Estereognosia

A estereognosia gnose tátil é a capacidade de perceber e reconhecer a forma de um objeto na ausência de informações visuais e auditivas, usando o tato para analisar a textura, o tamanho, as propriedades espaciais, a temperatura, etc.

Em humanos, esse sentido, junto com a acuidade espacial tátil, percepção de vibração, discriminação de textura e propriocepção, é mediado pela via do lemnisco medial-coluna dorsal do sistema nervoso central.

Os testes de estereognose determinam se o lobo parietal do cérebro está ou não intacto.

Normalmente, esses testes envolvem a identificação do paciente de objetos comuns (por exemplo, chaves, pente, alfinetes) colocados em suas mãos sem nenhuma pista visual.  Estereognose é uma função cortical associativa cerebral superior.

Referências:

  1. Yekutiel, M., Jariwala, M., & Stretch, P. (1994). Sensory deficit in the hands of children with cerebral palsy: a new look at assessment and prevalence. Dev Med Child Neurol, 36:61-24.
  2. Silvestri: Saunders Comprehensive Review for the NCLEX-RN Exam
  3. Unsworth, C.A. (2007). Cognitive and Perceptual Dysfunction. In S.B. O’Sullivan & T.J. Schmitz (Eds.), Physical Rehabilitation, 5th ed. (pp. 1180-1181). Philadelphia: F.A. Davis Company.

Kernicterus

Kernicterus (do alemão kern ou núcleos + ikteros, icterícia) é uma condição resultante da toxidade da bilirrubina às células dos gânglios da base e diversos núcleos do tronco cerebral (kernicterus é um diagnóstico patológico que se caracteriza pela impregnação da bilirrubina nos núcleos do tronco cerebral e refere-se à coloração amarelada destas áreas nucleares).

A palavra kernicterus é usada com o termo encefalopatia bilirubínica, refere às manifestações agudas da toxicidade da bilirrubina nas primeiras semanas de vida, enquanto kernicterus refere-se às sequelas clínicas permanentes da toxicidade bilirubínica.

Quando o nível sérico de bilirrubina excede de 5 a 7 mg/dL, representa uma ameaça para o RN, pois a bilirrubina depositada no tecido do sistema nervoso central, leva ao quadro clínico de encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), dano neurológico geralmente irreversível.

Principais sintomas

Os sintomas que podem indicar que o bebê tem maior risco de desenvolver kernicterus são:

  • Pele e olhos amarelados;
  • Dificuldade para mamar;
  • Urina muito escura;
  • Fezes claras.

Estes sintomas não indicam que o bebê está com kernicterus, sendo apenas indicação de que poderá estar com icterícia neonatal, que é quando existe excesso de bilirrubina no corpo.

O kernicterus só ira se desenvolver se o tratamento não for feito e a bilirrubina continuar se acumulando, até chegar no cérebro e provocar lesões que podem causar paralisia ou surdez, por exemplo.

Tratamento

A melhor forma de reduzir os níveis de bilirrubina no sangue e evitar que o kernicterus surja ou continue se desenvolvendo é colocar o bebê em caminhas com luzes especiais. Essa técnica é conhecida como fototerapia e permite que a bilirrubina seja destruída e eliminada mais facilmente do organismo.

Porém, quando os níveis de bilirrubina estão muito altos ou o kernicterus está provocando lesões cerebrais, o médico também pode aconselhar fazer uma transfusão de sangue para substituir o sangue do bebê.

Possíveis sequelas

Quando os níveis de bilirrubina ficam elevados por muito tempo no sangue e o tratamento não é iniciado ou não é feito corretamente, a bilirrubina pode chegar até o cérebro, causando lesões que podem gerar sequelas como paralisia cerebral, surdez, problemas de visão e dificuldades de desenvolvimento intelectual.

