Fios de Suturas: Tipos e Indicações

Uma sutura, conhecida popularmente como pontos cirúrgicos, é um tipo de ligação usada por cirurgiões, para manter unido pele, músculos, vasos sanguíneos e outros tecidos do corpo humano, após terem sido seccionados por um ferimento ou após uma cirurgia nos ossos, os fios usados na cirurgia ou no local do ferimento, o que podemos chamar de Síntese Cirúrgica.

A Síntese Cirúrgica

Tem como função a aposição das bordas do ferimento, facilitando a cicatrização e o processo de restauração.

Para tanto é necessário o uso de materiais como os fios de sutura, sua agulhas etc. Entende-se por síntese o conjunto de manobras manuais e instrumentais, destinadas a unir os tecidos separados, restituindo sua continuidade anatômica e funcional.

O Diâmetro das Agulhas

O diâmetro das agulhas é um fator importante a ser considerado deve ser comprida o suficiente para abranger os dois lados da incisão:

  • Diâmetro muito grande resulta em maior trauma tecidual;
  • As agulhas que tiverem proporção entre o diâmetro e comprimento superior a 1:8, tendem a quebrar ou entortar facilmente;
  • Formato varia de acordo com o tecido a ser suturado.

Fio de Sutura Ideal

Não existe um material de sutura ideal, porém alguns dos que existem disponíveis possuem excelentes propriedades:

  • Ser confortável ao usar;
  • Ter boa segurança nos nós;
  • Adequada resistência tênsil;
  • Baixa reação tecidual;
  • Não provocar reações alérgicas;
  • Não ser carcinogênico;
  • Não ser eletrolítico.
  • Não provocar nem manter infecção;
  • Deve manter a tensão de estiramento até servir ao seu propósito, mantendo as bordas das feridas aproximadas pelo menos até a fase de proliferação;
  • Ser resistente ao meio no qual atua;
  • Se for absorvível, ter seu tempo de absorção previsível;
  • Se for inabsorvível, que seja encapsulado sem complicações;
  • Não ser capilar e sim monofilamentar;
  • Baixo custo.

Fios de Sutura Absorvíveis

Os fios de sutura absorvíveis vão perdendo gradualmente sua resistência até serem hidrolisados ou fagocitados e são utilizados para suturas invasivas.

São eles:

De Origem Orgânico ou Natural

  •  Categute simples
    • Tempo de absorção: 7 – 10 dias;
    • Reação com o tecido: Grande;
    • Uso: Ligar vasos hemorrágicos, anastomoses intestinais e fechamento de plano subcutâneo;
    • Características: Sintético, trançado e maior incidência de infecções.
  • Categute cromado
    • Tempo de absorção: 21 – 28 dias;
    • Reação com o tecido: Grande;
    • Uso: Igual ao simples;
    • Características: Obtido de intestino de boi ou carneiro e tratado com cromo.

De Origem Sintética

  • Ácido poligalático (Vycril)
    • Tempo de absorção: 14 – 30 dias;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Fechar aponeuroses e subcutâneo;
    • Características: Fio sintético, trançado e maior chance de infecções.
  •  Polidiaxona (PDS)
    • Tempo de absorção: 14 – 30 dias;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Anastomoses intestinais e urológicas; os mais calibrosos podem ser utilizados em aponeuroses. Uso permitido em presença de infecção;
    • Características: Monofilamentar, incolor ou violeta e de difícil manejo pela rigidez.

Fios de Sutura Inabsorvíveis

Os fios de sutura não absorvíveis se mantém no tecido onde foram colocados e são utilizados para suturas externas.

De Origem Orgânico ou Natural

  • Seda
    • Mantém tensão por aproximadamente 1 ano;
    • Reação com o tecido: Baixa;
    • Uso: Ligaduras vasculares e mucosa oral;
    • Características: Filamento proteico, fácil manuseio e fixação. Não deve ser utilizado na presença de infecção.
  • Algodão
    • De 6 meses a 2 anos, mantendo boa tensão;
    • Reação com o tecido: Baixa;
    • Uso: Ligaduras vasculares e mucosa oral;
    • Características: Filamento proteico, fácil manuseio e fixação. Não deve ser utilizado na presença de infecção.

De Origem Sintética

  • Nylon
    • Degradação em 2 anos aproximadamente;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Suturas dérmicas;
    • Características: Mono ou polifilamentar. Pode ser preto, verde ou branco.
  • Polipropileno (Prolene)
    • Mantém-se por tempo indefinido, mantém tensão por anos;
    • Reação com o tecido: Mínima;
    • Uso: Intradérmico, fáscia e microvascular;
    • Características: Monofilamentar. Pode ser utilizado em contaminação ou infecção. Incolor ou azul.

Diâmetro dos Fios de Sutura

O diâmetro do fio é determinado em milímetros e expresso em zeros. Quanto menor o calibre do fio, maior o número de zeros.

Menor calibre: n° 12-0 (diâmetro de 0,001 a 0,01 mm).

Maior calibre: n° 3 (diâmetro de 0,60 a 0,80 mm).

Ordem dos Diâmetros

12-0, 11-0, 10-0, 9-0, 8-0, 7-0, 6-0, 5-0, 4-0, 3-0, 2-0, 0, 1, 2, 3.

