Tipos de drenos cirúrgicos: o que todo estudante de enfermagem precisa saber

Os drenos cirúrgicos são dispositivos utilizados para remover líquidos, secreções ou ar acumulados em cavidades ou feridas após procedimentos cirúrgicos. Sua finalidade principal é prevenir complicações, como infecções, hematomas, seromas ou até mesmo o colapso pulmonar, dependendo do local onde estão instalados.

Para a enfermagem, compreender os tipos de drenos, seus mecanismos de funcionamento e os cuidados necessários é fundamental para garantir uma assistência segura e eficaz ao paciente.

Por que Usamos Drenos?

O acúmulo de fluidos no local da cirurgia (conhecido como seroma) pode ser um ambiente ideal para o crescimento de bactérias, levando a infecções e atrasando a cicatrização. Os drenos agem como um “aspirador”, removendo o excesso de líquido ou ar, permitindo que os tecidos se recuperem adequadamente.

Tipos de Drenos: Um Guia Prático

Os drenos podem ser classificados de várias formas, mas a maneira mais simples de entendê-los é por seu mecanismo de ação: por gravidade ou por sucção.

Drenos por Gravidade

Esses drenos funcionam com a ajuda da gravidade para que o líquido saia do corpo.

  • Dreno de Penrose: É um dos mais antigos e simples. É um tubo de látex, fino e macio, que fica aberto nas duas extremidades. Ele não tem reservatório e o líquido é coletado em uma gaze ou bolsa. É frequentemente usado em cirurgias menores, como abscessos.
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a quantidade e o aspecto do líquido drenado. Proteger a pele ao redor do dreno, pois o líquido pode ser irritante. Trocar o curativo frequentemente.
  • Dreno Tubular Aberto: São drenos simples, em formato de tubo, que podem ser conectados a sistemas bolsa de coleta. São bastante versáteis, podendo ser utilizados em procedimentos abdominais, ortopédicos e de partes moles.

Drenos por Sucção

Esses drenos utilizam uma força de vácuo para “puxar” o líquido para fora do corpo, sendo mais eficientes.

  • Dreno de Portovac: É um sistema fechado que utiliza um reservatório em formato de sanfona ou de pera. Quando o reservatório é comprimido, ele cria um vácuo que suga o líquido para dentro. É muito utilizado em cirurgias de grande porte, como mamoplastias e cirurgias abdominais.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter a sucção do reservatório. Esvaziar o reservatório periodicamente, medir o volume drenado e registrar as características do líquido. Observar se há vazamentos ou obstruções no tubo.
  • Dreno de Blake: Similar ao Portovac, mas com um tubo de silicone que tem múltiplos canais. Ele também usa um sistema de sucção e é menos propenso a obstruções.
  • Dreno de Sucção Seca: É um sistema de sucção que utiliza um regulador de pressão de parede, sem a necessidade de um reservatório manual. É comumente usado em drenagem de tórax.
  • Dreno de Tórax: É um dreno tubular que é inserido no espaço pleural (entre o pulmão e a parede torácica) para remover ar (pneumotórax), líquido ou sangue. Ele é conectado a um sistema de selo d’água, que impede que o ar volte para o tórax.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter o sistema de drenagem abaixo do nível do tórax do paciente. Observar o borbulhamento no selo d’água (que indica saída de ar) e as oscilações da coluna d’água, que mostram que o dreno está funcionando. Nunca clampear (fechar) o dreno de tórax sem uma prescrição médica rigorosa.

Outros tipos de drenos utilizados em procedimentos médicos

Além dos já citados, existem outros drenos bastante comuns na prática clínica:

  • Dreno de Kehr: em forma de “T”, usado principalmente em cirurgias das vias biliares para drenagem de bile.
  • Dreno Malecot: com extremidade alargada em “asas”, muito usado em urologia, como na drenagem vesical ou renal.
  • Dreno de Pezzer: semelhante ao Malecot, mas com extremidade em formato de cogumelo, também empregado em drenagem urinária ou gástrica.
  • Drenos de aspiração fechada (como Jackson-Pratt): semelhantes ao Portovac, mas com reservatório em forma de bulbo, comuns em cirurgias de pequeno porte.

Cuidados de enfermagem com drenos

A nossa atuação é o elo entre a técnica e a segurança do paciente. Para o cuidado com os drenos, devemos seguir alguns passos:

  1. Avaliação: A cada plantão, avaliar o local de inserção do dreno, buscando sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, calor, dor).
  2. Monitoramento: Medir o volume do líquido drenado a cada 6 ou 12 horas, dependendo do protocolo, e registrar as características do líquido (cor, odor, consistência).
  3. Higiene: Realizar a limpeza da pele ao redor do dreno com técnica asséptica e trocar o curativo, se necessário.
  4. Manutenção do Sistema: Em drenos de sucção, garantir que o vácuo seja mantido. Em drenos de tórax, verificar o borbulhamento e a oscilação.
  5. Fixação: Certificar-se de que o dreno esteja bem fixado à pele para evitar que ele seja puxado acidentalmente.
  6. Educação do Paciente: Explicar ao paciente a função do dreno, a importância de não puxá-lo e como ele pode ajudar a manter o sistema seguro.

Os drenos cirúrgicos são recursos indispensáveis na prática médica e de enfermagem, pois garantem a cicatrização adequada e previnem complicações graves. Cada tipo de dreno possui características próprias e é indicado para situações específicas.

