Heparinização Plena em Pacientes Críticos

A Heparinização Plena é um procedimento frequente em unidades de terapia intensiva e sua utilização implica em riscos para o paciente. Assim, é importante que esse procedimento seja feito de forma padronizada.

A mesma pode ser realizada com heparina não fracionada (HNF)  ou heparinas de baixo peso molecular (HBPM).

Indicação da Heparinização Plena

A indicação correta de heparina por via venosa está sendo caracterizada progressivamente, havendo evidências consistentes de benefícios em algumas condições:

  • Angina instável;
  • Tromboembolismo Pulmonar;
  • Manipulações vasculares;
  • Quadros progressivos de isquemia cerebral por doença vascular;
  • Pós Operatórios cardiovasculares ( ponte para anticoagulação com warfarina) – Próteses valvares metálicas ( principalmente prótese mitral);
  • Síndromes Coronárias Agudas.

O que deve-se considerar como Exclusão (Contra-Indicação)

  • A possibilidade de usar heparina fracionada de baixo peso molecular por via subcutânea;
  • Quando não existir consenso na indicação entre o médico assistente, o médico intensivista e a enfermagem;
  • Quando existir relato prévio de intercorrências graves com o emprego de heparina por via venosa.

Atenção: Deve Interromper este procedimento imediatamente quando:

  • Sangramento ativo exteriorizado como: hematêmese, melena, enterorragia, hemoptise, hematúria ou hemorragias cutâneo- mucosas;
  • Queda acentuada de hematimetria sem causa identificada;
  • Surgimento de derrame pericárdico, pleural ou peritonial;
  • A possibilidade de procedimentos invasivos e cirurgias.

A indicação do emprego de heparina por via venosa é uma decisão médica. Caso o médico assistente ou médico plantonista caracterize 1(uma) das 3 (três condições) reconhecidas de indicação, bem como a impossibilidade do uso das heparinas fracionadas de baixo peso molecular, deverá prescrever por extenso:

Protocolo de Heparinização*:

  • SF 0,9% 250 ml;
  • Heparina 5ml (25.000 u);
  • Administrar bolus s/n;
  • Colher TTPA.

Estando prescrita a Rotina de Heparinização, o enfermeiro responsável deverá escrever na evolução de enfermagem e na folha de controle de heparinização: o início ou evolução da rotina; os valores de TTPA (prévio atual) e o horário do próximo controle de TTPA. Na impossibilidade do uso desta rotina por qualquer motivo, uma prescrição alternativa por livre escolha do médico assistente ou médico intensivista deverá ser prescrita. Sempre que o protocolo for interrompido, o médico assistente deverá ser notificado.

A solução de heparinização deverá acontecer em bomba de infusão com equipo de bureta para administração controlada do gotejamento, para segurança do paciente.

Por que é feito a Heparinização Plena?

O uso de heparina por via venosa ainda é comum em algumas situações clínicas encontradas no ambiente da medicina intensiva. A heparina é uma das drogas cujo uso encontra- se associado a uma elevada taxa de complicações, produzindo hemorragias por doses elevadas e tromboembolismo por doses insuficientes, sendo que o controle da administração é o fator mais decisivo de erro na heparinização.

A Rotina de Heparinização é conhecida como Esquema de Raschke, que se baseia em dados de experimentação clínica que visam manter os níveis plasmáticos de heparina entre 0,35 a 0,70 unidades/ml corrigidos para o peso corpóreo.

Devido à farmacodinâmica da heparina e pela característica clínica de seu uso, o Esquema de Raschke preconiza o emprego de um bolus inicial, seguido de infusão corrigida de acordo com o tempo de tromboplastina parcial ativado. (TTPA).

