Tudo sobre o Câncer de Mama

O câncer de mama é um tema que toca a vida de muitas pessoas, seja diretamente, seja através de familiares e amigos. É uma das doenças mais faladas, especialmente no Outubro Rosa, mas seu impacto vai muito além de um único mês.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, compreender profundamente o câncer de mama é uma responsabilidade e um privilégio. Estamos na linha de frente, educando, identificando sinais e oferecendo cuidado e apoio em todas as fases da jornada do paciente.

Desvendar essa doença significa entender desde o que ela é até as formas de prevenção, diagnóstico e tratamento. É um universo complexo, mas que podemos e devemos dominar para oferecer o melhor de nós.

Vamos, juntos, explorar tudo sobre o câncer de mama?

O Que É Câncer de Mama? Entendendo a Raiz do Problema

Basicamente, o câncer de mama ocorre quando células da mama começam a crescer de forma descontrolada. Essas células anormais podem formar um tumor, que pode ser benigno (não canceroso) ou maligno (canceroso). Se for maligno, as células têm a capacidade de invadir tecidos próximos e, em casos mais avançados, se espalhar para outras partes do corpo (metástase) através da corrente sanguínea ou do sistema linfático.

A maioria dos cânceres de mama se inicia nas células dos ductos (os “canais” que levam o leite para o mamilo) ou nos lóbulos (as glândulas que produzem o leite). Embora seja mais comum em mulheres, o câncer de mama também pode afetar homens, embora em proporção muito menor.

Fatores de Risco: Quem Está Mais Susceptível?

Entender os fatores de risco não significa que uma pessoa que os tenha desenvolverá a doença, nem que alguém sem eles estará imune. Mas eles nos ajudam a identificar quem precisa de uma atenção maior na prevenção e no rastreamento.

  • Idade: É o principal fator de risco. A maioria dos casos ocorre após os 50 anos.
  • Histórico Familiar: Ter parentes de primeiro grau (mãe, irmã, filha) com câncer de mama, especialmente em idade jovem, aumenta o risco.
  • Genética: Mutações em genes específicos, como BRCA1 e BRCA2, aumentam significativamente o risco.
  • Exposição ao Estrógeno:
    • Menarca Precoce: Primeira menstruação antes dos 12 anos.
    • Menopausa Tardia: Após os 55 anos.
    • Terapia de Reposição Hormonal (TRH): Uso prolongado e combinado de estrogênio e progesterona na pós-menopausa.
    • Nuliparidade: Nunca ter tido filhos.
    • Primeira Gravidez Tardia: Após os 30 anos.
  • Estilo de Vida:
    • Obesidade: Especialmente na pós-menopausa.
    • Consumo de Álcool: Mesmo em quantidades moderadas.
    • Sedentarismo: Falta de atividade física.
    • Tabagismo: Fumar aumenta o risco.
  • Outros Fatores:
    • Exposição à Radiação: Principalmente na região do tórax em idade jovem.
    • Histórico de Doença Benigna da Mama: Certos tipos de lesões benignas podem aumentar o risco.

Sinais e Sintomas: O Que Nossos Olhos e Mãos Devem Procurar

O diagnóstico precoce é o grande diferencial no câncer de mama. Por isso, a atenção aos sinais é vital. A maioria dos cânceres de mama não causa dor no início, o que reforça a importância do autoexame e da mamografia.

  • Nódulo (Caroço) na Mama: Geralmente indolor, endurecido e fixo. É o sintoma mais comum.
  • Alterações na Pele da Mama:
    • Pele avermelhada ou retraída: Pode parecer uma casca de laranja.
    • Alterações no mamilo: Retração (mamilo “afundando”), inversão recente, coceira persistente ou descamação.
  • Saída de Secreção (Líquido) pelo Mamilo: Especialmente se for espontânea, transparente ou sanguinolenta.
  • Dor na Mama ou Mamilo: Embora menos comum como primeiro sintoma.
  • Inchaço em Parte ou na Totalidade da Mama: Pode ocorrer mesmo sem um nódulo palpável.
  • Nódulos nas Axilas ou no Pescoço: Pode indicar que a doença se espalhou para os gânglios linfáticos.

Prevenção e Diagnóstico Precoce: Nossas Maiores Armas

A luta contra o câncer de mama se baseia em duas frentes principais:

Prevenção Primária (Redução de Risco):

  • Estilo de Vida Saudável: Manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana), limitar o consumo de álcool e evitar o tabagismo.
  • Amamentação: A amamentação é um fator protetor contra o câncer de mama, quanto mais tempo, maior a proteção.
  • Evitar Exposição Desnecessária a Hormônios: Avaliar com o médico o uso de terapia de reposição hormonal.

Diagnóstico Precoce (Rastreamento):

  • Autoexame da Mama (AEM): É importante para que a mulher conheça o próprio corpo e possa identificar mudanças. Não substitui a mamografia, mas é um complemento valioso. Deve ser feito mensalmente, preferencialmente 3 a 5 dias após o início da menstruação.
  • Exame Clínico das Mamas (ECM): Realizado por um profissional de saúde (médico ou enfermeiro) anualmente a partir dos 40 anos, ou antes, se houver fatores de risco.
  • Ultrassonografia e Ressonância Magnética: Podem ser usadas como métodos complementares à mamografia, especialmente em mamas densas ou em casos de alto risco.
  • Biópsia: Se houver suspeita, a biópsia (retirada de uma pequena amostra de tecido para análise laboratorial) é o único método que confirma o diagnóstico de câncer de mama.

Mamografia: A Ferramenta Principal

A mamografia (raio-X da mama) é o exame padrão ouro para o rastreamento, pois é capaz de detectar lesões pequenas, muitas vezes antes de serem palpáveis.

Nos últimos anos, algumas atualizações nas recomendações de rastreamento chamaram atenção, principalmente no Brasil. O Ministério da Saúde recomenda a mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos sem sinais ou sintomas.

Entretanto, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) orientam que o rastreamento inicie mais cedo: a partir dos 40 anos, com mamografia anual.

Mulheres com alto risco genético ou histórico familiar importante devem começar a investigação ainda mais precocemente, geralmente entre 30 e 35 anos, podendo incluir outros métodos além da mamografia.

Essa diferença entre protocolos ainda gera debates, mas reforça a necessidade da individualização do cuidado, levando em conta a história clínica e familiar de cada paciente.

Tratamento: Um Caminho Personalizado

O tratamento do câncer de mama é complexo e altamente individualizado, dependendo do tipo e estágio do câncer, idade da paciente, condição de saúde geral e preferências.

