Os Tipos de Cicatrizes

Como vai ser a minha cicatriz depois da cirurgia plástica?

Este é um dos grandes questionamentos que o paciente tem ao decidir realizar um procedimento. Primeiro é preciso saber que as cicatrizes são condições inerentes a qualquer ferida no corpo humano. Ela pode ser definitivamente, pouco ou não visível. Pode ser excelente, boa, aceitável, ruim, péssima ou quelóide.

É preciso saber que toda cirurgia é igual a uma cicatriz. Seu tamanho é compatível com o tamanho que se faz necessário à incisão. O aspecto da cicatriz depende de fatores intrínsecos de cada paciente, como idade, e também da técnica do profissional que executa a cirurgia. A boa notícia é que a maioria dos pacientes tem cicatriz excelente, boa ou aceitável.

Para o organismo, quanto mais robusta é a cicatriz, melhor, porque ele entende que o local não vai abrir novamente. Do ponto de vista estético, a cicatriz mais desejável é aquela tênue, com pouca força na sua reparação, sendo assim, muito pouco perceptível. Mas nem sempre a resposta do organismo do paciente proporciona este resultado.

O cirurgião e a cicatriz

O cirurgião vai gerar uma ferida no local da cirurgia, ou seja, vai incisar (cortar) a pele e todos os tecidos subjacentes. Depois ele precisa fazer a síntese, fechar da melhor maneira possível para que ela tenha o melhor resultado cicatricial, a cicatriz mais tênue, menos perceptível e esteticamente aceitável.

Para fazer isso, o fator técnico do profissional é fundamental. Procure sempre profissionais experientes e confiáveis.

O organismo do paciente

Se o cirurgião tem a melhor técnica, o melhor material, os melhores instrumentos para fazer a síntese da cirurgia, mas o organismo do paciente não responde bem para a melhor cicatrização, a cicatriz pode não ter o melhor resultado. Nesta situação, não há controle.

Os Tipos de Cicatrizes

O processo cicatricial tem fases: nasce, cresce, amadurece e estabiliza. Normalmente, espera-se que uma cicatriz comece a amadurecer entre dois e quatro meses após a cirurgia. Mas para alguns tipos de cicatriz, este processo dura até dois anos. Cada pessoa tem seu próprio processo cicatricial. As cicatrizes podem ser:

  • Atróficas: são cicatrizes nas quais a fase de proliferação está prejudicada. Nasceu e não teve um crescimento adequado. Em uma comparação com a altura humana, ela ficou anã. Como a cicatriz tem que ter a habilidade de juntar as duas bordas da ferida e dar condição, mesmo após o seu amadurecimento, a que essas bordas não se afastem, o contrário acontece neste tipo de cicatriz. Suas características mais marcantes são o afastamento das bordas da pele e depressão da sua localização.
  • Hipertróficas. Estas, ao contrário das atróficas, apresentam-se com crescimento além do normal. Como consequência, elas são altas e muitas vezes largas.
  • Retraída (Contratura): são cicatrizes normalmente hipertróficas, mas quais a sua região mais profunda produziu um crescimento que leva a se aderir a outros tecidos profundos. É uma força contrátil de baixo para cima ou longitudinal.
  • Queloidiana (quelóide): são cicatrizes com característica tumoral, não param de crescer. Em virtude de sua fase de crescimento ser muitíssimo exuberante, ela vai se apresentar sempre muito alta e além da superfície da pele. Invadindo as laterais, coloração muito avermelhada por causa da grande vascularização. Ela tem alguns sintomas como dor, prurido (coceira), ardência, pinicadas e choques. Quanto ao crescimento, ela pode ser verdadeira ou não. Por exemplo, pessoas que fazem quelóide em uma região específica do corpo, região pré external (entre as mamas) e regiões de pele muito espessa, como dorso e a parte externa e alta do braço. Quando verdadeira e na sua intensidade máxima, ela pode estar presente em qualquer micro lesão como foliculite, acne ou depois de micro lesões provocadas pelas unhas em um simples coçar. Podem acontecer até em lesões naturalmente ocorridas na digestão dentro do intestino. Nesses casos, a pessoa tem pouca sobrevida, pois estes quelóides vão obstruir o intestino, levando à morte.
  • Normotróficas: compõe a maioria dos resultados cicatriciais. São finas, semelhantes à superfície da pele, de cor mais clara do que à pele vizinha, sendo assim pouco perceptível à visão de uma certa distância. Nesta cicatriz todas as suas fases estão dentro da normalidade.

Referência:

  1. SBDRJ

Semiologia Dermatológica: Colorações da Pele

semiologia dermatológica é uma das etapas do exame clínico que envolve o reconhecimento das alterações e afecções que acometem a pele.

Além das doenças dermatológicas com acometimento cutâneo exclusivo, há condições dermatológicas com envolvimento sistêmico, ou de outros órgãos, e ainda, doenças metabólicas, endócrinas, hepáticas, neurológicas e neoplásicas, entre outras, com determinadas manifestações cutâneas.

Avaliação

Durante a realização do exame físico, o examinador faz uma avaliação das condições gerais do paciente, e uma análise pouco mais minuciosa de algumas características da pele.

Nesta etapa, a simples observação das modificações da superfície cutânea poderá auxiliar no raciocínio clínico do examinador e, portanto, remeter à prováveis hipóteses diagnósticas. O exame dermatológico (ou, simplesmente, da pele) deve ser realizado com uma iluminação adequada (de preferência, luz natural), e com desnudamento progressivo das partes a serem examinadas.

Os elementos a serem investigados no exame físico geral da pele ou exame dermatológico são os seguintes:

  1. Coloração (alterações de coloração da pele generalizada ou localizada: cianose, palidez, icterícia)
  2. Umidade 
  3. Textura
  4. Temperatura
  5. Turgor
  6. Integridade (ou continuidade) (erosões, úlceras, fissuras, fístulas)
  7. Sensibilidade (hipoestesia, anestesia, hiperestesia)
  8. Espessura (atrofia, infiltração)
  9. Elasticidade (elastose, esclerodermia)
  10. Mobilidade (esclerodermia)
  11. Lesões elementares

COLORAÇÃO

Adicionalmente, a cor da pele determinada pela etnia ou raça, algumas condições fisiológicas ou patológicas irão influir na coloração da pele. A coloração da pele é a primeira observação do exame físico dermatológico.

Pode ser modificada por condições fisiológicas, tal como se observa na exposição ao frio (livedo) ou ao sol (eritema solar), ou ainda por condições patológicas que resultam em palidez por colapso periférico.

Os indivíduos de cor branca e pardo-claros apresentam, em condições normais, uma coloração levemente rósea ou rosada da pele. Esta coloração dada pelo sangue que circula na rede capilar cutânea pode sofrer variações fisiológicas e/ou patológicas.