O Procedimento

  • bolus inicial de 80 unidades/Kg;
  • Preparar a solução de heparina com 5 mL (25.000 unidades);
  • 100 u/ml (25.000 unidades em 250ml de soro fisiológico);
  • Solicitar TTPA a cada 6 horas, espaçando- se para controles de 12 horas quando se obtiver 2 controles seguidos dentro da faixa ideal;
  • Ajustar a administração da heparina de acordo com a tabela abaixo:
TTPA Bolus Interrupção Mudança na infusão
< 35 80u/ Kg 0 aumentar 4u/Kg/h
35- 45 40u/ Kg 0 aumentar 3u/Kg/h
46- 60 40u/ Kg 0 aumentar 2u/Kg/h
61- 85 0 0 manter a infusão
86- 110 0 0 reduzir 2u/Kg/h
> 110 0 60 minutos reduzir 4u/kg/h
  • Arredondar a taxa de infusão para o valor mais próximo;
  • Quando o peso do paciente tiver peso abaixo de 50 kg ou acima de 120 kg, mantenha respectivamente o mínimo ou o máximo permitido pela tabela.
  • Anexar a folha de controle ao prontuário do paciente.

Observação: Ao programar a solução de heparina na bomba de infusão, utilizar o equipo bureta, onde a solução será depositada, programada para período de 24hs, devendo a bolsa da solução ser homogenizada antes de encher o equipo bureta novamente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

Monitorização

A monitorização do uso EV de HNF é realizada através do TTPA colhido após 6 horas da primeira dose de HNF e de 6 em 6 horas até o ajuste adequado.

Atentar:

  • Sangramentos, hemorragias, enterorragias e melenas que podem ser apresentados durante o tempo de terapia;
  • Plaquetopenia induzida por heparina (via exames laboratoriais);

Antídotos – Reversão da heparinização

  • Neutralização da heparina em caso de urgência: sulfato de protamina – 1mg de sulfato de protamina neutraliza 100 UI de heparina. Dose máxima 50mg.
  • Neutralização da heparina de baixo peso molecular: o sulfato de protamina neutralizará somente 50% da atividade. Um miligrama de protamina para cada miligrama de enoxaparina.
  • Administrar plasma fresco congelado para reversão.

Referências:

Protocolo de Heparinização Plena do Hospital Israelita Albert Einstein

1. Gunnarsson OS, Sawyer WT, Montague D, et al. Appropriate use of heparin. Empiric vs nomogram- based dosing. Arch Intern Med 1995 Mar 13;155(5): 526-532.
2. Raschke RA, Reilly BM, Guidry JR, Fontana JR. The weight- based heparin dosing nomogram comparde with a “standard care” nomogram. A randomized controlled trial. Ann Intern Med 1993;119(9):874-881.
3. Rivey MP, Peterson JP. Pharmacy- managed, weight- based heparin protocol. Am J Hosp Pharm 1993 Feb;50(2):279-284.
4. Mungall D, Lord M, Cason S, Treadwell P, Willians D, Tedrick. Developing and testing a system to improve the quality of heparin anticoagulation in patients with acute cardiac syndromes. Am J Cardiol 1998;82(5):574-579.
5. Cory Toth and Chris Voll. Validation of a Weight-Based Nomogram for the Use of Intravenous Heparin in Transient Ischemic Attack or Stroke. Stroke 2002;33(3): 670-674.

6. Laffan M.A.and Brads ham A.E. Laboratory control of anticoagulant, thrombolytic and anti -platelet Therapy. In; Pratical Haematology, Dacie Jv and Lewis SM. 8 ed; cap. 19:367-380, 1995.
7. Gerlach, AT, Pickworth, KK, Seth, SK, et al. Enoxaparin and Bleeding Complications: A Review in Patients With and Without Renal Insufficiency. Pharmacotherapy 2000;20:771.
8. Hirsh J, Guyatt G, Albers GW, Harrington R, Schünemann HJ. Antithrombotic and thrombolytic therapy 8th Ed. ACCP Guidelines. Chest 2008;133:71S-105S.
9. Rosborough T K. Comparison of anti-factor Xa heparin activity anda activated partial thromboplastin time in 2,773 plasma samples from unfractionated heparin-treated patients.am J Clin Pathol.1997;108:662-668.

