Bonequinha para Higiene Oral: Como montar?

A Higienização Oral de um paciente é fundamental para seu tratamento contínuo. Pois proporciona prevenção de infecções endógenas e nosocomiais. É recomendável a todos os tipos de pacientes:

  • Tanto quando pacientes conscientes, torporosos quanto a inconscientes.

Mas, se o paciente não obter material pessoal de higiene, como escovas de dentes e creme dental, ou há desfalque de materiais de higiene oral hospitalar, ou o familiar não possui condições de adquirir materiais para a higiene oral (escova dental, escova de aspiração, antissépticos bucais), a enfermagem pode entrar com outro recurso ou alternativa.

Há diversos métodos alternativos para a realização da higiene oral no paciente, mas existe um método simples e comum de se realizar: A Bonequinha para Higiene oral.

A Bonequinha para higiene oral tem esse nome pois tem uma semelhança a pequenos bonecos, devido o formato oval que a gaze se forma quando junta com uma espátula/abaixador de língua.

Podemos improvisar com uma espátula/abaixador de língua com uma gaze III fios não estéril envolvida, embebida com solução de antisséptico bucal como por exemplo, o gluconato de clorexidina.

Como Monto uma Bonequinha?

1. Reservo um pedaço de fita crepe ou esparadrapo, para prender a base na espátula;
2. Reservo uma espátula ou abaixador de língua para o uso;
3. Disponho de duas ou três gazes para prender na espátula (quanto mais gaze, mais macio a bonequinha fica, a fim de evitar lesionar a mucosa oral do paciente), e a gaze não precisa ser estéril, mas limpa;
4. Separo as gazes que irei utilizar;
5. Coloco a espátula centralizada a gaze;

6. Dobro a ponta maior na parte de cima, em direção da espátula, para dentro;
7. Em seguida faço a segunda e a terceira dobra das pontas menores superiores da gaze, para dentro em direção da espátula;


8. Envolvendo uma ponta da espátula, seguro as pontas dobradas, e coloco a fita crepe ou esparadrapo em direção da base da espátula com a gaze;
9. Certifico sempre se a gaze está bem fixada a espátula, antes de utilizar;
10. Posso estar fazendo quantas bonequinhas necessárias para uma boa higienização bucal.

Em que pacientes posso utilizar a Bonequinha?

  • Pacientes intubados;
  • Pacientes acamados (Âmbito domiciliar e hospitalar);
  • Pacientes com dificuldade de realizarem a higienização sozinhas.

Veja também:

Gluconato de Clorexidina

Assepsia Vs Antissepsia: Entenda as diferenças!

Escova Higiênica Aspirativa

Importância da Higiene Oral em Âmbito Hospitalar

Compadre e Comadre: Dispositivos Urinários

Compadre (Pagagaio, Urinol), e Comadre (Penico), são alguns dos nomes mais curiosos para estes dispositivos urinários hospitalares, considerados como artigos não críticos.

São úteis tanto quanto em ambiente hospitalar e domiciliar para auxiliar uma pessoa debilitada a realizar suas necessidades, no próprio leito.

O Compadre é um dispositivo urinário masculino, tendo como função de coletar urina, sendo produzido em diversos tipos de materiais, como inox, plástico.

A Comadre também é um dispositivo urinário, mais indicado para pacientes femininas, tendo também como função de coletar urina, mas também pode ser utilizado para coletar fezes, sendo também um dispositivo que pode ser utilizado aos pacientes masculinos, produzido em material inox ou plástico.

Quem é Responsável pela Oferta ao paciente e ao Auxílio na Instalação?

O setor responsável pela utilização desse tipo de instrumento é aquele que presta assistência direta ao paciente, neste caso a equipe de enfermagem torna-se a responsável.

Procedimento de Enfermagem

Antes de mais nada, sempre lavar muito bem as mãos e fazer o uso de luvas durante o procedimento (é muito importante para evitar infecções).

