Síndrome de Realimentação: o que é, quem está em risco, sinais, prevenção e cuidados de enfermagem

Vá direto ao ponto!

A alimentação é uma das necessidades básicas do organismo e, em muitos pacientes hospitalizados, especialmente aqueles que passaram dias sem conseguir se alimentar adequadamente, iniciar ou retomar a terapia nutricional é uma etapa fundamental da recuperação.

Mas existe uma situação que todo profissional e estudante de enfermagem precisa conhecer: a Síndrome de Realimentação.

Pode parecer estranho pensar que alimentar um paciente desnutrido ou que passou muito tempo em jejum possa provocar uma complicação grave. Entretanto, em determinadas circunstâncias, a introdução rápida de calorias pode desencadear alterações metabólicas importantes, principalmente envolvendo fósforo, potássio, magnésio, glicose, tiamina e equilíbrio hídrico.

É justamente por isso que a realimentação de um paciente de alto risco não deve ser encarada simplesmente como “começar a dieta”. É um processo que exige avaliação, planejamento, acompanhamento laboratorial e observação clínica contínua.

Na prática hospitalar, esse cuidado ganha ainda mais importância em pacientes críticos, idosos frágeis, pessoas com desnutrição, pacientes que permaneceram muitos dias sem alimentação, indivíduos com doenças gastrointestinais, pacientes oncológicos e pessoas submetidas a longos períodos de jejum.

Este artigo foi elaborado com uma abordagem voltada para a realidade da enfermagem, procurando transformar um assunto bastante metabólico em algo que possa ser compreendido e aplicado durante a assistência.

O que é a Síndrome de Realimentação?

A Síndrome de Realimentação (SR) é uma complicação metabólica que pode ocorrer quando nutrientes, principalmente carboidratos e calorias, são reintroduzidos de maneira rápida após um período prolongado de baixa ou nenhuma ingestão alimentar.

O problema não está simplesmente no fato de o paciente voltar a comer. O grande risco está na mudança metabólica provocada pela reintrodução dos nutrientes em um organismo que estava adaptado ao jejum ou à desnutrição.

Durante um período prolongado sem alimentação, o organismo passa por uma adaptação metabólica. A disponibilidade de glicose diminui e o corpo passa a utilizar outras fontes de energia, como gordura e proteínas.

Quando a alimentação, principalmente rica em carboidratos, é reiniciada, ocorre aumento da glicose sanguínea e, consequentemente, aumento da secreção de insulina. A insulina favorece a entrada de glicose para dentro das células.

O problema é que, junto com a glicose, ocorre maior utilização intracelular de determinados eletrólitos e nutrientes, especialmente:

  • fósforo;
  • potássio;
  • magnésio;
  • tiamina.

Assim, os níveis séricos desses elementos podem cair rapidamente. A queda pode ser suficientemente importante para comprometer músculos, coração, sistema respiratório e sistema nervoso.

A definição de consenso da ASPEN considera a redução dos níveis séricos de fósforo, potássio e/ou magnésio após a reintrodução de calorias como elemento central da síndrome, classificando a gravidade conforme a magnitude da redução e a presença de disfunção orgânica.

Por que isso acontece?

Para compreender a Síndrome de Realimentação, é importante entender primeiro o que acontece durante o jejum:

O organismo durante o jejum prolongado

Quando uma pessoa fica muitas horas ou dias sem receber nutrientes suficientes, o organismo precisa encontrar outras fontes de energia. Inicialmente, utiliza o glicogênio armazenado. Com a continuidade do jejum, as reservas de glicogênio diminuem e o metabolismo passa progressivamente a utilizar mais gordura e corpos cetônicos como fonte energética.

Nesse período, ocorre também uma redução da secreção de insulina e uma maior predominância de hormônios contrarreguladores. O organismo entra, portanto, em uma espécie de “modo econômico”. O metabolismo se adapta à baixa disponibilidade de nutrientes, mas isso muda quando a alimentação é retomada.

O que acontece quando a alimentação é reiniciada?

Imagine um paciente que passou vários dias praticamente sem se alimentar. De repente, ele recebe uma quantidade significativa de carboidratos.

A glicose aumenta.

O pâncreas libera insulina.

A insulina estimula a entrada de glicose nas células e aumenta a utilização celular de determinados nutrientes. É nesse momento que podem surgir alterações importantes. O fósforo, por exemplo, é utilizado na produção de ATP, a principal moeda energética das células. Quando há intensa demanda metabólica, o fósforo pode ser rapidamente deslocado para dentro das células.

O mesmo princípio ocorre com potássio e magnésio, e o resultado pode ser uma queda significativa dos níveis séricos. E é aí que começa o problema.

Por que o fósforo é tão importante?

O fósforo é um dos principais eletrólitos envolvidos na Síndrome de Realimentação. Ele participa de processos fundamentais para o funcionamento celular, incluindo:

  • produção de ATP;
  • metabolismo energético;
  • funcionamento muscular;
  • transporte de oxigênio;
  • integridade celular;
  • funcionamento neurológico.

Quando ocorre hipofosfatemia importante, o organismo pode perder capacidade de produzir energia adequadamente. Isso pode provocar fraqueza muscular, alterações neurológicas, comprometimento respiratório e alterações cardiovasculares.

Em um paciente crítico, isso merece atenção especial. Imagine, por exemplo, um paciente que estava em ventilação mecânica e iniciou terapia nutricional após um período prolongado de baixa ingestão. Uma queda importante do fósforo pode contribuir para fraqueza da musculatura respiratória e dificultar o processo de retirada da ventilação mecânica.

Por isso, o fósforo não deve ser visto simplesmente como “mais um exame laboratorial”.

E o potássio?

O potássio possui papel essencial na atividade elétrica das células, principalmente das células musculares e cardíacas. Durante a realimentação, o aumento da insulina pode promover deslocamento do potássio para dentro das células.

O resultado pode ser hipocalemia. Dependendo da intensidade, podem surgir:

  • fraqueza muscular;
  • cansaço;
  • alterações do ritmo cardíaco;
  • alterações no eletrocardiograma;
  • arritmias;
  • em situações graves, parada cardíaca.

Em pacientes críticos, uma alteração de potássio pode ter consequências muito importantes, principalmente quando existem outras condições associadas, como uso de diuréticos, alterações renais ou uso de medicamentos que interferem na condução cardíaca.

E o magnésio?

O magnésio também pode sofrer redução durante a realimentação. Ele participa de inúmeras reações metabólicas e possui relação estreita com o funcionamento neuromuscular e cardiovascular.

A hipomagnesemia pode contribuir para:

  • tremores;
  • fraqueza;
  • alterações neuromusculares;
  • arritmias;
  • alterações eletrolíticas associadas;
  • dificuldade na correção da hipocalemia.

Um ponto importante para a enfermagem é perceber que os eletrólitos não devem ser analisados isoladamente. Um paciente pode apresentar alterações simultâneas de fósforo, potássio e magnésio.

A importância da tiamina

A tiamina (vitamina B1) merece atenção especial: Ela participa de reações fundamentais do metabolismo dos carboidratos e da produção de energia. Em pacientes que passaram por períodos prolongados de desnutrição ou baixa ingestão alimentar, suas reservas podem estar reduzidas.

Quando a alimentação é reiniciada, a demanda metabólica por tiamina aumenta, e se houver deficiência importante, podem surgir complicações neurológicas e cardiovasculares. Por isso, protocolos de prevenção da Síndrome de Realimentação recomendam atenção à suplementação de tiamina em pacientes de alto risco.

A NICE, por exemplo, recomenda a administração de tiamina antes e durante os primeiros dias da realimentação em pessoas classificadas como de alto risco. É importante destacar que a administração de tiamina deve seguir prescrição, protocolo institucional e avaliação da equipe responsável pelo tratamento.

Quem está em risco de desenvolver Síndrome de Realimentação?