Veja também:

As Reações Transfusionais

Reações Transfusionais

As reações transfusionais são, portanto, toda e qualquer intercorrência que ocorra como conseqüência da transfusão sanguínea, durante ou após a sua administração. A transfusão é um evento irreversível que acarreta benefícios e riscos potenciais ao receptor. Apesar da indicação precisa e administração correta, reações às transfusões podem ocorrer. Portanto, é importante que todos profissionais envolvidos na prescrição e administração de hemocomponentes estejam capacitados a prontamente identificar e utilizar estratégias adequadas para resolução e prevenção de novos episódios de reação transfusional.

A ocorrência destas reações está associada a diferentes causas, dentre as quais fatores de responsabilidade da equipe hospitalar como erros de identificação de pacientes, amostras ou produtos, utilização de insumos inadequados (equipos, bolsa, etc.), fatores relacionados ao receptor e/ou doador como existência de anticorpos irregulares não detectados em testes pré-transfusionais de rotina.

Como são classificados estas reações?

Podem ser classificadas em imediatas (até 24 horas da transfusão) ou tardias (após 24 horas da transfusão), imuno­lógicas e não-imunológicas.

  Imune Não-imune
Imediata Reação febril não-hemolítica (RFNH) Sobrecarga volêmica
Reação hemolítica aguda (rha) Contaminação bacteriana
Reação alérgica (leve, moderada, grave) Hipotensão por inibidor da ECA
TRALI (Transfusion Related Lung Injury) Hemólise não-imune
Hipocalcemia
Embolia aérea
Hipotermia
Tardia Aloimunização eritrocitária Hemossiderose
Aloimunização HLA Doenças infecciosas
Reação enxerto x hospedeiro
Púrpura pós-transfusional
Imunomodulação

Quais são os Sinais e Sintomas?

A ocorrência destas reações pode associar-se a um ou mais dos seguintes sinais e sintomas como:

a) Febre com ou sem calafrios (definida como elevação de 1°C na temperatura corpórea), associada à transfusão;

b) Calafrios com ou sem febre;

c) Dor no local da infusão, torácica ou abdominal;

d) Alterações agudas na pressão arterial, tanto hipertensão como hipotensão;

e) Alterações respiratórias como: dispnéia, taquipnéia, hipóxia, sibilos;

f) Alterações cutâneas como: prurido, urticária, edema localizado ou generalizado;

g) Náusea, com ou sem vômitos.

A ocorrência de choque em combinação com febre, tremores, hipotensão e/ou falência cardíaca de alto débito sugere contaminação bacteriana, podendo também acompanhar o quadro de hemólise aguda. A falência circulatória, sem febre e/ou calafrios, pode ser o dado mais importante de anafilaxia. A alteração na coloração da urina pode ser o primeiro sinal de hemólise no paciente anestesiado.

O que fazer quando ocorrer estas reações?

  • Interromper imediatamente a transfusão e comunicar o médico responsável pela transfusão;
  • Manter acesso venoso com solução salina a 0,9%;
  • Verificar sinais vitais e observar o estado cardiorrespiratório;
  • Verificar todos os registros, formulários e identificação do receptor. Verificar à beira do leito, se o hemocomponente foi correta­mente administrado ao paciente desejado;
  • Avaliar se ocorreu a reação e classificá-la, a fim de adequar a conduta específica;
  • Manter o equipo e a bolsa intactos e encaminhar este material ao serviço de hemoterapia;
  • Avaliar a possibilidade de reação hemolítica, TRALI, anafilaxia, e sepse relacionada à transfusão, situações nas quais são necessárias condutas de urgência;

Se existir a possibilidade de algumas destas reações supracitadas, coletar e enviar uma amostra pós-transfusional junto com a bolsa e os equipos (garantir a não-contaminação dos equipos) ao serviço de hemoterapia, assim como amostra de sangue e/ou urina para o laboratório clinico quando indicado pelo médico;

  • Registrar as ações no prontuário do paciente.

 Observações: As amostras devem ser colhidas preferencialmente de outro acesso que não aquele utilizado para a transfusão. Em casos de reação urticariforme ou sobrecarga circulatória, não é necessária a coleta de amostra pós transfusional.

