Pós-Transplante: Quais Vacinas São Indicadas?

Pós-Transplante: Quais Vacinas São Indicadas?

Após um transplante, uma infecção que seria leve em outra pessoa pode evoluir com maior gravidade. Por isso, a vacinação precisa fazer parte do acompanhamento, mas o momento de cada dose é tão importante quanto a vacina escolhida.

Por que o calendário precisa ser revisto?

Medicamentos imunossupressores são utilizados para evitar a rejeição do órgão transplantado, porém reduzem a capacidade de resposta do sistema imunológico. Consequentemente, algumas vacinas podem apresentar menor eficácia e outras, especialmente as que contêm microrganismos vivos atenuados, podem ser contraindicadas após o transplante.

Entre as vacinas que costumam ser avaliadas estão influenza, COVID-19, pneumocócicas, hepatite B, hepatite A, tétano, difteria e coqueluche, além de outras indicadas conforme idade, histórico vacinal, tipo de transplante e exposição a riscos. A recomendação deve ser individualizada pela equipe transplantadora, considerando o esquema e o momento adequado.

Atenção ao tipo e ao momento da vacina

As vacinas inativadas, recombinantes ou não vivas geralmente podem ser utilizadas após o transplante, conforme avaliação clínica. Já as vacinas vivas atenuadas, como tríplice viral, varicela e febre amarela, em regra não são administradas durante a imunossupressão, devido ao risco de infecção pelo próprio agente vacinal.

Na prática, um paciente que retorna à consulta após o transplante pode apresentar a carteira de vacinação incompleta. Antes de encaminhá-lo para atualização, é necessário conferir o tipo de vacina, a intensidade da imunossupressão e o tempo decorrido desde o procedimento. A decisão não deve ser tomada apenas pela ausência de doses registradas.

Outro cuidado aparece quando o paciente tem uma viagem programada para uma região com recomendação de vacina contra febre amarela. Como essa vacina é de vírus vivo atenuado, a administração após o transplante pode ser contraindicada; a necessidade de viagem deve ser discutida com a equipe especializada, que avaliará riscos e alternativas.

Cuidados de enfermagem

Confira a carteira vacinal e registre as doses recebidas antes e depois do transplante. Oriente o paciente a não procurar vacinação por conta própria sem consultar a equipe transplantadora, especialmente quando se tratar de vacina viva. Observe possíveis reações, mantenha o registro atualizado e reforce a importância de comunicar febre ou sinais de infecção, mesmo após a vacinação.

A proteção do transplantado depende de um calendário planejado, individualizado e acompanhado ao longo do tempo. Vacinar com segurança exige considerar não apenas quais doses estão faltando, mas também quando e em quais condições elas podem ser administradas.

Resumo para salvar

Pós-Transplante: Quais Vacinas São Indicadas?

  • A vacinação deve ser individualizada conforme o tipo de transplante e a imunossupressão
  • Influenza, COVID-19, hepatites e pneumocócicas estão entre as vacinas avaliadas
  • Vacinas vivas atenuadas geralmente são contraindicadas após transplante de órgão sólido
  • A equipe transplantadora define o momento e o esquema de vacinação

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS (ABTO). Vacinação pré e pós-transplantes de órgãos: adulto 2025. São Paulo: ABTO, 2025. Disponível em: https://site.abto.org.br/wp-content/uploads/2025/04/ABTO-2025_RECOMENDACOES-Vacinacao_01.04.2025.pdf.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. 6. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2024/manual-dos-centros-de-referencia-para-imunobiologicos-especiais-6a-edicao.
  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Altered Immunocompetence. Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/altered-immunocompetence.html.

Cinco Erros na Administração de Medicamentos

Cinco Erros na Administração de Medicamentos

Uma dose pode estar correta na prescrição e, ainda assim, ser administrada de forma insegura. Na rotina de enfermagem, pequenos desvios durante o preparo, a conferência ou o registro podem comprometer a segurança do paciente. Conhecer os erros mais frequentes ajuda a interromper falhas antes que atinjam quem está sob cuidado.

Administrar sem conferir a identificação

A identificação deve ser confirmada com pelo menos dois identificadores válidos, conforme protocolo institucional. Em um plantão movimentado, pacientes com nomes semelhantes podem ser confundidos, principalmente quando a medicação é preparada longe do leito. Por isso, a conferência deve ser realizada antes da administração, junto ao paciente, e não apenas pela etiqueta da cama.