Referências:

  1. EDI T; SABRINA S; MARIANA B. Hiperbilirrubinemia neonatal: propostas de intervenções de enfermagem. Revista acta paulista de enfermagem, São Paulo, v. 12, n.2, p. 75-83, Jun. 2003.
  2. HAMMERMAN C.; KAPLAN M. Understanding severe hyperbilirubinemia and preventing kernicterus: adjuncts in the interpretation of neonatal serum bilirubin. Clinica Chimica Acta. Jerusalem, v.35, n2, p. 9-21, Mar. 2005.
  3. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Intervenções comuns, icterícia e infecções. Atenção à Saúde do Recém-Nascido. Brasília. Ministério da Saúde, 2011. V. 2. Disponível em: < http://www.redeblh.fiocruz.br/media/arn_v2.pdf&gt;

Hidrocefalia

A Hidrocefalia é uma doença na qual ocorre um aumento da quantidade de líquor no cérebro, que, quando em excesso, aumenta a pressão dentro do crânio, podendo causar danos importantes ao órgão.

O líquor é produzido no interior do cérebro e circula por uma série de “espaços” chamados ventrículos, até ser reabsorvido na sua parte mais externa.

Qual é a função do LCR?

O cérebro produz constantemente um líquido (mais precisamente líquido cefalorraquidiano, ou líquor), que tem a função de proteger o encéfalo e a medula de danos, remover resíduos do metabolismo cerebral e fornecer ao cérebro hormônios necessários para seu funcionamento adequado.

Pode ocorrer o surgimento da hidrocefalia se:

  • o líquor for produzido em excesso;
  • existir um bloqueio no caminho do líquor até o local onde ele será reabsorvido na parte mais externa do cérebro, ou;
  • se existir algum problema na reabsorção do líquor;

Tipos de Hidrocefalia

Hidrocefalia congênita

Está presente no nascimento. Estima-se que cerca de 1 a cada 1000 bebês nascem com este problema. Pode estar associada a outros problemas congênitos, como a espinha bífida ou pode resultar de uma infecção materna durante a gestação, como rubéola, sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose, entre outros.

A causa mais comum é um bloqueio na circulação do líquor. Os bebês que nascem com hidrocefalia frequentemente têm características físicas peculiares, como por exemplo:

  • a cabeça pode parecer maior que o normal;
  • a pele da cabeça pode parecer mais “fina” e brilhante que o normal, com veias bem aparentes;
  • as fontanelas ( ou “moleiras”) podem estar mais tensas;
  • o bebê pode parecer que está sempre olhando para baixo (o chamado “olhar de sol poente”).

Além dos sinais físicos, a criança também pode apresentar alguns sintomas, como:

  • dificuldade de alimentação;
  • irritabilidade;
  • sonolência;
  • vômitos;
  • Também podem ocorrer atrasos em algumas fases do desenvolvimento do bebê (ex: engatinhar, sentar).

Hidrocefalia adquirida

Ocorre após o nascimento. Geralmente se desenvolve após um grande trauma na cabeça ou como consequência de uma doença subjacente, como acidente vascular cerebral (AVC, “derrame”) ou tumor cerebral. Os sintomas incluem:

  • dor de cabeça;
  • náuseas e vômitos;
  • perda do apetite;
  • irritabilidade;
  • sonolência;
  • alterações de personalidade;
  • desorientação;
  • problemas visuais, como visão borrada;
  • convulsões;
  • dificuldade para caminhar;
  • incontinência (geralmente urinária).

Hidrocefalia de pressão normal

Geralmente só ocorre em pessoas de mais idade, acima dos 50 anos. É uma doença mais rara e pouco compreendida. Pode ocorrer após um traumatismo craniano, infecção ou AVC, mas na maior parte dos casos a causa é desconhecida.

Diferentemente dos outros tipos de hidrocefalia, neste caso os sintomas se desenvolvem lentamente, ao longo de muitos meses ou anos.

Geralmente o primeiro sintoma de hidrocefalia de pressão normal é uma dificuldade progressiva para caminhar, especialmente para dar o primeiro passo.

A seguir podem ocorrer crises de incontinência urinária e uma progressiva lentidão do pensamento (lentidão para responder a perguntas, reagir a determinadas situações ou processar informações).

