Mancha Mongólica

As Manchas Mongólicas são um acúmulo irregular de melanócitos, ou seja, de células que possuem melanina, o pigmento responsável por dar a cor para a pele. Essas marcas podem ser observadas na zona lombar e nas nádegas e, por vezes, em outras áreas, incluindo a parte superior das costas, os ombros, os braços e as pernas.

Ao longo da história, alguns mitos relacionavam as manchas mongólicas à indicação de doenças. Mas, essas marcas de nascença não oferecem nenhum risco à saúde do bebê, apesar de serem semelhantes a hematomas, elas são totalmente inofensivas.

Existe tratamento para a Mancha Mongólica?

As manchas mongólicas nos bebês não necessitam de tratamento médico. Isso porque, essas manchas apresentam regressão espontânea.  Dessa forma, as manchas mongólicas costumam desaparecer por volta dos 2 ou 3 anos de idade.

Porém, há casos em que elas persistem até a vida adulta e por isso são chamadas de manchas mongólicas persistentes. Mas esse fato não as torna marcas relacionadas a doenças específicas.

Além disso, vale lembrar que as manchas podem ter tamanhos distintos, em média entre de 2 a 10 centímetros de largura. Somado a isso, as manchas mongólicas não possuem nenhum tipo de textura diferente da pele, não coçam ou causam dor.

Quais os cuidados necessários no local da Mancha Mongólica?

A pele dos bebês que possuem manchas mongólicas não precisa de cuidados especiais. Porém, na primeira infância a pele da criança é sensível e imatura, ou seja, irrita-se facilmente. Por isso, é necessário maior cuidado e atenção contra agentes agressores, como: calor, frio, insetos e até produtos de higiene.

  • Dicas de cuidados com a pele do bebê:

  1. Escolha sabonetes e produtos para o banho formulados especificamente para a pele do bebê: hipoalergênicos, neutros e testados dermatologicamente;
  2. Hidrate o corpo e o rosto do bebê com creme ou loção hidratante sem perfume ou adição de substâncias irritantes. Mas, para isso, é indicado consultar o pediatra ou dermatologista
  3. Os óleos de massagem também devem ser específicos para bebês.
  4. Troque as fraldas do bebê regularmente, isso evita bastante o aparecimento de assaduras;
  5. Escolha produtos sem álcool e perfume para serem utilizados nas trocas de fraldas;
  6. Se utilizar pomadas para prevenção de assaduras, prefira as livres de Petrolato;
  7. A proteção solar deve ser feita através de da limitação de exposição ao sol para crianças menores de 6 meses. Já para bebês maiores de 6 meses, é indicado o uso de protetor solar adequado para a idade;
  8. Assim como o uso de protetor solar, os repelentes são indicados para crianças maiores de 6 meses desde que indicado para o público infantil.

Por fim, é sempre importante que a criança seja acompanhada por um médico pediatra. No caso das Manchas Mongólicas, a avaliação adequada pode atestar a normalidade da marca, mas também pode apontar para outras causas relacionadas a doenças na pele do bebê.

Referência:

  1. Almeida, José Roberto Paes de, Alchorne, Mauricio Mota de Avelar e Rozman, Mauro AbrahãoIncidence of skin conditions in neonates born at a public hospital associated with some variables in pregnant women at risk. Einstein (São Paulo) [online]. 2010, v. 8, n. 2 [Acessado 19 Maio 2022] , pp. 143-148. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1679-45082010AO1504&gt;. ISSN 2317-6385. https://doi.org/10.1590/S1679-45082010AO1504.

Kernicterus

Kernicterus (do alemão kern ou núcleos + ikteros, icterícia) é uma condição resultante da toxidade da bilirrubina às células dos gânglios da base e diversos núcleos do tronco cerebral (kernicterus é um diagnóstico patológico que se caracteriza pela impregnação da bilirrubina nos núcleos do tronco cerebral e refere-se à coloração amarelada destas áreas nucleares).

A palavra kernicterus é usada com o termo encefalopatia bilirubínica, refere às manifestações agudas da toxicidade da bilirrubina nas primeiras semanas de vida, enquanto kernicterus refere-se às sequelas clínicas permanentes da toxicidade bilirubínica.

