Esteatorreia: Terminologia

A esteatorreia, é um excesso de gordura nas fezes, no qual indica um problema de digestão ou absorção de gordura. Existem poucos estudos descritivos sobre esteatorreia além dos com pacientes com doença pancreática e, portanto, grande parte de nosso entendimento sobre má absorção de gordura vem dessa população.

A absorção normal de gordura envolve uma mistura complexa de enzimas digestivas, sais biliares e uma mucosa intestinal intacta para permitir a captação desses complexos hidrofóbicos. Após a ingestão, os lipídios alimentares são inicialmente emulsificados no estômago e depois hidrolisados pela ação das lipase e colipase gástricas e pancreáticas.

Os lipídios hidrolisados são depois agregados em micelas ou lipossomos com a adição de sais biliares no duodeno e no jejuno. Essas micelas são absorvidas através das vilosidades intestinais intactas por processos ativos e passivos. Por fim, elas são empacotadas em quilomícrons dentro das células epiteliais do intestino e transportadas para a circulação via sistema linfático.

Mais de 90% da gordura alimentar diária é absorvida para a circulação geral, mas qualquer defeito no processo pode reduzir esta captação e causar esteatorreia.

Causas

Má digestão intraluminal

É a que ocorre por distúrbio no processo de digestão na luz intestinal, seja pela falta de bile (por cirrose ou obstrução dos canais biliares, principalmente por câncer de pâncreas) ou de enzimas pancreáticas (por pancreatite crônica ou câncer de pâncreas).

Má absorção pela mucosa intestinal

A má absorção pode ocorrer pela destruição das células da mucosa intestinal (enterócitos) por drogas (colchicina, neomicina, algumas classes de AINEs e outros), por parasitas (giardíase, criptosporídeo, estrongiloides, doença de Whipple, Mycobacterium avium-intracellulare) e doenças autoimunes (doença celíaca, enteropatia autoimune, gastroenterite eosinofílica e outras) ou por medicações como a colestiramina, que impede a normal absorção dos sais biliares.

Obstrução pós-mucosa

A principal causa é a linfangiectasia intestinal, que pode ser congênita (de nascimento) ou adquirida (por trauma, linfoma, carcinoma ou doença de Whipple. Com a obstrução dos canais linfáticos, ocorre a enteropatia perdedora de proteína com esteatorreia significativa. O que caracteriza essa situação é a má absorção de gorduras com perda nas fezes de proteínas e linfócitos, mas sem prejudicar a absorção de carboidratos, que são absorvidos e transportados pela circulação sanguínea portal.

Outras causas

Outra causa de esteatorreia inclui o supercrescimento bacteriano, que causa diarreia inflamatória e secretória em pacientes com obstrução anatômica intestinal, como nos portadores de doença de Crohn, diverticulose do intestino delgado e distúrbios de motilidade intestinal. A esteatorreia ocorre da desconjugação pelas bactérias dos sais biliares, lesão e inflamação da mucosa intestinal e hidroxilação das gorduras.

A síndrome do intestino curto ocorre quando há ressecção extensa do intestino delgado, deixando menos de 200 cm. A esteatorreia é multifatorial, resultando da diminuição da superfície absortiva, do tempo de trânsito e pool de sais biliares. É parte de uma síndrome chamada “falência intestinal”, que também inclui doença parenquimatosa intestinal (como a doença de Crohn) e distúrbios de motilidade onde a nutrição está prejudicada. Aos mecanismos de diarreia ainda se somam o efeito osmótico dos solutos não absorvidos, pela hipersecreção gástrica (talvez pelo supercrescimento bacteriano) e pela hipersecreção intestinal.

Doenças metabólicas

Doenças metabólicas como tireotoxicose, insuficiência adrenal, síndrome autoimune poliglandular, desnutrição proteico-calórica e jejum prolongado podem resultar em má absorção por diferentes mecanismos. A tireotoxicose pode simplesmente encurtar o tempo de trânsito intestinal, prejudicando a fase intraluminal da absorção de gorduras. A insuficiência adrenal (Doença de Addison) prejudica a fase intraluminal e a absorção da mucosa, como a desnutrição proteico-calórica e o jejum prolongado, que também levam a atrofia de mucosa. A má absorção relacionada à síndrome poliglandular tipo I é causada pela deficiência de células enteroendócrinas produtoras de colecistoquinina. Como na doença hepática, o quadro clínico da síndrome freqüentemente se sobrepõe e obscurece a diarreia e a má absorção.

Exemplos de tais doenças são:

Distúrbios da função exócrina do pâncreas (deficiência na produção e excreção de enzimas digestivas), como na pancreatite crônica, fibrose cística e Síndrome de Shwachman-Diamond doença celíaca, onde pode ocorrer deficiência na absorção de gorduras pelo dano à mucosa intestinal síndrome do intestino curto, após ressecções extensas do intestino delgado e a porção restante é incapaz de manter a absorção suficiente.

Tipos de Esteatorreia (Classificação)

Pacientes com esteatorreia podem ser enquadrados em 3 grandes categorias etiológicas.

  • Insuficiência pancreática exócrina: Esses pacientes apresentam lipase e colipase insuficientes para permitir a hidrólise lipídica normal, onde isso ocorre mais comumente devido à inflamação pancreática crônica e à perda de células acinares.

  • Deficiência de sais biliares devido à produção ou secreção prejudicada ou à redução de ácidos biliares em circulação.

  • E a má absorção devido à doença do intestino delgado, cirurgia ou medicamentos.

Como é diagnosticado?

Na forma mais simples de exame para gorduras fecais, uma amostra aleatória de fezes é examinada em microscópio após coloração com o corante Sudan III ou IV. A presença de gordura corada indica algum grau de má absorção.

Testes quantitativos de gordura nas fezes medem a quantidade de gordura na amostra fornecida durante um período de dieta padronizada. Geralmente isto é realizado após a coleta total de fezes em um período de três dias, o que torna este teste uma experiência desagradável tanto para o paciente, quanto para seus familiares e para a equipe do laboratório.

As fezes coletadas são então misturadas e homogenizadas (o que pode ser feito com um misturador de tinta) e seu peso total é medido. Uma pequena amostra das fezes homogenizadas é então coletada, e seu conteúdo de gordura é extraído e medido por saponificação (transformação da gordura em sabão).

Normalmente, até 7 gramas de gordura podem ser eliminadas nas fezes em pessoas que consumam 100 gramas de gordura por dia. Em pacientes com diarreia simples, podem ser eliminadas até 12 gramas, uma vez que a presença de diarreia interfere com a absorção de gordura, mesmo que a diarreia não seja causada pela má absorção de gorduras.

