Novos Anticoagulantes Orais (NOACs)

Os Novos Anticoagulantes Orais (New Oral Anticoagulants – NOACs), anticoagulantes orais diretos (Direct Oral Anticoagulants – DOACs) ou anticoagulantes orais não antagonistas da vitamina K (Non-vitamin K antagonist oral anticoagulants – NOACs), surgiram por causa das dificuldades para atingir anticoagulação ideal com tratamento com varfarina (por mais de meio século, a varfarina, um antagonista da vitamina K, foi o único anticoagulante oral disponível).

Sendo assim atribuídas ao seu início lento de ação, efeitos farmacológicos variáveis e numerosas interações com alimentos e medicamentos. Estas deficiências levaram ao desenvolvimento de novos anticoagulantes orais.

Podemos dividir estes fármacos em 2 grupos distintos consoante o seu mecanismo de ação: os inibidores do fator Xa e os inibidores do factor IIa (trombina).

Farmacocinética

Os novos anticoagulantes orais têm ação de início rápido e são administrados em doses fixas, sem necessidade de monitoramento laboratorial de rotina, como é o caso clássico dos antagonistas de vitamina K.

Além disso, tem meia-vida curta, o que facilita o manejo do paciente quando há necessidade de suspensão dessas drogas para realização de um procedimento diagnóstico ou cirúrgico. Por outro lado, a menor meia-vida gera maiores riscos quando se trata de esquecimento na tomada de uma dose que seja.

Propriedades farmacológicas dos NOACS aprovados no Brasil (2018)

Medicação

Inibição alvo

Pico de ação e Meia-vida

Antídoto

Dose e Posologia

Interação

Eliminação

Dabigatrana (Pradaxa®)

Trombina

1 – 3h e

12 – 17h

Idarucizumabe (Praxbind) 5g

150mg 2x

(110 mg 2x)*

Rifampicina

Quinidina

Amiodarona

80% Renal

20% Hepática

Rivaroxabana (Xarelto®)

FXa

2 – 4h e

7 – 13h

Em estudo

20 mg 1x

Cetoconazol

Ritonavir

Rifampicina

35% Renal

65% Hepática

Apixabana (Eliquis®)

FXa

1 – 3h e

9 – 14h

Em estudo

5 mg 2x

Cetoconazol

Ritonavir

Rifampicina

25% Renal

75% Hepática

Edoxabana (Lixiana®)

FXa

1 – 2 h e

10 – 14 h

Em estudo

60 mg 1x

(30 mg 1x)**

Ciclosporina

Cetoconazol

35% Renal

65% Hepática

*ClCr > 30 mg/dL. Para ClCr 15-30 mg/dL 75 mg 2x. Dose ajustada de 110 mg 2x para idosos ≥ 80 anos; FXa = Fator X ativado;
**ClCr 15 – 50 mg/dL ou Peso ≤ 60 kg ou inibidores da glicoproteína-P;

Referências:

  1. Shapiro S (2003) Treating thrombosis in the 21st century. N Engl J Med 349:1762-1764
  2. Pirmohamed M. Warfarin: almost 60 years old and still causing problems. British Journal of Clinical Pharmacology. 2006;62(5):509-511.
  3. Alexander J, Singh K (2005) Inhibition of factor Xa: a potential target for the development of new anticoagulants. Am J Cardiovasc Drugs 5:279-290.
  4. Nielsen P., Lane D.A., Rasmussen L.H., et al.(2015) Renal function and non-vitamin K oral anticoagulants in comparison with warfarin on safety and efficacy outcomes in atrial fibrillation patients: a systemic review and meta-regression analysis. Clin Res Cardiol 104:418–429.
  5. RP Giugliano, CT Ruff, E Braunwald, et al.Once-daily edoxaban versus warfarin in patients with atrial fibrillation N Engl J Med, 369 (2013), pp. 2093-2104
  6. CB Granger, JH Alexander, JJ McMurray, et al., the ARISTOTLE Committees and InvestigatorsApixaban versus warfarin in patients with atrial fibrillation
  7. MR Patel, KW Mahaffey, J Garg, et al., the ROCKET AF InvestigatorsRivaroxaban versus warfarin in nonvalvular atrial fibrillation. N Engl J Med, 365 (2011), pp. 883-891
  8. SJ Connolly, MD Ezekowitz, S Yusuf, et al., the RE-LY Steering Committee and InvestigatorsDabigatran versus warfarin in patients with atrial fibrillation. N Engl J Med, 361 (2009), pp. 1139-1151

Nitratos: Entenda sua função!