  • Cirurgia:
    • Lumpectomia (Cirurgia Conservadora): Retirada apenas do tumor e de uma pequena margem de tecido saudável ao redor. A mama é preservada. Geralmente seguida de radioterapia.
    • Mastectomia: Retirada total da mama. Pode ser radical (incluindo músculos) ou modificada (preserva músculos).
    • Biópsia do Linfonodo Sentinela/Dissecção Axilar: Avaliação dos linfonodos da axila para verificar se o câncer se espalhou.
  • Radioterapia: Uso de radiação de alta energia para destruir células cancerosas. Geralmente após a cirurgia.
  • Quimioterapia: Uso de medicamentos para destruir células cancerosas em todo o corpo. Pode ser antes (neoadjuvante) ou depois (adjuvante) da cirurgia.
  • Hormonioterapia: Bloqueia a ação de hormônios (estrogênio e progesterona) que alimentam alguns tipos de câncer de mama. Usada em cânceres hormonodependentes (Receptor de Estrogênio – RE e/ou Receptor de Progesterona – RP positivos).
  • Terapia Alvo (Imunoterapia/Terapia Biológica): Medicamentos que atacam características específicas das células cancerosas, como a proteína HER2 (em cânceres HER2-positivos).
  • Cirurgia Reconstrutiva: Muitas mulheres optam pela reconstrução mamária após a mastectomia, com implantes ou tecidos do próprio corpo.

Cuidados de Enfermagem: Nosso Papel Essencial em Todas as Fases

Nós, enfermeiros, somos a espinha dorsal do cuidado ao paciente com câncer de mama. Nossa atuação é vital em cada etapa:

  1. Educação em Saúde e Prevenção: Orientar a comunidade sobre fatores de risco, a importância do autoexame e do rastreamento. Participar de campanhas como o Outubro Rosa.
  2. Identificação e Encaminhamento: Realizar o exame clínico das mamas, identificar alterações e encaminhar para investigação diagnóstica.
  3. Apoio no Diagnóstico: Acompanhar a paciente durante os exames e a biópsia, oferecendo apoio emocional e esclarecendo dúvidas.
  4. Pré e Pós-Operatório: Preparar a paciente para a cirurgia (físico e emocionalmente), e no pós-operatório, gerenciar a dor, cuidar da ferida cirúrgica, monitorar drenos, prevenir complicações (infecção, seroma, linfedema).
  5. Manejo da Quimioterapia e Radioterapia: Administrar medicamentos quimioterápicos, monitorar efeitos colaterais (náuseas, vômitos, fadiga, queda de cabelo, mucosite), orientar sobre cuidados com a pele na radioterapia.
  6. Gerenciamento do Linfedema: Educar sobre o risco de linfedema (inchaço do braço) após a cirurgia ou radioterapia e como preveni-lo/manejá-lo (exercícios, uso de mangas de compressão).
  7. Suporte Psicoemocional: O câncer de mama é devastador emocionalmente. Oferecer escuta ativa, apoio para lidar com a ansiedade, medo, alterações na imagem corporal e sexualidade. Encaminhar para apoio psicológico, se necessário.
  8. Reabilitação: Estimular a fisioterapia e a reabilitação para recuperar a amplitude de movimento do braço e a força.
  9. Cuidados Paliativos: Em casos de doença avançada, focar no alívio da dor e outros sintomas, garantindo qualidade de vida e dignidade.
  10. Acompanhamento a Longo Prazo: Orientar sobre o seguimento após o tratamento, a importância das consultas de rotina e dos exames de controle.

O câncer de mama é uma jornada desafiadora, mas com informação, prevenção e um cuidado de enfermagem atento e humanizado, podemos mudar o prognóstico e a qualidade de vida de muitas mulheres e homens. A nossa presença e conhecimento fazem toda a diferença nessa luta!

Referências

  1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Câncer de Mama. Rio de Janeiro: INCA. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama. (Principal fonte de informação sobre câncer no Brasil).
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Câncer de Mama: informações para profissionais de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde. (Buscar por manuais e cadernos técnicos mais recentes no site do Ministério da Saúde).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA (SBM). Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama. (A SBM publica diretrizes e recomendações atualizadas para profissionais). Disponível em: https://www.sbmastologia.com.br/.
  4. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre cuidado oncológico e saúde da mulher).

Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) vs. Placenta Prévia

Duas das complicações mais graves na gravidez são o descolamento prematuro da placenta (DPP) e a placenta prévia. Ambas colocam em risco a vida da mãe e do bebê, mas têm causas, sintomas e abordagens diferentes.

Entenda as diferenças e os cuidados essenciais de enfermagem neste guia completo!

O Que é Descolamento Prematuro da Placenta (DPP)?

DPP ocorre quando a placenta se separa parcial ou totalmente da parede uterina antes do parto, comprometendo a oxigenação fetal.

Principais Características:

✔ Causas: Hipertensão, trauma abdominal, tabagismo, gravidez múltipla

Sintomas:

  • Sangramento vaginal (pode ser oculto)
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Útero rígido e doloroso
  • Sinais de sofrimento fetal

✔ Riscos:

  • Hemorragia materna
  • Parto prematuro
  • Óbito fetal

O Que é Placenta Prévia?

placenta prévia acontece quando a placenta se implanta parcial ou totalmente sobre o colo do útero, obstruindo o canal de parto.

Principais Características:

✔ Causas: Cesáreas anteriores, curetagens, idade materna avançada

Sintomas:

  • Sangramento vaginal indolor (geralmente no 3º trimestre)
  • Sangramento pode ser intenso e recorrente

✔ Riscos:

  • Hemorragia grave
  • Parto prematuro
  • Necessidade de cesárea

Diferenças Entre DPP e Placenta Prévia

Característica Descolamento de Placenta (DPP) Placenta Prévia
Localização Placenta se solta do útero Placenta cobre o colo do útero
Sangramento Pode ser oculto ou externo Sangramento vermelho vivo, indolor
Dor Intensa e contínua Geralmente ausente
Fatores de Risco Hipertensão, trauma Cesáreas anteriores, idade materna avançada

Cuidados de Enfermagem

Para Descolamento de Placenta (DPP)

✅ Monitorização contínua:

  • Sinais vitais maternos (PA, FC, saturação)
  • Avaliação fetal (CTG – cardiotocografia)

✅ Preparo para emergências:

  • Acesso venoso calibroso
  • Hemograma e coagulação (risco de coagulopatia)

✅ Suporte emocional:

  • A mãe pode estar ansiosa ou em pânico

Para Placenta Prévia

✅ Repouso absoluto:

  • Evitar esforços e relações sexuais

✅ Controle de sangramento:

  • Observar quantidade e características do sangue

✅ Preparo para cesárea:

  • A maioria dos casos exige parto cirúrgico

Quando Procurar Ajuda?

⚠ Sinais de alerta:

  • Sangramento vaginal intenso
  • Dor abdominal forte
  • Diminuição dos movimentos fetais

Se algum desses sintomas aparecer, procure um hospital imediatamente!