Referência:

  1. https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/770

O Manejo da Pancreatite Aguda (PA)

A pancreatite aguda (PA) é, na maioria dos casos, uma doença inflamatória, autolimitada e que se resolve com medidas clínicas.  Uma doença relativamente comum, cujas principais etiologias são litíase biliar e álcool (80% dos casos).

A pancreatite aguda é responsável por muitas internações no Brasil e no mundo.

E os  incontáveis protocolos e formas de manejo foram propostos ao longo dos anos porém os estudos mais recentes do tipo coorte e ensaios clínicos randomizados sugerem que um tratamento escalonado seja mais benéfico.

 

Como é feito a Classificação de Gravidade?

É necessário fazer o diagnóstico de pancreatite aguda. Este se baseia em 2 achados positivos das 3 características da doença: dor abdominal sugestiva de pancreatite, amilase ou lipase 3 vezes o valor da normalidade ou imagem sugestiva de pancreatite.

Dependendo da história clínica do paciente deve-se também afastar a possibilidade de neoplasia.

Diversas formas de classificação já foram propostas e utilizadas para a classificação da pancreatite aguda. A mais famosa é a classificação de Ranson, que possui a maior crítica a necessidade de um período de observação de 48h.

Assim como diversos testes laboratoriais também foram propostos a fim de quantificar a severidade da doença porém sem muito sucesso.

Atualmente a classificação de Atlanta 1992, posteriormente atualizada em 2012, é a mais utilizada. Apesar de bastante empregada a classificação de Atlanta possui limitações, visto que pode não representa o estado momentâneo do paciente.

Assim foi criado o PASS (Pancreatitis Activity Scoring System) que avalia continuamente o estado clínico com pontuações para 5 condições: falência orgânica, síndrome da resposta inflamatória sistêmica, dor abdominal, uso de analgésicos, tolerância a ingesta de alimentos sólidos.

Manejo Inicial da PA

Ressuscitação precoce

Pacientes com pancreatite aguda grave desenvolvem hipovolemia e necessitam de reposição de grandes volumes. O principal objetivo é preservar os sinais vitais e manter a diurese do paciente.

Quanto ao tipo de solução infundir, os dados são conflitantes entre os diferentes agentes expansores de volume e portanto, não há uma recomendação específica.

Imagem

A ultrassonografia é útil para determinar a presença de cálculos em vias biliares porém não é ideal para o exame do pâncreas. A Tomografia Computadorizada deve ser utilizada somente nos casos de dúvida diagnóstica ou na suspeita de complicações local. A ressonância magnética é especialmente útil na avaliação da anatomia das vias biliares e a presença de cálculos em vias biliares.

Prevenção de infecção

Tema de bastante discussão entre os especialistas com alguns resultados contraditórios. O uso indiscriminado de antibiótico profilático não é recomendado.

O uso de antibiótico deve ser feito nos casos confirmados de infecção de necrose e os carbapenêmicos se mostraram mais efetivos que as cefalosfporinas e fluorquinolonas.

Estudos com probióticos orais em pacientes com pancreatite aguda se mostrou um fator complicador e seu uso não deve ser estimulado.

Suporte Nutricional

O uso de terapia enteral é benéfico nos pacientes com pancreatite aguda grave e sempre que possível esta via deve ser utilizada. Estudos clínicos randomizados testaram tanto a via nasogástrica quanto nasoentérica, sem diferença no desfecho.

A ingesta por via oral precoce (< 24h) é recomendada desde que tolerada pelo paciente, ao invés deixar em dieta oral zero (Nota: forte Recomendação da Sociedade Americana de Gastrenterologia).

Referências:

  1. PebMEd

Colangiopancreatografia (CPRE)

Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE ou CPER), trata-se de um exame endoscópico que tem por objetivo detectar e tratar doenças que acometem os ductos de drenagem do fígado e do pâncreas (as vias biliares intra e extra-hepáticas) e o canal pancreático principal.

Inclui a vesícula biliar, o pâncreas e os canais que drenam estes órgãos, bem como o fígado; o pequeno canal da vesícula (ducto cístico) se junta ao ducto que sai do fígado (ducto hepático), confluindo num ducto maior (o colédoco) o qual drena para o intestino delgado (duodeno – 2a porção) através de um orifício, a ampola de Vater.

Todos estes ductos são observados, radiologicamente, após introdução de um produto de contraste através da papila de Vater, canulada com um endoscópio de visão lateral, chamado duodenoscópio.

O ducto pancreático, que desemboca na mesma topografia do ducto colédoco, ou seja, na papila de Vater, é uma das principais causas de complicação deste exame, visto que sua anatomia, que induz uma fácil canulação, pode levar o paciente a desenvolver pancreatite.

Os Sinais e Sintomas das Doenças dos Ductos Pancreáticos

As principais manifestações das doenças dos ductos pancreáticos e biliares são:

  • Icterícia (olhos e pele amarelada);
  • Dor abdominal;
  • Febre;
  • Alterações bioquímicas nas enzimas hepáticas e pancreáticas.

Esses sinais e sintomas podem ser decorrentes de cálculos e tumores biliares, tumores e cistos pancreáticos, pancreatite crônica, doenças do fígado, extravasamentos após trauma ou cirurgia e estreitamentos inflamatórios ou pós-cirúrgicos das vias biliares.

O Exame

O procedimento é realizado com o auxílio de um Vídeo-Endoscópio (Sistema endoscópico com uma câmera na ponta) especial, chamado duodenoscópio, que possui visão lateral.

Isto objetiva a visualização de um orifício existente na segunda porção do duodeno, chamada de papila duodenal ou de Vater. Através dela introduz-se um cateter com contraste, e utilizando-se um equipamento de raio-X Portátil, poderão ser visualizados os dutos biliares e pancreáticos.

Durante o exame as imagens radiológicas são interpretadas pelo médico endoscopista, muitas vezes assistido por radiologista.

Dependendo do diagnóstico e da situação clínica, poderão ser realizados procedimentos adicionais visando tratamento, como a papilotomia (secção longitudinal da papila e seus pequenos músculos, visando ampliar o orifício de drenagem), retirada de cálculos com balão extrator ou cesta, dilatação de estreitamentos (estenoses) com balões ou sondas dilatadoras e drenagem biliar ou pancreática com emprego de próteses.

O exame é realizado com anestesia geral ou sedação e o paciente permanece por 1 noite em internação, recebendo alta no dia seguinte ao exame. Trata-se de procedimento altamente seguro, mas requer treinamento e destreza, aliada à experiência em Endoscopia.

Veja também:

Como funciona a Endoscopia?

Dispepsia Funcional

A Dispepsia funcional é uma condição comum, de sintomas persistentes e repetidos de indigestão.

