Classificação de Robson

A Classificação de Robson, também conhecida como Classificação dos 10 Grupos, é um sistema padronizado utilizado em todo o mundo para categorizar gestantes e analisar as taxas de cesáreas. Criada pelo médico irlandês Michael Robson em 2001, essa classificação tem como objetivo principal fornecer uma ferramenta para:

  • Avaliar: A necessidade de cesáreas em diferentes grupos de gestantes.
  • Monitorar: As taxas de cesáreas ao longo do tempo em um mesmo local ou entre diferentes locais.
  • Comparar: As taxas de cesáreas entre diferentes populações.

Como funciona a Classificação de Robson?

A classificação divide todas as gestantes em 10 grupos, levando em consideração cinco características obstétricas:

  1. Paridade: A mulher já teve parto de um bebê com pelo menos 500 gramas?
  2. Idade gestacional: A gestação é de termo (37 semanas ou mais), pré-termo (antes de 37 semanas) ou pós-termo (após 42 semanas)?
  3. Número de fetos: A gestação é de um único feto ou múltiplos fetos?
  4. Apresentação fetal: O bebê está em apresentação cefálica (de cabeça) ou outra apresentação?
  5. Complicações obstétricas: Existem complicações como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou outras?

Cada gestante se encaixa em apenas um dos 10 grupos, permitindo uma análise detalhada das indicações para cesárea em cada categoria.

Os 10 grupos são os seguintes:

  1. Nulípara, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, parto espontâneo: Mulheres que estão grávidas pela primeira vez, com um único bebê em posição cefálica (de cabeça), com 37 semanas ou mais de gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente.
  2. Nulípara, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, indução ou cesárea anterior ao trabalho de parto: Mulheres nas mesmas condições do grupo 1, mas que têm o parto induzido ou que já realizaram uma cesárea em gestações anteriores.
  3. Multípara sem cesárea prévia, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, parto espontâneo: Mulheres que já tiveram um parto vaginal, estão grávidas de um único bebê em posição cefálica, com 37 semanas ou mais de gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente.
  4. Multípara sem cesárea prévia, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, indução ou cesárea anterior ao trabalho de parto: Mulheres nas mesmas condições do grupo 3, mas que têm o parto induzido ou que já realizaram uma cesárea em gestações anteriores.
  5. Todos os partos pélvicos em nulíparas: Todas as mulheres grávidas pela primeira vez com o bebê em apresentação pélvica (de bumbum).
  6. Todos os partos pélvicos em multíparas (incluindo cesárea prévia): Todas as mulheres que já tiveram um parto, independentemente da via, com o bebê em apresentação pélvica.
  7. Todas as gestações múltiplas (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações gemelares ou múltiplas.
  8. Todas as apresentações anormais (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações com apresentação fetal diferente da cefálica ou pélvica.
  9. Todas as gestações únicas, cefálicas, < 37 semanas (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações de um único bebê em posição cefálica com menos de 37 semanas.
  10. Todas as gestações únicas, cefálicas, ≥ 37 semanas, com complicações obstétricas (pré-eclâmpsia, diabetes, etc.): Todas as gestações de um único bebê em posição cefálica com 37 semanas ou mais, mas com alguma complicação obstétrica.

Por que a Classificação de Robson é importante?

  • Padronização: Permite comparar dados de diferentes instituições e regiões.
  • Identificação de tendências: Ajuda a identificar grupos de gestantes com maior risco de cesárea.
  • Melhora da qualidade da assistência: Auxilia na tomada de decisões sobre a indicação de cesárea.
  • Redução de cesáreas desnecessárias: Incentiva a busca por parto normal em casos indicados.

Quais as vantagens da Classificação de Robson?

  • Facilidade de uso: A classificação é simples e objetiva.
  • Abrangência: Inclui todas as gestantes.
  • Relevância clínica: Os grupos são definidos com base em características clínicas importantes.
  • Suporte à tomada de decisões: Auxilia na definição de estratégias para reduzir as taxas de cesáreas.

Onde a Classificação de Robson é utilizada?

A Classificação de Robson é adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e utilizada em diversos países, incluindo o Brasil. Ela é aplicada em hospitais, maternidades e serviços de saúde que buscam monitorar e melhorar a qualidade da assistência obstétrica.

Quais as limitações da Classificação de Robson?

Embora seja uma ferramenta poderosa, a Classificação de Robson possui algumas limitações:

  • Não considera todos os fatores: A classificação não leva em conta todos os fatores que podem influenciar a decisão de realizar uma cesárea, como as preferências da gestante.
  • Pode não ser suficiente: A classificação deve ser utilizada em conjunto com outras informações clínicas para tomar a melhor decisão.

