Nomenclatura Obstétrica

É importante aos estudantes, acadêmicos e profissionais de saúde a compreensão do conjunto de definições que são utilizadas em perinatologia e ginecologia.

A inserção nos domínios destas disciplinas impõe a utilização frequente destes termos, estes, por sua vez são utilizados quase que universalmente nas instituições de saúde do mundo.

Os principais Objetivos

O aluno seja capaz de compreender e definir:

  • A gestante segundo o numero de gestações e de partos;
  • Os tipos de gestações segundo a idade gestacional;
  • Os tipos de parto, segundo a resolução e idade gestacional;
  • O que é situação, apresentação, posição e variedade de posição;
  • Citar e localizar os pontos de referência maternos e fetais;
  • Localizar e descrever as variedades de posição numa apresentação cefálica fletida e nas defletidas de 1º, 2º e 3º graus.

Classificação de Gestação, Tipos de Parto e Gestante

Gestação (prenhez ou gravidez) É o estado peculiar à mulher que concebeu e no qual evolui o produto da concepção.

Tipos de gestação Segundo a idade gestacional) – a partir do 1º. dia da última menstruação.

  • Gestação pré-termo: correspondente àquela que dura menos de 37 semanas (menos de 259 dias).
  • Gestação a termo: correspondente à gestação de 37 semanas completas a 42 semanas incompletas de duração.
  • Gestação Pós-Termo (Prolongada)corresponde a 42 semanas ou mais.

Tipos De Parto

1. Segundo a idade gestacional

  • Aborto – perda de uma gravidez no início, em geral antes da 20ª semana de gravidez. Pode ser espontâneo ou induzido (RICCI, 2008).
  • Parto pré-termo – parto ocorrido entre a 20ª e a 37ª semanas de gravidez (IBDEM).
  • Parto a termo – parto ocorrido entre a 37 semanas completas e 42 semanas incompletas de gravidez.
  • Parto pós-termo – parto ocorrido com 42 semanas completas ou mais.

2. Segundo a sua evolução e resolução

A. Via baixa:

  • Espontâneo ou natural: parto que evolui espontaneamente, sem qualquer intervenção.
  • Induzido: provocado por medicamentos ou manobras.
  • Dirigido: parto com a participação ativa do(a) obstetra (amniotomia, tocoanalgésicos, ocitócitos, episiotomia) em seu desenrolar.
  • Normal ou eutócico: parto que transcorre fisiologicamente.
  • Distócico: parto patológico, que é perturbado por condições anômalas.
  • A fórcipe: parto onde um instrumento de preensão e tração é utilizado para a extração da cabeça fetal.

B. Via alta:

  • Cesária – extração do feto por via abdominal após incisão no útero.
  • Cesárea segmentar – a abertura no útero é feita ao nível do segmento inferior, abaixo do peritôneo.
  • Cesárea corporal – incisão vertical na parede uterina até o fundo uterino.

Reservada para os casos mais graves e raros, pois pode favorecer a rotura uterina (nas próximas gestações).

Classificação da Gestante

1. Segundo o N º de Gestações

  •  Primigesta (Primigrávida) descreve amulher que se encontra grávida pela primeira vez (RICCI, 2008);
  • Secundigesta: descreve a gestante na segunda gestação (IBDEM);
  • Tercigesta: mulher que se encontra grávida pela 3ª vez;
  • Quartigesta: mulher que se encontra grávida pela 4ª vez;

E assim por diante…

2. Segundo o N º de Partos

  • Nulípara: Mulher que já mais deu à luz (REZENDE; MONTENEGRO, 2005)
  • Primípara: Mulher que deu à luz apenas uma vez a feto (com 20 semanas ou mais) vivo ou morto. (RICCI, 2008)
  • Paucípara: mulher que pariu poucas vezes (até 3 vezes) (REZENDE; MONTENEGRO, 2005)
  • Multípara: Mulher que deu à luz 2 ou mais vezes. (DELASCIO & GUARIENTO, 1994)

Estática fetal ou Relações Utero-fetais 

É o estudo das relações entre:

  • produto da concepção;
  • Bacia materna;
  • Útero materno.

Atitude Fetal É a relação entre as diferentes partes entre si. A Atitude é de flexão generalizada: da coluna vertebral para diante, com a cabeça levemente fletida, e com as coxas sobre a bacia, com isso o concepto fica com a forma de um ovóide, com duas extremidades ou pólos: cefálico e pélvico.

Ovóide Córmico É o conjunto de tronco e membros superiores e inferiores.

Situação Fetal Relação entre o maior eixo fetal com o maior eixo materno (coluna vertebral).

Pode ser: Longitudinal (eixos coincidentes), Oblíqua e Transversa (eixos perpendiculares).

Apresentação É a parte fetal que ocupa a área do estreito superior da bacia e nela se insinuará.

Só é definitiva nos últimos meses.

Na situação longitudinal a apresentação pode ser cefálica ou pélvica.

apresentação cefálica pode ser: fletida, defletida de 1º, 2º e 3º grau.

A apresentação pélvica pode ser:

  • Completa (pelvipodálica);
  • Incompleta, Modo de nádega (pélvica simples);
  • Incompleta, variedade de pés ou joelhos (pélvica com procidência de pés ou joelhos).

Na situação transversal (o maior eixo da cavidade uterina é perpendicular ao maior eixo fetal) – 0,5% dos casos – a apresentação será córmica.

Posição é a relação do dorso fetal com o lado esquerdo ou direito materno.

Ex.: a posição será Esquerda, quando o dorso fetal se acha voltado para o lado esquerdo da mãe.

Variedade de Posição É a relação dos pontos de referência maternos com os pontos de referências fetais.

Pontos de Referência Maternos

Os pontos de referência maternos são: Pube, Eminências ileopectíneas, Diâmetro Transverso Médio, Sinustose Sacro-ilíaca e Sacro (Promontório).

Pontos de Referência Fetais

Os pontos de referência fetais são:

  • Occipício (Lâmbda) – na apresentação fletida;
  • Bregma – na apresentação defletida de 1º grau;
  • Naso (Glabela) – na apresentação defletida de 2º grau e Mento – na defletida de 3º grau;
  • Cristasacrococcígea – apresentação pélvica;
  • Acrômio – apresentação córmica.

As variedades de posição, possíveis numa apresentação cefálica fletida são:

  • OEA – occípito E anterior
  • OEP – occípito E posterior
  • ODA– occípito D anterior
  • ODP– occípito D posterior
  • ODT– occípito D Transversa
  • OET– occípito E Transversa
  • OP – occípito Pube
  • OS – occípito Sacro

A linha de orientação numa apresentação cefálica fletida é a sutura sagital.

Altura da apresentação Durante a gestação a apresentação só terá relação direta com a bacia no início do trabalho de parto, ou nos dias que o precedem.

Os graus evolutivos desta relação com a pelve materna, de acordo com a altura da apresentação são:

  • Alta e móvel (quando a apresentação não toma contato com o estreito superior da bacia);
  • Ajustada (apresentação ocupando a área do estreito superior);
  • Fixa (Não se consegue mobiliza-la na palpação);
  • Insinuada (Quando a maior circunferência da apresentação já ultrapassou a área do estreito superior).

Insinuação ou encaixamento É a passagem do maior plano perpendicular à linha de orientação (biparietal nas apresentações cefálicas e bitrocanteriano nas pélvicas) pelo estreito superior da bacia. Para expressar a altura da apresentação usamos o critério de DeLee, considerando a linha entre as espinhas isquiáticas como plano Zero. Se a apresentação fetal for palpada (pelo toque vaginal) acima das espinhas esquiáticas, dá-se um número negativo.

Se a apresentação for palpada abaixo das espinhas isquiáticas maternas dá-se um número positivo, que denota quantos centímetros há abaixo da situação zero (RICCI, 2008). Quando a apresentação estiver 1 cm acima do plano zero, a altura é expressa como “-1”, 2 cm acima do plano zero, expressa-se a altura como “-2” e assim por diante, até o plano “-5”.

Se a apresentação estiver abaixo do plano zero, cerca de 1 cm, sua altura será de +1, até atingir +5.

