Cardiomegalia

Também chamada de “coração dilatado”, a cardiomegalia é uma condição onde o coração fica maior do que o normal para o tamanho do paciente.

A cardiomegalia precisa ser observada com atenção porque, devido a ela, o paciente pode ter todo o sistema circulatório prejudicado, uma vez que o coração não consegue bombear direito o sangue para todo o seu corpo. Com o tempo, o paciente que sofre de cardiomegalia pode vir a desenvolver insuficiência cardíaca.

Causas

A cardiomegalia tem causas variadas e, geralmente, está conectada a outras condições médicas que podem ou não envolver o coração.

O coração do paciente pode ficar dilatado como consequência de uma gestação, por exemplo, ou de uma doença do corpo que não necessariamente precisa estar conectada com o coração, como infecções.

Pacientes com doença de Chagas, pressão alta (hipertensão), anemia ou que fazem o uso excessivo de bebidas alcoólicas também podem desenvolver a cardiomegalia.

Sinais

Em muitos casos, a cardiomegalia não causa sintomas no paciente e só é diagnosticada quando é realizado algum exame de imagem que captura o tórax, como um raio-x simples.

No entanto, alguns pacientes podem apresentar alguns sintomas que servem como um sinal de cardiomegalia. São condições como:

  • falta de ar;
  • cansaço mesmo ao fazer pequenos esforços;
  • fraqueza;
  • pressão arterial elevada;
  • palpitação;
  • tontura;
  • desmaios;
  • diminuição da quantidade de urina eliminada por dia.

Tratamento

A cardiomegalia precisa ser acompanhada porque é uma das principais causas do infarto do miocárdio, além de poder levar o paciente à insuficiência cardíaca e a morte súbita.

O tratamento de cardiomegalia pode ser feito com o uso de medicamentos, como diuréticos, para auxiliar o coração. Também pode envolver o tratamento da condição que está causando a cardiomegalia, caso ela possa ser identificada.

Por fim, se não for possível retroceder a condição com o uso de medicamentos, esse paciente pode passar por procedimentos cirúrgicos no coração e até mesmo por um transplante, dependendo da gravidade de seu caso.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Repouso durante crises de dor;
  • Terapêutica medicamentosa como tranquilizantes, sedativos, etc…);
  • Tratamento cirúrgico como revascularização do miocárdio;
  • Manter o paciente e ambiente calmos;
  • Vigilância constante;
  • Qualquer anormalidade comunicar ao médico ou enfermeiro;
  • Observar aceitações de dieta.

Referências:

  1. Silva, João Danyell Dantas da et al. Repercussões da cardiomegalia na função pulmonar de indivíduos adultos com insuficiência cardíaca crônica: uma revisão sistemática. Fisioterapia e Pesquisa [online]. 2011, v. 18, n. 1 [Acessado 5 Março 2022] , pp. 84-91. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1809-29502011000100015&gt;. Epub 09 Mar 2012. ISSN 2316-9117. https://doi.org/10.1590/S1809-29502011000100015.

Cateterismo Cardíaco

O Cateterismo Cardíaco – também conhecido como Cinecoronariografia ou Angiografia Coronária ou Estudo Hemodinâmico – é um exame invasivo que pode ser realizado de forma eletiva, para confirmar a presença de obstruções das artérias coronárias ou avaliar o funcionamento das valvas e do músculo cardíaco.

Especialmente quando está sendo programada uma intervenção (angioplastia, por exemplo) – ou em situações de emergência, para determinar a exata localização da obstrução que está causando o infarto agudo do miocárdio e planejar a melhor estratégia de intervenção.

Como é realizado o exame?

O cateterismo cardíaco é realizado por meio da inserção de cateteres nos vasos sanguíneos das pernas ou dos braços que são guiados até o coração por um equipamento especial de raios-X.

Durante o exame são realizadas injeções de contraste iodado pelo cateter, o que possibilita a visualização das artérias coronárias, das câmaras e valvas cardíacas. Todo o exame envolve a aquisição e geração de imagens que são posteriormente disponibilizadas, em filme e fotos, para o paciente.

Quando se indica o cateterismo cardíaco?

​Na necessidade de avaliar ou confirmar a presença de doença arterial coronária (DAC), doenças das valvas cardíacas, do músculo cardíaco, dos vasos pulmonares ou da artéria aorta. Para determinar a necessidade de tratamento cirúrgico (angioplastia coronária, cirurgia cardíaca ou correção de cardiopatias congênitas).

Pode ser realizado no paciente hospitalizado ou proveniente da residência.

Qual é o preparo para a realização do cateterismo?

No caso de pacientes ambulatoriais – provenientes da residência (que não estão internados), no ato do agendamento do exame serão coletadas informações e fornecidas as instruções necessárias para o preparo.

Se o paciente já tiver apresentado algum tipo de alergia ao ter realizado previamente um exame que utilizou contraste, deve entrar em contato com o médico que solicitou o exame ou com o Setor de Intervenção Cardiovascular para receber as orientações necessárias.

