Rebaixamento do Nível de Consciência: O Que Avaliar?

rebaixamento de nvel de consciencia

Um paciente que ficou sonolento de repente pode estar apresentando uma alteração neurológica importante, mas também pode estar diante de uma causa simples e reversível. Por isso, o primeiro erro é olhar apenas para a pontuação da Escala de Coma de Glasgow e esquecer de avaliar o paciente como um todo.

Comece pelo que pode matar primeiro

Diante de um rebaixamento agudo do nível de consciência, a avaliação inicial deve priorizar via aérea, respiração e circulação. Observe se o paciente mantém a via aérea protegida, apresenta padrão respiratório adequado, alteração de saturação, instabilidade hemodinâmica ou sinais de má perfusão. A glicemia capilar também merece atenção imediata, porque a hipoglicemia pode provocar alteração importante da consciência e é uma causa potencialmente reversível.

Em uma situação típica de plantão, um paciente que estava conversando normalmente passa a responder apenas quando chamado com insistência. Antes de concluir que houve uma piora neurológica, a equipe verifica sinais vitais e glicemia e encontra uma alteração importante da glicose. Esse tipo de checagem rápida pode mudar completamente a conduta inicial.

Glasgow ajuda, mas não conta toda a história

A Escala de Coma de Glasgow avalia abertura ocular, resposta verbal e resposta motora, permitindo acompanhar alterações do nível de consciência de maneira padronizada. O mais importante é registrar a resposta de cada componente, e não apenas escrever “Glasgow 10”, porque a composição da pontuação ajuda a identificar mudanças ao longo do tempo.

Além da Glasgow, observe pupilas, simetria e reatividade, força e movimentação dos membros, presença de convulsões, fala, comportamento e resposta a estímulos. Uma mudança súbita, principalmente quando acompanhada de déficit focal, alteração pupilar ou convulsão, exige avaliação imediata.

Procure a causa enquanto monitora

Medicamentos sedativos, opioides, alterações metabólicas, hipoxemia, hipercapnia, infecções, distúrbios eletrolíticos, intoxicações e eventos neurológicos estão entre as possibilidades que precisam ser consideradas. O contexto ajuda muito: um paciente que recebeu opioide recentemente será investigado de forma diferente daquele que apresentou alteração neurológica súbita sem explicação aparente.

Uma cena que acontece com frequência em ambiente hospitalar é o paciente ficar excessivamente sonolento após receber uma medicação e apresentar respiração mais lenta. Nesse momento, registrar apenas “paciente sonolento” não descreve adequadamente a situação. Frequência respiratória, saturação, nível de consciência, horário e medicamento administrado ajudam a equipe a reconhecer uma possível relação medicamentosa e agir rapidamente.

Mudança do padrão é um sinal importante

Nem sempre o que chama atenção é uma pontuação muito baixa. Uma redução progressiva da resposta, uma nova confusão, dificuldade para despertar ou mudança em relação ao estado neurológico habitual já merece investigação. Comparar o paciente com sua avaliação anterior é essencial, principalmente em UTI e em pacientes que já apresentam algum grau de alteração neurológica.

Se houver deterioração, mantenha monitorização, reavalie ABC, glicemia e parâmetros neurológicos, comunique imediatamente a equipe responsável e prepare o paciente para as medidas diagnósticas ou terapêuticas indicadas.

Cuidados de enfermagem

Na prática, diante de um rebaixamento do nível de consciência, a enfermagem deve avaliar:

  • nível de consciência e Glasgow, registrando seus componentes;
  • pupilas, resposta motora e alterações neurológicas novas;
  • via aérea, padrão respiratório e saturação;
  • pressão arterial, frequência cardíaca e perfusão;
  • glicemia capilar;
  • medicamentos administrados recentemente;
  • evolução em comparação com avaliações anteriores.

Mantenha a segurança do paciente, reduza o risco de queda e aspiração, mantenha monitorização adequada e comunique rapidamente qualquer deterioração. O registro deve ser objetivo e permitir comparar a evolução neurológica ao longo do tempo.

Resumo para salvar

Rebaixamento do Nível de Consciência

  • Avalie primeiro via aérea respiração e circulação
  • Verifique glicemia e sinais vitais
  • Avalie Glasgow pupilas e resposta motora
  • Compare com o estado neurológico anterior

Referências:

  1. MERCK MANUALS. Abordagem ao paciente com alteração da consciência. Disponível em: Manuais MSD.
  2. TEASDALE, Graham; MAAS, Andrew; LECKY, Fiona; MANLEY, Geoffrey; STOCCHETTI, Nino; MURRAY, Gordon. The Glasgow Coma Scale at 40 years: standing the test of time. The Lancet Neurology, v. 13, n. 8, p. 844-854, ago. 2014. DOI: 10.1016/S1474-4422(14)70120-6. Disponível em: PubMed: Glasgow Coma Scale at 40 years.
  3. PATTI, Laryssa; GUPTA, Mohit. Change in Mental Status. In: StatPearls (Internet). Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: NCBI Bookshelf: Change in Mental Status.
  4. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Support (ATLS): Student Course Manual. 10. ed. Chicago: American College of Surgeons, 2018. ISBN 978-0-9968262-3-5. Disponível em: American College of Surgeons: ATLS.

ECG com Artefato: Como Diferenciar

ecg com artefato

Um traçado assustador no monitor não significa, automaticamente, que o coração entrou em uma arritmia grave. Antes de chamar a equipe para tratar o ritmo mostrado na tela, existe uma pergunta simples que pode evitar uma conduta desnecessária: o paciente está apresentando o que o monitor está mostrando?

Antes de chamar a equipe para tratar o ritmo mostrado na tela, vale revisar nosso guia de Como Interpretar o ECG na Prática — a sequência fixa de leitura ajuda a identificar rápido quando algo não faz sentido fisiologicamente.

O paciente ajuda a confirmar o traçado

Artefatos podem aparecer por movimento, tremores musculares, interferência elétrica, mau contato dos eletrodos ou problemas nos cabos. No monitor, isso pode produzir oscilações que se confundem com taquiarritmias, fibrilação ventricular ou outras alterações do ritmo. Por isso, o traçado precisa ser interpretado junto com o estado clínico e, quando necessário, confirmado em um ECG de 12 derivações. A American Heart Association recomenda avaliar o paciente e confirmar o ritmo diante de alterações suspeitas no monitor.

Uma situação bastante comum na UTI é o monitor começar a mostrar um traçado extremamente irregular enquanto o paciente está consciente, conversando e sem qualquer alteração compatível. Ao olhar para o leito, percebe-se que ele está tremendo ou movimentando o braço onde existe um eletrodo. Corrigir o posicionamento e verificar o contato dos eletrodos pode fazer o “ritmo” desaparecer imediatamente.

O traçado precisa fazer sentido

Um dos sinais de alerta para artefato é a ausência de correspondência entre o monitor e o pulso ou a condição clínica. Se o monitor sugere uma frequência cardíaca extremamente elevada, por exemplo, é importante conferir pulso, pressão arterial, perfusão e sintomas. O oxímetro também pode ajudar na comparação, embora cada parâmetro tenha suas limitações.

Em outro cenário típico de plantão, o monitor apresenta uma sequência de ondas que parece uma taquiarritmia. A equipe verifica o paciente e encontra pulso palpável, pressão preservada e frequência periférica muito diferente daquela exibida na tela. A checagem dos eletrodos e a obtenção de um novo traçado ajudam a esclarecer que o problema estava na captação do sinal, e não necessariamente no ritmo cardíaco. Artefatos eletrocardiográficos são conhecidos por simular arritmias e podem levar a interpretações e intervenções inadequadas quando não são reconhecidos.

Quando o artefato merece atenção

Nem todo traçado irregular deve ser descartado como artefato. Se a alteração persiste após corrigir os eletrodos e reduzir movimentos, especialmente quando existe alteração clínica correspondente, o ritmo deve ser investigado como uma possível arritmia verdadeira.

Também vale observar se existe atividade elétrica organizada em alguma derivação enquanto outra apresenta um padrão muito diferente. Comparar o monitor com o pulso e, quando indicado, realizar ECG de 12 derivações são medidas simples que aumentam a segurança da avaliação.

Algumas arritmias específicas têm padrões característicos que ajudam a diferenciá-las de artefato — por exemplo, o S1Q3T3 tem um significado clínico muito específico e não deve ser confundido com ruído de captação. Da mesma forma, uma Torsades de Pointes tem características visuais próprias que a distinguem de uma simples interferência no traçado.

Cuidados de enfermagem

Diante de uma alteração inesperada no monitor, primeiro avalie o paciente: nível de consciência, pulso, pressão arterial, perfusão, saturação e sintomas. Depois, confira eletrodos, cabos, conexões e possíveis fontes de interferência.

Se o traçado continuar alterado ou houver qualquer repercussão clínica, comunique a equipe e obtenha o registro eletrocardiográfico indicado pelo protocolo. Não é seguro simplesmente assumir que todo traçado estranho é “artefato”, assim como não é adequado tratar uma alteração do monitor sem confirmar se ela corresponde ao estado clínico do paciente.

O monitor é uma ferramenta de vigilância. A avaliação do paciente continua sendo parte essencial da interpretação do que aparece na tela.

Resumo para salvar

ECG com Artefato

  • Avalie o paciente antes de interpretar o monitor
  • Confira eletrodos cabos e conexões
  • Compare o ritmo com pulso e sinais vitais
  • Confirme alterações persistentes com ECG quando indicado

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Arrhythmia. Dallas: American Heart Association. Disponível em: American Heart Association.
  2. EUROPEAN RESUSCITATION COUNCIL. European Resuscitation Council Guidelines 2021: Adult advanced life support. Resuscitation, 2021. Disponível em: Resuscitation Journal. 
  3. SOVARI, Ali A. et al. Electrocardiographic artifacts in clinical practice: A logical approach to recognition and prevention. World Journal of Cardiology, v. 18, n. 3, p. 116299, 2026. Disponível em: Electrocardiographic Artifacts in Clinical Practice.

Cuidados Pós-Extubação: O Que Observar

cuidados pós extubação

A retirada do tubo pode acontecer em poucos minutos. O cuidado da enfermagem, porém, não termina quando o TOT sai — é justamente aí que começa uma fase em que pequenas alterações podem evoluir rapidamente.

A primeira avaliação é decisiva

Após a extubação, a equipe deve observar imediatamente o padrão respiratório, frequência respiratória, saturação de oxigênio, esforço ventilatório, nível de consciência, presença de estridor, tosse e capacidade de eliminar secreções. A necessidade de oxigênio deve ser ajustada conforme prescrição e resposta clínica, mantendo vigilância contínua.

Em uma situação comum de UTI, o paciente pode inicialmente apresentar uma saturação aceitável, enquanto começa a aumentar o esforço para respirar. Por isso, não é seguro olhar apenas para o número do oxímetro: frequência respiratória, uso de musculatura acessória, fala entrecortada e alteração do nível de consciência ajudam a perceber deterioração antes que a hipoxemia fique evidente. A American Association for Respiratory Care destaca a importância da avaliação clínica e da monitorização após a retirada da ventilação invasiva.

Via aérea, secreções e proteção

A capacidade de proteger a via aérea merece atenção especial. Tosse fraca, acúmulo de secreções, alteração do nível de consciência ou dificuldade para lidar com saliva aumentam o risco de obstrução e broncoaspiração. Também é importante observar sinais de edema ou obstrução de via aérea superior, como estridor e aumento do trabalho respiratório.

Já acompanhei situações em que, logo após a extubação, o paciente parecia confortável no leito, mas começou a apresentar tosse repetitiva e secreção acumulada. A mudança foi percebida durante a observação contínua, antes que a situação evoluísse para uma queda importante da saturação. Nesse momento, posicionamento, estímulo à tosse, aspiração quando indicada e comunicação rápida com a equipe fazem diferença.

Nem todo desconforto é esperado

Rouquidão e dor de garganta podem ocorrer após a intubação, mas sinais como estridor, retração, taquipneia progressiva, cianose, queda persistente da saturação ou alteração do nível de consciência exigem avaliação imediata. O paciente também precisa ser acompanhado quanto à possibilidade de falha da extubação e necessidade de suporte ventilatório.

Em outra situação típica de plantão, um paciente extubado começou a ficar agitado e aumentar gradualmente a frequência respiratória. A primeira impressão poderia ser apenas ansiedade, porém a avaliação mostrou aumento do esforço respiratório. A observação do conjunto — e não de um único parâmetro — permitiu comunicar a alteração precocemente à equipe médica. Diretrizes sobre liberação da ventilação mecânica reforçam a necessidade de monitoramento próximo após a extubação, especialmente nas primeiras horas.

Cuidados de enfermagem

Após a extubação, a enfermagem deve manter vigilância do padrão respiratório e da saturação, observar nível de consciência, tosse e secreções, manter cabeceira elevada quando não houver contraindicação, verificar dispositivos de oxigenoterapia e manter materiais para manejo da via aérea disponíveis conforme protocolo institucional.

A oferta de líquidos ou alimentos também não deve ser liberada automaticamente. A segurança para iniciar a via oral depende da avaliação clínica e, quando indicada, da avaliação da deglutição, principalmente em pacientes com risco de disfagia ou broncoaspiração.

O registro deve contemplar as condições respiratórias, suporte de oxigênio utilizado, resposta após a extubação, presença de secreções, intercorrências e condutas realizadas. O acompanhamento próximo é parte do próprio processo de extubação segura, não uma etapa opcional depois que o tubo foi retirado.

Resumo para salvar

Cuidados Pós-Extubação

  • Monitorar padrão respiratório e saturação
  • Avaliar tosse, secreções e proteção da via aérea
  • Observar sinais de desconforto e falha da extubação
  • Registrar evolução e resposta após a retirada do tubo

Referências:

  1. ROBERTS, Karsten J.; GOODFELLOW, Lynda T.; BATTEY-MUSE, Corinne M. et al. AARC Clinical Practice Guideline: Spontaneous Breathing Trials for Liberation From Adult Mechanical Ventilation. Respiratory Care, v. 69, n. 7, p. 891-901, jul. 2024. DOI: 10.4187/respcare.11735. Disponível em: AARC Guideline — Spontaneous Breathing Trials for Liberation.
  2. ALQAHTANI, Jaber S. et al. Independent Risk Factors of Failed Extubation among Adult Critically Ill Patients: A Prospective Observational Study from Saudi Arabia. Saudi Journal of Medicine and Medical Sciences, v. 12, n. 3, p. 216-222, jul./set. 2024. DOI: 10.4103/sjmms.sjmms_19_24. Disponível em: PubMed — Risk Factors of Failed Extubation.
  3. OUELLETTE, Daniel R. et al. Liberation From Mechanical Ventilation in Critically Ill Adults: An Official American College of Chest Physicians/American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Chest, v. 151, n. 1, p. 166-180, jan. 2017. DOI: 10.1016/j.chest.2016.10.036. Disponível em: ATS/CHEST Guideline — Liberation from Mechanical Ventilation.

Equipamento apitando, o que fazer?

equipamentos apitando

O alarme não está pedindo apenas para você apertar um botão. Ele está avisando que alguma coisa merece ser verificada. O erro mais perigoso é transformar o silêncio do equipamento em objetivo e simplesmente silenciar o alarme sem descobrir por que ele disparou.

Em ambientes críticos, os alarmes fazem parte da segurança do paciente, mas precisam ser interpretados dentro do contexto clínico. Um mesmo sinal sonoro pode estar relacionado a uma alteração real do paciente, a uma mudança na condição do dispositivo ou até a um problema técnico. A AAMI destaca que o gerenciamento adequado dos alarmes envolve configuração, resposta e avaliação dos sinais gerados pelos equipamentos.

Primeiro olhe para o paciente

Quando o equipamento dispara, a primeira avaliação deve ser o paciente. Observe nível de consciência, respiração, coloração, perfusão, dor e qualquer alteração clínica que possa explicar o alarme. Depois, avalie o equipamento e suas conexões.

Isso faz diferença porque um monitor pode indicar uma frequência cardíaca inesperada por alteração verdadeira do ritmo, enquanto um oxímetro pode alarmar por baixa saturação ou simplesmente por perda do sinal. A resposta não pode ser baseada somente no número exibido na tela.

É fácil lembrar de uma situação típica de UTI: o monitor começa a apitar durante uma mudança de posição, a saturação cai rapidamente e alguém corre para silenciar o som. Quando o paciente é observado, está acordado e sem alteração respiratória; o sensor simplesmente perdeu o sinal porque o dedo mudou de posição. O alarme terminou quando a causa foi corrigida, não porque o botão foi pressionado.

Depois, descubra de onde veio o alarme

Identifique qual equipamento está emitindo o alerta e leia a mensagem ou código apresentado. Em seguida, confira cabos, sensores, conexões, acesso vascular, equipo, circuito ou qualquer componente relacionado ao sistema.

Cada equipamento possui alarmes e limites próprios, portanto não existe uma sequência única para todos. Uma bomba de infusão, por exemplo, pode indicar oclusão ou ar na linha; já um ventilador pode sinalizar alterações relacionadas a pressão, volume ou desconexão. A interpretação precisa considerar o manual do equipamento e o protocolo do serviço.

Silenciar não é resolver

O botão de silêncio pode ser necessário para permitir uma avaliação, principalmente quando vários alarmes estão acontecendo simultaneamente. O problema está em utilizá-lo como resposta final.

Em uma situação prática comum, uma bomba de infusão começa a alarmar por oclusão. O profissional silencia, reinicia e a bomba volta a apitar poucos segundos depois. Repetir esse ciclo sem investigar pode atrasar a identificação de uma obstrução real ou de uma alteração no acesso. A prioridade é descobrir a causa e agir de acordo com o equipamento e o protocolo institucional.

A FDA recomenda que profissionais conheçam os alarmes dos dispositivos utilizados, suas configurações e os procedimentos para responder adequadamente aos sinais de alerta.

Cuidados de enfermagem

Quando um equipamento apitar:

  • olhe primeiro para o paciente;
  • identifique qual equipamento gerou o alarme;
  • leia a mensagem exibida;
  • verifique sensores, cabos, conexões e condições do sistema;
  • avalie se o alarme corresponde a uma alteração clínica real;
  • corrija a causa conforme protocolo e orientação do fabricante;
  • se necessário, acione a equipe responsável pelo equipamento;
  • registre alterações e intervenções relevantes.

Alarmes bem gerenciados ajudam a reduzir riscos, mas alarmes excessivos ou inadequadamente configurados também podem favorecer a chamada fadiga de alarmes, fazendo com que sinais importantes recebam menos atenção.

Para guardar no plantão

Equipamento apitou? Não comece pelo botão. Comece pelo paciente.

Depois, identifique o alarme, procure a causa e só então tome a conduta adequada. Em equipamentos diferentes, o som pode mudar, mas a lógica permanece: paciente, mensagem, equipamento e causa.

E esse assunto rende uma série inteira: bomba de infusão, monitor multiparamétrico, ventilador, oxímetro, bomba de dieta e pressão arterial invasiva. Cada um tem seus próprios alarmes e armadilhas de interpretação.

Resumo para salvar

O Equipamento Está Apitando E Agora?

  • Olhe primeiro para o paciente
  • Identifique a origem do alarme
  • Leia a mensagem antes de agir
  • Silenciar não substitui investigar a causa

Referências:

  1. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY. Alarm Fatigue. Rockville, MD: AHRQ. Disponível em: AHRQ – Alarm Fatigue.
  2. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Medical Device Alarm Systems. Silver Spring: FDA. Disponível em: FDA – Medical Device Alarm Systems.
  3. THE JOINT COMMISSION. Alarm Fatigue. Oakbrook Terrace, IL: The Joint Commission. Disponível em: The Joint Commission – Alarm Fatigue. 
  4. ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION. Alarm Management. Arlington, VA: AAMI. Disponível em: AAMI – Alarm Management. 

PEEP: O Que Significa na Prática da UTI

PEEP

Na ventilação mecânica, a PEEP é um daqueles parâmetros que o estudante aprende a decorar antes de realmente entender o que está acontecendo. Na prática, pense nela como uma pressão que permanece no final da expiração para ajudar a manter os alvéolos abertos e reduzir o colapso das unidades pulmonares.

PEEP significa pressão no final da expiração

PEEP vem de Positive End-Expiratory Pressure, ou pressão positiva ao final da expiração.

Durante uma respiração normal, a pressão dentro dos alvéolos se aproxima da pressão atmosférica ao final da expiração. Na ventilação mecânica, a PEEP mantém uma pressão positiva nesse momento, aumentando o volume pulmonar ao final da expiração e reduzindo o fechamento das vias aéreas e alvéolos.

Um jeito simples de visualizar é imaginar um balão que você não deixa esvaziar completamente. A pressão restante facilita sua manutenção parcialmente aberta no próximo ciclo.

O que a PEEP faz na prática?

Um dos principais efeitos é melhorar a oxigenação, especialmente quando existe colapso alveolar ou alterações como edema pulmonar e síndrome do desconforto respiratório agudo. Com os alvéolos mais recrutados, há maior área pulmonar disponível para as trocas gasosas e pode ser possível utilizar uma FiO₂ menor para atingir uma oxigenação adequada.

É comum, por exemplo, acompanhar um paciente em ventilação mecânica com PEEP ajustada e perceber que a saturação melhora após mudanças no suporte ventilatório. Nesse momento, não basta olhar somente para a SpO₂: é necessário observar também FiO₂, pressão arterial, mecânica pulmonar e a resposta clínica como um todo.

PEEP alta não significa automaticamente melhor

Esse é um ponto que costuma confundir quem está começando na UTI. Mais PEEP não significa necessariamente mais benefício.

Quando excessiva, a pressão intratorácica pode reduzir o retorno venoso, favorecer hipotensão e aumentar a sobre-distensão de algumas regiões pulmonares. Em pacientes com comprometimento do ventrículo direito, níveis elevados também podem aumentar a resistência vascular pulmonar e prejudicar o débito cardíaco.

Por isso, quando um paciente apresenta queda da pressão arterial após uma alteração importante na PEEP, a enfermagem deve observar a relação temporal entre os eventos e comunicar a equipe. Não é para simplesmente concluir que “a PEEP causou a hipotensão”, mas a mudança merece ser considerada na avaliação clínica.

E quando a PEEP está baixa?

PEEP insuficiente pode permitir abertura e fechamento repetitivo dos alvéolos durante os ciclos respiratórios, favorecendo atelectrauma. Em outras palavras, o problema não está apenas em manter o pulmão aberto; também é importante evitar o ciclo repetitivo de colapso e reabertura.

Uma cena muito comum na UTI é observar um paciente sedado, em posição supina e ventilado mecanicamente, com áreas pulmonares propensas ao colabamento. A PEEP faz parte da estratégia ventilatória justamente para ajudar a manter essas unidades recrutadas, sempre dentro do contexto clínico e dos demais parâmetros definidos pela equipe.

PEEP e auto-PEEP não são a mesma coisa

Aqui existe uma diferença importante.

A PEEP aplicada é aquela programada no ventilador. Já a auto-PEEP, também chamada de PEEP intrínseca, ocorre quando o paciente não consegue eliminar completamente o ar antes do próximo ciclo respiratório, deixando uma pressão residual dentro do sistema respiratório. Isso pode acontecer, por exemplo, em situações de obstrução ao fluxo expiratório ou quando o tempo expiratório é insuficiente.

Na prática, a auto-PEEP pode aumentar o trabalho respiratório e reduzir o retorno venoso. Observar a curva de fluxo expiratório no ventilador pode ajudar a identificar que o fluxo não chegou a zero antes do próximo ciclo.

O que a enfermagem deve observar?

A enfermagem não precisa ajustar a PEEP por conta própria para entender sua importância. O essencial é reconhecer o parâmetro, acompanhar sua evolução e perceber como o paciente responde às mudanças realizadas pela equipe responsável pela ventilação.

Observe SpO₂, frequência respiratória, padrão ventilatório, pressão arterial, frequência cardíaca, nível de consciência, sincronia paciente-ventilador e alarmes. Também acompanhe os valores de FiO₂, PEEP e demais parâmetros registrados no ventilador, principalmente após mudanças clínicas ou ajustes ventilatórios.

Uma alteração importante de PEEP acompanhada de queda da pressão arterial, piora da oxigenação ou alteração da mecânica ventilatória deve chamar atenção. O número isolado nunca conta toda a história.

Para guardar de uma vez

  • PEEP = pressão positiva no final da expiração.
  • Objetivo principal: ajudar a manter alvéolos abertos e melhorar a oxigenação.
  • PEEP muito baixa: pode favorecer colapso alveolar.
  • PEEP excessiva: pode causar hiperinsuflação e comprometer a hemodinâmica.
  • Auto-PEEP: pressão que permanece por dificuldade de esvaziamento pulmonar, não simplesmente o valor programado no ventilador.

Cuidados de enfermagem

Monitorar SpO₂ e sinais vitais, observar padrão respiratório e sincronia com o ventilador, acompanhar PEEP e FiO₂ registrados, conferir alarmes, observar alterações hemodinâmicas após mudanças ventilatórias, manter cabeceira e posicionamento conforme indicação clínica, realizar cuidados com via aérea e comunicar prontamente alterações respiratórias ou circulatórias.

Na UTI, entender PEEP é mais fácil quando você pensa no alvéolo: sem pressão suficiente, ele pode fechar; com pressão excessiva, o pulmão e a circulação também podem sofrer. O objetivo da ventilação é encontrar uma estratégia adequada para aquele paciente, e não simplesmente buscar o maior número possível.

Resumo para salvar

PEEP O Que Significa na Prática da UTI

  • PEEP é a pressão positiva mantida no final da expiração
  • Ajuda a manter alvéolos abertos e pode melhorar a oxigenação
  • PEEP excessiva pode causar hiperinsuflação hipotensão e alterações hemodinâmicas
  • Auto-PEEP é diferente da PEEP programada e ocorre quando o ar não é totalmente eliminado

Referências:

  1. PATEL, Bhakti K.; RIVERA, M. Patricia. Overview of Mechanical Ventilation. Merck Manual Professional Edition, 2026. Disponível em: Merck Manual Professional Edition.
  2. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Acute Hypoxemic Respiratory Failure (AHRF), Including ARDS. 2026. Disponível em: Merck Manual – AHRF e ARDS.
  3. DAVIDSON, A. C. et al. BTS/ICS guideline for the ventilatory management of acute hypercapnic respiratory failure in adults. Thorax, v. 71, supl. 2, p. ii1-ii35, 2016. Disponível em: Thorax – BTS/ICS Guideline. 

Paciente Instável, o que avaliar primeiro?

paciente instável

Antes do diagnóstico, procure o que ameaça a vida

Diante de um paciente instável, a primeira avaliação deve seguir uma sequência estruturada: A — via aérea, B — respiração, C — circulação, D — estado neurológico e E — exposição. O método ABCDE permite identificar problemas potencialmente fatais e tratá-los conforme aparecem, sem esperar concluir toda a avaliação para depois intervir. A recomendação também é reavaliar o paciente após cada intervenção e solicitar ajuda precocemente quando necessário.

A primeira pergunta é sobre a via aérea

Comece observando o paciente. Ele consegue falar? Há roncos, estridor, secreções, vômitos ou sinais de obstrução? Alteração do nível de consciência pode comprometer a proteção da via aérea, principalmente em pacientes muito sonolentos ou inconscientes. Uma via aérea obstruída é uma emergência porque a hipóxia pode evoluir rapidamente para deterioração grave e parada cardiorrespiratória.

Em uma situação típica de plantão, um paciente que estava conversando passa a ficar sonolento e começa a apresentar respiração ruidosa. Antes de procurar a causa daquela alteração neurológica, a equipe precisa olhar para a via aérea e para a respiração. Esse pequeno detalhe muda a prioridade da assistência.

Depois vem a respiração

Com a via aérea avaliada, observe frequência e padrão respiratório, expansibilidade torácica, esforço para respirar, presença de cianose, ausculta pulmonar e saturação de oxigênio. Uma frequência respiratória elevada ou progressivamente crescente pode ser um sinal precoce de deterioração, mesmo antes de ocorrer queda importante da pressão arterial.

É aqui que a avaliação precisa ir além do número mostrado no oxímetro. Um paciente com SpO₂ aparentemente aceitável, mas com esforço respiratório intenso, alteração do nível de consciência ou fadiga progressiva, continua sendo um paciente preocupante. O contexto clínico importa tanto quanto o valor isolado do monitor.

Circulação: não espere a pressão despencar

Na avaliação circulatória, verifique frequência cardíaca, pressão arterial, perfusão periférica, temperatura e coloração da pele, pulsos e tempo de enchimento capilar, além de procurar sinais de sangramento. Um paciente em choque pode inicialmente manter a pressão arterial por mecanismos compensatórios, portanto, pressão normal não exclui deterioração circulatória.

Imagine um paciente pálido, sudorético, taquicárdico e com extremidades frias, mas ainda apresentando pressão arterial dentro do valor habitual. Se a equipe olhar apenas para a pressão, pode subestimar a gravidade. Quando os sinais são analisados em conjunto, a alteração da perfusão ganha outro significado e exige investigação e escalonamento rápidos.

O estado neurológico também conta

Depois de garantir A, B e C, avalie o nível de consciência, resposta a estímulos, pupilas e glicemia. Uma alteração neurológica pode estar relacionada à hipóxia, hipoperfusão, hipoglicemia, medicamentos, intoxicações ou outras causas, por isso a avaliação precisa considerar o quadro inteiro. Escalas como Glasgow ou AVPU podem ajudar a acompanhar a evolução.

A glicemia capilar merece atenção especial porque a hipoglicemia é uma causa potencialmente reversível de alteração do nível de consciência. Ao mesmo tempo, uma queda do estado neurológico em um paciente previamente consciente deve ser comunicada e investigada rapidamente, principalmente quando representa uma mudança em relação ao padrão anterior.

Exposição sem esquecer a segurança

Na etapa E, examine o paciente de maneira direcionada para procurar sangramentos, lesões, alterações cutâneas, edema, sinais de trauma ou outras pistas que ajudem a explicar a instabilidade. A exposição deve preservar a dignidade do paciente e evitar perda desnecessária de calor.

Um ponto importante é que o ABCDE não termina no E. Depois de uma intervenção, a avaliação volta ao início. Se a respiração melhorou após uma intervenção, por exemplo, é preciso confirmar se a frequência respiratória, saturação, esforço e estado geral também evoluíram. A avaliação do paciente instável é dinâmica.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve reconhecer precocemente a deterioração, iniciar a avaliação sistematizada, monitorizar sinais vitais, verificar glicemia quando indicada, garantir acesso e equipamentos necessários conforme a condição clínica e acionar ajuda sem demora diante de sinais de gravidade.

Também é fundamental registrar tendências, e não apenas números isolados. Comparar pressão, frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação e nível de consciência com medidas anteriores pode revelar uma deterioração que ainda não atingiu valores extremos. A comunicação objetiva com a equipe e a reavaliação após as intervenções fazem parte da segurança do paciente.

Resumo para salvar

Paciente Instável O Que Avaliar Primeiro

  • Comece pelo ABCDE e trate ameaças imediatas à vida
  • Avalie via aérea e respiração antes de buscar o diagnóstico
  • Não descarte choque apenas porque a pressão ainda está normal
  • Reavalie o paciente após cada intervenção e comunique a deterioração

Referências: 

  1. RESUSCITATION COUNCIL UK. The ABCDE Approach. London: Resuscitation Council UK, atualizado em 2024. Resuscitation Council UK – ABCDE Approach
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for CPR and ECC. Dallas: American Heart Association, 2025. AHA – Adult Basic Life Support 2025
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for CPR and ECC. Dallas: American Heart Association, 2025. AHA – Adult Advanced Life Support 2025

Tempo Porta Agulha no AVC Isquêmico

porta agulha avc

No atendimento ao AVC isquêmico agudo, existe um tempo que a equipe precisa conhecer quase tão bem quanto a escala de Glasgow ou a NIHSS: o tempo porta-agulha. Ele corresponde ao intervalo entre a chegada do paciente ao serviço de referência e o início da infusão do trombolítico intravenoso, quando o paciente é elegível para trombólise. A meta tradicional é iniciar o tratamento em até 60 minutos, porque o benefício da terapia é tempo-dependente.

Isso significa que não se deve esperar terminar toda a burocracia para depois começar a organizar o atendimento. Desde a chegada, a equipe precisa trabalhar em paralelo: identificar sinais de AVC, estabelecer o horário do início dos sintomas ou último momento em que o paciente foi visto bem, avaliar a condição neurológica, verificar glicemia, providenciar acesso venoso, encaminhar rapidamente para neuroimagem e preparar as etapas necessárias para a trombólise. O PCDT brasileiro do AVC isquêmico agudo está atualmente disponível pelo Ministério da Saúde e orienta a organização desse atendimento.

De onde começa a contagem?

O relógio do porta-agulha começa na chegada do paciente ao serviço, não quando ele entra na tomografia, quando o neurologista chega ou quando o medicamento é preparado. Por isso, registrar corretamente o horário de admissão é uma informação operacional importante.

Um exemplo prático: o paciente chega com dificuldade súbita para falar e perda de força em um lado do corpo. Enquanto a equipe realiza a avaliação inicial, outro profissional já pode providenciar o acesso venoso, verificar a glicemia e organizar o transporte para a tomografia, evitando que cada etapa fique esperando a anterior terminar. É justamente essa atuação simultânea que ajuda a reduzir atrasos evitáveis.

O Ministério da Saúde estabelece como parâmetros assistenciais tempo porta-tomografia inferior a 25 minutos e tempo porta-agulha inferior a 60 minutos nos serviços habilitados para atendimento ao AVC.

O que acontece antes da trombólise?

A rapidez não significa pular etapas de segurança. O paciente precisa ser avaliado quanto à possibilidade de AVC isquêmico, realizar neuroimagem para excluir hemorragia intracraniana e passar pela avaliação dos critérios de elegibilidade para trombólise.

A equipe também precisa considerar horário de início dos sintomas ou último momento conhecido sem déficit, pressão arterial, glicemia, uso de anticoagulantes e outros fatores clínicos relevantes. A decisão pela trombólise é médica e deve seguir o protocolo vigente do serviço.

Na prática, é comum perceber como pequenos atrasos se acumulam. Se o acesso venoso demora, a coleta atrasa; se o transporte para a tomografia demora, a avaliação também atrasa. O paciente não precisa de uma sequência lenta de tarefas, mas de uma equipe coordenada, com funções bem definidas.

Onde a enfermagem faz diferença

A enfermagem participa de praticamente todas as etapas críticas do fluxo. Na triagem, reconhecer rapidamente sinais compatíveis com AVC e comunicar a equipe é fundamental. Durante a avaliação, o enfermeiro pode organizar monitorização, glicemia capilar, acesso venoso, coleta de exames quando indicada, transporte seguro e preparo do paciente para a sequência do protocolo.

Também existe uma função que parece simples, mas evita erros: controlar e registrar os horários. Horário de chegada, avaliação, início da tomografia, resultado da imagem e início da infusão precisam estar claramente documentados conforme o protocolo institucional.

Imagine agora uma situação típica de emergência: o paciente já está na sala de tomografia, a equipe aguarda a definição da imagem e o acesso venoso ainda não foi providenciado. Esse tipo de atraso mostra por que o fluxo precisa ser pensado antes mesmo de o paciente chegar. A enfermagem pode antecipar materiais, monitorização e acesso quando isso for seguro e permitido pelo protocolo, reduzindo minutos que, no AVC, têm relevância clínica.

A American Heart Association utiliza o door-to-needle ≤60 minutos como importante indicador de qualidade para pacientes elegíveis à trombólise intravenosa e acompanha também metas ainda mais rápidas em programas de melhoria da assistência ao AVC.

Tempo porta-agulha não é apenas um número

O indicador serve para avaliar o funcionamento de todo o processo, e não para responsabilizar isoladamente um profissional. Quando o tempo está elevado, vale investigar onde o fluxo está parando: triagem, acionamento da equipe, transporte, tomografia, interpretação da imagem, decisão terapêutica, preparo ou administração do trombolítico.

A lógica é simples: cada etapa precisa acontecer com segurança e sem espera desnecessária. Reduzir o porta-agulha significa melhorar o processo inteiro.

Cuidados de enfermagem

Na assistência ao paciente com suspeita de AVC, a enfermagem deve priorizar reconhecimento rápido, registro preciso dos horários, avaliação neurológica conforme protocolo, glicemia capilar, monitorização dos sinais vitais, acesso venoso quando indicado, transporte rápido e seguro para neuroimagem e preparo para a terapia conforme prescrição e protocolo institucional.

Após o início do trombolítico, a vigilância continua. É necessário observar nível de consciência, sinais neurológicos, pressão arterial, sinais de sangramento e qualquer deterioração clínica, comunicando imediatamente alterações à equipe responsável. A administração e o monitoramento devem seguir rigorosamente o protocolo institucional e a terapia prescrita.

Resumo para salvar

Tempo Porta-Agulha no AVC

  • Porta-agulha é o tempo entre a chegada e o início do trombolítico
  • A meta tradicional é iniciar a trombólise em até 60 minutos nos pacientes elegíveis
  • Enfermagem atua no reconhecimento monitorização acesso transporte e organização do fluxo
  • Registrar horários e eliminar atrasos evitáveis melhora o atendimento ao AVC

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. PCDT – Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29, de 12 de dezembro de 2023. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo. Portaria Conjunta nº 29/2023
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Rotinas para Atenção ao AVC. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Manual de Rotinas para Atenção ao AVC
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Get With The Guidelines – Stroke Recognition Criteria. Dallas: American Heart Association. Stroke Recognition Criteria
  5. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Target: Stroke – When Seconds Count. Dallas: American Heart Association. Target: Stroke

Assistência de Enfermagem na Crise Convulsiva

crise convulsiva

O primeiro erro é perder a noção do tempo

Durante uma crise convulsiva, a equipe pode se concentrar tanto nos movimentos do paciente que acaba esquecendo uma informação fundamental: quanto tempo a crise está durando? Cronometrar desde o início ajuda a reconhecer rapidamente uma situação que exige intervenção imediata.

Na abordagem inicial, a prioridade é proteger o paciente contra traumas, manter a permeabilidade das vias aéreas, avaliar respiração e circulação e monitorizar os sinais vitais. Também é importante verificar a glicemia capilar, porque a hipoglicemia pode desencadear convulsões e precisa ser identificada rapidamente.

Imagine uma situação comum no atendimento: o paciente começa a apresentar movimentos tônico-clônicos, alguém tenta segurá-lo pelos braços e outra pessoa procura alguma coisa para colocar entre os dentes. É justamente nesse momento que a equipe precisa organizar a cena: afastar objetos, proteger a cabeça, não restringir os movimentos e não colocar nada na boca. A proteção adequada reduz o risco de lesões sem transformar a própria assistência em uma nova fonte de trauma.

O que fazer durante a convulsão

Durante a crise, não se deve tentar conter fisicamente os movimentos nem introduzir objetos, dedos, compressas ou dispositivos na boca do paciente. Também não é indicado oferecer água, alimentos ou medicamentos por via oral enquanto houver alteração da consciência.

Se for possível com segurança, deve-se proteger a cabeça, afastar objetos próximos e afrouxar roupas apertadas no pescoço. A equipe deve permanecer ao lado do paciente e observar características importantes da crise, como início, duração, padrão dos movimentos, presença de cianose, secreções, perda urinária ou fecal e resposta após o episódio.

Uma situação que merece atenção acontece quando a crise termina: o paciente pode permanecer sonolento, confuso ou com respiração alterada. É nessa fase que alguns profissionais podem interpretar a ausência dos movimentos como resolução completa do problema. A assistência continua sendo necessária, com avaliação das vias aéreas, respiração, saturação, sinais vitais e nível de consciência.

Depois da crise: o período pós-ictal

Após o término dos movimentos convulsivos, o paciente pode apresentar sonolência, confusão, agitação, cefaleia ou redução do tônus muscular. A equipe deve manter vigilância até que haja recuperação adequada da consciência e estabilidade clínica.

Quando o paciente estiver respirando espontaneamente e sem contraindicação, o posicionamento lateral pode ajudar a manter a via aérea protegida. Se houver secreções, a aspiração deve ser realizada quando indicada, sempre avaliando a necessidade real do procedimento.

Também é importante investigar o contexto: histórico de epilepsia, uso ou suspensão de anticonvulsivantes, febre, trauma, intoxicação, alterações metabólicas, gestação, diabetes e outras condições que possam estar relacionadas ao episódio.

Quando a crise vira uma emergência ainda maior

Uma convulsão que ultrapassa 5 minutos, ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas, deve ser tratada como uma emergência. Nessa situação, não basta aguardar que o episódio termine espontaneamente. É necessário acionar o atendimento de emergência e seguir o protocolo institucional para controle da crise.

No ambiente hospitalar, a equipe deve preparar acesso venoso, monitorização, avaliação da glicemia e suporte ventilatório conforme necessidade. As medicações anticonvulsivantes, especialmente benzodiazepínicos como primeira linha no estado de mal convulsivo, devem ser administradas conforme prescrição, protocolo institucional e competência profissional.

No Brasil, o protocolo do SAMU também orienta avaliação primária, manutenção da permeabilidade das vias aéreas, monitorização, glicemia capilar e proteção contra traumas, além do registro das características da crise.

Cuidados de enfermagem

A assistência de enfermagem deve priorizar segurança e reconhecimento precoce da gravidade. Entre os principais cuidados estão:

  • Cronometrar a crise desde o início.
  • Proteger cabeça e corpo contra traumas.
  • Não restringir os movimentos e não colocar objetos na boca.
  • Avaliar vias aéreas, respiração, SpO₂ e sinais vitais.
  • Verificar glicemia capilar.
  • Manter monitorização conforme condição clínica.
  • Observar e registrar características e duração da crise.
  • Avaliar o período pós-ictal e o nível de consciência.
  • Preparar acesso venoso e medicações quando indicados pelo protocolo.
  • Comunicar imediatamente crise prolongada, recorrente ou associada à instabilidade clínica.

O registro também tem valor clínico: horário de início, duração, características dos movimentos, alterações respiratórias, intervenções realizadas, medicamentos administrados e resposta do paciente ajudam a equipe médica e de enfermagem a entender a evolução do episódio.

O que a enfermagem nunca deve fazer

Não segure o paciente à força. Não coloque colher, gaze, cânula, dedo ou qualquer outro objeto entre os dentes. Não tente interromper mecanicamente os movimentos e não ofereça líquidos ou medicamentos pela boca enquanto houver alteração da consciência.

A prioridade é proteger, observar, cronometrar, avaliar e agir conforme a gravidade e o protocolo. Essa sequência evita condutas impulsivas justamente no momento em que a equipe mais precisa trabalhar de forma organizada.

Resumo para salvar

Assistência na Crise Convulsiva

  • Cronometre a crise e proteja o paciente contra traumas
  • Avalie vias aéreas respiração sinais vitais e glicemia
  • Não contenha os movimentos nem coloque objetos na boca
  • Reconheça crises prolongadas ou repetidas como emergência

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Suporte Básico de Vida: BC16 – Crise convulsiva no adulto. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Ministério da Saúde – Protocolo de Suporte Básico de Vida
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. SAMU 192 – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília, DF: Ministério da Saúde. SAMU 192 – Ministério da Saúde
  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. First Aid for Seizures. Atlanta: CDC, 2024. CDC – First Aid for Seizures
  4. AMERICAN COLLEGE OF EMERGENCY PHYSICIANS. Clinical Policy: Critical Issues in the Management of Adult Patients Presenting to the Emergency Department With Seizures. Annals of Emergency Medicine, 2024. ACEP – Clinical Policy on Seizures

Protocolo de Delirium e Avaliação na UTI

Delirium

Na UTI, nem todo paciente com delirium está gritando, tentando arrancar o tubo ou ficando agressivo. Alguns ficam quietos demais, sonolentos e aparentemente “tranquilos”. É justamente esse delirium hipoativo que pode passar despercebido, por isso a avaliação regular é mais importante do que esperar uma mudança comportamental evidente. As diretrizes PADIS recomendam que pacientes críticos sejam avaliados regularmente com uma ferramenta validada.

Comece pelo nível de consciência

Antes de aplicar uma escala de delirium, avalie o nível de sedação e consciência. Na prática, a RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale) é frequentemente utilizada para determinar o grau de agitação ou sedação e verificar se o paciente pode ser avaliado adequadamente.

Se o paciente estiver profundamente sedado ou em coma, a avaliação pelo CAM-ICU pode não ser aplicável naquele momento. Quando estiver suficientemente desperto, entra a investigação específica do delirium.

CAM-ICU: o passo a passo

O CAM-ICU avalia quatro características principais:

  1. Início agudo ou curso flutuante: houve mudança recente do estado mental ou oscilação durante o dia?
  2. Desatenção: o paciente consegue manter e direcionar a atenção adequadamente?
  3. Alteração do nível de consciência: existe um nível de consciência diferente de alerta, conforme a avaliação clínica?
  4. Pensamento desorganizado: o paciente apresenta respostas incoerentes ou dificuldade importante para organizar o pensamento?

Para caracterizar delirium pelo CAM-ICU, é necessário haver início agudo ou curso flutuante + desatenção, associado a alteração do nível de consciência ou pensamento desorganizado. A aplicação costuma levar apenas alguns minutos quando a equipe está treinada.

Um detalhe que faz diferença no plantão é não interpretar apenas a agitação como sinal de delirium. Já aconteceu de um paciente intubado permanecer praticamente imóvel durante horas, mas, ao conversar com ele e testar a atenção, ficar evidente que não conseguia acompanhar comandos simples e apresentava flutuação importante do estado mental. Esse tipo de alteração pode ser perdido quando a equipe olha somente para o comportamento motor.

Encontrou delirium? Agora procure a causa

Identificar o delirium é apenas uma parte do protocolo. Depois do resultado positivo, é necessário investigar fatores potencialmente reversíveis, como dor, hipóxia, infecção, alterações metabólicas, distúrbios hidroeletrolíticos, retenção urinária, constipação, privação de sono, abstinência e exposição a medicamentos associados ao risco de delirium.

O uso de benzodiazepínicos é um dos fatores modificáveis associados ao delirium em pacientes críticos, e as diretrizes recomendam estratégias que reduzam fatores de risco modificáveis, melhorem o sono, favoreçam mobilidade e mantenham audição e visão quando possível.

Menos sedação quando for seguro

O objetivo não é simplesmente deixar o paciente “bem sedado”. Sempre que clinicamente possível, a equipe deve buscar uma sedação compatível com a condição do paciente, evitando exposição desnecessária a sedativos.

Na atualização PADIS de 2025, a SCCM sugere dexmedetomidina em vez de propofol quando a prioridade é sedação leve e/ou redução do delirium em adultos sob ventilação mecânica. A mesma atualização não encontrou evidência suficiente para recomendar a favor ou contra antipsicóticos em comparação ao cuidado habitual para tratar delirium na UTI.

Na rotina, isso pode aparecer em uma situação simples: durante a passagem de plantão, o paciente que estava acordado e interagindo passa a apresentar agitação após uma noite praticamente sem dormir. Antes de concluir que “precisa de mais sedação”, vale revisar dor, ambiente, oxigenação, retenção urinária, medicamentos e orientação temporal. Muitas vezes, a primeira intervenção é corrigir o fator desencadeante, e não simplesmente aumentar o sedativo.

O cuidado não termina no CAM-ICU

O manejo do delirium envolve medidas não farmacológicas em conjunto. Reorientar o paciente, manter relógio e calendário visíveis, favorecer contato com familiares quando apropriado, reduzir ruído e luminosidade durante a noite, preservar o ciclo sono-vigília, utilizar óculos e aparelhos auditivos quando disponíveis e estimular mobilização segura fazem parte de uma abordagem multimodal.

O bundle ABCDEF da SCCM organiza essas ações dentro de uma estratégia que inclui avaliação e manejo da dor, testes de despertar e respiração espontânea quando indicados, escolha adequada de analgesia e sedação, avaliação do delirium, mobilização precoce e participação da família.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem tem papel central porque acompanha continuamente mudanças pequenas que podem não aparecer em uma avaliação isolada. Registre o nível de consciência e sedação, aplique o instrumento institucional de delirium conforme treinamento, observe flutuações ao longo do turno e comunique alterações relevantes.

Também vale revisar dor, sono, oxigenação, dispositivos, eliminação, hidratação, medicamentos e ambiente. Evite estímulos desnecessários durante a noite, mantenha comunicação clara e reoriente o paciente sempre que necessário.