Cuidados de Enfermagem

  • Prevenção de lesões de decúbito na cabeça;
  • Instituir medidas de higiene geral e cuidados de pele;
  • Mudar a posição a cada duas horas; ao movimentar manter a cabeça apoiada p/ evitar tensão extra sobre o pescoço;
  • Manutenção da hidratação e da nutrição;
  • Instituir horários de refeições flexíveis;
  • Oferecer refeições pequenas e frequentes;
  • Aplicação de medidas de conforto;
  • Realizar higiene geral;
  • Proporcionar estimulação tátil;
  • Encorajar a participação dos pais aos cuidados;
  • Redução da ansiedade dos pais;
  • Oferecer apoio aos pais;
  • Explicar os procedimentos e o plano médico;
  • Responder às perguntas;
  • Oferecer orientação antecipada;
  • Orientação quanto à assistência pós-hospitalização;
  • Encaminhar a instituição adequada (saúde pública, serviço social, serviços especiais de pediatria);
  • Providenciar colocação em instituição de assistência a longo prazo.

Referências:

  1. Hydrocephalus [Internet]. England: NHS Choices. 2009 [updated 2009 Mar 31; cited 2010 Feb 8]. Disponível em:  https://www.nhs.uk/Conditions/Hydrocephalus/Pages/Introduction.aspx

Neuroestimulador Medular

A Neuroestimulação Medular consiste em aplicar estímulos sobre a medular espinhal para interromper os sinais de dor transmitidos da medula para o cérebro.

Um tratamento comprovadamente seguro e eficaz para controle de dor crônica no pescoço, coluna torácica e lombar, braços, mãos, pernas e pés, que podem se originar por distúrbios de nervos, por problemas na coluna, distrofia simpático-reflexa, cirurgias prévias para outras doenças, entre outros.

Como funciona?

Um sistema chamado neuroestimulador medular é implantado no paciente. Este sistema utiliza um eletrodo sobre a medula, ligado a um dispositivo semelhante a um marca-passo, que entrega estímulos leves sobre a medula que bloqueiam os impulsos de dor que seriam transmitidos ao cérebro.

De acordo com a literatura, o índice de melhora significativa da dor ocorre em 70 a 80% dos pacientes corretamente selecionados e submetidos a esta técnica.

Considerando que estes pacientes não haviam melhorado com nenhum outro tipo de tratamento anterior, pode-se dizer que a neuroestimulação medular apresenta alto índice de resolubilidade.

Benefícios

  • Redução significativa e duradoura da dor na região;
  • Melhora na capacidade da realização de atividades diárias;
  • Redução do uso de medicações para dor;
  • O tratamento é reversível e não causa lesão de estruturas neurológicas. Assim, o mesmo pode ser desligado ou removido se necessário;
  • O paciente recebe um controle remoto e pode ajustar a intensidade do estímulo de acordo com a sua dor. Este aumento de estímulo é seguro, pois é previamente ajustado pelo médico assistente.
  • Não impede que outros tipos de tratamento para dor possam ser feitos concomitantemente, se requeridos.

Indicações de Uso

A neuroestimulação medular para tratamento da dor crônica só está indicada para os casos que não obtiveram melhora com outros tipos de tratamentos disponíveis, tais como: medicações, fisioterapia, acupuntura, hidroterapia, entre outros.

Se há outro tipo de cirurgia que pode ser realizada para melhorar os sintomas, este procedimento deve ser tentado antes da neuroestimulação medular.

Outras indicações

Neuropatia periférica/Dor neuropática

Doenças ou lesões que acometem os nervos periféricos podem gerar uma dor intensa, tipo queimação no trajeto de um ou mais nervos.

Síndrome pós-laminectomia

Pacientes com dor na região da coluna e nas pernas ou braços, que não melhoraram ou até pioraram com uma cirurgia prévia na coluna, podem ser portadores da síndrome pós-laminectomia.

Se não há outras cirurgias que podem ser realizadas na região da doença primária da coluna (hérnia de disco, artrodese da coluna, vertebroplastia, entre outras) para aliviar os sintomas, o implante de um neuroestimulador medular pode trazer benefícios.

Dor regional complexa tipo I (conhecida também como distrofia simpático-reflexa)

É um distúrbio que afeta um ou mais membros do corpo humano (como braços e pernas), decorrente de uma lesão de nervo ou tecido ao redor da região afetada. A dor é tipo queimação e, muitas vezes, está associada a um inchaço (edema) da região, sudorese, mudança da cor e/ou temperatura.