Se o paciente estiver em uso de anticoagulantes (Marevan, Coumadin ou Marcoumar) ou de antidiabéticos orais (Metformina – medicamento usado para tratamento de diabetes: Glifage ou Glucoformin) deverá conversar com o médico que solicitou o exame ou com o Setor de Intervenção Cardiovascular, pois há necessidade de suspensão temporária ou ajustes nessas medicações para a realização do exame.

É necessário jejum de 4 horas para a realização do procedimento. É recomendável trazer os exames realizados nos últimos seis meses como, por exemplo: teste de esforço, cintilografia miocárdica, cateterismo ou angioplastia, relatórios de cirurgia cardíaca e resultados de exames laboratoriais.

Onde é realizado o cateterismo cardíaco e como é o procedimento?

O exame será realizado no Laboratório de Hemodinâmica do Setor de Cardiologia Intervencionista.  Será fornecida uma roupa especial para o paciente. Os pertences poderão ser guardados no armário ou deixados com familiares. O paciente será conduzido por um profissional do setor à sala de exames, onde permanecerá deitado por aproximadamente 30 minutos.

Será fornecido um Termo de Consentimento que deverá ser assinado pelo paciente ou pelo responsável legal, estabelecendo a conformidade e a autorização para a realização do procedimento.

Antes do exame, profissionais do Laboratório de Hemodinâmica confirmarão o nome do paciente e farão perguntas sobre as medicações em uso (especialmente diuréticos, anticoagulantes, aspirina e metformina), além de doenças prévias e reações alérgicas em exames anteriores.

Uma veia será puncionada no braço do paciente, para a infusão de soro e medicações durante e após o procedimento. Eletrodos (adesivos plásticos) serão colados em seu tórax para a monitorização do ritmo cardíaco durante o procedimento.

Quando da punção da artéria (seja no braço ou na virilha), é instalado um introdutor, por onde o cateter será introduzido. O paciente poderá ver as imagens do coração na tela de vídeo durante todo o exame, mas deverá permanecer deitado com os braços estendidos nos locais determinados.

Finalizado o procedimento, o médico do paciente e o cardiologista intervencionista decidirão em conjunto a melhor estratégia de tratamento, incluindo a necessidade de se realizar exames diagnósticos adicionais (Ultrassonografia Intracoronária e Avaliação da Reserva Fracionada de Fluxo Coronariano).

Estabelecido o diagnóstico e o grau da obstrução arterial, o médico do paciente e o cardiologista intervencionista poderão decidir por tratamento intervencionista imediato (Angioplastia Coronária) ou programar o tratamento para os dias subsequentes.

Quem realiza o procedimento?

Médicos cardiologistas treinados, especificamente em Cardiologia Intervencionista e Hemodinâmica.

Cuidados de Enfermagem após o cateterismo cardíaco

  • Os cateteres são removidos e o introdutor é retirado por profissionais do Laboratório de Hemodinâmica. A seguir é realizada compressão manual – de 15 a 20 minutos – ou o fechamento por dispositivos hemostáticos (como “plug” de colágeno ou sutura).
  • A seguir é realizado curativo compressivo local. No caso do exame ser realizado pelo braço, será realizado somente fechamento e curativo local. O curativo será checado periodicamente, para averiguar a presença de sangramento local.
  • O repouso após o cateterismo será realizado na unidade de recuperação, onde o paciente terá suas frequências cardíaca e respiratória e pressão arterial checadas constantemente por, pelo menos, 2 horas.
  • O tempo mínimo de repouso absoluto será de 4 a 6 horas. A cabeceira do leito não poderá ser erguida a mais que 30º. Não tente se levantar do leito durante esse período.
  • A administração de soro e líquidos por via oral, após o exame, será realizada para facilitar a retirada do contraste do organismo.
  • Por ocasião da liberação do paciente para sua residência, será obrigatório o acompanhamento de familiar ou responsável.

A necessidade de novos procedimentos, medicações, dieta e atividades diárias serão discutidas antes da alta hospitalar com o médico do paciente e com o cardiologista intervencionista.

O procedimento, muitas vezes, demora menos de 30 minutos. No entanto, o processo de preparo e repouso deverá ser considerado. É sugerido que o paciente planeje dispor de 5 a 9 horas do seu dia para a realização do exame.

Quais são os riscos?

​É natural que, por se tratar de um procedimento invasivo, o cateterismo cardíaco tenha riscos. O risco de complicações graves (infarto, AVC e sangramento no local de punção) é, em geral, muito baixo (menor que 1%).

Outras complicações decorrentes do uso do contraste, como alergia e insuficiência renal, também podem ocorrer. Entretanto, todas essas complicações são raras e a intervenção será realizada por uma equipe médica preparada para atender qualquer tipo de complicação.

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein

SCA: Com Supra de ST Vs. Sem Supra de ST

A Síndrome coronariana aguda (SCA) refere-se a uma diversidade de sinais e sintomas clínicos e laboratoriais que são compatíveis com isquemia aguda do miocárdio, devido a alteração aguda do fluxo coronariano, englobando, por isso, angina instável (AI) e infarto agudo do miocárdio (IAM).

Síndrome Coronariana Aguda Sem ST (SCAssST) e a Síndrome Coronariana Aguda Com ST (SCAcsST): Quais são as diferenças?