Tanto o descolamento de placenta quanto a placenta prévia são emergências obstétricas que exigem atenção médica imediata. O papel da enfermagem é crucial no monitoramento, suporte e preparo para intervenções rápidas, garantindo a segurança da mãe e do bebê.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. CUNNINGHAM, F. G. et al. Williams Obstetrics. 25. ed. McGraw-Hill, 2018. Disponível em: https://accessmedicine.mhmedical.com/
  3. ROJO, A. P. et al. Placenta previa and placental abruption: contemporary management strategies. Journal of Perinatal Medicine, v. 50, n. 3, p. 321-330, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1515/jpm-2021-0500

RCP em Gestantes: Diretriz da AHA de 2020

Para muitos profissionais de saúde, o atendimento a uma gestante em parada cardiorrespiratória (PCR) pode gerar um nível extra de apreensão.

A complexidade de ter duas vidas em jogo e as particularidades fisiológicas da gestação podem tornar a situação ainda mais desafiadora.

Pensando nisso, a American Heart Association (AHA), na sua atualização de 2020 para as diretrizes de atendimento de PCR, dedicou um fluxograma específico para esse grupo especial de mulheres, trazendo mais clareza e direcionamento para um momento tão crítico. Vamos desvendar esse guia e entender seus pontos chave?

Prioridade Máxima: A Mãe em Primeiro Lugar (Com Impacto Direto no Bebê)

Ao analisarmos o novo fluxograma da AHA, uma mensagem central se destaca: a prioridade absoluta no atendimento da PCR em gestantes é a realização de manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) eficazes e de alta qualidade para a mãe.

Essa priorização pode parecer óbvia, mas é fundamental reforçar que a sobrevivência do feto está intrinsecamente ligada à estabilidade da mãe. Se não conseguirmos manter um bom fluxo de oxigênio e perfusão para a gestante, as chances de sobrevida do bebê são drasticamente reduzidas. Portanto, o foco inicial e principal é garantir a vida da mãe.

As Peculiaridades da Gestação: Detalhes que Fazem a Diferença no Atendimento

Para que o atendimento à gestante em PCR seja bem-sucedido, é crucial lembrar de algumas particularidades fisiológicas e anatômicas da gravidez que podem influenciar a abordagem:

  • Equipe Multidisciplinar Fortalecida: Durante o atendimento de uma PCR em gestante, a colaboração de diversos especialistas é fundamental. A presença do socorrista (primeiro a chegar), do obstetra (com expertise nas particularidades da gestação), do neonatologista (preparado para o atendimento ao recém-nascido, caso ocorra o parto) e, se possível, de um intensivista (para o manejo da paciente crítica) pode otimizar significativamente os resultados. Cada especialista traz um conhecimento específico que contribui para um atendimento mais completo e eficaz.
  • Alívio da Compressão Aortocava: Um Posicionamento Estratégico: Uma das manobras específicas para a gestante em PCR é o deslocamento do útero para a esquerda. O útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e a aorta, dificultando o retorno venoso e a perfusão materna (e, consequentemente, fetal). Esse deslocamento, conhecido como dextrorrotação uterina, pode ser conseguido facilmente com a inserção de uma “cunha” sob o quadril direito da paciente. Essa cunha pode ser improvisada com um frasco de soro de 1000 ml, compressão manual ou rolos feitos com lençóis, elevando o quadril em cerca de 30 graus. Essa manobra simples pode melhorar significativamente a eficácia das compressões torácicas.
  • Cesárea Perimortem: Uma Decisão Rápida em Cenários Específicos: Em situações onde a RCP na mãe não está sendo eficaz, e dependendo dos recursos humanos e materiais disponíveis, a realização de um parto por cesárea perimortem pode ser considerada. O objetivo principal dessa intervenção emergencial é melhorar a sobrevida materna (ao aliviar a compressão aortocava e melhorar a ventilação) e/ou fetal. A AHA 2020 sugere que, em alguns casos, essa cesárea pode ser considerada dentro dos primeiros 5 minutos de PCR para otimizar os resultados perinatais e maternos. É importante ressaltar que essa é uma decisão complexa, tomada por especialistas, e visa melhorar as condições para a RCP materna e, potencialmente, o prognóstico fetal.
  • Via Aérea Desafiadora: Atenção à Intubação: A via aérea na gestante geralmente apresenta desafios para a intubação endotraqueal devido a alterações fisiológicas como o aumento do volume sanguíneo e a congestão das vias aéreas. Por isso, é crucial selecionar o profissional mais experiente e capacitado para realizar esse procedimento. A AHA preconiza a intubação endotraqueal ou a utilização de uma via aérea avançada supraglótica o mais rápido possível. A confirmação do sucesso da intubação deve ser feita através da análise da onda na capnografia ou capnometria, garantindo a correta ventilação da paciente. Uma vez confirmada a via aérea avançada, a recomendação é oferecer uma respiração a cada 6 segundos (10 respirações por minuto) com compressões torácicas contínuas.

Após a Tempestade: Investigando as Causas da PCR

Após o atendimento inicial, a estabilização da paciente e a garantia de uma via aérea definitiva, o foco se volta para a identificação da causa da parada cardiorrespiratória. Para auxiliar nesse processo diagnóstico, a AHA 2020 e outras diretrizes utilizam o mnemônico ABCDEFGH, adaptado para o contexto obstétrico:

  • A – Anestesia: Investigar complicações relacionadas a procedimentos anestésicos.
  • B – Bleeding (Sangramento): Considerar sangramentos que podem levar à parada por hipóxia ou anemia aguda.
  • C – Cardiovascular: Avaliar a presença de doenças cardiovasculares prévias ou arritmias.
  • D – Drogas: Checar o uso de medicações prévias que possam ter contribuído para a PCR.
  • E – Embolia: Investigar a possibilidade de embolia pulmonar ou amniótica.
  • F – Febre: Considerar a febre como um possível fator desencadeante.
  • G – Generalidades: Avaliar causas não obstétricas de PCR, lembrando dos “H”s e “T”s.
  • H – Hipertensão: Investigar desordens hipertensivas e suas complicações (eclampsia, síndrome HELLP).

Relembrando os “H”s e “T”s (causas reversíveis de PCR):

  • Hipovolemia
  • Hipóxia
  • Hidrogênio (acidose metabólica)
  • Hipocalemia / Hipercalemia
  • Hipotermia
  • Tensão torácica (pneumotórax hipertensivo)
  • Tamponamento cardíaco
  • Toxinas (overdose de drogas, envenenamento)
  • Trombose pulmonar
  • Trombose coronariana

Seguir esse fluxograma e essa sistematização do atendimento à gestante em PCR oferece uma estrutura clara e organizada para a equipe de saúde. Ao priorizar a mãe, lembrar das particularidades da gestação e buscar ativamente as causas reversíveis da parada, aumentamos significativamente a chance de sucesso no resgate materno e oferecemos uma maior possibilidade de sobrevida ao feto.

