Intussuscepção: A Invaginação Intestinal

A Intussuscepção representa a invaginação de um segmento intestinal sobre outro que, apesar de relativamente comum entre as crianças, raramente acomete os adultos.

Literalmente, uma parte do intestino se invagina (se dobra) por sobre outra seção do intestino, semelhante à maneira como as partes de um telescópio se retrai sobre a outra parte.

Nestes, a invaginação intestinal apresenta uma causa bem definida na maioria dos casos e seu quadro clínico costuma ser bastante variável, contudo, poucos deles são diagnosticados no período pré-operatório.

Os Sinais e Sintomas

Os primeiros sintomas podem incluir dor abdominal, náuseas, vômitos (por vezes, na cor verde, devido a bílis), cólica intermitente moderada a grave ou dor abdominal.

A dor é intermitente, não porque a intussuscepção se resolve temporariamente, mas porque o segmento do intestino transitoriamente para de contrair. Mais tarde, os sinais incluem sangramento retal, muitas vezes com fezes em forma de “geleia” (fezes misturadas com sangue e muco), e letargia.

O exame físico pode revelar uma massa em forma tubular ao palpar o abdômen.

A intussuscepção é a emergência mais comum entre crianças de seis meses a três anos de idade, é descrita como de início súbito, dor abdominal do tipo cólica seguida por vômitos, a palpação abdominal não indica peritonismo porém com algumas horas, torna-se perceptível, o palpamento revela um volume tubular e há eliminação de muco com sangue.

A febre e a leucocitose apresentam-se tardiamente e estão associadas a maior possibilidade de necrose intestinal, nessa situação, sinais de alarme como prostração intensa, desidratação e choque devem ser encontrados e a confirmação de diagnóstico e o tratamento devem ser acelerados.

Como é diagnosticado?

Um raio-x de abdômen pode ser indicado para verificar obstrução intestinal ou gás intraperitoneal livre.

A última constatação implica que a perfuração intestinal já ocorreu.

Algumas instituições utilizam enema de ar para o diagnóstico, e o mesmo procedimento pode ser utilizado para tratamento.

Esta condição é mais incidente em crianças!

A incidência é maior até os 2 anos de vida, mormente dos 6 meses aos primeiro ano de idade.

A Intussuscepção ocorre com mais frequência em meninos do que em meninas, com uma proporção de aproximadamente 3:1.

Em adultos, representa a causa de cerca de 1% das obstruções intestinais e é frequentemente associada com neoplasia, maligna ou outra forma.

Cuidados de Enfermagem

  • Jejum de 12hs, para preparo cirúrgico;
  • Atentar ao cuidado com pacientes pediátricos (mais de 4-8hs de jejum- hipoglicemia);
  • Tricotomia da cartilagem xifóide ao púbis;
  • Irrigação Intestinal: Planejamento e controle da dieta;
  • Controle Hídrico;
  • Cuidados com as ostomias;
  • Redução da ansiedade;
  • Observar e comunica o aparecimento de sonolência excessiva, inquietação, agressividade, ansiedade ou confusão, cianose central e falta de ar em repouso;
  • Monitorização da frequência respiratória, intensidade e atentar para a ausculta de sons respiratórios adventícios;
  • Monitorar aparecimento de sinais e sintomas de sangramento gastrointestinal, como náusea, hematêmese, enterorragia, hematócritos ou hemoglobina reduzidos, hipotensão e taquicardia;
  • Assegurar que o paciente receba cuidados de analgesia;
  • Investigar com o paciente fatores que aliviam ou pioram a dor;
  • Avaliar com o paciente e a equipe, a eficácia de medidas de controle da dor que tem sido utilizadas;
  • Supervisionar a pele observando calor, cor, pulsos, textura;
  • Examinar vermelhidão, calor;
  • Monitorar áreas de vermelhidão e ruptura da pele;
  • Monitorar infecção, principalmente em áreas edemaciadas;
  • Supervisão da pele;
  • Monitorar áreas de ruptura da pele;
  • Prestar apoio emocional;
  • Inserir paciente em grupos de apoio;
  • Prestar assistência na auto modificação;
  • Promover ensino sobre o processo da doença.

Referências:

https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/sintomas-doencas-tratamentos/intussuscepcao/

http://revistas.ung.br/index.php/saude/article/view/2649

Conheça as Principais Patologias do Cólon

Você sabe a finalidade do Cólon para o corpo humano?

Ele é responsável por realizar a fase final da digestão. Retira o quimo (alimento digerido) do intestino delgado para finalizar a absorção, mudando o estado líquido do quimo à sólido para convertê-lo em fezes.

Você sabia que o Cólon, também conhecido como “Intestino Grosso”, é um tubo largo e obviamente grosso, localizado no final do sistema digestivo, e que mede aproximadamente 1,5 metros?

Sua função principal é, então, o armazenamento dos rejeitos sólidos para posterior evacuação.

Quando as fezes não são evacuadas normalmente, o cólon continua absorvendo água, os rejeitos se tornam duros e surge a prisão de ventre.

Mas! Existem condições que não permitem que o cólon funcione corretamente. E, em alguns casos, essas mesmas condições podem resultar em um câncer de cólon.

Esse tipo de câncer é mais comum em pessoas mais velhas, de aproximadamente 50 anos, que apresentem fatores de risco e antecedentes familiares.

As Principais Patologias que afetam o Cólon

A Diverticulite

Diverticulite é uma inflamação caracterizada principalmente por bolsas e quistos pequenos e salientes da parede interna do intestino (divertículos) que ficam inflamados ou infectados.

A presença de divertículos no corpo é bastante comum, principalmente após os 40 anos de idade.

