Colite Ulcerativa: Muito Além de uma Inflamação Intestinal

Para quem está mergulhando no universo da gastroenterologia durante a graduação de enfermagem, a Colite Ulcerativa (CU) aparece como um dos temas mais desafiadores e, ao mesmo tempo, essenciais.

Ela faz parte do grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), mas tem uma “personalidade” clínica muito própria que a diferencia, por exemplo, da Doença de Crohn. Enquanto a de Crohn pode afetar qualquer ponto do trato digestivo, a Colite Ulcerativa é seletiva: ela foca exclusivamente no cólon e no reto.

Entender essa doença é compreender como o sistema imunológico, por razões ainda não totalmente esclarecidas, passa a atacar a mucosa do próprio intestino. Para o paciente, isso se traduz em uma rotina de incertezas, dores e idas frequentes ao banheiro.

Para nós, profissionais de enfermagem, o desafio é oferecer um suporte que equilibre a técnica rigorosa com uma empatia profunda, já que o impacto psicossocial dessa condição é imenso.

Entendendo a Fisiopatologia e as Manifestações

A Colite Ulcerativa é caracterizada por uma inflamação contínua da mucosa e submucosa. Diferente de outras patologias que apresentam “áreas de salto” (tecidos saudáveis entre tecidos doentes), a CU começa no reto e sobe pelo cólon de forma ininterrupta. As úlceras que se formam na parede intestinal são responsáveis pelo sintoma mais clássico da doença: a diarreia com sangue e muco.

O estudante de enfermagem deve estar atento à gravidade dos sintomas, que podem variar de leves a fulminantes. Além da diarreia, o paciente frequentemente relata tenesmo (aquela vontade urgente de evacuar, mesmo que o reto esteja vazio) e dor abdominal em cólica. Em casos mais graves, podem ocorrer manifestações extraintestinais, como dores articulares, inflamações nos olhos (uveíte) e lesões na pele, mostrando que a CU é, na verdade, uma doença sistêmica.

Por que a colite ulcerativa acontece?

A causa exata da colite ulcerativa ainda não é totalmente conhecida. Atualmente, entende-se que a doença surge a partir de uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais.

O sistema imunológico passa a reagir de forma inadequada contra a mucosa intestinal, mantendo um processo inflamatório contínuo. Essa resposta inflamatória persistente leva ao surgimento de úlceras, sangramentos e alterações na função do intestino.

Fatores como histórico familiar, alterações da microbiota intestinal, infecções prévias, uso de antibióticos e até o estilo de vida podem influenciar no desenvolvimento e na atividade da doença.

Curiosidades e Fatos Pouco Divulgados

Existem alguns pontos sobre a Colite Ulcerativa que raramente aparecem nos manuais básicos, mas que são fascinantes para quem estuda a saúde de forma detalhada. Um dos fatos mais curiosos e discutidos na literatura médica é o chamado “paradoxo do cigarro”.

Estatisticamente, a Colite Ulcerativa é mais comum em não fumantes ou ex-fumantes. Embora o tabagismo seja um veneno para a Doença de Crohn, na Colite Ulcerativa observou-se, historicamente, que alguns componentes do cigarro pareciam “proteger” a mucosa, embora o risco de outras doenças torne o fumo absolutamente contraindicado.

Outra curiosidade é o aumento drástico de casos em países em desenvolvimento. Isso nos leva à “Hipótese da Higiene”, que sugere que ambientes extremamente limpos na infância podem impedir que o sistema imunológico aprenda a lidar com bactérias, tornando-o mais propenso a atacar o próprio corpo no futuro. Além disso, a dieta ocidental, rica em ultraprocessados, tem sido apontada como um dos grandes gatilhos para as crises de exacerbação.

Principais sinais e sintomas

Os sintomas da colite ulcerativa variam conforme a extensão e a gravidade da inflamação. O quadro clássico inclui diarreia crônica, geralmente com presença de sangue e muco, urgência evacuatória e sensação de evacuação incompleta.

Dor abdominal, principalmente em cólicas, fadiga intensa e perda de peso também são frequentes. Em fases mais graves, o paciente pode apresentar anemia, febre e sinais de desidratação.

Além dos sintomas intestinais, a colite ulcerativa pode cursar com manifestações extraintestinais, como dores articulares, alterações dermatológicas, inflamações oculares e comprometimento hepático, o que reforça o caráter sistêmico da doença.

Classificação da colite ulcerativa

A colite ulcerativa pode ser classificada de acordo com a extensão do acometimento intestinal. Quando restrita ao reto, é chamada de proctite ulcerativa. Quando se estende até o cólon esquerdo, recebe o nome de colite esquerda. Já o acometimento de todo o cólon caracteriza a pancolite.

Essa classificação é importante porque influencia diretamente a escolha do tratamento e a intensidade do acompanhamento clínico e de enfermagem.

Diagnóstico: como a colite ulcerativa é confirmada?

O diagnóstico da colite ulcerativa é baseado na associação entre história clínica, exames laboratoriais, exames de imagem e, principalmente, a colonoscopia com biópsia.

A colonoscopia permite visualizar a mucosa intestinal inflamada, friável e com áreas ulceradas. A biópsia confirma o padrão inflamatório característico da doença.

Exames laboratoriais podem revelar anemia, aumento de marcadores inflamatórios e alterações nutricionais, sendo fundamentais para o acompanhamento da evolução do paciente.

Tratamento: controle, não cura

A colite ulcerativa não tem cura, mas possui tratamento eficaz para controle da inflamação e manutenção da remissão. O objetivo do tratamento é reduzir sintomas, cicatrizar a mucosa intestinal e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Os medicamentos mais utilizados incluem aminosalicilatos, corticoides, imunossupressores e imunobiológicos. A escolha depende da gravidade da doença e da resposta individual ao tratamento.

Em casos graves ou refratários, pode ser necessária intervenção cirúrgica, com colectomia, o que exige preparo e acompanhamento rigoroso da equipe de enfermagem.

O Papel da DII Brasil e o Suporte ao Paciente

Nenhum profissional de enfermagem deve atuar isolado das redes de apoio. A DII Brasil (Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn) desempenha um papel fundamental no cenário nacional. Ela é uma organização sem fins lucrativos que une pacientes, familiares e profissionais de saúde com o objetivo de disseminar informações confiáveis e lutar por políticas públicas, como o acesso a medicamentos biológicos de alto custo pelo SUS.

Para o estudante de enfermagem, conhecer a DII Brasil é ter uma ferramenta de educação em saúde nas mãos. Muitas vezes, o paciente recebe o diagnóstico e se sente perdido. Indicar associações sérias ajuda no empoderamento do paciente, permitindo que ele entenda seus direitos e aprenda estratégias de autocuidado com quem vive o mesmo problema diariamente.