Usam-se fios mais finos em tecidos mais delicados e em locais sem tensão e fios mais grossos em tecidos mais grosseiros ou em tecidos com mais tensão.

Eis alguns exemplos dos fios com diâmetros mais utilizados:

  • Fio 6-0: Mais fino. Utilizado em face e áreas com importância estética;
  • Fio 5-0: Utilizado em suturas da mão e dedos;
  • Fio 4-0: Utilizados para reparo de extremidades proximais e tronco;
  • Fio 3-0: Fio de grande calibre, utilizado para planta do pé e escalpo;
  • Fio 2-0: Couro cabeludo.

Acrescentando, os fios de sutura finos 6-0 a 4-0 são indicados para uso em cirurgias plásticas, microcirurgias, reconstruções de estruturas finas, suturas de pele e cirurgias vasculares.

Já os fios de sutura intermediários, entre 3-0 a 1-0 são usados em cirurgias abdominais e ginecológicas. Fios grossos, de 1 a 3, são utilizados em cirurgias abdominais ou torácicas sobre regiões de grande tensão, músculos, entre outros.

Referências

  1. GOFFI, Fabio Schmidt, 1922 -Técnica Cirúrgica -Bases Anatômicas, Fisiopatológicas e Técnicas da Cirurgia – 4 ed. 2001.
  2. HOCHBERG J., MEYER K. M., MARION M. D. Suture choice and methods of skin closure. Surg. Clin. N. Am. 89; 627 a 641, 2009.
  3. MAGALHÃES, Helio Pereira de, 1938 -Técnica cirúrgica e cirurgia experimental/ Helio Pereira de Magalhães. São Paulo: Sarvier, 1996.
  4. SARDENBERG T., MULLER S. S. , SILVARES P. R. A., MENDONÇA A. B., MORAES R. R. L. Avaliação das propriedades mecânicas e dimensões de fios de sutura utilizados em cirurgias ortopédicas. Acta. Ortop. Bras. 11 (2), Abr./Jun., 2003.

Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA)

O Período de recuperação pós-anestésica é considerado crítico, uma vez que o paciente passa por um procedimento cirúrgico e recebe drogas anestésicas, exigindo vigilância constante da equipe cirúrgica.

A Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA)é o local destinado ao atendimento intensivo do paciente, no período que vai desde sua saída da Sala de Cirurgia até a recuperação da consciência, eliminação de anestésicos e estabilização dos sinais vitais.

Os objetivos e vantagens da SRPA incluem prevenção e detecção precoce das possíveis complicações pós-anestésicas e pós-cirúrgicas, assistência de enfermagem especializada a pacientes submetidos a diferentes tipos de anestesias e cirurgias, maior segurança ao paciente, equipe médica e de enfermagem, racionalização de pessoal, eficiência dos recursos humanos e utilização de terapêuticas especializadas, além de servir de campo de aprendizagem para alunos da área da saúde.

Planta Física

Os requisitos ambientais indispensáveis ao centro de recuperação são:

  • Localização próxima ao centro cirúrgico;
  • Temperatura;
  • Ventilação e iluminação adequadas;
  • Piso refratário à condutibilidade elétrica;
  • Facilidades de limpeza;
  • Espaço suficiente, não devendo sua área ser inferior a 25 metros quadrados;
  • Os leitos devem estar dispostos de tal forma que os pacientes possam ser vistos de qualquer ângulo do recinto;
  • Portas amplas que permitam a entrada de aparelhos transportáveis como RX, aparelho de anestesia, aspiradores;
  • Fonte de oxigênio permanente;
  • Estantes e armários amplos para depósito de medicamentos, materiais cirúrgicos e aparelhos.

A Admissão

Após a anestesia, pacientes devem ser removidos para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), unidade de terapia intensiva (UTI) ou outro local que o anestesiologista responsável determine e assuma a responsabilidade conforme o caso.

O médico anestesiologista que realizou o procedimento anestésico deverá acompanhar o transporte do paciente para a SRPA e/ou UTI.

Desde a admissão até o momento da alta, os pacientes permanecerão monitorados quanto:

  • À circulação, incluindo aferição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e determinação contínua do ritmo cardíaco, por meio da cardioscopia;
  • À respiração, incluindo determinação contínua da oxigenação do sangue arterial e oximetria de pulso;
  • Ao estado de consciência;
  • À intensidade da dor.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes na SRPA

  • Conferir a identificação da paciente;
  • Fazer exame físico;
  • Monitorar Frequência Cardíaca (FC), PA, saturação de oxigênio, temperatura, nível de consciência e dor » Manter vias aéreas permeáveis;
  • Instalar nebulização de oxigênio para manter a oximetria periférica > 92%;
  • Promover conforto e aquecimento;
  • Verificar condições do curativo (sangramentos), fixação de sondas e drenos;
  • Anotar débitos de drenos e sondas;
  • Fazer balanço hídrico caso necessário;
  • Observar dor, náusea e vômito e comunicar anestesiologista;
  • Administrar analgésicos, antieméticos e antibióticos conforme prescrição médica;
  • Manter infusões venosas e atentar para infiltrações e irritações cutâneas;
  • Observar queixas de retenção urinária;
  • Minimizar fatores de estresse;
  • Orientar a paciente sobre o término da cirurgia, garantir sua privacidade e zelar por sua segurança;
  • Comunicar o anestesiologista de plantão intercorrências relacionadas às pacientes assistidas;
  • Aplicar o índice de Aldrete e Kroulik para estabelecer os critérios de alta da SRPA;
  • Aplicar a Escala de Bromage nas pacientes que foram submetidas a anestesias regionais (Raquianestesia ou Anestesia Peridural) para estabelecer os critérios de alta da SRPA somado aos critérios da Escala de Aldrete e Kroulik;
  • Providenciar ao destino as pacientes de alta médica.