Ignorar alergias registradas

Alergias precisam ser verificadas antes da administração, especialmente quando o medicamento prescrito pertence a uma classe relacionada à reação previamente registrada. Se houver dúvida sobre o histórico, a administração deve ser interrompida até que a informação seja esclarecida. Uma alergia documentada não pode ser tratada como detalhe secundário.

Errar dose, diluição ou velocidade

Medicamentos concentrados, cálculos de dose e infusões contínuas exigem atenção redobrada. Imagine uma bomba programada com velocidade diferente da prescrita: mesmo que o medicamento esteja correto, a quantidade administrada por hora pode ser inadequada. A prescrição, a concentração disponível, a diluição e a programação devem ser conferidas antes do início da infusão.

Administrar pela via incorreta

A via prescrita deve ser confirmada antes do preparo e da administração. Um medicamento destinado à via oral não deve ser administrado por sonda sem verificar se a apresentação permite essa utilização. Da mesma forma, soluções destinadas a uma via específica não podem ser adaptadas por improviso. Diante de incompatibilidade ou dúvida, a equipe responsável deve ser consultada.

Em caso de dúvida sobre misturar medicamentos, veja o Guia de Compatibilidade de Medicamentos em Y.

Deixar o registro para depois

O registro deve refletir o que realmente foi administrado, incluindo horário, dose, via e intercorrências relevantes. Quando uma dose é atrasada, recusada ou não administrada, o motivo precisa ser documentado conforme a rotina institucional. Em uma troca de plantão, a ausência desse registro pode levar à repetição indevida da dose ou à falsa impressão de que o medicamento foi administrado.

Cuidados de enfermagem

Antes de administrar, confira paciente, medicamento, dose, via, horário, alergias, prescrição e condições clínicas. Verifique os cálculos e a programação de bombas quando aplicável, esclareça prescrições incompletas e não improvise diante de dúvidas. Após a administração, observe a resposta do paciente, registre o cuidado realizado e comunique prontamente qualquer erro ou reação adversa, notificando o Núcleo de Segurança do Paciente conforme o protocolo da instituição.

A segurança medicamentosa não depende de uma única conferência. Ela é construída em cada etapa, desde a leitura da prescrição até a observação do paciente após receber o medicamento.

Se o erro já aconteceu, veja também Dose Errada Administrada: Quais Cuidados Tomar.

Resumo para salvar

Cinco Erros na Administração de Medicamentos

  • Confira a identificação do paciente antes de administrar
  • Verifique alergias, dose, diluição e velocidade
  • Confirme a via prescrita e não improvise
  • Registre a administração e comunique intercorrências

 

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Referências:

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medication Without Harm: WHO Global Patient Safety Challenge. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/medication-without-harm.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: Ministério da Saúde: Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos.

  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Cofen: Resolução nº 564/2017.

Como Retirar Curativos sem Ferir a Pele

Como Retirar Curativos sem Machucar a Pele

Retirar um curativo exige tanto cuidado quanto aplicá-lo. Quando a fita é puxada rapidamente ou o material está aderido à ferida, a pele pode sofrer lesões, sangrar e ficar ainda mais sensível, dificultando as próximas trocas. Por isso, a remoção deve ser lenta, controlada e adaptada às condições da pele e do ferimento.

Técnica correta para remover o curativo

Antes de começar, higienize as mãos, organize os materiais e explique o procedimento ao paciente. Em seguida, levante delicadamente uma das extremidades e retire o adesivo devagar, mantendo a pele apoiada com a outra mão. Sempre que possível, puxe a fita paralelamente à superfície da pele, dobrando-a sobre si mesma, em vez de tracioná-la para cima. Essa técnica ajuda a reduzir a tensão e o risco de arrancamento superficial da pele. Quando necessário, utilize um removedor de adesivos próprio para uso clínico, conforme as orientações do fabricante e o protocolo institucional.

Imagine um paciente idoso com a pele fina e equimoses nos braços: ao retirar uma fita microporosa de uma só vez, pequenas áreas da epiderme podem se desprender. Nessa situação, a pele deve ser sustentada durante a retirada e o adesivo removido em pequenos trechos, sem movimentos bruscos. Se houver resistência, interrompa a tração e aplique o método de remoção adequado ao material utilizado.