Alguns Cuidados com a Transfusão Sanguínea:

  • Treinamento dos profissionais da saúde quanto às normas de coleta e identificação de amostras e do paciente;
  • Avaliação criteriosa da indicação transfusional;
  • Avaliação das transfusões “de Urgência”;
  • Realizar uma história pré-transfusional detalhada, incluindo história gestacional, transfusional, diagnóstico, e tratamentos anteriores;
  • Atenção em todas as etapas relacionadas à transfusão;
  • Atenção redobrada na conferência da bolsa e do paciente à beira do leito;
  • Infusão lenta nos primeiros 50 ml;
  • De acordo com a reação transfusional utilizar pré-medicações, sangue desleucocitado, irradiado ou lavado.

Grupos Sanguíneos

Grupos Sanguíneos

Os tipos de grupos sanguíneos foram descobertos no início do século XX, quando o cientista austríaco Karl Landsteiner dedicou-se a comprovar que havia diferenças no sangue de diversos indivíduos. Ele colheu amostras de sangue de diversas pessoas, isolou os glóbulos vermelhos e fez diferentes combinações entre plasma e glóbulos vermelhos, tendo como resultado a aglutinação dos glóbulos em alguns casos, formando grânulos, e em outros não. Landsteiner explicou então porque algumas pessoas morriam depois de transfusões de sangue e outras não. Em 1930, ele ganhou o Prêmio Nobel por esse trabalho.

Os resultados dos experimentos realizados por Landsteiner levaram-no a sugerir o Sistema ABO. Ele considerou que havia três tipos de sangue: A, B e O (doador universal). Outros cientistas identificaram um quarto tipo, nomeado AB (receptor universal). A diferença entre esse grupo de sangue deve-se à presença, nas hemácias, de uma substância chamada aglutinogênio A e B. Dependendo dessa substância na hemácia, existe no plasma uma substância chamada aglutinina, que pode ser Anti-A e Anti-B. Atualmente se sabe que existem outros antígenos na superfície das hemácias que também podem estar implicados em reações hemolíticas transfusionais, exemplos destes são: Fator Rh, Antígeno Kell, Antígeno Duffy, Antígeno Kidd e o Antígeno Lewis.

GRUPOS SANGUÍNEOS E A COMPATIBILIDADE

– Grupo sanguíneo AB: Indivíduos têm tanto antígenos A quanto B na superfície de suas hemácias, e o soro sanguíneo deles não contem quaisquer anticorpos dos antígenos A ou B. Assim, alguém com tipo de sangue AB pode receber sangue de qualquer grupo (com AB preferível), mas só pode doar sangue para outros com o tipo AB.

– Grupo sanguíneo A: Indivíduos têm o antígeno A na superfície de suas hemácias, e o soro sanguíneo contido na Imunoglobulina M são anticorpos contra o antígeno B. Assim, uma pessoa do grupo A pode receber sangue só de pessoas dos grupos A ou O (com A preferível), e só pode doar sangue para indivíduos com o tipo A ou AB.

– Grupo sanguíneo B: Indivíduos têm o antígeno B na superfície de suas hemácias, e o soro sanguíneo contido na Imunoglobulina M são anticorpos contra o antígeno A. Assim, alguém do grupo B pode receber sangue só de indivíduos de grupos B ou O (com B preferível), e pode doar sangue para indivíduos com o tipo B ou AB.

– Grupo sanguíneo O (ou 0): Indivíduos não possuem antígenos nem A ou B na superfície de suas hemácias (dai o 0 usado por alguns autores), mas o soro sanguíneo deles contém Imunoglobulina M com anticorpos anti-A e anti-B contra os antígenos A e B. Portanto, alguém do grupo O pode receber sangue só de alguém do grupo O, mas pode doar sangue para pessoas com qualquer grupo ABO (ou seja, A, B, O ou AB).

Se alguém precisar de uma transfusão de sangue em uma emergência, e se o tempo necessário para testar o tipo de sangue causaria um atraso prejudicial, o sangue O- (O Negativo) pode ser administrado.

A Hemofilia: Como acontece?

A Hemofilia

hemofilia é uma doença genético-hereditária que tem como principal característica o retardo no tempo de coagulação do sangue.

