Dor no Peito: Quando Procurar Atendimento

dor no peito

Esperar a dor ficar insuportável é uma das decisões que mais pode atrasar o atendimento de uma emergência cardiovascular. Dor ou desconforto no peito, principalmente quando surge de forma súbita ou vem acompanhado de outros sintomas, merece avaliação rápida, mesmo quando a intensidade não parece tão preocupante.

Nem sempre começa com uma dor intensa

Pressão, aperto, peso, queimação ou desconforto no centro do peito podem fazer parte de uma síndrome coronariana aguda. A sensação também pode irradiar para braço, ombro, costas, pescoço, mandíbula ou região superior do abdome. Falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou sensação de desmaio aumentam a preocupação.

Uma cena bastante comum no atendimento é a pessoa chegar dizendo que “não é bem dor, é só uma pressão estranha no peito”. Quando, durante a conversa, relata que começou enquanto caminhava e veio acompanhada de falta de ar e suor frio, a descrição ganha outro peso. É justamente por isso que caracterizar o sintoma faz parte da avaliação, em vez de perguntar apenas se “está doendo muito”.

Alguns sintomas podem confundir

Nem todo desconforto torácico é causado pelo coração. Refluxo, alterações musculoesqueléticas, ansiedade e outras condições também podem provocar sintomas semelhantes. O problema é tentar descobrir a causa sozinho e usar essa hipótese para adiar uma avaliação quando existem sinais de alerta.

Em idosos e pessoas com diabetes, a apresentação pode ser menos típica, com falta de ar, mal-estar, náusea ou outros sintomas sem uma dor torácica clássica. Nas mulheres, também podem aparecer sintomas como cansaço incomum, falta de ar, náusea ou desconforto em costas, ombros ou mandíbula.

Quando não é hora de esperar

Dor ou pressão no peito de início súbito, persistente ou recorrente, especialmente quando associada a falta de ar, suor frio, palidez, náusea, tontura, desmaio ou dor irradiada, deve ser tratada como situação que precisa de avaliação urgente. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU 192 em casos de dor no peito de aparecimento súbito e suspeita de infarto.

Se a pessoa estiver apresentando esses sinais, não é adequado simplesmente esperar a dor passar ou dirigir sozinha até um serviço de saúde. O atendimento pré-hospitalar pode iniciar a avaliação e orientar a condução adequada do caso.

O que a enfermagem deve observar

Na avaliação inicial, caracterize o desconforto: início, localização, duração, intensidade, irradiação, fatores que pioram ou aliviam e sintomas associados. Verifique sinais vitais, saturação, nível de consciência e perfusão, mantendo o paciente em repouso e seguindo o protocolo institucional para avaliação de dor torácica.

Quando houver suspeita de síndrome coronariana aguda, o ECG e a avaliação médica precisam acontecer com agilidade. A investigação também pode envolver troponina e outros exames, conforme o quadro clínico e o protocolo do serviço.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve reconhecer rapidamente sinais de gravidade, monitorizar o paciente, verificar sinais vitais, caracterizar a dor, realizar ou auxiliar na obtenção do ECG conforme protocolo, manter acesso venoso quando indicado e comunicar alterações imediatamente.

Também é importante registrar horário de início da dor, características do sintoma, sinais associados, parâmetros avaliados, intervenções realizadas e resposta apresentada. Em dor torácica, a informação sobre quando tudo começou pode ser tão importante quanto a intensidade relatada pelo paciente.

Resumo para salvar

Dor no Peito: Quando Procurar Atendimento

  • Observe início características e sintomas associados
  • Atenção para falta de ar suor frio e tontura
  • Dor súbita no peito pode exigir atendimento urgente
  • Na suspeita de emergência acione o SAMU 192

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Infarto. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – Infarto. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: SAMU 192. 
  3. GULATI, M. et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain. Circulation, 2021. Disponível em: American Heart Association – Chest Pain Guideline. 
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Warning Signs of a Heart Attack. Dallas: AHA. Disponível em: American Heart Association – Warning Signs of a Heart Attack. 

Torsades de Pointes Como Reconhecer e Agir

torsades de pointes

Na prática da UTI, uma das pistas mais importantes para reconhecer a torsades de pointes pode estar no ECG feito antes da arritmia aparecer. Um QTc prolongado, especialmente associado a bradicardia e alterações eletrolíticas, sinaliza um terreno favorável para uma taquicardia ventricular polimórfica potencialmente grave. O risco aumenta de forma importante quando o QTc ultrapassa 500 ms.

O que é torsades de pointes?

A torsades de pointes é uma taquicardia ventricular polimórfica associada ao prolongamento do intervalo QT. No eletrocardiograma, os complexos QRS parecem mudar progressivamente de amplitude e eixo, criando a aparência de que estão “girando” ao redor da linha de base.

A arritmia pode terminar espontaneamente, mas também pode recorrer ou evoluir para fibrilação ventricular e parada cardíaca. Por isso, reconhecer o padrão rapidamente é fundamental.

O QT prolongado é a pista

A torsades geralmente aparece em um cenário de repolarização ventricular prolongada. Entre os fatores associados estão medicamentos que prolongam o QT, hipocalemia, hipomagnesemia, bradicardia e algumas condições congênitas do intervalo QT.

Na UTI, o risco pode aumentar quando vários fatores aparecem juntos. Um paciente recebendo medicamentos potencialmente prolongadores do QT, com potássio reduzido e frequência cardíaca baixa, por exemplo, merece atenção especial ao monitor cardíaco e aos exames laboratoriais.

Como reconhecer no monitor

O traçado costuma apresentar uma taquicardia ventricular de complexos largos, rápidos e polimórficos, com alteração progressiva da amplitude e do eixo dos QRS. Um detalhe importante é procurar o contexto imediatamente anterior à arritmia: QT prolongado, pausa ou bradicardia podem estar presentes.

Nem toda taquicardia ventricular polimórfica é torsades. Quando não existe prolongamento do QT, outras causas, especialmente isquemia miocárdica aguda, devem ser consideradas e a abordagem pode ser diferente.

Durante um plantão, é possível que o primeiro sinal seja justamente uma alteração repentina no monitor, seguida de perda de consciência. Nessa situação, não vale esperar “ver se passa”: a equipe precisa avaliar imediatamente pulso, consciência e estabilidade hemodinâmica, enquanto o atendimento da arritmia é iniciado.

O que fazer na emergência

Se a torsades estiver sustentada e houver instabilidade hemodinâmica ou ausência de pulso, a prioridade é choque elétrico não sincronizado, conforme o algoritmo de parada ou taquicardia ventricular aplicável. A diretriz AHA 2025 recomenda choque imediato para taquicardia ventricular polimórfica sustentada.

Quando existe torsades associada a QT prolongado, o sulfato de magnésio intravenoso pode ser utilizado para reduzir recorrências. A correção das alterações eletrolíticas, especialmente da hipocalemia, também é fundamental. Em situações recorrentes relacionadas à bradicardia ou às pausas, medidas para aumentar a frequência cardíaca, como estimulação cardíaca temporária, podem ser necessárias sob avaliação especializada.

Um ponto que costuma gerar confusão é administrar magnésio e considerar o caso resolvido. Mesmo quando a arritmia termina, o paciente continua vulnerável se o QT permanecer prolongado e a causa não for corrigida. Por isso, a investigação do medicamento envolvido, dos eletrólitos e da frequência cardíaca continua depois da reversão do episódio.

Procure o que prolongou o QT

Se houver suspeita de torsades adquirida, a equipe deve revisar medicamentos e outras condições que possam estar prolongando o QT. A retirada do agente desencadeante, quando clinicamente possível, faz parte do tratamento da causa.

Antiarrítmicos que prolongam ainda mais o QT devem ser evitados nesse contexto, porque podem agravar o mecanismo da arritmia. A abordagem deve ser individualizada de acordo com a causa, estabilidade do paciente e protocolo médico/institucional.

Outro cenário típico na assistência é o paciente que apresenta QT prolongado depois da introdução de um novo medicamento e, na mesma avaliação, aparece com potássio baixo. É justamente essa combinação que deve chamar atenção: revisar a prescrição, conferir os eletrólitos e comunicar rapidamente alterações relevantes pode evitar que uma alteração eletrocardiográfica evolua para uma arritmia grave.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve manter monitorização cardíaca contínua, observar alterações do ritmo, acompanhar QT/QTc quando indicado e comunicar imediatamente episódios de taquicardia ventricular, síncope, instabilidade ou alteração importante do traçado.

Também é essencial acompanhar potássio e magnésio, observar frequência cardíaca, conferir medicamentos que possam prolongar o QT e manter acesso venoso adequado em pacientes de risco. Se houver deterioração clínica, a equipe deve reconhecer rapidamente a instabilidade e iniciar o atendimento de emergência conforme protocolo institucional.

Na administração de sulfato de magnésio, confira apresentação, diluição, dose, via e velocidade prescritas, além da função renal e dos parâmetros clínicos pertinentes. A administração deve seguir protocolo institucional e prescrição, especialmente porque concentrações e apresentações podem variar.

Para guardar de vez

⚠ Pegadinha de Prova

QT prolongado + TV polimórfica = pense em torsades de pointes.

Paciente instável ou sem pulso = choque não sincronizado conforme protocolo de emergência.

Torsades associada a QT longo = magnésio IV e correção das causas, especialmente alterações eletrolíticas.

Recorrência com bradicardia ou pausas = pode ser necessário aumentar a frequência cardíaca com estratégia especializada.

A torsades de pointes não deve ser confundida com qualquer taquicardia ventricular polimórfica. O detalhe que muda o raciocínio é o QT prolongado. Reconhecer esse contexto no monitor, investigar os fatores desencadeantes e agir rapidamente pode ser decisivo para evitar evolução para fibrilação ventricular e parada cardíaca.

Resumo para salvar

Torsades de Pointes: Reconheça e Aja Rápido

  • Reconheça a TV polimórfica associada ao QT prolongado
  • Identifique medicamentos e alterações eletrolíticas que aumentam o risco
  • Use magnésio e corrija as causas conforme protocolo
  • Em instabilidade ou parada, realize choque não sincronizado conforme protocolo

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 152, supl. 2, p. S538-S577, 2025. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001376. Disponível em: AHA – Advanced Life Support 2025.
  2. MITCHELL, L. Brent. Torsades de Pointes Ventricular Tachycardia. Merck Manual Professional Edition. 2024. Disponível em: Merck Manual – Torsades de Pointes.
  3. Zipes, D. P. et al. ACC/AHA/ESC 2006 Guidelines for Management of Patients With Ventricular Arrhythmias and the Prevention of Sudden Cardiac Death. European Heart Journal, 2006. Disponível em: ESC – Ventricular Arrhythmias Guideline. 

Infarto: nova classificação em 2026

No plantão, uma troponina elevada pode chamar atenção imediatamente, mas o número sozinho não conta toda a história. Em 28 de agosto de 2026, quatro grandes sociedades cardiovasculares — ESC, ACC, AHA e WHF — publicaram a Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio, trazendo uma mudança importante: a antiga classificação numérica em tipos 1, 2, 3, 4a, 4b, 4c e 5 foi substituída por três categorias clínicas: infarto primário, secundário e relacionado a procedimento.

O que mudou na classificação do IAM?

Até então, a Quarta Definição Universal de IAM, de 2018, organizava o infarto em cinco tipos principais, com subdivisões relacionadas a procedimentos cardíacos. A nova definição de 2026 simplifica essa estrutura e procura aproximar a classificação daquilo que realmente aconteceu com o paciente: qual foi o mecanismo responsável pela isquemia e pela lesão miocárdica?

