Hipertireoidismo ou Hipotireoidismo: Como Diferenciar

Hipertireoidismo VS Hipotireoidismo

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 12/09/2026.

Na enfermagem, uma alteração de frequência cardíaca, temperatura, peso ou funcionamento intestinal pode parecer isolada no início. Quando esses sinais aparecem juntos, porém, vale lembrar da tireoide. A diferença entre excesso e deficiência de hormônios tireoidianos muda completamente o padrão clínico e a assistência.

Primeiro, entenda o TSH

A tireoide produz principalmente T4 e T3, enquanto a hipófise libera o TSH para estimular sua atividade. Por isso, em um hipotireoidismo primário, o padrão típico é TSH elevado e T4 livre reduzido. No hipertireoidismo, ocorre geralmente o inverso: TSH reduzido e T4 livre e/ou T3 elevados.

Esse padrão é fundamental para provas, mas não deve ser aplicado mecanicamente a todas as situações. Doenças da hipófise, medicamentos, gestação e outras condições podem modificar a interpretação dos exames.

Hipotireoidismo: quando o organismo desacelera

No hipotireoidismo, há deficiência dos hormônios tireoidianos. O paciente pode apresentar cansaço, sonolência, intolerância ao frio, pele seca, constipação, ganho de peso, redução da frequência cardíaca, fraqueza e dificuldade de concentração.

A causa mais comum em muitas populações é a tireoidite de Hashimoto, mas também podem ocorrer hipotireoidismo após cirurgia ou radioiodoterapia, além de alterações relacionadas a medicamentos e outras doenças da tireoide.

Um detalhe importante: não é necessário que todos esses sinais estejam presentes. Em pessoas idosas, por exemplo, a manifestação pode ser pouco específica, como fadiga, lentificação cognitiva ou redução funcional.

Hipertireoidismo: quando o metabolismo acelera

No hipertireoidismo, existe excesso de hormônios tireoidianos circulantes. O paciente pode apresentar taquicardia, palpitações, tremor, intolerância ao calor, sudorese, perda de peso, ansiedade, irritabilidade, insônia, aumento do trânsito intestinal e fraqueza muscular.

A doença de Graves é uma causa importante e pode estar associada à doença ocular da tireoide, com sintomas como olhos secos, vermelhidão, sensação de pressão ou protrusão ocular.

Em uma avaliação de enfermagem, encontrar um paciente emagrecendo, muito sudorético, com tremor fino nas mãos e frequência cardíaca elevada merece atenção para o conjunto, e não apenas para cada sinal isoladamente.

A comparação que facilita a memorização

Característica Hipotireoidismo Hipertireoidismo
Metabolismo Reduzido Aumentado
Peso Tendência ao ganho Tendência à perda
Temperatura Intolerância ao frio Intolerância ao calor
Frequência cardíaca Pode diminuir Pode aumentar
Intestino Constipação Evacuações frequentes/diarreia
Pele Seca e fria Quente e úmida
Sono Sonolência Insônia
Energia Cansaço e lentificação Agitação e fraqueza
TSH no primário Geralmente alto Geralmente baixo
T4 livre Geralmente baixo Geralmente alto

Essa tabela ajuda a reconhecer o padrão, mas sintomas isolados não fecham diagnóstico. A confirmação depende da avaliação clínica e dos exames laboratoriais.

Como o diagnóstico é feito?

Na suspeita de disfunção tireoidiana, o TSH geralmente ocupa o primeiro lugar na avaliação laboratorial. Quando alterado, o T4 livre ajuda a definir se existe hipotireoidismo ou hipertireoidismo manifesto ou subclínico. O T3 pode ser especialmente útil na investigação do hipertireoidismo quando o T4 livre não explica completamente o quadro.

Anticorpos, como anti-TPO e TRAb, podem ajudar a identificar etiologias autoimunes específicas. Ultrassonografia e cintilografia não são exames intercambiáveis: a ultrassonografia é principalmente anatômica, enquanto a cintilografia pode auxiliar na investigação da causa do hipertireoidismo em situações selecionadas.

