Síndrome de Sheehan

A Síndrome de Sheehan é a denominação que se dá a uma forma rara de hipopituitarismo pós-parto.

O hipopituitarismo (do grego: hipo = pouco + phýsis = físico) é uma condição endócrina caracterizada pela diminuição da secreção de um ou mais dos oito hormônios produzidos pela glândula pituitária, também chamada hipófise ou pineal.

Essa glândula de secreção interna situa-se na base do cérebro, encaixada numa reentrância do osso esfenoide, a sela túrcica.

A primeira descrição dessa doença foi feita em 1937, por Harold Leeming Sheehan, 20 anos depois que o médico alemão Morris Simmonds descreveu a síndrome clínica do hipofuncionamento da hipófise.

Causas

Ocorre em decorrência do choque hipovolêmico provocado pela intensa perda de sangue que pode acontecer por complicações durante ou após o parto, o que leva a uma deficiente irrigação sanguínea da glândula hipofisária e à sua necrose.

Fisiopatologia

Principalmente os problemas com a placenta podem levar a um grande sangramento e, eventualmente, a um choque hipovolêmico que sequestra o sangue que irriga a hipófise, comprometendo-a com uma isquemia e ocasionando a paralisia ou hipofunção dessa glândula.

Outra condição que pode fazer faltar o sangue que supre a hipófise, gerando consequências semelhantes, é a coagulação intravascular disseminada, quando compromete os vasos que a nutrem.

Normalmente a hipófise é responsável pela síntese de diversos hormônios, como:

  • O TSH, hormônio estimulante que controla a tireoide;
  • O ACTH, hormônio estimulante que controla as suprarrenais;
  • O FSH, hormônio folículo-estimulante;
  • E o LH, hormônio luteinizante, que atuam nas gônadas;
  • O GH, o hormônio do crescimento;
  • A prolactina, que atua na lactação e o ADH, responsável pela retenção de água no organismo.

Se faltam todas as secreções da glândula, fala-se em pan-hipopituitarismo. Costuma-se considerar, pois, que a pituitária é uma espécie de “regente” de uma “orquestra” endócrina corporal.

Sinais e Sintomas

Como a glândula hipofisária rege o funcionamento de grande parte das demais glândulas endócrinas do corpo, todo problema em seu funcionamento repercute nelas e compromete, assim, diversas funções importantes do organismo.

Os principais sinais e sintomas da síndrome de Sheehan são aqueles devidos ao hipopituitarismo e, por ocorrer quase sempre após o parto, afetam principal ou exclusivamente as mulheres.

As perturbações das secreções da pituitária produzem diretamente alterações no crescimento, bem como perturbações no funcionamento de outras glândulas de secreção interna sobre as quais ela exerce controle, em conformidade com os hormônios pituitários alterados.

Os principais sinais e sintomas da doença variam de acordo com os hormônios afetados e a causa da anormalidade. Os sintomas iniciais podem ser leves e atribuídos a outras causas.

Mais comumente os três hormônios deficientes são o hormônio do crescimento, o folículo-estimulante e/ou o hormônio luteinizante. A deficiência do hormônio do crescimento é mais comum em pessoas com um tumor subjacente do que naquelas com outros problemas. Pode haver também sintomas adicionais, provocados pelas causas das lesões da pituitária.

Entre outros problemas, as deficiências do LH e FSH levam à queda de pelos pubianos e axilares, redução da libido, infertilidade e ausência de menstruação nas mulheres.

Na infância, leva ao atraso da puberdade ou ausência da mesma; a deficiência do TSH causa sintomas de hipotireoidismo; a deficiência do ACTH ocasiona insuficiência renal; a deficiência do GH na criança leva à baixa estatura e no adulto, causa fraqueza, obesidade, redução de massa muscular, osteopenia/osteoporose, depressão, indisposição e maiores chances de desenvolver doenças cardiovasculares.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome de Sheehan nem sempre é fácil. Ele deve ser suspeitado sempre que uma boa história clínica apure sintomas de hipopituitarismo e eles sejam compatíveis com o problema. O diagnóstico pode ser feito com certeza através de exames de sangue e dosagens hormonais.