Cuidados de enfermagem na colite ulcerativa

O cuidado de enfermagem na Colite Ulcerativa é multifacetado, especialmente durante as crises. O nosso foco principal deve ser a estabilização hemodinâmica e o conforto.

  • Monitorização e Balanço Hídrico: Devido às perdas frequentes por diarreia, o risco de desidratação e desequilíbrio eletrolítico é alto. É papel da enfermagem o controle rigoroso de entradas e saídas, além da observação de sinais de hipocalemia (baixo potássio), que pode afetar o coração.
  • Cuidado com a Pele Perianal: A frequência das evacuações e a acidez das fezes podem causar lesões graves na região perianal. Devemos orientar e realizar a higiene com água e sabão neutro, evitando o uso excessivo de papel higiênico, e aplicar barreiras protetoras (pomadas ou sprays) quando necessário.
  • Manejo Dietético: Embora a dieta não cure a doença, ela é crucial no manejo das crises. Durante a fase ativa, orientamos uma dieta com baixo resíduo (pobre em fibras) para dar repouso ao intestino. O enfermeiro deve trabalhar em conjunto com o nutricionista para garantir que o paciente não entre em desnutrição proteico-calórica.
  • Suporte Emocional e Educação: A CU é uma doença “invisível” que gera muito constrangimento social. O enfermeiro deve criar um ambiente de confiança, ouvindo as angústias do paciente e orientando sobre a importância da adesão ao tratamento medicamentoso, mesmo nos períodos de remissão (quando não há sintomas).

A colite ulcerativa é uma doença complexa, crônica e de grande impacto na vida do paciente. Para a enfermagem, compreender seus aspectos clínicos, emocionais e sociais é essencial para oferecer um cuidado humanizado, seguro e baseado em evidências.

Informação, escuta ativa e acompanhamento contínuo são ferramentas poderosas no cuidado ao paciente com Doença Inflamatória Intestinal.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE COLITE ULCERATIVA E DOENÇA DE CROHN. O que são as DII. São Paulo: DII Brasil, 2024. Disponível em: https://diibrasil.org.br
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retocolite Ulcerativa. Brasília: Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  3. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças Inflamatórias Intestinais: diagnóstico e tratamento. Brasília, 2022. Disponível em:
    https://www.gov.br/saude
  6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA. Colite ulcerativa: atualização clínica. São Paulo, 2021. Disponível em: https://sbcp.org.br
  7. KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins e Cotran: Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. Disponível em:
    https://www.elsevier.com
  8. SANDS, B. E. Inflammatory bowel disease: clinical aspects and management. New England Journal of Medicine, 2020. Disponível em: https://www.nejm.org

Doença de Crohn: Entendendo a Doença Inflamatória Intestinal Imunomediada

A Doença de Crohn (DC) não é apenas uma “inflamação intestinal”; é uma condição crônica, complexa e imunomediada, onde o sistema imunológico, nosso protetor, se confunde e começa a atacar de forma persistente o próprio trato gastrointestinal (TGI).

Essa doença, que faz parte do grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) — junto com a Retocolite Ulcerativa —, se manifesta de forma agressiva, causando dor, diarreia, desnutrição e uma série de complicações que afetam drasticamente a qualidade de vida.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, entender que o Crohn pode atingir qualquer parte do TGI, “da boca ao ânus,” e que seu manejo é a longo prazo, é crucial para oferecer um cuidado empático e tecnicamente rigoroso.

Vamos mergulhar na complexidade do Crohn e entender a simbologia por trás de sua cor.

O Que É a Doença de Crohn? 

A Doença de Crohn é uma inflamação crônica que se diferencia por duas características principais:

Transmural

 A inflamação atinge todas as camadas (transmural) da parede intestinal, e não apenas a camada mais superficial (mucosa), como na Retocolite Ulcerativa.

Segmentar e Descontínua

 A inflamação pode ocorrer em “manchas” ou segmentos separados por áreas de tecido saudável. Embora possa afetar qualquer parte do TGI, os locais mais comuns são o íleo terminal (porção final do intestino delgado) e o cólon.

O Mecanismo Autoimune

 A causa exata é desconhecida, mas envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais (como dieta e tabagismo) e uma resposta imunológica desregulada à flora bacteriana intestinal. O sistema imune interpreta a presença de bactérias comensais (normais) como uma ameaça e desencadeia uma reação inflamatória crônica.

Consequências

A inflamação constante leva a:

  • Estenoses: Estreitamento do intestino devido à cicatrização (fibrose).
  • Fístulas: Conexões anormais entre duas partes do intestino ou entre o intestino e a pele/outros órgãos, um desafio comum no cuidado perianal.
  • Má Absorção e Desnutrição: O dano ao intestino delgado, especialmente ao íleo, impede a absorção de nutrientes vitais, como a Vitamina B12.

Causas e Mecanismos Imunológicos

Ainda não se conhece uma causa única para o Crohn. Acredita-se que seja resultado de uma interação complexa entre fatores genéticos, imunológicos, ambientais e microbiológicos.

  1. Predisposição genética: indivíduos com histórico familiar têm risco aumentado.
  2. Sistema imunológico disfuncional: há uma resposta exacerbada das células imunes frente a bactérias intestinais inofensivas, levando à inflamação crônica.
  3. Fatores ambientais: tabagismo, dieta industrializada, estresse e uso de antibióticos na infância podem contribuir.
  4. Microbiota intestinal alterada: o desequilíbrio da flora intestinal (disbiose) parece ter papel importante na ativação da doença.

Por ser imunomediada, a doença de Crohn é considerada também autoimune, pois o sistema imunológico reage contra tecidos do próprio corpo, especialmente do intestino.

Sinais e Sintomas: O Que A Enfermagem Monitora

Os sintomas variam muito, mas os mais comuns incluem:

  • Dor Abdominal: Geralmente no quadrante inferior direito, de natureza cólica e persistente.
  • Diarreia Crônica: Muitas vezes sem sangue aparente.
  • Perda de Peso e Anemia: Devido à má absorção e à inflamação crônica.
  • Manifestações Extraintestinais: A inflamação pode afetar articulações (artrite), pele, olhos e fígado.
  • Sintomas Perianais: Fístulas, abscessos e fissuras perianais são extremamente comuns e dolorosos.

Durante os períodos de remissão, os sintomas diminuem ou desaparecem, mas podem retornar em momentos de crise, exigindo controle rigoroso.

