O Transporte de Paciente

Passo 1

Passo 2

Passo 3

Passo 4

Você sabia que o transporte de pacientes dentro do hospital pode ser uma fonte importante de eventos adversos, principalmente para pacientes críticos?

Nesses casos, não importa se a transferência é temporária (para a realização de um exame) ou de longo prazo (para uma nova unidade). Há riscos de traumas, complicações hemodinâmicas e de vias aéreas e outras alterações fisiológicas causadas por falhas de monitoramento, equipamentos e de comunicação entre setores.

Por isso, os benefícios da movimentação do paciente devem ser maiores do que o potencial para danos. “Nenhum paciente deve ser transportado para exames ou procedimentos com pouca possibilidade de alterar a conduta”, escrevem os autores de uma revisão sobre gerenciamento de riscos no transporte intra-hospitalar.

Quais são os Riscos?

Os problemas mais comuns variam entre diferentes levantamentos, e não há consenso sobre qual seria o principal tipo de evento decorrente. Chamam a atenção os eventos adversos relacionados às vias respiratórias. Um levantamento francês, publicado em 2013 sobre a incidência de danos no transporte, sugere que 17,6% dos eventos adversos envolvem equipamentos respiratórios, 8,8% dessaturação de oxigênio e 0,4% extubação acidental. Ventilação manual aparece como um fator de risco.

As complicações hemodinâmicas também são um fator de preocupação, devido a riscos de taquicardia, hipotensão e outras alterações. De acordo com o estudo francês, a incidência de problemas hemodinâmicos é de 5%. Ataques cardíacos são raros, mas em razão da gravidade, devem ser levados em consideração.

Um risco que não costuma ser elencado com frequência é o de infecções, Mas uma pesquisa feita com mais de 6 mil pacientes em ventilação mecânica sugere que a movimentação aumentou em 1,4 vezes o risco de pneumonia.

Classificação de Tipos de Transporte

Há um exemplo de protocolo assistencial do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), disponível online, podendo ser uma boa ferramenta para orientar o planejamento e cuidados necessários.

O documento orienta classificar o tipo de transporte de acordo com as condições clínicas do paciente e, a partir disso, definir as necessidades de monitoramento e de equipe.

Experiências sugerem que equipes especializadas e treinadas em transporte hospitalar conseguem evitar eventos adversos com maior frequência.

Transporte de baixo risco – pacientes estáveis, sem alterações críticas nas últimas 48 horas e que não sejam dependentes de oxigenoterapia
Equipe – Técnico/auxiliar de enfermagem.

Transporte de médico risco  pacientes estáveis, sem alterações críticas nas últimas 24 horas, porém que necessitam de monitoração hemodinâmica ou oxigenoterapia
Equipe – (1) Técnico/Auxiliar de enfermagem e (1) Enfermeiro ou (1) Médico.

Transporte de alto risco – paciente em uso de droga vasoativa e/ou assistência ventilatória mecânica
Equipe – (1) Técnico/Auxiliar de enfermagem, (1) Enfermeiro, (1) Médico e (1) Fisioterapeuta, mediante avaliação das condições respiratórias.

Segundo o protocolo, no transporte de médio e alto risco, os pacientes devem ter os seguintes parâmetros monitorados: frequência cardíaca, saturação de oxigênio, e se necessário, pressão arterial sistêmica.

A publicação do HC-UFTM também traz um roteiro de checagem para uso no transporte intra-hospitalar, que pode ser usado para orientar os procedimentos. Pesquisas sugerem que checklists são muito eficazes em ambientes de alta complexidade, como são as unidades de terapia intensiva dos hospitais. O protocolo completo desenvolvido pelo HC-UFTM está disponível para download neste link.

O que posso fazer para reduzir estes riscos nos Eventos Adversos?