Geralmente são também necessários outros exames específicos, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, para que sejam identificadas outras possíveis alterações estruturais ou estabelecido um diagnóstico diferencial, como a existência de um tumor, por exemplo.

Tratamento

O tratamento do hipopituitarismo da síndrome de Sheehan visa corrigir as deficiências hormonais com substitutos, tratar os sintomas e as complicações das deficiências hormonais por meios específicos.

As deficiências da maioria dos hormônios controlados pelas secreções da pituitária podem ser repostas por via oral ou injetável.

Referência:

  1. ABCMED, 2015. Síndrome de Sheehan: como ela é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/799399/sindrome-de-sheehan-como-ela-e.htm&gt;. Acesso em: 6 abr. 2021.

AVC/AVE Cardioembólico

Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos (AVCi) cardioembólicos são responsáveis por aproximadamente 15% de todos os AVCis.

Definição

Pelos critérios TOAST (Trial of Org 10172) de classificação etiológica dos AVCi, um infarto cerebral é considerado cardioembólico quando oclusões arteriais intracranianas decorrem de um êmbolo que teve origem cardíaca.

As possíveis fontes emboligênicas cardíacas são divididas em alto risco e médio risco, dependendo de suas propensões relativas à embolia.

Coexistência de AVCi e Doença Coronariana

O prognóstico precoce e tardio de pacientes com AVCi é criticamente influenciado pela coexistência de doença coronariana. Infarto agudo do miocárdio (IAM) e morte súbita são as principais causas de óbitos em pacientes com doença cerebrovascular a longo prazo.

O manejo clínico da fase aguda do AVCi cardioembólico segue os princípios gerais do tratamento do AVCi. No entanto, o conhecimento das suas peculiaridades clínicas permite um diagnóstico precoce de cardioembolia e a realização de procedimentos de trombólise com atenção a algumas particularidades como a maior chance de reperfusão e de sangramento e o risco da não recanalização arterial em pacientes com êmbolos contendo cálcio.

O tratamento intra-hospitalar após o procedimento trombolítico no AVCI cardioembólico é fundamental na evolução desses pacientes e deve ser feito por equipes multidisciplinares, sendo a participação do cardiologista integrado à equipe de neurologia de muita importância, uma vez que a estabilização do quadro cardíaco pode evitar a recorrência de eventos embólicos.

Referência:

  1. Reis, Lígia Silva. Acidente Vascular Cerebral Cardioembólico: fibrilhação auricular e terapêutica antitrombótica. Diss. Universidade da Beira Interior, 2011.

Eletroencefalografia (EEG): Qual é a finalidade?

eletroencefalografia ou o eletroencefalograma ou simplesmente EEG como também é chamado é um exame de extrema importância capaz de analisar a atividade elétrica cerebral espontânea, onde através da atividade apresentada, é possível identificar doenças e distúrbios do sistema nervoso central e possíveis alterações que possam ser risco ao paciente.

Os dados eletroencefalográficos são captados através de eletrodos posicionados sobre o couro cabeludo, que são capazes de medir a atividade elétricas de células neuronais detectando variações que podem indicar patologias específicas.

Por ser um exame não invasivo e indolor pode ser realizado por diversos indivíduos em idades e condições patológicas diferentes, não possuindo contraindicações desde que não haja impedimentos no posicionamento dos eletrodos no couro cabeludo. Graças à tecnologia a qualidade das informações são cada vez maiores permitindo o avanço no diagnósticos de diversas patologias e também na aplicação de diferentes técnicas terapêuticas.

Indicações para o EEG

As anormalidades que geralmente são procuradas ao solicitar um EEG estão relacionadas à epilepsia, porém além da investigação das diversas condições neurológicas que a epilepsia pode causar também é possível investigar outros problemas relacionados tanto a medula espinhal quanto outras regiões do sistema nervoso.