Termos comumente utilizados em obstetrícia

  • Abcesso e Cisto da Glândula de Bartholin: As glândulas de Bartholin são semelhantes às glândulas dos mamíferos. Estão localizadas profundamente na vulva. As alterações inflamatórias secundárias à infecção e obstrução do ducto são as causas mais comuns de queixas relacionadas a essas glândulas. Tumores originados nessas glândulas são extremamente raros (carcinoma da glândula de Bartholin). As obstruções não inflamatórias dos ductos geralmente são de origem traumática, secundárias a traumatismos do períneo, lacerações obstétricas (durante o parto) ou à episiotomia (corte que, algumas vezes, se realiza no períneo para facilitar a saída do feto);
  • Abdômen em Pêndulo: sin. de ventre em avental;
  • Aborto: é o PRODUTO do Abortamento;
  • Abortamento: Interrupção precoce da gravidez, espontânea ou induzida, seguida pela expulsão do produto gestacional pelo canal vaginal. Expulsão ou extração do útero de um embrião ou feto numa fase da gravidez em que este não é viável (incapaz de vida independente), ou seja, com menos de 500 g (equivalendo a 20 semanas de idade gestacional). Cerca de 12% das gestações humanas terminam espontaneamente no 1.º trimestre, com maior frequência nas primíparas;
  • Abortamento espontâneo: Expulsão do produto da concepção antes que se complete a 20ª semana de gestação sem interferência deliberada;
  • Abortamento habitual: Três ou mais abortos espontâneos consecutivos;
  • Abortamento séptico: Aborto infectado em que há uma disseminação de microrganismos e seus produtos para dentro da circulação sistêmica materna;
  • Abruptio Placentae: Sin. de descolamento prematuro da placenta;
  • Amniocentese: Punção da cavidade amniótica e colheita de líquido amniótico destinado a análise, praticada por volta do terceiro mês da gravidez;
  • Amnioscopia: Exame visual do líquido amniótico, por meio de um endoscópio (amnioscópio) introduzido no colo do útero, realizado em caso de gravidez prolongada; a coloração do líquido permite avaliar o estado do feto;
  • Anemia Eritroblástica do Recém-nascido: Sin. de eritroblastose fetal;
  • Anemia Ferripriva: Anemia devida a um défice da ingestão ou da absorção de ferro, caracterizada por uma descida da concentração corpuscular média de hemoglobina (inferior a 29%) e do ferro sérico (inferior no homem a 59 e na mulher a 37 mg por 100 ml). Sin. de anemia por carência de ferro, anemia ferropénica, anemia sideropénica;
  • Amniótico: Relativo ao âmnios;
  • Âmnios: Membrana fina que reveste o interior da cavidade onde se encontra o feto (cavidade amniótica). V. bolsa das águas. (adj.: amniótico.);
  • Anexite: Inflamação dos anexos do útero vulgarmente designada salpingo-ovarite (a infecção atinge o ovário e a trompa uterina);
  • Anovulatório: Que não é acompanhado pela ovulação. Ex.: ciclo menstrual anovulatório;
  • Antiemético: Que elimina ou previne os vômitos;
  • APGAR (índice de): Método de avaliação global do estado de uma criança ao nascer, fundamentado na pesquisa dos sinais clínicos mais característicos e fáceis de detectar, para realizar um balanço geral. Estes sinais são reunidos num quadro e cotados de acordo com o respectivo grau de gravidade pelos números 0, 1 ou 2 (0 = gravidade máxima); incluem: A = aspecto (coloração); P = pulso (frequência cardíaca); G = contração do rosto (resposta reflexa à estimulação da planta do pé); A = atividade (mobilidade); R = respiração. Considera-se que um total de 10 pontos representa o melhor resultado possível. Ling.: APGAR acrônimo mnemônico dos 5 sinais clínicos estudados: aspecto, pulso, contração do rosto (fr. grimace), atividade, respiração (Apgar, Virginia, pediatra americana, 1909-1974);
  • Apresentação de Nádegas Completa: Em obstetrícia, apresentação de nádegas na qual as pernas se encontram fletidas sobre as coxas e as coxas sobre o abdómen, de forma que os membros inferiores fazem parte da apresentação ao mesmo tempo que as próprias nádegas;
  • Apresentação de Nádegas Incompleta: Em obstetrícia, apresentação de nádegas na qual os membros inferiores estão estendidos diante do tronco, com os pés à altura da cabeça do feto, de forma que as nádegas constituem toda a apresentação;
  • Bacteriúria: Presença de bactérias em número excessivo na urina;
  • Blastocisto: Forma vesicular (blastocele) do embrião dos mamíferos, consecutiva à segmentação do ovo. No embrião humano, o blastocisto constitui-se muito precocemente (6.º dia), no momento da sua implantação na parede uterina;
  • Blastômero: Célula que provém das primeiras divisões do ovo fecundado;
  • Blástula: Fase de desenvolvimento do ovo ou zigoto que se segue à mórula e se caracteriza pela formação de uma cavidade líquida (blastocélio) entre os blastômeros;
  • Blenorragia: Doença contagiosa provocada pelo gonococo (Neisseria gonorrhoea), caracterizada por inflamação das vias geniturinárias, acompanhada por corrimento purulento e dores durante a micção. A transmissão faz-se habitualmente por contato sexual. Sin. de esquentamento (popular). (adj.: blenorrágico, gonorreico.);
  • Caduca: 1) Porção da mucosa uterina que se solta e é expulsa com a placenta após o parto. Sin. de decídua (ou membrana decídua). 2) Por extensão, designa a mucosa do corpo uterino durante a gravidez;
  • Câimbra: 1) Contração involuntária, dolorosa e transitória de um músculo ou grupo de músculos. V. também contratura, convulsão, espasmo. 2) Qualquer dor de tipo espasmódico: câimbra intestinal, câimbra do estômago;
  • Candida Albicans: Fungo saprófito do tubo digestivo do homem e dos animais, que pode, em condições especiais, proliferar em grande número e provocar lesões da pele e das mucosas (sobretudo da mucosa intestinal), durante um tratamento por antibióticos do grupo das tetraciclinas;
  • Candidíase (ou candidose): Afecção aguda, subaguda ou crónica, causada por leveduras pertencentes ao género Candida (sobretudo Candida albicans). A infecção atinge sobretudo a pele e as mucosas e manifesta-se por uma erupção de pequenas pústulas esbranquiçadas. V. sapinhos. Nos indivíduos enfraquecidos ou imunodeprimidos (ex.: no caso da SIDA), a infecção pode estender-se aos órgãos profundos (candidíase broncopulmonar ou urinária) e tornar-se septicémica, provocando complicações neurológicas e cardíacas. Sin. de monilíase (desaconselhado);
  • Carúnculas Mirtiformes: Pequenas saliências carnudas situadas em redor do orifício da vulva; representam aquilo que resta do hímen após o primeiro parto;
  • Circulares do Cordão: Voltas formadas pelo cordão umbilical quando este se enrola em torno do pescoço do feto durante a gravidez;
  • Cisto de Naboth: Pequenos cistos formados pelas glândulas mucíparas obstruídas da mucosa do colo do útero. Ling.: foram denominados «ovos», por Naboth que os tomou por ovos caídos da cavidade uterina e instalados no colo do útero. (Naboth, Martin, anatomista e médico alemão, 1675-1721.)
  • Citomegalovírus: é um vírus do grupo herpesvírus humano, que ocorre em todas as regiões do mundo, variando com as condições socioeconômicas locais. Na gravidez, pode infectar o feto tanto durante a infecção primária materna, quanto durante a reativação da infecção materna presente antes da concepção;
  • Coagulopatia de Consumo: Coagulação intravascular disseminada (pequenos trombos nos capilares periféricos e em diversos órgãos) que provoca uma diminuição do fibrinogênio e de certos fatores de coagulação do sangue (nomeadamente os fatores V e VIII). Observa-se em circunstâncias diversas: intervenções cirúrgicas, complicações obstétricas, estados de choque, ertos cancros, ação tóxica de certos medicamentos;
  • Colo do Útero: Parte do útero que se projeta para dentro da vagina. O canal no seu interior (canal cervical), que liga a cavidade do útero com a vagina, contém normalmente muco, cuja viscosidade muda ao longo do ciclo menstrual. O colo do útero permite uma larga dilatação durante o parto, dando passagem ao nascituro;
  • Colpocistoplastia: Cirurgia plástica realizada na vagina e na bexiga;
  • Colpocitologia: Exame histológico das células recolhidas nos esfregaços obtidos da vagina e do colo do útero. Este processo é utilizado para o diagnóstico hormonal durante os ciclos menstruais, para diagnóstico da vitalidade do ovo durante a gravidez e para diagnóstico precoce do cancro do colo do útero. Sinônimo de Papanicolaou (teste de);
  • Colpoperineorrafia: Sutura das paredes vaginais e do períneo, após rotura, ou para corrigir um prolapso uterovaginal;
  • Colposcopia: Exame visual da vagina e do colo do útero por meio de um instrumento denominado colposcopio. (adj.: colposcópico.);
  • Comissura Posterior dos Pequenos Lábios: Prega cutânea formada pela reunião da extremidade posterior dos pequenos lábios da vulva. Sin.: fúrcula;
  • Condiloma acuminado: Forma de crescimento verrucoso anogenital que é sexualmente transmitido e é causado por papiloma vírus humanos;
  • Conização do Colo do Útero: Excisão ao nível do colo uterino de um fragmento de forma cônica;
  • Contrações Puerperais: Contrações dolorosas do útero que aparecem depois do parto e que favorecem a evacuação das secreções uterinas;
  • Contracepção: Emprego de meios com a finalidade de evitar que as relações sexuais possam provocar a gravidez;
  • Coombs (prova ou teste de): Prova amplamente utilizada para reconhecer a presença de anticorpos incompletos dos grupos sanguíneos do sistema Rh. Identificam-se anticorpos (que são imunoglobulinas) no soro (teste de Coombs indireto) ou nos glóbulos vermelhos do indivíduo examinado (teste de Coombs direto) utilizando um soro antiglobulina proveniente de coelhos imunizados com estes anticorpos, e que provoca a sua aglutinação. Sin. de prova da antiglobulina. (Coombs, Robin, imunologista inglês, 1921-.);