Na prática, uma pessoa pode chegar ao serviço dizendo apenas que está “cansada demais”. Se junto disso houver constipação, intolerância ao frio, pele seca e frequência cardíaca reduzida, o conjunto merece uma investigação diferente daquele paciente que relata perda de peso, palpitações, tremores e sudorese.

Tratamento: não existe uma única receita

O tratamento depende da causa.

No hipotireoidismo, a reposição com levotiroxina é o tratamento habitual. A dose precisa ser individualizada e acompanhada por exames, e a forma de administração pode interferir na absorção. Ferro, cálcio e alguns outros produtos podem reduzir a absorção da levotiroxina quando administrados próximos ao medicamento, por isso o paciente deve seguir o intervalo orientado pelo profissional responsável.

No hipertireoidismo, as opções incluem medicamentos antitireoidianos, radioiodoterapia ou cirurgia, conforme a causa e as características do paciente. Betabloqueadores podem ser utilizados para controlar manifestações como taquicardia e tremor, mas não reduzem a produção dos hormônios tireoidianos.

Um cuidado que merece ser lembrado pela enfermagem ocorre com os antitireoidianos: febre ou dor de garganta durante o uso de metimazol ou propiltiouracil deve ser comunicada rapidamente, porque pode representar agranulocitose e exigir avaliação laboratorial.

Quando a alteração vira emergência?

O hipertireoidismo grave pode evoluir para tempestade tireotóxica, uma emergência caracterizada por descompensação sistêmica, podendo envolver febre, taquicardia importante, alteração do estado mental, sintomas gastrointestinais e insuficiência cardiovascular.

No extremo oposto, o hipotireoidismo grave pode evoluir para coma mixedematoso, geralmente acompanhado de alteração do nível de consciência, hipotermia, bradicardia, hipotensão e outros sinais de descompensação.

Essas condições não devem ser reconhecidas apenas pela presença de um sintoma. É a combinação entre história, exame físico, alterações fisiológicas e contexto clínico que determina a gravidade.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, acompanhe frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, nível de consciência, peso, padrão intestinal, tolerância ao calor ou frio e alterações cardiovasculares ou neurológicas conforme a condição apresentada.

No hipertireoidismo, atenção especial para taquicardia, arritmias, hipertermia, agitação e sinais de deterioração. No hipotireoidismo, observe hipotermia, bradicardia, sonolência excessiva, redução do nível de consciência e intolerância ao esforço.

A educação também faz parte do cuidado: conferir a administração correta dos medicamentos, reforçar a adesão ao tratamento, orientar sobre possíveis efeitos adversos e reconhecer sinais que precisam ser comunicados rapidamente.

Para não confundir na prova

! Atenção na Prova

Hipotireoidismo = metabolismo reduzido → frio, cansaço, constipação, ganho de peso e bradicardia.

Hipertireoidismo = metabolismo aumentado → calor, sudorese, perda de peso, tremor, taquicardia e aumento do trânsito intestinal.

Na interpretação laboratorial clássica do hipotireoidismo primário, pense em TSH alto + T4 livre baixo. No hipertireoidismo, pense em TSH baixo + T4 livre e/ou T3 altos.

A diferença parece simples quando colocada lado a lado, mas é a avaliação do conjunto que permite à enfermagem reconhecer precocemente uma alteração e perceber quando o paciente está deixando de apresentar apenas uma disfunção tireoidiana estável e começando a descompensar.

Resumo para salvar

Hipertireoidismo ou Hipotireoidismo

  • Hipotireoidismo geralmente apresenta TSH alto e T4 livre baixo
  • Hipertireoidismo geralmente apresenta TSH baixo e T4 e/ou T3 altos
  • Hipotireoidismo desacelera o metabolismo e hipertireoidismo acelera
  • Enfermagem deve reconhecer sinais de descompensação e efeitos dos medicamentos

Referências:

  1. ROSS, Douglas S. et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid, v. 26, n. 10, p. 1343-1421, 2016.
  2. JONKLAAS, Jacqueline et al. Guidelines for the Treatment of Hypothyroidism: Prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid, v. 24, n. 12, p. 1670-1751, 2014.
  3. AMERICAN THYROID ASSOCIATION. Hyperthyroidism. American Thyroid Association, 2026.
  4. AMERICAN THYROID ASSOCIATION. Hypothyroidism. American Thyroid Association.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA. Consenso brasileiro para o diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia.