Os sintomas típicos incluem desconforto no estômago ou dor, sentir-se rapidamente satisfeito ou se sentir muito cheio depois de comer e outros sintomas de indigestão.

Isso pode ser desencadeado por comer refeições pesadas, comer rápido, consumir bebida alcoólica e stress.

Embora possa ser muito desagradável, esta condição não tem quaisquer consequências graves.

Principais Riscos

Tende a afetar as mulheres um pouco mais frequentemente do que os homens, e tende a ocorrer com mais frequência em pessoas de meia-idade.

Causas

As causas da dispepsia funcional não são bem compreendidas. As pessoas que têm uma infecção por Helicobacter pylori podem ser mais propensos a ter dispepsia funcional, mesmo que não haja outros sinais de infecção.

Sinais e Sintomas

Os sintomas típicos incluem:

  • Desconforto no estômago;
  • Gastralgia;
  • Se sentir rapidamente satisfeito ou muito cheio depois de comer;
  • Plenitude Gástrica;
  • Plenitude Pós-Prandial;
  • Náuseas;
  • Arrotos;
  • Flatulência.

 

Como é diagnosticado

O médico deve excluir outras causas possíveis para os sintomas.

Isso inclui a avaliação dos sintomas e exame clínico, bem como uma revisão dos medicamentos que o paciente esteja tomando.

Pode incluir exames de sangue (para testar anemia ou inflamação), e endoscopia (uma longa câmara introduzida através da boca até o estômago).

Durante a endoscopia, os médicos podem tirar uma amostra do revestimento do estômago para fazer examinar e testar para outras possíveis condições. Os resultados de todos estes testes devem ser normais para alguém com dispepsia funcional.

O Tratamento

Tratar qualquer infecção por bactéria Helicobacter pylori deve ser feita com antibióticos.

Outros métodos de tratamento envolvem o controle dos sintomas desta condição. Isto inclui medicamentos que reduzem a acidez no estômago e alterações na dieta para evitar alimentos que pioram os sintomas.

Veja também:

Glicemia Pós-Prandial: Aquele sono após uma refeição!

Referência:

  1. Gastrocenter

Classificação de Sakita: Úlcera Duodenal

A úlcera duodenal (UD) sempre representou um diagnóstico endoscópico de alta freqüência em qualquer serviço de endoscopia digestiva.

Classificação de Sakita é usada pelos endoscopistas para descrever em qual estágio de atividade encontra-se uma úlcera duodenal.

A Classificação

  • A1 (Active): A lesão geralmente tem bordas planas e nítidas, fundo com fibrina e por vezes restos necróticos;
  • A2 (Active): As bordas tornam-se bem definidas, às vezes elevadas, tomando forma mais nítida, fundo com fibrina espessa e clara;
  • H1 (Healing): A fibrina torna-se mais tênue, inicia-se discreta convergência de pregas, com hiperemia marginal;
  • H2 (Healing): Notam-se ilhas de tecido de regeneração, com convergência nítida de pregas e intensa hiperemia marginal;
  • S1 (Scar): Inicia-se a formação de uma cicatriz vermelha com reação inflamatória adjacente residual;
  • S2 (Scar): resolução do quadro com formação de cicatriz branca, com retração adjacente variável.

 

Referência:

  1. Sakita T. Endoscopy in diagnosis of early gastric cancer. Clin Gastroenterol. 1973;2:345-60.

Intestino Neurogênico

O Intestino Neurogênico é a perda da sensação de necessidade de evacuação ou inabilidade para distinguir presença das fezes no reto.

Ocorre devido ao bloqueio das mensagens enviadas do aparelho digestivo para o cérebro e deste de volta ao aparelho digestivo através da medula espinal.

Entendendo melhor, a Lesão Medular (LM) provoca alterações no controle do intestino. Lesões em nível mais alto há tendência à constipação pela inatividade da parede intestinal, nas lesões baixas há incontinência (eliminação acidental de fezes).

Os indivíduos com intestino neurogênico podem apresentar fases alternadas de constipação e incontinência fecal, antes de realizarem o treinamento para regulação intestinal. Tal ocorrência ocasiona problemas físicos e psicológicos a esses indivíduos.

As Causas

A causa mais comum do intestino neurogênico é a lesão da medula espinhal

, embora também possa resultar de outros distúrbios neurogênicos, tais como espinha bífida, esclerose múltipla, mal de Parkinson ou diabetes mellitus. O efeito sobre a função intestinal depende da localização da lesão medular.

Tipos de Intestino Neurogênico

Defecção reflexa

A defecção reflexa ocorre quando o intestino se abre em resposta a um reflexo, quando o reto fica cheio. O intestino pode esvaziar-se a qualquer momento, já que a pessoa pode ter perdido a capacidade de sentir quando o intestino está cheio. Isso pode causar acidentes e vazamento intestinais.

Intestino flácido

O intestino flácido ocorre quando o músculo do esfíncter anal – o músculo que normalmente mantém o anus fechado – relaxa e permanece aberto. Isso geralmente provoca o esvaziamento acidental do intestino.

O intestino neurogênico também está associado a um trânsito intestinal lento e, portanto, pessoas com intestino neurogênico correm alto risco de sofrerem de constipação.

Se o paciente apresentar intestino neurogênico, será importante encontrar uma rotina confiável de tratamento do intestino para evitar esvaziamento acidental, constipação e impacção.

Programa de Reabilitação Intestinal

O indivíduo com LM deve ser inserido em programa de reabilitação intestinal, a fim de obter o padrão de funcionamento intestinal, garantindo a frequência das eliminações intestinais de, no mínimo, três vezes por semana e o restabelecimento do controle da evacuação, com a realização das manobras de esvaziamento intestinal em horários regulares, a fim de diminuir a incontinência e prevenir as complicações decorrentes da impactação fecal.

Consequentemente, a reabilitação intestinal resultará na melhora da qualidade de vida e participação na sociedade.

Os profissionais de saúde que atuam no contexto da reabilitação devem ter como metas a educação em saúde e o preparo dos indivíduos com LM e seus familiares, visando à segurança e qualidade da assistência prestada.

Para continuidade do cuidado, principalmente em domicílio, é fundamental o preparo do indivíduo/família para promoção do autocuidado.

Para ver um exemplo de uma Cartilha sobre a Reabilitação Intestinal, acesse esse link.

Referências:

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. (Série E, Legislação em Saúde)
  2.  Furlan MLS, Caliri MHL, Defino HL. Intestino neurogênico: guia prático para pessoas com lesão medular, Parte I. 

Gastrostomia: Tipos e Cuidados de Enfermagem

Gastrostomia (GTT) e jejunostomia (JJT) são procedimentos cirúrgicos para a fixação de uma sonda alimentar. Um orifício criado artificialmente na altura do estômago (gastrostomia) ou na altura do jejuno (jejunostomia), objetivando uma comunicação entre a cavidade do estômago e a parede do abdômen.