  • Cordão Umbilical: Cordão conjuntivovascular que liga o umbigo do feto à placenta e através do qual se faz a circulação do sangue entre o feto e a placenta;
  • Cório (ou córion). 1) Membrana exterior do ovo dos mamíferos. 2) Camada conjuntiva profunda de uma membrana mucosa ou serosa, subjacente ao epitélio. 3) Camada da pele sob a epiderme. Sin. de derme. (adj.: corial; coriónico.);
  • Corioadenoma: Tumor muitas vezes necrótico e hemorrágico que invade profundamente a parede do útero. Sin. de mola (hidatiforme) maligna;
  • Coriocentese: Colheita de vilosidades coriais (CVC) para diagnóstico pré-natal precoce de eventuais anomalias genéticas;
  • Corpo Amarelo: V. corpo lúteo;
  • Corpo Lúteo: Formação com a função de glândula endócrina, constituída no ovário dos mamíferos, no lugar do folículo ovariano (de de Graaf), após rotura deste último para libertar o óvulo. O corpo lúteo caracteriza-se pela presença de células amarelas com luteína, hormônio atualmente designado por progesterona, que prepara a mucosa uterina para a implantação do óvulo fecundado (corpo lúteo gravídico) ou que favorece a reconstituição da mucosa uterina se o óvulo não for fecundado (corpo lúteo menstrual, que desaparece em cada ciclo);
  • Crista Ilíaca: Bordo superior convexo do osso ilíaco, largo, espesso e rugoso, em forma de S. É engrossado nas suas extremidades, que constituem a espinha ilíaca ântero-superior e a espinha ilíaca póstero-superior;
  • Curetagem: Operação de raspagem que consiste em raspar, com o auxílio da cureta, uma cavidade natural (Ex. útero), uma ferida ou uma cavidade patológica, para extrair o seu conteúdo ou zonas patológicas. A mesma operação efetuada com o auxílio dos dedos desiga-se curagem;
  • Débito Cardíaco: Quantidade de sangue expulso por cada ventrículo num minuto;
  • Decídua: Sin. de caduca;
  • Dilatação: Aumento, espontâneo ou provocado, das dimensões de um órgão oco, do calibre de um canal ou de um orifício. Ex.: dilatação cervical;
  • Dismenorréia: Menstruação difícil e dolorosa;
  • Dispareunia: Dor sentida pela mulher durante as relações sexuais, sem que se produza contração da vagina;
  • Dispnéia: Dificuldade em respirar acompanhada por uma sensação de opressão e de mal-estar;
  • Distopia: Situação anormal de um órgão;
  • Dorsalgia: Dor na região dorsal;
  • Eclampsia: Acidente agudo paroxístico da pré-eclâmpsia, que se manifesta durante os três últimos meses da gestação e durante ou após o parto. Consiste em acessos repetidos de convulsões seguidas por um estado comatoso;
  • Ecografia: Registro dos ecos produzidos pelos ultrassons na sua passagem através de diversos meios e estruturas do organismo, empregue como meio de diagnóstico. Este registro faz-se após a transformação dos ecos em sinais luminosos (por meio de um sonógrafo; o exame assim obtido é uma ultrassonografia). (adj.: ecográfico.);
  • Ecografia Transvaginal: A ultrassonografia ou ecografia transvaginal é um exame em que um transdutor (aparelho que emite uma onda sonora e o seu eco é captado pelo mesmo aparelho para gerar uma imagem na tela de um monitor) é introduzido na vagina da paciente, assim como um espéculo, e o útero, as trompas e os ovários são visualizados para se detectar alterações. Esse exame pode ser usado para diagnosticar a causa de um sangramento vaginal anormal. Porém, não é utilizado para screening;
  • Ectrópio: ou ectopia caracteriza-se pela eversão do epitélio colunar sobre a ectocervice, apresentando-se como uma extensa área avermelhada na ectocervice ao redor do orifício cervical externo. Acontece quando o colo do útero sofre um aumento brusco no tamanho sob a influência hormonal (estrógeno) e o epitélio glandular fica exposto ao ambiente vaginal em casos de alterações inflamatórias e metaplasicas, mas que aparece também, com muita frequência, no período gestacional (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003);
  • Embrião: O produto da fertilização de um óvulo por um esperma durante as primeiras 8 semanas de desenvolvimento;
  • Embriogênese: Série de transformações sofridas pelo ovo fecundado destinadas à formação do embrião (desenvolvimento embrionário). As suas fases principais são: a segmentação do ovo, a gastrulação, a formação dos folhetos embrionários, a histogênese e a organogênese. Sin.: desenvolvimento embrionário;
  • Endocervical: Que se situa ou se produz no interior do colo do útero. Ex.: mucosa endocervical;
  • Endocervicite: Inflamação da mucosa interna do colo do útero;
  • Endocérvix: Mucosa interna do colo do útero;
  • Episiotomia: Incisão do períneo partindo da comissura posterior da vulva. Tem por finalidade impedir a rasgadura do períneo durante o parto e sobretudo facilitar a saída do feto;
  • Eritroblastose: Aumento do número de eritroblastos na medula óssea ou presença de eritroblastos num tecido que em regra está desprovido deles (nomeadamente no sangue) e o conjunto das perturbações daí resultantes;
  • Eritroblastose fetal: (ou perinatal): Síndrome hemolítica congênita provocada por uma incompatibilidade dos tipos sanguíneos Rhesus entre a mãe e a criança. Se a mãe for Rh-, o pai Rh+ e o feto Rh+ aparecem aglutininas anti-Rh no sangue da mãe e, por via transplacentária, estas aglutinam os eritrócitos do feto. Em geral o primeiro filho é normal e a eritroblastose só se manifesta a partir da segunda gravidez, mas com crescente gravidade. As suas manifestações principais são a icterícia, a anemia e os edemas generalizados; nas formas graves aparecem complicações neurológicas tardias devidas à fixação nos núcleos cinzentos do cérebro de bilirrubina proveniente da destruição da hemoglobina (icterícia nuclear, kernicterus). Sin. de anemia eritroblástica do recém-nascido, doença hemolítica do recém-nascido;
  • Estriol: Substância lipossolúvel obtida a partir da urina da mulher grávida e que possui as propriedades dos estrogênios;
  • Estrogênio: nome genérico do hormônio feminino produzido pelos ovários (estradiol);
  • Exsanguinotransfusão: Substituição de parte do sangue de um doente por sangue normal fresco. Consiste na perfusão numa veia simultaneamente com a extração de quantidades equivalentes de sangue por uma veia do lado oposto. As indicações principais da exsanguinotransfusão são, no recém-nascido, a eritroblastose fetal e, no adulto, as hemólises agudas gravíssimas com estado de choque. Sin. de transfusão total;
  • Falópio (trompa de): Cada um dos dois canais, à direita e à esquerda do útero, que se prolongam até aos ovários e que terminam por uma região em forma de funil munida de franjas (o pavilhão da trompa). É pela trompa de Falópio que o óvulo maduro, libertado do ovário e captado pelo pavilhão, é conduzido para o útero. V. salping-, tub-. Sin. de trompa uterina. ( Falópio, Fallopia, Fallopio ou Fallopius, Gabriello, anatomista italiano, 1523-1562.);
  • Fecundação: Fase da reprodução sexuada durante a qual o gâmeta macho (espermatozóide), pequeno e móvel, penetra no gâmeta fêmea (óvulo), grande e imóvel, fundindo-se com este para constituir o ovo (ou zigoto) que dará origem a um novo indivíduo;
  • Fecundação in vitro: Colocação dos espermatozoides retirados do esperma em contato com um ou mais óvulos, em proveta, numa lâmina ou num tubo de vidro;
  • Feto: O produto da fertilização a partir da 8ª semana de gravidez até o parto;
  • Folículo: produzido nos ovários é a membrana que envolve o óvulo durante seu desenvolvimento;
  • Folículo de De Graaf: Pequena vesícula saliente à superfície do ovário, que contém um óvulo maduro envolvido por duas membranas ou tecas. É a última fase evolutiva de um só ovócito que atinge a maturidade durante cada ciclo menstrual. Na fase da ovulação, o folículo ovariano rompe-se e liberta o óvulo, que chega à trompa uterina;
  • Fontanela: Espaço membranoso, ainda não ossificado, do crânio do recém- nascido, no ponto de encontro das suturas da abóbada craniana;
  • Fontanela anterior: Fontanela mediana anterior, em forma de losango, situada entre o frontal e os dois parietais ao nível do bregma. Fecha-se tardiamente, aos dois ou três anos de idade;
  • Fontanela posterior: Fontanela mediana posterior, triangular, situada entre o occipital e os dois parietais, ao nível do lambda;
  • Fossa ilíaca: Cada uma das duas regiões inferiores do abdômen, limitadas exteriormente pelo osso ilíaco e interiormente por uma linha que liga o umbigo ao púbis. Distingue-se a fossa ilíaca direita (FID) e a fossa ilíaca esquerda (FIE);
  • Fórceps: Instrumento composto por dois ramos articulados, facilmente desmontáveis, com maxilas em forma de colheres fenestradas, para extrair o feto do útero;
  • Fundo-de-saco de Douglas: Um saco ou recesso formado por uma prega do peritônio. Ponto mais baixo da cavidade peritoneal. Na mulher, é formado pela reflexão do peritoneu da face anterior do reto sobre a face posterior da vagina;
  • Douglas (grito ou sinal do): Dor violenta à compressão digital do fundo-de-saco de Douglas no toque vaginal. Este fenômeno observa-se quando existe sangue no fundo-de-saco devido a hemorragia durante a gravidez extra-uterina;
  • Galactopoiese: Elaboração do leite pela glândula mamária;
  • Galactorreia: 1) Secreção excessiva de leite pela glândula mamária na mulher que amamenta. 2) Secreção espontânea de leite pelos mamilos fora do período de lactação;
