Curiosidades Sobre as Sondas Hospitalares: fatos que todo estudante e profissional de enfermagem deveria conhecer

Quando pensamos em dispositivos hospitalares, as sondas estão entre os materiais mais utilizados na assistência ao paciente. Elas fazem parte da rotina de hospitais, unidades de terapia intensiva, pronto-socorros, clínicas e atendimento domiciliar.

Embora muitas vezes sejam vistas apenas como tubos utilizados para drenagem, alimentação ou monitorização, as sondas possuem histórias curiosas, características específicas e funções extremamente importantes para a manutenção da vida.

Algumas permanecem no organismo por poucos minutos, enquanto outras podem permanecer por meses ou até anos. Existem sondas que ajudam pacientes a respirar, outras permitem alimentação quando a via oral não é possível e algumas são fundamentais para monitorar funções vitais.

O que é uma sonda?

Uma sonda é um dispositivo tubular flexível ou semirrígido introduzido no organismo com objetivos diagnósticos, terapêuticos ou de monitorização.

Dependendo da finalidade, ela pode ser inserida:

  • pelo nariz;
  • pela boca;
  • pela uretra;
  • através da pele;
  • por estomias cirúrgicas.

Curiosidade: a palavra “sonda” existe há séculos

O termo “sonda” deriva do francês antigo “sonde”, relacionado à ideia de explorar ou investigar. Muito antes dos materiais modernos, já existiam dispositivos rudimentares utilizados para drenagem urinária em civilizações antigas.

Sonda Nasogástrica (SNG)

A sonda nasogástrica é uma das mais conhecidas na enfermagem. Ela é introduzida pelo nariz e sua ponta permanece dentro do estômago.

Curiosidades sobre a SNG

Foi uma das primeiras sondas digestivas amplamente utilizadas na medicina moderna.

Pode ser utilizada para:

  • alimentação;
  • administração de medicamentos;
  • lavagem gástrica;
  • drenagem de conteúdo estomacal.

Uma sonda posicionada incorretamente pode alcançar os pulmões, motivo pelo qual a confirmação do posicionamento é indispensável.

Sonda Nasoenteral (SNE)

A sonda nasoenteral atravessa o estômago e alcança o intestino delgado. Ela é muito utilizada para terapia nutricional prolongada.

Curiosidades sobre a SNE

A ponta geralmente fica localizada no duodeno ou jejuno. Muitos modelos possuem guia metálico interno para facilitar a inserção.

Algumas unidades utilizam radiografia para confirmar o posicionamento correto. É considerada uma alternativa mais segura para pacientes com elevado risco de broncoaspiração.

Sonda OroGástrica (SOG)

Semelhante à nasogástrica, porém inserida pela boca.

Curiosidades sobre a SOG

É muito utilizada em recém-nascidos. Também pode ser utilizada em pacientes intubados. Costuma causar menos trauma nasal.

Gastrostomia (GTT ou PEG)

A gastrostomia consiste em uma comunicação direta entre a parede abdominal e o estômago.

Curiosidades sobre a gastrostomia

Muitos pacientes permanecem anos utilizando gastrostomia. A técnica endoscópica mais conhecida é chamada PEG (Gastrostomia Endoscópica Percutânea).

Diferentemente da SNG, não passa pelo nariz ou garganta. Proporciona maior conforto em tratamentos prolongados.

Jejunostomia

Semelhante à gastrostomia, porém a extremidade termina no jejuno.

Curiosidades sobre a jejunostomia

É indicada quando o estômago não pode ser utilizado. Pacientes com determinadas cirurgias digestivas podem necessitar dessa via de alimentação. A administração da dieta geralmente ocorre de forma mais lenta.

Sonda Vesical de Alívio

É utilizada para esvaziar a bexiga temporariamente. Após o procedimento, normalmente é retirada.

Curiosidades sobre a sonda de alívio

Seu uso pode evitar retenção urinária grave. Frequentemente é utilizada em procedimentos diagnósticos e cirúrgicos. O tempo de permanência costuma ser curto.