Quando o nível sérico de bilirrubina excede de 5 a 7 mg/dL, representa uma ameaça para o RN, pois a bilirrubina depositada no tecido do sistema nervoso central, leva ao quadro clínico de encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), dano neurológico geralmente irreversível.

Principais sintomas

Os sintomas que podem indicar que o bebê tem maior risco de desenvolver kernicterus são:

  • Pele e olhos amarelados;
  • Dificuldade para mamar;
  • Urina muito escura;
  • Fezes claras.

Estes sintomas não indicam que o bebê está com kernicterus, sendo apenas indicação de que poderá estar com icterícia neonatal, que é quando existe excesso de bilirrubina no corpo.

O kernicterus só ira se desenvolver se o tratamento não for feito e a bilirrubina continuar se acumulando, até chegar no cérebro e provocar lesões que podem causar paralisia ou surdez, por exemplo.

Tratamento

A melhor forma de reduzir os níveis de bilirrubina no sangue e evitar que o kernicterus surja ou continue se desenvolvendo é colocar o bebê em caminhas com luzes especiais. Essa técnica é conhecida como fototerapia e permite que a bilirrubina seja destruída e eliminada mais facilmente do organismo.

Porém, quando os níveis de bilirrubina estão muito altos ou o kernicterus está provocando lesões cerebrais, o médico também pode aconselhar fazer uma transfusão de sangue para substituir o sangue do bebê.

Possíveis sequelas

Quando os níveis de bilirrubina ficam elevados por muito tempo no sangue e o tratamento não é iniciado ou não é feito corretamente, a bilirrubina pode chegar até o cérebro, causando lesões que podem gerar sequelas como paralisia cerebral, surdez, problemas de visão e dificuldades de desenvolvimento intelectual.

Referências:

  1. EDI T; SABRINA S; MARIANA B. Hiperbilirrubinemia neonatal: propostas de intervenções de enfermagem. Revista acta paulista de enfermagem, São Paulo, v. 12, n.2, p. 75-83, Jun. 2003.
  2. HAMMERMAN C.; KAPLAN M. Understanding severe hyperbilirubinemia and preventing kernicterus: adjuncts in the interpretation of neonatal serum bilirubin. Clinica Chimica Acta. Jerusalem, v.35, n2, p. 9-21, Mar. 2005.
  3. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Intervenções comuns, icterícia e infecções. Atenção à Saúde do Recém-Nascido. Brasília. Ministério da Saúde, 2011. V. 2. Disponível em: < http://www.redeblh.fiocruz.br/media/arn_v2.pdf&gt;

Atresia de Coana

A Atresia de Coana é uma malformação congênita e corresponde à falha no desenvolvimento da comunicação entre cavidade nasal posterior e nasofaringe.

A apresentação unilateral é a mais frequente, pois o lactente apresenta desconforto respiratório e obstrução nasal persistente, sendo motivo de internações recorrentes, quando não diagnosticado precocemente.

Clinicamente, pode ser diagnosticada pela falha na progressão da sonda nasal, ou pelo surgimento precoce dos sintomas supracitados.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito, habitualmente, ainda na infância, especialmente se a atresia de coana for bilateral. Nesses casos, o recém-nascido apresenta insuficiência respiratória, logo após o parto.

Entretanto, quando unilateral, alguns pacientes passam muitos anos sem diagnóstico e, consequentemente, sem tratamento.

Nesses casos, a pessoa apresenta obstrução nasal total de uma das narinas e, frequentemente, há necessidade de respirar pela boca, o que pode acarretar em problemas no crescimento e desenvolvimento dos ossos da face, como arcada dentária superior, palato duro (céu da boca), entre outros.

Um teste simples para avaliar se a obstrução nasal pode decorrer de uma atresia de coana é colocar um pequeno espelho (como os de maquiagem) sob as narinas. Quando o ar é expirado, formam-se duas rodelas de vapor.

Quando há obstrução, não há passagem de ar por aquela narina, e forma-se então apenas uma rodela de vapor. Nesses casos, o paciente deve procurar um otorrinolaringologista, para avaliação especializada.

A Tomografia Computadorizada  tornou-se o método de escolha na investigação e confirmação da atresia de coana, demonstrando a composição e espessura da placa e, principalmente, diferenciando a atresia de outras causas de obstrução nasal em crianças como encefaloceles, gliomas e cistos dermoides.