  • Gênero: Em oposição a sexo (termo que se refere ao estado biologicamente dado dos indivíduos), género designa as suas características psicológicas e sociais socialmente adquiridas: a sua masculinidade ou feminilidade aprendida no processo de socialização;
  • Ginecomastia: Hipertrofia das glândulas mamárias no homem;
  • Gonadotrofinas: hormônios produzidos pela glândula hipófise que estimulam os ovários. São: hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH);
  • Gravidez extra-uterina (ou ectópica): Gravidez na qual o feto se desenvolve fora da cavidade uterina. É quase sempre tubárica, mais raramente ovárica, abdominal ou peritoneal;
  • Hidrâmnio: Excesso do líquido amniótico, com volume maior que 2000 ml;
  • Hipófise: glândula endócrina responsável pela secreção de vários hormônios do corpo, como o hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH);
  • Hipotálamo: área na base do cérebro que controla várias funções orgânicas, entre elas a produção de hormônios e a temperatura corporal;
  • Hormônio folículo-estimulante (FSH): hormônio que age nos ovários estimulando o desenvolvimento dos folículos ovarianos;
  • Hormônio luteinizante (LH): hormônio regulador da produção de progesterona na mulher, relacionado à ovulação e desenvolvimento do corpo lúteo;
  • Idade gestacional: A duração da gestação é medida a partir do primeiro dia do último período menstrual normal. A idade gestacional é expressa em dias ou semanas completas (por exemplo: eventos que ocorrem de 280 a 286 dias após o início do último período menstrual normal;
  • Lambda: Ponto situado na intersecção das suturas sagital e lambdóide, que corresponde no recém-nascido à fontanela posterior;
  • Lombalgia: Qualquer dor da região lombar seja de origem vertebral, muscular,urogenital ou ginecológica;
  • Loquiação: fluxo vaginal de sangue que permanece após o parto, causada pela retirada da placenta;
  • Mancha mongólica: Mancha cutânea cor de ardósia localizada na região sacrococcígea. Histologicamente trata-se de um nevo azul; muito frequente nos recém-nascidos asiáticos, é rara na raça branca;
  • Mecônio: Matéria mole, pastosa, com coloração castanho-esverdeada, composta por gorduras, muco e bílis, contida no intestino do feto e que o recém-nascido expulsa pelo ânus nos primeiros dias que se seguem ao nascimento;
  • Meiose: é o modo de divisão celular que leva à formação de células sexuais (gametas). Divisão celular de um gameta, que reduz os cromossomos ‘a metade do número normal num momento imediatamente anterior ‘a fertilização. Isto ocorre para assegurar que a fertilização restaure o número total de cromossomos e não cause aneuploidia (número anormal de cromossomos);
  • Menopausa: É o momento, na vida da mulher, em que seus períodos menstruais terminam. É considerada menopausa, a não-ocorrência de períodos menstruais por 12 meses consecutivos. Não são identificadas causas biológicas ou psicológicas para esse fato. É o final da fertilidade. A menopausa natural ocorre quando os ovários, naturalmente, começam a diminuir a produção de estrogênio e progesterona. A menopausa induzida ocorre quando os ovários são cirurgicamente removidos ou quando prejudicados pela radiação ou medicamentos. Devido à bruta queda de produção de hormônios ovarianos, a menopausa induzida causa fogacho e secura da vagina. A menopausa que ocorre antes da mulher completar 40 anos, seja natural ou induzida, acarreta grandes riscos de doença do coração e osteoporose. Não há relação entre o tempo do 1º período menstrual da mulher e a sua época de menopausa. A ocorrência da menopausa não é influenciada pela altura, número de filhos ou uso de contraceptivos;
  • Menorragia: Menstruação anormalmente abundante e que se prolonga para lá da sua duração habitual;
  • Menstruação: Corrimento fisiológico de sangue pela vagina, que ocorre periodicamente com intervalos de 25 a 31 dias (em média 28 dias) na mulher em estado de saúde normal, desde a puberdade até à menopausa, na sequência das modificações anatômicas sofridas pelo endométrio sob o efeito dos hormônios estrogênicos e da progesterona (queda da mucosa que deixa a nu vasos dilatados). A menstruação dura normalmente 3 a 6 dias; está ausente durante a gravidez e muitas vezes também durante o período de aleitamento;
  • Mitose: Divisão celular tal que as duas células-filhas formadas são idênticas à célula-mãe. O número de cromossomas, nomeadamente, é o mesmo (2n) na célula-mãe e nas células-filhas. A mitose é a forma de divisão das células somáticas, ao passo que a meiose é o modo de divisão celular que leva à formação de células sexuais (gametas). A mitose tem habitualmente quatro fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase;
  • Morte fetal: Morte de um produto de concepção, quando esta ocorre antes da sua expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gestação; a morte é indicada pelo fato de após esta separação o feto não respirar nem manifestar qualquer outro sinal de vida, como o bater do coração, a pulsação do cordão umbilical ou a contração efetiva de um dos músculos voluntários;
  • Mortalidade neonatal: Mortalidade durante o período neonatal, o qual se estende do nascimento à idade de um mês, ou de 28 dias, conforme o uso;
  • Morte neonatal: Morte que ocorre durante o período neonatal. V. mortalidade neonatal;
  • Morte materna: Define-se morte materna como a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente de duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais. As mortes maternas podem ser subdivididas em dois grupos: mortes obstétricas diretas, Aquelas resultantes de complicações obstétricas na gravidez, parto e puerpério, devidas a intervenções, omissões, tratamento incorreto ou devida a uma cadeia de eventos resultantes de qualquer das causas acima mencionadas; mortes obstétricas indiretas; aquelas resultantes de doenças existentes antes da gravidez ou de doenças que se desenvolveram durante a gravidez, não devidas a causas obstétricas diretas, mas que foram agravadas pelo efeitos fisiológicos da gravidez;
  • Mórula: Primeira fase de segmentação do ovo fecundado, que toma o aspecto de uma pequena amora, antes de passar à fase de blástula;
  • Natimorto: feto que nasce morto por causas naturais após a 20ª semana de gestação;
  • Náusea: Vontade de vomitar, concretizada ou não. É acompanhada por contração involuntária dos músculos da faringe, do esôfago e do estômago;
  • Oligoâmnio: situação em que o volume do liquido amniótico é inferior a 250 mL entre 22–42ª semana de gestação;
  • Placenta: Anexo do feto que assegura as trocas nutritivas entre este e o organismo materno. Desenvolve-se durante a gravidez a partir da membrana externa do ovo (o córion); está em contato íntimo com a mucosa uterina pelas vilosidades coriais. A placenta tem igualmente a função de glândula endócrina, segregando os hormônios esteróides (estrógeno, progesterona), que mantêm a mucosa uterina no seu estado gestativo, e as gonadotrofinas coriônicas, cuja abundância na urina permite fazer o diagnóstico biológico da gravidez. Depois da dequitação, a placenta tem o aspecto de uma massa carnuda percorrida por sulcos que a dividem em lobos (cotilédones); pesa 600 g. Na sua face fetal, revestida pelo âmnio, insere-se o cordão umbilical;
  • Placenta acreta: Fusão íntima da placenta com o útero, tornando impossível o seu descolamento no momento da dequitadura. Esta anomalia obriga por vezes à realização de uma histerectomia;
  • Placenta bilobada (ou bipartida): Placenta constituída por dois lobos que não são claramente distintos um do outro;
  • Placenta prévia: Inserção anormal da placenta no segmento inferior do útero. Pode ser causa de complicações da gravidez, em especial hemorragias nos três últimos meses da gravidez e durante o trabalho de parto;
  • Período neonatal: O período neonatal começa no nascimento e termina após 28 dias completos depois do nascimento. As mortes neonatais (mortes entre nascidos vivos durante os primeiros 28 dias completos de vida). podem ser subdivididas em mortes neonatais precoces, que ocorrem durante os primeiros sete dias de vida, e mortes neonatais tardias, que ocorrem após o sétimo dia, mas antes de 28 dias completos de vida;
  • Pré-eclâmpsia: Doença que aparece durante a gravidez (em 5% a 10% dos casos, geralmente nas primíparas, na maior parte das vezes após a 20.ª semana da gravidez). Manifesta-se por hipertensão arterial, proteinuria e edema. Pode resolver-se naturalmente, mas em certos casos conduz à eclampsia;
  • Progesterona: hormônio feminino produzido pelo corpo lúteo e pela placenta, principal responsável pela manutenção da gravidez;
  • Prolactina: hormônio produzido pela hipófise importante para a produção de leite e outras funções orgânicas;
  • Puérpera: Mulher que se encontra no puerpério;
  • Puerpério: Período que decorre desde o fim do parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem ao estado normal anterior à gestação. Dura 6 a 8 semanas;
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOPs): síndrome com problemas de ovulação, cistos no ovário e aumento de hormônios androgênicos, com aumento dos pelos, acne e aumento da oleosidade da pele;
  • Sinéquias uterinas: aderência entre as paredes do útero, geralmente causadas por curetagens uterinas;
  • Toxoplasmose: doença causada pelo parasita toxoplasma, que pode causar desde um quadro parecido com uma virose até lesões graves no feto, quando ocorre durante a gravidez;
  • Trofoblasto: o tecido extra-embrionário responsável pela implantação do embrião na placenta; desenvolve-se na placenta, e controla a troca de oxigênio e metabólitos entre a mãe e o embrião.