ANTES

– Dedicação exclusiva da equipe ao transporte
– Estabilização do paciente
– Verificação dos equipamentos necessários
– Coleta de dados do paciente
– Conexão do paciente ao monitoramento e controle dos parâmetros
– Reavaliação de sinais vitais, cateteres e drenos
– Uso de maca segura, em posição confortável
– Planejamento da rota: fácil e curta
– Comunicação do departamento de saída com o de destino para definir tempo de chegada

DURANTE

– Elevadores devem ser reservados para evitar aglomeração e atrasos
– Deve haver meio de comunicação com o setor de destino
– Verificação constante das condições do paciente e dos parâmetros dos equipamentos
– Possibilidade de intervenção imediata, caso necessário

DEPOIS

– Admissão do paciente no departamento de destino
– Reavaliação das condições do paciente e dos equipamentos
– Conexão do paciente a novos dispositivos de controle, caso haja transferência da maca
– Relato atualizado para a equipe de monitoramento
– A equipe de transporte só deixa a área quando a nova estiver totalmente preparada
– Registro e documentação de todos os incidentes


Referências:

  1. Intrahospital transport policies: The contribution of the nurse / Health Science Journal
  2. Knight, P. H., Maheshwari, N., Hussain, J., Scholl, M., Hughes, M., Papadimos, T. J., Guo, W. A., Cipolla, J., Stawicki, S. P., … Latchana, N. (2015). Complications during intrahospital transport of critically ill patients: Focus on risk identification and prevention. International Journal of Critical Illness and Injury Science, 5(4), 256-64.
  3. Parmentier-Decrucq E, Poissy J, Favory R, Nseir S, Onimus T, Guerry MJ, et al. Adverse events during intrahospital transport of critically ill patients: Incidence and risk factors. Ann Intensive Care. 2013;3:10.
  4. Schwebel C, Clec’h C, Magne S, Minet C, Garrouste-Orgeas M, Bonadona A, et al. OUTCOMEREA Study Group. Safety of intrahospital transport in ventilated critically ill patients: A multicenter cohort study*. Crit Care Med. 2013;41:1919–28
  5. Veiga C, V et al. Adverse events during intrahospital transport of critically ill patients in a large hospital. Rev Bras Ter Intensiva. 2019
  6. Gimenez, F., de Camargo, W., Gomes, A., Nihei, T. S., Andrade, M., Valverde, M., Campos, L., Grion, D. C., Festti, J., … Grion, C. (2017). Analysis of Adverse Events during Intrahospital Transportation of Critically Ill Patients. Critical care research and practice, 2017, 6847124.
  7. Warren J, Fromm RE Jr, Orr RA, Rotello LC, Horst HM; American College of Critical Care Medicine. Guidelines for the inter- and intrahospital transport of critically ill patients. Crit Care Med. 2004 Jan;32(1):256-62.
  8. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – Ministério da Educação. Protocolo Assistencial Multiprofissional: Transporte intra-hospitalar de clientes – Uberaba: HCUFTM/Ebserh, 2017. 20 p.

Veja também:

Eventos Adversos (EAs)

Não Rotule com Marcadores Permanentes!

Existe evidência de que escrever em bolsas de soros dos medicamentos danifica diretamente o tratamento ou a tinta passa pelo plástico?

Trouxe à vocês um estudo levantado, do site da Vida Acadêmica em Medicina de Urgência “Academic life in Emergency Medicine” (ALiEM) para a pergunta “O marcador permanente, ou de equipos, como são popularmente conhecidos, pode ser filtrado em bolsas de infusão intravenosa (IV)?”

Relata que de acordo com o Institute for Practice Safety Medical (ISMP, por sua sigla em inglês Instituto de Medicinas Práticas Seguras), não é recomendado escrever diretamente em bolsas de soro com marcador permanente, devido à possibilidade de vazamento de tinta (lixiviação) no saco e causar danos à bolsa e ao paciente!

Isso indica que, por sua vez, esta situação levanta várias questões:

• É possível que a tinta passe por sacos de policloreto de vinila (PVC)?
• Em caso afirmativo, existe algum dano potencial ao paciente?

De acordo com os fabricantes de várias marcas de sacolas de PVC, a não-transferência de tinta permanente através de sacolas de PVC não pode ser garantida e não é recomendável escrever nestes sacos com marcador permanente, especialmente porque existem muitas tintas e marcadores e marcadores diferentes.

E um último adendo: Não rotule diretamente nas bolsas de soro, pois além desta prática não ser segura, por não obterem TODAS AS INFORMAÇÕES necessárias como o nome do paciente, a data de nascimento, que solução está dentro daquela bolsa, o volume total e o volume a ser infundido, e o principal, QUEM PREPAROU, não segue os 9, 11, 13 certos que atualmente dizem, sobre a segurança na administração de medicamentos! Utilizem o rótulo padronizado de sua instituição, galera!