Diagnóstico

O diagnóstico da doença de Crohn é clínico, laboratorial e por imagem. Envolve:

  • Endoscopia e colonoscopia com biópsia para identificar ulcerações e granulomas;
  • Exames de sangue (anemia, PCR e VHS elevados, deficiência de vitaminas);
  • Enterotomografia e ressonância magnética para avaliar complicações como fístulas ou abscessos;
  • Coprocultura e calprotectina fecal para diferenciar de outras causas de inflamação intestinal.

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e iniciar o tratamento adequado.

Tratamento

O tratamento tem como objetivo reduzir a inflamação, controlar os sintomas e manter a remissão.

  • Corticosteroides (como budesonida e prednisolona): usados em fases agudas para controle da inflamação.
  • Imunossupressores (azatioprina, metotrexato): ajudam a reduzir a atividade do sistema imunológico.
  • Terapias biológicas (infliximabe, adalimumabe): bloqueiam moléculas inflamatórias específicas, como o TNF-alfa.
  • Antibióticos: usados quando há complicações infecciosas.
  • Cirurgia: indicada em casos de estenose, perfuração ou fístulas graves.

Além dos medicamentos, a dieta balanceada e o acompanhamento multiprofissional (enfermagem, nutrição, gastroenterologia e psicologia) são essenciais.

O Cuidado de Enfermagem: A Gestão da Crise e da Cronicidade

O manejo do Crohn é farmacológico (com imunossupressores, biológicos e corticoides), mas o cuidado de enfermagem é o pilar do suporte:

  1. Controle da Dor e Diarreia: Administrar medicamentos conforme prescrição e monitorar a eficácia. Ajudar o paciente a manter um diário alimentar para identificar gatilhos dietéticos.
  2. Suporte Nutricional: Muitos pacientes precisam de suplementação agressiva, incluindo ferro, cálcio, Vitamina D e, crucialmente, Vitamina B12 (devido à má absorção ileal). O enfermeiro orienta sobre a nutrição e monitora os sinais de desnutrição e anemia.
  3. Cuidados com Fístulas e Estomas: Pacientes com DC frequentemente passam por cirurgias. Se houver estoma (ileostomia ou colostomia), nosso cuidado na troca, limpeza e educação sobre o autocuidado é essencial. Se houver fístulas perianais, o manejo da dor, a higiene e a prevenção de infecção são prioridades.
  4. Adesão ao Tratamento Biológico: Muitos tratamentos envolvem medicamentos biológicos por via intravenosa ou subcutânea. O enfermeiro administra, monitora reações alérgicas e educa o paciente sobre a importância da adesão rigorosa para manter a remissão da doença.
  5. Apoio Psicossocial: Por ser uma doença crônica, imprevisível e que exige idas frequentes ao banheiro, o Crohn afeta a saúde mental. Oferecer escuta ativa e encaminhamento psicológico é parte integral do cuidado.

Por que a cor roxa representa as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs)?

O roxo foi escolhido como cor simbólica das DIIs, incluindo a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, por representar dignidade, coragem e sensibilidade — características que refletem a luta diária das pessoas que convivem com essas doenças crônicas.

Além disso, o roxo também simboliza a união entre corpo e mente, remetendo à resiliência dos pacientes que enfrentam crises dolorosas, mudanças de rotina e tratamentos contínuos.

Essa escolha de cor é simbólica e representa uma combinação de fatores:

  • Visibilidade e Força: O roxo é uma cor forte, que chama a atenção, o que é essencial para dar visibilidade a doenças que são muitas vezes “invisíveis” ou mal compreendidas.
  • Combinação de Lutas: A cor púrpura é criada pela mistura de azul e vermelho, simbolizando a união de causas e a complexidade das DIIs, que afetam o bem-estar físico e emocional.
  • Realeza e Respeito: Historicamente, o roxo esteve ligado à realeza, e na conscientização da DII, ele evoca a necessidade de respeito e reconhecimento da seriedade da condição dos pacientes.

Todo dia 19 de maio é celebrado o Dia Mundial das Doenças Inflamatórias Intestinais (World IBD Day), com monumentos e prédios iluminados de roxo em várias partes do mundo, reforçando a importância da conscientização e empatia com quem vive com DII.

A doença de Crohn é um desafio tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde. Por ser uma condição autoimune e crônica, requer acompanhamento contínuo, tratamento individualizado e uma equipe de enfermagem preparada para oferecer assistência técnica e apoio emocional.

A informação, a empatia e o cuidado humanizado são pilares fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos portadores dessa condição e reduzir o impacto da doença na rotina diária.

Referências:

  1. DII BRASIL. Associação Nacional das Pessoas com Doenças Inflamatórias Intestinais. Disponível em: https://diibrasil.org.br/
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA (SBCP). Doença de Crohn. Disponível em: https://www.sbcp.org.br/
  3. GRUPO DE ESTUDO DA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL DO BRASIL (GEDIIB). Recomendações para o Diagnóstico e Tratamento da Doença de Crohn. Disponível em: http://gediib.org.br/
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas das Doenças Inflamatórias Intestinais. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  5. CROHN’S & COLITIS FOUNDATION. Understanding Crohn’s Disease. New York, 2022. Disponível em: https://www.crohnscolitisfoundation.org
  6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE GASTROENTEROLOGIA. Doenças Inflamatórias Intestinais: diagnóstico e manejo. São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.sbgastro.org.br
  7.  ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Inflammatory Bowel Diseases Report. Geneva, 2021. Disponível em: https://www.who.int

Marcha atópica

A marcha atópica é um conceito que descreve a progressão natural das doenças alérgicas ao longo da vida de um indivíduo. Geralmente começando na infância, essa sequência de condições pode incluir dermatite atópica, rinite alérgica e asma.

Nesta publicação, vamos explorar o que é a marcha atópica, suas fases, fatores de risco e estratégias para prevenir ou controlar essas condições.

O Que é a Marcha Atópica?

A marcha atópica refere-se à tendência de doenças alérgicas se desenvolverem em uma sequência previsível, começando na infância e podendo persistir até a idade adulta. Essa progressão é caracterizada por uma resposta imunológica hiperativa a alérgenos comuns, como pólen, ácaros e alimentos.

Fases da Marcha Atópica

Dermatite Atópica (Eczema)

  • Idade de Início: Geralmente nos primeiros meses de vida.
  • Sintomas: Pele seca, coceira intensa e erupções cutâneas.
  • Importância: A dermatite atópica é frequentemente o primeiro sinal da marcha atópica e pode aumentar o risco de desenvolver outras condições alérgicas.

Alergias Alimentares

  • Idade de Início: Nos primeiros anos de vida.
  • Sintomas: Reações alérgicas a alimentos como leite, ovos, amendoim e frutos do mar.
  • Importância: As alergias alimentares podem ser um precursor para o desenvolvimento de asma e rinite alérgica.