A nova classificação fica assim:

  1. Infarto do miocárdio primário: ocorre espontaneamente por uma patologia coronariana aguda primária.
  2. Infarto do miocárdio secundário: acontece devido a outra condição aguda que provoca desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio pelo miocárdio.
  3. Infarto do miocárdio relacionado a procedimento: ocorre como complicação de um procedimento cardíaco percutâneo ou cirúrgico.

Infarto primário: não é mais só aterotrombose

Essa é uma das mudanças que mais interessa para quem trabalha ou estuda cardiologia. Na classificação anterior, o tipo 1 estava fortemente associado à aterotrombose, como ruptura ou erosão de placa com formação de trombo. Na nova classificação, o infarto primário passa a abranger diferentes patologias coronarianas agudas.

Além da aterotrombose, entram situações como dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD), embolia coronariana e vasoespasmo coronariano. Também podem ser classificados como infarto primário eventos relacionados a reestenose, trombose de stent ou falha de enxerto quando ocorrem mais de 30 dias após o procedimento.

Isso é particularmente relevante porque uma coronariografia pode revelar mecanismos diferentes para um quadro que clinicamente chegou como “infarto”. A nova definição incentiva justamente a investigação da causa coronariana subjacente.

E o antigo tipo 2?

O tipo 2 deixa de ser utilizado como categoria numérica e passa a ser chamado de infarto secundário. Ele está relacionado a uma condição aguda que provoca desequilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio pelo coração. Entre os contextos que podem produzir esse desequilíbrio estão situações de anemia importante, hipóxia, hipotensão, hipertensão grave, taquiarritmias ou outras condições agudas capazes de aumentar a demanda ou reduzir a oferta de oxigênio.

A nova definição estabelece critérios mais objetivos para diferenciar um verdadeiro infarto secundário de uma simples lesão miocárdica aguda, evitando que toda elevação de troponina seja automaticamente chamada de IAM.

Lesão miocárdica não é sinônimo de infarto

Esse conceito continua sendo fundamental. A lesão miocárdica é identificada pela elevação da troponina cardíaca acima do percentil 99 do limite superior de referência. Quando existe elevação e/ou queda da troponina, considera-se uma lesão miocárdica aguda. Para chamar o quadro de infarto, é necessário haver evidência de isquemia miocárdica aguda, dentro dos critérios estabelecidos pela definição universal.

Na prática, isso evita uma associação perigosa: “troponina alta = infarto”. Sepse, insuficiência cardíaca, doença renal e diversas outras situações podem produzir lesão miocárdica sem preencher os critérios para IAM.

Uma mudança importante na troponina

A Quinta Definição Universal também reforça o uso de limites de referência específicos por sexo para a troponina cardíaca. A justificativa é reduzir um possível viés diagnóstico que pode contribuir para o sub-reconhecimento de infarto e de outras condições cardíacas em mulheres.

Além disso, a nova definição apresenta estratégias diagnósticas aceleradas utilizando troponinas cardíacas de alta sensibilidade, acompanhando a evolução dos métodos laboratoriais disponíveis atualmente.

O que aconteceu com os tipos 3, 4 e 5?

O antigo tipo 3, utilizado quando havia suspeita de IAM como causa de morte antes que fosse possível obter ou alterar os resultados dos biomarcadores, deixa de existir como categoria independente. Quando o infarto for considerado a provável causa da morte, deve-se aplicar a classificação primária, secundária ou relacionada a procedimento conforme o contexto clínico ou achados pós-morte.

Já os antigos tipos 4 e 5, relacionados respectivamente a intervenção coronariana percutânea e cirurgia de revascularização miocárdica, são incorporados à categoria de infarto relacionado a procedimento.

Outra mudança relevante é o período considerado: a nova definição contempla infarto relacionado a complicação de procedimento cardíaco ocorrido dentro de 30 dias, abrangendo procedimentos percutâneos e cirúrgicos.

E o MINOCA?

O conceito também foi atualizado. A nova definição passa a utilizar a expressão “lesão miocárdica com artérias coronárias não obstrutivas” como diagnóstico de trabalho, reforçando que a ausência de obstrução coronariana significativa não encerra a investigação.

A ideia é buscar posteriormente a causa definitiva, utilizando recursos como ressonância magnética cardíaca, imagem intracoronária e testes funcionais quando indicados. Isso é importante porque diferentes doenças podem inicialmente apresentar o mesmo cenário de troponina elevada e coronárias sem obstrução significativa.

O que muda para a enfermagem?

Na prática de enfermagem, a mudança reforça a importância de não registrar ou comunicar simplesmente “troponina positiva = IAM”. O profissional acompanha sinais e sintomas, ECG, evolução da dor, alterações hemodinâmicas, resposta às intervenções e resultados laboratoriais, mas a classificação etiológica do infarto depende da avaliação clínica e diagnóstica da equipe responsável.

Em um paciente com dor torácica, por exemplo, a enfermagem pode perceber rapidamente que a dor mudou de intensidade, que surgiu sudorese, hipotensão ou alteração do nível de consciência. Esses dados precisam ser comunicados e registrados com horário, porque a evolução temporal pode ser decisiva para a investigação e para a conduta.

Dois momentos que fazem diferença no plantão

Imagine um paciente internado por pneumonia grave que apresenta taquicardia persistente, queda da pressão arterial e elevação da troponina. O erro seria encerrar o raciocínio em “é IAM porque a troponina subiu”. A equipe precisa investigar se existe evidência de isquemia e se o quadro se enquadra nos critérios de infarto secundário ou apenas de lesão miocárdica aguda. Essa distinção ganhou ainda mais importância com a nova classificação.

Outro cenário é o paciente que retorna ao setor após uma intervenção coronariana e passa a apresentar dor torácica, alterações eletrocardiográficas e nova alteração de contratilidade ventricular. Nesse contexto, a equipe deve considerar uma possível complicação relacionada ao procedimento e comunicar imediatamente qualquer mudança clínica. A nova classificação coloca esses eventos dentro da categoria de infarto relacionado a procedimento quando os critérios diagnósticos são preenchidos.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, mantenha monitorização cardíaca quando indicada, acompanhe sinais vitais, dor, perfusão, nível de consciência e alterações do ECG, além de conferir e registrar horários de coleta de troponina e demais exames solicitados.

Em pacientes com suspeita de IAM, qualquer piora da dor, nova alteração eletrocardiográfica, instabilidade hemodinâmica, arritmia ou alteração neurológica deve ser comunicada imediatamente. A documentação precisa permitir reconstruir a sequência dos acontecimentos, especialmente em situações de emergência.

✓ Decore para a Prova Para guardar para a prova

A atualização de 2026 pode ser memorizada de uma maneira muito simples:

Antes: tipo 1, 2, 3, 4a, 4b, 4c e 5.

Agora: primário, secundário e relacionado a procedimento.

O infarto primário corresponde a uma patologia coronariana aguda espontânea; o secundário, a um desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio provocado por outra condição aguda; e o relacionado a procedimento, a uma complicação de procedimento cardíaco.

Essa é uma atualização importante para estudantes e profissionais de enfermagem porque muda uma classificação que apareceu durante anos em aulas, protocolos, artigos e questões de concurso. A partir de agora, materiais novos devem ser interpretados considerando a Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio, publicada em agosto de 2026.

Resumo para salvar

Infarto: nova classificação em 2026

  • A Quinta Definição Universal de IAM substituiu os tipos numéricos por três categorias
  • Infarto primário corresponde a uma patologia coronariana aguda espontânea
  • Infarto secundário ocorre por desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio provocado por outra condição aguda
  • Infarto relacionado a procedimento ocorre como complicação de procedimento cardíaco dentro dos critérios definidos

Referências:

  1. EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction (2026). Sophia Antipolis: ESC, 2026. Disponível em: ESC – Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction.
  2. MILLS, Nicholas L.; NEWBY, L. Kristin; ZAMAN, Sarah et al. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction. Journal of the American College of Cardiology, 2026. Disponível em: JACC – Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction.
  3. THYGESEN, Kristian et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction (2018). Circulation, v. 138, p. e618-e651, 2018. Disponível em: American Heart Association – Fourth Universal Definition of MI.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Top Things to Know: Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction (2026). Dallas: AHA, 2026. Disponível em: AHA – Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction.

Infarto Agudo do Miocárdio (IAM): cada minuto muda o desfecho

Há uma pergunta que pode ser mais importante do que “onde dói?” diante de uma suspeita de infarto: “Que horas exatamente essa dor começou?”

Na prática, o tempo de início dos sintomas ajuda a orientar decisões que podem definir a quantidade de músculo cardíaco preservada. O infarto agudo do miocárdio (IAM) ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do coração é interrompido, levando à isquemia e, se não houver reperfusão, à morte das células cardíacas. Por isso, não é uma situação para “esperar passar”. O Ministério da Saúde destaca que o atendimento nos primeiros minutos é fundamental para reduzir o risco de morte.

Nem todo infarto começa com aquela dor clássica

A apresentação mais conhecida é uma dor ou pressão no peito, geralmente intensa e prolongada, podendo irradiar para braço, ombro, costas, pescoço ou mandíbula. Sudorese fria, palidez, náuseas, vômitos, falta de ar, tontura e sensação de desmaio também podem aparecer. Em idosos e pessoas com diabetes, entretanto, o quadro pode ser menos típico; falta de ar ou um mal-estar súbito podem ser os principais sinais.

Por isso, durante o acolhimento, não basta perguntar simplesmente “está com dor?”. É importante investigar quando começou, como começou, quanto tempo dura, onde está localizada, para onde irradia, qual sua intensidade e quais sintomas vieram junto.

O ECG não pode ficar esperando

Na suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma de 12 derivações deve ser realizado idealmente em até 10 minutos após a apresentação do paciente. Um primeiro ECG normal também não exclui completamente a possibilidade de síndrome coronariana; dependendo da evolução clínica, podem ser necessários ECGs seriados.

Na rotina de um setor de emergência, esse detalhe muda completamente a dinâmica. Um paciente que chega dizendo “estou com uma pressão no peito desde cedo” não deveria ficar aguardando tranquilamente a fila de atendimento enquanto a equipe tenta descobrir depois o horário de início. A história precisa ser valorizada desde o primeiro contato.

Uma situação que fica na memória

Em um plantão, é fácil lembrar daqueles pacientes que chegam andando, conversando e até fazendo piada, apesar de estarem com uma queixa potencialmente grave. Já presenciei situações em que a aparência relativamente tranquila contrastava com a informação de que a dor havia começado havia pouco tempo.

É justamente nesses momentos que a equipe precisa evitar a falsa sensação de segurança. O paciente pode estar conversando normalmente e, ainda assim, precisar de uma avaliação imediata, monitorização e investigação cardíaca.

Cuidados de enfermagem fazem diferença

Na suspeita de IAM, a Enfermagem participa ativamente da avaliação inicial, classificação de risco, monitorização e organização do atendimento. É importante verificar sinais vitais, avaliar a intensidade e características da dor, investigar sintomas associados, conferir medicamentos em uso e alergias, realizar glicemia quando indicada, providenciar acesso venoso e acompanhar continuamente a condição clínica.

O paciente deve permanecer em repouso, com posicionamento adequado conforme seu estado clínico, e o oxigênio não deve ser administrado indiscriminadamente: a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde recomenda oxigenoterapia quando a saturação está abaixo de 94%, considerando particularidades como doença pulmonar obstrutiva crônica. A equipe também deve agilizar ECG, exames e encaminhamento conforme o protocolo institucional.

