Metformina na SOP: Quando É Indicada?

metformina SOP

A metformina melhora a sensibilidade à insulina e ajuda a controlar parâmetros metabólicos, podendo contribuir para a redução da resistência insulínica. Em algumas pacientes, também pode favorecer a regularidade menstrual. Entretanto, quando o principal objetivo é tratar acne, excesso de pelos ou induzir a ovulação, outras estratégias podem ser mais adequadas, conforme a necessidade identificada.

Imagine uma paciente com SOP, ciclos menstruais irregulares e exames que apontam maior risco metabólico. Nesse cenário, a metformina pode ser considerada pelo médico, associada a orientações individualizadas sobre alimentação, atividade física e acompanhamento clínico. Já em uma paciente cuja principal queixa é o excesso de pelos, a abordagem pode ser diferente, pois a indicação do medicamento depende do objetivo terapêutico.

Efeitos colaterais e cuidados

Náuseas, diarreia, desconforto abdominal e gases estão entre os efeitos adversos mais comuns, sobretudo no início do tratamento. Por isso, a dose costuma ser aumentada gradualmente, conforme prescrição, e a administração junto às refeições pode melhorar a tolerância. O uso prolongado também pode reduzir os níveis de vitamina B12, sendo indicada a avaliação periódica em pessoas com fatores de risco.

Na prática do acompanhamento, se uma paciente relata diarreia e cólicas após começar a metformina, esses sintomas devem ser investigados antes de se concluir que o tratamento precisa ser suspenso. A equipe deve verificar quando começaram, como evoluíram e se há sinais de intolerância importante, encaminhando a situação ao profissional responsável.

Cuidados de enfermagem

Devem ser acompanhados a tolerância gastrointestinal, a adesão ao tratamento e os resultados dos exames solicitados. Também é importante orientar que a dose não seja alterada por conta própria e que a metformina não substitui o acompanhamento ginecológico e metabólico. A resposta deve ser reavaliada individualmente, pois nem todas as pacientes apresentam os mesmos benefícios.

A metformina pode ser útil na SOP, principalmente para objetivos metabólicos, mas a indicação precisa considerar as necessidades de cada paciente.

Resumo para salvar

Metformina na SOP: Quando É Indicada?

  • Ajuda no controle metabólico e na sensibilidade à insulina
  • Pode favorecer a regularidade menstrual em algumas pacientes
  • Efeitos comuns incluem náuseas e diarreia
  • O tratamento deve ser individualizado e acompanhado

Referências:

  1. TEede, H. J. et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Human Reproduction, v. 38, n. 9, p. 1655–1679, 2023. Disponível em: https://academic.oup.com/humrep/article/38/9/1655/7241786.
  2. MONASH UNIVERSITY. International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. 2023. Disponível em: https://www.monash.edu/__data/assets/pdf_file/0003/3379521/Evidence-Based-Guidelines-2023.pdf. 

Mamografia: O Que o Exame Pode Revelar

Mamografia

Uma mamografia pode encontrar uma alteração antes mesmo de existir um nódulo palpável. Esse é um dos principais motivos pelos quais o exame continua sendo importante na detecção precoce do câncer de mama. Microcalcificações, assimetrias, nódulos e distorções arquiteturais podem aparecer na imagem antes de qualquer alteração percebida pela própria mulher.

Rastreamento não é investigação

Existe uma diferença importante: a mamografia de rastreamento é realizada em mulheres sem sinais ou sintomas, enquanto a investigação diagnóstica ocorre quando já existe uma alteração clínica ou uma imagem suspeita que precisa ser esclarecida. Portanto, encontrar um nódulo palpável, secreção sanguinolenta pelo mamilo, retração da pele ou outra alteração não significa simplesmente “esperar a próxima mamografia de rotina”. É necessária avaliação direcionada.

Imagine uma paciente chegando à unidade dizendo que “não sente nada”, mas trazendo uma mamografia anterior com uma alteração que precisava de acompanhamento. Na prática, é justamente aí que a orientação faz diferença: não basta perguntar se ela tem dor ou se percebeu um caroço; é importante conferir o resultado, a recomendação descrita no laudo e se o acompanhamento realmente aconteceu.

A idade do rastreamento merece atenção

No posicionamento publicado em 2025, o INCA mantém a recomendação de rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, considerando a população de risco habitual. Já uma nota técnica do Ministério da Saúde publicada em 2025 orienta o rastreamento no SUS entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Essa diferença torna importante verificar qual protocolo está sendo utilizado no serviço e a indicação individual da paciente, principalmente fora da faixa de rastreamento populacional.

Outra situação comum acontece quando uma mulher mais jovem chega ao atendimento dizendo que “todo mundo faz mamografia a partir dos 40”. A conduta não deve ser automática. Idade, sintomas, histórico familiar, antecedentes pessoais e fatores de risco podem mudar a estratégia, e mulheres com risco aumentado podem precisar de acompanhamento individualizado.

O que a enfermagem precisa observar

Antes do exame, a enfermagem pode confirmar identificação, solicitação e indicação, investigar possibilidade de gestação quando pertinente e orientar sobre o procedimento. Também é importante explicar que a compressão das mamas é necessária para obter imagens adequadas e reduzir sobreposição dos tecidos.

Depois do exame, a principal atenção está em orientar a paciente sobre a necessidade de acompanhar o resultado e procurar o serviço de referência caso seja solicitado exame complementar. Um resultado que exige investigação não significa automaticamente câncer; significa que aquela alteração precisa ser esclarecida.

A qualidade da imagem também importa. Uma mamografia tecnicamente inadequada pode dificultar a identificação de alterações, por isso posicionamento, colaboração da paciente e realização correta do exame fazem parte da segurança do processo.

O ponto que não pode ser esquecido

Mamografia é uma ferramenta de detecção, não um diagnóstico isolado. Quando aparece uma alteração suspeita, podem ser necessários exames complementares, comparação com imagens anteriores, ultrassonografia, avaliação especializada e, em algumas situações, biópsia.

Para a enfermagem, uma orientação simples pode evitar uma falha importante: não deixe a paciente sair apenas com a informação de que “o exame deu alteração”. Verifique se ela entendeu qual é o próximo passo e se existe encaminhamento definido.

Resumo para salvar

Mamografia: O Que o Exame Pode Revelar

  • Rastreamento não é investigação
  • Mamografia pode identificar alterações não palpáveis
  • Idade e fatores de risco influenciam a indicação
  • Alteração no exame precisa de acompanhamento

Referências

  1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Posicionamento do INCA sobre faixa etária para rastreamento do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2025. INCA – Posicionamento sobre rastreamento do câncer de mama
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS: acesso ao exame de mamografia no âmbito do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Nota Técnica nº 626/2025 – Ministério da Saúde
  3. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Parâmetros técnicos para detecção precoce do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Parâmetros técnicos para detecção precoce do câncer de mama

Tipos de DIU: conheça as diferenças, duração, materiais, vantagens e cuidados de enfermagem

O Dispositivo Intrauterino (DIU) é um dos métodos contraceptivos mais eficazes e seguros disponíveis atualmente. Sua alta eficácia, longa duração, praticidade e reversibilidade fazem dele uma excelente opção para mulheres que desejam evitar a gravidez por vários anos, sem a necessidade de lembrar diariamente de tomar um medicamento.

Ao contrário do que muitas pessoas ainda acreditam, o DIU pode ser utilizado por mulheres que nunca engravidaram, adolescentes, mulheres no pós-parto e durante a amamentação, desde que não existam contraindicações e haja avaliação médica adequada.

Nos últimos anos, houve importantes atualizações em relação ao tempo de duração dos diferentes modelos, especialmente dos DIUs hormonais e do DIU de cobre, tornando esse método ainda mais vantajoso.

Hoje você conhecerá todos os tipos de DIU disponíveis, entenderá como eles funcionam, quais materiais os compõem, suas diferenças, vantagens, desvantagens e os principais cuidados de enfermagem.

O que é um DIU?

O DIU é um pequeno dispositivo flexível colocado dentro do útero por um profissional habilitado. Seu objetivo é impedir a gravidez por meio de diferentes mecanismos, dependendo do tipo de dispositivo.

Apesar do nome “dispositivo intrauterino”, ele não atua como um método abortivo. Sua ação ocorre antes da fecundação, principalmente dificultando a sobrevivência dos espermatozoides ou impedindo que eles alcancem o óvulo.

