Resistência ao Infundir Pelo Cateter: O que fazer?

Cateter venoso periférico resistente

Quando existe resistência ao infundir pelo cateter, pense primeiro em patência do acesso e segurança do paciente. Uma obstrução, dobra do cateter ou equipo, posição do membro, conexão inadequada, precipitação de medicamentos ou complicação no local de inserção podem dificultar o fluxo. A avaliação deve considerar o tipo de cateter e o contexto clínico.

O que a resistência pode estar mostrando?

Antes de tentar infundir novamente, observe o acesso. Há edema? Dor? Vermelhidão? Endurecimento? Vazamento? O curativo está pressionando o dispositivo? O membro está dobrado? Existe alguma pinça fechada ou conexão desconectada?

Esses sinais ajudam a diferenciar problemas mecânicos de complicações como infiltração, extravasamento ou flebite. A avaliação do sítio de inserção faz parte da manutenção segura dos cateteres, justamente porque complicações locais podem comprometer a infusão e causar dano ao paciente.

Em uma situação típica de plantão, o acesso parece estar funcionando, mas, ao iniciar a medicação, o êmbolo oferece resistência e o paciente imediatamente refere ardência no local. Esse conjunto de sinais merece uma pausa: continuar pressionando a seringa pode aumentar a infiltração ou o extravasamento, dependendo do medicamento envolvido.

Nunca tente vencer a resistência na força

Esse é um daqueles momentos em que a força pode transformar um problema pequeno em uma complicação maior. Se existe resistência significativa, não force a infusão. Primeiro investigue a causa e siga o protocolo do serviço para avaliação da permeabilidade e manejo do acesso.

Também não é adequado manipular ou utilizar técnicas improvisadas para tentar desobstruir o cateter. A técnica de manutenção deve respeitar o dispositivo, as recomendações do fabricante e o protocolo institucional.

Quando pensar em obstrução?

Se não existem sinais locais de infiltração ou extravasamento e o problema parece estar relacionado ao fluxo, considere causas mecânicas, como dobra do equipo ou cateter, conexão inadequada, clamp fechado ou obstrução do lúmen.

A posição do membro também pode interferir. Um cateter localizado próximo a uma articulação pode apresentar dificuldade de fluxo quando o membro é movimentado ou mantido em determinada posição. Nesses casos, corrigir a posição e verificar o sistema pode esclarecer o problema.

Uma cena bastante comum é o acesso funcionar normalmente com o braço estendido e apresentar resistência quando o paciente dobra o cotovelo. Antes de descartar imediatamente o cateter, é preciso verificar se a dificuldade está relacionada à posição, sem deixar de avaliar o sítio e a permeabilidade conforme o protocolo.

E se houver dor, edema ou vazamento?

Aqui a atenção precisa aumentar. Resistência associada a edema, dor, alteração da pele ou vazamento no local do acesso não deve ser ignorada. Esses achados podem indicar infiltração ou extravasamento, e a conduta depende da solução ou medicamento que está sendo administrado.

No caso de suspeita de extravasamento, a infusão deve ser interrompida e o protocolo específico do medicamento e da instituição deve ser seguido. Dependendo da substância, pode haver necessidade de medidas específicas antes da retirada do dispositivo, por isso não existe uma única conduta que sirva para todos os casos.

Cuidados de enfermagem

Na prática, diante da resistência:

  • interrompa ou não inicie a infusão;
  • observe o sítio do cateter;
  • verifique dobras, clamps, conexões e posição do membro;
  • avalie dor, edema, vermelhidão, endurecimento e vazamento;
  • não force o êmbolo;
  • se houver suspeita de infiltração ou extravasamento, siga imediatamente o protocolo específico;
  • registre a avaliação e comunique alterações relevantes.

A manutenção adequada dos cateteres exige técnica asséptica e profissionais treinados, além da avaliação periódica do dispositivo e do sítio de inserção.

Para guardar no plantão

Resistência ao infundir = pare e investigue.

Não é simplesmente “empurrar mais forte”. Primeiro descubra se existe problema mecânico, obstrução ou complicação no local. Se houver dor, edema, vazamento ou alteração da pele, trate o achado como um sinal de alerta e siga o protocolo correspondente.

Uma seringa difícil de empurrar pode estar avisando algo que o olho ainda não percebeu.

Resumo para salvar

Resistência ao Infundir Pelo Cateter

  • Pare a infusão e investigue
  • Observe o sítio do cateter
  • Nunca force o êmbolo
  • Siga o protocolo diante de infiltração ou extravasamento

Referências:

  1. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Summary of Recommendations: Guidelines for the Prevention of Intravascular Catheter-Related Infections. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: CDC – Intravascular Catheter-Related Infections.
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Background Information: Strategies for Prevention of Catheter-Related Infections in Adult and Pediatric Patients. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: CDC – Prevention Strategies.
  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Basic Infection Control and Prevention Plan for Outpatient Oncology Settings. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: CDC – Oncology Infection Prevention. 

Botas Pneumáticas: Quando Usar

botas pneumáticas

As botas pneumáticas compressivas, também chamadas de compressão pneumática intermitente (CPI), são dispositivos utilizados principalmente para prevenção de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) em pacientes com risco aumentado de tromboembolismo venoso.

O equipamento possui câmaras de ar que inflam e desinflam de maneira sequencial, comprimindo a panturrilha, a coxa ou o pé. Esse movimento aumenta o fluxo venoso e reduz a estase sanguínea, simulando parcialmente o efeito da contração muscular durante a caminhada.

Por que são importantes na internação?

A imobilidade prolongada favorece a estase venosa, especialmente em pacientes internados, no pós-operatório, após traumas, em terapia intensiva ou em situações nas quais a mobilização está temporariamente limitada.

Por isso, a avaliação do risco de TEV deve fazer parte da assistência. Dependendo do quadro clínico e do risco de sangramento, a profilaxia mecânica pode ser utilizada isoladamente ou associada à farmacológica, conforme prescrição e protocolo. Em pacientes com trauma grave, por exemplo, a compressão pneumática intermitente pode ser indicada desde a admissão.

Em uma situação típica de UTI, um paciente sedado, acamado e com mobilidade praticamente ausente permanece várias horas sem movimentar adequadamente os membros inferiores. A colocação correta da bota e a manutenção do dispositivo durante o período indicado tornam-se parte da estratégia preventiva, junto com a avaliação diária do risco de TEV e das condições clínicas.

Como funciona a compressão?

O equipamento possui uma bomba conectada às botas ou mangas. Dependendo do modelo, as câmaras são insufladas de forma sequencial, criando períodos de compressão e relaxamento.

Essa alternância favorece o retorno venoso e reduz a estase. É justamente essa ação que diferencia a compressão pneumática intermitente de uma simples faixa ou meia de compressão.

Um detalhe importante para a enfermagem é verificar se o equipamento está realmente funcionando. Em um paciente que permanece imóvel durante o plantão, uma bota mal posicionada, desconectada da bomba ou com algum problema no sistema pode dar a impressão de que a profilaxia está sendo realizada quando, na prática, a compressão não está acontecendo adequadamente.

Bota pneumática e meia de compressão são iguais?

Não. A meia antitrombo exerce compressão contínua e graduada, enquanto a compressão pneumática intermitente utiliza ciclos de insuflação e desinsuflação realizados pelo equipamento.

A escolha depende da condição clínica, do risco de TEV, do risco de sangramento, da mobilidade e das contraindicações. Em algumas situações, a compressão pneumática é preferida ou utilizada como alternativa quando determinado método não é apropriado.

Cuidados de enfermagem

Antes de instalar o dispositivo, é importante verificar a prescrição ou protocolo institucional, avaliar a pele e observar alterações relevantes nos membros inferiores. A bota deve estar posicionada conforme as orientações do fabricante, sem dobras ou montagem inadequada.

Durante o uso, observe dor, desconforto, alteração de coloração, edema, lesões de pele, dormência ou outras mudanças no membro. Também confira se as conexões estão corretas e se as câmaras estão insuflando adequadamente.

A pele deve ser inspecionada regularmente, principalmente em pacientes com mobilidade reduzida, alterações de sensibilidade ou maior risco de lesão. A avaliação do risco de TEV e sangramento também deve ser reavaliada quando houver mudança clínica.

Quando ter atenção redobrada?

A bota não deve ser colocada automaticamente em qualquer paciente com edema. É necessário avaliar a indicação e possíveis contraindicações. Doença arterial periférica significativa, alterações importantes da pele, infecção local, suspeita ou presença de determinadas condições vasculares podem exigir avaliação médica antes do uso, conforme protocolo e instruções do dispositivo.

Também é importante lembrar que a compressão pneumática é uma medida preventiva e não substitui a avaliação de uma TVP já suspeita. Se o paciente apresentar edema unilateral novo, dor, aumento de temperatura ou outras manifestações sugestivas, a situação precisa ser investigada pela equipe.

Um cuidado simples que evita um erro comum

O paciente pode retirar o dispositivo para higiene, exames, mobilização ou outros procedimentos, dependendo da orientação da equipe. O problema está quando a retirada se prolonga sem necessidade e ninguém percebe.

Por isso, durante a passagem de plantão, vale verificar não apenas se o paciente “tem bota pneumática”, mas se ela está instalada, funcionando e sendo utilizada pelo tempo prescrito. Em pacientes de alto risco, essa diferença pode ser relevante para a efetividade da profilaxia.

Para guardar na prova

✓ Decore para a Prova A compressão pneumática intermitente utiliza ciclos de insuflação e desinsuflação para aumentar o retorno venoso e reduzir a estase nos membros inferiores.

Seu principal objetivo no ambiente hospitalar é a profilaxia do tromboembolismo venoso, especialmente em pacientes com mobilidade reduzida e em determinados cenários cirúrgicos, traumáticos e neurológicos.

Para a enfermagem, três pontos merecem atenção: indicação correta, posicionamento adequado e inspeção frequente do membro e do funcionamento do equipamento.

Resumo para salvar

Botas Pneumáticas: Quando Usar

  • A compressão pneumática intermitente reduz a estase venosa e favorece o retorno sanguíneo
  • É utilizada principalmente na prevenção de tromboembolismo venoso em pacientes de risco
  • A enfermagem deve verificar posicionamento, funcionamento e condições da pele durante o uso
  • A bota não substitui a investigação de uma possível TVP e deve ser utilizada conforme indicação e protocolo

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Venous thromboembolism in over 16s: reducing the risk of hospital-acquired deep vein thrombosis or pulmonary embolism (NG89). London: NICE. Disponível em: NICE – VTE: Recommendations.
  2. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Venous thromboembolism in over 16s: reducing the risk of hospital-acquired deep vein thrombosis or pulmonary embolism – Full guideline. London: NICE. Disponível em: NICE – Full Guideline NG89. 

Lesão por Dispositivo Médico: o que é, como identificar e quais são os cuidados de enfermagem

A assistência de enfermagem envolve o uso diário de inúmeros dispositivos médicos. Cateteres, sondas, máscaras de oxigênio, tubos, fixadores, talas, eletrodos, sensores e outros recursos são fundamentais para monitorar, tratar e manter a vida de muitos pacientes.

Mas existe um detalhe que não pode ser esquecido: um dispositivo criado para cuidar também pode causar uma lesão.

