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Doenças Ocupacionais
Veja alguns dos nossos principais assuntos relacionados à Doenças Ocupacionais.
Doenças Ocupacionais na Enfermagem
A enfermagem é uma profissão essencial, mas também desafiadora. Os profissionais de enfermagem enfrentam uma série de riscos ocupacionais devido à natureza do trabalho e ao ambiente hospitalar. Vamos explorar algumas das doenças ocupacionais mais comuns que afetam estes profissionais:
Doenças Ocupacionais
Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT):
A DORT é um distúrbio que afeta músculos, tendões e articulações devido a atividades repetitivas no ambiente de trabalho. Profissionais de enfermagem frequentemente enfrentam sobrecarga física, como movimentos repetitivos ao lidar com pacientes e levantar objetos pesados. Essa condição pode levar a dores lombares, tendinites e outros problemas musculoesqueléticos.
Síndrome de Burnout:
A síndrome de Burnout, também conhecida como esgotamento profissional, ocorre devido à exaustão extrema relacionada ao trabalho. Profissionais de enfermagem, devido à pressão constante, estão em risco de desenvolver essa síndrome. Ela afeta o emocional, levando a tristeza profunda, desesperança e até pensamentos suicidas.
Depressão:
A depressão é uma doença psiquiátrica crônica que causa oscilações de humor, perda de interesse e tristeza profunda. Profissionais de enfermagem também podem enfrentar esse transtorno, especialmente devido ao estresse e à pressão no ambiente de trabalho. É importante reconhecer os sintomas e buscar ajuda médica para tratamento adequado.
Afecções do Trato Respiratório:
As infecções respiratórias são comuns na enfermagem. Elas podem variar desde resfriados comuns até infecções mais graves, como pneumonia. Os sintomas incluem coriza, tosse intensa, nariz entupido e febre. Profissionais de enfermagem estão expostos a essas infecções, principalmente em ambientes fechados e durante o inverno.
Afecções do Trato Urinário e Dermatoses:
Embora não sejam tão frequentes quanto as mencionadas anteriormente, profissionais de enfermagem também podem enfrentar problemas no trato urinário, como infecções do trato urinário. Além disso, dermatoses (doenças de pele) podem ocorrer devido à exposição a produtos químicos, luvas e lavagens frequentes das mãos.
É essencial que os profissionais de enfermagem estejam cientes dessas doenças ocupacionais, adotem medidas preventivas e busquem apoio médico quando necessário. A saúde destes profissionais são fundamentais para a qualidade do cuidado prestado aos pacientes.
Conteúdo Atualizado!Revisado e atualizado em 30/09/2026.
Nem todo profissional que termina o plantão exausto está com burnout. O sinal de alerta aparece quando o desgaste deixa de ser apenas cansaço e começa a mudar a relação com o próprio trabalho, com os pacientes e com a sensação de capacidade profissional.
O que é Burnout?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout na CID-11 como um fenômeno ocupacional, relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado. Ele é caracterizado por três dimensões principais: esgotamento ou perda de energia, aumento do distanciamento mental ou sentimentos de negativismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. Portanto, burnout não deve ser usado para descrever qualquer sofrimento ou cansaço da vida cotidiana.
Na enfermagem, fatores como sobrecarga, jornadas extensas, falta de pessoal, pressão constante, conflitos, violência no trabalho, pouca autonomia e exposição repetida ao sofrimento podem contribuir para o adoecimento relacionado ao trabalho. Uma revisão envolvendo 94 estudos encontrou elevada frequência de burnout entre profissionais de enfermagem, mas também mostrou grande variação conforme país, especialidade e período analisado, o que impede transformar um percentual único em regra para todos os serviços.
Quando o desgaste começa a preocupar
O profissional pode perceber exaustão persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, afastamento emocional, perda de motivação e sensação de menor eficácia no trabalho. Alterações do sono e outras manifestações físicas também podem aparecer, mas esses sinais isoladamente não confirmam burnout.
Um cenário comum no plantão é o profissional que antes se envolvia com cada mudança clínica e, depois de meses de sobrecarga, passa a funcionar apenas no automático: administra, registra, responde e segue para o próximo atendimento, sem conseguir recuperar a mesma energia emocional. Essa mudança de relação com o trabalho merece atenção, principalmente quando permanece mesmo depois dos períodos de descanso. A avaliação profissional é importante porque burnout, ansiedade, depressão e outras condições podem apresentar manifestações semelhantes.
