Delirium em UTI: como reconhecer precocemente com o CAM-ICU e quais são os principais cuidados de Enfermagem

Vá direto ao ponto!

O delirium é uma das alterações neurológicas mais comuns e, ao mesmo tempo, mais subestimadas dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva.

Para quem trabalha na UTI, é relativamente fácil perceber quando um paciente está hipotenso, dessaturando ou apresentando uma alteração importante no eletrocardiograma. Já o delirium pode começar de maneira muito mais discreta: o paciente fica um pouco mais desatento, confunde horários, demora para responder, passa a olhar fixamente para algum ponto, apresenta um comportamento diferente ou começa a alternar períodos de agitação com momentos de sonolência.

É justamente aí que está um dos maiores desafios.

Delirium não é simplesmente “confusão mental”. É uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, geralmente de início rápido e curso flutuante, que pode ser consequência de uma alteração clínica subjacente, efeito de medicamentos, infecção, distúrbios metabólicos, privação de sono, dor, hipóxia, abstinência e diversos outros fatores.

Em pacientes críticos, a identificação pode ser ainda mais difícil porque muitos estão intubados, sedados, em ventilação mecânica ou impossibilitados de falar. Por isso foram desenvolvidos instrumentos específicos para a UTI, entre eles o CAM-ICU — Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit. Estudos brasileiros demonstraram que a versão em português do CAM-ICU é um instrumento válido e confiável para avaliação de delirium em pacientes críticos.

E existe uma diferença importante entre perceber que “o paciente está estranho” e avaliar sistematicamente se ele apresenta delirium.

O que é delirium?

Delirium é uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição.

O paciente pode apresentar alterações de:

  • atenção;
  • consciência;
  • percepção;
  • pensamento;
  • memória;
  • orientação;
  • comportamento;
  • ciclo sono-vigília.

Uma característica muito importante é a flutuação. O paciente pode estar conversando normalmente às 10 horas da manhã e, algumas horas depois, apresentar desorientação, dificuldade de manter a atenção ou comportamento incomum.

Depois pode melhorar novamente. Isso não significa necessariamente que “ele está fingindo” ou que “está apenas nervoso”. A flutuação é uma característica típica do delirium. Estudos brasileiros descrevem o início abrupto e a variação da intensidade dos sintomas ao longo do dia como características importantes dessa síndrome.

Delirium não é sinônimo de demência

Essa confusão aparece bastante entre estudantes. Embora possam existir alterações cognitivas nas duas condições, elas são diferentes. A demência costuma apresentar evolução progressiva e mais prolongada, enquanto o delirium geralmente surge de forma aguda, em horas ou dias, e apresenta flutuação.

Além disso, o delirium caracteriza-se especialmente pela alteração da atenção. Um paciente pode ter demência e também desenvolver delirium. Por isso, encontrar um histórico de comprometimento cognitivo não deve fazer a equipe descartar automaticamente a possibilidade de delirium.

Delirium também não é simplesmente “agitação”

Esse é outro erro bastante comum.

Existe uma forma de delirium chamada hiperativa, em que o paciente pode ficar:

  • agitado;
  • inquieto;
  • agressivo;
  • tentando retirar cateteres;
  • tentando sair do leito;
  • apresentando alucinações.

Essa é a forma que geralmente chama mais atenção.

Mas existe também o delirium hipoativo.

Nesse caso, o paciente pode ficar:

  • sonolento;
  • apático;
  • lentificado;
  • pouco responsivo;
  • com pouca interação;
  • aparentemente “tranquilo”.

E esse paciente pode passar despercebido. Por isso, um dos grandes perigos na UTI é associar delirium somente ao paciente que está tentando arrancar o tubo.

Um paciente quieto demais também merece avaliação.

Por que o delirium é tão importante na UTI?

Porque ele não é apenas um problema comportamental. O delirium em pacientes críticos está associado a consequências clínicas importantes. A literatura aponta relação com maior comprometimento cognitivo após a alta da UTI, e a atualização de 2025 das diretrizes PADIS da Society of Critical Care Medicine destaca que um rastreio positivo para delirium está fortemente associado a comprometimento cognitivo em três e 12 meses após a alta da UTI.

Além disso, o delirium pode dificultar:

  • desmame da ventilação mecânica;
  • comunicação com a equipe;
  • participação na fisioterapia;
  • mobilização;
  • sono;
  • tratamento;
  • segurança do paciente.

Por isso, reconhecer precocemente é muito mais importante do que simplesmente controlar a agitação.

Por que o paciente da UTI desenvolve delirium?

Na maioria das vezes, não existe uma única causa. O delirium costuma resultar da combinação de diversos fatores. O paciente internado em UTI pode estar simultaneamente enfrentando:

doença grave + dor + inflamação + medicamentos + privação de sono + imobilidade + alterações metabólicas + ambiente desconhecido.

Isso cria um cenário extremamente favorável ao desenvolvimento da síndrome.

Principais fatores de risco

Alguns fatores aparecem frequentemente na prática de terapia intensiva. Entre eles estão:

  • idade avançada, especialmente quando associada a fragilidade ou comprometimento cognitivo prévio;
  • doença grave, principalmente em pacientes com disfunção de múltiplos órgãos;
  • sepse e infecções;
  • ventilação mecânica;
  • uso de sedativos e determinados medicamentos;
  • dor inadequadamente controlada;
  • distúrbios metabólicos e eletrolíticos;
  • hipóxia;
  • desidratação;
  • insuficiência renal ou hepática;
  • imobilidade prolongada;
  • privação do sono;
  • ausência de estímulos durante o dia e excesso de estímulos à noite;
  • alterações visuais ou auditivas;
  • abstinência de álcool ou determinadas substâncias.

O importante é entender que nem sempre conseguimos eliminar todos os fatores de risco. Mas podemos reduzir vários deles.

O ambiente da UTI pode contribuir para o delirium

Imagine passar vários dias em um ambiente onde:

  • não existe diferença clara entre dia e noite;
  • alarmes tocam constantemente;
  • pessoas conversam durante toda a madrugada;
  • há iluminação artificial contínua;
  • procedimentos interrompem o sono;
  • o paciente não sabe que horas são;
  • não consegue utilizar seus óculos;
  • não consegue ouvir adequadamente;
  • não reconhece as pessoas ao redor.

Para o paciente, isso pode ser extremamente desorientador. Uma revisão brasileira sobre cuidados multiprofissionais em delirium destaca justamente estratégias como redução de ruídos, reorientação cognitiva, objetos familiares, preservação do sono, mobilização precoce e participação estruturada da família.

Por isso, prevenção do delirium não é apenas uma questão de medicamento. O ambiente também faz parte do cuidado.

Como reconhecer precocemente?

Uma das melhores estratégias é não esperar o paciente ficar completamente desorientado. A equipe deve observar mudanças em relação ao comportamento habitual.

Pergunte:

“Esse paciente está igual ao que estava ontem?”

Essa pergunta aparentemente simples pode ser extremamente útil. Observe se ele:

  • perdeu a capacidade de manter uma conversa;
  • está mais distraído;
  • demora mais para responder;
  • não consegue acompanhar comandos;
  • apresenta comportamento incomum;
  • está alternando agitação e sonolência;
  • apresenta alterações na percepção;
  • confunde pessoas ou situações;
  • está acordado, mas parece “não estar presente”.

Quando existe mudança aguda ou flutuante, deve-se pensar em delirium.

O CAM-ICU: o que é?

O CAM-ICU é uma adaptação do Confusion Assessment Method desenvolvida especificamente para pacientes internados em terapia intensiva, inclusive aqueles que não conseguem se comunicar verbalmente.

Essa característica é muito importante. Um paciente intubado não consegue simplesmente responder:

“Você sabe onde está?”

Por isso, o CAM-ICU utiliza comandos, estímulos visuais e auditivos e avaliação objetiva da atenção e do pensamento. O instrumento foi desenvolvido justamente para tornar possível a avaliação de delirium em pacientes críticos, incluindo pacientes incapazes de falar.

Antes do CAM-ICU: avalie o nível de consciência

Aqui está uma parte que costuma causar confusão:

RASS e CAM-ICU não são a mesma escala.

A RASS — Richmond Agitation-Sedation Scale avalia o nível de agitação e sedação. O CAM-ICU avalia delirium.

Por isso, na prática, os dois instrumentos trabalham juntos. O primeiro passo é verificar se o paciente apresenta nível de consciência suficiente para que a avaliação de delirium possa ser realizada. A literatura descreve o método em duas etapas: primeiro avaliar o nível de consciência, frequentemente utilizando a RASS; depois, quando possível, aplicar o CAM-ICU.

RASS e CAM-ICU: qual a diferença?

Uma forma fácil de memorizar:

RASS = “quão acordado, sedado ou agitado está o paciente?”

CAM-ICU = “há características compatíveis com delirium?”

A RASS varia de +4 a -5.

No extremo positivo, temos agitação intensa, já no extremo negativo, temos sedação profunda.

O paciente com RASS -4 ou -5 não consegue ser adequadamente avaliado pelo CAM-ICU naquele momento.

Isso não significa:

“RASS -4 = delirium.”

Significa: não foi possível avaliar delirium naquele momento devido ao nível de consciência.

Essa diferença é fundamental.

Como funciona o CAM-ICU?

O algoritmo tradicional do CAM-ICU trabalha com quatro características principais.

Característica 1: início agudo ou curso flutuante

Pergunta-se:

Houve uma mudança aguda no estado mental?

Ou:

O comportamento/estado mental do paciente apresentou flutuação?

Pode ser uma alteração percebida nas últimas horas ou dias.

Exemplo:

“Ontem o paciente conversava adequadamente. Hoje está alternando períodos de lucidez com momentos de desorientação e dificuldade de atenção. Isso levanta a possibilidade de delirium.”

Característica 2: desatenção

Essa é uma das partes mais importantes do CAM-ICU. O paciente com delirium frequentemente apresenta dificuldade de manter ou direcionar a atenção. Uma forma de avaliação é utilizar estímulos padronizados, como pedir que o paciente acompanhe determinada sequência de letras ou realize uma tarefa de atenção conforme o treinamento do instrumento.

No paciente que não fala, isso pode ser realizado por meio de respostas visuais ou motoras. O objetivo não é simplesmente saber se ele “entendeu”.

É avaliar se consegue sustentar a atenção.

Característica 3: pensamento desorganizado

Depois, avalia-se se o pensamento está organizado. O paciente pode apresentar respostas incoerentes, contraditórias ou sem relação com a pergunta. Por exemplo, quando perguntado algo simples, pode responder algo completamente desconectado do contexto. Em pacientes intubados, podem ser utilizadas formas não verbais de avaliação.

Por isso, o profissional precisa ser treinado para aplicar corretamente o instrumento.

Característica 4: alteração do nível de consciência

Aqui entram alterações diferentes do estado de alerta normal.

O paciente pode estar:

  • hiperalerta;
  • sonolento;
  • estuporoso;
  • agitado;
  • excessivamente sedado.

O importante é relacionar essa alteração ao algoritmo do CAM-ICU.

Quando o CAM-ICU é considerado positivo?

A lógica clássica é:

Característica 1 + Característica 2 + (Característica 3 ou Característica 4).

Ou seja: início agudo/flutuação + desatenção + pensamento desorganizado ou alteração do nível de consciência.

Essa combinação é o que caracteriza uma avaliação positiva para delirium pelo CAM-ICU. Esse esquema é excelente para memorizar para provas:

1 + 2 + (3 ou 4) = CAM-ICU positivo.

Um exemplo prático

Imagine um paciente internado há três dias na UTI. Ontem estava conversando adequadamente. Hoje começou a apresentar períodos em que parece não reconhecer a equipe e, em outros momentos, volta a interagir. Durante a avaliação:

Característica 1: houve mudança aguda/flutuação?
Sim.

Característica 2: apresenta desatenção?
Sim.

Característica 3: pensamento desorganizado?
Não.

Característica 4: alteração do nível de consciência?
Sim.

Temos:

1 + 2 + 4 = CAM-ICU positivo.

Esse paciente precisa ser comunicado e investigado pela equipe.

CAM-ICU positivo não significa “dar haloperidol”

Essa é uma associação que precisa ser desconstruída. Encontrar delirium significa que a equipe precisa procurar e tratar fatores precipitantes, além de implementar medidas de suporte e segurança. A atualização PADIS de 2025 não encontrou evidência suficiente para recomendar a favor ou contra o uso de antipsicóticos em comparação ao cuidado habitual para tratamento do delirium em adultos na UTI.

Isso é importante porque ainda existe a ideia de que:

“Paciente delirou? Dá haloperidol.”

A abordagem atual é muito mais ampla. O medicamento pode ter papel em situações selecionadas, conforme avaliação médica e protocolo, especialmente quando há agitação importante e risco para o paciente ou para a equipe. Mas tratar delirium não significa simplesmente sedar o paciente.

