
Vá direto ao ponto!
- 1. Sibilo: pense em um apito
- 2. Ronco: parece alguém roncando
- 3. Estertores crepitantes: pense em cabelo sendo penteado
- 4. Estertores bolhosos: imagine bolhas estourando
- 5. Estridor: o som que merece atenção rápida
- 6. Atrito pleural: parece algo raspando
- 7. Uma forma rápida de memorizar
- 8. Som que você ouve → o que lembrar na hora da prova
- 9. Macete para não esquecer
- 10. O que a enfermagem deve observar
- 11. Cuidados de enfermagem
Na ausculta pulmonar, o ouvido pode perceber pistas que a saturação ainda não mostrou. Um ruído respiratório não fecha diagnóstico sozinho, mas ajuda a identificar alterações no fluxo de ar, presença de secreções, líquido ou estreitamento das vias aéreas. Por isso, aprender a “traduzir” o som facilita muito a avaliação do paciente.
Sibilo: pense em um apito
O sibilo é um som agudo e musical, semelhante a um apito. Costuma ficar mais evidente na expiração e está relacionado ao estreitamento das pequenas vias aéreas, podendo aparecer em situações como asma e DPOC, entre outras condições. Uma forma simples de memorizar: sibilo = apito.
Ronco: parece alguém roncando
O ronco respiratório, também chamado de ronco ou rhonchi, é mais grave e contínuo, lembrando o som de uma pessoa roncando durante o sono. Pode estar relacionado à presença de secreções ou alterações no calibre das vias aéreas, e pode ser percebido tanto na inspiração quanto na expiração.
Na prática, imagine um paciente com bastante secreção traqueobrônquica: durante a ausculta, você percebe aquele som grave e “arrastado”. Depois de uma tosse eficaz ou da remoção de secreções, o ruído pode diminuir ou mudar. Essa comparação ajuda o estudante a entender por que o som precisa ser reavaliado depois das intervenções.
Estertores crepitantes: pense em cabelo sendo penteado
Os estertores crepitantes, também chamados de crepitações, são sons descontínuos, geralmente mais perceptíveis na inspiração. Os finos são curtos e agudos, podendo lembrar o som produzido ao esfregar ou manipular fios de cabelo próximos ao ouvido. Podem estar presentes em situações como edema pulmonar, pneumonia, atelectasia e doenças intersticiais.
Uma situação bastante comum durante a avaliação é encontrar crepitações principalmente nas bases pulmonares de um paciente com sinais de congestão. Nesse momento, não basta registrar apenas “crepitações”: é importante observar onde estão, se são finas ou grossas, em qual fase da respiração aparecem e como estão os demais sinais clínicos.
Estertores bolhosos: imagine bolhas estourando
Os estertores grossos ou bolhosos apresentam sons mais graves e prolongados, podendo lembrar bolhas estourando ou líquido borbulhando. A presença de secreções nas vias aéreas pode contribuir para esse tipo de ruído.
A comparação com bolhas é especialmente útil para estudantes porque cria uma imagem sonora fácil de lembrar. Ainda assim, a ausculta precisa ser interpretada junto com tosse, presença de secreção, frequência respiratória, esforço ventilatório, saturação e demais achados do exame físico.
Estridor: o som que merece atenção rápida
O estridor é um som agudo, geralmente mais evidente na inspiração, associado principalmente à obstrução das vias aéreas superiores. Uma característica importante é que ele pode ser ouvido até sem estetoscópio. Quando surge de forma aguda, especialmente acompanhado de dificuldade respiratória, alteração da voz, tiragem ou queda do nível de consciência, exige avaliação imediata.
Uma cena que pode acontecer na emergência é o paciente chegar consciente, porém fazendo esforço respiratório e emitindo um som agudo audível à distância. Nesse caso, não é adequado tratar simplesmente como “mais um chiado”: identificar que o ruído é compatível com estridor direciona a atenção para uma possível obstrução de via aérea superior.
Atrito pleural: parece algo raspando
O atrito pleural é descrito como um som áspero, rangente ou semelhante ao atrito de couro, acompanhando o ciclo respiratório. Está relacionado à inflamação das pleuras e pode ser percebido na inspiração e na expiração.