Quando determinado dispositivo permanece em contato com a pele ou com tecidos por tempo prolongado, especialmente quando exerce pressão, tração, fricção ou cisalhamento, pode provocar uma lesão relacionada a dispositivo médico. Essas lesões são particularmente importantes em pacientes críticos, idosos, pessoas com mobilidade reduzida e pacientes submetidos a terapias que exigem dispositivos continuamente.

As lesões por pressão relacionadas a dispositivos médicos são reconhecidas como um tipo específico de lesão por pressão. A diretriz internacional de 2025 define essas lesões como aquelas que ocorrem sob ou próximas a dispositivos utilizados para fins diagnósticos ou terapêuticos, como dispositivos de oxigenoterapia, tubos, talas, órteses e eletrodos.

Por isso, compreender esse problema é fundamental para quem trabalha ou estuda enfermagem.

O que é uma Lesão por Dispositivo Médico?

A Lesão por Dispositivo Médico (LDM) ocorre quando um dispositivo utilizado no cuidado do paciente provoca dano à pele ou aos tecidos subjacentes.

Na prática, imagine uma máscara de ventilação não invasiva que permanece pressionando continuamente a região do nariz. Se essa pressão não for adequadamente avaliada e aliviada, pode surgir inicialmente uma área avermelhada e dolorosa. Com a continuidade da pressão, a lesão pode evoluir para perda da integridade da pele e atingir tecidos mais profundos.

O mesmo princípio pode acontecer com uma sonda, um cateter, um tubo endotraqueal, uma tala, um colar cervical ou até mesmo um sensor de monitorização.

Portanto, o dispositivo não precisa estar “apertado demais” para causar uma lesão. Pressão contínua, fricção, cisalhamento, umidade, posicionamento inadequado e tempo prolongado de contato podem contribuir para o problema.

A literatura internacional considera as lesões relacionadas a dispositivos médicos uma preocupação relevante de segurança do paciente. Uma revisão sistemática publicada em 2023 encontrou estimativas de prevalência de aproximadamente 10% e incidência de 12% para esse tipo de lesão nos estudos analisados.

Por que o dispositivo médico pode machucar a pele?

Para entender a LDM, é interessante pensar em uma situação bastante simples. Imagine colocar um objeto sobre a pele e mantê-lo pressionado durante várias horas. Inicialmente, talvez não aconteça nada perceptível. Entretanto, se a pressão permanecer continuamente sobre a mesma região, a circulação local pode ser prejudicada.

A pressão pode comprimir pequenos vasos sanguíneos. Com isso, ocorre redução do fornecimento de oxigênio e nutrientes aos tecidos. Se essa situação persistir, o tecido pode sofrer hipóxia, isquemia e, posteriormente, necrose.

Quando acrescentamos outros fatores, como fricção, cisalhamento, umidade e fragilidade da pele, o risco aumenta ainda mais. É justamente por isso que um dispositivo corretamente instalado não significa necessariamente um dispositivo seguro durante todo o período de utilização.

O paciente muda de posição, apresenta edema, transpira, movimenta-se, perde ou ganha peso, desenvolve alterações circulatórias e pode apresentar mudanças na tolerância ao dispositivo. A enfermagem precisa acompanhar essas mudanças.

Quais dispositivos podem causar lesões?

Praticamente qualquer dispositivo que permaneça em contato prolongado com o organismo pode, dependendo das condições, contribuir para uma lesão. Entre os exemplos mais conhecidos estão:

Dispositivos respiratórios

São frequentemente envolvidos porque precisam permanecer posicionados durante longos períodos.

Podemos citar:

  • máscaras de ventilação não invasiva;
  • máscaras de oxigênio;
  • cateter nasal;
  • tubo endotraqueal;
  • fixadores de tubo;
  • cânulas e dispositivos de suporte respiratório.

Máscaras de CPAP e BiPAP, por exemplo, podem exercer pressão principalmente sobre a região nasal, malar e facial. O problema pode ser ainda maior quando o paciente necessita utilizar o dispositivo continuamente.

Sondas e cateteres

Sondas e cateteres também podem provocar lesões quando existe pressão, tração ou fixação inadequada. Entre eles estão:

  • Sonda nasogástrica e nasoenteral: podem provocar lesões nas narinas, no septo nasal e em regiões próximas ao local de fixação.
  • Cateter vesical: pode causar lesões por tração ou pressão, principalmente quando existe fixação inadequada ou movimentação excessiva.
  • Cateteres vasculares: podem contribuir para lesões relacionadas à pressão, fixação, dispositivos de estabilização ou curativos, especialmente quando permanecem sobre regiões vulneráveis.

Dispositivos utilizados para monitorização

Alguns equipamentos utilizados rotineiramente para monitorização também merecem atenção. Eletrodos, sensores de oximetria, manguitos de pressão arterial, cabos, sensores e outros dispositivos podem permanecer em contato com a pele durante horas. No caso do oxímetro, por exemplo, a atenção não deve estar apenas no funcionamento do aparelho. É necessário observar a pele e alternar o local quando isso for possível e seguro.

O mesmo raciocínio vale para eletrodos de monitorização cardíaca.

Talas, órteses e imobilizadores

Talas, órteses, colares cervicais, fixadores e outros dispositivos utilizados para imobilização também podem provocar pressão localizada. Nesses casos, a própria finalidade do dispositivo exige algum grau de contato ou contenção. Isso não significa que a lesão seja inevitável. A equipe precisa verificar se o dispositivo está corretamente ajustado, se existe pressão excessiva e se há áreas de contato particularmente vulneráveis.

Onde essas lesões aparecem com maior frequência?

A localização depende diretamente do dispositivo utilizado. Uma máscara facial, por exemplo, pode provocar lesões em regiões como nariz, dorso nasal, bochechas e áreas próximas à fixação. Um cateter nasal pode provocar alterações nas narinas e atrás das orelhas, dependendo do modelo e da forma de fixação. Uma sonda pode causar lesões nas regiões em que entra em contato com a pele ou permanece fixada.

Já uma tala ou órtese pode provocar lesões sobre proeminências ósseas. Portanto, uma regra muito útil para a enfermagem é:

onde existe contato contínuo entre dispositivo e pele, existe necessidade de avaliação.

Quem apresenta maior risco?

Embora qualquer paciente possa desenvolver uma lesão relacionada a dispositivo, alguns apresentam risco maior. Entre os principais fatores estão a idade avançada, imobilidade, alterações da perfusão, edema, desnutrição, alterações da sensibilidade, alteração do nível de consciência, incontinência, umidade excessiva e presença de doenças crônicas.

Pacientes críticos merecem atenção especial. Um paciente sedado, intubado, com edema, instabilidade hemodinâmica e múltiplos dispositivos pode não conseguir comunicar dor ou desconforto e pode permanecer por longos períodos na mesma posição.

Por isso, a avaliação da pele não pode depender exclusivamente da queixa do paciente. Estudos brasileiros realizados em unidades de terapia intensiva identificaram como medidas importantes de prevenção a atenção à fixação, reposicionamento frequente, proteção e acolchoamento das áreas de contato, escolha de materiais flexíveis quando disponíveis, cuidado para que dispositivos não permaneçam sob o paciente e remoção precoce quando clinicamente possível.

Como identificar uma Lesão por Dispositivo Médico?

A avaliação deve começar antes mesmo de aparecer uma ferida. Um dos primeiros sinais pode ser uma alteração na coloração da pele. Pode aparecer uma área avermelhada, arroxeada ou com outra alteração de coloração exatamente no local onde o dispositivo exerce pressão.

Também podem surgir:

  • dor;
  • ardência;
  • aumento da sensibilidade;
  • edema;
  • endurecimento;
  • alteração da temperatura local;
  • bolhas;
  • erosões;
  • perda da integridade da pele;
  • áreas de necrose.

É importante observar que a ausência de uma ferida aberta não significa ausência de lesão. Uma alteração persistente na pele já merece atenção.

A lesão pode surgir mesmo com a pele aparentemente normal?

Sim. Esse é um dos motivos pelos quais a avaliação frequente é tão importante. A lesão pode começar em tecidos mais profundos e apresentar sinais externos discretos. Além disso, pacientes com alterações de perfusão ou sensibilidade podem apresentar manifestações diferentes. Por isso, não se deve avaliar apenas a existência de uma “ferida”.

É necessário observar a pele antes, durante e depois da utilização do dispositivo.

Qual é a diferença entre lesão por pressão comum e lesão relacionada a dispositivo?

A principal diferença está no fator causador e na localização. Uma lesão por pressão tradicional geralmente está relacionada à pressão ou cisalhamento sobre uma região corporal, frequentemente uma proeminência óssea. Na lesão relacionada a dispositivo médico, o dano está relacionado ao contato com um dispositivo utilizado para assistência diagnóstica ou terapêutica.

Por exemplo:

  • Pressão prolongada do corpo contra o colchão na região sacral: lesão por pressão convencional.
  • Pressão prolongada de uma máscara de ventilação sobre o dorso do nariz: lesão por pressão relacionada a dispositivo médico.

As duas situações possuem mecanismos semelhantes, mas a segunda está diretamente relacionada ao dispositivo.

O tempo de permanência influencia?

Sim, mas não existe um único número de horas que determine quando uma lesão obrigatoriamente aparecerá. Isso é importante porque às vezes existe a ideia de que “se o dispositivo ficar menos de determinado tempo, não haverá risco”. Não é tão simples. A intensidade da pressão, o formato do dispositivo, o material utilizado, o estado da pele, a perfusão, a umidade, a mobilidade do paciente e outros fatores influenciam o risco.

Um paciente vulnerável pode desenvolver dano em um período relativamente curto. Por isso, a prevenção não deve ser baseada apenas em relógio, mas principalmente em avaliação clínica contínua.

A importância da fixação correta

Fixar um dispositivo não significa simplesmente deixá-lo “bem preso”. A fixação precisa ser suficientemente segura para evitar deslocamentos, mas não deve gerar compressão desnecessária. Uma fixação excessivamente apertada pode aumentar a pressão sobre a pele.

Por outro lado, uma fixação frouxa pode provocar movimentação repetitiva, fricção e tração. A enfermagem precisa encontrar um equilíbrio entre segurança do dispositivo e proteção dos tecidos. Esse cuidado é particularmente importante com tubos, sondas, cateteres e dispositivos respiratórios.

O acolchoamento pode ajudar?

Sim, quando indicado e realizado corretamente. Materiais apropriados podem ajudar a distribuir a pressão e proteger áreas vulneráveis. Entretanto, colocar qualquer tipo de gaze, espuma ou material improvisado entre o dispositivo e a pele não é necessariamente uma boa prática. O material utilizado deve ser compatível com o dispositivo e com a finalidade da proteção.

Além disso, o acolchoamento não deve criar novos pontos de pressão. A revisão sistemática sobre prevenção de lesões relacionadas a dispositivos identificou intervenções como curativos, materiais de proteção, dispositivos específicos de fixação, reposicionamento, educação da equipe e remoção precoce quando possível.

Cuidados de enfermagem para prevenir a Lesão por Dispositivo Médico

A prevenção começa na avaliação do paciente: Antes de instalar um dispositivo, sempre que possível, observe a condição da pele no local onde ele ficará. Depois da instalação, verifique se existe pressão excessiva, dobras, tração ou posicionamento inadequado.