Pode-se dizer que a SCA é uma condição multifatorial. A causa mais frequente é a redução da perfusão miocárdica, resultante de um estreitamento de coronárias, quase sempre por um trombo não oclusivo que desenvolveu em decorrência da ruptura de uma placa aterosclerótica.

A SCAcsST é o IAM com elevação do ST, necessitando apenas desta alteração no ECG para o diagnóstico.

Já a SCAssST (antigamente chamada de infarto subendocárdico ou transmural), precisa, além do ECG, das medidas de marcadores de necrose miocárdica (por exemplo, a troponina) para o diagnóstico, e se divide em: angina instável, em que há dor ou desconforto torácico (ou equivalente isquêmico) e/ou alterações eletrocardiográficas compatíveis e não há elevação dos marcadores; e IAM sem elevação do segmento ST, que apresenta as mesmas características, no entanto, tem elevação dos marcadores.

Em resumo, a oclusão total de uma artéria coronária geralmente leva a um IAM com supradesnível do segmento ST, enquanto a angina instável e o IAM sem supradesnível do segmento ST, geralmente resultam de uma obstrução grave, porém não total, da artéria coronária culpada.

Referências:

  1. CANESIN, Manuel Fernandes. Treinamento de emergências cardiovasculares: da Sociedade Brasileira de Cardiologia, avançado. Manole, 2012.
  2. DE PAOLA, Angelo A. V.; MONTENEGRO, Sergio; MOREIRA, Maria d. C. V. Livro-texto da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Barueri, SP: Manole, 2012.
  3. MATINS, HERLON SARAIVA; NETO, RODRIGO ANTONIO bRANDÃO; NETO, AUGUSTO SCALABRINI; VELASCO, IRINEU TAFEU. emergências clínicas: Abordagem prática. Barueri, SP: Monole, 2016.
  4. braunwald,e.; zipes, d.p.; et al. tratado de doenças cardiovasculares. Rio de janeiro, RJ: elsevier, 2013.
  5. piegas,l.s.;timerman, a.; et al. v diretriz da sociedade brasileira de cardioloia sobre tratamento do infarto agudo do miocárdio. Arq bras cardiol, 2015.
  6. jr, carlos v. serrano; timerman, ari; stefanini, edson. Tratado de cardiologia socesp. barueri, sp: monole, 2009.
  7. aroesty, julian m.; simons, michael; breall, jeffrey a. overview of the acute management of non-st elevation acute coronar syndromes. uptodate, 2018.

Ecocardiograma

Ecocardiograma é um exame de ultrassonografia do coração que fornece imagens obtidas através do som.

Nosso corpo tem diferentes tecidos e com isso diferentes graus de refração de ondas sonoras.

Quando o aparelho de ultrassonografia emite o som de alta frequência (acima de 20.000 ciclos por segundo), muito além, portanto, da capacidade humana de audição, ele capta o retorno dos ecos e transforma em imagem preto e branco para o médico analisar.

Um transdutor deslizado sobre o peito do paciente direciona essas ondas para estruturas do coração do paciente e capta o eco delas, transformando-o em imagens e fluxos coloridos do sangue que passa por ele.

Tipos de Ecocardiograma

  • Ecocardiograma unidimensional: primeira versão do ecocardiograma, utilizada principalmente para medir os diâmetros das câmaras cardíacas e a espessura miocárdica.
  • Ecocardiograma bidimensional: permite a transformação das imagens em figuras dimensionais possibilitando uma melhor avaliação anatômica.
  • Ecocardiograma transtorácico: é o tipo tradicional e mais comum de ecocardiograma em que o transdutor, que emite e capta as ondas sonoras para a formação de imagens, é deslizado sobre a região cardíaca do peito do paciente.
  • Ecocardiograma transesofágico: o transdutor de ultrassom, de alta frequência, é colado no interior do esôfago, na altura do coração, por meio de uma sonda de fibra óptica. A técnica permite o exame mais apurado de certas estruturas cardíacas específicas, em virtude da maior proximidade do transdutor com o coração.
  • Ecodopplercardiograma com estresse farmacológicoultrassonografia do coração com a infusão venosa de drogas “estressoras” cardíacas, que aumentam o consumo de oxigênio do órgão e cujas respostas são adequadamente monitoradas.
  • Ecocardiograma fetal: realizado através da parede abdominal da grávida e dirigido ao coração do feto em gestação, permite avaliar o coração intra-útero.
  • Ecodopplercardiograma com Doppler: permite avaliar as condições circulatórias no interior do coração.

Como é feito o exame?

O exame padrão é simples, não invasivo, indolor e geralmente rápido, não exigindo preparo prévio.

ecocardiograma transesofágico exige apenas um jejum de seis horas e o paciente é submetido a uma sedação leve.

O paciente deve deitar-se numa maca, de barriga de lado, tendo ao lado o ecocardiógrafo.

O médico colocará sobre o seu peito alguns eletrodos estrategicamente localizados, fixados na pele de maneira indolor por “ventosas” de borracha e fará deslizar pelo seu peito um transdutor que emite ondas sonoras de alta frequência, refratadas no coração, que um computador transformará em imagens.

No exame, o médico procurará direcionar o feixe sonoro para as estruturas cardíacas que deseja examinar.