Para entender melhor:

Emergência Psiquiátrica: Contenção Mecânica

A Contenção Mecânica é usada para pacientes que apresentam quadro de inquietação e possível agitação psicomotora. É um procedimento muito usado na psiquiatria, com pacientes com alto risco de violência, mas também pode acarretar em outros setores, com pacientes em quadros psiquiátricos.

Finalidades

– Evitar danos à integridade física do cliente, dos profissionais e do patrimônio;

– Reduzir o risco de tração/retirada acidental de dispositivos invasivos, curativos e outros;

Permitir a realização de exames e procedimentos.

Responsáveis pela Execução

– Enfermeiro, médico, auxiliar e técnico de enfermagem.

Quando pode fazer este procedimento?

Temos uma publicação referente a quando pode ser realizado, se mediante prescrição médica ou de enfermagem, acessando o link abaixo:

Contenção Mecânica: Quando pode fazer?

Que Materiais posso estar utilizando como contensor?

Existe atualmente no mercado diversos dispositivos próprios para a contenção mecânica, a fim de ocasionar segurança e conforto ao paciente, portanto, quando não se tem estas tecnologias, o uso de lençóis e ataduras de crepe são empregadas como dispositivos temporários para a contenção mecânica.

Locais Apropriados e indicados para realizar a Contenção

– Mãos (Tipo Luvas): É indicado para impedir a movimentação dos dedos, mantendo a mão em posição confortável, sem prejudicar a circulação;

– Punhos e Tornozelos: É indicado para promover a contenção, Distribuindo a força de tração por toda a extensão da compressa, promovendo o conforto;

– Tórax e Ombros: É indicado para envolver o tórax posterior, assim evitando que o cliente se levante;

– Quadril: É indicado para prender e impedir a movimentação do quadril, assim evitando que o paciente levante;

 -Joelhos: É indicado para impedir a movimentação do joelho, assim evitando que o paciente levante.

Este tipo de procedimento é contraindicado:

– Em clientes calmos e colaborativos;

– Clientes agitados ou confusos responsivos aos manejos verbal ou medicamentoso;

– Clientes com restrições físicas na região a ser contida.

Alguns cuidados de Enfermagem

– Aplicar as contenções mecânicas, sem prescrição médica, em situações de urgência/emergência e/ou descritas em protocolo institucional (risco de auto e hetero agressão física; risco imediato de tração de dispositivos invasivos, risco de queda e outros), mediante insucesso na abordagem verbal e no manejo ambiental. Comunicar ao médico, logo após;

– Nunca aplicar a contenção mecânica por conveniência, punição, disciplina e coerção;

– Explicar a indicação da contenção mecânica ao cliente e/ou familiar, esclarecendo o caráter não punitivo;

– Proporcionar ao cliente um ambiente privativo;

– Manter a cabeceira da cama elevada de 30 – 45°;

– Colocar o cliente com a contenção mecânica o mais próximo do campo de visão da enfermagem;

– Aferir e registrar os sinais vitais antes e após a contenção mecânica, para monitorização;

– Conter o membro abaixo de um acesso intravascular periférico, para evitar a constrição e infiltração da solução que estiver sendo infundida;

– Manter as contenções limpas e secas;

– Evitar conter uma região que possui uma lesão instalada ou problemas circulatórios;

– Evitar imobilizar um cliente em decúbito ventral, pois dificulta os movimentos respiratórios, além de limitar o seu campo visual;

– Monitorar a pele e a circulação dos membros contidos a cada 30 minutos, atentando para a presença de hiperemia, lesão, edema, cianose, palidez cutânea, extremidades frias e alterações de sensibilidade. Nesses casos, soltar as contenções e reavaliar a medida de contenção;

– Soltar as contenções a cada 2 horas, com supervisão, para que o cliente possa se movimentar, virar e respirar profundamente;

– Administrar os medicamentos para o manejo da agitação psicomotora, conforme prescrição médica;

– Reavaliar o comportamento/nível de consciência do cliente e a eficácia do medicamento a cada 2 horas, para identificar a necessidade ou não da manutenção das contenções. Comunicar ao médico;

– Manter vigilância sobre os riscos psíquicos das contenções, tais como: agravamento da confusão mental, humilhação, perda da autoestima, da memória e da dignidade, sentimento de abandono, depressão, medo, raiva e indiferença;

– Envolver o cliente, conforme aumenta o seu autocontrole, no processo decisório para passar a uma forma menos restritiva de intervenção;

– Capacitar a equipe de enfermagem para atuar com habilidade e segurança na contenção física e mecânica do cliente agressivo, confuso e/ou com agitação psicomotora.