A causa não está apenas no profissional
Dizer apenas para “descansar mais”, fazer atividade física ou aprender a controlar o estresse é insuficiente quando a própria organização do trabalho mantém os fatores que produzem o desgaste.
Em 2026, essa discussão ganhou ainda mais importância no Brasil. A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Entre os exemplos estão sobrecarga de trabalho, assédio e falta de suporte.
Isso muda a forma de olhar para o problema: prevenção não significa apenas ensinar o trabalhador a suportar melhor a pressão. Também envolve identificar e controlar fatores presentes na organização e na gestão do trabalho.
O que pode ajudar na prevenção
No nível individual, reconhecer sinais persistentes, estabelecer limites possíveis, manter períodos de recuperação, buscar apoio e procurar avaliação profissional quando necessário são medidas importantes. A OMS recomenda que intervenções de saúde mental no trabalho combinem ações organizacionais, capacitação de gestores e trabalhadores, suporte individual e estratégias de retorno ao trabalho quando indicadas.
No serviço de saúde, a prevenção pode envolver dimensionamento e organização do trabalho, comunicação da equipe, apoio da liderança, enfrentamento do assédio e da violência, participação dos trabalhadores nas decisões e acompanhamento dos riscos psicossociais.
Em um plantão de UTI, por exemplo, uma sequência de pacientes graves, intercorrências sucessivas e equipe reduzida pode fazer com que até uma pausa básica seja constantemente adiada. Quando isso se repete por semanas, não basta orientar o profissional a “ter mais resiliência”; é necessário olhar também para a organização daquele trabalho.
Cuidados de enfermagem
O profissional de enfermagem deve observar mudanças persistentes no próprio comportamento e também sinais de sofrimento entre colegas. Escuta sem julgamento, acolhimento e encaminhamento para os canais institucionais de saúde do trabalhador ou para atendimento especializado podem ser necessários.
É importante evitar rotular um colega como “burnout” apenas pela aparência de cansaço ou irritabilidade. O diagnóstico e a avaliação clínica cabem aos profissionais habilitados. Quando houver sofrimento intenso, prejuízo importante no funcionamento ou risco à própria segurança, a busca por atendimento deve ser priorizada.
O Cofen mantém atualmente uma estrutura específica de atenção à saúde mental da enfermagem. Em 2026, o Conselho criou a Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental e reorganizou o antigo programa Enfermagem Solidária como Central de Atendimento e Suporte à Saúde Mental.
Burnout precisa ser tratado como questão de trabalho
Reconhecer o burnout não significa culpar o profissional nem considerar que todo sofrimento seja causado exclusivamente pelo emprego. A questão é compreender quando as condições de trabalho estão participando do processo e quais mudanças podem reduzir esse risco.
Para a enfermagem, cuidar da saúde mental também faz parte da segurança profissional. Uma equipe constantemente esgotada precisa ser ouvida, e os fatores que produzem esse desgaste precisam entrar na discussão do serviço, não apenas na responsabilidade individual de quem está na assistência.
Resumo para salvar
Burnout na Enfermagem: Sinais que Não Ignore
Burnout é um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho
Os principais sinais envolvem exaustão distanciamento do trabalho e redução da eficácia profissional
A prevenção também depende da organização e das condições de trabalho
A NR-1 passou a incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais em 2026
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Ministério do Trabalho e Emprego – NR-1.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Manual de interpretação e aplicação do capítulo 1.5 da NR-1. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Manual da NR-1 – Riscos Psicossociais.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Decisão Cofen nº 6, de 29 de janeiro de 2026. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Cofen – Saúde Mental da Enfermagem.
PALAZZO, L. S. et al. Global prevalence of nursing burnout syndrome and temporal trends for the last 10 years: a meta-analysis of 94 studies covering over 30 countries. Journal of Clinical Nursing, 2023. Disponível em: PubMed – Global prevalence of nursing burnout syndrome.
Os profissionais de enfermagem estão expostos a uma variedade de riscos ocupacionais durante o exercício de suas funções. Esses riscos podem comprometer a saúde e a integridade física e mental dos trabalhadores, impactando diretamente sua qualidade de vida e a segurança dos pacientes.
Principais Riscos Ocupacionais na Enfermagem
Riscos Biológicos
Exposição a agentes infecciosos: Contato com sangue, fluidos corporais, secreções e excreções, além de pacientes com doenças infecciosas, expõe os profissionais de enfermagem a vírus, bactérias, fungos e parasitas.
Doenças transmissíveis: Hepatite B e C, HIV, tuberculose, sarampo, rubéola, caxumba, gripe, COVID-19, entre outras.
Riscos específicos para áreas de atuação: Maternidade (hepatite B, sífilis), pediatria (sarampo, rubéola, caxumba), oncologia (infecções oportunistas), UTI (bactérias multirresistentes), saúde mental (risco de violência).
Riscos Químicos
Medicamentos: Exposição a medicamentos citotóxicos, anestésicos, antissépticos, antibióticos, antivirais, etc., durante a administração, manipulação e descarte.
Reagentes de laboratório: Uso de soluções químicas para análise laboratorial e outros procedimentos.
Produtos de limpeza: Desinfetantes, detergentes, alvejantes, solventes, etc., utilizados na higienização de ambientes e materiais.
Riscos Físicos
Esforço físico excessivo: Movimentação de pacientes, equipamentos pesados, realização de procedimentos que exigem força física.
Exposição a ruídos: Ambientes hospitalares com níveis elevados de ruído, equipamentos médicos, alarmes, etc.
Vibrações: Uso de instrumentos cirúrgicos, equipamentos médicos que vibram, etc.
Radiações ionizantes: Exposição a raios X, gama e outros tipos de radiação em procedimentos médicos
Riscos Ergonômicos
Posturas inadequadas: Posições prolongadas, movimentos repetitivos, trabalho em pé ou sentado por longos períodos.
Mobília inadequada: Cadeiras, mesas, equipamentos e outros objetos que não se adaptam às necessidades do trabalho.
Organização inadequada do ambiente: Falta de espaço, iluminação inadequada, excesso de materiais, etc.
Equipamentos inadequados: Ferramentas pesadas, complexas ou com design inadequado, dificultando a realização de tarefas.
Riscos Acidentais e Psicossociais
Acidentes com materiais perfurocortantes: Agulhas, bisturis e outros materiais perfurantes podem causar ferimentos e a exposição a agentes patogênicos como vírus da hepatite B, C e HIV.
Quedas: A movimentação de pacientes, a utilização de escadas e a presença de obstáculos no ambiente de trabalho aumentam o risco de quedas e fraturas.
Queimaduras: O contato com líquidos quentes, substâncias químicas e equipamentos médicos podem causar queimaduras de diversos graus.
Choques elétricos: O uso inadequado de equipamentos elétricos e a presença de fios desencapados aumentam o risco de choques elétricos.
Acidentes com produtos químicos: A manipulação de medicamentos, soluções desinfetantes e outros produtos químicos pode causar irritações na pele, mucosas e vias respiratórias.
Acidentes com equipamentos: O mau funcionamento de equipamentos médicos, a falta de manutenção e o uso inadequado podem causar acidentes e ferimentos.
Carga de trabalho excessiva: Horas extras, plantões longos, falta de pessoal, etc.
Pressão do trabalho: Dificuldades de lidar com situações de urgência e emergência, responsabilidades e decisões complexas.
Conflitos interpessoais: Relações tensas com colegas, superiores, pacientes e familiares.
Falta de reconhecimento profissional: Baixa remuneração, falta de valorização da profissão.
Assédio moral e sexual: Comportamentos abusivos, humilhantes e discriminatórios.
Fatores que Aumentam os Riscos
Falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): Uso inadequado ou ausência de luvas, máscaras, óculos de proteção, aventais e outros EPIs.
Condições de Trabalho Precárias: Ambientes de trabalho insalubres, falta de higiene, equipamentos inadequados.
Subdimensionamento de Pessoal: Sobrecarga de trabalho e falta de tempo para realizar as tarefas com segurança.
Falta de Treinamento: Desconhecimento dos riscos e das medidas de prevenção.
Prevenção dos Riscos Ocupacionais
Uso correto dos EPIs: É fundamental utilizar os EPIs adequados para cada atividade e realizar a manutenção periódica.
Melhoria das condições de trabalho: Garantir ambientes de trabalho seguros, bem iluminados e ventilados, com equipamentos em bom estado de conservação.
Promoção da saúde: Incentivar hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática de atividade física e descanso adequado.
Capacitação dos profissionais: Oferecer treinamentos periódicos sobre segurança do trabalho e prevenção de acidentes.
Gestão de riscos: Realizar avaliação de riscos regularmente e implementar medidas de controle para minimizar os perigos.
A prevenção dos riscos ocupacionais na enfermagem é fundamental para garantir a saúde e a segurança dos profissionais, além de contribuir para a qualidade da assistência prestada aos pacientes.
Referência:
Silva MKD, Zeitoune RCG. Riscos ocupacionais na perspectiva da enfermagem. Esc Anna Nery Rev Enferm 2009 abr-jun; 13 (2): 279- 86
Síndrome de Burnout na Enfermagem existe sim!
Você já ouviu falar na Síndrome de Burnout? Você sabia que é uma Síndrome comum aos profissionais de enfermagem?
Apesar da Síndrome de Burnout ser pouco conhecida, ela está mais próxima de nós do que você imagina! Está relacionada aos agentes patogênicos de Doenças profissionais, que compõe o anexo II da Previdência Social desde 1996, e atualizado em 2010.
Mas afinal, o que é Burnout?
É uma síndrome psicológica que se desenvolve devido a presença crônica de estresse relacionado ao trabalho. É composta de três vertentes: a exaustão emocional, despersonalização e a diminuição de realização profissional. Está mais presente em pessoas que executam algum tipo de atividade em que é necessário o relacionamento com pessoas de forma mais direta e próxima.
Antes de aprofundar o assunto, já queria chamar a atenção para nossa categoria! A síndrome se desenvolve com maior frequência em profissões em que o contato e a relação pessoal estão presentes. E como já é conhecido por todos, a enfermagem é a ciência desempenhada para cuidar do outro. Estamos o tempo todo nos relacionando. Então aqui vai um alerta!
Quais as 3 vertentes que envolvem a Síndrome de Burnout?
Exaustão emocional: caracteriza-se pelo esgotamento físico e emocional. O trabalhador sente-se sobrecarregado e exaurido de recursos físicos e emocionais. Esta é a manifestação mais óbvia e fundamental para definir a Síndrome, é a reação causada em resposta à sobrecarga de trabalho, aos conflitos sociais e ao estresse devido às exigências do trabalho.
Despersonalização: ocorre como reação à exaustão emocional. É a tentativa do indivíduo se proteger ou lidar com o esgotamento, eleva a um distanciamento e ao desenvolvimento de atitudes negativas e insensíveis no trabalho, e em relação as pessoas de seu convívio.
Diminuição de realização profissional: surge à medida que a despersonalização progride. O trabalhador começa a despender menos energia na realização do trabalho, passa a ficar menos horas no ambiente profissional; isso interfere na qualidade do seu desempenho, e logo o sentimento de incompetência e de falta de realização aparecem. Essa 3ª vertente fica mais evidente quando ocorre falta de recursos relevantes.
Embora alguns estudos estejam sendo feitos, ainda não temos dados estatísticos concretos sobre a Síndrome de Burnout no Brasil, mas acredita-se que a incidência da patologia deve estar próxima a identificada em outros países.
Num estudo realizado num hospital público brasileiro, dos 52 participantes da área de enfermagem:
48,07% possuíam outro vínculo empregatício;
46,15% pensavam em abandonar a profissão;
Em relação à vertente exaustão emocional: 25% sentiam-se em determinadas vezes exaustos emocionalmente e 7,7% sentiam-se frequentemente exaustos emocionalmente nas atividades desempenhadas no trabalho.
Sobre a satisfação quanto ao ambiente físico de trabalho: 25% afirmaram estar totalmente insatisfeitos.
Nessa categoria foram analisados os aspectos quanto a iluminação, espaço físico, ventilação, temperatura, higiene e salubridade. O estudo discute ainda a extensa jornada de trabalho destes profissionais, e o quanto esta impacta na qualidade da assistência de enfermagem.
Em outro estudo realizado em três instituições de ensino no interior do estado de São Paulo mostrou que os participantes possuíam uma carga horária de trabalho superior ao contrato de 36 horas semanais, o que podia refletir num déficit no quadro de pessoal da instituição e necessidade de complementação salarial. Também mostrou que as duas instituições que possuíam uma melhor percepção da qualidade da assistência de enfermagem, apresentaram menores níveis de burnout em comparação a terceira. O que demonstra que a presença da síndrome compromete de forma negativa a qualidade da assistência de enfermagem.
Mas, e as causas da Síndrome de Burnout?