Sonda Vesical de Demora (Foley)

Uma das sondas mais conhecidas na assistência hospitalar. Possui um balão inflável que mantém o dispositivo fixado dentro da bexiga.

Curiosidades sobre a Foley

Foi criada pelo urologista norte-americano Frederic Foley. O balão pode conter diferentes volumes. É considerada uma das principais fontes de infecção urinária hospitalar quando utilizada sem indicação adequada. A retirada precoce reduz significativamente o risco de infecção.

Sonda de Três Vias

Uma variação da sonda Foley.

Curiosidades sobre a sonda de três vias

Possui um canal exclusivo para irrigação contínua. É amplamente utilizada após cirurgias urológicas. Ajuda a prevenir a formação de coágulos dentro da bexiga.

Sonda Retal

Utilizada para drenagem de gases ou eliminação de conteúdo intestinal.

Curiosidades sobre a sonda retal

Pode auxiliar pacientes com distensão abdominal importante. Seu uso prolongado não é recomendado devido ao risco de lesões.

Sonda de Sengstaken-Blakemore

Uma das sondas mais impressionantes da medicina. É utilizada em situações específicas de sangramento digestivo grave.

Curiosidades sobre a Sengstaken-Blakemore

Possui balões que exercem pressão sobre vasos sanguíneos sangrantes. Pode salvar vidas em hemorragias por varizes esofágicas. Seu manuseio exige treinamento especializado.

Sonda de Minnesota

Uma evolução da Sengstaken-Blakemore.

Curiosidades sobre a Minnesota

Possui um lúmen adicional para aspiração esofágica. Facilita o manejo do paciente. É utilizada principalmente em ambientes críticos.

Sonda de Levine

É uma das sondas gástricas mais clássicas.

Curiosidades sobre a Levine

Seu nome homenageia o médico que a desenvolveu. É frequentemente utilizada para descompressão gástrica. Possui apenas um lúmen.

Sonda de Salem

Muito utilizada em centros cirúrgicos e UTIs.

Curiosidades sobre a Salem

Possui dois lúmens. Um deles reduz o risco de lesão da mucosa gástrica. É considerada uma evolução da sonda de Levine.

Cateter ou Sonda de Aspiração Traqueal

Embora muitas vezes seja chamado de cateter, também pode ser considerado um dispositivo tubular semelhante às sondas.

Curiosidades sobre a aspiração traqueal

É essencial para remoção de secreções respiratórias. Pode provocar alterações transitórias da frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Seu uso inadequado pode causar trauma das vias aéreas.

Qual é a sonda mais utilizada no ambiente hospitalar?

Provavelmente a sonda vesical de demora e as sondas para alimentação enteral estão entre os dispositivos mais frequentemente encontrados em hospitais. Elas fazem parte da rotina de praticamente todos os setores assistenciais.

Qual sonda apresenta maior risco de infecção?

Qualquer sonda pode se tornar uma porta de entrada para microrganismos.

Entretanto, as mais associadas a infecções são:

  • sonda vesical de demora;
  • sondas enterais mal manipuladas;
  • gastrostomias sem cuidados adequados.

A prevenção depende diretamente da qualidade da assistência.

Cuidados de enfermagem com todas as sondas

Independentemente do tipo, alguns princípios são universais. A enfermagem deve:

  • Confirmar a indicação do dispositivo.
  • Avaliar diariamente a necessidade de permanência.
  • Observar sinais de infecção.
  • Realizar higiene adequada do local.
  • Monitorar permeabilidade.
  • Evitar trações acidentais.
  • Registrar intercorrências.
  • Orientar paciente e familiares.
  • Manter técnica asséptica durante manipulações.
  • Comunicar alterações imediatamente à equipe responsável.

Curiosidades que poucos conhecem

As primeiras sondas urinárias eram confeccionadas com metais rígidos. As modernas são produzidas com silicone, poliuretano ou látex tratado. A escala French (Fr), utilizada para medir sondas, foi criada pelo fabricante francês Joseph-Frédéric-Benoît Charrière.