Referências:

  1. DELASCIO, D. & GUARIENTO, A. Obstetrícia Normal Briquet. São Paulo, Sarvier, 1994. p.271-77.
  2. GRANATO, Celso. A problemática da infecção pelo citomegalovírus em pacientes imunodeprimidos. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. v.23, n.3, 2001, p.130-132.
  3. MANUILA, A.; LEWALLE, P.; NICOULIN, M.; MANUILA, L. Dicionário Médico. 3 Ed. Lisboa: Climepsi Editores, 2004.
  4. NEME, B. Obstetrícia Básica. 3 ed. São Paulo: Sarvier, 2006.
  5. REZENDE, J. de.; MONTENEGRO, C.A.B. Obstetrícia fundamental. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara. Koogan, 2005.
  6. RICCI, S.S. Enfermagem materno-neonatal e saúde da mulher. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

A Placenta e seus tipos

placenta é um órgão materno-fetal que começa a se desenvolver a partir da nidação, ou seja, implantação do blastocisto e é expulsa com o feto no momento do nascimento. É durante esse período de nove meses que este órgão proporciona nutrição, a troca gasosa, remoção de resíduos, uma fonte de células-tronco hematopoiéticas, endócrino e imunológico suporte para o feto em desenvolvimento.

A comunicação com a mãe ocorre a partir de cerca de 100-150 artérias uterinas maternas espiraladas localizados na placa basal.

Existem essencialmente 3 sistemas separados da aorta / venosas circulatórios: umbilical, sistêmicas e vitelínicas.

O sistema umbilical é perdido no momento do nascimento, o vitelina contribui para o sistema portal e sistêmica (embrionárias) é remodelado extensivamente para formar o sistema cardiovascular madura. A placenta humana tem cerca de 9 cm de diâmetro.

As placentas são uma característica essencial dos mamíferos placentários, mas também são encontrados em alguns não-mamíferos com níveis variáveis ​​de desenvolvimento.

Mamíferos prototéricos ou metatericos (marsupiais) produzem uma placenta coriovitelinica que, enquanto está ligado à parede do útero, fornece nutrientes derivados principalmente a partir do saco amniótico.

Os tipos de células mais importantes da placenta são os trofoblastos, que fornecem os principais componentes estruturais e funcionais necessários para trazer os sistemas de sangue fetais e maternos em contato próximo um do outro.

Existem algumas variações na formação da placenta e cordão umbilical que podem trazer mudanças para a evolução da gestação e necessidade de cuidados, especialmente no final da gravidez e no parto. Alterações na placenta exigem atenção e profissionais com experiência para acompanhamento adequado.

Os Tipos e Variações da Placenta

  • Bilobulada ou bipartida: ocorre quando há dois ou três lobos completamente separados. Cada lóbulo possui um cordão umbilical, que são unificados em seguida. Geralmente sem repercussão clínica;
  • Inserção velamentosa do cordão umbilical: ocorre quando o cordão umbilical não está diretamente conectado à placenta, e somente seus vasos a atingem através das membranas, deixando artérias e veia desprotegidas. Pode ser causa de hemorragias, com perda de sangue fetal, no final da gestação e durante o trabalho de parto;
  • Placenta em “raquete”: ocorre quando o cordão umbilical está preso à uma localização periférica da placenta e não próximo ao centro. Pode estar relacionado ao ganho de peso fetal abaixo do esperado, mas geralmente não tem repercussão clínica;
  • Placenta sucenturiada: são as que apresentam um ou mais lóbulos extra. Podem ocasionar sangramento no final da gravidez e durante o trabalho de parto, mas a sua principal complicação está relacionada à retenção do lobo acessório após o parto causando hemorragias e infecção;
  • Placenta circunvalada: ocorre quando a base da placenta fixada ao útero está restrita ou “presa” pelas membranas que a revestem, não permitindo que ela expanda a extensão necessária para acompanhar o desenvolvimento do bebê. Pode estar associada à bebês com baixo ganho de peso, parto prematuro e hemorragias no final da gravidez;
  • Placenta circunmarginada: é uma variação da placenta de formato normal. É caracterizada pela extensão das membranas que a revestem além da sua borda. Não tem repercussão clínica;
  • Placenta prévia: quando a placenta está localizada próximo ao canal no parto, impedindo a evolução do mesmo;
  • Placenta acreta: quando a placenta, desempenhando sua função de “raiz”, penetra nas camadas mais profundas do útero. Geralmente associada à presença de cesariana anterior, mas também outras cicatrizes uterinas como curetagens e remoção de miomas. Pode causar hemorragias de intensidade variada durante o parto, sendo, às vezes, abundante; levando à histerectomia (remoção cirúrgica do útero).

Referências:

  1. Placenta Praevia and Placenta Accreta: Diagnosis and Management (Green-top Guideline No. 27a)
     – Royal College of Obstetricians and Gynaecologists.
  2. Placenta praevia – BMJ Best Practice.
  3. Placenta previa: Epidemiology, clinical features, diagnosis, morbidity and mortality – UpToDate.
  4. Placenta previa: Management – UpToDate.
  5. Danforth’s Obstetrics and Gynecology Ninth Ed. Scott, James R., et al, Ch. 20.

Mola Hidatiforme

A Mola hidatiforme é um distúrbio da gravidez em que a placenta e o feto não se desenvolvem adequadamente. As células do embrião formam sacos de líquidos. Também pode ser chamado de tumor trofoblástico gestacional.

Podendo ser classificada como:

  • Total: Toda placenta e embrião se desenvolvem anormalmente;
  • Parcial: Apenas parte da placenta e embrião se desenvolvem anormalmente.

 

Por que ocasiona esse distúrbio?

É causado por um desequilíbrio genético que pode ocorrer quando um óvulo é fecundado por dois espermatozoides ou quando o óvulo não tinha material genético suficiente.

É um tumor usualmente benigno invulgar que se desenvolve a partir de tecido placentário em fases precoces de uma gravidez em que o embrião não se desenvolve normalmente.

A mola hidatiforme, se assemelha a um punhado de pequenos bagos de uva, é causada por uma degeneração das vilosidades coriônicas (projeções minúsculas e irregulares penetrando no útero no período de fixação).

Em 2-3% dos casos, penetra excessivamente e sem controle, tornando-se um tumor maligno, que passa a classificar-se como coriocarcinoma.

Os Sinais e Sintomas

  • Perdas sanguíneas vaginais indolores;
  • Enjoos e vômitos matinais excessivos;
  • Pressão sanguínea elevada;
  • Arritmia cardíaca;
  • Proteinúria (proteínas na urina);
  • Desconforto na pélvis.

 

Como é diagnosticado?

O sangramento no quarto ou quinto mês indica a complicação, e o útero e ovários costumam estar visivelmente maiores que o esperado para esse mês. Os tumores hidatiformes são visíveis numa ecografia ou ultrassom.

