Eletroconvulsoterapia (ECT)

A Eletroconvulsoterapia, ou ECT, é uma das mais tradicionais terapias de neuroestimulação e continua sendo muito utilizada em todo o mundo.

É um tratamento psiquiátrico no qual são provocadas alterações na atividade elétrica do cérebro induzidas por meio de passagem de corrente elétrica.

Indicações

A ECT apresenta uma rápida resposta terapêutica, o que a torna altamente recomendada para pacientes com risco de suicídio, negativismo intenso e catatonia, além dos casos de psicoses que podem oferecer risco a terceiros.

Como é feito a Terapia?

Para maior segurança e conforto do paciente, o tratamento é feito sob anestesia geral. Ao contrário do que acredita o senso comum, o procedimento não é doloroso, e a anestesia tem o papel de promover o relaxamento muscular, evitando espasmos mais fortes durante a aplicação.

O tratamento consiste na indução de uma convulsão controlada, com duração média de 25 segundos, monitorada por eletroencefalograma, eletrocardiograma e oximetria. Para isso, o paciente é estimulado com uma corrente elétrica de pulso breve ou ultra breve, controlada por computador, com duração de 5 a 7 segundos. O número de sessões necessárias varia conforme o caso e é definido pelo psiquiatra, levando em consideração a resposta do paciente às aplicações.

As sessões podem ser feitas com o paciente internado ou ambulatorialmente. Todo o procedimento dura em torno de 40 minutos, com a liberação do paciente alguns instantes após a sessão.

Possíveis Complicações

Os efeitos colaterais imediatos mais frequentes da terapia eletroconvulsiva (ECT) são cefaleia, náusea e êmese, que variam conforme o anestésico utilizado.

Mais de 45% dos pacientes referem cefaleia, que pode ser tratada sintomaticamente com uso de analgésicos.

Os pacientes que sofrem de ataques de enxaqueca de maneira regular estão mais predispostos a apresentar cefaleia após a ECT. Náusea e êmese ocorrem mais raramente após o procedimento anestésico e podem ser tratadas de maneira sintomática, em geral com uso de metoclopramida.

Durante a aplicação da ECT podem ocorrer arritmias cardíacas, geralmente leves e transitórias, em especial nos pacientes com doença cardíaca prévia. As arritmias resultam da breve bradicardia pós-ictal e, portanto, podem frequentemente ser prevenidas pelo aumento da dosagem de medicação anticolinérgica. Outras arritmias são secundárias à taquicardia observada durante a convulsão e podem ocorrer enquanto o paciente retorna à consciência.