Referências:

1. Clínica Jorge Jaber;

2. POP Externo Hu UFSC

Fixadores Externos: Tipos e Indicações

A Fixação Externa ou Fixadores Externos podem ser entendida como um método de estabilização óssea através de implantes no osso, que atravessam os tecidos moles e são fixadas externamente através de uma armação que pode ter várias configurações.

Segundo Colton (2007) é uma técnica utilizada em estabilização de fraturas e osteotomias, alongamentos ósseos, correção de más uniões ou de não uniões e em procedimentos de fusão de articulações (artrodese).

Os fixadores externos são classificados como lineares, circulares ou híbridos e podem ter várias configurações: unilaterais monoplanares, bilaterais monoplanares, biplanares ou ainda multiplanares (Caja, Kim, Larsson, & Chao, 1995) & (Roseiro et al., 2014).

Quais são as indicações para um Fixador Externo?

– Fraturas cominutivas severas;
– Fraturas associadas a perda óssea;
– Fraturas expostas;
– Fraturas associadas a lesão de partes moles;
– Fraturas associadas a lesão neurovascular;
– Fraturas associadas a queimaduras;
– Tratamento das não consolidações;
– Estabilização das osteotomias;
– Artrodeses;
– Alongamento de membro inferior.

 

Fixadores de Membros Superiores

Metacarpo

Indicado para o tratamento de fraturas metacarpo e falange cominutivas, perda óssea segmentada, fraturas intra-articulares e fraturas abertas onde a fixação interna estável não é possível.

Fixador de Colles

Indicado para estabilização de fraturas do punho, com possibilidade de compressão, distração e articulação plataformas.

Fixador de Ulson

Indicado para redução, alinhamento, estabilização e fixação de fraturas ou deformidades ósseas do punho.

Fixador de Cotovelo

Indicado para o tratamento da rigidez pós-traumática do cotovelo, bem como alguns traumas agudos do cotovelo.

Fixador de Rádio-Ulna

Indicado para estabilização de fraturas do rádio distal ou diáfise, com possibilidade de compressão e distração.

Fixador de Úmero

Indicado para fraturas do úmero ou deformidades ósseas como redução, alinhamento, estabilização, alongamento e fixação.

Fixadores de Membros Inferiores

Fixador Ilíaco

Fixador para tratamento de fraturas trocantéricas, também usado em caso de infecção ou em ocasiões em que não é possível a síntese interna.

Fixador de Fêmur

Indicado para o tratamento de fraturas pertrocantéricas, em casos de infecção ou em ocasiões em que não é possível a síntese interna.

Fixadores Circulares

Os fixadores circulares ocupam todos os lados do membro, envolvendo-o totalmente, e são popularmente chamados de “gaiolas”.

Usualmente, consiste em anéis circulares e semi-circulares externos que são instalados de forma centralizada no membro do paciente e fixados nos ossos por meio fios tencionados e pinos de Schanz. 

Existem alguns modelos, como a Truelock que é destinado ao uso corretivo durante o processo normal de consolidação, e a Ilizarov, que anula todas as forças que tendem a desviar os fragmentos ósseos, sendo extremamente estáveis.

Fixador de Pé/Tornozelo

Indicado para fixação de fraturas abertas e fechadas, pseudoartrose ou pseudartrose de ossos longos, alongamento de membros por epifisiodeal ou distração metafisária, correção de deformidades ósseas ou de tecidos moles, e correção de defeitos ósseos segmentares ou não segmentares ou de tecidos moles.

Fixadores Híbridos

São usados no tratamento de fraturas complexas, de alta energia, periarticulares da tíbia. Os fixadores híbridos combinam as vantagens dos pinos de Schanz com o sistema de fixação com fios tensionados.