Os critérios tomográficos incluem: estreitamento de abertura nasal posterior, presença de osso pterigoide anormalmente alargado e espessado na região da coana e espessamento da região posterior do osso vômer com ou sem componente membranoso central

Tratamento

O tratamento para atresia de coanas congênita é cirúrgico. Várias técnicas foram descritas para correção de atresia coanal, divididas em quatro grupos: acesso transpalatino, transeptal, transantral e transnasal.

Referências:

  1. Melo GVSB, Fonteles AS, Esmeraldo CUP, Martins MEP, Cruz JMN. Atresia de coanas: relato de caso e revisão de literatura. Resid Pediatr. 2013;3(2):39-41

Escala de NIPS

A dor neonatal está presente nas unidades cuidadoras de recém nascidos (RN). Apesar dos profissionais de saúde ter conhecimento de que os RN sentem dor, há dúvida de como melhor avaliá-la.

Vários são os instrumentos para a avaliação da dor no RN, dentre esses, a NIPS (Neonatal Infant Pain Scale) é uma escala baseada em alterações comportamentais e fisiológicas.

Entendendo a Escala

A Escala de NIPS (Neonatal Infant Pain Scale) tem 6 indicadores de dor, avaliados de 0-2 pontos. Trata-se de uma escala de avaliação rápida, que pode ser utilizada em recém-nascidos a termo e pré-termo.

Uma pontuação igual ou maior a 4 indica presença de dor.

Escala de NIPS Escore
1. Expressão facial
Normal, relaxada 0
Contraída 1
2. Choro
Ausente 0
Resmungos 1
Vigoroso 2
3. Respiração
Silenciosa, padrão normal, relaxado 0
Diferente da basal 1
4. Braços
Relaxados 0
Flexão ou extensão 1
5. Pernas
Relaxadas 0
Flexão ou extensão 1
6. Estado de alerta
Dormindo/ calmo 0
Desconforto/ irritação 1
Escore total (registrar)
Intervenção (registrar)

Toque facilitado/sucção não nutritiva/ glicose oral/ outros (registrar)

** Em recém-nascidos entubados não se avalia choro e a pontuação de expressão facial é dobrada.

Como evitar a dor?

Evitar procedimentos desnecessários, prever episódios que possam ser dolorosos e agir para prevenir ou minimizar a dor (farmacológico e não farmacológico).

Manejo da dor

Não-farmacológico

  • Reduzir ruído/luz/estímulos estressantes;
  • Aconchego/toque facilitado/enrolamento;
  • Posição canguru/contato pele a pele também pode ser realizado em recém-nascidos em oxigenoterapia, desde que estáveis clinicamente;
  • Sucção não-nutritiva;
  • Aleitamento materno – o procedimento doloroso deve ser realizado após 2 minutos de sucção plena ao seio materno. O recém-nascido deve permanecer ao seio durante o procedimento doloroso.

Farmacológico

  • Sacarose/Glicose 25%.

* Estudos clínicos randomizados defendem a eficácia do seu uso antes de uma série de procedimentos dolorosos, inclusive em recém-nascidos pré-termo.

O uso da glicose/ sacarose deve ser por via oral, na parte anterior da língua, 2 minutos antes do procedimento doloroso. Apesar de ser uma medida comprovadamente eficaz, a dose e o número de vezes que pode ser administrada ainda são discutidos.

É fundamental que cada instituição estabeleça seu próprio protocolo para a utilização da sacarose/glicose 25%. A associação de sacarose/glicose com sucção não-nutritiva dois minutos antes do procedimento apresenta maior eficácia na prevenção da dor. É importante que a nutritiva seja mantida durante todo o procedimento doloroso.

A associação entre diferentes medidas potencializa a analgesia no recém-nascido.*

Referências:

