Anafilaxia Como Reconhecer e O Que Fazer

anafilaxia

Anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica, grave e potencialmente fatal. Pode surgir rapidamente após medicamentos, alimentos, venenos de insetos, vacinas ou outros desencadeantes, comprometendo pele e mucosas, sistema respiratório e circulação. Urticária, angioedema, rouquidão, estridor, falta de ar, chiado, queda da pressão, tontura, síncope e alterações gastrointestinais podem aparecer em diferentes combinações.

A grande armadilha é esperar a queda da pressão para considerar a situação grave. Anafilaxia pode estar evoluindo antes do choque aparecer, principalmente quando há comprometimento de via aérea ou dificuldade respiratória. Por isso, diante de uma suspeita clínica compatível, o tratamento deve ser iniciado rapidamente.

O que fazer primeiro?

A prioridade é adrenalina por via intramuscular, preferencialmente na região anterolateral da coxa, seguindo dose e protocolo aplicáveis ao paciente. A adrenalina é a medicação de primeira escolha e não deve ser substituída inicialmente por anti-histamínicos ou corticosteroides. Se a resposta for insuficiente, a dose pode ser repetida conforme o protocolo, geralmente em intervalos de 5 a 15 minutos.

Enquanto a adrenalina é administrada, a equipe deve avaliar vias aéreas, respiração e circulação, acionar suporte de emergência e manter monitorização. O paciente deve ser colocado adequadamente, geralmente em decúbito dorsal com pernas elevadas quando tolerado; se houver vômitos ou comprometimento da consciência, a posição deve ser adaptada para reduzir o risco de aspiração.

É nesse momento que uma situação prática pode acontecer muito rápido: uma pessoa recebe um medicamento e, poucos minutos depois, começa com urticária disseminada, edema de lábios, voz abafada e dificuldade para respirar. Não é hora de aguardar a evolução da pele ou preparar primeiro um anti-histamínico. A prioridade é reconhecer a anafilaxia, administrar adrenalina IM conforme protocolo e iniciar o suporte necessário.

E depois da adrenalina?

A assistência continua. Oxigênio pode ser utilizado quando indicado, especialmente diante de hipoxemia ou comprometimento respiratório importante. Em pacientes com hipotensão ou choque, pode ser necessária expansão volêmica com cristaloide, além de outras medidas avançadas conforme a resposta clínica. Broncoespasmo persistente pode exigir broncodilatador como tratamento complementar.

Anti-histamínicos e corticosteroides não substituem a adrenalina na fase inicial. Eles podem ter papel complementar em situações específicas, mas não devem atrasar a administração da medicação de primeira linha. A adrenalina intravenosa, por sua vez, não é a conduta inicial habitual e envolve maior risco, sendo reservada a cenários apropriados, com monitorização e profissionais habilitados.

Outro momento que merece atenção é aquele paciente que melhora rapidamente depois da primeira dose e parece estar “bem”. A melhora não encerra o atendimento. Existe possibilidade de recorrência dos sintomas, por isso o paciente precisa permanecer sob observação e receber avaliação adequada antes de ser liberado.

Como a enfermagem reconhece rapidamente?

Na prática, pense em uma combinação de início súbito + manifestações sistêmicas. Coceira, urticária ou angioedema associados a dificuldade respiratória, alteração circulatória ou outros sinais de comprometimento sistêmico devem aumentar imediatamente a suspeita.

Também é importante observar sinais menos óbvios: mudança da voz, sensação de garganta fechando, estridor, tosse persistente, chiado, palidez, sudorese, tontura, confusão, síncope, dor abdominal, vômitos ou diarreia. A ausência de lesões cutâneas não exclui anafilaxia, especialmente quando existe comprometimento respiratório ou cardiovascular importante.

Cuidados de enfermagem

Durante o atendimento, a enfermagem deve priorizar:

  • Reconhecimento imediato e acionamento da equipe de emergência.
  • Avaliação contínua de vias aéreas, respiração e circulação.
  • Administração da adrenalina IM conforme prescrição, protocolo e dose adequada.
  • Monitorização de pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação.
  • Manutenção de acesso venoso quando indicado e preparo para expansão volêmica.
  • Disponibilização de oxigênio e materiais para suporte ventilatório.
  • Registro do horário, dose, via, resposta clínica e evolução do paciente.
  • Observação após a melhora inicial, devido ao risco de recorrência.

