Como Interpretar o NEWS2 na Enfermagem

Escore NEWS 2

O NEWS2 (National Early Warning Score 2) é um escore de alerta precoce utilizado para identificar pacientes adultos com sinais de deterioração clínica. Ele reúne seis parâmetros: frequência respiratória, saturação de oxigênio, pressão arterial sistólica, frequência cardíaca, nível de consciência e temperatura. O paciente recebe pontos conforme o grau de alteração de cada parâmetro, e a soma gera o NEWS2.

A lógica é simples: quanto mais alterações fisiológicas importantes aparecem simultaneamente, maior tende a ser o sinal de alerta. Por isso, repetir as avaliações também é essencial. Um paciente que passou de NEWS2 1 para 5 merece atenção diferente daquele que permanece estável em NEWS2 1.

Como calcular o NEWS2

A enfermagem coleta os seis parâmetros e consulta a escala padronizada para atribuir 0, 1, 2 ou 3 pontos a cada item.

Na frequência respiratória, por exemplo, 12 a 20 incursões/minuto recebe 0 ponto, enquanto valores de 9 a 11 ou 21 a 24 recebem 1 ou 2 pontos, respectivamente; frequência ≤8 ou ≥25 recebe 3 pontos.

Na saturação, a Escala 1 é utilizada para a maioria dos pacientes: SpO₂ ≥96% corresponde a 0 ponto, 94–95% a 1, 92–93% a 2 e ≤91% a 3. Existe também a Escala 2, destinada a pacientes com faixa-alvo de saturação de 88–92%, mas sua utilização depende de indicação clínica apropriada.

Para pressão arterial sistólica, 111–219 mmHg corresponde a 0 ponto, enquanto valores de 91–100 recebem 2 pontos e ≤90 recebem 3. Na frequência cardíaca, 51–90 bpm recebe 0 ponto; extremos como ≤40 ou ≥131 bpm recebem 3.

O nível de consciência merece atenção especial: novo estado de confusão já recebe 3 pontos. Temperaturas ≤35 °C também recebem 3 pontos, enquanto 38,1–39 °C recebem 1 e ≥39,1 °C recebem 2.

O detalhe que muda a interpretação

Uma pontuação 0 a 4 representa menor risco dentro do sistema, mas existe uma exceção importante: 3 pontos em um único parâmetro, chamado de red score, já exige resposta clínica mais rápida.

NEWS2 de 5 ou 6 é considerado um limiar de resposta urgente. Já 7 ou mais indica alto risco e necessidade de resposta urgente ou emergencial, conforme o protocolo local e a condição clínica do paciente.

Isso significa que não basta olhar somente para o número final. Um paciente com NEWS2 3 exclusivamente por alteração do nível de consciência não deve ser interpretado da mesma maneira que outro paciente cuja pontuação 3 resulta da soma de pequenas alterações.

Um exemplo que acontece na rotina

Imagine um paciente internado que estava com FR 18, SpO₂ 96%, PA 120/70, FC 84, temperatura 37,2 °C e alerta. O NEWS2 era 0. Algumas horas depois, apresenta FR 25, SpO₂ 93%, FC 108 e temperatura 38,2 °C. Mesmo sem uma alteração isolada extremamente chamativa, a soma dos parâmetros já produz um alerta muito diferente.

É justamente nesse momento que a anotação de enfermagem deixa de ser apenas registro. Comparar os sinais anteriores com os atuais permite demonstrar objetivamente que o paciente está mudando de padrão, favorecendo uma avaliação clínica mais rápida. O RCP destaca que a repetição das medidas e a observação das tendências aumentam o valor do NEWS na identificação da deterioração.

Em outra situação prática, pense em um paciente que mantém NEWS2 total relativamente baixo, mas apresenta novo episódio de confusão. Esse único parâmetro já pode receber 3 pontos. Não é adequado simplesmente somar os pontos e concluir que “o escore está baixo”; a alteração neurológica nova precisa ser comunicada e investigada conforme o protocolo institucional.

NEWS2 não substitui avaliação clínica

Esse é um dos pontos que mais confundem estudantes. O NEWS2 não diagnostica sepse, choque, insuficiência respiratória ou qualquer outra doença. Ele funciona como ferramenta de reconhecimento de deterioração e ajuda a determinar a urgência da resposta.

Também não é seguro ignorar um paciente porque o NEWS2 está baixo. Sintomas, diagnóstico, tendência dos sinais vitais, condição basal, comorbidades e avaliação clínica continuam fazendo parte da tomada de decisão. Os próprios materiais do RCP orientam que o escore seja utilizado junto à avaliação clínica e a outros instrumentos quando necessários.

Cuidados de enfermagem

Na prática, a enfermagem deve garantir que os parâmetros sejam medidos corretamente, registrados no horário adequado e comparados com avaliações anteriores. Também é fundamental conferir se o paciente está recebendo oxigênio, qual dispositivo está sendo utilizado e se a escala de SpO₂ empregada é a adequada.

Quando houver pontuação elevada, red score ou piora progressiva, a equipe deve seguir o protocolo de escalonamento da instituição, comunicar prontamente a alteração e registrar a avaliação e as condutas realizadas. Um NEWS2 de 5 ou mais, por exemplo, é considerado limiar de resposta urgente no modelo original; 7 ou mais corresponde a um limiar de resposta emergencial.

Para decorar

NEWS2 = Respiração + SpO₂ + PAS + Pulso + Consciência + Temperatura.

Depois de somar, não olhe apenas para o número: procure o parâmetro que mudou, compare com o valor anterior e observe a evolução do paciente. É aí que o NEWS2 realmente ganha valor na enfermagem.

Resumo para salvar

NEWS2: Aprenda a Interpretar na Enfermagem

  • NEWS2 avalia frequência respiratória, SpO₂, pressão sistólica, pulso, consciência e temperatura
  • Pontuação 3 em um único parâmetro já exige atenção clínica
  • NEWS2 de 5 ou mais indica limiar de resposta urgente e 7 ou mais alto risco
  • O escore deve ser interpretado junto com a avaliação clínica e a evolução do paciente

Referências: 

  1. ROYAL COLLEGE OF PHYSICIANS. National Early Warning Score (NEWS) 2: Standardising the assessment of acute-illness severity in the NHS. London: RCP, 2017. Disponível em: Royal College of Physicians — NEWS2.
  2. ROYAL COLLEGE OF PHYSICIANS. National Early Warning Score 2: NEWS thresholds and triggers. London: RCP. Disponível em: NEWS2 — thresholds and triggers.
  3. ROYAL COLLEGE OF PHYSICIANS. NEWS2: Clinical response to NEWS trigger thresholds. London: RCP. Disponível em: NEWS2 — clinical response.
  4. WELCH, J.; DEAN, J.; HARTIN, J. Using NEWS2: an essential component of reliable clinical assessment. Clinical Medicine, v. 22, n. 6, p. 510-513, 2022. Disponível em: Clinical Medicine — Using NEWS2. 

Como Interpretar o qSOFA na Enfermagem

O erro mais comum com o qSOFA é transformá-lo em um “teste para dizer se o paciente tem sepse”. Ele não foi criado para isso. O escore serve para identificar, rapidamente, pacientes com suspeita de infecção que apresentam sinais associados a maior risco de desfecho ruim e que precisam de avaliação clínica mais aprofundada.

Os 3 critérios do qSOFA

O qSOFA possui apenas três critérios, cada um valendo 1 ponto:

  • Frequência respiratória ≥ 22 irpm: 1 ponto.
  • Pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg: 1 ponto.
  • Alteração do estado mental: 1 ponto.

Assim, o resultado varia de 0 a 3 pontos. Na definição original, 2 pontos ou mais em um paciente com suspeita de infecção indicam maior risco de evolução desfavorável e devem levar a uma investigação rápida de disfunção orgânica e intensificação da monitorização.

Como interpretar na prática

Um paciente com suspeita de infecção e qSOFA 0 ou 1 não está automaticamente fora de risco. Da mesma forma, um qSOFA ≥2 não confirma sepse. O resultado precisa ser interpretado junto com a história, exame físico, sinais vitais, perfusão, diurese, exames laboratoriais e evolução clínica.

Essa distinção é fundamental porque as diretrizes atuais da Surviving Sepsis Campaign recomendam não utilizar o qSOFA isoladamente como ferramenta de triagem para sepse. Em pacientes adultos agudamente enfermos no hospital, NEWS/NEWS2, MEWS ou SIRS são preferidos ao qSOFA como ferramenta única de rastreamento.

Imagine, por exemplo, um paciente com pneumonia que apresenta FR de 25 irpm, pressão sistólica de 105 mmHg e está orientado. O qSOFA é 1 ponto. Isso não significa “sem sepse”; significa que ele não atingiu o ponto de corte de 2 critérios do qSOFA. A equipe ainda precisa acompanhar a tendência dos sinais vitais e procurar sinais de deterioração.

Alteração mental merece atenção

No qSOFA, alteração do estado mental corresponde à alteração do nível de consciência, tradicionalmente operacionalizada como Glasgow Coma Scale <15 na formulação original. Uma mudança recente em relação ao comportamento habitual do paciente deve ser valorizada, principalmente quando aparece junto a sinais de infecção e instabilidade fisiológica.