Já alguns distúrbios da coloração dos indivíduos de pele escura, em especial os negros, são observados com maior dificuldade.

Por exemplo, o escurecimento da pele pode ser observado nos indivíduos de pele branca que foram expostos ao sol (bronzeamento); ou na doença de Addison e hemocromatose, que são distúrbios endócrinos que afetam a produção melanina e o metabolismo do ferro, respectivamente.

  • Palidez: é conceituada como sendo uma atenuação ou desaparecimento da cor rósea da pele. Deve ser avaliada com a luz natural, pois, as iluminações artificiais podem influenciar na sua identificação. Por meio de semiotécnica simplificada, o examinador deve pesquisar a palidez na pele em toda a extensão da superfície cutânea, incluídas as mucosas e as regiões palmoplantares, onde é possível a identificação mais acurada da palidez em negros. A comparação entre áreas simétricas complementa a avaliação da palidez, que pode ser classificada em três formas distintas: generalizada, localizada ou segmentar.
  • Palidez generalizada: traduz uma diminuição das hemácias circulantes nas microcirculações cutânea e subcutânea. Pode ser decorrente da redução real das hemácias circulantes, como nas anemias e perdas sanguíneas, pois, a hemoglobina‚ é a responsável, em última instância, pela coloração rósea da pele. Ou por um segundo mecanismo, relacionado a uma vasoconstrição generalizada secundária aos estímulos vasoativos, neurogênicos ou hormonais (crises de feocromocitoma, emoções).
  • Palidez localizada ou segmentar é explicada, fisiologicamente, por uma isquemia no território afetado. Partindo deste princípio, uma palidez restrita ao membro inferior direito, possivelmente, se apresenta como principal causa de uma obstrução da artéria femoral. Uma manobra de avaliação clínica do fluxo sanguíneo através da pele pode auxiliar na investigação deste tipo de palidez. O examinador deve pressionar o polegar de encontro ao osso esterno durante alguns segundos, com a finalidade de expulsar o sangue que flui naquela área. Em seguida, retira-se o dedo abruptamente e observa o tempo necessário para que a pele recém-pressionada retorne à sua coloração rósea. Em condições normais, o tempo‚ é inferior a um segundo.
  • Eritema (eritrose ou vermelhidão): Como a própria nomenclatura já sugere, significa um exagero da coloração rósea da pele, indicando, na maioria das vezes, um aumento da quantidade de sangue na rede vascular cutânea, quer seja por conta de uma vasodilatação ou, aumento de sangue propriamente dito.
  • Eritema generalizado pode ser observado em pacientes febris, indivíduos demasiadamente expostos ao sol, estados policitêmicos, infecções virais (dengue, zika, chikungunya) e bacterianas (escarlatina), afecções inflamatórias (farmacodermia) e neoplásicas (linfoma cutâneo).
  • Eritema localizado pode ter um caráter fugaz (quando depende de um fenômeno vasomotor: ruborização do rosto por emoção, “fogacho” do climatério”) ou ser duradouro (eritema palmar constitucional ou por hepatopatia crônica).
  • Eritema Vs: Hiperemia: Hiperemia, basicamente, é a vasodilatação em uma região ou tecido do organismo, ocorrendo o aparecimento de vermelhidão (eritema) e calor. O eritema seria então a consequência de uma hiperemia, e pode ser causada por um processo inflamatório (levando aos sinais cardinais: rubor, calor, edema e dor), por uma exposição excessiva ao sol (levando à queimadura de primeiro grau), por alergias ou por substâncias medicamentosas incompatíveis. O eritema pode ser considerado como o congestionamento local de sangue. Ainda, o eritema pode ser diferenciado de exantema e púrpura ao pressionarmos a região: no eritema, a vermelhidão some e retorna em seguida, já no exantema ou púrpura, esse “apagamento” da vermelhidão não ocorre.
  • Fenômeno de Raynaud. É uma alteração cutânea que depende das pequenas artérias e arteríolas das extremidades e que resulta em modificações da coloração. Inicialmente, se observa a palidez, a seguir, a extremidade torna-se cianótica, e o episódio termina com uma vermelhidão da área. Trata-se de um fenômeno vasomotor que pode ser deflagrado por várias causas (Lúpus eritematoso sistêmico, Esclerodermia sistêmica, Tromboangeíte obliterante, costela cervical e compressão dos vasos subclávios).
  • Cianose: é o termo que significa uma coloração azulada da pele e, ocorre quando a hemoglobina reduzida alcança no sangue valores superiores a 5g% g% (normal em torno de 2,6 g%). A cianose não é detectável até que a saturação de oxigênio no sangue seja menor que 85%. É menos prontamente detectável se a anemia estiver presente, e mais facilmente vista na policitemia. A sua pesquisa deve ser mais minuciosa nas seguintes regiões: face, ao redor dos lábios, ponta do nariz, lóbulos das orelhas, extremidades das mãos e dos pés (leitos ungueais e polpas digitais). Pode ser classificada em generalizada e localizada e graduada em leve, moderada e intensa.
  • Icterícia: é o termo que designa uma coloração amarelada da pele, mucosas e escleróticas resultantes do acúmulo de bilirrubina no sangue. A icterícia deve ser distinguida de outras condições em que a pele, mas não as mucosas, podem tomar coloração amarelada: uso de certas drogas que impregnam a pele (quinacrina), alimentos ricos em carotenos (cenoura, mamão, tomate).

UMIDADE

A apreciação da umidade começa na inspeção, mas o método deve ser acrescido da palpação com as polpas digitais e com a palma da mão. Por meio da sensação tátil, pode se avaliar a umidade da pele com alguma precisão e se observar variações da umidade normal.

A pele seca revela ao tato uma sensação especial. É encontrada, com maior frequência, em pessoas idosas, em algumas dermatopatias crônicas (esclerodermia, ictiose), no mixedema, na avitaminose A, na insuficiência renal crônica, desidratação. A redução da temperatura nos pacientes febris leva à pele com umidade aumentada ou pele sudorenta.

TEXTURA

Significa trama ou disposição dos elementos que constituem um tecido e são sensíveis ao tato. A textura da pele é avaliada por meio do deslizamento das polpas digitais sobre a superfície cutânea, sendo possível constatar uma das seguintes condições:

Textura normal, aquela encontrada em condições normais, é a que desperta uma sensação própria que a prática vai firmando.

Pele lisa ou fina representa a redução dos constituintes da pele, e é frequente em condições fisiológicas nas pessoas idosas, ou patológicas, que levam à atrofia da pele, como na síndrome de Cushing.

Pele áspera é observada em indivíduos expostos às intempéries, ao sol e que trabalham em atividades rudes, tais como, lavradores e pescadores. Ainda pode ser vista em algumas afecções como mixedema e dermatopatias.

Pele enrugada ocorre em indivíduos que emagrecem rapidamente, ou ainda, quando se elimina um edema.