Para o estudante de enfermagem, compreender os diferentes modelos e os cuidados necessários é um passo essencial para prestar uma assistência segura, qualificada e humanizada no período pós-operatório.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde. 2. ed. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_reprocessamento_produtos.pdf
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre cirurgia e cuidados com drenos).
  3. BRUNNER, Lillian Sholtis; SUDDARTH, Doris Smith. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  5. COELHO, Maria Sílvia. Drenos cirúrgicos: indicações e cuidados de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, Coimbra, v. 4, n. 5, p. 133-140, 2012. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/referencia/article/view/1462

Dreno de Penrose: Para que serve?

No dia a dia da enfermagem, especialmente em ambientes cirúrgicos ou de internação, nos deparamos com uma infinidade de dispositivos que, embora pareçam simples, são cruciais para a recuperação do paciente. Um desses dispositivos, que já salvou muitos pós-operatórios de complicações, é o dreno de Penrose.

Ele é, talvez, o mais “básico” dos drenos, mas sua eficácia e a simplicidade de seu mecanismo o tornam um velho conhecido e um grande aliado.

Para nós, profissionais de enfermagem e estudantes de enfermagem, compreender o que é, para que serve e como cuidar de um Penrose é fundamental. Vamos desvendar esse “caninho de borracha”?

O Que é o Dreno de Penrose? Um “Caminho” para o Excesso

Imagine que, após uma cirurgia ou um trauma, há um espaço no corpo onde se pode acumular sangue, soro, pus ou outros fluidos. Se esses fluidos ficam ali parados, eles podem formar coleções, servir de cultura para bactérias e causar infecções, inchaço excessivo ou até mesmo dificultar a cicatrização. É aí que entra o dreno!

O dreno de Penrose é um tipo de dreno passivo e por capilaridade. Isso significa que ele não utiliza sucção ativa (como outros drenos, que puxam o líquido). Ele é simplesmente um tubo de borracha macia e flexível (geralmente de látex) que é colocado na ferida cirúrgica ou no local da coleção.

O fluido escorre por fora e por dentro desse tubo, seguindo a gravidade e o princípio da capilaridade (como a água sobe em um canudo fino), para fora do corpo.

  • Formato: Ele parece uma fita ou um tubo achatado de borracha. Geralmente é fixado à pele com um ponto de sutura para não sair do lugar.
  • Mecanismo: Funciona como um “atalho” ou “canal” para que o líquido acumulado saia da cavidade e seja absorvido por um curativo externo ou coletado em uma bolsa.

Para Que Serve o Dreno de Penrose? Os Cenários de Uso

O Penrose é usado em cirurgias ou em situações onde se espera um acúmulo moderado de líquidos e onde não há necessidade de monitorar o volume exato do que está sendo drenado.

  • Drenagem de Coleções de Líquido: É sua principal função. Ajuda a prevenir o acúmulo de:
    • Seroma: Acúmulo de líquido seroso (claro, amarelado), comum após cirurgias onde há um “espaço morto” ou manipulação de tecidos (ex: mastectomias, cirurgias de hérnia).
    • Hematoma: Acúmulo de sangue.
    • Abscessos: Coleções de pus, onde o dreno é inserido após a drenagem do pus para manter o “caminho” de saída.
  • Prevenção de Infecções: Ao remover o líquido acumulado, o Penrose ajuda a reduzir o risco de infecção no local da cirurgia ou lesão, já que o líquido parado pode ser um meio de cultura para bactérias.
  • Cuidado com Feridas Contaminadas: Em feridas que já estão contaminadas ou infectadas, o Penrose pode ser usado para manter a drenagem e auxiliar na limpeza do local.

Exemplos de Cirurgias Onde o Penrose é Comum:

  • Cirurgias de mama (mastectomia, quadrantectomia)
  • Cirurgias de tireoide
  • Drenagem de abscessos
  • Algumas cirurgias abdominais de pequeno e médio porte
  • Cirurgias plásticas

Cuidados de Enfermagem com o Dreno de Penrose

O Penrose é simples, mas exige cuidados de enfermagem rigorosos para garantir sua eficácia e prevenir complicações. Nós somos os guardiões desse dreno!

Monitoramento da Drenagem:

    • Aspecto e Volume: Observar o tipo de drenagem (seroso, serossanguinolento, sanguinolento, purulento), a coloração, odor e a quantidade. Registrar essas características no prontuário.
    • Frequência da Troca de Curativo: O curativo externo (gaze e micropore) deve ser trocado sempre que estiver úmido ou saturado de drenagem, pois um curativo úmido facilita a entrada de bactérias.
    • Comunicação: Qualquer mudança brusca no aspecto ou volume da drenagem (ex: aumento súbito, drenagem purulenta, odor fétido) deve ser comunicada imediatamente ao médico.

Manutenção da Integridade e Fixação:

    • Fixação: Verificar se o dreno está bem fixado à pele pelo ponto de sutura. Se o ponto estiver frouxo ou rompido, comunicar ao médico.
    • Posicionamento: Certificar-se de que o dreno não esteja tracionado ou dobrado, o que pode impedir a drenagem.
    • Protetor de Pele: Em peles muito sensíveis ou com muita drenagem, pode-se usar um protetor cutâneo ao redor da pele para evitar irritação e assaduras.

Cuidados com o Curativo:

    • Técnica Asséptica: Realizar a troca de curativo utilizando técnica estéril, com luvas estéreis, solução antisséptica (clorexidina ou PVPI degermante, conforme protocolo) para limpar a pele ao redor doreno e soro fisiológico para a pele ao redor e ferida cirúrgica.
    • Limpeza do Sítio: Limpar o dreno da base (próximo à pele) para a extremidade, e a pele ao redor de forma suave.
    • Proteção: Usar gazes estéreis ao redor do dreno para absorver a drenagem e cobrir com curativo oclusivo, mas que permita a visualização se o dreno for transparente.

