Salpingectomia

A salpingectomia é o procedimento cirúrgico para remoção uni ou bilateral das tubas uterinas. Fundamentais para o processo reprodutivo, as tubas uterinas são responsáveis pela captação dos óvulos – é onde normalmente ocorre a fecundação –, assim como pelo transporte deles e dos espermatozoides até o útero, após a fecundação.

Indicações

Uma das indicações da cirurgia é a gestação ectópica, ou seja, quando a gravidez se desenvolve dentro da trompa. À medida que o embrião se desenvolve, a tendência é que haja a ruptura da trompa, provocando sangramentos intensos, que configuram uma ameaça à vida da gestante.

Fazem parte do grupo de risco mulheres que desenvolvem a hidrossalpinge, um distúrbio onde a trompa perde sua função de transporte do óvulo e fica dilatada às custas do acúmulo de líquido – que pode ser sangue ou pus – o que provoca a obstrução das tubas.

Finalmente, o procedimento costuma ser indicado com frequência para pacientes que apresentam dificuldades para engravidar e estão em programação de FIV (fertilização in vitro). A salpingectomia também é necessária quando há o aparecimento de nódulos, especialmente quando a origem deles é indefinida.

Como é feito o procedimento e seus cuidados pós operatório?

Na maioria dos casos, é possível realizar o procedimento por meio de uma videolaparoscopia, ou seja, a técnica é minimamente invasiva. Sob anestesia geral, são feitas pequenas incisões na paciente, por meio da qual será inserida uma microcâmera.

No pós-operatório, pode haver alternância entre sensações de calor e frio, mas o médico tende a prescrever medicamentos para amenizar este incômodo. Caso o especialista prescreva alguma dieta, é importante que ela seja rigorosamente seguida.

É pertinente questionar o profissional sobre possíveis restrições à prática de atividade sexual. Do mesmo modo, é válido evitar a realização de grandes esforços físicos. Numa outra frente, pode ser necessário o uso de meias compressivas para prevenir a ocorrência de tromboses.

Salpingectomia e Laqueadura são a mesma coisa?

Embora ambos os procedimentos sejam realizados nas tubas uterinas, é importante ressaltar que há uma diferença entre a salpingectomia e a laqueadura ou ligadura de trompas.

Ao contrário da salpingectomia, na cirurgia de esterilização feminina não há remoção do órgão: é feito um corte ou retirado um fragmento das trompas, com o único propósito de impedir o encontro de óvulos e espermatozoides.

Referências:

  1. Dr. Luiz Flávio

Rede de Haller

Rede de Haller é um sinal clínico que surge com a gravidez e refere-se ao aumento da circulação venosa formando uma rede visível sob a pele transparente das mamas, constituindo um sinal de presunção da gravidez.

A rede venosa de Haller decorre do aumento da vascularização mamária e representa a visualização de maior trama vascular na mama, geralmente identificada a partir de 16 semanas, ou seja, há um aumento da vascularização do tecido subcutâneo da mama que nos possibilita a visibilidade dos vasos venosos que se mostram entrelaçados em forma de malha.

Referência:

  1. Wikipedia

Miomectomia

miomectomia é o procedimento cirúrgico de remoção de miomas uterinos (ou leiomiomas), tumores benignos que podem se formar em diferentes locais do útero e provocar sintomas na mulher, embora a doença seja, na grande maioria dos casos, assintomática.

Classificação

  • Submucosos – aqueles que se desenvolvem dentro da cavidade uterina;
  • Intramurais – acometem o miométrio, a parede do útero;
  • Subserosos – formam-se na região mais externa do útero.

Indicação

Esse procedimento cirúrgico é indicado para o tratamento conservador dos miomas uterinos, mantendo-se o útero, preservando o órgão reprodutivo feminino. Sua indicação depende do tipo de mioma, da quantidade e das dimensões dos nódulos, assim como dos sintomas descritos pela paciente.