É causada por uma anormalidade em algum dos 14 fatores de coagulação do sangue que não trabalha de maneira adequada. Como esses 14 fatores trabalham em conjunto no processo de coagulação do sangue, quando um deles falha, compromete todo o processo.

Quais são os principais tipos de Hemofilia?

Existem dois tipos de hemofilia, a hemofilia tipo A e a tipo B. A doença pode ainda ser classificada como grave, moderada ou leve, sendo que os casos de hemofilia leve normalmente são diagnosticados apenas na fase adulta.

A hemofilia tipo A é a mais comum, e é causada pela deficiência no fator VIII de coagulação. A hemofilia tipo B é causada por uma deficiência no fator IX.

A doença é hereditária, transmitida através dos cromossomos sexuais XX. Quando a mulher é a portadora, transmite para os filhos homens, que normalmente desenvolvem a doença. Já os homens só transmitem a doença para as filhas mulheres, que normalmente são portadoras da hemofilia sem manifestar a doença. Porém, poderão transmitir a doença a um filho do sexo masculino, no qual a doença se manifestará.

Pessoas hemofílicas possuem uma falha no sistema de coagulação sanguínea, podendo ter sérias hemorragias. Os hemofílicos não possuem o fator de coagulação, que está localizado no cromossomo X. A hemofilia é causada por um gene recessivo, e é representada da seguinte forma:

Mulher Homem
Genótipo Fenótipo Genótipo Fenótipo
XHXH Normal XHY Normal
XHXh Normal portadora XhY Hemofílico
XhXh Hemofílica

Assim como no daltonismo, as mulheres têm menos chances de apresentar a doença, pois o gene recessivo precisa estar em homozigose para a doença se expressar.

Quais são os principais sinais e sintomas?

Os sintomas da hemofilia variam de acordo com a classificação da doença. Nos casos leves, hemorragias podem acontecer em extrações de dentes, cirurgias e traumas. Já nos casos graves e moderados, os sintomas podem ser: febre, dor forte, manchas roxas (equimoses), causados por sangramentos intramusculares ou intra-articulares que podem provocar lesões ósseas. Cotovelos, joelhos e tornozelos são as articulações mais comprometidas.

O primeiro registro a respeito da doença está no Talmud (escritos judaicos) que datam do século III. No livro é descrito o caso de uma família que teve dois filhos mortos devido a hemorragias, após a circuncisão. Dispensava então, o terceiro filho dessa intervenção.

A princípio, o tratamento era baseado em constantes transfusões de sangue. Atualmente, o paciente recebe apenas o fator anti-hemofílico, seja o fator VIII ou o fator IX. O objetivo do tratamento é alcançar níveis suficientes do fator deficitário para evitar as hemorragias.

Quais sãos as principais recomendações à um paciente hemofílico?

  • Evitar e proteger-se de traumatismos que produzam sangramentos;
  • Imobilizar as articulações em casos de hemorragias articulares;
  • Observar e anotar episódios hemorrágicos para serem informados ao médico;
  • Ter cuidados especiais na realização de cortes de cabelo, barba ou unhas, lavagens intestinais, aplicação de calor, etc;
  • Ao escovar os dentes, ter cuidados para não machucar as gengivas ou a mucosa oral;
  • Em caso de necessidade de realização de alguma cirurgia, o hemofílico deve receber previamente uma medicação adequada para melhorar temporariamente a coagulação. Um médico hematologista deve ser consultado regularmente;
  • Pacientes hemofílicos não devem usar medicamentos como aspirina, heparina, warfarina e determinados analgésicos e anti-inflamatórios não hormonais, pois podem agravar os sangramentos.

Oriente ao paciente levar sempre consigo um cartão identificando-se como hemofílico e contendo:

  • Grupo sanguíneo e fator Rh;
  • Nome da pessoa a ser avisada em caso de urgência;
  • Nome e telefone do médico assistente e do hospital para onde deseja ser levado.