E o que a Enfermagem deve fazer quando identifica delirium?

Aqui começa uma parte extremamente importante. A identificação do delirium não encerra a avaliação. Ela é o início de uma investigação. O profissional deve comunicar a alteração e observar possíveis fatores precipitantes.

É necessário pensar:

  • O paciente está com dor?
  • Está hipóxico?
  • Apresenta febre ou sinais de infecção?
  • Está desidratado?
  • Existe alteração glicêmica?
  • Há distúrbio eletrolítico?
  • Houve mudança recente de medicamentos?
  • Recebeu sedação em excesso?
  • Está dormindo durante o dia e acordado durante toda a noite?
  • Está imobilizado há muito tempo?
  • Está sem os óculos ou aparelho auditivo?
  • Está apresentando retenção urinária ou constipação?

Essas perguntas ajudam a direcionar o cuidado.

Cuidados de Enfermagem para prevenção do delirium

A prevenção é tão importante quanto o reconhecimento, e muitas medidas não dependem de equipamentos sofisticados.

Preservar o ciclo sono-vigília

Durante o dia, sempre que possível, favorecer iluminação natural e interação. Durante a noite, reduzir ruídos, luminosidade e interrupções desnecessárias. Isso não significa deixar o paciente sem monitorização, significa organizar os cuidados de forma racional para evitar perturbações desnecessárias do sono.

As diretrizes PADIS recomendam um protocolo multicomponente voltado à promoção do sono e estratégias que reduzam fatores modificáveis relacionados ao delirium.

Reorientação frequente

Conversar com o paciente pode ser uma intervenção de enfermagem. Dizer:

“Bom dia, senhor João. O senhor está na UTI do Hospital X. Hoje é sexta-feira. Eu sou a enfermeira Ana e estou cuidando do senhor.” pode parecer simples.

Mas para um paciente desorientado, essas informações ajudam a reconstruir referências. Relógio e calendário também podem ser úteis. A atualização de 2025 das diretrizes PADIS cita reorientação e estimulação cognitiva, incluindo uso de relógios, entre as estratégias de intervenções não farmacológicas multicomponentes.

Corrigir alterações visuais e auditivas

Um paciente que normalmente utiliza óculos e passa vários dias sem eles pode ter dificuldade para interpretar o ambiente. O mesmo pode acontecer com um paciente que utiliza aparelho auditivo. Sempre que clinicamente possível e seguro, facilitar o acesso a esses dispositivos pode ajudar na orientação. A recomendação atual inclui justamente a otimização da visão e da audição como parte das estratégias multicomponentes para reduzir fatores modificáveis de delirium.

Mobilização precoce

A imobilidade prolongada não é neutra. Sempre que houver condições clínicas e autorização da equipe, a mobilização deve ser estimulada. Isso pode variar desde:

  • mudança de decúbito;
  • exercícios ativos ou passivos;
  • sentar no leito;
  • sentar à beira-leito;
  • transferência para poltrona;
  • ortostatismo;
  • deambulação.

Tudo depende da condição clínica. A atualização PADIS de 2025 sugere mobilização/reabilitação intensificada em relação ao cuidado habitual para adultos internados em UTI. Importante: mobilização precoce não significa mobilizar qualquer paciente indiscriminadamente.

É necessário avaliar estabilidade clínica, dispositivos, suporte ventilatório, hemodinâmica e segurança.

Avaliação e controle da dor

Dor também pode contribuir para alterações comportamentais e pior experiência do paciente. O paciente intubado pode não conseguir dizer:

“Estou com dor.”

Por isso, escalas apropriadas para pacientes que não conseguem se comunicar verbalmente podem ser utilizadas conforme protocolo da instituição. O objetivo não é simplesmente administrar analgésico. É avaliar a dor, tratar adequadamente e reavaliar a resposta.

Cuidado com a sedação

Existe uma tendência histórica de manter pacientes críticos profundamente sedados para facilitar o cuidado. Mas sedação excessiva pode dificultar a avaliação neurológica, prolongar a ventilação mecânica e contribuir para problemas associados à terapia intensiva.

As diretrizes PADIS atualizadas em 2025 sugerem o uso de dexmedetomidina em vez de propofol em determinados pacientes adultos em ventilação mecânica quando a prioridade é sedação leve e/ou redução do delirium. Isso não significa que dexmedetomidina seja “o medicamento para prevenir delirium”. A recomendação é específica para determinadas estratégias de sedação, e o medicamento deve sempre ser administrado conforme prescrição, indicação e monitorização.

Evitar benzodiazepínicos quando não forem necessários

Alguns medicamentos podem aumentar o risco de delirium. Os benzodiazepínicos são um exemplo particularmente importante em pacientes críticos. Isso não significa que sejam absolutamente proibidos. Existem situações clínicas específicas em que podem ser necessários, mas o uso deve ter indicação e ser reavaliado.

O princípio é: usar a menor exposição necessária e adequada à situação clínica do paciente.

Família também pode ajudar

A família pode ser uma importante fonte de orientação e reorientação. Uma pessoa conhecida pode ajudar o paciente a reconhecer:

  • quem ele é;
  • onde está;
  • o que aconteceu;
  • quem está cuidando dele.

Além disso, objetos familiares, fotografias e comunicação com pessoas significativas podem ajudar na orientação.

Uma pesquisa brasileira recente sobre manejo não farmacológico do delirium em UTI identificou justamente a participação dos familiares como uma das estratégias relevantes, embora sua implementação ainda enfrente dificuldades em muitos serviços.

O que NÃO fazer com o paciente delirante

Algumas atitudes podem piorar a situação. Evite discutir com o paciente tentando “provar” que ele está errado. Se ele disser:

“Preciso ir para casa porque meu filho está esperando na porta.”

Responder agressivamente:

“Seu filho não está aqui! Você está delirando!” provavelmente não ajudará. Uma abordagem mais adequada pode ser:

“Entendo que você está preocupado com seu filho. Você está no hospital e nós estamos cuidando do senhor. Vou ficar aqui com você.”

O objetivo é reduzir ansiedade, oferecer segurança e reorientar.

Contenção física deve ser tratada com muita cautela

Um paciente delirante pode tentar retirar:

  • tubo orotraqueal;
  • cateter venoso;
  • sonda;
  • drenos;
  • outros dispositivos.

A reação automática pode ser “amarrar”. Mas contenção física não deve ser encarada como primeira solução para o delirium. É necessário avaliar a causa da agitação e utilizar medidas de segurança e estratégias menos restritivas sempre que possível, de acordo com a legislação, prescrição/protocolo e avaliação da equipe.

A própria atualização PADIS de 2025 aborda o tema das restrições físicas entre os tópicos de manejo do paciente crítico.

Delirium e segurança do paciente

Um paciente delirante pode apresentar risco aumentado de:

  • quedas;
  • retirada de dispositivos;
  • lesões;
  • interrupção de terapias;
  • dificuldade de cooperação;
  • acidentes durante mobilização.

Por isso, a identificação precisa resultar em um plano de segurança. Isso pode incluir:

  • ambiente organizado;
  • leito seguro;
  • monitorização adequada;
  • comunicação clara;
  • acompanhamento mais próximo;
  • retirada de obstáculos;
  • avaliação do risco de queda;
  • participação da família quando apropriado.

CAM-ICU deve ser aplicado uma única vez?

Não. Essa é outra característica importante. Como o delirium é flutuante, uma avaliação isolada pode não representar o estado do paciente durante todo o dia. Por isso, os protocolos de UTI devem estabelecer avaliação periódica e sistemática. A literatura brasileira destaca a importância da avaliação contínua com instrumentos específicos para permitir identificação precoce.

Na prática:

Não espere o paciente ficar agitado para repetir a avaliação.

O paciente pode estar em delirium hipoativo e apresentar poucos sinais externos.

O CAM-ICU substitui a avaliação clínica?

Não. Ele é uma ferramenta de rastreamento/avaliação estruturada. O resultado precisa ser interpretado dentro do contexto clínico. Um CAM-ICU positivo deve fazer a equipe pensar:

“Por que esse paciente desenvolveu delirium?”

E não apenas:

“Qual medicamento posso administrar?”

A causa pode ser potencialmente reversível.

Delirium pode ser o primeiro sinal de deterioração clínica

Essa é uma das experiências que o profissional de UTI aprende com o tempo. Às vezes, antes de aparecer uma grande alteração hemodinâmica, o paciente muda o comportamento. Aquele paciente que normalmente responde adequadamente começa a apresentar desatenção. Aquele que conversava começa a ficar excessivamente sonolento.

Aquele que estava orientado passa a tentar retirar dispositivos. Essas alterações não devem ser automaticamente classificadas como “coisa da idade”, “ansiedade” ou “birra”. Uma alteração aguda do estado mental merece investigação.

Estudos brasileiros ressaltam que o delirium pode ser manifestação de uma condição física subjacente mais grave ou de toxicidade medicamentosa.

Um roteiro prático para o estudante de Enfermagem

Durante o estágio, uma forma simples de organizar o raciocínio é:

  1. Observe

O paciente está diferente do habitual?

  1. Avalie a sedação

Qual é o RASS?

  1. Se puder ser avaliado, aplique o CAM-ICU

Verifique as quatro características.

  1. Se positivo, comunique

Delirium não deve ficar apenas registrado como “paciente confuso”.

  1. Procure fatores precipitantes

Dor, infecção, hipóxia, alterações metabólicas, medicamentos, privação do sono, retenção urinária, constipação, desidratação, imobilidade e outros.

  1. Implemente medidas não farmacológicas

Reorientação, sono, mobilidade, visão, audição, comunicação e ambiente.

  1. Reavalie

Delirium flutua.

Um exemplo que acontece na rotina da UTI

Imagine um paciente de 72 anos internado por pneumonia. Durante o primeiro dia, está acordado, responde adequadamente e reconhece os profissionais. Na segunda noite, começa a dizer que existem pessoas dentro do quarto.

  • Tenta retirar o acesso venoso.
  • Fala frases desconectadas.

Depois de alguns minutos, fica extremamente sonolento. No dia seguinte, parece melhor. Um profissional poderia dizer:

“Ele está confuso por causa da idade.” Mas essa não deveria ser a conclusão. Existe:

  • mudança aguda/flutuação;
  • alteração da atenção;
  • pensamento desorganizado;
  • alteração do nível de consciência.

O CAM-ICU pode ser positivo. A partir daí, a equipe precisa investigar o que está desencadeando o quadro. Pode ser infecção, hipóxia, medicamentos, alteração metabólica, privação do sono ou uma combinação de fatores.

E o paciente intubado?

O fato de estar intubado não impede automaticamente a avaliação pelo CAM-ICU. Essa é justamente uma das vantagens da ferramenta. O CAM-ICU foi desenvolvido para pacientes críticos, inclusive aqueles que não conseguem se comunicar verbalmente.

O paciente pode responder utilizando:

  • olhar;
  • movimentos da cabeça;
  • movimentos das mãos;
  • comandos motores padronizados.

Mas existe um detalhe: é necessário treinamento para aplicar corretamente o instrumento. Não basta conhecer o nome CAM-ICU. O profissional precisa conhecer o algoritmo e a forma padronizada de aplicação. O site oficial do CAM-ICU disponibiliza manual de treinamento, fluxograma, folha de avaliação, casos clínicos e outros materiais para capacitação.

Erros comuns na avaliação do delirium

Confundir agitação com delirium

Nem todo paciente agitado está delirante. É necessário avaliar sistematicamente.

Confundir sedação profunda com delirium

RASS -5 não significa CAM-ICU positivo. Significa que o paciente não está em condições de ser avaliado naquele momento.

Avaliar apenas pacientes agitados

Isso faz com que muitos casos hipoativos sejam perdidos.

Fazer o CAM-ICU sem avaliar o nível de consciência

RASS e CAM-ICU precisam ser entendidos conjuntamente.

Aplicar a escala de qualquer maneira

O CAM-ICU depende de aplicação padronizada.

Achar que o resultado resolve a causa

CAM-ICU identifica a síndrome; não explica sozinho por que ela aconteceu.

O papel da Enfermagem no delirium é muito maior do que aplicar uma escala

Essa talvez seja a principal mensagem para quem está aprendendo terapia intensiva. A escala é apenas uma ferramenta. O profissional de Enfermagem permanece ao lado do paciente durante grande parte do tempo e, por isso, pode perceber pequenas alterações que talvez passem despercebidas durante uma avaliação médica pontual.

É a Enfermagem que frequentemente percebe:

“Ele não estava assim ontem.” Essa informação tem valor clínico. Registrar a mudança, comunicar a equipe e acompanhar sua evolução pode contribuir para que uma causa reversível seja identificada mais rapidamente.

O que dizem as recomendações mais atuais?

As recomendações internacionais continuam reforçando a importância de avaliar sistematicamente delirium em pacientes críticos.