Nestes casos, o implante de um neuroestimulador medular passa a ser o tratamento de escolha, visto que os demais tratamentos disponíveis são pouco efetivos para controlar esta doença.

Angina cardíaca refratária

Pacientes com dor de origem cardíaca, que já foram tratados com outras opções convencionais (colocação de stents, cirurgia cardíaca, medicamentos) e, mesmo assim, não apresentam controle da dor.

Nestes casos, a neuroestimulação medular pode agir no controle da dor e também providenciar a dilatação adicional das artérias coronarianas, melhorando a perfusão cardíaca.

Referências:

  1. Teixeira M.J. Neuroestimulação no Tratamento da Dor. In Aguiar P.H.P. Tratado de Técnica Operatória em Neurocirurgia. Ateneu 2009.

Neurocisticercose

Cisticercose é a infecção causada pela forma cística da tênia do porco Taenia solium, e a Neurocisticercose é quando ocorre o acometimento do sistema nervoso central (SNC).

Como o homem adquire?

  • Ao ingerir carne de porco contendo o cisticerco (Cysticercus cellulosae), que são “caroços” observados na carne, esta é a forma larvária da T. solium. Desta forma o homem adquire a teníase e a larva passa a viver no seu intestino;
  • Ao ingerir acidentalmente os ovos da larva que são liberados junto com as fezes do homem infectado, podendo levar a outra forma da doença que é a cisticercose. Desta forma, os “caroços” antes vistos na carne do porco, podem se alojar, agora, nos tecidos humanos, como os músculos e tecido nervoso.

Para se adquirir a cisticercose é necessário que os ovos da tênia atinjam o estomago do homem, o que pode acontecer de duas maneiras:

  1. A auto-infecção, quando os ovos de um indivíduo infectado são transferidos da região perianal para a boca, ou quando os ovos são regurgitados do intestino para o estômago;
  2. A heteroinfecção, ingestão dos ovos por intermédio de água ou alimentos contaminados. Esta é a maneira mais importante de aquisição da doença.

Sintomas

Os sintomas dependem da localização, do número e do estágio de desenvolvimento dos cistos. O período de incubação dura de quatro a cinco anos, ou seja, os sintomas podem aparecer anos depois da ingestão dos ovos da tênia.

Os sintomas geralmente surgem quando os cistos começam a envelhecer e provocam uma resposta inflamatória do hospedeiro.

Os pacientes podem apresentar convulsões, danos neurológicos (paralisias ou dormências em um segmento do corpo), sinais de aumento de pressão intracraniana (dor de cabeça, vômitos e torpor), alteração do comportamento, meningite (febre, dor de cabeça, rigidez do pescoço), entre outros sintomas.

Diagnóstico

O médico deve suspeitar da neurocisticercose quando estiver frente a qualquer distúrbio neurológico, cognitivo ou de personalidade em pessoa proveniente de área em que a doença é freqüente. A teníase, ou seja, infestação intestinal pela tênia pode auxiliar no diagnóstico, mas nem sempre está presente junto com a cisticercose.

Após o exame neurológico, o especialista pode determinar a provável localização do problema e a partir daí escolher o melhor exame de imagem pra confirmação do local e planejamento terapêutico: Tomografia Computadorizada e Ressonância Nuclear Magnética (RNM).

Algumas vezes a RNM pode determinar o diagnóstico se a imagem do cisto for bem característica. O exame de líquor, realizado através de punção lombar também pode fazer esse diagnóstico.

Uma última alternativa, caso os outros exames não tenham sido suficientes, é a biópsia da lesão. Muitas vezes, o diagnóstico de certeza não é necessário, pois se a suspeita for forte e a evolução clínica compatível, o tratamento já deve ser instituído.

Tratamento e Cuidados

O melhor tratamento, como todos sabem, é a prevenção. A infecção por vermes adultos pode ser evitada pelo cozimento completo da carne suína. E a prevenção da cisticercose pode ser feita através de hábitos corretos de higiene pessoal e alimentação.