Para nós, futuros enfermeiros, conhecer e compreender essas diretrizes é fundamental para estarmos preparados para atuar de forma eficaz em situações tão delicadas e desafiadoras.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Highlights of the 2020 American Heart Association Guidelines for CPR and ECC. Dallas, TX: AHA, 2020. (Consultar seção específica sobre PCR em gestantes). Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIRCULATIONAHA.120.022734.
  2. LAVERY, K. E.; FRIEDMAN, J. M.; SHARMA, P. P.; et al. Cardiac Arrest in Pregnancy. Obstetrics & Gynecology, v. 131, n. 5, p. 861-871, 2018. Disponível em: https://journals.lww.com/greenjournal/fulltext/201805000/Cardiac_Arrest_in_Pregnancy.20.aspx.
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Destaques das Diretrizes da AHA 2020 para RCP e ACE. [S. l.]: AHA, 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf

Regra de Naegele

Hoje vamos conversar sobre uma ferramenta clássica e muito utilizada na obstetrícia para estimar a data em que um novo serzinho está prestes a chegar ao mundo: a Regra de Naegele.

Tenho certeza que vocês já ouviram falar dela, mas vamos entender direitinho como ela funciona e qual a nossa importância nesse cálculo tão especial. Preparados para desvendar esse “segredo”?

O Que Raios é a Regra de Naegele? Uma Fórmula Simples com um Significado Enorme

A Regra de Naegele é um método simples e rápido para calcular a Data Provável do Parto (DPP) em gestações com ciclo menstrual regular de 28 dias. Ela foi criada pelo obstetra alemão Franz Karl Naegele no século XIX e, apesar dos avanços da medicina, continua sendo uma ferramenta valiosa na prática clínica para fornecer uma estimativa inicial aos pais e à equipe de saúde.

A fórmula básica da Regra de Naegele é a seguinte:

  1. Identifique o primeiro dia da última menstruação (DUM). Essa é a data de referência para o cálculo.
  2. Adicione 7 dias à data do primeiro dia da última menstruação.
  3. Subtraia 3 meses ao mês da última menstruação.
  4. Se o resultado da subtração dos meses for um número negativo, adicione 1 ano ao ano da última menstruação.

Parece um pouco confuso assim na teoria, mas com um exemplo prático fica bem mais fácil de entender.

Exemplo Prático:

Imagine que a última menstruação de uma gestante começou no dia 10 de março de 2025.

  1. Primeiro dia da última menstruação (DUM): 10/03/2025
  2. Adicionar 7 dias: 10 + 7 = 17. Então, o dia seria 17.
  3. Subtrair 3 meses: Março é o mês 3. 3 – 3 = 0. Como o resultado é 0, precisamos adicionar 12 meses (referente ao ano anterior) e ajustar o ano. Então, o mês seria dezembro do ano anterior, mas como estamos calculando a DPP para o ano seguinte, consideramos o mês 12 (dezembro) do ano atual, ajustando o ano na próxima etapa.
  4. Ajustar o ano: Como subtraímos 3 meses e “voltamos” no calendário, adicionamos 1 ano ao ano da DUM. 2025 + 1 = 2026.

Resultado: A Data Provável do Parto (DPP) seria 17 de dezembro de 2025.

Perceberam como funciona? É uma manipulação simples das datas para chegar a uma estimativa.

Por Que Essa Regra Funciona (Mais ou Menos)? A Lógica por Trás do Cálculo

A Regra de Naegele se baseia na premissa de que a gestação dura em média 280 dias (ou 40 semanas) a partir do primeiro dia da última menstruação, considerando um ciclo menstrual regular de 28 dias e que a ovulação ocorre por volta do 14º dia desse ciclo.

Ao adicionar 7 dias ao primeiro dia da última menstruação, estamos aproximadamente considerando o período da ovulação. Ao subtrair 3 meses, estamos ajustando para os nove meses de gestação (já que adicionar nove meses diretamente à data da última menstruação pode ser um pouco mais complicado de calcular mentalmente).

A adição de um ano se torna necessária quando a subtração dos meses resulta em um mês anterior ao da última menstruação no mesmo ano.

É importante lembrar que essa é apenas uma estimativa. A data real do parto pode variar em torno de duas semanas para mais ou para menos. Fatores como a duração real do ciclo menstrual da mulher podem influenciar a data da ovulação e, consequentemente, a data da concepção.

Nossas Observações Importam: As Limitações da Regra de Naegele

Como profissionais de enfermagem, precisamos entender que a Regra de Naegele tem suas limitações e nem sempre será totalmente precisa. Algumas situações em que ela pode ser menos confiável incluem:

  • Ciclos Menstruais Irregulares: Mulheres com ciclos menstruais mais curtos ou mais longos que 28 dias terão uma data de ovulação diferente do 14º dia, o que afeta a precisão da regra.
  • Dificuldade em Lembrar a DUM: Nem sempre a gestante se lembra com precisão do primeiro dia da sua última menstruação.
  • Uso de Contraceptivos Hormonais Recentes: O ciclo menstrual pode estar irregular após a interrupção do uso de contraceptivos hormonais.
  • Concepção Ocorrida Durante a Amamentação: Em mulheres que ainda não menstruaram após o parto e engravidam durante a amamentação, a data da última menstruação não estará disponível.

Nesses casos, outras ferramentas como a ultrassonografia obstétrica precoce (realizada no primeiro trimestre) são mais precisas para determinar a idade gestacional e a data provável do parto. A ultrassonografia mede o comprimento crânio-caudal (CCC) do embrião/feto, fornecendo uma estimativa mais confiável.

O Olhar da Enfermagem: Nosso Papel na Estimativa da DPP

Embora o cálculo da DPP seja simples, nosso papel como profisionais de enfermagem no processo é fundamental:

  • Coleta Precisa da DUM: Durante a consulta de enfermagem pré-natal, devemos questionar a gestante sobre a data do primeiro dia da sua última menstruação de forma clara e objetiva, auxiliando-a a lembrar com precisão. Documentar essa informação de forma correta no prontuário.
  • Cálculo da DPP: Aplicar a Regra de Naegele para obter uma estimativa inicial da DPP e compartilhar essa informação com a gestante e a equipe médica.
  • Explicação e Orientações: Explicar à gestante que a DPP é apenas uma estimativa e que o parto pode ocorrer algumas semanas antes ou depois dessa data. Tranquilizá-la e fornecer informações sobre os sinais de trabalho de parto.
  • Identificação de Ciclos Irregulares: Questionar sobre a regularidade dos ciclos menstruais da gestante. Se houver irregularidade, informar a equipe médica para que outros métodos de datação da gestação, como a ultrassonografia, sejam considerados.
  • Registro de Informações Relevantes: Anotar no prontuário qualquer informação que possa influenciar a datação da gestação, como uso recente de contraceptivos hormonais ou amamentação.
  • Apoio Emocional: A data provável do parto é um momento de grande expectativa para a família. Oferecer apoio emocional e responder às dúvidas da gestante e seus familiares sobre esse período.