Na rotina de enfermagem, uma situação bastante concreta seria encontrar um paciente que estava conversando normalmente pela manhã e, algumas horas depois, apresentar desorientação, FR de 28 irpm e pressão sistólica de 92 mmHg. Nesse cenário, o qSOFA chega a 3 pontos, mas o mais importante não é apenas registrar “qSOFA 3”: é reconhecer a deterioração e comunicar imediatamente a equipe para investigação e tratamento de possível sepse.

qSOFA não substitui avaliação clínica

O escore não considera temperatura, frequência cardíaca, saturação, diurese, lactato ou contagem de leucócitos. Por isso, um paciente pode estar gravemente doente mesmo com qSOFA baixo. A própria definição Sepsis-3 estabeleceu que sepse corresponde à disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada à infecção, e não simplesmente a uma pontuação de qSOFA.

Em outra situação prática, um paciente com infecção pode manter pressão sistólica de 118 mmHg e estar orientado, mas apresentar FR progressivamente elevada, queda da diurese, extremidades frias e piora do estado geral. O qSOFA pode não atingir 2 pontos, porém a trajetória clínica já é preocupante e não deve ser ignorada.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve realizar e registrar corretamente frequência respiratória, pressão arterial e nível de consciência, além de acompanhar saturação, frequência cardíaca, temperatura, perfusão, diurese e evolução clínica. Se houver suspeita de sepse, a comunicação deve ser rápida e seguir o protocolo institucional.

Também é importante repetir a avaliação quando houver mudança no estado do paciente. As diretrizes atuais reforçam que sepse e choque séptico são emergências médicas e que o tratamento e a ressuscitação devem começar imediatamente quando indicados.

Para guardar de vez

qSOFA = FR ≥22 + PAS ≤100 + alteração mental.

Cada critério vale 1 ponto, totalizando de 0 a 3. qSOFA ≥2 chama atenção para maior risco, mas não diagnostica sepse e não deve ser usado sozinho para triagem. Para a enfermagem, o valor maior está em perceber a combinação dos sinais e, principalmente, a piora do paciente ao longo do tempo.

Resumo para salvar

Escore qSOFA

  • FR ≥22, PAS ≤100 e alteração mental valem 1 ponto cada
  • O escore varia de 0 a 3 pontos
  • qSOFA ≥2 indica maior risco, mas não confirma sepse
  • Não utilize qSOFA isoladamente para triagem de sepse

Referências:

  1. SINGER, Mervyn et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA, v. 315, n. 8, p. 801–810, 2016. JAMA — Sepsis-3
  2. EVANS, Laura et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Intensive Care Medicine, 2021. SCCM — Surviving Sepsis Campaign
  3. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. Surviving Sepsis Campaign Adult Guidelines. SCCM. SCCM — Adult Guidelines

Classificação de Child-Pugh

A Classificação de Child-Pugh, também conhecida como Escore de Child-Turcotte-Pugh (CTP), é uma das ferramentas mais utilizadas na hepatologia para avaliar a gravidade da doença hepática crônica, especialmente da cirrose. Ela permite estimar a capacidade funcional do fígado, prever o prognóstico do paciente, auxiliar na tomada de decisões terapêuticas e avaliar o risco de complicações e de mortalidade.

Na prática clínica, esse escore é utilizado por médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde para acompanhar pacientes com doenças hepáticas avançadas, orientar a indicação de transplante hepático e estimar os riscos antes de procedimentos cirúrgicos.

Embora atualmente existam outros escores, como o MELD (Model for End-stage Liver Disease), a Classificação de Child-Pugh continua sendo extremamente importante por ser simples, rápida e baseada em informações facilmente obtidas durante a avaliação clínica.

Hoje você entenderá como funciona esse escore, como calcular sua pontuação, quais parâmetros são avaliados, suas vantagens, limitações e quais são os cuidados de enfermagem mais importantes.

O que é a Classificação de Child-Pugh?

A Classificação de Child-Pugh é um sistema de pontuação criado para avaliar o grau de comprometimento da função hepática em pacientes com cirrose.

Ela foi desenvolvida inicialmente por Child e Turcotte, em 1964, para estimar o risco cirúrgico em pacientes submetidos a cirurgias para hipertensão portal. Posteriormente, em 1973, Pugh e colaboradores modificaram a classificação, substituindo o estado nutricional pelo valor da Razão Normalizada Internacional (INR), tornando-a mais objetiva e amplamente utilizada.

Hoje, ela é empregada para:

  • avaliar a gravidade da cirrose;
  • estimar a sobrevida do paciente;
  • orientar decisões terapêuticas;
  • avaliar o risco de cirurgias;
  • auxiliar na indicação de transplante hepático;
  • prever complicações relacionadas à insuficiência hepática.

O que a Classificação de Child-Pugh avalia?

O escore avalia cinco parâmetros: Dois deles são clínicos, três são laboratoriais. Cada parâmetro recebe uma pontuação de 1 a 3 pontos.

Ao final, a soma define a classe do paciente. Os cinco critérios são:

  • Bilirrubina total;
  • Albumina sérica;
  • INR (Razão Normalizada Internacional);
  • Ascite;
  • Encefalopatia hepática.

Como funciona a pontuação?

Cada variável recebe uma pontuação conforme sua gravidade.

Critério 1 ponto 2 pontos 3 pontos
Bilirrubina total < 2 mg/dL 2–3 mg/dL > 3 mg/dL
Albumina > 3,5 g/dL 2,8–3,5 g/dL < 2,8 g/dL
INR < 1,7 1,7–2,3 > 2,3
Ascite Ausente Leve ou controlada Moderada/grave ou refratária
Encefalopatia hepática Ausente Graus I-II Graus III-IV

Ao somar os cinco critérios, obtém-se a pontuação total.

Como interpretar o resultado?

Após calcular os pontos, o paciente é classificado em uma das três categorias.

Child-Pugh A (5 a 6 pontos)

Representa doença hepática compensada. O fígado ainda consegue realizar grande parte de suas funções.

Esses pacientes apresentam:

  • melhor prognóstico;
  • menor mortalidade;
  • menor risco cirúrgico;
  • maior sobrevida.

A sobrevida estimada em um ano costuma ser superior a 95%.

Child-Pugh B (7 a 9 pontos)

Representa comprometimento funcional moderado. Nessa fase, já podem surgir complicações importantes da cirrose.

Entre elas:

  • ascite;
  • varizes esofágicas;
  • encefalopatia hepática;
  • edema;
  • alterações da coagulação.

A sobrevida diminui quando comparada ao estágio A. Esses pacientes exigem acompanhamento mais próximo.

Child-Pugh C (10 a 15 pontos)

É o estágio mais grave. Indica insuficiência hepática avançada e o risco de complicações e mortalidade é elevado. São pacientes que frequentemente apresentam:

  • ascite volumosa;
  • encefalopatia recorrente;
  • icterícia intensa;
  • alterações importantes da coagulação;
  • insuficiência renal associada.

Muitos tornam-se candidatos ao transplante hepático.

Entendendo cada parâmetro

Bilirrubina

A bilirrubina é um pigmento produzido pela degradação das hemácias. O fígado saudável consegue metabolizá-la e eliminá-la pela bile e quando o fígado perde essa capacidade, ocorre aumento da bilirrubina no sangue, provocando icterícia. Quanto maior a bilirrubina, maior tende a ser a gravidade da doença hepática.

Albumina

A albumina é uma proteína produzida exclusivamente pelo fígado. Ela possui diversas funções importantes:

  • manter a pressão oncótica;
  • transportar hormônios;
  • transportar medicamentos;
  • transportar vitaminas.

Na insuficiência hepática sua produção diminui. Consequentemente surgem:

  • edema;
  • ascite;
  • desnutrição.

INR

O INR mede a capacidade do sangue coagular. Como o fígado produz praticamente todos os fatores de coagulação, sua falência leva ao aumento do INR. Quanto maior o INR, menor é a capacidade de coagulação.

É importante lembrar que pacientes em uso de anticoagulantes podem apresentar INR elevado por causa da medicação, e não apenas pela função hepática. Nesses casos, a interpretação deve ser individualizada.

Ascite

A ascite corresponde ao acúmulo de líquido na cavidade abdominal e é uma das complicações mais frequentes da cirrose. Sua presença indica piora da hipertensão portal e redução da função hepática.

A avaliação considera:

  • ausência;
  • leve e controlada;
  • importante ou refratária ao tratamento.

Encefalopatia hepática

É uma alteração neurológica causada pelo acúmulo de substâncias tóxicas, principalmente amônia, que deixam de ser metabolizadas pelo fígado, podendo variar desde pequenas alterações cognitivas até coma.

Os principais sintomas incluem:

  • sonolência;
  • inversão do ciclo sono-vigília;
  • confusão mental;
  • fala lenta;
  • tremor tipo asterix;
  • desorientação;
  • coma.

Exemplo prático de cálculo

Imagine um paciente com:

  • Bilirrubina: 3,8 mg/dL → 3 pontos
  • Albumina: 2,9 g/dL → 2 pontos
  • INR: 2,0 → 2 pontos
  • Ascite leve → 2 pontos
  • Encefalopatia grau I → 2 pontos

Total:

3 + 2 + 2 + 2 + 2 = 11 pontos

Resultado:

Child-Pugh Classe C

Isso indica doença hepática avançada, alto risco de complicações e necessidade de avaliação especializada.