Referências:

  1. Prefeitura de São Paulo
  2. Fiocruz
  3. Moresi, EHC; Moreira, PP; Ferrer, IL; Baptistella, MCS; Bolognani, CV. Classificação de Robson para cesárea em um Hospital Público do Distrito Federal. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant., Recife, 22 (4): 1043-1050 out-dez., 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/Gc9HYhr3rQzypC7fSPZDHXP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 04 set. 2024.

Calendário de Vacinação da Gestante 2023

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou recentemente a cartilha contendo as vacinas disponibilizadas para Gestante pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Vacinas Esquemas e recomendações                                                                                                    Comentários DISPONIBILIZAÇÃO DAS VACINAS
Gratuitas Clínicas

privadas de nas UBS*vacinação

ROTINA  
Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche) – dTpa ou dTpa-VIP

Dupla adulto (difteria  e tétano) – dT

Histórico vacinal Conduta na gestação •   A dTpa está recomendada em todas as gestações, pois além de proteger a gestante e evitar que ela transmita a Bordetella pertussis ao recém-nascido, permite a transferência de anticorpos ao feto protegendo-o nos primeiros meses de vida até que possa ser imunizado.

•   Mulheres não vacinadas na gestação devem ser vacinadas no puerpério, o mais precocemente possível.

•   Na indisponibilidade de dTpa, pode-se substituí-la pela dTpa-VIP, ficando a critério médico a prescrição.

SIM, dT e dTpa SIM, dTpa e dTpa-VIP
Previamente vacinada, com pelo menos três doses de vacina contendo o componente tetânico. Uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação.
Em gestantes com vacinação incompleta tendo recebido uma dose de vacina contendo  o componente tetânico. Uma dose de dT e uma dose de dTpa, sendo que a dTpa deve ser aplicada a partir da 20ª semana de gestação. Respeitar intervalo mínimo de um mês entre elas.
Em gestantes com vacinação incompleta tendo recebido duas doses de vacina contendo  o componente tetânico. Uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação.
Em gestantes não vacinadas e/ou histórico vacinal desconhecido. Duas doses de dT e uma dose de dTpa, sendo que a dTpa deve ser aplicada a partir da 20ª semana de gestação. Respeitar intervalo mínimo de um mês entre elas.
Hepatite B Três doses, no esquema 0 – 1 – 6 meses. A vacina hepatite B deve ser aplicada em gestantes não anteriormente vacinadas e suscetíveis à infecção. SIM NÃO
Influenza (gripe) Dose única anual. Em situação epidemiológica de risco, especialmente para gestantes imunodeprimidas, pode ser considerada uma segunda dose a partir de 3 meses após a dose anual. •   A gestante é grupo de risco para as complicações da infecção pelo vírus influenza. A vacina está recomendada nos meses da sazonalidade do vírus, mesmo no primeiro trimestre de gestação. Desde que disponível, a vacina influenza 4V é preferível à vacina influenza 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes.  Na impossibilidade de uso da vacina 4V, utilizar a vacina 3V.

•   Se a composição da vacina disponível for concordante com os vírus circulantes, poderá ser recomendada  aos viajantes internacionais para o hemisfério norte e/ou brasileiros residentes nos estados do norte do país no período pré-temporada de influenza.

SIM,

3V

SIM,

3V e 4V

Covid-19 Acesse os dados atualizados sobre a disponibilidade       de vacinas e os grupos contemplados pelo PNI em: sbim.org.br/covid-19  
RECOMENDADAS EM SITUAÇÕES ESPECIAIS  
Hepatite A Duas doses, no esquema 0 – 6 meses. É vacina inativada, portanto sem risco teórico para a gestante e o feto. Já que no Brasil as situações  de risco de exposição ao VHA são frequentes, a vacinação deve ser considerada. NÃO SIM
Hepatite A e B Para menores de 16 anos: duas doses, aos 0 – 6 meses. A partir de 16 anos: três doses, aos 0 – 1 – 6 meses. A vacina combinada é uma opção e pode substituir a vacinação isolada das hepatites A e B. NÃO SIM
Pneumocócicas Esquema sequencial de VPC13 e VPP23 pode ser feito em gestantes de risco para doença pneumocócica invasiva (DPI) (consulte os Calendários de vacinação SBIm pacientes especiais). • VPC13 e VPP23 são vacinas inativadas, portanto sem riscos teóricos para a gestante e o feto. NÃO SIM
Meningocócicas conjugadas ACWY ou C Uma dose. Considerar seu uso avaliando a situação epidemiológica e/ou a presença de comorbidades consideradas de risco para a doença meningocócica (consulte os Calendários de vacinação SBIm pacientes especiais). •   As vacinas meningocócicas conjugadas são inativadas, portanto sem risco teórico para a gestante e o feto.