✓ Decore para a Prova

Um protocolo simples para guardar: avaliar sedação → aplicar ferramenta validada quando possível → identificar delirium → procurar causas reversíveis → revisar sedação e medicamentos → favorecer sono, orientação e mobilidade → reavaliar regularmente.

O delirium na UTI não é apenas uma alteração comportamental. É uma condição dinâmica, que pode oscilar ao longo do mesmo turno. Por isso, uma avaliação negativa pela manhã não significa que o paciente permanecerá sem delirium à tarde.

Resumo para salvar

Protocolo de Delirium na UTI

  • Avalie sedação e nível de consciência antes do CAM-ICU
  • Identifique início agudo, desatenção e alterações cognitivas
  • Procure causas reversíveis e revise medicamentos e sedação
  • Favoreça sono, orientação, mobilidade e reavaliação contínua

Referências:

  1. DEVLIN, John W. et al. Clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 46, n. 9, p. e825-e873, 2018. DOI: 10.1097/CCM.0000000000003299. SCCM – PADIS Guidelines
  2. LEWIS, Kimberley et al. A focused update to the clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 53, n. 3, p. e711-e727, 2025. SCCM – Focused Update PADIS 2025
  3. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. ICU Liberation Bundle (A-F). Mount Prospect: SCCM. SCCM – ICU Liberation Bundle
  4. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. Diretrizes PADIS: tradução oficial em português. Mount Prospect: SCCM. Diretrizes PADIS em português

Anafilaxia Como Reconhecer e O Que Fazer

anafilaxia

Anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica, grave e potencialmente fatal. Pode surgir rapidamente após medicamentos, alimentos, venenos de insetos, vacinas ou outros desencadeantes, comprometendo pele e mucosas, sistema respiratório e circulação. Urticária, angioedema, rouquidão, estridor, falta de ar, chiado, queda da pressão, tontura, síncope e alterações gastrointestinais podem aparecer em diferentes combinações.

A grande armadilha é esperar a queda da pressão para considerar a situação grave. Anafilaxia pode estar evoluindo antes do choque aparecer, principalmente quando há comprometimento de via aérea ou dificuldade respiratória. Por isso, diante de uma suspeita clínica compatível, o tratamento deve ser iniciado rapidamente.

O que fazer primeiro?

A prioridade é adrenalina por via intramuscular, preferencialmente na região anterolateral da coxa, seguindo dose e protocolo aplicáveis ao paciente. A adrenalina é a medicação de primeira escolha e não deve ser substituída inicialmente por anti-histamínicos ou corticosteroides. Se a resposta for insuficiente, a dose pode ser repetida conforme o protocolo, geralmente em intervalos de 5 a 15 minutos.

Enquanto a adrenalina é administrada, a equipe deve avaliar vias aéreas, respiração e circulação, acionar suporte de emergência e manter monitorização. O paciente deve ser colocado adequadamente, geralmente em decúbito dorsal com pernas elevadas quando tolerado; se houver vômitos ou comprometimento da consciência, a posição deve ser adaptada para reduzir o risco de aspiração.

É nesse momento que uma situação prática pode acontecer muito rápido: uma pessoa recebe um medicamento e, poucos minutos depois, começa com urticária disseminada, edema de lábios, voz abafada e dificuldade para respirar. Não é hora de aguardar a evolução da pele ou preparar primeiro um anti-histamínico. A prioridade é reconhecer a anafilaxia, administrar adrenalina IM conforme protocolo e iniciar o suporte necessário.

E depois da adrenalina?

A assistência continua. Oxigênio pode ser utilizado quando indicado, especialmente diante de hipoxemia ou comprometimento respiratório importante. Em pacientes com hipotensão ou choque, pode ser necessária expansão volêmica com cristaloide, além de outras medidas avançadas conforme a resposta clínica. Broncoespasmo persistente pode exigir broncodilatador como tratamento complementar.

Anti-histamínicos e corticosteroides não substituem a adrenalina na fase inicial. Eles podem ter papel complementar em situações específicas, mas não devem atrasar a administração da medicação de primeira linha. A adrenalina intravenosa, por sua vez, não é a conduta inicial habitual e envolve maior risco, sendo reservada a cenários apropriados, com monitorização e profissionais habilitados.

Outro momento que merece atenção é aquele paciente que melhora rapidamente depois da primeira dose e parece estar “bem”. A melhora não encerra o atendimento. Existe possibilidade de recorrência dos sintomas, por isso o paciente precisa permanecer sob observação e receber avaliação adequada antes de ser liberado.

Como a enfermagem reconhece rapidamente?

Na prática, pense em uma combinação de início súbito + manifestações sistêmicas. Coceira, urticária ou angioedema associados a dificuldade respiratória, alteração circulatória ou outros sinais de comprometimento sistêmico devem aumentar imediatamente a suspeita.

Também é importante observar sinais menos óbvios: mudança da voz, sensação de garganta fechando, estridor, tosse persistente, chiado, palidez, sudorese, tontura, confusão, síncope, dor abdominal, vômitos ou diarreia. A ausência de lesões cutâneas não exclui anafilaxia, especialmente quando existe comprometimento respiratório ou cardiovascular importante.

Cuidados de enfermagem

Durante o atendimento, a enfermagem deve priorizar:

  • Reconhecimento imediato e acionamento da equipe de emergência.
  • Avaliação contínua de vias aéreas, respiração e circulação.
  • Administração da adrenalina IM conforme prescrição, protocolo e dose adequada.
  • Monitorização de pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação.
  • Manutenção de acesso venoso quando indicado e preparo para expansão volêmica.
  • Disponibilização de oxigênio e materiais para suporte ventilatório.
  • Registro do horário, dose, via, resposta clínica e evolução do paciente.
  • Observação após a melhora inicial, devido ao risco de recorrência.

O Cofen também reforça que, no contexto de anafilaxia pós-vacinação em ações extramuros, a adrenalina IM é a primeira linha e que a atuação da enfermagem deve estar respaldada por protocolo institucional, treinamento e condições adequadas de segurança.

Para guardar na emergência

! Atenção na Prova

Se houver uma suspeita consistente de anafilaxia, não espere a evolução para agir.

A sequência essencial é:

Reconhecer → avaliar ABC → adrenalina IM → suporte respiratório e circulatório → monitorizar → encaminhar e observar.

O detalhe que salva tempo — e pode salvar uma vida — é lembrar que adrenalina é o tratamento de primeira linha; anti-histamínico e corticoide não devem ocupar o lugar dela.

Resumo para salvar

Anafilaxia: O Que Fazer Primeiro?

  • Adrenalina IM é o tratamento de primeira linha
  • Avalie rapidamente vias aéreas, respiração e circulação
  • Anti-histamínicos e corticoides não substituem a adrenalina
  • Mesmo após melhora, o paciente precisa de monitorização e avaliação

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais: condutas diante de anafilaxia. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde — Manual dos CRIE.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde — Manual de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação.
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer nº 47/2025/Câmaras Técnicas de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Cofen — Parecer nº 47/2025.
  4. SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo de Assistência em Anafilaxia para enfermeiros da Atenção Básica. São Paulo: SMS. Disponível em: Prefeitura de São Paulo — Protocolo de Anafilaxia.