Colite Ulcerativa

É uma forma de doença inflamatória intestinal (DII) crônica não contagiosa, em que há inflamação e ulcerações no intestino grosso (cólon) e no reto em sua camada mais superficial, a mucosa.

Síndrome do Cólon Irritável

Algumas pessoas experimentam sensações frequentes de desconforto abdominal, cólicas, diarreia, obstipação (prisão de ventre) e aumento dos movimentos intestinais. Muitas delas são portadoras de um distúrbio de motilidade intestinal que recebe o nome de síndrome do cólon irritável.

Doença de Chron

Doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica e séria do trato gastrointestinal. Ela afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

Apendicite

É a inflamação do apêndice. Entre as possíveis complicações graves de uma rutura do apêndice estão a inflamação grave e dolorosa do revestimento interior do abdômen e sepse.

A apendicite é causada pelo bloqueio da cavidade do apêndice, geralmente por um aglomerado de fezes calcificadas.

Infecção Bacteriana

A gastroenterite bacteriana, ou infecção intestinal, acontece quando as bactérias causam uma infecção no intestino. Isso causa inflamação no estômago e nos intestinos.

infecção intestinal também pode apresentar sintomas como vômitos, cólicas abdominais severas e diarreia.

Câncer Colorretal

câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, isto é, no cólon ou em sua porção final, o reto.

Portanto, a principal forma de prevenção do câncer colorretal é o seu rastreamento por exames como colonoscopias, visando a detecção e retiradas dos pólipos antes de se degenerarem em câncer.

Pólipos

pólipo intestinal é uma alteração causada pelo crescimento anormal da mucosa do intestino grosso (cólon e reto).

Alguns são baixos e planos, outros são altos e se assemelham a um cogumelo, podendo aparecer em qualquer parte do intestino grosso.

Classificação de Forrest: Úlceras Pépticas Hemorrágicas

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição frequente no mundo todo. Esta complicação leva a internações hospitalares prolongadas e está associada à significativa morbidade e mortalidade, principalmente nos idosos.  As causas mais comuns de HDA são as não varicosas, sendo a úlcera péptica a mais frequente.

O manejo adequado do paciente e o uso de técnicas endoscópicas apropriadas melhoram o prognóstico e reduzem a taxa ressangramento, e portanto, foi criado uma classificação, chamada de Classificação de Forrest, sendo esta publicada pela primeira vez por J.A. Forrest et al. no Lancet em 1974.

Como funciona esta classificação?

Esta classificação divide as úlceras em sangramento ativo, sinais de sangramento recente e úlceras sem sinais de sangramento. Através dela é possível estimar o risco de ressangramento se a lesão não for tratada e avaliar a necessidade de tratamento endoscópico.


SANGRAMENTO
TIPO
DESCRIÇÃO

I – Ativo
Forrest IA
Em jato
Forrest IB
Em “babação”

II – Recente
Forrest IIA
Coto vascular visível
Forrest IIB
Coágulo recente
Forrest IIC
Fundo hematínico

III – Sem sangramento
Forrest III
Sem sinal de sangramento

A Indicação de Tratamento Endoscópico

  • Todas as úlceras com sangramento ativo devem ser tratadas (Forrest IA e IB);
  • Todas as úlceras com vaso visível, mesmo sem sangramento, devem ser tratadas (Forrest IIA);
  • O tratamento de úlceras com coágulos firmemente aderidos (Forrest IIB) que não são removidos após a lavagem vigorosa é controverso.  Se o coágulo é facilmente removido com a lavagem e evidencia um vaso visível abaixo ou sangramento ativo, deve ser tratado. Porém, se o coágulo é firme e de difícil remoção, a literatura não demonstra uma vantagem evidente no tratamento. Neste caso a conduta deve ser individualizada;
  • As lesões com manchas hematínicas planas (Forrest IIC) não necessitam tratamento endoscópico;
  • As úlceras de base fibrinosa limpa (Forrest III) não necessitam tratamento endoscópico.

Bolsa Ileal em “J”

Bolsa Ileal

A anastomose bolsa ileal-anal, ou bolsa ileal, ou bolsa ileal em “J”, é um procedimento cirúrgico que é utilizado para restaurar a continuidade gastrintestinal após a remoção cirúrgica do cólon e do reto.

Várias condições, incluindo estados inflamatórios, câncer ou infecção, pode exigir a remoção cirúrgica completa do cólon e do reto, no presente caso, a retocolite ulcerativa crônica de longa evolução.

O procedimento envolve a criação de um reservatório a partir do íleo terminal para substituir o reto removido. Duas ou mais alças intestinais são suturadas ou grampeadas em conjunto para formar um reservatório para fezes.

Este reservatório é então ligado ao ânus para reconstituição do fluxo fecal anal. A bolsa é rotineiramente protegida por uma ileostomia temporária para desviar temporariamente o caminho das fezes através da parede abdominal, sob a forma de uma ileostomia a montante. Após um período de recuperação, essa ileostomia é revertida (fechada) durante um processo separado.

Veja também:

A Anastomose

Colostomia: O que é?

Colostomia

O termo colostomia designa a união à parede abdominal anterior de uma porção do cólon, com o fim de permitir a evacuação de fezes e gases. Esta evacuação dá-se por um orifício chamado estoma.

Estoma é um tratamento cirúrgico que corrige distúrbios intestinais, é normalmente recomendado em pacientes que possuem parte do intestino bloqueado ou outra patologia que impeça a eliminação das fezes pelo reto.

Bolsas de Colostomia Descartáveis X Reutilizáveis: As Diferenças

A Bolsa descartável tem sua validade a cada limpeza da colostomia, pois não possui um mecanismo para a limpeza interna do mesmo, e a bolsa de Colostomia reutilizável, popularmente chamada de Bolsa de Karaya, possui uma saída para desprezar e limpar a bolsa internamente, tendo sua validade após instalada em até 7 dias.