Quais doenças utilizam esse escore?

Principalmente:

  • cirrose alcoólica;
  • cirrose por hepatites virais;
  • esteato-hepatite associada à síndrome metabólica (MASH, anteriormente NASH);
  • hepatite autoimune;
  • colangite biliar primária;
  • colangite esclerosante primária;
  • hemocromatose;
  • doença de Wilson;
  • outras hepatopatias crônicas.

Qual a diferença entre Child-Pugh e MELD?

Embora ambos avaliem pacientes com cirrose, possuem objetivos diferentes.

Child-Pugh

  • avalia função hepática;
  • utiliza parâmetros clínicos e laboratoriais;
  • simples;
  • muito utilizado na prática clínica.

MELD

  • utiliza fórmula matemática;
  • baseia-se em creatinina, bilirrubina, INR e, na versão MELD-Na, sódio sérico;
  • estima mortalidade em curto prazo;
  • é utilizado para priorização na fila de transplante hepático em muitos países, incluindo o Brasil.

Na prática, ambos são frequentemente utilizados de forma complementar.

Limitações da Classificação de Child-Pugh

Apesar de muito útil, ela apresenta algumas limitações.

A avaliação da ascite e da encefalopatia depende da interpretação clínica, podendo haver variações entre observadores.

Além disso, não considera outros fatores importantes, como:

  • função renal;
  • sódio sérico;
  • pressão portal;
  • idade;
  • outras doenças associadas.

Mesmo assim, continua sendo um dos escores mais utilizados mundialmente.

Você sabia?

A Classificação de Child-Pugh é utilizada há mais de cinco décadas e permanece como uma das ferramentas mais conhecidas na hepatologia. Ela é recomendada em diversas diretrizes internacionais para avaliar a gravidade da cirrose e auxiliar na escolha de tratamentos.

Pacientes classificados como Child-Pugh C apresentam risco significativamente maior de complicações pós-operatórias, razão pela qual o escore também é amplamente empregado na avaliação do risco cirúrgico. Diversos medicamentos têm sua dose ajustada ou são contraindicados em pacientes com comprometimento hepático grave (Child-Pugh B ou C), devido ao risco aumentado de acúmulo e toxicidade.

Cuidados de enfermagem

A equipe de enfermagem desempenha papel fundamental no acompanhamento de pacientes com cirrose e insuficiência hepática. Entre os principais cuidados estão:

  • Realizar avaliação clínica diária, observando sinais de piora da função hepática.
  • Monitorar nível de consciência, identificando precocemente alterações compatíveis com encefalopatia hepática.
  • Avaliar diariamente a presença de ascite, edema periférico e aumento da circunferência abdominal.
  • Controlar rigorosamente o balanço hídrico.
  • Monitorar peso corporal diariamente, preferencialmente no mesmo horário.
  • Observar sinais de sangramento, como hematêmese, melena, equimoses, petéquias e sangramento gengival.
  • Monitorar resultados laboratoriais, incluindo hemograma, bilirrubina, albumina, INR, creatinina e eletrólitos.
  • Administrar medicamentos conforme prescrição, como diuréticos, lactulose, rifaximina, albumina humana e outros.
  • Orientar dieta conforme recomendação médica e nutricional, controlando sódio em pacientes com ascite e garantindo ingestão proteica adequada, salvo contraindicações específicas.
  • Manter vigilância para sinais de infecção, já que pacientes cirróticos apresentam maior susceptibilidade a infecções bacterianas.
  • Orientar paciente e familiares sobre adesão ao tratamento, abstinência de álcool quando aplicável, vacinação e necessidade de acompanhamento regular.

A Classificação de Child-Pugh permanece como uma ferramenta simples, prática e extremamente útil para avaliar a gravidade da cirrose hepática. Ao combinar parâmetros clínicos e laboratoriais, ela permite estimar o prognóstico, orientar condutas terapêuticas e auxiliar na avaliação do risco cirúrgico e da necessidade de transplante hepático.

Para os profissionais e estudantes de enfermagem, compreender esse escore é essencial, pois muitos pacientes internados em enfermarias, unidades de terapia intensiva e ambulatórios de hepatologia são classificados por meio dele. Conhecer seus critérios facilita a interpretação do estado clínico, contribui para um cuidado mais seguro e permite identificar precocemente sinais de descompensação hepática.

Referências:

  1. PUGH, R. N. H. et al. Transection of the oesophagus for bleeding oesophageal varices. British Journal of Surgery, v. 60, n. 8, p. 646-649, 1973. Disponível em: https://bjssjournals.onlinelibrary.wiley.com 
  2. KUMAR, V. et al. Robbins & Cotran: Bases Patológicas das Doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. KASPER, D. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022.
  4. EASL. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of decompensated cirrhosis. Journal of Hepatology, 2018. Disponível em: https://easl.eu
  5. AASLD. Practice Guidance on Cirrhosis and Portal Hypertension. Disponível em: https://www.aasld.org
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Cirrose Hepática e suas Complicações. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  7. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022.
  8. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos clínicos em hepatologia. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 

Escala PIPP (Premature Infant Pain Profile)

Avaliar a dor em recém-nascidos é um grande desafio para profissionais de saúde, especialmente em prematuros. Diferente dos adultos, o bebê não consegue relatar verbalmente sua dor, o que exige métodos de avaliação específicos e validados. Nesse contexto, surge a Escala PIPP (Premature Infant Pain Profile), desenvolvida para identificar e mensurar a dor em recém-nascidos, principalmente aqueles prematuros internados em unidades neonatais.

Compreender essa escala é essencial para a prática de enfermagem, já que possibilita intervenções adequadas, garantindo conforto e prevenção de complicações associadas à dor não tratada.

O que é a Escala PIPP?

A Escala PIPP é um instrumento clínico que avalia a intensidade da dor em recém-nascidos a partir de indicadores fisiológicos e comportamentais. Foi validada internacionalmente e é considerada um método confiável para uso em unidades neonatais.

Ela é aplicada principalmente em situações de procedimentos invasivos, como punções venosas, aspiração traqueal ou coleta de exames, que podem causar dor significativa mesmo em bebês muito pequenos.

Como funciona a Escala PIPP

A escala avalia sete parâmetros que, somados, resultam em uma pontuação final. Os critérios observados são:

  • Idade gestacional: quanto menor a idade gestacional, menor a resposta comportamental à dor.
  • Estado de alerta: se o bebê está ativo, dormindo ou em vigília calma.
  • Alterações fisiológicas: variação da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio durante o procedimento.
  • Expressões faciais: presença de franzimento da testa, fechamento dos olhos e sulco nasolabial.

Cada parâmetro recebe uma pontuação de 0 a 3, de acordo com a intensidade ou presença da resposta. O escore final varia de 0 a 21.

  • 0 a 6 pontos: pouca ou nenhuma dor.
  • 7 a 12 pontos: dor moderada.
  • ≥ 13 pontos: dor intensa.

Essa pontuação orienta a equipe de saúde quanto à necessidade de implementar medidas não farmacológicas ou farmacológicas para alívio da dor.

Os Critérios Avaliados

O PIPP avalia sete indicadores, cada um com uma pontuação que varia de 0 a 3, dependendo da intensidade da resposta do bebê.

Comportamentais

  • Mudança nas Expressões Faciais: A expressão do bebê é um forte indicador de dor. A escala avalia o grau de contração da testa (franzir as sobrancelhas), o aperto dos olhos e a formação de um sulco vertical entre as sobrancelhas.
  • Tamanho do Olho: Abertura dos olhos do bebê, que pode estar fechado, parcialmente aberto ou aberto, dependendo do estímulo e do estado de dor.

Fisiológicos

  • Frequência Cardíaca: O aumento da frequência cardíaca é uma resposta fisiológica comum à dor e ao estresse.
  • Saturação de Oxigênio (SpO2): A dor pode levar a uma diminuição da saturação de oxigênio do bebê.

Contexto

  • Estado de Consciência: A escala considera o estado do bebê no momento da avaliação, se ele está em sono profundo, sono leve ou alerta. Um bebê em sono profundo, por exemplo, pode ter uma resposta menor a um estímulo doloroso.
  • Idade Gestacional: A escala leva em consideração a idade gestacional do bebê. Prematuros mais jovens podem ter uma resposta à dor diferente de prematuros mais velhos, devido à imaturidade neurológica.
  • Estado de Comportamento: A escala observa o comportamento geral do bebê, se ele está ativo, quieto, ou se há agitação, que pode ser um sinal de dor ou desconforto.

Importância da Escala PIPP

O manejo da dor em recém-nascidos vai além do conforto imediato. A literatura mostra que a dor não tratada pode gerar consequências a curto e longo prazo, como:

  • Alterações neuroendócrinas;
  • Maior risco de instabilidade hemodinâmica;
  • Impactos no desenvolvimento neurológico;
  • Maior sensibilidade à dor em fases posteriores da vida.