Referências:

1. BRASIL. Conselho Federal de Medicina. 2006, Resolução Nº 1802.
2. Conselho Regional de Medicina do estado do Ceará. 2012, Portaria 44/2012.
3. Ministério da Saúde. 1977.
4. Oliveira, F.G.R. Rotinas de cuidados pós-anestésicos de anestesiologistas brasileiros. Rev. Bras. Anestesiol 2003; 53; 4; 518-534.
5. Contribuição para o cálculo de recursos humanos na área. Rio de Janeiro, 1988. 44p. Série Políticas de Saúde 5.
6. DRAIN; SHIPLEY. Enfermagem na sala de recuperação. Rio de Janeiro: Interamericana, 1981. cap. 14.

 

Dreno JP (Jackson Pratt)

Os drenos Jackson-Pratt (JP) são utilizados após vários tipos de cirurgia, incluindo as torácicas, pulmonares e mais frequentemente, em intervenções abdominais e pélvicas.

Após a cirurgia, pode haver a necessidade de realizar uma drenagem no local da cirurgia para retirar fluidos e evitar a formação de coágulos e abcessos. Poder monitorar a drenagem permite que o profissional também fique de olho em qualquer complicação após a cirurgia. Os drenos JP realizam uma lenta sucção dos fluidos no local operado; isso é feito através de um coletor fechado, que cria a sucção quando o ar é expulso do coletor e a tampa é selada. Apesar de promover a cicatrização e a remoção de fluidos, eles não devem ser deixados por grandes períodos de tempo, pois poderão surgir complicações.

O dreno é composto de um sistema de três partes conectado por tubos de cateteres. Os tubos possuem partes achatadas com buracos que coletam os fluidos. Durante a cirurgia, o dreno é costurado dentro da cavidade – cerca de 2,5 cm de profundidade – onde estão os fluidos, geralmente através de pontos. O resto do sistema de tubo fica fora do corpo, conectado ao coletor, que possui uma tampa de sucção anexada a ele. Essa parte deverá ser aberta para esvaziar o coletor.

Ao utilizar o dreno JP, será preciso comprimir o coletor para realizar a sucção e fazer pressão para sugar o fluido da lesão. Ao esvaziar o dreno, o coletor expandirá, já que a tampa de plástico – que mantém o sistema fechado – será removida.

Cuidados Gerais com o Dreno JP

Dependendo da cirurgia realizada, o paciente pode ir para casa com o dreno, tomando os cuidados básicos na manutenção do dreno, assim, evitando possíveis infecções e mal-uso do mesmo, sempre orientando o paciente como fazer o manuseio do esvaziamento e a limpeza da ferida operatória em casa.

Por enquanto sob aos cuidados da enfermagem, será importante verificar se a cicatrização está sendo adequada, monitorando o tipo e a quantidade da drenagem, ficando de olho em sinais de infecção, drenos ou cateteres desalojados, além de realizar os cuidados necessários e esvaziar o coletor a cada 8 a 12 horas (ou pelo tempo recomendado pelo médico).

Como o coletor precisa de sucção adequada para funcionar, será necessário esvaziá-lo quando ele encher mais ou menos até a metade. Lembre-se de anotar qualquer característica anormal do fluido (cor turva, marrom ou de odor desagradável). Ao observar algo diferente, comunicar ao o médico.

Trocar os curativos periodicamente ou quando haver sujidades, em técnica asséptica.

Atentar para as características do fluído

Geralmente, ele terá um pouco de sangue logo após a cirurgia, mas com o passar do tempo, deverá adquirir uma coloração de palha e depois clara, nunca com uma aparência turva ou que contêm pus. Verifique a quantidade de fluido sugada anotada a cada 24 horas. Sempre que o coletor for esvaziado – geralmente a cada 8 a 12 horas –, anote a medida. Com o passar do tempo, a quantidade diminuirá.

Atentar para os possíveis sinais flogísticos

É importante observar e anotar quaisquer características fora do comum na inserção do dreno ou na ferida operatória. Comunique qualquer alteração ou problema que tiver observado:

  • Vermelhidão nas bordas da incisão;
  • Pus ou fluido grosso;
  • Odor desagradável no local onde a cirurgia foi realizada;
  • Febre maior que 38 °C;
  • Dores na área da cirurgia;

Prender o Dreno JP nas Roupas

Se o paciente for liberado para casa ainda com o dreno JP, oriente-o a prender o dreno com um pino de segurança e prenda-o através do buraco de plástico na parte superior do coletor Jackson-Pratt. Oriente a usar roupas leves e prender os drenos às roupas, como uma se fosse uma camiseta folgada. Os drenos devem ficar apoiados, para que não enrolem ou sejam puxados. Quando presos às roupas, eles atrapalham menos e deixam o paciente mais à vontade. Pode também tentar usar uma pochete para prender os drenos JP em volta da cintura, mas não os fixe nas calças. Eles serão retirados se o paciente esquecer que estão lá e puxar a calça para baixo.

Deiscência Vs Evisceração

Deiscência Evisceração

Chamamos de DEISCÊNCIA a abertura espontânea de suturas cirúrgicas. É uma separação das bordas dos tecidos que foram unidos por pontos, que ocorre durante o período pós-operatório.

A deiscência total de uma ferida abdominal, por exemplo, pode levar à evisceração com saída de estruturas (órgãos como o intestino ou às extrusões de próteses). Nas deiscências parciais onde a pele permanecer íntegra, este evento poderá levar ao desenvolvimento de hérnias incisionais tardias. Quando não devidamente diagnosticadas ou não corrigidas levam à formação de hérnias posteriores.

As cirurgias contaminadas e infectadas são propensas às infecções e consequentemente à deiscência; incisões longitudinais são também mais susceptíveis de ruptura que as transversas. Está também associada à deficiência de vitaminas, entre elas a vitamina C [ácido ascórbico] e tratamento com algumas drogas. Estudos revelam que pacientes que fazem uso crônico de corticoides, quando submetidos a procedimento cirúrgico, apresentam pele com comportamento distinto dos demais doentes e respondem ao processo regenerativo de forma diferente. A deiscência geralmente ocorre nos primeiros dias de pós-operatório.

Na maior parte das vezes a complicação só se torna clinicamente óbvia entre o 5º, e o 10º dia, quando, após a retirada dos pontos, a pele se abre espontaneamente como um “zíper”. A evisceração é precedida pela eliminação de secreção sero sanguinolenta. É comum observa-se ausência de processo inflamatório típico nas bordas da incisão nas cicatrizações normais.

IMPORTANTÍSSIMO: a Deiscência de sutura é uma complicação particularmente grave, não acontece só em cirurgias que envolvem a pele, mas podem acontecer em suturas de anastomoses intestinais, articulações, etc. Ela pode ser parcial em toda a sua extensão de ou total.

EM TERMOS LEIGOS, VAMOS EXPLICAR!

Quando o cirurgião geral faz uma cirurgia no abdome, por exemplo, o médico terá que abrir várias camadas de tecido até chegar à cavidade abdominal, onde se encontram os órgãos.

A ordem de abertura será a seguinte:

  1. Pele;
  2. Subcutâneo;
  3. Músculo;
  4. Aponeurose;
  5. Peritônio.

Dependendo do local do corte, pode ter mais ou menos camadas; este exemplo é de uma laparotomia convencional, que é o ato de abrir a barriga com um corte no meio, verticalmente, usado em cirurgias de emergência. Após trabalhar na cavidade, o médico precisa “fechar a barriga”. Ele o fará reconstituindo todas as camadas antes abertas com pontos, começando pela mais interna e terminando com a pele (que são os “pontos” que a gente vê externamente).

Os fios cirúrgicos são de diferentes materiais; a escolha irá depender do tipo de tecido que o fio vai estar em contato (se é músculo ou aponeurose ou subcutâneo ou pele ou outros) e da força necessária para manter os tecidos unidos, até que o organismo “cicatrize”. Ocorre “deiscência” se em alguma dessas camadas o fio romper ou “afrouxar”.

Isso pode acontecer por várias razões, entre as quais:

  1. Infecção;
  2. Condições que possam aumentar a pressão interna na barriga, fazendo com que fique “forçando os pontos” (por exemplo, ascite (água dentro do peritônio), tosse excessiva, falta de ar…);
  3. Má técnica ou fios inadequados. A depender da camada em que ocorreu a deiscência, ela pode ser mais superficial (se for à pele) ou interna (se for às camadas mais profundas), podendo levar à formação de hérnias, que são complicações clássicas das deiscências.

DEU PARA ENTENDER?

CAUSAS PROVAVÉIS DA FALHA DE CICATRIZAÇÃO E ABERTURA DE SUTURAS

  • Infecção;
  • Desnutrição: hipoproteinemia (regimes com dietas mal orientadas);
  • Idade avançada;
  • Uremia;
  • Diabetes;
  • Uso de corticoides;
  • Hipóxia;
  • Má técnica cirúrgica de sutura (fechamento da ferida operatória), suturas muito apertadas, poucos pontos de suturas, suturas muito frouxas;
  • Tabagismo;
  • Tosse e vômitos incoercíveis;
  • Esforço físico precoce;
  • Outros.

TRATAMENTO

  • Diagnóstico precoce e controle médico responsável, informando ao paciente e familiares das condutas que o caso requer;
  • Reconduzir imediatamente o paciente para sala operatória, a fim de proceder a ressutura e as medidas de maiores interesses;
  • Manter o paciente clinicamente estável e iniciar todas as medidas preventivas contra infecção, controle da glicose etc., oxigenioterapia;
  • Ativar protocolo de condutas de rotina específica para o caso;
  • Proceder cirurgicamente de acordo com as técnicas adequadas para esta eventualidade.

Dreno de Sucção Sistema Fechado

dreno portovac

O Dreno de Sucção de Sistema Fechado, ou conhecido popularmente como Dreno de Portovac, é um sistema de drenagem fechado que utiliza de uma leve sucção (vácuo), apresentando um aspecto de sanfona.

Consiste em manter a pressão dentro para facilitar a drenagem, é usada em cirurgias que se espera sangramento no pós-operatório, ou seja, secreção sanguinolenta. Pode ser usado em cirurgias ortopédicas, neurológicas e oncológicas.

Contra-indicação

Não pode ser usado em cirurgias que a dura-mater não esteja totalmente fechada, ela aberta provoca dor, desconforto, e pode fazer sucção do LCR (líquido cefalorraquidiano).

Risco de infecção

Fechar a ferida sem o dreno faz com o sangue se acumule entre os tecidos formando um hematoma, tornando meio de cultura.

Cuidados de Enfermagem com o Portovac

  • Sempre posicionar abaixo da inserção do dreno;
  • Observar tipo, localização do dreno, como estão fixados a pele, características do efluente drenado e tipo de cobertura existente na ferida;
  • Aferir e anotar o volume do efluente drenado de um ou mais drenos;
  • Realizar curativo com técnica asséptica diariamente e sempre que necessário;
  • Observar acotovelamento na extensão do dreno;
  • Realizar limpeza da área peridreno com SF0,9%;
  • Não tracionar;
  • Clampear a extensão do dreno quando for desprezar seu conteúdo (portovac);
  • Verificar na drenagem a presença de coágulos.

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Cateter Duplo J

Cateter Duplo J

O Cateter Duplo J tem este nome por apresentar as duas extremidades em forma parecida com a letra J. O Duplo J apresenta furos em seu trajeto que permitem o escoamento da urina é utilizado com a finalidade de drenar a urina do rim em direção a bexiga. É colocado dentro do ureter em casos onde a drenagem de urina do rim para a bexiga está comprometida.

Os principais casos onde se usa o duplo J

  • Pós-operatórios de cirurgias urológicas no rim ou nos ureteres;
  • Compressões extrínsecas do ureter (tumor abdominal);
  • Cálculos obstruindo a drenagem de urina dos rins;
  • Lesões do ureter por trauma;
  • Estenose congênitas ou adquiridas do ureter.

Tempo de Permanência do Cateter

O cateter duplo J pode ficar no ureter por 3 a 9 meses dependendo do seu diâmetro. Na maioria dos casos, não é necessário ficar com o cateter durante tanto tempo. Quando o urologista indica o uso prolongado do duplo J, o ideal é que a cada 3 meses o cateter seja reavaliado para termos certeza que ele não está obstruído.

A retirada do cateter é um procedimento simples e feito por via endoscópica com um cistoscópio. Entra-se pela uretra com esse endoscópio e puxa-se o cateter para fora. Se não houver complicações como aderências ou deslocamentos do duplo J, a retirada é um procedimento rápido, e na maioria das vezes, indolor.

Cuidados Recomendados

Após a colocação do cateter duplo J é importante ter alguns cuidados para não agravar os incômodos que ele pode causar. Recomenda-se ingerir bastante líquido, evitar bebidas ácidas (refrigerantes, bebidas alcoólicas, café, suco de frutas cítricas), alimentos condimentados e apimentados.

Além dos cuidados com a alimentação, quem está com um cateter duplo J deve evitar atividades físicas intensas. Apesar de não ser propriamente proibido, o esforço físico pode agravar o desconforto e provocar pequenos sangramentos na urina.

Convém também não fazer força para urinar para não piorar a dor na coluna lombar, que pode ocorrer nos primeiros 3 dias após a colocação do cateter duplo J.

atividade sexual pode ser mantida normalmente, mas deve ser evitada se a pessoa estiver com um cateter duplo J com fio externo para a sua retirada, pois o cateter pode ser deslocado durante a relação.

Outra recomendação é tomar corretamente os medicamentos analgésicos e antibióticos prescritos pelo médico urologista.

O cateter duplo J pode causar uma série de sintomas, como aumento da frequência urinário, urgência urinária, dor ou ardência para urinar, incontinência urinária, presença de sangue na urina, esvaziamento incompleto da bexiga, desconforto pélvico e dor na região lombar.

Grande parte desses sintomas e incômodos é devida à irritação da bexiga causada pela extremidade do cateter.

Apesar de ser feito com um material flexível e não-alérgico, o cateter duplo J não deixa de ser um corpo estranho para o organismo. É comum ocorrer uma inflamação da mucosa da bexiga, que provoca sintomas semelhantes a uma cistite (infecção urinária na bexiga) e pequenos sangramentos observados na urina.

Outro incômodo frequente é a dor nas costas (lombar) causada pelo retorno da urina da bexiga para os rins.

A Anastomose

Anastomose

anastomose corresponde a uma conexão entre duas partes do corpo humano. A mais frequente das anastomoses é a de vasos sanguíneos que se ligam naturalmente para formar novas vias de circulação sanguínea quando uma veia é rompida, e também em procedimentos de remoção de câncer gastrointestinais.

Um exemplo, o polígono de Willis no cérebro é um sistema de anastomoses que permite uma melhor circulação do sangue. Já A colostomia, anastomose de origem cirúrgica, corresponde à ligação do cólon ao abdômen.

A Anastomose Gastrointestinal

Constitui à uma comunicação natural ou artificial entre duas estruturas tubulares, com luz no interior, sendo muito indicado para Estenoses e atresias congênitas do trato digestivo, lesões traumáticas do trato digestivo, ressecção de lesões benignas ou malignas, estenoses do intestino devido a processos inflamatórios ou ulcerosos, isquemia ou necrose do intestino, e a ressecção de fístulas.

Quais são os tipos de Anastomoses Intestinais?

Podendo ser:

  1. União de vísceras semelhantes: anastomose jejuno-jejunal;
  2. União de vísceras distintas: a íleo-cólica;
  3. União de víscera com outra estrutura tubular: hepaticojejunostomias, pancreaticojejunostomias e ureterosigmoideostomia.

A Anastomose Arteriovenosa

Temos um exemplo bastante comum, como uma fístula arteriovenosa (FAV), onde é muito utilizado em procedimentos de hemodiálise.  Esta anastomose ocorre uma  ligação direta entre uma veia e uma artéria periférica de pequeno calibre. Geralmente é confeccionada nos membros superiores, de preferência no antebraço não dominante – esquerdo nos indivíduos destros e direito nos canhotos.

Habitualmente é confeccionada utilizando a artéria radial, já que esta não é a artéria dominante em termos de irrigação da mão ( a dominante é a artéria cubital ).

Quanto mais distal for confeccionada melhor, isto para que um maior número de veias se possa desenvolver, oferecendo assim inúmeros locais de punção. Normalmente as fistulas do cotovelo desenvolvem uma rede vascular muito restrita e podem dificultar a circulação da mão.

 

Colostomia: O que é?

Colostomia

O termo colostomia designa a união à parede abdominal anterior de uma porção do cólon, com o fim de permitir a evacuação de fezes e gases. Esta evacuação dá-se por um orifício chamado estoma.

Estoma é um tratamento cirúrgico que corrige distúrbios intestinais, é normalmente recomendado em pacientes que possuem parte do intestino bloqueado ou outra patologia que impeça a eliminação das fezes pelo reto.

Bolsas de Colostomia Descartáveis X Reutilizáveis: As Diferenças

A Bolsa descartável tem sua validade a cada limpeza da colostomia, pois não possui um mecanismo para a limpeza interna do mesmo, e a bolsa de Colostomia reutilizável, popularmente chamada de Bolsa de Karaya, possui uma saída para desprezar e limpar a bolsa internamente, tendo sua validade após instalada em até 7 dias.

Estomaterapia: Você Sabia?

Existe um profissional habilitado especialmente para este tipo de procedimento. Este é o
Enfermeiro Estomaterapeuta, ou seja, é uma área de especialização em enfermagem, reconhecida desde 1980, que é responsável pelo estudo e tratamento de feridas agudas e crônicas. Cabe à especialidade também à assistência a pacientes com estomias e incontinências, a orientar, com mais clareza, os cuidados a serem realizados com diversos tipos de ostomias, como por exemplo, a colostomia, ileostomia, urostomia, etc. em ambiente domiciliar.

Quais são os cuidados que devemos tomar com as bolsas reutilizáveis?

  • Esvaziar a bolsa (no mínimo uma vez por plantão e sempre que necessário), soltando apenas o clampe que a fecha na parte inferior;
  • Lavá-la com soro fisiológico a cada vez que se desprezar o conteúdo no vaso sanitário. O clamp poderá ser reutilizado nas trocas do mesmo paciente;
  • A troca da bolsa é recomendada entre 5 e 7 dias, ou quando necessário (se houver
    vazamentos, mau cheiro intenso, sujidades), a vermelhidão e dor do peristoma indica problemas de irritação da pele;
  • O depósito das fezes na bolsa coletora se inicia em torno de 72 horas após a intervenção cirúrgica;
  • A drenagem poderá ser contínua e constante, pois não há controle de retenção (esfíncter) dos dejetos ao redor do Estoma;
  • A bolsa coletora deve ser esvaziada a cada 4 ou 6 horas. Deve-se observar a quantidade de material drenado com constância e não permitir que seja preenchida além da sua metade;

O preenchimento além desse limite coloca em risco a integridade do Estoma, ocasionando lesões e grande risco de infecção.

Quais são os cuidados que devemos ter com o estoma?

  • A pele no Estoma deve permanecer rosa ou vermelho vívido e brilhante;
  • Observar a pele ao redor da bolsa coletora, bem como a fixação e seu aspecto. Se muito sujo ao redor da fixação, deve-se fazer a troca da bolsa coletora;
  • É no intestino que ocorre a maior parte da absorção de líquidos e eletrólitos dispersos oriundos da nutrição do paciente. É prudente observar a ingestão de líquidos e monitorar com exames laboratoriais específicos a absorção adequada de eletrólitos e a hidratação regular. Sintomas de desidratação como pele seca e cefaléia (dor de cabeça) intensa e recorrente devem ser informados;

Quais são os cuidados gerais de Enfermagem com a Colostomia?

  • Limpar a região da colostomia com soro fisiológico a 0,9%, em movimentos circulares;
  • Secar a área ao redor com gaze estéril;
  • Marcar na bolsa o círculo com um guia de corte, de acordo com o diâmetro da fístula, do dreno ou da ostomia;
  • Recortar o orifício marcado;
  • Observar para que o orifício não fique apertado demais garrotando a ostomia, ou grande demais facilitando o contato da secreção direta com a pele lesando-a;
  • Retirar o adesivo;
  • Retirar o protetor que recobre a face superior da placa;
  • Aplicar a placa com o aro sobre a região;
  • Adaptar a bolsa plástica à parte inferior do aro na placa, em posição cefalocaudal;
  • Exercer uma leve pressão à roda, a partir da parte inferior da bolsa plástica até que esteja segura, solicitando ao paciente que enrijeça a região;
  • Puxar suavemente a bolsa para baixo, para confirmar se ela se encontra devidamente encaixada.
  • Registrar no prontuário: característica do débito de colostomia, volume, odor, cor, etc…

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Drenagem Torácica: O que é?

Drenagem Torácica: O que é?

A drenagem torácica é o procedimento médico que visa manter ou restabelecer a pressão negativa normal do espaço pleural.

Por meio desta técnica, é possível remover líquido, ar e sólidos (fibrina) no espaço abaixo da pleura ou mediastino, que podem ser consequentes de traumas, procedimentos cirúrgicos, infecções, dentre outros.

O procedimento é feito por meio da inserção de um dreno na cavidade pleural, após anestesia local, vedado na extremidade oposta, abaixo do nível do tórax. Desta forma, ar, fluído ou sólidos presentes no espaço pleural conseguem escapar deste, sem retornar. A extremidade oposta do tubo pode também ser conectada a uma válvula de vibração.

Para que é indicado a Drenagem Torácica?

Dentre as diferentes situações nas quais a drenagem torácica é recomendada encontram-se:

  • Pneumotórax, que é o acúmulo de ar na cavidade torácica;
  • Derrame pleural, que é o acúmulo de líquido no espaço pleural;
  • Quilotórax, que consiste em uma coleção de líquido linfático no espaço pleural;
  • Empiema, que surge quando há uma infecção e consequente acúmulo de pus no espaço pleural;
  • Hidrotórax, que é o acúmulo de líquido seroso no espaço pleural;
  • Hemotórax, que é o acúmulo de sangue no espaço pleural;
  • Pós-operatório.

Em alguns casos, a drenagem torácica é contra-indicada, como em casos de coagulopatias, de hérnia diafragmática, de hidrotórax hepático e de aderências (tecido cicatricial) no espaço pleural.

Que complicações podem obter com a Drenagem Torácica?

As principais complicações deste procedimento incluem:

  • Hemorragia;
  • Infecções;
  • Edema pulmonar de reexpansão;
  • Obstrução do dreno, que pode levar ao tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo ou empiema;
  • Lesões no fígado, baço, diafragma, aorta torácica ou coração também podem ocorrer quando o dreno é introduzido erroneamente;
  • Dispneia, hematoma ou seroma subcutâneo, ansiedade e tosse ocorrem infrequentemente.

Quanto a Posição Correta:

Drenagem Torácica: O que é?

Atentar quanto à posição correta do dreno de tórax, para que evite o retorno do conteúdo e ocasione outras possíveis complicações, nunca manuseie o paciente com o dreno desclampeado (quanto à mudanças de decúbito). Ao término do manuseio, sempre desclampear e deixar abaixo do nível da caixa torácica cerca de 60 a 90 cm.

Os Aspectos da Drenagem Torácica

Drenagem Torácica: O que é?

O derrame pleural é o acúmulo de líquido viscoso, purulento ou sanguinolento na cavidade pleural localizada no tórax (peito). Normalmente uma pleura “desliza” sobre a outra como se fossem duas lâminas de vidro com uma quantidade mínima de liquido pleural para evitar o atrito.

Quando uma dessas pleuras sofre um processo inflamatório a dor aparece. Em função do comprometimento pleural ser evolutivo, temos produção anormal do liquido pleural e/ou redução na reabsorção deste liquido, que passa a acumular-se no espaço pleural e “afasta” uma pleura da outra, evitando o atrito, atenuando e até desaparecendo a dor.

A produção aumentada e/ou a reabsorção reduzida faz com que haja uma grande quantidade de líquido no espaço pleural, o que é o “derrame pleural” que a medida que aumenta faz colapsar lóbulos/lobos pulmonares levando a uma insuficiência ventilatória restritiva que s e manifesta por “falta de ar” (dispnéia).

Classificação de acordo com a composição bioquímica

Os derrames pleurais são classificados de acordo com sua composição bioquímica, como:

  • Transudatos;
  • Exsudatos;

Características dos Transudatos

Geralmente, por conter em pouca proteína na sua composição, os derrames pleurais do tipo transudato são límpidos, amarelo-claros e não se coagulam espontaneamente.