Durante a assistência, a equipe deve realizar avaliações periódicas e documentar alterações relevantes. Outro cuidado fundamental é evitar que tubos, cabos ou dispositivos permaneçam pressionados sob o corpo do paciente. Essa situação pode ser facilmente esquecida durante mudanças de decúbito.

O estudo realizado com profissionais de enfermagem em UTI destacou justamente a importância de verificar se dispositivos não permanecem sob o paciente e de realizar reposicionamento frequente.

A enfermagem deve retirar o dispositivo para avaliar a pele?

Nem sempre. Esse é um ponto muito importante. Alguns dispositivos são essenciais para manter a vida ou garantir um tratamento seguro. Retirá-los sem avaliação médica ou sem indicação pode trazer riscos. A pergunta correta não é simplesmente “posso retirar?”.

É:

“Esse dispositivo ainda é necessário? Existe uma alternativa segura? É possível reposicioná-lo? Posso aliviar a pressão sem comprometer sua função?”

Quando clinicamente possível, a remoção precoce de dispositivos desnecessários é uma das estratégias preventivas destacadas na literatura.

O que fazer quando a lesão já apareceu?

Primeiramente, a equipe deve reconhecer e registrar a alteração. É importante avaliar localização, tamanho, aspecto da pele, presença de dor, exsudato, edema e outros sinais relevantes. Em seguida, deve-se investigar o dispositivo responsável e verificar se ele continua sendo necessário. Quando for possível e seguro, deve-se aliviar ou eliminar a fonte de pressão.

A conduta específica para tratamento dependerá do tipo e da gravidade da lesão, das condições clínicas do paciente e do protocolo institucional. Lesões mais profundas, áreas de necrose, sinais de infecção ou evolução rápida exigem avaliação especializada.

O papel da documentação de enfermagem

A documentação é parte importante da segurança do paciente. Ao identificar uma alteração relacionada a um dispositivo, o profissional deve registrar adequadamente o achado conforme as normas institucionais. É importante documentar, por exemplo, a localização, características da pele, dispositivo envolvido, medidas adotadas e evolução.

Isso permite acompanhar a resposta às intervenções e melhora a comunicação entre os profissionais. Além disso, a documentação ajuda a identificar padrões. Se uma determinada unidade começa a apresentar repetidamente lesões associadas ao mesmo dispositivo, isso pode indicar necessidade de revisão da técnica, do material, da fixação ou do protocolo.

Um exemplo prático para entender

Imagine um paciente internado na UTI utilizando ventilação não invasiva. A máscara precisa permanecer posicionada corretamente para que a terapia funcione. Após algumas horas, a enfermeira observa uma área avermelhada no dorso do nariz.

O erro seria pensar:

“É só uma vermelhidão, depois passa.” O correto é investigar.

  • A máscara está apertada demais?
  • Existe necessidade de ajustar a fixação?
  • O tamanho da máscara é adequado?
  • Existe algum ponto de pressão concentrada?
  • É possível utilizar uma proteção apropriada?
  • A terapia pode ser interrompida ou o dispositivo pode ser alternado com segurança?
  • A pele precisa ser reavaliada posteriormente?

Esse exemplo demonstra uma característica essencial da enfermagem: não esperar a ferida aparecer para começar a prevenção.

Lesão por dispositivo médico em pacientes críticos

O ambiente de terapia intensiva reúne muitos dos fatores que favorecem esse tipo de lesão. O paciente pode estar sedado, imobilizado, edemaciado, hemodinamicamente instável e conectado simultaneamente a diversos dispositivos. Além disso, alguns dispositivos precisam permanecer instalados continuamente.

Por isso, a prevenção precisa fazer parte da rotina da assistência. A equipe deve olhar para o paciente como um todo, e não apenas para cada equipamento individualmente.

Um tubo pode estar perfeitamente instalado, uma sonda pode estar corretamente fixada e um eletrodo pode estar funcionando adequadamente. Ainda assim, quando todos esses elementos são analisados em conjunto, pode existir uma grande quantidade de pontos de pressão sobre a pele.

A importância da avaliação durante o banho e a mudança de decúbito

O banho é uma excelente oportunidade para avaliação da pele. Quando o dispositivo puder ser temporariamente removido, reposicionado ou afastado com segurança, a equipe pode aproveitar esse momento para observar áreas que normalmente ficam escondidas. Durante a mudança de decúbito, também é importante verificar se cabos, tubos, sondas ou outros dispositivos ficaram presos ou posicionados sob o corpo.

Uma simples inspeção durante esses momentos pode evitar que uma pequena alteração evolua para uma lesão significativa.

Higiene da pele e controle da umidade

A pele excessivamente úmida pode ficar mais vulnerável ao dano. Suor, secreções, saliva, urina, fezes e outros líquidos podem permanecer em contato com a pele, principalmente em regiões cobertas por dispositivos. Por isso, a higiene adequada e o controle da umidade fazem parte da prevenção.

Quando houver indicação, produtos de proteção da barreira cutânea podem ser utilizados de acordo com o protocolo da instituição e as características do paciente. Entretanto, é importante evitar aplicar produtos de maneira indiscriminada sobre dispositivos, adesivos ou áreas nas quais possam prejudicar a fixação.

Cuidados de enfermagem: um resumo prático

Uma forma simples de lembrar a prevenção é pensar em cinco perguntas:

  • O dispositivo ainda é necessário?
  • Está bem posicionado?
  • Está exercendo pressão excessiva?
  • A pele abaixo ou ao redor está preservada?
  • É possível reposicionar, proteger ou substituir o dispositivo com segurança?

Essas perguntas podem transformar uma avaliação aparentemente simples em uma estratégia efetiva de prevenção.

O papel da educação da equipe

A prevenção da lesão relacionada a dispositivo médico não deve depender apenas de um profissional. Enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e demais profissionais envolvidos no cuidado precisam reconhecer os riscos.

A educação permanente é especialmente importante porque novos dispositivos e novas tecnologias são incorporados continuamente à assistência. Uma revisão sistemática identificou a educação da equipe, padronização da documentação, auditoria e desenvolvimento de protocolos entre as estratégias utilizadas para melhorar a prevenção.

Lesão por dispositivo médico também é uma questão de segurança do paciente

A prevenção dessas lesões está diretamente relacionada à qualidade da assistência. No Brasil, a Anvisa mantém orientações específicas relacionadas à prevenção de lesões por pressão e à segurança do paciente. A Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 05/2023 atualizou orientações sobre práticas de segurança para prevenção de lesão por pressão.

O Ministério da Saúde também mantém o protocolo nacional de prevenção de úlcera/lesão por pressão, cujo objetivo é promover medidas para evitar essas lesões e outros danos à pele. Portanto, prevenir uma lesão causada por um dispositivo não é apenas um cuidado dermatológico. É uma prática de segurança do paciente. A Lesão por Dispositivo Médico é um problema que pode passar despercebido porque o dispositivo está sendo utilizado justamente para tratar, monitorar ou proteger o paciente.

É importante lembrar que um dispositivo necessário não é automaticamente um dispositivo inofensivo. A enfermagem tem papel fundamental na prevenção porque permanece próxima do paciente e consegue identificar alterações precocemente.

Avaliar a pele, conferir a fixação, observar pontos de pressão, reposicionar quando possível, proteger áreas vulneráveis, controlar umidade, evitar tração e retirar dispositivos desnecessários são atitudes que podem fazer uma grande diferença.

Mais do que saber instalar um dispositivo, o profissional precisa aprender a olhar para o que acontece com a pele enquanto esse dispositivo permanece instalado.

Esse olhar preventivo é uma das características de uma assistência de enfermagem segura e de qualidade.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Documento de referência para o programa nacional de segurança do paciente. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOBRACEN. Diretrizes sobre prevenção e tratamento de lesões de pele. São Paulo: Sobracen, 2023. Disponível em: https://sobracen.com.br/. 
  4. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 05/2023: práticas de segurança do paciente em serviços de saúde: prevenção de lesão por pressão. Brasília, DF: Anvisa, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/notas-tecnicas/notas-tecnicas-vigentes/nota-tecnica-gvims-ggtes-anvisa-no-05-2023-praticas-de-seguranca-do-paciente-em-servicos-de-saude-prevencao-de-lesao-por-pressao/view. 

  5. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Prevenção de úlcera por pressão. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/seguranca-do-paciente/publicacoes/protocolos-de-seguranca-do-paciente/protocolo-ulcera-por-pressao.pdf/view. 

  6. GALETTO, S. G. da S. et al. Prevenção de lesões por pressão relacionadas a dispositivos médicos em pacientes críticos: cuidados de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 74, n. 2, e20200062, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/7Nvg3kfsfyNMqkMzvH8rh4D/?lang=pt. 

  7. LYU, C. et al. Interventions and strategies to prevent medical device-related pressure injury in adult patients: a systematic review. Journal of Clinical Nursing, v. 32, p. 6863-6878, 2023. DOI: 10.1111/jocn.16790. Disponível em: PubMed – Medical device-related pressure injury prevention. 

  8. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. Device-Related Pressure Injuries. In: HAESLER, E. (ed.). Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. 4. ed. 2025. Disponível em: International Guideline – Device-Related Pressure Injuries. 

  9. SANTOS, C. N. S. et al. Lesão por pressão relacionada a dispositivos médicos: prevenção e fatores de risco associados. Nursing Edição Brasileira, v. 24, n. 282, p. 6480-6486, 2021. DOI: 10.36489/nursing.2021v24i282p6480-6486. Disponível em: Nursing Edição Brasileira – Lesão por pressão relacionada a dispositivos médicos. 

  10. GEFEN, A. et al. An international consensus on device-related pressure ulcers: SECURE prevention. British Journal of Nursing, v. 29, n. 5, p. S36-S38, 2020. DOI: 10.12968/bjon.2020.29.5.S36. Disponível em: PubMed – SECURE prevention. 

Curiosidades Sobre as Sondas Hospitalares: fatos que todo estudante e profissional de enfermagem deveria conhecer

Quando pensamos em dispositivos hospitalares, as sondas estão entre os materiais mais utilizados na assistência ao paciente. Elas fazem parte da rotina de hospitais, unidades de terapia intensiva, pronto-socorros, clínicas e atendimento domiciliar.

Embora muitas vezes sejam vistas apenas como tubos utilizados para drenagem, alimentação ou monitorização, as sondas possuem histórias curiosas, características específicas e funções extremamente importantes para a manutenção da vida.

Algumas permanecem no organismo por poucos minutos, enquanto outras podem permanecer por meses ou até anos. Existem sondas que ajudam pacientes a respirar, outras permitem alimentação quando a via oral não é possível e algumas são fundamentais para monitorar funções vitais.

O que é uma sonda?

Uma sonda é um dispositivo tubular flexível ou semirrígido introduzido no organismo com objetivos diagnósticos, terapêuticos ou de monitorização.

Dependendo da finalidade, ela pode ser inserida:

  • pelo nariz;
  • pela boca;
  • pela uretra;
  • através da pele;
  • por estomias cirúrgicas.

Curiosidade: a palavra “sonda” existe há séculos

O termo “sonda” deriva do francês antigo “sonde”, relacionado à ideia de explorar ou investigar. Muito antes dos materiais modernos, já existiam dispositivos rudimentares utilizados para drenagem urinária em civilizações antigas.