Quanto maior o número French, maior o diâmetro da sonda. Algumas sondas atuais possuem tecnologia antimicrobiana para reduzir infecções. Existem sondas desenvolvidas especificamente para recém-nascidos prematuros, com diâmetros extremamente pequenos.

As sondas hospitalares são muito mais do que simples dispositivos utilizados na rotina assistencial. Elas representam ferramentas fundamentais para diagnóstico, monitorização, alimentação, drenagem e manutenção da vida.

Conhecer suas características, indicações e curiosidades ajuda estudantes e profissionais de enfermagem a compreender melhor sua importância e a oferecer uma assistência mais segura, humanizada e baseada em evidências.

Além disso, entender o funcionamento de cada sonda contribui para a prevenção de complicações, redução de infecções e melhoria dos resultados clínicos dos pacientes.

Referências:

  1. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (SBNPE). Manual de Terapia Nutricional. São Paulo: SBNPE, 2023. Disponível em: https://sbnpe.org.br/
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (BRASPEN). Diretrizes Brasileiras de Terapia Nutricional. Disponível em: https://www.braspen.org
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa 
  7. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Sondas Intestinais Longas

As Sondas intestinais longas são dispositivos médicos que são inseridos no intestino delgado para remover o conteúdo intestinal, descomprimir o órgão ou separá-lo cirurgicamente. Elas são usadas em casos de obstrução intestinal, cirurgias gastrointestinais ou outras condições que impedem a passagem normal do bolo alimentar.

Indicações de Uso

Para casos de constipação intestinal grave, obstrução intestinal, enema opaco, irrigação intestinal ou preparo para colonoscopia.

Os Tipos de Sondas Intestinais Longas

Sonda de Miller-Abbott

É usada para descomprimir o intestino delgado em casos de obstrução intestinal. Ela é composta por um tubo de borracha com dois balões infláveis na extremidade distal, um para ancorar a sonda no intestino e outro para ocluir o lúmen intestinal.

A sonda é introduzida pelo nariz e avança pelo esôfago, estômago e duodeno até atingir o íleo.

O avanço da sonda é facilitado pela pressão hidrostática exercida pelo líquido que preenche os balões. A sonda permite a drenagem do conteúdo intestinal e alivia os sintomas de distensão abdominal, náuseas, vômitos e dor.

A sonda intestinal longa Miller-Abbott é um procedimento invasivo que requer cuidados especiais de enfermagem e monitorização do paciente.

Sonda de Cantor

Usado para tratar a constipação crônica, a fecaloma ou a obstrução intestinal. Ela consiste em um tubo flexível e fino que é introduzido pelo nariz ou pela boca e avança até o intestino grosso.

A sonda permite a administração de líquidos, medicamentos ou enzimas que ajudam a dissolver ou remover as fezes endurecidas.

Pode causar complicações como sangramento, perfuração, infecção ou danos nos órgãos internos. Por isso, ela só é indicada em casos graves e refratários aos tratamentos convencionais.

Sonda de Andersen

Usado para tratar a obstrução intestinal. Ela consiste em um tubo flexível de plástico que é introduzido pelo nariz ou pela boca e avança até o intestino delgado.

A sonda tem uma ponta perfurada que permite a aspiração do conteúdo intestinal e a injeção de ar ou líquidos para desobstruir o intestino.

Pode ser usada em casos de obstrução intestinal causada por tumores, aderências, hérnias, volvo, intussuscepção ou impactação fecal.

É um procedimento invasivo que requer monitoramento e cuidados especiais, pode pode causar complicações como sangramento, perfuração, infecção ou lesão dos tecidos.

É uma alternativa à cirurgia em alguns casos de obstrução intestinal, mas nem sempre é eficaz ou segura.

Utilização das Sondas

As sondas intestinais longas cantor e Miller-Abott não são mais usadas na prática clínica atual, pois apresentam alto risco de complicações e baixa eficácia na descompressão intestinal, pois eram infladas com ar ou mercúrio para facilitar a drenagem do conteúdo intestinal.