Quando a gaze está grudada na ferida

A gaze aderida não deve ser arrancada à força. Quando o tipo de curativo e a condição da ferida permitirem, umedeça o material com solução indicada pelo protocolo, frequentemente solução fisiológica 0,9%, e aguarde até que se solte com facilidade. A escolha do líquido deve considerar a orientação clínica, pois nem todo curativo pode ser umedecido indiscriminadamente. Se a retirada provocar dor intensa, sangramento ou resistência persistente, pare e reavalie a técnica.

Em outra situação possível no plantão, uma gaze pode estar presa a uma ferida com tecido de granulação recente. Puxá-la rapidamente pode causar sangramento e lesar o tecido em cicatrização. O mais seguro é umedecer conforme a indicação, aguardar e retirar progressivamente, observando a resposta do paciente.

Cuidados de enfermagem

Durante a retirada, observe a integridade da pele ao redor, a presença de sangramento, secreção, odor, dor e sinais de infecção. Preserve a técnica asséptica ou limpa conforme a indicação clínica e o protocolo institucional, evitando tocar desnecessariamente no leito da ferida. Ao final, registre as condições observadas e a tolerância do paciente ao procedimento.

Curativos com adesivos especiais, feridas cirúrgicas recentes, pele extremamente frágil ou lesões com sangramento exigem atenção individualizada. Se houver suspeita de reação ao adesivo ou lesão cutânea, a escolha do material utilizado nas próximas trocas deverá ser reavaliada pela equipe responsável.

Retirar um curativo com segurança não é questão de força, e sim de técnica, tempo e avaliação. Uma remoção cuidadosa preserva a pele, reduz o desconforto e contribui para a continuidade do tratamento.

Resumo para salvar

Como Retirar Curativos sem Ferir a Pele

  • Retire o adesivo lentamente e mantenha a pele apoiada
  • Use removedor de adesivos quando indicado
  • Umedeça a gaze aderida somente quando apropriado
  • Observe dor, sangramento e integridade da pele

Referências:

  1. GUY’S AND ST THOMAS’ NHS FOUNDATION TRUST. Caring for your surgical wound at home. Disponível em: https://www.guysandstthomas.nhs.uk/health-information/caring-your-surgical-wound-home.
  2. ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Clinical practice guidelines: wound dressings – acute traumatic wounds. Disponível em: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Wound_dressings_acute_traumatic_wounds/.
  3. WOUNDS INTERNATIONAL. Best practice statement: management of lower limb skin tears in adults. 2020. Disponível em: https://www.gloshospitals.nhs.uk/media/documents/best-practice-statement-management-lower-limb-skin-tears-adults.pdf. 

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

Uma explicação mal compreendida pode gerar mais medo do que o próprio procedimento. Na enfermagem, comunicar bem significa ajudar o paciente a entender o que será feito, por que é necessário e o que ele poderá sentir, respeitando seu direito de perguntar e participar das decisões sobre o próprio cuidado. Essa comunicação deve ser clara, acessível e adequada às necessidades de cada pessoa, conforme o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, que prevê esclarecer a pessoa sobre direitos, riscos e benefícios e orientá-la sobre preparo e consequências dos procedimentos, respeitando o direito de recusa.

Explique sem complicar

Antes de iniciar, diga o nome do procedimento, sua finalidade e as etapas principais, usando palavras familiares e evitando termos técnicos sem explicação. Ao preparar uma punção venosa, por exemplo, você pode dizer: “Vou colocar um acesso na sua veia para administrar o medicamento. Você pode sentir uma picada rápida; se sentir dor forte ou perceber inchaço, me avise”. Assim, o paciente sabe o que esperar e quais sinais deve comunicar.

Também é importante observar as reações durante a conversa. Uma pessoa pode concordar com a cabeça sem ter compreendido as orientações, especialmente quando está ansiosa, com dor ou sob efeito de medicamentos. Em vez de perguntar apenas “Entendeu?”, peça que explique com suas próprias palavras o que foi combinado. Essa estratégia, conhecida como teach-back, ajuda a identificar dúvidas sem constranger o paciente e é recomendada pela Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ).