Por isso, o uso de ferramentas como a Escala PIPP ajuda a dar visibilidade à dor neonatal e fortalece o cuidado humanizado em UTI Neonatal.

Cuidados de enfermagem

O enfermeiro e a equipe de enfermagem desempenham papel central na avaliação da dor e no planejamento da assistência. Entre os principais cuidados estão:

  • Observar criteriosamente o bebê durante e após procedimentos dolorosos, aplicando a escala de forma padronizada.
  • Registrar a pontuação obtida no prontuário para acompanhamento da evolução clínica.
  • Implementar medidas não farmacológicas como sucção não nutritiva, contato pele a pele, uso de glicose oral e aconchego, sempre que possível.
  • Comunicar a equipe multiprofissional em casos de dor moderada ou intensa, para que intervenções farmacológicas sejam consideradas.
  • Educar os pais e cuidadores sobre a importância do manejo da dor e estimular sua participação no cuidado, quando possível.

A Escala PIPP é uma ferramenta indispensável para a avaliação da dor em recém-nascidos prematuros e a termo. Seu uso fortalece a assistência humanizada, contribui para decisões clínicas mais seguras e reforça o papel da enfermagem na promoção do bem-estar neonatal.

Compreender e aplicar corretamente a escala é um passo essencial para qualquer estudante ou profissional de enfermagem que deseja atuar com qualidade em unidades neonatais.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Avaliação e Tratamento da Dor no Recém-Nascido. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Consenso-de-Dor-RN-final_digital.pdf. 
  2. STEVENSON, M. D.; CHADWICK, J.; TAYLER, K. J. The PIPP Scale (Premature Infant Pain Profile): A Systematic Review and Meta-Analysis. The Journal of Pain, v. 18, n. 4, p. 411-420, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28169956/.
  3. BALLANTYNE, M. et al. Validation of the Premature Infant Pain Profile in the clinical setting. Clinical Journal of Pain, v. 15, n. 4, p. 297-303, 1999. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10524472/.
  4. GUINSBURG, R.; CUENCA, M. C. Dor no recém-nascido: avaliação e conduta. Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/03/Dor-no-Recem-Nascido.pdf.
  5. STEVENS, B. et al. Premature Infant Pain Profile: development and initial validation. Clinical Journal of Pain, v. 12, n. 1, p. 13-22, 1996. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8722738/. 

Escala MANE: A Precisão na Avaliação da Náusea e do Vômito em Oncologia

Se você já passou algum tempo em uma unidade de oncologia ou até mesmo assistiu a aulas sobre os efeitos colaterais da quimioterapia, sabe que a náusea e o vômito estão entre as queixas mais temidas e debilitantes para os pacientes. Não é apenas um desconforto passageiro; esses sintomas afetam diretamente a adesão ao tratamento, o estado nutricional e, acima de tudo, a dignidade do indivíduo. Para nós, da enfermagem, que estamos na linha de frente, não basta perguntar se o paciente está se sentindo mal. Precisamos de métricas. É aqui que entra a Escala MANE, ou Morrow Assessment of Nausea and Emesis.

Desenvolvida por Gary Morrow na década de 1980, a MANE tornou-se uma ferramenta fundamental tanto na pesquisa clínica quanto na assistência beira-leito. O grande diferencial desta escala é a sua capacidade de capturar a experiência do paciente de forma detalhada, permitindo que a equipe de enfermagem intervenha de maneira muito mais assertiva e personalizada.

O que é a escala MANE?

A MANE (Morrow Assessment of Nausea and Emesis) é um instrumento criado para avaliar:

  • intensidade das náuseas;
  • frequência dos vômitos;
  • impacto desses sintomas no paciente.

Ela foi desenvolvida principalmente para pacientes submetidos à quimioterapia, mas também pode ser aplicada em outros cenários clínicos. Seu objetivo é transformar sintomas subjetivos em informações mensuráveis, ajudando profissionais de saúde a monitorar a evolução clínica e a eficácia do tratamento.

O Que Torna a Escala MANE Diferente?

Existem diversas formas de avaliar o mal-estar gástrico, mas a MANE foca em nuances que outras escalas simplificadas podem deixar passar. Ela foi desenhada especificamente para pacientes que recebem tratamento quimioterápico, dividindo a experiência em tempos e intensidades diferentes.

A escala avalia a náusea (aquela sensação subjetiva de que o vômito é iminente) e a emese (o ato físico de vomitar) de forma independente. Isso é crucial porque um paciente pode ter náuseas intensas sem chegar a vomitar, e essa náusea persistente pode ser tão incapacitante quanto os episódios de emese. A MANE utiliza escalas do tipo Likert, geralmente variando de 1 a 6 ou 1 a 7, para medir a intensidade, a frequência e a duração desses eventos.

Um dos pontos altos desta ferramenta é a avaliação da náusea e do vômito antecipatórios. Sabe aquele paciente que começa a passar mal só de sentir o cheiro do hospital ou ver a cor do medicamento? A MANE ajuda a documentar esse fenômeno, permitindo que o enfermeiro identifique gatilhos psicológicos e emocionais que precedem a administração da droga.

Como funciona a escala MANE

A escala avalia diferentes aspectos relacionados aos sintomas.

Entre os principais pontos observados estão:

  • presença de náusea;
  • intensidade da náusea;
  • frequência dos episódios de vômito;
  • duração dos sintomas;
  • interferência nas atividades diárias.

Ela geralmente utiliza perguntas estruturadas para que o próprio paciente relate sua experiência.

A Escala

Itens da escala MANE Categorias de resposta
1. Você sentiu náusea depois da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Sim
Não
2. Quantas vezes você sentiu náusea depois da quimioterapia? Nenhuma vez
1 a 3 vezes
4 a 6 vezes
7 a 9 vezes
9 ou mais vezes
3. Como foi a sua pior sensação de náusea depois da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Muito fraca
Fraca
Moderada
Forte
Muito forte
Insuportável
4. Quando foi sua pior sensação de náusea? Marque uma das opções Não senti náusea
Durante a quimioterapia
0 a 4 horas depois da quimioterapia
5 a 8 horas depois da quimioterapia
9 a 12 horas depois da quimioterapia
13 a 24 horas depois da quimioterapia
Mais de 24 horas depois da quimioterapia
Itens da escala MANE Categorias de resposta
5. Você teve vômito depois da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Sim
Não
6. Quantas vezes você vomitou depois da quimioterapia? Nenhuma vez
1 a 3 vezes
4 a 6 vezes
7 a 9 vezes
9 ou mais vezes
7. Como foi o pior vômito que você já teve depois da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Não tive vômito
Muito fraco
Fraco
Moderado
Forte
Muito forte
Insuportável
8. Quando foi o pior vômito que você já teve? Marque uma das opções Não tive vômito
Durante a quimioterapia
0 a 4 horas depois da quimioterapia
5 a 8 horas depois da quimioterapia
9 a 12 horas depois da quimioterapia
13 a 24 horas depois da quimioterapia
Mais de 24 horas depois da quimioterapia
O vômito se manteve igual o tempo todo
9. Você sentiu náusea antes da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Sim
Não
10. Como foi sua sensação de náusea antes da quimioterapia? Marque uma das opções Não senti náusea
Muito fraca
Fraca
Moderada
Forte
Muito forte
Insuportável
11. Quanto tempo antes de sua última quimioterapia você sentiu náusea? Não senti náusea antes da última quimioterapia
Senti náusea 1 a 3 horas antes da última quimioterapia
Senti náusea 4 a 6 horas antes da última quimioterapia
Senti náusea 7 a 9 horas antes da última quimioterapia
Senti náusea 9 horas ou mais antes da última quimioterapia
Itens da escala MANE Categorias de resposta
12. Você teve vômitos antes da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Sim
Não
13. Como foi o pior vômito que você já teve antes da sua última quimioterapia? Marque uma das opções Não tive vômito
Muito fraco
Fraco
Forte
Muito forte
Insuportável
14. Quanto tempo antes da sua última quimioterapia você teve vômito? Não vomitei antes da última quimioterapia
Vomitei 1 a 3 horas antes da última quimioterapia
Vomitei 4 a 6 horas antes da última quimioterapia
Vomitei 7 a 9 horas antes da última quimioterapia
Vomitei 9 horas ou mais antes da última quimioterapia
15. Você tomou alguma medicação para náuseas e/ou vômitos em sua última quimioterapia? Marque uma das opções Sim
Não
16. Esta medicação foi útil? Sim
Pouco
Muito pouco

Estrutura e Aplicação da Ferramenta

Para o estudante de enfermagem, aplicar a MANE exige escuta ativa e paciência. A escala normalmente questiona o paciente sobre o período imediatamente anterior ao tratamento e as horas ou dias que se seguem. Os principais eixos de avaliação são a ocorrência, a frequência (quantas vezes aconteceu), a gravidade (o quão ruim foi) e a duração (por quanto tempo o sintoma persistiu).

Ao utilizar essa escala, o enfermeiro transforma uma sensação subjetiva em um dado clínico comparável. Por exemplo, se na primeira sessão de quimioterapia o paciente pontuou 6 em gravidade de náusea e, após um ajuste na medicação antiemética, ele pontua 3 na segunda sessão, temos uma evidência clara da eficácia do nosso plano de cuidados. Sem uma escala padronizada, ficamos dependentes apenas da percepção vaga do “melhorou um pouco”.