Estomaterapia: Você Sabia?

Existe um profissional habilitado especialmente para este tipo de procedimento. Este é o
Enfermeiro Estomaterapeuta, ou seja, é uma área de especialização em enfermagem, reconhecida desde 1980, que é responsável pelo estudo e tratamento de feridas agudas e crônicas. Cabe à especialidade também à assistência a pacientes com estomias e incontinências, a orientar, com mais clareza, os cuidados a serem realizados com diversos tipos de ostomias, como por exemplo, a colostomia, ileostomia, urostomia, etc. em ambiente domiciliar.

Quais são os cuidados que devemos tomar com as bolsas reutilizáveis?

  • Esvaziar a bolsa (no mínimo uma vez por plantão e sempre que necessário), soltando apenas o clampe que a fecha na parte inferior;
  • Lavá-la com soro fisiológico a cada vez que se desprezar o conteúdo no vaso sanitário. O clamp poderá ser reutilizado nas trocas do mesmo paciente;
  • A troca da bolsa é recomendada entre 5 e 7 dias, ou quando necessário (se houver
    vazamentos, mau cheiro intenso, sujidades), a vermelhidão e dor do peristoma indica problemas de irritação da pele;
  • O depósito das fezes na bolsa coletora se inicia em torno de 72 horas após a intervenção cirúrgica;
  • A drenagem poderá ser contínua e constante, pois não há controle de retenção (esfíncter) dos dejetos ao redor do Estoma;
  • A bolsa coletora deve ser esvaziada a cada 4 ou 6 horas. Deve-se observar a quantidade de material drenado com constância e não permitir que seja preenchida além da sua metade;

O preenchimento além desse limite coloca em risco a integridade do Estoma, ocasionando lesões e grande risco de infecção.

Quais são os cuidados que devemos ter com o estoma?

  • A pele no Estoma deve permanecer rosa ou vermelho vívido e brilhante;
  • Observar a pele ao redor da bolsa coletora, bem como a fixação e seu aspecto. Se muito sujo ao redor da fixação, deve-se fazer a troca da bolsa coletora;
  • É no intestino que ocorre a maior parte da absorção de líquidos e eletrólitos dispersos oriundos da nutrição do paciente. É prudente observar a ingestão de líquidos e monitorar com exames laboratoriais específicos a absorção adequada de eletrólitos e a hidratação regular. Sintomas de desidratação como pele seca e cefaléia (dor de cabeça) intensa e recorrente devem ser informados;

Quais são os cuidados gerais de Enfermagem com a Colostomia?

  • Limpar a região da colostomia com soro fisiológico a 0,9%, em movimentos circulares;
  • Secar a área ao redor com gaze estéril;
  • Marcar na bolsa o círculo com um guia de corte, de acordo com o diâmetro da fístula, do dreno ou da ostomia;
  • Recortar o orifício marcado;
  • Observar para que o orifício não fique apertado demais garrotando a ostomia, ou grande demais facilitando o contato da secreção direta com a pele lesando-a;
  • Retirar o adesivo;
  • Retirar o protetor que recobre a face superior da placa;
  • Aplicar a placa com o aro sobre a região;
  • Adaptar a bolsa plástica à parte inferior do aro na placa, em posição cefalocaudal;
  • Exercer uma leve pressão à roda, a partir da parte inferior da bolsa plástica até que esteja segura, solicitando ao paciente que enrijeça a região;
  • Puxar suavemente a bolsa para baixo, para confirmar se ela se encontra devidamente encaixada.
  • Registrar no prontuário: característica do débito de colostomia, volume, odor, cor, etc…

Veja mais em nosso canal:

Hemorragia Digestiva

hemorragia digestiva

A Hemorragia digestiva é mais um sintoma de alguma doença do que uma doença por si mesma. Várias condições médicas podem ocasionar hemorragia. A maioria das causas de hemorragia digestiva está relacionada a condições que podem ser curadas ou controladas, como úlcera ou hemorróidas. Porém, algumas causas de hemorragia digestiva podem ser ameaça à vida.

A hemorragia digestiva é caracterizada por um sangramento em algum local do sistema digestivo. Ela pode ser classificada como hemorragia digestiva alta quando os locais do sangramento são acima do do ângulo de Treitz (Esôfago, o estômago e o duodeno) ou hemorragia digestiva baixa, quando o sangramento ocorre abaixo do ângulo de Treitz (intestino delgado, grosso ou reto).

Causas da hemorragia digestiva

Algumas das possíveis causas da hemorragia digestiva são:

Hemorragia digestiva alta:

  • Úlcera gástrica;
  • Úlcera duodenal;
  • Varizes esôfago-gástricas;
  • Câncer no esôfago, estômago ou duodeno;
  • Perfuração do esôfago, estômago ou duodeno.

Hemorragia digestiva baixa:

  • Hemorroida;
  • Fissura anal;
  • Pólipo intestinal;
  • Doença de Crohn;
  • Diverticulose;
  • Câncer no intestino;
  • Perfuração do intestino;
  • Endometriose intestinal.

Muito das vezes, para descobrir a causa da hemorragia, o médico poderá solicitar uma laparoscopia exploratória.

Sintomas da hemorragia digestiva

Os sintomas da hemorragia digestiva podem variar ligeiramente dependendo da região onde há o sangramento.

O sintomas da hemorragia digestiva alta podem ser:

  • Vômito com sangue ou coágulos de sangue (hematemese);
  • Sangue nas fezes: fezes pretas, pegajosas e muito mau cheirosas (melena);

Já os sintomas da hemorragia digestiva baixa podem ser:

  • Sangue nas fezes: fezes pretas, pegajosas e muito mau cheirosas (melena);
  • Sangue vermelho vivo nas fezes (enterorragia).