Problemas Comuns dos Pés diabéticos

Vá direto ao ponto!

O pé diabético é uma série de alterações que podem ocorrer nos pés de pessoas com diabetes não controlado. Infecções ou problemas na circulação dos membros inferiores estão entre as complicações mais comuns, provocando o surgimento de feridas que não cicatrizam e infecções nos pés.

Esse quadro costuma acontecer porque, com o passar do tempo, a diabetes leva a um problema chamado neuropatia. Essa situação causa um prejuízo aos nervos, resultando em deformações nos ossos e nos músculos dos pés e na redução da sensibilidade da pele.

Com isso, ao mesmo tempo em que os pés se tornam mais propensos a sofrer um machucado (bolhas, calos, traumas etc.), o paciente perde parte de sua capacidade de sentir dor, o que faz com que ele não perceba que tem uma ferida e, assim, não procure tratamento.

Além disso, as pessoas com diabetes tendem a apresentar problemas de circulação, o que dificulta a chegada do sangue até os membros mais distantes do coração, especialmente os pés. Em consequência, essa região recebe menos oxigênio, o que prejudica a cicatrização e pode levar à morte do tecido, conhecida como necrose ou gangrena.

Como esse quadro evolui de forma silenciosa, o paciente passa semanas ou meses com uma úlcera aberta, ou seja, uma porta de entrada para microrganismos causadores de infecções, principalmente as bactérias. Dessa forma, geralmente a lesão já está muito avançada quando a pessoa procura o médico, levando a um alto risco de amputação.

Problemas Comuns

Alguns problemas comuns com pessoas portadoras pé diabético são:

  • Joanete: uma deformidade óssea que causa o desvio do dedão do pé, podendo causar dor, inflamação e calosidades.
  • Calo: uma área de pele endurecida e grossa que surge devido ao atrito ou pressão excessiva sobre os pés, podendo causar desconforto e feridas.
  • Dedo do pé em martelo: uma deformidade que faz com que o dedo fique dobrado na articulação central, podendo causar dor, calos e dificuldade para calçar sapatos.
  • Unha encravada: uma situação em que a borda da unha cresce para dentro da pele, causando dor, vermelhidão, inchaço e infecção.
  • Rachadura plantar: uma fissura na pele do calcanhar ou da sola do pé, que pode sangrar, arder e facilitar a entrada de bactérias.
  • Úlcera: uma ferida profunda e de difícil cicatrização que pode atingir os tecidos moles, os ossos e as articulações do pé, podendo levar à gangrena e à amputação.

Cuidados

Os pés diabéticos devem ser cuidados diariamente com medidas de higiene, hidratação, proteção e observação.

Além disso, é importante controlar os níveis de açúcar no sangue, evitar o tabagismo e o consumo de álcool, usar sapatos adequados e confortáveis e procurar orientação médica regularmente ou sempre que surgir algum sinal de alerta .

  • examinar os pés diariamente em um lugar bem iluminado. Quem não tiver condições de fazê-lo, precisa pedir a ajuda de alguém para verificar a existência de frieiras, cortes, calos, rachaduras, feridas ou alterações de cor. Uma dica é usar um espelho para ter uma visão completa. Nas consultas, pedir ao profissional de saúde que examine os pés e avisá-lo imediatamente sobre eventuais alterações;
  • manter os pés sempre limpos, e usar sempre água morna, e nunca quente, para evitar queimaduras. A toalha deve ser macia. É melhor não esfregar a pele. Mantenha a pele hidratada, mas sem passar creme entre os dedos ou ao redor das unhas;
  • usar meias sem costura; o tecido deve ser algodão ou lã; evitar sintéticos, como nylon;
  • antes de cortar as unhas é preciso lavá-las e secá-las bem. Para cortar, usar um alicate apropriado ou uma tesoura de ponta arredondada. O corte deve ser quadrado, com as laterais levemente arredondadas, e sem tirar a cutícula. Recomenda-se evitar idas a manicures ou pedicures, dando preferência a um profissional treinado, como o podólogo, o qual deve ser avisado do diabetes. O ideal é não cortar os calos, nem usar lixas. É melhor conversar com o médico sobre a possível causa do aparecimento dos calos;
  • não andar descalço. Manter os pés sempre protegidos, inclusive na praia e na piscina;
  • os calçados ideais são os fechados, macios, confortáveis e com solados rígidos, que ofereçam firmeza. Antes de adquiri-los, é importante olhar com atenção para ver se há deformação. As mulheres devem dar preferência a saltos quadrados, que tenham, no máximo, 3 cm de altura. É melhor evitar sapatos apertados, duros, de plástico, de couro sintético, com ponta fina, saltos muito altos e sandálias que deixam os pés desprotegidos. Além disso, recomenda-se a não utilização de calçados novos, por mais de uma hora por dia, até que estejam macios. Os danos nos nervos podem causar também mudanças na forma dos pés e dos dedos.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