A ocorrência de dores musculares e, mais raramente, de fraturas, devido à atividade motora convulsiva também faz parte das complicações associadas à ECT. Entretanto, o pré-tratamento com agente curarizante durante procedimento anestésico reduz consideravelmente a ocorrências destes eventos.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Orientar ao paciente e os familiares quanto ao tratamento;
  • Preparar o paciente para o tratamento deverá acompanhá-lo, durante e após cada sessão do tratamento, para lhe dar apoio;
  • No dia do tratamento o paciente deverá:
    • Permanecer em jejum absoluto, a fim de evitar vômitos e refluxo destes para as vias respiratórias;
    • Ser levado ao banheiro e ser estimulado a urinar e evacuar, pois o tratamento provoca relaxamento momentâneo dos esfíncteres anal e uretral;
    • A enfermagem precisará estar atenta para que o paciente o aproveite a oportunidade para beber água;
    • Retirar próteses dentárias, óculos, grampos ou qualquer outro objeto de metal de uso habitual;
    • Conservar os cabelos secos
    • Usar roupas folgadas de preferência roupas do hospital que permitam ampla movimentação.
  • O controle dos sinais vitais do paciente é de suma importância para se evitar complicações. Se houver discrepância em relação ao parâmetro obtido antes do início da série de aplicações, o tratamento deverá ser suspenso até nova avaliação médica;
  • Se a temperatura foi de 37°C ou estiver acima deste valor, a enfermeira deverá medi-la após 30 minutos aproximadamente; se a temperatura se mantiver o médico deverá ser avisado antes da aplicação do tratamento;
  • A sala de tratamento deve conter: oxigênio; aspirador; carro ou mesa de anestesia com medicação específica e material de intubação; e carrinho contendo o aparelho de eletrochoque, fio de extensão, benjamim, máscara para aplicação de oxigênio, sondas para aspiração de secreção do orofaringe, cateter nasal para oxigênio, medicação demergência, seringas e agulhas para aplicação de medicação intravenosa e intramuscular, garrote, algumas bolas de algodão secas e outras embebidas em álcool, solução de água e sal e material de restrição para o caso de agitação intensa após o tratamento;
  • Aspirador, fio de extensão, benjamim, fornecimento de oxigênio e aparelho de eletrochoque devem ser testados antes de cada sessão de tratamento, devendo este último permanecer ligado por aproximadamente 30 minutos antes do tratamento;
  • A cama do paciente deve ser baixa, fixa, com estrado firme e colchão duro;
  • A sala onde é feito o tratamento deve permitir o isolamento entre os pacientes, para evitar que um assista o tratamento do outro, e que fique mais ansioso e se negue a ser submetido ao tratamento se e quando for necessário;
  • Durante o tratamento devem ser evitados comentários desnecessários sobre qualquer assunto, pois o paciente pode ouvi-los eo entendê-los devido à ansiedade, à anestesia ou ao período confusional que ocorre logo após a aplicação, o que o tornaria mais apreensivo e ansioso. A comunicação entre os membros da equipe tem que ser cuidada;
  • Preparados satisfatoriamente, o paciente e o material, para o tratamento, procede-se à aplicação do mesmo;
  • A manutenção de ambiente adequado durante todo o tratamento é da competência da enfermagem.

Referências:

  1. Associação Médica Brasileira;
  2. August 1983 Revista da Escola de Enfermagem da U S P 17(2):145-152 DOI: 10.1590/0080-6234198301700200145

Globofobia: O que é?

Globofobia É um tipo específico de fobia em que a pessoa que sofre dela sente um grande medo de balões. Trata-se de um transtorno muito pouco prevalente, mas isso pode ser muito irritante para a pessoa que o apresenta.

Em geral, pessoas com globofobia experimentam altos sentimentos de ansiedade e desconforto quando expostas a balões. Da mesma forma, eles tentam evitar o contato com esses objetos em todos os momentos.

Ao contrário de outras fobias específicas, a globofobia pode ser um distúrbio ligeiramente incapacitante para o sujeito. No entanto, os indivíduos com esse transtorno têm grandes dificuldades em participar de aniversários ou outras situações em que possa haver balões.

Como é caracterizado?

Globofobia consiste em um transtorno de ansiedade. Especificamente, refere-se a um tipo peculiar e incomum de fobia específica.

Neste caso, o distúrbio fóbico é caracterizado pelo medo excessivo e irracional dos balões. Pessoas com globofobia experimentam altos sentimentos de ansiedade quando estão em contato com balões e ficam aterrorizadas com esses tipos de objetos.

Para determinar a presença da globofobia, é necessário que o medo dos balões apresente uma série de propriedades. Ou seja, o medo deve ser definido como fóbico.

O medo fóbico dos balões é caracterizado por:

  1. Excessivo: o medo vivido não corresponde às reais demandas da situação.
  1. Irracional: o medo experimentado não é baseado em pensamentos congruentes e coerentes.
  1. Incontrolável: apesar de conhecer a irracionalidade do medo, o indivíduo com globofobia é incapaz de controlar o medo dos balões.
  1. Permanente: o medo de balões não é temporário ou ocasional. A pessoa com globofobia experimenta o medo desses elementos constantemente ao longo de sua vida.