Quando se trata de uma hemorragia grave pode ainda haver os seguintes sintomas:

  • Tontura;
  • Suor frio;
  • Desmaio.

Entendendo as Terminologias relacionadas à Hemorragia Digestiva:

  • Hematêmese: é o vômito de sangue, que pode ser vermelho vivo ou com aspecto de pó de café. Não confundir a hematêmese com a hemoptise, uma expectoração de sangue que ocorre em problemas do sistema respiratório, frequentemente acompanhada de tosse e espuma.
  • Enterorragia: presença de sangue vivo nas fezes, em maiores quantidades do que nas hematoquezia.
  • Hematoquezia: presença de raias de sangue vermelho vivo nas fezes ou presença de sangue misturada as fezes (fezes castanho-avermelhadas).
  • Melena: eliminação de fezes negras, geralmente com odor fétido, que ocorre quando a hemorragia já é superior a 500 ml de sangue.

De uma forma geral, hematêmese e melena caracterizam um foco de sangramento alto (HDA), isto é, entre a faringe e o cólon direito (onde fica o ângulo de Treitz). Já a hematoquezia e enterorragia caracterizam quandro de HDB, isto é, um foco de sangramento localiza-se no intestino grosso, cólon, reto e sigmóide).

Cuidados de Enfermagem com o HDA ou HDB:

  • Reposição intravenosa de líquidos através de cateter de grosso calibre. Soluções cristalóides ou colóides de grande quantidade. Inclusão de dextrose e tiamina (se alcoólatra);
  • Providenciar amostra sanguínea: tipagem, reação cruzada, estudo da coagulação;
  • Notificar banco de sangue quanto à necessidade de: concentrado de hemácia, plasma fresco congelado, concentrado de plaquetas;
  • Identificar rapidamente sinais clínicos de choque hemorrágico: taquicardia, taquipnéia, depleção mínima 40%, pulsos finos, volume sanguíneo circulante, hipotensão, pele fria e pegajosa, obnubilação mental.

Sinais clínicos mais sutis:

  • Piloereção;
  • Perda de volume circulante 30 a 40%;
  • Pressão arterial baixa;
  • Enchimento capilar lento;
  • Oligúria;

OBS:

  • Instalação de cateter intra arterial para fornecer dados mais confiáveis da PA;
  • Baixa perfusão tissular durante o choque requer reposição volêmica mais agressiva;
  • Baixo débito cardíaco, o CO2 expirado está limitado pela baixa perfusão pulmonar, requer reposição volêmica para melhorar a perfusão pulmonar;Restabelecimento correto da volemia:

Hipervolemia – aumenta a pressão portal

Hipovolemia – restringe a perfusão hepática

CONTROLE DO SANGRAMENTO

  • Monitorização das pressões enchimento das câmaras cardíacas direita e esquerda;
  • Realizar SNG Resfriamento intragástrico – lavagem gástrica se prescrito;
  • Mensurar as perdas;
  • Controlar rigorosamente as infusões;
  • Monitorização dos gazes sanguíneos;
  • Administração adequada de O2;
  • Controle de PA;
  • Auxiliar durante a endoscopia digestiva alta – esclerose endoscópica;
  • Administrar medicação IV – vassopressina, somatostina atentando para os efeitos colaterais sob prescrição médica;
  • Realizar cuidados com balão de Sengstaken – Blackmore como:
    • Manter bem fixada na narina do paciente
    • Controlar volume e aspecto do débito
    • Monitorar a pressão dos balões com manometro, não deixando baixar a pressão
    • Trocar fixação, quando necessária
    • Avaliação neurologica
    • Jejum absoluto

Hemorragia

Veja também:

 

O Sistema Digestivo

 

Como funciona a Endoscopia?

Como funciona a Endoscopia?

Também chamado de Endoscopia Digestiva Alta, é inserido um tubo através da boca do paciente sedado, que vai avaliar as condições do esôfago, estômago e duodeno. O aparelho utilizado é o endoscópio, um longo tubo feito de plástico resistente e flexível, que possui um chip com câmera na ponta. As imagens captadas através do endoscópio oferecem ao médico que realiza o exame imagens reais da parte mais alta do tubo digestivo do paciente.

Como as imagens aparecem num monitor, elas podem ser gravadas e impressas, para serem encaminhadas a outros profissionais de saúde que acompanham a pessoa que está  sendo examinada.

Isso é essencial no caso de ser detectado algum problema durante o exame. A endoscopia  pode revelar problemas como:

• Gastrite;
• Tumores no aparelho digestivo;
• Úlceras;
• Sangramentos;
• Contaminação pela bactéria H. pylori, que pode causar gastrite e úlceras;
• Doença celíaca;
• Problemas no esôfago, como inflamações (esofagite);
• Refluxo;
• Estreitamento do esôfago.

Para a realização do exame, geralmente é ministrado um anestésico e sedativo na veia do paciente, além de um analgésico para a garganta.

Assim, graças à ação desses anestésicos, o paciente não lembra de nada durante o exame. Para que ele não feche a boca durante a passagem do endoscópio, é usado um pequeno suporte que a mantém aberta durante todo o procedimento.

Como se preparar para a endoscopia?

É necessário jejum absoluto de 8 horas antes do procedimento. O paciente pode beber uma pequena quantidade de água até quatro horas antes do exame.

Também é necessário que ele esteja acompanhado por alguém, por causa dos efeitos pós-exame e pós-anestesia. Após o exame, a pessoa fica em observação por até uma hora, para que cessem os efeitos da anestesia e para que sejam descartadas quaisquer complicações.