Sinais de Infecção:

    • Local da Inserção: Observar a pele ao redor do dreno para sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, calor, dor ou presença de pus.
    • Sinais Sistêmicos: Monitorar a temperatura do paciente (febre pode indicar infecção).

Educação ao Paciente e Família:

    • Explicação: Explicar o propósito do dreno e o que a família deve observar (aspecto da drenagem, sinais de alerta).
    • Cuidados em Casa: Se o paciente for para casa com o dreno, orientar sobre a troca do curativo, a frequência, como observar e quando procurar o hospital.

A Retirada do Penrose: O Último Passo

A retirada do dreno de Penrose é geralmente simples e feita pelo médico ou enfermeiro (em alguns protocolos, o enfermeiro pode retirar). O dreno é removido quando a drenagem diminui significativamente ou cessa, indicando que o espaço foi obliterado e não há mais risco de acúmulo. Após a retirada, um curativo oclusivo é feito sobre o pequeno orifício, que cicatriza por segunda intenção (de dentro para fora).

O dreno de Penrose, apesar de sua simplicidade, é um grande aliado na prevenção de complicações pós-operatórias. Conhecer suas particularidades e aplicar os cuidados de enfermagem adequados garante a segurança e o conforto do paciente, acelerando sua recuperação e diminuindo o risco de reintervenções. Mais uma vez, é a nossa atenção aos detalhes que faz a diferença!

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. (Disponível em sites oficiais do Ministério da Saúde ou no portal da Biblioteca Virtual em Saúde).
  2. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar capítulo sobre drenos e cirurgia).
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre drenagens e cuidados com feridas).

Capacidade do Selo d´água do dreno de tórax

A capacidade do selo d’água de um dreno torácico depende do tipo de sistema de drenagem utilizado e da quantidade de líquido ou ar que é removido do espaço pleural.

O que é um selo d´água?

O selo d’água fica dentro de uma frasco que contém água estéril ou soro fisiológico, e que impede a entrada de ar no tórax, mantendo a pressão negativa intrapleural e a expansão pulmonar.

O selo d’água deve estar submerso em 2,5 cm de altura em relação ao fundo do frasco.

O que corresponde a cerca de 300 ml para frasco de drenagem com capacidade de 1000 ml e 500 ml para de frasco de drenagem com capacidade de 2000 ml.

O selo d’água deve ser trocado a cada 12 ou 24 horas, ou sempre que estiver sujo ou contaminado.

A troca do selo d’água requer cuidados de higiene, assepsia e proteção individual, além de monitorização do volume e aspecto do conteúdo drenado.

A oscilação do nível de água no selo indica que o sistema está funcionando adequadamente e que há sincronia entre a respiração do paciente e o fluxo do dreno.

Referência:

  1. https://periodicos.furg.br/vittalle/article/download/11619/8861/42399

Derivação Lombar Externa (DLE)

A derivação lombar externa (DLE) é um procedimento cirúrgico que consiste em desviar o líquido cefalorraquidiano (LCR) da coluna vertebral para uma bolsa externa, através de um cateter.

Esse método é utilizado para tratar casos de hidrocefalia, quando há um acúmulo excessivo de LCR no cérebro, causando aumento da pressão intracraniana e danos neurológicos.

A derivação lombar externa é uma alternativa à derivação ventricular, que desvia o LCR dos ventrículos cerebrais para o abdômen ou o coração.

Indicações de Uso

  • Tratamento da hidrocefalia comunicante (por exemplo, na hemorragia subaracnóidea);
  • Prevenção e tratamento de fístula liquórica (ou seja, vazamento);
  • Facilitação da retração segura do cérebro durante a cirurgia;
  • Diagnóstico e prognóstico da resposta ao tratamento na hidrocefalia de pressão normal

Cuidados de Enfermagem

A equipe de enfermagem pode desempenhar um papel importante na educação e no apoio aos pacientes, mesmo antes de um DLE ser colocado.

O objetivo é melhorar o cumprimento das restrições de atividade e reduzir as complicações. Pacientes e familiares devem ser esclarecidos sobre restrições como a necessidade de manter a cabeceira da cama no ângulo escolhido e a necessidade de o paciente solicitar assistência de enfermagem antes de qualquer movimento.

Além disso, os pacientes são aconselhados a evitar espirros, tosse e esforços, porque essas ações aumentam a pressão intracraniana e, portanto, afetam a drenagem do LCR.

A rotina de enfermagem de manutenção do dreno e avaliação do paciente deve ser descrita ao paciente. Os pacientes e seus familiares devem ter a oportunidade de fazer perguntas antes de inserir o dreno.

A avaliação contínua do paciente e do dreno é vital para prevenir complicações e atingir o objetivo da drenagem lombar. O paciente é normalmente mantido na cama enquanto o dreno está no lugar.

A nota da operação e o plano de cuidados devem especificar se o repouso estrito é necessário. O LCR deve ser avaliado a cada hora quanto à cor, clareza e quantidade drenada. Geralmente, o dreno pode ser pinçado por breves períodos durante as atividades de cuidado e movimentação do paciente.

O local de inserção é avaliado quanto a sinais e sintomas de infecção ou vazamento pelo menos duas vezes ao dia. As trocas de curativo geralmente são realizadas apenas se o curativo estiver sujo e o curativo interativo (por exemplo, Tegaderm) é o preferido. A bolsa de drenagem é trocada quando ¾ cheia usando técnica asséptica e a porta de 3 vias proximal à bolsa é presa para evitar o fluxo de LCR antes da troca.