Alguns Cuidados de enfermagem

  • Observar a progressão da sonda;
  • verificar a integridade do balão;
  • aspirar o conteúdo intestinal;
  • retirar a sonda lentamente quando indicado.

Referências:

  1. https://revista.facene.com.br/index.php/revistane/article/download/399/403/1948
  2. https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/procedimentos-diagn%C3%B3sticos-e-terap%C3%AAuticos-gastrointestinais/intuba%C3%A7%C3%A3o-nasog%C3%A1strica-ou-intuba%C3%A7%C3%A3o-intestinal

Sonda Retal

A sonda retal é indicada para aliviar a tensão provocada por gases e líquidos no intestino grosso. Utilizável também para retirada de conteúdo fecal através do reto.

Indicação de Uso

  • Constipação intestinal;
  • Preparo e realização de procedimento diagnóstico, ou terapêutico, como exames contrastados retossigmoidoscopia, colonoscopia e enema medicamentoso;
  • Drenagem de fezes.

Numerações (fr)

  • Uso infantil: 04, 06, 08;
  • Uso adulto: 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30 e 32.

Cuidados de Enfermagem

Materiais a serem utilizados:

  • Bandeja;
  • Cuba rim;
  • Medicação prescrita (clister glicerinado, soro fisiológico);
  • Sonda retal de numeração adequada ao paciente;
  • Vaselina gel ou xilocaína gel;
  • Gaze 7,5 x 7,5;
  • Papel higiênico;
  • Comadre ou fralda descartável;
  • Luva de procedimento;
  • Biombo.

Procedimento:

  1. Ler a prescrição: data, nome do paciente, medicação, dose via de administração;
  2. Higienizar as mãos;
  3. Separar a medicação na quantidade (volume) prescrito;
  4. Levar o material na bandeja até o leito do paciente;
  5. Informar ao paciente o procedimento que será realizado, assim como sua função;
  6. Promover a privacidade do paciente utilizado biombos se necessário;
  7. Calçar luvas de procedimentos;
  8. Proteger o colchão com lençol impermeável e lençol móvel;
  9. Acomodar a comadre próximo ao paciente;
  10. Lubrificar a ponta da sonda retal com vaselina gel ou xilocaína gel;
  11. Colocar o paciente em decúbito lateral esquerdo com a perna esquerda estendida e direita fletida (posição dês SIMS);
  12. Entre abrir as nádegas com papel higiênico;
  13. Introduzir a sonda retal no ânus, aproximadamente 5 a10 cm utilizando gaze 7,5×7,5;
  14. Firmar a sonda com uma mão e com a outra adaptar o frasco da solução indicada na extremidade da sonda retal;
  15. Introduzir toda solução lentamente;
  16. Retirar a sonda suavemente;
  17. Orientar o paciente para reter a solução o quanto puder;
  18. Proporcionar seu fechamento mecânico apertando suavemente as duas partes das nádegas de forma que a solução não retorne de imediato;
  19. Posicionar a comadre sob o paciente, ou fralda descartável, o tempo necessário para esvaziamento intestinal;
  20. Observar o resultado do clister;
  21. Desprezar o conteúdo da comadre no vaso sanitário;
  22. Retirar luvas de procedimento;
  23. Colocar novas luvas de procedimento;
  24. Fazer higiene externa do paciente;
  25. Auxiliar o paciente a recolocar suas roupas;
  26. Posicionar o paciente confortavelmente;
  27. Retirar luvas de procedimento;
  28. Lavar as mãos;
  29. Checar medicação prescrita;
  30. Registrar o procedimento, bem como seu resultado.