Instalação da Comadre com auxílio do paciente:

  1. Cobrir a comadre com papel toalha ou papel higiênico;
  2. Solicitar ao paciente para ficar em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos e os pés sobre a cama “empurrando” a cama, com os pés o paciente levanta as nádegas e com a outra mão coloque a comadre sob ele;
  3. Colocar um dos braços sob a região lombar ajudando-o a levantar as nádegas e com a outra mão coloque a comadre sob ele;
  4. Se o paciente não tiver condições de fazer a sua higiene, limpar e/ou secar após qualquer eliminação. Fazer higiene com água morna e sabão líquido;
  5. Ao desprezar as eliminações, verificar o conteúdo quanto à sua característica e fazer as anotações necessárias.
  6. Higienizar a Comadre.

Sem Auxílio do paciente:

  1. Cobrir a comadre com papel toalha ou papel higiênico;
  2. Virar o paciente de lado, ajustar a comadre nas nádegas, virando-o sobre a mesma;
  3. Limpar e/ou secar após qualquer eliminação. Após evacuação, fazer higiene com água morna e sabão líquido;
  4. Ao retirar a comadre proceder da mesma maneira: virar para o lado, retirar a comadre e colocar novamente o paciente na posição desejada.

Instalação do Compadre com auxílio do paciente:

  1. Colocar o compadre na melhor posição;
  2. O órgão masculino deverá ser introduzido no compadre;
  3. Deixar o papel ou lenço a seu alcance ou da pessoa que for utilizar;
  4. Leve ao banheiro e descarte todo o conteúdo no vaso sanitário, avaliando o aspecto e a quantidade da urina para posterior anotação de enfermagem;
  5. Higienizar o Compadre.

Observações: nos casos de pacientes subnutridos ou caquéticos, deve-se acolchoar bem a comadre para evitar lesões de pele, principalmente na região sacral.

De quem é a Responsabilidade da Higienização destes Dispositivos?

Ao falar em responsáveis por essa limpeza, surge uma das principais dúvidas sobre este assunto. Enfermeiros, técnicos de enfermagem ou profissionais do serviço de limpeza devem executar a higienização?

De acordo com diversos documentos emitidos pelos CORENS, surge um exemplo da ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 006/2016 do COREN de São Paulo, onde determina que:

“Assim, consideramos que o processo de limpeza e desinfecção seja criterioso, precedido de capacitação e previsto no protocolo institucional com as atribuições dos membros da equipe, tanto da Enfermagem quanto da Limpeza.”

Portanto, este procedimento pode ser realizado por qualquer profissional que tenha a prévia capacitação, porém deve haver no protocolo organizacional a metodologia de higienização necessária, a especificação de quem será este profissional e o detalhamento de suas responsabilidades.

Clique no link para entender o processo de higienização e desinfecção destes dispositivos através de um POP elaborado pelo Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago. ( POP Rotina de Limpeza e Desinfecção Comadres e Compadres ).

Veja também:

Quaternário de Amônia

Desinfecção de Artigos Hospitalares

 

Referências:

  1. SILVA, C. S. J. Procedimento Operacional Padrão – POP Enfermagem: colocação e retirada de comadre/aparadeira. Aracaju: Universidade Federal de Sergipe. Campus da Saúde Professor João Cardoso Nascimento Júnior, 2010.
  2. Orientação Fundamentada COREN-SP Nº 006/2016.

Manta Térmica: Prevenção da HIPOTERMIA

A hipotermia é definida como a temperatura corporal central menor que 36ºC e representa uma das complicações mais comuns durante o procedimento anestésico cirúrgico, incidente que atinge aproximadamente 70% dos pacientes.

Ocorre devido a abolição das respostas comportamentais após a indução anestésica, aumento da exposição do paciente ao meio ambiente (salas refrigeradas), inibição da termorregulação central induzida pelos anestésicos, redistribuição interna do calor, aberturas da cavidade torácica ou abdominal e infusão de soluções frias.

Uma boa parte dos pacientes em POI podem ficar internados para a recuperação em uma UTI, em temperatura ambiente amena, o que também pode prejudicar no controle térmico.