Nosso cuidado atencioso e a coleta precisa de informações são essenciais para fornecer uma estimativa da DPP o mais confiável possível e para preparar a gestante para a chegada do seu bebê.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_prenatal_baixo_risco.pdf.
  2. CUNNINGHAM, F. G. et al. Obstetrícia de Williams. 24. ed. Porto Alegre: AMGH Editora, 2016.
  3. LOWDERMILK, D. L.; PERRY, S. E.; CASSIDY, P. T. Maternity Nursing. 9. ed. St. Louis: Mosby, 2014.

Diagnósticos Clínicos da Gravidez

A gravidez é um período marcante na vida da mulher, e seu diagnóstico precoce é essencial para garantir um acompanhamento adequado. O diagnóstico clínico da gravidez é baseado em três categorias de sinais: presunção, probabilidade e certeza.

Nesta publicação, vamos explorar cada uma delas, destacando como os profissionais de saúde identificam uma gestação e quais são os métodos mais confiáveis para confirmá-la.

Sinais de Presunção (Sinais Subjetivos)

Os sinais de presunção são aqueles relatados pela mulher, mas que podem estar associados a outras condições além da gravidez. Eles incluem:

Sintomas Comuns

  • Amenorreia (ausência de menstruação): O primeiro e mais comum sinal, mas pode ocorrer devido a estresse, alterações hormonais ou outras condições.
  • Náuseas e vômitos: Frequentemente chamados de “enjoo matinal”, especialmente no primeiro trimestre.
  • Aumento da sensibilidade mamária: Seios doloridos e inchados, semelhantes aos sintomas pré-menstruais.
  • Fadiga e sonolência: Cansaço excessivo nos primeiros meses.
  • Aversão a certos alimentos ou odores: Mudanças no paladar e no olfato.

Limitações: Esses sinais não confirmam a gravidez, pois podem ser causados por outros fatores.

Sinais de Probabilidade (Sinais Objetivos)

Os sinais de probabilidade são identificados pelo profissional de saúde durante o exame físico e incluem alterações no corpo da mulher.

Alterações Físicas Detectáveis

  • Aumento do volume uterino: O útero cresce e pode ser palpado no exame de toque vaginal após algumas semanas.
  • Amolecimento do colo uterino (Sinal de Hegar): Detectado pelo toque vaginal.
  • Coloração arroxeada da vagina e do colo uterino (Sinal de Chadwick): Devido ao aumento da vascularização.
  • Presença de beta-hCG na urina ou sangue: O hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG) é detectável em testes de farmácia ou laboratoriais.

Limitações: Embora mais confiáveis que os sinais de presunção, ainda não são definitivos, pois algumas condições (como tumores) podem aumentar o hCG ou causar alterações uterinas.

Sinais de Certeza (Confirmação Definitiva)

Os sinais de certeza são aqueles que confirmam incontestavelmente a gravidez, pois estão diretamente relacionados à presença do feto.

Métodos de Confirmação

  • Ultrassonografia (USG): Visualização do saco gestacional, embrião e batimentos cardíacos fetais (a partir da 5ª-6ª semana).
  • Ausculta dos batimentos cardíacos fetais: Detectável com Doppler a partir da 10ª-12ª semana.
  • Movimentos fetais perceptíveis pela mãe e pelo examinador: Geralmente após a 16ª-20ª semana.

Importância: Esses sinais eliminam dúvidas e confirmam a viabilidade da gestação.

Métodos Complementares de Diagnóstico

Além da avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem são essenciais:

  • Teste de gravidez de urina (hCG): Disponível em farmácias, detecta o hormônio a partir do atraso menstrual.
  • Exame de sangue beta-hCG: Mais sensível, pode confirmar a gravidez antes do atraso.
  • Ultrassom transvaginal: Ideal para identificar a gestação nas primeiras semanas.

Cuidados de Enfermagem

O diagnóstico clínico da gravidez é um momento delicado e importante na vida da mulher, exigindo uma abordagem humanizada e técnica por parte da equipe de enfermagem. Desde a suspeita inicial até a confirmação definitiva, os profissionais de enfermagem desempenham um papel essencial no acolhimento, orientação e acompanhamento da gestante.

Acolhimento e Comunicação Empática

  • Escuta ativa: Permita que a mulher expresse suas dúvidas, medos e expectativas sobre a possível gravidez.
  • Linguagem clara: Evite termos técnicos excessivos e explique cada etapa do processo de diagnóstico.
  • Respeito às emoções: Reações à gravidez podem variar (alegria, surpresa, ansiedade). Ofereça suporte emocional independente da situação.

Orientação Sobre Sinais e Sintomas

  • Esclarecimento: Explique a diferença entre sinais de presunção (náuseas, atraso menstrual) e sinais de probabilidade (mudanças físicas no exame).
  • Alerta para falsos positivos/negativos: Informe que estresse, alterações hormonais ou uso de medicamentos podem influenciar os sintomas e testes.

Realização e Interpretação de Testes

Testes de Urina (Farmácia)

  • Oriente sobre o melhor momento para fazer o teste (após o atraso menstrual).
  • Explique que resultados negativos podem precisar de repetição após alguns dias.

Coleta de Beta-hCG no Sangue

  • Prepare a paciente para a coleta, explicando que é mais sensível que o teste de urina.
  • Informe sobre o prazo para receber os resultados.

Encaminhamento para Ultrassom

  • Explique a importância do ultrassom para confirmar a viabilidade da gestação (saco gestacional, embrião, batimentos cardíacos).
  • Auxilie no agendamento e oriente sobre preparos necessários (ex.: bexiga cheia para USG transvaginal inicial).

Cuidados Durante o Exame Físico

  • Privacidade: Garanta um ambiente reservado para o exame ginecológico.
  • Conforto: Explique cada passo do exame (palpação uterina, inspeção vaginal) para reduzir ansiedade.
  • Identificação de sinais: Observe alterações como colo uterino amolecido (Sinal de Hegar) ou coloração arroxeada (Sinal de Chadwick).

Apoio na Confirmação e Próximos Passos

  • Resultados positivos:
    • Parabenize, se a gravidez for desejada, e inicie orientações sobre pré-natal.
    • Em casos de gravidez não planejada, ofereça suporte sem julgamentos e informe sobre opções disponíveis.
  • Resultados negativos:
    • Discuta possíveis causas para os sintomas (ex.: desequilíbrios hormonais) e necessidade de investigação.

Educação em Saúde

  • Pré-natal imediato: Enfatize a importância do início precoce do acompanhamento médico.
  • Hábitos saudáveis: Oriente sobre alimentação, suplementação (ácido fólico), e evitar álcool/fumo.
  • Sinais de alerta: Ensine a reconhecer sintomas de risco (sangramento intenso, dor abdominal forte).