Essa é uma das perguntas mais importantes para a enfermagem. Nem todo paciente que volta a se alimentar depois de um período de jejum desenvolverá a síndrome. O risco aumenta quando existem fatores relacionados à desnutrição, perda de peso, baixa ingestão alimentar ou alterações eletrolíticas.

Segundo os critérios utilizados pela NICE, são considerados fatores importantes de alto risco:

Um ou mais destes fatores

  • IMC menor que 16 kg/m²;
  • perda involuntária de peso superior a 15% nos últimos 3 a 6 meses;
  • pouca ou nenhuma ingestão alimentar por mais de 10 dias;
  • níveis baixos de potássio, fósforo ou magnésio antes do início da alimentação.

Ou dois ou mais destes fatores

  • IMC menor que 18,5 kg/m²;
  • perda involuntária de peso superior a 10% nos últimos 3 a 6 meses;
  • pouca ou nenhuma ingestão alimentar por mais de 5 dias;
  • histórico de uso abusivo de álcool ou utilização de determinados medicamentos, como insulina, quimioterapia, antiácidos ou diuréticos.

Esses critérios são extremamente úteis para a prática porque mostram que o risco não depende apenas do peso atual do paciente. Uma pessoa pode não parecer extremamente magra e, ainda assim, apresentar risco significativo.

Quais pacientes merecem atenção especial?

Na rotina hospitalar, é importante pensar em Síndrome de Realimentação diante de pacientes como:

  • Pacientes com desnutrição: principalmente quando existe perda importante de peso.
  • Pacientes em jejum prolongado: por exemplo, pessoas que passaram vários dias sem alimentação adequada.
  • Pacientes oncológicos: especialmente aqueles com baixa ingestão alimentar, perda de peso ou aumento do catabolismo.
  • Pacientes com doenças gastrointestinais: situações que provocam má absorção, vômitos, diarreia ou redução importante da ingestão.
  • Pacientes críticos: especialmente quando existe desnutrição ou período prolongado de baixa ingestão.
  • Pessoas com transtornos alimentares: devido ao risco de desnutrição e períodos prolongados de restrição alimentar.
  • Pessoas com histórico de consumo excessivo de álcool: devido à associação com desnutrição e deficiência de micronutrientes.
  • Pacientes que apresentaram perda de peso importante recentemente.

Portanto, uma pergunta simples durante a avaliação de enfermagem pode ser extremamente relevante:

“Quanto esse paciente estava conseguindo comer nos últimos dias?”

Essa informação pode ser tão importante quanto olhar o peso ou o IMC.

A Síndrome de Realimentação pode acontecer apenas com dieta enteral?

Não. Esse é um erro importante. A Síndrome de Realimentação pode ocorrer após a introdução de nutrientes por diferentes vias.

Ela pode estar associada à:

  • alimentação oral,
  • suplementação nutricional oral,
  • nutrição enteral e
  • nutrição parenteral.

Portanto, não devemos pensar que “como é dieta pela sonda, não tem risco” ou que “como está comendo pela boca, não tem risco”. O fator principal é a reintrodução de nutrientes em um organismo vulnerável, e não simplesmente a via utilizada.

Quais são os principais sinais e sintomas?

A Síndrome de Realimentação pode ser difícil de reconhecer inicialmente porque os sinais podem ser inespecíficos.

O paciente pode apresentar:

  • fraqueza;
  • fadiga;
  • edema;
  • alteração do estado mental;
  • confusão;
  • parestesias;
  • tremores;
  • dificuldade respiratória;
  • fraqueza muscular;
  • taquicardia;
  • alterações do ritmo cardíaco;
  • hipotensão;
  • convulsões em situações graves;
  • insuficiência cardíaca;
  • alterações respiratórias.

O quadro clínico depende da intensidade das alterações metabólicas e das condições prévias do paciente. Em muitos casos, os exames laboratoriais ajudam a identificar o problema antes que manifestações graves apareçam.

O edema pode ser um sinal de alerta?

Sim. Durante a realimentação pode ocorrer retenção de sódio e água, especialmente quando há aumento da insulina e alterações na administração de fluidos. O paciente pode apresentar:

  • edema periférico;
  • ganho rápido de peso;
  • congestão;
  • piora da função cardíaca;
  • alteração da pressão arterial;
  • sobrecarga hídrica.

Por isso, balanço hídrico e peso corporal podem fornecer informações importantes. Um ganho de peso muito rápido após o início da alimentação não significa necessariamente que o paciente esteja “ganhando massa”. Pode representar retenção de líquidos.

Quando a Síndrome de Realimentação costuma aparecer?

De acordo com o consenso da ASPEN, as alterações utilizadas para definir a síndrome são avaliadas dentro dos primeiros 5 dias após a reintrodução de calorias. Isso reforça uma ideia importante: o risco não termina no momento em que a dieta é iniciada.

Os primeiros dias exigem acompanhamento cuidadoso.

Como prevenir a Síndrome de Realimentação?

A prevenção começa antes da dieta. Esse é talvez o ponto mais importante para a enfermagem, antes de iniciar a terapia nutricional em um paciente potencialmente vulnerável, a equipe deve avaliar o risco nutricional e metabólico.

Não se trata de simplesmente perguntar:

“Qual dieta foi prescrita?”

É necessário entender:

  • Quem é esse paciente?
  • Há quanto tempo ele não come adequadamente?
  • Quanto peso perdeu?
  • Existe desnutrição?
  • Como estão fósforo, potássio e magnésio?
  • Há alterações renais ou cardíacas?
  • Ele possui fatores de risco para deficiência de tiamina?
  • Qual será a velocidade de introdução da dieta?

Esse raciocínio muda completamente a segurança da assistência.

A alimentação deve ser iniciada lentamente?

Em pacientes classificados como de alto risco, sim, a introdução deve ser cautelosa e individualizada. A NICE recomenda, para pessoas de alto risco, considerar início de até 10 kcal/kg/dia, com progressão gradual para atingir as necessidades completas em aproximadamente 4 a 7 dias. Em casos extremos, recomenda-se considerar valores ainda menores, como 5 kcal/kg/dia, com monitorização contínua do ritmo cardíaco.

Entretanto, é importante não transformar esse número em uma regra universal aplicada automaticamente a qualquer paciente.

A prescrição nutricional deve considerar o quadro clínico, o risco nutricional, os exames laboratoriais, a condição cardiovascular, renal, respiratória e gastrointestinal e os protocolos institucionais.

Em pacientes criticamente enfermos, a terapia nutricional deve ser planejada dentro do contexto geral do cuidado intensivo. A diretriz prática da ESPEN para pacientes de UTI reforça a importância de individualizar a terapia nutricional e evitar excesso de nutrientes durante a fase inicial da doença crítica.

Quais exames devem ser acompanhados?

Em pacientes sob risco, a equipe pode acompanhar, conforme avaliação clínica e protocolo:

  • Fósforo: fundamental para identificar hipofosfatemia.
  • Potássio: importante para avaliação do risco de alterações neuromusculares e cardíacas.
  • Magnésio: importante para função neuromuscular e cardiovascular.
  • Glicemia: a introdução de carboidratos pode provocar alterações glicêmicas importantes.

Além desses exames, outros parâmetros podem ser necessários conforme a condição clínica:

  • sódio;
  • cálcio;
  • função renal;
  • ureia;
  • creatinina;
  • avaliação ácido-base;
  • balanço hídrico;
  • sinais vitais;
  • peso;
  • avaliação cardiovascular.

A periodicidade da coleta deve ser determinada de acordo com o risco e o protocolo da instituição.

O que a enfermagem deve observar antes de iniciar a dieta?