Dentro da cirurgia minimamente invasiva, a miomectomia por laparoscopia é, de modo geral, indicada para miomas intramurais e subserosos, enquanto a miomectomia histeroscópica é indicada para os miomas submucosos.

miomectomia abdominal por laparotomia é indicada em casos muito específicos, mas atualmente é pouco utilizada, uma vez que a laparoscopia e a histeroscopia cirúrgica permitem a operação de praticamente todos os tipos de miomas.

A cirurgia robótica pode ser uma alternativa à miomectomia laparoscópica, entretanto sem benefícios adicionais para a paciente quando comparada às laparoscopias realizadas por cirurgiões capacitados.

Técnicas cirúrgicas para remoção dos miomas

Existem três técnicas cirúrgicas que possibilitam a retirada dos miomas:

  • Miomectomia por laparoscopia;
  • Miomectomia abdominal;
  • Miomectomia histeroscópica.

Miomectomia por laparoscopia

A laparoscopia é uma cirurgia endoscópica minimamente invasiva indicada para o tratamento de diversas condições e doenças, como determinados tipos de miomas.

Na laparoscopia, fazemos algumas pequenas incisões, geralmente com tamanho máximo de 1 cm no abdômen para introduzir uma microcâmera (laparoscópio) e outros instrumentos para a retirada dos miomas.

A laparoscopia é uma técnica cirúrgica avançada realizada sob anestesia geral que permite diversos tipos de intervenções sem grandes agressões ao corpo, com menores incisões, menor tempo de internação hospitalar e retomada mais rápida das atividades habituais.

Miomectomia abdominal

miomectomia abdominal é realizada por laparotomia. Diferentemente da laparoscopia, na laparotomia é realizada uma incisão no abdômen da mulher e o cirurgião faz a intervenção direta nos miomas, sem o auxílio do sistema ótico utilizado na laparoscopia.

miomectomia por laparotomia também é feita sob anestesia geral.

Miomectomia histeroscópica

miomectomia histeroscópica também é uma cirurgia minimamente invasiva, na qual a câmera e o instrumento de trabalho são introduzidos no útero pela vagina após a dilatação do colo uterino.

Feita sob sedação, em ambiente hospitalar, distende-se a cavidade endometrial com soro fisiológico, o que permite o acesso e a visualização da cavidade uterina.

Prescinde de cicatrizes, permitindo uma recuperação rápida das pacientes, exigindo uma internação rápida.

Está indicada para o tratamento dos miomas submucosos.

Cuidados no Pós-operatório

A laparoscopia e a histeroscopia são procedimentos menos invasivos. Assim sendo, a mulher recebe alta precoce, geralmente no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento, e necessitando manter repouso menor quando comparado com a laparotomia, geralmente retornando às suas atividades profissionais em 10 dias e às atividades físicas após 30 dias.

Referência:

  1. Womens.es

 

Cerclagem Uterina

A Cerclagem significa sutura (costura) em forma de bolsa. Usada em outras áreas da Medicina, foi introduzida na Ginecologia e aperfeiçoado em países como França e Estados Unidos a partir de 1953.

Consiste em “costurar” o colo do útero – em sua porção vaginal, que contém a entrada para a cavidade uterina – da grávida para impedir que se abra, a bolsa fetal desça, se rompa e o feto nasça prematuro, o que coloca sua vida em risco.

A cerclagem é uma sutura cirúrgica em bolsa, realizada sob anestesia, geralmente indicada logo após o terceiro mês de gestação com objetivo de manter o colo uterino fechado até o final da gravidez. Os pontos são retirados com cerca de 37 semanas para que o parto possa ocorrer normalmente.

Como é feito?

Introduz-se um espéculo na vagina da paciente, instrumento que permite abrir o conduto para visualizar o colo do útero. “Costura-se”, então, o colo circularmente em dois locais com agulha e fio inabsorvível, que é retirado no momento em que a gravidez se completa e o bebê já pode nascer.

Mulheres que fazem cerclagem devem ficar internadas por 24 horas em observação, pois pode causar contrações uterinas, pelo fato de se interferir na região, e até infecções no local dos pontos. Os dois fenômenos são combatidos com remédios. A retirada do fio, ao final da gravidez, é feita no próprio consultório.