Este orifício cria uma ligação direta do meio interno com o meio externo do paciente.

A cirurgia é realizada em pacientes que perderam, temporária ou definitivamente, a capacidade de deglutir os alimentos, tanto em conseqüência de lesões cerebrais graves quanto em transtornos do trato gastrointestinal superior.

Na literatura são descritas, atualmente, três técnicas de gastrostomia: gastrostomia percutânea por fluoroscopia, gastrostomia endoscópica percutânea (PEG) e gastrostomia cirúrgica.

Gastrostomia Cirúrgica

O procedimento cirúrgico é feito por meio de uma laparotomia no estômago, sendo que, o cateter é colocado na área avascular entre a pequena e a grande curvatura, sendo a bolsa e o cateter fixados por sutura. Externamente, o cateter irá se localizar na altura do hipocôndrio esquerdo.

Gastrostomia Endoscópica Percutânea

É realizada por meio de uma incisão no abdômen e inserção da cânula com a introdução de um fio não absorvível por intermédio da cânula, enquanto o outro médico observa pelo endoscópio que foi passado no trato gastrointestinal superior, usa o laço desse aparelho para segurar o final da sutura e guiá-lo através da boca do paciente.

Os Tipos de Gastrostomia

Gastrostomias Operatórias Temporárias

Tipo Stamm

Dentre as gastrostomias operatórias a de Stamm é a mais utilizada, bem-sucedida, simples rápida e fácil.

Apresenta fechamento espontâneo dois a três dias após a retirada do cateter. De modo geral não causa grandes deformidades no estômago, mantendo, portanto, preservados os contornos anatômicos e o volume gástrico, não interferindo nas operações gástricas ou abdominais subsequentes. O procedimento é realizado com o paciente em decúbito dorsal, através de pequena incisão mediana supra umbilical.

Outras como transversa e subcostal esquerda também podem ser utilizadas. O local da gastrostomia corresponde a superfície anterior do estômago, próximo a grande curvatura, entre o corpo e o antro gástrico.

Introduz-se, então, o cateter através de uma pequena abertura previamente realizada no corpo do estômago, dentro de uma sutura em bolsa (fio inabsorvível 2-0 ou 3-0). Após a confirmação da posição adequada do cateter, através da aspiração de conteúdo gástrico, amarra-se a sutura e faz-se mais outras duas ou três, de forma que, a sutura posterior promova a invaginação da anterior, formando, assim, o trajeto seroso.

A partir daí, faz-se uma contra-abertura, situada cerca de 3 a 5 cm da laparotomia, para exteriorização do cateter. Após a exteriorização do cateter, realiza-se a fixação (gastropexia) apropriada da parede gástrica anterior ao peritônio parietal adjacente ao orifício da contra-abertura.

Essa fixação é feita por quatro pontos simples (norte, sul, leste, oeste), tentando assim, evitar extravasamento de secreção gástrica na cavidade peritoneal. Finalmente, fixa-se o cateter à pele e fecha-se a laparotomia por planos.

Tipo Witzel

É uma modificação da técnica de Stamm, constituindo na construção de um trajeto seroso mais longo. A posição do paciente e a via de acesso à cavidade abdominal é a mesma da técnica anterior. O cateter é introduzido no lume gástrico e fixado por somente uma sutura em bolsa.

A partir daí, deita-se o cateter sobre a parede gástrica seguindo o eixo longitudinal do estômago e, a parede anterior é pregueada sobre o cateter através de uma sutura seromuscular com 4 a 8 cm de extensão. Exterioriza-se o cateter por contra-abertura, fixa-se a parede gástrica anterior ao peritôneo parietal como na técnica de Stamm e fecha-se a laparotomia por planos.

Embora idealizada para reduzir o extravasamento que ocorria na técnica de Stamm, a técnica de Witzel não trouxe vantagem satisfatória, ao contrário, sendo referido até maior propensão ao extravasamento em torno do cateter. Alem disso, apresenta o tempo operatório mais longo e maior deformação gástrica.

Gastrostomias Operatórias Permanentes

As gastrostomias permanentes apresentam grandes desvantagens, tais como, a operação ser mais delicada e trabalhosa, além disso, o tubo gástrico é construído por procedimentos que causam maior deformidade gástrica, redução do volume e maior riscos de complicações pós-operatórias.

Em virtude dessas complicações e do aprimoramento de novas técnicas, as gastrostomias permanentes são raramente indicadas.

Sendo assim, as técnicas serão apenas citadas:

  • Gastrostomia tipo Depage Janeway;
  • Gastrostomia tipo Beck-Carrel-Jianu;
  • Gastrostomia tipo Patton;
  • Gastrostomia tipo Spivack-Watsuji.

Gastrostomia Endoscópica Percutânea (GEP)

A GEP quando comparada com a gastrostomia operatória apresenta algumas vantagens:

  1. rapidez de execução,
  2. menor tempo de hospitalização,
  3. menor custo,
  4. evita a laparotomia
  5. dispensa anestesia geral na maioria dos pacientes.

As Indicações e contra-indicações

As indicações da GEP são as mesmas de qualquer técnica de gastrostomia, porém, ela se destaca por ser o método de eleição para alimentação enteral prolongada.

Além das contra-indicações comuns a qualquer técnica de gastrostomia a GEP possui algumas contra-indicações especificas absolutas (impossibilidade de realizar a endoscopia, incapacidade de realizar a aposição do estômago na parede abdominal devido a interposição de vísceras intra-abdominais (fígado, baço) e relativas (pacientes soropositivos e oncológicos, obstrução da faringe e esôfago, presença de fístula gástrica ou duodenal, CA de estômago, hipertensão portal com varizes de esôfago, refluxo gastro-esofágico severo e úlcera gastro-entérica).

Complicações

As complicações da GEP estão relacionadas ao procedimento endoscópico (pneumonia de aspiração, perfuração e laceração do esôfago) e à técnica percutânea (infecção no local da saída do cateter, hemorragia no local da gastrostomia, lesão da parede posterior do estômago, peritonite, fístula cólica e gastrocólica e lesão de órgãos adjacentes).

Método de Tração

Paciente em decúbito dorsal e sedado, faz-se a anti-sepsia da parede anterior do abdome com PVPI degermante.

Inicia-se então o procedimento endoscópico, fazendo primeiramente os exames do lume esofágico, gástrico e duodenal em busca de anormalidades que contra-indiquem a técnica. Uma vez o endoscópio situado no lume gástrico faz-se a distensão do estômago através da insuflação de ar.