Algumas Observações

  • A solução deve estar com a temperatura em torno de 30ºC a 35ºC, pois o calor estimula os reflexos nervosos da mucosa intestinal;
  • Não deverá ser forçada a introdução da sonda retal, nos casos em que for evidenciada a resistência a sua progressão;
  • Se a resistência for de material fecal, aguardar para que seja amolecido para se continuar com a progressão da sonda, se a resistência se mantiver, pode ser que haja presença de um fecaloma ou tumor. Nesses casos o procedimento deverá ser interrompido e feito o registro necessário;
  • Em adultos introduzir a sonda retal 7,5 a 10,0cm e, em crianças introduzir a sonda retal 4 a 7cm.

Referências:

  1. ARCHER, E. Procedimentos e protocolos. Vol.2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006

Sonda Nasogástrica e Sonda Nasoenteral: As diferenças na Nutrição Enteral

nasogástrica

Nem todo mundo consegue ingerir os alimentos pela boca. Nesse caso, uma opção é a nutrição enteral, que funciona com uma sonda implantada no estômago, no jejuno ou no duodeno. Em forma líquida ou em pó, a alimentação é feita nesse sistema para equilibrar nutrientes, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais da dieta.

Esse recurso é muito utilizado por pessoas que precisaram ser hospitalizadas e, após algum procedimento cirúrgico ou tratamento, não podem mais realizar a alimentação na forma convencional.

Para que não haja desequilíbrio orgânico, perda de peso ou infecções, a nutrição correta é fundamental. Por isso, a nutrição enteral é muito importante para manter o equilíbrio e garantir qualidade de vida aos pacientes.

É preciso saber diferenciar o uso dos dois tipos, para casos de drenagem de conteúdo gástrico, infusão de dietas enterais, e até aonde é realizada a sua locação.

Mudança da Resolução no Cofen

Antes, que o procedimento da passagem da sonda nasogástrica realizada por técnicos e auxiliares poderiam ser realizadas, tendo agora diante a RESOLUÇÃO COFEN 619/2019, A lavagem gástrica é um procedimento que visa preparar o aparelho digestivo para exames ou cirurgias, estancar hemorragias gástricas ou esofágicas usando líquidos gelados e remover do estômago conteúdo gástrico excessivo ou nocivo. Para a realização deste procedimento faz-se necessário inicialmente a passagem de uma sonda oro ou nasogástrica de grosso calibre.

Apesar do procedimento de sondagem aparentar ser relativamente simples, esta técnica demanda conhecimento cientifico e habilidade técnica na medida em que não está isento de riscos. As complicações mais comuns são decorrentes da introdução incorreta, do mau posicionamento da sonda, da retirada acidental, do tipo de fixação externa e do tempo de permanência da sonda e incluem escoriações, hiperemias, perfurações no sistema digestivo, infecções nas vias aéreas superiores e inferiores, náuseas, distensão abdominal e obstrução parcial ou total da sonda.

Dentro da equipe de enfermagem, compete ao enfermeiro a realização de procedimento de maior complexidade conforme o disposto na Lei 7498/863. Ainda em relação ao procedimento de sondagem, a RESOLUÇÃO COFEN 619/2019, em seu anexo, estabelece que compete ao enfermeiro estabelecer a via de nutrição enteral, mesma via adotada para o procedimento da lavagem gástrica, sendo assim, competindo ao técnico de enfermagem:

a) Auxiliar ao enfermeiro na execução do procedimento da sondagem oro/nasoenteral;
b) Promover cuidados gerais ao paciente de acordo com a prescrição de enfermagem ou protocolo pré-estabelecido;
c) Comunicar ao Enfermeiro qualquer intercorrência advinda do procedimento;
d) Proceder o registro das ações efetuadas, no prontuário do paciente, de forma clara, precisa e pontual;

Para saber mais sobre a RESOLUÇÃO COFEN 619/2019, acesse este link!

Veja mais em nosso canal Youtube:

Como fazer uma Fixação de Sonda Enteral ou Gástrica?