Podemos citar as características do sistema hospitalar e a economia de consumo, ou seja, exigir do trabalhador mais produção. O aumento de produtividade faz com que o trabalhador despenda mais tempo ao trabalho, e consequentemente se afaste das atividades como lazer, convívio social e familiar. Isso influencia na qualidade de vida do profissional e afeta sua saúde.
Como reflexo dessa prática, não é incomum os profissionais de enfermagem terem mais de um vínculo empregatício e cargas horarias elevadas. Mas é importante ressaltar que a prática da enfermagem requer atenção, esforço emocional, mental e físico; sendo que um déficit em um desses parâmetros corrobora prejuízos na qualidade da assistência prestada, podendo expor o paciente à riscos.
Além dessas, estão entre as causas do desencadeamento da Síndrome de Burnout:
a insatisfação e falta de reconhecimento profissional;
as longas jornadas de trabalho;
o número insuficiente de profissionais;
a alta exposição do profissional à riscos físicos e químicos;
o desgaste provocado pelo constante contato com os pacientes;
o sofrimento e a morte;
os conflitos interpessoais;
o achatamento salarial;
a alta responsabilidade que a profissão exige;
a complexidade do cuidado de enfermagem;
a alta demanda de pacientes;
a falta de apoio e de motivação;
pacientes estressados e;
o ambiente insalubre.
Mesmo que o estresse seja um fenômeno individual, as causas de desencadeamento da síndrome parecem ser comuns, independentemente da ocupação do profissional de enfermagem; o que sugere uma característica da cultura profissional, com determinantes de estresse relacionados ao indivíduo, ao cargo e à instituição.
Como a Síndrome de Burnout se manifesta?
Como já dito anteriormente, o indivíduo tem perda da sua qualidade de vida, o que influencia seu convívio social e familiar, além de trazer prejuízos ao trabalho. O indivíduo assume atitude de frieza frente aos pacientes, evitando envolver-se, e essa relação vem acompanhada de irritabilidade por parte do profissional.
O estresse rompe com equilíbrio psicofisiológico, e obriga a utilização de energia extra como estratégia de enfrentamento. Dependendo da intensidade e tempo de duração desse estado, o indivíduo pode apresentar consequências físicas e psicológicas graves, principalmente se não desenvolver mecanismos adaptativos.
O estresse gera a liberação do hormônio cortisol (glicocorticoide), após ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, e então se liga à receptores presentes nos leucócitos e pode levar a imunossupressão. Como consequência algumas doenças podem surgir como por exemplo: alergias, psoríase, caspa e seborreia, hipertensão, diabetes, herpes, graves infecções, problemas respiratórios como asma e rinite, intoxicações, alterações gastrointestinais como úlcera, gastrite, diarreia e náuseas, alteração de peso, depressão, ansiedade, hiperatividade, hipervigilância, distúrbios do sono, disfunções sexuais e alterações do ciclo menstrual.
O sistema cardiovascular tem papel importante para adaptação ao estresse e age aumentando a frequência cardíaca, a contratilidade, o débito cardíaco e a pressão arterial.
Em relação ao estresse psíquico, ocorre déficit de atenção e concentração, alterações de memória, lentificação do pensamento, desconfiança, paranoia e aumenta o risco para suicídio.
A Síndrome de Burnout tem sido considerada um problema de saúde pública, mas o caminho a ser percorrido é longo para mudar a realidade das condições de trabalho da nossa categoria. Pergunte a algum profissional de enfermagem que conhece que logo perceberá que este está exposto a grande parte das causas da síndrome. Abordar o assunto, e torná-lo conhecido pode ser uma solução para que novas estratégias sejam criadas a fim de evitar a Síndrome de Burnout. E talvez apostar num ambiente de trabalho que forneça qualidade de vida ao trabalhador seja a melhor saída!
Referências Bibliográficas:
Silva J L L; Dias A C; Teixeira L R. Discussão sobre as causas da Síndrome de Burnout e suas implicações à saúde do profissional de enfermagem. Aquichan. 2012; 12(2):144-159.
Gasparino R C; Guirardello E B. Ambiente da prática profissional e burnout em enfermeiros. Ver Rene.2015; 16(1):90-6.
Sá A M S; Silva P O M; Funchal B. Burnout: o impacto da satisfação no trabalho m profissionais de enfermagem. Psicologia & Sociedade. 2014; 26(3):664-674.
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