Medicamentos antiácidos e anticoagulantes também não devem ser tomados antes da Realização de uma endoscopia. Se você utiliza esses medicamentos, não deixe de informar ao médico. Mulheres grávidas devem evitar realizar o exame, não por causa da  inserção do endoscópio, que não causa males nem para a mãe nem para o bebê, mas por causa da anestesia.

Durante o exame, o médico pode retirar pedaços de tecidos do esôfago, estômago ou duodeno (parte inicial do intestino), para a realização de análises (biópsias).

Outros usos da endoscopia

A endoscopia também é usada como um meio de realizar procedimentos, como a inserção de um balão para inflar o estômago, evitando o excesso de alimentação de pacientes com obesidade mórbida, para a retirada de pólipos ou até para remover pequenos objetos engolidos por crianças. Também pode ser indicada para cauterizar úlceras que estejam sangrando, interrompendo a perda de sangue.

O procedimento é pouco invasivo, geralmente não requer que sejam realizados cortes e o  paciente apresenta rápida recuperação. Além disso, os seus riscos são bem menores que o de cirurgias. Portanto, a endoscopia é bastante utilizada não apenas como meio de diagnóstico, como também para sanar vários problemas do trato digestivo superior.

Como é a Assistência de Enfermagem na Endoscopia ?

A equipe de Enfermagem deve trabalhar com medidas que possam vir a aliviar a ansiedade e o estresse do paciente antes e durante a realização do exame que geralmente está presente. A monitorização dos sinais vitais deve ser cuidadosa atentando para sinais iniciais de arritmias cardíacas; a avaliação de sinais de perfurações e hemorragias durante a realização do exame também são fundamentais para o bom andamento do mesmo e para o bem-estar do paciente ao seu término.

Depois do exame a Enfermeira deve instruir sua equipe para que não administrem qualquer tipo de líquidos para este paciente até que o reflexo de vômito retorne; é importante também orientar os familiares ou acompanhantes do paciente quanto a este cuidado. Quanto ao desconforto existente da orofaringe após o exame, a equipe pode utilizar pastilhas que ajudam a aliviar, porém as condições físicas do paciente bem como o estado mental do mesmo devem permitir, evitando possível aspiração.

A equipe de Enfermagem deve avaliar também a presença de sangramento ativo de grande quantidade que se estiver presente a ingestão oral é cancelada e só então permitida novamente até que o sangramento estiver cessado. Se acaso o sangramento se intensificar, o paciente é preparado para outros procedimentos diagnósticos e terapêuticos a fim de solucionar o problema.

 

Veja também:

Refluxo Gastroesofágico (RGE)

O Sistema Digestivo

Refluxo Gastroesofágico (RGE)

refluxogastroesofagico

O Refluxo gastroesofágico (RGE) é uma doença digestiva em que os ácidos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal da digestão. Esse movimento é conhecido como refluxo e irrita os tecidos que revestem o esôfago, causando os sintomas típicos da RGE.

Na criança, ainda no primeiro ano de vida, pode ocorrer um refluxo gastroesofágico excessivo, levando à devolução da mamada, a engasgos, a choro excessivo, a sono interrompido e quando repetitivo, predispõe a infecções e distúrbios respiratórios.

É um evento muito frequente nos recém-nascidos devido:

  • Imaturidade do esfíncter inferior do esôfago (EEI). Pode ocorrer a hipotonia (8%) ou relaxamento transitório de mais de 35seg. (60 a 83%);
  • retardo do esvaziamento gástrico;
  • ao próprio ato de mamar que provoca grande ingestão de ar;
  • aumento do volume do estômago devido ao volume proporcionalmente grande de leite;

Causas

Quando uma pessoa come, a comida passa da garganta para o estômago através do esôfago. Uma vez que a comida está no estômago, um anel de fibras musculares impede que o alimento se mova para trás, em direção ao esôfago. Essas fibras musculares são chamadas de esfíncter esofágico inferior (EEI).

Se o esfíncter não fechar bem, tudo o que a pessoa comeu, bebeu e até mesmo o suco gástrico usado na digestão pode vazar de volta para o esôfago. Isso é chamado de refluxo gastroesofágico. Esse refluxo pode causar irritação na parede do esôfago, gerando os sintomas característicos da doença do refluxo gastroesofágico.

Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco, pois aumentam as chances de uma pessoa apresentar a doença do refluxo gastroesofágico:

  • Obesidade;

  • Gravidez;
  • Hérnia de Hiato, em que parte do estômago se move acima do diafragma;
  • Tabagismo;
  • Ressecamento bucal;
  • Asma;
  • Diabetes;
  • Atraso no esvaziamento do estômago;
  • Esclerodermia e outros distúrbios do tecido conjuntivo;
  • Síndrome de Zollinger-Ellison, em que o estômago produz mais ácido clorídrico que o normal;

A alimentação também está diretamente relacionada à ocorrência da doença. Chocolate, pimenta, frituras, café e bebidas alcóolicas estão entre os itens que, se consumidos em excesso, podem contribuir para o refluxo.

Sintomas de Doença do refluxo gastroesofágico

Alguns sintomas são característicos da doença de refluxo gastroesofágico. Veja:

  • Azia;
  • Dor no peito;
  • Dificuldade para engolir;
  • Tosse seca;
  • Rouquidão
  • Dor de garganta;
  • Regurgitação e refluxo de suco gástrico;
  • Inchaço na garganta;
  • Náusea após refeições;

Uma pessoa diagnosticada com RGE pode ter a sensação de que o alimento pode ter ficado preso na garganta e pode sentir os sinais da doença aumentar ao se curvar, inclinar para a frente, ficar deitado ou comer. Os sintomas também costumam ser piores à noite e podem ser aliviados com antiácidos.