A Manta Térmica é indicado para a prevenção e tratamento da hipotermia em pacientes cirúrgicos, pós- cirúrgicos, pacientes na área de espera pré-operatória, gestante com calafrios durante anestesia epidural devido à hipotermia, ou qualquer paciente que sinta desconforto em qualquer área do ambiente frio das Unidades de Terapia Intensiva.

As Principais Indicações de uso da Manta Térmica

  • Indicado o uso em recém-nascidos e crianças submetidas às cirurgias, pois são mais suscetíveis à hipotermia;
  • Uso indicado em pacientes queimados, devido o alto risco de hipotermia;
  • Prevenção da hipotermia em pacientes idosos, devido o reduzido percentual de gordura ou massa muscular;
  • Diminui efeitos negativos da hipotermia em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, resultando na redução de incidência de infecções de feridas cirúrgicas e tempo de recuperação pós-anestésica;
  • Uso indicado para pacientes com baixo peso corporal em cirurgias gerais, devido o risco de hipotermia;
  • Pacientes politraumáticos graves são indicados à prevenção da hipotermia, devido o risco associado a sangramento;
  • Infusão de grandes volumes de cristalóides, colóides ou derivados sanguíneos é indicado o uso de manta térmica para prevenir hipotermia;
  • Uso indicado para prevenir hipotermia irreversível e coagulopatia hipotérmica por transfusão sanguínea de infusão rápida;
  • Quando o paciente apresenta hipotermia no pré-operatório, o uso da manta térmica é indicado para prevenir hipotermia intra-operatória;
  • Em ambientes cirúrgicos com baixas temperaturas;
  • O uso da manta térmica para prevenir a hipotermia, reduz o tempo de recuperação do paciente e, consequentemente, seu tempo de hospitalização;
  • Sistema de micro temperatura controlada;
  • Fluxo de ar ativo em circuito paralelo de corrente de ar por convecção garantindo distribuição uniforme e contínua de ar quente no corpo do paciente.

Cuidados de Enfermagem

  • Posicionar a unidade de aquecimento próximo ao paciente e conectar a uma tomada apropriada;
  • Colocar a Manta térmica sobre o paciente com o lado perfurado próximo à pele;
  • Conectar a mangueira de ar à manta térmica, segurar o bocal da mangueira de ar com uma mão e pressionar a presilha do bocal com o polegar. Segurar a aba superior da entrada da manta com a outra mão, deslocar o bocal para a abertura e soltar a presilha do bocal;
  • Ligar;
  • Selecionar a temperatura e fluxo de ar apropriado;
  • Se o acesso ao tórax for desejado, romper cuidadosamente a área da fenda central;
  • Se for desejado acesso ao pé, romper cuidadosamente abrindo as áreas de fenda localizadas ao longo da borda abaixo da entrada da manta;
  • Monitorar continuamente a temperatura do paciente enquanto o sistema de aquecimento estiver ligado;
  • Não utilizar a manta térmica próximo a anestésicos inflamáveis, devido possível perigo de explosão;
  • Evitar contato com laser ou eletrodo eletrocirúrgico ativo com o material da manta, pois pode ocorrer combustão rápida;
  • Todas as feridas do paciente devem ser cobertas durante a utilização da manta térmica;
  • Não aplicar calor diretamente a feridas abertas;
  • Cautela ou interrupção do uso em pacientes durante cirurgias vasculares quando uma artéria que leve a uma extremidade for fechada;
  • Não aplicar a manta térmica a membros isquêmicos;
  • Utilizar com cautela e monitorar cuidadosamente ao utilizar em pacientes com doença vascular periférica severa;
  • Se ocorrer hipotensão, considerar reduzir a temperatura do ar ou desligar a unidade de aquecimento;
  • Se ocorrer algum mau funcionamento na unidade de aquecimento, esta deve ser desligada e notificada a ocorrência ao serviço de assistência técnica;
  • Garantir que o paciente esteja seco;
  • Monitorar continuamente a temperatura do paciente e regularmente os sinais vitais. Reduzir a temperatura do ar ou interromper a terapia quando a nomotermia for atingida.