  1. American Academy Pediatric Committee on Fetus And Newborn and Section on Anaesthesiology and Pain Medicine. Prevention and management of pain and stress in the neonate. American Academy of Pediatrics. Committee on Fetus and Newborn. Committee on Drugs. Section on Anesthesiology. Section on Surgery. Canadian Paediatric Society. Fetus and Newborn Committee. Pediatrics 2000;105:454–61. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10654977
  2. American Academy of Pediatrics Committee on Fetus and Newborn, American Academy of Pediatrics Section on Surgery, Canadian Paediatric Society Fetus and Newborn Committee, Batton DG, Barrington KJ, Wallman C. Prevention and management of pain in the neonate: an update. Pediatrics 2006;118:2231–41. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17079598
  3. American Academy Pediatric Committee on Fetus And Newborn and Section on Anaesthesiology and Pain Medicine. Prevention and Management of Procedural Pain in the Neonate: An Update. Pediatrics 2016;137:e2015. Available from: http://pediatrics.aappublications.org/cgi/doi/10.1542/peds.2015-4271
  4. Anand KJS, Carr B. The neuroanatomy, neurophysiology and neurochemistry of pain, stress and analgesia in newborns and children. Ped Clin North Am 1989;36:795-822. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2569180

Método de Capurro: Idade Gestacional

O Método ou Escore de Capurro estima a idade gestacional do recém-nascido por meio da investigação de parâmetros somáticos e neurológicos. É aplicável para recém-nascidos de 29 semanas ou mais.

O Método de Capurro Somático utiliza 5 características somáticas, enquanto que o Capurro Somático e Neurológico utiliza 4 parâmetros somáticos e 2 neurológicos.

Cada uma das características têm várias opções e cada opção, uma pontuação que foi determinada através de diferentes estudos. Será, ao final, a soma desses pontos o que vai determinar a idade gestacional. As características utilizadas desse método são:

Forma da orelha

Trata-se de observar (sem tocar) a encurvação do pavilhão da orelha. O observador deve ficar de frente para a criança e observar em particular se o bordo superior do pavilhão auricular forma uma cobertura pelos lados.

A seguir, avalie o grau de encurvamento observado em cada pavilhão virando a face da criança de um lado para outro. Se pela posição ao nascimento o recém-nascido permanece com uma orelha achatada, não avalie esta.

Se nenhuma das duas orelhas encontra-se achatada, avalie as duas. Assinale a pontuação de 0, 8, 16 ou 24 dependendo da encurvação.

Tamanho da glândula mamária

Antes de palpar a zona correspondente ao nódulo mamário, pince suavemente o tecido celular subcutâneo adjacente para que seja possível avaliar se o que se mede é ou não tecido mamário. Utilize uma fita métrica e, com a outra mão, palpe o tecido que se encontra debaixo e em volta do mamilo.

Especifique se é possível palpar tecido mamário ou não, e se seu diâmetro é < 5mm, de 5mm a 10mm ou > que 10mm.

Formação do mamilo

Observe ambos os mamilos e com uma fita métrica meça se o diâmetro é apenas visível, < que 7,5mm, > 7,5mm com aréola pontilhada e sem elevação de bordo, > 7,5mm com aréola pontilhada e bordos elevados.

Textura da pele

Palpe e examine a pele e os antebraços, mãos, pernas e pés e veja se no dorso das mãos e pés existem zonas de descamação ou rachaduras. Dependendo da profundidade das rachaduras ou da presença de descamação, pontue em 0, 5, 10, ou 20.

Pregas plantares

Observe a planta de ambos os pés e logo hiperestenda ambas de maneira que se mantenha tensa a pele da planta. A diferença entre pregas e sulcos plantares é que os primeiros tendem a desaparecer quando se estende a pele, os sulcos continuam marcados claramente.

Dependendo da quantidade de sulcos e pregas, pontua-se 0, 5, 10, 15 ou 20.

O Cálculo

Somam-se os pontos das 5 características. Ao resultado acrescenta-se a constante 204 para Capurro Somático. O resultado divide-se por 7, que é o número de dias transformados em semanas.

Exemplo, um recém-nascido tem as seguintes características:

Características O recém-nascido tem: Sua pontuação será:
FORMA DA ORELHA Pavilhão auricular parcialmente encurvado no bordo superior 8
TAMANHO DA

GLÂNDULA MAMÁRIA

Palpável, entre 5 e 10mm 10
FORMAÇÃO DO MAMILO Diâmetro maior que 7,5mm

Aréola pontilhada. Bordo não levantado

10
TEXTURA DA PELE Mais grossa com discreta descamação superficial 10
PREGAS PLANTARES Marcas mal definidas na metade anterior 5
TOTAL DE PONTOS 43

Utiliza-se a fórmula:

TOTAL DE PONTOS + 204 = SEMANAS DE GESTAÇÃO

                7 (dias)

43 + 204 = 247 = 35 semanas

      7             7

OBS: o método tem uma margem de erro de uma semana para mais ou para menos.