•   Na indisponibilidade da vacina meningocócica conjugada ACWY, substituir pela vacina meningocócica C conjugada.

NÃO SIM
Meningocócica B •   Considerar seu uso avaliando a situação epidemiológica e/ou a presença de comorbidades consideradas de alto risco para a doença meningocócica invasiva (DMI). Consulte os Calendários de vacinação SBIm pacientes especiais.

•   Duas doses com intervalo mínimo de 1 mês (Bexsero®) ou 6 meses (Trumenba®).

•   As vacinas meningocócicas B são inativadas, portanto sem risco teórico para a gestante e o feto.

•   Bexsero® licenciada até os 50 anos de idade. Trumenba® licenciada até os 25 anos.

As duas vacinas não são intercambiáveis.

NÃO SIM
Febre amarela •   Normalmente contraindicada em gestantes. Porém, em situações em que o risco da infecção supera os riscos potenciais da vacinação, pode ser feita durante a gravidez.

•   Recomendação do PNI: se recebeu a primeira dose antes dos 5 anos, indicada uma segunda dose. Se aplicada a partir dos 5 anos de idade em dose única.

•   Recomendação da SBIm: como não há consenso sobre a duração da proteção conferida pela vacina; de acordo com o risco epidemiológico, uma segunda dose em outras idades pode ser considerada pela possibilidade de falha vacinal.

•   Gestantes que viajam para países que exigem o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) devem ser isentadas da vacinação pelo médico assistente, se não houver risco de contrair a infecção.

•   É contraindicada em nutrizes até que o bebê complete 6 meses; se a vacinação não puder ser evitada, suspender o aleitamento materno por dez dias.

SIM SIM
CONTRAINDICADAS  
Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) Não vacinar na gestação. • Pode ser aplicada no puerpério e durante a amamentação. SIM, para puérperas de até 59 anos SIM, para puérperas e lactantes
HPV Não vacinar na gestação. Se a mulher tiver iniciado esquema antes da gestação, suspendê-lo até puerpério. • Pode ser aplicada no puerpério e durante a amamentação. NÃO SIM, para puérperas e lactantes
Varicela (catapora) Não vacinar na gestação. • Pode ser aplicada no puerpério e durante a amamentação. NÃO SIM,  para puérperas e lactantes
Dengue Não vacinar na gestação. • A vacina é contraindicada em mulheres soronegativas para dengue; que estejam amamentando  e imunodeprimidas. NÃO NÃO

Fonte: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Linha Nigra: Por que aparece?

A linha nigra é uma marca vertical que aparece na barriga de 90% das gestantes e pode ter uma coloração mais suave e quase imperceptível, ou escura e bem marcada. Ela pode aparecer apenas na parte inferior ao umbigo ou em toda a extensão abdominal, e geralmente possui uma espessura de aproximadamente 1 cm.

Quais as principais causas?

A marca é uma mudança completamente normal e a principal causa são as alterações hormonais durante a gravidez, como o aumento da produção de melanina, que faz com que essa área da barriga, onde a pele é distendida, fique hiperpigmentada.

Além da linha nigra, outras regiões do corpo podem apresentar mudanças no tom da pele e manchas, como a face, os seios, as axilas e a parte interna das coxas.

Quando acontece?

A linha nigra costuma surgir no segundo trimestre de gestação. A partir da oitava semana, é possível notar uma sombra que vai escurecendo até virar a linha divisória na barriga da mamãe.

Quando desaparece?

Geralmente, a linha nigra tende a sumir de forma natural até 12 semanas após o parto. Entretanto, mulheres morenas demoram um pouco mais para perder a marca vertical, com a possibilidade de que não suma.

Que cuidados deve ter?

Mesmo sendo uma mudança natural, é importante ter alguns cuidados com a linha nigra durante a gravidez:

  • Exposição solar: evite tomar sol entre 10h e 16h, e nos outros momentos utilize bastante protetor solar.
  • Pele hidratada: passe creme hidratante na pele todos os dias, para ajudar a manter a elasticidade e facilitar a recuperação após o parto. Além disso, beba bastante água.

Se a mamãe achar necessário, pode consultar um médico dermatologista após o nascimento do bebê para informar-se sobre os tratamentos indicados.

Referência:

  1.  Mandelbaum SH. Dermatologia na gestante. In: Cuce LC, Festa Neto C. Manual de dermatologia. 2a. ed. São Paulo: Atheneu; 2001. Cap. 31. p. 549-53.