Fixação de Sonda Naso Enteral/Gástrica

Sondagem Nasogástrica

 

Sengstaken-Blakemore: O Balão Esofágico

Balão Esofágico

O Balão Esofágico (Sengstaken-Blakemore), é alternativa eficaz de tratamento paliativo em vigência da hemorragia digestiva massiva por varizes de esôfago, com finalidade de promover a hemostasia momentânea, por curto período de tempo (menor que 24horas devido o risco de isquemia da mucosa) e como uma ponte para tratamento definitivo (medicamentoso, endoscópico ou cirúrgico). O tamponamento com balão controla a hemorragia das varizes esôfago-gástricas em 70 a 90% dos pacientes.

O serviço de enfermagem deve ser treinado, especialmente para esse tipo de trabalho. São necessários conhecimentos específicos de acidentes e complicações dos procedimentos.

Contamos atualmente, com centenas de tipos de acessórios para dezenas de aparelhos diferentes. É necessário saber manusear, identificar cada item do equipamento, desmontá-lo quando necessário e providenciar reparos e ajustes.

A assistência de enfermagem consiste em:
– Monitorização cardiaca
– Avaliação Neurologica
– Controle dos Sinais Vitais
– Controle Hídrico
– Controle do débito da sonda gástrica
– Observar episódios de hemantemese, melena, enterorragia ou hematoquezia
– Realização de enema e/ou enteroclismas
– Medidas gerais de higiene
– Preparo para exames radiologicos e endoscópicos
– Preparo para cirurgias

As hemorragias digestivas alta e baixa é uma emergência comum, com expressivas taxas de morbidade e mortalidade. Pode se manifestar como: hematêmese, melena, enterorragia, sangramento oculto (diagnosticado apenas com pesquisa laboratorial) ou em sintomas ou sinais de perda sanguínea (sincope, dispnéia, angina, anemia persistente).

Estão associadas muitas vezes ao estilo de vida como: tabagismo, alimentação e também por causas desconhecidas.

A enfermagem deve ficar atenta aos pacientes antes, durante e após os procedimento realizados para conter as hemorragias, para que o mesmo tenha um tratamento eficaz e uma boa recuperação.

É importante que a enfermagem atue de forma a esclarecer acerca dos procedimentos realizados, pois os pacientes mesmos são carentes de informação e em muitas os procedimentos são desagradáveis e agressivos, necessitando portanto de alguém que dê apoio emocional e orientação.

Sondas Intestinais Longas

Sondas Intestinais

As Sondas Intestinais Longas Miller-Abbott, Sonda de Cantor e Sonda de Andersen,  são exemplos de sondas com peso na extremidade que são colocados no pré- operatório ou no intra-operatório de cirurgias gastrointestinais. O comprimento longo possibilita a remoção do conteúdo intestinal para o tratamento de uma obstrução, o que não é possível por meio de uma sonda nasogástrica.

Essas sondas podem descomprimir o intestino delgado e separá-lo no intra-operatório ou no pós-operatório. Como a progressão das sondas depende do peristaltismo intestinal, seu uso é contraindicado em pacientes com íleo paralítico e graves obstruções mecânicas intestinais.

Os aparelhos mais antigos, como as sondas do tipo Cantor e Miller-Abbott, raramente são usados hoje, porque o balão da extremidade distal é preenchido com mercúrio, e a nova sonda de Andersen tem uma ponta preenchida com tungstênio, o que é opção mais segura.

As Intervenções usadas no cuidado do paciente com uma sonda intestinal longa são similares à aquelas usadas para a sonda nasogástrica e a sengstaken blakemore: Deve-se observar no paciente a hiperinsuflação do balão, que faz com que a remoção seja mais difícil, a ruptura do balão que pode levar à ruptura intestinal, e a invaginação reversa se a sonda for removida rapidamente. As sondas intestinais devem ser removidas lentamente, usualmente em torno de 15 centímetros de sonda deve ser retirado a cada hora.

Sondagem Nasogástrica

Sonda Nasogástrica

A passagem de sonda nasogástrica é a inserção de uma sonda plástica ou de borracha, flexível, podendo ser curta ou longa, pela boca ou nariz, para:

  • Descomprimir o estômago e remover gás e líquidos;
  • Diagnosticar a motilidade intestinal;
  • Administrar medicamentos e alimentos;
  • Tratar uma obstrução ou um local com sangramento;
  • Obter conteúdo gástrico para análise.