Referência:

  1. Capurro H, Konichezky S, Fonseca D. A simplied method for diagnosis of gestational age in the newborn infant. J Pediatr 1978;93(1)120-122.
  2. Ministério da Saúde, Manual AIDPI Neonatal (terceira edição) 2012.

Tetralogia de Fallot (TOF)

A Tetralogia de Fallot (TOF) é um defeito cardíaco congênito. Representa a forma mais comum de cardiopatia congênita cianótica.

Consiste em 4 anomalias: grande defeito do septo ventricular, obstrução da via de saída do ventrículo direito, estenose da valva pulmonar, hipertrofia ventricular direita e excesso de “cavalgamento” da aorta.

É a cardiopatia congênita cianótica mais comum, e que mesmo não tratada permite uma sobrevida de alguns anos.

Como é Manifestado?

A cianose aparece precocemente e é acompanhada de dispneia, hipodesenvolvimento pondero-estatural, baqueteamento digital e policetemia.

Crianças com obstruções pequenas do trato de saída de VD podem ao nascimento, apresentar insuficiência cardíaca, devido a CIV (shunt esquerdo-direita) e não apresentar cianose.

À medida que a criança cresce, a cianose aparece durante o término do primeiro ano de vida.

Ela é evidente nas membranas mucosas da boca e lábios, extremidades digitais e ponta do nariz.

Nas crianças mais velhas, as queixas são de cansaço e surgimento de cianose após atividade física, que costuma regredir com o repouso e posição de cócoras. Esta posição aumenta a resistência sistêmica, reduzindo o shunt pela CIV e “forçando” a um aumento do fluxo pulmonar.

Morfologia anatômica

Estenose pulmonar

Uma diminuição de diâmetro do trato de saída do ventrículo direito pode ocorrer na valva pulmonar (estenose valvular) ou abaixo da valva pulmonar (estenose infundibular).

A estenose infundibular pulmonar é geralmente causada por super crescimento da parede muscular cardíaca (hipertrofia das trabéculas septoparietais), muito embora acredita-se que os eventos que levam a formação da aorta que se sobrepõe ao DSV também possam ser a causa. A estenose pulmonar é a maior causa de malformações, com as outras malformações associadas agindo como mecanismos compensatórios a ela.

 O grau de estenose varia nos indivíduos com a tetralogia de Fallot, e é o principal determinante dos sintomas e de sua severidade. Essa malformação também pode ser denominada de “estenose sub-pulmonar” ou “obstrução subpulmonar”

Aorta que se sobrepõe ao defeito septal ventricular

Uma valva aórtica com conexão biventricular, ou seja, está situada no defeito septal ventricular e conectada com os dois ventrículos.

A raiz da aorta pode estar deslocada para a frente (anteriormente) ou diretamente acima do defeito septal, mas está sempre anormalmente deslocada para a direita da raiz da artéria pulmonar.O grau de deslocamento para o ventrículo direito é variável, com 5-95% de chance da válvula estar conectada ao ventrículo direito.

Defeito septal ventricular (DSV)

Um buraco entre os dois ventrículos do coração. O defeito é centralizado na região mais superior do septo ventricular, e na maioria dos casos é única e grande. Em alguns casos, o engrossamento do septo (hipertrofia septal) pode diminuir as margens do defeito.

Hipertrofia do ventrículo direito

O ventrículo direito tem mais músculo que o normal, causando uma aparência característica em forma de bota (coeur-en-sabot) que é visível por um RX de tórax.

Devido ao desarranjo do septo ventricular externo. a parede do ventrículo direito aumenta de tamanho para lidar com a crescente obstrução de fluxo da câmara direita. Atualmente essa condição é reconhecida como sendo uma anomalia secundária, já que o grau de hipertrofia geralmente aumenta com a idade.

Estas características acontecem a nível embriológico, do deslocamento antero-superior do septo infundibular. Assim, acontece um desvio do sangue da direita para a esquerda.

Existem variações anatômicas entre os corações de indivíduos com tetralogia de Fallot. O grau de obstrução do trato de saída do ventrículo direito varia entre os pacientes e geralmente determina seus sintomas clínicos e a progressão da doença.

Exames Complementares

Rx de tórax

  • A imagem típica é o coração em bota. A vascularização pulmonar é normal ou diminuída, se houver obstrução significativa do TSVD.