Sonda Nasogástrica (SNG)

A sonda nasogástrica é uma das mais conhecidas na enfermagem. Ela é introduzida pelo nariz e sua ponta permanece dentro do estômago.

Curiosidades sobre a SNG

Foi uma das primeiras sondas digestivas amplamente utilizadas na medicina moderna.

Pode ser utilizada para:

  • alimentação;
  • administração de medicamentos;
  • lavagem gástrica;
  • drenagem de conteúdo estomacal.

Uma sonda posicionada incorretamente pode alcançar os pulmões, motivo pelo qual a confirmação do posicionamento é indispensável.

Sonda Nasoenteral (SNE)

A sonda nasoenteral atravessa o estômago e alcança o intestino delgado. Ela é muito utilizada para terapia nutricional prolongada.

Curiosidades sobre a SNE

A ponta geralmente fica localizada no duodeno ou jejuno. Muitos modelos possuem guia metálico interno para facilitar a inserção.

Algumas unidades utilizam radiografia para confirmar o posicionamento correto. É considerada uma alternativa mais segura para pacientes com elevado risco de broncoaspiração.

Sonda OroGástrica (SOG)

Semelhante à nasogástrica, porém inserida pela boca.

Curiosidades sobre a SOG

É muito utilizada em recém-nascidos. Também pode ser utilizada em pacientes intubados. Costuma causar menos trauma nasal.

Gastrostomia (GTT ou PEG)

A gastrostomia consiste em uma comunicação direta entre a parede abdominal e o estômago.

Curiosidades sobre a gastrostomia

Muitos pacientes permanecem anos utilizando gastrostomia. A técnica endoscópica mais conhecida é chamada PEG (Gastrostomia Endoscópica Percutânea).

Diferentemente da SNG, não passa pelo nariz ou garganta. Proporciona maior conforto em tratamentos prolongados.

Jejunostomia

Semelhante à gastrostomia, porém a extremidade termina no jejuno.

Curiosidades sobre a jejunostomia

É indicada quando o estômago não pode ser utilizado. Pacientes com determinadas cirurgias digestivas podem necessitar dessa via de alimentação. A administração da dieta geralmente ocorre de forma mais lenta.

Sonda Vesical de Alívio

É utilizada para esvaziar a bexiga temporariamente. Após o procedimento, normalmente é retirada.

Curiosidades sobre a sonda de alívio

Seu uso pode evitar retenção urinária grave. Frequentemente é utilizada em procedimentos diagnósticos e cirúrgicos. O tempo de permanência costuma ser curto.

Sonda Vesical de Demora (Foley)

Uma das sondas mais conhecidas na assistência hospitalar. Possui um balão inflável que mantém o dispositivo fixado dentro da bexiga.

Curiosidades sobre a Foley

Foi criada pelo urologista norte-americano Frederic Foley. O balão pode conter diferentes volumes. É considerada uma das principais fontes de infecção urinária hospitalar quando utilizada sem indicação adequada. A retirada precoce reduz significativamente o risco de infecção.

Sonda de Três Vias

Uma variação da sonda Foley.

Curiosidades sobre a sonda de três vias

Possui um canal exclusivo para irrigação contínua. É amplamente utilizada após cirurgias urológicas. Ajuda a prevenir a formação de coágulos dentro da bexiga.

Sonda Retal

Utilizada para drenagem de gases ou eliminação de conteúdo intestinal.

Curiosidades sobre a sonda retal

Pode auxiliar pacientes com distensão abdominal importante. Seu uso prolongado não é recomendado devido ao risco de lesões.

Sonda de Sengstaken-Blakemore

Uma das sondas mais impressionantes da medicina. É utilizada em situações específicas de sangramento digestivo grave.

Curiosidades sobre a Sengstaken-Blakemore

Possui balões que exercem pressão sobre vasos sanguíneos sangrantes. Pode salvar vidas em hemorragias por varizes esofágicas. Seu manuseio exige treinamento especializado.

Sonda de Minnesota

Uma evolução da Sengstaken-Blakemore.

Curiosidades sobre a Minnesota

Possui um lúmen adicional para aspiração esofágica. Facilita o manejo do paciente. É utilizada principalmente em ambientes críticos.

Sonda de Levine

É uma das sondas gástricas mais clássicas.

Curiosidades sobre a Levine

Seu nome homenageia o médico que a desenvolveu. É frequentemente utilizada para descompressão gástrica. Possui apenas um lúmen.

Sonda de Salem

Muito utilizada em centros cirúrgicos e UTIs.

Curiosidades sobre a Salem

Possui dois lúmens. Um deles reduz o risco de lesão da mucosa gástrica. É considerada uma evolução da sonda de Levine.

Cateter ou Sonda de Aspiração Traqueal

Embora muitas vezes seja chamado de cateter, também pode ser considerado um dispositivo tubular semelhante às sondas.

Curiosidades sobre a aspiração traqueal

É essencial para remoção de secreções respiratórias. Pode provocar alterações transitórias da frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Seu uso inadequado pode causar trauma das vias aéreas.

Qual é a sonda mais utilizada no ambiente hospitalar?

Provavelmente a sonda vesical de demora e as sondas para alimentação enteral estão entre os dispositivos mais frequentemente encontrados em hospitais. Elas fazem parte da rotina de praticamente todos os setores assistenciais.

Qual sonda apresenta maior risco de infecção?

Qualquer sonda pode se tornar uma porta de entrada para microrganismos.

Entretanto, as mais associadas a infecções são:

  • sonda vesical de demora;
  • sondas enterais mal manipuladas;
  • gastrostomias sem cuidados adequados.

A prevenção depende diretamente da qualidade da assistência.

Cuidados de enfermagem com todas as sondas

Independentemente do tipo, alguns princípios são universais. A enfermagem deve:

  • Confirmar a indicação do dispositivo.
  • Avaliar diariamente a necessidade de permanência.
  • Observar sinais de infecção.
  • Realizar higiene adequada do local.
  • Monitorar permeabilidade.
  • Evitar trações acidentais.
  • Registrar intercorrências.
  • Orientar paciente e familiares.
  • Manter técnica asséptica durante manipulações.
  • Comunicar alterações imediatamente à equipe responsável.

Curiosidades que poucos conhecem

As primeiras sondas urinárias eram confeccionadas com metais rígidos. As modernas são produzidas com silicone, poliuretano ou látex tratado. A escala French (Fr), utilizada para medir sondas, foi criada pelo fabricante francês Joseph-Frédéric-Benoît Charrière.

Quanto maior o número French, maior o diâmetro da sonda. Algumas sondas atuais possuem tecnologia antimicrobiana para reduzir infecções. Existem sondas desenvolvidas especificamente para recém-nascidos prematuros, com diâmetros extremamente pequenos.

As sondas hospitalares são muito mais do que simples dispositivos utilizados na rotina assistencial. Elas representam ferramentas fundamentais para diagnóstico, monitorização, alimentação, drenagem e manutenção da vida.

Conhecer suas características, indicações e curiosidades ajuda estudantes e profissionais de enfermagem a compreender melhor sua importância e a oferecer uma assistência mais segura, humanizada e baseada em evidências.

Além disso, entender o funcionamento de cada sonda contribui para a prevenção de complicações, redução de infecções e melhoria dos resultados clínicos dos pacientes.

Referências:

  1. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (SBNPE). Manual de Terapia Nutricional. São Paulo: SBNPE, 2023. Disponível em: https://sbnpe.org.br/. 
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (BRASPEN). Diretrizes Brasileiras de Terapia Nutricional. Disponível em: https://www.braspen.org
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa 
  7. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Espaçador para Bombinha: o que é, para que serve e como utilizar corretamente

Os medicamentos inalatórios são amplamente utilizados no tratamento de doenças respiratórias como asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras condições que afetam as vias aéreas. Entre os dispositivos mais conhecidos está a popular “bombinha“, tecnicamente chamada de inalador pressurizado dosimetrado (MDI – Metered Dose Inhaler).

Apesar de ser bastante utilizada, muitas pessoas não conseguem realizar a técnica correta de inalação. Estudos mostram que erros durante o uso da bombinha podem reduzir significativamente a quantidade de medicamento que chega aos pulmões, comprometendo o tratamento.

É nesse contexto que surge o espaçador, um dispositivo simples, mas extremamente importante para aumentar a eficácia da terapia inalatória.

Nesta publicação, você entenderá tudo sobre o espaçador para bombinha, suas indicações, benefícios, formas de utilização e os principais cuidados de enfermagem relacionados ao seu uso.

O que é um espaçador para bombinha?

O espaçador é um dispositivo acoplado ao inalador pressurizado que funciona como uma câmara intermediária entre a bombinha e o paciente. Sua principal função é armazenar temporariamente o medicamento liberado pelo inalador, permitindo que o paciente inspire de forma mais eficiente e coordenada.

Em vez de o medicamento ser disparado diretamente na boca, ele permanece por alguns segundos dentro do espaçador, facilitando sua inalação. Essa simples adaptação melhora significativamente a deposição pulmonar do medicamento.

Como funciona o espaçador?

Quando a bombinha é acionada, o medicamento é liberado em alta velocidade.Sem o espaçador, grande parte das partículas acaba impactando a língua, os dentes, o céu da boca e a garganta.

Com o espaçador, o medicamento permanece suspenso na câmara por alguns instantes, permitindo que o paciente inspire mais lentamente.

Dessa forma:

  • mais medicamento chega aos pulmões;
  • menos medicamento fica retido na boca;
  • ocorre melhor aproveitamento da dose;
  • reduz-se o risco de efeitos adversos locais.

Para que serve o espaçador?

O espaçador possui diversas finalidades importantes.

Entre elas:

  • aumentar a eficácia da medicação inalatória;
  • facilitar a administração em crianças;
  • auxiliar idosos;
  • melhorar a coordenação entre disparo e inspiração;
  • reduzir efeitos adversos locais;
  • diminuir perdas do medicamento.

Em muitos casos, o uso correto do espaçador pode ser tão eficaz quanto tratamentos realizados por nebulização.

Quais doenças podem utilizar o espaçador?

O dispositivo é amplamente utilizado em pacientes com:

Quais medicamentos podem ser usados com espaçador?

Diversos medicamentos administrados por inaladores dosimetrados podem ser utilizados juntamente com espaçadores.

Entre os mais comuns estão:

  • salbutamol;
  • fenoterol;
  • beclometasona;
  • budesonida;
  • fluticasona;
  • associações broncodilatadoras e corticosteroides.

A compatibilidade deve sempre seguir a orientação do fabricante e da prescrição médica.

Quem deve utilizar espaçador?

Embora qualquer pessoa possa se beneficiar do dispositivo, alguns grupos apresentam maior indicação.

Crianças

As crianças frequentemente apresentam dificuldade em sincronizar a inspiração com o acionamento da bombinha. O espaçador facilita significativamente o tratamento.

Em lactentes e crianças pequenas, costuma ser utilizado juntamente com máscaras faciais.

Idosos

Alterações cognitivas, redução da coordenação motora e limitações físicas podem dificultar a técnica correta. O espaçador torna a administração mais simples e eficiente.

Pacientes com dificuldades motoras

Indivíduos com doenças neurológicas ou limitações motoras também podem obter melhor resposta terapêutica com o uso do dispositivo.