Condições ou necessidades que requerem utilização de sonda:

  • Preparação pré-operatória com dieta elementar;
  • Problemas gastrintestinais com dieta elementar;
  • Terapia para o câncer;
  • Cuidado na convalescença;
  • Coma;
  • Condições hipermetabólicas;
  • Cirurgia maxilofacial ou cervical.

Tipos de Sonda Nasogástrica

A sonda nasogástrica é introduzida através do nariz ou boca até o estômago. As mais comumente usadas são: sonda de Levine, gástrica simples, Nutriflex, a Moss e a Sengstaken-Blakemore (S-B).

 Sonda de Levine: é uma das mais usadas, existindo no mercado tanto tubos de plástico como de borracha, com orifícios laterais próximos à ponta, são passadas normalmente pelas narinas. Apresenta uma única luz (números 14 a 18). A sonda é usada para remover líquidos e gases do trato gastrintestinal superior em adultos, obter uma amostra do conteúdo gástrico para estudos laboratoriais e administrar alimentos e medicamentos diretamente no trato gastrintestinal.

A colocação da sonda pode ser checada depois de colocada aspirando-se o conteúdo gástrico e checando-se o ph do material retirado. O ph do aspirado gástrico é ácido (± 3); o ph do aspirado intestinal (± 6,5), e o ph do aspirado respiratório é mais alcalino (7 ou mais). Uma radiografia é o único meio seguro de se verificar a posição da sonda;

– Sonda gástrica simples (“Salem-VENTROL”): é uma sonda radiopaca, de plástico claro, dotada de duas luzes. É usada para descomprimir o estômago e mantê-lo vazio;

– Sonda Nutriflex: é uma sonda usada para nutrição. Possui 76 cm de comprimento e uma ponta pesada de mercúrio para facilitar sua inserção. É protegida por um lubrificante que é ativado quando é umidificado;

– Sonda de MOSS: é uma sonda de descompressão gástrica de 90 cm de comprimento, três luzes e somente um balão que serve para fixar a sonda ao estômago quando inflado. O cateter de descompressão serve para aspiração gástrica e esofagiana, como também para lavagem. A terceira luz é uma via para alimentação duodenal;

– Sonda S-B: é usada para tratar sangramento de varizes esofagianas. Tem 3 luzes e 2 balões; duas das luzes são utilizadas para inflar os balões, enquanto a terceira é usada para lavagem gástrica e para monitorizar o sangramento.

SNG Aberta X Fechada

– Sonda Nasogástrica Aberta: Quando o objetivo é drenar líquidos intra-gástrico, a saber: esverdeado (bile), borra de café (bile + sangue), sanguinolenta (vivo, escuro), amarelado. Sonda Levine nº 20 ou 22. Podemos exemplificar cirurgias onde no pós operatório se deseja o repouso do sistema digestivo e também em casos de intoxicação exógena, onde o conteúdo ingerido precisa ser removido rapidamente.

– Sonda Nasogástrica Fechada: Utilizada com finalidade de alimentação, quando por alguma razão o paciente não pode utilizar a boca no processo de digestão. Ex: câncer de língua, anorexia, repouso pós- cirúrgico. Sonda Levine nº 16 ou 18.

MATERIAL

  • Sonda Nasogástrica (também chamada de Levine) de numeração 10, 12, 14, 16, 18 (adulto);
  • Esparadrapo;
  • Xilocaína gel;
  • Gaze;
  • Par de luvas;
  • Seringa de 20cc;
  • Estetoscópio;
  • Toalha de rosto de uso pessoal;

Caso a Sonda Nasogástrica seja aberta adicione: extensão, saco coletor.

