ferida do meio externo. Evitam o ressecamento e a perda de calor e mantêm um ambiente úmido ideal. Indicados para feridas com pouca ou moderada exsudação, podendo durar até 7 dias.

Hidrogel

Esse tipo de curativo proporciona um ambiente úmido oclusivo, evitando ressecamento do leito da ferida e aliviando a dor. Tem poder de desbridamento nas áreas de necrose, sendo indicado para uso em feridas limpas e não infectadas.

Filmes

Tipo de cobertura de poliuretano, promove ambiente de cicatrização úmido, sem capacidade de absorção. Não deve ser utilizado em feridas infectadas.

Papaína

A papaína é uma enzima proteolítica proveniente do látex das folhas e frutos do mamão verde adulto. Age promovendo a limpeza das secreções, tecidos necróticos, pus e microrganismos, às vezes, presentes nos ferimentos, facilitando o processo de cicatrização. Tem indicação para as feridas abertas, com tecido desvitalizado e necrosado.

Ácidos graxos essenciais (AGE)

Produto à base de óleo vegetal, possui grande capacidade de promover a regeneração dos 4 tecidos, acelerando o processo de cicatrização. Indicada para prevenção de úlcera de pressão e para todos os tipos de feridas, apresentando melhores resultados quando há desbridamento prévio das lesões.

Antissépticos

São formulações cuja função é matar os microrganismos ou inibir seu crescimento quando aplicadas em tecidos vivos. Os antissépticos recomendados são álcool a 70%, clorexidina tópica e PVP-I tópico.

Observação:

Atualmente, especialistas adotam e indicam a limpeza de feridas por meio de irrigação com solução fisiológica morna e sob pressão (seringa de 20 ml com agulha 40 x 12). Essa irrigação é capaz de remover partículas, bactérias e exsudatos.

Deve-se utilizar técnica asséptica e cuidar, ao irrigar, para não expulsar a agulha para dentro da ferida.

Manuseando o Instrumental para Curativo e os tipos de curativo

Manuseando o Instrumental para Curativo e os tipos de curativo

Sabe como utilizar o instrumental para curativos?

O manuseio do instrumental de curativo é bem simples!

A técnica é de evitar que contamine o centro do instrumental, e saber pegar de um modo correto para que consiga segurar a gaze sem cair. É muito mais fácil o par de ferro do que a luva estéril, pois você tem as mãos livres para trabalhar com outros itens durante o curativo, e a luva estéril não.

Durante a execução do curativo, as pinças devem estar com as pontas para baixo em um campo estéril, prevenindo a contaminação; deve-se usar cada gaze uma só vez e evitar conversar durante o procedimento técnico.

Os procedimentos para realização do curativo, devem ser estabelecidos de acordo com a função do curativo e o grau de contaminação do local. Deve ser feita uma limpeza da pele adjacente à ferida, utilizando uma solução que contenha sabão, para desengordurar a área, o que removerá alguns patógenos e vai também melhorar a fixação do curativo à pele. A limpeza deve ser feita da área menos contaminada para a área mais contaminada, evitando-se movimentos de vai e vem.

Nas feridas cirúrgicas, a área mais contaminada é a pele localizada ao redor da ferida, enquanto que nas feridas infectadas a área mais contaminada é a do interior da ferida. Deve-se remover as crostas e os detritos com cuidado; lavar a ferida com soro fisiológico em jato, ou com PVPI aquoso (em feridas infectadas, quando houver sujidade e no local de inserção dos cateteres centrais); por fim fixar o curativo com atadura ou esparadrapo.

Em certos locais o esparadrapo não deve ser utilizado, devido à motilidade (articulações), presença de pelos (couro cabeludo) ou secreções.

Nesses locais deve-se utilizar ataduras. Esta vede ser colocada de maneira que não afrouxe nem comprima em demasia. O enfaixamento dos membros deve iniciar-se da região distal para a proximal e não deve trazer nenhum tipo de desconforto ao paciente.

O micropore deve ser inicialmente colocado sobre o centro do curativo e, então, pressionando suavemente para baixo em ambas as direções. Com isso evita-se o tracionamento excessivo da pele e futuras lesões.

O esparadrapo deve ser fixado sobre uma área limpa, isenta de pelos, desengordurada e seca; deve-se pincelar a pele com tintura de benjoim antes de colocar o esparadrapo. As bordas do esparadrapo devem ultrapassar a borda livre do curativo em 3 a 5 cm; a aderência do curativo à pele deve ser completa e sem dobras.

Nas articulações o esparadrapo deve ser colocado em ângulos retos, em direção ao movimento.Obedecendo as características acima descritas, existem os seguintes tipos de curativos padronizados:

CURATIVO LIMPO

– Ferida limpa e fechada, limpar primeiramente de dentro para fora!
– O curativo limpo e seco deve ser mantido oclusivo por 24 horas.
– Após este período, a incisão pode ser exposta e lavada com água e sabão.
– Utilizar PVP-I tópico somente para ablação dos pontos.

CURATIVO COM DRENO

– O curativo do dreno deve ser realizado separado do da incisão e o primeiro a ser realizado será sempre o do local menos contaminado.
– O curativo com drenos deve ser mantido limpo e seco. Isto significa que o número de trocas está diretamente relacionado com a quantidade de drenagem.
– Se houver incisão limpa e fechada, o curativo deve ser mantido oclusivo por 24 horas e após este período poderá permanecer exposta e lavada com água e sabão.
– Sistemas de drenagem aberta (p.e. penrose ou tubulares), devem ser mantidos ocluídos com bolsa estéril ou com gaze estéril por 72 horas.
– Após este período, a manutenção da bolsa estéril fica a critério médico.
– Alfinetes não são indicados como meio de evitar mobilização dos drenos penrose, pois enferrujam facilmente e propiciam a colonização do local.
– A mobilização do dreno fica a critério médico.
– Os drenos de sistema aberto devem ser protegidos durante o banho.

CURATIVO CONTAMINADO

Estas normas são para feridas infectadas e feridas abertas ou com perda de substância, com ou sem infecção. Por estarem abertas, estas lesões são altamente susceptíveis à contaminação exógena.
– O curativo deve ser oclusivo e mantido limpo e seco, sempre começando de fora para dentro (por ser menos contaminado do que a região interna da ferida).
– O número de trocas do curativo está diretamente relacionado à quantidade de drenagem, devendo ser trocado sempre que úmido para evitar colonização.
– O curativo deve ser protegido durante o banho.
– A limpeza da ferida deve ser mecânica com solução fisiológica estéril.
– A anti-sepsia deve ser realizada com PVP-I tópico.
– As soluções anti-sépticas degermantes são contra-indicadas em feridas abertas, pois os tensoativos afetam a permeabilidade das membranas celulares, produzem hemólise e são absorvidos pelas proteínas, interferindo prejudicialmente no processo cicatricial.
– Gaze vaselinada estéril é recomendada nos casos em que há necessidade de prevenir aderência nos tecidos.
– Em feridas com drenagem purulenta deve ser coletada cultura semanal (swab), para monitorização microbiológica.