Diferença entre náusea e vômito

Embora frequentemente apareçam juntos, são sintomas diferentes.

Náusea

É a sensação desagradável de vontade de vomitar.

Pode ocorrer mesmo sem episódio de vômito.

Vômito (êmese)

É a expulsão do conteúdo gástrico pela boca.

Tipos de náuseas e vômitos avaliados na prática clínica

Náusea e vômito agudos

Ocorrem logo após o tratamento ou procedimento. Muito comuns nas primeiras 24 horas após quimioterapia.

Náusea e vômito tardios

Podem surgir após 24 horas. Alguns medicamentos possuem maior risco desse tipo de reação.

Náusea antecipatória

Muito interessante clinicamente. O paciente desenvolve náusea antes mesmo do tratamento, geralmente por associação psicológica negativa com experiências anteriores. Esse tipo foi bastante estudado por Gary Morrow.

Onde a escala MANE pode ser utilizada

Embora seja muito associada à oncologia, a MANE pode ser útil em diferentes áreas.

Oncologia

Principal cenário de aplicação. Especialmente em pacientes em quimioterapia.

Pós-operatório

Pacientes submetidos a anestesia podem apresentar náuseas e vômitos intensos.

Cuidados paliativos

Importante para controle de sintomas e conforto.

Terapias medicamentosas intensivas

Alguns antibióticos, opioides e medicamentos específicos também podem desencadear náuseas.

Importância da MANE para a enfermagem

A enfermagem possui papel central na identificação e monitorização desses sintomas.

A utilização de escalas melhora:

  • comunicação entre equipes;
  • acompanhamento clínico;
  • tomada de decisão;
  • segurança do paciente.

Além disso, permite avaliar se os antieméticos estão funcionando adequadamente.

Cuidados de enfermagem com pacientes que apresentam náuseas e vômitos

Avaliação contínua

A enfermagem deve observar:

  • frequência dos episódios;
  • intensidade da náusea;
  • presença de fatores desencadeantes;
  • aceitação alimentar.

Monitorização de hidratação

Pacientes com vômitos frequentes podem desidratar rapidamente.

Observar:

  • mucosas secas;
  • débito urinário;
  • hipotensão;
  • taquicardia.

Controle do ambiente

Cheiros fortes e estímulos excessivos podem piorar a náusea. Manter ambiente ventilado e confortável ajuda bastante.

Administração correta de antieméticos

Medicamentos antieméticos devem ser administrados nos horários corretos, especialmente de forma preventiva em pacientes oncológicos.

Cuidados com alimentação

Algumas orientações importantes incluem:

  • refeições pequenas e frequentes
  • evitar alimentos gordurosos
  • evitar odores intensos
  • manter hidratação adequada

Apoio emocional

Ansiedade e medo podem piorar os sintomas. O acolhimento da enfermagem faz diferença importante no conforto do paciente.

Complicações associadas às náuseas e vômitos

Quando persistentes, esses sintomas podem causar:

  • alcalose metabólica;
  • hipocalemia;
  • desnutrição;
  • aspiração pulmonar;
  • fadiga intensa.

Em pacientes fragilizados, essas complicações podem ser graves.

Limitações da escala MANE

Apesar de muito útil, a MANE depende do relato do paciente.

Isso significa que:

  • pacientes inconscientes;
  • crianças pequenas;
  • pessoas com déficit cognitivo.

podem ter limitações na aplicação. Mesmo assim, continua sendo uma ferramenta importante.

A importância da humanização no cuidado

Náusea e vômito são sintomas que causam grande sofrimento. Muitas vezes, o paciente sente vergonha, ansiedade ou medo relacionado aos episódios.

A abordagem da enfermagem deve ser:

  • acolhedora;
  • empática;
  • livre de julgamentos.

O cuidado humanizado melhora muito a experiência do paciente.

Por Que Você Deve Dominar Esta Escala?

Dominar ferramentas como a MANE eleva o patamar da sua prática. Quando você apresenta um relatório para um preceptor ou médico dizendo que “o paciente apresenta uma pontuação MANE de 5 para náusea antecipatória”, você está demonstrando raciocínio clínico e domínio técnico. Isso permite que a enfermagem saia do papel de apenas “quem limpa o vômito” para se tornar o profissional que previne e gerencia o sintoma com base em evidências científicas.

A escala MANE representa uma ferramenta importante para avaliação sistematizada das náuseas e vômitos. Sua utilização ajuda profissionais de saúde a compreenderem melhor a intensidade dos sintomas e a eficácia das intervenções realizadas. Para a enfermagem, entender esse instrumento significa oferecer um cuidado mais seguro, individualizado e baseado em evidências.

Muito além de um simples desconforto, náuseas e vômitos podem impactar profundamente a saúde física e emocional do paciente — e a enfermagem possui papel fundamental nesse controle.

Referência:

  1. Carnrike, C.L.M., Brantley, P.J., Bruce, B. et al. Test-retest reliability and concurrent validity of the Morrow Assessment of Nausea and Emesis (MANE) for the assessment of cancer chemotherapy-related nausea and vomiting. J Psychopathol Behav Assess 10, 107–116 (1988). https://doi.org/10.1007/BF00962636
  2. AMERICAN SOCIETY OF CLINICAL ONCOLOGY (ASCO). Antiemetics: ASCO Guideline Update. Alexandria: ASCO, 2023. Disponível em: https://ascopubs.org/journal/jco. 
  3. MORROW, Gary R. The assessment of nausea and vomiting: Past problems, current issues, and suggestions for future research. Cancer, [s. l.], v. 53, n. S10, p. 2267-2280, 1984. Disponível em: https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/journal/10970142. 
  4. OTTO, Shirley E. Oncology Nursing. 5. ed. St. Louis: Mosby, 2021.
  5. https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/journal/10970142POLO, J. J. et al. Evaluation of the Morrow Assessment of Nausea and Emesis (MANE) in Clinical Practice. Journal of Nursing Measurement, 2022. Disponível em: https://www.springerpub.com/journals/journal-of-nursing-measurement.html. 
  6. MORROW, G. R. The assessment of nausea and vomiting: past problems, current issues and suggestions for future research. Cancer, 1984.
  7. National Cancer Institute (NCI). Náuseas e vômitos relacionados ao tratamento oncológico.
  8. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Controle de sintomas em oncologia.
  9. POTTER, Patricia; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier.

Escore SAPS 3 Como Funciona na UTI

SAPS 3

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 14/09/2026.

Um paciente pode chegar à UTI aparentemente estável e ainda assim apresentar um conjunto de fatores que muda completamente sua classificação de gravidade. É justamente aí que o SAPS 3 ganha importância: ele reúne informações clínicas, fisiológicas e relacionadas à própria admissão para estimar o risco de mortalidade hospitalar.

O que é o SAPS 3?

O SAPS 3 (Simplified Acute Physiology Score 3) é um escore de gravidade desenvolvido para pacientes adultos internados em unidades de terapia intensiva. Diferentemente de sistemas que dependem das piores alterações observadas durante as primeiras 24 horas, o SAPS 3 utiliza informações disponíveis na admissão, permitindo uma avaliação prognóstica precoce.

O modelo original foi desenvolvido a partir de 19.577 pacientes admitidos em 307 UTIs de diferentes países, considerando características demográficas, condições prévias, circunstâncias da internação e alterações fisiológicas.

As três partes que formam o escore

O SAPS 3 reúne variáveis em três grandes conjuntos: características do paciente antes da admissão, circunstâncias da admissão e alterações fisiológicas.

Entre os dados avaliados estão idade, tempo de internação hospitalar antes da UTI, procedência, presença de comorbidades importantes, tipo e motivo da admissão, presença de infecção, Glasgow, pressão arterial sistólica, frequência cardíaca, temperatura, oxigenação, bilirrubina, creatinina, plaquetas e pH arterial.

O resultado final não representa apenas uma “nota” de gravidade. O escore é utilizado em uma equação prognóstica para estimar a probabilidade de mortalidade hospitalar.

Na rotina de uma admissão, imagine um paciente transferido da emergência para a UTI após horas de instabilidade. Enquanto a equipe organiza monitorização, acesso venoso e exames, informações como procedência, motivo da internação, Glasgow e sinais fisiológicos já começam a compor o conjunto de dados necessário para o escore. Um registro incompleto nesse momento pode fazer diferença na qualidade do resultado.

Quanto maior o SAPS 3, maior o risco?

Em geral, sim: valores mais altos estão associados a maior gravidade e maior probabilidade estimada de mortalidade. Porém, o SAPS 3 é um modelo prognóstico populacional, e não uma sentença para determinado paciente.

Esse cuidado é especialmente importante porque a capacidade de discriminação pode permanecer boa enquanto a calibração muda conforme população, período e contexto assistencial. Por isso, não é adequado transformar um percentual estimado em uma previsão individual de desfecho.

O que mudou nas evidências brasileiras?

Esse é um ponto que merece atenção de quem estuda ou trabalha em UTI. Uma grande validação brasileira publicada anteriormente mostrou bom desempenho discriminativo do SAPS 3 e apoiou o uso da equação padrão para avaliação de desempenho e benchmarking.