Após sua retirada, a fertilidade retorna rapidamente na maioria das mulheres.

Como surgiu o DIU?

Os primeiros modelos surgiram na primeira metade do século XX e eram bastante diferentes dos dispositivos atuais. Ao longo das décadas ocorreram diversas melhorias relacionadas ao formato, material, segurança e eficácia.

Hoje os DIUs modernos apresentam baixíssimos índices de complicações e estão entre os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC – Long-Acting Reversible Contraceptives).

Quais são os principais tipos de DIU?

Atualmente existem dois grandes grupos:

  • DIU não hormonal (cobre)
  • DIU hormonal (levonorgestrel)

Dentro desses grupos existem diferentes modelos.

DIU de cobre

O DIU de cobre é o modelo mais utilizado em serviços públicos de saúde, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS).

Do que ele é feito?

Sua estrutura normalmente é composta por:

  • haste de polietileno (plástico flexível de grau médico);
  • sulfato de bário (permite visualização em exames radiológicos);
  • fio de cobre enrolado ao redor da haste vertical;
  • mangas ou fios laterais de cobre nos braços horizontais;
  • fio de polietileno para remoção.

O modelo mais conhecido é o TCu 380A.

Como funciona?

O cobre libera continuamente íons dentro da cavidade uterina.

Esses íons provocam uma reação inflamatória local controlada.

Essa reação:

  • reduz a mobilidade dos espermatozoides;
  • dificulta sua sobrevivência;
  • altera o ambiente uterino;
  • dificulta a fecundação.

Importante destacar que o DIU de cobre não interrompe uma gravidez já existente.

Quanto tempo dura?

As evidências científicas mais recentes demonstram que o TCu 380A pode permanecer por até 12 anos em muitas mulheres, embora alguns fabricantes mantenham registro para 10 anos. Diversas diretrizes internacionais aceitam seu uso por até 12 anos em situações específicas, principalmente quando inserido após os 25 anos de idade.

Na prática:

  • duração registrada pelo fabricante: 10 anos;
  • duração aceita por diversas diretrizes: até 12 anos, conforme avaliação clínica.

Vantagens

  • Não possui hormônios.
  • Pode ser utilizado durante a amamentação.
  • Possui excelente eficácia.
  • Baixo custo.
  • Pode permanecer muitos anos.
  • Retorno imediato da fertilidade após retirada.
  • Pode ser utilizado como contracepção de emergência quando inserido até cinco dias após relação sexual desprotegida.

Desvantagens

Pode aumentar:

  • intensidade do fluxo menstrual;
  • duração da menstruação;
  • cólicas menstruais.

Esses sintomas costumam melhorar após alguns meses.

DIU hormonal

O DIU hormonal libera continuamente um hormônio chamado levonorgestrel. Esse hormônio atua predominantemente dentro do útero.

Do que ele é feito?

Sua estrutura geralmente contém:

  • haste de polietileno;
  • reservatório contendo levonorgestrel;
  • membrana controladora da liberação hormonal;
  • sulfato de bário para visualização radiológica;
  • fio de remoção.

Como funciona?

O levonorgestrel promove:

  • espessamento do muco cervical;
  • redução do crescimento do endométrio;
  • diminuição da passagem dos espermatozoides;
  • redução importante das chances de fecundação.

Em algumas mulheres também pode ocorrer inibição da ovulação, embora esse não seja seu principal mecanismo.

Principais modelos de DIU hormonal

Mirena® (52 mg)

É o modelo mais conhecido.

Liberação hormonal

Inicialmente libera aproximadamente 20 microgramas de levonorgestrel por dia, reduzindo gradualmente ao longo dos anos.

Duração atualizada

As recomendações atuais ampliaram seu tempo de utilização para:

  • até 8 anos para contracepção.

Além da contracepção, pode ser indicado para:

  • sangramento uterino intenso;
  • proteção endometrial durante terapia hormonal;
  • adenomiose;
  • endometriose (em casos selecionados).

Liletta® (52 mg)

Possui quantidade semelhante de hormônio ao Mirena. Sua duração também foi ampliada para:

  • até 8 anos.

Kyleena® (19,5 mg)

Libera menor quantidade hormonal. Indicado principalmente para mulheres que desejam doses menores de hormônio.

Duração

Até 5 anos.

Skyla® / Jaydess® (13,5 mg)

Possui menor tamanho. Muito utilizado em mulheres jovens e nulíparas em alguns países.

Duração

Até 3 anos.

Em alguns mercados, esse modelo deixou de ser comercializado, mas ainda pode ser encontrado em determinados países.

Comparação entre os principais DIUs

Modelo Hormônio Material principal Duração
TCu 380A Não Polietileno + cobre 10 anos (até 12 anos em algumas diretrizes)
Mirena® Levonorgestrel 52 mg Polietileno + reservatório hormonal Até 8 anos
Liletta® Levonorgestrel 52 mg Polietileno + reservatório hormonal Até 8 anos
Kyleena® Levonorgestrel 19,5 mg Polietileno + reservatório hormonal Até 5 anos
Skyla® / Jaydess® Levonorgestrel 13,5 mg Polietileno + reservatório hormonal Até 3 anos

Qual é o mais eficaz?

Todos apresentam eficácia extremamente elevada, a taxa de falha anual fica abaixo de 1%. Na prática clínica, tanto o DIU de cobre quanto os hormonais apresentam eficácia superior a 99%.

Quem pode utilizar?

Grande parte das mulheres pode utilizar DIU.

Incluindo:

  • adolescentes;
  • mulheres que nunca engravidaram;
  • mulheres após parto;
  • mulheres após aborto;
  • mulheres em amamentação;
  • mulheres com contraindicação ao estrogênio.

A indicação deve sempre considerar a avaliação clínica individual e os Critérios de Elegibilidade Médica da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Quando o DIU não é indicado?

As principais contraindicações incluem:

  • gravidez confirmada;
  • infecção pélvica ativa;
  • doença inflamatória pélvica em atividade;
  • câncer de colo do útero não tratado;
  • sangramento uterino sem investigação;
  • malformações uterinas importantes;
  • alergia ao cobre (para DIU de cobre);
  • doença de Wilson (contraindicação ao DIU de cobre).

Para o DIU hormonal, também devem ser consideradas condições relacionadas ao uso de progestagênios, como câncer de mama em atividade.

Como é feita a inserção?

A inserção é realizada em consultório ou ambulatório. O procedimento costuma durar poucos minutos.

Geralmente envolve:

  • exame ginecológico;
  • avaliação do colo uterino;
  • antissepsia;
  • histerometria (medição da cavidade uterina);
  • inserção do dispositivo;
  • corte dos fios.

Após a colocação, recomenda-se acompanhamento conforme protocolo do serviço.

É normal sentir cólica depois da colocação?

Sim.

Nos primeiros dias podem ocorrer:

  • cólicas;
  • pequeno sangramento;
  • desconforto pélvico.

Esses sintomas costumam desaparecer espontaneamente.

O parceiro sente o DIU durante a relação?

O dispositivo permanece dentro do útero. Normalmente não é percebido durante a relação sexual. Em alguns casos, o parceiro pode sentir os fios de remoção, que podem ser ajustados pelo profissional.

O DIU pode sair sozinho?

Sim, embora seja incomum. Isso recebe o nome de expulsão.

O risco é maior:

  • nos primeiros meses;
  • durante a menstruação;
  • após o parto;
  • em mulheres muito jovens;
  • em casos de inserção logo após parto vaginal.

O DIU protege contra ISTs?

Não. Nenhum tipo de DIU protege contra:

  • HIV;
  • sífilis;
  • gonorreia;
  • clamídia;
  • HPV;
  • hepatites virais.

Por isso, o uso de preservativos continua sendo recomendado.

Enfermeiro pode inserir DIU?

Sim, o enfermeiro pode colocar DIU (Dispositivo Intrauterino). O procedimento é legal e autorizado no Brasil pela regulamentação do Conselho Federal de Enfermagem através da Resolução Cofen nº 802/2026 e atualizações posteriores, como a Resolução Cofen nº 802/2026, com respaldo em decisões da Justiça federal.