Os nitratos são vasodilatadores que relaxam ou dilatam os vasos sanguíneos, para reduzir a resistência. Isto reduz a pressão arterial e facilita o fluxo sanguíneo no corpo, melhorando os sintomas.

Farmacologia

O nitrato relaxa as células musculares lisas, como aquelas existentes nos vasos sanguíneos.

O efeito antianginoso é devido a dois mecanismos:

Os nitratos dilatam vasos colaterais que permitem maior quantidade de sangue passar pelo miocárdio. Também reduzem o trabalho cardíaco ao reduzir a tensão arterial periférica.

Logo eles aumentam o suprimento de oxigênio ao coração e diminuem as suas necessidades ao mesmo tempo.

Os Efeitos do Nitrato

  • Alívio imediato da dor causada pela angina.
  • Vasodilatação das coronárias e outros vasos (vasos do pênis – especialmente com sildenafila (Viagra)).
  • Relaxamento do esófago, brônquio, intestino e canais biliares (o seu músculo liso é igualmente sensível).

Quais são os Benefícios esperados?

Os nitratos reduzem a ocorrência e a intensidade da dor torácica (angina de peito) e por isso, são administrados para aliviar os sintomas. Outros vasodilatadores, como o Hidralazina e o Minoxidil, poderão ser usados para melhorar os sintomas como a falta de ar.

Os Efeitos Secundários

Os vasodilatadores poderão causar pressão arterial baixa, provocando tonturas ou sensação de desmaio ao sentar-se ou levantar-se muito rapidamente.

Outros efeitos secundários incluem dores de cabeça, rubor, palpitações e congestão nasal. As dores de cabeça são especialmente comuns nos vasodilatadores de ação prolongada, como os nitratos.

Efeitos Colaterais

Os efeitos adversos são:

  • O nitrato encontrado em águas minerais é associado ao risco de duas doenças graves: a metamoglobinemia, conhecida como Síndrome do Bebê Azul e o Câncer Gástrico. O Instituto do Câncer e estudos da literatura médica alertam sobre ingestão de água proveniente de poços que contêm uma alta concentração de nitrato está relacionada com a incidência do Câncer de Estômago.
  • Hipotensão postural (devido à vasodilatação).
  • Dores de cabeça.
  • Perigo de choque por hipotensão se sildenafil e outros nitratos forem tomados pela mesma pessoa.

Indicações de Uso

  • No tratamento da angina pectoris estável e instável.
  • Tratamento de insuficiência cardiaca aguda.
  • Tratamento de insuficiência cardiaca crônica se IECAs não forem indicados.
  • O sildenafil é usado no tratamento da disfunção erétil (impotência) do homem.

Os nitratos só têm efeito em administrações limitadas. Se administrado continuamente desenvolve-se resistência aos seus efeitos. Eles são apenas usados para diminuir a dor quando ela surge na angina; ou antes do ato sexual (sildenafil).

Fármacos

  • Nitroglicerina (trinitrato de glicerilo, Nitromint®, Nitradisc®, Nitro-Dur®, Epinitril®, Plastranit®, Nitroderm-TTS®): este potente explosivo é utilizado como componente principal da dinamite, desenvolvida por Alfred Nobel. As suas ações farmacológicas não estão relacionadas diretamente com as suas propriedades explosivas porém o medicamento, foi descoberto a partir de pessoas que respiravam numa atmosfera impregnada desse composto químico e que levou, o cientista, a usar elementos dessa substância. Ela não é explosiva dentro do corpo humano (em solução aquosa).
  • Mononitrato de isossorbida (Imdur, Monopront®, Ismo retard®, Monoket®): duração maior.
  • Hidralazina (Apressolina®).
  • Minoxidil (Loniten®).
  • Nesiritida (Natrecor®)
  • Levosimendano(Simdax®).

Referências:

  1. Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul

Atropina Sublingual e a Sialorreia

A sialorreia é caracterizada pelo excesso de salivação ou pela incapacidade de conter a saliva na boca, causando efeitos negativos importantes na saúde e na qualidade de vida do indivíduo, pois afeta a higiene, a nutrição, o sono, a fala e pode gerar estigma.