INTEGRIDADE

Integridade ou continuidade cutânea é o termo que refere a uma ausência de lesão de sua superfície. Portanto, qualquer alteração da pele, seja por erosões, úlceras, fissuras culmina em alterar a continuidade da pele. É um tema complexo, que será descrito adiante, no tópico “Lesões Elementares”.

ESPESSURA

É avaliada por meio do pinçamento de uma dobra cutânea com o polegar e indicador, e somente da camada mais superficial da pele. Esta manobra deve ser feita em várias e diferentes regiões, tais como, antebraço, tórax e abdome. As seguintes condições podem ser observadas:

Pele de espessura normal; Pele atrófica, que é acompanhada de textura lisa ou fina, certa translucidez que permite ver a rede venosa superficial, comum nos idosos e em algumas dermatoses; Pele hipertrófica ou espessa‚ vista em indivíduos expostos ao sol, que apresentam elastose decorrente da desorganização e aumento das fibras elásticas de sustentação.

A esclerodermia é uma doença imune-mediada do tecido conjuntivo, na qual o espessamento cutâneo é uma alteração relevante da doença.

TEMPERATURA

A temperatura da pele e a corporal nem sempre são equivalentes. Para avaliar a temperatura da pele, utiliza-se a face dorsal das mãos ou dos dedos, comparando-se com o lado homologo de cada segmento examinado.

A temperatura da pele é variável, e de acordo com a região anatômica a ser pesquisada. Um aumento da temperatura em nível articular pode indicar um processo inflamatório subjacente.

ELASTICIDADE

Elasticidade é capacidade da pele de se estender quando tracionada; e a mobilidade é a sua capacidade de se movimentar sobre planos profundos subjacentes. Por meio semiotécnico simples, se faz o pinçamento uma prega cutânea com o polegar e o indicador, e em seguida, uma certa tração.

As seguintes condições podem ser observadas: Elasticidade normal; Elasticidade aumentada como ocorre, por exemplo, na síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença que afeta as fibras elásticas da pele e de outros órgãos; Elasticidade diminuída ocorre na esclerodermia.

MOBILIDADE

A sua avaliação pode ser realizada por meio da palma da mão, que deve se posicionar sobre a superfície que se quer examinar. A movimentação para todos os lados revela a capacidade da pele em deslizar sobre as estruturas profundas (ossos, articulações e músculos).

As seguintes condições podem ser observadas: Mobilidade normal; Mobilidade diminuída ou ausente ocorre na esclerodermia, elefantíase, infiltrações neoplásicas próximas a pele; Mobilidade aumentada se faz presente na síndrome de Ehlers-Danlos

TURGOR

É facilmente avaliado por meio do pinçamento com o polegar e o indicador, neste caso, a pele e o tecido subcutâneo devem ser englobados. É dito normal, quando o examinador aprecia uma sensação de pele “suculenta”, ou seja, que, ao ser solta, a prega se desfaz rapidamente.

Isto indica que o conteúdo de água está normal e, portanto, a pele está hidratada. Já a sua diminuição é traduzida por uma prega que se desfaz lentamente, podendo indicar desidratação ou desnutrição.

SENSIBILIDADE

É uma etapa comum no exame dermatológico e neurológico. As alterações representam distúrbios neurológicos observados como complicações da hanseníase e do diabetes.  É avaliada nos padrões de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa.

  • Sensibilidade tátil pode ser investigada com um chumaço de algodão, ou mais minuciosamente com estesiometro, filamentos de nylon de diversas espessuras, em áreas suspeitas do corpo e pontos específicos das regiões palmo-plantares.
  • Sensibilidade térmica pode ser avaliada com dois tubos de ensaios, um com água quente e, outro, com água fria.
  • Sensibilidade dolorosa pode ser avaliada por meio de uma agulha estéril, em regiões do corpo que compreenda, no mínimo, áreas suspeitas e extremidades. A sua diminuição (hipoalgesia/anestesia) ou aumento (hiperalgesia) podem ocorrer em diversas condições patológicas.

Referências:

  1. SEIDEL H.M; BALL J.W; BENEDICT G.W. Mosby Guia de Exame Físico. 6. ed. Rio de Janeiro, 2007.
  2. SOUZA, B.F. Manual de Propedêutica Médica. 2. ed. Rio de Janeiro. São Paulo: Livraria Atheneu, 1985.
  3. SWARTZ M.H. Tratado de Semiologia Médica. 5. ed. Rio de janeiro. Elsevier, 2006.
  4. ARGENTE, A.H. ALVAREZ, E.M. Semiologia Médica. 3ª ed. Panamericana, 2021.
  5. LE BLOND, F.R. et al. De Gowin’s. Diagnostic Examination. 10th ed. McGraw Hill, 2015.
  6. DENNIS, M. et al. Mechanisms of Clinical Signs. Elsevier, 2012.
  7. DOUGLAS, G. NICOL and F. ROBERTSON, C. Macleod’s Clinical Examination. 12 ed. Elsevier, 2011.
  8. FORTIN, A.H et al. Patient-Centered Interviewing – An Evidence-Based Method. 3th ed. McGraw Hill, 2012.

Hiperidrose

A hiperidrose é uma condição caracterizada pela transpiração anormalmente aumentada, além do exigido para a regulação da temperatura corporal.

A hiperidrose pode ter consequências fisiológicas, tais como mãos frias e úmidas, desidratação e de infecções de pele secundárias até a maceração da pele. A doença pode também ter efeitos emocionais devastadores sobre a vida do indivíduo.

Sinais e Sintomas

A hiperidrose pode ser generalizada ou localizada a partes específicas do corpo. Mãos, pés, axilas e virilha estão entre as regiões mais ativas da transpiração, devido à concentração relativamente elevada de glândulas sudoríparas, no entanto, qualquer parte do corpo pode ser afetada.

A hiperidrose pode ser classificada dependendo se é uma característica congênita ou adquirida. A hiperidrose primária geralmente se inicia na adolescência ou mesmo antes e parece ser herdada através traço genético autossômico dominante.

A hiperidrose primária deve ser distinguida da hiperidrose secundária, que pode começar em qualquer momento da vida. Esta última forma pode ser devido a um distúrbio da glândula tireóide ou da hipófise, diabetes mellitus, tumores, gota, menopausa, certos medicamentos, ou envenenamento por mercúrio.

Classificação

A hiperidrose pode ser também dividida em hiperidrose palmo-plantar (sudorese sintomática principalmente nas mãos ou pés), gustativa ou generalizada.

Alternativamente, a hiperidrose pode ser classificada de acordo com a quantidade de pele que é afetada e suas possíveis causas.

Nesta abordagem, a sudorese excessiva em uma área que é superior a 100 cm² (até a sudorese generalizada de todo o corpo) diferencia-se da transpiração, que afeta apenas uma pequena área.