Regras e Requisitos

  • Capacitação específica: O profissional deve ter curso de capacitação e treinamento adequado para a inserção, revisão e retirada do dispositivo.
  • Consulta de enfermagem: O enfermeiro faz a avaliação clínica, solicita exames, verifica contraindicações e aplica o Termo de Consentimento.
  • Onde é realizado: O procedimento ocorre tanto na rede pública (Unidades Básicas de Saúde pelo SUS) quanto em clínicas privadas

Curiosidades

O DIU é um dos métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes do mundo, com taxa de falha inferior a 1% ao ano. O DIU de cobre é o método contraceptivo de emergência mais eficaz quando inserido até cinco dias após uma relação sexual desprotegida.

O DIU hormonal pode reduzir significativamente o fluxo menstrual e muitas usuárias deixam de menstruar após alguns meses de uso, condição conhecida como amenorreia induzida pelo levonorgestrel, que não representa acúmulo de sangue no útero.

A fertilidade geralmente retorna rapidamente após a retirada do dispositivo, podendo ocorrer gravidez já no primeiro ciclo menstrual. Os fios do DIU permanecem discretamente exteriorizados pelo colo do útero para facilitar sua remoção, mas normalmente não interferem na vida sexual.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem exerce papel fundamental na orientação, inserção (quando legalmente habilitada e conforme legislação local), acompanhamento e identificação precoce de complicações relacionadas ao DIU. Entre os principais cuidados estão:

  • Realizar acolhimento e educação em saúde, esclarecendo dúvidas sobre os diferentes tipos de DIU e seu mecanismo de ação.
  • Avaliar histórico clínico, ginecológico e obstétrico, identificando possíveis contraindicações e encaminhando para avaliação médica quando necessário.
  • Orientar que o DIU não oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), reforçando o uso de preservativos.
  • Explicar que cólicas leves e pequenos sangramentos podem ocorrer após a inserção e tendem a diminuir com o tempo.
  • Orientar a paciente a procurar assistência caso apresente febre, dor pélvica intensa, corrimento com odor desagradável, sangramento intenso ou suspeita de expulsão do dispositivo.
  • Informar sobre a importância das consultas de acompanhamento, conforme protocolo institucional.
  • Ensinar a paciente sobre a possibilidade de verificar os fios do DIU após a menstruação, quando orientado pelo profissional responsável.
  • Registrar adequadamente todas as orientações prestadas, intercorrências e informações relacionadas ao procedimento.

O DIU representa uma das formas mais modernas, seguras e eficazes de contracepção reversível disponíveis atualmente. A escolha entre o DIU de cobre e os diferentes modelos hormonais deve ser individualizada, considerando as necessidades, preferências, condições clínicas e objetivos reprodutivos de cada mulher.

Para a enfermagem, compreender as características de cada tipo de DIU é essencial para oferecer orientações corretas, acolher dúvidas, identificar possíveis complicações e promover um planejamento reprodutivo seguro e baseado em evidências. Com as atualizações recentes sobre o tempo de duração de alguns modelos, esse método tornou-se ainda mais vantajoso para mulheres que buscam contracepção de longa duração com alta eficácia.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Atenção ao Planejamento Reprodutivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Anticoncepção: Manual Clínico. São Paulo: Febrasgo, 2023. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/. 
  3. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis e Planejamento Reprodutivo. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use. 5. ed. Genebra: WHO, 2015. Atualizações disponíveis em: https://www.who.int
  6. AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG). Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices. Disponível em: https://www.acog.org
  7. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use. Disponível em: https://www.cdc.gov/contraception
  8. FACULDADE BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Manual de Anticoncepção. São Paulo: FEBRASGO. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br
  9. BAYER. Bula Profissional – Mirena® (Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel). Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br

Métodos Contraceptivos: tipos, funcionamento e o papel da enfermagem na orientação e no cuidado

Os métodos contraceptivos fazem parte da saúde sexual e reprodutiva e são fundamentais para o planejamento familiar. Eles permitem que indivíduos e casais decidam se desejam ter filhos, quando desejam e em quais condições. Além de prevenir a gravidez não planejada, alguns métodos também ajudam a prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ou a tratar determinadas condições ginecológicas.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, compreender os diferentes métodos contraceptivos, seus mecanismos de ação, eficácia, indicações e contraindicações é essencial. A enfermagem tem papel importante na orientação do paciente, na educação em saúde e no acompanhamento do uso correto desses métodos.

Esta publicação apresenta uma visão completa e didática sobre todos os principais métodos contraceptivos utilizados atualmente.

O que são métodos contraceptivos?

Os métodos contraceptivos são estratégias utilizadas para evitar a gravidez. Eles atuam de diferentes maneiras, como impedir a ovulação, dificultar a passagem dos espermatozoides, impedir a fecundação ou evitar a implantação do embrião no útero.

A escolha do método ideal depende de diversos fatores, incluindo idade, estado de saúde, frequência de relações sexuais, desejo de fertilidade futura, facilidade de acesso ao método e preferências pessoais.

Classificação dos métodos contraceptivos

De maneira geral, os métodos contraceptivos podem ser classificados em cinco grandes grupos:

  • métodos comportamentais ou naturais;
  • métodos de barreira;
  • métodos hormonais;
  • dispositivos intrauterinos;
  • métodos definitivos (cirúrgicos).

Cada um desses grupos apresenta características específicas, vantagens, limitações e diferentes níveis de eficácia.

Métodos contraceptivos naturais ou comportamentais

Os métodos naturais baseiam-se na observação do ciclo menstrual da mulher e na identificação do período fértil. Durante esse período, o casal evita relações sexuais ou utiliza outro método de proteção. Um dos mais conhecidos é o método do calendário ou tabelinha. Ele consiste em calcular os dias férteis com base na duração do ciclo menstrual.

Outro método é o da observação do muco cervical, conhecido como método de Billings. Durante o período fértil, o muco vaginal torna-se mais transparente, elástico e abundante. Também existe o método da temperatura basal, que envolve a medição diária da temperatura corporal ao acordar. Pequenas variações podem indicar a ovulação.

Embora esses métodos não envolvam medicamentos ou dispositivos, eles apresentam maior taxa de falha quando comparados a outros métodos contraceptivos.

Métodos de barreira

Os métodos de barreira impedem fisicamente que os espermatozoides alcancem o óvulo.

Preservativo masculino

O preservativo masculino é um dos métodos mais utilizados no mundo. Ele é uma capa fina de látex ou poliuretano que recobre o pênis durante a relação sexual. Além de prevenir a gravidez, ele é o único método que também protege contra infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis, gonorreia e clamídia.

Preservativo feminino

O preservativo feminino é um dispositivo de poliuretano que é inserido na vagina antes da relação sexual. Ele funciona como uma barreira física, impedindo o contato direto entre espermatozoides e o colo do útero.

Diafragma

O diafragma é uma estrutura flexível em forma de cúpula que é colocada dentro da vagina, cobrindo o colo do útero. Ele costuma ser utilizado em associação com espermicidas para aumentar a eficácia.

Métodos hormonais

Os métodos hormonais utilizam hormônios sintéticos semelhantes aos hormônios naturais femininos. Eles atuam principalmente impedindo a ovulação, alterando o muco cervical e modificando o endométrio.

Pílula anticoncepcional

A pílula anticoncepcional é um dos métodos mais conhecidos. Ela pode ser combinada (estrogênio e progesterona) ou conter apenas progesterona. Quando usada corretamente, apresenta alta eficácia na prevenção da gravidez.

Injeção anticoncepcional

As injeções hormonais podem ser mensais ou trimestrais. Elas liberam hormônios que impedem a ovulação e tornam o muco cervical mais espesso.

Implante subdérmico

O implante contraceptivo é um pequeno bastão colocado sob a pele do braço. Ele libera progesterona lentamente e pode durar até três anos.

Adesivo anticoncepcional

O adesivo transdérmico é colocado sobre a pele e libera hormônios que são absorvidos pela corrente sanguínea.

Anel vaginal

O anel vaginal é inserido dentro da vagina e libera hormônios de forma contínua durante aproximadamente três semanas.

Dispositivos intrauterinos (DIU)

Os dispositivos intrauterinos são pequenos dispositivos colocados dentro do útero por profissionais treinados.