Indicações para o Ecocardiograma

ecocardiograma é hoje um dos principais e mais utilizados recursos da cardiologia.

Ele permite ao médico avaliar aspectos anatômicos e funcionais tanto das paredes quanto das cavidades cardíacas (tamanho das cavidades, espessura das paredes, movimentação das válvulas cardíacas, etc.), bem como de aspetos funcionais do coração.

É utilizado para investigar várias doenças cardíacas e para o planejamento terapêutico e prognóstico delas.

Quase sempre o exame é empregado na avaliação dos pacientes com sopro cardíacosintomas de palpitação, desmaio, falta de ar, dor torácica ou nos portadores de diversas doenças cardíacas, tais como doenças do músculo cardíacoinsuficiência cardíaca, doenças das válvulas do coração, anomalias congênitas, coração grande, coração fraco.

Na rotina do Cardiologista sempre é realizado também um eletrocardiograma para completar a investigação.

Objetivamente podemos listar as 8 principais doenças:

  1. Insuficiência cardíaca, conhecido como coração fraco;
  2. Doenças das válvulas cardíacas, conhecido como sopro;
  3. Doenças de nascimento, conhecidas como congênitas;
  4. Doenças do pericárdio, capa que reveste o coração;
  5. Doenças da aorta torácica, conhecida como aorta dilatada;
  6. Tumores cardíacos, benigno como mixoma atrial;
  7. Crescimento de cavidades atriais e ventriculares;
  8. Presença de coágulos dentro do coração que podem migrar para o corpo.

Muitos casos a ecocardiografia não auxilia em diagnosticar doenças das coronárias, como aterosclerose, infarto, etc.

Referências:

  1. Unicardio

Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP)

A Atividade Elétrica sem Pulso (AESP) é uma situação clínica, não uma arritmia específica.

A atividade elétrica sem pulso pode ser encontrada em quase metade dos pacientes que sofrem parada cardíaca.

Causas

Choque grave, hemorragia intensa por ruptura arterial, como na dissecção de aorta, tromboembolismo pulmonar maciço, pneumotórax e o tamponamento cardíaco por ruptura de parede livre do ventrículo.

Nesses pacientes, até 60% dos casos são por causas cardiovasculares, entre as principais encontram-se o infarto agudo do miocárdio em 21% dos casos, 9,5% por hemorragia, tanto por dissecção aórtica quanto por ruptura ventricular e 2,4% por tromboembolismo pulmonar.

Identificação

Na AESP existe atividade elétrica no monitor cardíaco, mas o paciente não reage, não respira e não se consegue sentir pulso carotídeo. Constitui um ritmo com complexos QRS que não produzem respostas de contração miocárdica suficiente e detectável.

Apesar de existir um ritmo organizado no monitor, não existe acoplamento do ritmo com pulsação efetiva (com débito cardíaco), sendo um RITMO NÃO CHOCÁVEL.

Veja também:

Os Ritmos Chocáveis Vs Não Chocáveis em uma PCR

Interpretando Arritmias Cardíacas

Referência:

  1. Favarato, Desidério e Gutierrez, Paulo SampaioCaso 3/2005 – Parada cardíaca em atividade elétrica sem pulso, em homem de 49 anos, no 23º dia após infarto agudo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2005, v. 84, n. 6 [Acessado 15 Junho 2022] , pp. 492-494. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0066-782X2005000600012&gt;. Epub 28 Jun 2005. ISSN 1678-4170. https://doi.org/10.1590/S0066-782X2005000600012.

Dissecção de Aorta

Uma dissecção da aorta ocorre quando uma lesão na camada mais interna da aorta permite a passagem de sangue entre as camadas da parede da aorta, forçando a separação dessas camadas.

Na maior parte dos casos está associada a dor súbita e intensa no peito ou nas costas, muitas vezes descrita como dilacerante.

A dissecção da aorta é mais comum entre pessoas com antecedentes de hipertensão arterial, doenças dos tecidos conjuntivos que enfraqueçam as paredes arteriais, como a síndrome de Marfan e a síndrome de Ehlers-Danlos, válvula aórtica bicúspide e antecedentes de cirurgia cardíaca.

Etiologia

O fator de risco mais comum para a dissecção aórtica é a hipertensão arterial, presente em 76,6% dos pacientes, especialmente história de controle inadequado da PA.

Aterosclerose, tabagismo, coarctação da aorta, valva aórtica bicúspide, doenças inflamatórias vasculares autoimunes (p. ex., arterite de Takayasu) ou infecciosas (p. ex., aortite sifilítica) são outros predisponentes.

Além disso, história patológica prévia ou antecedentes familiares de doenças genéticas que resultam em alterações no tecido conectivo (p. ex., Marfan, Ehlers-Danlos) estão presentes em até 19% dos pacientes.

A dissecção de aorta também pode ser uma complicação de intoxicações agudas catecolaminérgicas (p. ex., cocaína, anfetaminas e derivados).