É possível também detectar alterações na qualidade do sono, hemorragias, presença de tumores, mortes teciduais causadas pelo acidente vascular cerebral, uso de drogas de abuso, diversos tipos de cefaleia, edema cerebral e além do diagnóstico destas doenças, o exame também possibilita um acompanhamento posterior, avaliando a resposta ao tratamento e o controle após a retirada da medicação.

Preparo para o Exame

Para o preparo do exame é necessário a privação do sono na noite anterior o maior tempo possível, sendo indicado dormir no máximo quatro horas, a utilização de medicamentos não pode ser alteradas, o paciente deve sair bem alimentado de casa, não deve utilizar lentes de contato durante o exame e é recomendado que o paciente esteja na presença de um acompanhante no dia de realizar o EEG.

Os cabelos devem estar lavados e secos, e não podem conter gel, mousse ou laquê, no caso de tinturas é necessário aguardar o prazo de 48 horas para realizar o exame.

Referências:

  1. https://portaltelemedicina.com.br/blog/eletroencefalograma-com-laudo-como-agilizar-diagnosticos;
  2. https://www.fleury.com.br/exames/eletroencefalograma;
  3. https://www.einstein.br/especialidades/neurologia/exames-tratamentos/eletroencefalograma

Escala de NIHSS: Avaliação do Acidente Vascular Encefálico

National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS) é uma escala padrão, validada, segura, quantitativa de severidade e magnitude do déficit neurológico após o Acidente Vascular Cerebral/Encefálico (AVC/E).

Foi desenvolvida por investigadores americanos da University of Cincinnati Stroke Center. Esta escala baseia-se em 11 itens do exame neurológico que são normalmente afetados pelo AVC, sendo eles: nível de consciência, desvio ocular, função motora e sensitiva dos membros e ataxia.

A Escala

Enfatiza os mais importantes tópicos do exame neurológico e tem como objetivo uniformizar a linguagem dos profissionais de saúde e tem sido relacionada com gravidade, definição de tratamento e prognóstico.

A escala varia de 0 a 42 pontos. Deve ser aplicada na admissão do paciente e a cada hora nas primeiras 6 horas, a cada 6 horas nas primeiras 18 horas.

A NIHSS deve ser realizada uma vez ao dia até o 10° dia de internação e na alta pelo enfermeiro responsável pelo paciente e registrada em impresso próprio.

Referências:

  1. http://www.nihstrokescale.org/Portuguese/2_NIHSS-portugu%C3%AAs-site.pdf
  2. Albert Einstein. Diretrizes Assistenciais do Acidente Vascular Cerebral.

Intestino Neurogênico

O Intestino Neurogênico é a perda da sensação de necessidade de evacuação ou inabilidade para distinguir presença das fezes no reto.

Ocorre devido ao bloqueio das mensagens enviadas do aparelho digestivo para o cérebro e deste de volta ao aparelho digestivo através da medula espinal.

Entendendo melhor, a Lesão Medular (LM) provoca alterações no controle do intestino. Lesões em nível mais alto há tendência à constipação pela inatividade da parede intestinal, nas lesões baixas há incontinência (eliminação acidental de fezes).

Os indivíduos com intestino neurogênico podem apresentar fases alternadas de constipação e incontinência fecal, antes de realizarem o treinamento para regulação intestinal. Tal ocorrência ocasiona problemas físicos e psicológicos a esses indivíduos.

As Causas

A causa mais comum do intestino neurogênico é a lesão da medula espinhal

, embora também possa resultar de outros distúrbios neurogênicos, tais como espinha bífida, esclerose múltipla, mal de Parkinson ou diabetes mellitus. O efeito sobre a função intestinal depende da localização da lesão medular.

Tipos de Intestino Neurogênico

Defecção reflexa

A defecção reflexa ocorre quando o intestino se abre em resposta a um reflexo, quando o reto fica cheio. O intestino pode esvaziar-se a qualquer momento, já que a pessoa pode ter perdido a capacidade de sentir quando o intestino está cheio. Isso pode causar acidentes e vazamento intestinais.