Tratamento

Medicamentos

O cloreto de alumínio é usado em vários antitranspirantes. No entanto, as pessoas que sofrem de hiperidrose precisam de soluções com uma concentração muito maior para tratar eficazmente os sintomas da doença. Estas soluções antitranspirantes são especialmente eficazes para o tratamento da hiperidrose axilar.

Normalmente, os resultados levam cerca de 3 a 5 dias para serem notados. O principal efeito secundário é que a substância pode causar irritação da pele. Para os casos graves de hiperidrose palmar e plantar há algum sucesso usando medidas conservadoras como antiperspirantes de cloreto de alumínio.

Injeções de toxina botulínica tipo A, passando pela marca de Botox ou Dysport, são usadas para desativar as glândulas sudoríparas. Os efeitos podem durar de 4 a 9 meses, dependendo do local das injeções. Este procedimento é utilizado para a transpiração nas axilas e foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos.

Várias drogas anticolinérgicas reduzem a hiperidrose. A oxibutinina (marca Ditropan) é aquela que tem se mostrado a mais promissora. Embora tenha importantes efeitos colaterais, que incluem sonolência, sintomas visuais e secura na boca e outras membranas mucosas.

Outra versão dessa droga também está disponível (Ditropan XL), com eficácia supostamente reduzida. Glicopirrolato (Robinul) é uma outra droga usada. A droga parece ser quase tão eficaz quanto a oxibutinina e tem efeitos colaterais similares. Outros agentes anticolinérgicos que têm sido testados incluem o brometo de propantelina (Probanthine) e benzotropina (Cogentin).

Antidepressivos e ansiolíticos eram utilizados na crença de que a hiperidrose primária estava relacionada a um estilo de personalidade ansiosa.

Procedimentos cirúrgicos

A remoção ou destruição da glândula sudorípara é uma das opções cirúrgicas disponíveis para a hiperidrose axilar. Existem vários métodos cirúrgicos para esse procedimento, como a aspiração de glândulas, a lipoaspiração axilar, a ablação por laser, etc.

A sucção da glândula sudorípara é uma técnica adaptada de lipoaspiração,na qual aproximadamente 30% das glândulas sudoríparas são removidas, com uma redução proporcional no suor.

Outra principal opção cirúrgica é a simpatectomia torácica endoscópica (STE), que faz cortes, queimaduras, ou implanta grampos no gânglio torácico do sistema nervoso simpático, que funciona ao lado da coluna vertebral. A aplicação de grampos se destina a permitir a reversão do procedimento.

A STE é geralmente considerada um “procedimento seguro, reprodutível e eficaz e mais pacientes estão satisfeitos com os resultados da cirurgia”. Taxas de satisfação acima de 80% têm sido relatadas, sendo maior para as crianças.

O procedimento reduz o suor excessivo das mãos em cerca de 85-95% dos pacientes. A STE também pode ser útil no tratamento da hiperidrose axilar, do rubor facial e da sudorese facial; entretanto, pacientes com rubor facial e/ou transpiração facial excessiva têm taxas mais elevadas de insucesso e os pacientes podem ser mais propensos a sofrer efeitos colaterais indesejados, embora isso não tenha sido estabelecido em um ensaio clínico controlado ou em um estudo independente.

A simpatectomia lombar é um procedimento relativamente novo, voltado para aqueles pacientes em que a simpatectomia torácica endoscópica (STE) não aliviou a sudorese plantar excessiva.

Com este procedimento, a cadeia simpática na região lombar é cortada ou dividida, a fim de aliviar o excesso de transpiração intensa no pé. A taxa de sucesso é de cerca de 90% e a operação deve ser realizada somente se os pacientes já tentaram outras medidas conservadoras.

Este tipo de simpatectomia também é controversa, pois os pacientes submetidos ao procedimento muitas vezes acabam com hipotensão (um sinal de disfunção autonômica) e, nos homens, foi relatado ejaculação retrógrada (infertilidade) e a incapacidade de manter a ereção.

Entretanto, as informações disponíveis mais recentes mostraram que os problemas de ejaculação retrógrada, incapacidade de manter a ereção e hipertensão não são validados. Em um artigo 2007 nenhum paciente apresentou disfunção sexual.

A simpatectomia percutânea é um procedimento minimamente invasivo onde o nervo é bloqueado por uma injeção de fenol. O procedimento permite um alívio temporário na maioria dos casos. Alguns médicos defendem o uso deste procedimento mais conservador antes da simpatectomia cirúrgica definitiva.

Referências:

  1.  Roberto de Menezes Lyra. (Julho–Agosto 2013). «Escala visual para a quantificação da hiper-hidrose.». J Bras Pneumol. 39 (4): 521–2. PMID 19099105doi:10.1590/S1806-37132013000400018
  2.  Carlos Alberto Almeida de AraújoI; Ítalo Medeiros Azevedo; Maria Angela Fernandes Ferreira; Hylas Paiva da Costa Ferreira; Jorge Lúcio Costa de Medeiros Dantas; Aldo Cunha Medeiros (Março de 2009). Jornal Brasileiro de Pneumologia, ed. «Hiperhidrose compensatória após simpatectomia toracoscópica: características, prevalência e influência na satisfação do paciente».
  3. Roberto de Menezes Lyra, Lyra Rde M, Campos JR, Kang DW, Loureiro Mde P, Furian MB, Costa MG, Coelho Mde S; Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica. (Nov 2008). «Guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of compensatory hyperhidrosis.». J Bras Pneumol. 34 (11): 967-77. PMID 19099105.

Dermatomiosite

Segundo a National Organization for Rare Disorders, dermatomiosite é um tipo de miopatia inflamatória caracterizada por alterações inflamatórias e degenerativas dos músculos e da pele. Os sintomas associados e os achados físicos podem variar muito de caso para caso, pois os pacientes podem apresentar-se de forma diferente.

As miopatias inflamatórias são um grupo de doenças que envolvem inflamação muscular crônica e fraqueza. Acredita-se que sejam doenças autoimunes, o que significa que as defesas naturais do corpo (anticorpos, linfócitos, etc.) contra organismos invasores de repente começam a atacar tecidos perfeitamente saudáveis por razões desconhecidas, levando a inflamação ou inchaço.

Causas

Conforme a The Muscular Dystrophy Association, a causa da dermatomiosite ainda é desconhecida. No entanto, fatores genéticos, imunológicos, infecciosos e ambientais foram considerados.

Anormalidades imunológicas são comuns em pacientes com dermatomiosite. Pacientes frequentemente têm autoanticorpos circulando. A atividade anormal de células T pode estar envolvida na origem da doença da pele e da doença muscular. Além disso, os familiares podem manifestar outras doenças associadas à autoimunidade.