Outro ponto essencial é não perder a informação sobre o horário de início dos sintomas. Esse dado deve ser registrado de maneira clara, porque interfere na avaliação das estratégias de reperfusão.

A reperfusão não pode esperar

Nos casos de IAM com supradesnivelamento do segmento ST, a reperfusão miocárdica precisa ser realizada o mais rapidamente possível, por intervenção coronariana percutânea primária ou, quando indicada e conforme disponibilidade e critérios clínicos, por terapia trombolítica. O objetivo é diminuir o tempo total de isquemia.

É por isso que expressões como “tempo é músculo” fazem tanto sentido no atendimento ao infarto. Cada etapa do fluxo, desde a identificação da dor até o ECG, diagnóstico, medicação, transferência e reperfusão, precisa funcionar de maneira coordenada.

Outra cena comum na prática

Em ambiente hospitalar, uma das coisas que mais chama atenção é como a situação pode mudar rapidamente. Um paciente que estava conversando com a equipe pode começar a apresentar sudorese intensa, palidez, queda da pressão ou alteração do ritmo cardíaco em poucos minutos.

Nesses momentos, não existe espaço para uma assistência fragmentada. Enquanto alguém monitora o paciente, outro profissional organiza acesso e medicações conforme prescrição e protocolo, outro providencia exames e a equipe médica é acionada. A comunicação rápida deixa de ser apenas uma característica desejável e passa a fazer parte da segurança do atendimento.

O que o profissional de enfermagem precisa guardar

Diante de uma suspeita de infarto, dor torácica ou equivalente não deve ser banalizada. O horário de início dos sintomas precisa ser conhecido e registrado; sinais vitais e características da dor devem ser avaliados; o ECG deve ser agilizado; o paciente deve ser monitorizado conforme sua condição; e alterações clínicas precisam ser comunicadas imediatamente.

Se uma pessoa estiver apresentando dor súbita no peito, falta de ar, suor frio, palidez, desmaio ou outros sinais sugestivos de infarto, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente. No Brasil, o SAMU 192 atende situações como suspeita de infarto e dor torácica súbita.

Infarto não é uma situação para observar em casa para ver se melhora. Quanto mais cedo a equipe reconhecer o problema e iniciar o fluxo adequado, maior a possibilidade de reduzir o dano cardíaco e melhorar o desfecho.

Resumo para salvar

Infarto: reconheça os sinais antes que seja tarde

  • Dor torácica e sintomas associados exigem avaliação imediata
  • O ECG deve ser realizado idealmente em até 10 minutos
  • Registrar o horário de início dos sintomas é fundamental
  • Na suspeita de IAM, cada minuto pode influenciar o desfecho

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Infarto. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – Infarto. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio: manejo inicial. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Linha de Cuidado – Manejo inicial do IAM.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio: acolhimento e triagem. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Linha de Cuidado – Acolhimento e triagem.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio e o Protocolo de Síndromes Coronarianas Agudas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: Protocolo de Síndromes Coronarianas Agudas.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. SAMU 192. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: SAMU 192 – Ministério da Saúde. 
  6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 105, n. 2, supl. 1, p. 1-121, ago. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/FhxV98nFLWL38yZhHYwxp6F/?lang=pt. 
  7. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 713, de 22 de julho de 2022. Atualiza as normas para a atuação da Equipe de Enfermagem em Urgência e Emergência. Brasília, DF: Cofen, 2022. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-713-2022/

Tromboembolismo Pulmonar (TEP): tudo o que você precisa saber sobre essa emergência cardiovascular

Imagine um paciente que operou o joelho há três dias, evoluiu bem no pós-operatório, já caminhava com apoio pelo corredor e tinha alta marcada para o dia seguinte. De repente, sem aviso, ele refere falta de ar súbita, fica taquicárdico e a saturação começa a cair. Não houve febre, não houve piora gradual — foi de “bem” para “grave” em poucos minutos.

Esse tipo de cena é mais comum do que parece, e é exatamente por isso que o tromboembolismo pulmonar (TEP) é considerado uma das emergências cardiovasculares mais traiçoeiras da prática clínica: ele raramente avisa, e costuma atingir justamente quando a equipe já está de guarda baixa, acreditando que o pior já passou.

O TEP é uma das principais causas de morte evitável em pacientes hospitalizados, e ocorre quando um trombo (coágulo sanguíneo), geralmente originado nas veias profundas dos membros inferiores, desprende-se e percorre a corrente sanguínea até obstruir uma ou mais artérias pulmonares.

Essa obstrução impede que parte do pulmão receba fluxo sanguíneo adequado para realizar as trocas gasosas, provocando diminuição da oxigenação, sobrecarga do coração e, nos casos mais graves, choque e morte.

O reconhecimento precoce é fundamental, pois o tratamento instituído rapidamente reduz significativamente a mortalidade. Por isso, estudantes e profissionais de enfermagem devem conhecer os fatores de risco, os sinais clínicos e os cuidados necessários diante dessa condição.

Aqui você aprenderá o que é o tromboembolismo pulmonar, como ele acontece, quais são seus principais sintomas, formas de diagnóstico, tratamento, complicações e os cuidados de enfermagem mais importantes.

O que é o Tromboembolismo Pulmonar (TEP)?

O tromboembolismo pulmonar é a obstrução parcial ou total de uma artéria pulmonar ou de seus ramos por um êmbolo, geralmente um trombo sanguíneo.

Na maioria dos casos, esse coágulo se forma nas veias profundas das pernas ou da pelve, caracterizando uma Trombose Venosa Profunda (TVP). Quando esse trombo se desprende, ele passa pela circulação venosa, atravessa o coração direito e alcança a circulação pulmonar, onde pode ficar preso devido ao estreitamento progressivo das artérias pulmonares.

Em aproximadamente 90% dos casos, o TEP é consequência direta de uma trombose venosa profunda.

O que é um trombo? E um êmbolo?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles possuem significados diferentes.

  • Trombo é o coágulo formado dentro de um vaso sanguíneo.
  • Êmbolo é qualquer material que circula pela corrente sanguínea e pode obstruir um vaso.

No TEP, o êmbolo normalmente é um trombo desprendido, sendo chamado de tromboêmbolo.

Como acontece o Tromboembolismo Pulmonar?

Imagine uma pessoa que permaneceu vários dias acamada após uma cirurgia. Durante esse período, o sangue circula mais lentamente pelas pernas. Essa lentidão favorece a formação de coágulos nas veias profundas. Em determinado momento, parte desse trombo pode se desprender.

A corrente sanguínea leva esse fragmento até:

Veias das pernas → Veia cava inferior → Átrio direito → Ventrículo direito → Artéria pulmonar.

Ao atingir vasos pulmonares menores, o trombo fica impactado, interrompendo o fluxo sanguíneo.

A consequência é dupla:

  • parte do pulmão continua recebendo ar, mas deixa de receber sangue;
  • o ventrículo direito precisa fazer muito mais força para bombear sangue contra essa obstrução.

Nos casos graves, essa sobrecarga pode provocar insuficiência ventricular direita aguda e choque.

A tríade de Virchow

A formação dos trombos está relacionada à chamada Tríade de Virchow, descrita pelo patologista Rudolf Virchow no século XIX.

Ela envolve três fatores principais:

Estase venosa

É a diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo.

Pode ocorrer em:

  • repouso prolongado;
  • internações;
  • viagens longas;
  • imobilização por fraturas;
  • pós-operatório.

Lesão da parede do vaso

Pode acontecer por:

  • cirurgias;
  • traumas;
  • cateteres venosos;
  • inflamações.

Hipercoagulabilidade

O sangue torna-se mais propenso à formação de coágulos.

Pode ocorrer em:

  • câncer;
  • gravidez;
  • puerpério;
  • uso de anticoncepcionais hormonais;
  • trombofilias;
  • obesidade;
  • tabagismo;
  • síndrome nefrótica.

Esses três fatores aumentam significativamente o risco de trombose e, consequentemente, de TEP.

Quais são os principais fatores de risco?

Diversas situações favorecem o desenvolvimento do tromboembolismo pulmonar.

Entre elas:

  • idade acima de 60 anos;
  • trombose venosa profunda prévia;
  • histórico anterior de TEP;
  • cirurgia ortopédica;
  • cirurgia de grande porte;
  • internação prolongada;
  • permanência em UTI;
  • imobilização;
  • fraturas;
  • câncer;
  • obesidade;
  • gestação;
  • puerpério;
  • uso de anticoncepcionais;
  • terapia hormonal;
  • tabagismo;
  • insuficiência cardíaca;
  • acidente vascular cerebral;
  • COVID-19 grave;
  • doenças inflamatórias;
  • trombofilias hereditárias.

★ Cai em Concurso Tipos de Tromboembolismo Pulmonar

O TEP pode ser classificado conforme sua gravidade.

TEP maciço (alto risco)

É o mais grave.

Caracteriza-se por:

  • hipotensão persistente;
  • choque;
  • parada cardiorrespiratória;
  • importante disfunção do ventrículo direito.

Necessita tratamento imediato.

TEP submaciço (risco intermediário)

O paciente permanece com pressão arterial normal. Entretanto, apresenta sinais de sofrimento cardíaco, como:

  • aumento do ventrículo direito;
  • elevação de troponina;
  • BNP elevado.

Existe risco de piora clínica.

TEP de baixo risco

Não apresenta instabilidade hemodinâmica nem disfunção ventricular significativa.

O prognóstico costuma ser melhor.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam conforme o tamanho do trombo e a quantidade de vasos obstruídos.

Os mais frequentes são:

  • falta de ar súbita;
  • dor torácica, geralmente pior à inspiração;
  • taquipneia;
  • taquicardia;
  • ansiedade intensa;
  • sensação de morte iminente;
  • tosse;
  • hemoptise;
  • sudorese fria;
  • tontura;
  • síncope.

Em casos graves podem ocorrer:

  • hipotensão;
  • choque;
  • cianose;
  • parada cardiorrespiratória.

Sinais encontrados no exame físico

O profissional pode observar:

  • taquicardia;
  • aumento da frequência respiratória;
  • queda da saturação;
  • extremidades frias;
  • distensão jugular;
  • hipotensão;
  • sinais de trombose na perna, como edema unilateral, dor e aumento da temperatura local.

O Tromboembolismo Pulmonar sempre causa dor?

Não. Alguns pacientes apresentam apenas falta de ar. Outros desenvolvem somente taquicardia ou dessaturação inexplicada.

Isso torna o diagnóstico desafiador.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina avaliação clínica, probabilidade pré-teste, exames laboratoriais e exames de imagem.

Escalas de probabilidade clínica

As mais utilizadas são:

  • Escore de Wells;
  • Escore de Genebra Revisado.

Essas ferramentas ajudam a estimar a probabilidade de TEP e orientam a investigação.

Dímero-D

É um exame laboratorial que detecta produtos da degradação da fibrina. Quando o resultado é normal em pacientes de baixa probabilidade clínica, o TEP torna-se pouco provável.

Entretanto, um Dímero-D elevado não confirma o diagnóstico, pois pode aumentar em diversas situações, como infecções, câncer, gestação e pós-operatório.

Angiotomografia pulmonar

É considerada o principal exame para confirmação diagnóstica. Permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares.

Angiografia pulmonar

Durante muitos anos foi considerada o padrão-ouro. Hoje é reservada para situações específicas.