Principais Causas

Principais causas de dissecção de aorta

Hipertensão arterial sistêmica Desordens do tecido conectivo: Síndrome de Ehlers-danlos, Doença de Marfan, Síndrome de Turner
Aterosclerose Tabagismo
Doença cística medial da aorta  Aortite
Iatrogenia Aterosclerose
Aneurisma aórtico torácico Trauma
Coarctação da aorta Hipervolemia (gravidez)
Estenose aórtica congênita Doença policística renal
Feocromocitoma Síndrome de Sheehan
Síndrome de Cushing Usuários de crack, cocaína e anfetaminas  (hipertensão arterial grave e abrupta)

Fisiopatologia

Na maioria dos pacientes, observa-se uma ruptura na camada íntima da aorta e consequente formação de falsa luz, cuja extensão varia. A penetração do sangue, sob alta pressão na camada média, divide-a em duas, formando uma falsa luz.

Esta laceração da parede aórtica pode ter menos que 1mm de espessura ou até mesmo envolver todo o diâmetro da aorta, resultando em oclusão total da luz verdadeira pela falsa luz.

Em 70% dos casos, a laceração da íntima, provável origem da dissecção, é observada na porção ascendente do arco aórtico a cerca de 10cm da valva aórtica. A alta frequência verificada nessa localização pode estar relacionada com o grande estresse hemodinâmico a que essa porção da aorta está submetida.

O processo de dissecção sofre constante pressão exercida pela coluna de sangue na parede da artéria, podendo causar extensão variável da dissecção e prosseguir em direção à valva, produzindo distorção das comissuras aórticas e consequente insuficiência aórtica.

A principal complicação e causa de óbito da DAA não-tratada é a ruptura da aorta, que pode ocorrer para o pericárdio, o mediastino, a cavidade pleural esquerda ou o retroperitônio.

É pouco mais comum em homens, principalmente em torno da quinta década de vida.

Apesar da baixa frequência das síndromes aórticas agudas (SAA), incidências de 15 casos por milhão de habitante/ano, elas representam condições associadas a alta mortalidade e muitos casos são diagnosticados apenas na autópsia, pois simulam várias outras doenças.

Epidemiologia

A dissecção de aorta representa de 80 a 90% dos casos de SAA, seguida do hematoma intrarnural (10 a 20%) e úlcera aterosclerótica penetrante de aorta (2 a 7% dos casos). Sendo que a dissecção do tipo A é mais frequente (67% dos casos) do que a do tipo B.

Classificação

Quanto ao tempo do inicio dos sintomas, a dissecção de aorta é classificada em:

  • Hiperaguda (< 24 h).
  • Aguda (2-7 dias).
  • Subaguda (8-30 dias).
  • Crônica (> 30 dias).
Classificação da Dissecção de aorta
Aguda Até 2 semanas (mortalidade de 60-70%)
Subaguda 2-4 semanas
Crônica Mais do que 4 semanas

A dissecção de aorta é divida segundo a classificação de Stanford em:

  • Tipo A: quando há acometimento da aorta ascendente.
  • Tipo B: quando a aorta ascendente não é atingida.

A classificação de De Bakey também é importante e é divida em três tipos:

  1. tipo I: com origem na aorta ascendente, estendendo-se pelo menos até o arco aórtico;
  2. tipo II: quando se restringe à aorta ascendente;
  3. tipo III: com origem na aorta descendente.

Diagnóstico

O diagnóstico depende, inicialmente, da suspeita clínica, seguida da confirmação por exame de imagem acurado e rápido.

A radiografia de tórax e o eletrocardiograma (ECG) devem ser realizados, apesar da sua inespecificidade.

Os achados que podem ser encontrados no Raio X são: alargamento da silhueta aórtica, sinal do cálcio e derrame pleural esquerdo. O ECG apesar de inespecífico serve para denunciar a possível existência de IAM.

A Ressonância Magnética (RM) é o exame mais acurado, entretanto, possui contra-indicação relativa em paciente instável, devido ao longo período de tempo para sua realização, e por ser método de menos disponibilidade.

A aortografia é menos utilizada como exame inicial, requer equipe especializada para a sua realização e representa procedimento invasivo. A Tomografia Computadorizada (TC) é método acurado, rápido, disponível na maioria das unidades de emergência, por isso mesmo, o mais usado como primeira escolha.

Diagnóstico diferencial

Os principais diagnósticos diferenciais na sala de emergência são:

  • Síndromes isquêmicas ou cerebrais agudas;
  • Aneurismas de aorta não dissecantes;
  • Pericardites;
  • Endocardite infecciosa;
  • Tromboembolismo pulmonar;
  • Pneumotórax hipertensivo;
  • Ruptura de esôfago;
  • Tumor de mediastino;

Tratamento e Cuidados

  • Suporte clínico: monitorização, oxigênio, acesso venoso e coleta de sangue

Beta-bloqueador: a meta é reduzir a frequência cardíaca para 55 – 65 bpm

  • Metoprolol 5mg IV em 3-5 minutos

Redução da PA

  • PA sistólica próxima de 100-120 mmHg
  • Nitroprussiato de sódio: inciar em 0,3-0,5 microgramas/kg/min com aumentos de 0,5 microgramas/kg/min a cada 3-5 min