Asma

  • Idade de Início: Geralmente entre 3 e 5 anos.
  • Sintomas: Dificuldade para respirar, chiado no peito e tosse.
  • Importância: A asma é uma condição crônica que pode persistir na idade adulta.

Rinite Alérgica

  • Idade de Início: Pode começar na infância ou adolescência.
  • Sintomas: Espirros, coriza, coceira no nariz e olhos lacrimejantes.
  • Importância: A rinite alérgica é comum em indivíduos com histórico de outras condições atópicas.

Fatores de Risco para a Marcha Atópica

Vários fatores podem contribuir para o desenvolvimento da marcha atópica, incluindo:

Genética

Histórico familiar de doenças alérgicas.

Exposição a Alérgenos

Contato precoce com ácaros, pólen ou alimentos alergênicos.

Poluição e Tabagismo

Ambientes poluídos e exposição ao fumo podem agravar as condições alérgicas.

Alterações na Microbiota Intestinal

Desequilíbrios na flora intestinal podem influenciar o sistema imunológico.

Prevenção e Controle da Marcha Atópica

Embora a marcha atópica tenha um componente genético, algumas estratégias podem ajudar a prevenir ou controlar suas manifestações:

Amamentação

A amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida pode reduzir o risco de dermatite atópica e alergias alimentares.

Introdução de Alimentos Sólidos

A introdução de alimentos potencialmente alergênicos, como amendoim e ovos, deve ser feita de forma gradual e sob orientação médica.

Controle Ambiental

Reduzir a exposição a alérgenos comuns, como ácaros e pólen, pode ajudar a prevenir crises alérgicas.

Tratamento Precoce

O manejo adequado da dermatite atópica e das alergias alimentares pode reduzir o risco de progressão para asma e rinite alérgica.

Imunoterapia

Em alguns casos, a imunoterapia com alérgenos pode ser usada para dessensibilizar o sistema imunológico.

Cuidados de Enfermagem no Manejo da Marcha Atópica

A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial no suporte a pacientes com marcha atópica. Aqui estão os principais cuidados:

Educação do Paciente e Familiares

Explique sobre a marcha atópica e a importância do controle ambiental e do tratamento precoce.

Acompanhamento Nutricional

Oriente sobre a introdução de alimentos e o manejo de alergias alimentares.

Monitoramento de Sintomas

Observe e registre os sintomas do paciente para ajustar o tratamento conforme necessário.

Apoio Emocional

Ofereça suporte emocional, especialmente para crianças e famílias que lidam com múltiplas condições alérgicas.

A marcha atópica é uma sequência de condições alérgicas que pode impactar significativamente a qualidade de vida. Compreender suas fases e fatores de risco é essencial para prevenir e controlar essas doenças.

Para a equipe de enfermagem, a educação e o suporte ao paciente são fundamentais para garantir um manejo eficaz.

Referência:

  1. Hill DA, Spergel JM. The atopic march: Critical evidence and clinical relevance. Ann Allergy Asthma Immunol. 2018 Feb;120(2):131-137. doi: 10.1016/j.anai.2017.10.037. Erratum in: Ann Allergy Asthma Immunol. 2018 Apr;120(4):451. doi: 10.1016/j.anai.2018.02.033. PMID: 29413336; PMCID: PMC5806141.

HIV Vs AIDS: As diferenças

O HIV (vírus da imunodeficiência humana) é um retrovírus transmitido através do contato com fluidos corporais, como sangue, leite materno e sêmen.

Como é adquirido?

Pode ser adquirido por meio de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada, compartilhamento de agulhas ou de mãe para filho durante a gravidez ou amamentação.

Os Sintomas

A infecção pelo HIV pode causar sintomas iniciais, como cansaço excessivo, dor muscular, dor de cabeça ou garganta, suor noturno e ínguas. Esses sintomas podem surgir na infecção inicial pelo HIV, chamada síndrome retroviral aguda.

Por outro lado, a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é a evolução do HIV. Ela ocorre quando o vírus do HIV provoca danos no sistema imunológico, tornando-o menos capaz de combater infecções e doenças.

Os sintomas da AIDS são mais intensos e surgem quando o sistema imunológico já está muito debilitado pelo HIV. Isso favorece o surgimento de infecções ou doenças oportunistas, como herpes, candidíase, toxoplasmose, sarcoma de Kaposi ou hepatite.

Você sabia?

É importante destacar que ter a infecção pelo HIV não significa automaticamente ter AIDS. Uma pessoa pode ser portadora do vírus HIV e estar fazendo tratamento, sendo considerada saudável.

No entanto, a AIDS ocorre quando o vírus do HIV causa danos significativos ao sistema imunológico.

As diferenças sutis

  • HIV: Vírus que pode provocar a AIDS.
  • AIDS: Síndrome resultante da destruição do sistema imunológico pelo vírus HIV.

Lembre-se sempre da importância da prevenção e do tratamento adequado para controlar a infecção pelo HIV e evitar a progressão para a AIDS. Consultar um profissional de saúde é fundamental para receber orientações específicas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Síndrome de Sjögren

A Síndrome de Sjögren (SS) é uma doença auto-imune que se caracteriza principalmente pela manifestação de secura ocular e na boca associadas à presença de auto anticorpos ou sinais de inflamação glandular.

Algumas células brancas (chamadas de linfócitos) invadem vários órgãos e glândulas, principalmente as glândulas lacrimais e salivares, produzindo um processo inflamatório que acaba por prejudicá-los, impedindo suas funções normais.

Causas

Se uma pessoa apresenta olho seco ou boca seca, ela deverá ser avaliada para as possíveis causas desses sintomas.

Medicamentos (inclusive os usados para o tratamento da pressão alta, depressão, resfriados e alergias), infecções e outros problemas oculares também podem causar esses mesmos sintomas.

Será necessária a avaliação de um médico Oftalmologista para determinar se realmente há falta de lágrima e sinais de inflamação na córnea em decorrência desta secura. Se essas alterações se confirmarem, o paciente deve ser encaminhado a um Reumatologista para avaliação do diagnóstico da Síndrome de Sjogren (SS).

A secura dos olhos e da boca pode ocorrer por inúmeros motivos, dentre eles:

  • Síndrome Sicca –  é quando acontece uma diminuição da produção de lágrimas e saliva, e pode ocorrer com a idade.
  • Sarcoidose – doença que também pode lesionar as glândulas que produzem saliva e lágrimas
  • Medicamentos como anti-histamínicos ou anti-depressivos
  • Inflamação das glândulas nas pálpebras que produzem óleo (blefarite), causando uma evaporação em excesso das lágrimas

Como existem inúmeras causas e complicações do olho e boca secos, você precisará, além do reumatologista, de um oftalmologista e um dentista.