Documentação e Encaminhamentos

  • Registro preciso: Anote no prontuário os sintomas relatados, resultados de testes e condutas adotadas.
  • Encaminhamento adequado: Direcione a paciente para obstetra ou serviços de planejamento familiar, conforme necessário.

O diagnóstico da gravidez envolve uma combinação de sinais de presunção, probabilidade e certeza. Enquanto os sintomas iniciais podem levantar suspeitas, a confirmação definitiva só ocorre com exames como a ultrassonografia e a detecção de batimentos cardíacos fetais.

Referências:

  1. ORVALHO, Ana; FIGUEIREDO, Carolina; FRIAS, Ana. Sinais, sintomas e diagnóstico de gravidez: avaliação física e obstétrica. Capítulo 1. Editor Científica, p. 8-23, 14 maio 2024. DOI: 10.37885/240316092.
  2. Pereira, S. V. M., & Bachion, M. M.. (2005). Diagnósticos de Enfermagem identificados em gestantes durante o pré-natal. Revista Brasileira De Enfermagem, 58(6), 659–664. https://doi.org/10.1590/S0034-71672005000600006

Baby Blues vs. Depressão Pós-Parto: Entendendo as Diferenças

Baby Blues e Depressão Pós-Parto são duas condições que podem afetar mulheres no período pós-parto, mas possuem características e gravidade distintas. É importante saber diferenciá-las para buscar o tratamento adequado.

Baby Blues

  • Ocorrência: Muito comum, afetando cerca de 80% das novas mães.
  • Sintomas: Tristeza, irritabilidade, choro fácil, ansiedade, dificuldade para dormir e alterações de humor.
  • Duração: Geralmente dura poucos dias ou até duas semanas após o parto.
  • Intensidade: Os sintomas são menos intensos e costumam alternar com momentos de alegria e prazer.
  • Causas: Flutuações hormonais, cansaço, mudanças na rotina e a adaptação à nova realidade.
  • Tratamento: Não requer tratamento específico, pois costuma desaparecer espontaneamente. O apoio da família e amigos, descanso e uma boa alimentação podem ajudar a aliviar os sintomas.

Depressão Pós-Parto

  • Ocorrência: Menos comum que o baby blues, mas ainda assim significativa.
  • Sintomas: Sentimentos intensos e persistentes de tristeza, angústia, desesperança, perda de interesse pelas atividades cotidianas, dificuldade em se conectar com o bebê, alterações no apetite e no sono, pensamentos de inutilidade e culpa, e até mesmo ideias suicidas.
  • Duração: Pode durar semanas, meses ou até anos, se não tratada.
  • Intensidade: Os sintomas são mais intensos e duradouros, interferindo significativamente na vida da mãe e do bebê.
  • Causas: Complexas e multifatoriais, envolvendo fatores biológicos, psicológicos e sociais.
  • Tratamento: Requer acompanhamento médico e psicológico, podendo incluir psicoterapia, medicação e grupos de apoio.

É importante ressaltar que:

  • Não se sinta culpada: Muitas mulheres passam por essas experiências e não é sinal de fraqueza buscar ajuda.
  • Procure ajuda: Se os sintomas persistirem ou se tornarem muito intensos, converse com seu médico ou profissional de saúde mental.
  • Cuide de si mesma: Descanse, alimente-se bem, pratique atividades que te dão prazer e peça ajuda para cuidar do bebê quando necessário.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem para mulheres com Baby Blues e Depressão Pós-Parto são fundamentais para promover o bem-estar físico e emocional da puérpera e de seu bebê. O enfermeiro desempenha um papel crucial na identificação precoce dos sintomas, no estabelecimento de um vínculo de confiança com a paciente e na orientação sobre os cuidados necessários.

Baby Blues

  • Identificação: O enfermeiro deve estar atento aos sinais e sintomas característicos do Baby Blues, como tristeza, irritabilidade, choro fácil, dificuldade para dormir e alterações de humor.
  • Orientação: É importante orientar a puérpera sobre a natureza transitória do Baby Blues e que esses sintomas são comuns após o parto.
  • Apoio emocional: Oferecer um ambiente acolhedor e seguro para que a mulher possa expressar seus sentimentos e dúvidas.
  • Incentivo ao descanso: Enfatizar a importância do descanso e do sono adequados para a recuperação física e emocional.
  • Orientação sobre a amamentação: Oferecer suporte e informações sobre a amamentação, pois o aleitamento materno pode auxiliar na produção de hormônios que promovem o bem-estar.
  • Envolvimento da família: Incentivar a participação da família no cuidado com a mãe e o bebê, proporcionando momentos de descanso e apoio emocional.

Depressão Pós-Parto

  • Identificação precoce: O enfermeiro deve estar atento aos sinais de alerta da Depressão Pós-Parto, como tristeza intensa e persistente, perda de interesse pelas atividades cotidianas, alterações no apetite e no sono, pensamentos de inutilidade e culpa.
  • Comunicação: Estabelecer uma comunicação aberta e empática com a paciente, demonstrando interesse e preocupação com seu bem-estar.
  • Avaliação: Realizar uma avaliação completa da saúde física e mental da puérpera, incluindo a coleta de dados sobre a história obstétrica, antecedentes familiares de transtornos mentais e sintomas atuais.
  • Encaminhamento: Encaminhar a paciente para avaliação psiquiátrica e acompanhamento psicológico, quando necessário.
  • Educação: Oferecer informações sobre a depressão pós-parto, as opções de tratamento e a importância do tratamento adequado.
  • Apoio à família: Envolver a família no processo de cuidado, orientando-os sobre como oferecer apoio à mãe e ao bebê.

Cuidados gerais para ambas as condições:

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente a evolução clínica da paciente, observando qualquer alteração nos sintomas.
  • Promoção do autocuidado: Estimular a prática de atividades físicas leves, alimentação saudável e técnicas de relaxamento.
  • Grupos de apoio: Incentivar a participação em grupos de apoio para mães, onde elas podem compartilhar experiências e receber apoio de outras mulheres que passaram pela mesma situação.
  • Prevenção: Promover a saúde mental durante a gestação, identificando e tratando possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais no pós-parto.

É fundamental que o enfermeiro esteja atento aos sinais de alerta e ofereça um cuidado integral à mulher no período pós-parto, promovendo sua saúde física e mental e fortalecendo o vínculo materno-infantil.