As análises de sangue e de urina detectam níveis excessivos de gonadotrofina coriônica humana produzidas pelo tumor. Pode estar associado a sintomas de hipertireoidismo.

Como é tratado?

O tumor pode ser removido quer por sucção do conteúdo do útero, quer por raspagem, podendo ser necessário, por vezes, recorrer ao tratamento por quimioterapia para eliminação total do tumor.

O mais importante é que, assim que for diagnosticada a Doença Trofoblástica Gestacional, a mulher procure um centro de referencia, onde lá terá um tratamento especializado e a cura.

Referências

  1.  Artigos HYDATID n. (a.) e MOLAR, n.6 no Oxford English Dictionary online. (https://dictionary.oed.com/
    )
  2.  https://www.nhs.uk/conditions/molar-pregnancy/Pages/Introduction.aspx
  3.  https://www.webmd.com/baby/tc/molar-pregnancy-topic-overview
  4.  Ganong WF, McPhee SJ, Lingappa VR (2005). Pathophysiology of Disease: An Introduction to Clinical Medicine (Lange). McGraw-Hill Medical. p. 639. ISBN 0-07-144159-X.
  5.  https://www.webmd.com/baby/tc/molar-pregnancy-topic-overview?page=2
  6. Gerulath AH et al. Gestational Trophoblastic Disease. SOGC Clinical Practice Guidelines 2002; 114.
  7. American College of Obstetricians and Gynecologistas. Diagnosis and Teatment of Gestational Trophoblastic Disease. ACOG Practice Bulletin 2004; 53.

Mastite e os cuidados de Enfermagem

Mastite é o nome dado a uma inflamação aguda que ocorre nas glândulas mamárias, que pode ou não evoluir para uma infecção.

Nas mulheres, essa inflamação geralmente se dá na fase do puerpério (período pós-parto), mas pode ocorrer em qualquer fase durante o período da amamentação. Essa inflamação é causada pela ação de vários microrganismos, sendo o Staphylococcus aureus o agente infeccioso em 50% dos casos.

Geralmente a mastite é acompanhada por fatores como ingurgitamento mamário (extração insuficiente de leite pelo bebê), obstrução dos ductos mamários, estresse, fadiga e fissura nos mamilos. Muitos especialistas acreditam que a forma errada com que a mãe segura o bebê no momento da amamentação seja a causa dos ferimentos nos mamilos e ingurgitamento mamário. Uma vez feridos, os mamilos se tornam uma porta de entrada para os microrganismos que podem causar a mastite.

Os sintomas da mastite são: regiões da mama endurecidas, vermelhidão, sensibilidade, dor e inchaço das mamas, seguidos por febre, calafrios, mal-estar, prostração e astenia.

Dependendo do grau da infecção, o médico especialista irá prescrever o tratamento mais adequado. Geralmente há a prescrição de massagens locais para estimular a produção de ocitocina e facilitar a fluidificação do leite. Seguida às massagens, a mãe deverá fazer a ordenha, ingerir muito líquido e manter repouso. Em alguns casos o médico pode prescrever o uso de antitérmicos, analgésicos e antibióticos compatíveis com a amamentação.

Os médicos recomendam que a mãe não pare de amamentar durante a mastite, mesmo se fizer o uso de algum medicamento prescrito. A presença de toxinas dos medicamentos no leite é mínima e não interfere na saúde do bebê. A interrupção das mamadas durante o tratamento pode levar à formação de abcessos, causando problemas psicofisiológicos para a mãe e para o bebê.

A melhor forma de evitar esse tipo de inflamação é segurar o bebê da maneira correta, para que ele consiga sugar maior quantidade de leite sem causar ferimentos nos mamilos, nem ingurgitamento mamário.

Sinais e Sintomas

  • Dor e sensação de febre no peito durante a amamentação (geralmente essa infecção só afeta um seio);
  • Desconforto ou dor na mama;
  • Inchaço do seio;
  • Sensação de febre no seio;
  • Vermelhidão na área afetada (com frequência em formado de meia-lua);
  • Sensação de cansaço ou fadiga;
  • Febre e calafrios.

Cuidados de Enfermagem

Materiais necessários:

  • Bomba para ordenha se necessário;
  • Compressas.
  1. Orientar a mãe a amamentar com maior frequência, iniciar o aleitamento pela mama afetada;
  2. Orientar a boa “pega” do bebê;
  3. Massagear o seio durante a amamentação, da área bloqueada em direção ao mamilo;
  4. Se haver alguma impossibilidade de amamentar, orientar ordenha manual ou utilizar a bomba para ordenha;
  5. Orientar nutrição e hidratação adequadas;
  6. Orientar o companheiro ou acompanhante quanto a importância de um período adequado de descanso da mãe;
  7. Oferecer suporte emocional;
  8. Aplicação de calor local, antes da amamentação, seja por banho morno ou compressas;
  9. Aplicação de compressas frias, após a amamentação ou ordenha, para aliviar a dor e o edema mamário;
  10. Antibioticoterapia e analgesia conforme prescrição médica.

Algumas observações:

  • A produção de leite pode estar afetada na mama comprometida, com diminuição do volume secretado durante vários dias;
  • O sabor do leite materno costuma alterar-se, tornando-se mais salgado, o que pode ocasionar rejeição do leite pela criança. Orienta-se a manutenção da amamentação, já que o esvaziamento adequado da mama, preferencialmente por intermédio de sucção pelo bebê, é o componente mais importante do tratamento;
  • Medidas de prevenção da mastite são as mesmas do ingurgitamento mamário, do bloqueio de ductos lactíferos e das fissuras, bem como seu manejo precoce antes de complicações mais graves.

Referências:

  1. ACADEMY OS BREASTFEEDING PROTOCOL COMITTEE (ABM). Clinical protocol: Mastitis. Breastfeeding Medicine, USA, v.3, n.3, p.177-180, 2014. In: VIDUEDO, A.F.S. Mastite lactacional: registro em evidências. Ribeirão Preto, 2014, p. 29.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria sw Atebção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. v.4.: il. – ( Série A. Normas e Manuais Técnicas).
  3. __________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança : aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 184 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica ; n. 23. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf.

Acretismo Placentário: O que é?

A parede uterina tem três camadas:

  • O endométrio;
  • A muscular;
  • E o perimétrio.

O Acrestismo Placentário é quado a placenta se fixa profundamente na parede uterina, ultrapassando o limite normal de fixação.

As Classificações do Acretismo Placentário

  • Acreta : Quando está inserida profundamente na decídua – camada interna do útero;
  • Increta : Quando chega a musculatura uterina;
  • Percreta :   Quando ultrapassa a musculatura uterina podendo invadir até órgãos adjacentes, como a bexiga.

O Acretismo Placentário é uma patologia não muito frequente, afetando cerca de 1 a cada 2.500 partos.

A placenta acreta é muito raramente reconhecida antes do nascimento, sendo muito difícil de ser diagnosticada.

Enquanto ela pode causar algum sangramento vaginal durante o terceiro trimestre, ela é mais comumente associada com os fatores que desencadeiam a condição.

Após o parto, a placenta geralmente se desprende da parede uterina de forma relativamente fácil.

Nos casos de acretismo não existe plano de clivagem entre a placenta e a parede uterina o que dificulta e às vezes até torna impossível o desprendimento da placenta, podendo causar grave hemorragia no período após o parto.

Qual é o fator de risco?

O principal fator de risco é a placenta prévia. Cerca de 10% das placentas prévias possuem algum grau de acretismo. Outros fatores de risco incluem a presença de cicatriz uterina prévia (cesárea) e curetagem uterina prévia.

Qual é o tratamento?

Vai depender da situação encontrada. Na maioria dos casos o descolamento é mais difícil, entretanto é possível resolver o problema com uma curetagem uterina.

Nos casos mais graves poderá ser necessária a realização de cirurgia de histerectomia, com retirada do útero.

Nos casos de placenta percreta poderá ser necessário intervenção cirúrgica nos órgãos comprometidos, como bexiga e intestino.

Alternativamente poderá ser realizado o parto deixando-se a placenta aderida ao útero. Nestes casos usa-se uma medicação chamada de metotrexate, que deve reduzir progressivamente o tamanho da placenta.

Quais são os riscos para o bebê?

A maior preocupação com relação ao bebê é geralmente relacionado com a prematuridade. A placenta prévia comumente se localiza no segmento uterino e pode provocar sangramentos e determinar a necessidade de um parto antes da data prevista.

Quais são os riscos para a mãe?

Usualmente é mais difícil de separar a placenta do útero. O médico pode se defrontar com um sangramento abundante durante o período em que a placenta é removida.

Este sangramento poderá colocar em risco a vida da mãe e eventualmente será necessária uma histerectomia (retirada do útero) para controlar o sangramento.