Aqui está uma parte extremamente importante para quem está estudando ou trabalhando na assistência. Antes de administrar uma dieta, o profissional de enfermagem deve verificar se existe alguma informação relevante relacionada ao risco metabólico. Uma avaliação prática pode incluir:

  • Estado nutricional: observar peso, perda ponderal, aspecto geral, massa muscular e histórico alimentar.
  • Tempo de baixa ingestão: investigar há quantos dias o paciente está comendo pouco ou nada.
  • Exames laboratoriais: verificar especialmente fósforo, potássio e magnésio quando solicitados.
  • Prescrição: conferir via, tipo de dieta, volume, velocidade e horários.
  • Condição clínica: observar presença de insuficiência cardíaca, renal, alterações respiratórias ou outras condições que aumentem o risco de complicações.
  • Acesso para nutrição: confirmar se a via está adequada e liberada para utilização conforme protocolo institucional.
  • Balanço hídrico: acompanhar entradas e saídas.
  • Sinais clínicos: observar alterações cardiovasculares, respiratórias, neurológicas e musculares.

A enfermagem está em uma posição privilegiada porque permanece próxima do paciente durante a evolução do quadro. Uma alteração que parece pequena isoladamente pode se tornar extremamente importante quando observada em conjunto com os demais dados.

Cuidados de enfermagem na Síndrome de Realimentação

O cuidado de enfermagem começa com a identificação precoce do risco. Não é necessário esperar o paciente desenvolver uma complicação para agir.

Avaliar o risco nutricional

Verificar histórico de alimentação, perda de peso, IMC, doenças associadas e período de jejum ou baixa ingestão. A triagem nutricional deve ser realizada por profissionais capacitados e fazer parte da avaliação hospitalar. A NICE recomenda rastreamento de desnutrição e risco nutricional nos pacientes hospitalizados.

Conferir a prescrição nutricional

Antes de iniciar a dieta, conferir:

  • paciente correto;
  • dieta prescrita;
  • via;
  • volume;
  • velocidade de infusão;
  • horários;
  • restrições;
  • cuidados específicos.

Uma dieta corretamente prescrita também precisa ser corretamente administrada.

Acompanhar fósforo, potássio e magnésio

Sempre que esses exames estiverem prescritos, observar os resultados e comunicar alterações importantes à equipe responsável. Não cabe ao profissional de enfermagem simplesmente “olhar o número”. É necessário relacionar o resultado com o estado clínico do paciente.

Observar sinais cardiovasculares

Monitorar:

  • frequência cardíaca;
  • pressão arterial;
  • ritmo cardíaco quando indicado;
  • presença de palpitações;
  • sinais de congestão;
  • edema;
  • alterações do estado geral.

Em pacientes de alto risco ou com alterações importantes, a monitorização cardíaca pode ser necessária conforme avaliação clínica e protocolo.

Monitorar o padrão respiratório

Observar:

  • frequência respiratória;
  • saturação de oxigênio;
  • esforço respiratório;
  • fraqueza muscular;
  • necessidade crescente de oxigênio;
  • dificuldade de desmame ventilatório em pacientes críticos.

Uma deterioração respiratória inesperada após o início da nutrição merece investigação.

Controlar o balanço hídrico

Registrar rigorosamente:

entrada de líquidos + dieta + medicamentos + soluções

versus

diurese + drenos + perdas gastrointestinais + outras perdas mensuráveis.

O balanço hídrico é uma informação fundamental para identificar retenção ou perda excessiva de líquidos.

Observar edema e ganho de peso

Acompanhar edema periférico, aumento rápido de peso e outros sinais de retenção hídrica.

Administrar vitaminas e eletrólitos conforme prescrição

A reposição de fósforo, potássio, magnésio e tiamina deve seguir prescrição e protocolo institucional. A equipe de enfermagem deve conferir dose, via, diluição, velocidade de administração e compatibilidade quando aplicável.

Comunicar alterações precocemente

Esse é um dos cuidados mais importantes. A enfermagem deve comunicar alterações como:

  • queda importante de fósforo;
  • hipocalemia;
  • hipomagnesemia;
  • alteração do ritmo cardíaco;
  • dispneia;
  • edema progressivo;
  • alteração neurológica;
  • convulsões;
  • fraqueza intensa;
  • alteração significativa da glicemia;
  • alteração hemodinâmica.

A comunicação precoce pode evitar que uma alteração metabólica evolua para uma complicação grave.

O que fazer se houver suspeita de Síndrome de Realimentação?

A suspeita deve ser comunicada imediatamente à equipe responsável. A conduta não deve ser tomada de forma isolada pelo profissional de enfermagem. Dependendo da gravidade, a equipe médica e nutricional pode precisar:

  • interromper ou reduzir temporariamente a oferta calórica;
  • corrigir eletrólitos;
  • administrar tiamina;
  • ajustar a velocidade da terapia nutricional;
  • controlar glicemia;
  • avaliar estado cardiovascular;
  • intensificar monitorização;
  • investigar disfunções orgânicas.

O consenso da ASPEN propõe classificação da gravidade com base na redução de fósforo, potássio e/ou magnésio e na presença de disfunção orgânica associada. Portanto, uma queda laboratorial significativa após o início da alimentação não deve ser ignorada.

Síndrome de Realimentação não é apenas “fósforo baixo”

Esse é outro ponto que costuma gerar confusão. A hipofosfatemia é extremamente importante e frequentemente destacada, mas a Síndrome de Realimentação envolve um conjunto de alterações metabólicas. Podem ocorrer alterações de:

fósforo + potássio + magnésio + tiamina + glicose + líquidos.

Além disso, o paciente pode desenvolver manifestações cardiovasculares, respiratórias, neurológicas e musculares. Por isso, pensar somente:

“Síndrome de Realimentação = fósforo baixo” é uma simplificação excessiva. O correto é compreender a síndrome como uma resposta metabólica complexa à reintrodução de nutrientes em um organismo vulnerável.

Um exemplo prático para o estudante de enfermagem

Imagine um paciente internado que passou aproximadamente uma semana praticamente sem conseguir se alimentar. Ele perdeu peso, apresenta fraqueza e está com aspecto desnutrido. A equipe decide iniciar terapia nutricional.

Antes da dieta, o paciente apresenta exames laboratoriais que mostram alterações limítrofes de fósforo, potássio e magnésio. Nesse cenário, simplesmente iniciar a dieta na velocidade habitual pode não ser a melhor conduta.

O paciente precisa ser reconhecido como alguém potencialmente vulnerável à Síndrome de Realimentação. A equipe deverá avaliar o risco, definir uma estratégia nutricional progressiva, considerar suplementação de micronutrientes conforme indicação, acompanhar os eletrólitos e observar atentamente a evolução clínica.

Agora imagine que, dois dias depois, o paciente desenvolva:

  • fraqueza acentuada;
  • edema;
  • taquicardia;
  • piora respiratória;
  • queda importante do fósforo.

Esse conjunto de informações deve acender um alerta. Não é simplesmente “o paciente ficou mais fraco”. É necessário pensar:

O que mudou depois que a alimentação foi iniciada?

Esse raciocínio clínico é extremamente importante na enfermagem.

Um detalhe que pode passar despercebido: o paciente pode estar aparentemente melhor

Outro aspecto interessante é que o paciente pode demonstrar melhora da fome ou disposição para comer. Isso pode dar a falsa impressão de que “quanto mais alimentação, melhor”. Mas, em pacientes de alto risco, a velocidade da introdução dos nutrientes precisa ser cuidadosamente planejada.

A recuperação nutricional não deve ser confundida com alimentação rápida. Nutrir é tratar, mas nutrir com segurança também faz parte do tratamento.

Síndrome de Realimentação em pacientes de UTI

Na terapia intensiva, o assunto ganha ainda mais importância. O paciente crítico frequentemente apresenta uma combinação de fatores:

  • inflamação sistêmica;
  • hipermetabolismo;
  • catabolismo;
  • perda de massa muscular;
  • jejum;
  • procedimentos;
  • instabilidade hemodinâmica;
  • alterações renais;
  • alterações gastrointestinais;
  • uso de múltiplos medicamentos.

Além disso, alguns pacientes já chegam à UTI desnutridos. Por isso, a terapia nutricional precisa ser individualizada. A ESPEN recomenda atenção especial à terapia nutricional no paciente crítico e destaca a importância de evitar excesso de nutrientes na fase inicial da doença crítica.