Referências:

  1. Schmidt, E. B., Piccoloto, N. M., & Müller, M. C.. (2005). Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. Psico-usf, 10(1), 61–68. https://doi.org/10.1590/S1413-82712005000100008
  2. CAMPOS, Paula Azevedo; FÉRÉS-CARNEIRO, Terezinha. Sou mãe: e agora? Vivências do puerpério. Psicologia USP, São Paulo, v. 32, e200211, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0103-6564e200211.
  3. Bárbara Camila de Campos; Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues. Depressão pós-parto materna: crenças, práticas de cuidado e estimulação de bebês no primeiro ano de vida. Psico, vol.46 no.4 Porto Alegre dez. 2015. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.20802

Classificação de Robson

A Classificação de Robson, também conhecida como Classificação dos 10 Grupos, é um sistema padronizado utilizado em todo o mundo para categorizar gestantes e analisar as taxas de cesáreas. Criada pelo médico irlandês Michael Robson em 2001, essa classificação tem como objetivo principal fornecer uma ferramenta para:

  • Avaliar: A necessidade de cesáreas em diferentes grupos de gestantes.
  • Monitorar: As taxas de cesáreas ao longo do tempo em um mesmo local ou entre diferentes locais.
  • Comparar: As taxas de cesáreas entre diferentes populações.

Como funciona a Classificação de Robson?

A classificação divide todas as gestantes em 10 grupos, levando em consideração cinco características obstétricas:

  1. Paridade: A mulher já teve parto de um bebê com pelo menos 500 gramas?
  2. Idade gestacional: A gestação é de termo (37 semanas ou mais), pré-termo (antes de 37 semanas) ou pós-termo (após 42 semanas)?
  3. Número de fetos: A gestação é de um único feto ou múltiplos fetos?
  4. Apresentação fetal: O bebê está em apresentação cefálica (de cabeça) ou outra apresentação?
  5. Complicações obstétricas: Existem complicações como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou outras?

Cada gestante se encaixa em apenas um dos 10 grupos, permitindo uma análise detalhada das indicações para cesárea em cada categoria.

Os 10 grupos são os seguintes:

  1. Nulípara, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, parto espontâneo: Mulheres que estão grávidas pela primeira vez, com um único bebê em posição cefálica (de cabeça), com 37 semanas ou mais de gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente.
  2. Nulípara, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, indução ou cesárea anterior ao trabalho de parto: Mulheres nas mesmas condições do grupo 1, mas que têm o parto induzido ou que já realizaram uma cesárea em gestações anteriores.
  3. Multípara sem cesárea prévia, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, parto espontâneo: Mulheres que já tiveram um parto vaginal, estão grávidas de um único bebê em posição cefálica, com 37 semanas ou mais de gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente.
  4. Multípara sem cesárea prévia, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, indução ou cesárea anterior ao trabalho de parto: Mulheres nas mesmas condições do grupo 3, mas que têm o parto induzido ou que já realizaram uma cesárea em gestações anteriores.
  5. Todos os partos pélvicos em nulíparas: Todas as mulheres grávidas pela primeira vez com o bebê em apresentação pélvica (de bumbum).
  6. Todos os partos pélvicos em multíparas (incluindo cesárea prévia): Todas as mulheres que já tiveram um parto, independentemente da via, com o bebê em apresentação pélvica.
  7. Todas as gestações múltiplas (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações gemelares ou múltiplas.
  8. Todas as apresentações anormais (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações com apresentação fetal diferente da cefálica ou pélvica.
  9. Todas as gestações únicas, cefálicas, < 37 semanas (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações de um único bebê em posição cefálica com menos de 37 semanas.
  10. Todas as gestações únicas, cefálicas, ≥ 37 semanas, com complicações obstétricas (pré-eclâmpsia, diabetes, etc.): Todas as gestações de um único bebê em posição cefálica com 37 semanas ou mais, mas com alguma complicação obstétrica.

Por que a Classificação de Robson é importante?

  • Padronização: Permite comparar dados de diferentes instituições e regiões.
  • Identificação de tendências: Ajuda a identificar grupos de gestantes com maior risco de cesárea.
  • Melhora da qualidade da assistência: Auxilia na tomada de decisões sobre a indicação de cesárea.
  • Redução de cesáreas desnecessárias: Incentiva a busca por parto normal em casos indicados.

Quais as vantagens da Classificação de Robson?

  • Facilidade de uso: A classificação é simples e objetiva.
  • Abrangência: Inclui todas as gestantes.
  • Relevância clínica: Os grupos são definidos com base em características clínicas importantes.
  • Suporte à tomada de decisões: Auxilia na definição de estratégias para reduzir as taxas de cesáreas.

Onde a Classificação de Robson é utilizada?

A Classificação de Robson é adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e utilizada em diversos países, incluindo o Brasil. Ela é aplicada em hospitais, maternidades e serviços de saúde que buscam monitorar e melhorar a qualidade da assistência obstétrica.

Quais as limitações da Classificação de Robson?

Embora seja uma ferramenta poderosa, a Classificação de Robson possui algumas limitações:

  • Não considera todos os fatores: A classificação não leva em conta todos os fatores que podem influenciar a decisão de realizar uma cesárea, como as preferências da gestante.
  • Pode não ser suficiente: A classificação deve ser utilizada em conjunto com outras informações clínicas para tomar a melhor decisão.

Referências:

  1. Prefeitura de São Paulo
  2. Fiocruz
  3. Moresi, EHC; Moreira, PP; Ferrer, IL; Baptistella, MCS; Bolognani, CV. Classificação de Robson para cesárea em um Hospital Público do Distrito Federal. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant., Recife, 22 (4): 1043-1050 out-dez., 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/Gc9HYhr3rQzypC7fSPZDHXP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 04 set. 2024.

Entendendo os Resultados do Exame Citopatológico

O exame citopatológico, também conhecido como Papanicolau, é um importante aliado na prevenção do câncer de colo de útero. Ele analisa células coletadas do colo do útero para identificar alterações que possam indicar a presença de células pré-cancerígenas ou cancerígenas.

Vamos entender os principais resultados

  • Normal: Significa que não foram encontradas alterações nas células examinadas. É o resultado ideal e indica que o risco de desenvolver câncer de colo de útero é baixo.
  • ASC-US: Sigla para “Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado”. Indica a presença de células com alterações, mas não suficientes para determinar se há uma lesão. É o resultado mais comum e geralmente requer exames complementares para definir a causa dessas alterações.
  • ASC-H: Similar ao ASC-US, mas com um risco ligeiramente maior de estar associado a lesões mais graves. As alterações celulares são consideradas mais complexas e exigem investigação adicional.
  • AGC: Sigla para “Células Glandulares Atípicas”. Indica alterações em células glandulares do colo do útero. A classificação pode ser mais detalhada, como AGC favorável para neoplasia intraepitelial ou AGC não especificado.
  • LSIL: Sigla para “Lesão Escamosa Intraepitelial de Baixo Grau”. Indica a presença de células com alterações que sugerem uma lesão pré-cancerígena inicial.
  • HSIL: Sigla para “Lesão Escamosa Intraepitelial de Alto Grau”. Indica a presença de células com alterações mais significativas e um risco maior de progressão para o câncer.