Morfina: dose de 2-4 mg IV

  • Os avanços do tratamento da dissecção da aorta promoveram a diminuição da sua morbimortalidade. Os pacientes com suspeita de dissecção aórtica aguda devem ser encaminhados a uma unidade de terapia intensiva o mais rápido possível para monitorização contínua e tratamento adequado
  • O tratamento clínico precisa ser iniciado imediatamente, antes mesmo de se confirmar o diagnóstico. Ele será baseado no tratamento da dor e no controle do duplo produto (pressão arterial e frequência cardíaca) para tentar diminuir a chance de progressão da dissecção e a ocorrência de complicações.
  • A frequência cardíaca, na fase aguda, deve ser mantida entre 55 e 65 bpm e a Pressão Arterial Sistólica (PAS) entre 100 e 120 mmHg. A analgesia é fundamental, pois promove a redução dos tônus adrenérgicos, que pode contribuir para a progressão da dissecção. A morfina e seus derivados são os agentes de escolha.
  • Os betabloqueadores, IV, são os medicamentos de escolha. Propanolol (1 mg em bolus, seguido de 3mg/h), labetalol (20 a 80 mg em bolus a cada 10 minutos ou em infusão contínua de 2mg/minuto) e esmolol podem ser usados.
  • Na sua contra-indicação absoluta pode-se, com menor benefício, usar o nitroprussiato de sódio que deve ser associado nas situações em que o controle da pressão arterial sistêmica for insuficiente com as doses plenas de beta-bloqueadores. A dose inicial é de 0,25 a 0,5 mcg/kg/min. Ele não deve ser usado sem um betabloqueador, uma vez que seu uso isolado induz à ativação reflexa do sistema nervoso simpático com maior estresse na parede vascular

A terapia definitiva deve ser iniciada após essa abordagem inicial. A intervenção cirúrgica imediata está indicada sempre que a dissecção aórtica envolver a aorta ascendente.

A dissecção aguda confinada à aorta descendente tende a evoluir bem com a terapia clínica, entretanto, a cirurgia ou o tratamento endovascular também está indicado, quando ocorrer uma complicação grave.

Os objetivos da cirurgia definitiva incluem a abordagem do local acometido e a obliteração da entrada do falso lúmen, com a interposição de enxerto vascular.

Prognóstico

A sobrevida em 10 anos dos pacientes que recebem alta hospitalar varia de 30% a 88%, sendo semelhante na dissecção tipo A e B. Em uma análise, as maiores causas de óbito a longo prazo foram AVE, ruptura de novos aneurismas, IAM e insuficiência cardíaca

Referências

  1. Hagan PG, Nienaber CA, Isselbacher EM, et al. The International Registry of Acute Aortic Dissection (IRAD). New insights into an old disease. JAMA. 2000;283:897-903.
  2. AMARAL, LF;SALGADO, G. Dissecção aórtica aguda. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, UERJ, dez. 2008.
  3. Almeida, MA, et al.  Dissecção aguda de aorta. Revista Médica de Minas Gerais. 18 (3 supl 4), p 20-24. 2008
  4. Livro Emergências Clínicas- Abordagem Prática Herlon et al. 12ª edição Ed Manole. Capítulo 17
  5. Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro. Dissecção Aguda de Aorta. Revista da SOCERJ. Jul. 2003

O que são Vasos Colaterais?

Os Vasos Colaterais são como verdadeiras pontes naturais que ligam uma área pré-obstrução a outra, pós-obstrução, fazendo com que permaneça o suprimento contínuo ao tecido.

Como o Vaso Colateral atua?

A irrigação e nutrição do coração ocorrem fundamentalmente pelas coronárias, que são vasos que saem da aorta, nossa principal artéria. É através delas que o oxigênio e os nutrientes chegam ao músculo cardíaco permitindo seu funcionamento.

Existem vasos bem finos, os capilares, que também fazem parte dessa imensa rede de vasos no organismo. Entretanto, eles não são capazes de irrigar de forma satisfatória o coração, sendo essa função exercida principalmente pelas coronárias.

Quando não há uma boa irrigação, devido a placas de gordura ou trombos, pode ocorrer uma obstrução do caminho pelo qual o sangue chega a uma determinada área do coração. Isso provoca uma falta de irrigação desta região, que é denominada isquemia e posterior surgimento de situações com a angina pectoris ou o infarto.

A gravidade desse último dependerá do tempo em que esse bloqueio se desenvolveu, assim como a área obstruída.

Curiosidade

Um fato curioso sobre esse mecanismo é que nosso corpo procura meios para “burlar” os bloqueios em seus vasos, permitindo a manutenção de sua irrigação. São os denominados vasos colaterais.

Essas estruturas são como verdadeiras pontes naturais que ligam uma área pré-obstrução a outra, pós-obstrução, fazendo com que permaneça o suprimento contínuo ao tecido.

Quando é necessário, especialmente quando o fluxo de sangue é maior, o organismo promove a indução das células dos pequenos vasos capilares a se modificarem, provocando um progressivo alargamento dos mesmos, dando origem a colaterais. Infelizmente, essa formação não se dá subitamente e quando assim ocorre um bloqueio, temos um fenômeno de isquemia aguda, que pode ser fatal.

Há décadas, muitos métodos têm sido desenvolvidos para impedir o surgimento das obstruções ou permitir a desobstrução de vasos, como por exemplo, a angioplastia com balão e stent (uma espécie de tubo que é colocado dentro do vaso, permitindo a passagem do sangue).