Respeito também faz parte da técnica

Imagine um paciente que começa a recuar quando a equipe se aproxima para realizar um curativo. Antes de continuar, explique o que será feito, pergunte o que está causando preocupação e dê espaço para que ele manifeste suas dúvidas. Se houver necessidade de adaptar a abordagem, isso deve ser discutido sempre que possível, respeitando a autonomia e o consentimento do paciente.

A explicação também precisa ser honesta: não prometa ausência de dor nem minimize riscos relevantes. Informe o que é esperado, quais desconfortos podem ocorrer e quando o paciente deve avisar a equipe. Para procedimentos que exigem consentimento formal, a conversa deve seguir as regras aplicáveis, sem substituir as etapas necessárias de consentimento informado.

Cuidados de enfermagem

Confirme se o paciente está em condições de receber as informações, adapte a linguagem, preserve a privacidade e ofereça oportunidade para perguntas. Utilize recursos visuais ou apoio de comunicação quando necessário e verifique a compreensão antes de começar. Registre informações relevantes conforme a rotina institucional e comunique à equipe dúvidas ou dificuldades que possam interferir na segurança do procedimento.

Resumo para salvar

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

  • Explicar finalidade e etapas em linguagem simples
  • Informar sensações esperadas e sinais de alerta
  • Convidar o paciente a fazer perguntas
  • Confirmar a compreensão antes de iniciar

Referências:

  1. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). Use the Teach-Back Method: Tool 5. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/health-literacy/improve/precautions/tool5.html.
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Biblioteca Virtual do Cofen. 

Material Estéril: Confira Antes de Abrir

Material Estéril: Confira!

A esterilidade de um material pode ser comprometida antes mesmo de a embalagem ser aberta. Um pequeno rasgo, uma selagem danificada ou a presença de umidade já são motivos para interromper o uso e separar o produto. Por isso, a conferência deve fazer parte da rotina de enfermagem antes de qualquer procedimento invasivo, conforme as orientações de prevenção e controle de infecções da Anvisa.

Embalagem, validade e integridade

Antes de abrir, confira a validade, a integridade da embalagem, as condições de armazenamento e a identificação do produto. Observe se há furos, rasgos, umidade, sujidade, abertura da selagem ou qualquer alteração que comprometa a barreira estéril. Quando houver indicador químico, verifique se ele apresenta o resultado esperado, lembrando que sua mudança de cor, isoladamente, não garante a esterilidade do conteúdo.

Imagine que, durante a preparação para um curativo, seja encontrado um pequeno furo na embalagem de uma pinça estéril. Mesmo que o instrumento pareça limpo e esteja dentro da validade, ele não deve ser utilizado, pois a barreira pode ter sido comprometida. O material precisa ser substituído, e a ocorrência deve ser comunicada conforme o protocolo institucional. A Anvisa orienta que os produtos para saúde sejam processados, armazenados e disponibilizados em condições que preservem sua segurança.

Atenção ao abrir o material

A abertura também exige técnica: higienize as mãos, prepare uma superfície adequada e evite tocar na parte estéril com mãos, luvas ou objetos não estéreis. Durante a abertura de um pacote, por exemplo, se a borda interna encostar no uniforme ou em uma superfície não preparada, a área potencialmente contaminada não deve ser tratada como estéril. Nessa situação, interrompa o procedimento e substitua o material ou o campo comprometido.

Cuidados de enfermagem

Não utilize materiais com embalagem danificada, úmida, vencida ou com indicadores fora do padrão esperado. Se houver dúvida sobre a integridade ou a condição de esterilização, não improvise: segregue o produto e solicite substituição. Mantenha a técnica asséptica durante toda a abertura e o procedimento, conforme o protocolo da instituição.

Resumo para salvar

Material Estéril: Confira Antes de Abrir

  • Verificar validade e integridade da embalagem
  • Observar umidade, rasgos e selagem
  • Conferir indicadores conforme as instruções do produto
  • Manter técnica asséptica e substituir materiais comprometidos

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde e dá outras providências. Brasília, DF: Anvisa, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0015_15_03_2012.html.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Decontamination and reprocessing of medical devices for health-care facilities. Geneva: WHO, 2016. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549851. 

Bomba de Infusão em Oclusão: O Que Fazer?