Tipos de espaçadores

Existem diferentes modelos disponíveis.

Espaçadores com bocal

São utilizados por pacientes capazes de vedar adequadamente os lábios ao redor do dispositivo. São muito comuns em adolescentes e adultos.

Espaçadores com máscara

Possuem máscara acoplada que cobre nariz e boca.

São bastante utilizados em:

  • bebês;
  • crianças pequenas;
  • pacientes debilitados.

A Técnica de Uso: Passo a Passo do Cuidado

O uso do espaçador não é um bicho de sete cabeças, mas exige atenção a detalhes que nós, como profisionais de enfermagem, devemos ensinar com paciência. O primeiro passo é sempre realizar a agitação do frasco da bombinha, garantindo que o medicamento esteja bem misturado. Após retirar a tampa do bocal da bombinha e a tampa do espaçador, o encaixe deve ser firme.

O posicionamento é crucial. A máscara do espaçador deve ser acoplada ao rosto do paciente de modo a cobrir nariz e boca, garantindo que não haja vazamentos de ar pelas laterais. Se o paciente for uma criança pequena, essa vedação é o ponto de maior atenção. Após o acoplamento, é feito um único disparo da bombinha dentro da câmara.

O paciente deve realizar a inspiração lenta e profunda, mantendo a máscara vedada por alguns segundos para garantir que o medicamento entre nos pulmões. Se a prescrição indicar dois jatos, a regra de ouro é: nunca dê dois jatos de uma só vez. Espere cerca de trinta segundos a um minuto entre um disparo e outro, agitando a bombinha novamente antes do segundo acionamento. Isso garante que a suspensão esteja homogênea para a próxima dose.

Erros mais comuns durante o uso

Muitos pacientes utilizam a bombinha de forma inadequada.

Entre os erros mais observados estão:

  • não agitar o dispositivo;
  • disparar vários jatos simultaneamente;
  • inspirar rápido demais;
  • não vedar corretamente o bocal;
  • não limpar o espaçador;
  • esquecer de enxaguar a boca após corticoides inalados.

Esses erros podem reduzir significativamente a eficácia do tratamento.

Cuidados de Enfermagem e Manutenção

O cuidado de enfermagem com o espaçador vai muito além do momento da administração. Um espaçador sujo pode comprometer o tratamento. A estática gerada pelo plástico do dispositivo pode fazer com que a medicação fique grudada nas paredes internas do espaçador, impedindo que ela chegue ao paciente.

Por isso, orientar a limpeza é essencial. O espaçador deve ser lavado regularmente com água e detergente neutro. Um detalhe técnico que muitos esquecem: após a lavagem, o ideal é deixar secar naturalmente, sem esfregar panos por dentro, para não aumentar a carga estática do material. Se o espaçador for novo, uma dica é lavá-lo antes do primeiro uso para remover resíduos de fábrica e reduzir a estática.

Durante a administração, observe a válvula do espaçador. Se for um modelo que possui uma válvula que se move com a respiração, você deve vê-la abrindo e fechando conforme o paciente respira. Se ela não se mover, algo está errado com o fluxo ou com o encaixe. Além disso, sempre oriente o paciente a lavar a boca após o uso, especialmente se a bombinha contiver corticoides, para evitar a proliferação de fungos, como a candidíase oral.

Por que o Espaçador é Indispensável?

Muitos pacientes se sentem incomodados com o tamanho do espaçador e tentam usar a bombinha direto na boca, acreditando que é mais prático. Nosso papel é explicar, com base em evidências, que o uso direto da bombinha exige uma coordenação “mão-boca-respiração” quase impossível de manter, especialmente em momentos de crise asmática, onde a respiração do paciente já está acelerada e superficial.

O espaçador elimina essa necessidade de coordenação. Ele transforma um processo complexo em um ato simples, garantindo que a dose correta da medicação alcance os brônquios. Para o estudante de enfermagem, o sucesso da educação em saúde está em fazer com que o paciente entenda que aquele dispositivo é uma extensão do tratamento dele, e não um acessório desnecessário.

Curiosidades sobre o espaçador

Muitas pesquisas demonstram que o uso correto do espaçador pode aumentar significativamente a quantidade de medicamento que alcança os pulmões. Em algumas situações de crise asmática leve e moderada, a administração de broncodilatadores com bombinha associada ao espaçador pode apresentar resultados semelhantes aos obtidos por nebulização.

A utilização do espaçador também reduz a deposição de partículas na cavidade oral, diminuindo efeitos adversos locais. Diversas sociedades médicas internacionais recomendam o espaçador como parte fundamental da terapia inalatória.

O espaçador é um dispositivo simples, porém extremamente importante para aumentar a eficácia dos medicamentos inalatórios. Seu uso melhora a deposição pulmonar, reduz perdas do medicamento e facilita a administração em crianças, idosos e pacientes com dificuldades de coordenação.

Para a enfermagem, conhecer a técnica correta de utilização e ensinar adequadamente pacientes e familiares representa uma importante estratégia para melhorar a adesão ao tratamento e reduzir complicações respiratórias.

Pequenos detalhes durante a administração podem fazer grande diferença no controle de doenças como asma e DPOC, tornando o espaçador um grande aliado da assistência respiratória.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA (SBPT). Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma. J. Bras. Pneumol., Brasília, v. 46, n. 1, 2020. Disponível em: https://sbpt.org.br/. 
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para doenças respiratórias. Brasília: Ministério da Saúde.
  5. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022.
  6. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.

  7. Global Initiative for Asthma (GINA)

Martelo de Buck: tudo o que você precisa saber

No nosso universo de ferramentas clínicas, existe um instrumento simples, mas incrivelmente poderoso, que é a marca registrada da avaliação neurológica: o Martelo de Buck.

Se você já viu um médico ou enfermeiro testando os joelhos de um paciente, sabe exatamente do que estamos falando.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, o Martelo de Buck não é apenas um peso com uma borracha; ele é a chave para acessar o sistema nervoso de forma não invasiva.

Saber como ele funciona, suas indicações e a forma correta de utilizá-lo é fundamental para identificar alterações nos reflexos, que são o primeiro sinal de problemas neurológicos ou ortopédicos. Vamos desvendar a anatomia e a aplicação correta deste instrumento essencial?

O Que É o Martelo de Buck?

O Martelo de Buck (ou Martelo de Reflexos de Buck) é um instrumento médico projetado especificamente para avaliar os reflexos tendíneos profundos (reflexos osteotendíneos) e, em algumas versões, realizar um rápido exame sensorial. Ele é um dos modelos de martelo de reflexos mais comuns no Brasil e em várias partes do mundo.

  • Sua Anatomia: Ele geralmente possui um cabo de metal e duas cabeças de borracha de tamanhos diferentes. A parte mais interessante é que o Martelo de Buck muitas vezes contém ferramentas embutidas, tornando-o um kit de avaliação compacto:
    • Ponta Romba: Na base do cabo, pode haver uma ponta fina, usada para testar a sensibilidade da pele (estímulo doloroso, por exemplo).
    • Pincel: Em algumas versões, a parte oposta à ponta romba tem um pincel, usado para testar a sensibilidade tátil superficial.

Indicações de uso

A principal função do Martelo de Buck é testar a integridade do arco reflexo, que é a via nervosa responsável por um reflexo. Essa avaliação é crucial em diversas situações:

  1. Suspeita de Lesão Neurológica: Se o paciente apresentar sintomas como fraqueza muscular, dormência, ou histórico de trauma craniano/espinhal.
  2. Monitoramento de Condições Crônicas: Pacientes com Esclerose Múltipla, doença de Parkinson, ou neuropatias diabéticas precisam de monitoramento regular de seus reflexos.
  3. Avaliação Pediátrica: Usado para avaliar os reflexos primitivos e o desenvolvimento neurológico em crianças.
  4. Avaliação Ortopédica: Dor nas costas ou nos membros pode estar ligada a compressão de raízes nervosas (radiculopatias), e a alteração dos reflexos ajuda a localizar o nível da lesão.

Como Utilizar?

O segredo para um teste de reflexo bem-sucedido é garantir que o músculo esteja relaxado e que o golpe seja rápido e preciso. O martelo deve ser segurado pelo cabo, permitindo que a cabeça de borracha balance livremente.

Os Reflexos Mais Comumente Testados:

  1. Reflexo Patelar (Joelho):
    • Como fazer: O paciente deve estar sentado com as pernas pendentes, ou deitado com o examinador apoiando as pernas. Localize o tendão patelar (logo abaixo da rótula). Bata levemente, mas com firmeza, no tendão.
    • Resposta Esperada: Contração do músculo quadríceps e extensão da perna.
  2. Reflexo Aquileu (Tornozelo):
    • Como fazer: Com o paciente sentado, apoie o pé em uma leve dorsiflexão (apontando para cima). Bata no tendão de Aquiles (na parte de trás do tornozelo).
    • Resposta Esperada: Flexão plantar (o pé se move para baixo).
  3. Reflexo Bicipital (Braço):
    • Como fazer: O paciente deve estar com o braço dobrado (em flexão) e relaxado. O examinador coloca o polegar sobre o tendão do bíceps (na parte interna do cotovelo) e bate com o martelo no seu próprio polegar.
    • Resposta Esperada: Contração do bíceps e flexão do antebraço.

A Pontuação (Crucial para o Registro):

Os reflexos são classificados por um sistema de escore, que deve ser registrado por nós no prontuário:

  • 0: Reflexo Ausente.
  • 1+: Hiporreflexia (reflexo diminuído ou lento).
  • 2+: Reflexo Normal (ativo e esperado).
  • 3+: Hiperreflexia (reflexo exagerado ou mais vivo que o normal).
  • 4+: Clônus (reflexo repetitivo e oscilatório, patológico).

Cuidados de Enfermagem

O enfermeiro é frequentemente o primeiro a notar uma alteração sutil nos reflexos, o que exige um cuidado meticuloso.

  1. Preparação do Paciente: Garantir que o paciente esteja relaxado. A ansiedade ou a tensão muscular inibem os reflexos. Se necessário, utilizar a Manobra de Jendrassik (pedir ao paciente para apertar os dentes ou entrelaçar os dedos e puxar) para distraí-lo e potencializar a resposta do reflexo.
  2. Documentação Rigorosa: Registrar o escore de cada reflexo testado, lado a lado (direito e esquerdo), no prontuário. Uma diferença entre os lados (assimetria) é um sinal de alerta neurológico.
  3. Higiene: Por ser um instrumento de contato com a pele, o Martelo de Buck deve ser limpo e desinfetado entre o uso em diferentes pacientes.
  4. Comunicação: Qualquer alteração (reflexo ausente, muito exagerado ou assimétrico) deve ser imediatamente comunicada à equipe médica para uma investigação mais aprofundada.

Importância clínica

O exame com o martelo de Buck não é invasivo e fornece dados valiosos sobre o funcionamento neurológico do paciente. A alteração nos reflexos pode indicar desde lesões nervosas periféricas até doenças graves, como esclerose múltipla, neuropatias, distúrbios metabólicos ou lesões medulares. Por isso, mesmo sendo um instrumento simples, seu uso adequado é determinante para a prática clínica.

O Martelo de Buck é um símbolo da avaliação neurológica. Dominar seu uso e interpretação nos permite ser profissionais mais eficazes na detecção precoce de problemas no sistema nervoso, contribuindo diretamente para um diagnóstico mais rápido e um tratamento mais direcionado.