Referência:

  1. Pagnocca ML, Tai EJ, Dwan JL. Controle de temperatura em intervenção cirúrgica abdominal convencional: comparação entre os métodos de aquecimento por condução e condução associada à convecção. Rev Bras Anestesiol. 2009;59(1):55-66.
  2. Panossian C, Simões CM, Milani WRO, Baranauskas MB, Margarido CB. O uso da manta térmica no intraoperatório de pacientes submetidos à prostatectomia radical está relacionado com a diminuição do tempo de recuperação pósanestésica. Rev Bras Anestesiol. 2008;58(3):220-6.

Régua de Gases: Para que serve?

Todo leito de um hospital provém de uma Régua de Gases. E também todos os setores que prestam assistências, desde enfermarias até o Centro Cirúrgico.

Uma Régua de Gases provém de vários tipos de gases medicinais, que conforme a necessidade do setor, é personalizado da maneira que é necessitada, como por exemplo, em centros cirúrgicos utilizarem além das gases convencionais, utilizarem também a linha de Óxido Nitroso para uma anestesia, e em enfermarias comuns somente utilizarem linhas de gases como ar comprimido para inalações, oxigênio para ofertar mediante oxigenoterapia, e sistema de vácuo para realização de aspirações de conteúdos como secreções, e na UTI é utilizado todo o sistema brando, com linhas a mais para acoplar ventiladores mecânicos, aspiradores, umidificadores extras para o tratamento intensivo do paciente.

Lembrando que o sistema separa os gases medicinais e o vácuo antes deles chegarem ao painel da régua de gases, conforme determina a ANVISA.

O que há em comum nestas réguas é que todos provém de sistema de iluminaria, tomadas para instalações de aparelhos elétricos perto do paciente, e de sistema de chamada de Enfermagem, o que no caso das réguas instaladas em Centros Cirúrgicos não têm.

Os Tipos de Gases Medicinais

Óxido Nitroso

Fortemente oxidante, o oxido nitroso é útil como comburente de materiais inflamáveis. Também conhecido como gás hilariante, o material é amplamente utilizado como analgésico e anestésico.

Ar Comprimido

Possui as mesmas características do ar atmosférico, ou seja, é composto por 79% de Nitrogênio, 21% de Oxigênio, sendo obtido através da mistura do Oxigênio e do Nitrogênio, exclusivamente para uso Medicinal.

É utilizado para aplicações ou tratamentos que requerem uma atmosfera pura, isenta de poeiras e micro-organismos.

Também pode ser usado para conduzir medicamentos, através de inalações.

Sistema de Vácuo

Com uma parte ligada a rede de vácuo, é criada uma pressão negativa no interior do frasco de vidro, que acaba coletando todas as secreções que estão envolvidas no sistema.

O sistema de vácuo é fechado pela boia de segurança, que não permite que essas secreções vazem do interior do frasco.

Já aspirador de secreção hospitalar Venturi tem esse nome por causa do Efeito Venturi. É um sistema fechado onde um fluido é comprimido ao passar por um estreitamento do sistema, o que diminui sua área de escoamento e consequentemente, aumenta a sua velocidade.

Neste sistema fechado, um terceiro duto é acrescentado para a sucção do fluido, pois o frasco do aspirador venturi também cria vácuo a partir da passagem do oxigênio ou ar comprimido.

O sistema, ao invés de ser conectado a rede de vácuo, é conectado a uma rede de oxigênio ou ar comprimido.

Em ambos os sistemas de aspirador de secreção hospitalar, é preciso estar atento a quantidade de secreções coletadas para evitar que o volume máximo seja ultrapassado e comprometa o bom funcionamento do equipamento.

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Máscara Não Reinalante

A Máscara Não Reinalante é um dispositivo muito utilizado em salas de emergência e UTI, onde a princípio compõem por uma máscara facial com duas portas de exalações, uma delas contendo uma válvula unidirecional.