Ecocardiograma

Avalia sinais de sobrecarga do ventrículo direito. É muito útil em pacientes instáveis.

Ultrassom Doppler venoso

Procura identificar trombose venosa profunda nos membros inferiores.

Gasometria arterial

Pode demonstrar:

  • hipoxemia;
  • hipocapnia;
  • alcalose respiratória.

Entretanto, uma gasometria normal não exclui TEP.

Como é tratado?

O tratamento depende da gravidade:

Anticoagulantes

São a base do tratamento. Os mais utilizados incluem:

  • heparina não fracionada;
  • heparina de baixo peso molecular;
  • fondaparinux;
  • rivaroxabana;
  • apixabana;
  • edoxabana;
  • dabigatrana;
  • varfarina.

Os anticoagulantes impedem que novos trombos se formem e permitem que o organismo dissolva gradualmente o coágulo existente.

Trombólise

Indicada principalmente no TEP maciço com instabilidade hemodinâmica.

Os principais medicamentos utilizados são:

  • alteplase;
  • tenecteplase (em situações específicas).

Seu objetivo é dissolver rapidamente o trombo.

Embolectomia

Pode ser realizada por cirurgia ou cateter. É indicada quando a trombólise é contraindicada ou não apresenta sucesso.

Filtro de veia cava

Utilizado em pacientes com contraindicação absoluta ao uso de anticoagulantes ou em casos selecionados de recorrência de embolia pulmonar apesar da anticoagulação adequada.

Possíveis complicações

As principais complicações incluem:

  • insuficiência respiratória;
  • choque obstrutivo;
  • insuficiência ventricular direita;
  • hipertensão pulmonar tromboembólica crônica;
  • recorrência do TEP;
  • morte súbita.

Como prevenir?

A prevenção é extremamente importante. As medidas incluem:

  • Mobilização precoce após cirurgias.
  • Deambulação sempre que possível.
  • Uso de meias de compressão graduada quando indicadas.
  • Compressão pneumática intermitente.
  • Profilaxia farmacológica com anticoagulantes em pacientes de risco.
  • Hidratação adequada.
  • Evitar longos períodos sentado sem movimentar as pernas.

Você sabia?

O tromboembolismo pulmonar é considerado uma das principais causas evitáveis de morte hospitalar. Nem todo paciente com trombose venosa profunda desenvolve TEP, mas toda suspeita de TVP deve ser investigada rapidamente devido ao risco de embolização.

Em muitos casos, o primeiro sinal de uma trombose silenciosa pode ser justamente um episódio de embolia pulmonar. A falta de ar súbita acompanhada de dor torácica em pacientes internados ou no pós-operatório sempre deve levantar suspeita de TEP. A tromboprofilaxia hospitalar adequada reduz significativamente a incidência de tromboembolismo venoso e salva milhares de vidas todos os anos.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem desempenha papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento do tromboembolismo pulmonar. Entre os principais cuidados estão:

  • Realizar avaliação clínica frequente, monitorando sinais de dispneia, dor torácica, taquicardia, hipotensão e alteração do nível de consciência.
  • Monitorar continuamente sinais vitais, saturação periférica de oxigênio e frequência respiratória.
  • Administrar oxigenoterapia conforme prescrição e observar a resposta clínica do paciente.
  • Manter acesso venoso pérvio para administração rápida de medicamentos e fluidos quando necessário.
  • Administrar anticoagulantes rigorosamente conforme prescrição médica, observando dose, horário e possíveis sinais de sangramento.
  • Monitorar exames laboratoriais relacionados à anticoagulação, como TTPa, TP/INR e hemograma, conforme o anticoagulante utilizado.
  • Observar sinais de complicações hemorrágicas, incluindo hematomas extensos, epistaxe, hematúria, melena, gengivorragia e queda da pressão arterial.
  • Estimular mobilização precoce sempre que clinicamente possível e conforme orientação da equipe multiprofissional.
  • Orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento anticoagulante, do comparecimento às consultas de acompanhamento e da identificação precoce de sinais de sangramento.
  • Realizar medidas preventivas para trombose venosa profunda, como utilização correta de meias compressivas ou dispositivos de compressão pneumática quando prescritos.
  • Manter vigilância contínua em pacientes instáveis, comunicando imediatamente qualquer piora clínica.

O tromboembolismo pulmonar é uma emergência médica potencialmente fatal, mas que pode ser prevenida em grande parte dos casos com medidas simples e eficazes de tromboprofilaxia. O reconhecimento precoce dos fatores de risco, dos sinais clínicos e das alterações hemodinâmicas permite diagnóstico e tratamento rápidos, reduzindo significativamente a mortalidade.

A equipe de enfermagem possui papel essencial em todas as etapas do cuidado, desde a prevenção da trombose venosa profunda até o monitoramento intensivo dos pacientes diagnosticados com TEP. Uma assistência baseada em evidências, aliada à educação em saúde e ao acompanhamento rigoroso, contribui diretamente para melhores desfechos clínicos e maior segurança do paciente.

Resumo para salvar

TEP: o paciente que ia bem e piorou em minutos

  • 90% dos casos de TEP vêm de uma trombose venosa profunda (TVP)
  • Sinais de alerta: falta de ar súbita, dor torácica à inspiração e taquicardia
  • Diagnóstico combina Escore de Wells, Dímero-D e Angiotomografia pulmonar
  • Anticoagulantes são a base do tratamento; casos graves podem exigir trombólise

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para tromboembolismo pulmonar. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes brasileiras de embolia pulmonar. Rio de Janeiro: SBC, 2022. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/. 
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Tromboembolismo Venoso. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Embolia Pulmonar e Tromboembolismo Venoso. São Paulo: SBC. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br
  6. KONSTANTINIDES, S. V. et al. 2024 ESC Guidelines for the management of acute pulmonary embolism. European Society of Cardiology. Disponível em: https://www.escardio.org
  7. AMERICAN COLLEGE OF CHEST PHYSICIANS (CHEST). Antithrombotic Therapy for VTE Disease: CHEST Guideline and Expert Panel Report. Disponível em: https://journal.chestnet.org
  8. BRAUNWALD, E. Braunwald’s Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine. 12. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022.
  9. KASPER, D. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022

Doenças Valvulares

O coração funciona como uma bomba que impulsiona o sangue para todo o organismo. Para que esse processo ocorra de forma eficiente, o fluxo sanguíneo precisa seguir apenas uma direção. Essa função é desempenhada pelas quatro válvulas cardíacas, estruturas que se abrem e se fecham milhares de vezes por dia, garantindo que o sangue não retorne para a câmara de onde acabou de sair.

Quando uma dessas válvulas deixa de funcionar adequadamente, surge o que chamamos de doença valvar cardíaca ou valvopatia. Essas alterações podem dificultar a passagem do sangue, permitir seu refluxo ou provocar ambas as situações ao mesmo tempo, aumentando o trabalho do coração e favorecendo o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações.

As doenças valvulares podem permanecer assintomáticas por muitos anos, sendo descobertas apenas durante um exame físico de rotina, quando o profissional identifica um sopro cardíaco. Entretanto, à medida que a doença progride, podem surgir sintomas importantes que comprometem significativamente a qualidade de vida.

Neste artigo você conhecerá as principais valvopatias, entenderá como elas se desenvolvem, quais são seus sintomas, formas de diagnóstico, tratamento e os cuidados de enfermagem fundamentais para esses pacientes.

O que são as válvulas cardíacas?

O coração possui quatro válvulas responsáveis por controlar o fluxo sanguíneo:

  • Valva mitral
  • Valva tricúspide
  • Valva aórtica
  • Valva pulmonar

Cada uma atua como uma “porta”, abrindo-se para permitir a passagem do sangue e fechando-se logo em seguida para impedir seu retorno.

Esse mecanismo acontece aproximadamente entre 60 e 100 vezes por minuto em um adulto saudável em repouso, podendo ultrapassar 100 mil ciclos por dia.

Como funcionam as válvulas?

Durante o ciclo cardíaco existem dois momentos principais:

Diástole

É o momento em que o coração relaxa e recebe sangue.

Sístole

É o momento em que o coração se contrai para bombear o sangue. As válvulas abrem e fecham de forma sincronizada para garantir que o sangue siga apenas um único sentido. Quando esse mecanismo falha, surgem as doenças valvulares.

O que é uma doença valvular?

Uma doença valvular ocorre quando uma ou mais válvulas cardíacas apresentam alterações estruturais ou funcionais que comprometem sua abertura, fechamento ou ambos.

Essas alterações podem ser congênitas (presentes desde o nascimento) ou adquiridas ao longo da vida.

Os dois principais tipos de alteração valvar

Independentemente da válvula acometida, praticamente todas as valvopatias pertencem a dois grandes grupos.

Estenose valvar

Na estenose, a válvula não consegue abrir completamente. Isso faz com que o sangue encontre dificuldade para atravessá-la, o coração precisa gerar uma pressão muito maior para vencer essa resistência. Com o passar do tempo ocorre sobrecarga da câmara cardíaca.

Uma forma simples de imaginar esse processo é pensar em uma porta parcialmente fechada: quanto menor a abertura, mais difícil será passar por ela.

Insuficiência (ou regurgitação) valvar

Nesse caso, a válvula não consegue fechar completamente e parte do sangue retorna para a câmara anterior. O coração precisa bombear um volume maior de sangue para compensar essa perda.

É semelhante a uma torneira que não fecha totalmente e permite o retorno constante da água.

Quais são as principais causas das doenças valvulares?

Diversas condições podem comprometer as válvulas cardíacas.

Entre as principais causas estão:

  • envelhecimento;
  • calcificação das válvulas;
  • febre reumática;
  • endocardite infecciosa;
  • doenças congênitas;
  • doenças degenerativas;
  • prolapso da valva mitral;
  • infarto do miocárdio;
  • doenças do tecido conjuntivo (como síndrome de Marfan);
  • radioterapia torácica;
  • doenças autoimunes.

Nos países desenvolvidos, a degeneração relacionada ao envelhecimento é atualmente a principal causa. Já em países em desenvolvimento, a febre reumática ainda representa importante causa de valvopatias.

Valva aórtica

A valva aórtica separa o ventrículo esquerdo da aorta, é uma das válvulas mais frequentemente acometidas.

Estenose aórtica

É uma das doenças valvulares mais comuns em idosos onde o estreitamento da válvula dificulta a saída do sangue do ventrículo esquerdo.

Principais causas

  • calcificação relacionada à idade;
  • válvula aórtica bicúspide congênita;
  • febre reumática.

Sintomas

Durante muitos anos o paciente pode não apresentar sintomas.

Quando eles aparecem, destacam-se:

  • falta de ar;
  • dor no peito (angina);
  • desmaios (síncope);
  • fadiga;
  • palpitações;
  • insuficiência cardíaca.

A tríade clássica da estenose aórtica grave é:

  • angina;
  • síncope;
  • dispneia.

Insuficiência aórtica

Na insuficiência aórtica, parte do sangue retorna da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole.

Principais causas

  • hipertensão arterial;
  • dilatação da raiz da aorta;
  • síndrome de Marfan;
  • endocardite;
  • febre reumática.

Sintomas

  • cansaço;
  • falta de ar;
  • palpitações;
  • sensação dos batimentos fortes;
  • insuficiência cardíaca em fases avançadas.

Valva mitral

A valva mitral localiza-se entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo.

Estenose mitral

É classicamente associada à febre reumática. O estreitamento dificulta a passagem do sangue para o ventrículo esquerdo.