Referências:

  1. BICKLEY, L. S.; SZILAGYI, P. G.; HOFFMAN, R. M. Bates: Guia de Bolso para Exame Físico e História Clínica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. (Consultar os capítulos sobre o sistema nervoso).
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre exame físico neurológico).
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Exame neurológico: manual prático. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/exame_neurologico_manual_pratico.pdf. 
  4. MACHADO, A. B. M. Neuroanatomia funcional. 4. ed. São Paulo: Atheneu, 2014.
  5. NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.

Tampa Oclusora de Múltipla Ação COMBI RED: o que é, para que serve e cuidados de enfermagem

Na prática diária da enfermagem, especialmente em ambientes como pronto atendimento, enfermarias e unidades de terapia intensiva, o acesso venoso é uma das intervenções mais frequentes.

Junto a ele, surgem riscos importantes, como infecção relacionada à assistência à saúde, entrada de ar no sistema e extravasamento de fluidos. É nesse contexto que a tampa oclusora de múltipla ação COMBI RED, também chamado de “macho fêmea” ou “Combi-Stopper” ganha destaque como um dispositivo simples, mas extremamente relevante para a segurança do paciente.

Apesar de muitas vezes ser vista apenas como um “acessório” do sistema de infusão, a COMBI RED exerce funções fundamentais na manutenção do acesso vascular e na prevenção de complicações.

O que é a tampa oclusora de múltipla ação COMBI RED

A COMBI RED é um dispositivo médico estéril, descartável, utilizado para ocluir e proteger conexões de dispositivos intravenosos, como cateteres venosos periféricos, cateteres centrais, extensores e equipos. Seu design permite múltiplas funções em um único produto, reduzindo manipulações desnecessárias do sistema.

Ela é desenvolvida para atuar como uma barreira física contra microrganismos, impedir vazamentos e minimizar o risco de entrada de ar, além de permitir conexões seguras durante a administração de medicamentos ou soluções.

Por que a Combi Red é Diferente de uma Tampa Comum?

A principal característica que torna a Combi Red um padrão ouro em muitas instituições é a sua versatilidade. Em um sistema Luer-Lock padrão, temos conectores que se encaixam por rosca.

A tampa oclusora de múltipla ação apresenta as duas extremidades funcionais: de um lado, ela fecha conectores fêmea (como a ponta de um cateter ou de uma torneirinha de três vias) e, do outro, ela pode ser usada para selar conectores macho (como a ponta de uma seringa preparada que aguarda administração).

Fabricada geralmente em polietileno de alta densidade, ela é livre de látex e de DEHP, o que reduz o risco de reações alérgicas ou contaminações químicas. Além disso, sua cor vermelha vibrante não é apenas estética; ela serve como um alerta visual de que aquele lúmen está ocluído e protegido, facilitando a rápida identificação de qualquer desconexão acidental durante o exame físico do paciente.

Indicações de Uso no Cotidiano Hospitalar

O uso da Combi Red está indicado sempre que houver a necessidade de interromper temporariamente um sistema de infusão ou proteger uma via de acesso que não está sendo utilizada no momento.

Um exemplo clássico é quando um paciente precisa ser desconectado do soro para tomar banho ou realizar um exame de imagem. Para evitar que a ponta do cateter fique exposta ao ambiente — e, consequentemente, a bactérias — ou que ocorra refluxo de sangue, utilizamos a tampa para selar a via. Ela também é vital para proteger seringas que foram preparadas na farmácia ou no posto de enfermagem e precisam ser transportadas até o leito com garantia de esterilidade do bico.

Importância da COMBI RED na prevenção de infecções

Um dos maiores desafios da enfermagem moderna é a prevenção das infecções relacionadas ao uso de cateteres intravenosos. Cada conexão e desconexão do sistema representa um risco potencial de contaminação.

A COMBI RED atua como uma barreira protetora, diminuindo o contato direto do lúmen do cateter com o ambiente e com as mãos do profissional. Quando utilizada corretamente e associada às práticas de assepsia, contribui significativamente para a redução das infecções de corrente sanguínea associadas a cateter.

Esse cuidado é especialmente relevante em pacientes críticos, imunossuprimidos ou com uso prolongado de acessos venosos.

Cuidados de enfermagem no uso da COMBI RED

Apesar de ser um dispositivo simples, a tampa Combi Red exige um rigor técnico absoluto. Para um estudante de enfermagem, o domínio dessas condutas é o que separa um cuidado básico de uma prática de excelência.

Técnica Asséptica e o “Scrub the Hub”

Nunca se deve rosquear uma Combi Red em um dispositivo sem antes realizar a desinfecção da conexão. Mesmo que a tampa seja estéril ao sair da embalagem, a “boca” do cateter ou da torneirinha pode estar colonizada. O uso de álcool a 70% com fricção mecânica por pelo menos 15 segundos (o famoso scrub the hub) é obrigatório antes de fechar o sistema.

O Perigo da Reutilização

Este é, talvez, o ponto mais importante: a Combi Red é um dispositivo de uso único e estéril. Jamais reutilize uma tampa que foi retirada de um cateter. Uma vez que o sistema é aberto para conectar um equipo ou seringa, a tampa que estava lá deve ser descartada. Existe um hábito perigoso em algumas unidades de deixar a tampa “descansando” sobre a mesa de cabeceira ou dentro da embalagem aberta para reuso posterior. Isso é uma infração grave aos protocolos de segurança do paciente e um convite para a contaminação bacteriana.

Verificação de Vedação

Ao colocar a tampa, certifique-se de que ela foi rosqueada até o fim, mas sem exercer uma pressão excessiva que possa rachar o conector. A vedação deve ser perfeita para evitar o vazamento de fluidos ou a entrada de ar. Se notar qualquer rachadura na tampa ou se ela parecer “frouxa”, descarte-a imediatamente e utilize uma nova.

A Escolha Certa para a Segurança do Paciente

A utilização correta da tampa oclusora faz parte das metas internacionais de segurança do paciente. Ao manter o sistema fechado e estéril, reduzimos o tempo de internação e evitamos o uso desnecessário de antibióticos para tratar infecções que poderiam ter sido evitadas com um simples pedaço de plástico vermelho e uma técnica asséptica rigorosa.

Relação da COMBI RED com a segurança do paciente

A utilização adequada da tampa oclusora de múltipla ação está diretamente relacionada aos princípios da segurança do paciente. Ela ajuda a prevenir eventos adversos, como infecções, embolia gasosa e falhas no sistema de infusão.

Além disso, promove uma assistência mais padronizada, reduz variações na prática e fortalece a cultura de cuidado seguro dentro das instituições de saúde.

A tampa oclusora de múltipla ação COMBI RED é um dispositivo pequeno, mas de grande impacto na assistência de enfermagem. Seu uso correto contribui para a manutenção da integridade do acesso venoso, redução de infecções, segurança do paciente e otimização da rotina assistencial.

Para o estudante e para o profissional de enfermagem, compreender a função e a importância desse tipo de dispositivo é fundamental para uma prática baseada em segurança, técnica e responsabilidade.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  3. BRAUN. Combi-Stopper: Closing Cones for Male and Female Luer Connections. Disponível em: https://www.bbraun.com.br/pt/products/b0/combi-stopper.html. 
  4. INFUSION NURSES SOCIETY. Infusion therapy standards of practice. Journal of Infusion Nursing, 2021. Disponível em: https://www.ins1.org
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines on core components of infection prevention and control programmes. Geneva: WHO, 2016. Disponível em:
    https://www.who.int

CVC mudou de nome? Entenda a nova nomenclatura

nomenclatura CVC

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 30/09/2026.

Se você ainda chama todo acesso venoso central de “CVC”, não está sozinho. O termo continua amplamente utilizado na prática, mas a nomenclatura internacional vem buscando algo mais preciso: descrever o acesso pelo local onde ele é inserido e pelas características do dispositivo, reduzindo ambiguidades na comunicação entre profissionais.

O projeto NAVIGATE, desenvolvido pela GloVANet em colaboração com a WoCoVA, propôs uma nomenclatura padronizada para dispositivos de acesso vascular. Em 2026, a ABENTI, em parceria com o Departamento de Enfermagem da AMIB, incorporou essa lógica à Nota Técnica 01/2026 sobre manejo do acesso venoso central.

CVAD é o termo mais abrangente

CVAD significa Central Venous Access Device, ou dispositivo de acesso venoso central. Dentro dessa categoria, a nomenclatura diferencia principalmente o local de inserção e o tipo de implantação.

Os principais termos para adultos e crianças são PICC, CICC, FICC e PORT. A classificação pode ainda ser complementada por características como tunelização, presença de cuff e número de lúmens.

PICC

PICC — Peripherally Inserted Central Catheter é o cateter central de inserção periférica. Ele entra por uma veia periférica, geralmente no membro superior, e sua extremidade fica em posição central.

É utilizado em diferentes situações clínicas, inclusive quando há necessidade de terapia intravenosa prolongada. A palavra “periférico” aqui descreve o local de inserção, e não a posição final da ponta.

CICC

CICC — Centrally Inserted Central Catheter é o cateter central inserido por uma veia de acesso central. Jugular interna, subclávia e outros trajetos venosos centrais podem fazer parte dessa categoria, conforme a classificação utilizada.

É o grupo que mais se aproxima do que muitos profissionais tradicionalmente chamam simplesmente de “CVC”.

FICC

FICC — Femorally Inserted Central Catheter identifica o cateter central inserido por acesso femoral. A vantagem da nomenclatura é justamente deixar explícito, já no nome, que a via de inserção foi femoral.

Isso é útil durante a passagem de plantão, avaliação do sítio de inserção e planejamento dos cuidados, especialmente em pacientes críticos.

PORT

O PORT, ou dispositivo totalmente implantável, fica sob a pele e é acessado por meio de uma agulha apropriada. Pode receber nomenclatura complementar conforme a via de inserção, como PICC-port, CICC-port ou FICC-port na classificação apresentada pela ABENTI.

Tunelizado e não tunelizado também importa

A descrição não termina em PICC, CICC ou FICC. O dispositivo pode ser tunelizado e com cuff ou não tunelizado e sem cuff, e essa característica interfere na identificação e nos cuidados.

Na Nota Técnica ABENTI 01/2026 aparecem, por exemplo, as formas Tc-CICC, Tc-PICC e Tc-FICC para dispositivos tunelizados com cuff e Tnc-CICC, Tnc-PICC e Tnc-FICC para não tunelizados e sem cuff.

Imagine a passagem de plantão de um paciente crítico com “CVC duplo lúmen” registrado no prontuário. A informação é insuficiente para quem precisa avaliar rapidamente o acesso. Saber que se trata de um CICC não tunelizado, duplo lúmen, inserido em jugular direita, por exemplo, transmite muito mais informação e facilita a continuidade do cuidado.

O que muda para a enfermagem?

A principal mudança é de precisão na comunicação, não uma troca física dos cateteres que já estão instalados. O profissional precisa reconhecer o dispositivo que está manipulando e registrar suas características de maneira clara.