Em regiões onde a frequência dessa doença é alta, o controle pode ser difícil apesar dos cuidados individuais, e nestes casos, os órgãos públicos devem procurar nos sítios, fazendas e criadouros, porcos que estejam doentes para que o tratamento seja feito direto na fonte do problema.

Uma pessoa infectada por T. solium deve ser tratada imediata e cuidadosamente para eliminar os vermes adultos, devendo, juntamente com seus contatos próximos, ser examinada pelo especialista para descartar a possibilidade de infecção concomitante por cisticercose. O tratamento da infecção intestinal é semelhante ao de outras verminoses e realizado através de medicamentos por via oral.

O tratamento da cisticercose tem como objetivo a redução da resposta inflamatória. Portanto nem todos os pacientes devem ser tratados, pois os cistos podem já estar mortos ou a resposta inflamatória ao uso do medicamento pode ser pior que a doença. O tratamento pode ser, portanto, apenas a observação, uso de drogas anti-parasitárias e anti-inflamatórios hormonais e eventualmente a cirurgia.

As formas da doença que geralmente precisam de tratamento cirúrgico são aquelas que evoluem com aumento da pressão intracraniana: dor de cabeça forte, vômitos, alteração do nível de consciência. Esses sintomas podem aparecer pois o cisto pode se comportar como um tumor, podem causar uma inflamação muito grande e consequentemente inchaço cerebral ou podem obstruir a circulação do liquido céfaloraquidiano (liquor).

A cirurgia pode ser realizada para retirar o cisto que está causando problema, para descomprimir o cérebro que está sofrendo com o inchaço ou para desobstruir a circulação de liquor através de neuroendoscopia ou derivação liquórica, cirurgia também conhecida como válvula, derivação ventrículo-peritoneal, shunt ou derivação ventricular.

A neurocisticercose que acomete a coluna ou medula espinhal, também tem indicação de cirurgia se estiver comprimindo os nervos ou medula.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Cirurgia Transesfenoidal

A Cirurgia Transesfenoidal é a técnica cirúrgica mais comum para retirar os tumores pituitários. Este procedimento é realizado através do seio esfenoidal.

Para esta abordagem, o neurocirurgião faz uma pequena incisão ao longo do septo nasal ou sob o lábio superior.

Utilização de Técnicas

A técnica mais recente é a utilização de um endoscópio, um cateter de fibra ótica com uma lente pequena na extremidade. Nesta abordagem, não é necessária a incisão abaixo do lábio superior ou na parte anterior do septo, porque o endoscópio permite ao cirurgião ver também através da pequena incisão feita na parte posterior do septo nasal, por onde passam os instrumentos para alcançar a glândula pituitária e retirar o tumor.

A utilização desta técnica é limitada pela posição do tumor e pela forma do osso esfenoide.

Vantagens

A abordagem transesfenoidal tem muitas vantagens. Nenhuma parte do cérebro é tocada durante o procedimento, portanto, a possibilidade de dano ao cérebro é muito baixa.

Também não há nenhuma cicatriz visível, mas é difícil a remoção de grandes tumores, e as taxas de cura são altas.

Se o tumor é grande ou se desenvolveu nas estruturas vizinhas, as possibilidades de cura são mais baixas e as chances de lesões no cérebro, nervos e vasos sanguíneos são maiores.

Possíveis Complicações

A cirurgia da glândula pituitária é um procedimento importante, e os cirurgiões são muito cuidadosos para tentar limitar quaisquer problemas durante ou após o procedimento.

Complicações durante ou após a cirurgia, como hemorragias, infecções ou reações à anestesia são raros, mas podem ocorrer. A maioria dos pacientes que fazem a cirurgia transesfenoidal sentirá dor de cabeça e congestionamento nasal por até uma ou duas semanas após a cirurgia.

Se a cirurgia provocar danos às grandes artérias, ao tecido cerebral próximo ou aos nervos próximos da hipófise, em casos raros pode resultar em dano cerebral, acidente vascular cerebral ou cegueira.

Diabetes insipidus pode ocorrer logo após a cirurgia, mas geralmente melhora por conta própria dentro de 1 a 2 semanas após a cirurgia. Se for persistente, pode ser tratada com spray nasal de desmopressina.