Direciona-se, então, a luz do endoscópio para a parede anterior do estômago. Com a redução da iluminação do centro cirúrgico a luz do aparelho pode ser vista através das paredes gástrica e abdominal. O melhor local de gastrostomia é o ponto de transiluminação máxima, definido pela observação de uma imagem luminosa circular nítida.

Essa imagem já fornece indícios da inexistência de vísceras abdominais interpostas entre o estômago e a parede anterior do abdome. Porém, para aumentar a segurança na escolha do local da gastrostomia realiza-se também a palpação do abdome com apenas um dedo, sendo que, a observação endoscópica da denteação na parede anterior do estômago é também indicativa de adequada aposição da parede gástrica na abdominal.

Com o local escolhido, realiza-se a infiltração da pele com anestésico local e, faz-se uma incisão de cerca de 0,5 a 1,0 cm de comprimento. A seguir, introduz-se uma agulha com cânula de plástico até o interior do estômago.

Retira-se a agulha e introduz um fio de náilon pela cânula que vai ser preso pelo endoscópio e puxado através do esôfago e da boca juntamente com o aparelho de endoscopia. A extremidade do fio que sai pela boca é amarrada firmemente ao tubo de gastrostomia, o qual é deslocado até o interior do estômago, por tração da extremidade oposta do fio, que sai pelo local da punção na parede abdominal. Quando o tubo atinge a cânula de plástico, observa-se uma leve resistência.

A partir daí o endoscópio é reintroduzido e, sob orientação do endoscopista, o tubo de gastrostomia é colocado na posição adequada. Após a confirmação da posição correta do tubo e ausência de hemorragia o endoscópio é retirado.

O tubo de gastrostomia apresenta um anel de silicone a poucos centímetros da sua extremidade distal, o qual serve para orientação e fixação do tubo na parede gástrica.

Para evitar a reintrodução do endoscópio, indica-se a colocação de quatro marcas de tinta de um centímetro de intervalo na extremidade distal do tubo, acima do anel de silicone. Essas marcas serviriam para orientação do posicionamento adequado do anel na parede gástrica.

A seguir, através de um fixador externo, o tubo gástrico é mantido sob leve tração, assegurando a aposição da parede gástrica à parede abdominal até que ocorra a formação de aderências firmes.

Método de Introdução

O procedimento é idêntico ao método de tração quanto ao preparo do paciente, o procedimento endoscópico, a escolha do local da gastrostomia, a técnica de punção percutânea do estômago e a introdução do fio guia no lume gástrico. A partir daí, retira-se à cânula de plástico e mantém-se o fio guia no local.

Após a dilatação do trajeto da pele até o lume gástrico com um dilatador cônico, o tubo de gastrostomia é introduzido, com o auxilio do fio guia e o seu posicionamento é confirmado pelo endoscópio. Insufla-se o balão do tubo gástrico e traciona-o contra a parede abdominal para que ocorra a aposição das paredes. O endoscópio é retirado e o tubo de gastrostomia é mantido sob leve tensão, mediante fixador externo.

A grande vantagem do método de introdução em relação ao de tração é a ausência de contaminação oral do cateter gástrico, evitando a contaminação do trajeto cutâneo durante a inserção. Porém, como desvantagem, tem sido referido o deslocamento do estômago durante o processo de dilatação do trajeto ou de inserção do tubo gástrico, com potencial para o extravasamento intraperitonial do conteúdo gástrico.

Além disso, tem-se observado maior incidência de fístulas no local da punção com desenvolvimento de peritonite generalizada ou de abscessos intra-abdominais. Enfim, recomenda-se o uso da técnica de tração por ser mais segura.

Gastrostomia Radiológica Percutânea (GRP)

Inicialmente, faz-se o cateterismo nasogástrico para dilatação gástrica com cerca de 500 a 1000 mL de ar. Pode ser necessário ultra-sonografia para excluir a interposição de vísceras entre o estômago e a parede abdominal.

Com o paciente em decúbito dorsal, procede-se a assepsia e anti-sepsia da parede abdominal e o local da punção é infiltrado com anestésico local. Após pequena incisão no local da anestesia, introduz-se um trocarte através da parede abdominal até o lume gástrico.

Com o auxílio do trocarte o tubo de gastrostomia é introduzido e a sua posição correta é confirmada por instilação de meio de contraste no interior do estômago. A seguir o balão é insuflado e o trocarte é retirado. Esse tipo de gastrostomia torna-se necessária à presença do aparelho de fluoroscopia na sala de operação.

Na prática essa técnica de gastrostomia é pouco utilizada, sendo considerada como alternativa para pacientes com obstrução do esôfago ou com outras contra-indicações de gastroscopia ou de GEP.

Gastrostomia Laparoscópica

Esse tipo de gastrostomia segue os mesmos princípios da gastrostomia operatória sendo que o único fator que mudou foi a via de acesso a cavidade abdominal. É a técnica de escolha para pacientes com contra-indicações da GEP.

As vantagens do procedimento laparoscópico incluem a visualização intra-abdominal direta, a redução do tempo operatório, recuperação mais rápida, melhor resultado estético e menor incidência de complicações consequentes à incisão abdominal.

Além disso outra grande vantagem é o fato de em pacientes com refluxo gastroesofágico grave, o procedimento anti-refluxo pode ser realizado concomitante à gastrostomia.

Quem realiza a troca dos Dispositivos da Gastrostomia?

São realizadas através de uma cirurgia, porém as trocas dos dispositivos de GASTROSTOMIAS podem ser realizados no ambiente domiciliar, pelo profissional Enfermeiro capacitado e treinado. As JEJUNOSTOMIAS apenas no Hospital pelo médico. São trocadas em média a cada seis meses ou quando apresentam problema, seja com o dispositivo ou com o orifício no paciente.

Tipos de Dispositivos (Sondas) para Gastrostomia/Jejunostomia

Tipo Botão

Um botão gástrico é uma sonda de silicone transparente que se coloca através da pele do abdómen até ao estômago. Serve para alimentar a criança, dar a medicação e descomprimir o estômago.

É um dispositivo desenhado para maior conforto e mobilidade do doente. Existem diferentes tamanhos que se adaptam ao doente à medida que este vai crescendo. Antes de colocar o botão gástrico, deve-se colocar uma gastrostomia endoscópica percutânea (PEG), que será mais tarde substituída pelo botão.

Embora o sistema não seja exatamente o mesmo, tem a mesma função. A PEG não é uma técnica definitiva, mas sim transitória.

O botão gástrico é composto por três partes:

  • A porção extragástrica, na qual se encontra a válvula para encher o balão e o orifício no qual se conectam as sondas de alimentação e a medicação com uma tampa para encerrar;
  • A porção intraparietal, que é o canal que conecta a parte externa do botão com o balão interno;
  • A porção intragástrica, na qual se encontra o balão e a saída da alimentação.