IGF-1: Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1

O Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1, somatomedina C ou IGF-1 é uma proteína produzida no fígado em resposta ao hormônio de crescimento (GH) com papel importante no crescimento, desenvolvimento da musculatura, diminui os níveis de glicose no sangue, reduz os níveis de gordura corporal altera a oxidação lipídica e aumenta a síntese de proteínas.

Sua Função

Em humanos, o GH e enquanto o IGF-I desencadeia o aumento da oxidação lipídica apenas cronicamente. Enquanto as ações sobre o crescimento são tempo limitado, as ações metabólicas e cardiovasculares do eixo GH/IGF-I perduram durante toda a vida.

Apesar de muito similar à insulina, enquanto o receptor de insulina é altamente comum no fígado e tecido adiposo branco em adultos, o receptor de IGF-I é raro nesses locais, sendo mais comum no músculo esquelético, onde estimula a diferenciação celular.

Seu uso terapêutico

Análogos sintéticos da IGF-1, como a mecassermina, podem ser utilizados para o tratamento de atraso no crescimento e podem retardar processos neurodegenerativos como mal de Alzheimer.

Patologias

Um alto nível de IGF-1 aumenta o risco de câncer, diabetes e aceleram o envelhecimento.

Incapacidade de produzir IGF-1 causa um menor crescimento e tendência a obesidade em crianças e adolescentes, popularmente conhecido como nanismo.

Referência:

  1. Carla R.P. Oliveira, Rafael A. Meneguz-Moreno, Manuel H. Aguiar-Oliveira, José A. S. Barreto-Filho. Papel Emergente do Eixo GH/IGF-I no Controle Cardiometabólico. Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE, Brasil. http://www.scielo.br/pdf/abc/v97n5/v97n5a12.pdf
  2. Insulin-like growth factor-I: potential for treatment of motor neuronal disorders. Lewis ME, Neff NT, Contreras PC, Stong DB, Oppenheim RW, Grebow PE, Vaught JL.SourceCephalon, Inc., West Chester, Pennsylvania 19380

Esquema para Correção de Insulina: O que mudou?

Na enfermagem, um detalhe muda completamente a segurança da correção de insulina: não basta olhar o número da glicemia; é preciso saber por que aquele número apareceu e qual esquema foi prescrito. As recomendações atuais deixaram mais claro que a correção deve fazer parte de uma estratégia de controle glicêmico, e não funcionar como uma resposta automática para toda glicemia elevada.

Meta glicêmica no paciente internado

Na maioria dos pacientes hospitalizados não críticos, a meta recomendada é manter a glicemia entre 100 e 180 mg/dL, desde que isso possa ser alcançado sem hipoglicemia significativa. A Diretriz da SBD 2026 atualizou o critério de hiperglicemia hospitalar para valores acima de 180 mg/dL, substituindo o corte anterior de 140 mg/dL. O tratamento farmacológico passa a ser especialmente relevante quando há hiperglicemia persistente.

, geralmente definida por duas ou mais medidas ≥180 mg/dL em 24 horas.