Na prática, isso significa que iniciar dieta não é simplesmente conectar uma bolsa à sonda e programar uma bomba de infusão. Existe todo um processo de avaliação e acompanhamento.

Qual é o papel do técnico de enfermagem?

! Atenção na Prova Dentro das atribuições definidas pela legislação profissional, protocolos institucionais e supervisão do enfermeiro, o técnico de enfermagem participa diretamente da segurança da terapia nutricional.

Entre as atividades assistenciais estão:

  • conferir a prescrição;
  • observar a dieta prescrita;
  • administrar a terapia nutricional conforme orientação e protocolo;
  • controlar velocidade e volume quando em bomba de infusão;
  • realizar registros;
  • monitorar sinais e sintomas;
  • acompanhar balanço hídrico;
  • observar alterações clínicas;
  • comunicar intercorrências;
  • colaborar com a equipe multiprofissional.

Um dos grandes diferenciais da enfermagem é justamente a vigilância contínua. O laboratório pode mostrar que o fósforo caiu. Mas é a observação clínica que pode revelar que o paciente também está ficando mais fraco, edemaciado, dispneico ou apresentando alteração do ritmo cardíaco.

Essas informações precisam ser conectadas.

O papel do enfermeiro

! Atenção na Prova O enfermeiro possui papel fundamental na avaliação do paciente, planejamento da assistência, supervisão da equipe, identificação de riscos, acompanhamento da terapia nutricional e comunicação com a equipe multiprofissional, respeitando as competências profissionais e os protocolos institucionais.

A Síndrome de Realimentação é um excelente exemplo de situação em que o cuidado não pode ser fragmentado. Enfermagem, nutrição, medicina, farmácia e demais profissionais envolvidos precisam compartilhar informações. Uma alteração laboratorial comunicada rapidamente pode modificar a conduta nutricional antes que o paciente desenvolva uma complicação grave.

Erros que devem ser evitados

Um dos principais erros é pensar:

“O paciente está desnutrido, então precisa receber muita comida imediatamente.”

Não necessariamente. Outro erro é:

“Se o potássio está normal, não existe risco.”

Também não. O risco precisa ser avaliado de maneira global.

Outro equívoco:

“Só acontece com nutrição parenteral.”

Não. Pode ocorrer com alimentação oral, enteral ou parenteral. Também é perigoso pensar:

“Se o paciente comeu ontem, não há risco.”

O risco depende do contexto, do tempo e da intensidade da baixa ingestão, do estado nutricional e de outros fatores. E talvez o erro mais importante:

“É só um problema da nutrição.”

Não. A prevenção e o reconhecimento precoce dependem de toda a equipe.

Síndrome de Realimentação: o que mais cai em provas de enfermagem?

Para quem está estudando para provas, concursos e avaliações acadêmicas, alguns pontos merecem atenção especial. A associação mais importante é:

Realimentação → aumento da insulina → entrada de nutrientes para dentro das células → queda de fósforo, potássio e magnésio.

O fósforo é particularmente importante devido à sua participação no metabolismo energético e na produção de ATP. Outro ponto frequente é o risco em pacientes que passaram por período prolongado de baixa ingestão alimentar, principalmente quando associado a perda de peso e desnutrição.

Também é importante lembrar da tiamina, principalmente em pacientes com risco de deficiência. E, finalmente:  a prevenção é melhor do que esperar a complicação aparecer.

Síndrome de Realimentação em uma frase

Se fosse necessário resumir todo este artigo em uma única frase para um estudante de enfermagem, seria:

Cai em Concurso A Síndrome de Realimentação é uma complicação metabólica potencialmente grave que pode ocorrer quando nutrientes são reintroduzidos rapidamente em um paciente previamente desnutrido ou submetido a baixa ingestão prolongada, levando principalmente à redução de fósforo, potássio e magnésio e podendo causar alterações cardíacas, respiratórias, neurológicas e musculares.”

A Síndrome de Realimentação é um daqueles temas que parecem complexos quando apresentados apenas pelos seus mecanismos bioquímicos, mas que fazem muito sentido quando observamos o paciente como um todo. O ponto central não é ter medo de alimentar um paciente desnutrido.

É alimentá-lo de maneira segura.

O paciente que passou dias sem comer precisa ser visto como um organismo que passou por uma importante adaptação metabólica. A reintrodução dos nutrientes modifica rapidamente esse metabolismo e pode provocar deslocamentos de eletrólitos e aumento da demanda por vitaminas, especialmente tiamina.

Por isso, antes de iniciar ou aumentar uma terapia nutricional, é fundamental avaliar o risco. Depois que a alimentação começa, a vigilância continua. A enfermagem deve observar exames laboratoriais, sinais vitais, estado neurológico, força muscular, padrão respiratório, edema, balanço hídrico, peso e resposta geral à terapia nutricional.

Mais do que decorar que “Síndrome de Realimentação causa hipofosfatemia”, o estudante precisa aprender a reconhecer o paciente que está em risco. Esse é o verdadeiro raciocínio clínico.

Na assistência hospitalar, muitas complicações não começam com um grande evento. Às vezes, começam com uma pequena alteração laboratorial, uma fraqueza diferente do habitual, um edema que apareceu rapidamente ou uma mudança no padrão respiratório.

Reconhecer cedo é uma das formas mais importantes de cuidar com segurança.

Resumo para salvar

Síndrome de Realimentação: 4 pontos que a enfermagem precisa lembrar

  • A realimentação rápida após jejum ou desnutrição pode provocar alterações metabólicas graves
  • Fósforo, potássio e magnésio são eletrólitos fundamentais para o reconhecimento e acompanhamento do risco
  • A tiamina merece atenção especial antes e durante a realimentação de pacientes de alto risco
  • A enfermagem tem papel essencial na identificação do risco, monitorização clínica e laboratorial e comunicação precoce de alterações

Referências:

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  3. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Recommendations: Nutrition support for adults. London: NICE. Disponível em: NICE – Recommendations
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  8.  SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL (SES-DF). Protocolo de Assistência Nutricional de Adultos em Terapia Intensiva. Brasília: SES-DF, 2023. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/documents/d/saude/protocolo-de-assistencia-nutricional-de-adultos-em-terapia-intensiva-pdf

Dietas Hospitalares: Entendendo Cada Tipo e Seu Papel na Recuperação do Paciente

A alimentação é uma parte fundamental do tratamento de qualquer paciente. No ambiente hospitalar, a dieta não é apenas uma forma de nutrição, mas uma ferramenta terapêutica poderosa, que pode auxiliar na recuperação, no controle de doenças e na preparação para procedimentos.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, entender os diferentes tipos de dietas é crucial. É na nossa rotina que checamos a bandeja, servimos as refeições e orientamos o paciente sobre a importância de se alimentar corretamente.

As dietas hospitalares são classificadas para atender às necessidades específicas de cada paciente, considerando seu estado de saúde e suas restrições.

Vamos desvendar os principais tipos e entender o papel de cada um no processo de cura?

O Básico das Dietas Hospitalares

Antes de aprofundarmos nos tipos, é importante saber que a classificação das dietas hospitalares é uma padronização para facilitar a comunicação entre a equipe de saúde. Elas levam em conta a consistência dos alimentos, a quantidade de fibras, gorduras e outros nutrientes, e são prescritas pelo médico e elaboradas pelo nutricionista.

Dieta Hídrica: A Primeira Etapa da Alimentação

A dieta hídrica é a mais restrita de todas. Ela é composta apenas por líquidos transparentes, sem resíduos.

  • O que inclui: Água, água de coco, chás claros (sem leite), gelatina sem corante, sucos de frutas coados e caldos coados.
  • Para que serve: É usada para manter a hidratação e fornecer eletrólitos, mas com o mínimo de esforço digestivo.
  • Indicações Comuns:
    • Período de curto prazo após grandes cirurgias (especialmente no trato gastrointestinal).
    • Preparação para exames de imagem (como colonoscopia).
    • Em pacientes com quadros de diarreia ou vômitos agudos.
  • Cuidados de Enfermagem: Monitorar a tolerância do paciente, a quantidade de líquidos ingeridos, os sinais de desidratação e o balanço hídrico.