Bomba de infusão com alarme de oclusão e equipo dobrado

Um alarme de oclusão pode interromper a administração de um medicamento mesmo quando não há uma obstrução evidente. Antes de reiniciar a bomba, é preciso identificar a causa, porque a pressão pode estar aumentada por uma dobra no equipo, compressão do cateter, resistência no acesso venoso ou até pela posição do membro. Siga o manual do modelo da bomba: investigue o circuito e o acesso antes de retomar a infusão.

Onde procurar a causa

Comece verificando se o equipo está dobrado, comprimido sob o paciente ou preso em alguma parte do leito. Confira também as pinças, conexões e o trajeto da linha, seguindo as instruções do modelo da bomba. Em seguida, avalie o acesso venoso quanto a dor, edema, vermelhidão, endurecimento ou sinais de infiltração e extravasamento.

Por exemplo, um paciente mantém o braço flexionado e a bomba começa a alarmar durante a infusão. Ao observar o membro, a equipe identifica uma dobra no equipo junto à articulação. Mesmo após corrigir a posição, o acesso deve ser reavaliado e a infusão só deve ser retomada quando houver segurança para isso. Se o alarme persistir, não force a passagem da solução nem aumente a pressão para tentar vencê-lo.

Quando o alarme continua

Se o circuito estiver livre e o alarme persistir, considere problemas no cateter, no acesso vascular ou no próprio equipamento. Em medicamentos de alto risco, como vasopressores, a interrupção da infusão pode ter consequências clínicas importantes; por isso, o paciente deve ser monitorado e a equipe responsável comunicada rapidamente. Quando houver suspeita de extravasamento, interrompa a infusão e siga o protocolo específico do medicamento, sem lavar o acesso.

Outra situação que exige atenção ocorre quando o alarme desaparece após uma manipulação, mas retorna poucos minutos depois. Nesse caso, apenas silenciar ou reiniciar repetidamente a bomba pode atrasar a identificação do problema. A causa precisa ser investigada, e o equipamento deve ser retirado de uso e encaminhado para avaliação técnica se houver suspeita de falha.

Em caso de suspeita de falha, registre a ocorrência e notifique a queixa técnica pelo fluxo da instituição (tecnovigilância/Notivisa).

Cuidados de enfermagem

Não ignore o alarme nem desative os mecanismos de segurança. Verifique o paciente, o acesso e todo o circuito; não force a infusão nem lave uma linha possivelmente obstruída. Após resolver a causa, confirme a prescrição, a programação e a segurança do acesso antes de reiniciar. Registre a intercorrência e comunique a equipe quando houver atraso relevante, interrupção de medicamento crítico ou suspeita de falha do dispositivo.

Resumo para salvar

Bomba de Infusão em Oclusão: O Que Fazer?

  • Verificar equipo, pinças e conexões
  • Avaliar o acesso para dor e edema
  • Não forçar a infusão nem lavar linha obstruída
  • Monitorar o paciente e comunicar falhas persistentes

Referências:

  1. U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (FDA). Infusion Pump Risk Reduction Strategies for Clinicians. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/infusion-pumps/infusion-pump-risk-reduction-strategies-clinicians.
  2. U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (FDA). Infusion Pumps. Silver Spring: FDA. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/general-hospital-devices-and-supplies/infusion-pumps.
  3. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Notificações: Notivisa. Disponível em: Anvisa: Notificações. 

Mudança de Decúbito: O Que Observar?

Mudança de decúbito

Durante a mudança de decúbito, a pele não é a única coisa que merece atenção. A tolerância do paciente ao movimento, a estabilidade clínica e a posição de sondas, cateteres e drenos também precisam ser avaliadas, porque uma mobilização mal conduzida pode provocar desconforto, deslocamento de dispositivos ou piora clínica. As recomendações de prevenção de lesões por pressão reforçam a necessidade de combinar reposicionamento, avaliação da pele e análise individual do risco.

Avalie antes e depois do movimento

Antes de iniciar, observe o nível de consciência, a dor, a respiração, a pressão arterial e a presença de limitações de mobilidade. Durante a manobra, verifique se há esforço respiratório, palidez, tontura, expressão de dor ou alteração dos sinais vitais. A pele também deve ser inspecionada, principalmente em sacro, calcanhares, quadris, cotovelos e outras áreas submetidas à pressão, procurando vermelhidão persistente, bolhas, feridas ou mudanças de temperatura e consistência.