Da mesma forma, o medo fóbico dos balões é caracterizado por levar à evitação. Ou seja, o medo desses elementos é tão alto que motiva a pessoa a evitar o contato com balões sempre que possível.

O que a pessoa com Globofobia sente?

A sintomatologia da globofobia é caracterizada por ser principalmente ansiosa. As manifestações de ansiedade aparecem sempre que o indivíduo é exposto a balões e tem uma relação próxima com o medo desses objetos.

Embora raramente atinja a intensidade de um ataque de pânico, a resposta ansiosa típica da globofobia é caracterizada por ser alta. Atualmente, três diferentes tipos de sintomas do transtorno são postulados: sintomas físicos, sintomas cognitivos e sintomas comportamentais.

O medo gerado pelos balões produz uma modificação imediata do funcionamento do organismo da pessoa. Embora os sintomas físicos da globofobia possam ser ligeiramente diferentes em cada caso, eles são sempre caracterizados por um aumento na atividade do sistema nervoso autônomo do cérebro.

Nesse sentido, uma pessoa com globofobia pode experimentar algumas das seguintes manifestações:

  1. Aumento da frequência cardíaca e / ou palpitações.
  2. Aumento da frequência respiratória e / ou sentimentos de afogamento.
  3. Aumento da tensão muscular.
  4. Dores de cabeça e / ou estômago
  5. Dilatação pupilar
  6. Sudorese aumentada
  7. Tontura, náusea ou vômito.

Sintomas Cognitivos

A pessoa com globofobia desenvolve uma série de pensamentos irracionais e incongruentes sobre balões e a capacidade pessoal de lidar com esses objetos.

As cognições da globofobia podem adquirir diferentes modalidades e conteúdos, no entanto, caracterizam-se sempre por atribuições excessivamente negativas.

Finalmente, para falar da globofobia é necessário que o medo experimentado afete o padrão comportamental do indivíduo. O medo dos balões é tão alto que gera o desenvolvimento de dois comportamentos: evitar o estímulo fóbico e a fuga quando em contato com os balões.

O que causa essa Fobia?

Atualmente, argumenta-se que a etiologia da globofobia é a mesma do resto das fobias específicas. Nesse sentido, foi estabelecido que o transtorno não apresenta uma causa única, mas vários fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento.

Experiências negativas relacionadas a balões parece ser o fator mais importante. No entanto, outros elementos, como o aprendizado vicário ou a aquisição de informações negativas sobre balões, também podem desempenhar um papel importante.

Da mesma forma, vários autores defendem a presença de fatores genéticos no desenvolvimento da psicopatologia, e a alta influência que fatores de personalidade ansiosos ou estilos cognitivos podem ter na percepção do dano.

Tem como tratar?

Atualmente, a psicoterapia é a intervenção que tem mostrado maior eficácia no tratamento da globofobia. Especificamente, o tratamento cognitivo-comportamental tem taxas de reversão muito altas de respostas fóbicas.

O tratamento cognitivo-comportamental concentra-se no componente comportamental da patologia. Dessa forma, a principal técnica aplicada é a exposição gradual e controlada do indivíduo aos seus estímulos fóbicos.

Expor uma pessoa com globofobia é prevenir sua resposta de ansiedade nesses momentos permite que o indivíduo se acostume com seus elementos temidos e supere o medo que causa.

Da mesma forma, no tratamento cognitivo-comportamental, duas outras técnicas são geralmente aplicadas: treinamento de relaxamento e terapia cognitiva.

O treinamento de relaxamento é uma intervenção muito útil para reduzir o nível de ansiedade da pessoa e, assim, facilitar o processo de exposição sem que o indivíduo deseje escapar dos balões.

A terapia cognitiva é usada em alguns casos para modificar pensamentos irracionais sobre balões.