O Cofen também reforça que, no contexto de anafilaxia pós-vacinação em ações extramuros, a adrenalina IM é a primeira linha e que a atuação da enfermagem deve estar respaldada por protocolo institucional, treinamento e condições adequadas de segurança.

Para guardar na emergência

! Atenção na Prova

Se houver uma suspeita consistente de anafilaxia, não espere a evolução para agir.

A sequência essencial é:

Reconhecer → avaliar ABC → adrenalina IM → suporte respiratório e circulatório → monitorizar → encaminhar e observar.

O detalhe que salva tempo — e pode salvar uma vida — é lembrar que adrenalina é o tratamento de primeira linha; anti-histamínico e corticoide não devem ocupar o lugar dela.

Resumo para salvar

Anafilaxia: O Que Fazer Primeiro?

  • Adrenalina IM é o tratamento de primeira linha
  • Avalie rapidamente vias aéreas, respiração e circulação
  • Anti-histamínicos e corticoides não substituem a adrenalina
  • Mesmo após melhora, o paciente precisa de monitorização e avaliação

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais: condutas diante de anafilaxia. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde — Manual dos CRIE.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde — Manual de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação.
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer nº 47/2025/Câmaras Técnicas de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Cofen — Parecer nº 47/2025.
  4. SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo de Assistência em Anafilaxia para enfermeiros da Atenção Básica. São Paulo: SMS. Disponível em: Prefeitura de São Paulo — Protocolo de Anafilaxia. 

Como Interpretar o NEWS2 na Enfermagem

Escore NEWS 2

O NEWS2 (National Early Warning Score 2) é um escore de alerta precoce utilizado para identificar pacientes adultos com sinais de deterioração clínica. Ele reúne seis parâmetros: frequência respiratória, saturação de oxigênio, pressão arterial sistólica, frequência cardíaca, nível de consciência e temperatura. O paciente recebe pontos conforme o grau de alteração de cada parâmetro, e a soma gera o NEWS2.

A lógica é simples: quanto mais alterações fisiológicas importantes aparecem simultaneamente, maior tende a ser o sinal de alerta. Por isso, repetir as avaliações também é essencial. Um paciente que passou de NEWS2 1 para 5 merece atenção diferente daquele que permanece estável em NEWS2 1.

Como calcular o NEWS2

A enfermagem coleta os seis parâmetros e consulta a escala padronizada para atribuir 0, 1, 2 ou 3 pontos a cada item.

Na frequência respiratória, por exemplo, 12 a 20 incursões/minuto recebe 0 ponto, enquanto valores de 9 a 11 ou 21 a 24 recebem 1 ou 2 pontos, respectivamente; frequência ≤8 ou ≥25 recebe 3 pontos.

Na saturação, a Escala 1 é utilizada para a maioria dos pacientes: SpO₂ ≥96% corresponde a 0 ponto, 94–95% a 1, 92–93% a 2 e ≤91% a 3. Existe também a Escala 2, destinada a pacientes com faixa-alvo de saturação de 88–92%, mas sua utilização depende de indicação clínica apropriada.

Para pressão arterial sistólica, 111–219 mmHg corresponde a 0 ponto, enquanto valores de 91–100 recebem 2 pontos e ≤90 recebem 3. Na frequência cardíaca, 51–90 bpm recebe 0 ponto; extremos como ≤40 ou ≥131 bpm recebem 3.

O nível de consciência merece atenção especial: novo estado de confusão já recebe 3 pontos. Temperaturas ≤35 °C também recebem 3 pontos, enquanto 38,1–39 °C recebem 1 e ≥39,1 °C recebem 2.

O detalhe que muda a interpretação

Uma pontuação 0 a 4 representa menor risco dentro do sistema, mas existe uma exceção importante: 3 pontos em um único parâmetro, chamado de red score, já exige resposta clínica mais rápida.

NEWS2 de 5 ou 6 é considerado um limiar de resposta urgente. Já 7 ou mais indica alto risco e necessidade de resposta urgente ou emergencial, conforme o protocolo local e a condição clínica do paciente.

Isso significa que não basta olhar somente para o número final. Um paciente com NEWS2 3 exclusivamente por alteração do nível de consciência não deve ser interpretado da mesma maneira que outro paciente cuja pontuação 3 resulta da soma de pequenas alterações.