Entretanto, dados mais recentes mostram que os modelos precisam ser reavaliados ao longo do tempo. Em uma coorte de 262.198 adultos internados em 177 UTIs brasileiras e uruguaias entre 2022 e 2023, a equação padrão superestimou a mortalidade hospitalar, enquanto uma versão customizada apresentou melhor calibração. Isso reforça que o desempenho de um escore depende da população e do contexto em que ele é aplicado.

Em uma UTI, por exemplo, dois pacientes podem apresentar o mesmo valor de SAPS 3 e trajetórias completamente diferentes depois de receberem tratamento. O escore ajuda a caracterizar risco e comparar populações, mas não substitui avaliação clínica, resposta ao tratamento ou julgamento da equipe.

SAPS 3 e enfermagem

A enfermagem participa diretamente da qualidade das informações utilizadas no escore. Pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, avaliação neurológica, registros de oxigenação e acompanhamento de exames fazem parte de um conjunto de dados que precisa ser preciso e rastreável.

Por isso, durante a admissão, é importante registrar os dados de forma correta, respeitar horários e métodos de aferição, conferir informações relevantes no prontuário e comunicar alterações clínicas. Um valor digitado incorretamente ou uma informação omitida pode interferir na avaliação de gravidade.

Cuidados de enfermagem

Na admissão à UTI, priorize uma avaliação sistematizada e registros completos. Confira sinais vitais, nível de consciência, suporte ventilatório e demais parâmetros solicitados pelo protocolo institucional, além de observar alterações clínicas que necessitem de comunicação imediata.

Também é importante lembrar que o SAPS 3 não deve ser usado isoladamente para decidir tratamento, limitar suporte ou definir prognóstico individual. Ele é uma ferramenta de estratificação de gravidade e avaliação de resultados, devendo ser interpretado junto ao quadro clínico e aos demais instrumentos utilizados na terapia intensiva.

Resumo para salvar

SAPS 3: Entenda o Escore na UTI

  • Avalia a gravidade na admissão da UTI
  • Reúne dados clínicos e fisiológicos
  • Estima risco de mortalidade hospitalar
  • Exige registros de enfermagem precisos

Referências:

  1. METNITZ, Philipp G. H. et al. SAPS 3: from evaluation of the patient to evaluation of the intensive care unit. Part 1: objectives, methods and cohort description. Intensive Care Medicine, v. 31, n. 10, p. 1336-1344, 2005.
  2. MORENO, Rui P. et al. SAPS 3: from evaluation of the patient to evaluation of the intensive care unit. Part 2: development of a prognostic model for hospital mortality at ICU admission. Intensive Care Medicine, v. 31, n. 10, p. 1345-1355, 2005.
  3. SALLUH, João I. F.; SOARES, Márcio. ICU severity of illness scores: APACHE, SAPS and MPM. Current Opinion in Critical Care, v. 20, n. 5, p. 557-565, 2014.
  4. SILVA JÚNIOR, João M. et al. External validation of SAPS 3 and MPM0-III scores in 48,816 patients from 72 Brazilian ICUs. Intensive Care Medicine, 2017.
  5. SAPS 3 INVESTIGATORS. Contemporary validation of a SAPS 3 customized version in patients admitted to Brazilian and Uruguayan intensive care units: a multicenter cohort study. Critical Care Science, 2026.

Modelo Calgary de Avaliação Familiar (MCAF)

O cuidado centrado na família tornou-se um dos pilares fundamentais da assistência em saúde, especialmente na enfermagem. Famílias não são apenas espectadores do processo de adoecimento; elas influenciam, são influenciadas e participam ativamente de todo o percurso de cuidado.

A saúde e a doença de um indivíduo estão intrinsecamente ligadas ao seu contexto familiar. No entanto, abordar a família de forma eficaz requer mais do que apenas perguntar o nome dos parentes; exige uma ferramenta estruturada e profunda.

É aí que o Modelo Calgary de Avaliação Familiar (MCAF) entra como um mapa essencial. Desenvolvido por teóricos da família na Universidade de Calgary (Canadá), este modelo oferece uma estrutura clara para nós, enfermeiros, avaliarmos a estrutura, o desenvolvimento e o funcionamento de uma família.

Para um estudante de enfermagem, dominar o MCAF significa transformar o cuidado individual em cuidado holístico e centrado na família, garantindo que as intervenções sejam culturalmente sensíveis e sustentáveis.

O que é o Modelo Calgary de Avaliação Familiar (MCAF)?

O MCAF é uma ferramenta de avaliação abrangente dividida em três categorias principais, que nos permitem olhar a família de diferentes ângulos:

Avaliação Estrutural

Esta esfera mapeia quem são os membros da família e como eles se relacionam, fornecendo o esqueleto do sistema familiar.

O Que Avalia:

    • Estrutura Interna: Quem faz parte do grupo (membros, subsistemas – conjugal, parental, fraternal).
    • Estrutura Externa: Os laços com a comunidade e o sistema de apoio social (amigos, vizinhos, grupos religiosos, profissionais de saúde).
    • Contexto: Raça, etnia, classe social, religião, e o ambiente (onde a família vive).

Nossas Ferramentas:

    • Genograma: Diagrama visual que representa a família ao longo de gerações (pelo menos três), incluindo eventos significativos, mortes e doenças.
    • Ecomapa: Diagrama que representa as relações da família com sistemas externos (escola, trabalho, igreja, serviços de saúde), mostrando a natureza desses vínculos (fortes, fracos, estressantes).

Avaliação do Desenvolvimento

Esta esfera analisa o ciclo de vida da família e como ela lida com as transições previsíveis (e imprevisíveis).

O Que Avalia:

  • O estágio do ciclo de vida em que a família se encontra (ex: casal jovem, família com filhos adolescentes, família no final da vida) e as tarefas que são esperadas em cada estágio.
  • Foco: Como a família se adapta a eventos como o nascimento de um filho, a saída dos filhos de casa, o divórcio, o adoecimento crônico ou a morte. O enfermeiro avalia se a família está “presa” em uma tarefa de desenvolvimento ou se está conseguindo progredir de forma saudável.

Avaliação do Funcionamento

Esta é a esfera mais dinâmica, que examina como a família interage e resolve problemas.

O Que Avalia:

    • Instrumental: Como a família realiza as tarefas diárias e práticas (alimentação, finanças, cuidado do doente).
    • Expressivo: Como a família se comunica (expressão de emoções, crenças, aliança, resolução de problemas).
  • Foco: A comunicação é fundamental aqui. Avaliamos se a comunicação é clara ou ambígua, se há excesso de emoção ou hostilidade, e como os membros demonstram afeto. A disfunção nessa área frequentemente sabota a adesão ao tratamento.

Por que o MCAF é importante na Enfermagem?

O modelo ajuda o profissional a:

  • Compreender o contexto familiar que influencia o paciente.
  • Identificar fatores de apoio ou risco dentro da família.
  • Desenvolver planos de cuidado mais humanizados.
  • Criar intervenções adequadas ao modo como a família funciona.
  • Reconhecer situações de vulnerabilidade, sobrecarga e conflitos.
  • Atuar com comunicação terapêutica.

A enfermagem, que está na linha de frente do cuidado, frequentemente precisa compreender as dinâmicas familiares para garantir adesão ao tratamento, orientar cuidadores e estabelecer relações terapêuticas efetivas.

Aplicação prática do MCAF no contexto clínico

Na prática, o profissional entrevista a família utilizando perguntas abertas, aplicando recursos como:

  • Genograma: representação gráfica da estrutura familiar.
  • Ecomapa: mapa visual das relações da família com o ambiente externo.

Essas ferramentas ajudam a identificar padrões de saúde, doenças hereditárias, relações de apoio, conflitos e recursos disponíveis.

Cuidados de Enfermagem Baseados no MCAF

O MCAF não é apenas uma ferramenta de diagnóstico; ele é o guia para o nosso plano de intervenção.

  1. Identificação de Recursos: Ao construir o Ecomapa, o enfermeiro identifica redes de apoio que podem ser mobilizadas para auxiliar no cuidado do paciente (ex: um grupo religioso pode ajudar com refeições ou transporte).
  2. Educação Orientada: Se a família estiver no estágio de luto (Desenvolvimento), a intervenção se focará em facilitar a expressão emocional (Funcionamento Expressivo), em vez de apenas focar nas tarefas práticas (Funcionamento Instrumental).
  3. Resolução de Conflitos: Se o Genograma mostrar um histórico de conflito familiar (Estrutural), o enfermeiro pode atuar como um mediador, ajudando a família a estabelecer uma comunicação mais clara para garantir a segurança do paciente.
  4. Envolvimento Ativo: O MCAF reforça que as metas de saúde devem ser negociadas com a família, garantindo que o plano de cuidados seja realista e aceito por todos os membros chave.

O Modelo Calgary de Avaliação Familiar permite que o estudante e o profissional de enfermagem tenham uma visão ampliada da família como unidade de cuidado. Ele organiza a prática clínica, facilita o vínculo entre profissional e família e contribui para intervenções mais eficazes e humanizadas.