Uma documentação útil pode incluir tipo de dispositivo, local de inserção, número de lúmens, presença de tunelização ou cuff, condições do sítio e intercorrências relacionadas ao acesso, conforme o protocolo institucional. A padronização proposta pelo NAVIGATE foi justamente desenvolvida para reduzir termos ambíguos e melhorar a comunicação clínica.

Na prática da UTI, isso também aparece quando existem várias infusões simultâneas. Um paciente pode estar recebendo vasopressor, sedoanalgesia, antibiótico e eletrólitos pelo mesmo dispositivo, tornando essencial organizar os lúmens e verificar compatibilidade físico-química antes de compartilhar uma via. A ABENTI recomenda planejamento da terapia, organização dos lúmens e uso de fontes atualizadas de compatibilidade quando houver dúvida.

O cuidado continua sendo o mais importante

A nomenclatura nova não substitui as medidas de prevenção de infecção. Higienização das mãos, técnica asséptica, desinfecção adequada dos conectores, curativo apropriado, inspeção do sítio e avaliação diária da necessidade de permanência do dispositivo continuam fundamentais.

Para cateteres venosos centrais, a Anvisa mantém como componentes importantes do cuidado a prevenção durante inserção e manutenção, incluindo barreira máxima na inserção, preparo adequado da pele, desinfecção dos conectores e avaliação do sítio.

O curativo também não deve ser tratado por uma única regra para todos os dispositivos. Para cateteres centrais não tunelizados de curta permanência, por exemplo, o CDC recomenda cobertura estéril transparente semipermeável ou gaze estéril, com recomendações específicas para curativos impregnados com clorexidina em adultos quando o produto tiver indicação para redução de infecção relacionada ao cateter.

Flush, hub e manutenção

O flush deve seguir o tipo de dispositivo, fabricante e protocolo institucional. A ABENTI recomenda solução salina 0,9% e técnica pulsátil para CICC/FICC, além de evitar seringas menores que 10 mL por causa do risco de pressão excessiva. O volume e a frequência, entretanto, não devem ser transformados em uma regra universal para todos os cateteres.

Antes de acessar o hub, faça a desinfecção conforme o produto e o protocolo do serviço, respeitando o tempo de fricção e, principalmente, o tempo de secagem recomendado. O ponto crítico é não tratar a conexão como uma parte “limpa” simplesmente porque o cateter já está instalado.

Outro cuidado importante aparece quando uma infusão contínua precisa permanecer estável. Interromper uma droga vasoativa para administrar outro medicamento pelo mesmo lúmen pode ter consequências clínicas; por isso, a compatibilidade, a necessidade de via exclusiva e a organização prévia das infusões devem ser avaliadas antes da administração.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, vale conferir principalmente:

  • qual é o tipo de CVAD e onde ele foi inserido;
  • número de lúmens e finalidade das infusões;
  • permeabilidade e integridade do sistema;
  • condições do sítio de inserção e do curativo;
  • sinais de infecção, trombose, obstrução ou deslocamento;
  • compatibilidade dos medicamentos antes da coadministração;
  • desinfecção do hub antes de cada acesso;
  • necessidade diária de permanência do dispositivo.

A organização do acesso deve ser registrada e comunicada de forma padronizada. A própria ABENTI destaca que a escolha do número de lúmens deve considerar a necessidade assistencial e evitar dispositivos mais complexos do que o necessário.

No fim do plantão, uma informação como “CICC não tunelizado, duplo lúmen, jugular direita, curativo íntegro” é muito mais útil para a equipe seguinte do que simplesmente escrever “CVC em jugular”. É justamente aí que uma mudança de nomenclatura deixa de ser apenas uma questão de sigla e passa a melhorar a comunicação do cuidado.

Resumo para salvar

CVC mudou de nome? Entenda a nova nomenclatura

  • CVAD é o termo abrangente para dispositivos de acesso venoso central
  • PICC CICC FICC e PORT identificam diferentes tipos de acesso
  • Tunelização cuff e número de lúmens complementam a identificação
  • A nomenclatura precisa melhora a comunicação e a segurança da assistência

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM TERAPIA INTENSIVA. Nota Técnica 01/2026: Manejo do acesso venoso central. Rio de Janeiro: ABENTI, 2026. Disponível em: Nota Técnica ABENTI 01/2026.
  2. VAN RENS, Matheus Roland et al. The NAVIGATE project: a GloVANet–WoCoVA position statement on the nomenclature for vascular access devices. Journal of Vascular Access, v. 26, n. 5, p. 1439–1446, 2025. Disponível em: Artigo NAVIGATE – GloVANet/WoCoVA.
  3. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de prevenção de infecção primária de corrente sanguínea associada a dispositivos de acesso vasculares. Brasília, DF: Anvisa, 2026. Disponível em: Protocolo Anvisa – prevenção de IPCS.
  4. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Summary of Recommendations: Intravascular Catheter-Related Infection Prevention. Atlanta: CDC. Disponível em: CDC – prevenção de infecções relacionadas a cateteres.
  5. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Updated Recommendations on the Use of Chlorhexidine-Impregnated Dressings for Prevention of Intravascular Catheter-Related Infections. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: CDC – curativos impregnados com clorexidina.
  6. ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA. Nota Técnica 01/2026 – ABENTI-AMIB. São Paulo: AMIB, 2026. Disponível em: AMIB – Nota Técnica 01/2026. 

Conector Escalonado Enteral: Indicações de Uso e Importância na Segurança do Paciente

No dia a dia de uma enfermaria ou UTI, muitas vezes focamos tanto na composição da dieta ou na técnica de passagem da sonda que acabamos negligenciando os pequenos componentes que tornam tudo isso possível.

O conector escalonado enteral é um desses dispositivos que, apesar de pequeno, desempenha um papel gigantesco na prevenção de erros graves e na garantia de que o suporte nutricional chegue ao destino correto.

Para o estudante de enfermagem, entender o funcionamento e a indicação desse conector é fundamental para evitar a temida conexão acidental de dietas enterais em acessos venosos.

O conector escalonado atua como um adaptador de interface, permitindo que diferentes sistemas de infusão — como equipos de dieta e seringas — se acoplem perfeitamente à via de acesso do paciente, seja ela uma sonda nasoenteral ou uma gastrostomia.

O Que é e Para Que Serve o Conector Escalonado?

O conector escalonado é um dispositivo intermediário, geralmente fabricado em material plástico rígido e transparente, que possui um design em “degraus” (daí o nome escalonado). Esse formato cônico e progressivo permite que ele se ajuste a diferentes diâmetros internos de sondas de alimentação.

Sua principal função é a compatibilidade. Nem sempre o equipo de dieta fornecido pela instituição possui a mesma conexão que a sonda que já está instalada no paciente. O conector escalonado resolve esse problema, servindo como uma ponte segura. Além disso, ele é essencial para a administração de medicamentos e para a realização de lavagens (flushes) da sonda com água, garantindo que não haja vazamentos de resíduos nutricionais ou fármacos.

Por que o Conector Escalonado é Importante na Terapia Enteral?

A terapia enteral envolve a administração de dieta e medicamentos diretamente no trato gastrointestinal. Qualquer falha no sistema de conexão pode causar extravasamento, contaminação da dieta, interrupção da nutrição e até administração acidental em vias incorretas.

O conector escalonado garante:

  • adaptação adequada entre seringa e sonda;
  • vedação eficiente, evitando vazamentos;
  • manutenção da integridade do sistema enteral;
  • maior segurança no preparo e na administração da dieta e medicamentos.

Além disso, o uso correto desse dispositivo está alinhado às recomendações internacionais de segurança do paciente, que orientam a padronização de conexões exclusivas para via enteral.

A Revolução da Segurança: O Padrão ENFit e o Fim das Conexões Erradas

Um dos maiores riscos na enfermagem é a conexão errada entre sistemas (misconnection). No passado, os conectores de dieta eram muito parecidos com os conectores de cateteres venosos. Isso gerava acidentes fatais onde dietas enterais eram infundidas na corrente sanguínea do paciente.

Para combater isso, surgiu a norma internacional ISO 80369-3, que introduziu o sistema ENFit. Esse novo padrão de conectores é incompatível com acessos venosos (tipo Luer-Lock), o que significa que, fisicamente, é impossível conectar um equipo de dieta em um acesso venoso central ou periférico. O conector escalonado moderno muitas vezes atua como um adaptador de transição para instituições que ainda estão migrando do sistema antigo para o padrão ENFit, garantindo que a segurança seja mantida mesmo em cenários de transição tecnológica.

Indicações de Uso na Prática Clínica

O uso do conector escalonado é indicado em situações muito específicas da assistência de enfermagem, sempre visando a manutenção do sistema fechado e a proteção do estoma ou via nasal.

  1. Adaptação de Sistemas: Quando o equipo da dieta enteral possui uma ponta que não se acopla diretamente ao funil da sonda.
  2. Administração de Medicamentos: Facilita o encaixe de seringas de bico slip ou cateter para a infusão de fármacos triturados e diluídos.
  3. Descompressão Gástrica: Em alguns casos, o conector é usado para acoplar sistemas de drenagem em sondas nasogástricas, permitindo o escoamento de resíduos gástricos.
  4. Manutenção da Permeabilidade: Utilizado durante os procedimentos de lavagem da sonda antes e após a administração de dietas ou medicamentos, prevenindo obstruções por acúmulo de partículas.

Outras Indicações:

  • Na conexão entre extensões enterais e sondas nasogástricas, nasoenterais, gastrostomias e jejunostomias.
  • Em sistemas de infusão contínua de dieta enteral, quando há necessidade de adaptar o equipo à sonda do paciente.
  • No cuidado domiciliar (home care), onde diferentes marcas e modelos de sondas podem exigir adaptadores para manter a compatibilidade do sistema.

Tipos de Sondas que Podem Utilizar o Conector Escalonado

O conector escalonado pode ser utilizado com diferentes tipos de sondas de alimentação, como:

  • sonda nasogástrica;
  • sonda nasoenteral;
  • sonda de gastrostomia;
  • sonda de jejunostomia.

Cada uma dessas sondas pode apresentar variações de calibre, tornando o conector escalonado um recurso importante para garantir encaixe adequado e seguro.

Cuidados de Enfermagem com o Dispositivo

A manipulação do conector escalonado exige o mesmo rigor técnico que qualquer outro procedimento invasivo. Por ser uma via de entrada direta para o trato gastrointestinal, a contaminação do conector pode levar a quadros de diarreia nosocomial e infecções.

O cuidado primordial começa com a higiene das mãos. Antes de tocar no conector ou na sonda, a lavagem das mãos e o uso de luvas de procedimento são obrigatórios. Além disso, a desinfecção do conector com álcool a 70% antes de cada conexão e após cada desconexão é uma prática de segurança inegociável.

Antes do uso, é essencial verificar se o conector está íntegro, limpo e dentro do prazo de validade. Qualquer sinal de rachadura, deformidade ou sujidade contraindica sua utilização.

Durante a conexão, deve-se garantir que o encaixe esteja firme, sem folgas, evitando vazamentos. Nunca se deve forçar o dispositivo, pois isso pode causar rompimento da sonda ou do conector.

O conector deve ser exclusivo para via enteral, não sendo permitido seu uso em sistemas intravenosos. Essa separação é uma medida importante de segurança do paciente.

Após o uso, recomenda-se a higienização adequada conforme protocolo institucional ou descarte quando se tratar de material de uso único. Em pacientes em uso contínuo de dieta enteral, é fundamental realizar a troca periódica do conector para evitar contaminação e obstrução.