A atualização PADIS publicada pela Society of Critical Care Medicine em 2025 reforça uma abordagem que não se limita a medicamentos. Para prevenção e manejo, recomenda-se uma intervenção multicomponente e não farmacológica, envolvendo redução de fatores de risco modificáveis, melhora da cognição, sono, mobilidade, audição e visão.

A mesma atualização sugere mobilização/reabilitação intensificada e, em determinadas circunstâncias, preferência pela dexmedetomidina sobre propofol quando a prioridade é sedação leve e/ou redução do delirium em pacientes adultos sob ventilação mecânica.

Já em relação aos antipsicóticos, a diretriz de 2025 afirma que a evidência disponível não permite recomendar a favor ou contra seu uso em comparação ao cuidado habitual para tratamento do delirium em adultos de UTI.

Isso mostra como o manejo do delirium mudou.

Menos foco em simplesmente “acalmar o paciente” e mais foco em identificar causas, reduzir fatores modificáveis, preservar função e manter o paciente orientado e acordado quando clinicamente possível.

Delirium na UTI: o que o estudante precisa guardar

Se você estiver começando a trabalhar em terapia intensiva, memorize estas ideias:

  • Delirium é agudo e flutuante.
  • A desatenção é uma característica central.
  • Pode ser hiperativo, hipoativo ou misto.
  • Paciente intubado também pode apresentar delirium.
  • RASS avalia sedação/agitação; CAM-ICU avalia delirium.
  • RASS -4/-5 impede uma avaliação adequada pelo CAM-ICU naquele momento.
  • CAM-ICU positivo = característica 1 + característica 2 + característica 3 ou 4.
  • Não espere o paciente ficar agitado para investigar.
  • Procure causas reversíveis.
  • Sono, mobilização, reorientação, visão e audição fazem parte da prevenção.
  • A contenção física e os medicamentos não devem ser utilizados como resposta automática ao delirium.

E talvez a mais importante:

Na UTI, uma mudança súbita de comportamento também pode ser um sinal clínico.

O delirium é uma condição extremamente relevante na terapia intensiva e que exige atenção contínua da equipe. Para o estudante de Enfermagem, aprender a reconhecer delirium significa muito mais do que decorar o significado da sigla CAM-ICU.

É aprender a perceber mudanças sutis no comportamento, entender a diferença entre sedação e delirium, reconhecer que o paciente hipoativo também pode estar delirante e compreender que a síndrome frequentemente representa a manifestação de algum problema clínico subjacente.

O CAM-ICU é uma ferramenta importante para estruturar essa avaliação, inclusive em pacientes que não conseguem falar. Estudos brasileiros demonstraram validade e confiabilidade da versão em português para pacientes críticos.

Mas a escala não substitui o raciocínio clínico. Um resultado positivo deve desencadear uma pergunta:

“O que está acontecendo com esse paciente?”

A resposta pode estar na dor, na infecção, na hipóxia, nos medicamentos, na privação do sono, em alterações metabólicas, na imobilidade ou na combinação de vários fatores. E é justamente nesse ponto que a Enfermagem exerce um papel fundamental.

Reconhecer cedo, comunicar, investigar, prevenir fatores modificáveis e acompanhar a evolução do paciente são atitudes que fazem parte de um cuidado intensivo mais seguro e humanizado.

Resumo para salvar

Avaliação do Delirium em UTI com o CAM-ICU

  • Reconhecimento precoce e sistemático do delirium em pacientes críticos, indo além da simples impressão de confusão mental
  • Aplicação do CAM-ICU adaptado para pacientes intubados ou incapazes de se comunicar verbalmente por meio de estímulos objetivos
  • Verificação inicial do nível de consciência utilizando a escala RASS antes de prosseguir com a avaliação estruturada
  • Identificação baseada nos 4 critérios essenciais: início agudo/flutuante, desatenção, pensamento desorganizado ou alteração da consciência

Referências:

  1. ABELHA, Fernando; VEIGA, Dalila; NORTON, Maria; SANTOS, Cristina; GAUDREAU, Jean-David. Avaliação do delírio em pacientes pós-operatórios: validação da versão portuguesa da Nursing Delirium Screening Scale na terapia intensiva. Revista Brasileira de Anestesiologia, Rio de Janeiro. Disponível em: SciELO – Revista Brasileira de Anestesiologia
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  8. Cuidados multiprofissionais para pacientes em delirium em terapia intensiva: revisão integrativa. Revista Gaúcha de Enfermagem. Disponível em: SciELO – Revista Gaúcha de Enfermagem.
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  12. PASA, F. B.; SILVA, R. M. Validação e uso da escala CAM-ICU na prática diária da enfermagem em terapia intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 35, n. 1, p. 45-52, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/.

O Peso da Responsabilidade: Quando o Erro de Enfermagem se Torna Fatal

Escolher a enfermagem é aceitar uma das missões mais nobres e, ao mesmo tempo, mais pesadas que existem. No dia a dia de um hospital, somos nós que passamos as 24 horas ao lado do paciente. Essa proximidade nos coloca em uma posição privilegiada para salvar vidas, mas também nos deixa na linha de frente de possíveis falhas.

Quando falamos em erros de enfermagem que podem levar à morte, não estamos buscando culpados para punir, mas sim caminhos para entender como o sistema falha e como podemos nos proteger — e proteger quem cuidamos.

Para um estudante, o medo de errar é constante. A verdade é que o ambiente de saúde é complexo e, muitas vezes, caótico. Um erro fatal raramente acontece por um único motivo; ele é quase sempre o desfecho de uma sucessão de pequenas falhas. Entender esses mecanismos é o primeiro passo para uma prática segura e consciente.

O objetivo deste texto não é apontar culpados, mas compreender os principais erros, as causas que os favorecem e o que pode ser feito para evitá-los, especialmente na formação do estudante de enfermagem.

O que são erros assistenciais na enfermagem?

Erros assistenciais são ações ou omissões que fogem das boas práticas, dos protocolos e da ética profissional, resultando ou podendo resultar em dano ao paciente. Eles podem ocorrer mesmo em ambientes organizados e com profissionais experientes, principalmente quando fatores humanos e institucionais se somam.

Nem todo erro leva à morte, mas alguns têm potencial de desencadear eventos graves como insuficiência respiratória, choque, sepse e parada cardiorrespiratória.

Principais erros da enfermagem associados ao risco de morte

Erros na administração de medicamentos

A administração de medicamentos é uma das atividades mais críticas da enfermagem. Falhas nesse processo estão entre as principais causas de eventos adversos graves.

Erros como dose incorreta, medicamento errado, via errada, diluição inadequada ou administração em velocidade incompatível podem causar intoxicações, reações adversas severas, depressão respiratória, arritmias e colapso cardiovascular.

A não conferência da prescrição, a pressa e a rotina automatizada são fatores frequentemente associados a esse tipo de erro.

Falhas na vigilância clínica e monitorização

Um dos papéis centrais da enfermagem é observar continuamente o paciente. Quando sinais de deterioração clínica não são reconhecidos ou são subestimados, o paciente pode evoluir rapidamente para óbito.

Alterações discretas nos sinais vitais, redução do nível de consciência, queda de saturação ou mudança no padrão respiratório muitas vezes antecedem eventos graves. A demora em comunicar a equipe médica ou iniciar intervenções básicas pode ser decisiva.

Omissão de cuidados fundamentais

Cuidados básicos, quando negligenciados, podem gerar consequências graves. A ausência de mudança de decúbito favorece lesões por pressão, que podem evoluir para infecção e sepse. A falta de cuidados com vias aéreas pode levar à broncoaspiração e insuficiência respiratória. A higiene inadequada aumenta o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde.

Esses erros geralmente não acontecem por desconhecimento, mas por sobrecarga de trabalho, falta de pessoal e desvalorização dos cuidados básicos.

Erros em procedimentos técnicos

A realização de procedimentos sem domínio técnico, sem supervisão ou fora da competência profissional é um fator de risco importante.

Punções mal executadas, manejo inadequado de dispositivos invasivos, falhas na técnica asséptica e uso incorreto de sondas e cateteres podem resultar em sangramentos, infecções graves, pneumotórax, sepse e óbito.

Para o estudante de enfermagem, reconhecer limites e buscar apoio é uma atitude de segurança, não de fragilidade.

Falhas na comunicação entre a equipe

A comunicação deficiente é uma das principais causas de eventos adversos fatais nos serviços de saúde. Informações incompletas na passagem de plantão, registros inadequados e falta de comunicação sobre alterações clínicas importantes comprometem a continuidade do cuidado.

A enfermagem, por acompanhar o paciente de forma contínua, tem papel essencial na transmissão clara e objetiva dessas informações.

Negligência, imprudência e abandono de plantão

O abandono de plantão e a negligência configuram infrações éticas e legais. A ausência do profissional ou a assistência realizada com desatenção, uso excessivo de celular e desinteresse colocam o paciente em risco direto.

Essas situações comprometem a administração de medicamentos, a vigilância clínica e a resposta a emergências, podendo resultar em morte evitável.

Principais causas que favorecem os erros na enfermagem

Os erros raramente estão ligados a um único fator. Na maioria das vezes, eles são consequência de um conjunto de causas.

Para entender por que um erro acontece, usamos muito na segurança do paciente o Modelo de James Reason, ou Modelo do Queijo Suíço. Imagine que cada barreira de segurança no hospital (o protocolo, a conferência do médico, a checagem do enfermeiro) é uma fatia de queijo. Todas têm furos (falhas potenciais). O acidente ocorre quando os furos de todas as fatias se alinham perfeitamente, permitindo que o erro chegue ao paciente.

As causas principais que geram esses “furos” são conhecidas:

  • Sobrecarga e Fadiga: Equipe de enfermagem com excesso de pacientes e jornadas duplas têm sua capacidade cognitiva reduzida. O cérebro cansado “pula” etapas automáticas de segurança.
  • Comunicação Ineficaz: Passagens de plantão apressadas, prescrições verbais mal interpretadas e a falta de uso de ferramentas como o SBAR geram lacunas de informação fatais.
  • Cultura Punitiva: Quando o hospital pune severamente quem erra, os profissionais escondem os “quase erros”. Sem discutir o erro, o sistema nunca aprende a evitá-lo.
  • Falta de Educação Continuada: Protocolos mudam. Um profissional que não se atualiza pode estar aplicando técnicas ultrapassadas que hoje são consideradas inseguras.

O que pode ser feito para evitar esses incidentes?

A boa notícia é que a segurança do paciente evoluiu muito. Hoje, sabemos que confiar apenas na memória humana é um erro. Para evitar incidentes, precisamos de barreiras sistêmicas.

A implementação da dupla checagem para medicamentos de alto risco é uma das medidas mais eficazes. Ter um segundo colega conferindo a dose e a ampola antes da aplicação cria uma barreira física ao erro. Além disso, o uso da tecnologia, como a checagem por código de barras à beira do leito, garante que o remédio certo está indo para o paciente certo.

Outro ponto fundamental é o fortalecimento da Cultura de Segurança. Isso significa que a equipe deve se sentir segura para relatar riscos sem medo de retaliação. Se percebemos que um rótulo de soro está confuso, devemos relatar isso como um “incidente sem dano” para que a farmácia altere o padrão antes que alguém se confunda e o dano ocorra.

Cuidados de Enfermagem para a Prática Segura

Para você, que está no campo de estágio ou prestes a se formar, algumas condutas devem ser inegociáveis:

  1. Vigilância Ativa: Não seja um “anotador de sinais vitais”. Seja um analista. Se os dados mudaram em relação ao último controle, investigue o porquê.
  2. Rigor com os “Certos“: Nunca pule as etapas de conferência de medicação. Identificação do paciente, dose, via e hora devem ser checadas verbalmente com o próprio paciente sempre que possível.
  3. Comunicação Assertiva: Ao receber uma ordem verbal em emergências, repita a ordem em voz alta para confirmar se entendeu corretamente antes de executar.
  4. Conheça seus Dispositivos: Antes de infundir qualquer coisa, confirme a procedência do cateter. Dietas nunca devem estar próximas de acessos venosos sem uma identificação visual clara e distinta.

Os erros da enfermagem que podem levar o paciente à morte não são resultado apenas de falhas individuais, mas de um sistema que muitas vezes sobrecarrega e fragiliza o profissional.

Compreender esses erros, reconhecer suas causas e investir em prevenção é essencial para formar profissionais mais seguros, conscientes e preparados. Para o estudante de enfermagem, esse conhecimento é um passo fundamental para uma prática ética, humana e baseada na segurança do paciente.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/caderno-1-assistencia-segura-uma-reflexao-teorica-aplicada-a-pratica.pdf
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Resolução Cofen nº 564/2017. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-5642017_59145.html
  3. REASON, James. Human error: models and management. BMJ, v. 320, n. 7237, p. 768-770, 2000. Disponível em: https://www.bmj.com/content/320/7237/768. Acesso em: 27 dez. 2025.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Brasília, 2014. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Patient safety: global action plan 2021–2030. Geneva: WHO, 2021. Disponível em: https://www.who.int
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.com

Quick Pause: A nova abordagem para treinamentos em hospitais

No dia a dia hospitalar, tudo acontece em ritmo acelerado. Entre plantões, emergências, visitas médicas e cuidados com pacientes, é difícil encontrar tempo para pausas longas ou atividades que fujam da rotina.