Sinais e Sintomas

Os pacientes com “SS” também podem apresentar secura na pele, nariz e vagina. Podem apresentar fadiga, artralgias e artrites.

Além disso, outros órgãos do corpo, como os rins, pulmões, vasos, fígado, pâncreas e cérebro também podem ser afetados. Esta doença é mais comum em mulheres de meia idade, mas também pode ocorrer em homens e em qualquer idade.

Olhos:

  • Dor
  • Irritabilidade
  • Sensação de areia
  • Incômodo com a luz.

Boca e Garganta:

  • Boca seca
  • Saliva espessa e pegajosa
  • Dificuldade para engolir
  • Alteração na percepção do gosto dos alimentos
  • Rouquidão
  • Tosse seca

Fadiga:
Um dos sintomas mais comuns é o cansaço extremo, que não melhora nem com uma boa noite de sono. Algumas pessoas podem também se sentir tristes ou deprimidas.

Dor:

  • Dor nas articulações
  • Inchaço nas articulações
  • Dor ao toque em vários pontos do corpo

Outros Sintomas:
Outras partes do corpo podem ficar mais secas do que o normal, como por exemplo:

  • Sistema digestivo, causando dificuldade para engolir
  • Intestino, com sintomas parecidos aos da síndrome do intestino irritável
  • Pele, que pode ficar sensível ao sol ou apresentar coceira
  • Vagina, causando desconforto na relação sexual
  • Vias aéreas, fazendo com que a pessoa fique mais suscetível a irritantes como fumaça e poeira

Existem muitos outros sintomas também, como:

  • Febre
  • Alteração na cor das mãos (Fenômeno de Raynaud)
  • Dor de cabeça/ enxaqueca
  • Aumento dos gânglios (linfonodos) do pescoço, axilas ou virilha
  • Problemas no sistema nervoso, como fraqueza e formigamentos
  • Inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite)
  • Manchas cor de vinho nas pernas (púrpura)
  • Dor no peito ou falta de ar
  • Problemas no fígado ou nos rins
  • Fibrose dos pulmões, levando à falta de ar e tosse seca

Diagnóstico

Para a confirmação do diagnóstico, além de todos os sintomas já mencionados o paciente deverá apresentar alterações laboratoriais (exames de sangue), radiológicos e/ou anátomo-patológicos (biópsia das glândulas salivares menores feita no lábio) e/ou de medicina nuclear (cintilografia das glândulas parótidas).

Síndrome de Sjögren Primária

A Síndrome de Sjögren Primária ocorre quando a Síndrome de Sjögren (SS) ocorre de forma isolada, sem a presença de outra doença auto-imune.

Síndrome de Sjögren Secundária

A Síndrome de Sjögren Secundária ocorre quando os sintomas da “SS” são acompanhados de uma outra doença auto-imune como a Artrite Reumatóide, o Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Esclerodermia.

Tratamento

Ainda não existe uma cura definitiva para esta doença, mas o diagnóstico e intervenções precoces podem melhorar em muito o prognóstico. O tipo do tratamento vai depender dos sintomas (que podem ser bastante variados) e da sua gravidade.

No caso do paciente somente apresentar secura nos olhos e boca, eventualmente, poderão ser utilizados como tratamento somente lágrimas artificiais e substitutos de saliva. Remédios anti-inflamatórios, corticoides e/ou imunossupressores poderão ser utilizados quando houver manifestação mais graves, objetivando melhora da inflamação e evitando sequelas.

Olho Seco:

  • Colírios lubrificantes podem ser usados várias vezes ao dia, conforme a orientação do oftalmologista.
  • Se precisar usar os colírios mais de 6x ao dia, é melhor utilizar fórmulas sem conservantes, pois eles podem aumentar a secura e a sensibilidade.

Boca Seca:

  • Saliva artificial
  • Se você ainda é capaz de produzir um pouco de saliva, pode ser que o reumatologista indique comprimidos de pilocarpina, que age estimulando as glândulas. Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais como suor, vermelhidão, diarreia e aumento da necessidade de urinar. Esses efeitos costumam melhorar com o tempo, e para evita-los é melhor começar com uma dose menor e aumentar gradativamente.

Dor ou Inchaço nas Articulações:

  • Seu médico poderá indicar analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides ou hidroxicloroquina, dependendo do caso

Fadiga:

  • Talvez seja necessário investigar outros problemas como doença da tireoide e doença celíaca
  • Em alguns casos a hidroxicloroquina pode ajudar
  • Uma das coisas mais importantes para aliviar a fadiga são as mudanças nos hábitos de vida, como a prática de exercícios leves, a adaptação do ritmo das atividades  e a qualidade do sono. É importante encontrar o equilíbrio entre a quantidade de exercício e de repouso para se sentir bem.

Dor com origem nos nervos:

  • Pode ser tratada com medicamentos específicos, como gabapentina ou pregabalina

Sintomas mais graves:
Alguns pacientes com doença mais grave podem precisar de tratamento com corticoides e drogas imunossupressoras, como a azatioprina e o micofenolato.  O rituximab, um biológico direcionado para as células B do sistema imune, pode ser útil em alguns casos.

É importante ressaltar que a maioria das pessoas não precisa desse tipo de tratamento, pois os sintomas geralmente estão confinados às glândulas salivares e lacrimais.

Alguns Cuidados

Muitos sintomas podem ser aliviados com medidas simples:

  • Utilizar óculos de sol com proteção lateral, para ajudar a evitar a evaporação das lágrimas
  • Manter as pálpebras e áreas ao redor limpas para maximizar a secreção de óleo das glândulas das pálpebras
  • Evitar lentes de contato
  • Aumentar a umidade da casa pode ajudar com os sintomas de olho seco e tosse seca, e isso pode ser feito com umidificadores, plantas ou bacias com água
  • Evitar sabonetes com cheiro forte se tiver pele seca ou coceira
  • Utilizar cremes hidratantes na pele
  • Utilizar filtro solar
  • Cuidar muito bem da higiene bucal

Exercícios:
São recomendados para manter a mobilidade, principalmente se tiver sintomas nas articulações.

É necessário encontrar um equilíbrio entre a quantidade de repouso e de exercício para driblar a fadiga causada pela doença. O fisioterapeuta e o educador físico são profissionais que podem te ajudar a encontrar o melhor tipo de exercício e a aumentar o nível gradativamente.

Dieta:
Para minimizar os problemas dentários é importante reduzir os alimentos e bebidas açucarados. O álcool e as bebidas com cafeína devem ser evitados, pois pioram a secura.

Sexo e Gestação:
Um sintoma menos frequente da síndrome de Sjogren é a secura vaginal, e os lubrificantes são de grande utilidade. Converse com o seu ginecologista sobre este sintoma, e ele poderá te recomendar um tratamento adequado.