Em um paciente acamado que demonstra desconforto ao ser virado para o lado, por exemplo, a equipe precisa observar se a dor está relacionada ao movimento, à posição de um dispositivo ou a uma condição clínica que exige avaliação. A mudança não deve ser concluída mecanicamente sem considerar a resposta apresentada pelo paciente. As diretrizes do NICE recomendam que o reposicionamento seja individualizado conforme o risco e a condição clínica.

Atenção aos dispositivos e ao alinhamento

Antes de movimentar um paciente com oxigenoterapia, acesso venoso, sonda vesical ou dreno, confira a fixação e a folga dos tubos, evitando tração, dobras e desconexões. Após o reposicionamento, confirme se os dispositivos continuam funcionais e se o corpo está bem alinhado, com alívio da pressão nas proeminências ósseas. Na UTI, quando um paciente está em ventilação mecânica, é especialmente importante acompanhar a saturação, a adaptação ao ventilador e a segurança do tubo durante toda a manobra.

Também pode acontecer de, após a mudança, uma área avermelhada ficar visível no sacro ou no calcanhar. Nesse caso, a região deve ser reavaliada e registrada conforme o protocolo institucional, sem massagear a pele avermelhada, pois isso pode agravar a lesão. A prevenção exige inspeção sistemática, alívio de pressão e comunicação das alterações identificadas.

Cuidados de enfermagem

Realize a mudança com técnica segura e número adequado de profissionais, utilizando recursos de mobilização quando indicados. Respeite a tolerância clínica, mantenha o alinhamento corporal, proteja os dispositivos e registre a posição adotada, a condição da pele e eventuais intercorrências. A frequência do reposicionamento deve ser definida de acordo com o risco, a condição do paciente e o protocolo assistencial, e não aplicada de forma rígida para todos.

Resumo para salvar

Mudança de Decúbito: O Que Observar?

  • Avaliar estabilidade clínica e dor antes da manobra
  • Inspecionar pele e proeminências ósseas
  • Proteger sondas, cateteres e drenos durante o movimento
  • Registrar a tolerância e as alterações observadas

 

Pocket Enfermagem Ilustrada

 

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Pressure ulcers: prevention and management. London: NICE, 2014. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg179.
  2. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. Repositioning and Mobilization. In: HAESLER, Emily (ed.). Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. The International Guideline: Fourth Edition. 2026. Disponível em: International Guideline: Repositioning and Mobilization. 

Como Avaliar o Paciente Antes do Banho?

avaliação antes do banho

O banho no leito pode se tornar um momento de instabilidade clínica quando a condição do paciente não é avaliada antes do início. A mobilização, a mudança de posição e a exposição ao ambiente podem aumentar o desconforto e exigir esforço respiratório ou cardiovascular. Por isso, antes de separar os materiais, verifique se o paciente tem condições de tolerar o banho naquele momento. A avaliação deve considerar o estado clínico atual, não apenas a rotina prevista.

O que precisa ser verificado?

Antes do banho no leito, devem ser avaliados o nível de consciência, a capacidade de colaborar, a dor, a mobilidade e a condição da pele. Também devem ser observados os sinais vitais e, nos pacientes críticos, a saturação, o ritmo cardíaco, o suporte ventilatório e os dispositivos em uso. Quando houver instabilidade clínica, o banho deve ser reavaliado e, se necessário, adiado até que seja seguro realizá-lo.

Em um paciente internado na UTI, por exemplo, uma queda recente da pressão arterial ou o aumento da necessidade de oxigênio deve ser considerado antes de iniciar a mobilização. Mesmo que o banho esteja previsto para aquele horário, a equipe precisa avaliar se o procedimento poderá ser realizado sem agravar o quadro. Durante o cuidado, os parâmetros clínicos devem continuar sendo monitorados.

Segundo uma revisão sistemática, houve estudos em que a saturação venosa mista de oxigênio declinou consideravelmente durante o banho, restabelecendo-se cerca de 30 minutos depois, o que reforça a importância de monitorar o paciente antes, durante e após o procedimento.

A pele também precisa ser examinada

A avaliação deve incluir vermelhidão persistente, lesões, hematomas, edema, umidade excessiva e áreas dolorosas, especialmente nas regiões de pressão, como sacro, calcanhares e quadris. Se forem identificadas alterações, elas devem ser registradas e os cuidados preventivos ajustados. A mobilidade reduzida e a incapacidade de mudar de posição aumentam o risco de lesão por pressão.