Posicionamento do DLE e drenagem do LCR

A posição da cabeceira da cama é determinada pela justificativa para a colocação do dreno. Por exemplo, em pacientes com vazamento de LCR associado a uma fratura da base do crânio, a cabeceira da cama é elevada na tentativa de tamponar o local do vazamento com o cérebro e as meninges.

 Em contraste, uma ruptura dural na coluna lombar exigiria uma posição plana para reduzir a pressão gravitacional no local do vazamento.

Após o posicionamento do paciente, o sistema de drenagem é colocado no nível prescrito na nota cirúrgica. Este nível é determinado pela abordagem de tratamento para pacientes com DLE. Dois métodos principais são usados: drenagem em um nível anatômico específico e drenagem para um volume especificado de LCR.

A drenagem em um nível específico é usada principalmente em pacientes com hemorragia subaracnóidea que apresentam hidrocefalia comunicante. O nível de drenagem é determinado pelo Consultor responsável, embora geralmente seja no meato acústico externo (MAE) que é o ponto de referência para o forame de Monro.

A drenagem para um volume específico é usada principalmente no reparo de vazamentos de LCR. Nesse caso, é solicitado o volume de LCR a ser drenado em determinado período, por exemplo 10-15 ml/h.

 A gravidade é usada para atingir o volume desejado de saída de LCR. Abaixar o dreno abaixo do nível anterior aumenta a produção, enquanto elevar o dreno acima do nível anterior diminui a produção. Os limites superior e inferior de manipulação podem variar, mas o dreno não deve ser elevado acima do nível do MAE, pois pode ocorrer refluxo do LCR.

Complicações associadas ao DLE

A drenagem inadequada do LCR em pacientes com hidrocefalia pode fazer com que os ventrículos aumentem com subsequentes aumentos da PIC.
Isso pode ocorrer se:

  1. O sistema de drenagem é colocado muito acima do nível do forame de Monro, minimizando assim a drenagem do LCR.
  2. A drenagem do LCR está obstruída. Isso pode ocorrer se o tubo estiver dobrado ou preso inadvertidamente, a torneira de três vias estiver virada para o lado errado, a bolsa de drenagem estiver cheia ou tecido/liquor espesso bloquear o sistema.

A drenagem excessiva de LCR também pode ocorrer se o sistema for colocado muito abaixo do nível do forame de Monro, se houver desconexão no sistema de drenagem ou com LCR desviando do dreno, resultando em vazamento de LCR. Essa drenagem excessiva pode causar o colapso dos ventrículos e afastar o tecido cerebral da dura-máter.

Embora geralmente resulte em dores de cabeça de baixa pressão que podem estar associadas a náuseas/vômitos, em casos extremos isso pode causar ruptura dos vasos sanguíneos e levar a uma lesão subdural (1,3%) ou hemorragia subaracnóidea (0,4%).

A hérnia tentorial pode ser causada por drenagem excessiva ou insuficiente de LCR. Os sintomas incluem:

  • Dor de cabeça severa;
  • Letargia;
  • sonolência;
  • Irritabilidade;
  • Apneia;
  • Respostas pupilares lentas;
  • reflexos anormais;
  • Alterações na PA e frequência cardíaca

Todos os sinais e sintomas acima requerem intervenção imediata.

Em pacientes que têm DLE colocado como tratamento para fístula liquórica, a posição da cabeça para cima pode precipitar um gradiente negativo entre a pressão atmosférica e a pressão intracraniana, levando ao aumento do pneumoencefalo.

Se a troca de LCR e ar for rápida, o ar termicamente expansível pode atuar como uma lesão ocupando espaço criando efeito de massa, especialmente se houver uma ação de válvula unidirecional na fístula (Graf et al, 1981).

Outras complicações da DLE incluem complicações processuais que requerem orientação fluoroscópica (4,3%), dor radicular (2,6-14%) e cisalhamento/retenção da ponta do cateter (0,4%).

Referências:

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  4. CDC/NHSN Surveillance Definitions for Specific Types of Infections. 2015.
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  7. Graf CJ, Gross CE, Beck DW. Complications of spinal drainage in the management of cerebrospinal fluid fistula. J Neurosurg. 1981 Mar;54(3):392-5.
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  12. Leeds Teaching Hospitals NHS Trust (2014) Consent to Examination or Treatment Policy.
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  13. Leeds Teaching Hospitals NHS Trust (2015) Policy for the Chaperoning of Patients During Examination, Investigation or Clinical Recording.
    http://nww.lhp.leedsth.nhs.uk/common/guidelines/detail.aspx?ID=890
  14. Leeds Teaching Hospitals NHS Trust (2014) Hand Hygiene Policy.
    http://nww.lhp.leedsth.nhs.uk/common/guidelines/detail.aspx?ID=673
  15. Leeds Teaching Hospitals NHS Trust (2014) Surgical Scrub, Gowning & Gloving.
    http://nww.lhp.leedsth.nhs.uk/common/guidelines/detail.aspx?ID=3936
  16. Leeds Teaching Hospitals NHS Trust (2013) Standard Precautions Policy.
    http://nww.lhp.leedsth.nhs.uk/common/guidelines/detail.aspx?ID=895
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    http://nww.lhp.leedsth.nhs.uk/common/guidelines/detail.aspx?ID=1672
  18. Leeds Teaching Hospitals NHS Trust (2014) Positive Identification of Patients Policy
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  19. Leverstein-van Hall MA, Hopmans TE, van der Sprenkel JW, Blok HE, van der Mark WA, Hanlo PW, Bonten MJ. A bundle approach to reduce the incidence of external ventricular and lumbar drain-related infections. J Neurosurg. 2010 Feb;112(2):345-53.
  20. Puzzilli F, Mastronardi L, Farah JO, Ruggeri A, Lunardi P. Cytochemical and microbiological testing of CSF and catheter in patients with closed continuous drainage via a lumbar subarachnoid catheter for treatment or prevention of CSF fistula. Neurosurg Rev. 1998;21(4):237-42.
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Redivac: O frasco de drenagem removível

O Dreno Redivac é um tubo fino de plástico (PVC) que é colocado no espaço (cavidade) criado quando o tecido é removido durante uma cirurgia.

É usado para coletar de sangue e fluidos após uma cirurgia. O cirurgião coloca drenos nas feridas operatórias com frascos de drenagem (a vácuo) para remover o excesso de líquido produzido em um local de uma cirurgia. Os drenos podem permanecer por vários dias, no entanto, o paciente poderá ir para casa com o(s) dreno(s) instalado(s). E o paciente pode trocar os frascos em casa, quando estiverem cheios.

Tempo de Permanência

O tempo que o dreno permanece no local depende da quantidade de líquido drenado.

Se a drenagem for de 50 ml ou menos em um período de 24 horas, então um profissional de saúde pode remover o dreno.

De outra forma, o dreno geralmente será removido dentro de sete dias após a cirurgia. O cirurgião irá especificar isso em sua nota de operação que pode pedir ao seu enfermeiro para verificar antes de ir para casa.

Quando o frasco de Redivac deve ser trocado?

O frasco precisa ser trocado quando:

  • Se o frasco estiver mais da metade cheia;
  • Se o indicador de vácuo verde estiver completamente expandido, indicando que não há sucção restante OU;
  • Se a extensão tiver se desconectado.

Quando o paciente deve procurar atendimento médico?

O paciente deve procurar atendimento médico se ocorrer uma das seguintes situações:

  • A quantidade de drenagem aumenta significativamente (mais de 100ml do dia anterior);
  • A drenagem não está fluindo para fora;
  • A drenagem fica turva, vermelha brilhante, com mau cheiro ou pus;
  • Se tiver uma uma temperatura elevada de mais de 38°C;
  • Sua pele ao redor da área do tubo de drenagem fica vermelha, inchada ou dolorida;
  • Os pontos ao redor do tubo de drenagem afrouxam ou se o tubo de drenagem escorregar;
    – Se o tubo de drenagem escorregar, coloque uma gaze limpa sobre o local de drenagem e coloque um curativo sobre ele para manter a gaze no lugar.

Alguns cuidados

  • Lembre-se de levar o frasco para onde for;
  • Tente evitar que o tubo fique preso em alguma coisa;
  • Certifique-se sempre de que o tubo não fica dobrado;
  • Use roupas soltas para permitir a tubulação. Algumas pessoas acharam útil prender o saco que contém o garrafa de drenagem em um cinto em volta da cintura ou carregue-a na pequena bolsa fornecida;
  • Ao dormir, coloque o dreno na vertical no chão ao lado você. Isso impedirá que você role para a garrafa de drenagem quando dormindo;
  • O frasco pode ficar pesado, o que às vezes pode ser inconveniente e restritivo. No entanto, não mudaríamos o frasco, a menos que ela fique muito cheia. Isto porque pode
    aumentar o risco de infecção quando o selo estéril é rompido da ferida para o frasco de drenagem;
  • Verifique se o vácuo do frasco está presente verificando o sanfona verde no topo da garrafa.

Referência:

  1. https://www.singhealth.com.sg/patient-care/conditions-treatments/redivac-drain-care

Os Tipos de Drenagem de Tórax

A drenagem torácica é o procedimento indicado quando se deseja evacuar o conteúdo aéreo ou líquido anômalo da cavidade pleural.

Existem 3 tipos de sistema de mecanismo de drenagem, de acordo com cada tipo de situação:

Drenagem Passiva

É o processo de drenagem mais comumente utilizado.

Esse tipo de drenagem se faz devido à força gravitacional e à existência de uma pressão positiva intrapulmonar, que expulsa o conteúdo intrapleural para o frasco coletor.

Após o posicionamento do dreno na cavidade da pleura, sua extremidade deverá estar mergulhada em recipiente que contenha líquido suficiente para mantê-la submersa, formando o chamado selo d ‘ água.

A extremidade imersa no líquido funciona como válvula unidirecional (selo d’água), que durante a expiração permite a passagem do produto drenado para o frasco coletor, porém durante a inspiração impede o retorno desse drenado por se elevar uma coluna de água que estabiliza a diferença de pressão entre o frasco coletor e a pressão intrapleural.

Drenagem Ativa

Na drenagem ativa ou por pressão negativa, é aplicada, ao sistema de drenagem, uma pressão inferior à existente na cavidade torácica, por meio da conexão a um sistema de aspiração contínua com o objetivo de forçar o movimento do líquido e do ar, contidos na cavidade pleural, em direção ao frasco coletor.

A pressão aplicada deve ser entre (-20 e -30 cmH2O), não excedendo esses valores devido ao risco de aspiração de tecido pulmonar e lesões.

Drenagem com Válvulas de Heimlich

A válvula de Heimlich é um sistema de válvula unidirecional usado por cirurgiões torácicos em várias situações. O dispositivo é considerado seguro e não é fator impeditivo para a alta hospitalar.

É flexível e previne o retorno de gases e fluídos para dentro do espaço pleural. A válvula mede menos de 13 cm (5 inches) de comprimento e facilita a deambulação do paciente.

Tem diversas indicações e pode substituir o sistema tradicional de drenagem com selo d ‘água. O sistema funciona em qualquer posição e dispensa clampeamento.

Prevenindo riscos e complicações

  • A drenagem torácica é uma técnica invasiva e não é isenta de riscos e complicações.
  • Durante o procedimento de inserção do dreno de tórax podem ocorrer dor, sangramento devido à ruptura de algum vaso, perfuração do pulmão e formação de enfisema subcutâneo.
  • A inserção em situação de emergência ou em movimento (ex: ambulância) pode ser um desafio, a depender da habilidade do médico executor e do posicionamento do paciente.
  • Importante assegurar a reexpansão do pulmão. Caso isto não ocorra após a drenagem, a aspiração contínua controlada (com pressão negativa de até 20 cm de água) pode ser necessária, juntamente com a fisioterapia respiratória
  • Não se deve clampear os drenos habitualmente. Particularmente em casos de fístula aérea, o clampeamento pode levar à piora do pneumotórax e até à situação de pneumotórax hipertensivo.
  • A retirada do dreno torácico deve ser feita com a garantia de ausência de fístula aérea, baixo volume líquido de drenagem (menor ou igual a 100ml/dia) e total expansão pulmonar.
  • É conveniente manter a drenagem por pelo menos 24 horas após a última evidência de escape de ar pelo dreno antes de retirá-lo.
  • O controle radiológico periódico permite avaliar a expansão pulmonar adequada.
  • A avaliação da função pulmonar e da condição clínica do paciente são determinantes da avaliação da terapêutica instituída.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.Diretriz Pneumotórax. 2006. Vol. 32. Supl 4. jornaldepneumologia.com.br/content-supp/76
  2. Drenagem Torácica, p.129-138. In: Cuidando do paciente crítico: procedimentos especializados/editores Sandra Cristine da Silva, Patrícia da Silva Pires, Cândida Márcia de Brito. São Paulo: Editora Atheneu, 2013.
  3. Gogakos et al. Ann Transl Med. 2015 Mar; 3(4):54. doi: 10.3978/j.issn.2305-5839.2015.03.25.

Dreno de Blake

O Dreno de Blake é um dispositivo de silicone para a drenagem de fluidos no período pós-operatório. Possui canais de fluxo ao longo de seu corpo, que diminuem a possibilidade de obstrução e possibilitam uma drenagem mais eficiente.

O seu centro sólido proporciona uma maior resistência às tensões, evitando assim a obstrução.

Indicação

O Dreno de  Blake é indicado para drenagem corporal no período pós-operatório onde fluidos tendem a se acumular e aumentar o risco de infecção.

Excelente indicação onde há necessidade de um maior contato com o tecido que necessita de drenagem, pois possibilita uma drenagem mais rápida e eficaz.

Como exemplo de uso temos: cirurgias plásticas, cardíacas, transplantes, grandes cirurgias abdominais, cirurgias bariátricas e cirurgias em geral.

Qual é a diferença do Dreno de Blake e Jackson Pratt (JP)?

Somente pelo nome do fabricante, pois ambos são praticamente os mesmos, com as mesmas funções.

Cuidados de Enfermagem

  • Manter vácuo (então culmina por alterar o volume drenado, podendo acumular o que provocaria dor, desconforto, alteração de sinais vitais e outras;
  • Observar aspectos da drenagem;
  • Troca de curativo ao redor do peridreno diariamente ou quando houver sujidade;
  • Despejar o conteúdo do dreno em local apropriado como o expurgo hospitalar ou em vaso sanitário.

Referências:

  1. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/880496/drenos-abdominais-indicacoes-e-utilizacao-na-pratica-cirurgica.pdf

Válvula de Heimlich

A Válvula de Heimlich foi descrita para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água, sendo projetada para evitar o refluxo de fluidos e ar para o paciente.

Disponível com e sem saco coletor pré-conectado, é indicado principalmente para procedimentos de cirurgia torácica, como por exemplo o pneumotórax.

Vantagens

Henry Heimlich, em 1968, idealizou um dispositivo para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água convencionalmente utilizados, apresentando vantagens, tais como:

  • Conferir maior mobilidade ao paciente;
  • Não necessitar de pinçamento durante o transporte;
  • E oferecer maior segurança e facilidade de higienização.

Propôs, então, uma válvula, de pequenas dimensões, que permite a passagem de fluido ou ar em uma única direção, evitando o refluxo para a cavidade pleural.

Além dessas vantagens, seria de fácil utilização e entendimento pela equipe médica, de enfermagem e, inclusive, pelo próprio paciente.

O sistema também mantém-se funcionando, independentemente de sua posição ou nível, tornando a drenagem pleural mais confiável.

O Enfermeiro e a Válvula de Heimlich

Quanto a competência do Enfermeiro em reconectar nova válvula de Heimlich por desconexão da anterior, por solicitação médica:

A troca da válvula de Heimlich pode ser feita pelo Enfermeiro se o mesmo tiver recebido capacitação para tal procedimento e com a prescrição do médico.

Referências:

  1. BEYRUTI, RICARDO et al. A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. Jornal de Pneumologia [online]. 2002, v. 28, n. 3 [Acessado 2 Outubro 2021] , pp. 115-119. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001&gt;. Epub 05 Nov 2002. ISSN 1678-4642. https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001.
  2. ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2017

Dreno de Wayne

Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, a incidência de pneumotórax espontâneo primário é de cerca de 6 a 10 casos por 100 mil habitantes por ano.

A doença incide predominantemente em homens, mais altos e mais magros, com idade entre 20 e 40 anos.

Quase sempre é unilateral, um pouco mais frequente à direita. É mais comum nos fumantes devido à inflamação das vias aéreas, sendo proporcional ao número de cigarros por dia. A incidência do pneumotórax espontâneo secundário é semelhante à do primário, sendo mais frequente em pacientes acima dos 60 anos de idade.

O Dreno

O dreno de Wayne é um cateter fino, do tipo pig tail, utilizado em conjunto com a válvula de Heimlich, para drenagem de pneumotórax de diferentes etiologias. Este sistema, foi idealizado para substituir os drenos com selo d’água, constitui-se de uma válvula unidirecional, que funciona em qualquer altura que esteja posicionado, é menos doloroso e mais confortável para o paciente.

Diversos estudos compararam a eficácia do tratamento de pneumotórax entre tubos de pequenos calibres versus tubos de calibres maiores e o resultado mostrou que drenos em pigtail são tão efetivos quanto os drenos torácicos de maior calibre e proporcionam uma maior tolerância para os pacientes, maior mobilidade, menos dor e uma técnica de inserção menos invasiva.

Beyruti et.al. realizaram um estudo no qual avaliaram a eficácia de um sistema unidirecional (válvula de Heimlich), e puderem concluir que a válvula de Heimlich mostrou-se eficiente na resolução do pneumotórax de diferentes etiologias, a sua manipulação foi mais simples e rápida do que a drenagem em selo d´água.

Além disso, a boa tolerância referida pela maioria absoluta (94,8%) dos pacientes é fator que determina maior precocidade de alta hospitalar, bem como incentiva o tratamento ambulatorial do pneumotórax

A Coleta do líquido de dreno de tórax pela Equipe de Enfermagem

Existe a ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2016, no qual questiona “Solicitação de esclarecimentos quanto a competência do Enfermeiro para a coleta de líquido de dreno de tórax, para exames laboratoriais pela torneirinha do dreno de Wayne com seringa“, onde conclui-se que:

“O enfermeiro tem como função a manutenção e curativo deste tipo de dreno, e uma vez que o dreno de Wayne já vem com a torneirinha e não dispõe de selo d’água, desde que o Enfermeiro tenha recebido orientação/treinamento sobre o procedimento, faça uma desinfecção adequada da torneirinha e use técnica estéril, ele pode colher material para  laboratório conectando a seringa à torneirinha do dreno, com a prescrição do médico”.

Veja também:

Drenagem Torácica: O que é?

Referências:

  1. Martin, K., Emil, S., Zavalkoff, S., Lo,A.,Ganey, M., Baird, R., Gaudreault, J., Mandel, R., Perreault, T., Pharand, A. (2013). Transitioning from stiff chest tubes to soft pleural catheters: prospective assessment of a practice change. Europeam Journal Pediatric Surgery, 23:389-393. Doi:10.1055/s-0033-1333641.
  2. Lin, C., Lin, W., Chand, J. (2011) Comparison of pigtail cateter with chest tube for drainage of parapneumonic effusion in children. Pediatrics and neonatology 52,337-341. Doi:10.1016/j.pedneo.2011.08.007.
  3. Beuruti, R., Villiger, L., Campos, J., Silva, R., Fernandez, A., Jatene, F. (2002). A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. J. Pneumol. 28(3).
  4. ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2016

Dreno de Kehr

O dreno de Kehr é introduzido nas vias biliares extra-hepáticas, recomendado para a drenagem externa, descompressão ou após anastomose biliar, como prótese modeladora, devendo ser fixado por meio de pontos na parede duodenal lateral ao dreno, tanto quanto na pele, impedindo sua saída espontânea.

A Principal finalidade é determinar ou criar um percurso artificial, com menor resistência, entre uma cavidade/ferida e o meio externo, pelo qual as secreções possam ser exteriorizadas, percorrendo uma trajetória mais curta.

Características

O dreno de Kehr é constituído de duas hastes tubulares, sendo uma vertical com 30 centímetros e outra haste horizontal com 10 centímetros, a qual se une à porção mediana da haste vertical, conferindo-lhe a forma de “T”, sendo que seu uso repousa nas indicações médicas, considerando as possíveis vantagens e desvantagens ou complicações, lembrando que o mesmo é indicado para drenar a via biliar principal.

Ressalta-se que para o dreno cumprir a finalidade mestra para a qual foi inserido, são necessários cuidados para se obter os benefícios de sua utilização desde a sua colocação até a sua retirada.

O seu uso na Colangiografia

A Colangiografia permite a visualização do caminho da bile, partindo do fígado até o duodeno, sendo possível identificar eventuais obstruções dos canais por onde a bile passa, assim como possíveis lesões, estenose ou dilatação destes dutos.

O paciente é sedado para evitar qualquer desconforto, sendo utilizado um tubo fino e flexível que porta uma microcâmera na extremidade, ou seja, um endoscópio, que introduzido por via oral possibilita a visualização da papila por onde os dutos biliares, pancreáticos e do fígado fluem para o duodeno.

Por meio deste tubo que é injetado o contraste radiológico. No caso da colangiografia intra-operatória, o contraste é administrado diretamente na árvore biliar, sendo que durante o procedimento cirúrgico de remoção da vesícula são realizadas imagens radiográficas diversas que permitem a visualização dos dutos biliares.

Os Tipos de Colangiografia

Quanto aos tipos de colangiografia, destaca-se dos tipos endovenosa ou intravenosa, consiste em aplicar um contraste na corrente sanguínea, para ser eliminado pela bile, com o intuito de obter
imagens em postura anteroposterior (AP) com encerramento do exame a critério médico, assim sendo:

Colangiografia pré-operatória

Na colangiografia pré-operatória com administração de contraste iodado, pode ser realizada por via transcística, onde o ducto cístico é cateterizado e injetado contraste iodado diretamente no ducto biliar principal, geralmente o colédoco, por uma agulha ou dreno de Kehr, neste caso para diagnóstico de coledocolitíase residual.