Conectada à máscara, há uma bolsa reservatório flexível com uma válvula unidirecional entre a bolsa e a máscara, e uma extensão de O2.

A FiO2 varia de 60 a 100%, com fluxo mínimo de 6L/min e com fluxo máximo de 15 l/min.

A Desvantagem

Alguns estudos relatam que o paciente pode reinalar o ar expirado, o que não faz jus ao seu nome. Além de que, não costuma ficar perfeitamente acoplada à face do paciente, portanto, é comum que não alcance uma FiO2 de 100%, ainda mais que a utilização prolongada pode ser desconfortável devido ao peso do equipamento sob o paciente e a vedação necessária, ou seja, muitas vezes pode lesionar o rosto do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Separar máscara facial de tamanho adequado para o paciente;
  • Monitorizar (oxímetro de pulso) e avaliar paciente;
  • Checar funcionamento da rede de oxigênio;
  • Acoplar umidificador de gases no fluxômetro de O2 previamente instalado na rede de gases;
  • Acoplar a máscara facial no paciente, envolvendo a boca e o nariz, e ajustar elástico ao redor da cabeça e clipe metálico no nariz;
  • Ajustar fluxo de O2 de modo que os valores de SpO2 sejam satisfatórios;
  • Certificar-se pela avaliação do paciente de que houve melhora do quadro;
  • Registrar no prontuário o início do suporte;

Quanto aos cuidados com o Dispositivo

  • A máscara de reservatório é de uso individual e descartável;
  • Certificar-se de que o equipamento esteja completo e em perfeito estado para sua utilização;
  • Manter fluxo mínimo de 6 l/min, para evitar o colabamento do reservatório;
  • Realizar o desmame da oxigenoterapia adequadamente, reduzindo gradativamente o fluxo de oxigênio ofertado;
  • Atenção contínua a sinais de toxicidade pelo uso prolongado e/ou em altas concentrações de oxigênio;
  • Na persistência de baixos níveis de SpO2 e/ou dispneia, comunicar a equipe médica e considerar a necessidade de outro sistema ou de suporte ventilatório;
  • Em caso de intercorrência clínica, comunicar a equipe médica, e registrar o ocorrido em prontuário;
  • Em caso de não funcionamento adequado do equipamento, cancelar o procedimento e solicitar troca e/ou reposição do mesmo.

Referências:

  1. Pebmed
  2. COSTA, A. P. B. M.; PERES, D.B. Aerossolterapia e oxigenoterapia em pediatria e neonatologia. In: Profisio Pediátrica e Neonatal: cardiorrespiratória e terapia intensiva, 2012, 1(1):107-151.
  3. LEAL, A.G.C.; SILVA, R.J.; ANDRADE, L.B. Aerossolterapia em pediatria e em neonatologia. In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva;
  4. MARTINS, J.A.; e org. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Pediátrica e Neonatal: Cardiorrespiratória e Terapia Intensiva: Ciclo 3. v. 1. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 9-28.
  5. PRADO, C.; VALE, L. A. Fisioterapia neonatal e pediátrica. REBELO, C. M.; HADDAD, L. B. Oxigenoterapia e ventilação manual. Barueri, SP : Manole, 2012.
  6. REBELO, C. M.; HADDAD, L. B. Oxigenoterapia e ventilação manual. In: PRADO, C.; VALE, L.A. Fisioterapia neonatal e pediátrica.. Barueri, SP : Manole, 2012.
  7. REIS, L.F.F. Uso terapêutico do oxigênio em terapia intensiva. In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva; DIAS, C.M.; MARTINS, J.A. (Org.). PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto: Ciclo4. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 69-96. (Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância, v. 3).
  8. SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia. Barueri, SP: Manole, 2007.

Capnografia

A Capnografia é uma tecnologia que permite ter uma imagem gráfica e uma medida objetiva do estado ventilatório de um doente.