Agentes infecciosos também têm sido sugeridos como possíveis gatilhos de dermatomiosite:

  • Vírus (por exemplo: parvovírus, ecovírus, vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 [HTLV-1], HIV)
  • Espécies de toxoplasma
  • Espécies de Borrelia

Casos de dermatomiosite induzida por drogas já foram relatados. Os agentes que podem desencadear a doença incluem:

  • Estatinas
  • Penicilamina
  • Drogas do fator de necrose anti-tumor
  • Interferon
  • Ciclofosfamida
  • Vacina BCG
  • Quinidina

Sinais e Sintomas

O envolvimento cutâneo pode se manifestar da seguinte forma:

  • Erupção predominantemente em superfícies foto-expostas;
  • Prurido de lesões cutâneas, às vezes intensas o suficiente para perturbar o sono;
  • Eritema (rubor da pele ocasionado pela vasodilatação) no meio da face;
  • Erupção ao longo das margens das pálpebras, com ou sem edema;
  • Erupção no dorso das mãos, particularmente sobre os dedos;
  • Alterações na pele entre as unhas e dedos;
  • Erupção na parte externa das coxas superiores;
  • Couro cabeludo escamoso ou queda de cabelo.

O componente cutâneo da dermatomiosite é exacerbado pela luz solar e outras fontes de luz ultravioleta, o que também pode exacerbar o componente muscular.

A doença muscular pode ocorrer simultaneamente, pode preceder a doença da pele, ou pode seguir a doença da pele por semanas a anos. O envolvimento muscular se manifesta como o seguinte:

  • Fraqueza muscular nos músculos que se encontram mais próximo do tronco
  • Fadiga/fraqueza muscular ao subir escadas, andar, subir de uma posição sentada, pentear o cabelo ou pegar itens acima dos ombros
  • Tensão muscular: Pode ocorrer, mas não é uma característica típica de dermatomiosite.

As manifestações sistêmicas que podem ocorrer incluem as seguintes:

  • Distúrbios sistêmicos gerais (febre, dor nas articulações, mal-estar, perda de peso)
  • Disfagia devido ao envolvimento do músculo esquelético esofágico
  • Refluxo gastresofágico devido ao envolvimento muscular liso do esôfago
  • Disfonia
  • Defeitos atrioventriculares, taquiarritmias, cardiomiopatias dilatadas
  • Úlceras gastrointestinais e infecções, mais comuns em crianças
  • Envolvimento pulmonar devido à fraqueza dos músculos torácicos
  • Calcinose (deposição de sais de cálcio embaixo da pele, músculos, tendões ou tecido gorduroso)
  • As crianças na primeira infância também podem desenvolver uma marcha na ponta dos pés secundária à contratura de flexão dos tornozelos.

Como é diagosticado?

O diagnóstico para dermatomiosite pode incluir exames laboratoriais e por imagem (por exemplo, ressonância magnética, radiografia torácica, ultrassonografia, eletromiografia, tomografia computadorizada), bem como biópsia muscular e de pele e outros testes conforme apropriado.

A eletromiografia (EMG) é um meio de detectar inflamação e dano muscular, sendo útil na seleção de um local de biópsia muscular.

A tomografia do tórax, abdômen e pélvis é útil na avaliação de possíveis malignidades que podem estar associadas à dermatomiosite.

Em pacientes adultos com dermatomiosite, a avaliação da malignidade deve ser realizada após o diagnóstico inicial e repetida pelo menos anualmente por 3 anos. O risco de malignidade aumenta com a idade.

Como é tratado?

O componente muscular é tratado administrando corticosteroides, tipicamente com um agente imunossupressor. A doença da pele é tratada evitando a exposição solar usando protetores solares e roupas fotoprotetoras, bem como com corticosteroides tópicos, agentes antimaláricos e medicamentos imunomodulatórios como metotrexato.

O cuidado cirúrgico geralmente é desnecessário. Alguns pacientes podem se beneficiar da remoção cirúrgica de áreas focais de calcinose, particularmente quando doloroso. A internação é necessária para pacientes com dermatomiosite fulminante, com envolvimento muscular e/ou dos órgãos internos.

Para casos refratários, o uso de globulina imune intravenosa de alta dose mensal (IVIG) por 6 meses tem se mostrado benéfico a curto prazo.

Alguns Cuidados

O repouso na cama pode ser valioso para aqueles com inflamação grave dos músculos.

Em pacientes com fraqueza muscular, um programa de fisioterapia é útil para ajudar a prevenir as contraturas que podem complicar a doença quando os pacientes não movem totalmente suas articulações. A prática também é recomendada, a fim de manter a força muscular, mesmo durante o curso da doença muscular ativa.

Uma dieta equilibrada é importante para pessoas com dermatomiosite. Pacientes com inflamação muscular grave podem precisar de proteína extra para equilibrar sua perda.

Para pacientes com disfagia e/ou refluxo gastroesofágico, a elevação da cabeça de sua cama e evitar comer antes de dormir são úteis. Essas manobras simples podem evitar pneumonia por aspiração. Em alguns casos, a alimentação por sonda nasogástrica é necessária para aumentar o insumo calórico.

Referência:

  1. BMJ Best Pratice

Classificação de Feridas

As feridas podem ser classificadas de várias maneiras: pelo tipo do agente causal, de acordo com o grau de contaminação, pelo tempo de traumatismo, pela profundidade das lesões, sendo que as duas primeiras são as mais utilizadas.

Quanto ao agente causal

Incisas ou cortantes

São provocadas por agentes cortantes, como faca, bisturi, lâminas, etc.; suas características são o predomínio do comprimento sobre a profundidade, bordas regulares e nítidas, geralmente retilíneas. Na ferida incisa o corte geralmente possui profundidade igual de um extremo à outro da lesão, sendo que na ferida cortante, a parte mediana é mais profunda.

Corto-contusa

O agente não tem corte tão acentuado, sendo que a força do traumatismo é que causa a penetração do instrumento, tendo como exemplo o machado.

Perfurante

São ocasionadas por agentes longos e pontiagudos como prego, alfinete. Pode ser transfixante quando atravessa um órgão, estando sua gravidade na importância deste órgão.

Pérfuro-contusas

São as ocasionadas por arma de fogo, podendo existir dois orifícios, o de entrada e o de saída.

Lácero-contusas

Os mecanismos mais frequentes são a compressão: a pele é esmagada de encontro ao plano subjacente, ou por tração: por rasgo ou arrancamento tecidual. As bordas são irregulares, com mais de um ângulo; constituem exemplo clássico as mordidas de cão.

Perfuro-incisas

Provocadas por instrumentos pérfuro-cortantes que possuem gume e ponta, por exemplo, um punhal. Deve-se sempre lembrar, que externamente, poderemos ter uma pequena marca na pele, porém profundamente podemos ter comprometimento de órgãos importantes como na figura abaixo na qual pode ser vista lesão no músculo cardíaco.

Escoriações

A lesão surge tangencialmente à superfície cutânea, com arrancamento da pele.