Veja também:

A Importância dos Hemocomponentes

Os Tipos de Leucócitos

Leucócitos

 

A Importância dos Hemocomponentes

Doar sangue

 

Osmose nas Hemácias

Hemácias

Plasmaferese

Plasmaferese

A Plasmaferese (ou Plasmaférese) é um processo de remoção de elementos constituintes do plasma do sangue que estejam sendo considerados os possíveis causadores de uma doença. Na grande maioria das vezes o pedido de plasmaferese é realizado para a retirada de complexos autoimunes e também de anticorpos.

O plasma é um fluído que possui a finalidade de transportar o oxigênio e os nutrientes para todos os tecidos do organismo. O sangue é composto por enzimas, por sais minerais, por glicose, por proteínas, anticorpos e várias outras moléculas importantes para o bom funcionamento do corpo humano.

A parte líquida do sangue é chamada de plasma. A parte sólida é formada por plaquetas, por glóbulos brancos e por glóbulos vermelhos, cada um dos tipos exercendo funções fundamentais. Quando se pega uma amostra de sangue e coloca em uma máquina centrifugadora é possível separar o plasma, as plaquetas, os glóbulos brancos e os glóbulos vermelhos.

O plasma é basicamente cerca de 55 % do volume do sangue. Ele é constituído de diversos elementos e principalmente de água. Muitas doenças podem ser provocadas por anticorpos, componente do plasma. Assim como por toxinas ou por excesso de proteínas. Para o tratamento destas enfermidades inventou-se um processo no qual estas substâncias possam ser retiradas. A plasmaferese é este procedimento que permite uma “limpeza” do plasma, de forma a se retirar o que vem prejudicando o organismo.

Quando é indicado?

Este método é muito indicado no caso de doenças em específico como, por exemplo, lúpus, mieloma múltiplo, crioglobulinemia, hipercolesterolemia familiar e esclerose múltipla.

As maiores indicações de plasmaferese são, no entanto, para o tratamento de duas doenças neurológicas, a Síndrome de Guillain-Barré e a Miastenia Gravis. De forma geral, pode-se fazer uso do método sempre que algum componente do sangue estiver fazendo mal à saúde do paciente.

Como é o procedimento?

A plasmaferese é bastante parecida com a hemodiálise, sendo que, inclusive, faz-se uso de uma máquina semelhante. Durante a hemodiálise o filtro retira as toxinas acumuladas devido ao problema renal, já durante a plasmaferese o filtro retira todo o plasma do sangue, levando as substâncias que estão prejudicando a saúde.

Com o paciente deitado em uma cama, o sangue passa pelo filtro enquanto os anticorpos e as proteínas são retirados. O grande problema do método é que todo o plasma acaba sendo filtrado, retirando-se tanto as substâncias benéficas quanto as maléficas. Para que o paciente não entre em choque, todo o sangue retirado é reposto com plasma fresco ou albumina, provenientes de bolsas do banco de sangue. A reposição com albumina costuma provocar menos efeitos colaterais.

Para a realização do método é preciso um acesso venoso. Geralmente se faz uso de cateteres de hemodiálise na veia femoral ou então na veia jugular. Os cateteres ficam posicionados dentro da veia cava, bem próximo ao coração. As sessões tendem a durar em média 2 horas, podendo ser realizadas diariamente ou alternando-se os dias. O tempo do tratamento como um todo depende da doença e do organismo do paciente.

Quais são os preparativos?

Antes da plasmaferese é imprescindível que o profissional seja avisado de todos os medicamentos que o paciente faz uso no dia a dia. Pode haver reação alérgica aos componentes do plasma substituto ou ainda ao agente que é usado para a esterilização do equipamento, portanto, deve-se informar ao médico possíveis alergias. Diante de dúvidas um antialérgico necessita ser administrado.

Cada caso possui particularidades em específico, desta forma é fundamental uma conversa com o médico antes de dar início a esta modalidade de tratamento. A imunidade pode ficar um pouco afetada após o término de cada sessão, portanto é indicado não se aproximar de indivíduos portadores de infecções.

Riscos e efeitos colaterais

Como a grande variedade de procedimentos considerados invasivos, a plasmaferese envolve alguns riscos e deixa efeitos colaterais. A punção do vaso profundo pode, por exemplo, provocar infecções e sangramentos. Outro problema é a coagulação. O plasma filtrado possui fatores importantes para a coagulação, desta forma, caso a reposição seja feita somente com albumina, há o risco de hemorragias.