DIU de cobre

O DIU de cobre não contém hormônios. Ele libera íons de cobre que criam um ambiente hostil para os espermatozoides, dificultando a fecundação. Pode permanecer no útero por até dez anos.

DIU hormonal

O DIU hormonal libera pequenas quantidades de progesterona dentro do útero. Isso espessa o muco cervical, reduz o crescimento do endométrio e pode diminuir o fluxo menstrual. Sua duração varia entre três e cinco anos, dependendo do modelo.

Métodos contraceptivos de emergência

A contracepção de emergência é utilizada após uma relação sexual desprotegida ou quando há falha do método contraceptivo. A principal forma é a pílula do dia seguinte, que deve ser tomada preferencialmente nas primeiras 24 horas após a relação, embora possa ser eficaz até 72 horas ou mais, dependendo do tipo.

Também é possível utilizar o DIU de cobre como método de emergência em até cinco dias após a relação.

Métodos contraceptivos definitivos

Os métodos definitivos são cirurgias realizadas para impedir permanentemente a fertilidade.

Laqueadura tubária

A laqueadura consiste na interrupção das trompas uterinas, impedindo que o óvulo encontre os espermatozoides.

Vasectomia

A vasectomia é realizada no homem e consiste na interrupção dos canais deferentes, impedindo que os espermatozoides sejam liberados durante a ejaculação. Ambos os métodos são considerados permanentes e indicados para pessoas que têm certeza de que não desejam mais filhos.

Eficácia dos métodos contraceptivos

A eficácia de um método contraceptivo depende de dois fatores principais: o tipo de método e o uso correto. Métodos de longa duração, como DIU e implantes, apresentam taxas de falha muito baixas. Já métodos comportamentais apresentam taxas maiores de falha. O preservativo, quando utilizado corretamente em todas as relações, apresenta boa eficácia e ainda oferece proteção contra ISTs.

Cuidados de enfermagem na orientação sobre métodos contraceptivos

A enfermagem tem papel fundamental na educação em saúde e no planejamento familiar. Durante as consultas de enfermagem, é importante avaliar o histórico de saúde do paciente, idade, condições clínicas, uso de medicamentos e preferências pessoais.

A orientação deve ser clara, respeitando aspectos culturais e individuais, e sempre enfatizando o uso correto do método escolhido. Também é importante reforçar que apenas o preservativo oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis. A enfermagem pode atuar ainda na inserção de dispositivos intrauterinos, no acompanhamento do uso de métodos hormonais e na identificação precoce de efeitos adversos.

Outro cuidado essencial é promover o acesso à informação e incentivar decisões informadas e conscientes sobre a saúde reprodutiva.

Assistência de Enfermagem e o Índice de Pearl

Para discutir eficácia com o paciente, o estudante de enfermagem deve conhecer o Índice de Pearl, que calcula o número de falhas de um método em 100 mulheres durante um ano de uso. A fórmula é:

Quanto menor o Índice de Pearl, mais seguro é o método.

Cuidados de Enfermagem na Consulta de Planejamento Familiar:

  • Anamnese detalhada: Identificar fatores de risco cardiovascular, hábitos de vida e histórico familiar.
  • Exame físico: Aferição da pressão arterial (crucial para métodos hormonais) e exame de mamas.
  • Educação em saúde: Explicar os efeitos colaterais comuns, como escape (spotting), náuseas ou sensibilidade mamária, para evitar que a paciente abandone o método por medo.
  • Aconselhamento sobre ISTs: Reforçar que apenas a camisinha previne infecções, independentemente do método anticoncepcional usado.
  • Registro e seguimento: Agendar retornos para avaliar a adaptação e a satisfação do paciente com a escolha.

Os métodos contraceptivos são ferramentas fundamentais para o planejamento familiar e para a promoção da saúde sexual e reprodutiva. Cada método possui características próprias, vantagens e limitações, e a escolha deve ser individualizada.

A enfermagem desempenha um papel central nesse processo, oferecendo orientação qualificada, acompanhamento contínuo e apoio na tomada de decisões.

Conhecer profundamente os diferentes métodos contraceptivos permite que o profissional de enfermagem contribua de forma efetiva para a prevenção da gravidez não planejada e para a promoção da saúde.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção básica: saúde sexual e saúde reprodutiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. (Cadernos de Atenção Básica, n. 26). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/. 
  2. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Manual de Anticoncepção. São Paulo: FEBRASGO, 2021. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/. 
  3. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Critérios médicos de elegibilidade para uso de métodos anticoncepcionais. 5. ed. Genebra: OMS, 2015. Disponível em: https://www.who.int/pt/publications/i/item/9789241549158. 
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na Assistência à Saúde Reprodutiva. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Family planning: a global handbook for providers. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: https://www.who.int 
  6. FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de anticoncepção. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br
  7. HOFFMAN, B. L. et al. Williams Ginecologia. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021.

Patologias Obstétricas e Seus Principais Sinais

patologias obstétricas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 14/09/2026.

Na obstetrícia, o detalhe que parece pequeno pode ser o primeiro sinal de uma complicação grave. Uma pressão de 150/100 mmHg, um sangramento que mudou de padrão ou a redução dos movimentos fetais não devem ser avaliados isoladamente: o contexto materno, a idade gestacional e a condição fetal mudam completamente a prioridade do atendimento.

O que são patologias obstétricas?

São doenças ou complicações que podem surgir durante a gestação, o parto ou o puerpério e aumentar o risco para a mulher, o feto ou ambos. Entre as situações mais importantes estão os distúrbios hipertensivos, hemorragias, diabetes gestacional, gestação ectópica, abortamento, ruptura prematura de membranas e trabalho de parto prematuro.

O reconhecimento precoce depende de avaliação clínica, sinais vitais, história obstétrica, idade gestacional e acompanhamento materno-fetal. Por isso, a enfermagem tem papel fundamental na identificação de alterações e no encaminhamento oportuno.

Doenças hipertensivas exigem atenção

A pré-eclâmpsia geralmente surge após 20 semanas e é caracterizada por hipertensão associada a proteinúria ou a sinais de comprometimento de órgãos maternos. Edema pode ocorrer na gestação, mas não deve ser utilizado sozinho como critério diagnóstico.

Cefaleia persistente, alterações visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, hipertensão importante, dispneia e alterações laboratoriais são sinais que exigem avaliação imediata. A doença pode evoluir para eclâmpsia, síndrome HELLP, lesão renal, complicações neurológicas e alterações placentárias.

Na prática, uma gestante pode chegar ao serviço dizendo apenas que está com “uma dor de cabeça diferente”. Quando a pressão é aferida corretamente e aparece elevada, aquela queixa aparentemente comum muda de prioridade. É justamente por isso que não basta registrar a pressão: é preciso observar sintomas associados e comunicar alterações relevantes.

Na eclâmpsia, ocorre convulsão no contexto de uma doença hipertensiva da gestação. Trata-se de emergência obstétrica. A assistência envolve proteção da via aérea e prevenção de trauma e aspiração, controle da hipertensão grave, sulfato de magnésio para prevenção e tratamento das convulsões e avaliação para definição da conduta obstétrica. Durante o uso do magnésio, a equipe deve acompanhar frequência respiratória, nível de consciência, reflexos e diurese, conforme protocolo institucional.

Sangramento na gestação nunca deve ser banalizado

O sangramento vaginal pode estar relacionado a diferentes condições e sua interpretação depende principalmente da idade gestacional, intensidade, dor e estado materno-fetal.

Na placenta prévia, o sangramento costuma ser vermelho vivo e indolor, enquanto no descolamento prematuro de placenta pode ocorrer dor abdominal, hipertonia uterina e sofrimento fetal, embora a apresentação clínica possa variar. Em suspeita de placenta prévia, o exame vaginal digital não deve ser realizado antes da localização placentária ser conhecida, devido ao risco de desencadear sangramento importante.

No primeiro trimestre, sangramento associado a dor abdominal também exige atenção para abortamento e gestação ectópica, especialmente quando há dor unilateral, tontura, síncope ou sinais de instabilidade hemodinâmica.

Um cenário que exige rapidez é a gestante com sangramento, palidez, taquicardia e alteração da pressão arterial. Nesse momento, esperar que o volume exteriorizado “pareça grande” pode atrasar a identificação de choque. A avaliação deve considerar sinais clínicos, evolução do sangramento e resposta hemodinâmica, com acionamento imediato da equipe e preparação para as medidas necessárias.