Equimoses e hematomas

Na equimose há rompimento dos capilares, porém sem perda da continuidade da pele, sendo que no hematoma, o sangue extravasado forma uma cavidade.

Quanto ao grau de contaminação

Esta classificação tem importância, pois orienta o tratamento antibiótico e também nos fornece o risco de desenvolvimento de infecção.

  1. Limpas – são as produzidas em ambiente cirúrgico, sendo que não foram abertos sistemas como o digestório, respiratório e genito-urinário. A probabilidade da infecção da ferida é baixa, em torno de 1 a 5%.
  2. Limpas-contaminadas – também são conhecidas como potencialmente contaminadas; nelas há contaminação grosseira, por exemplo, nas ocasionadas por faca de cozinha, ou nas situações cirúrgicas em que houve abertura dos sistemas contaminados descritos O risco de infecção é de 3 a 11%.
  3. Contaminadas – há reação inflamatória; são as que tiveram contato com material como terra, fezes, etc. Também são consideradas contaminadas aquelas em que já se passou seis horas após o ato que resultou na ferida. O risco de infecção da ferida já atinge 10 a 17%.
  4. Infectadas – apresentam sinais nítidos de infecção.

Referências:

  1. DEALEY, C. Cuidando de Feridas-Um guia para as enfermeiras. São Paulo: Atheneu, 2001.
  2. DUARTE, Y.A. O; DIOGO, M. J. D. Atendimento Domiciliar: Um Enfoque Gerontológico. 1.ed. São Paulo: Atheneu, 2000.
  3. JORGE, S. A. , DANTAS, S. R. P. E. Abordagem Multiprofissional do Tratamento de Feridas. São Paulo: Atheneu, 2003.
  4. Manual de Condutas para Úlceras Neutróficas e Traumáticas – Brasília, D. F. 2002. 

Enxerto de Pele

O enxerto cutâneo ou de pele é um procedimento cirúrgico realizado em situações onde ocorre a perda da pele, seja em sua camada superficial (epiderme) ou intermediária (derme).

Esse processo é caracterizado pela remoção de uma porção de tecido de uma área saudável do corpo, realocando-a sobre a parte lesionada. Indicada para casos em que o ferimento não tem perspectiva de melhora apenas com curativos, essa medida reduz a área exposta, diminui a probabilidade de contaminação e desidratação da área afetada e acelera o processo de cicatrização.

Os motivos mais comuns que levam o paciente a necessitar desse procedimento são acidentes, feridas cirúrgicas, ulcerações vasculares, retirada de tumores de pele e queimaduras profundas.

Tipos de Enxerto

  • Enxerto de pele total: caracteriza-se pela presença da epiderme e a total espessura da derme.
  • Enxerto de pele parcial: caracteriza-se pela preservação da derme na área doadora, possibilitando assim a reepitelização da mesma, por meio das células epiteliais procedentes dos sistemas pilossebáceos e das glândulas sudoríparas remanescente na área doadora.
  • Enxertos compostos: consistem em uma porção intacta contendo toda epiderme e a derme, com um componente adicional de gordura ou cartilagem. Ex: enxerto condrocutâneo (pele conectada a uma das faces da cartilagem), enxerto condrobicutâneo (pele conectada a ambas a face da cartilagem), enxerto dermogorduroso (derme com tecido gorduroso).
  • Autoenxerto: quando o doador e o receptor são o mesmo indivíduo.
  • Homoenxerto ou aloenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos diferentes, porém da mesma espécie. Ex: curativo biológico (utilizado de forma temporária).
  • Isoenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos diferentes, porém, geneticamente idênticos. Ex: gêmeos univitelinos.
  • Xenoenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos de espécies diferentes. Ex: curativo biológico (pele de porco utilizada em seres humanos).

Para cuidados de Enfermagem relacionado a pós procedimento de enxertia, clique neste link para acessar o POP HU.USFC

Referências:

  1. CARVALHO, Ana Filipa Represas. ENXERTOS CUTÂNEOS – APLICAÇÕES EM CIRURGIA DERMATOLÓGICA . Trabalho final do 6ºano médico com vista à atribuição do grau de mestre, 2015. Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra.
  2. LOFÊGO JA et. al.. Enxertia de pele em oncologia cutânea. An Bras Dermatol. . Vol.5. 465-472, 2006
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DERMATOLÓGICA. Enxertos e retalhos. Disponível em: https://www.sbcd.org.br/procedimentos/cirurgicos/enxertos-e-retalhos/. Acesso em 30 Abr 2021

Onfalite

A Onfalite é uma infecção da pele e tecidos moles do umbigo e regiões circundantes. Se não for tratada, pode atingir uma maior área da parede abdominal e os tecidos mais profundos ou causar infeção disseminada.

A doença localizada caracteriza-se por drenagem purulenta ou com cheiro fétido através do coto umbilical, associada a edema, eritema e maior sensibilidade cutânea na região periumbilical.

No adulto, a onfalite aguda resulta da retenção de secreções por deficiente higiene, especialmente quando a depressão cupuliforme do umbigo é muito acentuada. Pode haver ainda a onfalite crônica granumatosa.

Diagnóstico

Patologia Clínica

Alterações no leucograma como aumento da contagem de leucócitos, neutrofilia ou neutropenia, relação neutrófilos imaturos/total superior a 0,2, e trombocitopenia assim como a elevação dos marcadores laboratoriais de inflamação (proteína C reactiva, procalcitonina e velocidade de sedimentação) são indicadores de infeção bacteriana sistémica (1,4).

O exame bacteriológico do exsudado do umbigo (coloração Gram e exame cultural) deve ser realizado sempre que possível antes de iniciada antibioterapia. Na suspeita de envolvimento sistémico, deve realizar-se hemocultura e punção lombar para cultura do líquido cefalo-raquidiano.

Imagiologia

Na suspeita de complicações abdominais pode estar indicada realização de radiografia do abdómen (presença de ar ectópico intra-abdominal), ecografia abdominal (espessamento da fáscia e músculos, necrose muscular ou presença de alterações anatómicas) e de tomografia computorizada do abdómen (melhor caracterização da extensão de envolvimento muscular/fascial).

Tratamento

Cirurgia

A cirurgia pode ser necessária no tratamento das complicações, nomeadamente da fasceíte necrosante.

Antibioterapia

No tratamento de recém-nascidos com onfalite não complicada está indicada a administração parentérica de antibióticos com sensibilidade para agentes Gram-positivo e Gram-negativo, sendo a combinação de uma penicilina anti-estafilococos e um aminoglicosídeo a mais utilizada no tratamento empírico.

Em comunidades com elevada prevalência de S. aureus meticilinorresistente, a vancomicina deve ser usada em vez da penicilina.

Na presença de complicações abdominais (como a fasceíte e a mionecrose) ou quando a resposta ao tratamento anterior se demonstra insuficiente, é aconselhável uma melhor cobertura dos microorganismos anaeróbios, sendo a associação de metronidazol e de clindamicina (em substituição da penicilina) uma adequada opção.