Qual a melhor posição recomendada (em casos de lactentes)?

Há algumas controvérsias, como:

  • Decúbito Dorsal (Barriga para cima): diminui o risco de morte súbita Campanha da Pastoral da Criança;

  • Decúbito Lateral Direito: favorece o esvaziamento gástrico;
  • Decúbito Lateral Esquerdo: associado à diminuição do índice de refluxo quando comparado às demais posições, conforme demonstrado em alguns estudos;
  • Consenso: Decúbito Ventral NÃO é recomendado devido à associação com a morte súbita do lactente, embora no passado tenha sido a posição mais recomendada e estudada.

Cuidados de Enfermagem em Especial com Crianças com RGE

  • Orientar aos pais quanto a normalidade da regurgitação nos primeiros meses;
  • Proporcionar alimentação fracionada (volumes pequenos, várias vezes ao dia);
  • Manter a cabeceira elevada a 30º;
  • Manter a criança ereta no período pós-prandial por 30min. Crianças maiores recomenda-se que não se deitem nem fiquem sentadas por muito tempo após às refeições;
  • Evitar alimentos que diminuam o tônus do EEI ou aumentem a acidez gástrica, como por exemplo alimentos gordurosos, condimentos diversos, frutas cítricas, chocolate, chá, café, refrigerantes e hortaliças cruas, tomates;
  • Locar a criança para eructar durante e após cada mamada;
  • Evitar manobras que aumentem a pressão intra-abdominal, por exemplo, abraçá-la pelo abdome durante a troca de fraldas, bem como não utilizem cintos apertados em crianças maiores;
  • Observar alterações no padrão respiratório;
  • Verificar o peso diário (se hospitalizada);

Cuidados de Enfermagem em Adultos com RGE

  • Elevação de 15 cm da cabeceira da cama;
  • Moderar a ingestão dos seguintes alimentos na dependência da correlação com sintomas: cítricos, café, bebidas alcoólicas e ou gasosas, menta, hortelã, tomate, chocolate;
  • Cuidados especiais com medicamentos potencialmente “de risco” (que podem piorar o quadro clinico): anticolinérgicos, teofilina, bloqueadores dos canais de cálcio, alendronato;
  • Evitar deitar-se nas duas horas posteriores às refeições;
  • Evitar refeições copiosas;
  • Suspensão do fumo;
  • Redução do peso corporal em obesos;

Veja também:

Como funciona a Endoscopia?

O Sistema Digestivo

O Sistema Digestivo

Sistema Digestivo

Certamente, em algum momento você aprendeu ou irá aprender sobre o nosso Sistema Digestivo. Mas porque é tão importante compreender sua função?

Certamente, nós profissionais da Enfermagem, temos que entender suas funções e a importância de cada elemento, para que certamente, aquele indivíduo que pode apresentar alguma patologia referente ao Sistema Digestivo, e com isso, podemos compreender os principais cuidados de Enfermagem co-relacionados e as possíveis medicações que podem ser aplicadas à este sistema. Mas porque é tão complicado entender os passos que o organismo funciona nesta questão?

Nosso sistema Digestivo é complexo, porém não é difícil entender suas funções. Vamos entender “por partes”?

Após uma refeição, os nutrientes presentes nos alimentos devem chegar às células. No entanto, a maioria deles não as atinge diretamente. Precisam ser transformadas para então, nutrir o nosso corpo. Isto porque as células só conseguem absorver nutrientes simples e esse processo de “simplificação” recebe o nome de digestão.

As enzimas digestórias

O nosso corpo produz vários tipos de enzimas digestórias. Cada tipo de enzima é capaz de digerir somente determinada espécie de molécula presente nos alimentos. Assim, as amilases ação as enzimas que atuam somente sobre o amido; as proteases agem sobre as proteínas; as lípases sobre os lipídios, e assim por diante.

Há substâncias que nenhuma enzima humana é capaz de digerir. Uma delas é a celulose, que participa da formação da parede das células vegetais. Como a celulose é uma molécula grande demais para ser absorvida e não é digerida, ela é eliminada com as fezes.

Tubo digestório

O tubo digestório é composto pelos seguintes órgãos:

  • bocafaringeesôfagoestômago, intestino delgado e intestino grosso.

Boca

A boca é a primeira estrutura do sistema digestório. Experimente abrir a sua boca. A abertura que se forma entre o lábio superior e o inferior se chama fenda bucal. Ela serve de comunicação do tubo digestório com o meio externo; é por ela que entram os alimentos. O “céu da boca” é também chamado de véu palatino ou palato duro. Mais para o fundo está a “campainha” ou úvula palatina.

O arco dental superior e o arco dental inferior são as estruturas em forma de arco em que os dentes estão dispostos e fixos.

O assoalho da boca é ocupado pela língua. Ela contribui para a mistura dos alimentos com a saliva, mantém o alimento junto aos dentes, empurra o alimento para a faringe, limpa os dentes e é o órgão importante da fala. A língua apresenta ainda as papilas linguais, estruturas responsáveis pela gustação.

Anexas à boca estão três pares de glândulas salivares, que são órgãos produtores de saliva.

A saliva contém uma enzima do tipo amilase, chamada ptialina, que age sobre o amido e o transforma em maltose, uma variedade de açúcar formada pela união de duas moléculas de glicose.

Dentes

Os dentes cortam, prendem e trituram os alimentos. Em um ser humano adulto, existem 32 dentes, dezesseis em cada arco dental, assim distribuídos:

  • Quatro incisivos – localizados na frente, dois do lado esquerdo e dois do lado direito -, que cortam os alimentos;
  • Dois caninos – também chamados de “presas”, um de cada lado -, que perfuram os alimentos;
  • Quatro pré-molares – dois de cada lado -, que trituram os alimentos;
  • Seis molares – três de cada lado -, que também trituram os alimentos; destes, o terceiro ou último molar (o dente do siso) pode nunca vir a nascer.