Durante a avaliação de um paciente dependente para higiene, uma área avermelhada no sacro pode ser percebida antes mesmo de o banho começar. Esse achado deve ser comunicado e acompanhado, evitando fricção intensa e adotando medidas de alívio da pressão conforme o plano de cuidados.

Cuidados de enfermagem

Explique o procedimento e preserve a privacidade do paciente. Antes de mobilizá-lo, confirme se há dor, restrições de movimento, cateteres, drenos ou outros dispositivos que precisem ser protegidos. Organize os materiais, solicite ajuda quando necessária e interrompa o banho se houver piora clínica, desconforto importante ou alteração dos parâmetros monitorados.

O banho deve ser planejado conforme as condições do paciente naquele momento, e não apenas pela rotina do setor.

Resumo para salvar

Como Avaliar o Paciente Antes do Banho

  • Avalie estabilidade clínica e sinais vitais
  • Verifique consciência, dor e mobilidade
  • Observe a pele e as áreas de pressão
  • Proteja dispositivos e interrompa se houver piora clínica

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Pressure ulcers: prevention and management. London: NICE, 2014. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg179/chapter/Recommendations.
  2. LIMA, D. V. M.; LACERDA, R. A. Repercussões oxi-hemodinâmicas do banho no paciente em estado crítico adulto hospitalizado: revisão sistemática. Acta Paulista de Enfermagem, v. 23, n. 2, p. 278-285, 2010. Disponível em: SciELO.

Rebaixamento do Nível de Consciência: O Que Avaliar?

Rebaixamento de nível de consciência

A primeira avaliação é decisiva

Quando o nível de consciência é reduzido, a prioridade deve ser identificar riscos imediatos e reconhecer mudanças em relação ao estado habitual do paciente. A avaliação inicial deve seguir o ABCDE, com atenção à permeabilidade das vias aéreas, respiração, circulação e resposta neurológica. A glicemia capilar também deve ser verificada precocemente, pois a hipoglicemia pode provocar alteração da consciência e precisa ser reconhecida rapidamente.

O que precisa ser observado?

A Escala de Coma de Glasgow permite avaliar abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. Os componentes devem ser registrados separadamente, junto à pontuação total, para que mudanças sejam identificadas durante a assistência. Também devem ser avaliadas as pupilas, a simetria dos movimentos, a fala, a orientação e a capacidade de obedecer a comandos.

Durante um plantão, por exemplo, um paciente que antes respondia espontaneamente pode começar a responder apenas quando chamado repetidamente. Essa mudança deve ser comunicada e investigada, mesmo que a pressão arterial ainda esteja dentro dos valores habituais. A comparação com avaliações anteriores pode ajudar a identificar uma deterioração que passaria despercebida se apenas os sinais vitais fossem considerados.

Investigue possíveis causas

O rebaixamento pode estar associado a hipoxemia, hipoglicemia, alterações metabólicas, infecções, acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou efeitos de medicamentos sedativos e opioides. Por isso, devem ser observados o padrão respiratório, a saturação, a pressão arterial, a temperatura, os medicamentos administrados e o momento em que a alteração começou.

Se um paciente fica progressivamente sonolento após receber um opioide, por exemplo, a frequência respiratória e a ventilação precisam ser avaliadas imediatamente. A alteração não deve ser atribuída automaticamente à medicação, pois outras causas graves podem coexistir. Diante de deterioração súbita, convulsão, déficit neurológico focal ou dificuldade para manter a via aérea, deve ser acionada a equipe de resposta rápida ou emergência, conforme o protocolo local.

Cuidados de enfermagem

Mantenha a segurança do paciente, avalie e sustente vias aéreas e respiração conforme a necessidade, monitore os sinais vitais e a glicemia e registre a Glasgow com seus componentes. A evolução neurológica deve ser acompanhada em intervalos definidos pela condição clínica e pelo protocolo institucional. A piora precisa ser comunicada sem demora, com horário de início, achados observados e medidas realizadas.

No rebaixamento do nível de consciência, a tendência da avaliação é tão importante quanto o valor encontrado naquele momento.