Esse é um sintoma comum em doenças neurológicas, como a paralisia cerebral e em pacientes com sequelas decorrentes de acidente vascular cerebral.

Existem diversas formas de controle da sialorreia descritas na literatura, como terapia medicamentosa, aplicação de toxina botulínica, radioterapia e procedimentos cirúrgicos.

Contudo, algumas dessas abordagens podem não ser viáveis em alguns casos e o ideal é que se opte, sempre que possível, por formas de tratamento menos invasivas.

O uso da Atropina para o tratamento de Sialorreia Intensa

No Brasil, a atropina pode ser encontrada em duas formas farmacêuticas: como solução injetável, que tem como uma das indicações o uso como pré-anestésico para reduzir a produção de saliva, e na forma de colírio, que é utilizada em exames e tratamentos oftalmológicos.

Na prática clínica, há relatos de que o uso do colírio de atropina também ocorre de modo off-label por via sublingual, com o objetivo de controlar a sialorreia, pois promove a inibição local das secreções.

Os estudos disponíveis sobre a eficácia da atropina no tratamento da sialorreia são escassos e apresentam limitações importantes, sendo que muitas vezes não fica claro qual foi a forma farmacêutica da atropina avaliada no estudo.

Ainda assim, esses estudos fornecem evidências que podem ser úteis ao se considerar o uso sublingual da atropina no tratamento da sialorreia.

As evidências disponíveis até o momento não nos permitem afirmar que o uso da atropina por via sublingual é eficaz no tratamento da sialorreia.

Na maioria dos casos, o benefício da atropina na redução da saliva é temporário ou os efeitos adversos (boca excessivamente seca, constipação e retenção urinária) inviabilizam a continuidade do uso.

É importante ressaltar ainda que a utilização do colírio oftalmológico por via sublingual pode aumentar as chances de erros de medicação, como a administração por via incorreta e erros de dose.

Tendo em vista a escassez de tratamentos para a sialorreia, é importante considerar que alguns pacientes podem se beneficiar com o uso desse medicamento nessas condições, no entanto, é necessário que a relação entre potenciais riscos e benefícios dessa alternativa terapêutica seja avaliada individualmente, de maneira rigorosa e contínua.

Referências:

  1. Hall JE. Funções secretoras do trato alimentar. No Hall JE, ed. Guyton & Hall Textbook of Medical Physiology, 12ª ed. Filadélfia: SaundersElsevier; 2011. pp. 773-776
  2. Rius JM, Llobet LB, Soler EL, Farré M. Salivary Secretory Disorders, Inducing Drugs, and Clinical Management. Int J Med Sci. 2015; 12(10):811-824. Acesso 2020 julho 30. DOI:10.7150/ijms.12912
  3. De Simone GG, Eisenchlas JH, Junin M, Pereyra F, Brizuela R. Atropine drops for drooling: a randomized controlled trial. Palliative medicine. 2006;20(7):665-71.
  4. Scully C, Limeres J, Gleeson M, Tomás I, Diz P. Drooling. J Oral Pathol Med. 2009;38 (4): 321-7.
  5. Hyson HC, Johnson AM, Jog MS. Sublingual atropine for sialorrhea secondary to parkinsonism: a pilot study. Movement disorders: official journal of the Movement Disorder Society. 2002;17(6):1318-20.
  6. Atropion. Responsável técnico: Eliza Yukie Saito. São Paulo: Blau Farmacêutica S.A., 2018. Bula de medicamento.
  7. Atropina: colirio. Responsável técnico: Dra. Elizabeth Mesquita. São Paulo: Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda, 1979. Bula de medicamento.
  8. Silva PC, Gomes MO, Dallarmi. Drug and off-label use. Visão Acadêmica, Curitiba, v.12, n.2, p. 65-73, Jul./Dez./2011. Acesso 2020 julho 30. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/acd.v12i2.25221
  9. Norderyd J , Graf J, Marcusson A , Nilsson K , Sjöstrand E, Steinwall G, Ärleskog E , Bågesund M. Sublingual administration of atropine eyedrops in children with excessive drooling – a pilot study. Int J Paediatr Dent. 2017; 27 (1): 22-29. Acesso 2020 agosto 14. DOI: https://doi.org/10.1111/ipd.12219
  10. Leung JG, Schak KM. Potential problems surrounding the use of sublingually administered ophthalmic atropine for sialorrhea. Schizophreniaresearch. 2017;185:202-3.