Em pacientes críticos, como aqueles internados na UTI, a recomendação é diferente: quando a insulinoterapia é necessária, a meta habitual fica em 140–180 mg/dL. Tentar manter valores muito baixos, como 80–110 mg/dL, aumenta o risco de hipoglicemia e não é recomendado rotineiramente.

Correção não deve ser confundida com tratamento completo

A insulina de correção serve para controlar elevações glicêmicas pontuais, mas seu uso isolado não deve ser transformado em estratégia permanente. Na hiperglicemia persistente do paciente não crítico, a Diretriz da SBD 2026 recomenda insulinoterapia basal, podendo ser associada a bolus pré-prandiais, conforme alimentação, perfil glicêmico e condição clínica. A antiga prática de simplesmente aumentar a dose de uma escala progressiva sem avaliar o esquema basal-prandial pode favorecer tanto hiperglicemia persistente quanto hipoglicemia.

O esquema também muda conforme a alimentação. Com dieta oral adequada, pode ser utilizado um regime basal-bolus com correção; quando a ingestão oral é reduzida ou o paciente está em jejum, a estratégia precisa ser ajustada. Em nutrição enteral ou parenteral contínua, a frequência e o tipo de insulinização também precisam acompanhar o padrão nutricional.

! Atenção na Prova Um ponto que costuma cair em prova

Se o paciente apresenta mais de duas glicemias ≥180 mg/dL em 24 horas, não é adequado simplesmente continuar tratando cada valor isoladamente com uma escala de correção. Esse padrão indica hiperglicemia persistente e exige reavaliação do esquema prescrito. A SBD 2026 recomenda ajustes da insulinoterapia, em geral, a cada 24–48 horas, considerando glicemias, dieta e medicamentos que interferem no controle glicêmico.

Atenção aos corticoides

O uso de glicocorticoides pode provocar um padrão característico de elevação da glicemia, muitas vezes mais evidente no período da tarde. Nessa situação, a monitorização precisa acompanhar o horário e o efeito do corticoide; a SBD admite, em situações específicas, o uso de NPH pela manhã, inclusive iniciando em 0,1 UI/kg/dia, conforme avaliação e prescrição clínica.

Vivência na prática

Em uma rotina de UTI, é comum encontrar uma glicemia elevada justamente após o paciente receber corticoide pela manhã. Já acompanhei situações em que a equipe inicialmente olhava apenas para o valor isolado da glicemia da tarde. Quando se observava o comportamento das medidas ao longo do dia, ficava evidente que não era um episódio aleatório: havia um padrão relacionado ao horário do medicamento. Essa diferença muda a conversa sobre ajuste da insulinoterapia.

Outra situação frequente acontece quando o paciente tem uma dose fixa de insulina prandial prescrita, mas, no horário da refeição, aceita apenas algumas colheradas. Nesses casos, administrar automaticamente uma dose destinada a uma refeição completa pode aumentar o risco de hipoglicemia. A recomendação atual é considerar a aceitação alimentar antes da administração e comunicar alterações relevantes à equipe responsável; em baixa aceitação da dieta, doses fixas de bolus podem precisar ser suspensas ou ajustadas conforme prescrição.

Cuidados de enfermagem

Antes de administrar a insulina, confira glicemia, tipo de insulina, dose, horário, via, relação com a alimentação e prescrição vigente. Observe se o paciente está em jejum, apresentou redução da aceitação alimentar ou recebeu medicamentos capazes de alterar a glicemia.

Após a administração, mantenha a monitorização conforme protocolo institucional e fique atento aos sinais de hipoglicemia, principalmente em pacientes idosos, com doença renal, baixa ingestão alimentar ou mudanças recentes na insulinoterapia. Em valores muito elevados associados a náuseas, vômitos, dor abdominal, alteração do nível de consciência ou outros sinais sugestivos de descompensação metabólica, a situação exige avaliação imediata e não deve ser tratada simplesmente como mais uma correção de rotina.

🚨
ATENÇÃO!tabelas de correção e doses de insulina devem seguir a prescrição e o protocolo institucional. Este conteúdo é educacional e não substitui a avaliação clínica nem autoriza a alteração independente da dose prescrita

Resumo para salvar

Correção de Insulina: O Que Mudou?

  • Meta glicêmica de 100–180 mg/dL no paciente não crítico
  • Hiperglicemia persistente exige reavaliação da insulinoterapia
  • Escala de correção isolada não deve ser usada como estratégia permanente
  • Enfermagem deve conferir glicemia, alimentação, prescrição e risco de hipoglicemia

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O Controle Glicêmico Intensivo

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Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Manejo da hiperglicemia hospitalar em pacientes não-críticos: Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes – Ed. 2026. São Paulo: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026. Disponível em: Diretriz da SBD – Hiperglicemia hospitalar no paciente não crítico.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Hiperglicemia hospitalar no paciente crítico: Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes – Ed. 2026. São Paulo: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026. Disponível em: Diretriz da SBD – Paciente crítico.
  3. AMERICAN DIABETES ASSOCIATION PROFESSIONAL PRACTICE COMMITTEE. 16. Diabetes Care in the Hospital: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care, v. 49, supl. 1, 2026. Disponível em: Diabetes Care in the Hospital – ADA 2026.
  4. ENDOCRINE SOCIETY. Inpatient Hyperglycemia Guideline Resources. Washington, DC: Endocrine Society, 2022. Disponível em: Endocrine Society – Inpatient Hyperglycemia. 

Manobra de Phalen

A Manobra de Phalen é um exame diagnóstico para a Síndrome do Túnel do Carpo (STC).

Como é feito o teste?

Solicita-se ao paciente que mantenha seus punhos em flexão completa e forçada (empurrando as superfícies dorsais de ambas mãos juntas) por 30-60 segundos.

Essa manobra aumenta moderadamente a pressão no túnel do carpo e possui o efeito de prensar o nervo mediano entre a borda proximal do ligamento transverso do carpo e a borda anterior da porção distal do rádio.

Ao comprimir o nervo mediano no interior do túnel do carpo, sintomas característicos (como queimação, pontada ou formigamento no polegar, indicador, dedo médio e dedo anelar) são considerados sinais positivos e sugerem uma síndrome do túnel do carpo.

A Síndrome do Túnel do Carpo

É uma condição médica causada pela compressão do nervo mediano no ponto em que passa pelo túnel cárpico do pulso.

Os sintomas mais comuns são dor, falta de sensibilidade, formigueiro nos dedos polegar, indicador, e do lado do polegar do dedo anelar. Os sintomas geralmente começam-se a manifestar de forma gradual e durante a noite.

Em alguns casos a dor pode-se espalhar para o braço. Após um longo período de tempo, o desgaste dos músculos na base do polegar pode causar diminuição da força necessária para agarrar objetos. Em mais da metade dos casos, ambos lados são afetados.

Fatores de Risco

–  Obesidade;

– Trabalho repetitivo com o pulso;

– Gravidez;

– Artrite reumatoide.

Existem alguns indícios de que o hipotireoidismo aumenta o risco, e existe também uma associação ligeira da diabetes com a STC.

A utilização da pílula contraceptiva não influencia o risco.

Referência:

1. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Carpal Tunnel Syndrome Evidence-Based Clinical Practice Guideline. http://www.aaos.org/ctsguideline. Published February 29, 2016.

Dislipidemia

A Dislipidemia é definida como distúrbio que altera os níveis séricos dos lipídeos (gorduras).

Na dislipidemia há alteração dos níveis séricos dos lipídeos. As alterações do perfil lipídico podem incluir colesterol total alto, triglicerídeos (TG) alto, colesterol de lipoproteína de alta densidade baixo (HDL-c) e níveis elevados de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-c).

Em consequência, a dislipidemia é considerada como um dos principais determinantes da ocorrência de doenças cardiovasculares (DCV) e cerebrovasculares, dentre elas aterosclerose (espessamento e perda da elasticidade das paredes das artérias), infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica do coração (diminuição da irrigação sanguínea no coração) e AVC (derrame).

De acordo com o tipo de alteração dos níveis séricos de lipídeos, a dislipidemia é classificada como: hipercolesterolemia isolada, hipertrigliceridemia isolada, hiperlipidemia mista e HDL-C baixo.

Os valores de referência para avaliação dos níveis de lipídios na circulação sanguínea estão descritos na tabela a seguir:

Valores de Referência (adultos até 20 anos)*

Baixo Desejável Limítrofe Alto Muito Alto
Colesterol Total < 200 mg/dl 200 – 239 mg/dl ≥ 240 mg/dl
LDL – C 100 -129 mg/dl 130 – 159 mg/dl 160 -189 mg/dl ≥ 190 mg/dl
HDL – C – ≥ 60 mg/dl
Mulheres: < 50 mg/dl Homens: < 40 mg/dl – ≥ 60 mg/dl
VLDL < 30mg/dl 30-67 mg/dl > 67 mg/dl
Triglicérides < 150 mg/dl 150-200 mg/dl 200 – 499 mg/dl ≥ 500 mg/dl

Fonte: Adaptado de Sposito et al3 e Sociedade Brasileira de Cardiologia
* Os valores de referência ou metas terapêuticas dependem além da idade, do sexo e da presença de outras doenças, tais como hipertensão arterial, aterosclerose, síndrome metabólica e diabetes mellitus.

Os níveis de lipídios na corrente sanguínea estão associados ao hábito de praticar exercícios, de ingerir bebidas alcoólicas, carboidratos e gorduras.

Além disso, o índice de massa corpórea e idade influenciam as taxas de gordura sérica. A atividade física aeróbica regular, como corrida e caminhada, constitui medida auxiliar para o controle da dislipidemia.

Tratamento

Alguns autores afirmam que a redução do risco de eventos cardiovasculares depende muito mais do grau da redução do colesterol do que da forma usada para reluzi-lo. O tratamento pode ser classificado em medicamentoso e não medicamentoso, o qual é definido como mudança de estilo de vida.

De maneira geral, os hipolipemiantes, medicamentos usados no tratamento de dislipidemias, devem ser empregados quando não houver efeito satisfatório do tratamento não medicamentoso ou na impossibilidade de aguardar seus efeitos.

Dentre os medicamentos, destacam-se os seguintes grupos:

– Estatinas; Ezetimiba; Colestiramina; Fibratos; e Ácido nicotínico.

Apesar das opções terapêuticas existentes para o tratamento das dislipidemias, este boletim avaliará o custo de tratamento das estatinas no controle das taxas de colesterol. As estatinas comercializadas no mercado brasileiro são: atorvastatina; fluvastatina; lovastatina; pravastatina e rosuvastatina.

Alguns cuidados

  • Diminuir o consumo de gorduras saturadas e de gordura trans;
  • A ingestão de gorduras deve ser equilibrada. Recomenda-se dar preferência ao consumo de gorduras poli-insaturadas e de gorduras monoinsaturadas.

 

Tipos de gordura
  • Gordura saturada, presente nos alimentos de origem animal como as carnes gordas, toucinho, leite integral e seus derivados, manteiga, creme de leite, além do óleo de dendê.
  • Gordura trans, presente em produtos industrializados como biscoitos, pães, sorvetes, salgadinhos.
  • Gordura poli-insaturada, presente em óleos vegetais e alguns peixes como salmão, sardinha, atum, anchova, bacalhau.
  • Gordura monoinsaturada, presente no azeite de oliva e no óleo de canola, frutas oleaginosas, além do abacate (a fruta).
  • Alguns alimentos podem auxiliar no controle do colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares, procure inclui-los na sua alimentação diária:
    • ​Frutas com perfil antioxidante: maçã / uva / suco de uva/ amora / frutas vermelhas / abacate
    • Aveia
    • Linhaça
    • Azeite de oliva
    • Vegetais como brócolis, berinjela, couve-flor, alcachofra.
    • Soja / extrato de soja (leite de soja) / queijo de soja (tofu), feijões.
    • Peixes ricos em ômega-3: salmão, atum, sardinha, anchova, bacalhau
    • Sementes: semente de girassol sem casca, gergelim.
    • Oleaginosas: castanha do Pará, amêndoas, nozes.
    • Chocolate amargo: rico em antioxidantes! Atenção, somente 20g por dia.

     

Referências:

  1. Anvisa