Intestino flácido

O intestino flácido ocorre quando o músculo do esfíncter anal – o músculo que normalmente mantém o anus fechado – relaxa e permanece aberto. Isso geralmente provoca o esvaziamento acidental do intestino.

O intestino neurogênico também está associado a um trânsito intestinal lento e, portanto, pessoas com intestino neurogênico correm alto risco de sofrerem de constipação.

Se o paciente apresentar intestino neurogênico, será importante encontrar uma rotina confiável de tratamento do intestino para evitar esvaziamento acidental, constipação e impacção.

Programa de Reabilitação Intestinal

O indivíduo com LM deve ser inserido em programa de reabilitação intestinal, a fim de obter o padrão de funcionamento intestinal, garantindo a frequência das eliminações intestinais de, no mínimo, três vezes por semana e o restabelecimento do controle da evacuação, com a realização das manobras de esvaziamento intestinal em horários regulares, a fim de diminuir a incontinência e prevenir as complicações decorrentes da impactação fecal.

Consequentemente, a reabilitação intestinal resultará na melhora da qualidade de vida e participação na sociedade.

Os profissionais de saúde que atuam no contexto da reabilitação devem ter como metas a educação em saúde e o preparo dos indivíduos com LM e seus familiares, visando à segurança e qualidade da assistência prestada.

Para continuidade do cuidado, principalmente em domicílio, é fundamental o preparo do indivíduo/família para promoção do autocuidado.

Para ver um exemplo de uma Cartilha sobre a Reabilitação Intestinal, acesse esse link.

Referências:

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. (Série E, Legislação em Saúde)
  2.  Furlan MLS, Caliri MHL, Defino HL. Intestino neurogênico: guia prático para pessoas com lesão medular, Parte I. 

A Reação Extrapiramidal com Medicamentos

Vamos à um exemplo, que pode acontecer com qualquer pessoa neste planeta!

Imagine ir a um hospital para tratar um distúrbio gastrointestinal e após tomar medicamentos pela via endovenosa, intramuscular ou oral acabar sofrendo uma crise de inquietação motora, que gera tremores nas pernas, vontade de correr e muita angústia.

Isso se chama de Reação ou Efeito Extrapiramidal, que pode ser provocado pelo tal medicamento que você recebeu!

A Reação Extrapiramidal é uma situação pouco conhecida da maioria dos profissionais de saúde e, portanto, raramente diagnosticada.

Ainda, podendo ser confundida com crise de pânico ou mesmo desequilíbrio emocional. Ela pode ocorrer após uso de alguns medicamentos injetáveis ou não, administrados em razão de uma enxaqueca, dor de cabeça, náuseas e/ou vômitos.

Pouco depois, de forma inesperada, aparecem sintomas de agitação psicomotora com uma vontade incontrolável de sair de onde se está ou mover-se, sensação estranha de aperto no peito, falta de ar, angústia, ansiedade, sensação de falta de autocontrole, movimentos involuntários dos braços, pernas, dedos, lábios, língua, pálpebras, alterações na fala e etc.., mas não necessariamente todos esses sintomas, isolados ou simultaneamente.

Esses sintomas, de tão desagradáveis, são inesquecíveis ?

Sim, ficam para sempre gravados na memória de quem já passou por tal situação!

Por que isso acontece?

Porque afeta uma rede de neurônios na base do cérebro, denominada sistema extrapiramidal. O sistema extrapiramidal auxilia na coordenação de nossos movimentos.

Certas drogas utilizadas para enxaqueca como a diidroergotamina (cefalium), para náuseas e vômitos como a metoclopramida (plasil) e bromoprida (digesan) e também o haloperidol (haldol) podem interferir com o bom funcionamento do sistema extrapiramidal, provocando os sintomas descritos.

Portanto, ainda que em meio a uma crise de enxaqueca, em um hospital ou pronto-socorro, é importante informar ao médico esta predisposição; porque se você já teve uma reação extrapiramidal no passado, certamente não gostaria de se expor ao mesmo risco novamente!