Hemorragia pós-parto: reconhecer cedo muda o desfecho

A hemorragia pós-parto permanece uma das principais emergências obstétricas. As recomendações mais recentes da OMS reforçam a necessidade de identificar precocemente o sangramento anormal e agir rapidamente, inclusive considerando perda sanguínea associada a alterações dos sinais vitais.

O manejo envolve abordagem simultânea da causa e estabilização da paciente. O pacote recomendado pela OMS inclui massagem uterina, uterotônicos, ácido tranexâmico, reposição volêmica e investigação de trauma do trato genital, entre outras medidas conforme a situação clínica e o protocolo local.

Diabetes gestacional também merece vigilância

O diabetes gestacional corresponde à hiperglicemia diagnosticada durante a gestação que não preenche critérios de diabetes manifesto. A investigação costuma incluir avaliação da glicemia no pré-natal e, quando indicado, teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre 24 e 28 semanas.

O controle adequado reduz complicações maternas e fetais, como macrossomia, distúrbios metabólicos neonatais e maior risco obstétrico. A enfermagem participa ativamente da educação alimentar, monitorização da glicemia, adesão ao tratamento e reconhecimento de sinais que indiquem necessidade de reavaliação.

Outras condições que não podem passar despercebidas

Gestação ectópica, abortamento, ruptura prematura de membranas e trabalho de parto prematuro também fazem parte das principais condições obstétricas que exigem reconhecimento rápido. Dor abdominal intensa, sangramento, perda de líquido, contrações regulares antes do termo, febre ou redução dos movimentos fetais devem ser valorizados de acordo com a idade gestacional e o quadro clínico.

A avaliação não deve se limitar a identificar o diagnóstico provável. Na assistência de enfermagem, reconhecer instabilidade, registrar alterações, comunicar a equipe e iniciar as medidas previstas no protocolo são etapas que podem acontecer antes mesmo da confirmação diagnóstica definitiva.

Cuidados de enfermagem

A assistência deve incluir aferição adequada e acompanhamento da pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, saturação quando indicada, avaliação da dor, sangramento e estado geral. Também é importante observar movimentos fetais e frequência cardíaca fetal quando aplicável, acompanhar diurese, administrar medicamentos prescritos com monitorização dos efeitos e manter registros completos.

Em situações de emergência obstétrica, a prioridade é reconhecer deterioração materna ou fetal, acionar rapidamente a equipe, garantir acesso venoso e monitorização conforme necessidade e preparar materiais, medicamentos e exames de acordo com o protocolo do serviço. O cuidado deve ser individualizado, porque nem todo sangramento ou alteração da pressão terá a mesma causa ou gravidade.

Resumo para salvar

Patologias Obstétricas: Reconheça os Sinais de Alerta

  • Reconheça sinais de pré-eclâmpsia e eclâmpsia
  • Diferencie as principais causas de sangramento obstétrico
  • Identifique riscos do diabetes gestacional
  • Saiba quais cuidados de enfermagem priorizar

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Manual de gestação de alto risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.
  2. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Hipertensão arterial crônica e gravidez. 3. ed. São Paulo: FEBRASGO, 2024. Protocolo FEBRASGO-Obstetrícia, n. 19.
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Pre-eclampsia. Geneva: WHO, 2025.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage. Geneva: WHO, 2025.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência ao Parto Normal: Diretriz Nacional. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025.

Sangramento Uterino Disfuncional (SUD)

Para muitas pessoas, um ciclo menstrual irregular é apenas um inconveniente. No entanto, quando o sangramento se torna excessivo, prolongado ou ocorre em momentos inesperados, entramos no domínio do Sangramento Uterino Anormal (SUA). Dentro desse termo guarda-chuva, o Sangramento Uterino Disfuncional (SUD) é um diagnóstico específico que merece nossa atenção, especialmente porque ele é um diagnóstico de exclusão.

O SUD é, na essência, um sangramento anormal do útero que ocorre na ausência de qualquer doença orgânica ou estrutural identificável. Simplificando: o sangramento não é causado por miomas, pólipos, infecção, trauma ou câncer.

É um problema no eixo hormonal, que controla a ovulação e o ciclo menstrual. Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, compreender as nuances do SUD é crucial para orientar e cuidar das pacientes que frequentemente chegam aos serviços de saúde com queixas de sangramento volumoso e persistente.

O que é o Sangramento Uterino Disfuncional?

O sangramento uterino disfuncional é definido como qualquer alteração do padrão menstrual — seja em volume, duração, frequência ou regularidade — que não está relacionada a gravidez, infecções, tumores, doenças estruturais do útero ou outras causas orgânicas identificáveis.

Em outras palavras, é um diagnóstico de exclusão. Ocorre, principalmente, devido a distúrbios hormonais, especialmente ligados à ovulação irregular ou ausente.

A Origem do Problema: O Ciclo Anovulatório

O SUD ocorre quase sempre em ciclos anovulatórios, ou seja, ciclos em que a mulher não ovula.

  • O Ciclo Normal: No ciclo normal, o ovário libera um óvulo (ovulação). Após a ovulação, o corpo lúteo produz progesterona. A progesterona é o hormônio que estabiliza o endométrio (camada interna do útero), garantindo que ele se descame de forma organizada e controlada durante a menstruação.
  • O Ciclo Anovulatório: Sem a ovulação, não há corpo lúteo, e consequentemente, não há progesterona. O endométrio cresce continuamente apenas sob a influência do estrogênio (que continua sendo produzido). Ele se torna espesso, frágil e vascularizado.
  • O Resultado: Eventualmente, o endométrio fica tão espesso que começa a se desintegrar em pedaços irregulares e imprevisíveis, causando sangramento errático, longo e, muitas vezes, intenso. Este é o SUD.

As Múltiplas Faces do Sangramento: Onde o SUD Se Manifesta

O SUD é mais comum em duas faixas etárias onde a anovulação é fisiológica:

  1. Adolescência: Nos primeiros anos após a menarca (primeira menstruação), o eixo hipotálamo-hipófise-ovário ainda está imaturo. É comum haver anovulação e, consequentemente, SUD.
  2. Perimenopausa: Conforme a mulher se aproxima da menopausa, a função ovariana começa a falhar, a ovulação se torna errática, e o SUD se torna frequente.

Causas do Sangramento Uterino Anormal (SUA) – O Diagnóstico de Exclusão

É essencial que o SUD seja um diagnóstico de exclusão. Isso significa que, antes de afirmar que o sangramento é “disfuncional” (hormonal), o médico precisa descartar todas as causas orgânicas e sistêmicas (estruturais e não estruturais).

A AHA utiliza um mnemônico para classificar as causas do Sangramento Uterino Anormal (SUA), conhecido como PALM-COEIN:

Causas Estruturais (PALM) – Que Devem Ser Excluídas:

  • Pólipo
  • Adenomiose
  • Leiomioma (Miomas)
  • Malignidade (Câncer)

Causas Não Estruturais (COEIN) – Onde se Enquadra o SUD:

  • Coagulopatia (Distúrbios de coagulação)
  • Ovulatória Disfunção (Aqui está o SUD – problemas hormonais/anovulação)
  • Endometrial (Problemas específicos do endométrio, como inflamação)
  • Iatrogênica (Causada por medicamentos, como anticoagulantes ou certos contraceptivos)
  • Não Classificada (Rara)

Portanto, o SUD está especificamente no grupo da Disfunção Ovulatória (O), sendo causado por desregulações hormonais, tais como:

  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): Leva à anovulação crônica.
  • Doenças da Tireoide: Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem desregular o ciclo.
  • Estresse Extremo ou Perda de Peso Acentuada: Afetam o eixo hipotálamo-hipófise.

Fatores metabólicos

Doenças metabólicas também estão associadas ao SUD:

  • Obesidade
  • Resistência à insulina
  • Diabetes mellitus
  • Hiperprolactinemia

Essas alterações influenciam diretamente o balanço hormonal ovariano.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado em exclusão. Antes de confirmar o SUD, é preciso descartar causas estruturais ou orgânicas, como miomas, pólipos, adenomiose, câncer do endométrio, gravidez ou infecções ginecológicas.