Alguns Cuidados de Enfermagem

– Realizar o curativo no sítio de inserção dos fixadores externos a cada 24 horas, desde que esteja limpo e seco, com técnica asséptica, após o banho. Utilizar soro fisiológico 0,9% para a limpeza; álcool 70% para a antissepsia, gazes ou compressas esterilizadas para a oclusão e atadura ou fita adesiva para fixação;
– Realizar a limpeza diária dos fixadores com álcool 70%;
– Rotular o frasco de álcool e ficar atento ao prazo de validade./ Após aberto, o álcool tem uma validade de 7 dias, por isso a importância de identificar a data de abertura, e desprezar o conteúdo depois deste prazo;
– Iniciar os curativos pela ferida mais limpa, quando o cliente apresentar múltiplas suturas e outros tipos de lesões. Realizar os curativos de modo independente (procedimento e registro);
Observar se há presença de sinais flogísticos ao redor da inserção dos pinos dos fixadores. Se houver, relatar ao enfermeiro e registrar no prontuário do cliente.(A presença de infecção não tratada adequadamente poderá resultar na soltura dos pinos, instabilidade no aparelho e até mesmo osteíte);
– Manter o membro com fixador externo elevado, para prevenir ou reduzir o edema;
– Observar regularmente a perfusão periférica, pulso, sensibilidade e edema. (Em algumas feridas pode ocorrer lesão neurovascular);
– Incentivar a realização de exercícios ativos e passivos para a estimulação da circulação e manutenção do tônus muscular.
– Orientar o cliente quanto aos cuidados com o fixador, esclarecer suas dúvidas e aliviar a ansiedade do mesmo;
– Orientar o cliente sobre os cuidados domiciliares com o membro e o fixador externo.(A higiene do membro e dos sítios de inserção dos fixadores poderá ser feita com água e sabão durante o banho);
– Realizar esse procedimento após a cicatrização do sítio de inserção dos fixadores.

Referências:

  1. Kenwright J, Harris JD, Evans M. External skeletal fixation for tibia shaft fractures. J Bone Joint Surg Br.1980; 62B(11):525.
  2. Sisk DT. External fixation. historic review, advantages, disavantages, complications, and indicatons. Clin Orthop Relat Res.1983;180(11):15-22. 
  3. Sisk DT. General principles and techniques of external skeletal fixation. Clin Orthop Relat Res. 1983;180(11):96-100.
  4. Ramos MRF, Rotbande IS, Shehata I, Knackfuss I. Contribuição ao estudo mecânico do fixador externo tubular AO. Rev Bras Ortop.1999; 34(2):134-
  5. BRANDÃO, V.Z.; SOLER, Z.A.S.G. Implementação do processo de enfermagem para um paciente com fixador externo Ilizarov: estudo de caso. Arq Ciênc Saúde, Aão José do Rio Preto, v. 13, n.3, p.61-64, 2006.
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. 2017, 201p.
  7. POTTER, P.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.1480p.
  8. BULECHEK, G.M. et al. Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC). 6. Ed. Rio de janeiro: Elsevier, 2016. 610 p.
  9. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. In: BRUNNER & SUDDARTH. Tratado de enfermagem médico- cirúrgica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 4v.

Cateteres Flexíveis: Fluxos de Infusão

Você certamente deve estar familiarizado para qual indicação cada Cateter Flexível, vulgo “Abocath” tem, para cada situação.

Mas você sabe ao certo a taxa de fluxo de cada um?

É importante levar em consideração essas informações ao escolher o calibre do Abocath a ser colocado no paciente!

Veja Também:

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

 

Os Cateteres Agulhados: “Scalp” ou “Butterfly”

Cateteres Flexíveis

 

Cateter Central Totalmente Implantado

 

Cateter Venoso Central (CVC)

 

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

 

A Via de Administração Intratecal (IT)

 

Balanço Hídrico: A Pesagem de Fralda

O Balanço Hídrico é um controle fundamental que faz parte do tratamento intensivo de um paciente crítico.

Consequentemente, o preenchimento do impresso do balanço hídrico é de responsabilidade da equipe enfermagem, sendo fundamental que ele seja feito corretamente, pois esses dados subsidiarão a análise do estado de saúde do paciente e o estabelecimento do plano de cuidados.

O Controle de diurese faz parte dos parâmetros de eliminações ou saídas, onde em um ciclo de 24 horas pode ser observado juntamente com exames laboratoriais a função renal do mesmo.