Contudo, nem todos os pacientes podem ser submetidos a esse procedimento e, a cada intervenção, maior é o risco. Além disso, ele não é capaz de reverter o processo natural da doença, pois se trata de um recurso paliativo.

Não obstante, medidas preventivas como os exercícios físicos, permitem que haja um estímulo ao desenvolvimento de colaterais, reduzindo, portanto o surgimento de angina e infarto. Essa seria uma maneira elegante e natural de permitir a criação de vias naturais e eficientes de alívio ao coração.

Referência: 

  1. Circulation 2007; 116: e340 – e341

Angina: ESTÁVEL e INSTÁVEL

Angina é um sintoma, geralmente associado a um desconforto precordial (dor torácica), provocado por isquemia miocárdica. Ela decorre de um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio do miocárdio.

De longe, a causa mais comum dela é uma placa aterosclerótica obstruindo o fluxo sanguíneo de uma artéria coronária que irriga o miocárdio. A falta de oxigênio no músculo cardíaco causada pela angina é temporária, não resultando em danos permanentes no coração.

Entretanto, pelo fato dela estreitar as artérias que levam sangue ao músculo, pode aumentar o risco de um infarto.

As diferenças entre Angina Estável e Instável

A principal diferença entre angina estável e instável é que a angina estável geralmente ocorre em situações de esforço e a dor desaparece com o repouso. Já a angina instável surge de repente e não cessa com o repouso, podendo ser um sinal de ataque cardíaco (infarto do miocárdio).

Características da angina estável:

  • É a forma mais comum de angina;
  • Normalmente ocorre em situações de esforço físico, como subir escadas ou durante exercícios;
  • Desaparece com o repouso;
  • Também pode ser desencadeada por perturbações emocionais, exposição a baixas temperaturas, refeições pesadas, tabagismo.

Características da angina instável:

  • O desconforto ou a dor no peito não cessam com o repouso;
  • Surge de forma súbita, mesmo quando a pessoa está em repouso;
  • Trata-se de uma condição perigosa, pois geralmente antecede um infarto;

Quais os fatores de risco para angina estável e instável?

  • Tabagismo;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial (pressão alta) não controlada;
  • Níveis elevados de colesterol e triglicérides;
  • Falta de atividade física;
  • Obesidade;
  • Estresse;
  • Idade superior a 45 anos;
  • Herança genética.

Como prevenir a angina estável e instável?

  • Pratique exercícios físicos regularmente;
  • Tenha uma alimentação equilibrada, com pouca gordura e açúcar;
  • Não fume;
  • Mantenha o diabetes, a pressão arterial e as taxas de colesterol e triglicérides sob controle;
  • Diminua os níveis de estresse.

Qual o tratamento para angina estável e instável?

O tratamento da angina é feito com mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e exercícios de reabilitação cardíaca, sob orientação e supervisão de um médico cardiologista.

Cuidados de Enfermagem

  • avaliar as características da dor no peito e sintomas associados.
  • avaliar a respiração, a pressão sanguínea e frequência cardíaca em cada episódio de dor torácica.
  • fazer um ECG, cada vez que a dor torácica surgir, para evidenciar infarto posterior.
  • monitorizar a resposta ao tratamento medicamentoso.
  • avisar o médico se a dor não diminuir.
  • identificar junto ao cliente as atividades que provoquem dor.
  • oferecer assistência de maneira calma e eficiente de modo a reconfortar o cliente até que o desconforto desapareça.
  • prover um ambiente confortável e silencioso para o cliente/família.
  • ajudar o paciente a identificar seus próprios fatores de risco.
  • ajudar o paciente a estabelecer um plano para modificações dos fatores de risco.
  • providenciar orientação nutricional ao cliente/família.
  • esclarecer o cliente/família acerca dos medicamentos que deverão ser tomados após a alta hospitalar.
  • esclarecer o cliente acerca do plano terapêutico.
  • explicar a relação entre a dieta, atividades físicas e a doença.

Cuidados de enfermagem na administração do nitrato

  • a nitroglicerina pode causar uma sensação de queimadura sob a língua quando dor forte;
  • orientar o paciente a não deglutir a saliva até que o comprimido esteja totalmente diluído;
  • para ação mais rápida, orientar o paciente a triturar o comprimido entre os dentes (conforme prescrição médica);
  • orientar repouso até o desaparecimento dos sintomas;
  • comunicar qualquer alteração ao médico.

Referências:

  1. Oliveira CM, Santoro DC. Conduta da equipe de enfermagem diante das alterações clínicas do cliente com síndrome isquêmica coronariana. Esc. Anna Nery. 2004;8(2):267-274
  2. Nascimento, J. S. do, Nunes, A. J., Novais, G. B., Carvalho, F. M. de A. de, & Lopes, L. E. S. (2017). Intervenção da Enfermagem no Diagnóstico de Angina Instável. Congresso Internacional De Enfermagem, 1(1). Recuperado de https://eventos.set.edu.br/cie/article/view/6165

Nitratos: Entenda sua função!

Os nitratos são vasodilatadores que relaxam ou dilatam os vasos sanguíneos, para reduzir a resistência. Isto reduz a pressão arterial e facilita o fluxo sanguíneo no corpo, melhorando os sintomas.