Características dos Exsudatos

Em contraposição, os derrames pleurais do tipo exsudatos, freqüentemente se coagulam devido à presença de fibrinogênio, e podem ser classificados quanto ao aspecto em:

  • Serosos;
  • Sero-leitosos;
  • Turvos;
  • Purulentos;
  • Sero-hemáticos;

Controles da drenagem no frasco coletor

De acordo com as orientações médicas deverão ser anotados:

    • Data; Hora; Volume drenado: A cada hora; A cada 24 horas, Coloração do líquido drenado;
    • Presença de oscilação da coluna líquida;
  • Presença de borbulhamento (fístula aérea);

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O que é uma Laparotomia?

Laparotomia

A laparotomia vem do grego: láparos = abdômen; tomos = corte, ou seja, é a abertura cirúrgica da cavidade abdominal para fins diagnósticos e/ou terapêuticos. Em termos populares, é a cirurgia “de barriga aberta”. Ela não é uma prática recente, remontando à antiguidade, mas teve grande expansão no século XX, graças ao advento das drogas curarizantes, da intubação traqueal, do maior conhecimento da anatomia e fisiologia da parede abdominal e dos processos de cicatrização da ferida cirúrgica.

A Laparotomia diagnóstica Vs  A Laparotomia terapêutica

Em uma laparotomia diagnóstica, a natureza da doença é desconhecida, e a laparotomia é necessária para identificar a causa. Na laparotomia terapêutica, uma causa foi identificada (por exemplo úlcera péptica, câncer de cólon) e o procedimento é requerido para a sua terapia. Geralmente, somente a laparotomia diagnóstica consta como uma operação cirúrgica por si; quando uma operação específica é planeada, a laparotomia é considerada meramente a primeira etapa do procedimento.

Quais são os locais propensos a uma Laparotomia?

Dependendo do local da incisão, pode-se ter acesso a todo um órgão ou ao espaço abdominal, e é a primeira etapa em qualquer procedimento cirúrgico diagnóstico ou terapêutico destes órgãos, que incluem:

  • a porção inferior do tubo digestivo (o estômago, o duodeno, o jejuno, o íleo e o cólon)
  • o fígado, o pâncreas e o baço
  • a bexiga
  • os órgãos reprodutivos femininos ( útero e ovários)
  • o retroperitôneo (os rins, o aorta, linfonódos abdominais)

A incisão mais comum para o laparotomia é a incisão mediana, uma incisão vertical que segue a linha alba. A incisão mediana supraumbilical estende-se do processo do xifóide ao umbigo, uma incisão mediana infraumbilical vai do umbigo até a sínfise púbica. Uma única incisão que se estende do processo xifóide até a sínfise pubica é empregada às vezes, especialmente na cirurgia do trauma. É chamada de xifo-púbica.

As incisões medianas são favorecidas particularmente na laparotomia diagnóstica, porque permitem um amplo acesso à toda a cavidade abdominal. Outras incisões comuns para laparotomia incluem:

  • Incisão de Kocher (subcostal direita) (homenagem a Emil Theodor Kocher); própria para cirurgias no fígado, na vesícula biliar e na árvore biliar.
  • incisão de Davis no quadrante infeior direito (ou de Davis-Rockey-Rockey para apendicectomia);
  • Incisão de McBurney, e também no quadrante inferior direito para apendicectomia, porém obliqua, é mais usada que a de Davis;
  • Incisão de Pfannenstiel, um incisão transversal abaixo do umbigo e apenas 1 dedo acima da sínfise púbica, empregada mais freqüentemente para cesariana;
  • Lombotomia – consiste em uma incisão lombar que permite o acesso aos rins (que são órgãos retroperitoneais) sem entrar na cavidade peritoneal. É um acesso cirúrgico comum na cirurgia urológica.

Um procedimento relacionado é o laparoscopia, onde as câmeras e outros instrumentos são introduzidos na cavidade peritoneal através de pequenos furos no abdômen. Como exemplo, uma apendicectomia pode ser feita por uma laparotomia ou por um acesso laparoscópico.

Quais são os cuidados de Enfermagem no Pós Operatório de uma Laparotomia?

  • Realizar balanço hidroeletrolítico;
  • Realizar troca de curativos;
  • Atentar para sinais flogísticos e anotar;
  • Auxiliar o paciente na higiene corporal;
  • Administrar medicamentos prescritos pelo médico;
  • Monitorizar sinais vitais

Orientações de cuidados em âmbito domiciliar

  • Ensinar ao cliente como trocar a bandagem aplicada na incisão. Reforce a importância de ele comunicar quaisquer sinais de infecção da ferida ou hematoma.
  • Orientar ao cliente para esperar até o dia seguinte ao da laparoscopia para trocar a bandagem. Além disso, recomende que ele faça refeições leves depois da laparoscopia, a fim de reduzir quaisquer gases abdominais residuais.
  • Se o cliente tiver submetido a uma laparotomia, orientar para seguir as restrições prescritas às atividades.
  • Estimular o cliente a seguir as instruções para a alta relacionadas especificamente com o procedimento abdominal realizado e a comparecer às consultas médicas de acompanhamento.

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