Referências:

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_extrapiramidal

Esclerose Múltipla (EM)

A esclerose múltipla (EM) é uma enfermidade autoimune que afeta o sistema nervoso central (cérebro) e medula espinhal por uma falha do sistema imunológico, que confunde células saudáveis com invasoras. O corpo as ataca provocando danos ao corroer a bainha de mielina, camada protetora que envolve os nervos.

O processo de desmielinização influencia diretamente na comunicação entre sistema nervoso e todas as outras áreas do corpo, levando a dificuldades motoras, sensitivas, cerebelares e cognitivas.

Para levantarmos um copo, por exemplo, o cérebro (sistema nervoso central) envia um comando (estímulo elétrico) que atinge o sistema nervoso periférico (nervos) e chega à mão, realizando o movimento.

Para uma pessoa com esclerose múltipla, que não dispõe da proteção da bainha de mielina, esses estímulos serão dispersos antes mesmo de chegar à mão, impedindo o movimento.

A doença se manifesta em surtos, sendo o intervalo entre cada surto variável. Há pacientes que têm surtos espaçados e discretos, enquanto outros podem apresentar surtos mais intensos que podem até trazer prejuízos permanentes.

 

Fatores de Risco

A esclerose múltipla, atinge pessoas geneticamente predispostas à doença e se manifesta de diferentes modos.

Os fatores ambientais também desempenham um papel, como por exemplo, a falta de exposição ao sol. Por isso, a prevalência da doença é maior quanto mais longe dos trópicos.

Outro fator importante é o tabagismo que pode tanto desencadear a doença, como dificultar o seu controle, pois agrava os surtos.

Estudos sugerem que vírus também estão relacionados com a enfermidade, como o Epstein-Barr (mononucleose). Hormônios, principalmente os sexuais, podem afetar o sistema imunológico.

Características da Esclerose Múltipla

  • Atinge em idade (70% dos casos são diagnosticado entre os 20 e 40 anos);
  • Na maioria em sexo (mulheres tem três vezes mais chances de desenvolver a doença);
  • Com Histórico familiar;
  • E em etnia (caucasianos);
  • Nas regiões geográficas (Europa, Estados Unidos, Canadá são as áreas mais atingidas e o motivo ainda é desconhecido);
  • Com histórico de outra doença autoimune.

Os Sintomas

Os primeiros sintomas da esclerose múltipla surgem na juventude, e esta fase inicial da esclerose múltipla pode ser bastante sutil.

Os sintomas podem ser transitórios. Tais características fazem com que nem sempre o paciente dê importância às primeiras manifestações da doença que é remitente-recorrente(forma mais comum da apresentação de esclerose múltipla), ou seja, os sintomas vão e voltam independente do tratamento.

A pessoa pode passar algum tempo apresentando pequenos sintomas sensitivos, pequenas turvações na visão ou pequenas alterações no controle da urina sem dar importância a esses sinais, porque, depois de alguns dias eles desaparecem.

Com a evolução do quadro, aparecem sintomas sensitivos, motores e cerebelares de maior magnitude representados por fraqueza, entorpecimento ou formigamento nas pernas ou de um lado do corpo, diplopia (visão dupla) ou perda visual prolongada, desequilíbrio, tremor e descontrole dos esfíncteres.

Os pacientes não costumam apresentar geralmente os mesmos sinais em cada surto, pois dependem dos nervos que são afetados pelo sistema imunológico.

Como é Diagnosticado?

O diagnóstico é basicamente clínico e deve ser complementado por ressonância magnética e análise do liquor. Pode ser, no entanto, que o médico peça vários exames para excluir outras condições que podem ter sinais e sintomas semelhantes.

Uma vez confirmado o diagnóstico de esclerose múltipla, o tratamento farmacológico deve ser prontamente iniciado.

Por se tratar de uma doença inflamatória desmielizante, com manifestação frequentemente remitente-recorrente, tem como principais objetivos reduzir a atividade inflamatória e surtos ao longo dos anos, contribuindo para a redução da incapacidade.