O paciente pode obter dispositivos que auxiliam a eliminação vesical por métodos invasivos, como sondas Folleys, por meio de sondagem de alívio com sondas Nelatonpor métodos não invasivos como o Uripen e também por diurese espontânea em fraldas.

Quando não é utilizado os dispositivos citados, como é feito?

Vários critérios são analisados durante a internação do paciente:

  • O tempo de permanência de um dispositivo urinário invasivo, não podendo permanecer até o tempo determinado pelos protocolos institucionais;
  • Possíveis lesões e edemas que acarretam dificuldade em utilizar dispositivo urinário como o uripen;

Sendo assim, o critério mais estabelecido é a utilização de fraldas, em casos de diurese espontânea. Há casos que o médico solicita o acompanhamento de eliminações vesicais do paciente, mesmo em diurese espontânea, sendo necessário a realização de pesagem de fraldas.

Sendo assim, o volume de líquido em mililitros é proporcional ao peso do líquido medido em gramas, podendo então, obter um volume aproximado quantificado e anotado no balanço hídrico como perdas.

É feito a pesagem da fralda seca, antes de oferecê-la ou utilizar ao paciente, sendo assim, após o uso deve pesá-la novamente e subtrair o valor da fralda seca, o resultado encontrado deve ser registrado na folha de balanço hídrico.

O Valor anotado final é em gramas, onde o médico realiza através de cálculos, o valor total do balanço positivo e negativo durante o ciclo de 24 horas de um paciente, podendo indicar cuidados intensivos como hemodiálise, caso haja alterações laboratoriais e de balanço, durante um certo período.

Alguns Cuidados de Enfermagem quanto à Pesagem:

  • Deve sempre antes realizar a pesagem da fralda seca e anotar com caneta permanente ou esferográfica na própria fralda;
  • Após a troca da fralda, não desprezar a mesma, acondicionar em um saco infectante para evitar que se contamine;
  • Realizar a pesagem com a fralda cheia, e com o valor obtido da balança, SUBTRAIR com o valor da fralda seca inicial, dando o valor total de diurese contabilizado em fralda;
  • Descartar o saco com a fralda em um lixo infectante;
  • Lavar as mãos.

Referências:

  1.  Pereira VS, Santos JYC, Correia GN, Driusso P. Tradução e validação para a língua portuguesa de um questionário para avaliação da gravidade da incontinência urinária. Rev Bras Ginecol Obstet[Internet]. 2011[cited 2016 Jun 08];33(4):182-7. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v33n4/a06v33n4.pdf
  2. 10 Baessa CEB, Meireles VC, Balan MAJ Ocorrência de dermatite associada à incontinência em Pacientes Internados na Unidade de Terapia Intensiva. Rev Estima[Internet]. 2014[cited 2016 Jun 01];12(2):1-8. Available from: http://www.revistaestima.com.br/index.php/estima/article/view/89 
  3.  Pereira ER, Ribeiro IML, Ruas EFG, Silva PLN, Gonçalves RPF, Diamantino NAM. Análise das principais complicações durante a terapia hemodialítica em pacientes com insuficiência renal crônica. Rev Enferm Centro O Min [Internet]. 2014 [cited 2016 Oct 25]; 4(2):1123-34. Available from: http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/603/747P

Coletor/Caixa Perfurocortante e os cuidados de enfermagem

O Coletor ou Caixa Perfurocortante é um recipiente destinado ao descarte de resíduos de serviços de saúde, perfurantes ou cortantes, desprezando todo material que corta ou perfura, como agulhas, lancetas, vidros em geral, lâminas de bisturi, ampolas, cateter, etc.

Nesse sentido, devem ser fabricadas de acordo com as normas da ABNT NBR 13853, fornecendo proteção contra perfurações, vazamentos e garantindo segurança aos usuários.

Ela é composta por muitos elementos e sua montagem correta garante a eficiência do descarte e confiabilidade do recipiente.

Componentes de uma Caixa Perfurocortante

É composta por:

  • Saco Plástico: Possui dupla utilidade, pois além de transportar o coletor, forma um DUPLO revestimento, o que garante a proteção contra vazamento de resíduos;
  • Fundo ou tabuleiro: Feito de papelão rígido, evita perfurações no fundo do coletor;
  • Cinta Interna: Também produzido com material de papelão rígido, ocupa toda a área interna, evitando perfurações nas paredes e cantos do coletor;
  • Bandeja Interna: Garante a segurança contra vazamento de líquidos.