Nesse contexto, surge uma proposta que vem ganhando cada vez mais espaço nas instituições de saúde: o formato de treinamento Quick Pause, também conhecido como “Pausa Rápida”.

Trata-se de uma estratégia simples, porém extremamente eficaz, que oferece aprendizado contínuo sem comprometer o fluxo intenso de trabalho dos profissionais da saúde.

Mas afinal, o que é exatamente esse tipo de treinamento?

E por que ele está se tornando tão importante dentro dos hospitais?

O que é o Quick Pause?

O Quick Pause é um modelo de treinamento breve, com duração média entre 5 a 15 minutos, realizado diretamente no local de trabalho. Pode acontecer ao lado do leito, durante reuniões de equipe, nos corredores do hospital ou até mesmo em áreas de descanso.

Ao contrário dos treinamentos tradicionais, que muitas vezes demandam deslocamento, logística e um tempo prolongado de dedicação, o Quick Pause é pensado para ser rápido, prático e eficaz. O objetivo é fornecer informações relevantes de forma imediata e aplicável, contribuindo para a atualização constante dos profissionais.

Por que ele é tão útil no ambiente hospitalar?

O tempo é um recurso escasso

Em hospitais, cada minuto conta. Interromper uma equipe inteira para um treinamento longo pode ser inviável, especialmente em momentos de alta demanda. O Quick Pause resolve essa questão oferecendo um formato enxuto, direto ao ponto.

Favorece a aprendizagem no local de trabalho

Por ser realizado no próprio ambiente hospitalar, esse tipo de treinamento não exige deslocamentos e ainda permite que os aprendizados sejam imediatamente relacionados com situações reais. Isso aumenta a absorção do conteúdo e sua aplicação na prática.

Reforça diretrizes importantes

Questões como higienização das mãos, uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), segurança do paciente, administração de medicamentos e outros temas críticos podem ser rapidamente revisitados e reforçados. São assuntos que, embora já conhecidos, precisam ser constantemente lembrados.

Atualiza sem sobrecarregar

Um dos grandes méritos do Quick Pause é permitir a atualização de conhecimentos de forma leve. Como são encontros rápidos, eles não geram a sensação de sobrecarga — pelo contrário, são percebidos como oportunidades de aprendizado contínuo e acessível.

Mais aceitação por parte da equipe

Profissionais da saúde costumam reagir melhor a treinamentos objetivos e interativos. Quando o tempo é respeitado e o conteúdo é útil, a tendência é que a participação e o engajamento aumentem.

Um recurso que pode (e deve) ser frequente

A flexibilidade é outro ponto forte desse modelo. O Quick Pause pode ser feito em qualquer turno, alcançando profissionais de diferentes horários e especialidades. Essa adaptabilidade permite que a estratégia seja aplicada com maior frequência, sem comprometer o andamento das atividades hospitalares.

Além disso, é possível personalizar o conteúdo conforme as necessidades da equipe. Por exemplo, se um setor enfrenta dificuldades com a administração segura de medicamentos, esse pode ser o foco da próxima pausa educativa.

Discussão de casos reais e fortalecimento da equipe

Alguns Quick Pauses podem incluir discussões rápidas de casos clínicos reais, o que aumenta a aplicabilidade do conteúdo e estimula a tomada de decisões embasadas. Também servem como espaço para troca de experiências e fortalecimento da comunicação entre as equipes multiprofissionais.

Não precisa de muitos recursos

Um dos grandes benefícios do Quick Pause é que ele não exige equipamentos complexos ou salas específicas. Pode ser feito com materiais simples, como cartazes, vídeos curtos, simulações rápidas, checklists e apresentações breves. Isso facilita a implementação e reduz os custos.

O treinamento Quick Pause representa uma evolução no modo de ensinar e aprender dentro do hospital. Ao respeitar o tempo e o ritmo dos profissionais, ele promove a aprendizagem de forma contínua, prática e sustentável.

Mais do que uma estratégia de capacitação, o Quick Pause incentiva uma cultura de aperfeiçoamento constante, que se reflete diretamente na segurança do paciente e na qualidade da assistência prestada. Para quem está iniciando a carreira na enfermagem ou deseja melhorar a rotina educacional da equipe, vale a pena conhecer e aplicar essa metodologia.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília: MS, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_medicamentos.pdf
  2. OLIVEIRA, A. C.; PAIVA, M. H. S.; COSTA, S. F. D. Segurança do Paciente: conhecendo os riscos nas práticas de enfermagem. São Paulo: Atheneu, 2018.
  3. SCHMITT, C. M. et al. Educação em saúde no ambiente hospitalar: práticas educativas e o cuidado com o trabalhador. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 74, n. Suppl 1, e20201356, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/jZcy9XkWkxZrbd8hQ8bNHZr/
  4. INSTITUTE FOR HEALTHCARE IMPROVEMENT (IHI). How-to Guide: Implementing the Seven Steps Approach to Improving Patient Safety. Cambridge, MA: IHI, 2009. (Embora mais amplo, aborda a importância de intervenções rápidas e aprendizado contínuo). Disponível em: 

Meios de Prevenção de Quedas

As quedas em ambiente hospitalar são eventos indesejáveis que podem causar lesões graves aos pacientes e gerar consequências negativas para a instituição. Felizmente, existem diversas medidas preventivas que podem ser adotadas para reduzir significativamente o risco de ocorrências.

Medidas Preventivas Comuns

Uso da Campainha Beira-Leito

 A campainha deve estar sempre ao alcance do paciente para que ele possa solicitar ajuda quando precisar se levantar ou realizar alguma atividade.

Meias Antiderrapantes

 O uso de meias com sola antiderrapante proporciona maior aderência ao piso, diminuindo o risco de escorregões.

Proximidade do Posto de Enfermagem

 Ao posicionar o leito do paciente próximo ao posto de enfermagem, a equipe pode monitorar mais de perto e atender rapidamente às suas necessidades.

Grades do Leito Elevadas

 As grades de proteção do leito devem ser mantidas elevadas, especialmente durante a noite ou quando o paciente estiver sonolento, evitando que ele caia da cama.

Calçados Adequados

 O uso de calçados fechados e com sola antiderrapante é fundamental para garantir a segurança do paciente ao caminhar.

Iluminação Adequada

O ambiente deve estar bem iluminado, tanto durante o dia quanto à noite, para evitar tropeços e quedas.

Mobiliário Fixo

 O mobiliário deve ser fixo e estável, evitando que o paciente se apoie em objetos que possam se mover.

Corredores Livres de Obstáculos

 Os corredores devem estar livres de objetos que possam obstruir a passagem e causar tropeços.

Avaliação Regular do Risco de Queda

 É fundamental realizar uma avaliação regular do risco de queda de cada paciente, identificando os fatores de risco e implementando as medidas preventivas adequadas.

Orientação ao Paciente e Acompanhante

O paciente e seus acompanhantes devem ser orientados sobre a importância das medidas de segurança e como solicitar ajuda quando necessário.

Programa de Prevenção de Quedas

A instituição deve implementar um programa de prevenção de quedas que envolva todos os profissionais da saúde e seja atualizado regularmente.

Outros Exemplos de Medidas Preventivas

  • Uso de Alarme de Saída da Cama: Para pacientes com alto risco de queda, o uso de alarmes de saída da cama pode ser uma medida eficaz.
  • Uso de Barreiras Laterais na Cadeira de Rodas: As barreiras laterais na cadeira de rodas ajudam a prevenir que o paciente escorregue para fora da cadeira.
  • Adaptações no Banheiro: A instalação de barras de apoio no banheiro e o uso de assentos sanitários elevados podem reduzir o risco de quedas durante o banho.
  • Exercícios de Fortalecimento: A prática regular de exercícios de fortalecimento muscular pode melhorar o equilíbrio e a força do paciente, diminuindo o risco de quedas.

A importância da equipe multidisciplinar

A prevenção de quedas é uma responsabilidade de toda a equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais. A comunicação entre os membros da equipe é fundamental para garantir a eficácia das medidas preventivas.

Referência:

  1. BRASIL. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Segurança do Paciente – Prevenção de Quedas. 2019. 

Pulseiras de Risco Hospitalares

As pulseiras de risco hospitalares são identificadores coloridos utilizados para alertar a equipe de saúde sobre condições específicas de um paciente, como risco de queda, alergias, lesão por pressão e necessidade de preservação de membro.

Elas desempenham um papel fundamental na prevenção de incidentes e na garantia da segurança do paciente durante a hospitalização.

Tipos de Pulseiras e seus Significados

A padronização das cores e símbolos utilizados nas pulseiras varia de acordo com cada instituição, mas a ideia central é a mesma: comunicar de forma rápida e eficiente os riscos associados a cada paciente.

Risco de Queda

    • Cor: Geralmente amarela ou laranja.
    • Símbolo: Um ícone representando uma pessoa caindo ou um símbolo de equilíbrio.
    • Indica: Pacientes com maior probabilidade de cair, como idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou que utilizam medicamentos que podem causar tontura.

Alergia

    • Cor: Vermelha ou rosa.
    • Símbolo: Um ícone de exclamação dentro de um triângulo ou um símbolo de alergia.
    • Indica: Pacientes com alergia a medicamentos, alimentos, látex ou outras substâncias. A pulseira pode especificar a substância causadora da alergia.

Lesão por Pressão

    • Cor: Roxa ou lilás.
    • Símbolo: Um ícone representando uma ferida ou uma área sob pressão.
    • Indica: Pacientes com risco aumentado de desenvolver úlceras por pressão, como aqueles que permanecem acamados por longos períodos ou com problemas de circulação.

Preservação de Membro

    • Cor: Azul ou verde.
    • Símbolo: Um ícone representando um membro (braço ou perna) ou uma faixa em torno de um membro.
    • Indica: Pacientes com risco de perda de um membro, como aqueles com problemas circulatórios graves ou que necessitam de enxertos, pacientes mastectomizadas que precisam preservar o lado do membro, não puncionar membro em que irá realizar exame de cateterismo.

Outras informações que podem constar na pulseira

  • Nome do paciente: Essencial para a identificação correta.
  • Data de nascimento: Ajuda a evitar erros de identificação, especialmente em pacientes com nomes comuns.
  • Alergias específicas: Lista detalhada das substâncias às quais o paciente é alérgico.
  • Restrições dietéticas: Indicações sobre a dieta especial do paciente.
  • Nome do médico: Facilita a comunicação entre a equipe de enfermagem e o médico responsável.

Importância das pulseiras de risco

  • Melhora na comunicação: As pulseiras garantem que todas as informações relevantes sobre o paciente sejam facilmente acessíveis a todos os profissionais de saúde envolvidos.
  • Prevenção de erros: Reduz o risco de administrar medicamentos errados, realizar procedimentos inadequados ou causar lesões ao paciente.
  • Melhora na qualidade do cuidado: Permite que a equipe de saúde forneça um cuidado mais individualizado e seguro, adaptando as intervenções às necessidades específicas de cada paciente.
  • Empoderamento do paciente: Ao usar a pulseira, o paciente se sente mais seguro e confiante na equipe de saúde.

As pulseiras de risco hospitalares são ferramentas simples, mas eficazes, que contribuem significativamente para a segurança do paciente. Ao utilizar essas pulseiras de forma correta e consistente, as instituições de saúde podem reduzir o número de eventos adversos e garantir que todos os pacientes recebam o cuidado de alta qualidade que merecem.

Referências:

  1. HOFFMEISTER, Louíse Viecili; MOURA, Gisela Maria Schebella Souto de. Uso de pulseiras de identificação em pacientes internados em um hospital universitário. Rev. Latino-Am. Enfermagem, jan.-fev. 2015, v. 23, n. 1, p. 36-43. DOI: 10.1590/0104-1169.0144.2522.
  2. COREN-SP. Orientação Fundamentada nº 073. 2018. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/Orienta%C3%A7%C3%A3o-Fundamentada-073-.pdf

Placas de Identificação Beira Leito: Segurança do paciente

As placas de identificação beira leito são uma parte essencial dos protocolos de segurança em unidades de saúde.

Elas desempenham um papel fundamental na correta identificação dos pacientes, prevenindo erros que possam causar danos.

Importância das Placas de Identificação Beira-Leito

    • Meta Internacional de Segurança do Paciente: A identificação correta é a primeira meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a segurança do paciente. Ela deve ser realizada em todas as unidades de saúde.
    • Redução de Riscos: A identificação adequada evita erros, como administração de medicamentos errados ou procedimentos incorretos.
    • Uniformidade: As instituições de saúde devem adotar métodos uniformes para identificar os pacientes.