Referências:

  1. E. Horse. (1997). Manual para o tratamento cognitivo-comportamental de distúrbios psicológicos. Vol. I. Ansiedade, distúrbios sexuais, afetivos e psicóticos no Vol. Formulação clínica, medicina comportamental e distúrbios de relacionamento, II. Madri: Siglo XXI.
  1. A. Vallejo Pareja. (1998). Manual de terapia comportamental. Vol. 1 i 2. Madri: Dykinson.
  1. Pérez Álvarez, M., Fernández Hermida, J.R., Fernández Rodríguez, C. e Amigó Vazquez, I. (2003). Guia para tratamentos psicológicos eficazes. Vol I, II e III. Madri: pirâmide.
  1. Obiols, J. (Ed.) (2008). Manual de Psicopatologia Geral. Madri: nova biblioteca.
  1. Sadock, B. (2010) Kaplan & Sadock pocket manual de psiquiatria clínica. (5ª Ed.) Barcelona: Wolters Kluwer.

Transtorno da Somatização

Transtorno ou Sindrome de Biquet é caracterizada essencialmente pela presença de sintomas físicos, múltiplos, recorrentes e variáveis no tempo, sem causa orgânica identificável que persiste por mais de dois anos.

A maioria dos pacientes teve uma longa e complicada história de contato tanto com a assistência médica primária quanto especializada durante as quais muitas investigações negativas ou cirurgias exploratórias sem resultado podem ter sido realizadas. É um tipo de transtorno somatoforme assim como o transtorno hipocondríaco transtorno dismórfico corporal.

As representações psíquicas, ou seja, experiências emocionais do indivíduo em seu contexto social, exercem um papel central no processo de somatização através de sintomas físicos, cuja origem não é explicada pelas ciências médicas e por este motivo considerados sintomas de origem emocional.

Qual é a causa?

Assim como receber notícia de uma tragédia pode causar sintomas psicológicos como dor de cabeça, tontura, fraqueza, batimento cardíaco acelerado e náusea, vivenciar eventos estressantes causam um grande número de sintomas físicos especialmente relacionados ao sistema neurológico, digestivo, imune, reprodutivo e ao circulatório.

Outra possível causa é uma sensibilidade aumentada a sintomas físicos, que são aumentados e agravados por sintomas psicológicos no momento de desespero. A mente tem uma capacidade limitada de lidar com estresse e cansaço físico e pode potencializar sintomas físicos como forma de pressionar a pessoa a descansar e buscar ajuda

Sinais e Sintomas Comuns

A alteração no estado emocional pode promover o aparecimento de doenças como: dor de cabeça – inclusive enxaqueca -, resfriados frequentes, asma, gastrite, dores no corpo sem causa aparente, problemas cardiorrespiratórios, ganho de peso, acometimento da pele por processos alérgicos entre outros.

Critérios que devem estar presentes para fazer o diagnóstico de transtorno de somatização

Os critérios que devem ser levados em consideração pelos especialistas em saúde mental para fazer o diagnóstico do transtorno de somatização são os seguintes:

A. Um ou mais sintomas somáticos que causam mal-estar ou dão lugar a problemas significativos na vida diária.

B. Pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados aos sintomas somáticos ou associados à preocupação com a saúde, como se torna evidente por uma ou mais das seguintes características:

  • Pensamentos desproporcionais e persistentes sobre a gravidade dos próprios sintomas.
  • Nível persistentemente elevado de ansiedade em relação à saúde ou aos sintomas.
  • Emprego de tempo e energia em excesso na preocupação com esses sintomas ou com a saúde.

C. Embora algum sintoma somático possa não estar continuamente presente, o estado sintomático é persistente (em geral por mais de seis meses).

Tratamento

Atualmente a terapia comportamental cognitiva (TCC) é o tratamento com melhores resultados comprovados cientificamente para tratar transtornos somatoformes, incluindo o transtorno de somatização.