É monitorado a concentração ou pressão parcial de dióxido de carbono nos gases respiratórios. Seu principal desenvolvimento tem sido uma ferramenta de monitoramento para uso durante anestesia e terapia intensiva. Geralmente é apresentado como um gráfico de CO expiratório durante o ciclo respiratório por um sensor aplicado nas vias áreas do paciente ou pela aspiração de uma amostra de ar nas vias aéreas processada por um sensor.

A capnografia é utilizada como parâmetro indicativo de acidose respiratória incipiente e como ferramenta no auxilio ao desmame do respirador. Uma capnografia com valor zero significa que o paciente não está respirando, ou algumas vezes pode também representar uma desconexão do equipamento ou mau funcionamento.

Valores Normais

O valor normal do capnógrafo é de 35 a 45 mmHg. Uma diminuição da capnografia indica hipotermia, choque hipovolêmico, diminuição da atividade muscular, hipotireoidismo, anestesia geral, hiperventilação alveolar ou até um mau funcionamento do equipamento.

Um aumento da capnografia indica hipertermia ou sepse, aumento da atividade muscular, hipertireoidismo, hipoventilação alveolar e também pode ser mau funcionamento do equipamento.

Devemos estar atento não apenas aos valores apresentados em monitores, mas sim na clínica do paciente, permitindo distinguir uma alteração clínica de uma “monitorite”.

Curvas (Ondas) da Capnografia

Vamos conhecer uma curva de capnografia normal. No ponto marcado :

– A-B = Linha de base, fase inspiratória;
– B-C = Começo da expiração;
– C-D = Platô da expiração (pico máximo expiratório);
– D = Concentração final expiratória, ETCO2;
– D-E = Começo da fase inspiratória.

Através da curva do capnógrafo, podemos identificar e intervir rapidamente nas complicações respiratórias.

1. Uma diminuição de CO2 por um período prolongado pode estar ligado ao:

• Aumento da freqüência respiratória;
• Aumento do volume corrente;
• Diminuição do metabolismo e diminuição do consumo O2;
• Queda da temperatura corporal.

2. Um aumento de CO2 por um tempo prolongado pode estar ligado ao:

• Diminuição da freqüência respiratória;
• Diminuição do volume corrente;
• Aumento do metabolismo e aumento do consumo O2;
• Rápido aumento da temperatura corporal (hipertermia maligna).

3. Uma elevação da linha basal indica reinalação do CO2:

• Defeito da válvula respiratória;
• Tempo respiratório curto;
• Fluxo inspiratório inadequado;
• Funcionamento inadequado do sistema de absorção do CO2.

4. Obstrução do Fluxo por:

• Broncoespasmo;
• Oclusão da Vias Aéreas Superiores;
• Oclusão do Circuito Ventilatório.

5. Quando começa a terminar o efeito do relaxante muscular, e o paciente retorna a ventilação espontânea, aparecem umas ranhuras nas ondas da capnografia;

6. Há um escape de ar devido a má insuflação ou perfuração do cuff;

7. Intubação esofágica;

Cuidados de enfermagem

• Alguns equipamentos necessitam de calibração do capnógrafo, antes da instalação na cânula traqueal do paciente, deve-se proceder conforme o fabricante;
• Realizar higiene do sensor com álcool a 70% a cada troca do equipamento por paciente;
• Evitar obstrução do capilar do capnógrafo por muco em condensação, com o tempo o valor CO2 diminui;
• Evitar a condensação de vapor de água no circuito do ventilador, para que as leituras não sejam falsamente elevadas;
• Ao encontrar valores alterados comunicar imediatamente ao médico e/ou a enfermeira.

Referências:

1. Miller RD. Miller’s Anesthesia 7th Ed. Churchill Livingstone.
2. West JB. The Essentials of Respiratory Physiology 9th Ed. Lippincott Williams & Wilkins.
3. N Engl J Med. 2012 Nov 8;367(19):e27. doi: 10.1056/NEJMvcm1105237.
4. Reich DL. Monitoring in Anesthesia and Perioperative Care 1st Ed. Cambridge University Press.
5. Gravenstein JS, Jaffe MB, Gravenstein N, Paulus DA. Capnography 2nd Ed. Cambridge University Press.
6. Soto RG, Fu ES, Vila H Jr, Miguel RV. Capnography accurately detects apnea during monitored anesthesia care. Anesth Analg. 2004. Aug;99(2):379-82.