Um exemplo que acontece na rotina

Imagine um paciente internado que estava com FR 18, SpO₂ 96%, PA 120/70, FC 84, temperatura 37,2 °C e alerta. O NEWS2 era 0. Algumas horas depois, apresenta FR 25, SpO₂ 93%, FC 108 e temperatura 38,2 °C. Mesmo sem uma alteração isolada extremamente chamativa, a soma dos parâmetros já produz um alerta muito diferente.

É justamente nesse momento que a anotação de enfermagem deixa de ser apenas registro. Comparar os sinais anteriores com os atuais permite demonstrar objetivamente que o paciente está mudando de padrão, favorecendo uma avaliação clínica mais rápida. O RCP destaca que a repetição das medidas e a observação das tendências aumentam o valor do NEWS na identificação da deterioração.

Em outra situação prática, pense em um paciente que mantém NEWS2 total relativamente baixo, mas apresenta novo episódio de confusão. Esse único parâmetro já pode receber 3 pontos. Não é adequado simplesmente somar os pontos e concluir que “o escore está baixo”; a alteração neurológica nova precisa ser comunicada e investigada conforme o protocolo institucional.

NEWS2 não substitui avaliação clínica

Esse é um dos pontos que mais confundem estudantes. O NEWS2 não diagnostica sepse, choque, insuficiência respiratória ou qualquer outra doença. Ele funciona como ferramenta de reconhecimento de deterioração e ajuda a determinar a urgência da resposta.

Também não é seguro ignorar um paciente porque o NEWS2 está baixo. Sintomas, diagnóstico, tendência dos sinais vitais, condição basal, comorbidades e avaliação clínica continuam fazendo parte da tomada de decisão. Os próprios materiais do RCP orientam que o escore seja utilizado junto à avaliação clínica e a outros instrumentos quando necessários.

Cuidados de enfermagem

Na prática, a enfermagem deve garantir que os parâmetros sejam medidos corretamente, registrados no horário adequado e comparados com avaliações anteriores. Também é fundamental conferir se o paciente está recebendo oxigênio, qual dispositivo está sendo utilizado e se a escala de SpO₂ empregada é a adequada.

Quando houver pontuação elevada, red score ou piora progressiva, a equipe deve seguir o protocolo de escalonamento da instituição, comunicar prontamente a alteração e registrar a avaliação e as condutas realizadas. Um NEWS2 de 5 ou mais, por exemplo, é considerado limiar de resposta urgente no modelo original; 7 ou mais corresponde a um limiar de resposta emergencial.

Para decorar

NEWS2 = Respiração + SpO₂ + PAS + Pulso + Consciência + Temperatura.

Depois de somar, não olhe apenas para o número: procure o parâmetro que mudou, compare com o valor anterior e observe a evolução do paciente. É aí que o NEWS2 realmente ganha valor na enfermagem.

Resumo para salvar

NEWS2: Aprenda a Interpretar na Enfermagem

  • NEWS2 avalia frequência respiratória, SpO₂, pressão sistólica, pulso, consciência e temperatura
  • Pontuação 3 em um único parâmetro já exige atenção clínica
  • NEWS2 de 5 ou mais indica limiar de resposta urgente e 7 ou mais alto risco
  • O escore deve ser interpretado junto com a avaliação clínica e a evolução do paciente

Referências: 

  1. ROYAL COLLEGE OF PHYSICIANS. National Early Warning Score (NEWS) 2: Standardising the assessment of acute-illness severity in the NHS. London: RCP, 2017. Disponível em: Royal College of Physicians — NEWS2.
  2. ROYAL COLLEGE OF PHYSICIANS. National Early Warning Score 2: NEWS thresholds and triggers. London: RCP. Disponível em: NEWS2 — thresholds and triggers.
  3. ROYAL COLLEGE OF PHYSICIANS. NEWS2: Clinical response to NEWS trigger thresholds. London: RCP. Disponível em: NEWS2 — clinical response.
  4. WELCH, J.; DEAN, J.; HARTIN, J. Using NEWS2: an essential component of reliable clinical assessment. Clinical Medicine, v. 22, n. 6, p. 510-513, 2022. Disponível em: Clinical Medicine — Using NEWS2. 

Torção testicular

A torção testicular ou torção do testículo ao redor da corda descreve uma condição na qual o testículo se torce no saco escrotal, bloqueando a irrigação de sangue ao testículo. É uma emergência médica, porque o testículo pode morrer devido à falta de oxigênio. Recém-nascidos, crianças e adolescentes são mais comumente afetados.