Resumo para salvar

Rebaixamento do Nível de Consciência

  • Avalie ABCDE e glicemia capilar precocemente
  • Registre Glasgow por resposta ocular verbal e motora
  • Observe pupilas e alterações neurológicas
  • Comunique imediatamente qualquer deterioração clínica

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Head injury: assessment and early management. London: NICE, 2023. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng232/chapter/recommendations.

Medicamento Precipitou: O Que Fazer?

Seringa com medicamento turvo e cristais, ilustrando precipitação em solução intravenosa

Identifique o problema antes de administrar

A precipitação pode aparecer como cristais, partículas, turvação ou alteração inesperada do aspecto da solução. Isso pode acontecer por incompatibilidade entre medicamentos, escolha inadequada do diluente, concentração incorreta ou condições de preparo e conservação. Em medicamentos injetáveis, especialmente intravenosos, essas alterações exigem atenção imediata.

O ISMP relata casos em que produtos com precipitado visível chegaram a ser administrados a pacientes e classifica essa prática como insegura. A administração de medicamentos incompatíveis é considerada um erro de medicação evitável, com potencial de causar dano ao paciente.

Em um estudo em UTI adulta de hospital universitário brasileiro, 68 de 100 prescrições analisadas apresentavam ao menos uma incompatibilidade entre medicamentos intravenosos, o que reforça a importância de conferir a compatibilidade antes de preparar e administrar.

O que fazer na hora?

Se o precipitado for identificado antes da administração, não administre a solução. Se a infusão já estiver em andamento, interrompa-a e avalie o paciente conforme o protocolo institucional. Não tente dissolver os cristais agitando a solução, aquecendo-a ou acrescentando diluente por conta própria. Separe o preparo, identifique o ocorrido e comunique o enfermeiro responsável e a farmácia clínica para investigação.

Imagine uma situação comum no preparo de medicamentos intravenosos: após a reconstituição, a solução inicialmente límpida fica turva ao ser transferida para a bolsa de infusão. A conduta segura é suspender o preparo e verificar o medicamento, o diluente, a concentração e a compatibilidade, em vez de presumir que a alteração seja normal. A orientação do ISMP é não administrar soluções nas quais se observe precipitação.

Se o medicamento já começou a correr, não basta trocar a bolsa sem avaliar o que aconteceu. É necessário verificar quanto foi administrado, observar o paciente e comunicar a equipe responsável. Em uma situação ilustrativa de plantão, a presença de partículas no equipo durante uma infusão deve levar à interrupção e à avaliação do sistema, pois o problema pode estar na solução ou em uma incompatibilidade ocorrida durante a administração. O descarte e a substituição do material devem seguir o protocolo institucional.

Cuidados de enfermagem

Antes de preparar medicamentos injetáveis, confira a diluição recomendada pelo fabricante e consulte uma fonte confiável de compatibilidade. Observe o aspecto da solução antes e durante a administração, respeite o tempo de estabilidade após o preparo e não misture medicamentos na mesma seringa ou bolsa sem confirmação de compatibilidade. Se houver suspeita de reação ou complicação, monitore o paciente, registre a ocorrência e siga o fluxo institucional de notificação.

Resumo para salvar

Medicamento Precipitou: O Que Fazer

  • Não administre solução com precipitado inesperado
  • Interrompa a infusão se a alteração surgir durante a administração
  • Confira diluente, concentração e compatibilidade
  • Comunique a equipe, avalie o paciente e registre a ocorrência

A regra é simples: diante de precipitação inesperada, não improvise. Interromper o processo e investigar a causa é uma medida de segurança do paciente.

Referências:

  1. INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES (ISMP). Two unsafe practices: Administration of a product with a precipitate and reuse of a saline flush syringe. ISMP Nurse Advise-ERR, Horsham, v. 15, n. 5, maio 2017. Disponível em: ISMP: Nurse Advise-ERR, maio 2017.
  2. MARSILIO, Naiane Roveda; SILVA, Daiandy da; BUENO, Denise. Incompatibilidades medicamentosas em centro de tratamento intensivo adulto de um hospital universitário. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 28, n. 2, p. 147-153, abr./jun. 2016. DOI: 10.5935/0103-507X.20160029. Disponível em: SciELO: Incompatibilidades medicamentosas em UTI adulto.