Azoospermia

A azoospermia é definida como a ausência de espermatozoides no sêmen. Na maioria dos casos, há falta de espermatozoides no sêmen, mas eles podem ser encontrados nos testículos ou nos epidídimos (pequenos ductos coletores e armazenadores de espermatozoides, localizados atrás dos testículos).

Apenas a minoria dos homens com infertilidade são azoospérmicos verdadeiros, pois neles a produção de espermatozoides é inexistente.

Causas

Considerando-se as causas da azoospermia, ela é classificada em azoospermia não obstrutiva, quando a causa é a falta de produção de espermatozoides, ou azoospermia obstrutiva, quando a causa é um impedimento no sistema de transporte do esperma.

Os casos de azoospermia não obstrutiva devem-se a condições diversas, tais como: anomalias cromossômicas, alterações hormonais, reações a medicamentos (inclusive quimioterápicos e esteroides anabolizantes), traumas nos testículos devido a pancadas ou acidentes, consumo de álcool, tabaco e outras drogas e, por fim, a varicocele — dilatação das veias dos testículos, causando o aumento da temperatura na bolsa escrotal e prejudicando a produção de espermatozoides.

Já a azoospermia obstrutiva tem como fatores desencadeantes: doenças inflamatórias e infecções genitais, fibrose cística e outras doenças genéticas, e a vasectomia (cirurgia de esterilização a partir da qual os espermatozoides ficam impedidos de chegar ao sêmen).

Todas essas causas, sejam elas orgânicas ou externas, geram a diminuição ou a ausência dos espermatozoides no sêmen, e os efeitos da azoospermia vão desde a dificuldade do homem para gerar filhos até a infertilidade.

Tratamento

A azoospermia é assintomática, e seu diagnóstico é realizado por meio de um exame laboratorial chamado espermograma, podendo ser complementado pela biópsia testicular.

No espermograma, são avaliadas a quantidade e a concentração de espermatozoides no sêmen, assim como a morfologia e a capacidade de movimentação das células reprodutoras masculinas. Para a elaboração do laudo definitivo, é feita a coleta de material por meio de punção nos testículos.

Com o diagnóstico adequado, é possível realizar os procedimentos terapêuticos que irão facilitar a resolução do problema. A medicina reprodutiva tem avançado cada vez mais, especialmente em relação à reprodução assistida, e alcançado sucesso em vários casos de infertilidade que têm sua origem na ausência de espermatozoides no sêmen.

As modalidades de tratamento da azoospermia variam de acordo com as suas causas. No caso de homens que não produzem espermatozoides, o tratamento indicado pode ser a reposição hormonal. Nos casos obstrutivos, e também na varicocele, uma intervenção cirúrgica pode corrigir o problema.

Já a fertilização in vitro, após biópsia e punção dos testículos ou epidídimos para coleta dos espermatozoides, é uma opção de tratamento tanto nos casos obstrutivos quanto não obstrutivos.

Referências:

  1. Hospital Sírio Libanês

Gangrena de Fournier

gangrena de Fournier, também conhecida como fasceíte necrosantesíndrome de Mellené ou síndrome de Fournier, é caracterizada por uma infecção aguda dos tecidos moles do períneo, com celulite necrotizante secundária a germes anaeróbicos ou bacilos gram-negativos, ou ambos. A infecção pode desenvolver-se sob pele aparentemente normal, dissecando o tecido com necrose. Seu nome é uma homenagem ao médico francês Jean Alfred Fournier.

A fasceíte necrotizante é frequentemente diagnosticada em pacientes debilitados, e a porta de entrada pode ser identificada quase sempre. O anorreto possui espaços potenciais com planos fasciais resultando em alastramento rápido da infecção.

A infecção pode ser decorrente de:

  • extensão de abscesso perirretal
  • escaras de decúbito infectadas
  • instrumentação urológica ou retal

A maior parte dos casos tem como foco patologias ou procedimentos anorretais e urológicos. Vasectomia, diverticulite, exame anorretal e biópsia de mucosa retal são associados a essa condição. Atraso no diagnóstico é evitado por exames frequentes no períneo de pacientes admitidos com dor perineal e sepse concomitante.

Como é tratado?

O tratamento consiste no uso de antibióticos de largo espectro, cobrindo anaeróbios e gram-negativos. Cirurgia pode ser necessária. O tratamento da causa é influi na evolução da história natural da doença.

Também incluem-se na terapia (focando melhor cicatrização) a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) e os triglicerídeos de cadeia média (TCM) como óleo de girassol.

O Prognóstico

A despeito do tratamento, a fasceíte necrotizante permanece com altos índices de mortalidade: 25 a 52%.

O melhor resultado é obtido em pacientes jovens (idade abaixo de 60 anos), com gangrena localizada no períneo, sem complicações sépticas, com hemoculturas negativas.

A realização de colostomia para derivação fecal pode ser uma opção para melhorar a evolução do quadro.

O tempo de intervalo entre o início da infecção e o tratamento é crucial para o prognóstico. Pacientes com duração dos sintomas até quatro dias têm melhor prognóstico, enquanto que o tempo de sintomatologia acima de 7 dias está associado a alto índice de mortalidade.