O sintoma mais comum é uma súbita dor na virilha, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos.

O diagnóstico é feito através de uma ultrassonografia do saco escrotal. O tratamento implica cirurgia para destorcer o testículo e o reposicionar no saco escrotal. A cirurgia deve ser realizada o mais rapidamente possível a fim de evitar danos ao testículo. Com diagnóstico precoce e cirurgia, a maioria das pessoas se recupera muito bem.

Riscos

Os testículos são normalmente fixos no saco escrotal (o saco muscular que pende abaixo do pénis) por cima e por trás.

Em alguns casos o testículo não está fixo, e aí a torção se torna possível. A torção bloqueia a irrigação dos vasos sanguíneos para o testículo, o que provoca os sintomas e pode, eventualmente, causar a morte do testículo. Em muitos casos a causa da torção não é conhecida mas pode ocorrer após a cirurgia escrotal ou uma lesão no saco escrotal.

Esta condição é mais comum antes dos 2 anos de idade e entre 12 e 18 anos de idade.

Sintomas

O sintoma mais comum é uma dor súbita na virilha e no saco escrotal. Que pode ser acompanhada de náuseas e vômitos. Em alguns casos, o saco escrotal pode ficar vermelho e inchado.

Diagnóstico

O diagnóstico é frequentemente suspeitado com base nos sintomas e aparência do saco escrotal. O diagnóstico geralmente é confirmado com uma ultrassonografia ou, muito comumente, durante uma cirurgia de emergência. Também se pode fazer exames de urina e de sangue para excluir qualquer outra causa dos sintomas.

Tratamento

O tratamento é um procedimento cirúrgico para destorcer o testículo e fixa-lo ao saco escrotal. Se o testículo tiver sido gravemente danificado, ele será removido.

Prevenção

Embora não seja possível prevenir a torção testicular, uma boa técnica cirúrgica pode impedir o testículo de se torcer novamente.

Prognóstico

Se a torção for diagnosticada e tratada precocemente, há uma boa chance de se poder salvar o testículo antes que ocorram danos. Se a torção não for diagnosticada e tratada, o testículo pode morrer por falta de oxigenação e deve ser removido. Isso pode afetar a fertilidade (a capacidade de gerar um filho) mais tarde na vida.

Referência:

  1. Laher A, Ragavan S, Mehta P, et al. Testicular torsion in the emergency room: A review of detection and management strategies. Open Access Emerg Med. 2020;12:237-246.

Azoospermia

Vá direto ao ponto!

A azoospermia é definida como a ausência de espermatozoides no sêmen. Na maioria dos casos, há falta de espermatozoides no sêmen, mas eles podem ser encontrados nos testículos ou nos epidídimos (pequenos ductos coletores e armazenadores de espermatozoides, localizados atrás dos testículos).

Apenas a minoria dos homens com infertilidade são azoospérmicos verdadeiros, pois neles a produção de espermatozoides é inexistente.

Causas

Considerando-se as causas da azoospermia, ela é classificada em azoospermia não obstrutiva, quando a causa é a falta de produção de espermatozoides, ou azoospermia obstrutiva, quando a causa é um impedimento no sistema de transporte do esperma.

Os casos de azoospermia não obstrutiva devem-se a condições diversas, tais como: anomalias cromossômicas, alterações hormonais, reações a medicamentos (inclusive quimioterápicos e esteroides anabolizantes), traumas nos testículos devido a pancadas ou acidentes, consumo de álcool, tabaco e outras drogas e, por fim, a varicocele — dilatação das veias dos testículos, causando o aumento da temperatura na bolsa escrotal e prejudicando a produção de espermatozoides.

Já a azoospermia obstrutiva tem como fatores desencadeantes: doenças inflamatórias e infecções genitais, fibrose cística e outras doenças genéticas, e a vasectomia (cirurgia de esterilização a partir da qual os espermatozoides ficam impedidos de chegar ao sêmen).

Todas essas causas, sejam elas orgânicas ou externas, geram a diminuição ou a ausência dos espermatozoides no sêmen, e os efeitos da azoospermia vão desde a dificuldade do homem para gerar filhos até a infertilidade.

Tratamento

A azoospermia é assintomática, e seu diagnóstico é realizado por meio de um exame laboratorial chamado espermograma, podendo ser complementado pela biópsia testicular.

No espermograma, são avaliadas a quantidade e a concentração de espermatozoides no sêmen, assim como a morfologia e a capacidade de movimentação das células reprodutoras masculinas. Para a elaboração do laudo definitivo, é feita a coleta de material por meio de punção nos testículos.

Com o diagnóstico adequado, é possível realizar os procedimentos terapêuticos que irão facilitar a resolução do problema. A medicina reprodutiva tem avançado cada vez mais, especialmente em relação à reprodução assistida, e alcançado sucesso em vários casos de infertilidade que têm sua origem na ausência de espermatozoides no sêmen.

As modalidades de tratamento da azoospermia variam de acordo com as suas causas. No caso de homens que não produzem espermatozoides, o tratamento indicado pode ser a reposição hormonal. Nos casos obstrutivos, e também na varicocele, uma intervenção cirúrgica pode corrigir o problema.

Já a fertilização in vitro, após biópsia e punção dos testículos ou epidídimos para coleta dos espermatozoides, é uma opção de tratamento tanto nos casos obstrutivos quanto não obstrutivos.

Referências:

  1. Hospital Sírio Libanês

Gangrena de Fournier

A gangrena de Fournier, também conhecida como fasceíte necrosante, síndrome de Mellené ou síndrome de Fournier, é caracterizada por uma infecção aguda dos tecidos moles do períneo, com celulite necrotizante secundária a germes anaeróbicos ou bacilos gram-negativos, ou ambos. A infecção pode desenvolver-se sob pele aparentemente normal, dissecando o tecido com necrose. Seu nome é uma homenagem ao médico francês Jean Alfred Fournier.

A fasceíte necrotizante é frequentemente diagnosticada em pacientes debilitados, e a porta de entrada pode ser identificada quase sempre. O anorreto possui espaços potenciais com planos fasciais resultando em alastramento rápido da infecção.

A infecção pode ser decorrente de:

  • extensão de abscesso perirretal
  • escaras de decúbito infectadas
  • instrumentação urológica ou retal

A maior parte dos casos tem como foco patologias ou procedimentos anorretais e urológicos. Vasectomia, diverticulite, exame anorretal e biópsia de mucosa retal são associados a essa condição. Atraso no diagnóstico é evitado por exames frequentes no períneo de pacientes admitidos com dor perineal e sepse concomitante.

Como é tratado?

O tratamento consiste no uso de antibióticos de largo espectro, cobrindo anaeróbios e gram-negativos. Cirurgia pode ser necessária. O tratamento da causa é influi na evolução da história natural da doença.

Também incluem-se na terapia (focando melhor cicatrização) a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) e os triglicerídeos de cadeia média (TCM) como óleo de girassol.

O Prognóstico

A despeito do tratamento, a fasceíte necrotizante permanece com altos índices de mortalidade: 25 a 52%.

O melhor resultado é obtido em pacientes jovens (idade abaixo de 60 anos), com gangrena localizada no períneo, sem complicações sépticas, com hemoculturas negativas.

A realização de colostomia para derivação fecal pode ser uma opção para melhorar a evolução do quadro.

O tempo de intervalo entre o início da infecção e o tratamento é crucial para o prognóstico. Pacientes com duração dos sintomas até quatro dias têm melhor prognóstico, enquanto que o tempo de sintomatologia acima de 7 dias está associado a alto índice de mortalidade.

