Profilaxia Neonatal: Guia Atualizado

O nascimento é um marco na vida do ser humano, mas também um momento de vulnerabilidade. O recém-nascido ainda não possui defesas imunológicas totalmente desenvolvidas e pode estar exposto a riscos de infecção, hemorragias e outras complicações.

Por isso, a profilaxia neonatal é considerada uma das práticas mais importantes logo após o parto, garantindo proteção imediata contra agravos preveníveis.

Neste texto, vamos detalhar as principais medidas profiláticas realizadas nas primeiras horas de vida: colírios antibióticos, vitamina K, vacina contra hepatite B e vacina BCG.

Profilaxia Ocular: Prevenção da Oftalmia Neonatal

A profilaxia ocular é obrigatória no Brasil e tem como objetivo prevenir a oftalmia neonatal, uma conjuntivite grave causada principalmente por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, que pode levar à cegueira.

Atualmente, podem ser utilizados:

  • Povidona-iodo a 2,5% (colírio)
  • Eritromicina a 0,5% (pomada oftálmica)
  • Tetraciclina a 1% (pomada oftálmica)

A aplicação deve ser realizada até uma hora após o nascimento. A escolha da substância pode variar de acordo com a disponibilidade hospitalar e protocolos locais.

Cuidados de enfermagem:

  • Lavar as mãos antes do procedimento.
  • Utilizar material estéril.
  • Instilar a medicação no saco conjuntival inferior de cada olho.
  • Orientar os pais sobre o objetivo da medida, evitando interpretações equivocadas.

Vitamina K: Prevenção da Doença Hemorrágica do Recém-Nascido

O recém-nascido apresenta reservas reduzidas de vitamina K e ainda não possui flora intestinal suficiente para sintetizá-la. Isso pode levar à doença hemorrágica do recém-nascido (DHRN), que se manifesta com sangramentos graves, inclusive intracranianos.

A profilaxia consiste na administração de:

  • Vitamina K1 (fitomenadiona), em dose de 1 mg por via intramuscular, aplicada preferencialmente na coxa do recém-nascido.

Cuidados de enfermagem:

  • Conferir o peso e a idade do RN antes da aplicação.
  • Utilizar técnica asséptica na administração intramuscular.
  • Observar o local da aplicação para possíveis reações.
  • Explicar à família a importância da prevenção de hemorragias.

Vacina Contra a Hepatite B

A hepatite B é uma infecção viral grave, com risco de evolução para cirrose e câncer hepático. A transmissão pode ocorrer da mãe para o bebê durante o parto.

Por isso, a primeira dose da vacina contra hepatite B deve ser aplicada ainda nas primeiras 12 horas de vida, independentemente da condição sorológica materna.

Cuidados de enfermagem:

  • Conferir a validade e condições de conservação da vacina.
  • Administrar por via intramuscular, no vasto lateral da coxa.
  • Orientar os pais sobre a continuidade do esquema vacinal.

Vacina BCG: Proteção Contra Formas Graves de Tuberculose

A vacina BCG protege contra formas graves de tuberculose, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, que acometem principalmente lactentes.

A aplicação deve ser realizada preferencialmente ainda na maternidade, por via intradérmica, no braço direito.

Cuidados de enfermagem:

  • Garantir que o bebê esteja clinicamente estável para receber a vacina.
  • Utilizar técnica correta de aplicação intradérmica.
  • Orientar os pais sobre a evolução da cicatriz vacinal, que é esperada e faz parte do processo de imunização.

A profilaxia neonatal é um conjunto de medidas simples, mas de extrema importância para garantir a saúde e a segurança do recém-nascido. A atuação da enfermagem é essencial, tanto na execução correta dos procedimentos quanto na educação em saúde para os pais, explicando cada intervenção e tranquilizando a família.

Para o estudante de enfermagem, compreender cada medida profilática é fundamental para desenvolver uma prática segura, ética e humanizada.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: Guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_v1.pdf.
  3. SANTOS, A. P.; SOUZA, R. M. Profilaxia neonatal: importância das ações imediatas pós-parto. Revista de Enfermagem em Saúde, v. 11, n. 3, p. 45-53, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/enfermagem/article/view/20385
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. SBP lança documento sobre profilaxia da oftalmia neonatal por transmissão vertical. Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-lanca-documento-sobre-profilaxia-da-oftalmia-neonatal-por-transmissao-vertical/

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