Indicadores Utilizados

    • Pulseira de Identificação: Os pacientes devem usar uma pulseira branca padronizada com no mínimo três indicadores: nome completo, data de nascimento e número do registro (prontuário).
    • Placa Beira Leito: Além da pulseira, é recomendado o uso de uma placa de identificação beira leito.

Cuidados de Enfermagem

    • Conferência Obrigatória: Antes de qualquer cuidado, os profissionais de saúde devem conferir os dados na pulseira e na placa de identificação.
    • Atualização Diária: As informações nas pulseiras e placas devem ser mantidas atualizadas.
    • Participação do Paciente/Familiar: O paciente ou familiar deve conferir as informações antes da instalação da pulseira.
    • Identificação em Macas: Para pacientes internados em macas, a placa beira leito deve ser fixada à maca.

 

Referências:

  1. PR.QAS_.001-00-Identificação-Segura.pdf (ints.org.br)
  2. 480277b0-267e-c03e-f304-5767c547a775 (saude.df.gov.br)
  3. Escola de Saúde

Prevenção de Quedas: Principais Medidas

A prevenção de quedas é uma preocupação significativa no ambiente de saúde, visando a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento.

O Protocolo de Prevenção de Quedas integra uma série de medidas proativas que buscam minimizar os riscos e as consequências das quedas nos estabelecimentos de saúde.

Essas medidas incluem a avaliação de risco do paciente, que deve ser realizada diariamente para identificar aqueles que possuem maior probabilidade de queda.

Além disso, é fundamental a implementação de um ambiente seguro, com pisos nivelados, ausência de objetos soltos no chão e sinalização adequada de áreas molhadas ou potencialmente perigosas.

Medidas que integram o protocolo de Prevenção de Risco de Quedas

Avaliação do risco de queda

A avaliação do risco de queda deve ser feita no momento da admissão do paciente com o emprego de uma escala adequada ao perfil dos pacientes da instituição. Essa avaliação deve ser repetida diariamente até a alta do paciente. Nesse momento, também se deve avaliar a presença de fatores que podem contribuir para o agravamento do dano em caso de queda.

Segundo alguns autores, os fatores de risco intrínsecos funcionais incluem:

  • Idade acima de 65 anos
  • Alterações do nível de consciência
  • Distúrbios do equilíbrio
  • Déficit motor
  • Déficit sensorial
  • Síncope
  • Incontinência urinária
  • Incontinência fecal
  • Uso de medicamentos (sedativos, anti-hipertensivos etc.)
  • Hipotensão postural
  • História de queda recente.

Os fatores intrínsecos relacionados às patologias são:

  • Doenças osteomioarticulares
  • Neurológicas
  • Otológicas
  • Cardiovasculares

Prevenção de quedas em instituições de saúde

  • Utilização da Escala de Morse;
  • Após avaliação e identificação do paciente em risco de queda, realize a prescrição de enfermagem com as medidas profiláticas (pelo enfermeiro);
  • Realize a identificação do paciente com risco de queda por meio de pulseira e/ou de sinalização à beira do leito;
  • Identifique o prontuário do paciente com a etiqueta de risco de queda;
  • Os pacientes com risco de queda devem ter supervisão intensiva, sobretudo aqueles que apresentarem confusão mental. Nessa situação, procure conscientizar a família sobre a importância da presença de um acompanhante;
  • Comunique à equipe multiprofissional sobre o risco de queda do paciente;
  • Oriente a equipe e o acompanhante para que acompanhem o paciente na ida ao banheiro e não o deixem sozinho, inclusive durante o banho. Recomenda-se deixar uma luz do banheiro acesa à noite. Se o paciente tiver vários fatores de risco e estiver sem acompanhante (sozinho no quarto), mantenha a porta do quarto aberta;
  • Deixe a área de circulação do quarto livre de móveis e utensílios;
  • Identifique as solicitações de exames externos com etiqueta de risco;
  • Registre no prontuário do paciente todas as intervenções realizadas;
  • Entregue a orientação institucional sobre a prevenção de quedas (panfletos etc.), ao paciente e ao acompanhante, no primeiro dia de internação;
  • Reforce e acrescente as orientações, à equipe e ao acompanhante, quando surgirem outros riscos (introdução de medicamentos, intervenções cirúrgicas, piora do quadro clínico etc.);
  • Oriente a equipe e o acompanhante para que auxiliem o paciente na saída e no retorno ao leito, na transferência do leito para a maca, cadeira de rodas e poltrona;
  • Oriente a equipe multiprofissional e o acompanhante para que mantenham as grades do leito do paciente com risco de quedas sempre elevadas;
  • Mantenha a cama na posição baixa, se possível, e com as rodas travadas;
  • Mantenha a campainha e os objetos pessoais ao alcance do paciente;
  • Avalie a necessidade de realizar a contenção mecânica do paciente no leito, em razão de seu estado mental. A contenção somente deve ser realizada quando todas as demais intervenções tiverem sido ineficazes e o paciente estiver em condição de ser um risco para si mesmo;
  • Explique ao paciente e ao acompanhante o tipo de calçado que o paciente deve usar: com solado antiderrapante e fácil de calçar;
  • Sempre que necessário, acione as equipes de manutenção e limpeza do serviço de saúde a fim de manter o ambiente (quartos, corredores, banheiros) em boas condições de circulação (piso limpo, seco, livre de irregularidades e obstruções).

Na ocorrência de queda

  • Em caso de queda, encaminhe o paciente ao leito, comunique a enfermeira e o médico da unidade ou de plantão;
  • Verifique e anote no prontuário do paciente e na ficha de ocorrência de quedas, de maneira clara e completa, as circunstâncias em que ocorreu a queda, incluindo:
    • Risco de queda, identificado no dia em que ela ocorreu;
    • Período do dia em que ocorreu o evento;
    • Local da queda;
    • Como ocorreu a queda;
    • Se o paciente estava sozinho ou com acompanhante;
    • Se o paciente estava confuso;
    • Se houve testemunhas;
    • Se o paciente acionou a campainha ou chamou antes da queda;
    • Quais as medicações em uso;
    • Se havia prescrições voltadas à prevenção de quedas no prontuário do paciente;
    • A conduta médica – registro indispensável.

– Verifique e anote as condições externas que colaboraram para a queda, como a altura da cama, se estava com as grades baixadas, se a campainha do quarto e banheiro estavam
funcionando. Registre também o quadro de pessoal da unidade e como foi feita a divisão de trabalho naquele dia;

– Solicite avaliação médica, mesmo quando parecer que não houve lesões e que o paciente está bem (os pacientes podem não valorizar alguns sintomas porque não os associam com a queda) Preste atenção às reações do paciente nas 24 h seguintes;

– Encaminhe a ficha de ocorrência de queda para a coordenação de enfermagem e para a comissão de prevenção de quedas para análise;

– Acompanhe o monitoramento do paciente após a queda, com a comissão de prevenção de quedas ou com o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP).

Referências:

  1. protocolo-de-prevencao-de-quedas (www.gov.br)
  2. PR.MULT_.002-00-Protocolo-de-Prevencao-de-Queda-1.pdf (ints.org.br)
  3. 13404490571782_Protocolo_Prevencao_de_Quedas__15-10-2009.pdf (saudedireta.com.br)

Pulseira de Identificação: O que deve Conter?

A pulseira de identificação de pacientes é um elemento crucial no ambiente hospitalar. Ela atende a uma das mais relevantes necessidades do setor, que é assegurar a correta identificação dos pacientes.

Quando essa identificação é feita de maneira precisa, reduz-se significativamente o risco de erros, como equívocos na administração de medicamentos ou transfusões de sangue. Além disso, a identificação correta é fundamental para garantir a segurança no cotidiano de um hospital.

Itens importantes que devem conter em uma pulseira de identificação

  • Prevenção de Erros Médicos: A pulseira fornece informações essenciais sobre o paciente, como o nome, o número de identificação, o grupo sanguíneo e quaisquer condições médicas pré-existentes. Esses dados ajudam a equipe médica a fornecer o tratamento certo de forma rápida e eficaz, evitando erros que podem ter consequências graves.
  • Segurança em Casos de Doenças Contagiosas: Em áreas controladas e restritas, como zonas de isolamento para pacientes com doenças contagiosas, é fundamental identificar todas as pessoas que entram e saem. A pulseira permite rastrear os movimentos dos pacientes e visitantes, garantindo que todos estejam cientes das precauções necessárias.
  • Funcionamento da Pulseira: A pulseira pode ser impressa no momento em que o paciente chega à recepção do hospital. Ela contém informações como o nome do paciente, motivo da internação, medicamentos recorrentes, potenciais alergias e contato do responsável legal.
  • Identificadores Mínimos: Para garantir uma identificação correta, recomenda-se usar pelo menos dois identificadores na pulseira branca padronizada. Por exemplo, o nome completo e a data de nascimento são essenciais para evitar confusões.
  • Utilizar no mínimo dois identificadores como:
    • Nome completo do paciente;
    • nome completo da mãe do paciente;
    • data de nascimento do paciente;
    • número de prontuário do paciente.

Em resumo, a pulseira de identificação hospitalar é uma ferramenta vital para a segurança dos pacientes e deve conter informações relevantes para facilitar os cuidados médicos adequados.

Outros pontos importantes

Quanto à pulseira de identificação:

  • Deve conter nome completo – sem abreviatura e data de nascimento com dois dígitos para dia, 02 dígitos para mês e 04 dígitos para ano (xx/xx/xxxx).
  • Quando o paciente não puder ter sua identificação confirmada por estar sem documento, mas está consciente e sabe informar a nome completo e a data de nascimento e/ou seu acompanhante fornece os dados solicitados, a Identificação do paciente na pulseira e na ficha de identificação (anexo) será precedido da sigla PSD (paciente sem documento).
  • Quando o paciente estiver sem documento inconsciente, com confusão mental ou não sabe informar nome completo e data de nascimento, deverá ser utilizado como identificadores para nome: identidade sexual, cor da pele precedido da sigla PNI (paciente não identificado), se tiver cicatriz, tatuagem em face que o identifique, poderá ser acrescentado (ex.: PNI, homem de cor parda, D.I xx/xx/xxxx).
    • Identificadores para data de nascimento: será a data da internação (dia, mês e ano) precedida pela sigla DI (data da Internação): xx/xx/xxxx).
    • Neste caso, o número do atendimento será obrigatório estar descrito na pulseira de identificação e deverá ser conferido por leitura antes de cada cuidado e ou procedimento.
  • Nas demais situações o número do atendimento e ou prontuário poderá estar presente, não se faz obrigatório e não será considerado marcador de identificação obrigatório para auditorias.
  • Se a pulseira de identificação estiver danificada, for removida acidentalmente ou se tornar ilegível, deverá s ser solicitada ao setor de internação uma nova pulseira.
  • A pulseiras com registro manual deverá ser preenchida obrigatoriamente com letra de forma (caixa alta) legível.
  • Todos os formulários, etiquetas ou rótulos que identifiquem pacientes deverão possuir os dois marcadores de identificação nome e data de nascimento, e devem ser corretamente preenchidos.
  • A pulseira de identificação deve ser colocada, preferencialmente, no punho direito. Caso não seja possível a instalação nesse membro, será obedecida a seguinte ordem:
    • Punho esquerdo;
    • Tornozelo direito;
    • Tornozelo esquerdo.
  • Peça ao paciente que declare (e, quando possível, soletre) seu nome completo e data de nascimento.
  • Para a identificação do recém-nascido, a pulseira de identificação deve conter minimamente a informação do nome da mãe e o número do prontuário do recém-nascido e
    outras informações padronizadas pelo serviço de saúde.
  • Quando for realizada transferência para outro serviço de saúde, um identificador adicional do paciente pode ser o endereço.
  • Não usar o número do quarto/enfermaria/ leito do paciente como um identificador, em função do risco de trocas no decorrer da estadia do paciente no serviço.

O objetivo é que todos os pacientes permaneçam com a mesma pulseira durante a sua permanência na instituição, mas certas situações clínicas exigem que seja realizado um rodízio de membros, como na presença de edemas, de dispositivos invasivos, amputações, dentre outros.

Quando for necessária a realização do rodízio, a equipe de enfermagem responsável pelo cuidado deverá solicitar a internação, uma nova pulseira e providenciar a troca, procurando seguir as prioridades na eleição do membro. A saber: membro superior direito, membro superior esquerdo, membro inferior direito, membro inferior esquerdo.

Referências:

  1. EBSERH
  2. ANVISA

Cirurgia Segura: O Checklist

A cirurgia é, muitas vezes, o único tratamento que pode aliviar, corrigir e salvar vidas, apesar de seus riscos inerentes; não controláveis.  Embora os procedimentos cirúrgicos tenham essa finalidade, falhas evitáveis de segurança podem ocorrer e causar danos físicos e psíquicos irreparáveis ao cliente, familiares e profissionais, quando medidas de segurança não são sistematicamente adotadas.