Compreender a estrutura, o desenvolvimento e o funcionamento familiar é essencial para qualquer profissional que deseje realizar um cuidado integral e centrado na pessoa.

Referências:

  1. WRIGHT, L. M.; LEAHEY, M. Enfermeiras e Famílias: Um Guia para a Avaliação e Intervenção na Família. 6. ed. São Paulo: Lidel, 2021. (Esta é a obra seminal onde o MCAF é detalhado).
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Guia Prático para o Agente Comunitário de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. (Buscar a aplicação de ferramentas de avaliação familiar na atenção básica). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  3. WRIGHT, Lorraine M.; LEAHEY, Maureen. Nurses and Families: A Guide to Family Assessment and Intervention. 6. ed. Philadelphia: F.A. Davis Company, 2013. Disponível em: https://fadavis.com
  4. BOUSSO, Regina Szylit; ÂNGELO, Margareth. Modelo Calgary de Avaliação Familiar: aplicação no contexto brasileiro. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 11, n. 4, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/8jtnyT9X7NzyLDLZr7EqCqc 

Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)

A ansiedade é um dos transtornos emocionais mais prevalentes na população, e compreender formas adequadas de avaliação é fundamental tanto para profissionais da saúde mental quanto para estudantes e trabalhadores da enfermagem que lidam diariamente com pacientes em sofrimento emocional. Entre os instrumentos mais utilizados no mundo está o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI), criado pelo psiquiatra Aaron T. Beck.

Este artigo apresenta, de forma clara e natural, tudo o que você precisa saber sobre o BAI: sua estrutura, como interpretar os resultados, onde pode ser aplicado, bem como os cuidados de enfermagem relacionados ao acolhimento e observação clínica de pessoas com sinais de ansiedade.

O que é o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)?

O BAI é um questionário psicométrico desenvolvido por Aaron Beck e colaboradores com o objetivo de medir a intensidade dos sintomas de ansiedade. Ele é amplamente utilizado em consultórios, ambulatórios, hospitais e pesquisas científicas por ser simples, rápido e eficaz.

Diferente de avaliações clínicas subjetivas, o BAI quantifica a ansiedade por meio de pontuações, permitindo acompanhamento ao longo do tempo e comparação entre avaliações.

Como o BAI é estruturado?

O instrumento é composto por 21 itens, cada um descrevendo um sintoma comum de ansiedade. O paciente deve avaliar a intensidade desses sintomas nos últimos dias, atribuindo notas de 0 a 3:

  • 0 = Ausente
  • 1 = Leve
  • 2 = Moderado
  • 3 = Grave

Os itens incluem sintomas físicos e cognitivos, como:

  • Sensação de desmaio
  • Taquicardia
  • Tremores
  • Sudorese
  • Medo de perder o controle
  • Pensamentos catastróficos

Ao final, as pontuações são somadas, resultando em uma classificação da ansiedade que varia de mínima a grave.

Interpretação da pontuação do BAI

Embora o BAI não substitua avaliação clínica profissional, ele fornece um indicativo importante:

  • 0 a 10 pontos – Ansiedade mínima
  • 11 a 19 pontos – Ansiedade leve
  • 20 a 30 pontos – Ansiedade moderada
  • 31 a 63 pontos – Ansiedade grave

Quanto maior a pontuação, maior a necessidade de avaliação especializada e, em alguns casos, intervenção imediata.

Importância: Um escore alto (moderado ou grave) sinaliza a necessidade de uma avaliação psiquiátrica mais aprofundada e o início ou intensificação de intervenções terapêuticas.

Quando utilizar o BAI?

O instrumento é útil em diversos cenários, como:

Na Atenção Básica

Profissionais podem utilizá-lo como triagem, especialmente em pacientes que relatam queixas emocionais, insônia ou sintomas somáticos não explicados.

Em Ambientes Hospitalares

Pacientes internados frequentemente vivenciam ansiedade devido ao adoecimento, procedimentos invasivos e incertezas. O BAI ajuda a identificar quem precisa de suporte emocional adicional.

Em atendimentos psicológicos e psiquiátricos

É uma ferramenta muito empregada para acompanhamento longitudinal, ajudando a avaliar resposta ao tratamento e progressão da ansiedade.

Em pesquisas científicas

Por ser padronizado e validado, o BAI é amplamente utilizado em estudos nacionais e internacionais sobre saúde mental.

Limitações do Inventário de Ansiedade de Beck

Nenhum instrumento psicométrico é perfeito, e o BAI também possui limitações:

  • Foca mais em sintomas físicos, podendo superestimar ansiedade em pessoas com doenças médicas (como hipertireoidismo ou arritmias).
  • Não faz diagnóstico, apenas indicação de intensidade.
  • Depende da autopercepção do paciente, podendo ser influenciado por negação, vergonha ou hipervigilância.

Cuidados de enfermagem diante de um paciente com ansiedade

A enfermagem desempenha papel fundamental na identificação e acolhimento de pessoas com sofrimento psíquico. Entre os principais cuidados estão:

Triagem e Avaliação Inicial

Em muitos serviços de saúde, o enfermeiro pode aplicar o BAI como parte da triagem inicial, fornecendo ao médico ou psiquiatra um dado objetivo sobre a intensidade da ansiedade do paciente.

Monitoramento da Intervenção

O BAI é uma excelente ferramenta para medir a eficácia do tratamento. Se o paciente estiver em terapia farmacológica ou psicológica, a repetição periódica do BAI (ex: a cada mês) nos ajuda a ver se o escore está diminuindo e se o paciente está respondendo ao tratamento.

Comunicação Empática

A ansiedade, especialmente a grave, é angustiante. Ao aplicar o BAI, o enfermeiro deve usar a oportunidade para validar os sentimentos do paciente (ex: “Entendo que as palpitações são muito difíceis de lidar”) e reforçar a necessidade de tratamento.

Intervenções de Enfermagem

Para pacientes com escores moderados ou graves, iniciamos intervenções de conforto e controle, como exercícios de respiração diafragmática e técnicas de relaxamento, enquanto aguardam a avaliação especializada.

Observação clínica cuidadosa

Mudanças visíveis como inquietação, sudorese, tremores, dificuldade para respirar e fala acelerada devem ser reconhecidas.

Acolhimento e comunicação terapêutica

Ouvir sem julgamentos, demonstrar empatia e criar um ambiente seguro para que o paciente possa falar sobre seus sentimentos.

Orientações claras

Explicar procedimentos, rotinas e motivos de intervenções pode reduzir significativamente a ansiedade no contexto hospitalar.

Encaminhamento adequado

Quando o BAI indica ansiedade moderada ou grave, ou quando há prejuízo importante na vida do paciente, é essencial encaminhar para avaliação psicológica ou psiquiátrica.

Promoção de ambiente mais confortável

Reduzir estímulos excessivos, garantir privacidade e permitir a presença de acompanhante, quando possível.

O Inventário de Ansiedade de Beck é uma ferramenta valiosa e de fácil aplicação para avaliar a intensidade da ansiedade. Profissionais e estudantes de enfermagem, ao compreender seu funcionamento, podem utilizá-lo como complemento às observações clínicas, contribuindo para um cuidado mais humano, integral e acolhedor.

Referências:

  1. BECK, A. T. et al. An Inventory for Measuring Clinical Anxiety: Psychometric Properties. Journal of Consulting and Clinical Psychology, v. 56, n. 6, p. 893-897, 1988.
  2. CUNHA, J. A. Manual da Versão em Português das Escalas Beck. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
  3. BECK, A. T.; STEER, R. A. Beck Anxiety Inventory Manual. San Antonio: Psychological Corporation, 1993. Disponível em: https://www.pearsonclinical.com. 
  4. GAMA, C. S. et al. Adaptação brasileira do Inventário de Ansiedade de Beck. Archives of Clinical Psychiatry, v. 27, n. 2, p. 48-54, 2000.
    Disponível em: https://www.scielo.br/j/rpc/a/H7b8NpQcrGgVP822h6W7GLw. 
  5. OMS – Organização Mundial da Saúde. Anxiety Disorders. Disponível em: https://www.who.int. 

Escala de Avaliação Comportamental Neonatal de Brazelton

A chegada de um bebê é um momento único, mas também é um período que exige atenção especial à saúde e ao desenvolvimento. Para compreender melhor como o recém-nascido se adapta ao mundo fora do útero, a Escala de Avaliação Comportamental Neonatal de Brazelton (NBAS – Neonatal Behavioral Assessment Scale) é uma ferramenta essencial.

Desenvolvida pelo pediatra americano T. Berry Brazelton na década de 1970, essa escala vai muito além de um simples exame físico: ela permite avaliar a forma como o bebê interage, responde a estímulos e regula suas funções fisiológicas e comportamentais.

O que é a Escala de Brazelton?

A Escala de Brazelton é um instrumento padronizado que analisa o comportamento de recém-nascidos, geralmente entre o 1º e o 28º dia de vida. Seu objetivo é observar e entender como o bebê responde a estímulos externos e como regula suas funções internas, auxiliando profissionais de saúde e pais na compreensão das necessidades e capacidades do neonato.

Diferente de exames puramente clínicos, a NBAS considera aspectos como vigília, sono, respostas motoras, atenção e autorregulação, oferecendo um panorama completo do desenvolvimento inicial.

Estrutura da Escala

A Escala de Brazelton avalia 28 itens comportamentais e 18 itens relacionados a reflexos, mas, para fins de compreensão prática, esses aspectos podem ser divididos em sete áreas principais:

Habitação (Habituation)

Avalia a capacidade do recém-nascido de se adaptar a estímulos repetidos, como luzes fortes ou sons altos. Um bebê com boa capacidade de habitação consegue “ignorar” estímulos não importantes, poupando energia.

Orientação (Orientation)

Analisa como o bebê reage e direciona a atenção a estímulos visuais e auditivos, como a voz dos pais ou um objeto em movimento.

Motor

Verifica o tônus muscular e a qualidade dos movimentos, observando força, coordenação e postura.

Variedade de estados

Identifica os diferentes estados de consciência do bebê, como sono profundo, sono leve, sonolência, alerta e choro.

Regulação do estado

Observa como o recém-nascido mantém ou muda seu estado de alerta, principalmente quando exposto a estímulos.

Controle autonômico

Relaciona-se à estabilidade de funções involuntárias, como respiração, cor da pele e tremores.

Reflexos primitivos

Inclui reflexos como sucção, preensão palmar e o reflexo de Moro, que indicam integridade neurológica.

Estados comportamentais segundo Brazelton

Além da avaliação das áreas, a NBAS descreve seis estados comportamentais que ajudam na interpretação das respostas do bebê:

  1. Sono profundo: sem movimentos corporais, respiração regular.
  2. Sono leve: alguns movimentos corporais, respiração irregular, olhos fechados.
  3. Sonolento: olhos semiabertos ou fechando lentamente.
  4. Alerta tranquilo: olhos abertos, pouca movimentação, atento ao ambiente.
  5. Alerta ativo: olhos abertos, movimentos corporais mais intensos.
  6. Choro: som vocal alto, expressa desconforto ou necessidade.

Importância para a enfermagem

Para o profissional de enfermagem, especialmente em unidades neonatais ou de alojamento conjunto, a Escala de Brazelton é uma ferramenta que:

  • Auxilia na identificação precoce de alterações no comportamento ou no desenvolvimento neurológico.
  • Permite orientar os pais sobre como interagir melhor com o bebê.
  • Ajuda na individualização do cuidado, respeitando o ritmo e as necessidades do neonato.

Cuidados de enfermagem relacionados à aplicação da Escala

  • Ambiente calmo: realizar a avaliação em local silencioso e com iluminação suave para evitar sobrecarga de estímulos.
  • Observação minuciosa: anotar respostas sutis do bebê, como expressões faciais e mudanças no padrão respiratório.
  • Manuseio adequado: garantir conforto, posicionamento seguro e evitar manipulações excessivas.
  • Interação com a família: explicar os resultados de forma simples, destacando pontos positivos e áreas que precisam de atenção.
  • Registro completo: documentar todas as observações no prontuário, pois podem ser úteis para acompanhamento clínico.

A Escala de Avaliação Comportamental Neonatal de Brazelton é uma ponte entre ciência e sensibilidade. Ela permite que profissionais de saúde não apenas detectem problemas precocemente, mas também compreendam e valorizem as competências inatas do recém-nascido.

Para o estudante de enfermagem, conhecer essa escala é um passo importante para oferecer um cuidado mais humano e centrado no bebê e na família.

Referências:

  1. BRAZELTON, T. Berry; NUGENT, J. Kevin. The Neonatal Behavioral Assessment Scale. 4. ed. London: Mac Keith Press, 2011. Disponível em: https://www.mackeith.co.uk/shop/the-neonatal-behavioural-assessment-scale-4th-edition/.
  2. CARVALHO, Ana Cláudia de Souza; LOPES, Maria Helena Barbosa; FIGUEIREDO, Maria do Carmo. A aplicação da Escala de Brazelton na avaliação de recém-nascidos. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 66, n. 2, p. 287–292, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000200019. 

Escala de Dor BPS

A dor é uma experiência subjetiva e complexa, especialmente em pacientes críticos que podem não conseguir comunicar seu desconforto de forma clara.

Para auxiliar na avaliação da dor nesses casos, a Escala de Dor BPS (Behavioral Pain Scale) é uma ferramenta amplamente utilizada.

Nesta publicação, vamos explorar o que é a Escala de Dor BPS, como ela funciona, sua importância e como aplicá-la na prática clínica.

O Que é a Escala de Dor BPS?

A Escala de Dor BPS é uma ferramenta comportamental utilizada para avaliar a dor em pacientes críticos, especialmente aqueles que estão sedados, intubados ou incapazes de se comunicar verbalmente. Ela foi desenvolvida para fornecer uma avaliação objetiva da dor com base em sinais comportamentais e fisiológicos.

Como Funciona a Escala de Dor BPS?

A Escala de Dor BPS avalia três critérios principais, cada um com uma pontuação que varia de 1 (sem dor) a 4 (dor intensa). A pontuação total varia de 3 a 12, sendo que quanto maior a pontuação, maior a intensidade da dor.

Critérios Avaliados

  1. Expressão Facial
    • 1 ponto: Relaxada.
    • 2 pontos: Parcialmente tensionada.
    • 3 pontos: Totalmente tensionada.
    • 4 pontos: Contraída, com expressão de dor.
  2. Movimentos dos Membros Superiores
    • 1 ponto: Sem movimentos.
    • 2 pontos: Movimentos parciais.
    • 3 pontos: Movimentos de proteção.
    • 4 pontos: Agitação ou movimentos descontrolados.
  3. Ventilação (Resposta ao Ventilador Mecânico)
    • 1 ponto: Tolerância ao ventilador.
    • 2 pontos: Tosse ou resistência ocasional.
    • 3 pontos: Resistência frequente ao ventilador.
    • 4 pontos: Incapacidade de ventilar adequadamente.

Importância da Escala de Dor BPS

A Escala de Dor BPS é essencial para:

  • Identificar a Dor em Pacientes Não Comunicativos: Permite avaliar a dor em pacientes que não podem expressar verbalmente seu desconforto.
  • Guiar o Tratamento: Ajuda a equipe de saúde a tomar decisões sobre a administração de analgésicos e outros tratamentos para o alívio da dor.
  • Monitorar a Eficácia do Tratamento: Avalia se as intervenções estão sendo eficazes no controle da dor.

Como Aplicar a Escala de Dor BPS?

A aplicação da Escala de Dor BPS deve ser feita por profissionais treinados, seguindo estes passos:

  1. Observação do Paciente: Avalie a expressão facial, os movimentos dos membros superiores e a resposta ao ventilador mecânico.
  2. Atribuição de Pontuação: Dê uma pontuação para cada critério com base nas observações.
  3. Cálculo da Pontuação Total: Some as pontuações dos três critérios.
  4. Interpretação dos Resultados:
    • 3-4 pontos: Dor ausente ou leve.
    • 5-6 pontos: Dor moderada.
    • 7-12 pontos: Dor intensa.

Cuidados de Enfermagem no Uso da Escala de Dor BPS

A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial na aplicação e interpretação da Escala de Dor BPS. Aqui estão os principais cuidados:

  1. Treinamento Adequado: Certifique-se de que a equipe está familiarizada com os critérios e a forma de aplicação da escala.
  2. Observação Atenta: Monitore o paciente de forma contínua para identificar mudanças no comportamento que possam indicar dor.
  3. Registro das Avaliações: Documente as pontuações e as intervenções realizadas para o controle da dor.
  4. Comunicação com a Equipe: Compartilhe os resultados da avaliação com a equipe multidisciplinar para garantir um tratamento adequado.

Limitações da Escala de Dor BPS

Embora seja uma ferramenta valiosa, a Escala de Dor BPS tem algumas limitações:

  • Subjetividade: A avaliação depende da interpretação do profissional.
  • Influência de Sedativos: Pacientes sedados podem apresentar respostas comportamentais reduzidas.
  • Não Avalia Todos os Tipos de Dor: A escala é mais eficaz para dor aguda e pode não capturar dor crônica ou neuropática.

A Escala de Dor BPS é uma ferramenta essencial para avaliar a dor em pacientes críticos que não podem se comunicar verbalmente. Com sua aplicação adequada, a equipe de saúde pode garantir um tratamento mais humanizado e eficaz, promovendo o conforto e o bem-estar dos pacientes.

Referências:

  1. AZEVEDO-SANTOS, Isabela Freire; ALVES, Iura Gonzalez Nogueira; CERQUEIRA NETO, Manoel Luiz de; BADAUÊ-PASSOS, Daniel; SANTANA-FILHO, Valter Joviniano; SANTANA, Josimari Melo de. Validação da versão Brasileira da Escala Comportamental de Dor (Behavioral Pain Scale) em adultos sedados e sob ventilação mecânica. Brazilian Journal of Anesthesiology, v. 67, n. 3, p. 271-277, 2017. ISSN 0034-7094. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.bjan.2015.11.006.
  2. Pinheiro, A. R. P. de Q., & Marques, R. M. D.. (2019). Behavioral Pain Scale e Critical Care Pain Observation Tool para avaliação da dor em pacientes graves intubados orotraquealmente. Revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 31(4), 571–581. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20190070