O dente é, basicamente, formado de três partes:

  • Raiz – parte do dente presa aos ossos da face (maxilas e mandíbulas);
  • Coroa – a parte branca visível do dente;
  • Colo – a parte localizada entre a raiz e a coroa.

 Se você pudesse cortar um dente verticalmente ao meio, veria o seguinte:

  • Polpa do dente – substância mole e vermelha, formada por tecido conjuntivo; é rica em nervos e vasos sanguíneos;
  • Dentina ou “marfim” – substancia dura e sensível; contém sais de cálcio e envolve a polpa do dente;
  • Esmalte – formado por sais de cálcio, envolve a dentina na região da coroa; na raiz a dentina é revestida pelo cemento. O esmalte é a substância que faz do dente uma das partes mais duras do nosso corpo. É a parte do corpo com maior grau de mineralização (concentração de sais minerais). Ao longo do tempo ele pode ser corroído por ácidos que se formam na boca. Escovar os dentes após cada refeição é, portanto, uma maneira de protegê-los. O bebê, ao nascer, não possui dentes. Mas eles estão em desenvolvimento, internamente nos ossos. Por volta dos seis meses, os dentes começam a apontar, rompendo a gengiva. Primeiro surgem os incisivos, depois os caninos e, por fim os molares.

Forma-se assim a primeira dentição ou dentição de “leite”. Ela estará completa em torno dos cinco anos de idade e compreende vinte dentes: oito incisivos, quatro caninos e oito molares. Não há pré-molares.

Mas essa dentição não é permanente. Os dentes permanentes vão se desenvolvendo internamente, na estrutura óssea. Por volta dos sete anos, os primeiros dentes “de leite” começam a cair, dando lugar aos permanentes. Assim, pouco a pouco, a dentição permanente vai se formando.

Possuímos então duas dentições: a decídua (“de leite”), que começa a cair por volta dos sete anos de idade; a permanente, que se completa por volta dos vinte anos de idade.

Da boca para o estômago

Deglutição

Após a mastigação e a salivação, forma-se o que chamamos de bolo alimentar, que é deglutido. Após o ato de engolir, o bolo alimentar passa pela faringe e chega ao esôfago.

Faringe

A faringe é um órgão cavitário alongado em forma de funil, situado logo a pós a boca. Ela se comunica com a boca, com as cavidades nasais, com a laringe e com o esôfago.  Quando o alimento chega à faringe, os músculos de sua parede se contraem e empurram o alimento para o esôfago.

Quando o alimento chega à faringe, os músculos de sua parede se contraem e empurram o alimento para o esôfago.  Na região entre a boca e a faringe encontram-se as tonsilas palatinas (amídalas) direita e esquerda. São órgãos de defesa do corpo.

Esôfago

O esôfago é um órgão em forma de tubo, com paredes flexíveis e que mede aproximadamente 25 centímetros de comprimento. Em sua parede superior, ele se comunica com a faringe; em sua parte inferior, comunica-se com o estômago. Por meio de movimentos peristálticos, o esôfago empurra o alimento para o estômago.

Movimentos peristálticos

A deglutição é um movimento voluntário, isto é, executamos conscientemente o ato de engolir. A partir daí, os movimentos peristálticos conduzem o bolo alimentar pelo tubo digestório. Esses movimentos são involuntários, isto é, independem da nossa vontade. São contrações dos músculos situados no esôfago, no estômago e nos intestinos, onde são mais intensos. Além de empurrar o alimento ao longo do tubo digestório, promovem a sua mistura.

Os movimentos peristálticos participam da digestão mecânica, fazendo com que o bolo alimentar seja empurrado do esôfago para o estômago. Uma válvula, a cárdia, regula essa passagem do alimento.

Válva: diminutivo de válvula, é uma estrutura mecânica e biológica que possibilita regular ou interromper a passagem de uma substância de um local para outro. Um bom exemplo é o esfíncter, válvula que regula a passagem das fezes pelo ânus.

No estômago, os movimentos peristálticos misturam o bolo alimentar ao suco gástrico, produzido pelas glândulas da mucosa. Esse suco contém ácido clorídrico, que mantém a acidez estomacal, dando condição favorável ao trabalho das enzimas do estômago.

A pepsina, a principal enzima do estômago, atua na transformação das proteínas, intensificando a digestão química, que continuará no intestino.  O suco alimentar resultante da digestão gástrica é denominada quimo; por isso, a digestão gástrica é também denominada quimificação.  Através de outra válvula – o piloro -, é regulada a passagem do quimo para o intestino.

Digestão no intestino delgado

No intestino delgado, ocorre a maior parte da digestão dos nutrientes, bem como a sua absorção, ou seja, a assimilação das substâncias nutritivas.

No duodeno, são lançadas as secreções do fígado e do pâncreas. Nessa primeira porção do intestino delgado, é realizada principalmente, a digestão química – com a ação conjunta da bile, do suco pancreático e do suco entérico ou intestinal atuando sobre o quimo.

Na digestão química, há a ação dessas secreções:

  • Bile – secreção do fígado armazena na vesícula biliar. Ela é lançada no duodeno através de um canal e não contém enzimas digestivas; mas os sais biliares separam as gorduras em partículas microscópicas, funcionando de modo semelhante a um detergente. Isso facilita a ação das enzimas pancreáticas sobre os lipídios.
  • Suco pancreático – É produzido pelo pâncreas. Possui várias enzimas que atuam n digestão das proteínas, dos carboidratos e dos lipídios.
  • Suco entérico – é produzido pela mucosa intestinal. Possui enzimas que atuam na transformação, entre outras substâncias, das proteínas e dos carboidratos.