Cerca de 2% das mulheres que tem os anticorpos anti-Ro ou La positivos podem passar para o bebê durante a gravidez, e levar a problemas de pele e alteração nos exames de sangue. Com o passar dos meses esses anticorpos são eliminados do corpo do bebê.

Em alguns desses casos os anticorpos podem afetar o coração do bebê, fazendo com que ele bata mais lentamente. Mas lembre-se, 98% das gestações não tem essas alterações. O importante é informar o seu obstetra caso você tenha estes anticorpos, para que ele monitore o coração do bebê durante a gestação.

Referência:

  1. Freitas, Tarsila M. C. et al. Síndrome de Sjögren: revisão de literatura e acompanhamento de um caso clínico. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia [online]. 2004, v. 70, n. 2 [Acessado 26 Setembro 2022] , pp. 283-288. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200023&gt;. Epub 29 Jun 2004. ISSN 0034-7299. https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200023.

Penfigoide Bolhoso (PB)

O penfigoide bolhoso é uma doença bolhosa autoimune crônica e adquirida, caracterizada por autoanticorpos contra antígenos hemidesmossomais, resultando na formação de uma vesícula subepidérmica.

Geralmente, o penfigoide bolhoso ocorre em idosos e tem uma aparência clínica distinta. Existem diversas variações clínicas, sendo que uma delas ocorre na infância.

Na fase prodrômica e não bolhosa, um prurido de intensidade variável pode ser acompanhado por lesões eczematosas ou urticariformes durante semanas ou meses.

Na etapa bolhosa, vesículas ou bolhas características e tensas se desenvolvem na pele aparentemente normal ou eritematosa da erupção eczematosa ou urticariforme preexistente. Se as vesículas estourarem, as áreas com erosão e crostas cicatrizam lentamente, deixando uma hiperpigmentação pós-inflamatória.

As lesões geralmente são simétricas e favorecem os aspectos flexurais dos membros, a parte inferior do tronco e o abdome.

Fatores de Risco

  • idade entre 60 e 90 anos
  • alelo de classe II do complexo principal de histocompatibilidade (CPH)
  • sexo masculino

Principais sintomas

O principal sintoma indicativo de penfigoide bolhoso é o aparecimento de bolhas vermelhas na pele que podem surgir no corpo todo, sendo mais frequentes de surgirem nas dobras, como virilha, cotovelos e joelhos, e podem conter líquido ou sangue em seu interior. No entanto, há também casos relatados de penfigoide bolhoso que acometeu a região abdominal, os pés e as regiões oral e genital, porém essas situações são mais raras.

Além disso, essas bolhas podem surgir e desaparecer sem motivo aparente, serem acompanhadas de coceira e quando romperem podem ser bastante dolorosas, no entanto não deixam cicatrizes.

É importante que o dermatologista ou clínico geral seja consultado assim que surgirem as primeiras bolhas, pois assim é possível que seja feita uma avaliação e seja indicada a realização de alguns exames que permitam concluir o diagnóstico. Normalmente o médico solicita a realização da retirada de um pedaço da bolha para que possa ser feita observação em microscópio e exames laboratoriais como imunofluorescência direta e biopsia da pele, por exemplo.

Causas de penfigoide bolhoso

O penfigoide bolhoso é uma doença autoimune, ou seja, o próprio organismo produz anticorpos que atuam contra a própria pele, resultando no aparecimento das bolhas, no entanto ainda não é muito bem esclarecido o mecanismo pelo qual há a formação das bolhas.

Alguns estudos sugerem que pode ser desencadeada pela exposição à radiação ultravioleta, radioterapia ou após o uso de determinados remédios, como furosemida, espironolactona e metformina, por exemplo. No entanto são ainda necessários mais estudos que confirmem essa relação.

Além disso, o penfigoide bolhoso foi também associado com doenças neurológicas, como demência, doença de Parkinson, esclerose múltipla e epilepsia.

Como é feito o tratamento

O tratamento para penfigoide bolhoso deve ser feito de acordo com a orientação do dermatologista ou clínico geral e tem como objetivo aliviar os sintomas, evitar a evolução da doença e promover a qualidade de vida. Assim, na maioria dos casos é indicado o uso de medicamentos anti-inflamatórios como corticoides e imunossupressores.

O tempo de duração da doença depende do estado do paciente, podendo levar semanas, meses ou anos. Apesar de não ser uma doença de fácil resolução, o penfigoide bolhoso tem cura, podendo ser alcançada com a os remédios indicados pelo médico dermatologista.

Cuidados de Enfermagem

Indivíduos com pênfigo, independente de sua classificação, tendem a precisar de cuidados mais complexos, não só em ordem física, mas também emocionais e sociais. É de competência do enfermeiro proporcionar conforto e prevenção de agravos através dos conhecimentos adquiridos a partir das necessidades do seu cliente.

Os cuidados de enfermagem devem ser realizados correta e criteriosamente para que o período de remissão da doença seja o menor possível.

De acordo com Brandão et al. (2013), há indicação do uso de lençóis de plástico estéreis para evitar aderências e assim facilitar a movimentação do cliente no leito, além da recomendação do uso de curativos oclusivos que devem ser hidratados para prevenir perda de eletrólitos e formação de crostas e evitar infecções e úlceras por pressão.

O banho deve ser em água morna e, conforme a tolerância do paciente. Recomenda-se o uso de óleo como outra estratégia para evitar aderência a roupas ou lençóis. Em relação ao ambiente, este deve sempre estar limpo e, dependendo da gravidade da patologia o paciente deverá permanecer em isolamento.

A verificação dos sinais vitais e o acompanhamento da evolução das lesões e sinais flogísticos são importantes, assim como, as informações sobre possíveis efeitos colaterais das medicações prescritas devem ser repassadas aos pacientes.

Dessa maneira, o cuidado deve ser holístico e sempre incentivar o paciente ao autocuidado.

Referências:

  1. Zanella, Roberta Richter et al. Penfigoide bolhoso no adulto mais jovem: relato de três casos. Anais Brasileiros de Dermatologia [online]. 2011, v. 86, n. 2 [Acessado 9 Junho 2022] , pp. 355-358. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0365-05962011000200023&gt;. Epub 16 Maio 2011. ISSN 1806-4841. https://doi.org/10.1590/S0365-05962011000200023.

Infecção e Inflamação: As Diferenças

Apesar de terem nomes parecidos, inflamação e infecção são mecanismos distintos que ocorrem no organismo.

A Inflamação

É uma resposta do organismo a uma agressão, como cortes e batidas. A inflamação pode partir, também, do sistema imunológico. Nesse caso, são as nossas células de defesa que agridem o corpo. No processo inflamatório, ocorre dilatação dos vasos, aumento do fluxo sanguíneo e de outros fluidos corporais para o local lesionado. Por isso, esse processo causa sintomas como:

  • Vermelhidão;
  • Inchaço;
  • Dor;
  • Aquecimento da área.