Dieta Líquida: Um Passo Adiante

A dieta líquida é uma evolução da dieta hídrica, permitindo uma gama maior de líquidos, mas ainda com pouca fibra e resíduos.

  • O que inclui: Tudo da dieta hídrica, mais sucos de frutas integrais (não coados), vitaminas de frutas (sem leite), sopas cremosas (passadas no liquidificador), caldos de carne e vegetais, sorvetes e pudins.
  • Para que serve: Aumentar a ingestão calórica e proteica em comparação com a dieta hídrica, enquanto mantém a digestão facilitada.
  • Indicações Comuns:
    • Pós-operatório de cirurgias mais simples.
    • Pacientes com dificuldade de mastigação ou deglutição.
    • Transição entre a dieta hídrica e a pastosa.
  • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a deglutição, a aceitação da dieta e a presença de náuseas ou vômitos após as refeições.

Dieta Pastosa: A Consistência que Ajuda

A dieta pastosa já inclui alimentos sólidos, mas com uma consistência modificada para facilitar a mastigação e a deglutição.

  • O que inclui: Sopas cremosas com pedaços macios, purês (de batata, abóbora), papas de legumes, frutas amassadas, carnes moídas ou desfiadas, ovos mexidos.
  • Para que serve: Fornecer uma nutrição mais completa para pacientes com dificuldades orais, gástricas ou esofágicas.
  • Indicações Comuns:
    • Pacientes com problemas neurológicos que afetam a deglutição (disfagia).
    • Pós-operatório de cirurgias na boca, esôfago ou estômago.
    • Idosos com dificuldades de mastigação.
  • Cuidados de Enfermagem: Certificar-se de que a consistência está correta, observar sinais de engasgo, estimular o paciente a comer devagar e com tranquilidade.

Dieta Branda: A Transição para a Normalidade

A dieta branda é um intermediário entre a pastosa e a dieta livre. Os alimentos são sólidos, mas preparados de forma a serem de fácil digestão.

  • O que inclui: Carnes cozidas e macias, arroz, macarrão, legumes cozidos (sem casca), pães, biscoitos simples. Evita-se frituras, condimentos fortes, alimentos ricos em gordura e fibras duras.
  • Para que serve: Oferecer uma dieta completa e equilibrada para pacientes em recuperação, sem sobrecarregar o sistema digestivo.
  • Indicações Comuns:
    • Pós-operatório de cirurgias abdominais mais complexas.
    • Pacientes com úlceras gástricas, gastrites ou outras inflamações do trato gastrointestinal.
  • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a tolerância do paciente a novos alimentos e a presença de desconforto abdominal. Orientar sobre a importância de mastigar bem os alimentos.

Dieta Leve: Pouca Gordura e Fibra

A dieta leve é muito similar à dieta branda, mas com um foco maior na redução de gorduras e no controle das fibras, buscando uma digestão ainda mais fácil.

  • O que inclui: Alimentos cozidos, grelhados ou assados. Carnes magras, legumes sem casca e sementes. Evita-se alimentos crus, frituras e temperos fortes.
  • Para que serve: Manter a nutrição completa, evitando sintomas gastrointestinais como gases, inchaço e desconforto.
  • Indicações Comuns:
    • Pacientes em fase final de recuperação de cirurgias ou doenças gastrointestinais.
    • Condições como a síndrome do intestino irritável.
  • Cuidados de Enfermagem: Acompanhar a aceitação do paciente e sua evolução. Incentivar o paciente a relatar qualquer desconforto.

Dieta Livre (ou Normal): De Volta ao Cotidiano

A dieta livre é, como o nome sugere, a dieta normal do paciente. Ela não possui restrições de consistência, preparo ou tipo de alimento, a menos que haja alguma necessidade terapêutica específica.

  • Para que serve: Nutrir o paciente de forma completa e satisfatória, preparando-o para o retorno à vida normal.
  • Indicações Comuns: Pacientes que não possuem restrições nutricionais e estão em condições estáveis de saúde.
  • Cuidados de Enfermagem: Continuar a monitorar a aceitação da dieta, mas o foco passa a ser a educação nutricional para a alta hospitalar.

Outros Tipos de Dietas Comuns

Além das dietas de consistência, existem outras classificações importantes:

  • Dieta Hipossódica: Restrita em sal e sódio, indicada para pacientes com hipertensão arterial, doenças renais ou retenção de líquidos.
  • Dieta para Diabetes (Controle de Carboidratos): Controla a quantidade e o tipo de carboidratos, essencial para pacientes com diabetes mellitus.
  • Dieta Hiperproteica/Hipercalórica: Indicada para pacientes com desnutrição, queimaduras, ou em recuperação de grandes cirurgias, para promover a cicatrização e o ganho de massa muscular.
  • Dieta Parenteral: A nutrição é administrada diretamente na veia, sem passar pelo trato gastrointestinal. Usada em pacientes que não conseguem se alimentar por via oral ou enteral.
  • Dieta Enteral: Nutrição administrada por meio de sondas (nasogástrica, nasoenteral, gastrostomia), quando o paciente não consegue se alimentar pela boca, mas seu intestino funciona.

Cuidados de Enfermagem

Nosso papel na enfermagem vai muito além de apenas “entregar a bandeja”. Somos a ponte entre a dieta prescrita e a necessidade do paciente:

  1. Verificação da Prescrição: Conferir se a dieta entregue corresponde à prescrição médica.
  2. Preparação do Paciente e do Ambiente: Posicionar o paciente de forma confortável, lavar suas mãos, e garantir que o ambiente seja tranquilo para a refeição.
  3. Avaliação da Aceitação: Observar se o paciente está conseguindo se alimentar, se ele tolera a dieta, e se há recusa alimentar.
  4. Apoio e Estímulo: Incentivar o paciente a comer, oferecer ajuda, se necessário, e orientar sobre a importância da alimentação no tratamento.
  5. Monitoramento: Registrar o volume e o tipo de alimentos ingeridos, o balanço hídrico, a ocorrência de náuseas, vômitos ou distensão abdominal.
  6. Comunicação: Relatar qualquer intercorrência à equipe médica e ao nutricionista para que a dieta possa ser ajustada.

Com nosso conhecimento e atenção, a dieta hospitalar se torna um elemento de cuidado completo, garantindo que o paciente receba o suporte nutricional necessário para sua plena recuperação.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Manual de Terapia Nutricional. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_terapia_nutricional.pdf.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (BRASPEN). Diretrizes Braspen de Terapia Nutricional. Disponível em: http://braspen.com.br/diretrizes/.
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre nutrição e cuidados de enfermagem).
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de dietas hospitalares. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_dietas_hospitalares.pdf.
  5. PHILIPPI, S. T. Nutrição e técnica dietética. 4. ed. Barueri: Manole, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520458726
  6. CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. 3. ed. Barueri: Manole, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520458634

O que é um Abreviador de Jejum?

Abreviadores de jejum são suplementos nutricionais especialmente formulados para serem consumidos durante o período de jejum pré-operatório. Eles visam minimizar os efeitos adversos do jejum prolongado, como a sensação de fome e sede, e auxiliar na recuperação pós-operatória.

Como funcionam?

A maioria dos abreviadores de jejum é composta por líquidos claros contendo carboidratos, que são rapidamente absorvidos pelo organismo, fornecendo energia e evitando a perda de massa muscular. Essa suplementação nutricional ajuda a manter os níveis de glicose no sangue estáveis, reduzindo o estresse metabólico do paciente.

Benefícios da abreviação do jejum:

  • Menor desconforto: Reduz a sensação de fome e sede, proporcionando maior conforto ao paciente.
  • Melhor recuperação: Auxilia na recuperação pós-operatória, diminuindo o tempo de internação e as complicações.
  • Menor risco de desnutrição: Evita a perda de massa muscular e preserva o estado nutricional do paciente.
  • Menor estresse metabólico: Mantém os níveis de glicose sanguínea estáveis, reduzindo o estresse do organismo.