Os Riscos

Esse procedimento, no entanto, tem riscos. O principal deles é favorecer uma infecção intra-uterina ou a ruptura das membranas amnióticas. Nos últimos anos, tem ocorrido uma crescente ampliação das indicações para a cerclagem, nem sempre bem fundamentadas.

As melhores evidências científicas atualmente disponíveis sugerem não haver vantagens de fazer cerclagem em grávidas com baixo risco de perda gestacional. A cirurgia também não deve ser indicada somente pelo achado de um colo uterino curto durante o exame de ultrassom, principalmente em mulheres sem fatores de risco para prematuridade.

Do mesmo modo, a gravidez de gêmeos, por si só, não justifica a intervenção.

Após a realização da cerclagem é necessário permanecer em repouso por longos períodos durante toda a gestação e ficar em abstinência sexual. Este contexto pode ser muito estressante para a mulher e para toda a sua família.

O apoio psicológico profissional pode ser necessário para algumas delas e sua família deve oferecer suporte emocional, estimulando atividades intelectuais e recreativas em casa, em todos os casos.

Referências:

  1. Mattar, RosianeA cerclagem para prevenção da prematuridade: para quem indicar?. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2006, v. 28, n. 3 [Acessado 12 Setembro 2021] , pp. 139-142. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000300001&gt;. Epub 25 Ago 2006. ISSN 1806-9339. https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000300001.

Nascituro, Nativivo e Natimorto

É importante compreender a diferenciação dos termos nascituro, nativivo e natimorto .

Nascituro

Nomenclatura nascituro deriva do latim nasciturusa-um, ou seja, aquele que nascerá. ‘’ O ser humano já concebido, cujo nascimento se espera como fato futuro certo’’. ( HILDEBRAND, 2007, p. 205)

Desde a concepção o feto é tratado como ser humano, o nascituro é o ser humano que se espera num futuro que ocorrerá. Este futuro é certo, porém somente não ocorrerá por força alheia à vontade do nascituro como o aborto ou no caso do natimorto.

Nascituro já considerado como pessoa, porém que ainda não nasceu. É a pessoa que nascerá.

“Entende-se que a condição de nascituro extrapola a simples situação de expectativa de direito.” (VENOSA, 2008, p. 153).

O nascituro tem vida própria, personalidade própria, mesmo estando ligado a sua genitora ele é independente e tem seus próprios direitos preservados pelo Direito.

Nativivo

Evento em que um FETO é nascido vivo com batimentos cardíacos ou RESPIRAÇÃO indiferentemente da IDADE GESTACIONAL, sendo asssim, tal nativivo é chamado de RECÉM-NASCIDO.

Também é a expulsão ou extração completa do corpo da mãe de um produto de concepção que, independentemente da duração da gravidez, depois da separação, respire ou apresente qualquer outro sinal de vida, tal como batimentos do coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não cortado o cordão umbilical e estando ou não desprendida a placenta.

Cada produto de um nascimento que reúna essas condições se considera como uma criança viva.

Natimorto

O natimorto é aquele que nasceu morto, isto é: ‘’ Diz-se de, ou aquele que, tendo vindo à luz com sinais de vida, logo morreu’’. (HILDEBRAND, 2007, p. 205).

O natimorto já foi um nascituro, assim sendo, tinha seus direitos resguardados quando figurava como nascituro.

Seus direitos não se consolidaram, pois o indivíduo nasceu sem vida. A existência do natimorto gera diversos direitos a sua genitora, ou seja, o natimorto existiu para o Direito.

O natimorto teve vida, pois para a doutrina predominante é para o presente trabalho, a vida inicia-se com a concepção. Logo, teve personalidade jurídica enquanto nascituro e teve direitos.

Referências:

  1. DINIZ, Maria Helena. O Estado atual do biodireito. 2° ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
  2. Curso de direito civil brasileiro. 25 ed. São Paulo: Saraiva, 2008. 1v.

  3. FREITAS, Patrícia Marques. Os fetos anencéfalos e a constituição federal de 1988. São Paulo: Ícone, 2011.

  4. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2007, v. IV.HILDEBRAND, Antônio Roberto. Dicionário Jurídico. 4° ed. São Paulo: JH Mizuno, 2007.