O tratamento de reabilitação também tem fundamental importância para melhorar a qualidade de vida e a capacidade funcional do paciente.

Outros medicamentos podem ser prescritos, como para depressão, dor e controle da bexiga ou intestino, além de relaxantes musculares e medicamentos que reduzam a fadiga.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA. Disponível em: https://www.abem.org.br/.

Escala Pré-Hospitalar de Cincinnati

A classificação pré-hospitalar de AVE pode ser feita pela Escala Pré-hospitalar para AVE de Cincinnati, onde será utilizada a avaliação de três achados físicos em menos de um minuto.

Nesta escala, serão avaliados a queda facial, a debilidade dos braços e a fala anormal, onde, pacientes com aparecimento súbito de um destes três achados possui 72% de probabilidade de um AVE; se os três achados estiverem presentes a probabilidade passa a ser maior que 85%.

Como Testar

  • Queda facial: pede-se para o paciente mostrar os dentes ou sorrir (Normal: ambos os lados da face movem-se igualmente; Anormal: um lado da face não se move tão bem quanto o outro);
  • Debilidade dos braços: O paciente fecha os olhos e mantém os braços estendidos (Normal: ambos os braços movem-se igualmente ou não se movem; Anormal: Um braço não se move ou cai baixo, quando comparado com o outro);
  • Fala anormal: Pede-se para o paciente dizer “o rato roeu a roupa do rei de Roma” (Normal: usa as palavras corretas, com pronúncia clara; Anormal: pronuncia palavras ininteligíveis, usa palavras incorretas ou é incapaz de falar);

Sobre o Acidente Vascular Encefálico

O acidente vascular cerebral (AVC), ou acidente vascular encefálico (AVE), vulgarmente chamado de derrame cerebral, é caracterizado pela perda rápida de função neurológica, decorrente do entupimento (isquemia) ou rompimento (hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais.

É uma doença de início súbito na qual o paciente pode apresentar paralisação ou dificuldade de movimentação dos membros de um mesmo lado do corpo, dificuldade na fala ou articulação das palavras e déficit visual súbito de uma parte do campo visual.

Pode ainda evoluir com coma e outros sinais. Trata-se de uma emergência médica que pode evoluir com sequelas ou morte, sendo a rápida chegada no hospital importante para a decisão terapêutica.

No Brasil, a principal causa de morte são as doenças cardiovasculares (cerca de 1 a cada 3 casos), com o AVE representando cerca de 1/3 das mortes por doenças vasculares, principalmente em camadas sociais mais pobres e entre os mais idosos.

É o problema neurológico mais comum em algumas partes do mundo gerando um dos mais elevados custos para as previdências sociais dos países. Dentre os principais fatores de risco para AVE estão: a idade avançada, hipertensão arterial (pressão alta), tabagismo, diabetes, colesterol elevado, acidente isquêmico transitório (AIT) prévio, estenose da válvula atrioventricular e fibrilação atrial.

Referências:

1. AHA American Heart Association/ ACLS Emergências em Cardiologia.

2. Suporte avançado de vida em cardiologia. Barbara Aehlert. Tradução da 3ª edição. Edição/reimpressão: 2009.

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Síncope Vasovagal

síncope vasovagal ou síndrome vasovagal (também chamada síncope neuromediada ou síncope neurocardiogénica) é uma síncope

(ou desmaio) relacionada à ativação inapropriada do nervo vago, que faz parte do sistema nervoso parassimpático. Ela pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo mais comum em jovens entre 10 e 30 anos.

Cerca de 70% dos pacientes que procuram serviços de saúde em decorrência de desmaios têm a síndrome vasovagal.

Ambientes fechados ou aglomerados, ficar em jejum, horas em pé ou ansioso também são determinantes para desencadear o problema.