Danos ao resto da glândula pituitária podem provocar outros sintomas por falta de hormônios. Isso é raro após a cirurgia de pequenos tumores, mas pode ser inevitável no caso de alguns macrotumores maiores. Se os níveis de hormônios pituitários estiverem baixos após a cirurgia, podem ser tratados com medicamentos para substituir a falta de produção.

Referências:

  1. American Cancer Society

Espinha Bífida

A Espinha Bífida ou espinha aberta é uma malformação da medula espinhal e da coluna vertebral. Ambas desenvolvem-se no embrião a partir do chamado tubo neural e, por essa razão, a espinha bífida também é designada como um defeito do tubo neural.

Os defeitos do tubo neural são a segunda malformação congênita mais frequente depois dos defeitos cardíacos. A espinha aberta ocorre mais frequentemente na região da coluna lombar e no sacro do que na coluna torácica e cervical.

Há várias formas e graus de gravidade da espinha bífida:

  • Espinha bífida aberta (spina bifida aperta)
  • Espinha bífida oculta (spina bifida occulta)

Causas

As causas da espinha bífida ainda não estão completamente esclarecidas. Sabe-se que essa malformação da medula espinhal ocorre entre a terceira e a quarta semana de gestação, em virtude do não fechamento do tubo neural.

O tubo neural é um estágio inicial no desenvolvimento do sistema nervoso central. Sua extremidade inferior origina a medula espinhal e a coluna vertebral, enquanto que a superior origina o cérebro e o crânio.

A deficiência ou um distúrbio do metabolismo do ácido fólico (uma vitamina B) durante a gestação é considerada uma causa comum da espinha bífida. Mulheres que tomam anticonvulsivantes durante a gestação para o controle da epilepsia têm um risco aproximadamente um por cento maior de que seus bebês desenvolvam a espinha bífida aberta.

Sinais e Sintomas

Os sintomas podem variar amplamente. A localização da fissura formada determinará se a malformação afetará a região da coluna vertebral e com que gravidade. A espinha bífida oculta ocorre às vezes de forma completamente assintomática.

O arco vertebral está dividido em dois, porém sem o comprometimento da medula espinhal. Por isso, essa malformação frequentemente não é detectada. Por outro lado, uma espinha aberta, em que há também a divisão das meninges espinhais e/ou da medula espinhal, pode ter sequelas leves a graves.

No caso da chamada spina bifida aperta, os sintomas variam de queixas quase imperceptíveis até limitações graves como a paraplegia.

O tratamento

O tratamento depende da gravidade da malformação espinhal. Em alguns casos, a forma leve dessa malformação não requer tratamento algum.

A espinha bífida aberta, pelo contrário, pode estar associada a um defeito grave. Neste caso, é indicada uma intervenção cirúrgica dentro de 48 horas após o nascimento. O tratamento com fisioterapia e dispositivos ortopédicos, como as órteses, pode ser útil para compensar deformações articulares decorrentes da espinha bífida.

Referências:

  1. GAIVA, Maria Aparecida M.; NEVEZ, Ávila Q.; SIQUEIRA, Fabíola M. G. O cuidado da criança com espinha bífida pela família do domicílio. Esc Anna Nery Rev Enferm. Vol 13. 4 ed; 717-725

Síndrome de Sheehan

A Síndrome de Sheehan é a denominação que se dá a uma forma rara de hipopituitarismo pós-parto.

O hipopituitarismo (do grego: hipo = pouco + phýsis = físico) é uma condição endócrina caracterizada pela diminuição da secreção de um ou mais dos oito hormônios produzidos pela glândula pituitária, também chamada hipófise ou pineal.

Essa glândula de secreção interna situa-se na base do cérebro, encaixada numa reentrância do osso esfenoide, a sela túrcica.

A primeira descrição dessa doença foi feita em 1937, por Harold Leeming Sheehan, 20 anos depois que o médico alemão Morris Simmonds descreveu a síndrome clínica do hipofuncionamento da hipófise.

Causas

Ocorre em decorrência do choque hipovolêmico provocado pela intensa perda de sangue que pode acontecer por complicações durante ou após o parto, o que leva a uma deficiente irrigação sanguínea da glândula hipofisária e à sua necrose.