  5. LIMA, Carolina Alves de Souza. Aborto e anencefalia: direitos fundamentais em colisão. São Paulo: Juruá, 2012.

  6. MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1977.

  7. MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais: teoria geral. 7° ed. São Paulo: Atlas, 2006.

  8. NEGRÃO, Theotonio; GOUVÊA, José Roberto F. Código Civil e legislação civil em vigor. 24° ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

  9. NICOLETTI CAMILLO, Carlos Eduardo et al. Comentários ao Código Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.

  10. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 8º ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Braxton Hicks: Contrações de Treinamento

Também conhecidas como contrações de treinamento ou falso trabalho de parto, as contrações de Braxton Hicks são contrações uterinas que podem ser percebidas no terceiro trimestre de gravidez.

Apesar de geralmente causarem ansiedade na gestante, não trazem prejuízos nem à mãe, nem ao bebê, e não indicam trabalho de parto.

Algumas mulheres descrevem as contrações de Braxton Hicks como um aperto no abdômen que vai e vem. Outras dizem que parecem cólicas menstruais leves.

Características

Diferente do que ocorre com as contrações que indicam trabalho de parto, as de Braxton Hicks:

  • Geralmente não são dolorosas;
  • Não ocorrem em intervalos regulares;
  • Não ocorrem em pequenos intervalos;
  • Podem desaparecer quando você muda de atividade ou posição;
  • Não ficam mais fortes conforme o tempo passa.

O que pode fazer para aliviar as contrações?

  • Dar uma volta, pois as falsas contrações geralmente param quando você muda de posição ou se locomove;
  • Dormir ou descansar um pouco;
  • Relaxar tomando um banho quente ou ouvindo música;
  • Receber uma massagem.

Diferença entre a Contração de Treinamento Vs. Trabalho de Parto

Umas das diferenças mais marcantes entre as contrações de Braxton Hicks e as contrações do parto é o fato da primeira ser habitualmente indolor e de frequência irregular.

As contrações de treinamento podem até ser incômodas em alguns casos, mais elas são bem diferentes das intensas e dolorosas contrações do trabalho de parto.

A forma de descrever as contrações de treinamento pode ser diferente de mulher para mulher:

  • Há algumas grávidas que descrevem as contrações de treinamento como algo semelhante a leves cólicas menstruais ou cólicas intestinais, apesar desta não ser apresentação mais comum;
  • Na maioria dos casos, o que as mulheres descrevem mesmo são apenas contrações uterinas indolores.

Como já referido, as contrações de Braxton Hicks são irregulares, os seus intervalos são imprevisíveis e elas não vão se tornando cada vez mais fortes e frequentes com o passar das horas, que é exatamente o comportamento das contrações do parto.

Outra fato que é típico das contrações de treinamento é o alívio das contrações após uma simples mudança de posição. Se a mulher está em pé, muitas vezes basta ela sentar-se ou deitar-se para que as contrações desapareçam. Deitar de lado também costuma ajudar.

De maneira oposta, durante o trabalho de parto, mudar de posição não tem nenhum efeito sobre as contrações. Quando iniciam-se as contrações expulsivas, nada funciona para aliviá-las.

QUANDO ENTRAR EM CONTATO COM O OBSTETRA?

As maioria das mulheres consegue distinguir facilmente as contrações de Braxton Hicks das contrações do parto.

No entanto, se você estiver insegura ou se o padrão das contrações tiver mudado recentemente, entre em contato com o seu obstetra.

Alguns sinais de alerta que não devem ser ignorados, mesmo que as contrações não tenham as características de trabalho de parto descritas acima. São eles:

  • Perda de sangue vaginal;
  • Perda de líquidos pela vagina;
  • Contrações muito dolorosas de início súbito;
  • Redução clara dos movimentos do bebê.

Referências:

  1. Braxton Hicks Contractions – American Pregnancy Association.
  2. Latent phase of labor – UpToDate.
  3. Williams Obstetrics, 25e F. Gary Cunningham, Kenneth J. Leveno, Steven L. Bloom, Jodi S. Dashe, Barbara L. Hoffman, Brian M. Casey, Catherine Y. Spong.