A Infecção

São causadas por agentes externos. O organismo reage a entrada de micro-organismos como vírus e bactérias, parasitas ou fungos. Nesse processo, as células de defesa tentam combater os micro-organismos, o que normalmente dá origem ao aparecimento de pus. Alguns sintomas que podem ser causados por infecções:

  • Febre;
  • Dor no local infectado;
  • Aparecimento de pus;
  • Dores musculares;
  • Diarreias;
  • Fadiga;
  • Tosse.

Referências:

  1. http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/579197/diferencas+entre+inflamacao+e+infeccao.htm
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1751559/

Dermatomiosite

Segundo a National Organization for Rare Disorders, dermatomiosite é um tipo de miopatia inflamatória caracterizada por alterações inflamatórias e degenerativas dos músculos e da pele. Os sintomas associados e os achados físicos podem variar muito de caso para caso, pois os pacientes podem apresentar-se de forma diferente.

As miopatias inflamatórias são um grupo de doenças que envolvem inflamação muscular crônica e fraqueza. Acredita-se que sejam doenças autoimunes, o que significa que as defesas naturais do corpo (anticorpos, linfócitos, etc.) contra organismos invasores de repente começam a atacar tecidos perfeitamente saudáveis por razões desconhecidas, levando a inflamação ou inchaço.

Causas

Conforme a The Muscular Dystrophy Association, a causa da dermatomiosite ainda é desconhecida. No entanto, fatores genéticos, imunológicos, infecciosos e ambientais foram considerados.

Anormalidades imunológicas são comuns em pacientes com dermatomiosite. Pacientes frequentemente têm autoanticorpos circulando. A atividade anormal de células T pode estar envolvida na origem da doença da pele e da doença muscular. Além disso, os familiares podem manifestar outras doenças associadas à autoimunidade.

Agentes infecciosos também têm sido sugeridos como possíveis gatilhos de dermatomiosite:

  • Vírus (por exemplo: parvovírus, ecovírus, vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 [HTLV-1], HIV)
  • Espécies de toxoplasma
  • Espécies de Borrelia

Casos de dermatomiosite induzida por drogas já foram relatados. Os agentes que podem desencadear a doença incluem:

  • Estatinas
  • Penicilamina
  • Drogas do fator de necrose anti-tumor
  • Interferon
  • Ciclofosfamida
  • Vacina BCG
  • Quinidina

Sinais e Sintomas

O envolvimento cutâneo pode se manifestar da seguinte forma:

  • Erupção predominantemente em superfícies foto-expostas;
  • Prurido de lesões cutâneas, às vezes intensas o suficiente para perturbar o sono;
  • Eritema (rubor da pele ocasionado pela vasodilatação) no meio da face;
  • Erupção ao longo das margens das pálpebras, com ou sem edema;
  • Erupção no dorso das mãos, particularmente sobre os dedos;
  • Alterações na pele entre as unhas e dedos;
  • Erupção na parte externa das coxas superiores;
  • Couro cabeludo escamoso ou queda de cabelo.

O componente cutâneo da dermatomiosite é exacerbado pela luz solar e outras fontes de luz ultravioleta, o que também pode exacerbar o componente muscular.

A doença muscular pode ocorrer simultaneamente, pode preceder a doença da pele, ou pode seguir a doença da pele por semanas a anos. O envolvimento muscular se manifesta como o seguinte:

  • Fraqueza muscular nos músculos que se encontram mais próximo do tronco
  • Fadiga/fraqueza muscular ao subir escadas, andar, subir de uma posição sentada, pentear o cabelo ou pegar itens acima dos ombros
  • Tensão muscular: Pode ocorrer, mas não é uma característica típica de dermatomiosite.

As manifestações sistêmicas que podem ocorrer incluem as seguintes:

  • Distúrbios sistêmicos gerais (febre, dor nas articulações, mal-estar, perda de peso)
  • Disfagia devido ao envolvimento do músculo esquelético esofágico
  • Refluxo gastresofágico devido ao envolvimento muscular liso do esôfago
  • Disfonia
  • Defeitos atrioventriculares, taquiarritmias, cardiomiopatias dilatadas
  • Úlceras gastrointestinais e infecções, mais comuns em crianças
  • Envolvimento pulmonar devido à fraqueza dos músculos torácicos
  • Calcinose (deposição de sais de cálcio embaixo da pele, músculos, tendões ou tecido gorduroso)
  • As crianças na primeira infância também podem desenvolver uma marcha na ponta dos pés secundária à contratura de flexão dos tornozelos.

Como é diagosticado?

O diagnóstico para dermatomiosite pode incluir exames laboratoriais e por imagem (por exemplo, ressonância magnética, radiografia torácica, ultrassonografia, eletromiografia, tomografia computadorizada), bem como biópsia muscular e de pele e outros testes conforme apropriado.

A eletromiografia (EMG) é um meio de detectar inflamação e dano muscular, sendo útil na seleção de um local de biópsia muscular.

A tomografia do tórax, abdômen e pélvis é útil na avaliação de possíveis malignidades que podem estar associadas à dermatomiosite.

Em pacientes adultos com dermatomiosite, a avaliação da malignidade deve ser realizada após o diagnóstico inicial e repetida pelo menos anualmente por 3 anos. O risco de malignidade aumenta com a idade.

Como é tratado?

O componente muscular é tratado administrando corticosteroides, tipicamente com um agente imunossupressor. A doença da pele é tratada evitando a exposição solar usando protetores solares e roupas fotoprotetoras, bem como com corticosteroides tópicos, agentes antimaláricos e medicamentos imunomodulatórios como metotrexato.

O cuidado cirúrgico geralmente é desnecessário. Alguns pacientes podem se beneficiar da remoção cirúrgica de áreas focais de calcinose, particularmente quando doloroso. A internação é necessária para pacientes com dermatomiosite fulminante, com envolvimento muscular e/ou dos órgãos internos.

Para casos refratários, o uso de globulina imune intravenosa de alta dose mensal (IVIG) por 6 meses tem se mostrado benéfico a curto prazo.

Alguns Cuidados

O repouso na cama pode ser valioso para aqueles com inflamação grave dos músculos.

Em pacientes com fraqueza muscular, um programa de fisioterapia é útil para ajudar a prevenir as contraturas que podem complicar a doença quando os pacientes não movem totalmente suas articulações. A prática também é recomendada, a fim de manter a força muscular, mesmo durante o curso da doença muscular ativa.