Escova Higiênica Aspirativa

A princípio, há diversas ferramentas tecnológicas para o auxílio na higienização íntima do paciente. Porém, não é diferente no caso dos cuidados com a higiene oral do mesmo.

Do mesmo modo, o maior fator de complicação em um paciente internado, com más condições higiênicas orais independente do grau de criticidade, é a Pneumonia, onde a placa bacteriana acaba atuando como reservatório para a colonização das bactérias respiratórias, e assim ocasionando o que chamamos de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM), bem como outras complicações comuns como herpes Simples, dermatite de contato, queilite actínica, leucoplaquia, líquen plano, a candidíase, a estomatite aftosa, e o sarcoma de Kaposi, entre outros.

Ainda assim, foi lançado no mercado escovas higiênicas aspirativas, utilizadas principalmente em âmbito hospitalar, onde provém de dois tipos, a escova com cerdas macias e escova tipo swab.

Assim como, ambos possuem em sua extremidade uma válvula adaptada para a conexão com sistema de aspiração, seja a vácuo ou ar comprimido, onde o profissional pode realizar a escovação dentária com produtos próprios, e ao mesmo tempo aspirar conteúdo bucal como restos de comida, saliva, etc, facilitando a higienização corretamente.

Por outro lado, pacientes com disfagia, intubados, onde possuem extrema dificuldade na deglutição, são os mais indicados ao uso deste dispositivo.

Escova Higiênica Aspirativa com Cerdas Macias

Este tipo de escova aspirativa é composto por cerdas macias, alguns contém esponja livre de látex com alto absorvente de água e tubo que é plástico branco.

Escova Higiênica Aspirativa Tipo Swab

Este tipo de escova é desenvolvida com esponja de alta absorção, indicado para pacientes que usam prótese dentária, somente com gengivas expostas, evitando o lesionamento da mucosa.

Cuidados de Enfermagem

  • Esta escova é de uso único e descartável, tem como validade de 24 horas, deve ser trocado a cada banho diário;
  • Deve identificar a escova higiênica com o nome do paciente e número do leito;
  • Higienizar adequadamente a escova higiênica em água corrente, e armazenar em um ambiente limpo;
  • Atentar à escovação em cantos da boca;
  • Utilizar produtos antissépticos bucais próprios para âmbito hospitalar;
  • Por fim, ao terminar de utilizar o sistema de aspiração, lavar com soro ou água destilada o sistema de aspiração.

Veja também:

Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)

Ventilação Mecânica

Importância da Higiene Oral em Âmbito Hospitalar

 

Conheça os Tipos de Estetoscópio!

Você já reparou que há tipos diferentes de estetoscópios que são vendidos no mercado?

Mas quais são as diferenças básicas nelas?

  • No esteto duplo possui auscultador duplo, podendo variar a ausculta entre sons de alta e baixa frequência. Basta girar a cabeça do auscultador para alterar a ausculta entre alta frequência (diafragma) e baixa frequência (sino)!;
  • No esteto simples possui auscultador simples, sendo assim, a ausculta é de um menor espectro de sons;
  • No esteto master possui uma única membrana flexível que alterna entre sons de alta e baixa frequência conforme o auscultador é pressionado;
  • No esteto rappaport é conhecido pela sua versatilidade, possui auscultador duplo e dois tubos, além de acompanhar vários acessórios (diafragmas, sinos e olivas) para conversão em diferentes formas de uso.

Antes de adquirir o seu, saiba exatamente o tipo que necessita!

Extensor Polifix Multivias

Hoje em dia são disponibilizados diversos dispositivos essenciais no auxílio à terapia medicamentosa por via intravenosa.

E uma delas, é o extensor intermediário de duas ou quatro vias para administração de medicações parenterais compatíveis, que podem substituir em algumas situações, as tradicionais dânulas (three-way).