Cuidados de Enfermagem

  • Oferecer informações sobre o prognóstico ao cliente sempre que possível, para que o paciente fique sempre informado sobre sua atual situação de saúde;
  • Oferecer um ambiente calmo e agradável, para seu maior conforto;
  • Estimular o cliente a falar sobre seu medo em relação a morte, para que se possa estabelecer um vínculo de confiança e apoio;
  • Monitorar sempre que possível o estado emocional do cliente, a fim de se observar as inseguranças do cliente que necessite de intervenção;
  • Oferecer ajuda psicológico, para que o cliente e familiares tenha um apoio psicológico para superar o momento difícil;
  • Monitorar e avaliar os sinais vitais (PA, TAX, FC, FR, SPO2) de 2/2 horas, atentando para o registro de enfermagem, para que possa evidenciar a evolução do cliente, e na existência de normalidade se tome medidas cabíveis;
  • Avaliar nível de consciência, para que possa evidenciar possível agravamento do quadro clinico do cliente e/ ou mesmo gravidade da sepse;
  • Providenciar de imediato o acesso venoso pérvio de grande calibre, para agilizar quando for necessário a infusão venosa;
  • Ofertar oxigênio a 5 ml/min quando os níveis de saturação de O2 estiverem abaixo dos parâmetros normais (95-100%), para melhora a oferta de oxigênio e conforto respiratório ao cliente;
  • Manter cabeceira elevada a 45° e repouso no leito, para que possa trazer uma posição de conforto que facilite a respiração e as trocas gasosas;
  • Monitorar a intensidade da dor utilizando a escala de dor (nota de 0-10), a fim de se ter uma mensuração de dor do cliente para posteriormente estabelecer qual conduta melhor para tratá- la;
  • Administrar analgésico, quando prescrito ou quando necessário (sob protocolo institucional), atentando o registro no prontuário do cliente;
  • Avaliar junto ao paciente, se a medicação está surgindo efeito sobre a dor, para que possa comunicar a equipe medica sobre a inexistência ou persistência da dor, se caso houver.
  • Realizar curativos diários para se evitar processo infeciosos que posam lesionar a pele;
  • Enfatizar a realização da hidratação da pele com solução umectante, mantendo a pele hidratada e evitar ressecamento e possível lesão no local do abcesso;
  • Orientar ao paciente a não romper o abcesso na pele, pois pode ocasionar uma ferida e possível contaminação da pele;
  • Administrar antibioticoterapia prescrita, atentando para a diluição e a administração corretas desses medicamentos;
  • Avaliar o sentimento do cliente sobre seu corpo, para identificar as ameaças potenciais à autoestima;
  • Enfatizar o cliente a verbalizar suas preocupações, para que favoreça um diálogo e vínculo de ajuda do profissional para com o cliente;
  • Encorajar o cliente e a parceira a compartilhar as suas preocupações individuas uns com os outros, para manutenção da autoestima;
  • Assegurar o emprego de técnica asséptica adequada no manuseio das áreas necrosadas, para evitar complicação da infecção;
  • Aconselhar se necessário à realização de desbridamento da ferida, para favorecer o processo de cicatrização e se ter maior área de absorção das substancias tópicas;
  • Documentar local, tamanho e aspecto da área necrosada, a fim de se ter registro da evolução do tratamento;
  • Realizar diariamente o curativo oclusivo com substância adequada, para promover a cicatrização da área afetada;
  • Documentar surgimento de mudanças na pele e mucosas, a fim de evidenciar possíveis sinais que indiquem alteração na pele e mucosas;
  • Monitorar sinais flogísticos na pele (dor, edema, calor e rubor) que possa evidenciar sinais de infecção existente;
  • Documentar local, tamanho e aspecto da lesão, permitindo acompanhamento da evolução durante o tratamento da lesão;
  • Assegurar o emprego de técnica adequada no  cuidado da ferida, utilização de substâncias apropriadas para o grau da lesão;
  • Realizar diariamente o curativo com solução e substância adequado, para promover a cicatrização das lesões;
  • Administrar a antibioticoterapia conforme prescrição, seguindo rigorosamente os horários, a fim de se ter o sucesso terapêutico;
  • Explicar para o cliente sobre o tempo prolongado do antibiótico endovenoso, a fim de esclarecer suas dúvidas;
  • Instruir o paciente a tomar a medicação conforme recomendado e não interromper o tratamento, sem o conhecimento do médico, ainda que melhore, para que não ocorra a resistência do microrganismo em relação ao medicamento e abandono precoce do tratamento;
  • Informar ao paciente as reações adversas mais frequentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, comunicar a equipe de enfermagem e/ou médica, a fim de sanar a intercorrência;
  • Atentar para, antes da administração, avalie: os antecedentes de hipersensibilidade à droga, pois pacientes alérgicos a outras substâncias podem desenvolver reações à medicação administrada;
  • Oferecer antibióticos por via oral acompanhados de água ou após as refeições, para se evitar irritação gástrica.

Referências:

  1. DOS SANTOS LUGÃO DE SOUZA, Flávia; CARVALHO GOMES, Fábio; NORMA SUELI BRAGA VALLE, Norma; EMERICK COELHO, Elciana. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER: UMA PESQUISA INTEGRATIVA. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER: UMA PESQUISA INTEGRATIVA, [S. l.], p. fournier, 25 fev. 2019. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190407_140735.pdf. Acesso em: 2 fev. 2021.