Nesta perspectiva, iniciativas de aumentar os padrões de qualidade para tornar a assistência cirúrgica segura vem acontecendo em nível mundial, conhecido como Segundo Desafio Global de Segurança do Paciente, contemplando medidas essenciais nas etapas críticas do atendimento perioperatório a serem incorporadas dentro da rotina das salas de operações.

As medidas contemplam 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura que deverão estar apresentadas em uma lista de verificação de segurança cirúrgica “checklist”.

O checklist de Cirurgia Segura consiste em uma lista formal utilizada para identificar, comparar e verificar o cumprimento às etapas críticas de segurança e, assim, minimizar os riscos evitáveis mais comuns que colocam em risco as vidas e o bem-estar dos clientes cirúrgicos. Esse instrumento se utiliza das estratégias de comunicação oral e escrita para a sua condução e não possui caráter regulatório.

Sendo assim, o presente Protocolo Multiprofissional Assistencial apresentará as estratégias de segurança cirúrgica, baseadas nas recomendações do manual “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”, da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2009) e do “Protocolo Cirurgia Segura”, do Ministério de Saúde (MS, 2013), alinhadas ao contexto institucional, a serem implementadas por meio de um Checklist, construído seguindo os princípios de simplicidade, de ampla aplicabilidade e de possibilidade de mensuração, que contempla os 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura:

  1. Certificar-se de que é o paciente certo e o sítio cirúrgico
  2. Proteger o paciente da dor, minimizando os riscos
  3. Ter capacidade para reconhecer dificuldades respiratórias e um plano de ação pronto.
  4. Preparar-se para identificar e agir em caso de grande perda sanguínea.
  5. Evitar induzir reações alérgicas ou à medicação que tragam riscos ao paciente.
  6. Usar métodos para minimizar o risco de infecções de sítio cirúrgico.
  7. Evitar a retenção de compressas ou instrumentos em feridas cirúrgicas.
  8. Identificar de maneira precisa todos os espécimes cirúrgicos.
  9. Comunicar e trocar informações críticas sobre o paciente.

Estabelecer vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos.

O Público Alvo

Clientes (adulto e infantil) hospitalizados ou em atendimento ambulatorial submetidos à procedimentos cirúrgicos em caráter eletivo e de urgência que implicam em incisão, excisão, manipulação e suturas de tecidos, e que, geralmente, requeiram anestesia regional ou geral ou sedação profunda para controle da dor.

RESPONSABILIDADES Equipe Multiprofissional

  • Conhecer o presente Protocolo e as medidas que garantem a promoção da cirurgia segura.
  • Compartilhar os saberes interprofissionais específicos e comuns em colaboração no planejamento, na execução e na avaliação das intervenções, antes, durante e após o procedimento cirúrgico, para a tomada de decisão.
  • Envolver o cliente e a sua família no planejamento diário dos cuidados.
  • Confirmar a identificação do cliente em todos os procedimentos a serem realizados.
  • Participar frequentemente de educações continuada.
  • Participar ativamente na condução e registro do Checklist de Cirurgia Segura (Apêndice A).
  • Notificar qualquer risco identificado e evento adverso ocorrido no Aplicativo de Vigilância em Saúde e Gestão de Riscos Assistenciais Hospitalares (Vigihosp).

Responsável Técnico – RT/Chefe de Unidade

  • Supervisionar os cuidados prestados e o cumprimento de todas as etapas do Checklist de Cirurgia Segura.
  • Realizar/providenciar o levantamento dos indicadores de segurança/qualidade.

Médico Cirurgião

  • Realizar consulta pré-operatória.
  • Esclarecer ao cliente e familiares sobre os riscos cirúrgicos, e se consentida a cirurgia, providenciar a assinatura do Termo de Esclarecimento, Ciência e Consentimento para Procedimentos Cirúrgicos (Apêndice B).
  • Realizar demarcação de sítio cirúrgico, quando for o caso, no pré-operatório.
  • Prescrever os cuidados pré-operatórios.
  • Prescrever a antibioticoterapia profilática.
  • Informar a equipe interprofissional sobre os riscos e pontos críticos do procedimento cirúrgico no intraoperatório.
  • Conduzir/Realizar o procedimento cirúrgico.
  • Participar da conferência das compressas e instrumentais utilizados, ao término da cirurgia.

Médico Anestesista

  • Realizar consulta pré-anestésica.
  • Esclarecer ao cliente e familiares sobre os riscos anestésicos, e se consentida a cirurgia, providenciar as assinaturas dos Termos de Esclarecimento, Ciência e Consentimento para Anestesia e Sedação (Apêndice C) e, se necessário, para Transfusão de Hemocomponentes (Apêndice D).
  • Decidir e aplicar o anestésico mais indicado.
  • Checar o aparelho de anestesia, no intraoperatório.
  • Informar a equipe interprofissional sobre os riscos e pontos críticos no procedimento cirúrgico (via aérea difícil, risco de aspiração e alergias conhecidas).
  • Promover a monitorização hemodinâmica do cliente e a administração do antibiótico profilático, no intraoperatório.
  • Atentar ao manejo e recuperação, garantindo a estabilidade do estado geral do cliente.
  • Avaliar o cliente e da alta da Sala de Recuperação Pós Anestésica-SRPA.

Enfermeiro Assistencial (Unidade Assistencial, Centro Cirúrgico e SRPA)

  • Garantir que os cuidados pré-operatórios e a organização do prontuário estejam adequados, antes de encaminhar o cliente ao local em que será realizado o procedimento cirúrgico.
  • Realizar ou supervisionar a equipe de enfermagem no preenchimento do Checklist de Cirurgia Segura em suas diferentes etapas (Preparo do cliente; Antes da indução anestésica e da incisão cirúrgica e Antes do cliente sair da sala operatória).
  • Confirmar a presença de reserva sanguínea no Hemocentro, no pré-operatório, e registrar.
  • Gerenciar os recursos humanos de enfermagem e materiais necessários na sala operatória.
  • Capacitar a equipe de enfermagem para prestar uma assistência que garanta a segurança do cliente no perioperatório.

Técnico de Enfermagem  (Unidade Assistencial, Centro Cirúrgico e SRPA)

  • Implementar as intervenções para o pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório prescritas e/ou estabelecidas em rotina.
  • Comunicar ao enfermeiro qualquer intercorrência durante a assistência prestada.
  • Realizar a conferência e o registro do Checklist de Cirurgia Segura de acordo com cada etapa.
  • Preparar e montar a sala operatória com materiais e equipamentos de acordo com o procedimento a ser realizado e os riscos cirúrgicos levantados (seguir rotina estabelecida na unidade).
  • Conferir a integridade, a quantidade e a validade dos materiais a serem utilizados, antes da cirurgia.  Posicionar o eletrocautério no cliente, antes da incisão cirúrgica.
  • Contar as compressas utilizadas junto ao médico cirurgião e instrumentador, ao término da cirurgia.
  • Identificar e encaminhar as peças anatômicas/culturas, ao término da cirurgia.
  • Fixar as etiquetas de esterilização no prontuário, ao término da cirurgia.
  • Monitorar e acompanhar o cliente na SRPA. Instrumentador (Centro Cirúrgico)
  • Preparar e montar a sala operatória com materiais e equipamentos de acordo com o procedimento a ser realizado e os riscos cirúrgicos levantados.
  • Preparar o instrumental cirúrgico de acordo com o tipo de cirurgia.
  • Conferir a integridade, a quantidade e a validade dos materiais utilizados (seguir rotina estabelecida na unidade).
  • Realizar a contagem dos instrumentais cirúrgicos junto ao médico cirurgião, ao término da cirurgia.

OPERACIONALIZAÇÃO DO CHECKLIST DE CIRURGIA SEGURA

  • A estrutura do Checklist de Cirurgia Segura integra a verificação das medidas críticas gerais de segurança nas etapas pré-operatória e intraoperatória em três momentos, descritos a seguir: ü Antes do encaminhamento do cliente ao centro cirúrgico (registrada na unidade assistencial) ü 2. Antes da indução anestésica e da incisão cirúrgica (conduzida e registrada na sala operatória) ü 3. Antes do cliente sair da sala operatória (conduzida e registrada na sala operatória).
  • O Checklist de Cirurgia Segura deverá ser conduzido oralmente no intraoperatório por um único profissional e na presença de toda equipe cirúrgica, cabendo a todos o envolvimento e responsabilidade compartilhada.
  • O condutor do Checklist de Cirurgia Segura no intraoperatório deverá solicitar a confirmação do cumprimento às medidas essenciais de segurança à equipe e registrar. Caso algum item do Checklist não esteja em conformidade, a verificação deverá ser interrompida para uma tomada de decisão, que poderá ser até o cancelamento da cirurgia. As observações, justificativas e não conformidades deverão ser registradas no verso do Checklist de Cirurgia Segura e no prontuário.
  • O profissional responsável pela condução do Checklist de Cirurgia Segura no intraoperatório (sala operatória) será o Técnico de Enfermagem do Centro Cirúrgico designado para exercer a função de circulante de sala.

Em situações especiais, qualquer membro da equipe interprofissional cirúrgica poderá assumir a responsabilidade em conduzir o Checklist de Cirurgia Segura.

  • O Checklist preenchido deverá ser arquivado no prontuário, com as assinaturas do profissional de enfermagem responsável na etapa pré-operatória e do condutor e dos médicos anestesista e cirurgião (Staffs e Residentes) na etapa intraoperatória.

O preenchimento do Checklist de Cirurgia Segura não substitui a obrigatoriedade do registro no prontuário das avaliações e intervenções realizadas.

Preparo Pré-Operatório do Cliente

O preparo pré-operatório do cliente hospitalizado consiste nos procedimentos a serem realizados em um período compreendido de 24 horas que antecedem o procedimento cirúrgico. São eles:

  1. a) Identificação do cliente (Responsabilidade de execução: Equipe Interprofissional)

– Confirmar a identificação do cliente por meio da pulseira; da placa à beira leito, se for o caso; dos dados de identificação no prontuário e pela confirmação verbal do cliente, se possível.

Notas:

  • Em casos de crianças ou clientes incapacitados, um tutor ou familiar poderá assumir a função de identificação.
  • O cliente não deverá ser encaminhado ao Centro Cirúrgico sem pulseira de identificação ou com uma pulseira com integridade prejudicada.
  1. b) Tipo de Precaução (Responsabilidade de execução: Equipe Interprofissional)

– Realizar os cuidados pré-operatórios seguindo as determinações dos tipos de precauções: padrão; contato; respiratório por aerossóis; respiratório por gotículas e/ou reverso.

Nota: Em situações de pandemia, seguir rotina e fluxo estabelecidos.

  1. c) Jejum (Responsabilidade pela prescrição: Médico; Responsabilidade pela execução: Enfermagem)
  • Orientar previamente ao cliente sobre a necessidade e o tempo de jejum prescrito. Recomenda-se 8 horas de jejum para alimentos sólidos.
  • Monitorizar a glicemia capilar e observar sinais de hipoglicemia (sudorese, tremores, palidez, náuseas, etc.).

Inconformidades: Informar ao médico qualquer não conformidade quanto ao cumprimento do tempo de jejum, tanto para mais quanto para menos, e presença de eventos indesejados. Registar a orientação e conduta no prontuário.

  1. d) Punção Venosa (Responsabilidade de execução: Enfermagem)

– Manter pérvio o cateter intravascular periférico (18 -20 Fr) ou o cateter intravascular central.

Nota: Clientes sem dispositivo intravenoso não precisarão ser puncionados somente para serem encaminhados ao Centro Cirúrgico. Nestes casos, o acesso venoso poderá ser providenciado pelo Médico Anestesista quando o cliente for admitido na sala operatória.

  1. e) Preparo gastrointestinal e vesical (Responsabilidades: Médico-prescrição e Enfermagem-execução)
  • Prescrever o tipo de solução; o método de aplicação e o intervalo, quando for indicado.
  • Realizar o preparo intestinal, quando prescrito, seguindo os passos descritos no Procedimento Operacional Padrão Institucional (POP) “Lavagem intestinal retrógrada”.
  • Esvaziar as bolsas de colostomia e vesical, se for o caso, antes do encaminhamento ao Centro Cirúrgico.
  1. f) Higiene corporal (Responsabilidade de execução: Enfermagem)

– Seguir as normatizações descritas no Quadro 1, quanto à frequência; ao tipo de degermante e ao horário do banho, de acordo com o tipo de cirurgia.