Método de Capurro: Idade Gestacional

O Método ou Escore de Capurro estima a idade gestacional do recém-nascido por meio da investigação de parâmetros somáticos e neurológicos. É aplicável para recém-nascidos de 29 semanas ou mais.

O Método de Capurro Somático utiliza 5 características somáticas, enquanto que o Capurro Somático e Neurológico utiliza 4 parâmetros somáticos e 2 neurológicos.

Cada uma das características têm várias opções e cada opção, uma pontuação que foi determinada através de diferentes estudos. Será, ao final, a soma desses pontos o que vai determinar a idade gestacional. As características utilizadas desse método são:

Forma da orelha

Trata-se de observar (sem tocar) a encurvação do pavilhão da orelha. O observador deve ficar de frente para a criança e observar em particular se o bordo superior do pavilhão auricular forma uma cobertura pelos lados.

A seguir, avalie o grau de encurvamento observado em cada pavilhão virando a face da criança de um lado para outro. Se pela posição ao nascimento o recém-nascido permanece com uma orelha achatada, não avalie esta.

Se nenhuma das duas orelhas encontra-se achatada, avalie as duas. Assinale a pontuação de 0, 8, 16 ou 24 dependendo da encurvação.

Tamanho da glândula mamária

Antes de palpar a zona correspondente ao nódulo mamário, pince suavemente o tecido celular subcutâneo adjacente para que seja possível avaliar se o que se mede é ou não tecido mamário. Utilize uma fita métrica e, com a outra mão, palpe o tecido que se encontra debaixo e em volta do mamilo.

Especifique se é possível palpar tecido mamário ou não, e se seu diâmetro é < 5mm, de 5mm a 10mm ou > que 10mm.

Formação do mamilo

Observe ambos os mamilos e com uma fita métrica meça se o diâmetro é apenas visível, < que 7,5mm, > 7,5mm com aréola pontilhada e sem elevação de bordo, > 7,5mm com aréola pontilhada e bordos elevados.

Textura da pele

Palpe e examine a pele e os antebraços, mãos, pernas e pés e veja se no dorso das mãos e pés existem zonas de descamação ou rachaduras. Dependendo da profundidade das rachaduras ou da presença de descamação, pontue em 0, 5, 10, ou 20.

Pregas plantares

Observe a planta de ambos os pés e logo hiperestenda ambas de maneira que se mantenha tensa a pele da planta. A diferença entre pregas e sulcos plantares é que os primeiros tendem a desaparecer quando se estende a pele, os sulcos continuam marcados claramente.

Dependendo da quantidade de sulcos e pregas, pontua-se 0, 5, 10, 15 ou 20.

O Cálculo

Somam-se os pontos das 5 características. Ao resultado acrescenta-se a constante 204 para Capurro Somático. O resultado divide-se por 7, que é o número de dias transformados em semanas.

Exemplo, um recém-nascido tem as seguintes características:

Características O recém-nascido tem: Sua pontuação será:
FORMA DA ORELHA Pavilhão auricular parcialmente encurvado no bordo superior 8
TAMANHO DA

GLÂNDULA MAMÁRIA

Palpável, entre 5 e 10mm 10
FORMAÇÃO DO MAMILO Diâmetro maior que 7,5mm

Aréola pontilhada. Bordo não levantado

10
TEXTURA DA PELE Mais grossa com discreta descamação superficial 10
PREGAS PLANTARES Marcas mal definidas na metade anterior 5
TOTAL DE PONTOS 43

Utiliza-se a fórmula:

TOTAL DE PONTOS + 204 = SEMANAS DE GESTAÇÃO

                7 (dias)

43 + 204 = 247 = 35 semanas

      7             7

OBS: o método tem uma margem de erro de uma semana para mais ou para menos.

Referência:

  1. Capurro H, Konichezky S, Fonseca D. A simplied method for diagnosis of gestational age in the newborn infant. J Pediatr 1978;93(1)120-122.
  2. Ministério da Saúde, Manual AIDPI Neonatal (terceira edição) 2012.