Quando é indicado?

A abreviação do jejum é indicada para pacientes adultos que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos, exames de imagem com acompanhamento de anestesista e exames de endoscopia e colonoscopia.

Quais os tipos de abreviadores de jejum?

Existem diversos tipos de abreviadores de jejum disponíveis no mercado, com diferentes formulações e sabores. A escolha do produto ideal deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde.

Quais as precauções?

  • Orientação médica: É fundamental consultar um médico ou nutricionista antes de iniciar qualquer tipo de suplementação.
  • Respeitar as indicações: Seguir rigorosamente as orientações do profissional de saúde quanto à quantidade e frequência de uso do produto.
  • Verificar a composição: Ler atentamente a composição do produto e verificar se há alguma substância à qual o paciente seja alérgico.

A abreviação do jejum é uma prática cada vez mais comum nos centros cirúrgicos, pois proporciona diversos benefícios para os pacientes. Ao reduzir o desconforto e melhorar a recuperação, essa prática contribui para uma experiência mais positiva e segura para o paciente.

Referências:

  1. AcCamargo
  2. Fresenius-Kabi

Consistência de líquidos para pacientes Disfágicos

A consistência dos líquidos é um aspecto crucial no manejo de pacientes com disfagia, uma condição que dificulta a deglutição. Essa condição pode afetar a segurança alimentar e nutricional dos pacientes, tornando essencial compreender as diferentes consistências e suas implicações.

Os Tipos de Consistência para Pacientes Disfágicos

Néctar:

    • Descrição: A consistência de néctar é utilizada principalmente para disfagias leves.
    • Características: Os líquidos espessados na consistência de néctar são mais fluidos do que o mel ou o pudim.
    • Indicação: Recomendado para pacientes com dificuldades leves de deglutição.

Mel:

    • Descrição: A consistência de mel é mais espessa do que a de néctar.
    • Características: Os líquidos espessados na consistência de mel têm uma viscosidade intermediária.
    • Indicação: Indicado para pacientes com disfagia moderada.

Pudim:

    • Descrição: A consistência de pudim é a mais espessa entre as três.
    • Características: Os líquidos espessados nessa consistência são densos e lentos para fluir.
    • Indicação: Recomendado para pacientes com disfagia grave.

A Importância da Padronização das Consistências

  • Segurança do Paciente: Fornecer a consistência correta é fundamental para evitar riscos de engasgos ou aspiração.
  • Confusão Terminológica: Múltiplos rótulos e definições podem causar confusão entre profissionais de saúde e cuidadores.
  • Desfechos de Tratamento: Uma terminologia clara permite melhores condições de tratamento e resultados positivos.

Em resumo, a padronização das consistências dos líquidos é essencial para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes com disfagia. É importante que os profissionais de saúde e cuidadores estejam cientes dessas diferenças e sigam as orientações adequadas para cada paciente.

Referências:

  1. Disfagia.org
  2. Nutriçãoclínica
  3. Enutri

Sifonagem VS Gavagem: As diferenças

Gavagem e sifonagem são duas técnicas utilizadas na enfermagem para administrar alimentos ou medicamentos por meio de sonda enteral, ou para drenar líquidos e substâncias, por meio de uma sonda nasogástrica.

Entenda as diferenças

A gavagem é um método de alimentação forçada, em que o sistema é fechado e a dieta é realizada por ação da gravidade lentamente.

A sifonagem é um método de drenagem, em que o sistema é aberto e o líquido é aspirado com uma seringa ou um frasco de vácuo.

Indicações

A gavagem é indicada para pacientes inconscientes ou impossibilitados de deglutir, que necessitam de suporte nutricional adequado.

A sifonagem é indicada para pacientes com distensão abdominal, vômitos, hemorragia digestiva ou obstrução intestinal, que necessitam de alívio dos sintomas e prevenção de complicações.

Cuidados

Para realizar a gavagem ou a sifonagem, é necessário verificar se a sonda está no local correto, medindo o comprimento da parte externa, injetando ar na sonda e auscultando com estetoscópio, verificando o fluxo de suco gástrico ou por meio de avaliação e liberação por exame de Raio X.

Referências:

  1. https://www.vivendobauru.com.br/qual-a-diferenca-de-gavagem-e-sifonagem/
  2. https://www.youtube.com/watch?v=svyRDCJ7Czo

Dieta Enteral: Sistema Aberto e Fechado

A dieta enteral é uma forma de nutrição que utiliza uma sonda para fornecer os nutrientes necessários ao organismo.

Existem dois tipos de sistemas para a administração da dieta enteral: o sistema aberto e o sistema fechado.

As diferenças

O sistema aberto requer uma manipulação prévia da dieta, que pode ser em pó ou líquida, e é acondicionada em frascos que devem ser trocados a cada 24 horas.

O sistema fechado utiliza dietas líquidas, estéreis e industrializadas, que são armazenadas em bolsas ou recipientes herméticos que se conectam diretamente ao equipo de infusão.

O sistema fechado tem menor risco de contaminação, mas requer o uso de uma bomba de infusão para controlar a vazão da dieta.

Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens, e devem ser escolhidos de acordo com as necessidades e condições do paciente.

Referência:

  1. Silva, S. M. R., Assis, M. C. S. de ., Silveira, C. R. de M., Beghetto, M. G., & Mello, E. D. de .. (2012). Sistema aberto ou fechado de nutrição enteral para adultos críticos: há diferença?. Revista Da Associação Médica Brasileira, 58(2), 229–233. https://doi.org/10.1590/S0104-42302012000200020

Desidratação Infantil

A chegada das altas temperaturas e do período de férias escolares são um prato cheio para as intoxicações alimentares. Diferente do que se imagina, esse é um dos principais causadores da desidratação infantil nesta época e não as infecções por rotavírus, que costumam ter maior incidência no inverno.

A desidratação nas crianças normalmente acontece devido a episódios de diarreia, vômitos ou por excesso de calor e febre, além de também poder estar relacionada com infecções virais ou bacterianas.

Os bebês e as crianças podem ficar desidratados muito mais facilmente que os adolescentes e adultos, já que perdem mais rapidamente os fluidos corporais.

Por isso, em caso de sinais e sintomas indicativos de desidratação, é recomendado que a criança seja levada para o pediatra ou clínico geral para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Principais sintomas

Os principais sintomas de desidratação nas crianças, são:

  1. Afundamento da moleira do bebê;
  2. Olhos fundos;
  3. Diminuição da frequência urinária;
  4. Pele, boca ou língua seca;
  5. Lábios rachados;
  6. Choro sem lágrimas;
  7. Fraldas secas há mais de 6 horas ou com urina amarela e com cheiro forte;
  8. Criança com muita sede;
  9. Comportamento fora do habitual, irritabilidade ou apatia;
  10. Sonolência, cansaço excessivo ou alteração dos níveis de consciência.

Caso alguns destes sinais de desidratação no bebê ou na criança estejam presentes, o pediatra pode solicitar a realização de exames de sangue e da urina para confirmar a desidratação.

Tratamento

A desidratação é tratada com a administração de líquidos contendo eletrólitos, como sódio e cloretos. Caso a desidratação seja leve, os líquidos costumam ser administrados por via oral. Soluções especiais para reidratação oral estão disponíveis, mas nem sempre são necessárias para crianças que tiveram apenas diarreia ou vômitos leves.

O tratamento da desidratação em crianças de qualquer idade que estão vomitando é mais eficaz se a criança receber primeiro pequenas quantidades frequentes de líquidos a cada dez minutos.

A quantidade de líquido pode ser lentamente aumentada e dada a intervalos menos frequentes caso a criança consiga reter os líquidos sem vomitar. Caso a diarreia seja o único sintoma, quantidades maiores de líquidos podem ser dadas com menor frequência.