Tipo Balão

A Sonda Tipo Balão é constituída por um tubo de silicone que apresenta em sua ponta distal um balão de silicone para fixação interna e um dispositivo em forma de disco para fixação externa.

Indicada para administração de alimentação e/ou medicação através de uma fístula gástrica estabelecida.

Ela é composta por:

  • Sonda com Linha Radiopaca (permite a visualização radiográfica);
  • Ponta aberta;
  • Dois orifícios laterais;
  • Anel de fixação a 01 cm da pele;
  • Graduada a cada cm em toda extensão;
  • Vias com tampa que asseguram o fechamento da sonda;
  • Acompanha extensão em PVC de 20 cm;
  • 100% Silicone (Grau Medico).

Sonda Tipo Gastro-Jejunal

A Sonda tipo Gastro-Jejunal é indicada para nutrição jejunal e descompressão gástrica concomitante (duplo lúmen), fabricada em silicone grau médico, em seu comprimento apresenta listra radiopaca. Marcas de centímetros estão descritas ao longo do tubo. Internamente fixada por balão de silicone inflável e externamente por anel de segurança em silicone. Entradas individuais para alimentação e descompressão. Alça para endoscópio na extremidade distal.

É composta:

  • Fabricada em silicone médico hospitalar;
  • Possui anel de fixação externa SECUR-LOK;
  • Conector universal para passagem de alimentação jejunal;
  • Porta para descompressão gástrica;
  • Portas de saída gástricas e jejunais múltiplas;
  • Contrapeso em tungstênio na porção jejunal;
  • Ponta distal afunilada;
  • Faixa radiopaca.

Sonda Tipo PEG

A Sonda tipo PEG  é um método simples e seguro para administração de nutrição enteral prolongada em pacientes com trato gastrointestinal funcionante, incapazes de receber aporte nutricional suficiente por via oral.

É composta por:

  • Silicone grau médico;
  • Suporte interno desenvolvido para reduzir acidentes com retiradas não intencionais;
  • Conexão universal para alimentação;
  • Adaptador 90° para completo conforto do paciente;
  • Linha radiopaca ao longo do tubo;
  • Suporte interno radiopaco.

Os Cuidados de Enfermagem

Cuidados com o Botton: Cuidados do estoma

  • Limpar diariamente a zona ao redor do botão com água tépida, sabão, esponja ou gaze, com movimentos circulares de dentro para fora;
  • Secar cuidadosamente a zona. Pode ser útil usar um bastão de algodão;
  • Comprovar que a zona ao redor do botão não está vermelha ou inflamada. Se detectar alguma complicação, comunicar ao médico;

Cuidados com o botão

Utilização diária do botão:

  • Dar a volta inteira ao botão cuidadosamente uma vez ao dia;
  • Comprovar que o tampão de segurança está bem cerrado sempre que não se utilize;
  • Recomenda-se verificar o volume de água que há dentro do balão uma vez por mês. Para isso, conectar uma seringa à válvula do balão, aspirando a água que está dentro. Se a quantidade for inferior à que se colocou no dia de mudança, encher a seringa com a quantidade de água destilada que falta e introduzir de novo no balão;
  • A válvula do balão deve manter-se bem limpa par que funcione corretamente;
  • Utilização esporádica do botão, porque o doente alimenta-se habitualmente pela boca.

Comprovar semanalmente que o botão não está obstruído:

  • Aspirar por uma extensão o conteúdo gástrico, confirmando assim a sua correta colocação. o Introduzir depois um pequeno volume de água para que permaneça limpo.

Cuidados com as extensões de alimentação

O botão leva dois tipos de extensões para alimentar e dar a medicação ao doente:

  • Uma mais grossa para os triturados;
  • Outra mais fina para os líquidos e para a medicação;
  • Limpeza externa: é necessário limpar todos os dias com água tépida e sabão neutro;
  • Limpeza interna: depois de cada alimentação, passar água pelas extensões lentamente, até que não fiquem restos de alimento na extensão.

Administrando a Dieta

Recomenda-se que o doente esteja sentado durante a alimentação (mínimo com inclinação de 45º), é conveniente manter esta posição uma hora após a alimentação.

  • Em caso de não ser possível sentar o doente, dar a alimentação mais devagar.
  • A administração dos alimentos com seringa não deve ser rápida, o médico ou enfermeira devem informar sobre o volume e o ritmo a dar.
  • Conectar a extensão do balão fazendo coincidir a faixa preta do balão e girar uma volta da extensão.
  • A alimentação deve ser administrada à temperatura ambiente. Se estava no frigorífico, deve ser retirada uma hora antes, mas não aquecer os alimentos.
  • Limpar bem todo o material externo utilizando água e sabão.

Administrando Medicamentos

Limpar a sonda com água antes e depois de dar a medicação:

  • Os comprimidos podem ser administrados se forem triturados até serem transformados em pó fino e dissolvidos em 5 a 10 ml de água.
  • Administrar primeiro as fórmulas líquidas e deixar as densas para o final.
  • Nunca misturar na seringa vários medicamentos.
  • Os comprimidos de libertação lenta não se podem triturar. Em caso de serem receitados, pedir ao médico que receite um medicamento alternativo.

Cuidados Gerais com a Gastrostomia e Jejunostomia

  • Higienizar as mãos com água e sabão antes e depois da manipulação;
  • Higienizar de 02 a 03 vezes ao dia ou quando houver necessidade, sempre ao redor do orifício com água e sabão, secando posteriormente cuidadosamente;
  • Trocar a gaze que protege a pele ao redor orifício (orifício é onde o dispositivo entra na pele);
  • Não utilizar óleos ao redor do orifício, pois pode facilitar a saída do dispositivo;
  • Manter cabeceira elevada sempre no momento que estiver administrando alimentação, água ou medicação, para não provocar enjoos e vômitos;
  • Após o término da administração, deixar o paciente nesta posição por aproximadamente 40 minutos;
  • Em caso de enjoos e vômitos suspender a administração e relatar à equipe;
  • Após a administração de alimentação e medicação realizar uma lavagem com 20 ml de água em jato utilizando a seringa;
  • Em caso de dificuldade na passagem da alimentação ou medicação, utilizar água em jato com o auxílio de uma seringa, antes de administração da alimentação ou medicação;
  • Observar o orifício, em caso de vermelhidão, escoriações (pele ralada) e sangramentos avisar a equipe;
  • Observar presença de Granuloma no orifício (Granuloma é uma inflamação do tecido no nosso organismo);
  • Em caso de escape do dispositivo de Gastrostomia do orifício, realizar higiene com água fria, manter o paciente deitado de barriga para cima e solicitar o serviço de urgência.