Uma dieta equilibrada é importante para pessoas com dermatomiosite. Pacientes com inflamação muscular grave podem precisar de proteína extra para equilibrar sua perda.

Para pacientes com disfagia e/ou refluxo gastroesofágico, a elevação da cabeça de sua cama e evitar comer antes de dormir são úteis. Essas manobras simples podem evitar pneumonia por aspiração. Em alguns casos, a alimentação por sonda nasogástrica é necessária para aumentar o insumo calórico.

Referência:

  1. BMJ Best Pratice

Alopecia

A alopecia é uma condição em que ocorre perda de cabelo ou de pelo em qualquer parte do corpo. Porém, o tipo mais comum é a que se manifesta no couro cabeludo, a calvície. O distúrbio, que pode ser transitório ou definitivo, afeta homens e mulheres e existem diferentes causas possíveis, tipos e graus.

 O ciclo do cabelo é marcado por três fases:

  • Fase anágena: é quando ocorre o crescimento dos fios. Cerca de 90% dos cabelos estão nesta etapa, que pode durar de dois a oito anos;
  • Fase catágena: fase de transição, na qual os folículos capilares encolhem e dura de duas a três semanas;
  • Fase telógena: o cabelo repousa durante dois a quatro meses. No final dessa etapa, o cabelo cai para que o ciclo de crescimento recomece.

É normal que uma pessoa perca de 50 a 100 fios de cabelo todos os dias, por causa desse processo de renovação contínua. Entretanto, se esse ciclo for interrompido ou se um folículo capilar estiver danificado, o cabelo pode começar a cair mais rapidamente do que se regenerar, causando sintomas como fios ralos ou áreas totalmente vazias.

É importante que, ao notar a queda capilar, a pessoa busque por ajuda médica para investigar as causas. Usar medicamentos por conta própria ou recorrer a tratamentos ou produtos sem recomendação de profissionais capacitados pode até agravar o problema.

O QUE CAUSA A ALOPECIA?

As causas da alopecia podem ser variadas. No entanto, alguns fatores associados ao desenvolvimento da condição são:

  • Hereditariedade;
  • Hormônios masculinos;
  • Traumas na região;
  • Má alimentação, que leva à falta de vitaminas;
  • Estresse;
  • Oleosidade em excesso, relacionada à dermatite seborreica;
  • Reação adversa a medicamentos ou certos tratamentos, como a quimioterapia;
  • Tratamentos de beleza com produtos químicos que agridem o couro cabeludo;
  • Problemas na tireoide;
  • Infecções causadas por fungos ou bactérias, inclusive casos de resistência bacteriana.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TIPOS DE ALOPECIA?

Conheça alguns tipos de alopecia e suas características:

  • Alopecia androgenética – de origem genética, é o tipo mais comum de queda de cabelo. O problema pode se iniciar na adolescência, porém, fica mais aparente entre os 40 e 50 anos. Os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto. Nas mulheres, a região central é mais acometida (calvície de padrão feminino), enquanto homens apresentam falhas nas entradas e no topo da cabeça (calvície de padrão masculino).
  • Alopecia areata – é considerada uma doença autoimune, quando o sistema imunológico (mecanismo de defesa natural) ataca o próprio corpo. As células ao redor do folículo capilar o atacam e impedem a produção de novos fios. Isso costuma causar falhas em formatos arrendados não apenas no couro cabeludo, como na barba, cílios e sobrancelhas. A condição é mais comum em pessoas jovens, principalmente abaixo dos 20 anos. A alopecia areata pode estar associada a fatores genéticos, reações no sistema imunológico causadas por micro-organismos e estresse. Doenças como lúpus e vitiligo também podem ter relação.
  • Alopecia por tração – acontece quando a pessoa faz penteados, como tranças e rabos de cavalo apertados, que forçam a raiz do cabelo. Nestes casos, pode haver dano irreversível quando o folículo é danificado.
  • Eflúvio telógeno – nesse tipo de alopecia, é comum a queda de até 300 a 500 fios por dia. Isso resulta, sobretudo, na perda de volume do cabelo.  Um evento ou condição médica, como desequilíbrio da tireoide, parto, cirurgia ou febre, geralmente a desencadeia. Pode ocorrer, ainda, como resultado de uma deficiência de vitaminas ou minerais. Se o evento desencadeante for temporário – por exemplo, se você se recuperar da doença que está causando a queda de cabelo – o cabelo pode voltar a crescer depois de seis meses. Em alguns casos, a perda de cabelo pode durar anos.
  • Alopecia cicatricial – é um tipo mais raro da queda capilar, em que inflamações causam danos aos folículos capilares. No lugar, há crescimento de tecido cicatricial, o que impede a produção de novos fios no couro cabeludo.  A queda pode começar de forma súbita ou progredir lentamente. Para algumas pessoas, a alopecia cicatricial pode incluir ainda, lesões vermelhas ou brancas no couro cabeludo, inchaço e coceiras.
  • Alopecia frontal fibrosante – esse tipo de alopecia atinge principalmente mulheres que estão no período pós-menopausa. Ocorre normalmente em um padrão de recuo da linha do cabelo. As sobrancelhas e axilas também podem sofrer perda de pelos. Os sintomas podem incluir, ainda, o aparecimento de manchas vermelhas e “bolinhas” na face.

TRATAMENTO PARA A QUEDA CAPILAR

Classificar o tipo de alopecia é essencial para direcionar o tratamento. Por isso, é sempre indispensável consultar o médico dermatologista ou tricologista (especialista na saúde do cabelo). Mesmo nos casos em que a queda de cabelo é permanente, existem maneiras de minimizar a perda intensa dos fios.

Certos tratamentos podem incluir o uso de antibióticos específicos e outros medicamentos. Para deficiências nutricionais, a ingestão de suplementos pode ser indicada. Quando o assunto são reparos estéticos, o implante capilar torna-se uma opção para pessoas que sofrem com a calvície.

QUAL A PREVENÇÃO CONTRA ALOPECIA?

Quando há fatores genéticos envolvidos, não existem formas de prevenir a alopecia. No entanto, ao notar queda capilar elevada, procure um especialista. Ele poderá recomendar tratamentos para conter o avanço do problema.

Já para quem não tem casos de alopecia na família, é importante evitar tratamentos em salões que usam produtos químicos prejudiciais. Sempre procure saber quais componentes serão usados e pergunte se eles podem causar danos permanentes aos fios. Afinal, uma vez que os folículos são atingidos, o cabelo deixa de crescer.

Outra recomendação é manter uma alimentação saudável e variada, rica em minerais, proteínas e vitaminas. Então, coma frutas, verduras e legumes, dê preferência para a comida preparada cozida ou assada ao invés de frita, e evite o excesso de gordura e alimentos ultraprocessados.

Referências: