Suplemento Nutricional Oral: Para que serve?


Suplementos nutricionais orais (SNO) são geralmente destinados a indivíduos que não conseguem atingir os requerimentos dietéticos pela alimentação convencional ou modificada, ou também no gerenciamento de necessidades específicas associadas a certas doenças. Além disso, são úteis para prevenção e tratamento da desnutrição.

Indicação de Uso

Os Suplementos Nutricionais Orais são recomendados quando a alimentação habitual do paciente é incapaz de satisfazer os requerimentos nutricionais que ele precisa. Entretanto, devem ser associados a uma alimentação balanceada e monitorada. De modo geral, os Suplementos Nutricionais Orais não devem substituir as refeições, porém complementá-las.

Conheça os Tipos de Suplementos Nutricionais Orais

Suplemento Proteico

A proteína é um macronutriente necessário para um corpo saudável. Por ser crucial na cicatrização, a suplementação é geralmente indicada para pacientes em recuperação de traumas e lesões. Também é recomendada para recuperação ou manutenção da massa muscular, quadros de desnutrição proteica e sarcopenia, muito comum em idosos.

Entre as opções de suplementos proteicos, estão:

  • Proteína do soro do leite (whey protein): possui alto valor nutricional e a absorção pelo organismo acontece de forma fácil e rápida. Quem tem intolerância à lactose deve optar pelas versões isoladas ou hidrolisadas;
  • Caseinato de cálcio: proteína de lenta absorção, que ajuda a retardar o ritmo da perda muscular. Pode ser consumido por intolerantes à lactose;
  • Albumina: suplemento à base de clara de ovo desidratada. Rico em vitaminas do complexo B. Pode ser consumido por intolerantes à lactose e com sensibilidade ao leite num geral.

Suplemento Hipercalórico

Suplementos com densidade calórica superior a 1,2 kcal/ml são considerados hipercalóricos. Ricos em carboidratos, são indicado para o tratamento nutricional de pacientes oncológicos, pacientes em risco/com desnutrição, com déficit energético, perda de peso causada por doenças, entre outros. Também são compostos de proteínas de alto valor biológico e gorduras. Além de auxiliar na recuperação do peso, os suplementos hipercalóricos melhoram o apetite e a atividade gastrointestinal. São contra-indicados para pacientes com taxas elevadas de glicemia, problemas hepático e renais.

Suplemento Para Controle Glicêmico

Pacientes diabéticos podem ter o risco nutricional aumentado devido às suas restrições alimentares. Os suplementos especializados são os mais indicados para recuperar ou manter o estado nutricional, pois possuem carboidratos de baixo índice glicêmico e maior concentração de ácidos graxos monoinsaturados, que reduzem a resistência à ação da insulina.

Suplemento Imunomodulador

Possui fórmula rica em nutrientes que fortalecem a imunidade, como a arginina, glutamina e cisteína. É geralmente indicado para pacientes oncológicos, situações de pré e pós-operatório, entre outros. Os suplementos imunomoduladores fortalecem as células de defesa do organismo, diminuindo o risco de infecções, aceleram a cicatrização de feridas, escaras e úlceras por pressão.

Suplemento já Espessado/Creme

Suplemento nutricional oral já espessado pronto para uso, nutricionalmente completo, hipercalórico (2,0 Kcal/g), indicado para idosos e pacientes com disfagia, como complicações nutricionais e respiratórias associadas à disfagia orofaríngea em pacientes idosos e distúrbio da deglutição associado a desordens neurológicas, mecânica e envelhecimento, sendo assim isento de lactose e glúten. Atende à recomendação de uma textura C (pudim/purê): pastoso grosso, homogêneo e liso, sem presença de grumos ou pedaços de alimentos.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

 

Extremidades Distais de Equipos: Nutricional Vs Medicamentoso

Foram feitos diversas modificações quanto a segurança da terapia nutricional, sendo adaptado cores padronizadas para equipos de dieta enteral, extremidades proximais e distais destes equipos e também quanto ao calibre em FR destes, adequando-os para não serem permitidas as instalações em dispositivos endovenosos, o que foi um marco problemático anos atrás, quanto a administração em via errada.

Entenda as novas Características

Para infusão da Terapia Nutricional Enteral, através de bombas, alguns equipos sofreram algumas modificações nos últimos anos. A primeira modificação foi quanto à coloração alterada do incolor para o lilás (seja em toda sua extensão, quanto nas extremidades) ou azul, adotada no mercado nacional, seguida da retirada do filtro no conta-gotas.

Adoção de presilhas mais precisas no controle do gotejamento e, também, mais recentemente, as pontas no formato em cruz, para extremidade distal (que se conecta ao frasco da dieta) e, na ponta proximal, o formato em cone ou “árvore de natal”, procurando adequar-se aos diferentes acessos enterais e impedir o uso nos cateteres intravenosos.

A mudança na configuração da saída dos frascos das dietas enterais e da extremidade distal dos equipos de administração da dieta enteral foram outras alterações exibidas por algumas indústrias farmacêuticas.

A ponta dos equipos de administração anteriormente se caracterizava pelo formato pontiagudo e, no modelo atual, o formato é em “cruz”. Este formato em cruz foi elaborado a fim de impedir a conexão com os equipos intravenosos tradicionais (pontiagudos).

Estas mudanças contribuíram para a identificação e reconhecimento dos materiais relacionados à TNE, procurando impedir o uso acidental como via de acesso intravenoso.

Além das alterações nas diferentes partes do sistema da dieta enteral, iniciativas concretas para minimizar os riscos de conexão acidental surgiram a partir de 2011 com os primeiros padrões recomendados pela Organização Internacional de Padronização (ISO 80369-1).

Estes incluíam a elaboração de conectores de pequeno calibre (com diâmetro menor do que 8,5 mm) para dispositivos respiratórios, enterais, pressão arterial não invasiva, sistema neuro-axiais, urológicos e conectores intravasculares, cujas características deveriam ser: de material rígido ou semirrígido, não conectável com luer ou pontos sem conexão e testado em várias situações de risco.

Os conectores são peças ou dispositivos que unem duas peças, distintas ou não, se ajustando ao frasco da dieta enteral, ao equipo, à seringa e à sonda enteral. A reconfiguração do conector para o sistema da dieta enteral objetivou garantir a incompatibilidade com outros dispositivos de infusão, defendido e recomendado por grupos de especialistas.

Em 2015, as normas foram direcionadas para o conector do sistema de dieta enteral (ISO 80369-3) e uma das mais importantes foi registrado como conector ENFit®.Este é configurado como um conector em “parafuso”, que confere segurança a todos os dispositivos da TNE22. Sua aplicação estendeu-se, também, para seringas e acesso enteral em todos os Estados Unidos, sendo regulamentado pelo FDA.

Cabe destacar que, além dos aspectos relacionados à modificação e reconfiguração dos dispositivos, o educativo é essencial para a segurança do paciente na administração da TNE e para equipe multidisciplinar.

Referências:

  1. Pedreira MLG, Harada MJCS. Enfermagem dia a dia: segurança do paciente. São Caetano do Sul: Yendis; 2009. 214p;
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária-Núcleo de Gestão do Sistema Nacional de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária e Unidade de Tecnovigilância. Alertas de Tecnovigilância;
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Relatórios dos Estados- Eventos Adversos. [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2017;

Desnutrição Infantil: Kwashiorkor e o Marasmo

As pessoas ficam desnutridas se não conseguem utilizar ou absorver suficientemente os nutrientes dos alimentos ingeridos devido a doenças como a diarreia ou outras de longo prazo, como o HIV e tuberculose ou em infecções agudas que aumentam o risco de desenvolver desnutrição.

O período mais crítico para a desnutrição é dos seis meses – quando as mães geralmente começam a complementar a alimentação do leite materno – até os 2 anos de idade. Entretanto, crianças com menos de cinco anos, adolescentes, mulheres grávidas ou em período de amamentação, idosos e pessoas com doenças crônicas também são consideradas vulneráveis.

Estima-se que apenas 3% das 20 milhões de crianças com desnutrição aguda grave recebam o tratamento necessário para salvar suas vidas.

Origens da Desnutrição

 A desnutrição pode originar-se de forma:

  • primária : baixo nível socioeconômico – pobreza, privação nutricional, más condições ambientais levando a infecções e hospitalizações frequentes, baixo nível educacional e cultural, negligência, falta de amamentação, privação afetiva. Neste caso a correção da dieta bastará para que se obtenha a cura.
  • secundária: apesar de haver oferta existem outros fatores que impedem a ingestão e absorção dos alimentos – má-absorção, estenose do piloro, ou aumentam a sua necessidade – hipertireoidismo. Sua evolução estará na dependência da doença que a ocasionou.
  • mista: situação em que os dois mecanismos estão envolvidos.

A baixa ingestão energética leva o organismo a desenvolver mecanismos de adaptação: queda da atividade física em comparação com crianças normais; parada no crescimento (falta de ganho de peso e altura) e alteração da imunidade.

Grau de Gravidade

A desnutrição pode ser classificada por diversos critérios, porém no Estado de São Paulo, utiliza-se percentis (valores que dividem o conjunto ordenado de dados obtidos em 100 partes iguais). Os percentis de corte escolhidos foram 10 e 90. Assim, considera-se normal valores compreendidos entre os dois.

A gravidade da desnutrição também pode ser classificada segundo critérios de Gomez, em 1º, 2º e 3º graus, conforme a perda de peso apresentada pela criança.

  • Desnutrição de 1º grau ou leve – o percentil fica situado entre 10 e 25% abaixo do peso médio considerado normal para a idade.
  • Desnutrição de 2º grau ou moderada – o déficit situa-se entre 25 e 40 %.
  • Desnutrição de 3º grau ou grave – a perda de peso é igual ou superior a 40%, ou desnutridos que já apresentem edema, independente do peso.

Formas de Manifestações Clínicas da Desnutrição

  1. Marasmo: criança fica com baixa atividade, pequena para a idade, membros delgados devido a atrofia muscular e subcutânea, costelas proeminentes, pele se mostra solta e enrugada na região das nádegas, apresenta infecções constantes, comumente é irritadiça e seu apetite é variável.
  2. Kwashiorkor: déficit importante de estatura, massa muscular consumida, tecido gorduroso subcutâneo preservado, alterações de pele dos membros inferiores, alterações dos cabelos, hepatomegalia, face de lua, anasarca e baixa concentração sérica de proteínas e albumina, área perineal frequentemente irritada com dermatites e escoriações devido a diarreias. Apatia exagerada, raramente responde a estímulos e não apresenta apetite.
  3. Marasmo-Kwashiorkor: a origem pode ser de um marasmo que entrou em déficit proteico ou um Kwashiorkor que passou a sofrer déficit energético. Estão presentes: retardo da estatura, do desenvolvimento neuro psicomotor e queda da resistência imunológica.

MARASMO

KWASHIORKOR

Lactente (menores de 2 anos)

Grave privação ou absorção prejudicada de proteína, energia, vitaminas e minerais

Desenvolve-se lentamente; DPE crônica

Perda severa de peso

Perda muscular grave com perda de gordura

Crescimento: < 60% do peso para a idade

Ausência de edema detectável

Ausência de fígado gorduroso

Ansiedade, apatia

Apetite pode ser normal ou prejudicado

Cabelo ralo, fino e seco; facilmente arrancado

Pele seca, fina e enrugada

Lactentes mais velhos e crianças novas (1 a 3 anos)

Ingestão inadequada de proteína ou, mais comumente, infecções

Inicio rápido; DPE aguda

Alguma perda de peso

Alguma atrofia muscular, com retenção de alguma gordura corporal

Crescimento: 60% a 80% do peso para a idade

Edema

Fígado aumentado, gorduroso

Apatia, irritabilidade, tristeza

Perda de apetite

Cabelo seco e quebradiço; facilmente arrancado; cor alterada; torna-se liso

A pele desenvolve lesões

Tratamento para a desnutrição

O tratamento da desnutrição está intimamente relacionado com aumento de oferta alimentar, que deve ser feito de forma gradual em função dos distúrbios intestinais que podem estar presentes. Após a reversão deste quadro, fornecer dieta hipercalórica para a recuperação do peso da criança; corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, acidobásicos e metabólicos e tratar das patologias associadas; obtenção de adesão da mãe ao tratamento, o que irá facilitar a recuperação da criança em menor tempo e com maior intensidade.

Por se tratar de um problema, em sua maioria das vezes, social é importante que a equipe de saúde esteja atenta, encaminhando esta família para assistentes sociais, comunidades de bairro e pastorais da criança para que consigam algum tipo de auxílio para suprirem suas carências.

A não criação de vínculo mãe-filho também pode levar uma criança a desenvolver desnutrição em função da negligência. Outras vezes a falta de informação leva a um preparo inadequado dos alimentos, levando a família a alimentar-se com uma dieta pouco nutritiva.

Os profissionais não podem culpar a família pela debilidade de seus filhos, cabe a nós orientá-los para evitar danos à saúde de nossas crianças e adolescentes, promovendo o fortalecimento do vínculo da criança com a família, com informação.

Referências:

  1. CARRAZA, F.R. et al Introdução ao Estudo dos Agravos Nutricionais. In: MARCONDES, E. Pediatria Básica. 8ºed. São Paulo: Sarvier, 1994. p.609-612
  2. CARRAZA, F.R. Desnutrição. In: MARCONDES, E. Pediatria Básica. 8ºed. São Paulo: Sarvier, 1994.p. 635-643
  3. IONEMOTO, H.F. & PETLIK, M.E.I. Anemias Carenciais. In: MARCONDES, E. Pediatria Básica. 8ºed. São Paulo: Sarvier, 1994.

Nutrição Parenteral: As diferenças entre NPP e NPT

Entende-se que a Nutrição Parenteral (NP) é um método de administração de nutrientes que é feito diretamente na veia, quando não é possível obter os nutrientes através da alimentação normal.

Indicativo em pacientes com:

  • Interferência de doença de base em ingestão, digestão ou a absorção dos alimentos;
  • Estados hipermetabólicos como grandes queimados, pacientes sépticos, politraumatismo extenso, pancreatite aguda, fístulas intestinais de alto débito;
  • Falência intestinal devido a: Íleo paralítico e mecânico (pós-operatório);
  • ­Trauma;
  • ­Doença inflamatória intestinal;
  • Enterocolite (aids, quimioterapia/ radioterapia);
  • Ressecção intestinal (síndrome do intestino curto);­
  • Câncer gastrointestinal;
  • Pacientes pediátricos neonatos;
  • Colite ulcerativa complicada ou em período perioperatório;
  • Hemorragia gastrointestinal persistente;
  • Abdome Agudo/Íleo paralítico prolongado.

Quem prepara a Nutrição Parenteral?

A Solução é preparada e manipulada pelo profissional farmacêutico devidamente treinado e habilitado com conhecimento de assepsia, antissepsia e das múltiplas possibilidades de incompatibilidades e instabilidade físico-químicas que podem ocorrer num só frasco, quando se adicionam todos os elementos nutritivos necessários, conforme a regulamentação da Portaria nº 272/98 ANVISA/MS.

Os Tipos de Nutrição Parenteral

Devemos entender que há dois tipos de Nutrição Parenteral:

Nutrição parenteral parcial (NPP)

nutrição parenteral parcial é um dos tipos de nutrição parenteral, e a sua grande diferença se dá em função de ela fornecer somente um percentual das necessidades nutricionais diárias do paciente, ou seja, ainda será preciso um suplemento das suas necessidades diárias de nutrientes por meio da ingestão oral.

Esse é um desafio enfrentado por praticamente todas as equipes multiprofissionais, pois muitos pacientes hospitalizados ou em home care estão nesse tipo de situação e recebem a complementação de glicose ou soluções de aminoácidos concomitantemente a essa alternativa.

Nutrição parenteral total (NPT)

Já a nutrição parenteral total, popularmente conhecida na área de saúde pela sigla NPT, é aquela que supre todas as necessidades nutricionais diárias da pessoa que está recebendo, ou seja, ela não precisa, em teoria, de outras complementações. Pode ser administrada tanto no hospital como em domicílios.

As soluções de NPT são concentradas, o que aumenta alguns riscos como o de trombose das veias periféricas, tornando necessário o cateter venoso central.

Deve ser usada com parcimônia conforme conduta médica e, se comparada à nutrição enteral, pode causar mais complicações, pois não preserva a função gastrointestinais, além de ser mais cara.

Como sei que está sendo infundindo tanto a NPP ou NPT no paciente?

A prescrição de EMTN geralmente vem especificada todos os valores nutricionais que o paciente necessita ser suprido, composta de diversos nutrientes que tentam suprir as necessidades diárias dos pacientes.

A sua composição inclui aminoácidos, glicose, cloreto de sódio, cloreto de potássio, soluções multivitamínicas, solução de lipídeos, solução de oligoelementos, sulfato de magnésio e outros itens.

As fontes calóricas, em linhas gerais, dão-se pela solução de glicose (que tem baixo custo e permite pronta utilização) e emulsões lipídicas (com mais calorias, em geral oriundas de óleos como o de peixes).

Essas são as diferenças entre nutrição parenteral parcial e total!

Referências:

  1. Blog da Nutri

Veja também:

A Nutrição Parenteral (NP)

Espessante Alimentar: Por que usar?

Um agente espessanteagente de espessamento, ou simplesmente espessante, é uma substância a qual pode aumentar a viscosidade de um líquido sem substancialmente alterar suas outras propriedades (em função disso, em algumas publicações, são chamados de “doadores de viscosidade”). Espessantes comestíveis são comumente usados para espessar molhos, sopas e pudins sem alterar seu sabor, e líquidos para pacientes com dificuldades de deglutição.

A deglutição é o ato de conduzir o alimento da cavidade oral em direção ao estômago, não permitindo entrada de material nas vias aéreas.  Além de sua importância na nutrição, a deglutição está relacionada com aspectos culturais e sociais. Em nossa cultura, comer é um ato prazeroso e social. Assim, alterações na deglutição podem causar déficits nutricionais e prejudicar a socialização do indivíduo.

Durante o processo da deglutição, podem ocorrer alterações no seu processo fisiológico ou alterações anatômicas, podendo ocasionar alguns sintomas que irão caracterizar a disfagia.

O que é a Disfagia?

As disfagias são alterações no processo da deglutição, caracterizadas por dificuldades da passagem do alimento da cavidade oral até o estômago. Quando ocorrem dificuldades ou perda das habilidades para deglutir, em geral há graves consequências que podem levar à desnutrição e até à morte, por comprometer a integridade das vias aéreas. Além dos danos metabólicos, a disfagia pode influenciar o estado emocional do paciente, causando estresse, depressão e isolamento social.

A textura, a consistência, a viscosidade, a adesividade, o grau de coesão, a firmeza e a densidade dos alimentos devem ser considerados na seleção da dieta oral antes de serem oferecidos aos pacientes. Deve-se iniciar a alimentação via oral com líquidos espessados, a fim de evitar ocorrência de refluxos.

Preparações líquidas são contra-indicadas no início da reintrodução da alimentação via oral, pois os líquidos, por serem de baixa viscosidade, podem favorecer o risco de aspiração. A substituição da terapia nutricional enteral ou a reintrodução da alimentação oral deve obedecer a um esquema de evolução de consistência dos alimentos que a compõem, determinada por uma avaliação fonoaudiológica.

O uso de espessante alimentar ajuda a aumentar a viscosidade de soluções, emulsões e suspensões, sendo uma estratégia utilizada pelos fonoaudiólogos na terapia da deglutição, visto que a viscosidade e consistência do bolo alimentar geram mudanças na fisiologia deste processo.

A deglutição do líquido, quando comparado a outras consistências, exige maior controle oral, aumentando o risco de aspiração laringotraqueal em algumas patologias. Nesses casos, o uso do espessante é essencial.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes em Disfagia

  1. Posicionar o paciente de forma adequada: idealmente o paciente deve estar sentado com os pés apoiados no solo e cotovelos apoiados na mesa. Pacientes acamados devem estar com a cabeceira elevada;
  2. Verificar estado de consciência previamente durante as refeições;
  3. Incentivar o paciente a se alimentar sozinho desde que possível;
  4. Observar se paciente usa prótese dentária que deve estar bem fixada;
  5. Vincular paciente aos profissionais, mostrar-se disponível durante as refeições;
  6. Ambiente calmo, sem distrações ou movimentação constante. O paciente deve focar na deglutição;
  7. Sugerir líquidos espessos ou líquidos com espessante;
  8. Oferecer alimentos durante as refeições apenas quando estiver completa a deglutição, observar se há alimentos retidos na boca;
  9. Se o paciente se engasgar deve pedir que ele tussa com força;
  10. Em caso de engasgos totais ou parciais, manobras para desobstrução poderão ser realizadas (ex: Manobra de Heimlich);
  11. Adaptar a textura da dieta e consistência de líquidos conforme a capacidade de deglutição do paciente. Importante salientar que alimentos que exigem alguma forma de mastigação diminuem o risco de aspiração (ex: consistência de purê);
  12. Fletir o pescoço e rodar a cabeça para lado que foi afetado durante a deglutição, indicado para pacientes com comprometimento de alguns dos lados do corpo;
  13. Promover exercícios para fortalecimento da musculatura do pescoço indicado por fonoaudiólogos ou terapeutas ocupacionais;
  14. Diminuir o tamanho dos utensílios e adaptar utensílios (ex: colheres de sobremesa, pratos antiderrapantes);
  15. Assegurar que o paciente consiga cerrar os lábios após a introdução dos alimentos;
  16. Reforço verbal vindo do profissional sobre o processo de deglutição (ex: -Engula);
  17. Realizar higiene da cavidade oral sempre após as refeições;
  18. Evitar que paciente se deite pelo durante 30 minutos após as refeições;
  19. Promover adaptações em domicílio para melhora da deglutição durante as refeições;
  20. Treinar cuidadores e familiares envolvidos na assistência destes pacientes.

Referências

  1. Silva, LBC; Ikeda, CM. Cuidado nutricional na disfagia: uma alternativa para a maximização do estado nutricional. Rev Bras Nutr Clin 2009; v.24, n.3, p: 203-210. Anvisa
  2. Ozaki K Kagaya et al. The risk of penetration or aspiration during videofluoroscopic examination of swallowing varies depending on Food types. Tohoku J Exp Med. 2010; 220(1):41-6.
  3. NANDA- I (EUA). Diagnósticos de enfermagem NANDA-I: definição e classificação 2018-2020. [Internet]; 2018; 11. ed. – Porto Alegre: Artmed.
  4. Ministério da Saúde (BR). Manual de rotinas para atenção ao AVC. Secretaria de Atenção à Saúde. [Internet]; 2013; 
  5. World Gastroenterology Organisation (EUA). Disphagia. [Internet]; 2014;
  6. Domingos A, Verissímo D. Cuidados de Enfermagem à Pessoa com deglutição comprometida. Ordem dos Enfermeiros (Portugal). [Internet]; 2014.

Alergia Vs. Intolerância ao Leite: Quais são as diferenças?

Alergia ou Intolerância ao leite? 

Há grandes diferenças!

A alergia é uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas, proteínas dos alimentos, de ácaros, de pólen, de pelo de animais, etc. Portanto, a APLV é uma reação às proteínas do leite (ex: caseína, alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina).

A intolerância é decorrente da dificuldade do organismo em digerir à lactose, açúcar do leite, devido à diminuição ou da ausência de lactase, enzima que a digere.

Lembrando que: A expressão “alergia à lactose” é errada e não existe, pois a alergia é uma reação à proteína e a lactose é um açúcar!

Quais são os Sintomas?

​Os sintomas da alergia podem ser gástricos como vômitos, cólicas, diarreia, dor abdominal, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes e refluxo; dermatológicos (urticária, dermatite atópica de moderada a grave) e respiratórios (asma, chiado no peito e rinite).

A criança pode ter reação anafilática, baixo ganho de peso e crescimento. As reações podem ocorrer após a ingestão de leite de vaca ou derivados, de forma persistente ou repetitiva.

 Essa incapacidade ocorre em organismos que não produzem (ou produzem em quantidade insuficiente) uma enzima digestiva que se chama lactase e que é a responsável por decompor a lactose.

Quando a lactose não é absorvida, ela chega intacta ao intestino grosso, acumulando-se e sofrendo fermentação pelas bactérias que fabricam o ácido lático e os gases intestinais. Com isso, os pacientes passam a apresentar problemas como retenção hídrica e sintomas como diarreias e cólicas. Distensão abdominal, cólicas, flatulência (excesso de gases), náuseas, ardor anal e assaduras também são relatadas pelos pacientes.

Como acontece?

Alguns pacientes apresentam intolerância à lactose por uma deficiência congênita, isso é, a pessoa já nasce sem condições de produzir a lactase. Em outros casos, há uma redução progressiva da produção de lactase que geralmente começa na adolescência e persiste até o final da vida, sendo essa a forma mais comum da doença. Uma terceira forma da patologia é aquela em que a deficiência da lactase é consequência de doenças intestinais como doença celíaca, doença de Crohn  e síndrome do intestino irritável. Nesses casos, a intolerância tende a desaparecer quando a doença de base é controlada.

Para fazer o diagnóstico, o médico gastroenterologista pode pedir exames como teste de intolerância à lactose, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes. O tratamento geralmente é feito com medicamentos e dieta, suspendendo a ingestão de leite e derivados no início. Podem ser recomendados também suplementos com lactase e o consumo de leites modificados com baixo teor de lactose para manter a oferta de cálcio ao organismo.

Os Cuidados com os pacientes sob estas condições

Uma vez diagnosticada a intolerância, pode-se evitar os sintomas excluindo leite e derivados, além de produtos ou alimentos preparados com leite. Outra forma de evitar os sintomas é experimentar os suplementos da enzima lactase, disponíveis no mercado em comprimidos ou tabletes mastigáveis. O medicamento deve ser ingerido junto com os laticínios.

Além disso, é possível adicionar gotas de enzima lactase no leite comum para pré-digerir a lactose antes de beber. Vale lembrar que as gotas devem ser colocadas 24 horas antes do consumo, tempo necessário para digerir a lactose. Porém, fique atento, o não consumo de leite e derivados pode gerar falta de cálcio. E quem optar por eliminar os laticínios precisará de uma dieta especial para suprir a necessidade do mineral. Caso opte pelo corte de laticínios, é necessário consumir principalmente vegetais de cor verde-escura como brócolis, couve, agrião, mostarda, além de repolho, nabo e peixes de ossos moles como o salmão e sardinha, mariscos e camarão.

Fontes de cálcio: folhas verdes, couve, alface, abobrinha, repolho, brócolis, aipo, mostarda, erva-doce), feijão, ervilhas, salmão, tofu, laranja, amêndoa, sementes de gergelim, melaço e cereais enriquecidos com cálcio.​

Alternativas alimentares

  • Não existe cura para a intolerância à lactose, mas é possível tratar os sintomas limitando os produtos com leite ou derivados.
  • Se a intolerância não for grave, o indivíduo não precisa excluir da dieta qualquer alimentos que contenha lactose.  Aos poucos a pessoa descobre quais alimentos lácteos ela pode ingerir sem sentir tantos sintomas.

Hoje já temos diversos produtos no mercado sem lactose como queijos, requeijão, iogurtes, leites, biscoitos, pães, bolos, entre outros. Outro substituto para o leite são as bebidas vegetais, entre elas o leite de arroz, leite de amêndoas e o leite de castanhas.

O uso de probióticos ou alimentos contendo probióticos, pode trazer benefícios para  os portadores de intolerância à lactose, já que estas bactérias iniciam a “quebra” da lactose, melhorando a digestão do alimento. Algumas cepas probióticas tem efeito favorável melhorando os sintomas de pacientes com intolerância à lactose secundária, como dor abdominal, diarreia e absorção da lactose. O ideal é a indicação por medico e/ou nutricionista para utilizar alguma dessas substâncias.

Fonte e Referência:

 

Os tipos de Dieta Enteral

Dieta Enteral

dieta enteral é a maneira de repor nutrientes que o organismo precisa quando o paciente está incapacitado ou com dificuldades de ingerir alimentos. Muito utilizada por pessoas em coma, desnutridas ou com doenças como câncer e Alzheimer, ela é administrada na forma líquida por meio de sonda enteral ou por via oral, dependendo da condição clínica.

Os nutrientes que compõem uma dieta enteral são os mesmos que o paciente obteria pelo consumo dos alimentos, como carboidratos, vitaminas, proteínas, gorduras, minerais e até mesmo água. Porém, existem tipos de nutrição diferentes, com produtos específicos para atender às necessidades particulares de cada um, dependendo do peso, altura, nível de autonomia e condição médica e estado nutricional.

Existe, por exemplo, a dieta enteral hipercalórica, que contém mais calorias, para atender principalmente os pacientes com desnutrição. Tem também produtos com maior nível de proteínas e gorduras, com alto teor de fibras, isentos de lactose, sem glúten, entre muitos outros.

TIPO DE DIETA

COMPOSIÇÃO

INDICAÇÃO

Normocalórica Dieta enteral completa com quantidades normais de calorias. Diversas patologias, tais como doenças neurológicas, cardiopatias, hipertensão, dislipidemias, anorexia nervosa, entre outras.
Hipercalórica Dieta enteral rica em calorias. Desnutrição, anorexia nervosa, neoplasias, cardiopatias, doenças neurológicas, geriatria, restrição hídrica, pré e pós-operatório.
Hiperprotéica Dieta enteral com altos níveis de proteínas. Pacientes com necessidades proteicas muito aumentadas, críticos em UTI, entre outras.
Com fibras Dieta enteral enriquecida com
alto teor de fibras.
Pacientes com necessidades de consumir mais fibras para regularização do trânsito intestinal e outras patologias.
Pediátricas Dieta enteral específica para crianças. Crianças com má absorção, intolerância a dietas poliméricas, risco de broncoaspiração, pacientes críticos, com função gastrintestinal comprometida, pré e pós-operatório, entre outros.

Alimentos e Medicamentos: A Interação

Alimentos e Medicamentos: A Interação

Você sabia que os Medicamentos e os Alimentos podem interagir entre si de forma benéfica ou indesejável?

Primeiramente, facilita a absorção ou diminuindo seus efeitos colaterais.

Por outro lado, pode impedir tal absorçãodiminuindo sua eficácia e comprometendo o tratamento de determinada enfermidade!

Podem ter implicações clínicas tanto no processo terapêutico como na manutenção do estado nutricional, cabendo à equipe de saúde repassar ao paciente todas as informações sobre esta relação, alertando para as associações negativas.

Estas interações são múltiplas, com mais de 300 descrições.

Todavia, poucas são clinicamente relevantes, daí a importância de o paciente ter conhecimento acerca de suas medicações, da sua necessidade de tomá-las e a forma correta de sua administração ao relacioná-las com os alimentos.

As Interações Entre Medicamentos-Alimentos mais comuns

Antiácidos: evite ingerir com alimentos, pois reduzem os efeitos. Tome uma hora depois de comer.

Antibióticos: reduzem a produção geral de vitamina B, B5 e K. Podem acelerar a passagem do alimento pelo intestino, diminuindo a disponibilidade para a absorção. Vegetais, grãos e cereais garantem a ingestão de todas as vitaminas.

Amoxicilina: alimentos apenas atrasam sua absorção.

Penicilina: alimentos reduzem sua absorção. Tome 1h antes ou 2h após as refeições.

Eritromicina: alimentos melhoram sua absorção. Suco de frutas e bebidas carbonatadas interferem na sua absorção. Tome com as refeições.

Tetraciclina: aderem cálcio e ferro, de modo que antibiótico e mineral não são absorvidos. Tome 2h antes ou após as refeições.

Suplemento de ferro: em pastilha ou líquido, o leite pode interferir na absorção. Deve ser tomado com água ou bebida ligeiramente ácida, como suco de fruta, que melhora a absorção.

Antifúngico (griseofulvina): melhor quando tomado com uma refeição gordurosa.

Anticonvulsivantes/antiepilépticos (fenobarbital, fenitoína e primidona): interferem no metabolismo da vitamina D e na absorção de cálcio.

Uma boa ingestão de vitamina D (em leite fortificado, gema de ovo, peixes gordos, luz solar), cálcio (laticínios, verduras, brócolis, conservas de peixe com ossos) e ácido fólico (frutas frescas, legumes, grãos) deve compensar esses efeitos. A fenitoína é melhor absorvida com alimentos ou leite.

Medicação da tireóide (levotiroxina): tome com o estômago vazio.

Drogas anti-inflamatórias não esteroidais: a aspirina (ácido acetilsalicílico) interfere no armazenamento de vitamina C e pode causar a perda de ferro através do sangramento digestivo.

Medica­­men­­tos antituberculose (isoniazida): interfere no metabolismo da vitamina B6 (piridoxina). Uma dieta bem equilibrada, incluindo fontes de vitamina B6 como grãos, espinafre, batata doce e branca, banana, melancia e ameixas é indicada.

Corticosteróides (prednisona e hidrocortisona): pode promover a excreção de potássio e cálcio. Reduza a ingestão de sal e coma alimentos ricos em potássio (frutas e verduras frescas) e cálcio (laticínios com baixo teor de gordura) para neutralizar a perda desses minerais. Tome com alimentos, para diminuir problemas de estômago.

Laxante (óleo mineral): interfere na absorção de vitaminas solúveis em gordura, na primeira parte do intestino. Tenha uma dieta rica em vegetais e frutas para obter fibra e beba bastante água.

Contraceptivos orais: alteram os níveis de colesterol no sangue; aumentam a necessidade de ácido fólico e vitamina B6. Coma muitos vegetais e frutas, grãos e cereais, batatas e outras fontes de ácido fólico e vitamina B6. Tome-os com alimentos para evitar náuseas.

Nutrição Enteral: Sistemas Aberto e Fechado

A Terapia Nutricional Enteral (TNE) é um conjunto de procedimentos empregados para manutenção ou recuperação do estado nutricional por meio de Nutrição Enteral.

A Terapia Nutricional Enteral pode ser realizada por dois tipos de Sistemas: Aberto e Fechado. No Sistema Aberto, as dietas exigem manipulação e devem ser preparadas em local específico.

Já o sistema fechado não demanda áreas de preparo ou envase.

Quais são as diferenças entre Sistema Aberto e Fechado?

Ambos são eficazes e possuem propriedades nutricionais equivalentes. Porém, a diferença está na manipulação e administração das dietas, porque enquanto o  sistema aberto necessita apenas do produto para a dieta, do equipo e um frasco; o  fechado, além dos itens já citados, precisa do auxílio de uma bomba de infusão, que aumenta o custo do tratamento, requer energia elétrica para funcionar e treinamento para sua utilização e programação.

O Cuidado com o Armazenamento das Dietas

O armazenamento das dietas também é diferenciado. As embalagens Tetra Pak (como as de caixa de leite) do sistema aberto possuem tampa e podem ser conservadas dentro da geladeira em caso de fracionamento. Já o sistema fechado, requer um método contínuo para administrar a dieta, pois as bolsas, que justificam o  uso da bomba de infusão, não possuem estrutura para ficar em posição que impossibilite o vazamento do produto. No momento da abertura para utilização, o uso de facas e tesouras também aumenta o risco de contaminação do produto, no caso das bolsas, já que, em casa, estes materiais não são esterilizados de forma adequada como em hospitais, por exemplo.

Características da Manipulação

O sistema aberto caracteriza-se por ser produzido em uma área restrita e específica, onde nutrientes industrializados, em forma de pó ou líquido, são reconstituídos, misturados, envasados em frascos, para que se atinjam as composições desejadas, seguindo as boas práticas de manipulação.

O sistema fechado constitui-se de dietas líquidas, industrializadas, estéreis, acondicionadas em recipientes hermeticamente fechados e apropriados para conexão ao equipo de administração.

Desse modo, a nutrição enteral em sistema aberto requer manipulação prévia à sua administração, enquanto o fechado não demanda áreas de preparo ou envase.

Cuidados de Enfermagem com a Administração das Dietas Enterais

Quanto ao preparo da dieta para a Instalação ao paciente:

– Realizar a lavagem das mãos antes e depois do procedimento;
– Utilizar a aparamentação adequada (gorro, máscara, capote descartável, luvas de procedimento);
– Reservar e conferir a prescrição de EMTN/SNEP para confirmação do nome do paciente, Tipo de Dieta Enteral a ser Infundida, Volume Total a ser Infundido e a vazão ml/h (em casos para bomba de infusão) e gotejamento a ser infundido;
– Checar com a Dieta recebida simultaneamente com a prescrição da EMTN para a confirmação;
– Escrever em um rótulo próprio para os frascos de dieta enteral o nome completo do paciente, data de nascimento, número de atendimento, Unidade de Internação e leito, o nome completo da Dieta Enteral descrita na prescrição, o volume total a ser infundido, a vazão ou gotejamento, a hora a ser iniciado, a via de administração, a validade da dieta, o seu nome completo carimbado onde apresenta a inscrição do COREN, e o nome do médico onde realizou a prescrição de EMTN juntamente com sua inscrição de CRM (aplicável em algumas insituições);
– Separar em uma bandeja previamente limpa com solução asséptica própria, o frasco da dieta enteral e o equipo a ser utilizado, e uma seringa de 20ml;
– Realizar a assepsia do bocal do frasco da dieta com álcool 70%, e conectar o equipo ao bocal;
– Retirar o ar de dentro do equipo, até que a dieta preencha todo o equipo, tomando cuidado para não extravasar e reserve na bandeja;
– Leve a bandeja já com a dieta preparada para a Infusão até o leito do paciente, e confira em sua pulseira a identificação do mesmo, caso o paciente seja orientado, perguntar o nome completo do mesmo para a checagem correta do paciente;
– Oriente ao paciente, caso orientado, que estará instalando uma nova dieta enteral;
– Faça a assepsia local na entrada da SNE do paciente com álcool 70%;
– Em caso de bomba de infusão, instale o frasco no suporte de soro onde se encontra a bomba de infusão, e instale a parte siliconada do equipo no rolete da bomba;
– Instale a ponta do equipo ao local de entrada da SNE do paciente;
– Programe a bomba de infusão com os dados previamente descritos pela prescrição da EMTN (volume total, e a vazão ml/h);
– Inicie a infusão da dieta;
– Em caso de equipo gravitacional, utilizar os mesmos passos descritos acima, em diferença de realizar o gotejamento manual da dieta (sistema aberto);
– Anotar em relatório de enfermagem o horário que iniciou-se a dieta, o volume total a ser infundido e a vazão conforme prescrição, e em que via.

Quanto à troca de vazão de dieta enteral conforme prescrição da EMTN (Sistema Fechado em menos de 24 horas):

– Se a Dieta Enteral foi trocada previamente antes de completar 24 horas, e recebido a prescrição de EMTN com a mesma dieta enteral mas alterado pelo mesmo o valor do volume total e a infusão, realizar a alteração do rótulo da dieta enteral com os novos valores, e atualizar na bomba de infusão os novos valores (dependerá de cada POP das instituições);

Quanto à pausa de infusão de Dieta Enteral:

– Atentar se a Instituição adota o sistema de pausas (de 1 a 4 horas), para a adaptação do organismo do paciente, e seguir as instruções conforme seu Protocolo.

Quanto à administração de água filtrada nas pausas para água:

– Atentar aos horários de pausa para a infusão de água (intervalos) conforme a prescrição da EMTN/SNEP, sempre utilizando equipo próprio para a infusão de água, fazendo o mesmo processo de instalação conforme a dieta enteral (em caso de equipo gravitacional).

Quanto à checagem da prescrição da EMTN/SNEP:

– Sempre realizar a checagem dos horários que foram administrados as dietas e as águas, e fazer sempre a dupla checagem da instalação com a prescrição com o Enfermeiro da Unidade, sendo que ambos precisam assinar e carimbar a prescrição. Caso de não administração da dieta ou água, rodelar o horário, assinar e justificar no relatório a razão da não infusão.

 

Dietas Hospitalares

Dietas Hospitalares

A Dietoterapia visa à adequação do paciente em determinado momento e situação, para uma alimentação mais adequada.
Adaptação – dentro dos limites possíveis – ao paciente, e não o processo inverso. Nem sempre o permitido é o mais adequado, e a possibilidade de um paciente ingerir uma dieta normal, de livre escolha, não leva, ao fato de uma dieta “normal” ser a mais adequada no momento.

Na maior parte das vezes, as indicações ou proibições de determinados alimentos ou preparações se encontram mais ligados à patologia do que ao paciente que irá ingerir estes alimentos.

Dietoterapia de acordo com a consistência alimentar

– Dieta Hídrica

Fornece líquidos e eletrólitos via oral para prevenir a desidratação, minimizar o trabalho do trato gastrintestinal e a presença de resíduos no cólon.
Indicação para o uso: preparo e pós-operatório de cirurgias de trato gastrintestinal, após período de alimentação por via intravenosa, durante infecções graves e diarreia aguda, antes e depois de procedimento de diagnóstico,e como o uso dessa dieta naqueles pacientes apresentando disfagia com risco de branco aspiração. É indicada à progressão para uma dieta mais adequada logo que tolerada pelo paciente.

– Dieta Líquida

Fornece uma dieta oral que seja bem tolerada por pacientes que não podem ingerir alimentos sólidos. Garante o repouso gástrico.
Indicações de uso: após cirurgias da cabeça e pescoço, em doenças agudas e para aqueles pacientes incapazes de tolerar alimentos sólidos ou com dificuldade de mastigação e deglutição. É uma dieta de transição, e a progressão para alimentos sólidos deve ser completada tão rápido quanto possível. Pode ser administrada a pacientes diabéticos ou não.

– Dieta Leve

Indivíduos com problemas mecânicos na ingestão e digestão, com dificuldades de deglutição e mastigação; em determinados preparos de exames e cirurgias, pós-operatórios. É usada também como transição para a dieta branda e geral.
Indicações de uso: Indivíduos com problemas mecânicos de ingestão e digestão, que impeçam a utilização da dieta geral, havendo assim necessidade de abrandar os alimentos para melhorar a aceitação Usadas nos pré e pós-operatórios, distúrbios gastrintestinais, hipocloridria e preparo de alguns exames.

– Dieta Pastosa

Fornece uma dieta que possa ser mastigada e deglutida com pouco ou nenhum esforço.
Indicações de uso: pacientes com dificuldades na mastigação ou deglutição devido à inflamação, danos neurológicos, distúrbios neuromotores, retardo mental severo, doença esofágica, alterações anatômicas da boca ou esôfago, e uso depróteses dentárias. Não é indicada aqueles com risco de bronco aspiração.

– Dieta Branda

Pode ser adotada em alguns pós-operatórios para facilitar o trabalho digestivo. Contêm o mínimo possível de fibras que não foram abrandadas pela cocção, e uma quantidade moderada de resíduos. Esta dieta é usada como transição para a dieta geral.
Indicações de uso: Indivíduos com problemas mecânicos de ingestão e digestão, que impeçam a utilização da dieta geral, havendo assim necessidade de abrandar os alimentos para melhorar a aceitação. Utilizada no pós-cirúrgico, em enfermidades do esôfago, e para aqueles com dificuldade de mastigação ou deglutição, com uso de próteses dentárias, e na presença de gastrite e úlcera péptica.

– Dieta Livre

Mantém o estado nutricional de pacientes com ausência de alterações metabólicas significativas ao risco nutricional.
Indicações de uso: Para pacientes que não necessitam de restrição específica e que representam funções de mastigação e gastrintestinais preservadas.

Dietoterapia de acordo com o valor nutritivo

  • Dieta normal ou geral: usada quando o paciente pode receber qualquer tipo de alimento. É normal em calorias e nutrientes. Ex: dieta geral.
  • Dieta carente: apresenta taxa de nutrientes e calorias abaixo dos padrões normais. Seu prefixo é hipo. Ex: dieta hipocalórica.
  • Dieta excessiva: apresenta taxa de nutrientes e calorias acima dos padrões normais. Seu prefixo é hiper. Ex: dieta hiperprotéica.
  • Super alimentação: Usada para indivíduos desnutridos ou que necessitem de um considerável aumento no valor calórico da dieta.
  • Dietas com aumento parcial de nutrientes ou calorias: Usadas em casos específicos onde é necessário a elevação da taxa normal de nutrientes.
  • Dieta hiperprotéica: Com elevada taxa de proteínas, indicada em qualquer situação onde ocorra aumento das necessidades de proteínas. Ex: pós operatório, doenças infecciosas na convalescença.
  • Dieta hipercalórica: Dieta com valor calórico total acima de 3000 calorias diárias. É indicada nos casos de anorexia severa.
  • Dieta hiperglicídica ou hiperhidrocarbonada: Dieta com taxa elevada de glicídios ou carboidratos. É usada em situações que exijam taxas de glicídios abaixo dos padrões de normalidade.
  • Dietas com diminuição parcial de nutrientes e calorias: Usadas em casos específicos, cuja indicação seja diminuição da taxa normal de nutrientes ( proteínas, carboidratos e gorduras, sais minerais e etc ).
  • Dieta hipoprotéica: Dieta com taxa reduzida de proteínas, indicada para evitar progressão de lesões renais.
  • Dieta hipocalórica: Dieta com valor calórico total abaixo dos padrões de normalidade, indicada em obesidade e programas de redução de peso.
  • Dieta hipogordurosa ou hipolipídica: Dieta com taxa reduzida de gorduras. Usada em casos de hepatite, colecistite, pancreatite, colelitíase e etc.
  • Dieta hipossódica: Dieta com taxa reduzida de sódio, utilizada em casos de edema cardíaco e renal, hipertensão arterial, cirrose hepática acompanhada de ascite, toxemia gravídica.
  • Dietas com omissão de algum componente: São indicadas quando há necessidade de retirada total de algum componente do cardápio.
  • Dieta assódica: Dieta sem sódio, ou seja, sem sal. Geralmente utilizada em casos de hipertensos graves e doenças renais.

PAPEL DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM DA DIETOTERAPIA

O técnico de enfermagem deve administrar a dieta aos pacientes impossibilitados de fazê-lo por si próprio. Após anotar no prontuário a aceitação alimentar do paciente.

Deverá também, na ausência do enfermeiro, notificar ao serviço de nutrição e dietética, as admissões e transferências, altas e óbitos de pacientes, bem como as alterações dietéticas prescritas pelo médico.