Essa terapia envolve ajudar o indivíduo a identificar os eventos e crenças que desencadeiam e mantem seus sintomas físicos, ensiná-lo como lidar com a ansiedade e desgaste emocional, estimular reflexões sobre seus pensamentos e comportamentos não saudáveis, empoderar o paciente para enfrentar a raiz dos problemas, podendo acompanhá-lo em situações estressantes e estimular comportamentos e pensamentos que tornam o indivíduo mais saudável, produtivo e eficiente.

Antidepressivos podem ser usados para reduzir a ansiedade, melhorar a auto-estima do paciente e amenizar transtornos do humor ou transtornos de ansiedade correlacionados a somatização.

Assim, conforme o humor melhora e a ansiedade diminui os sintomas também reduzem significativamente.

Referências:

  1. Schreiber D, Kolb NR, Tabas G. Somatização 1ª parte – diagnóstico prático. NeuroPsicoNews 2003;53: 3-6.

Transtorno Bipolar

Transtorno Bipolar

O transtorno bipolar é um problema em que as pessoas alternam entre períodos de muito bom humor e períodos de irritação ou depressão. As chamadas “oscilações de humor” entre a mania e a depressão podem ser muito rápidas e podem ocorrer com muita ou pouca frequência.

No transtorno Bipolar clássico sem tratamento cada fase dura, em geral, de três a seis meses, depois existe uma fase de normalidade que é variável e posteriormente uma fase de euforia que também pode durar de três a seis meses. Com tratamento adequado este período pode ser abreviado.

Tipos

Tipos de transtorno bipolar:

  • Transtorno bipolar tipo 1: pacientes apresentam pelo menos um episódio maníaco e períodos de depressão profunda. Antigamente, o transtorno bipolar do tipo 1 era chamado de depressão maníaca.
  • Transtorno bipolar tipo 2: pacientes nunca apresentaram episódios maníacos completos. Em vez disso, elas apresentam períodos de níveis elevados de energia e impulsividade que não são tão intensos como os da mania (chamado de hipomania). Esses episódios se alternam com episódios de depressão
  • Uma forma leve de transtorno bipolar chamada ciclotimia envolve oscilações de humor menos graves. Pessoas com essa forma alternam entre hipomania e depressão leve. As pessoas com transtorno bipolar do tipo II ou ciclotimia podem ser diagnosticadas incorretamente como tendo apenas depressão.

Causas

A causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas a ciência acredita que diversos fatores possam estar envolvidos nas oscilações de humor provocadas pela doença, como:

  • Peculiaridades biológicas: pessoas com transtorno bipolar parecem apresentar diferenças físicas em seus cérebros, o que pode levar os cientistas a descobrirem as causas exatas da doença;
  • Neurotransmissores: um desequilíbrio entre os neurotransmissores parece ser um importante fator nas causas do transtorno bipolar;
  • Hormônios: desequilíbrio hormonal também está entre as possíveis causas
  • Hereditariedade: pessoas que tenham parentes com histórico de transtorno bipolar são mais suscetíveis à doença, o que leva muitos cientistas a acreditarem que a genética possa estar envolvida nas causas da doença;
  • Meio ambiente: fatores exógenos, como estresse, abuso sexual e outras experiências traumáticas (como a morte de algum ente querido), também podem estar relacionadas ao desenvolvimento do transtorno bipolar.

Fatores de risco

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno bipolar. Confira:

  • Histórico familiar da doença;
  • Estresse intenso;
  • Uso e abuso de drogas recreativas e/ou álcool;
  • Mudanças de vida e experiências traumáticas;
  • Ter entre 15 e 25 anos.

Homens e mulheres possuem as mesmas chances de desenvolver a doença.

Fase maníaca

Tipicamente leva uma a duas semanas para começar e quando não tratado pode durar meses. O estado de humor está elevado podendo isso significar uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Junto a essa elevação encontram-se alguns outros sintomas como elevação da auto-estima, sentimentos de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas como telepáticas por exemplo.

Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico e apesar disso com uma diminuição da necessidade de sono. O paciente apresenta uma forte pressão para falar ininterruptamente, as idéias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma idéia não concluída em outra sucessivamente: a isto denominamos fuga-de-idéias. O paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento.