Sintomas

  • falta de ar;
  • tosse;
  • fadiga;
  • palpitações;
  • fibrilação atrial;
  • edema pulmonar.

Insuficiência mitral

É uma das valvopatias mais frequentes.

O sangue retorna para o átrio esquerdo durante a contração ventricular.

Causas

  • prolapso da valva mitral;
  • degeneração mixomatosa;
  • infarto;
  • ruptura de cordas tendíneas;
  • endocardite.

Sintomas

  • dispneia;
  • fadiga;
  • intolerância aos esforços;
  • palpitações;
  • insuficiência cardíaca.

Prolapso da valva mitral

O prolapso ocorre quando um ou ambos os folhetos da válvula projetam-se para dentro do átrio esquerdo durante a sístole sendo relativamente comum. Na maioria das pessoas apresenta evolução benigna. Alguns pacientes podem desenvolver insuficiência mitral significativa.

Valva tricúspide

A válvula tricúspide separa o átrio direito do ventrículo direito.

Insuficiência tricúspide

Frequentemente ocorre como consequência da hipertensão pulmonar ou da insuficiência cardíaca.

Sintomas

  • edema de membros inferiores;
  • aumento do fígado;
  • ascite;
  • ingurgitamento jugular.

Estenose tricúspide

É rara, mas quando ocorre, geralmente está associada à febre reumática.

Valva pulmonar

A válvula pulmonar controla a saída do sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar.

Estenose pulmonar

Na maioria das vezes é congênita. Casos leves podem permanecer sem sintomas durante muitos anos.

Insuficiência pulmonar

Pode ocorrer em pacientes com hipertensão pulmonar ou após cirurgias cardíacas.

Como surgem os sintomas?

Independentemente da válvula acometida, o coração precisa trabalhar mais. Inicialmente ele consegue compensar esse esforço.

Com o passar dos anos surgem:

  • hipertrofia cardíaca;
  • dilatação das câmaras;
  • insuficiência cardíaca;
  • arritmias.

É por isso que muitos pacientes permanecem sem sintomas por longo período.

Principais sinais e sintomas

As manifestações variam conforme a válvula acometida e a gravidade da doença.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • falta de ar aos esforços;
  • cansaço;
  • intolerância ao exercício;
  • dor torácica;
  • palpitações;
  • tontura;
  • desmaios;
  • edema em membros inferiores;
  • ganho de peso por retenção hídrica;
  • ortopneia;
  • dispneia paroxística noturna.

O sopro cardíaco

O sopro é um ruído produzido pela passagem turbulenta do sangue através das válvulas. Nem todo sopro significa doença, mas existem sopros fisiológicos. Entretanto, muitos sopros indicam alguma valvopatia e devem ser investigados.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação inclui:

  • história clínica;
  • exame físico;
  • ausculta cardíaca;
  • eletrocardiograma;
  • radiografia de tórax;
  • ecocardiograma transtorácico;
  • ecocardiograma transesofágico;
  • tomografia cardíaca;
  • ressonância cardíaca;
  • cateterismo cardíaco em casos selecionados.

O ecocardiograma é considerado o principal exame para diagnóstico e acompanhamento das doenças valvulares.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da válvula acometida, da gravidade da doença, dos sintomas e da função cardíaca.

Pode incluir:

Tratamento clínico

Inclui medicamentos para controlar sintomas e complicações, como:

É importante destacar que, na maioria das valvopatias estruturais, os medicamentos aliviam sintomas, mas não corrigem o defeito da válvula.

Tratamento percutâneo

Algumas doenças podem ser tratadas por cateterismo. Os principais procedimentos incluem:

  • TAVI (Implante Transcateter de Valva Aórtica), indicado para casos selecionados de estenose aórtica;
  • valvoplastia mitral por balão, utilizada em pacientes selecionados com estenose mitral.

Essas técnicas reduzem a necessidade de cirurgia em muitos pacientes.

Cirurgia cardíaca

Quando a doença é grave, pode ser necessário:

  • plastia valvar (reparo da válvula);
  • troca por prótese biológica;
  • troca por prótese mecânica.

Próteses valvares

Próteses mecânicas

São fabricadas com materiais altamente resistentes, como carbono pirolítico e titânio.

Vantagens

  • longa durabilidade;
  • podem durar décadas.

Desvantagens

Necessitam anticoagulação permanente.

Próteses biológicas

São confeccionadas a partir de tecidos animais, geralmente:

  • pericárdio bovino;
  • válvulas porcinas.

Vantagens

Menor necessidade de anticoagulação prolongada (dependendo do caso).

Desvantagens

Durabilidade menor, geralmente entre 10 e 20 anos, variando conforme idade e fatores clínicos.

Possíveis complicações

Sem tratamento adequado, as valvopatias podem evoluir para:

  • insuficiência cardíaca;
  • fibrilação atrial;
  • acidente vascular cerebral (AVC);
  • endocardite infecciosa;
  • edema agudo de pulmão;
  • choque cardiogênico;
  • morte súbita em casos específicos.

Curiosidades

O coração humano realiza cerca de 100 mil batimentos por dia, e cada válvula abre e fecha aproximadamente a mesma quantidade de vezes. A estenose aórtica é atualmente a valvopatia mais comum em idosos, principalmente devido à calcificação progressiva da válvula. A febre reumática, embora menos frequente em países desenvolvidos, ainda é uma das principais causas de doença valvar em países de média e baixa renda.

O ecocardiograma Doppler revolucionou o diagnóstico das valvopatias, permitindo avaliar não apenas a anatomia das válvulas, mas também a direção e a velocidade do fluxo sanguíneo. O implante transcateter de valva aórtica (TAVI) tornou-se uma alternativa importante para pacientes com estenose aórtica grave que apresentam alto risco cirúrgico.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem desempenha papel fundamental no acompanhamento de pacientes com doenças valvulares cardíacas, tanto em ambiente ambulatorial quanto hospitalar. Entre os principais cuidados destacam-se:

  • Realizar avaliação clínica sistemática, observando presença de dispneia, fadiga, edema, palpitações e intolerância aos esforços.
  • Monitorar sinais vitais, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e saturação de oxigênio.
  • Auscultar sons cardíacos quando habilitado e comunicar alterações como novos sopros ou mudanças no padrão habitual.
  • Observar sinais de insuficiência cardíaca, como edema periférico, ortopneia, dispneia paroxística noturna e ganho rápido de peso.
  • Monitorar balanço hídrico, especialmente em pacientes com retenção de líquidos.
  • Administrar medicamentos conforme prescrição, observando possíveis efeitos adversos e necessidade de monitorização laboratorial, especialmente em pacientes em uso de anticoagulantes.
  • Orientar sobre adesão ao tratamento, restrição de sódio quando indicada, prática de atividade física conforme orientação médica e controle dos fatores de risco cardiovascular.
  • Preparar e orientar pacientes submetidos a exames diagnósticos, procedimentos percutâneos ou cirurgias valvares.
  • Nos pacientes portadores de próteses mecânicas, reforçar a importância do uso contínuo da anticoagulação e do acompanhamento periódico do INR.
  • Estimular a procura imediata por atendimento em caso de dor torácica intensa, síncope, piora da dispneia, febre persistente (suspeita de endocardite) ou sinais de insuficiência cardíaca descompensada.

As doenças valvulares cardíacas representam um importante grupo de enfermidades cardiovasculares que podem permanecer silenciosas durante anos e, quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, evoluir para complicações potencialmente graves. O conhecimento das diferentes valvopatias, seus mecanismos, manifestações clínicas e opções terapêuticas é essencial para estudantes e profissionais de enfermagem.

O enfermeiro e toda a equipe de enfermagem exercem papel decisivo na identificação precoce dos sintomas, no monitoramento clínico, na educação em saúde e no acompanhamento dos pacientes antes e após intervenções, contribuindo para uma assistência segura, baseada em evidências e centrada no paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes brasileiras de valvopatias. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Valvopatias. Rio de Janeiro: SBC, 2022. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/. 
  4. OTTO, C. M.; NISHIMURA, R. A.; BONOW, R. O. Valvular Heart Disease: A Companion to Braunwald’s Heart Disease. 6. ed. Philadelphia: Elsevier, 2024.
  5. KASPER, D. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022.
  6. BRAUNWALD, E. Braunwald’s Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine. 12. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022.
  7. AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY (ACC); AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). 2020 Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease. Disponível em: https://www.acc.org
  8. EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY (ESC). 2021 ESC/EACTS Guidelines for the Management of Valvular Heart Disease. Disponível em: https://www.escardio.org

Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 (SBC): o que mudou e como aplicar na prática de enfermagem

A hipertensão arterial continua sendo um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. Silenciosa na maioria das vezes, ela está diretamente associada a eventos graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e morte precoce.

Com o objetivo de melhorar o diagnóstico, a prevenção e o tratamento, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em parceria com outras entidades, publicou a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025, trazendo mudanças importantes que impactam diretamente a prática clínica e a rotina da enfermagem.

Nesta publicação, você vai entender de forma completa e didática as principais atualizações da diretriz, com destaque para a nova classificação da pressão arterial em consultório, além de conceitos essenciais para o cuidado ao paciente.

O que é a Diretriz Brasileira de Hipertensão 2025?

A diretriz de 2025 é um documento baseado em evidências científicas atualizadas que orienta profissionais de saúde sobre:

  • diagnóstico da hipertensão arterial;
  • classificação da pressão arterial;
  • estratificação de risco cardiovascular;
  • tratamento farmacológico e não farmacológico;
  • metas terapêuticas.

Ela representa uma evolução em relação às diretrizes anteriores, com foco maior em prevenção precoce e intervenção antecipada.

A Técnica de Medida: Onde o Erro Não Pode Existir

Antes de falarmos sobre números, precisamos falar sobre como chegamos a eles. A diretriz de 2025 reforça que uma medida mal feita é pior do que nenhuma medida. Para o enfermeiro, garantir o preparo do paciente é o primeiro passo da assistência. O paciente deve estar em repouso de pelo menos cinco minutos em ambiente calmo, com as costas apoiadas, pernas descruzadas e pés no chão.

Um ponto que ganha ainda mais destaque é a escolha do manguito. Utilizar um manguito pequeno demais em um braço largo gera uma falsa leitura de pressão elevada. Além disso, a diretriz enfatiza a importância das medidas fora do consultório, como a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) e a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), para descartar o “efeito do avental branco” ou a “hipertensão mascarada”.

A Nova Classificação da Pressão Arterial (Acima de 18 Anos)

Uma das mudanças mais importantes da diretriz de 2025 foi a atualização da classificação da pressão arterial medida em consultório.

A principal novidade é que o famoso “12 por 8” deixou de ser considerado totalmente normal e passou a ser classificado como um estado de alerta.

Classificação atual segundo a SBC 2025

  • Pressão arterial normal:
    valores inferiores a 120 mmHg (sistólica) e inferiores a 80 mmHg (diastólica) – Este é o alvo ideal para a população geral.
  • Pré-hipertensão:
    pressão sistólica entre 120–139 mmHg e/ou diastólica entre 80–89 mmHg – Aqui, o paciente ainda não é considerado hipertenso, mas já possui um risco aumentado de evoluir para a doença, exigindo intervenções imediatas em estilo de vida.
  • Hipertensão arterial estágio 1:
    sistólica entre 140–159 mmHg e/ou diastólica entre 90–99 mmHg – Note que tornou-se o novo marco divisório para o início da classificação de hipertensão em muitos perfis de pacientes.
  • Hipertensão arterial estágio 2:
    sistólica entre 160–179 mmHg e/ou diastólica entre 100–109 mmHg – Nestes casos, a intervenção medicamentosa é quase sempre imediata, associada às mudanças de hábito.
  • Hipertensão arterial estágio 3:
    sistólica ≥ 180 mmHg e/ou diastólica ≥ 110 mmHg – O risco de um evento cardiovascular maior — como um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico ou um Infarto Agudo do Miocárdio — é considerado alto ou muito alto, independentemente de o paciente possuir ou não outros fatores de risco.