Entretanto é importante observar que existem diversos graus diferentes de acretismo, e muitas vezes o procedimento de retirada da placenta pode ser simples.

Em Observação, não existe tratamento específico para a placenta acreta. O médico poderá recomendar repouso durante a gestação para evitar sangramentos.

Veja também:

A Placenta Prévia

Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

ovário policístico

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, com prevalência nas mulheres em idade reprodutiva variando de 8,7 a 17,8%, de acordo com os diferentes critérios diagnósticos existentes. Apesar dos seus diversos fenótipos, esta síndrome é classicamente caracterizada por disfunção ovariana manifestada clinicamente por anovulação crônica, oligomenorreia, hiperandrogenismo, infertilidade e presença de ovários morfologicamente policísticos.

A SOP tem sido fortemente associada com desordens metabólicas, tais como a síndrome metabólica (SM) e a resistência à insulina (RI), implicando no aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, dislipidemia e uma constelação de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV).

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial, que afeta aproximadamente um terço dos indivíduos em todo o mundo e, por essa razão, constitui-se num dos mais importantes fatores de risco para as DCV. Sua expressiva prevalência é responsável por alta frequência de internações, com custos médicos e socioeconômicos elevados, e causa grande impacto nas alarmantes taxas de morbimortalidade por DCV em todo o mundo.

A associação entre a HAS e a SOP ainda não está completamente esclarecida. Embora a alteração dos níveis pressóricos já esteja englobada no contexto das manifestações da SM e possa ser relacionada com os distúrbios metabólicos comumente encontrados nessa população, há uma carência de estudos no que diz respeito à prevalência de níveis pressóricos alterados em mulheres brasileiras com SOP e os fatores de risco cardiovasculares associados a essa condição.

Tratamento

O tratamento da síndrome dos ovários policísticos depende dos sintomas que a mulher apresenta e do que ela pretende. A pergunta mais frequente do médico é saber se a paciente pretende engravidar ou não.

Contraceptivo Orais

Não havendo desejo de engravidar, grande parte das mulheres se beneficia com tratamento à base de anticoncepcionais orais, ou seja, a pílula. De fato, a pílula melhora os sintomas de aumento de pelos, espinhas, irregularidade menstrual e cólicas.

Não há uma pílula específica para o controle dos sintomas. As de baixa dosagem têm sido as mais prescritas pelos ginecologistas. Existem pílulas que tem um efeito melhor sobre a acne, espinhas e pele oleosa.

Mulheres que não podem tomar a pílula se beneficiam de tratamentos à base de progesterona.

Dietas com baixas calorias e pouca gordura melhoram o aumento de peso, contribuindo para o bem-estar da paciente.

Em alguns casos medicamentos que são usados no tratamento da diabetes também tem sua aplicação.

Cirurgia

Cada vez mais os métodos cirúrgicos para essa síndrome têm sido abandonados em função da eficiência do tratamento com anticoncepcionais orais.

Indução da Ovulação

Se a paciente pretende engravidar, o médico lhe recomendará tratamento de indução da ovulação, não sem antes afastar as outras causas de infertilidade. Não se deve fazer esse tratamento em mulheres que não estejam realmente tentando engravidar.

Antidiabetogêncios orais

Estando a síndrome dos ovários policísticos associada à resistência insulínica, um dos tratamentos disponíveis é por meio de medicamentos para diabetes. Cabe ao médico e à paciente a avaliação do melhor tratamento.

Dieta e Atividade Física

Essas pacientes devem ser orientadas em relação à dieta e atividade física, concomitantemente com as medidas terapêuticas.

É necessário Tratar?

Pacientes com síndrome dos ovários policísticos devem ser cuidadosamente avaliadas em relação à resistência à insulina e a síndrome metabólica, pois essas doenças estão relacionadas a maior chance de desenvolver alterações vasculares, diabetes, hipertensão arterial e risco cardiovascular aumentado.

Mulheres com ovários policísticos e obesidade devem ser estimuladas a mudar seus hábitos alimentares e de atividade física visando à melhora global das alterações.

Prolapso Uterino: Classificação

prolapso uterino

O prolapso uterino é a descida do útero para o interior da vagina causada pelo enfraquecimento dos músculos que mantém os órgãos dentro da pelve na posição correta. Apesar de ser mais comum em mulheres idosas, esta alteração também pode ocorrer antes da menopausa ou durante a gravidez.

Classificação do prolapso uterino

A classificação do prolapso uterino é feita de acordo com o nível de descida do útero pela vagina e, são classificados da seguinte forma:

  • Prolapso uterino de grau 1: o útero desce, mas o colo do útero não aparece na vulva;
  • Prolapso uterino de grau 2: O útero desce e o colo aparece junto com a parede anterior e posterior da vagina;
  • Prolapso uterino de grau 3: o útero está fora da vulva até 1 cm;
  • Prolapso uterino grau 4: o útero exterioriza-se mais de 1 cm.

Outros órgãos da região da pelve como as paredes da vagina, bexiga e reto também poderão sofrer este deslocamento devido ao enfraquecimento dos músculos de sustentação da pelve.

Tratamento para prolapso uterino

O tratamento do prolapso uterino poderá ser feito com exercícios para fortalecer os músculos pélvicos chamados exercícios de Kegel.

Além disso, o uso de cremes ou anéis contendo hormônio para serem aplicados na vagina poderão ajudar a restaurar o tecido vaginal, no entanto, quando se trata de prolapso uterino grave, somente a cirurgia poderá ser eficaz.

Cirurgia para prolapso uterino

A cirurgia para prolapso uterino é segura e eficaz, sendo indicada quando a recuperação não responde às outras formas de tratamento.

De acordo com a indicação do médico, a paciente pode

  • Reparar o útero: nestes casos o cirurgião repõe o útero no seu local, mantendo-o dentro da vagina através de um aparelho chamado pessário e, procede à colocação de próteses, chamadas redes, que mantém o o útero na sua posição;
  • Retirada do útero: nesta cirurgia ocorre a retirada parcial ou total do útero e, geralmente é feita em mulheres na menopausa, ou quando o prolapso é muito grave. A histerectomia é eficaz na cura do prolapso uterino, porém poderá desencadear menopausa imediata se os ovários também forem retirados.

Prolapso uterino na gravidez

O prolapso uterino na gravidez é muito raro e, pode ocorrer antes da gestação ou durante a gravidez. Além disso, o prolapso do útero na gravidez pode levar a infecção cervical, retenção urinária, aborto espontâneo e ao trabalho de parto prematuro. Por isso deve-se seguir todas as orientações do obstetra para diminuir o risco de complicações.

Sintomas do prolapso uterino

Os sintomas do prolapso uterino incluem:

  • Dor na barriga;
  • Corrimento vaginal;
  • Sensação de algo saindo pela vagina;
  • Incontinência urinária;
  • Dificuldade em evacuar;
  • Dor nas relações sexuais.

Quando o prolapso uterino é menos grave os sintomas podem não ser observados.

Causas do prolapso uterino

A causa mais comum do prolapso uterino é o enfraquecimento muscular da pelve devido ao envelhecimento. No entanto, outras causas que contribuem para a ocorrência do prolapso podem ser:

  • Partos múltiplos;
  • Menopausa devido a redução do hormônio estrogênio.
  • Sequelas de infecções anteriores na região da pelve;
  • Obesidade;
  • Levantamento excessivo de pesos;

Além destas causas, tosse cronica, constipação intestinal, tumores pélvicos, acumulo de líquido no abdome, causam aumento da pressão no abdômen e na pelve e, por isso também podem causar o prolapso uterino.

O diagnóstico do prolapso uterino é feito com exames clínicos que avaliam todos os órgãos da pelve simultaneamente, além de exames ginecológicos como a colposcopia e esfregaços vaginais feitos pelo ginecologia para avaliar a melhor forma de tratamento.

Intervenções de Enfermagem com pacientes em Prolapso Uterino

Em casos não cirúrgicos:

– Ensinar a higienização, banhos e redução do prolapso;

– Enfatizar a importância da reposição hormonal prescrita pelo médico, se for o caso;

– Estimular a fisioterapia com exercícios pélvicos, cones vaginais;

– Encorajar a paciente a expressar os sentimentos, especialmente sobre a maneira de ver a si mesma, proporcionando melhora na auto-estima;

– Gerar oportunidades (formar grupos) para compartilhar experiência com outras pessoas que tenham problema similar;

– Orientar quanto ao uso de pessários dando ênfase, ao retorno periódico ao serviço médico. Quanto a esse uso ensinar a esvaziar a bexiga antes de inserir ou retirar o pessário e ensinar uma posição confortável para retirá-lo ou introduzi-lo, normalmente (pode ser deitada, em posição ginecológica, agachada ou em pé com uma das pernas apoiada na cadeira, no banquinho ou no vaso sanitário). Para a introdução dobra-lo após ter sido lubrificado com solução aquosa ou pelo espermicida gel; com uma mão abrir a vagina e com a outra introduzir o pessário com movimentos delicados (ele deve ficar abaixo do colo cervical e atrás do osso púbico). Quando colocado em posição correta ele deve ficar indolor e confortável. Para remove-lo introduzir os dois dedos dentro da vagina, prendendo-o em garra e, delicadamente, girando e puxando para baixo até tirá-lo. Orientar para lavar o pessário com água e sabão, enxaguando-o bem.