Fisiopatologia

Principalmente os problemas com a placenta podem levar a um grande sangramento e, eventualmente, a um choque hipovolêmico que sequestra o sangue que irriga a hipófise, comprometendo-a com uma isquemia e ocasionando a paralisia ou hipofunção dessa glândula.

Outra condição que pode fazer faltar o sangue que supre a hipófise, gerando consequências semelhantes, é a coagulação intravascular disseminada, quando compromete os vasos que a nutrem.

Normalmente a hipófise é responsável pela síntese de diversos hormônios, como:

  • O TSH, hormônio estimulante que controla a tireoide;
  • O ACTH, hormônio estimulante que controla as suprarrenais;
  • O FSH, hormônio folículo-estimulante;
  • E o LH, hormônio luteinizante, que atuam nas gônadas;
  • O GH, o hormônio do crescimento;
  • A prolactina, que atua na lactação e o ADH, responsável pela retenção de água no organismo.

Se faltam todas as secreções da glândula, fala-se em pan-hipopituitarismo. Costuma-se considerar, pois, que a pituitária é uma espécie de “regente” de uma “orquestra” endócrina corporal.

Sinais e Sintomas

Como a glândula hipofisária rege o funcionamento de grande parte das demais glândulas endócrinas do corpo, todo problema em seu funcionamento repercute nelas e compromete, assim, diversas funções importantes do organismo.

Os principais sinais e sintomas da síndrome de Sheehan são aqueles devidos ao hipopituitarismo e, por ocorrer quase sempre após o parto, afetam principal ou exclusivamente as mulheres.

As perturbações das secreções da pituitária produzem diretamente alterações no crescimento, bem como perturbações no funcionamento de outras glândulas de secreção interna sobre as quais ela exerce controle, em conformidade com os hormônios pituitários alterados.

Os principais sinais e sintomas da doença variam de acordo com os hormônios afetados e a causa da anormalidade. Os sintomas iniciais podem ser leves e atribuídos a outras causas.

Mais comumente os três hormônios deficientes são o hormônio do crescimento, o folículo-estimulante e/ou o hormônio luteinizante. A deficiência do hormônio do crescimento é mais comum em pessoas com um tumor subjacente do que naquelas com outros problemas. Pode haver também sintomas adicionais, provocados pelas causas das lesões da pituitária.

Entre outros problemas, as deficiências do LH e FSH levam à queda de pelos pubianos e axilares, redução da libido, infertilidade e ausência de menstruação nas mulheres.

Na infância, leva ao atraso da puberdade ou ausência da mesma; a deficiência do TSH causa sintomas de hipotireoidismo; a deficiência do ACTH ocasiona insuficiência renal; a deficiência do GH na criança leva à baixa estatura e no adulto, causa fraqueza, obesidade, redução de massa muscular, osteopenia/osteoporose, depressão, indisposição e maiores chances de desenvolver doenças cardiovasculares.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome de Sheehan nem sempre é fácil. Ele deve ser suspeitado sempre que uma boa história clínica apure sintomas de hipopituitarismo e eles sejam compatíveis com o problema. O diagnóstico pode ser feito com certeza através de exames de sangue e dosagens hormonais.

Geralmente são também necessários outros exames específicos, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, para que sejam identificadas outras possíveis alterações estruturais ou estabelecido um diagnóstico diferencial, como a existência de um tumor, por exemplo.

Tratamento

O tratamento do hipopituitarismo da síndrome de Sheehan visa corrigir as deficiências hormonais com substitutos, tratar os sintomas e as complicações das deficiências hormonais por meios específicos.

As deficiências da maioria dos hormônios controlados pelas secreções da pituitária podem ser repostas por via oral ou injetável.

Referência:

  1. ABCMED, 2015. Síndrome de Sheehan: como ela é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/799399/sindrome-de-sheehan-como-ela-e.htm&gt;. Acesso em: 6 abr. 2021.

AVC/AVE Cardioembólico

Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos (AVCi) cardioembólicos são responsáveis por aproximadamente 15% de todos os AVCis.