Essa nova classificação reforça a importância de identificar precocemente indivíduos em risco, especialmente aqueles que antes eram considerados “normais” e agora estão em pré-hipertensão.

O que mudou na prática: o “12 por 8” agora é alerta

Historicamente, valores de 120/80 mmHg eram vistos como normais. No entanto, a diretriz de 2025 passou a considerar esses valores como pré-hipertensão.

Essa mudança tem um objetivo claro: identificar pacientes mais cedo e evitar a progressão para hipertensão estabelecida.

Isso muda completamente a abordagem clínica, pois pacientes que antes não recebiam intervenção agora passam a ser acompanhados de forma mais ativa.

Diagnóstico da hipertensão arterial

O diagnóstico de hipertensão não deve ser feito com apenas uma medida isolada.

A diretriz reforça que:

  • a pressão deve ser aferida corretamente, em ambiente adequado;
  • o paciente deve estar em repouso;
  • é necessário confirmar níveis elevados em mais de uma ocasião.

Além disso, métodos complementares como MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) e MRPA (monitorização residencial) são fortemente recomendados para confirmar o diagnóstico e evitar erros como:

  • hipertensão do avental branco;
  • hipertensão mascarada.

Metas de tratamento na diretriz 2025

Outro ponto importante é a simplificação das metas terapêuticas.

A diretriz estabelece que, de forma geral:

  • a meta de pressão arterial é < 130/80 mmHg, quando tolerado pelo paciente

Essa padronização facilita a prática clínica e reduz a confusão que existia em diretrizes anteriores.

Tratamento da hipertensão arterial

Medidas não farmacológicas

A diretriz reforça que o tratamento não começa com medicamentos, mas sim com mudanças no estilo de vida.

Entre as principais recomendações estão:

  • redução do consumo de sal;
  • prática regular de atividade física;
  • controle do peso corporal;
  • cessação do tabagismo;
  • redução do consumo de álcool.

Essas medidas devem ser iniciadas já na fase de pré-hipertensão.

Tratamento medicamentoso

A diretriz de 2025 trouxe uma abordagem mais agressiva e precoce:

  • pacientes com ≥ 140/90 mmHg devem iniciar tratamento medicamentoso imediatamente;
  • em muitos casos, já se recomenda iniciar com combinação de duas medicações.

Isso ocorre porque o controle precoce reduz significativamente o risco de eventos cardiovasculares.

Estratificação de risco cardiovascular

A pressão arterial não deve ser analisada isoladamente.

A diretriz enfatiza a importância de avaliar o risco cardiovascular global do paciente, considerando:

  • idade;
  • diabetes;
  • dislipidemia;
  • doença renal;
  • histórico familiar;
  • tabagismo.

Pacientes com risco elevado podem necessitar de tratamento mais intensivo, mesmo com níveis pressóricos menores.

Complicações da hipertensão arterial

A hipertensão não controlada pode levar a lesões em órgãos-alvo, como:

  • coração (infarto, insuficiência cardíaca);
  • cérebro (AVC);
  • rins (insuficiência renal crônica);
  • retina (retinopatia hipertensiva).

Por isso, o controle adequado da pressão arterial é uma das estratégias mais importantes na prevenção de mortalidade.

Cuidados de enfermagem na hipertensão arterial

A enfermagem tem papel central na prevenção, diagnóstico e acompanhamento da hipertensão.

Aferição correta da pressão arterial

Um dos pontos mais importantes é a técnica correta:

  • paciente deve estar sentado, em repouso por pelo menos 5 minutos;
  • braço apoiado na altura do coração;
  • manguito adequado ao tamanho do braço;
  • evitar falar durante a medida.

Erros na técnica podem levar a diagnósticos incorretos.

Educação em saúde

A enfermagem atua diretamente na orientação do paciente:

  • explicando o que é hipertensão;
  • incentivando mudanças no estilo de vida;
  • orientando sobre adesão ao tratamento.

Esse acompanhamento é essencial, pois muitos pacientes abandonam o tratamento por falta de sintomas.

Monitorização e acompanhamento

O profissional de enfermagem também deve:

  • acompanhar níveis pressóricos;
  • identificar sinais de descompensação;
  • observar efeitos adversos de medicamentos;
  • reforçar o seguimento ambulatorial.

Promoção da prevenção

Com a nova classificação, a enfermagem passa a atuar ainda mais na fase de pré-hipertensão, promovendo intervenções precoces e evitando evolução da doença. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 representa uma mudança importante no cuidado cardiovascular no Brasil.

A reclassificação da pressão arterial, especialmente a inclusão da pré-hipertensão, reforça a necessidade de uma abordagem mais preventiva e menos reativa. Para a enfermagem, isso significa um papel ainda mais ativo na detecção precoce, educação em saúde e acompanhamento contínuo dos pacientes. Mais do que tratar a hipertensão, o foco agora é evitar que ela se desenvolva.

Referências:

  1. MALACHIAS, M. V. B. et al. Atualização da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2024/2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 122, n. 9, e20250624, 2025. Disponível em: https://abccardiol.org/wp-content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-122-09-e20250624/0066-782X-abc-122-09-e20250624.x66747.pdf. 
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Rio de Janeiro: SBC, 2024. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/. 
  3. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Consulta de Enfermagem ao Paciente com Hipertensão Arterial. São Paulo: COREN-SP, 2022. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br. 
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Disponível em: Página oficial da SBC
  5. ESTRATÉGIA MED. Nova diretriz de hipertensão arterial 2025: o que mudou. Disponível em: https://med.estrategia.com/portal/noticias/nova-diretriz-de-manejo-da-pressao-arterial-passa-a-considerar-12-por-8-como-pre-hipertensao-entenda-a-mudanca/

Emergência e Urgência Hipertensiva: Entenda as Diferenças

A hipertensão arterial, ou pressão alta, é uma condição crônica muito comum. Muitos convivem com ela de forma controlada, com medicação e hábitos saudáveis. Mas, e quando a pressão sobe de repente para níveis altíssimos?

Aí, a situação muda de figura e podemos estar diante de um quadro que exige nossa atenção imediata: as crises hipertensivas.

Dentro das crises, existem duas condições que, embora pareçam semelhantes, têm implicações muito diferentes e exigem abordagens distintas: a emergência hipertensiva e a urgência hipertensiva.

Para nós, profissionais de enfermagem e estudantes de enfermagem, compreender essas diferenças é crucial para uma avaliação rápida e uma conduta que pode salvar a vida ou prevenir danos graves a órgãos.

Vamos desvendar cada uma delas?

O que é uma Crise Hipertensiva?

Crise hipertensiva é o termo utilizado para descrever uma elevação acentuada da pressão arterial, geralmente com valores acima de 180/120 mmHg. Essa condição pode se apresentar com ou sem sinais de lesão aguda em órgãos-alvo como o coração, cérebro, rins ou vasos sanguíneos.

A crise hipertensiva se divide em dois tipos principais:

  • Urgência hipertensiva: quando há elevação da pressão arterial sem sinais de dano imediato a órgãos-alvo.
  • Emergência hipertensiva: quando a elevação pressórica vem acompanhada de comprometimento agudo e progressivo de órgãos vitais.

Emergência Hipertensiva: O Perigo Iminente (Dano em Órgão-Alvo)

Imagine a pressão subindo tanto que começa a “quebrar” ou comprometer o funcionamento de órgãos vitais. Isso é uma emergência hipertensiva. Nela, a pressão arterial elevadíssima está causando ou ameaçando causar danos agudos e progressivos a órgãos como cérebro, coração, rins ou olhos.

Características Principais:

    • Valores de PA: Geralmente PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg.
    • Presença de Lesão em Órgão-Alvo: Este é o critério DEFINIDOR. Não é apenas a pressão alta, mas o efeito que ela está causando no corpo.
    • Sintomas Graves: Os sintomas refletem o comprometimento dos órgãos.
    • Tratamento: Redução imediata e controlada da PA (em minutos a 1 hora), geralmente com medicamentos administrados por via intravenosa (IV) em ambiente de UTI ou emergência. A queda deve ser gradual para evitar hipoperfusão (falta de sangue) em órgãos, mas rápida o suficiente para cessar o dano.

Exemplos de Lesões de Órgão-Alvo e Sintomas:

    • Cérebro:
      • Encefalopatia Hipertensiva: Dor de cabeça intensa, confusão mental, convulsões, coma.
      • AVC (Acidente Vascular Cerebral): Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo, dificuldade para falar, desvio de rima labial, alterações visuais súbitas.
      • Hemorragia Intracerebral: Sangramento no cérebro.
    • Coração:
      • Infarto Agudo do Miocárdio (IAM): Dor no peito (angina), que pode irradiar para braço, pescoço.
      • Edema Agudo de Pulmão (EAP): Falta de ar intensa, tosse com expectoração rosada, respiração ofegante.
      • Dissecção Aguda da Aorta: Dor torácica súbita e excruciante, que pode se irradiar para as costas.
    • Rins:
      • Insuficiência Renal Aguda: Diminuição acentuada da produção de urina, inchaço.
    • Olhos:
      • Retinopatia Hipertensiva: Visão turva, perda súbita da visão.
    • Outras: Eclâmpsia (em gestantes), crise adrenérgica.

Cuidados de Enfermagem na Emergência Hipertensiva:

    • Prioridade Absoluta: O paciente com emergência hipertensiva é uma prioridade CÓDIGO VERMELHO.
    • Monitorização Contínua: Monitorar a PA de forma invasiva (cateter arterial) ou não invasiva (aferição frequente), frequência cardíaca, saturação de oxigênio e nível de consciência.
    • Acesso Venoso: Garantir pelo menos dois acessos venosos calibrosos.
    • Administração de Medicação IV: Preparar e infundir medicamentos como Nitroprussiato de Sódio, Labetalol, Nicardipino, conforme prescrição médica, monitorando a resposta do paciente. Esses medicamentos exigem diluição e bomba de infusão.
    • Avaliação Neurológica: Realizar escalas neurológicas (Glasgow, NIHSS, se aplicável) e observar alterações.
    • Sinais e Sintomas: Estar atento aos sintomas relatados pelo paciente e a qualquer mudança no seu quadro.
    • Conforto e Segurança: Manter o paciente em repouso no leito, com cabeceira elevada se houver dispneia, e oferecer suporte emocional.
    • Registro Detalhado: Documentar os horários das aferições de PA, as medicações administradas, as doses e a resposta do paciente.

Urgência Hipertensiva: O Alerta Amarelo (Sem Dano em Órgão-Alvo)

Na urgência hipertensiva, a pressão arterial também está muito alta (geralmente nos mesmos níveis ou um pouco menores que na emergência: PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg), mas a principal diferença é que NÃO há evidência de lesão aguda ou progressiva em órgãos-alvo. Os sintomas, se presentes, são mais inespecíficos.