 CIRURGIA FREQUÊNCIA DEGERMANTE HORÁRIO
Cirurgias cardíacas; com implantes/próteses ou em clientes colonizados e/ou infectados com bactérias multirresistentes 3 vezes Clorexidina 2% degermante 1º banho – 16h

2º banho – 22h

3º banho – 5h

4° banho – 10h**

**quando cirurgia cardíaca agendada para o período da tarde.

Outras cirurgias eletivas de grande porte. 1 vez Sabonete neutro 2 horas antes da cirurgia.
Cirurgias eletivas de pequeno e médio porte 1 vez Sabonete neutro Banho a ser realizado na manhã da cirurgia
Cirurgias de urgência Sabonete neutro À critério da avaliação da equipe assistente.
Cirurgias de emergência
  1. g) Higiene bucal (Responsabilidade de execução: Enfermagem)

– Seguir as normatizações descritas no Quadro 2, quanto ao tipo de limpeza bucal e à escolha do produto, de acordo com o tipo de cirurgia. Consultar a Rotina Operacional Padrão InstitucionalEnfermagem (ROP) “Uso de solução bucal a base de digluconato de clorexidina 0,12%”.

TIPO DE CIRURGIA MODO TEMPO
 Cirurgias de grande porte: cardíacas e com

implantes/próteses

 

1.                  Limpeza com escova e creme dental ou com gaze embebida com solução dentifrícia, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.

2.                  Antissepsia com solução bucal a base de digluconato de clorexidina 0,12%, por meio de bochecho ou aplicação de gaze embebida, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.

Máximo 2 horas antes

da cirurgia

**cirurgia cardíaca, no

momento       de          cada

banho

 Demais

procedimentos cirúrgicos

2. Limpeza com escova e creme dental ou com gaze embebida com solução dentifrícia, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.  

2 horas antes da cirurgia

 Cirurgia de urgência 3. A critério da avaliação da equipe assistente.
  1. h) Tricotomia (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
  • Realizar a tricotomia nas áreas do procedimento cirúrgico e de posicionamento de eletrodos no tórax, quando prescrito ou indicado.
  • Realizar tricotomia, no máximo, duas horas antes do procedimento cirúrgico.
  • Utilizar, preferencialmente, tesouras ou tricotomizador elétrico. Evitar o uso de lâminas.
  • Avaliar e registrar a presença de marcas, erupções, lesões, verrugas e demais anormalidades da pele no local da incisão cirúrgica.
  1. i) Remoção de próteses, adornos e de vestimentas (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
  • Perguntar ao cliente e retirar quaisquer adornos (brincos, colares, piercing, relógios, pulseiras, cintos, prendedores de cabelo, anéis, unhas e cílios postiços e outros) e próteses (exemplos: prótese dental e lentes de contato), assegurando destinação correta para guarda.
  • Checar se as unhas das mãos da cliente estão sem esmalte, preferencialmente, ou com algum de coloração clara. Caso contrário, providenciar remoção do esmalte.
  • Vestir roupa hospitalar, sem o uso de peças íntimas.
  1. j) Demarcação de lateralidade (Responsabilidade pela execução: Médico Cirurgião)
  • Realizar a demarcação do sítio cirúrgico em casos de lateralidade (direito e esquerdo), de estruturas múltiplas (p. ex. dedos das mãos, membros inferiores, costelas) e de níveis múltiplos (p.ex. coluna vertebral).
  • Realizar a demarcação do sítio cirúrgico com o símbolo de um alvo “¤” sobre a pele, tala gessada e/ou curativo, se for o caso.
  • Utilizar marcador permanente específico (caneta dermográfica) para a demarcação do sítio cirúrgico.
  • Realizar a demarcação, preferencialmente e se possível, com o cliente acordado e consciente, que confirmará o local da intervenção.
  1. k) Providência de reserva sanguínea (Responsabilidades: Médico-prescrição e Enfermagem-execução)
  • Prescrever, coletar e encaminhar a amostra de sangue do cliente para prova cruzada, quando indicado, no mínimo 24 horas antes da cirurgia.
  • Confirmar a reserva sanguínea no Hemocentro por meio de contato telefônico. Registrar a confirmação da reserva sanguínea no prontuário.

Notas: validade da prova cruzada é de 72 horas; em crianças até 4 meses de idade, proceder também à coleta de amostra de sangue da mãe.

l) Organização do prontuário (Responsabilidade de execução: Enfermagem e Escrituração/Secretário) O prontuário deverá ser encaminhado ao Centro Cirúrgico junto ao cliente, constando:

  1. – Dados de identificação do cliente;
  2. – Prescrição médica;
  3. – Evolução médica e de enfermagem;
  4. – Formulário de sinais vitais;
  5. – Ficha de avaliação pré-anestésica;
  6. – Termos de consentimentos (Cirúrgico, Anestésico e de Hemotransfusão) informados assinados;
  7. – Resultados laboratoriais, de biópsia e de imagem;
  8. Checklist de Cirurgia Segura;
  9. – Documentos diversos específicos.

Notas importantes:

  1. Ficha de avaliação pré-anestésica e os termos de consentimentos cirúrgico, anestésico e de hemotransfusão deverão ser providenciados pelo médico durante o atendimento ambulatorial do cliente, a não ser que a indicação cirúrgica ocorra no período de hospitalização.
  2. Em clientes admitidos para a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos, sem prévia internação, o preenchimento do checklist e organização do prontuário será conduzido pelo enfermeiro da Sala de Internação.
  3. O Termo de Consentimento de Hemotransfusão é indicado quando há previsão de risco de grande perda sanguínea (> 500 mL, em adultos, ou 7mL/Kg, em crianças).

Observações

 Na presença de alguma não conformidade justificada no preparo pré-operatório, o enfermeiro da Unidade Assistencial ou da Sala de Internação deverá informar ao enfermeiro do Centro Cirúrgico, para análise da situação, junto à equipe cirúrgica, e permissão para o encaminhamento.

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura      destacando       o      momento       “Antes      do Encaminhamento do Cliente ao Centro Cirúrgico.

INTRAOPERATÓRIO

III-   Recepção do Cliente no Centro Cirúrgico (Responsável pela execução: Enfermagem)

  • Confirmar a identificação do cliente (nome completo, número de registro e data de nascimento), por meio da tripla checagem (pulseira, identificação no prontuário e confirmação com o próprio cliente ou responsável) e comparar as informações com o mapa cirúrgico.
  • Confirmar o cumprimento dos cuidados pré-operatórios prescritos no Checklist de Cirurgia Segura e a apresentação da documentação obrigatória.

        Inconformidades: Se o Checklist não for apresentado ou estiver incompleto com algum cuidado indicado não realizado ou com algum documento não apresentado, exceto quando situações especiais, será necessário discutir com a equipe a decisão por aguardar a resolução da inconformidade ou o cancelamento da cirurgia.

        Situações especiais: 1. Cliente externo com indicação de cirurgia eletiva encaminhado diretamente ao Centro Cirúrgico e  2. Cliente internado com indicação de cirurgia de urgência.

  • Encaminhar o cliente à sala operatória de destino, previamente preparada de acordo com o procedimento programado. Orientar e acomodar o cliente.
  • Preencher e fixar a placa de identificação do cliente (nome completo; registro hospitalar; data de nascimento e descrição do tipo de cirurgia e de anestesia) na porta da sala cirúrgica.

IV – Na Sala de Cirurgia (Responsável pela execução: Equipe Interprofissional)

  1. a) Antes da indução anestésica (CHECK IN) e da incisão cirúrgica (TIME OUT)

O condutor do Checklist de Cirurgia Segura, em voz alta, junto a toda equipe presente, deverá solicitar aos profissionais que se apresentem informando o nome completo e a função, e ao cliente que se apresente informando o nome completo, a data de nascimento, o procedimento cirúrgico e o local da cirurgia, caso seja capaz de responder. E a seguir, direcionará aos profissionais para que confiram, confirmem e informem a realização dos pontos críticos primordiais contemplados nos 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura, conforme demonstração abaixo:

Direcionamento Medidas Essenciais de Segurança Ação Esperada
Equipe

Interprofissional

Identificação do Cliente Conferir e confirmar o nome completo, o registro hospitalar e a data de nascimento do cliente por meio da pulseira de identificação, do prontuário, do relato verbal do cliente e da placa de identificação da sala operatória.
Médico Cirurgião Procedimento a ser realizado. Relatar.
Sítio cirúrgico/demarcação Demonstrar o local e, se for o caso, a lateralidade.
Disposição dos exames Relatar os tipos de exames e o local de disposição.
Médico Anestesista

 

Via aérea difícil

 

Se confirmado, informar os materiais providenciados, como videolaringoscópio e máscara laríngea, e informar a presença do médico anestesista auxiliar.
Risco de aspiração

 

Se confirmado, administrar medicamentos pró cinéticos (nome, dose e horário) e informar os materiais providenciados.
Alergia conhecida

 

Se confirmado a alergia a algum medicamento,  informar as opções indicadas.
Avaliação pré-anestésica

 

Informar os dados relatados em ficha de avaliação pré-anestésica, assim como os exames solicitados em avaliação; checar os preditores de via aérea difícil realizados ambulatoriamente.
Acesso venoso

 

Descrever o tipo de acesso venoso (central ou periférico); calibre do dispositivo; local e permeabilidade.
Monitorização hemodinâmica

 

Relatar     os     parâmetros     e     a       funcionalidade

(parâmetros mínimos: pressão arterial não invasiva; frequência cardíaca, saturação de oxigênio e cardioscopia).

Profilaxia antimicrobiana

 

Relatar o antibiótico profilático, a dose e a hora da administração. A administração deve ocorrer de 0 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica.
Aparelho de anestesia Confirmar a realização do teste de funcionalidade do aparelho de anestesia, seguindo recomendações do fabricante.
 Médicos Cirurgião e Anestesista Previsão dos pontos críticos do procedimento cirúrgico Se pontos críticos, relatar (risco de grande perda sanguínea, presença de comorbidades, tempo prolongado da cirurgia, risco de parada cardiorrespiratória e outros) e apresentar o plano de intervenção.
 

 

 

 

 

 

 

 

Enfermagem

 

 

 

 

Sala        operatória           montada                 e equipada Relatar os materiais e equipamentos reunidos e preparados.
Eletrocautério posicionado Demonstrar o local de posicionamento da placa de eletrocautério. A placa deverá estar bem aderida à pele em área limpa, seca, sem pelos, bem vascularizada, com maior massa muscular e longe de proeminências ósseas; o mais próximo possível da incisão cirúrgica e com menor risco de ser molhada.

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes da Indução Anestésica e da Incisão Cirúrgica.

b) Antes do cliente sair da sala cirúrgica (CHECK OUT)

O condutor do Checklist de Cirurgia Segura, em voz alta, junto a equipe presente, direcionará aos profissionais para que confiram, confirmem e informem a realização dos pontos críticos primordiais contemplados nos 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura, conforme demonstração abaixo:

Direcionamento Medidas Essenciais de Segurança Ação Esperada
Enfermagem

Médico Cirurgião

Instrumentador

Contagem final de instrumentais Confirmar se confere a contagem de instrumentais e de compressas.

Caso a contagem final não apresente o mesmo resultado da contagem inicial, será necessário examinar todos os campos, recipientes de descarte, rampers, feridas cirúrgicas ou obter imagens radiológicas.

Contagem final de compressas
Enfermagem Peça anatômica identificada e com requisição preenchida Quando se aplica, confirmar a realização da dupla checagem da identificação do cliente (nome completo e RG) e da peça anatômica (tipo, local e
 

 

Enfermagem

data e horário de coleta), juntamente com o médico cirurgião.
Cultura identificada e com requisição preenchida Quando se aplica, confirmar a realização da dupla checagem da identificação do cliente (nome completo e RG) e da amostra biológica (descrição da amostra e local anatômico, data e horário de coleta), juntamente com o médico cirurgião.
Etiquetas de esterilização fixadas no prontuário. Confirmar a fixação das etiquetas de esterilização no prontuário.
Equipe

Interprofissional

Presença de não conformidades Quando se aplica, relatar, registrar e notificar
Pontos críticos na recuperação pós-operatória Se presente preocupações da equipe com a evolução do cliente no pós-operatório imediato, relatar, registrar e discutir o plano de intervenções.
Registros        do         procedimento

intraoperatório

Confirmar o registro da:

v  Descrição cirúrgica

v  Prescrição Médica

v  Ficha Intraoperatória (Anestesia)

v  Ficha de Consumo de Materiais

 

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes do cliente Sair da sala operatória.