Definição

Pelos critérios TOAST (Trial of Org 10172) de classificação etiológica dos AVCi, um infarto cerebral é considerado cardioembólico quando oclusões arteriais intracranianas decorrem de um êmbolo que teve origem cardíaca.

As possíveis fontes emboligênicas cardíacas são divididas em alto risco e médio risco, dependendo de suas propensões relativas à embolia.

Coexistência de AVCi e Doença Coronariana

O prognóstico precoce e tardio de pacientes com AVCi é criticamente influenciado pela coexistência de doença coronariana. Infarto agudo do miocárdio (IAM) e morte súbita são as principais causas de óbitos em pacientes com doença cerebrovascular a longo prazo.

O manejo clínico da fase aguda do AVCi cardioembólico segue os princípios gerais do tratamento do AVCi. No entanto, o conhecimento das suas peculiaridades clínicas permite um diagnóstico precoce de cardioembolia e a realização de procedimentos de trombólise com atenção a algumas particularidades como a maior chance de reperfusão e de sangramento e o risco da não recanalização arterial em pacientes com êmbolos contendo cálcio.

O tratamento intra-hospitalar após o procedimento trombolítico no AVCI cardioembólico é fundamental na evolução desses pacientes e deve ser feito por equipes multidisciplinares, sendo a participação do cardiologista integrado à equipe de neurologia de muita importância, uma vez que a estabilização do quadro cardíaco pode evitar a recorrência de eventos embólicos.

Referência:

  1. Reis, Lígia Silva. Acidente Vascular Cerebral Cardioembólico: fibrilhação auricular e terapêutica antitrombótica. Diss. Universidade da Beira Interior, 2011.

Eletroencefalografia (EEG): Qual é a finalidade?

eletroencefalografia ou o eletroencefalograma ou simplesmente EEG como também é chamado é um exame de extrema importância capaz de analisar a atividade elétrica cerebral espontânea, onde através da atividade apresentada, é possível identificar doenças e distúrbios do sistema nervoso central e possíveis alterações que possam ser risco ao paciente.

Os dados eletroencefalográficos são captados através de eletrodos posicionados sobre o couro cabeludo, que são capazes de medir a atividade elétricas de células neuronais detectando variações que podem indicar patologias específicas.

Por ser um exame não invasivo e indolor pode ser realizado por diversos indivíduos em idades e condições patológicas diferentes, não possuindo contraindicações desde que não haja impedimentos no posicionamento dos eletrodos no couro cabeludo. Graças à tecnologia a qualidade das informações são cada vez maiores permitindo o avanço no diagnósticos de diversas patologias e também na aplicação de diferentes técnicas terapêuticas.

Indicações para o EEG

As anormalidades que geralmente são procuradas ao solicitar um EEG estão relacionadas à epilepsia, porém além da investigação das diversas condições neurológicas que a epilepsia pode causar também é possível investigar outros problemas relacionados tanto a medula espinhal quanto outras regiões do sistema nervoso.

É possível também detectar alterações na qualidade do sono, hemorragias, presença de tumores, mortes teciduais causadas pelo acidente vascular cerebral, uso de drogas de abuso, diversos tipos de cefaleia, edema cerebral e além do diagnóstico destas doenças, o exame também possibilita um acompanhamento posterior, avaliando a resposta ao tratamento e o controle após a retirada da medicação.

Preparo para o Exame

Para o preparo do exame é necessário a privação do sono na noite anterior o maior tempo possível, sendo indicado dormir no máximo quatro horas, a utilização de medicamentos não pode ser alteradas, o paciente deve sair bem alimentado de casa, não deve utilizar lentes de contato durante o exame e é recomendado que o paciente esteja na presença de um acompanhante no dia de realizar o EEG.

Os cabelos devem estar lavados e secos, e não podem conter gel, mousse ou laquê, no caso de tinturas é necessário aguardar o prazo de 48 horas para realizar o exame.

Referências:

  1. https://portaltelemedicina.com.br/blog/eletroencefalograma-com-laudo-como-agilizar-diagnosticos;
  2. https://www.fleury.com.br/exames/eletroencefalograma;
  3. https://www.einstein.br/especialidades/neurologia/exames-tratamentos/eletroencefalograma