Saiu acidentalmente o Botão Gástrico, em casa! O que fazer?

  • Se saiu com o balão cheio: esvazia-lo e introduzi-lo pelo estoma e volta a enche-lo com a mesma quantidade do início e ir ao Hospital.
  • Se saiu por ruptura do balão, voltar a introduzi-lo e ir ao Hospital;
  • Se não se consegue introduzir o balão, ir rapidamente ao Hospital, para evitar que o estoma se feche;
  • Existem no mercado sondas de substituição.

Referências:

  1. Cartilha “ORIENTAÇÕES PARA O CUIDADO COM O PACIENTE NO AMBIENTE DOMICILIAR” do Ministério da Saúde;
  2. BVS Atenção Primária em Saúde

Sinal de Murphy

O Sinal de Murphy’ é presente no exame físico de um paciente. É indicativo de colecistite, quando o paciente suspende a inspiração por dor à compressão do rebordo costal direito(local onde se encontra a vesícula biliar).

O método para pesquisar a presença do sinal é o seguinte:

  • O examinador, à direita do paciente em decúbito dorsal, traça uma linha imaginária da Espinha Ilíaca Ântero-Superior Esquerda até o Rebordo Costal Direito que passe pelo umbigo, encontrando o ponto de cruzamento com a Linha Hemiclavicular Direita;
  • Colocando sua mão esquerda de modo que o polegar se insinue sob o rebordo costal direito ao nível da borda interna do músculo reto anterior – sobre o ponto imaginário anteriormente descrito, enquanto a face palmar da mão direita apóia-se sobre o flanco afetado;
  • Sem afrouxar a pressão exercida pela mão palpadora, manda-se o paciente inspirar profundamente;
  • Em caso de dor, o paciente interrompe o movimento respiratório e realiza um padrão respiratório do tipo Kussmaul, ao mesmo tempo em que reclama da palpação dolorosa.

Essa técnica foi descrito pelo médico americano John Benjamin Murphy, um destacado cirurgião abdominal e torácico do final do século XIX e início do século 20. Além deste sinal, há o botão Murphy, o gotejamento de Murphy, o teste de Murphy e até instrumentos cirúrgicos como o controle deslizante de Murphy-Lane, todos os epônimos do mesmo homem.

Doenças com sinal positivo de Murphy

O sinal de Murphy possui alta sensibilidade e importante fator preditivo negativo, mas a especificidade é baixa.

O que significa isto?

Isso significa que sua ausência praticamente exclui certas doenças, especialmente a inflamação da vesícula biliar, mas sua presença não se traduz necessariamente em colecistite aguda.

Entende-se que existem várias patologias capazes de gerar um sinal de Murphy positivo, entre as quais temos o seguinte:

Colecistite aguda

É a doença ligada ao sinal de Murphy por excelência. É a inflamação aguda da vesícula biliar, um pequeno órgão em forma de pera localizado abaixo do fígado que contém bile (daí seu nome), uma substância liberada no intestino delgado que desempenha funções digestivas.

A maioria dos casos está relacionada à presença de pedras no interior, mas não é a única causa de colecistite aguda. Algumas infecções e tumores locais podem causar inflamação da vesícula biliar, seja por espessamento reativo de suas paredes ou por obstrução dos ductos de saída da bílis.

A vesícula biliar inflamada é muito sensível ao toque, mas palpá-la através de manobras clínicas é complicada. Por isso, o Dr. Murphy levantou a ideia de “alcançá-lo” com mais facilidade, alterando sua localização e removendo os tecidos circundantes, o que é alcançado com profunda inspiração e deslocamento do fígado com as mãos.

Apendicite aguda

Embora raro, certos casos de apendicite aguda – especialmente quando encontrada na região infra-hepática – podem mostrar um sinal de Murphy positivo.

Essas confusões podem ser perigosas devido a um diagnóstico incorreto e a uma intervenção cirúrgica desnecessária ou tardia.

Hepatite viral

Alguns casos de hepatite viral, especialmente a hepatite A, podem ocorrer com um sinal de Murphy positivo. Esse achado deve-se ao fato de que a inflamação do fígado causada pela resposta imune ao vírus pode afetar a contiguidade da vesícula biliar, comportando-se como se fosse uma colecistite aguda.

Hepatomegalia

O aumento do volume hepático pode distender a cápsula de Glisson, uma camada fibrosa que cobre o fígado e causar dor durante o manuseio.

Embora possa ser confundido com um sinal de Murphy positivo, uma avaliação adequada determinará que as características da dor não são exatamente as mesmas e que existem diferenças discretas entre essas condições.

Outras patologias vesiculares

Perfuração, gangrena ou plastrão vesicular, que podem ser complicações de colecistite aguda, têm o sinal de Murphy entre seus achados clínicos.

No entanto, todas as entidades mencionadas acima são acompanhadas por um quadro clínico muito mais assustador, com um toque importante do estado geral e dos sintomas da sepse.

Fraturas de costelas

Algumas lesões costais, com inflamação da vasculonerviose e até fraturas, podem apresentar um sinal de Murphy positivo.

Não é incomum que lesões tóraco abdominais causem fraturas das costelas flutuantes, que devido à sua localização anatômica podem ser confundidas com patologias vesiculares.

Sinal de Murphy de ultrassom

Sendo o ultrassom atualmente um dos estudos mais utilizados para o diagnóstico de patologias abdominais, ficou comprovado que, durante a realização do mesmo, pode produzir uma reação muito semelhante ao sinal de Murphy gerado manualmente durante o exame físico.

A técnica cumpre os mesmos princípios fisiopatológicos. Ele busca despertar a dor característica, exercendo pressão sobre o hipocôndrio direito durante a inspiração, apenas que não é realizado com as mãos, mas com o transdutor do equipamento de ultrassom.

A resposta será exatamente a mesma: interrupção repentina da respiração e dor. Somente o médico de imagem está autorizado a escrever nos achados do estudo a presença de um sinal de ultra-som Murphy positivo, que servirá como uma excelente orientação para o cirurgião responsável pelo tratamento.

Referências

  1. Musana, Kenneth (2005). Sinal de Murphy.Clínica Médica e Pesquisa, 3 (3): 132.
  2. Salyer, Steven W. (2007). Emergências abdominais cirúrgicas agudas.Medicina de Emergência Essencial, capítulo 1, 1-36.
  3. Garfunkel, Lynn C. (2007). Colelitíase, colecistite e cistos de colédoco.Pediatric Clinical Advisor, segunda edição, 113-114.
  4. Motta Ramirez, Gaspar Alberto e Uscanga Carmona, Maria Celeste (2002). Pontos clínicos de Murphy, Mc Burney e Giordano: valor atual e sua correlação com a ultrassonografia.Annals of Radiology Mexico, 2: 409-416.
  5. Friedman, AC et al. (2011). Sonografia da colecistite aguda: sinal de Murphy ou lei de Murphy?Ultra-som em Medicina e Biologia, 37 (8): 87.
  6. Wikipedia. Sinal de Murphy. Recuperado de: en.wikipedia.org

Curiosidade: Por que o milho sai inteiro no cocô?