O Cuidado ao “Sulfatar” na Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia

Se sua paciente é uma gestante/puérpera cujo H.D é Eclâmpsia/Pré-Eclâmpsia, e obrigatoriamente a mesma está “sulfatando”, ou seja, sob tratamento intensivo com Sulfato de Magnésio (MgSO4), deve ter obrigatoriamente EM BEIRA LEITO o kit para “terapêutica para intoxicação por MgSO4”, com o GLUCONATO DE CÁLCIO!

Primeiramente, o que é “Sulfatar” a Paciente Gestante ou Puérpera?

Quando a paciente já está com um quadro confirmado de pré-eclâmpsia, ou eclampsia P.A elevada, usa-se o termo “sulfatar a gestante”, que nada mais é do que usar o sulfato de magnésio na paciente para diminuir a pressão arterial ou tratar convulsões durante o quadro, por exemplo.

O Gluconato de Cálcio e o Antagonismo: Pode salvar em uma crise de intoxicação pelo MgSO4!

O Gluconato de cálcio é o antagonista fisiológico natural do cálcio, sendo assim atuando como um antídoto, podendo reverter o efeito adverso com o MgSO4 que pode ocasionar na gestante/puérpera durante a “sulfatação”, que é uma crise convulsiva e sinais depressivos do sistema nervoso central.

Referência:

  1. BARBOSA, Fabiano Timbó; BARBOSA, Luciano Timbó; JUCA, Mário Jorge  and  CUNHA, Rafael Martins da. Usos do sulfato de magnésio em obstetrícia e em anestesia. Rev. Bras. Anestesiol. [online]. 2010, vol.60, n.1 [cited  2021-02-16], pp.104-110. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-70942010000100013&lng=en&nrm=iso&gt;. ISSN 0034-7094.  https://doi.org/10.1590/S0034-70942010000100013.

Fator Rh na Gestação: A Vacina ROGAN

A imunoglobulina anti Rh(D) (conhecida como vacina Rogan) é utilizada para prevenir a sensibilização materna ao fator sanguíneo de um bebê Rh positivo quando a mãe possui o fator Rh negativo. Esta condição também é conhecida por incompatibilidade sanguínea.

Com a vacina, que contém anticorpos IgG específicos contra antígenos Rh(D) de eritrócitos humanos, a gestante de fator sanguíneo Rh negativo, previne a produção de anticorpos que combatem o Rh positivo do feto e a gravidez transcorre normalmente sem risco para a mãe e para o bebê.

O fator Rh pode afetar o curso da primeira gestação?

O Rh negativo da mãe não vai gerar doenças genéticas no bebê ou aborto durante a primeira gravidez. A maioria dos abortos do primeiro trimestre ocorrem devido a uma alteração cromossômica, por isso, é importante analisar o material de aborto e conversar com o médico de sua confiança sobre outros exames para auxiliá-la a prevenir a repetição da perda em uma próxima gestação.

Indicações para a vacina Rogan

A administração da imunoglobulina anti Rh(D) em mulheres Rh(D)negativas é indicada nos seguintes casos:

  • Gravidez/parto de criança Rh(D) positiva;
  • Aborto /ameaça de aborto, gravidez ectópica ou mola hidatiforme;
  • Hemorragia transplacentária resultante de hemorragia anteparto, amniocentese, biópsia coriônica, procedimentos de manipulação obstétrica, por exemplo, versão externa ou trauma abdominal;
  • Tratamento de pessoas Rh(D)negativas após transfusões incompatíveis de sangue Rh(D)positivo ou outros produtos contendo células vermelhas do sangue.

Rogan e interações com medicamentos

A imunoglobulina anti Rh(D) não apresenta interações com outros medicamentos conhecidos até o momento, porém sabe-se que ela pode prejudicar a eficácia de vacinas de vírus vivos atenuados, tais como: sarampo, rubéola, caxumba e catapora, por períodos de 6 semanas a 3 meses. Com o uso de altas doses, este efeito pode persistir por mais de um ano.

Reações adversas

Como geralmente ocorre na administração de preparações de imunoglobulina, reações alérgicas moderadas e passageiras, incluindo as sensações de calor, dor de cabeça, calafrios e náuseas, podem ocorrer ocasionalmente. É importante avisar seu médico sobre qualquer mal-estar.