Eletrocardiograma

  • Hipervoltagem do QRS nas derivações precordias direitas com padrão Rs em V1 e transição abrupta RS em V2.
  • Após a cirurgia, desenvolve-se bloqueio de ramo, que pode ser incompleto inicialmente e evolui para bloqueio completo.
  • Tardiamente podem aparecer arritmias como contrações prematuras, runs de taquicardia supraventricular (TSV) ou taquicardia ventricular (TV).

Ecocardiograma (2D, Doppler de cor e Doppler tecidual)

É o exame de eleição para fazer o diagnóstico da doença.

Cateterismo cardíaco

Limitada a casos específicos em que a avaliação ecocardiográfica não fornece todos os dados anatómicos.

Ressonância magnética

Método imagiológico fundamental no seguimento a longo prazo dos doentes operados, Permite avaliar a função e dimensão do VD; regurgitação da valvula pulmonar, dimensão e anatomia da aorta e dos ramos pulmonares.

Tratamento

Tratamento médico

  • A maioria dos doentes com TOF não necessitam de tratamento no período neonatal, A exceção são os casos com estenose infundibular grave, com cianose após encerramento do canal arterial. Nestes casos, é necessária a utilização de prostaglandinas, bem como a necessidade de cirurgia precoce.
  • A crise hipoxêmica é uma emergência médica cujo tratamento consiste na oxigenoterapia, adoção da posição genu-peitoral (agachamento), inserção de acesso intravenoso, para administração rápida de volume, administração na morfina e bicarbonato (em caso de acidose metabólica). Podem ser administrados vasopressores (com o aumento pós-carga sistémica, favorecem a passagem do sangue para o circuito pulmonar). A prevenção da crise consiste em evitar a irritabilidade da criança na medida do possível, e inclui a administração de sedativos e alívio a obstrução nasal.
  • Muitos grupos usam propranolol oral (dose aproximada de 1-4 mg / kg / dia) no pré-operatório para evitar a crise hipoxêmica. Pode estar associada ao aumento score inotrópico, prevenção de bradicardia, no pós-operatório imediato de algumas destas crianças. Por outro lado, também pode estar associada a uma diminuição da incidência de taquicardia juncional no pós-operatório imediado.

Tratamento cirúrgico

Correção total

O tratamento da TOF é sempre cirúrgico. A correção total consiste em encerrar a CIV com um patch, geralmente de pericárdio bovino, e corrigir a estenose pulmonar através da colocação de um patch transanular pulmonar e ressecção infundibular.

Hoje a maioria dos grupos cirúrgicos executam as cirurgias eletivamente (em crianças assintomáticas) entre os 3 e 6 meses. Há grupos que preferem uma correção mais precoce, incluindo o período neonatal. A correção precoce parece favorecer o correto desenvolvimento da árvore vascular pulmonar e reduz o risco de desenvolvimento de regurgitação pulmonar durante o seguimento.

Procedimentos cirúrgicos paliativos

Nos casos em que a anatomia é desfavorável, ou baixo peso, não é possível realizar correção cirúrgica completa, existem algumas técnicas paliativas:

  • Shunt sistêmico-pulmonar tipo Blalock-Taussig.

Consiste em conectar a artéria subclávia-artéria à artéria pulmonar ipsilateral através de um conduto de GORE-TEX® 3-4 mm de diâmetro. É realizada quando os ramos pulmonares são pequenos e recém-nascido depende da persistência do canal para a oxigenação. Também é feito em alguns casos de artérias coronárias anômalas.

  • Hemicorreção (“Ventrículo e meio”) é feita conexão entre o VD e artéria pulmonar sem encerrar a CIV). Geralmente em lactentes que não dependem do canal arterial, mas possuem ramos pulmonares pequenos. Permite a estabilização da criança. O fluxo de sangue do VD diretamente para as artérias pulmonares favorece o seu crescimento.
  • Angioplastia valvular pulmonar percutânea.
  • Nos casos em que a artéria coronária cruza o TSVD, não é possível a colocação de  um patch e é necessária a interposição de uma conduta VD-AP.