A reposição com plasma fresco também envolve algumas complicações como, por exemplo, a chance de desenvolvimento de hepatites ou HIV, já que o plasma é obtido do sangue de doadores. Além disto, pode haver reação do corpo do paciente com relação às proteínas do plasma da bolsa, causando anafilaxia.

Devido à presença de citrato no interior dos derivados do sangue para impedir a coagulação na bolsa, podem ocorrer sintomas iguais ao da falta de cálcio no organismo do paciente, pois o citrato no corpo humano se liga ao cálcio.

O que ocorre após o procedimento?

Apesar de todas as complicações mencionadas acima o procedimento costuma ser eficaz no tratamento de uma série de doenças. O indivíduo fica um pouco debilitado e a imunidade fica mais baixa logo após a sessão, portanto é aconselhável evitar o contato com pessoas portadoras de infecções.

Para que se tenha resultados satisfatórios é preciso realizar um certo número de sessões, que irão variar de acordo com a enfermidade a ser tratada e com o organismo do paciente. Muitas das complicações não estão relacionadas com a plasmaferese em si, mas sim com a doença a ser tratada.

Na maioria das vezes quando se recorre a tal método o indivíduo já apresenta sintomas e problemas. Portanto, o que ocorre após o procedimento pode variar bastante. Várias técnicas diferentes vêm sendo estudadas com o intuito de diminuir os riscos e as complicações. O paciente precisa ficar sob cuidados médicos e qualquer incômodo excessivo deve ser alertado.

A plasmaferese é um efetivo método de tratamento que vem sem muito utilizado. Ainda possui certos riscos e efeitos colaterais, entretanto, para algumas pessoas pode ser a única alternativa. Não deixe de conversar com um médico diante de sintomas. Todos os sinais emitidos pelo corpo devem ser levados em consideração.

Qual Profissional pode realizar este tipo de procedimento?

De acordo com o PARECER COREN-SP GAB Nº 008 / 2011 sobre a realização de Aférese em geral, dá-se conclusão de que:
“Diante do exposto e considerando a atuação dos profissionais de enfermagem, conclui-se que o procedimento de aférese, devido ao uso de máquina de fluxo contínuo ou intermitente (separador de célula) e que o doador/paciente deve ser avaliado constantemente durante a realização do procedimento para monitorização das reações ao citrato, exigindo do profissional de Enfermagem conhecimento técnico-científico avançado e avaliação para tomada de decisão imediata, somente o Enfermeiro, dentro da equipe de Enfermagem, poderá assumi-lo, desde que treinado e capacitado.”

Tubos de Coleta para Exames Laboratoriais

Tubos de Coleta

O resultado correto de um exame de análises clinicas não depende somente de quem os analisa, mas também da qualidade da amostra coletada.

A equipe de enfermagem atua no processo de coleta do material biológico, e, conforme a qualidade da amostra, os erros pré – analíticos são minimizados e os resultados garantidos. Para tanto são necessários cuidados especiais no momento da coleta.

A coleta de material biológico para analise é muito comum e útil no período pré – operatório e quando solicitado pelo médico.

São os tipos de coleta de sangue solicitados:

Hemograma:
Consiste na contagem global de eritrócitos, índices hematimétricos, valor de hemoglobina e valor hematrócrito (Ht), contagem global de leucócitos, contagem diferencial de leucócitos (neutrófilos, eosinofilos, basófilos, linfócitos e monócitos) e contagem global de plaquetas. È útil na avaliação de anemias, infecções bacterianas e viróticas, inflamações, leucemias e plaquetopenias.

Gasometria Arterial e Venosa:
Constitui a análise de gases sanguíneos, como O2 e CO2 e do equilíbrio ácido-basico, como bicarbonato e pH sanguíneo.

Sorologia:
È a avaliação da presença de determinados anticorpos no soro sanguíneo. È útil no diagnóstico de infecções por vírus, bactérias, fungos e protozoários.