Outro ponto crítico é a periodicidade de troca. O conector escalonado não é um dispositivo permanente. Ele deve ser trocado conforme o protocolo de controle de infecção da instituição, geralmente a cada 24 horas junto com o equipo de dieta, ou sempre que apresentar sujidade visível, rachaduras ou folgas que causem vazamentos. Vazamentos de dieta, além de sujarem o leito, favorecem a proliferação bacteriana e podem causar lesões de pele no paciente caso entrem em contato com a região periestomal de uma gastrostomia.

A enfermagem também deve orientar o paciente e familiares quanto ao uso correto do conector, principalmente em casos de cuidado domiciliar, explicando a importância da limpeza e da não reutilização inadequada.

Relação do Conector Escalonado com a Segurança do Paciente

Eventos adversos relacionados a conexões incorretas já foram amplamente descritos na literatura, incluindo administração acidental de dieta enteral por via intravenosa, com consequências graves e até fatais.

Por esse motivo, o uso de conectores exclusivos para via enteral faz parte das estratégias de segurança preconizadas por órgãos reguladores, como a Anvisa e a Organização Mundial da Saúde.

O conector escalonado, quando corretamente identificado e utilizado apenas na via enteral, reduz significativamente o risco de erros de conexão e promove uma assistência mais segura.

Responsabilidade Ética e Vigilância

Como estudantes e futuros profissionais de enfermagem, vocês devem cultivar o hábito de conferir a conexão de “ponta a ponta”. Antes de abrir o fluxo da dieta ou injetar qualquer substância pelo conector, siga o trajeto do tubo desde o frasco da dieta até o sítio de inserção no paciente.

Nunca force uma conexão que não parece se ajustar perfeitamente. Se o conector escalonado estiver folgado, ele deve ser substituído por um novo. Adaptações improvisadas com fitas adesivas (o famoso “jeitinho”) são práticas proibidas e antiéticas que colocam a vida do paciente em risco e comprometem a integridade do tratamento nutricional.

O conector escalonado enteral é um dispositivo simples, porém essencial na terapia nutricional enteral. Sua principal função é garantir a conexão segura entre seringas, equipos e sondas, adaptando diferentes calibres e prevenindo vazamentos e erros de conexão.

O conhecimento técnico da enfermagem sobre suas indicações, manuseio e cuidados é indispensável para assegurar uma prática clínica segura, eficaz e alinhada aos princípios da segurança do paciente.

Ao compreender a importância desse pequeno dispositivo, o profissional contribui diretamente para a qualidade da assistência e para a redução de riscos relacionados à administração de dieta e medicamentos por via enteral.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/caderno-4-medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude.pdf. 
  2. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Boas Práticas em Terapia Nutricional Enteral. São Paulo: COREN-SP, 2021. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br. 
  3. GLOBAL ENTERAL DEVICE SUPPLIER ASSOCIATION (GEDSA). ENFit®: The Global ISO Standard for Enteral Connectors. 2023. Disponível em: https://stayconnected.org/enfit/. 
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (BRASPEN). Diretrizes de Terapia Nutricional no Paciente Crítico. 2022. Disponível em: https://www.braspen.org/. 
  5. WAITZBERG, D. L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 2018.
  6. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  7. ASPEN (American Society for Parenteral and Enteral Nutrition). Enteral Nutrition Practice Recommendations. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, 2017. Disponível em: https://aspenjournals.onlinelibrary.wiley.com
  8. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Patient Safety: Medication Without Harm. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/teams/integrated-health-services/patient-safety

Conector “T” de Ayres

O conector “T” de Ayres é um dispositivo simples, porém extremamente importante no cuidado respiratório hospitalar. Muito utilizado em pacientes em processo de desmame da ventilação mecânica, em oxigenoterapia e em nebulização, ele permite a conexão entre diferentes componentes do sistema respiratório de forma segura e funcional.

Para o estudante de enfermagem, compreender como funciona o conector em “T”, quando utilizá-lo e quais cuidados devem ser adotados é fundamental para garantir a segurança do paciente e a eficácia da terapia respiratória.

Neste texto, vamos abordar de forma completa o que é o conector “T” de Ayres, suas indicações, funcionamento, aplicações clínicas, riscos e cuidados de enfermagem.

O que é o conector “T” de Ayres?

O conector “T” de Ayres é um acessório em formato de letra “T”, geralmente confeccionado em plástico ou material médico atóxico, que permite a ligação entre uma via aérea artificial (como tubo orotraqueal ou traqueostomia) e fontes de oxigênio ou nebulização.

Seu nome é associado ao sistema descrito por Ayres, utilizado inicialmente em circuitos respiratórios e anestésicos, e hoje amplamente empregado em unidades de internação, UTI e pronto atendimento.

Ele possui três extremidades:

  • uma extremidade conectada ao paciente (tubo traqueal ou cânula de traqueostomia),
  • uma extremidade ligada à fonte de oxigênio ou nebulizador,
  • e uma extremidade aberta para saída do ar expirado.

Essa estrutura permite que o paciente inspire oxigênio enriquecido e expire livremente para o ambiente.

Para que serve o conector “T” de Ayres?

O principal objetivo do conector “T” de Ayres é fornecer oxigênio e/ou aerossóis ao paciente que respira espontaneamente, mas que ainda necessita de suporte respiratório.

Ele é muito utilizado em situações como:

  • teste de respiração espontânea durante o desmame da ventilação mecânica,
  • oxigenoterapia em pacientes traqueostomizados,
  • nebulização com broncodilatadores ou soluções salinas,
  • suporte respiratório transitório após extubação,
  • pacientes com respiração espontânea, mas ainda dependentes de oxigênio suplementar.

Diferente do ventilador mecânico, o conector em “T” não fornece pressão positiva contínua. Ele apenas permite a passagem do oxigênio e a eliminação do ar expirado.

Funcionamento do conector “T” na prática

O funcionamento é simples e fisiológico. O oxigênio flui pela mangueira conectada a uma das extremidades do “T”. O paciente inspira esse ar enriquecido por meio do tubo ou da traqueostomia. Ao expirar, o ar sai pela extremidade aberta do conector.

Quando associado a um nebulizador, o conector permite a administração de medicamentos inalados diretamente na via aérea, favorecendo a deposição pulmonar do fármaco.

Esse sistema reduz a resistência respiratória e permite avaliar se o paciente consegue manter respiração eficaz sem o auxílio do ventilador mecânico.

Principais indicações clínicas

O conector “T” de Ayres é indicado principalmente para:

  • Pacientes em processo de desmame ventilatório, para testar a capacidade respiratória espontânea.
  • Pacientes traqueostomizados que necessitam de oxigênio suplementar.
  • Administração de nebulização em pacientes com via aérea artificial.
  • Pós-operatório imediato de cirurgias torácicas ou abdominais, quando há necessidade de suporte leve.
  • Pacientes com doenças pulmonares crônicas em exacerbação leve.

Vantagens do uso do conector “T” de Ayres

Entre as principais vantagens estão:

  • simplicidade de uso,
  • baixo custo,
  • permite avaliação clínica da respiração espontânea,
  • facilita a nebulização direta,
  • reduz dependência da ventilação mecânica,
  • favorece a autonomia respiratória do paciente.

Além disso, é um dispositivo leve, portátil e facilmente adaptável a diferentes circuitos.

Riscos e limitações

Apesar de ser um dispositivo seguro, o conector “T” de Ayres apresenta limitações importantes.

Ele não fornece pressão positiva nem controle de volume corrente, o que pode ser perigoso em pacientes com insuficiência respiratória grave.

Entre os riscos possíveis estão:

  • hipoxemia se o fluxo de oxigênio for insuficiente,
  • acúmulo de secreções se não houver aspiração adequada,
  • desconexões acidentais,
  • contaminação se houver falha na higienização,
  • fadiga respiratória em pacientes ainda não preparados para o desmame.

Por isso, sua utilização deve ser criteriosa e sempre acompanhada por monitorização clínica.

Cuidados de enfermagem no uso do conector “T” de Ayres

A enfermagem tem papel central no manuseio seguro desse dispositivo. É fundamental verificar se as conexões estão firmes e bem adaptadas ao tubo traqueal ou à cânula de traqueostomia. O fluxo de oxigênio prescrito deve ser conferido antes da instalação do sistema.

Durante o uso, o profissional deve observar atentamente o padrão respiratório, a frequência respiratória, a coloração da pele e mucosas e a saturação de oxigênio. Qualquer sinal de desconforto respiratório, como uso de musculatura acessória ou queda da SpO₂, deve ser comunicado imediatamente.

Outro cuidado essencial é a aspiração de vias aéreas sempre que necessário, pois o conector não possui sistema de remoção de secreções.

A higienização do dispositivo deve seguir os protocolos institucionais, respeitando o tempo de uso recomendado pelo fabricante. Nunca se deve reutilizar conectores descartáveis.

A equipe também deve orientar o paciente, quando consciente, sobre a finalidade do dispositivo, reduzindo ansiedade e favorecendo a cooperação.

Diferença entre conector “T” e outros sistemas respiratórios

O conector “T” de Ayres se diferencia do ventilador mecânico porque não gera pressão positiva nem ciclos respiratórios automáticos. Ele também difere da máscara de oxigênio, pois é conectado diretamente à via aérea artificial.

Comparado ao CPAP ou ao BIPAP, o “T” não oferece suporte pressórico. Por isso, é usado principalmente como etapa intermediária no desmame ventilatório.

Importância para a enfermagem

Para o profissional de enfermagem, o conector “T” representa um instrumento de avaliação clínica e cuidado contínuo. Seu uso adequado contribui para:

  • redução do tempo de ventilação mecânica,
  • prevenção de complicações respiratórias,
  • promoção da autonomia respiratória do paciente,
  • segurança durante a transição entre ventilação assistida e respiração espontânea.

Conhecer suas indicações, limites e cuidados é parte essencial da prática segura em unidades críticas.

O conector “T” de Ayres é um dispositivo simples, mas de grande relevância na assistência respiratória hospitalar. Ele permite oxigenação, nebulização e avaliação da respiração espontânea de forma prática e acessível.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, compreender seu funcionamento e saber identificar sinais de falha respiratória durante o uso é indispensável para garantir a segurança do paciente.

Mais do que um acessório, o conector “T” é uma ferramenta de transição entre a dependência tecnológica e a recuperação da respiração natural.

Referências:

  1. AMERICAN ASSOCIATION FOR RESPIRATORY CARE (AARC). Clinical Practice Guideline: Selection of a Resuscitation Device for Neonates and Children. 2022. Disponível em: https://www.aarc.org. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância do Óbito Infantil e Fetal e do Comitê de Prevenção do Óbito Infantil e Fetal. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  3. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Atuação da Enfermagem em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal. São Paulo: COREN-SP, 2020. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br. 
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na UTI Neonatal: Assistência ao Recém-Nascido de Alto Risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  5. MORTON, P. G.; FONTAINE, D. K. Cuidados críticos de enfermagem: uma abordagem holística. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
  6. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
  7. WEST, J. B. Fisiologia respiratória: princípios básicos. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes para oxigenoterapia e suporte ventilatório. Disponível em: https://sbpt.org.br