PROCEDIMENTO

  • Explicar a procedimento ao paciente;
  • Colocá-lo em posição de Fowler;
  • Colocar a toalha sob o pescoço;
  • Calçar as luvas;
  • Abrir a sonda;
  • Medir o comprimento da sonda: da asa do nariz, ao lóbulo da orelha e para baixo até a ponta do apêndice xifóide;
  • Marcar o local com o esparadrapo;
  • Passar xilocaína gel aproximadamente uns 10 cm;
  • Introduzir a sonda s por uma das narinas;
  • Flexionar o pescoço aproximando ao tórax, pedindo ao paciente para realizar movimentos de deglutição;
  • Introduzir a sonda até o ponto do esparadrapo;
  • Conectar a seringa à extremidade da SNG. Colocar o diafragma do estetoscópio sobre o hipocôndrio e injetar 15 a 20 cm³ de ar, enquanto auscultar o abdome do paciente;

         Ou

  • Conectar a seringa à sonda e aspirar verificando se reflui conteúdo. Se não for obtido o conteúdo gástrico, coloque o paciente em decúbito lateral esquerdo (DLE) e aspire normalmente;
  • Proporcionar cuidados nasais e bucais;
  • Deixar o paciente confortável;
  • Desprezar o material;
  • Lavar as mãos;
  • Anotar tipo, tamanho, data, hora e a via de inserção da sonda;
  • Anotar o material drenado, incluindo o volume, cor características, consistência e odor de qualquer matéria eliminada no prontuário;

Obs: Não é mais utilizada a teste de localização com copo de água segundo orientação do COREN.

PROCEDIMENTO PARA RETIRADA DA SONDA

  • Explicar o procedimento ao cliente;
  • Avaliar o funcionamento intestinal auscultando para ver se há peristaltismo ou flatos;
  • Ajudar o cliente a assumir a posição semi-Fowler;
  • Lavar as mãos e calce luvas;
  • Usar uma seringa com 10 ml de soro fisiológico a 0,9%, para irrigar a sonda;
  • Certificar de que a sonda não está com conteúdo gástrico;
  • Soltar a sonda da bochecha do cliente e, em seguida, abra o alfinete de segurança, liberando a roupa do cliente;
  • Fechar a sonda, dobrando-a em sua mão;Pedir ao cliente para prender a respiração, para fechar a epiglote;
  • Cobrir e retirar imediatamente a sonda;
  • Ajudar o cliente a fazer uma higiene bucal completa;
  • Anotar a data e a hora de retirada da sonda no prontuário;

CUIDADOS IMPORTANTES

A equipe de enfermagem é responsável pela manutenção da Sonda e precisa atentar-se em:

– Verificar a tolerância da dieta e/ou medicamento a ser administrados pela sonda;

– Aspirar conteúdo gástrico antes da administração da dieta e/ou medicamento para verificar presença de resíduos;

– Infusão de certa quantidade de água na sonda após administração da dieta e/ou medicamento com o intuito de evitar obstruções;

– Realizar troca em caso de danos na sonda, colocar sempre a data e a hora ao trocar a sonda, sempre ter o cuidado com lavagem das mãos;

– Trocar a fixação da sonda diariamente, observando seu posicionamento e verificando introdução ou tração da sonda sem acidentes;

Quem pode realizar este procedimento?

Dentro da equipe de enfermagem, compete ao enfermeiro a realização de procedimento de maior complexidade conforme o disposto na Lei 7498/863. Ainda em relação ao procedimento de sondagem, a Resolução COFEN 453/2014, em seu anexo, estabelece que compete ao enfermeiro estabelecer a via de nutrição enteral, mesma via adotada para o procedimento da lavagem gástrica, sendo assim, competindo ao técnico de enfermagem:

a) Participar de treinamento, conforme programas estabelecidos, garantindo a capacitação e atualização referente às boas práticas da Terapia Nutricional; 

b) Promover cuidados gerais ao paciente de acordo com a prescrição de enfermagem ou protocolo pré-estabelecido;

c) Comunicar ao Enfermeiro qualquer intercorrência advinda da TNP;

d) Proceder o registro das ações efetuadas, no prontuário do paciente, de forma clara, precisa e pontual.