Cuidados de Enfermagem

  • Avaliar a perfusão periférica, saturação de O2, presença de edema;
  • Registrar pulso/ PA/ temperatura;
  • Monitorar o estado mental do paciente rotineiramente;
  • Ofertar oxigênio em caso de crise hipóxica e adotar posição genupeitural;
  • Inspecionar pele registrando sinais flogísticos nos locais de acesso venoso;
  • Fazer assepsia das mãos antes e após contato com o paciente;
  • Fazer troca dos dispositivos invasivos conforme o protocolo estabelecido da CCIH da instituição: Explicar aos pais alguns fatores de risco que podem interferir na capacidade da criança de conseguir o desenvolvimento ideal;
  • Envolver a família no planejamento das ações voltadas para o bem estar da criança; Promover o conforto da criança com técnicas ocupacionais que diminuem o nível de estresse como o uso do lúdico;
  • Mostrar aos pais a importância que suas ações e apoio são importantes para a criança no processo patológico; Descrever para os pais os sinais potenciais de um distúrbio comportamental.

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Pedipedia
  3. ABEN

Classificação dos Recém-Nascidos

Classificar o recém-nascido (RN) quanto ao seu peso, idade gestacional (IG) e estado nutricional é importante na identificação das mobilidades mais comuns nos RN.

As alterações no crescimento do feto, tanto para mais como para menos, até o momento do parto dá-nos condições para analisar alguns distúrbios de crescimento ou alterações metabólicas.

A identificação precoce relacionadas a classificação do RN é importante para prevenção imediata e tratamento do RN.

Alguns fatores podem influenciar no desenvolvimento do feto como a idade materna; estilo de vida, alimentação, condições ambientais, hábitos, assistência pré-natal, doenças maternas, tipos de parto, gestações anteriores, entre outros.

Classificação do recém-nascido

No que respeita ao peso:

  • o RN que nasce com peso abaixo de 1.000 g é classificado como recém-nascido extremo baixo peso;
  • os que nascem com peso de 1.000 g à 1.449 g são classificado como recém-nascidos de muito baixo peso;
  • os recém-nascidos com 1.500 g à 2.500 g são classificado como recém-nascido de baixo peso.

Quanto à idade gestacional:

  • o RN é classificado como recém-nascido pré-termo extremo (menos de 30 semanas de IG);
  • recém-nascido muito prematuro (de 30 à 33 semanas e 6 dias);
  • recém-nascido pré-termo tardio (de 34 à 36 semanas e 6 dias);
  • recém-nascido termo ( de 37 à 41 semanas e 6 dias);
  • recém nascido pós-termo (mais de 41 semanas).

O RN pode ainda ser classificado pelo tamanho como:

  • recém-nascido pequeno para a idade gestacional (PIG);
  • recém-nascido adequado para a idade gestacional (AIG);
  • recém-nascido grandes para a idade gestacional (GIG).

A classificação é feita pelo estado nutricional por meio da avaliação do peso e da IG, de acordo com as curvas de crescimento fetal padronizadas.

As classificações servem para identificar as especificidades físicas, fisiológicas e comportamentais de cada RN, adaptando o tratamento adequado diminuindo ou eliminando as morbidades.

Referências:

  1. Aquino-Cunha, M., Queiroz-Andrade,M., Tavares-Neto, J., Andrade,T. (2002). Pregnancy in Adolescence: Relation to Low Birth Weight. RBGO – v. 24, nº 8.
  2. Araujo Filho, A.C.A., Sales, I.M.M., Araújo, A.K.L., Almeida,P.D., Rocha, S.S. (2017). Epidemiological aspects of neonatal mortality in a capital from northeastern Brazil. Revista Cuidarte; 8(3): 1767-76. http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte&#8230;. 
  3. MINISTÉRIO DA SAÚDE – Atenção à saúde do Recém-Nascido

O Teste do “Coraçãozinho”

O “Teste do Coraçãozinho” pode ser entendido como uma oximetria de pulso em recém-nascidos. Constitui-se de um exame simples, indolor e rápido que deve fazer parte da triagem de rotina de todos os recém-nascidos, pois é importante para o diagnóstico precoce de cardiopatia congênita crítica.

Consiste em um exame não invasivo realizado com um aparelho chamado oxímetro de pulso, encostando-se o sensor, que mede a oxigenação do sangue, na mão direita e em um dos pés do recém-nascido.

O resultado é normal se o aparelho registrar nível de oxigenação maior ou igual a 95% nas duas extremidades e diferença menor que 3% entre as medidas do membro superior direito e do membro inferior.