Uma forma rápida de memorizar
- Sibilo: apito.
- Ronco: pessoa roncando.
- Crepitante fino: cabelo sendo manipulado próximo ao ouvido.
- Estertor bolhoso: bolhas estourando.
- Estridor: som agudo de obstrução de via aérea superior.
- Atrito pleural: algo raspando ou rangendo.
Essas associações não substituem a ausculta técnica, mas ajudam a transformar um som abstrato em uma referência que o estudante consegue reconhecer e memorizar.
Som que você ouve → o que lembrar na hora da prova
| O que você ouve | Pense em | O que lembrar |
| Sibilo | Apito | Som agudo e musical, geralmente associado ao estreitamento das vias aéreas |
| Ronco | Pessoa roncando | Som grave e contínuo, frequentemente relacionado a secreções ou obstrução das vias aéreas |
| Estertor crepitante fino | Cabelo sendo manipulado | Som descontínuo, geralmente inspiratório, associado a alterações nas pequenas vias aéreas/alvéolos |
| Estertor bolhoso | Bolhas estourando | Som mais grave e úmido, frequentemente relacionado à presença de secreções |
| Estridor | Som agudo vindo da garganta | Pense em obstrução de via aérea superior e atenção para sinais de gravidade |
| Atrito pleural | Algo raspando ou rangendo | Som áspero relacionado ao atrito entre superfícies pleurais inflamadas |
Macete para não esquecer
Apito → sibilo
Ronco → ronco
Cabelo → crepitante
Bolhas → estertor bolhoso
Garganta → estridor
Raspando → atrito pleural
Na prova, primeiro identifique como o som se parece. Depois pense em onde ele ocorre, em qual fase da respiração aparece e qual alteração pode estar associada. Essa sequência ajuda muito mais do que decorar os nomes isoladamente.
O que a enfermagem deve observar
Durante a ausculta, compare os dois lados do tórax e observe a presença, localização, intensidade e fase respiratória do ruído. Avalie também frequência respiratória, padrão ventilatório, expansibilidade torácica, uso de musculatura acessória, saturação, coloração da pele e nível de consciência. Um ruído novo acompanhado de piora da dispneia ou alteração da oxigenação merece atenção e comunicação imediata conforme o protocolo institucional.
Outro detalhe importante: não registre apenas “MV+” ou “presença de ruídos” quando existe uma alteração significativa. Documentar onde o som foi auscultado e suas características torna a evolução mais útil para acompanhar mudanças no quadro respiratório.
Cuidados de enfermagem
Realizar ausculta sistematizada, comparar campos pulmonares, observar sinais de desconforto respiratório, monitorar SpO₂ e frequência respiratória, manter o paciente em posição adequada conforme condição clínica, auxiliar na higiene brônquica quando indicada, acompanhar resposta às intervenções e comunicar alterações respiratórias relevantes à equipe.
O principal aprendizado é simples: não tente apenas decorar nomes; associe o som àquilo que seu ouvido está tentando descrever. Quando o estudante aprende a reconhecer um apito, um ronco, um estalo ou um som de bolhas, a ausculta pulmonar começa a fazer muito mais sentido.
Sons Respiratórios Que Você Precisa Reconhecer
- Sibilo lembra um apito e está relacionado ao estreitamento das vias aéreas
- Ronco é um som grave que pode estar associado a secreções nas vias aéreas
- Crepitantes podem lembrar cabelo sendo manipulado e bolhosos lembram bolhas estourando
- A enfermagem deve relacionar os ruídos à localização fase respiratória e demais sinais clínicos
Referências:
- MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Evaluation of the patient with pulmonary issues. Disponível em: Merck Manual Professional Edition.
- MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Wheezing. Disponível em: Merck Manual Professional Edition – Wheezing.
- MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Stridor. Disponível em: Merck Manual Professional Edition – Stridor.
- ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Nursing Skills. Open RN. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, 2023. Disponível em: Nursing Skills – NCBI Bookshelf.










Você precisa fazer login para comentar.