Qual é a sequência de montagem de um Coletor Perfurocortante?

Cada fabricante disponibiliza a sequência correta da montagem de seu material, devendo sempre ser seguido conforme o que é estabelecido.

De uma forma geral, maioria pode seguir um padrão de sequência, como esta:

  1. Sequência para o fechamento no fundo: Dobrar aba 1, dobrar abas 2 e 3 simultaneamente e dobrar aba 4 até travar;
  2. Abra todas as abas do coletor;
  3. Abra o saco plástico, coloque o tabuleiro dentro do saco plástico. Introduza também a cinta interna, posicione-a em forma de triangulo sobre o tabuleiro;
  4. Coloque o saco plástico já com o tabuleiro e a cinta dentro do coletor;

5. Colocar as sobras do saco plástico dentro do coletor;
6. Introduza a bandeja impermeável sobre o saco plástico até o fundo;
7. A seguir faça a montagem das alças duplas dobrando-as para dentro e fecha a aba que possui um buraco no meio;
8. Após o uso, travar o lacre para descarte.

Cuidados de Enfermagem

  • Durante o transporte mantenha o coletor afastado do corpo;
  • Sempre carregar pelas ABAS da caixa, para que evite acidentes;
  • Ao fechar após o uso, deve descartar a caixa dentro de um saco intitulado “INFECTANTE” e desprezado em um lixo próprio para materiais infectantes;
  • Ao montar a caixa para a utilização, deve identificar a data de montagem e abertura, setor de destino e o nome do colaborador que realizou a montagem;
  • Não deve jamais ultrapassar a linha máxima pré estabelecida na caixa;
  • Deve acondicionar a caixa em um local livre, longe de pias que possam molhar recipiente;
  • De preferência, deve ser acondicionada em um suporte próprio para parede.

Referências:

  1. Descarpack;
  2. Descarbox.

Escova Higiênica Aspirativa

A princípio, há diversas ferramentas tecnológicas para o auxílio na higienização íntima do paciente. Porém, não é diferente no caso dos cuidados com a higiene oral do mesmo.

Do mesmo modo, o maior fator de complicação em um paciente internado, com más condições higiênicas orais independente do grau de criticidade, é a Pneumonia, onde a placa bacteriana acaba atuando como reservatório para a colonização das bactérias respiratórias, e assim ocasionando o que chamamos de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM), bem como outras complicações comuns como herpes Simples, dermatite de contato, queilite actínica, leucoplaquia, líquen plano, a candidíase, a estomatite aftosa, e o sarcoma de Kaposi, entre outros.

Ainda assim, foi lançado no mercado escovas higiênicas aspirativas, utilizadas principalmente em âmbito hospitalar, onde provém de dois tipos, a escova com cerdas macias e escova tipo swab.

Assim como, ambos possuem em sua extremidade uma válvula adaptada para a conexão com sistema de aspiração, seja a vácuo ou ar comprimido, onde o profissional pode realizar a escovação dentária com produtos próprios, e ao mesmo tempo aspirar conteúdo bucal como restos de comida, saliva, etc, facilitando a higienização corretamente.

Por outro lado, pacientes com disfagia, intubados, onde possuem extrema dificuldade na deglutição, são os mais indicados ao uso deste dispositivo.

Escova Higiênica Aspirativa com Cerdas Macias

Este tipo de escova aspirativa é composto por cerdas macias, alguns contém esponja livre de látex com alto absorvente de água e tubo que é plástico branco.

Escova Higiênica Aspirativa Tipo Swab

Este tipo de escova é desenvolvida com esponja de alta absorção, indicado para pacientes que usam prótese dentária, somente com gengivas expostas, evitando o lesionamento da mucosa.

Cuidados de Enfermagem

  • Esta escova é de uso único e descartável, tem como validade de 24 horas, deve ser trocado a cada banho diário;
  • Deve identificar a escova higiênica com o nome do paciente e número do leito;
  • Higienizar adequadamente a escova higiênica em água corrente, e armazenar em um ambiente limpo;
  • Atentar à escovação em cantos da boca;
  • Utilizar produtos antissépticos bucais próprios para âmbito hospitalar;
  • Por fim, ao terminar de utilizar o sistema de aspiração, lavar com soro ou água destilada o sistema de aspiração.