Se as crianças têm ambos os vômitos e diarreia, elas recebem pequenas, quantidades frequentes de líquidos contendo eletrólitos. Se esse tratamento aumenta a diarreia, as crianças podem precisar ser hospitalizadas para líquidos administrados pela veia (por via intravenosa).

Bebês e crianças que não conseguem tomar nenhum líquido ou que apresentem apatia e outros sinais sérios de desidratação podem precisar receber tratamento mais intensivo com líquidos e eletrólitos administrados por via intravenosa ou soluções de eletrólitos administradas através de um tubo de plástico fino (tubo nasogástrico) que é inserido através do nariz, passando pela garganta até o estômago ou intestino delgado.

Bebês

 

A desidratação em bebês é tratada ao incentivar o bebê a consumir líquidos que contenham eletrólitos.

O leite materno contém todos os líquidos e eletrólitos de que um bebê precisa e é o melhor tratamento quando possível. Caso um bebê não esteja sendo amamentado, soluções de reidratação orais (SRO) devem ser administradas. A SRO contém quantidade especificas de açúcares e eletrólitos.

As SRO podem ser compradas em pó que é misturado com água ou em forma líquida pré-preparada em farmácias ou supermercados sem receita médica.

A quantidade de SRO que deve ser administrada à criança em um período de 24 horas depende do peso da criança, mas deve ser, em geral, aproximadamente 100 a 165 mililitros de SRO para cada quilo de peso corporal.

 

Crianças mais velhas

 

A criança com mais de um ano de idade pode tentar tomar pequenos goles de sopas ralas, refrigerantes transparentes, gelatina ou sucos diluídos com água em metade da concentração normal, ou picolés.

Água pura, suco sem diluir ou bebidas esportivas não são a melhor opção para tratar a desidratação em nenhuma idade porque o teor de sal da água é muito baixo e porque sucos têm elevado teor de açúcar e ingredientes que casam irritação no trato digestivo.

A SRO representa uma alternativa, sobretudo se a desidratação for moderada. Se a criança conseguir tolerar o consumo de líquidos por 12 a 24 horas, ela pode voltar à dieta normal.

Principais sintomas

Os principais sintomas de desidratação nas crianças, são:

  1. Afundamento da moleira do bebê;
  2. Olhos fundos;
  3. Diminuição da frequência urinária;
  4. Pele, boca ou língua seca;
  5. Lábios rachados;
  6. Choro sem lágrimas;
  7. Fraldas secas há mais de 6 horas ou com urina amarela e com cheiro forte;
  8. Criança com muita sede;
  9. Comportamento fora do habitual, irritabilidade ou apatia;
  10. Sonolência, cansaço excessivo ou alteração dos níveis de consciência.

Caso alguns destes sinais de desidratação no bebê ou na criança estejam presentes, o pediatra pode solicitar a realização de exames de sangue e da urina para confirmar a desidratação.

Como é feito o tratamento

O tratamento da desidratação em crianças pode ser feito em casa, sendo recomendado que a hidratação tenha início com leite materno, água, água de coco, sopa, alimentos ricos em água ou sucos para evitar que a situação se agrave. Além disso, podem ser utilizados Sais para Reidratação Oral (SRO), que podem ser encontrados em farmácias, por exemplo, e que deve ser tomado pelo bebê ao longo do dia.

Caso a desidratação seja causada por vômitos ou diarreia, o médico também pode indicar a ingestão de algum medicamento antiemético, antidiarreicos e probióticos, caso haja necessidade. Em casos mais graves, o pediatra pode solicitar o internamento da criança para que seja administrado soro diretamente na veia.

Quantidade de Sais de Reidratação Oral necessários

A quantidade de Sais de Reidratação Oral necessários para a criança varia de acordo com a gravidade da desidratação, sendo indicado:

  • Desidratação leve: 40-50 mL/kg de sais;
  • Desidratação moderada: 60-90 mL/kg a cada 4 horas;
  • Desidratação grave: 100-110 mL/kg diretamente na veia.

Independente da gravidade da desidratação é recomendada que a alimentação seja iniciada o mais breve possível.

O que fazer para reidratar a criança

Para aliviar os sintomas de desidratação no bebê e na criança e, assim, promover a sensação de bem-estar, é recomendado seguir as dicas a seguir:

  • Quando há diarreia, é recomendado dar o Soro de Reidratação Oral de acordo com a recomendação do médico. Caso a criança tenha diarreia mas não encontre-se desidratada, para evitar que isso ocorra é recomendado que seja oferecido às crianças com menos de 2 anos 1/4 a 1/2 xícara de soro, enquanto que para crianças com mais de 2 anos é indicada 1 xícara de soro por cada evacuação.
  • Quando houver vômitos, a reidratação deve ser iniciada com 1 colher de chá (5 mL) de soro a cada 10 minutos, em caso de bebês, e nas crianças maiores, 5 a 10 mL a cada 2 a 5 minutos. A cada 15 minutos deve-se aumentar um pouco a quantidade de soro oferecida para que a criança consiga ficar hidratada.
  • É recomendado oferecer ao bebê e à criança água, água de coco, leite materno ou fórmula infantil para satisfazer a sede.

A alimentação deve iniciar 4 horas depois da reidratação oral, sendo recomendados alimentos de fácil digestão com o objetivo melhorar o trânsito intestinal.

No caso dos bebês que consomem fórmulas infantis, é recomendado que seja dado meia diluição durante as duas primeiras doses e, de preferência, em conjunto com o soro de reidratação oral.

Quando levar a criança ao pediatra

A criança deve ser levada ao pediatra ou ao pronto-socorro na presença dos seguintes sinais e sintomas:

  • Cansaço excessivo, com dificuldade para acordar;
  • Dor abdominal intensa;
  • Vômito por mais de 24 horas;
  • Fata de urina por mais de 6 horas;
  • Fezes com sangue;
  • Febre alta.

Esses sintomas podem ser indicativos de desidratação grave, podendo ser indicado pelo médico que a criança permaneça no hospital para que seja feita a administração de soro diretamente na veia, além de medicamentosa antiemeticos e antidiarreicos, caso seja necessário.

Referências:

  1. ÁLVAREZ María Luisa et al. Nutrición en pediatría . 2ª. Caracas, Venezuela: Cania, 2009. 677-735.
  2. MAHAN, L. Kathleen et al. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13.ed. São Paulo: Elsevier Editora, 2013. 613-617.

Calorias Cheias x Calorias Vazias: As diferenças

O termo “caloria” refere-se a uma medida de energia produzida a partir de determinados nutrientes.

Ou seja, quando os alimentos são digeridos e seus nutrientes são absorvidos, eles alcançam as células. Só então a energia presente nos alimentos é utilizada pelo corpo, permitindo a realização de todas as nossas funções vitais como respiração, batimentos cardíacos, movimentos, funcionamento do cérebro e demais atividades.

Principais Nutrientes

Os principais nutrientes que fornecem essas calorias são: carboidratos, proteínas e gorduras.

Os carboidratos e as proteínas, após passarem por todas as etapas de digestão e absorção, fornecem quatro calorias (ou kcal, como se vê nas embalagens dos alimentos) por grama, enquanto as gorduras nove calorias.

Outros nutrientes, apesar de não forneceram energia, como as fibras, vitaminas e minerais, apresentam diversas funções e são fundamentais para o bom funcionamento do organismo e manutenção da saúde.

A Classificação

A partir dos tipos de nutrientes e da quantidade de calorias que um alimento é capaz de fornecer, é possível classificá-lo quanto a sua densidade nutricional.

Alimentos com alta densidade nutricional, possuem as chamadas “calorias cheias”, já que são aqueles que fornecem nutrientes essenciais como vitaminas, minerais, fibras, gorduras “boas” e proteínas, por exemplo.

Isto faz com que seu valor energético não venha sozinho, mas acompanhado de uma série de substâncias benéficas.