A avaliação envolve:

  • História clínica e menstrual detalhada
  • Exame físico e ginecológico
  • Exames laboratoriais (hemograma, TSH, prolactina, β-hCG, coagulograma, perfil hormonal)
  • Ultrassonografia pélvica transvaginal
  • Em casos selecionados: histeroscopia, biópsia de endométrio

Tratamento do Sangramento Uterino Disfuncional

O tratamento varia conforme a causa, idade da mulher, desejo reprodutivo e intensidade dos sintomas.

Tratamentos clínicos

  • Anticoncepcionais combinados para regularizar o ciclo
  • Progesterona isolada (oral ou injetável)
  • DIU hormonal com levonorgestrel
  • Antifibrinolíticos (como ácido tranexâmico) para reduzir sangramentos
  • AINES (como ibuprofeno, naproxeno) em casos específicos

Tratamentos cirúrgicos

São reservados para casos refratários:

  • Ablação endometrial
  • Histeroscopia cirúrgica
  • Histerectomia (última opção)

Cuidados de Enfermagem 

O manejo do SUD varia de acordo com a gravidade do sangramento e a idade da paciente.

Emergência e Estabilização:

    • Monitoramento: Em casos de sangramento volumoso e prolongado (menorragia), a paciente pode ter anemia e até choque hipovolêmico. Garantir acessos venosos calibrosos, monitorar sinais vitais e coletar exames de hemoglobina/hematócrito com urgência.
    • Educação: Ensinar a paciente a quantificar o sangramento (ex: contagem de absorventes encharcados por hora) para relatar a gravidade com precisão.

Adesão ao Tratamento Hormonal:

    • O tratamento padrão para SUD geralmente envolve a administração de hormônios (progesterona ou contraceptivos orais combinados) para estabilizar o endométrio.
    • Intervenção de Enfermagem: Reforçar a importância da adesão rigorosa ao horário da medicação para controlar o ciclo e interromper o sangramento. Orientar sobre possíveis efeitos colaterais dos hormônios.

Aconselhamento e Estilo de Vida:

    • Como a causa principal é a anovulação, a enfermagem deve identificar e aconselhar sobre fatores modificáveis:
      • Nutrição: Aconselhar sobre dietas balanceadas (evitando extremos).
      • Estresse: Sugerir técnicas de relaxamento ou encaminhamento psicológico.

Quando o sangramento é considerado uma emergência?

É preciso encaminhar imediatamente ao serviço de urgência quando houver:

  • Sangramento intenso que não diminui com medidas iniciais;
  • Sinais de choque (palidez, tontura, sudorese fria, taquicardia);
  • Dor abdominal forte associada;
  • Suspeita de gravidez.

O sangramento uterino disfuncional é um quadro multifatorial, que exige avaliação cuidadosa e abordagem centrada na paciente. Conhecer suas causas, manifestações e tratamentos é essencial para que o estudante e o profissional de enfermagem atuem com segurança, garantindo acolhimento e assistência adequada.

Referências:

  1. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Manual de Ginecologia: Sangramento Uterino Anormal. São Paulo: FEBRASGO, 2023. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Orientações para o Cuidado de Sangramento Uterino Anormal. (Buscar diretrizes em fontes governamentais ou acadêmicas). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  3. ACOG – American College of Obstetricians and Gynecologists. Management of Abnormal Uterine Bleeding in Reproductive-Aged Women. Practice Bulletin, 2019. Disponível em: https://www.acog.org.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde da Mulher: Manual Técnico. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  5. HERSCHORN, L.; REED, S. Abnormal Uterine Bleeding. StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532913/.
  6. FIGO – International Federation of Gynecology and Obstetrics. FIGO Classification System (PALM-COEIN) for Causes of Abnormal Uterine Bleeding. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 2018. Disponível em: https://www.figo.org.

Implanon: Método Contraceptivo Subcutâneo

O Implanon (ou etonogestrel) é um dos contraceptivos mais eficazes disponíveis hoje, com 99% de eficácia na prevenção da gravidez.

Nesta publicação, você vai entender como ele funciona, seus benefícios, possíveis efeitos colaterais e os cuidados essenciais de enfermagem para quem usa ou está pensando em adotar esse método.

O Que é o Implanon?

O Implanon é um implante subcutâneo de etonogestrel (um progestágeno) que é inserido no braço da mulher. Ele libera hormônios gradualmente por até 3 anos, inibindo a ovulação e tornando o muco cervical mais espesso para impedir a passagem dos espermatozoides.

Principais Características

  • Eficácia: 99% (um dos mais seguros)
  • Duração: 3 anos
  • Reversibilidade: Pode ser removido a qualquer momento
  • Não contém estrogênio: Ideal para mulheres com contraindicação a esse hormônio

Vantagens do Implanon

  • Altamente eficaz (quase nenhuma falha)
  • Longa duração (esqueça pílulas diárias!)
  • Discreto e indolor após a inserção
  • Pode reduzir cólicas e fluxo menstrual
  • Pode ser usado durante a amamentação

Possíveis Efeitos Colaterais

  • Alterações menstruais (sangramento irregular, amenorreia ou spotting)
  • Ganho de peso (em algumas mulheres)
  • Dor de cabeça ou tontura
  • Alterações de humor (raramente)
  • Reação no local da inserção (hematoma, infecção)

Implanon e a atuação do Enfermeiro: O que diz o COFEN?

A inserção do implante contraceptivo subdérmico (Implanon) é um procedimento que gera dúvidas sobre a atuação do enfermeiro. Afinal, o profissional de enfermagem pode realizar esse procedimento? A resposta é sim, desde que siga as diretrizes do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN).

O COFEN, através do Parecer Técnico nº 277/2017, reconhece a competência técnica e legal do enfermeiro para realizar a inserção e remoção do Implanon. No entanto, é fundamental que o profissional esteja devidamente capacitado e habilitado para realizar o procedimento, garantindo a segurança e o bem-estar da paciente.

O que o COFEN determina:

  • Capacitação: O enfermeiro deve possuir capacitação específica para realizar a inserção e remoção do Implanon, através de cursos e treinamentos reconhecidos.
  • Habilitação: O profissional deve estar habilitado para realizar o procedimento, seguindo as normas e protocolos estabelecidos pelo COFEN.
  • Segurança: O enfermeiro deve garantir a segurança da paciente durante todo o procedimento, seguindo as técnicas de assepsia e antissepsia, e monitorando possíveis complicações.
  • Registro: O profissional deve registrar todo o procedimento no prontuário da paciente, incluindo informações sobre a inserção, remoção e possíveis intercorrências.

A importância da atuação do enfermeiro:

A atuação do enfermeiro na inserção e remoção do Implanon é fundamental para ampliar o acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes. O profissional de enfermagem, com sua expertise e conhecimento técnico, pode realizar o procedimento de forma segura e humanizada, contribuindo para a saúde sexual e reprodutiva da mulher.

Cuidados de Enfermagem

Antes da Inserção

  • Avaliação clínica:
    • Histórico médico (trombose, câncer de mama, hepatopatias)
    • Verificar contraindicações (gravidez atual, alergias)
  • Orientações à paciente:
    • Explicar o procedimento (como e onde será inserido)
    • Informar sobre possíveis efeitos colaterais

Durante a Inserção

  • Preparo do material:
    • Kit de inserção estéril
    • Antissepsia local (álcool 70%)
  • Técnica correta:
    • Inserção subcutânea no braço não dominante
    • Garantir que o implante esteja no lugar certo

Após a Inserção

  • Monitoramento:
    • Observar sinais de infecção no local
    • Verificar sangramentos anormais
  • Acompanhamento:
    • Marcar retorno para avaliação após 1 mês
    • Orientar sobre quando procurar ajuda (dor intensa, sangramento excessivo)

Quando Remover o Implanon?

  • Após 3 anos (perde a eficácia)
  • Se a paciente desejar engravidar
  • Em caso de efeitos colaterais intoleráveis

A remoção deve ser feita por um profissional de enfermagem ou médica para evitar complicações.