Farmacologia

O nitrato relaxa as células musculares lisas, como aquelas existentes nos vasos sanguíneos.

O efeito antianginoso é devido a dois mecanismos:

Os nitratos dilatam vasos colaterais que permitem maior quantidade de sangue passar pelo miocárdio. Também reduzem o trabalho cardíaco ao reduzir a tensão arterial periférica.

Logo eles aumentam o suprimento de oxigênio ao coração e diminuem as suas necessidades ao mesmo tempo.

Os Efeitos do Nitrato

  • Alívio imediato da dor causada pela angina.
  • Vasodilatação das coronárias e outros vasos (vasos do pênis – especialmente com sildenafila (Viagra)).
  • Relaxamento do esófago, brônquio, intestino e canais biliares (o seu músculo liso é igualmente sensível).

Quais são os Benefícios esperados?

Os nitratos reduzem a ocorrência e a intensidade da dor torácica (angina de peito) e por isso, são administrados para aliviar os sintomas. Outros vasodilatadores, como o Hidralazina e o Minoxidil, poderão ser usados para melhorar os sintomas como a falta de ar.

Os Efeitos Secundários

Os vasodilatadores poderão causar pressão arterial baixa, provocando tonturas ou sensação de desmaio ao sentar-se ou levantar-se muito rapidamente.

Outros efeitos secundários incluem dores de cabeça, rubor, palpitações e congestão nasal. As dores de cabeça são especialmente comuns nos vasodilatadores de ação prolongada, como os nitratos.

Efeitos Colaterais

Os efeitos adversos são:

  • O nitrato encontrado em águas minerais é associado ao risco de duas doenças graves: a metamoglobinemia, conhecida como Síndrome do Bebê Azul e o Câncer Gástrico. O Instituto do Câncer e estudos da literatura médica alertam sobre ingestão de água proveniente de poços que contêm uma alta concentração de nitrato está relacionada com a incidência do Câncer de Estômago.
  • Hipotensão postural (devido à vasodilatação).
  • Dores de cabeça.
  • Perigo de choque por hipotensão se sildenafil e outros nitratos forem tomados pela mesma pessoa.

Indicações de Uso

  • No tratamento da angina pectoris estável e instável.
  • Tratamento de insuficiência cardiaca aguda.
  • Tratamento de insuficiência cardiaca crônica se IECAs não forem indicados.
  • O sildenafil é usado no tratamento da disfunção erétil (impotência) do homem.

Os nitratos só têm efeito em administrações limitadas. Se administrado continuamente desenvolve-se resistência aos seus efeitos. Eles são apenas usados para diminuir a dor quando ela surge na angina; ou antes do ato sexual (sildenafil).

Fármacos

  • Nitroglicerina (trinitrato de glicerilo, Nitromint®, Nitradisc®, Nitro-Dur®, Epinitril®, Plastranit®, Nitroderm-TTS®): este potente explosivo é utilizado como componente principal da dinamite, desenvolvida por Alfred Nobel. As suas ações farmacológicas não estão relacionadas diretamente com as suas propriedades explosivas porém o medicamento, foi descoberto a partir de pessoas que respiravam numa atmosfera impregnada desse composto químico e que levou, o cientista, a usar elementos dessa substância. Ela não é explosiva dentro do corpo humano (em solução aquosa).
  • Mononitrato de isossorbida (Imdur, Monopront®, Ismo retard®, Monoket®): duração maior.
  • Hidralazina (Apressolina®).
  • Minoxidil (Loniten®).
  • Nesiritida (Natrecor®)
  • Levosimendano(Simdax®).

Referências:

  1. Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul

Turgência ou Estase Jugular

A turgência jugular (TJ) ou estase jugular tem alto valor diagnóstico para confirmar ou excluir congestão sistêmica.

A Turgência Jugular reflete a elevação das pressões de enchimento das câmaras direitas, o que, por sua vez, frequentemente se correlaciona com as pressões de enchimento do ventrículo esquerdo, é  um dado importante que deve ser avaliado em pacientes portadores de insuficiência cardíaca.

Pode ser um  marcador de pior prognóstico, considerando que sua presença é um marcador de re-hospitalização, de hospitalização e morte por insuficiência cardíaca e de morte por falência cardíaca.

No exame físico, é verificada com paciente a 45° de inclinação

Causas

Pode ocasionar devido:

  • Cor pulmonale;
  • Tromboembolismo pulmonar com hipertensão pulmonar;
  • Insuficiência tricúspide importante;
  • Insuficiência Cardíaca Direita ou Biventricular;
  • Tamponamento Cardíaco.

Referências:

  1.   Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS. Morbidade hospitalar do SUS [Internet]. Brasília: MS; 2008. Disponível em: www.datasus.gov.br.
  2. Almeida Junior, Gustavo Luiz et al. Avaliação hemodinâmica na insuficiência cardíaca: papel do exame físico e dos métodos não invasivos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2012, v. 98, n. 1 [Acessado 9 Novembro 2021] , pp. e15-e21. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0066-782X2012000100020&gt;. Epub 08 Fev 2012. ISSN 1678-4170. https://doi.org/10.1590/S0066-782X2012000100020.