Características Principais:

    • Valores de PA: Geralmente PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg.
    • Ausência de Lesão Aguda em Órgão-Alvo: Este é o critério DEFINIDOR.
    • Sintomas Inespecíficos: Dor de cabeça leve a moderada, tontura, zumbido no ouvido, sangramento nasal (epistaxe), ansiedade.
    • Tratamento: Redução gradual da PA (em horas a dias), geralmente com medicamentos por via oral (VO). O objetivo é reduzir a pressão em 24-48 horas, sem pressa, para evitar hipoperfusão.
    • Manejo: Pode ser feito em ambulatório ou pronto-socorro, sem necessidade de UTI inicialmente.

Cuidados de Enfermagem na Urgência Hipertensiva:

    • Aferição Precisa da PA: Realizar várias aferições de PA, em ambos os braços, para confirmar os valores.
    • Avaliação de Sintomas: Perguntar sobre dor de cabeça, tontura, alterações visuais, e principalmente, investigar ativamente a presença de sintomas de lesão em órgão-alvo (dispneia, dor no peito, fraqueza em membros, confusão). A ausência desses é o que diferencia da emergência.
    • Acalmar o Paciente: Muitos pacientes ficam ansiosos com a pressão alta, o que pode piorar o quadro. Um ambiente calmo e acolhedor é importante.
    • Administração de Medicação VO: Preparar e administrar medicamentos anti-hipertensivos orais (ex: Captopril, Nifedipino de liberação lenta, Clonidina) conforme prescrição médica.
    • Reavaliação Periódica: Reafirmar a PA e reavaliar os sintomas a cada 30-60 minutos após a administração do medicamento oral, até que a pressão esteja em níveis mais seguros.
    • Orientação ao Paciente: Explicar sobre a importância da adesão ao tratamento, da dieta com baixo teor de sódio, da prática de exercícios e do acompanhamento médico regular.
    • Não Usar Nifedipino Cápsula Sublingual: Essa prática não é recomendada por causar queda brusca e descontrolada da PA, com risco de AVC e IAM.

Como é feito o tratamento?

O tratamento varia de acordo com o tipo de crise hipertensiva.

Na urgência hipertensiva, são utilizados antihipertensivos orais, como captopril, clonidina ou atenolol, com monitoramento em observação por algumas horas.

Já nas emergências hipertensivas, o paciente deve receber antihipertensivos intravenosos de ação rápida, como nitroprussiato de sódio, labetalol ou nitroglicerina, com redução da pressão em ambiente controlado e monitorizado, geralmente na UTI.

O Que Nos Leva a Confundir e Como Evitar?

A confusão entre emergência e urgência é comum porque ambos os quadros apresentam PA muito alta. O segredo para diferenciar é sempre procurar por SINAIS E SINTOMAS DE LESÃO EM ÓRGÃO-ALVO. Se a pressão está alta, mas o paciente está assintomático ou com sintomas leves e inespecíficos, é urgência. Se a pressão está alta e o paciente está com dor no peito, falta de ar, alteração neurológica, é emergência.

Nossa avaliação precisa e a comunicação clara com o médico são a chave para o sucesso no manejo dessas situações. Um erro de classificação pode levar a um tratamento inadequado, com consequências graves para o paciente.

Cuidados de Enfermagem

A enfermagem desempenha um papel essencial no reconhecimento, intervenção e monitoramento de pacientes em crise hipertensiva. Entre os principais cuidados, destacam-se:

Avaliação inicial

  • Verificar os sinais vitais com frequência, especialmente a pressão arterial em intervalos curtos.
  • Avaliar a presença de sintomas neurológicos, dor torácica, dispneia ou alterações na consciência.
  • Observar sinais de edema periférico, palidez, sudorese ou alterações visuais.

Administração medicamentosa

  • Administrar os medicamentos conforme prescrição médica, respeitando a via (oral ou intravenosa) e o tempo correto de infusão.
  • Monitorar os efeitos adversos dos anti-hipertensivos, como hipotensão súbita ou bradicardia.

Apoio emocional

  • Oferecer acolhimento ao paciente, explicando de forma simples o que está acontecendo.
  • Controlar o ambiente para reduzir estímulos estressores, como barulho ou agitação.

Registro e comunicação

  • Registrar todas as alterações no prontuário.
  • Comunicar imediatamente à equipe médica qualquer mudança no estado clínico do paciente.

Entender a diferença entre urgência e emergência hipertensiva é fundamental para que a equipe de enfermagem possa agir com rapidez e precisão. Em ambos os casos, o papel do enfermeiro e do técnico de enfermagem é decisivo na estabilização do paciente e na prevenção de complicações graves.

O conhecimento teórico aliado à prática clínica permite oferecer um cuidado mais seguro, humanizado e eficiente, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade por causas cardiovasculares.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 116, n. 3, p. 516-658, mar. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S9Xg4JjV9Qz2Z5T8D9kC7qH/?lang=pt. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Hipertensão Arterial Sistêmica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. 
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Atendimento das Emergências Hipertensivas. 2022.
  5. SILVA, M. T. et al. Avaliação das Emergências Hipertensivas em Serviços de Urgência. Revista Brasileira de Clínica Médica, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 56-63, 2021. Disponível em: https://www.rbcm.org.br
  6. PEARCE, C. J. et al. Crises Hipertensivas: Diagnóstico e Manejo. The New England Journal of Medicine. 2019. Disponível em: https://www.nejm.org

Pulso Arterial: Saiba Reconhecer Alterações

Pulso Arterial 1

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

Contar o pulso é uma das avaliações mais rápidas da enfermagem, mas limitar-se ao número de batimentos pode fazer passar despercebida uma alteração importante. Um pulso com frequência normal pode estar irregular, assimétrico ou muito diminuído, e cada uma dessas características muda a interpretação clínica.

O pulso arterial corresponde à onda de pressão produzida pela ejeção ventricular e transmitida pelas artérias. Na avaliação, devem ser observados principalmente frequência, ritmo, amplitude ou qualidade e simetria, sempre relacionados ao estado clínico do paciente.

Frequência, ritmo e amplitude

Em adultos em repouso, uma frequência de 60 a 100 bpm é geralmente considerada normal. Valores abaixo de 60 bpm são classificados como bradicardia e acima de 100 bpm como taquicardia, embora idade, condicionamento físico, medicamentos, sono, febre, dor e outras condições possam modificar a frequência esperada.

O ritmo indica se os intervalos entre as pulsações são regulares. Um ritmo irregular pode ser regularmente irregular, quando existe um padrão repetitivo, ou irregularmente irregular, como pode ocorrer na fibrilação atrial.

A amplitude descreve a intensidade percebida da onda de pulso. Ela pode estar reduzida, normal ou aumentada, e sua interpretação deve considerar pressão arterial, débito cardíaco e perfusão periférica.

Durante um plantão, é fácil encontrar um paciente com frequência cardíaca de 88 bpm que inicialmente parece tranquilo. Quando o pulso radial é palpado por um minuto, porém, percebe-se que os intervalos não são regulares. É justamente esse detalhe que transforma uma simples contagem em uma avaliação cardiovascular de verdade.

Principais locais de palpação

O pulso radial é o mais utilizado na avaliação de rotina. Dependendo da situação, também podem ser avaliados os pulsos carotídeo, braquial, femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso (dorsal do pé). A comparação bilateral dos pulsos periféricos ajuda a identificar diferenças de amplitude ou ausência de pulso.

O pulso carotídeo merece atenção especial: deve ser palpado um lado de cada vez, evitando compressão simultânea das duas artérias carótidas. Em situações de emergência, a avaliação do pulso central segue protocolos específicos de atendimento à parada cardiorrespiratória.

Pulso normal e alterações de frequência

Um pulso normal apresenta frequência adequada ao contexto, ritmo regular e amplitude compatível com a condição clínica.

Bradicardia é a frequência inferior a 60 bpm no adulto, enquanto taquicardia corresponde a frequência superior a 100 bpm. Esses termos descrevem frequência, não necessariamente a causa do problema. Um atleta pode apresentar bradicardia fisiológica, enquanto febre, dor, hipovolemia, ansiedade ou medicamentos podem alterar a frequência cardíaca.

Por isso, encontrar uma frequência de 110 bpm não encerra a avaliação. É preciso observar pressão arterial, perfusão, temperatura, saturação, nível de consciência e outros sinais que ajudem a compreender o contexto.

Pulso filiforme ou diminuído

O pulso filiforme é muito fino, de baixa amplitude e difícil de palpar. Pode aparecer em situações de baixo volume sistólico ou redução importante da perfusão, como hipovolemia e estados de choque.

Entretanto, não é correto concluir que todo pulso filiforme significa choque. A interpretação deve considerar o conjunto clínico, incluindo pressão arterial, perfusão periférica, temperatura da pele, enchimento capilar e estado de consciência.

Pulso cheio ou aumentado

O pulso pode apresentar amplitude aumentada e ser facilmente palpável. Essa característica pode ocorrer em estados de maior débito cardíaco, mas também aparece em determinadas alterações cardiovasculares, como a insuficiência aórtica.

A amplitude isoladamente não diagnostica hipertensão nem define o débito cardíaco. É necessário relacioná-la aos demais achados do exame cardiovascular.

Pulso arrítmico

Quando os intervalos entre as pulsações são irregulares, o pulso deve ser avaliado com atenção. Em ritmos irregulares, a contagem por 60 segundos é preferível a estimativas baseadas em períodos mais curtos.

Se houver diferença entre a frequência cardíaca auscultada no ápice e o pulso periférico palpado, pode existir déficit de pulso, situação que merece investigação e registro adequado.

Pulso alternante

No pulso alternante, a amplitude varia de um batimento para o seguinte, geralmente mantendo o ritmo regular. Esse achado pode estar associado a importante disfunção sistólica do ventrículo esquerdo e deve ser interpretado no contexto do paciente.

É um exemplo clássico de como frequência e ritmo podem parecer adequados enquanto a qualidade da onda de pulso revela uma alteração relevante.

Pulso dicrótico

O pulso dicrótico apresenta uma segunda onda perceptível durante o mesmo ciclo cardíaco, relacionada à onda dicrótica da circulação arterial. É um achado pouco comum na avaliação periférica de rotina e pode aparecer em determinadas situações de baixo débito, mas não deve ser usado isoladamente para estabelecer uma causa.

Esse é um daqueles padrões que têm grande valor para o estudo da semiologia cardiovascular, embora sejam menos frequentemente identificados na prática cotidiana da enfermagem.

Pulso parvus et tardus

O pulso parvus et tardus apresenta baixa amplitude e ascensão lenta. É classicamente associado à estenose aórtica importante, especialmente quando identificado no pulso carotídeo.

Sua avaliação exige experiência e deve ser integrada à ausculta cardíaca e aos demais achados cardiovasculares; a ausência desse sinal também não exclui estenose aórtica significativa.

Pulso em martelo d’água

Também chamado de pulso de Corrigan ou pulso colapsante, caracteriza-se por uma elevação rápida e ampla seguida de queda igualmente rápida. É classicamente associado à insuficiência aórtica, embora possa aparecer em outras condições de circulação hiperdinâmica.

Esse padrão é diferente de simplesmente encontrar um pulso “forte”: o aspecto característico está na velocidade de ascensão e colapso da onda.

Pulso paradoxal

O pulso paradoxal corresponde a uma queda exagerada da pressão arterial sistólica durante a inspiração, classicamente superior a 10 mmHg. A palpação pode sugerir a alteração, mas sua quantificação é feita pela avaliação da pressão arterial durante o ciclo respiratório.

Pode ocorrer em condições como tamponamento cardíaco, asma grave e exacerbação importante da DPOC, entre outras situações. Portanto, não é sinônimo de tamponamento cardíaco.