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O Aleitamento Materno e seus tipos

Aleitamento Materno

O leite materno é importante para o crescimento e desenvolvimento da criança, trazendo benefícios para a vida toda.

O aleitamento materno possibilita a formação de uma ligação afetiva entre mãe-filho, através do contato físico, o que facilita a união entre eles. A criança pode começar a mamar logo após o nascimento ainda na sala de parto, só trazendo vantagens para a mãe e recém-nascido.

 

O leite materno é livre de impurezas, fresco, disponível na temperatura ideal e facilmente digerido pela criança.Nas primeiras 72 horas após o parto as mamas produzem um leite que é chamado de colostro, é amarelado e grosso, sai em pequenas quantidades. É o que a criança necessita nos primeiros dias de vida, pois contém nutrientes necessários para ela nesta fase.

O colostro também é considerado a primeira vacina do bebê, pois contém anticorpos maternos que vão ajudá-lo a não contrair infecções como sarampo, entre outras, que nesta fase seriam fatais para ele. Também é rico em substâncias que favorecem o crescimento, estimulam o desenvolvimento do intestino do bebê, preparando-o para digerir e absorver o leite maduro, e impedem a absorção de proteínas não digeridas. O colostro é laxativo e auxilia a eliminação do mecônio (primeiras fezes do recém-nascido).

Em uma ou duas semanas, o leite aumenta em quantidade e muda sua aparência e composição. Este é o leite maduro que contém todos os nutrientes necessários para a criança crescer. Ele parece mais ralo que o leite de vaca, o que pode levar a pensar que o leite é fraco. Mas esta aparência aguada é normal, por que ele fornece água suficiente para a criança.

A composição do leite maduro muda durante a mamada. No começo, parece acizentado e aguado, sendo rico em proteína, vitaminas, minerais e água. No fim, parece mais branco do que no começo e contém mais gordura, que vai fornecer energia. A criança necessita tanto do leite do começo quanto do final para poder crescer e desenvolver-se bem. É importante deixar que o bebê pare de mamar espontaneamente, pois se interrompermos a amamentação, podemos fazer com que a criança não receba quantidade suficiente do leite energético.

O aleitamento materno deve ser exclusivo, em livre demanda, até os seis meses de vida, pois o leite fornece tudo que a criança precisa neste período.

Os Tipos de Aleitamento Materno

Aleitamento materno exclusivo – somente LM, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos (gotas ou xaropes – vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos);
Aleitamento materno predominante – além do LM, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões) e sucos de frutas;
Aleitamento materno complementado – além do LM, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar;
Aleitamento materno misto ou parcial – quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite.
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007a)

 

Algumas Recomendações da Amamentação pelo Ministério da Saúde

A Amamentação deve ser exclusiva nos 6 primeiros meses, sendo continuada até os 2 anos de idade ou mais.

A Placenta Prévia

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A Placenta Prévia é uma patologia onde a placenta implanta-se no colo do útero, isto é, no fundo do útero. Isso não é nada bom. É caracterizada por um sangramento vaginal indolor nas últimas 12 semanas de gestação, mas pode acontecer antes.

O posicionamento inadequado da placenta provoca sangramentos, afetando a oxigenação do bebê, colocando-o em perigo.

Tipos de Placenta Prévia

Existem quatro tipos de placenta prévia. O tipo de placenta prévia define o tratamento mais indicado e se a mãe deve fazer uma cesárea ou poderá optar pelo parto  normal. É importante ressaltar que todos os tipos de placenta prévia podem causar hemorragia intensa em algum momento, implicando na necessidade de cesárea de emergência.

– Placenta baixa – A placenta apresenta inserção baixa, mas não chega a encobrir a saída do útero;
– Placenta prévia marginal – A borda da placenta chega a encostar na abertura do colo do útero, mas não chega a obstruí-lo.
– Placenta prévia parcial – A placenta cobre parcialmente a saída do útero;
– Placenta prévia total – A placenta cobre totalmente a saída do útero.

Atualmente, porém, a classificação da placenta prévia foi reduzida para apenas 2 categorias, que acabam por ditar a forma de parto a ser escolhida.

O Ciclo Menstrual

Ciclo Menstrual

O ciclo menstrual é o conjunto de mudanças periódicas que ocorrem no ovário e no útero da mulher, nesse processo, o corpo da mulher é preparado para a liberação de um óvulo e sua possível fecundação.

Cada ciclo menstrual tem a duração aproximada de 28 dias. Até a metade do ciclo ocorre a ovulação – o processo de liberação de um óvulo de um ovário até a tuba uterina.

A mulher é mais fértil no período de ovulação, ou seja, é quando tem maior probabilidade de gerar filhos.
Uma vez ocorrida a ovulação, podem suceder duas coisas:

 – Se depois de transcorridas 24 horas o óvulo não for fecundado, 14 dias depois ocorre a menstruação: o desprendimento de parte do endométrio, camada vascularizada que recobre o útero preparada para abrigar o embrião. Essa expulsão do endométrio envolve uma hemorragia e dura cerca de 5 dias.

– Se o óvulo é fecundado, ocorre a gravidez e o ciclo menstrual é interrompido até que a gestação seja concluída.

Os ciclos menstruais vão se sucedendo periodicamente desde o início da puberdade até a menopausa (excetuando-se os períodos de gravidez, se ocorrerem). Os ciclos são regulados pela ação combinada dos hormônios sexuais produzidos no ovário e de hormônios produzidos na hipófise.

Fases do ciclo menstrual

Na realidade, do ciclo menstrual participam três ciclos diferentes:

  • O ciclo dos hormônios da hipófise. Na hipófise são produzidos dois hormônios: o estimulante do folículo (FSH) e o luteinizante (LH). A concentração desses hormônios varia periodicamente.
  • O ciclo ovariano. É controlado pelo ciclo dos hormônios hipofisários. Ocorre no ovário: a cada período de 28 dias começa a maturação de um folículo imaturo, que se transforma em um folículo maduro e libera um óvulo. Depois disso, a parte restante do folículo forma o corpo lúteo (amarelo).
  • O ciclo menstrual. Depende do ciclo ovariano e tem sua origem nas mudanças da camada interna do útero – o endométrio. Em cada ciclo, o endométrio aumenta de tamanho e fica repleto de vasos sanguíneos; torna-se, então, apto para abrigar o embrião, produto da fecundação. Quando não ocorre fecundação, há desprendimento de grande parte do endométrio por meio da vagina, o que constitui a menstruação.

FASE FOLICULAR

Ocorre entre o 1º e o 14º dia do ciclo, aproximadamente. O aumento da concentração de FSH faz com que um ou vários folículos comecem a crescer e a se desenvolver até se converterem em folículos ováricos vesiculosos. O começo dessa fase é quando se dá a menstruação, a descamação de parte do endométrio, aumentado durante o ciclo anterior. É o início da menstruação que marca o primeiro dia do ciclo.

O folículo em desenvolvimento produz estrógenos, hormônios que determinam novamente o espessamento do endométrio, preparando-o para alojar um novo embrião.

OVULAÇÃO

O aumento da concentração do hormônio hipofisário LH provoca a ovulação, isto é, a expulsão do óvulo do folículo. Como consequência, a parte restante que permanece no ovário forma o corpo lúteo.

A ovulação ocorre aproximadamente no 14º dia do ciclo. O óvulo passa para a tuba uterina, na qual sobrevive por cerca de 24 horas; depois disso, sem a ocorrência de fecundação, o óvulo degenera.

FASE LÚTEA

O corpo lúteo segrega o hormônio progesterona. Esse hormônio permite que o endométrio atinja a máxima espessura, com abundantes vasos sanguíneos e capacidade de receber o embrião. No final dessa etapa, se não ocorrer fecundação, o corpo lúteo degenera e deixa de produzir a progesterona. A falta de progesterona determina o desaparecimento de parte do endométrio (menstruação), marcando o início do ciclo seguinte.

Ciclos irregulares

O ciclo menstrual não ocorre sempre da mesma forma. Pode ser mais ou menos longo; a ovulação pode adiantar ou atrasar alguns dias. Além disso, é frequente que os primeiros ciclos menstruais, na puberdade, sejam mais irregulares. Por outro lado, algumas mulheres têm os ciclos menstruais mais irregulares que outras.

A duração total do ciclo pode oscilar entre 23 e 35 dias, sem que seja considerado anormal. É frequente que a mulher tenha dor antes da menstruação. Nesse caso, deve buscar atendimento médico.