Soro Antiofídico: Como é produzido?

O Soro Antiofídico é utilizado como antídoto quando uma pessoa é picada por uma serpente. Dependendo do tipo de cobra que causou o acidente, existe um tipo de soro – afinal, são muitas espécies de cobras.

Porém, o processo de produção de cada soro é o mesmo, e a efetividade do produto também.

Como é produzido o soro antiofídico?

  1. O primeiro passo é extrair da serpente o veneno e transformá-lo em antígeno. Antígenos são substâncias capazes de fazer o sistema imunológico reagir, produzindo anticorpos.
  2. Os antígenos são aplicados em cavalos, em pequenas doses (que não prejudicam a saúde do animal), para provocar a produção de anticorpos. Dependendo do antígeno, será produzido um tipo de anticorpo específico contra cada veneno – se o antígeno tiver sido extraído de uma cobra coral, o anticorpo produzido combaterá o veneno da cobra coral.
  3. Quando se formam anticorpos suficientes no organismo do cavalo, o plasma (a parte do sangue onde ficam os anticorpos) é coletado.
  4. Após testes, o plasma é submetido a um processamento industrial, utilizando métodos físico-químicos, obtendo ao final os soros específicos. Os soros antiofídicos são envasados em frascos-ampola com 10 ml de solução líquida contendo anticorpos purificados.
  5. Nas diversas etapas de produção, os soros passam por testes de controle de qualidade, garantindo ao final produtos seguros e eficazes. Pronto! Está feito o soro antiofídico.

Os Tipos de Soros

  • Anticrotálico: Soro utilizado para o tratamento de acidentes com cobras cascavéis (gênero Crotalus);
  • Antibotrópico: Soro utilizado para o tratamento de acidentes com jararacas (gênero Bothrops);
  • Antielapídico: Soro utilizado para o tratamento de acidentes com serpentes da família das corais (gênero Micrurus);
  • Polivalente: Soro utilizado quando não se sabe a serpente que picou o paciente. Esse produto é feito com venenos de jararaca e cascavel.

Reações Adversas

Assim como qualquer medicamento, o soro antiofídico pode desencadear reações adversas após a aplicação. É comum o relato de coceira e vermelhidão na pele, vômitos, tosse e crise de asma.

Apesar de pouco frequente, pode ocorrer choque anafilático, a forma mais grave de reação de hipersensibilidade. Pode ocorrer também uma reação tardia conhecida como Doença do Soro, que surge de 5 a 24 dias após a administração do soro e desencadeia coceira, febre, aumento de gânglios, dores articulares e até mesmo comprometimento neurológico e renal.

O uso dos soros antiofídicos é a principal forma de evitar consequências graves em decorrência de picadas de serpentes.

Cuidados após a picada

Procure um médico caso sofra esse tipo de acidente. É importante também que nenhuma substância seja aplicada no local da picada, não sejam realizados torniquetes e cortes no local e o paciente mantenha-se calmo, hidratado e em repouso enquanto procura um hospital.

Atenção: Para evitar acidentes com serpentes, lembre-se sempre de usar botas ou perneiras quando estiver em locais que podem esconder esses animais e nunca colocar a mão embaixo de entulhos, dentro de tocas, buracos e cupinzeiros.

Referências:

  1. Instituto Butantã

Via Intravítrea

A Via ou Injeção Intravítrea, se faz quando a medicação é aplicada diretamente no vítreo (região interna e posterior do olho), para o tratamento de várias doenças vítreorretinianas e, em especial, no tratamento de doenças retinianas como Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

Como funciona?

A injeção intravítrea é realizada em ambiente cirúrgico, obedecendo-se todos os princípios de antissepsia e assepsia, com anestesia tópica e uso de colírio de iodo, para a prevenção da rara porém muito grave complicação denominada endoftalmite (infecção intraocular disseminada).

Outras complicações, também raras, durante e após o procedimento são as hemorragias intraoculares e o descolamento de retina.

O paciente chega ao hospital ou clínica, entre 30 e 60 minutos de antecedência, para fazer a dilatação da pupila e a aplicação de colírio anestésico. Não é necessário usar a anestesia geral, apenas local (gel ou colírio). Em seguida, o médico realiza a aplicação, com procedimento rápido e indolor.