O Implanon é uma ótima opção para quem busca um método contraceptivo seguro, duradouro e sem necessidade de administração diária. A enfermagem tem um papel fundamental na inserção, monitoramento e educação da paciente, garantindo o uso correto e a satisfação com o método.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Técnico para Profissionais de Saúde: Anticoncepção. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. MANSUR, A. P. et al. Contraception with etonogestrel implant: a systematic review. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 44, n. 3, p. 287-295, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1055/s-0042-1742310. 
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use. 5. ed. Genebra: WHO, 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications. 
  4.  Parecer Técnico nº 277/2017 do COFEN
  5. Resolução COFEN nº 690/2022

Câncer de Mama: Saiba Reconhecer os Sinais

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 08/10/2026.

O câncer de mama não começa necessariamente com um caroço fácil de perceber. Alterações no mamilo, na pele, no formato da mama ou até um aumento progressivo do volume podem ser os primeiros sinais. Para a enfermagem, reconhecer essas mudanças e orientar o encaminhamento correto é tão importante quanto conhecer os exames e tratamentos.

O que é o câncer de mama?

Câncer de mama é um grupo heterogêneo de tumores originados principalmente nas células dos ductos ou lóbulos mamários. O comportamento varia conforme o tipo histológico e as características biológicas do tumor, por isso dois cânceres de mama podem ter evolução e tratamento bastante diferentes.

A doença também pode ocorrer em homens, embora seja rara e represente cerca de 1% dos casos. Quando identificada em estágio inicial e tratada adequadamente, apresenta maior possibilidade de controle e melhores resultados.

Principais fatores de risco

A idade é um dos fatores mais importantes, especialmente após os 50 anos. Também estão associados ao aumento do risco fatores hormonais e reprodutivos, excesso de peso, inatividade física, consumo de álcool, determinadas exposições à radiação ionizante e histórico familiar ou genético.

Mutações hereditárias, principalmente em BRCA1 e BRCA2, podem aumentar bastante o risco, mas representam apenas uma parcela dos casos. Ter um fator de risco não significa que a pessoa desenvolverá câncer, assim como sua ausência não elimina completamente a possibilidade da doença.

Sinais que merecem investigação

O sinal clássico é um nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho, mas a apresentação pode ser diferente. Também merecem avaliação:

  • saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente sanguinolenta;
  • retração recente da pele ou do mamilo;
  • pele com aspecto de casca de laranja;
  • aumento progressivo da mama;
  • alteração persistente da pele que não responde ao tratamento;
  • nódulo endurecido na axila ou em outras cadeias linfonodais;
  • alteração persistente no formato da mama.

Dor isolada não é o sinal mais característico, e a ausência de dor não deve tranquilizar diante de uma alteração suspeita.

Na prática, uma paciente pode procurar a unidade por perceber apenas que um mamilo ficou retraído recentemente. Mesmo sem um nódulo palpável, essa mudança merece ser registrada e encaminhada para investigação. O detalhe importante é não esperar aparecer uma massa para considerar o quadro suspeito.

Rastreamento e diagnóstico precoce

É importante separar duas situações. Rastreamento é realizado em pessoas sem sinais ou sintomas, enquanto diagnóstico precoce envolve investigar rapidamente quem apresenta alterações suspeitas.

No Brasil, a recomendação atual do Ministério da Saúde/INCA para rastreamento populacional é mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos que desejarem realizar mamografia de rotina podem ter acesso ao exame mediante decisão compartilhada com profissional de saúde, considerando benefícios e possíveis danos, como falso-positivo, exames adicionais, sobrediagnóstico e sobretratamento.

Essa recomendação é diferente da investigação de uma mulher que apresenta nódulo, retração, secreção suspeita ou outra alteração. Nesse caso, não se deve simplesmente aguardar a idade do rastreamento: a paciente sintomática precisa de avaliação diagnóstica em tempo oportuno.

E o autoexame?

A orientação atual não deve transformar o autoexame mensal em um método obrigatório de rastreamento. A recomendação é estimular a pessoa a conhecer suas próprias mamas e procurar avaliação diante de uma mudança persistente ou suspeita.

Um cenário frequente é a paciente perceber durante o banho que determinada região está diferente do habitual. O papel da enfermagem não é dizer imediatamente que aquilo é câncer ou que “não é nada”, mas acolher, avaliar o relato, registrar a alteração e orientar a investigação adequada.

Mamografia, ultrassom e biópsia

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento populacional. A ultrassonografia pode complementar a avaliação em situações específicas, especialmente quando existe uma alteração clínica que precisa ser caracterizada ou quando indicada pelo contexto do exame.

Quando há suspeita, a confirmação diagnóstica depende da avaliação anatomopatológica de material obtido por biópsia. O BI-RADS ajuda a padronizar a interpretação dos exames de imagem e orientar a conduta, mas uma categoria suspeita não equivale, por si só, a diagnóstico confirmado de câncer.

O tratamento é individualizado

Não existe um único tratamento para todos os cânceres de mama. A escolha depende do estágio, tamanho e características do tumor, comprometimento linfonodal, receptores hormonais, expressão de HER2, condições clínicas e outros fatores.

Podem fazer parte do tratamento cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, utilizadas isoladamente ou em combinação. Em alguns tumores e situações específicas, outras estratégias sistêmicas podem ser indicadas. A cirurgia pode ser conservadora ou envolver mastectomia, e a avaliação axilar é definida conforme o caso.

O tratamento também pode ocorrer antes da cirurgia, chamado neoadjuvante, ou depois dela, como tratamento adjuvante. Em doença metastática, o objetivo terapêutico pode priorizar controle da doença, prolongamento da sobrevida e qualidade de vida.

Durante uma internação após cirurgia mamária, por exemplo, não basta observar apenas a ferida. Dor, débito e aspecto do dreno, mobilidade do membro superior, sinais de infecção e condições emocionais fazem parte da avaliação de enfermagem e podem interferir diretamente na recuperação.

Cuidados de enfermagem

A assistência acompanha toda a linha de cuidado:

  • acolher e investigar relatos de alterações mamárias;
  • realizar e registrar avaliação conforme competência profissional e protocolo;
  • orientar sobre exames e encaminhamentos;
  • acompanhar biópsias e procedimentos diagnósticos;
  • monitorar ferida operatória, dor, drenos e sinais de complicação;
  • observar efeitos adversos relacionados ao tratamento sistêmico;
  • orientar cuidados durante radioterapia conforme protocolo da equipe;
  • acompanhar mobilidade do membro superior e sinais sugestivos de linfedema;
  • oferecer suporte emocional e respeitar imagem corporal, sexualidade e preferências da pessoa;
  • registrar adequadamente as informações e favorecer a continuidade do cuidado.

A assistência deve ser individualizada e multiprofissional, incluindo também cuidados paliativos quando indicados. O PCDT nacional atualizado estabelece parâmetros para diagnóstico, tratamento e organização da assistência no SUS.

O que realmente precisa ser lembrado

Para a enfermagem, quatro pontos fazem diferença: reconhecer alterações suspeitas, não confundir rastreamento com investigação diagnóstica, conhecer a recomendação atual de mamografia e entender que o tratamento depende das características de cada tumor.

O câncer de mama não deve ser abordado apenas durante o Outubro Rosa. A detecção oportuna, o encaminhamento adequado e o cuidado contínuo fazem parte da assistência durante todo o ano.

Resumo para salvar

Câncer de Mama: Saiba Reconhecer os Sinais

  • Reconheça os principais sinais de alerta
  • Diferencie rastreamento de diagnóstico precoce
  • Conheça a recomendação atual de mamografia
  • Entenda o papel da enfermagem no cuidado

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 17, de 25 de novembro de 2024: aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Câncer de Mama. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. PCDT do Câncer de Mama — Ministério da Saúde
  2. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Controle do câncer de mama no Brasil: dados e números 2025. Rio de Janeiro: INCA, 2025. Publicação do INCA — Dados e Números 2025
  3. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Câncer de mama: versão para profissionais de saúde.https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/Saes/2024/poc0017_05_12_2024.html Rio de Janeiro: INCA. Atualizado em 2025. INCA — Câncer de mama para profissionais de saúde
  4. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Sinais e sintomas do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2025. INCA — Sinais e sintomas
  5. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Tratamento do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2025. INCA — Tratamento
  6. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Breast cancer. Geneva: WHO. WHO — Breast cancer

Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) vs. Placenta Prévia

Duas das complicações mais graves na gravidez são o descolamento prematuro da placenta (DPP) e a placenta prévia. Ambas colocam em risco a vida da mãe e do bebê, mas têm causas, sintomas e abordagens diferentes.