Aumento do interesse e da atividade sexual. Perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente ou insuportável. Envolvimento em atividades potencialmente perigosas sem manifestar preocupação com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas mostra um quadro mais grave quando isso acontece.

Fase depressiva

É de certa forma o oposto da fase maníaca, o humor está depressivo, a auto-estima em baixa com sentimentos de inferioridade, a capacidade física esta comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase maníaca pode durar meses também.

Exemplo de como um paciente se sente

…Ele se sente bem, realmente bem…, na verdade quase invencível. Ele se sente como não tendo limites para suas capacidades e energia. Poderia até passar dias sem dormir. Ele está cheio de idéias, planos, conquistas e se sentiria muito frustrado se a incapacidade dos outros não o deixasse ir além. Ele mal consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele se aborrece para valer, não se intimida com qualquer forma de cerceamento ou ameaça, não reconhece qualquer forma de autoridade ou posição superior a sua. Com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido negativo como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais lhe causam agora prazer; mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento são para ele amistosas e bondosas.

Sintomas (maníacos)

Sentimento de estar no topo do mundo com um alegria e bem estar inabaláveis, nem mesmo más notícias, tragédias ou acontecimentos horríveis diretamente ligados ao paciente podem abalar o estado de humor. Nessa fase o paciente literalmente ri da própria desgraça.

Sentimento de grandeza, o indivíduo imagina que é especial ou possui habilidades especiais, é capaz de considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade, um líder político. Inicialmente quando os sintomas ainda não se aprofundaram o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade; com o aprofundamento do quadro esta idéia torna-se uma convicção delirante.

Sente-se invencível, acham que nada poderá detê-las.Hiperatividade, os pacientes nessa fase não conseguem ficar parados, sentados por mais do que alguns minutos ou relaxar.
O senso de perigo fica comprometido, e envolve-se em atividade que apresentam tanto risco para integridade física como patrimonial.

O comportamento sexual fica excessivamente desinibido e mesmo promíscuo tendo numerosos parceiros num curto espaço de tempo.Os pensamentos correm de forma incontrolável para o próprio paciente, para quem olha de fora a grande confusão de idéias na verdade constitui-se na interrupção de temas antes de terem sido completados para iniciar outro que por sua vez também não é terminado e assim sucessivamente numa fuga de idéias. A maneira de falar geralmente se dá em tom de voz elevado, cantar é um gesto freqüente nesses pacientes.

A necessidade de sono nessa fase é menor, com poucas horas o paciente se restabelece e fica durante todo o dia e quase toda a noite em hiperatividade.Mesmo estando alegre, explosões de raiva podem acontecer, geralmente provocadas por algum motivo externo, mas da mesma forma como aparece se desfaz.

A fase depressiva

Na fase depressiva ocorre o posto da fase maníaca, o paciente fica com sentimentos irrealistas de tristeza, desespero e auto-estima baixa. Não se interessa pelo que costumava gostar ou ter prazer, cansa-se à-toa, tem pouca energia para suas atividades habituais, também tem dificuldade para dormir, sente falta do sono e tende a permanecer na cama por várias horas. O começo do dia (a manhã) costuma ser a pior parte do dia para os deprimidos porque eles sabem que terão um longo dia pela frente.

Apresenta dificuldade em concentra-se no que faz e os pensamentos ficam inibidos, lentificados, faltam idéias ou demoram a ser compreendidas e assimiladas. Da mesma forma a memória também fica prejudicada. Os pensamentos costumam ser negativos, sempre em torno de morte ou doença. O apetite fica inibido e pode ter perda significativa de peso.

Tratamento

O tratamento de transtorno bipolar pode ser tentado com várias classes de medicação, incluindo sais de lítio, anticonvulsivantes, antipsicóticos, antidepressivos e eletroconvulsoterapia. Porém, o tratamento frequentemente é caracterizado por persistência de alguns sintomas e por altos índices de recaídas e internações.

O tratamento adequado do TBH pode ser feito com um ou mais estabilizante de humor como carbonato de lítio (medicação com a melhor evidência),ácido valproico/valproato de sódio/divalproato de sódio, lamotrigina, carbamazepina ou oxcarbazepina). A associação de antidepressivos (de diferentes classes) e de antipsicóticos (em especial os de segunda geração como risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, aripiprazol) pode ser necessária para o controle de episódios de depressão e de mania.

Psicoterapêutico

O tratamento psicoterápico pode ajudar:

  • Aumentando a adesão ao tratamento;
  • Reduzindo dos sintomas residuais;
  • Prevenindo recaídas/recorrências;
  • Reduzindo o número e períodos de hospitalizações;
  • Prevenindo suicídio;
  • Melhorando a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares;
  • Melhorando as habilidades sociais e o desempenho e;
  • Melhorando a capacidade de lidar com situações estressantes em suas vidas.

Eletroconvulsoterapia

Em alguns casos, quando a medicação e psicoterapia não são suficientes, uma alternativa eficiente, segura é o uso de eletroconvulsoterapia (ECT). A ECT utiliza uma corrente eléctrica breve aplicada ao couro cabeludo, enquanto o paciente está sob anestesia. O processo leva cerca de 15 minutos e é feito duas a três vezes por semana durante um período de seis a doze semanas. Em uma revisão bibliográfica do uso da ECT para tratar episódios maníacos ao longo de um período de 50 anos, quase 80% dos 589 pacientes maníacos tiveram melhoras significativas, inclusive os que não responderam aos medicamentos.

Assistência de Enfermagem com pacientes em Transtorno Bipolar

  1. Apoie o paciente em momentos difíceis. Mantenha os medicamentos na dose certa e no horário prescrito;
  2. Seja firme e tenha paciência. Isso porque o relacionamento com o paciente em euforia pode ser desgastante;
  3. Detecte com o paciente os primeiros sinais de uma recaída; se ele considerar como intromissão, afirme que seu papel é auxiliá-lo;
  4. Fale com o médico em caso de suspeita de ideias de suicídio e desesperança;
  5. Estabeleça regras de proteção durante fases de normalidade do humor;
  6. Auxilie a manter boa higiene de sono e programe atividades antecipadamente;
  7. Não exija demais do paciente e não o superproteja; auxilie-o a fazer algumas atividades, quando necessário;
  8. Evite demonstrar sinais de preconceito que favoreçam ao abandono do tratamento;
  9. Aproveite períodos de equilíbrio para diferenciar depressão e euforia de sentimentos normais de tristeza e alegria;
  10. Participe de terapias em grupo, e orientações psico-educacionais.

Na Fase Depressiva

  1. Assumir responsabilidades pela segurança do paciente;
  2. Deve estimulá-lo a falar, para que possa verbalizar seus sentimentos e idéias de auto-depreciação;
  3. Avaliar seu nível de esperança;
  4. Deve usar frases curtas e claras;
  5. Usar o silêncio;
  6. Ocupar e socializar o paciente são formas de elevar a auto-estima;
  7. Comentar positivamente suas conquistas;
  8. Observar sono e verificar problemas somáticos;
  9. Observar a alimentação e o auto-cuidado.

Na Fase maníaca

  1. Deve-se ter uma observação constante e relato das manifestações de comportamento do paciente;
  2. O maníaco deve permanecer em local com poucos pacientes e o ambiente deve ser o mais tranqüilo possível, com o mínimo de estímulos;
  3. Ouvir reflexivamente;
  4. Deve-se usar tom baixo de voz, frases curtas e linguagem clara;
  5. Tentar manter seu discurso coerente;
  6. Impor limites;
  7. Ajudá-lo em sua higiene;
  8. Evitar que seja alvo de zombaria;
  9. Orientação à família;