Cuidados de Enfermagem

  • Oferecer informações sobre o prognóstico ao cliente sempre que possível, para que o paciente fique sempre informado sobre sua atual situação de saúde;
  • Oferecer um ambiente calmo e agradável, para seu maior conforto;
  • Estimular o cliente a falar sobre seu medo em relação a morte, para que se possa estabelecer um vínculo de confiança e apoio;
  • Monitorar sempre que possível o estado emocional do cliente, a fim de se observar as inseguranças do cliente que necessite de intervenção;
  • Oferecer ajuda psicológico, para que o cliente e familiares tenha um apoio psicológico para superar o momento difícil;
  • Monitorar e avaliar os sinais vitais (PA, TAX, FC, FR, SPO2) de 2/2 horas, atentando para o registro de enfermagem, para que possa evidenciar a evolução do cliente, e na existência de normalidade se tome medidas cabíveis;
  • Avaliar nível de consciência, para que possa evidenciar possível agravamento do quadro clinico do cliente e/ ou mesmo gravidade da sepse;
  • Providenciar de imediato o acesso venoso pérvio de grande calibre, para agilizar quando for necessário a infusão venosa;
  • Ofertar oxigênio a 5 ml/min quando os níveis de saturação de O2 estiverem abaixo dos parâmetros normais (95-100%), para melhora a oferta de oxigênio e conforto respiratório ao cliente;
  • Manter cabeceira elevada a 45° e repouso no leito, para que possa trazer uma posição de conforto que facilite a respiração e as trocas gasosas;
  • Monitorar a intensidade da dor utilizando a escala de dor (nota de 0-10), a fim de se ter uma mensuração de dor do cliente para posteriormente estabelecer qual conduta melhor para tratá- la;
  • Administrar analgésico, quando prescrito ou quando necessário (sob protocolo institucional), atentando o registro no prontuário do cliente;
  • Avaliar junto ao paciente, se a medicação está surgindo efeito sobre a dor, para que possa comunicar a equipe medica sobre a inexistência ou persistência da dor, se caso houver.
  • Realizar curativos diários para se evitar processo infeciosos que posam lesionar a pele;
  • Enfatizar a realização da hidratação da pele com solução umectante, mantendo a pele hidratada e evitar ressecamento e possível lesão no local do abcesso;
  • Orientar ao paciente a não romper o abcesso na pele, pois pode ocasionar uma ferida e possível contaminação da pele;
  • Administrar antibioticoterapia prescrita, atentando para a diluição e a administração corretas desses medicamentos;
  • Avaliar o sentimento do cliente sobre seu corpo, para identificar as ameaças potenciais à autoestima;
  • Enfatizar o cliente a verbalizar suas preocupações, para que favoreça um diálogo e vínculo de ajuda do profissional para com o cliente;
  • Encorajar o cliente e a parceira a compartilhar as suas preocupações individuas uns com os outros, para manutenção da autoestima;
  • Assegurar o emprego de técnica asséptica adequada no manuseio das áreas necrosadas, para evitar complicação da infecção;
  • Aconselhar se necessário à realização de desbridamento da ferida, para favorecer o processo de cicatrização e se ter maior área de absorção das substancias tópicas;
  • Documentar local, tamanho e aspecto da área necrosada, a fim de se ter registro da evolução do tratamento;
  • Realizar diariamente o curativo oclusivo com substância adequada, para promover a cicatrização da área afetada;
  • Documentar surgimento de mudanças na pele e mucosas, a fim de evidenciar possíveis sinais que indiquem alteração na pele e mucosas;
  • Monitorar sinais flogísticos na pele (dor, edema, calor e rubor) que possa evidenciar sinais de infecção existente;
  • Documentar local, tamanho e aspecto da lesão, permitindo acompanhamento da evolução durante o tratamento da lesão;
  • Assegurar o emprego de técnica adequada no  cuidado da ferida, utilização de substâncias apropriadas para o grau da lesão;
  • Realizar diariamente o curativo com solução e substância adequado, para promover a cicatrização das lesões;
  • Administrar a antibioticoterapia conforme prescrição, seguindo rigorosamente os horários, a fim de se ter o sucesso terapêutico;
  • Explicar para o cliente sobre o tempo prolongado do antibiótico endovenoso, a fim de esclarecer suas dúvidas;
  • Instruir o paciente a tomar a medicação conforme recomendado e não interromper o tratamento, sem o conhecimento do médico, ainda que melhore, para que não ocorra a resistência do microrganismo em relação ao medicamento e abandono precoce do tratamento;
  • Informar ao paciente as reações adversas mais frequentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, comunicar a equipe de enfermagem e/ou médica, a fim de sanar a intercorrência;
  • Atentar para, antes da administração, avalie: os antecedentes de hipersensibilidade à droga, pois pacientes alérgicos a outras substâncias podem desenvolver reações à medicação administrada;
  • Oferecer antibióticos por via oral acompanhados de água ou após as refeições, para se evitar irritação gástrica.

Referências:

  1. DOS SANTOS LUGÃO DE SOUZA, Flávia; CARVALHO GOMES, Fábio; NORMA SUELI BRAGA VALLE, Norma; EMERICK COELHO, Elciana. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER: UMA PESQUISA INTEGRATIVA. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER: UMA PESQUISA INTEGRATIVA, [S. l.], p. fournier, 25 fev. 2019. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190407_140735.pdf. Acesso em: 2 fev. 2021.