Entenda as diferenças e os cuidados essenciais de enfermagem neste guia completo!

O Que é Descolamento Prematuro da Placenta (DPP)?

O DPP ocorre quando a placenta se separa parcial ou totalmente da parede uterina antes do parto, comprometendo a oxigenação fetal.

Principais Características:

✔ Causas: Hipertensão, trauma abdominal, tabagismo, gravidez múltipla

✔ Sintomas:

  • Sangramento vaginal (pode ser oculto)
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Útero rígido e doloroso
  • Sinais de sofrimento fetal

✔ Riscos:

  • Hemorragia materna
  • Parto prematuro
  • Óbito fetal

O Que é Placenta Prévia?

A placenta prévia acontece quando a placenta se implanta parcial ou totalmente sobre o colo do útero, obstruindo o canal de parto.

Principais Características:

✔ Causas: Cesáreas anteriores, curetagens, idade materna avançada

✔ Sintomas:

  • Sangramento vaginal indolor (geralmente no 3º trimestre)
  • Sangramento pode ser intenso e recorrente

✔ Riscos:

  • Hemorragia grave
  • Parto prematuro
  • Necessidade de cesárea

Diferenças Entre DPP e Placenta Prévia

Característica Descolamento de Placenta (DPP) Placenta Prévia
Localização Placenta se solta do útero Placenta cobre o colo do útero
Sangramento Pode ser oculto ou externo Sangramento vermelho vivo, indolor
Dor Intensa e contínua Geralmente ausente
Fatores de Risco Hipertensão, trauma Cesáreas anteriores, idade materna avançada

Cuidados de Enfermagem

Para Descolamento de Placenta (DPP)

✅ Monitorização contínua:

  • Sinais vitais maternos (PA, FC, saturação)
  • Avaliação fetal (CTG – cardiotocografia)

✅ Preparo para emergências:

  • Acesso venoso calibroso
  • Hemograma e coagulação (risco de coagulopatia)

✅ Suporte emocional:

  • A mãe pode estar ansiosa ou em pânico

Para Placenta Prévia

✅ Repouso absoluto:

  • Evitar esforços e relações sexuais

✅ Controle de sangramento:

  • Observar quantidade e características do sangue

✅ Preparo para cesárea:

  • A maioria dos casos exige parto cirúrgico

Quando Procurar Ajuda?

⚠ Sinais de alerta:

  • Sangramento vaginal intenso
  • Dor abdominal forte
  • Diminuição dos movimentos fetais

Se algum desses sintomas aparecer, procure um hospital imediatamente!

Tanto o descolamento de placenta quanto a placenta prévia são emergências obstétricas que exigem atenção médica imediata. O papel da enfermagem é crucial no monitoramento, suporte e preparo para intervenções rápidas, garantindo a segurança da mãe e do bebê.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. 
  2. CUNNINGHAM, F. G. et al. Williams Obstetrics. 25. ed. McGraw-Hill, 2018. Disponível em: https://accessmedicine.mhmedical.com/. 
  3. ROJO, A. P. et al. Placenta previa and placental abruption: contemporary management strategies. Journal of Perinatal Medicine, v. 50, n. 3, p. 321-330, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1515/jpm-2021-0500. 

PCR na Gestante: Minutos Decisivos

RCP Gestante 2025

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/10/2026.

Na parada cardiorrespiratória (PCR) durante a gestação, a equipe precisa agir sem perder tempo com a transferência da paciente ou com procedimentos que atrasem as compressões. As manobras de ressuscitação de alta qualidade continuam sendo prioridade, com adaptações específicas para reduzir os efeitos da gravidez sobre a circulação materna.

O que muda na reanimação materna?

A partir da altura do fundo uterino no umbigo ou acima dele, o útero pode comprimir grandes vasos e reduzir o retorno venoso. Durante a RCP, deve-se realizar o deslocamento uterino manual para a esquerda, mantendo a paciente em posição adequada para compressões torácicas eficazes. Inclinar excessivamente o corpo ou elevar o quadril de forma que prejudique as compressões deve ser evitado.

Imagine uma equipe iniciando as compressões em uma gestante com fundo uterino acima do umbigo. Enquanto um profissional mantém as compressões, outro pode realizar o deslocamento uterino manual, sem interromper a RCP. Essa divisão de tarefas deve ser treinada previamente, pois evita improvisos em uma emergência real.

Compressões, desfibrilação e via aérea

As compressões torácicas devem seguir os parâmetros de RCP de alta qualidade para adultos, com frequência de 100 a 120 por minuto e profundidade de aproximadamente 5 a 6 cm. Se houver indicação, a desfibrilação deve ser realizada com as energias habituais, sem atrasos por causa da gravidez.

A via aérea merece atenção especial, pois alterações fisiológicas da gestação aumentam o risco de dessaturação rápida e podem dificultar a intubação. A equipe deve priorizar oxigenação e ventilação eficazes, com o profissional mais experiente disponível para o manejo avançado da via aérea. Quando houver via aérea avançada, a ventilação deve seguir o protocolo de suporte avançado de vida, evitando hiperventilação.

Na prática, se a equipe estiver monitorando o ritmo e preparando o desfibrilador, a presença de uma gestante não deve atrasar a análise do ritmo nem o choque quando indicado. A prioridade é seguir o algoritmo de PCR, adaptando simultaneamente as medidas obstétricas necessárias.

Parto de reanimação: quando preparar?

Se o fundo uterino estiver na altura ou acima do umbigo e não houver retorno da circulação espontânea com as manobras iniciais, deve-se considerar o parto de reanimação. A preparação deve começar assim que a PCR for reconhecida, com objetivo de realizar o parto até cinco minutos após o início da parada, quando indicado.

Em uma PCR intra-hospitalar, o procedimento deve ser realizado no local da parada, sem deslocar a paciente para o centro cirúrgico. A finalidade é aliviar a compressão aortocava e favorecer a reanimação materna, além de possibilitar a assistência ao recém-nascido. A equipe deve acionar precocemente os profissionais obstétricos e neonatais, sem interromper as manobras de ressuscitação.

Investigue as causas reversíveis

Além das causas habituais de PCR, é necessário considerar condições associadas à gestação e ao parto, como hemorragia, embolia pulmonar, embolia de líquido amniótico, complicações anestésicas, pré-eclâmpsia/eclâmpsia, sepse e cardiopatias. A investigação das causas reversíveis deve ocorrer durante a reanimação, sem atrasar as intervenções essenciais.

A equipe também deve considerar particularidades terapêuticas: acessos intravenosos ou intraósseos nos membros superiores são preferíveis aos inferiores quando possível, e a administração de cálcio pode ser razoável se a parada ocorrer durante a infusão intravenosa de sulfato de magnésio. A monitorização fetal deve ser interrompida durante a PCR materna para que não atrapalhe a reanimação.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve reconhecer a PCR, acionar imediatamente a equipe de emergência, iniciar ou apoiar as compressões, preparar o desfibrilador e auxiliar no manejo da via aérea e dos acessos. Também deve colaborar com o deslocamento uterino manual, registrar os horários relevantes e organizar os materiais para o parto de reanimação, quando indicado.

Simulações periódicas, definição clara de funções e disponibilidade de equipamentos ajudam a reduzir atrasos. A atuação deve seguir o protocolo institucional atualizado e as competências profissionais de cada integrante da equipe.

Resumo para salvar

PCR na Gestante: Minutos Decisivos

  • Inicie RCP de alta qualidade imediatamente
  • Faça deslocamento uterino manual quando indicado
  • Prepare precocemente o parto de reanimação
  • Investigue causas reversíveis sem atrasar as manobras

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care: Part 10 — Adult and Pediatric Special Circumstances of Resuscitation. Circulation, 2025. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/pdf/10.1161/CIR.0000000000001380.
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 10: Adult and Pediatric Special Circumstances of Resuscitation. 2025. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/cpr-and-ecc-guidelines/adult-and-pediatric-special-circumstances.
  3. LAVERY, K. E. et al. Cardiac arrest in pregnancy. Obstetrics & Gynecology, v. 131, n. 5, p. 861–871, 2018. Disponível em: https://journals.lww.com/greenjournal/fulltext/2018/05000/cardiac_arrest_in_pregnancy.20.aspx.