Se o resultado for menor que 95% ou houver uma diferença maior ou igual a 3% entre as extremidades, o teste é repetido após 1 hora.

Persistindo o resultado, a criança deverá ser submetida a uma ecocardiografia dentro das 24 horas seguintes e passará a receber acompanhamento cardiológico.

O teste deve ser realizado nos primeiros dias de vida do recém-nascido, preferencialmente na mesma ocasião dos demais testes de triagem neonatal (pezinho, olhinho e orelhinha).

Pareceres COREN

PARECER COREN – BA N⁰ 010/2014; Parecer Técnico 07/2017 Coren MS; PARECER COREN/SC Nº 002/CT/2016

Os profissionais de enfermagem (Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem) possuem competência ética e legal para realização do Teste do Coraçãozinho. Para a execução do procedimento ressaltamos a necessidade de capacitação técnica dos profissionais e da adoção de protocolos de boas práticas, devidamente reconhecidos pela equipe e assinados pelo responsável técnico do serviço.

Referências

  1. Pareceres Regionais dos CORENS;
  2. https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/cardiologia-e-neonatologia-da-sbp-chamam-atencao-para-o-teste-do-coracaozinho/

Teste do Pezinho: A Triagem Neonatal

A Triagem Neonatal,  Teste de Guthrie e também conhecida como o teste do pezinho é um meio de se fazer o diagnóstico precoce de diversas doenças congênitas assintomáticas no período neonatal, permitindo a prevenção contra as sequelas que podem causar se instaladas no organismo humano.

Toda criança nascida em território nacional tem direito ao Teste do Pezinho, mas para alcançar o seu objetivo primordial de detectar algumas doenças esse teste deve ser feito no momento e da forma adequados.

A coleta nunca deve ser feita num período inferior a 48 horas de amamentação e nunca superior a 30 dias, sendo o ideal entre o 3º e o 7º dia de vida.

As gestantes devem ser orientadas sobre a importância do teste e procurar um Posto de Coleta ou um Laboratório indicado pelo pediatra dentro do prazo.

No posto de coleta, será feita uma ficha cadastral da criança com dados para a identificação.

É importante que a mãe dê todas as informações de forma clara, principalmente o endereço, pois se o resultado estiver alterado a família deverá ser contactada com rapidez.

Com este exame, é possível diagnosticar até 50 doenças. Muitas delas não apresentam sintomas ao nascimento e podem aparecer mesmo sem casos na família.

As Principais doenças detectadas através da Triagem Neonatal

  •  Fenilcetonúria;
  • Hipotireoidismo Congênito;
  • Deficiência de Biotinidase;
  • Hemoglobinopatias;
  • Fibrose Cística;
  • Entre outras.

 

Como é realizado o teste do pezinho?

Uma amostra de sangue é retirada do calcanhar do bebê através de um dispositivo chamado lanceta, que faz um pequeno furo na parte lateral.

Algumas gotinhas de sangue são recolhidas em um papel filtro com a identificação da criança que será enviado ao laboratório para realizar as análises.

Uma leve pressão é aplicada ao pé do bebê usando algodão para parar o sangramento e logo em seguida é colocado um curativo.

Os benefícios em longo prazo são enormes, comparados ao pequeno desconforto que o bebê sente quando a amostra de sangue é retirada.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal;
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria.

Boletim de Silverman-Andersen

O Boletim de Silverman-Andersen é um método clínico útil para quantificar o grau de desconforto respiratório e estimar a gravidade do comprometimento pulmonar.

Em neonatologia se emprega a tabela de Silverman e Andersen para valorar o desconforto respiratório em recém-nascidos.

Basada em cinco critérios obtidos através da observação, podemos definir valores de 0 a 2 para cada critério na tabela, depois da valoração, com a somatória dos valores obtemos valores totais entre 0 e 10, sendo 0 com melhor prognóstico e 10 pior prognóstico.

Interpretação
1. Recém nascido com 0 pontos: Sem dificuldade respiratória.
2. Recém nascido com 1 a 3 pontos: Com dificuldade respiratória leve.
3. Recém nascido com 4 a 6 pontos: Com dificuldade respiratória moderada.
4. Recém nascido com 7 a 10 pontos: Com dificuldade respiratória severa.