Veja também:

Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)

Ventilação Mecânica

Importância da Higiene Oral em Âmbito Hospitalar

 

Ceftriaxona com Cálcio: NÃO!

Nas Unidades de Terapia Intensiva, é comum encontrar pacientes recebendo drogas sejam vasoativas, sedativas intravenosas, reposições volêmicas como infusão primária, mas também haverá muitas vezes a infusão secundária de antibioticoterapia nestas vias de acesso.

Normalmente não é um problema com quando há algumas destas drogas sendo infundidas em mesma via de acesso, respeitando as interações medicamentosas entre elas.

Portanto, há certas ocasiões que o plantonista solicita a infundir Ringer Lactato, reposição de cálcio em certos casos, como reposição volêmica, e neste caso, é necessário se atentar muito quando o paciente está sob uso do antibiótico Ceftriaxona Sódica, o Rocefin!

Soluções que contenham cálcio (como gluconato de cálcio, Ringer Lactato, por exemplo), podem reagir simultaneamente com o antibiótico, formando partículas cristalinas que não são solúveis no sangue, podendo ocasionar riscos maiores como danos nos rins, pulmões e vesícula biliar!

Em pacientes neonatos o risco pode até ser de morte! Onde o risco de precipitação na rede venosa é maior e o risco de mortalidade é quase certa.

A ceftriaxona sódica, com seu nome comercial Rocefin, é um antibiótico semi-sintético, de largo espectro, para administração intravenosa.

É indicado para o tratamento de infecções respiratórias, urinárias, septicemia bacteriana, infecções dermatológicas e ósseas, doença inflamatória pélvica, gonorreia descomplicada, infecções intra-abdominais, otite média e alguns tipos de meningite. Também é usado na profilaxia antes de certas cirurgias.

Atente-se sempre ao uso concomitante deste antibiótico com outras soluções que possam conter cálcio!

Referência:

1. Roche. Rocefin (ceftriaxona sódica).
2. Lars Birgerson. Important prescribing information

Extensor Polifix Multivias

Hoje em dia são disponibilizados diversos dispositivos essenciais no auxílio à terapia medicamentosa por via intravenosa.

E uma delas, é o extensor intermediário de duas ou quatro vias para administração de medicações parenterais compatíveis, que podem substituir em algumas situações, as tradicionais dânulas (three-way).

Chamadas de Extensores Polifix, Multivias Ou Extensores Valvulados, elas podem aumentar e prolongar as vias de infusão a partir de um único acesso venoso, permitindo infusões simultâneas de medicações compatíveis a partir de um único acesso venoso, Facilitando a mobilidade do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • O Extensor é de uso único e descartado, deve-se respeitar o tempo de uso através de protocolos de troca de dispositivos preconizados nos hospitais;
  • O Extensor deve ser trocado antes do prazo caso haja sujidades como grumos de sangue, medicamentoso, que possam obstruir toda a extensão do cateter;
  • Ao vencimento do prazo do Extensor, deve-se trocar o cateter intravenoso periférico flexível, para evitar a disseminação de infecção na corrente sanguínea;
  • Deve-se guardar as tampas em um local limpo e livre de contaminação para posterior uso;
  • Não deixar as vias de acesso dos extensores que não estão sendo infundidas no momento SEM AS TAMPAS!;
  • Em Extensores valvulados, devem ser feitas antissepsias com álcool 70% friccionando-as 3 vezes em movimentos rotativos, também serve no caso dos extensores com saída luer distal fêmea;
  • Caso haja perda das tampas, providenciar tampas valvuladas, caso não há disponibilidade, deve descartar a o extensor realizando uma nova troca;
  • Atentar ao rosqueamento do extensor com a via de acesso dos equipos, para evitar a desconexão acidental de todo o sistema;
  • Ao término de uma infusão, deve-se salinizar toda a extensão e clampear o extensor para que evite extravasamento de fluídos.

Veja também:

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

O que é “Salinizar” um Cateter?

Torneira de 3 Vias: “Dânula” ou “Three-way”