Chamadas de Extensores Polifix, Multivias Ou Extensores Valvulados, elas podem aumentar e prolongar as vias de infusão a partir de um único acesso venoso, permitindo infusões simultâneas de medicações compatíveis a partir de um único acesso venoso, Facilitando a mobilidade do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • O Extensor é de uso único e descartado, deve-se respeitar o tempo de uso através de protocolos de troca de dispositivos preconizados nos hospitais;
  • O Extensor deve ser trocado antes do prazo caso haja sujidades como grumos de sangue, medicamentoso, que possam obstruir toda a extensão do cateter;
  • Ao vencimento do prazo do Extensor, deve-se trocar o cateter intravenoso periférico flexível, para evitar a disseminação de infecção na corrente sanguínea;
  • Deve-se guardar as tampas em um local limpo e livre de contaminação para posterior uso;
  • Não deixar as vias de acesso dos extensores que não estão sendo infundidas no momento SEM AS TAMPAS!;
  • Em Extensores valvulados, devem ser feitas antissepsias com álcool 70% friccionando-as 3 vezes em movimentos rotativos, também serve no caso dos extensores com saída luer distal fêmea;
  • Caso haja perda das tampas, providenciar tampas valvuladas, caso não há disponibilidade, deve descartar a o extensor realizando uma nova troca;
  • Atentar ao rosqueamento do extensor com a via de acesso dos equipos, para evitar a desconexão acidental de todo o sistema;
  • Ao término de uma infusão, deve-se salinizar toda a extensão e clampear o extensor para que evite extravasamento de fluídos.

Veja também:

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

O que é “Salinizar” um Cateter?

Torneira de 3 Vias: “Dânula” ou “Three-way”

Torneira de 3 Vias: “Dânula” ou “Three-way”

Popularmente chamado de “Torneirinha” ou “Torneira” de 3 vias, além da “Dânula” e também “Three-way”, é um dispositivo muito utilizado pela enfermagem para diversos tipos de propósitos.

Entre eles, muito utilizada para conexão de acesso intravenoso para monitoração invasiva de pressão e administração de líquido, fármacos e retirada de amostras, sendo desenvolvidas para a aplicação de medicamentos em terapias intra-venosas contínuas e intermitentes.

Nada mais que um duplicador de acesso venoso. Com este dispositivo, pode conectar e controlar o direcionamento do fluxo de soluções de 03 linhas distintas em suas extremidades fêmea e macho.

Eu posso reutilizá-los?

Não! Este dispositivo além de ser de uso único, sendo descartável após um período pré-determinado pelo fabricante ou por meio de protocolos operacionais padrões (POPs), ele é confeccionado de forma estéril, não podendo de forma alguma a sua re-utilização.

Como funciona seu Sistema?

Seu sistema é constituído por um volante giratório em forma de “T” com setas indicativas, onde as 3 setas indicam que a via é aberta para a infusão. Contudo quando a via está fechada, é direcionado onde não há uma seta indicativa, sendo então fechado a via desejada.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • A Torneira é de uso único e descartado, deve-se respeitar o tempo de uso através de protocolos de troca de dispositivos preconizados nos hospitais;
  • A Torneira deve ser trocada antes do prazo caso haja sujidades como grumos de sangue, medicamentoso, que possam obstruir toda a extensão do cateter;
  • Ao vencimento do prazo da Torneira, deve-se trocar TODAS as torneiras em conexão ao cateter, para evitar a disseminação de infecção na corrente sanguínea;
  • Deve-se guardar as tampas em um local limpo e livre de contaminação para posterior uso;
  • Não deixar as vias de acesso das torneiras que não estão sendo infundidas no momento SEM AS TAMPAS!;
  • Caso haja perda das tampas, providenciar tampas valvuladas, caso não há disponibilidade, deve descartar a torneira.
  • Atentar ao rosqueamento da torneira com a via de acesso e entre outras torneiras, para evitar a desconexão acidental de todo o sistema.