Dentro de poucos dias, a pessoa pode voltar às atividades cotidianas mais leves. Os exercícios físicos mais intensos devem ser praticados somente após uma semana contada a partir da data do procedimento. A única contraindicação para a realização da injeção intravítrea é a presença de infecção ocular, que deve ser tratada antes do procedimento.

Indicações da Via Intravítrea

  • Degeneração Macular relacionada à Idade (DMRI);
  • Retinopatia Diabética;
  • Membranas Neovasculares e edemas retinianos por outras etiologias, como oclusões vasculares;
  • Edema Macular Diabético;
  • Oclusão da veia da retina.

Tipos de Medicamentos que podem ser administrados

Existem 2 tipos principais de medicamentos que podem ser injetados: os antiangiogênicos (que impedem a formação de novos vasos ou neovasos) e os corticoides (anti-inflamatórios).

Também podem ser aplicados antibióticos, bactericidas e fungicidas, de acordo com o tipo de infecção.

Tanto os corticoides quanto os antiangiogênicos são aplicados para o controle de doenças que levam ao edema ou hemorragia da mácula (região central da retina). O procedimento dura poucos minutos.

Principal Cuidado Pós Operatório

Deve seguir com o uso de colírio antibiótico nos primeiros três dias, prescrito pelo médico, no qual reduzem significativamente o surgimento de complicações.

Referências:

  1. IOC

Compatibilidade: Medicamento VS. Recipiente de Soro

Vocês sabiam que há drogas, que são incompatíveis com certos recipientes de soro, e até com equipos?

É necessário entender não somente sobre o medicamento em si, mas como é a forma de acondicionamento da mesma. Pois em certos casos, pode não surtir o efeito desejado do medicamento no paciente, e assim ocasionando mais complicações.

Geralmente, as embalagens utilizadas para o acondicionamento de produtos farmacêuticos possuem importante papel na manutenção da estabilidade farmacêutica uma vez que os componentes da embalagem podem interagir com o produto farmacêutico promovendo a sua instabilidade.

Durante o preparo de um medicamento é essencial a escolha de um recipiente de acondicionamento compatível com a substância ativa e/ou excipientes e adequado à forma farmacêutica, assim evitando que o medicamento seja absorvido pelo material ou que a mesma se interaja com o material da própria embalagem, assim perdendo seu efeito desejado.

Há bolsas de soro produzidas em material como PVC, PEAD e em vidro.

E na minha ilustração, cito alguns dos exemplos das compatibilidades com os recipientes que encontramos em nosso setor.

Referências:

1. Reis JA. TRIDIL®. Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. Itapira, SP.
2. Andrade CD. ANCORON®. Libbs Farmacêutica Ltda. Embu, SP.
3. Oliveira AA. ATLANSIL®. Sanofi – Aventis Farmacêutica Ltda. Suzano, SP.
4. Siqueira MAJ. SANDIMMUN®. Novartis Biociências SA. Taboão da Serra, SP.
5. Castanho DM. DIRPIVAN®. AstraZeneca do Brasil Ltda. Cotia, SP.
6. Souza JG. FRESOLFOL®. Fresenius Kabi Brasil Ltda. Campinas, SP.

Por que algumas DVAs são “Dobradas” ou “Concentradas”?

Se você trabalha ou já trabalhou em setores de emergência e UTI, provavelmente já deve ter visto esta situação: O Médico solicitar a “dobrar” ou “concentrar” uma droga vasoativa a um certo paciente, para que seja administrado na bomba de infusão em uma vazão ml/h baixa.

Mas por que isso é solicitado?

Dentro de toda o processo hemodinâmico do paciente, é avaliado as condições de estabilidade do paciente, quanto a função renal, absorção dos fármacos, entre outras coisas mais complexas.

Muito provavelmente, grandes pacientes com instabilidade hemodinâmica, tem suas funções renais alteradas, o que diminui a absorção farmacológica, e a diminuição de excreção de fluídos, o que pode acarretar o edema generalizado, que chamamos de Anasarca.

Drogas Vasoativas tendem a mexer muito com todo o sistema circulatório do paciente, o que pode acarretar alterações importantes na função de débito cardíaco, pressão arterial, etc.

O que o médico tende a fazer é diminuir o volume infundido de uma certa droga vasoativa, concentrando-o ou dobrando-o ainda mais, assim dando a mesma quantidade de droga.