Ao término do processo digestório no intestino delgado, o conjunto de substâncias resultantes forma um líquido viscoso de cor branca denominado quilo.

A digestão continua no jejuno e no íleo.

O destino dos alimentos

O quilo, produto da digestão, é composto pelos nutrientes transformados em moléculas muito pequenas, mais as vitaminas e sais minerais. As substâncias que formam o quilo podem ser absorvidas pelo organismo, isto é, atravessam as células do intestino, por meio das vilosidades do intestino delgado.

Com isso, ocorre a passagem das substâncias nutritivas para os capilares sanguíneos – ocorre a absorção dos nutrientes. O que não é absorvido, parte da água e massa alimentar, formada principalmente pelas fibras, passa para o intestino grosso.

Intestino grosso

Após a digestão no intestino delgado, o que resta do quilo chega ao intestino grosso. Este absorve a água e os sais minerais ainda presentes nos resíduos alimentares, levando-os, então, para a circulação sanguínea.

Algumas bactérias intestinais fermentam e assim decompõem resíduos de alimentos e produzem vitaminas (a vitamina K e algumas vitaminas do complexo B), que são aproveitadas pelo organismo. Nessas atividades, as bactérias produzem gases – parte deles é absorvida pelas paredes intestinais e outra é eliminada pelo ânus.

O material que não foi digerido, as fibras, por exemplo, forma as fezes que são acumuladas no reto e, posteriormente, empurradas por movimentos musculares ou peristálticos para fora do ânus. É quando sentimos vontade de defecar, ou seja, eliminar as fezes.

Concluídas todas as etapas da digestão, os nutrientes que chegam à circulação sanguínea são distribuídos a todas as células, e assim são utilizados pelo organismo.

O caminho do alimento

O quadro a baixo serve para fixar as etapas de digestão. Analise-o atentamente e procure identificar e cada um dos seus elementos as etapas aprendidas da digestão.

tabela enzimas

 

Estomas Intestinais

Estomas Intestinais

A palavra “estoma” tem origem grega a partir do étimo “stóma”, exprime a idéia de “boca” e tem como sinônimo “estômato”. Colostomia e ileostomia são definidas, respectivamente, pela abertura de segmento cólico ou ileal na parede abdominal visando ao desvio do conteúdo fecal para o meio externo.

As Estomias Intestinais estão previstas na abordagem terapêutica de um grande número de doenças que incluem o câncer colorretal, doença diverticular, doença inflamatória intestinal, incontinência anal, colite isquêmica, polipose adenomatosa familiar, trauma, megacólon, infecções perineais graves e proctite actínica entre outras.

São criadas em caráter temporário —como nas situações de trauma abdominal com perfuração intestinal ou em função da necessidade de proteção de uma anastomose intestinal mais distal à derivação—, ou definitivo objetivando, nesse caso, substituir a perda de função esfinctérica resultante de tratamento cirúrgico ou incontinência após insucesso de outras opções que objetivam restaurar a evacuação transanal. Podem ser realizadas em associação, ou como resultado de procedimento operatório ou isoladamente (“trephine stomas”).

A construção de um estoma deve ser evitada sempre que possível; entretanto, o custo associado ao convívio com a doença pode ser extremamente alto e a propriedade da indicação cirúrgica pode ser constada pela observação de que a qualidade de vida deve melhorar após realização de um estoma quando bem indicado.

Tipos e Locais de Estomas

– Colostomia ascendente: o estoma é feito na alça ascendente, lado direito do abdome.As fezes têm consistência líquida ou semi-líquida, SÃO MUITO IRRITANTES.

– Colostomia transversa = transversostomia: o estoma é feito na alça do transverso, no lado esquerdo ou direito do abdome.As fezes têm consistência pastosa, SÃO POUCO IRRITANTES.

– Colostomia descendente: o estoma é feito na alça descendente, no lado esquerdo do abdome. As fezes têm consistência semi-sólida, NÃO SÃO IRRITANTES.

– Sigmoidostomia: é situada no sigmóide. As fezes têm consistência normal.

– Cecostomia:  formação de uma abertura no ceco, para servir de ânus artificial. As fezes tem consistência líquida.

Principais cuidados no pós operatório

Os cuidados no período pós-operatório são em geral simples, principalmente nas situações em que não foi realizada laparotomia porque a dor e a duração do íleo pós-operatório são menores. Variam, no entanto, conforme a indicação de realização da derivação.

É possível, em doentes selecionados, oferecer líquidos no pós-operatório imediato quando a operação tenha sido de curta duração e não necessitou de grande mobilização do intestino. É importante checar em mais de uma oportunidade a viabilidade do estoma no pós-operatório imediato bem como verificar se não houve retração ou afundamento, e ainda, certificar-se da correta posição do bastão nas derivações em alça.

Geralmente, antibióticos não devem ser administrados por mais de 24h no período pós-operatório e a manutenção de líquidos intravenosos não deve ultrapassar a passagem de flatos. O emprego da sondagem nasogástrica não é necessário, à exceção das situações de obstrução intestinal.

O emprego de antiperistálticos (loperamida e difenoxilato) no pós-operatório das ileostomias é assunto controverso e, via de regra, não há clara indicação para o seu uso. No entanto, para os doentes evoluindo no pós-operatório precoce com dificuldades no controle do estado de hidratação devido à presença de afecções associadas (cardiopatia e nefropatia, principalmente), seu emprego temporário pode ser de valor.

 

Veja também:

Colostomia: O que é?

https://enfermagemilustrada.com/a-anastomose-2/