O tratamento deve ser ajustado de acordo com os estudos microbiológicos e com a sensibilidade dos microrganismos isolados. A terapêutica antibiótica deverá ter uma duração mínima de 10 dias, podendo nas situações não complicadas e nos lactentes maiores ser completada por via oral.

A melhoria clínica, com redução visível dos sinais inflamatórios, deve ser notada nas primeiras 12 a 24 horas depois do início dos antibióticos. A ausência de resposta à terapêutica pode significar progressão da doença, imunodeficiência ou presença de defeitos anatómicos como a persistência de úraco ou do canal onfalo-mesentérico.

Referências:

  1. Gomella T et al. Neonatology, Procedures, On-Call Problems, Diseases and Drugs. Lange, 6th edition.
  2. World Health Organization (http://www.who.int/en/), acessado em 06-04-2021
  3. Cochrane database (www.cochrane.org), acessado em 06-04-2021
  4.  Royal College of Paediatrics and Child Health. The Blue Book – Manual of Childhood Infections. Oxford University. 2011.

Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica: Emergência Dermatológica

A Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são reações adversas medicamentosas cutâneas graves, tais como a Pustulose Exantemática Aguda Generalizada e a Síndrome de Hipersensibilidade a fármacos, também conhecida como reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos (sigla inglesa: DRESS).

Estas reações pertencem ao grupo das toxidermias graves, tendo em comum mecanismos de hipersensibilidade retardada. E por serem consideradas emergências médicas, juntamente com algumas reações de hipersensibilidade imediata ou do tipo I (anafilaxia), podem tornar-se fatais.

Síndrome de Steven-Johnson SSJ

A síndrome de Stevens-Johnson é caracterizada por reações mucocutâneas potencialmente fatais que resultam de hipersensibilidade a fatores precipitantes variados, como infecções por vírus, fungos, bactérias, enfermidades do tecido conjuntivo, neoplasias malignas, vacinas e múltiplos medicamentos.

A mucosa oral, lábios e conjuntiva são as principais regiões acometidas. A síndrome de Stevens Johnson não apresenta etiologia conhecida, porém, provavelmente é oriunda de uma desordem imunológica, com o envolvimento de vasos superficiais, que resulta em um processo patológico.

Necrólise Epidérmica Tóxica (NET)

A Necrólise Epidérmica Tóxica (NET), também conhecida como Síndrome de Lyell, representa o extremo de gravidade do eritema multiforme major, quando o descolamento cutâneo ultrapassa 30% da superfície cutânea. Mais de 80% dos casos têm associação com drogas.

Classificação

Segundo a classificação proposta por Bastuji-Garin et al (1993) a SSJ e a NET representam espectros opostos da mesma doença, e são classificados de acordo com a extensão do destacamento epidérmico:

Na SSJ a percentagem de descolamento é inferior a 10% da superfície corporal, enquanto que na NET este parâmetro é superior a 30%. Quando há atingimento de 10 a 30% do tegumento cutâneo estamos perante uma sobreposição das duas situações.

Fisiopatologia

A SSJ foi primeiramente descrita em 1922, como uma síndrome mucocutânea aguda em dois jovens rapazes com conjuntivite purulenta severa, estomatite severa com extensa necrose da mucosa, e manchas purpúricas. A doença tornou-se conhecida como SSJ e foi caracterizada como uma doença severa mucocutânea com um curso clínico prolongado e potencialmente fatal em certos casos, sendo maioritariamente induzida por fármacos.

Em 1956, Alan Lyell descreveu a NET também conhecida como Síndrome de Lyell, em quatro doentes com uma erupção cutânea idêntica a “pele escaldada”. Mais tarde concluiu-se que a NET era induzida por fármacos como as sulfonamidas, pirazolonas, barbitúricos e antiepilépticos.

Até 1993 o eritema multiforme (EM) ou eritema polimorfo era considerado juntamente com a SSJ e NET como espectros da mesma doença.

Etiologia

Estima-se que a maioria dos casos de SSJ e NET se devam a uma reação de hipersensibilidade à administração de um fármaco (uma resposta idiossincrática, independente da dose utilizada).

Cerca de 90-95% dos casos de NET são induzidos por fármacos. A porcentagem de casos atribuíveis a fármacos no caso da SSJ é inferior, situando-se entre os 50 a 80%.

Globalmente os fármacos são identificados como agentes etiológicos em cerca de 75% dos casos de SSJ e NET, enquanto cerca de 25% dos casos não se relacionam com o uso de um fármaco. Várias infecções têm sido identificadas como o agente etiológico, outros casos permanecem como idiopáticos.

Dentre as infecções destacam-se, como mais frequentes, as infecções bacterianas por Mycoplasma pneumoniae (M. pneumoniae) e infecções virais por vírus herpes simples. Também o vírus da hepatite A, o vírus Epstein-Barr e o HIV podem estar implicados.

Como é diagnosticado?

O diagnóstico destas entidades é clínico, baseado numa anamnese exaustiva, com especial ênfase para o início recente de fármacos ou infecção prévia, e no exame físico. A confirmação do diagnóstico passa pela realização de biópsia cutânea que, classicamente mostra apoptose dos queratinócitos e necrose de toda a epiderme, que se encontra destacada da derme.

As recomendações para o diagnóstico de SSJ e NET incluem a:

  • Colheita de história clínica completa, dando especial atenção a exposição medicamentosa recente com o objetivo da identificação do fármaco causal potencial do quadro clínico;
  • Exame físico minucioso para avaliação do tipo de lesões cutâneas, determinação da área cutânea atingida e avaliação do envolvimento das mucosas;
  • Para confirmação do diagnóstico e exclusão de outra doença, realização de biópsia cutânea para estudo histopatológico;

Numa abordagem inicial, é necessário avaliação dos sinais vitais (Tensão Arterial, Frequência Cardíaca, Frequência Respiratória, Temperatura Corporal), realização de gasometria, hemograma com plaquetas, função renal e função hepática, ionograma, marcadores inflamatórios VHS e PCR, e eletroforese das proteínas plasmáticas.

O Tratamento

Tendo em conta que os fármacos constituem a principal causa destas patologias, a primeira medida a implementar será a suspensão do fármaco implicado, embora nem sempre seja fácil atribuir imputabilidade a um fármaco, nomeadamente em doentes polimedicados.

Assim, quando o fármaco responsável é desconhecido, todos os fármacos não essenciais à manutenção da vida do doente devem ser suspensos.

Os doentes com grandes áreas de pele erosionadas e atingimento das mucosas devem ser considerados grandes queimados e tratados em Unidades de Queimados ou Unidades de Cuidados Intensivos. A manutenção da temperatura corporal, a minimização das perdas de fluido transdérmicas e a prevenção da sobreinfecção secundária são primordiais e estes doentes devem ser cuidadosamente monitorizados nesse sentido.

O tratamento de suporte é semelhante ao realizado nos doentes submetidos a queimaduras extensas e inclui a manutenção da via aérea, a reposição de fluidos e eletrólitos, a minimização das queixas álgicas, a prevenção de infecção secundária com roupa e lençóis esterilizados e o controle da temperatura ambiental.

Os banhos devem ser curtos, usando água tépida e prescindindo do uso de agentes de limpeza. A alimentação deve ser realizada parentericamente apenas quando há lesões extensas e dolorosas da mucosa oral e esofágica que impeçam a nutrição por via oral, que deve ser retomada logo que possível.

A prevenção de úlcera de stress com inibidor da bomba de prótons é altamente recomendável assim como a prevenção primária de eventos trombóticos.

Referências:

  1. ABE, R. et al. Granulysin as a marker for early diagnosis of the Stevens-Johnson syndrome. Ann Intern Med., v. 151, n. 7, p. 514-515, 2009.
  2. ALFIREVIC, A. et al. HLA-B locus in caucasian patients with carbamazepinehypersensitivity. Pharmacogenomics., v. 7, n. 6, p. 813-818, Sep 2006.
  3. ALFIREVIC, A. et al: Serious carbamazepine-induced hypersensitivity reactions associated with the HSP70 gene cluster. Pharmacogenet Genomics., v. 16, n. 4, p. 287-296, Apr 2006.
  4. ANG, C.; TAY, Y. Hematological abnormalities and the use of granulocyte-colonystimulating factor in patients with Stevens – Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis.Pharmacology and therapeutics., v. 50, n. , p. 1570-1578, 2011.
  5. ANHALT, G. J. et al. Paraneoplastic pemphigus. An autoimune mucocutaneous disease associated with neoplasia. N Engl J Med., v. 323, n. , p. 1729-1735, 1990.
  6. ARDERN-JONES, M. R.; FRIEDMANN, P. S. Skin manifestations of drug allergy. British jornal of clinical pharmacology., v. 71, n. 5, p. 672-683, 2011 May.
  7. ARÉVALO, J. M. et al. Treatment of toxic epidermal necrolysis with cyclosporine A. J Trauma., v. 48, n. 3, p. 473-478, 2000.
  8. AUQUIER-DUNANT, A. et al. Correlations between clinical patterns and causes of erythema multiforme majus, Stevens-Johnson syndrome, and toxic epidermal necrolysis: results of an international prospective study. Arch Dermatol., v. 138, n. 8, p. 1019-1024, 2002.
  9. BALDWIN, B. T. et al. Case of fatal toxic epidermal necrolysis due to cardiac catheterization dye.J Drugs Dermatol., v. 9, n. 7, p. 837-840, 2010.
  10. BALL, R. et al. Stevens-Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis after vaccination: reports to the vaccine adverse event reporting system. Pediatr Infect Dis J., v. 20, n. 2, p. 219-
    223, 2001.

Calcinose Cutânea

Calcinose cutânea é uma doença incomum, de fisiopatologia incerta e, muitas vezes, incapacitante.

Caracteriza-se pela deposição de sais de cálcio na pele ou tecido subcutâneo.

É classificada em quatro subtipos: metastática, distrófica, idiopática e iatrogênica.

Pode ser vista em várias doenças sistêmicas como hiperparatireoidismo e hipervitaminose D, ocorrendo com maior frequência na dermatomiosite, esclerodermia e síndromes overlap, sendo uma complicação infrequente no lúpus eritematoso sistêmico.

Características

A calcinose cutânea pode ser focal ou disseminada, sintomática ou assintomática. As lesões consistem de pápulas e placas branco-amareladas ou da cor da pele, firmes ou endurecidas. A calcinose ocorre em algumas doenças reumatológicas, como esclerose sistêmica, dermatomiosite e lúpus.

A calcinose na esclerodermia ocorre mais frequentemente nas mãos ou perto de articulações, tais como os joelhos ou os cotovelos, embora possam aparecer em qualquer lugar do corpo. A calcinose pode variar de um depósito pequeno a grupos grandes.

Algumas outras condições podem também causar calcinose, tais como dermatomiosite, lúpusvitamina D, tumores e infecções parasitárias. Um excesso de cálcio na dieta não é causa de calcinose.

O Tratamento

O tratamento da calcinose é um grave problema terapêutico. Embora diversos fármacos sejam utilizados para tratar a calcinose, nenhum deles apresenta resultados consistentes.

Não existem tratamentos definitivos para a eliminação da calcinose. Apenas existem medicamentos usados para reduzir a inflamação associada. A excisão cirúrgica pode ser indicada quando a calcinose é grande ou muito dolorosa.

Referência:

  1. CAROCHA, Ana Paula Gonçalves et al. Calcinose cútis distrófica universal associada a lúpus eritematoso sistêmico: um caso exuberante. An. Bras. Dermatol. [online]. 2010, vol.85, n.6 [cited  2021-02-22], pp.883-887. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962010000600016&lng=en&nrm=iso&gt;. ISSN 0365-0596.  https://doi.org/10.1590/S0365-05962010000600016

Flegmão: O que é isso?

Fleimão ou flegmão, é uma inflamação difusa do tecido celular, sem tendência a um acúmulo circunscrito de pus e com tendência à necrose.

Podemos dizer que todos os abcessos passam inicialmente por um estágio flegmonoso de inchação difusa antes de haver a formação de uma coleção purulenta circunscrita.

Quando, em vez de limitar-se, a supuração, se infiltra progressivamente no tecido celular e se forma em focos de pus, produzindo-se necroses extensas do tecido afetado, dizemos que a inflamação tem um característico flegmonoso.

Compreende-se que entre este tipo difuso e o tipo circunscrito de uma supuração, há todas as possíveis transições.

Para que se produza uma supuração do tipo flegmonoso, é necessário :

  • Que a infecção tenha um caráter particularmente virulento, seja por uma maior virulência do germe, seja por uma diminuição da resistência orgânica. Este caso, que é o mais frequente, dá-se quando os tecidos sofrem, juntamente com a infecção o contato de um tóxico que diminui a sua vitalidade; é o que sucede com os chamados flegmão urinosos. O mesmo se observa como consequência de transtornos profundos do metabolismo (diabetes e enfermidades depauperantes);
  • Que a infecção afete regiões, ricas em cavidades e interstícios, cheios do tecido celular frouxo. E o que sucede com o períneo que tem os vários planos aponefróticos em ampla comunicação.

Referência:

  1. SIQUEIRA, A. de. Supurações. Revista de Medicina, [S. l.], v. 24, n. 80, p. 33-48, 1940. DOI: 10.11606/issn.1679-9836.v24i80p33-48. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/50645. Acesso em: 11 jan. 2021.