Um paciente altamente instável, com uma vazão muito alta de um certo DVA com uma função renal alterada, por exemplo, o médico precisa diminuir o volume destas drogas a serem infundidas, aumentando a concentração e assim diminuindo a vazão ml/h deste medicamento.

Existem padrões de soluções concentradas, duas ou quatro vezes concentradas.

Como neste exemplo:

No caso da Noradrenalina:

  • 1 ampola (4mg em 4mL) em 246 mL de Soro Glicosado (SG) 5% – 16 mcg/mL (constante) – Solução Padrão;
  • 2 ampolas em 242 mL de SG 5% – 32 mcg/mL  (constante)– Concentrada;
  • 4 ampolas em 234 mL de SG 5% – 64 mcg/mL (constante) – 2x Concentrada;
  • 8 ampolas em 218 mL de SG 5% – 128 mcg/mL (constante) – 4x Concentrada.

E da Dobutamina:

  • 1 ampola (250mg em 20mL) em 230 mL de SF 0,9% – 1 mg/mL = 1000 mcg/mL (constante) – Solução Padrão;
  • 2 ampolas em 210 mL de SF 0,9% – 2 mg/mL = 2000 mcg/mL (constante) – Concentrada;
  • 4 ampolas em 170 mL de SF 0,9% – 4 mg/mL = 4000 mcg/mL (constante) – 2x Concentrada;
  •  8 ampolas em 218 mL de SG 5% – 8 mg/mL = 8000 mcg/mL (constante) – 4x Concentrada.

O médico sempre irá diminuir a vazão da droga conforme a quantidade concentrada, realizando um cálculo que na qual precisa transformar de mL/h (vazão) para mcg/kg/min, assim dando o volume adequado a droga ao paciente:

VAZÃO (ml/h) X CONSTANTE (mcg/ml)/ 60 (quantidade de minutos na hora)/ PESO DO PACIENTE

onde a constante é a quantidade de microgramas por ml de uma ampola da droga vasoativa.

Referência:

  1. Medicina de Emergência – Abordagem Prática, USP, 2018.

Adrenalina Vs. Noradrenalina: As diferenças

A Adrenalina (Epinefrina) e a Noradrenalina (Norepinefrina) são dois neurotransmissores que também servem como hormônios e pertencem a uma classe de compostos conhecidos como catecolaminas.

Como hormônios, eles influenciam diferentes partes do seu corpo e estimulam o sistema nervoso central.

Quimicamente, são muito semelhantes. No entanto, a adrenalina funciona nos receptores alfa e beta, enquanto a noradrenalina só funciona nos receptores alfa.

Os receptores alfa são encontrados apenas nas artérias. Enquanto os receptores beta estão no coração, pulmões e artérias dos músculos esqueléticos.

E Quais são as principais diferenciações?

Tanto a adrenalina como a noradrenalina podem afetar o coração, os níveis de açúcar no sangue e os vasos sanguíneos. No entanto, a noradrenalina também pode tornar seus vasos sanguíneos mais estreitos, aumentando a pressão sanguínea.

A adrenalina é usada no tratamento de anafilaxia, parada cardíaca e ataques graves de asma. A norepinefrina, por outro lado, é usada para tratar a pressão arterial perigosamente baixa. Além disso, medicamentos que aumentam a noradrenalina podem ajudar no TDAH e na depressão.

Concluindo então:

Adrenalina e noradrenalina são neurotransmissores e hormônios muito semelhantes.

Enquanto a adrenalina tem um efeito um pouco maior no coração, a norepinefrina afeta mais os vasos sanguíneos. Ambos desempenham um papel na resposta natural de luta ou fuga do seu corpo ao estresse e têm importantes usos médicos.


Referência:

  1. Conselho Federal de Farmácia

A Reação Extrapiramidal com Medicamentos

Vamos à um exemplo, que pode acontecer com qualquer pessoa neste planeta!

Imagine ir a um hospital para tratar um distúrbio gastrointestinal e após tomar medicamentos pela via endovenosa, intramuscular ou oral acabar sofrendo uma crise de inquietação motora, que gera tremores nas pernas, vontade de correr e muita angústia.

Isso se chama de Reação ou Efeito Extrapiramidal, que pode ser provocado pelo tal medicamento que você recebeu!

A Reação Extrapiramidal é uma situação pouco conhecida da maioria dos profissionais de saúde e, portanto, raramente diagnosticada.