Quando um paciente apresenta dispneia intensa e a amplitude do pulso diminui visivelmente durante a inspiração, esse achado não deve ser tratado como uma curiosidade da semiologia. É um sinal que precisa ser relacionado imediatamente ao padrão respiratório, pressão arterial, perfusão e estabilidade hemodinâmica.

Pulso Arterial 2

Como registrar o pulso

Um registro adequado deve informar aquilo que foi efetivamente avaliado, por exemplo:

“Pulso radial direito, 86 bpm, rítmico, amplitude 2+, simétrico ao membro contralateral.”

A escala de amplitude pode variar conforme o protocolo institucional; em algumas referências, utiliza-se 0 para ausência, 1+ para muito diminuído, 2+ para diminuído, 3+ para normal e 4+ para aumentado. O mais importante é utilizar uma padronização conhecida pela equipe e registrar claramente o método empregado.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação do pulso, a enfermagem deve:

  • utilizar a polpa dos dedos indicador e médio, evitando o polegar;
  • avaliar frequência, ritmo, amplitude e simetria;
  • contar por 60 segundos quando o ritmo estiver irregular;
  • comparar pulsos periféricos bilateralmente quando indicado;
  • evitar compressão excessiva da artéria;
  • relacionar o achado com pressão arterial, perfusão, temperatura, nível de consciência e demais sinais vitais;
  • comunicar alterações relevantes conforme a condição clínica e o protocolo institucional.

Em um paciente instável, não espere que o número isolado do pulso explique tudo. Pulso fraco acompanhado de extremidades frias, alteração do nível de consciência e hipotensão tem um significado muito diferente de um pulso discretamente diminuído em um paciente estável.

Para memorizar

★ Cai em Concurso

Frequência → quantos batimentos por minuto.
Ritmo → regularidade dos intervalos.
Amplitude → intensidade da onda.
Simetria → comparação entre os lados.

E os padrões clássicos mais cobrados em semiologia incluem filiforme, alternante, dicrótico, parvus et tardus, martelo d’água e paradoxal.

O ponto central é simples: avaliar o pulso não significa apenas contar batimentos. Significa reconhecer como a onda chega à periferia e o que essa informação representa dentro do quadro clínico.

Resumo para salvar

Tipos de Pulso Arterial

  • Avalie frequência, ritmo, amplitude e simetria
  • O pulso filiforme pode indicar baixa perfusão, mas exige avaliação do contexto
  • Pulso alternante, parvus et tardus e martelo d’água são padrões clássicos
  • Pulso paradoxal é uma queda da pressão sistólica superior a 10 mmHg na inspiração

Referências:

  1. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Nursing Skills: Cardiovascular Assessment. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, Open RN. National Library of Medicine. NCBI Bookshelf – Cardiovascular Assessment
  2. ZIMMERMAN, B.; WILLIAMS, D. Peripheral Pulse. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2025. NCBI Bookshelf – Peripheral Pulse
  3. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Vital Sign Assessment. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. NCBI Bookshelf – Vital Sign Assessment
  4. WALKER, H. K.; HALL, W. D.; HURST, J. W. Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations – The Carotid Pulse. Boston: Butterworths. NCBI Bookshelf – The Carotid Pulse
  5. VAN DAM, M. N.; HASHMI, M. F.; FITZGERALD, B. M. Pulsus Paradoxus. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. NCBI Bookshelf – Pulsus Paradoxus
  6. JARVIS, C. Bates: guia de exame físico e história clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
  7. PORTO, C. C. Semiologia médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

Emergências Cardiológicas

As emergências cardiológicas são situações clínicas que envolvem risco imediato à vida devido a alterações no funcionamento do coração e do sistema circulatório. Para o profissional de enfermagem, é essencial reconhecer precocemente os sinais e sintomas dessas condições, a fim de atuar com rapidez e segurança.

As Principais Patologias que Constituem uma Emergência Cardiológica

Vamos conhecer as condições que frequentemente nos deparamos em um cenário de emergência cardíaca:

Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

O IAM, popularmente conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por um trombo em uma artéria coronária. Isso leva à morte das células musculares cardíacas por falta de oxigênio.

Sinais e sintomas:
Dor intensa e prolongada no peito (geralmente em aperto), que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas. Também podem ocorrer suor frio, náuseas, vômitos, palidez e sensação de morte iminente.

Cuidados de enfermagem:

  • Monitorização dos sinais vitais e eletrocardiograma contínuo.
  • Administração de oxigênio, se saturação estiver < 94%.
  • Preparar e administrar medicamentos como ácido acetilsalicílico, nitratos e opioides, conforme prescrição.
  • Manter o paciente em repouso e em posição confortável.
  • Estar preparado para possíveis paradas cardiorrespiratórias.

Angina Instável

A angina instável é um quadro de dor torácica resultante da isquemia transitória do miocárdio. Diferentemente da angina estável, a instável ocorre em repouso, é mais intensa, prolongada e não responde bem à medicação.

Sinais e sintomas:
Dor no peito semelhante à do infarto, mas geralmente sem elevação de enzimas cardíacas. Pode ocorrer em repouso ou com esforço mínimo.

Cuidados de enfermagem:

  • Avaliar a dor: início, localização, intensidade e fatores de alívio ou piora.
  • Administrar nitratos sublinguais conforme prescrição.
  • Monitorar ECG e sinais vitais.
  • Preparar o paciente para exames como troponina e ecocardiograma.

Arritmias Cardíacas Graves

As arritmias são alterações no ritmo dos batimentos cardíacos. Elas podem ser rápidas (taquiarritmias), lentas (bradiarritmias) ou irregulares. Algumas arritmias, como fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, são emergências que levam à parada cardíaca.

Sinais e sintomas:
Palpitações, tontura, síncope, dor no peito, falta de ar e, em casos graves, perda de consciência.

Cuidados de enfermagem:

  • Monitorização cardíaca contínua.
  • Reconhecer rapidamente sinais de instabilidade hemodinâmica.
  • Auxiliar em procedimentos como cardioversão elétrica ou uso de marcapasso, se necessário.
  • Manter materiais de reanimação prontos.

Insuficiência Cardíaca Aguda

Na insuficiência cardíaca aguda, o coração não consegue bombear sangue de forma eficaz, causando acúmulo de líquido nos pulmões e em outros tecidos. Pode ser descompensada por infarto, arritmias, hipertensão, infecções ou má adesão ao tratamento.

Sinais e sintomas:
Dispneia súbita, ortopneia, tosse com expectoração espumosa, taquicardia, crepitações pulmonares, confusão mental e sinais de hipoperfusão.

Cuidados de enfermagem:

  • Posicionar o paciente com o dorso elevado (Fowler).
  • Administrar oxigênio e monitorar a saturação.
  • Realizar controle rigoroso de balanço hídrico.
  • Verificar sinais de congestão pulmonar e periférica.
  • Auxiliar na administração de diuréticos e vasodilatadores.

Dissecção Aguda da Aorta

Essa é uma condição rara e extremamente grave, caracterizada pela ruptura na camada interna da aorta, criando um falso trajeto para o sangue. Pode ocorrer em pacientes com hipertensão mal controlada ou doenças do tecido conjuntivo.

Sinais e sintomas:
Dor torácica súbita e intensa, descrita como “em facada” ou “rasgando”, podendo irradiar para as costas, abdome ou membros. Pode haver diferença de pulsos entre os braços e sinais de choque.

Cuidados de enfermagem:

  • Reconhecer imediatamente os sinais e acionar a equipe médica.
  • Monitorar pressão arterial e manter controle rigoroso da dor.
  • Preparar para exames como tomografia e possível cirurgia emergencial.
  • Manter via venosa calibrosa e acesso a medicações intravenosas.

Crise Hipertensiva

A crise hipertensiva é uma elevação súbita e grave da pressão arterial, que pode ser uma urgência ou uma emergência.

  • Urgência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, mas sem lesão aguda de órgão-alvo (cérebro, coração, rins). O objetivo é reduzir a pressão em algumas horas, geralmente com medicação oral.
  • Emergência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo. Exige redução imediata da pressão arterial, geralmente com medicação intravenosa, para evitar danos irreversíveis.
    • Sintomas Comuns: Cefaleia intensa, dor no peito, falta de ar, alterações visuais, confusão mental, náuseas, vômitos. Os sintomas dependem do órgão que está sendo mais afetado.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Monitorização: Aferição frequente da pressão arterial (a cada 5-15 minutos em emergências), monitorização cardíaca.
    • Administração de Medicações: Administrar anti-hipertensivos IV de ação rápida (como Nitroprusseto de Sódio, Labetalol, Hidralazina) conforme prescrição, titulando a dose para atingir o alvo de pressão.
    • Acesso Venoso: Garantir acesso venoso calibroso.
    • Controle de Sintomas: Aliviar a dor e o desconforto.
    • Educação: Orientar o paciente e a família sobre a importância da adesão ao tratamento e do controle da pressão arterial.

Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Maciço

O TEP ocorre quando um coágulo sanguíneo (geralmente formado nas pernas, em uma trombose venosa profunda – TVP) se desprende e viaja até os pulmões, bloqueando as artérias pulmonares. Um TEP “maciço” é uma emergência pois causa um impacto significativo no coração e na oxigenação.

Sintomas Comuns:

Dispneia súbita e intensa (geralmente sem causa aparente), dor torácica aguda (que piora ao respirar fundo), tosse (às vezes com sangue), taquicardia, tontura e ansiedade. Em casos graves, pode levar a choque e parada cardíaca.

  • Cuidados de Enfermagem:
    • Oxigenoterapia: Administração de oxigênio suplementar.
    • Monitorização: Sinais vitais, SatO2, monitorização cardíaca.
    • Acesso Venoso: Acesso para medicação e exames.
    • Preparo para Anticoagulação/Trombolíticos: Administrar anticoagulantes (heparina) ou, em casos graves, trombolíticos (medicamentos que dissolvem o coágulo) conforme prescrição.
    • Posicionamento: Confortar o paciente em posição que facilite a respiração.

O Enfermeiro no Epicentro da Emergência Cardiológica: Agilidade e Conhecimento

Em qualquer uma dessas emergências, o enfermeiro é a primeira linha de defesa. Nossa capacidade de realizar uma avaliação rápida e precisa, iniciar as intervenções de enfermagem protocolares, administrar medicações com segurança, monitorar o paciente de perto e comunicar-se efetivamente com a equipe médica pode ser a diferença entre a vida e a morte.

O conhecimento dessas patologias e a prática constante dos protocolos de emergência são essenciais para um atendimento de excelência.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia: Manual do Participante. Dallas, TX: AHA, 2020. (Consultar capítulos sobre síndromes coronarianas agudas, insuficiência cardíaca, arritmias e emergências hipertensivas).
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz de Emergências Cardiovasculares – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 116, n. 4, p. 869-913, abr. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S8fW4zY9wJ5c7bT3tV2xG7/?lang=pt. 
  3. BRUNNER, Lillian S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.com/pt-br/books/tratado-de-enfermagem-medico-cirurgica/brunner/9788535284957
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Enfermagem médico-cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Disponível em: https://www.livrariakoogan.com.br/enfermagem-medico-cirurgica-2v-9788527732653
  5. SILVA, Cláudia Maria S. da et al. Enfermagem em emergência e terapia intensiva. São Paulo: Yendis, 2020. Disponível em: https://www.editorayendis.com.br/enfermagem-em-emergencia-e-terapia-intensiva