Não existe um tratamento específico para a síndrome vasovagal. Se o seu diagnóstico for confirmado, medicamentos podem ser receitados em alguns casos, para evitar a queda da pressão arterial, mas geralmente os cuidados são comportamentais. Os portadores dessa síndrome aprendem a evitar alguns ambientes e a controlar as situações que podem desencadeá-la.

A síndrome não necessariamente significa doença orgânica, embora seja de extrema importância excluir condições como epilepsia, neuropatias autonômicas, doença cerebrovascular e desordens cardíacas ou endócrinas.

A síndrome vasovagal é mais comum nas mulheres e durante a juventude. Outros fatores que podem levar os portadores dessa síndrome a desmaiar são: grandes emoções, sustos e ingestão de bebidas alcoólicas. Já a hidratação ajuda a controlar a pressão arterial, diminuindo as chances de desmaios.

Em geral, as pessoas com síndrome vasovagal vivem bem. No entanto, se não forem tomados os devidos cuidados, aumentam-se os riscos de fraturas decorrentes das quedas por desmaio e a sensação de insegurança, podendo acarretar depressão e tristeza.

Prevenção:

– evite ficar em pé por períodos longos;
– beba bastante água (2 litros por dia), pois ajuda a aumentar a pressão arterial e a prolongar a capacidade de ficar em pé por mais tempo;
– evite bebidas desidratantes, como álcool;
– evite ambientes quentes e fechados;
– movimente as pernas e as panturrilhas enquanto estiver em pé;
– se começar a sentir algo estranho, deite-se com as pernas elevadas;
– se for desmaiar, deite-se ou aproxime-se do chão para não se machucar na queda.

Artrodese de Coluna: O que é?

 A artrodese é um procedimento realizado para causar fusão óssea em uma articulação, causando sua imobilidade.

Já a artrodese da coluna é um método de tratamento cirúrgico das doenças da coluna vertebral que causam instabilidade.

Portanto ao realizar o procedimento causa-se a estabilidade da coluna através da imobilidade de algum(ns) de seu(s) segmento(s).

Em geral, 2 a 3 segmentos da coluna podem ser artrodesados (fixados, fundidos) sem que haja prejuízo significativo da movimentação global da coluna, pois os segmentos sadios dão conta de realizar os movimentos mais importantes da coluna.

Pacientes com dor ou sintomas neurológicos, que não melhoram com o tratamento conservador podem ter indicação de artrodese caso apresentem os seguintes diagnósticos:

  • Espondilolistese;
  • Instabilidade na coluna lombar;
  • Escoliose do adulto;
  • Artrose ou degeneração facetária;
  • História de cirurgia prévia em coluna lombar;
  • Estenose de canal vertebral;
  • Fratura vertebral de origem traumática, neoplásica, osteoporótica, infecciosa e/ou reumatológica.

      Essa cirurgia também pode ser benéfica em alguns casos de hérnia de disco quando há instabilidade da coluna. Pode ser realizada em qualquer segmento da coluna (cervical, torácica ou lombar) e é realizada tanto pela frente (anterior) como por trás (posterior), dependendo do caso.

A artrodese pode necessitar de instrumental (materiais especiais):  parafusos, barras, placas, pinos, cages (dispositivos inter somáticos, substituto do disco), etc.

Mas o que vai causar a fusão óssea é a colocação de enxerto, que pode ser obtido do próprio paciente ou ser industrializado.  Os equipamentos atuais permitem a realização da artrodese da coluna com a colocação de materiais de forma minimamente invasiva, através de pequenas incisões na pele (percutâneo) e com mínima agressão aos tecidos adjacentes.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Manter o paciente em Fowler, de acordo com a orientação médica;
  • Evitar flexão, inclinação lateral e rotação do tronco;
  • Mudar decúbito em bloco, a partir do 1° dias de pós-operatório, respeitando a tolerância;
  • Realizar ortostase e marcha com auxilio, a partir do 2° dia após a cirurgia, com orientação médica;
  • Relatar alterações sentidas pelo paciente durante as atividades;
  • Orientar o paciente quanto as restrições de movimentos após a cirurgia.