Desvendando o Hemograma: Um Guia Prático para o Estudante de Enfermagem

O hemograma completo é um dos exames laboratoriais mais solicitados na prática clínica. Seja em um atendimento de rotina, na emergência, durante uma internação hospitalar ou em uma unidade de terapia intensiva (UTI), esse exame fornece informações extremamente valiosas sobre o estado de saúde do paciente.

Apesar de parecer complexo à primeira vista, interpretar um hemograma não significa decorar dezenas de valores de referência. Na realidade, basta compreender a função de cada grupo de células do sangue e seguir uma sequência lógica de análise.

Para estudantes de enfermagem, essa organização facilita muito o aprendizado. Em vez de tentar memorizar tudo de uma vez, é possível interpretar o exame passo a passo, entendendo o que cada alteração pode indicar.

Aqui você aprenderá uma forma simples e didática de interpretar um hemograma completo, compreendendo o significado das hemácias, hemoglobina, hematócrito, índices hematimétricos, leucócitos, plaquetas e outras informações importantes que fazem parte desse exame.

O que é um hemograma completo?

O hemograma completo é um exame de sangue que avalia quantitativa e qualitativamente os principais elementos celulares do sangue.

Seu objetivo é identificar alterações relacionadas à produção das células sanguíneas, infecções, inflamações, alergias, distúrbios hematológicos, anemias, alterações da coagulação e diversas outras doenças.

Basicamente, o hemograma é dividido em três grandes partes:

  • Eritrograma (hemácias)
  • Leucograma (leucócitos)
  • Plaquetas

Se você aprender essas três etapas, conseguirá interpretar a maioria dos hemogramas.

Antes de começar: valores de referência podem variar

Uma das primeiras coisas que todo estudante deve saber é que os valores de referência não são exatamente iguais em todos os laboratórios.

Eles podem variar conforme:

  • idade;
  • sexo;
  • gravidez;
  • método utilizado pelo laboratório;
  • equipamentos empregados.

Por isso, sempre utilize os valores de referência fornecidos pelo laboratório responsável pelo exame. Mais importante do que decorar números é compreender o significado das alterações.

Primeira etapa: avaliando o eritrograma

O eritrograma avalia as células vermelhas do sangue. Essas células são responsáveis principalmente pelo transporte de oxigênio para todos os tecidos do organismo.

Os principais parâmetros são:

  • Hemácias (eritrócitos)
  • Hemoglobina (Hb)
  • Hematócrito (Ht)
  • VCM
  • HCM
  • CHCM
  • RDW

Hemácias (eritrócitos)

As hemácias são as células vermelhas do sangue. Sua principal função é transportar oxigênio por meio da hemoglobina.

Quando estão diminuídas, podem indicar:

  • anemia;
  • sangramento;
  • doenças da medula óssea;
  • deficiência nutricional.

Quando estão aumentadas:

  • desidratação;
  • tabagismo;
  • doenças pulmonares crônicas;
  • policitemia.

Hemoglobina (Hb)

A hemoglobina é a proteína presente dentro das hemácias responsável pelo transporte do oxigênio. Na prática clínica, é o principal parâmetro utilizado para avaliar anemia. Quanto menor a hemoglobina, maior tende a ser a gravidade da anemia.

Por outro lado, valores elevados podem ocorrer em situações como:

  • desidratação;
  • policitemia;
  • doenças pulmonares.

Hematócrito (Ht)

O hematócrito representa o percentual do sangue ocupado pelas hemácias. Uma maneira simples de entender: Imagine uma proveta contendo sangue.

Após centrifugação:

  • as hemácias ficam no fundo;
  • acima delas permanece o plasma.

O hematócrito corresponde justamente à proporção ocupada pelas hemácias, costuma acompanhar a hemoglobina.

Índices hematimétricos

Aqui está uma das partes que mais confundem os estudantes. Na verdade, basta lembrar que eles “descrevem” como são as hemácias.

VCM (Volume Corpuscular Médio)

Mostra o tamanho das hemácias. É utilizado principalmente para classificar as anemias. Quando está baixo: Hemácias pequenas (Anemia microcítica).

As principais causas são:

  • deficiência de ferro;
  • talassemias.

Quando está elevado: Hemácias grandes (Anemia macrocítica).

Pode ocorrer por:

  • deficiência de vitamina B12;
  • deficiência de ácido fólico;
  • alcoolismo;
  • doenças hepáticas.

Quando normal: Anemia normocítica.

Pode ocorrer em:

  • hemorragias;
  • doenças crônicas;
  • insuficiência renal.

HCM (Hemoglobina Corpuscular Média)

Indica a quantidade média de hemoglobina presente em cada hemácia. Quando reduzido: Hemácias mais “claras”. Chamamos isso de hipocromia. É muito comum na anemia ferropriva.

CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média)

Avalia a concentração de hemoglobina dentro das hemácias. Na prática, costuma acompanhar o HCM.

RDW

O RDW mede a variação do tamanho das hemácias. Quanto maior o RDW, maior é a diferença entre o tamanho das células. É um parâmetro muito útil para diferenciar alguns tipos de anemia.

Como identificar rapidamente uma anemia?

Existe uma sequência bastante simples.

Primeiro:

Observe a hemoglobina.

Está baixa?

Provavelmente há anemia.

Depois observe:

VCM.

  • baixo → anemia microcítica
  • normal → anemia normocítica
  • alto → anemia macrocítica

Depois avalie:

HCM e CHCM.

Assim é possível saber se existe hipocromia.

Por último:

Observe o RDW.

Ele ajuda a confirmar algumas causas.

Segunda etapa: avaliando o leucograma

Agora vamos analisar as células de defesa.

Os leucócitos são responsáveis pela resposta imunológica.

São divididos em:

  • neutrófilos;
  • linfócitos;
  • monócitos;
  • eosinófilos;
  • basófilos.

Leucócitos totais

É o número total de células de defesa.

Quando elevados: Leucocitose.

Pode indicar:

  • infecção;
  • inflamação;
  • uso de corticoides;
  • leucemias;
  • estresse fisiológico.

Quando diminuídos: Leucopenia.

Pode ocorrer em:

  • infecções virais;
  • quimioterapia;
  • doenças autoimunes;
  • alterações da medula óssea.

Neutrófilos

São as primeiras células que combatem bactérias. Sempre que você pensar em infecção bacteriana, lembre-se dos neutrófilos.

Quando aumentam:

  • infecção bacteriana;
  • inflamação aguda;
  • trauma;
  • pós-operatório.

Desvio à esquerda

Esse é um dos termos mais conhecidos do hemograma. O desvio à esquerda significa aumento das formas jovens dos neutrófilos, principalmente bastonetes. Na prática, indica que a medula óssea está produzindo neutrófilos rapidamente para combater uma infecção ou inflamação importante.

Quanto maior o desvio à esquerda, maior costuma ser a resposta inflamatória.

Linfócitos

São os principais responsáveis pela defesa contra vírus. Também participam da produção de anticorpos.

Quando aumentam:

  • infecções virais;
  • mononucleose;
  • algumas leucemias.

Quando diminuem:

  • uso de corticoides;
  • imunossupressão;
  • HIV;
  • quimioterapia.

Monócitos

Funcionam como “faxineiros” do organismo. Removem restos celulares e auxiliam na resposta inflamatória.

Podem aumentar em:

  • infecções crônicas;
  • tuberculose;
  • recuperação de infecções.

Eosinófilos

São facilmente lembrados por duas situações: Alergia e Parasitas.

Também podem aumentar em algumas doenças autoimunes.

Basófilos

São os leucócitos menos frequentes. Participam principalmente das reações alérgicas e da liberação de histamina.

Terceira etapa: avaliando as plaquetas

As plaquetas participam da coagulação sanguínea. Sua função é interromper sangramentos formando o tampão plaquetário.

Plaquetas baixas

Recebem o nome de trombocitopenia.

Podem ocorrer em:

  • dengue;
  • sepse;
  • leucemias;
  • quimioterapia;
  • doenças autoimunes;
  • cirrose.

Quanto menor a contagem, maior o risco de sangramento.

Plaquetas elevadas

Recebem o nome de trombocitose.

Podem ocorrer em:

  • inflamações;
  • deficiência de ferro;
  • pós-cirúrgico;
  • doenças mieloproliferativas.

Como interpretar um hemograma em apenas cinco passos?

Uma forma prática é seguir sempre a mesma ordem:

Primeiro: hemoglobina.

Existe anemia?

Segundo: VCM.

Qual o tipo da anemia?

Terceiro: leucócitos.

Existe infecção?

Quarto: diferencial dos leucócitos.

Quem aumentou?

Neutrófilos?

Linfócitos?

Eosinófilos?

Quinto: plaquetas.

Existe risco aumentado de sangramento ou trombose?

Seguindo essa sequência, a interpretação torna-se muito mais simples.

Exemplos práticos

Exemplo 1

  • Hemoglobina baixa.
  • VCM baixo.
  • HCM baixo.
  • Provável anemia ferropriva.

Exemplo 2

  • Leucócitos elevados.
  • Neutrófilos elevados.
  • Desvio à esquerda.
  • Provável infecção bacteriana.

Exemplo 3

  • Leucócitos normais.
  • Linfócitos elevados.
  • Provável infecção viral.

Exemplo 4

  • Plaquetas muito baixas.
  • Maior risco de sangramentos.
  • Necessidade de investigação imediata.

O hemograma sozinho fecha um diagnóstico?

Não. Esse é um dos erros mais comuns.

O hemograma fornece pistas importantes, mas sempre deve ser interpretado juntamente com:

  • história clínica;
  • exame físico;
  • sinais e sintomas;
  • outros exames laboratoriais;
  • exames de imagem, quando indicados.

Por exemplo, uma anemia pode ser causada por deficiência de ferro, vitamina B12, sangramento, insuficiência renal, doenças inflamatórias ou doenças da medula óssea. O hemograma sugere a direção da investigação, mas não determina sozinho a causa.

Cuidados de enfermagem relacionados ao hemograma

O profissional de enfermagem participa ativamente tanto da coleta quanto da interpretação clínica inicial dos resultados. Antes da coleta, confirme a identificação correta do paciente e do tubo de coleta, seguindo os protocolos de segurança. Oriente o paciente quanto ao exame, verificando se há necessidade de jejum ou outras recomendações específicas solicitadas pelo serviço.

Após a coleta, observe o local da punção para prevenir hematomas e registre qualquer intercorrência.

Ao receber o resultado, comunique prontamente à equipe médica valores críticos, como hemoglobina muito baixa, leucocitose ou leucopenia importantes e trombocitopenia grave. Esses achados podem indicar situações que exigem intervenção rápida.

Além disso, monitore sinais clínicos compatíveis com as alterações laboratoriais, como palidez, fadiga, dispneia, febre, sangramentos espontâneos, petéquias ou equimoses, correlacionando sempre o hemograma com o quadro clínico do paciente.

Curiosidades sobre o hemograma

O hemograma é um dos exames laboratoriais mais antigos e continua sendo um dos mais importantes da medicina. Os analisadores hematológicos modernos conseguem avaliar milhares de células por segundo, oferecendo resultados rápidos e precisos.

Em pacientes internados em UTI, o hemograma pode ser solicitado diariamente para acompanhar a evolução clínica. Uma pequena alteração isolada nem sempre indica doença. Por isso, os resultados devem ser interpretados por profissionais capacitados e sempre correlacionados com a avaliação clínica.

Interpretar um hemograma completo pode parecer difícil no início, mas torna-se muito mais simples quando seguimos uma sequência lógica. Primeiro analisamos o eritrograma para identificar possíveis anemias; depois o leucograma para avaliar infecções, inflamações e alterações do sistema imunológico; por fim, observamos as plaquetas para verificar o risco de sangramentos ou distúrbios da coagulação.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, dominar essa interpretação básica é um diferencial importante, pois permite compreender melhor o estado clínico do paciente, reconhecer alterações relevantes e contribuir para uma assistência mais segura e baseada em evidências.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Interpretação de Exames Laboratoriais. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL (SBPC/ML). Recomendações para exames laboratoriais. Barueri: SBPC/ML. Disponível em: https://www.sbpc.org.br
  5. FAILACE, Renato; FERNANDES, Flávio. Hemograma: Manual de Interpretação. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.
  6. HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em Hematologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
  7. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEMATOLOGIA, HEMOTERAPIA E TERAPIA CELULAR (ABHH). Conteúdos científicos em hematologia. Disponível em: https://abhh.org.br

Mielograma: Saiba tudo sobre este exame!

O mielograma, também conhecido como punção aspirativa da medula óssea, é um exame que permite analisar a medula óssea, o tecido responsável pela produção das células do sangue. Através dele, é possível identificar diversas doenças que afetam a medula óssea, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.

Quem coleta o material para o mielograma?

O mielograma é um procedimento médico realizado por um profissional de saúde especializado, geralmente um hematologista ou oncologista. A coleta é feita em um ambiente hospitalar ou em um centro de diagnóstico por imagem.

Como é feito o mielograma?

O procedimento consiste em uma pequena punção em um osso, geralmente o ilíaco (osso do quadril), o esterno ou a tíbia. O local da punção é anestesiado com um medicamento local, para garantir o conforto do paciente. Em seguida, o médico insere uma agulha especial para coletar uma pequena amostra da medula óssea. A coleta pode causar um leve desconforto durante e logo após o procedimento, mas a dor é geralmente tolerável.

Que tubo de amostra é utilizado?

O material coletado no mielograma é geralmente colocado em um tubo com anticoagulante (EDTA), que impede a coagulação do sangue e permite a análise das células da medula óssea. O tipo de tubo utilizado pode variar de acordo com os exames que serão realizados.

Para que exames o mielograma é indicado?

  • Diagnosticar: diversas doenças que afetam a medula óssea, como leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, anemia aplástica, síndromes mielodisplásicas e outras.
  • Acompanhar o tratamento: avaliar a resposta ao tratamento de doenças hematológicas e monitorar a recuperação da medula óssea após quimioterapia ou radioterapia.
  • Identificar a causa de: anemia, alterações nas plaquetas ou leucócitos, e outras alterações sanguíneas.

É importante ressaltar que o mielograma é um procedimento seguro e eficaz, mas como qualquer procedimento médico, apresenta alguns riscos, como:

  • Sangramento no local da punção
  • Infecção
  • Dor
  • Reações alérgicas ao anestésico

Referências:

  1. Lavoisier: https://lavoisier.com.br/saude/mielograma
  2. Grupo Oncoclínicas: https://grupooncoclinicas.com/servicos/mielograma-biopsia-de-medula-ossea

Tipos de Exames de Sangue

Os exames de sangue são ferramentas poderosas para avaliar a saúde geral de uma pessoa e diagnosticar diversas condições médicas. Ao analisar uma amostra de sangue, os profissionais de saúde podem medir níveis de substâncias como glicose, colesterol, hormônios e enzimas, além de identificar células sanguíneas anormais.

Exames de sangue para enzimas cardíacas são particularmente importantes na avaliação de problemas cardíacos. Quando o coração é danificado, como em um ataque cardíaco, ele libera enzimas específicas no sangue. A medição desses níveis pode ajudar a confirmar um diagnóstico e avaliar a extensão do dano.

A gasometria é outro exame de sangue que avalia a quantidade de oxigênio e dióxido de carbono no sangue, além do pH. Ela é fundamental para avaliar a função pulmonar e a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos.

Exames de Sangue Comuns e suas Funções

Tipo de Exame O que Mede Para que serve
Hemograma Completo Número e tipo de células sanguíneas (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) Avalia anemia, infecções, distúrbios de coagulação e outros problemas.
Perfil Bioquímico Níveis de glicose, proteínas, enzimas, eletrólitos e outros componentes Avalia função renal, hepática, cardíaca, e metabólica.
Perfil Lipídico Níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos Avalia o risco de doenças cardíacas.
Tipagem Sanguínea e Fator Rh Tipo sanguíneo (A, B, AB ou O) e presença do fator Rh Essencial para transfusões de sangue e durante a gravidez.
Teste de Função Tireoidiana Níveis de hormônios tireoidianos (T3, T4 e TSH) Avalia a função da tireoide.
Teste de Glicose em Jejum Nível de glicose no sangue após um período de jejum Diagnostica diabetes e monitora o controle glicêmico.
Teste de Tolerância à Glicose Nível de glicose no sangue após a ingestão de glicose Confirma o diagnóstico de diabetes e avalia a resistência à insulina.
Teste de Hemoglobina Glicada (A1c) Nível médio de glicose nas últimas 2-3 meses Monitora o controle glicêmico em pacientes com diabetes.

Exames de Sangue para o Coração

  • Enzimas Cardíacas: Troponina, CK-MB e LDH são as enzimas mais comumente medidas para avaliar danos ao músculo cardíaco.
  • Proteína C-reativa (PCR): Um marcador inflamatório que pode indicar a presença de doença arterial coronariana.
  • BNP (peptídeo natriurético cerebral): Um marcador de insuficiência cardíaca.

Gasometria Arterial

A gasometria arterial mede os seguintes parâmetros:

  • pH: Indica o equilíbrio ácido-base do sangue.
  • pO2: Pressão parcial de oxigênio no sangue arterial.
  • pCO2: Pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial.
  • Bicarbonato: Um íon importante no equilíbrio ácido-base.
  • Saturação de Oxigênio: Porcentagem de hemoglobina saturada com oxigênio.

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein

Coleta com seringa e agulha: Recomendações da SBPC/ML

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), reconhecendo a importância da coleta de sangue venoso para a qualidade dos exames laboratoriais, publicou um documento com recomendações abrangentes para essa prática.

Este documento, fruto da colaboração de especialistas renomados, apresenta diretrizes detalhadas para profissionais da saúde, visando padronizar e otimizar o processo de coleta, assegurando a integridade das amostras e a confiabilidade dos resultados.

Pontos Abordados

  • Deixar o álcool secar antes de iniciar a punção.
  • Evitar usar agulhas de menor calibre. Usar esse tipo de material somente quando a veia do paciente for fina ou em casos especiais.
  • Evitar colher o sangue de área com hematoma.
  • Tubos com volume de sangue insuficiente ou em excesso alteram a proporção correta de sangue/aditivo, levando à hemólise e a resultados incorretos.
  • Em coletas com seringa e agulha, verificar se a agulha está bem adaptada à seringa, para evitar a formação de espuma.
  • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força.
  • Ainda em coletas com seringa, descartar a agulha e passar o sangue deslizando-o cuidadosamente pela parede do tubo, cuidando para que não haja contaminação da extremidade da seringa com o anticoagulante ou com o ativador de coágulo contido no tubo.
  • Não executar o procedimento de espetar a agulha na tampa de borracha do tubo para a transferência do sangue da seringa para o tubo, pois poderá criar uma pressão positiva, o que provoca, além da hemólise, o deslocamento da rolha do tubo, levando à quebra da probe de equipamentos.
  • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes, de acordo com as instruções do fabricante, não chacoalhar o tubo.
  • Não deixar o sangue em contato direto com gelo, quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação.
  • Embalar e transportar o material de acordo com as determinações da Vigilância Sanitária local, das instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do conjunto diagnóstico a ser analisado.
  • Usar, de preferência, um tubo primário; evitar a transferência de um tubo para outro.

As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso são um instrumento valioso para todos os profissionais envolvidos na coleta e análise de amostras de sangue.

A SBPC/ML reforça seu compromisso em promover a excelência na Medicina Laboratorial, disponibilizando recursos e ferramentas que contribuem para a melhor qualidade dos serviços laboratoriais no Brasil.

Acesse o documento completo das Recomendações: https://controllab.com/wp-content/uploads/guia_coleta_sangue.pdf

Referência:

  1. SPBC/ML

Tubo de coleta: Azul

No mundo das análises clínicas, a coleta de sangue é um procedimento fundamental para o diagnóstico e acompanhamento de diversas condições de saúde. Entre os diversos materiais utilizados para essa finalidade, o tubo azul de coleta de exame desempenha um papel crucial.

O que é o Tubo Azul?

O tubo azul é um recipiente utilizado para a coleta de sangue, especificamente para exames de coagulação.

Este tubo é facilmente identificável pela cor da tampa e contém citrato de sódio, um anticoagulante que impede a coagulação do sangue durante o armazenamento e transporte da amostra.

Para quais exames é utilizado?

O citrato de sódio presente no tubo azul é essencial para preservar os fatores de coagulação do sangue, tornando-o ideal para exames que medem a capacidade de coagulação do paciente. Alguns dos exames mais comuns realizados com o sangue coletado em tubos azuis incluem:

  • Tempo de Protrombina (TP): Avalia a via extrínseca e comum da coagulação.
  • Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa): Mede a via intrínseca e comum da coagulação.
  • Fibrinogênio: Determina a concentração de fibrinogênio no sangue.

Esses testes são fundamentais para diagnosticar distúrbios hemorrágicos ou trombóticos, monitorar pacientes em terapia anticoagulante e preparar para procedimentos cirúrgicos que possam envolver riscos de sangramento.

Por que é importante seguir as instruções de uso?

A precisão dos resultados dos exames de coagulação depende diretamente da qualidade da amostra de sangue coletada.

O uso inadequado do tubo azul, como a mistura insuficiente com o anticoagulante ou a proporção errada de sangue para citrato, pode levar a resultados imprecisos e potencialmente perigosos.

Por isso, é crucial que os profissionais de saúde sigam rigorosamente as instruções de coleta e manuseio desses tubos.

O tubo azul de coleta de exame é um componente vital no diagnóstico laboratorial. Seu uso adequado garante a integridade das amostras de sangue e a precisão dos resultados dos testes de coagulação, contribuindo assim para um diagnóstico correto e o tratamento eficaz dos pacientes.

Referências:

  1. Educarhsaúde
  2. Diagnósticos do Brasil

Urocultura: Tempo de encaminhamento

Também chamada de urinocultura ou urocultura, a cultura de urina é uma maneira relativamente rápida (demanda cerca de 48 a 72 horas para o resultado final), eficiente, amplamente disponível e de baixo custo, utilizada para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento de infecções urinárias.

A urina é semeada em uma placa com um meio de cultura apropriado (ex.: Ágar CLED), utilizando uma alça calibrada. Essa placa então é incubada em uma estufa a 37oC por cerca de 24-48 horas, tempo geralmente suficiente para se observar um crescimento bacteriano significativo.

Em culturas positivas, procede-se à realização da identificação bacteriana e do teste de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA), de forma manual ou automatizada.

Entretanto, na urinocultura existe a possibilidade de que o crescimento bacteriano eventualmente detectado possa ser devido outros fatores, como a contaminação externa da amostra (geralmente devido a inadequações durante a coleta, transporte e/ou armazenamento), colonização da uretra e/ou colonização de forma assintomática da urina na bexiga.

Dessa maneira, faz-se necessário um controle rigoroso da fase pré-analítica do exame, atualmente a etapa mais crítica no que se refere aos erros laboratoriais, podendo corresponder a cerca de 46% a 84% das inadequações dos resultados.

Essa fase pré-analítica engloba desde uma solicitação médica pertinente, até dados como o uso prévio de antibióticos, internações recentes, instrução e preparo do paciente, forma de coleta, identificação da amostra, recipiente de coleta, acondicionamento e transporte do material, por exemplo.

Como mitigar a possibilidade de contaminação da amostra? 

A fim de evitar a contaminação da urina (jato médio) e o conseguinte crescimento polimicrobiano na cultura (definido como mais de 2 microorganismos com uma quantificação maior ou igual a 104 UFC/mL), melhorando a confiabilidade do resultado e diminuindo o índice de recoletas, algumas orientações gerais para a urocultura devem ser seguidas:

  • A coleta deve ocorrer em condições normais de hidratação, haja vista que a urocultura é um exame quantitativo, notadamente em relação às Unidades Formadoras de Colônias (UFC);
  • Deve-se utilizar um frasco estéril (com ou sem conservante), de boca larga e fundo chato, com tampa, e resistente a vazamentos (a coleta de urina em comadre ou urinol não é recomendada);
  • Coletar a primeira urina da manhã (mais concentrada), ou com um intervalo de, no mínimo, 2 horas entre a coleta e a última micção, para indivíduos com controle esfincteriano;
  • Identificar com nome, data e hora da coleta, na área externa do recipiente de coleta (não colocar essas informações na tampa);
  • Lavar as mãos, e realizar assepsia da região genital com água e sabão neutro, enxugando com o auxílio de gaze ou toalha limpa;
  • Iniciar a micção no vaso sanitário mantendo o prepúcio retraído ou os lábios afastados. Depois de desprezar a urina inicial, deve-se coletar o jato médio (meio) da urina, sem interromper o fluxo;
  • Após a coleta, fechar completamente o frasco, sem tocar na parte interna;
  • Volume mínimo de 1,0 mL (se somente a urocultura for solicitada). Para a cultura de micobactérias, recomenda-se a coleta de toda a micção, com um volume acima de 20 mL.
  • O tempo decorrido entre a coleta e a análise da amostra sem conservante é de no máximo 2 horas à temperatura ambiente, ou em até 24 horas sob refrigeração (4oC). Nas amostras coletadas com conservante (ex.: ácido bórico), o processamento da amostra pode se dar em até 24 horas após a coleta, à temperatura ambiente. 

Observações

  • Recomenda-se que o Laboratório Clínico forneça instruções orais e escritas, com desenhos ilustrativos, a fim de tornar a compreensão das orientações mais clara;
  • Em crianças menores, sem controle esfincteriano, o uso do saco coletor tem maior valor em descartar uma infecção, do que propriamente confirmá-la. Nesses casos, a sondagem vesical é mais pertinente, podendo ser realizada também a punção suprapúbica;
  • Em linhas gerais, o controle de cura após a terapia antimicrobiana, por meio da realização de uma nova urinocultura, deve ser realizado somente após 72 horas do término do tratamento.

Considerações finais

A positividade das urinoculturas, grau de crescimento microbiano, espécie(s) bacteriana(s) encontrada(s) e interpretação dos resultados dependem de vários fatores.

O tipo de coleta realizada (jato médio, saco coletor, sondagem vesical de alívio, sondagem de demora, punção suprapúbica), uso (ou não) de conservantes, controle esfincteriano, tempo entre a coleta e seu processamento, temperatura do transporte, perfil do paciente (sexo, idade, comorbidades), uso prévio de antimicrobianos, procedência (ambulatorial X hospitalar), sinais e sintomas apresentados, impactam diretamente no resultado final e interpretação clínica.

Utilizando os cuidados durante todo o processo pré-analítico, conseguimos diminuir a possibilidade de erros, garantindo o adequado preparo da amostra biológica e, por conseguinte, um resultado final fidedigno e clinicamente relevante.

Desse modo, apesar da urocultura ser um dos exames mais solicitados e rotineiros na prática clínica, sua correta apreciação exige uma abrangente e íntima correlação com os resultados de outros exames complementares, clínica do paciente, além da análise criteriosa dos diversos possíveis fatores interferentes.

Portanto, evita-se assim uma eventual e desnecessária utilização de antibióticos, a promoção de resistência bacteriana e o aumento dos gastos em saúde.

Referência:

  1. 27-EXA.PDF (ciencianews.com.br)

Tubo de Coleta: Vermelho

O tubo vermelho para coleta de sangue é um dos vários tubos coloridos usados na coleta de sangue, cada um com um propósito específico.

Ativador de Coágulo

O tubo vermelho é conhecido por conter um ativador de coágulo que acelera o processo de coagulação do sangue.

Isso resulta em uma amostra de soro de alta qualidade após a centrifugação, separando o soro das células do coágulo. Além disso, muitos desses tubos contêm um gel separador que ajuda a diferenciar ainda mais o soro das células do coágulo.

Exames Indicados

O tubo vermelho é indicado para uma variedade de exames, principalmente análises bioquímicas, sorológicas, imunológicas e para detecção de marcadores cardíacos e tumorais. Alguns exemplos de exames que utilizam o tubo vermelho incluem testes para colesterol, glicose, ureia e creatinina.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem na coleta de sangue com tubo vermelho são cruciais para garantir a segurança do paciente e a qualidade da amostra. Aqui estão algumas diretrizes importantes:

  1. Identificação Correta do Paciente: Verificar a identidade do paciente antes da coleta para evitar erros.
  2. Preparação Adequada: Organizar o material necessário, usar luvas e realizar a higiene das mãos antes e após a coleta.
  3. Técnica de Coleta: Seguir a técnica correta de coleta de sangue para minimizar o desconforto do paciente e reduzir o risco de hematomas.
  4. Armazenamento e Transporte: Etiquetar corretamente os tubos e armazená-los conforme as diretrizes para preservar a integridade da amostra.
  5. Pós-Coleta: Registrar o procedimento e o volume de sangue coletado no prontuário do paciente e instruir o paciente sobre cuidados após a coleta, como compressão do local da punção e evitar carregar peso no braço coletado por um período.

Essas práticas ajudam a evitar complicações e garantem que os resultados dos exames sejam confiáveis e precisos. É essencial que os profissionais de enfermagem estejam bem treinados e atualizados sobre as melhores práticas na coleta de sangue.

Referência:

  1. Labnetwork

Proteína C-reativa (PCR)

A proteína C reativa é uma substância produzida pelo fígado que costuma ter seus níveis aumentados quando o paciente está passando por condições como processos inflamatórios ou processos infecciosos. Ela também pode se elevar em casos de doenças reumáticas, traumatismos ou cânceres, ainda que o paciente não apresente sintomas.

É importante notar que este exame PCR não tem qualquer relação com o exame de RT-PCR, utilizado para testar a covid-19.

Para que serve o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa funciona como um indicador de processos inflamatórios ou infecciosos do organismo, mesmo que o paciente não apresente sintomas claros e bem definidos. Ele pode servir como uma ferramenta no auxílio do diagnóstico de condições como o lúpus, a apendicite, a doença inflamatória do intestino, a pancreatite ou mesmo as infecções bacterianas.

O exame de proteína C reativa pode ser feito também depois de cirurgias para determinar sepse e outras condições, além de ajudar a avaliar o risco de doenças cardiovasculares.

Geralmente, o exame de proteína C reativa é feito como teste inicial e, posteriormente, caso seus valores estejam elevados, o paciente pode ter exames complementares realizados para saber onde está localizada a inflamação e o processo infeccioso ou ainda o porquê de seus indicadores de proteína C reativa estarem elevados.

Como é feito o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa (PCR), em geral, não exige preparos prévios, como jejum. No entanto, o médico solicitante pode recomendar algum preparo especial, por isso é importante que essa e outras informações sejam confirmadas ao agendar o exame.

Os valores podem variar dependendo de qual laboratório foi feito o exame. Valores baixos do PCR podem ser observados em situações como de pessoas que tiveram grande perda de peso, prática de exercícios físicos, consumo de bebidas alcoólicas e uso de alguns medicamentos, sendo importante que o médico identifique a causa.

O exame de proteína C reativa (PCR) é um exame de sangue convencional, em que o técnico responsável coleta uma amostra de sangue venoso, geralmente do braço. A coleta é feita em segundos e depois o paciente é liberado.

Orientações

Preparo

Não há preparação para este exame. No entanto, se o sangue for coletado para outros exames, pode ser necessário jejuar. Portanto, pergunte ao médico qual orientação seguir. Também é importante informar ao médico se tomou medicamentos antes do exame, já que isso pode afetar o nível de PCR.

Como interpretar?

Antes dos valores e as possíveis causas, é importante sempre aliar a interpretação do valor com a correlação clínica do seu paciente. Dificilmente, decisões serão tomadas com base no valor isolado da PCR. Cuidado!

  • < 0,3 mg/dL: normal
  • 0,3 a 1 mg/dL: normal ou elevação pequena (pode ser visto em condições como obesidade, resfriado simples, sedentarismo, tabagismo, gestação);
  • 1 a 10 mg/dL: elevação moderada (inflamação sistêmica como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças auto-imunes, neoplasias, infarto agudo do miocárdio, pancreatite, bronquite);
  • > 10 mg/dL: elevação importante: infecções bacterianas agudas, infecções virais, vasculites sistêmicas, trauma);
  • > 50 mg/dL: elevação severa (infecção bacteriana aguda);

Fatores de confusão

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e estatinas: podem reduzir falsamente os níveis da PCR;
  • Doença ou trauma recente: podem elevar falsamente os níveis da PCR;
  • Mulheres e idosos têm níveis naturalmente mais elevados;
  • Obesidade, insônia, depressão, tabagismo e diabetes podem contribuir para elevações pequenas da PCR. Necessário sempre correlacionar os valores em indivíduos com tais comorbidades;

Como fica a interpretação da PCR na Covid-19?

ATENÇÃO: Uma importante dica para informar aos seus pacientes é esclarecer a nomenclatura dos exames. A proteína C reativa, também conhecida como PCR, é um exame laboratorial obtido a partir do sangue coletado. O RT-PCR (Reação de Transcriptase Reversa seguida de Reação em Cadeia da Polimerase) para Covid-19 (popularmente chamado de “PCR para Covid-19”) é um teste molecular para detecção de material genético do SARS-CoV-2, via swab nasal e nasofaríngeo.

A Covid-19 é uma doença pró-inflamatória. Logo, marcadores inflamatórios são interessantes nesse tipo de doença. A proteína C reativa (PCR) tem sido bastante utilizada e traz informações interessantes na Covid-19.

  • Durante a fase inflamatória da doença, é possível flagrar uma elevação progressiva e marcada da PCR, chegando a valores acima de 10 a 20 mg/dL;
  • A PCR elevada na Covid-19 nem sempre significa coinfecção bacteriana. Assim como a presença de febre na fase inicial não indica a necessidade de cobertura antibiótica;
    • Leve em conta o tempo de duração da doença (dificilmente ocorrerá coinfecção bacteriana nos primeiros 7 dias de doença viral);
    • Utilize biomarcadores como procalcitonina para guiar a melhor decisão sobre o início de antibióticos. Quando acima de 0,2 ng/mL, sugere-se coinfecção. Cuidado na avaliação em pacientes com disfunção renal (valores estarão falsamente elevados);
  • A Covid-19 é uma doença viral. Elevação da PCR e febre elevada em um primeiro momento são esperados, repercutindo o quadro inflamatório agudo. O uso de antibióticos precisa ser considerado com cautela. Nunca use o valor isolado da PCR para o início de ATBs.

Referências:

  1. Nehring SM, Goyal A, Bansal P, et al. C Reactive Protein. [Updated 2021 May 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441843/
  2. ​​Stone et al. Efficacy of Tocilizumab in Patients Hospitalized with Covid-19. N Engl J Med. 2020 Dec 10;383(24):2333-2344. doi: 10.1056/NEJMoa2028836. Epub 2020 Oct 21. PMID: 33085857; PMCID: PMC7646626.
  3. Vanderschueren S, Deeren D, Knockaert DC, Bobbaers H, Bossuyt X, Peetermans W. Extremely elevated C-reactive protein. Eur J Intern Med. 2006 Oct;17(6):430-3. 
  4. RECOVERY Collaborative Group. Tocilizumab in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled, open-label, platform trial. Lancet. 2021;397(10285):1637-1645. doi:10.1016/S0140-6736(21)00676-0

Antígeno Prostático Específico (PSA)

O antígeno prostático específico (PSA) é um exame usado principalmente para rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos. É também um dos primeiros exames realizados em homens que apresentam sintomas que podem ser causados ​​pelo câncer de próstata.

Como funciona?

O PSA no sangue é medido em unidades de nanogramas por mililitro (ng/ml). A chance de um homem ter câncer de próstata aumenta à medida que o nível de seu PSA aumenta, mas não há um ponto de corte definido que possa ter certeza se ele tem (ou não) a doença.

Muitos médicos usam um ponto de corte para o PSA de 4 ng/ml ou superior para decidir se um homem pode precisar de mais exames, enquanto outros recomendam um nível mais baixo, a partir de 2,5 ou 3 ng/ml.

  • A maioria dos homens sem câncer de próstata tem níveis de PSA inferiores a 4 ng/ml de sangue. Ainda assim, um nível abaixo desse valor não é uma garantia de que um homem não tenha câncer.
  • Homens com níveis de PSA entre 4 ng/ml e 10 ng/ml, têm uma chance de 25% de ter a doença.
  • Se o PSA for superior a 10, a chance de ter câncer de próstata é superior a 50%.

Se o nível do PSA for alto, o homem precisará fazer outros exames para verificar a possibilidade de estar com câncer de próstata.

O PSA também pode ser útil após o diagnóstico do câncer de próstata:

  • Em homens diagnosticados com câncer de próstata, o PSA pode ser usado em conjunto com os achados do exame físico e do estadiamento da doença para decidir se são necessários outros exames, como tomografia computadorizada ou cintilografia óssea.
  • O PSA é parte do estadiamento e ajuda a determinar se a doença ainda está confinada à próstata. Se o nível do PSA é muito alto, a doença provavelmente está disseminada, o que ajudará na escolha das melhores opções terapêuticas para o paciente. .
  • O PSA também é uma parte importante do monitoramento do câncer de próstata durante e após o tratamento.

Referências:

  1. American Cancer Society

Flebotomia: Entenda o termo!

A flebotomia é uma incisão praticada na veia, com objetivos diversos.

A mais frequente utilização da flebotomia é destinada à inserção de um cateter em uma veia periférica, seja para a administração de fármacos em um paciente de difícil acesso venoso (dificuldade em puncionar veias), seja para a inserção de cateter até o coração, para monitorização da pressão venosa central em pacientes graves.

Atualmente, o termo flebotomia é mais associado à coleta de sangue para exames laboratoriais e para doação.

A flebotomia é um procedimento delicado e que deve ser realizado por um profissional devidamente treinado para esta função, como um enfermeiro, pois qualquer erro na coleta pode alterar o resultado dos exames.

Sua Indicação

A flebotomia é mais utilizada com a finalidade de diagnóstico, sendo o sangue coletado enviado para o laboratório para que sejam realizadas as análises com o objetivo de auxiliar o diagnóstico e acompanhamento do paciente.

A flebotomia corresponde à primeira etapa de diagnóstico, devendo ser realizada por um enfermeiro, ou outro profissional capacitado, para evitar alterações nos resultados.

Além de ser essencial para a realização de exames laboratoriais para diagnóstico e acompanhamento do paciente, a flebotomia pode ser realizada como opção de terapia, sendo então denominada sangria.

A sangria tem como objetivo solucionar os problemas relacionados ao número aumentado de hemácias, no caso da policitemia vera, ou grande acúmulo de ferro no sangue, que é o que acontece na hemocromatose.

Flebotomia na Transfusão Sanguínea

A flebotomia é uma parte também essencial no processo de doação de sangue, que tem como objetivo coletar cerca de 450 mL de sangue, que passa por uma série de processos até poder ser utilizado por uma pessoa que precisa, auxiliando no seu tratamento.

O Flebotomista

O profissional que coleta o sangue para qualquer finalidade médica é o Flebotomista. O Profissional não se restringe apenas ao hospital. Eles podem se deslocar de casa em casa coletando doações de sangue de pessoas ou amostras de sangue para vários propósitos, quando estes não conseguem se deslocar aos laboratórios por restrição de mobilidade.

Curso Profissionalizante

Existem cursos profissionalizantes à aqueles que querem se dedicar à coleta de sangue. A flebotomia é um procedimento delicado e que deve ser realizado por um profissional devidamente treinado para esta função, como um enfermeiro, pois qualquer erro na coleta pode alterar o resultado dos exames.

Como é feito uma Flebotomia?

A coleta de sangue da flebotomia pode ser feita em hospitais e laboratórios e o jejum depende do tipo de exame que foi solicitado pelo médico.

A coleta pode ser feita com seringa, em que é retirada uma quantidade total de sangue e depois distribuído nos tubos, ou a vácuo, que é mais comum, em que são coletados vários tubos de sangue seguindo uma ordem pré-estabelecida.

Depois, o profissional de saúde deverá seguir o seguinte passo-a-passo:

  1. Reunir todo o equipamento necessário para a coleta, como o tubo em que o sangue será armazenado, luvas, garrote, algodão ou gaze, álcool, agulha ou seringa.
  2. Conferir os dados do paciente e identificar os tubos em que será realizada a coleta;
  3. Posicionar o braço da pessoa sob uma folha de papel ou toalha limpa;
  4. Localizar uma veia com bom tamanho e que seja visível, reta e clara. É importante que a veia seja visível sem aplicar o garrote;
  5. Colocar o garrote 4 a 5 dedos acima do lugar em que será feita a coleta e reexaminar a veia;
  6. Calçar as luvas e desinfectar o local em que será colocada a agulha. A desinfecção deve ser feito com álcool a 70%, passando em movimento circular o algodão. Após a desinfecção, não se deve tocar a área ou passar o dedo por cima da veia. Caso isso aconteça, é necessária fazer nova desinfecção;
  7. Inserir a agulha no braço e coletar o sangue necessário para os frascos.

Por fim, a agulha deve ser retirada delicadamente e logo em seguida deve ser aplicada uma leve pressão sobre o sítio da coleta com uma gaze limpa ou algodão.

No caso da coleta realizada em bebês, o sangue normalmente é retirado através de uma picada no calcanhar ou, mais raramente, no lóbulo da orelha.

Veja Também:

Tubos de Coleta para Exames Laboratoriais

Qual a sequência de tubos para coleta de sangue?

Referências:

  1.  WHO guidelines on drawing blood: best practices in phlebotomy. 2010. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/44294/9789241599221_eng.pdf;jsessionid=E62BAC37A96F7D31F71A810BA53A56F2?sequence=1>.