PÓS-OPERTÓRIO IMEDIATO

VI -Na Sala de Recuperação Pós Anestésica – SRPA

  1. a) Admissão na SRPA (Responsável pela execução: Equipe Multiprofissional)

 Implementar cuidados relacionados:

  • Admissão e acolhimento;
  • Exame físico: geral; cardiorrespiratório; motor; neurológico; vascular;
  • Prevenção de hipotermia;
  • Administração de medicamentos;
  • Controle da dor e promoção de conforto;
  • Manutenção da integridade da pele e segurança dos dispositivos;
  • Permeabilidade de drenos;
  • Avaliação da ferida operatória;
  • Mensuração dos débitos de drenos e cateteres, quando presentes;
  • Balanço hídrico;
  • Orientações e apoio psicológico;
  • Monitorização dos Sinais Vitais (Quadro 3).
Parâmetros Vitais Valores Normais de Referência 1° hora 2° hora 3° hora
Pressão Arterial Sistêmica Pressão Sistólica – 100 a 120 mmHg Pressão Diastólica – 60 a 80 mmHg Cada 15 min Cada 30min Cada 1 hora
Frequência Respiratória 16 – 20 rpm
Frequência Cardíaca 60 – 100 rpm
Temperatura corporal 35,1 – 37,7°C

 Quadro 3. Valores normais para referência dos sinais vitais

Não conformidades: Qualquer alteração identificada, deve-se comunicar ao médico anestesista e/ou cirurgião responsável.

  1. b) Alta da SRPA (Responsável pela execução: Médico Anestesita)
  • O estado geral do cliente deverá ser avaliado detalhadamente. Como critério para alta da SRPA, o valor da escala de Aldrete/Kroulik deverá ser maior ou igual a 8; em clientes que foram submetidos à anestesia espinhal, o valor da escala de Bromage para alta deverá ser 2, 1 ou 0.
  • Os clientes hemodinamicamente estáveis e que foram submetidos a cirurgias de pequeno porte, sem intercorrências, poderão ser encaminhados, imediatamente, para as enfermarias, a critério do médico anestesista.

MÉTRICAS DE MONITORAMENTO

  • Número de cirurgias em local errado/mês e ano
  • Número de cirurgias em paciente errado/mês e ano
  • Número de procedimentos errados/mês e ano
  • Taxa de adesão completa ao Checklist de Cirurgia Segura

Referências:

  1. ALEX B. HAYNES et al. A Surgical Safety Checklist to Reduce Morbidity and Mortality in a Global Population. N Engl J Med., 360, p. 491-499, 2009.
  2. ASKARIAN M, et al. Effect of surgical safety checklists on postoperative morbidity and mortality rates, Shiraz, Faghihy Hospital, a 1-year study. Qual Manag Health Care, v.20, p. 293–7. 2011.
  3. BERALDO, Carolina Contador; DE ANDRADE, Denise. Higiene bucal com clorexidina na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 34, n. 9, p. 707-714, 2008.
  4. BERGS, J., LAMBRECHTS, F., SIMONS, P., VLAYEN, A., MARNEFFE, W., HELLINGS, J. et al. Barriers and facilitators related to the implementation of surgical safety checklists: a systematic review of the qualitative evidence. BMJ Qual Saf., v. 24, n. 12, p. 776-86, 2015.
  5. BOHMER AB et al. The implementation of a perioperative checklist increases patients’ perioperative safety and staff satisfaction. Acta Anaesthesiol Scand, v. 56, p. 332-8, 2012.
  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasil:  Anvisa,2017.Disponível em: http://www.saude.pi.gov.br/uploads/divisa_document/file/374/Caderno_1__Assist%C3%AAncia_Segura__Uma_Reflex%C3%A3o_Te%C3%B3rica_Aplicada_%C3%A0_Pr%C3%A1tica.pdf
  1. Agência Nacional De Vigilância Sanitária – ANVISA. Critérios diagnósticos de infecção relacionada à assistência à saúde. 2013.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Manual de higienização das mãos em serviços de saúde. Brasil: Anvisa, 2007. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/ficha_tecnica.htm
  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. 126p. Disponível em: < http://www.riocomsaude.rj.gov.br/Publico/MostrarArquivo.aspx?C=pCiWUy84%2BR0%3D>.
  2. EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Protocolo: Prevenção de Infecção Cirúrgica. Unidade de Vigilância em Saúde e Qualidade Hospitalar/Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente do HCUFTM, Uberaba, 2017. 13p. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/ptbr/hospitaisuniversitarios/regiaosudeste/hcuftm/documentos/protocolosassistenciais/prtsvssp003prevencaodeinfeccaocirurgicaversaopdf
  3. EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Procedimento Operacional Padrão: Lavagem intestinal retrógada. Serviço de Educação em Enfermagem da Divisão de Enfermagem HC-UFTM, Uberaba, 2020. 9p. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/ptbr/hospitaisuniversitarios/regiaosudeste/hcuftm/documentos/pops/popde010lavagemintestinalretrograda.pdf
  1. MALACHIAS MVB, SOUZA WKSB, PLAVNIK FL, RODRIGUES CIS, BRANDÃO AA, NEVES MFT, et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol., 2016; 107(3Supl.3):1-83
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Fundação Oswaldo Cruz. Protocolo para cirurgia segura. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

14. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Manual de Implementação – Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da OMS. 2009

  1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Segundo desafio global para a segurança do paciente: cirurgias seguras salvam vidas (orientações para cirurgia segura da OMS) / Organização Mundial da Saúde; Rio de Janeiro: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009. 211p.
  2. RUSS, S., ROUT, S., SEVDALIS, N., MOORTHY, K., DARZI, A., VINCENT, C. Do safety checklists improve teamwork and communication in the operating room? a systematic review. Ann Surg.,258, n.6, p.856-71, 2013. doi: https://doi.org/10.1097/SLA.0000000000000206.
  3. SEMEL M.E, et al. Adopting A Surgical Safety Checklist Could Save Money And Improve The Quality Of Care In U.S. Hospitals. Health Affairs, v. 29, p. 1593–9, 2010.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO (SOBECC). Práticas recomendadas: centro cirúrgico, recuperação pós-anestésica e centro de material e esterilização. 5ªed. São Paulo: SOBECC; 2009.
  5. TREADWELL J.R., LUCAS, S., TSOU, A.Y. Surgical checklists: a systematic review of impacts and implementation. BMJ Qual Saf., v.13, n. 4, p. 299-318, 2014.

Os 9 Certos da Administração Segura de Medicamentos

Com base no artigo Internacional “Malcolm E, Yisi L. The nine rights of medication administration: an overview. Br J Nurs. 2010; 19(5):300-05.” e o “Ministério da Saúde, ANVISA. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos”, são reconhecidos 9 certos para a administração SEGURA de medicamentos, sendo estes 9 cobrados em concursos públicos, provas admissionais a ordem correta destes certos para a prática segura.

Salientamos que os restantes, 13 certos, 15 certos conforme são sugeridos por aí, se fazem protocolos institucionais, não sendo VIA DE REGRA.

Cada instituição pode acrescentar para reforçar a prática segura dentro de sua instituição, não sendo obrigatório que o profissional tenha que ser cobrado pelo conhecimento destes, e sim pelos 9 certos.

Vamos entender e praticar os 9 certos?

1 – Paciente Certo

  • Conferir nome completo antes de administrar o medicamento e utilizar no mínimo dois identificadores para confirmar o paciente correto: nome identificado na pulseira;
  • Nome identificado no leito e nome identificado no prontuário.  Evitar, dentro do possível, que dois pacientes com o mesmo nome fiquem internados simultaneamente no mesmo quarto ou enfermaria.

2 – Medicamento certo

  • Conferir se o nome do medicamento que tem em mãos é o que está prescrito.
  • Conferir se o paciente não é alérgico ao medicamento prescrito.
  • Identificar os pacientes alérgicos de forma diferenciada, com pulseira e aviso em prontuário, alertando toda a equipe.

3 – Via certa

  • Identificar a via de administração prescrita.
  • Higienizar as mãos com preparação alcoólica para as mãos ou sabonete líquido e água, antes do preparo e administração do medicamento.
  • Verificar se o diluente (tipo e volume) foi prescrito e se a velocidade de infusão foi estabelecida, analisando sua compatibilidade com a via de administração e com o medicamento em caso de administração por via endovenosa.
  • Avaliar a compatibilidade do medicamento com os produtos para a saúde utilizados para sua administração (seringas, cateteres, sondas, equipos e outros).
  • Identificar no paciente qual a conexão correta para a via de administração prescrita em caso de administração por sonda nasogástrica, nasoentérica ou via parenteral.
  • Realizar a antissepsia do local da aplicação para administração de medicamentos por via parenteral.
  • Esclarecer todas as dúvidas com a supervisão de enfermagem, prescritor ou farmacêutico previamente à administração do medicamento.
  • Esclarecer as dúvidas de legibilidade da prescrição diretamente com o prescritor.

4 – Hora certa

  • Garantir que a administração do medicamento seja feita sempre no horário correto para adequada resposta terapêutica.
  • A antecipação ou o atraso da administração em relação ao horário predefinido somente poderá ser feito com o consentimento do enfermeiro e do prescritor.

5 – Dose certa

  • Conferir atentamente a dose prescrita para o medicamento. Doses escritas com “zero”, “vírgula” e “ponto” devem receber atenção redobrada.
  • Certificar-se de que a infusão programada é a prescrita para aquele paciente.
  • Verificar a unidade de medida utilizada na prescrição; em caso de dúvida, consultar o prescritor.
  • Conferir a velocidade de gotejamento, a programação e o funcionamento das bombas de infusão contínua em caso de medicamentos de infusão contínua.
  • Realizar dupla checagem dos cálculos para o preparo e programação de bomba para administração de medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância (ex.: anticoagulantes, opiáceos, insulina e eletrólitos concentrados, como cloreto de potássio injetável).
  • Medicações de uso “se necessário” deverão, quando prescritas, ser  acompanhadas da dose, posologia e condição de uso.

6 – Documentação Certa

  • Registrar na prescrição o horário da administração do medicamento.
  • Checar o horário da administração do medicamento a cada dose.
  • Registrar todas as ocorrências relacionadas aos medicamentos, tais como adiamentos, cancelamentos, desabastecimento, recusa do paciente e eventos adversos.

7 – Razão/orientação correta

  • Esclarecer dúvidas sobre a razão da indicação do medicamento, sua posologia ou outra informação antes de administrá-lo ao paciente, junto ao prescritor.
  • Orientar e instruir o paciente sobre qual o medicamento está sendo administrado (nome), justificativa da indicação, efeitos esperados e aqueles que necessitam de acompanhamento e monitorização.
  • Garantir ao paciente o direito de conhecer o aspecto (cor e formato) dos medicamentos que está recebendo, a frequência com que será ministrado, bem como sua indicação, sendo esse conhecimento útil na prevenção de erro de medicação.

8 – Forma certa

  • Checar se o medicamento a ser administrado possui a forma farmacêutica e a via de administração prescrita.
  • Checar se a forma farmacêutica e a via de administração prescritas estão apropriadas à condição clínica do paciente.
  • Sanar as dúvidas relativas à forma farmacêutica e a via de administração prescrita junto ao enfermeiro, farmacêutico ou prescritor.
  • A farmácia deve disponibilizar o medicamento em dose unitária ou manual de diluição, preparo e administração de medicamentos; caso seja necessário, realizar a trituração do medicamento para administração por sonda nasogástrica ou nasoentérica.

9 – Resposta certa

  • Observar cuidadosamente o paciente, para identificar, quando possível, se o medicamento teve o efeito desejado.
  • Registrar em prontuário e informar ao prescritor, todos os efeitos diferentes (em intensidade e forma) do esperado para o medicamento.
  • Deve-se manter clara a comunicação com o paciente e/ou cuidador.
  • Considerar a observação e relato do paciente e/ou cuidador sobre os efeitos dos medicamentos administrado, incluindo respostas diferentes do padrão usual.
  • Registrar todos os parâmetros de monitorização adequados (sinais vitais, glicemia capilar).

Observação:

Segundo a RDC n° 36/2013 da Anvisa, todos os eventos adversos, incluindo os erros de medicação ocorridos nos serviços de saúde do país devem ser notificados, pelo Núcleo de Segurança do Paciente, ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), por meio do sistema Notivisa.

Referências:

  1. COREN-SP. Uso seguro de medicamentos: guia para preparo, administração e monitoramento / Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. – São Paulo: COREN-SP, 2017.
  2. Lopes, DMA et al. Análise da rotulagem de medicamentos semelhantes: potenciais erros de medicação. Rev Assoc Med Bras 2012; 58(1):95-103.
  3. Malcolm E, Yisi L. The nine rights of medication administration: an overview. Br J Nurs. 2010; 19(5):300-05.
  4. Ministério da Saúde, ANVISA. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos.
  5. Peterlini MAS, Chaud MN, Pedreira MLG. Órfãos de terapia medicamentosa: a administração de medicamentos por via intravenosa em crianças hospitalizadas. Rev Latino-am Enfermagem 2003 janeiro-fevereiro; 11(1):88-95
  6. Pimentel JCS, Urtiga VLSC, Barros AS, Silva RKS, Carvalho REF, Pereira FGF. Perfil dos erros nas prescrições e no aprazamento de antibacterianos. J. nurs. health. 2020;10(3):e20103007
  7. Silva LP, Matos GC, Barreto BG, Albuquerque DC. Aprazamento de medicamentos por enfermeiros em prescrições de hospital sentinela. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2013 Jul-Set; 22(3): 722-30.