Ainda, podendo ser confundida com crise de pânico ou mesmo desequilíbrio emocional. Ela pode ocorrer após uso de alguns medicamentos injetáveis ou não, administrados em razão de uma enxaqueca, dor de cabeça, náuseas e/ou vômitos.

Pouco depois, de forma inesperada, aparecem sintomas de agitação psicomotora com uma vontade incontrolável de sair de onde se está ou mover-se, sensação estranha de aperto no peito, falta de ar, angústia, ansiedade, sensação de falta de autocontrole, movimentos involuntários dos braços, pernas, dedos, lábios, língua, pálpebras, alterações na fala e etc.., mas não necessariamente todos esses sintomas, isolados ou simultaneamente.

Esses sintomas, de tão desagradáveis, são inesquecíveis ?

Sim, ficam para sempre gravados na memória de quem já passou por tal situação!

Por que isso acontece?

Porque afeta uma rede de neurônios na base do cérebro, denominada sistema extrapiramidal. O sistema extrapiramidal auxilia na coordenação de nossos movimentos.

Certas drogas utilizadas para enxaqueca como a diidroergotamina (cefalium), para náuseas e vômitos como a metoclopramida (plasil) e bromoprida (digesan) e também o haloperidol (haldol) podem interferir com o bom funcionamento do sistema extrapiramidal, provocando os sintomas descritos.

Portanto, ainda que em meio a uma crise de enxaqueca, em um hospital ou pronto-socorro, é importante informar ao médico esta predisposição; porque se você já teve uma reação extrapiramidal no passado, certamente não gostaria de se expor ao mesmo risco novamente!

Referências:

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_extrapiramidal

Soroterapia: Dicas e Macetes para o gotejamento

Vai aí algumas dicas e macetes que funcionam com soros em bolsas de 500 ml!

Principalmente quando utilizamos aqueles equipos gravitacionais Dial-a-Flow onde pode configurar o fluxo para ml/h sem ter a bomba de infusão por perto! Para um cálculo rápido de dosagem de gotejamento durante 24 horas, posso utilizar esses mnemônicos para auxiliar na administração de um medicamento endovenoso.

Como funciona essa Mnemotécnica acima descrita? (“O Ritmo não pode parar!”)

Veja como Exemplo:

Temos que passar 2 soros de 500 ml em 24 horas, ou seja, 1000 ml de soro por dia. Com que vazão de gotejamento terei que colocá-lo? Fácil, graças a este mnemônico caseiro.

Multiplique o número de soros x2 e você obterá o primeiro número do fluxo que o fará lembrar do segundo. Além disso, se você perceber que o resto dos números também são correlativos (mais ou menos).

Veja Mais Dicas e Mnemotécnicas!

“Tenho que passar ( X ) soros de 500ml em 24 horas”

Uma regra simples que pode ajudar a te salvar nos momentos de correria em seu plantão:

A Bolsa de 500 ml dividido em:

  • 24 horas: 21ml/h (passo 1 bolsa);
  • 12 horas: 42ml/h (passo a 2º bolsa);
  • 8 horas: 62ml/h (passo a 3º bolsa);
  • 6 horas: 83ml/h (passo a 4º bolsa);
  • 4.8 horas (mais aproximadamente nas 5 horas): 104ml/h (passo a 5º bolsa);
  • 4 horas: 125ml/h (passo a 6º bolsa).

Os Horários dos Soros

Quando preciso aprazar certos medicamentos para serem administrado dentro das 24 horas mas com frequência da administração variada, lembro que: (*lembrando que os horários descritos são apenas exemplos)

  • A cada 24 horas o horário precisa ser entre 08h do dia de hoje até as 08h do dia seguinte; (1x vez ao dia)
  • A cada 12 horas devo intercalar o horário entre 08-20h do dia de hoje até 20-08h do dia seguinte; (2x vez ao dia)
  • A cada 08 horas devo intercalar os horários entre 08-16h; 16-24 até as 24-08 do dia seguinte; (3x vez ao dia)
  • A cada 06 horas devo intercalar os horários entre 08-14h; 14-20h; 20-02h; 02-08h do dia seguinte. (4x vez ao dia)

Quer mais dicas para estudo como essas? Veja só:

Pratique alguns exercícios de gotejamento!

Cálculo de Gotejamento – Exercícios

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Cálculo de Gotejamento