Coagulograma:
Consiste na analise do tempo de sangramento, contagem de plaquetas, tempo de protrombina e tempo de tromboplastina. È útil na avaliação homeostática pré – operatória.

Tipagem Sanguínea:
Determina o tipo sanguíneo de acordo com o sistema ABO e Rh antes da transfusões, no pré – operatório e no perfil pré – natal.

Glicemia:
É útil para a detecção de glicose e diagnóstico das hipoglicemias e hiperglicemias. Para o diagnóstico de diabetes melito é necessário valor igual ou superior a 99mg/dl na amostra em jejum em pelo menos duas ocasiões. O diagnóstico de hipoglicemia estabelece-se com valores abaixo de 60mg/dl.

Bioquímica:
Utiliza o plasma ou soro para qualificação de eletrólitos, como sódio (Na), potássio (K) e Cloro (Cl).

Observações úteis na coleta sanguínea:

Jejum – a falta de jejum aumenta a lipemia (gordura no sangue) e altera o resultado da glicose; jejum prolongado pode elevar as concentrações de bilirrubina sérica.

Medicamentos – o uso de medicamentos pode causar interferências na analise.

Períodos de repouso – a falta de repouso provoca alterações no hemograma, glicose, alguns hormônios, transaminases, etc.

Temperatura do cliente – a hipotermia promove vasoconstrição e dificulta venopunção; o estresse aumenta a temperatura afetando a secreção de hormônios as adrenal.

Infusão intravenosa – deve-se evitar coletar material pelo cateter da infusão venosa. Fazê-lo somente quando não houver outra alternativa. Deve-se retirar de 10ml a 15ml de sangue, desprezá-lo definitivamente e com outra seringa fazer a coleta da amostra desejada.

Torniquete – a utilização incorreta do torniquete (muito apertado ou por muito tempo) pode causar hemoconcentração local, alterando os valores de enzimas, proteínas, hematócrito, sódio, potássio, cálcio, ferro, colesterol, triglicérides, plaquetas e fatores de coagulação.

É preciso estar familiarizado com o material a ser utilizado. Deve-se evitar que o cliente abra e feche a mão, pois pode levar a alterações dos resultados. A punção deve ser finalizada sem desenvolver hematomas.

Como proceder:

Lavar as mãos;
Preparar o material: bandeja contendo tubos de coleta, luvas de procedimento, seringas, dispositivos intravenosos, torniquetes, bolas de algodão, antisséptico, adesivos e etiquetas;

Realizar a identificação do cliente (conferir pulseira e perguntar o nome);

Solicitar o consentimento do paciente para execução do procedimento;

Orientar o paciente para o procedimento;

Acomodá-lo confortavelmente;

Posicionar a bandeja;

Observar a rede venosa e escolher a melhor veia para puncionar;
Calçar luvas de procedimento;

Garrotear de 10cm a 15cm acima do local da punção;

Deixar o menor tempo possível o cliente garroteado;

Apalpar a veia escolhida;

Fazer antissepsia ampla do local da punção com movimentos firmes num único sentido;

Pegar o dispositivo intravenoso escolhido de modo que o bisel esteja voltado para cima;

Fixar a veia;

Puncionar a veia, introduzindo o dispositivo intravenoso acoplado á seringa;

Fixar o dispositivo;

Aspirar o volume sanguíneo determinado para o exame solicitado:

Se seringa passar o conteúdo da seringa (sem agulha) para o tubo de modo que o sangue escorra pela parede do mesmo.

Se vácuo, o conteúdo vai diretamente para o tubo.

Observar a reação do paciente;

Retirar o dispositivo;

Fazer compressão do local com algodão seco;

Orientar o paciente a não dobrar o braço;

Descartar materiais perfurocortantes em local próprio;

Retirar as luvas de procedimento;

Lavar as mãos;

Checar na prescrição médica correta;

Manter a unidade em ordem e encaminhar material colhido;

Realizar anotações de enfermagem;

Exemplo de registro de enfermagem:

Data: Hora: Relatório de enfermagem: Coleta para analise de Na, K, Glicemia, etc. Encaminhado para: Assinatura:

Veja também:

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