Por outro lado, alimentos com baixa densidade nutricional, aqueles que apresentam as chamadas “calorias vazias”, são os que não possuem uma boa quantidade e/ou variedade de outros nutrientes e compostos benéficos, fornecendo, por exemplo, apenas gorduras e açúcares, os quais são importantes fontes de energia, mas que muitas vezes podem estar em excesso.

É como se esses alimentos nos oferecessem apenas calorias, e muito poucos, ou até mesmo nenhum, nutrientes essenciais associados. É justamente daí que vem o termo “caloria vazia”.

Exemplos

Alguns exemplos de alimentos com calorias “cheias” são as frutas, verduras e legumes, sementes, grãos e castanhas, pães e cereais integrais, leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, soja), lácteos com baixo teor de gordura, dentre outros.

Estes devem ser consumidos em maior quantidade dentro de um padrão alimentar adequado e saudável, já que podem ser considerados um “pacote” completo de energia, nutrientes e compostos essenciais ao organismo.

Por outro lado, alguns exemplos de alimentos com calorias “vazias” são as bebidas açucaradas, doces (balas, chicletes, pirulitos, etc.) e bebidas alcoólicas. Estes alimentos devem ser ingeridos com moderação, uma vez que estudos mostram que seu consumo excessivo pode favorecer o desenvolvimento de algumas doenças crônicas como obesidade, diabetes, câncer e pressão alta.

Referências:

  1. Mota JFM, Rinaldi AFM, Pereira AF et al. Adaptation of the healthy eating index to the food guide of the Brazilian population. Rev. Nutr. vol.21 no.5 Campinas Sept./Oct. 2008.
  2. Franz, MJ; Bantle, JP; Beebe, CA; et al. Evidence-based nutrition principles and recommendations for the treatment and prevention of diabetes and related complications. Diabetes Care, 2003; 26 (Suppl1).
  3. 2015/2016 – Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes
  4. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução n.18, de 30 de abril de 1999. Diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/388845/RESOLUCAO_18_1999.pdf/d2c5f6d0-f87f–4bb6-a65f-8e63d3dedc61. 
  5. Ana Cristina Braccini de Aguiar,Helena Simões Dutra de Oliveir,a Siciane Mello Grassiolli. Manual de contagem de carboidratos ICD. 2011
  6. Rodrigo Nunes Lamounier, Débora Bohnen Guimarães. Manual de contagem de carboidratos CDBH . 2014
  7. American Diabetes Association Standards of Medical Care in Diabetes – 2016 – Diabetes Care Volume 39, Supplement 1, January 2016
  8. Manual de Contagem de Carboidratos – Sociedade Brasilieira de Diabetes – 2016.

Nil Per Os (NPO)

Nil per osNihil per os (NPO), é uma instrução médica para não alimentar o paciente com comidas nem bebidas. Pode ser traduzido como “Nada (nil/nihil) pela via oral (per os)”.

Indicações da NPO

  • Prevenção de aspiração de partículas e líquidos para dentro do pulmão em pacientes que serão submetidos a uma anestesia geral;
  • Em pacientes com musculatura de deglutição enfraquecida;
  • Sangramento gastrointestinal;
  • Bloqueio gastrointestinal;
  • Provável refluxo gastroesofágico.

Quando os pacientes são colocados sob ordem de NPO antes de uma cirurgia por anestesia geral, os médicos geralmente adicionam a exceção de que os pacientes são permitidos a tomar uma quantidade pequena de água junto com sua medicação usual.

Essa é a única exceção para um estado NPO pré-cirúrgico de um paciente. Desta maneira, se um paciente ingerir acidentalmente comida ou líquidos, a cirurgia geralmente é cancelada ou atrasada em por algumas horas.

Tempo de jejum

O número de horas de jejum é proporcional ao tempo de digestão do último alimento consumido:

  • Líquidos sem parte sólida (chá, sucos, água…): 2 horas
  • Lanche leve (pão, frutas, leite): 6 horas
  • Refeição típica de hospital (grãos, verduras e legumes…): 8 horas

Porém, a digestão depende da quantidade de fibras, da idade do paciente e de sua produção de enzimas, então certas carnes consumidas sem fibras podem durar dias para serem digeridas e causarem problemas em pacientes com patologias digestivas.

Referências:

  1. http://www.proz.com/kudoz/spanish_to_english/medical_general/2257865-dieta_absoluta.html
  2. http://medical-dictionary.thefreedictionary.com/NPO
  3. http://www.meac.ufc.br/arquivos/biblioteca_cientifica/File/PROTOCOLOS%20OBSTETRICIA/protocolojejum.pdf

Terapia Nutricional

A terapia nutricional é a reunião de métodos terapêuticos utilizados para manter ou recuperar o estado nutricional do paciente. Ela tem capacidade de agir em pessoas com trauma, infecções, doenças em geral ou que acabaram de passar por um procedimento cirúrgico.

Seu principal objetivo é melhorar a situação nutricional do indivíduo, cuidando e evitando sua nutrição precária. Ela mantém os níveis de proteína no plasma sanguíneo e alimenta o tecido corporal, de modo a impedir a deficiência dos macro e micronutrientes.

A nutrição pode ser aplicada tanto por via oral, por meio de suplementos nutricionais, ou por um tubo alimentar, método denominado como Nutrição Enteral ou, quando o paciente não consegue ingerir pelo trato digestivo, o suporte alimentar pode ser introduzido por meio de um cateter intravenoso, colocado diretamente nas veias, forma essa chamada de Nutrição Parenteral.

A seleção do tipo de terapia nutricional ideal para o paciente dependerá muito do seu estado de saúde e necessidades. Por exemplo, uma pessoa que está sofrendo quimioterapia ou hemodiálise tem necessidades diferentes daquela que acabara de passar por um procedimento cirúrgico.

A princípio, o profissional responsável pela prescrição da terapia nutricional deverá seguir criteriosamente alguns passos para, então, definir corretamente a melhor opção para o paciente. São eles:

  • triagem nutricional;
  • análise nutricional do indivíduo desnutrido ou em risco nutricional;
  • determinação da necessidade nutricional;
  • indicação da Terapia Nutricional a ser introduzida;
  • monitoramento e acompanhamento;
  • avaliação da eficácia do procedimento por meio de indicadores de qualidade da Terapia Nutricional.

Benefícios

Garantir a qualidade da Terapia Nutricional é muito importante para assegurar a eficácia do procedimento que está sendo aplicado e, assim, garantir a recuperação dos pacientes.

Ao estabelecer a Terapia Nutricional adequada, é possível conferir melhoras na pessoa que está recebendo o procedimento. Conheça alguns dos seus principais resultados.

  • melhora na taxa de glicemia;
  • aumento nas taxas de proteínas séricas;
  • impedimento da formação de edemas;
  • manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico do paciente, o que impede a sua desidratação;
  • recuperação das células sanguíneas;
  • aumento da imunidade;
  • facilitação do ganho de peso e massa muscular etc.

Todos esses benefícios são significativos para manter a saúde do paciente. A terapia nutricional é indicada principalmente para os casos de:

  • obesidade,
  • idoso frágil com disfagia,
  • pacientes com câncer;
  • pré e pós-operatório;
  • indivíduos com insuficiência renal;
  • pancreatite;
  • síndrome do intestino curto, entre outros.

Como visto, a terapia nutricional é indicada para pessoas que sofrem por diversas enfermidades. Com ela, o sucesso da recuperação desses pacientes é muito mais rápido. A sua aplicação deve ser contínua e ascendente. Dessa forma, a qualidade da terapia é garantida.

Equipe multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN)

A equipe multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) é composta por médico coordenador, nutricionistas, enfermeira, fonoaudiólogas, farmacêutico e estagiária de enfermagem. O grupo trabalha para assegurar condições adequadas aos procedimentos de terapia nutricional, visando à manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente.

O propósito da atuação da EMTN é auxiliar os profissionais responsáveis pela assistência aos pacientes internados, na avaliação e administração de terapia enteral e parenteral, bem com na reabilitação e nas orientações ao paciente com disfagia orofaríngea.

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