Já parou para reparar porque quando você ingere grãos como o Milho, ele praticamente sai inteirinho em suas fezes?

Primeiramente, isso pode significar que você não mastigou o milho devidamente, ou seja, acabou engolindo os grãos inteiros. Isso já seria um ótimo começo para explicar porque os grãos de milho saíram inteiros em suas fezes, mas ele não é o único fator a se levar em conta, mas não é só isso!

Isso também acontece porque o nosso corpo não produz uma enzima chamada CELULASE, que serviria para digerir a celulose presente em fibras vegetais. Esse é o principal motivo de vermos grãos como milho e ervilha, entre outros, presentes nas fezes!

É preciso lembrar que a camada externa de um grão de milho é composta principalmente de celulose, que é uma espécie de substância que não se decompõe facilmente mesmo quando devidamente mastigada pelos seres humanos. Por outro lado, parte interior do grão de milho pode ser mastigada muito facilmente.

Isso significa que o milho é ruim para a digestão?

Em grandes quantidades, sim. Por causa da alta quantidade de celulose presente nele, comê-lo demais pode até causar cólicas e gases.

Já em pequenas quantidades, no entanto, ele não sobrecarrega o sistema digestivo. De fato, ele contém luteína e zeaxantina, dois fitoquímicos que promovem uma visão saudável, além de suas fibras que servem de alimento para as boas bactérias no intestino. O milho também possui vitaminas do complexo B, ferro, proteínas e potássio, que são essenciais para o bom funcionamento do corpo.

Vale lembrar que não é apenas o milho que é difícil de ser digerido. Ocasionalmente, você pode ver fragmentos inteiros de outros alimentos no cocô, na maioria das vezes vegetais ricos em fibras, que normalmente não são quebradas e absorvida no trato digestivo.

Alimentos não digeridos nas fezes não costumam ser um problema, a menos que estejam acompanhados de diarreias frequentes, perda de peso ou outras alterações nos hábitos intestinais. Se você perceber esses sintomas, não deixe de consultar o seu médico.

Intussuscepção: A Invaginação Intestinal

A Intussuscepção representa a invaginação de um segmento intestinal sobre outro que, apesar de relativamente comum entre as crianças, raramente acomete os adultos.

Literalmente, uma parte do intestino se invagina (se dobra) por sobre outra seção do intestino, semelhante à maneira como as partes de um telescópio se retrai sobre a outra parte.

Nestes, a invaginação intestinal apresenta uma causa bem definida na maioria dos casos e seu quadro clínico costuma ser bastante variável, contudo, poucos deles são diagnosticados no período pré-operatório.

Os Sinais e Sintomas

Os primeiros sintomas podem incluir dor abdominal, náuseas, vômitos (por vezes, na cor verde, devido a bílis), cólica intermitente moderada a grave ou dor abdominal.

A dor é intermitente, não porque a intussuscepção se resolve temporariamente, mas porque o segmento do intestino transitoriamente para de contrair. Mais tarde, os sinais incluem sangramento retal, muitas vezes com fezes em forma de “geleia” (fezes misturadas com sangue e muco), e letargia.

O exame físico pode revelar uma massa em forma tubular ao palpar o abdômen.

A intussuscepção é a emergência mais comum entre crianças de seis meses a três anos de idade, é descrita como de início súbito, dor abdominal do tipo cólica seguida por vômitos, a palpação abdominal não indica peritonismo porém com algumas horas, torna-se perceptível, o palpamento revela um volume tubular e há eliminação de muco com sangue.

A febre e a leucocitose apresentam-se tardiamente e estão associadas a maior possibilidade de necrose intestinal, nessa situação, sinais de alarme como prostração intensa, desidratação e choque devem ser encontrados e a confirmação de diagnóstico e o tratamento devem ser acelerados.

Como é diagnosticado?

Um raio-x de abdômen pode ser indicado para verificar obstrução intestinal ou gás intraperitoneal livre.

A última constatação implica que a perfuração intestinal já ocorreu.

Algumas instituições utilizam enema de ar para o diagnóstico, e o mesmo procedimento pode ser utilizado para tratamento.

Esta condição é mais incidente em crianças!

A incidência é maior até os 2 anos de vida, mormente dos 6 meses aos primeiro ano de idade.

A Intussuscepção ocorre com mais frequência em meninos do que em meninas, com uma proporção de aproximadamente 3:1.

Em adultos, representa a causa de cerca de 1% das obstruções intestinais e é frequentemente associada com neoplasia, maligna ou outra forma.

Cuidados de Enfermagem

  • Jejum de 12hs, para preparo cirúrgico;
  • Atentar ao cuidado com pacientes pediátricos (mais de 4-8hs de jejum- hipoglicemia);
  • Tricotomia da cartilagem xifóide ao púbis;
  • Irrigação Intestinal: Planejamento e controle da dieta;
  • Controle Hídrico;
  • Cuidados com as ostomias;
  • Redução da ansiedade;
  • Observar e comunica o aparecimento de sonolência excessiva, inquietação, agressividade, ansiedade ou confusão, cianose central e falta de ar em repouso;
  • Monitorização da frequência respiratória, intensidade e atentar para a ausculta de sons respiratórios adventícios;
  • Monitorar aparecimento de sinais e sintomas de sangramento gastrointestinal, como náusea, hematêmese, enterorragia, hematócritos ou hemoglobina reduzidos, hipotensão e taquicardia;
  • Assegurar que o paciente receba cuidados de analgesia;
  • Investigar com o paciente fatores que aliviam ou pioram a dor;
  • Avaliar com o paciente e a equipe, a eficácia de medidas de controle da dor que tem sido utilizadas;
  • Supervisionar a pele observando calor, cor, pulsos, textura;
  • Examinar vermelhidão, calor;
  • Monitorar áreas de vermelhidão e ruptura da pele;
  • Monitorar infecção, principalmente em áreas edemaciadas;
  • Supervisão da pele;
  • Monitorar áreas de ruptura da pele;
  • Prestar apoio emocional;
  • Inserir paciente em grupos de apoio;
  • Prestar assistência na auto modificação;
  • Promover ensino sobre o processo da doença.

Referências:

https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/sintomas-doencas-tratamentos/intussuscepcao/

http://revistas.ung.br/index.php/saude/article/view/2649