Colangiografia pós-operatória

A colangiografia pós-operatória por dreno em “T” ou dreno de Kehr é realizada em situações nas quais ocorrem abordagem cirúrgica da via biliar principal, sendo necessária a descompressão da via biliar, diminuindo o risco de fístulas, além de moldar a via biliar no local abordado, prevenindo eventual estenose.

Geralmente a colangiografia é realizada no sétimo dia pós-operatório, período onde se espera ter ocorrido a cicatrização do colédoco e bloqueio em torno do dreno. Antes de iniciar o exame deve ser realizada a assepsia do dreno e a retirada do ar, com o intuito de evitar uma possível pseudo-imagem ou imagem falsa, se possível observar o refluxo da bile, assim que o refluxo da bile atravessar todo o cateter, conecta-se uma seringa com contraste iodado.

A indicação

O procedimento mais indicado para a colangiografia pelo tubo de Kehr é a fluoroscopia, porém quando são realizados em aparelhos de Raios-X convencionais, sem imagem de TV, a procedência deverá contemplar três etapas, iniciando com a injeção de 3 a 5 mililitros de contraste iodado e radiografar as vias biliares, aguardar cerca de três minutos, para que o contraste se encaminhe para o duodeno e radiografar novamente as vias biliares, finalizando com a injeção do restante do contraste, cerca de dez ml e radiografar as vias biliares.

Principais complicações

Sobre as possíveis intercorrências e complicações relacionadas ao uso do dreno de Kehr, após a exploração cirúrgica do colédoco em usuários com afecções benignas, estão relacionadas com a formação de coleções biliares localizadas ou difusas, com consequente extravasamento de bile em torno do dreno, ou após o escape parcial ou total do tubo em “T” do interior da via biliar. Portanto, este procedimento, não é isento de complicações, porém os benefícios frente a determinadas situações justificam a sua utilização.

Contra-indicações

Sobre as contra-indicações para este tipo de procedimento, compreendem os casos de hipersensibilidade ao contraste iodado, infecção aguda do sistema biliar e altos níveis de creatinina e/ou uréia.

O seu uso na Colecistectomia

O tratamento cirúrgico tem o objetivo de proporcionar para você o alívio de seus sintomas por meio da remoção da principal causa, que neste caso é a vesícula biliar. Então a colecistectomia, nada mais é que a retirada da vesícula biliar cirurgicamente.

Colecistecomia Convencional

Colecistectomia convencional É a remoção da vesícula biliar através de um corte abdominal, é popularmente conhecida como “técnica aberta”. Esta intervenção é indicada nos casos de inflamação da vesícula.

Colecistectomia laparoscópica

É conhecida como “cirurgia por vídeo”, realizada através de um pequeno corte na cicatriz umbilical. Podem ser realizados diversos outros cortes pequenos ao longo do abdômen para a introdução de outros instrumentos cirúrgicos.

O abdômen é insuflado com um gás, para que o cirurgião consiga enxergar as estruturas abdominais. Um dos instrumentos cirúrgicos utilizado é o laparoscópio.

Ele possui uma câmera que passa a imagem para um visor que fica dentro da sala de cirurgia. Com isso, o cirurgião consegue enxergar dentro do abdômen. As duas técnicas cirúrgicas têm a mesma finalidade, porém só são realizadas de maneiras diferentes, de acordo com a necessidade apresentada pela condição clínica do paciente.

Assistência de Enfermagem

A assistência ao usuário que necessita do dreno, exige que o grupo profissional o prepare física e emocionalmente para o procedimento, visando um processo de reabilitação adequado.

A ferida de contra-abertura é classificada como drenante, a qual se trata de uma abertura cirúrgica, com presença de drenagem e exteriorizada por um conduto especial, o dreno.

O usuário deve ser avaliado frequentemente e receber cuidados específicos. Dentre as possíveis complicações da drenagem, destacam os efeitos orgânicos em resposta ao corpo estranho, como erosão em vasos, aparecimento de fístulas, hemorragias, dentre outros, aumentando, nestes casos, a possibilidade de infecção. Também podem ocorrer problemas mecânicos, como a perda do
dreno por deslocamento, obstrução do dreno, resultando na perda de sua função, assim como podem surgir transtornos fisiológicos devido a perda de líquidos.

A permanência do dreno depende do tipo de cirurgia realizada, no caso das colecistectomias combinadas à coledocotomias com drenagem à Kehr, onde este período é dado por indicação médica. Devem ser aplicadas ações que visem prevenir o deslocamento e facilitar a evolução do processo de cicatrização, após a retirada do dreno.

Referências:

  1. ALBUQUERQUE, Roberto. Clínica Cirúrgica. Montes Claros: Centro de Ciências Biológicas da Saúde – CCBS, 2012
  2. ALVES, José Galvão. Emergências em Gastrenterologia. Rio de Janeiro: Rubio, 2009.
  3. AMATO, Alexandre Campos Moraes. Procedimentos Médicos: técnica e tática. São Paulo: Roca, 2008.
  4. BRESCANI, Cláudio; GAMA-RODRIGUES, Joaquim; VERROTI, Maurício; COSER, Roger. ColangiografiaIntra-Operatória: Custos e Tempo gastos na sua realização durante a Colecistectomia Laparoscópica. Revista Sobracil. Ano 04 nº 7 – Maio, 2001. 1-4.
  5. CESARETTI, Isabel Umbelina Ribeiro; SAAD, Sarhan Sydney. Drenos Laminares e Tubulares em Cirurgia Abdominal: Fundamentos Básicos e Assistência. Acta Paul. Enf. v. 15, n. 3, jul/set., 2002. 97-106.