Referência:

  1. DE MEDEIROS, Raquel Trovão et al. USE OF ROGAN VACCINE DURING PRENATAL CARE IN RH NEGATIVE WOMEN: THE HEALTHCARE PROFESSIONALS’KNOWLEDGE. Journal of Nursing UFPE/Revista de Enfermagem UFPE, v. 5, n. 6, 2011.

Curetagem: Para que serve?

A Curetagem Uterina é um procedimento médico executado em unidade hospitalar, sob anestesia geral ou locorregional, que objetiva retirar material placentário ou endometrial da cavidade uterina por um instrumento denominado cureta.

Seu Objetivo

Limpar o útero através da remoção de restos de um aborto incompleto ou da placenta após o parto normal, ou ainda ser utilizado como exame diagnóstico, recebendo o nome de curetagem endocervical semiótica.

Desconforto

A curetagem como forma de tratamento é procedimento muito doloroso e por isso durante todo o procedimento a mulher deve estar sedada ou anestesiada para que não sinta dor ou desconforto.

No entanto, a dor ou desconforto abdominal pode surgir após o procedimento e permanecer por cerca de 5 a 7 dias, sendo recomendado tomar analgésicos, como a Dipirona ou Ibuprofeno, para aliviar os sintomas.

A Indicação do Procedimento

A curetagem uterina pode ser indicada para as seguintes situações:

  • Retirada de restos ovulares em caso de aborto;
  • Retirada de restos da placenta após o parto normal;
  • Para remover o ovo sem embrião;
  • Para remover pólipos uterinos;
  • Aborto retido ou infectado, quando os restos encontram-se ali por mais de 8 semanas;
  • Quando o embrião não se desenvolve corretamente, como na mola hidatiforme.

Antes de iniciar a curetagem o médico pode indicar o uso de um remédio chamado Misoprostol que induz a contração uterina, facilitando a retirada do seu conteúdo. Esse cuidado é especialmente indicado quando é preciso remover os restos de um  aborto com feto com mais de 12 semanas ou com mais de 16 cm.

O uso desse remédio só deve ser realizado dentro da clínica ou hospital, horas antes de iniciar a curetagem.

O procedimento

A curetagem uterina deve ser feita pelo ginecologista em uma clínica ou hospital, através da introdução de uma cureta, um instrumento cirúrgico, pela vagina para que seja feita uma raspagem das paredes do útero.

Outra forma de curetagem é a introdução de uma cânula de aspiração que é um mecanismo de vácuo, que suga todo conteúdo uterino.

Normalmente o médico opta por utilizar as duas técnicas no mesmo procedimento, começando com o vácuo inicialmente e depois faz a raspagem das paredes do útero, para retirar o conteúdo de forma mais rápida e mais segura.

Este procedimento pode ser feito sob raquianestesia ou sedação quando é usado como para limpar restos de um aborto, por exemplo.

Esta raspagem das paredes do útero pode ser feito com ou sem a dilatação prévia do canal cervical dependendo do tamanho do conteúdo que será retirado e durante todo procedimento o médico deve observar o interior do útero numa tela. Geralmente são usadas varetas com espessura cada vez maior até permitir a entrada e saída da cureta sem ferir o colo uterino e as paredes do útero.

A mulher deve ficar em observação durante algumas horas, mas nem sempre há necessidade de internamento hospitalar, à menos que ocorra alguma complicação. Após o procedimento a mulher pode ir para casa, mas não deve dirigir porque deve estar sonolenta ou com dor de cabeça devido a sedação.

Segundo estudos recentes, a curetagem é o procedimento cirúrgico mais realizado pelo Sistema Único de Saúde brasileiro.

Referências:

  1. O Estadão: Curetagem após aborto é a cirurgia mais realizada no SUS, revela estudo;
  2. Saciloto, Marcio Pedroso, et al. “Aspiração manual intrauterina no tratamento do abortamento incompleto até 12 semanas gestacionais: uma alternativa à curetagem uterina.” Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 33.10 (2011): 292-296.