Recomendações

A conduta a ser seguida após cada resultado varia e depende de diversos fatores, como:

  • Idade da paciente: Mulheres mais jovens podem ter resultados alterados devido a infecções virais ou alterações hormonais.
  • Histórico de exames anteriores: Resultados de exames anteriores podem auxiliar na interpretação do resultado atual.
  • Presença de outros fatores de risco: Tabagismo, infecção pelo HPV, imunossupressão, entre outros, podem influenciar a conduta médica.

Em geral, as recomendações podem incluir

  • Repetição do exame: Em casos de ASC-US e ASC-H, a repetição do exame em um período determinado pode ser indicada para acompanhar a evolução das alterações celulares.
  • Colposcopia: Exame que permite visualizar o colo do útero com um microscópio e coletar amostras para análise. É indicado em casos de ASC-H, AGC e LSIL.
  • Teste de HPV: Pode ser realizado para identificar a presença do vírus do papiloma humano, um dos principais causadores do câncer de colo de útero.
  • Tratamento: Em casos de HSIL, o tratamento pode ser necessário para remover as células alteradas e prevenir o desenvolvimento do câncer.

É fundamental que você procure seu médico para discutir os resultados do seu exame e esclarecer todas as suas dúvidas. Ele irá avaliar o seu caso individualmente e indicar o melhor tratamento.

Lembre-se: O exame citopatológico é um importante aliado na prevenção do câncer de colo de útero. Ao realizar o exame regularmente e seguir as recomendações médicas, você estará cuidando da sua saúde.

Referências:

  1. Biblioteca Virtual em Saúde
  2. ROCHA, S. M. M.; BAHIA, M. O.; ROCHA, C. A. M. Perfil dos exames citopatológicos do colo do útero realizados na Casa da Mulher, Estado do Pará, Brasil. Rev Pan-Amaz Saude, v. 7, n. 3, p. 51-58, set. 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.5123/S2176-62232016000300006.

Urgências e Emergências Ginecológicas

As urgências e emergências ginecológicas são condições que requerem atenção médica imediata devido ao risco potencial de complicações sérias para a saúde da mulher. As causas podem variar desde infecções e sangramentos até problemas com a gravidez e doenças ginecológicas.

Situações que devem ser considerados

Sintomas comuns que indicam uma Urgência Ginecológica

  • Dor pélvica intensa: Pode ser um sinal de infecção, apendicite, cisto ovárico torcido, gravidez ectópica ou outros problemas.
  • Sangramento vaginal anormal: Fluxo intenso, fora do período menstrual, após a menopausa ou acompanhado de outros sintomas, como dor ou febre.
  • Febre alta e calafrios: Podem indicar uma infecção pélvica, doença inflamatória pélvica ou outras condições graves.
  • Náuseas e vômitos intensos: Podem ser sintomas de gravidez ectópica, torção ovárica ou outras condições.
  • Dor ao urinar ou ao defecar: Podem indicar infecção urinária, infecção pélvica ou outros problemas.
  • Inchaço abdominal: Pode ser causado por um cisto ovárico, gravidez ectópica ou outros problemas.
  • Dor durante o sexo: Pode ser um sinal de infecção, endometriose ou outros problemas.

Alguns exemplos específicos de Emergências Ginecológicas

  • Gravidez ectópica: A gravidez se instala fora do útero, geralmente na tuba uterina, e pode ser fatal se não tratada.
  • Torção ovárica: O ovário gira em torno de seu próprio eixo, interrompendo o suprimento sanguíneo.
  • Doença inflamatória pélvica (DIP): Infecção dos órgãos reprodutivos femininos que pode causar danos irreversíveis se não tratada.
  • Sangramento uterino anormal: Pode ser causado por fibromas, pólipos, câncer ou outros problemas.
  • Aborto espontâneo: Perda da gravidez antes da 20ª semana de gestação.
  • Trabalho de parto prematuro: Início do trabalho de parto antes das 37 semanas de gestação.
  • Rotura de membrana: Ruptura da bolsa amniótica antes do início do trabalho de parto.
  • Eclâmpsia/Pré eclâmpsia: A pré-eclâmpsia é um novo diagnóstico de hipertensão arterial ou da piora de hipertensão arterial preexistente, que é acompanhada de um excesso de proteína na urina e que surge após a 20ª semana de gravidez. Eclâmpsia são convulsões que ocorrem em mulheres com pré-eclâmpsia e que não apresentam outra causa.
  • Placenta Prévia: é uma condição durante a gravidez onde a placenta se implanta na parte inferior do útero, perto ou cobrindo o colo do útero.

O que fazer em caso de urgência ou emergência ginecológica

  • Procure atendimento médico imediatamente. Não hesite em ir ao hospital ou entrar em contato com um médico por telefone.
  • Descreva os seus sintomas com detalhes. Inclua a data de início, a intensidade e outros sintomas que você está sentindo.
  • Responda honestamente às perguntas do médico. Fornecer informações precisas é crucial para um diagnóstico correto.
  • Siga as instruções do médico. Tome os medicamentos prescritos e faça os exames necessários.
  • Contate o médico caso os seus sintomas não melhorem.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Hiperêmese gravídica

A hiperêmese gravídica (HG) consiste no quadro clínico caracterizado pela presença de náuseas e vômitos (êmese) que ocorre principalmente, mas não exclusivamente, no primeiro trimestre gestacional.

Quando as náuseas e vômitos são frequentes e persistentes, podem progredir até levar a distúrbios nutricionais e metabólicos, como redução de peso, desidratação e cetonúria.

Não se pode confundir a chamada doença da manhã com a hiperêmese gravídica. A primeira é experimentada por aproximadamente 70-80% das gestantes, enquanto que a segunda, que não é muito comum, trata-se do caso extremo da primeira.

Causas

Não se sabe ao certo a causa da HG. Acredita-se que ela resulte de um conjunto de fatores, como:

  • Resposta anormal à gonadotrofina coriônica humana;
  • Citotoxinas, sintetizadas a partir de substâncias encontradas nas vilosidades coriônicas, que alcançam a corrente sanguínea;
  • Deficiência de vitamina B6;
  • Reação gastrointestinal de etiologia psicossomática.

Sintomas

O principal sintoma da hiperêmese gravídica são os vômitos frequentes e que chegam a incapacitar o cotidiano e o dia a dia da paciente.

 Esses vômitos são acompanhados de enjoos frequentes e também de outros processos fisiológicos, como, a perda de peso em decorrência dos vômitos e a desidratação severa.

Tratamento

Normalmente, o tratamento da hiperêmese gravídica depende do apoio de um médico ou mesmo de um hospital, já que a paciente pode ficar severamente desidratada.

Além do uso de medicamentos para enjoo indicados para as gestantes, também podem ser usadas injeções endovenosas para repor os líquidos perdidos.

Normalmente, a hiperêmese gravídica diminui ou mesmo desaparece completamente depois de 20 semanas de gestação.

Cuidados de Enfermagem

Apoio psicológico, ações educativas desde o início da gravidez, bem como reorientação alimentar, são as melhores maneiras de evitar os casos mais complicados. Nas situações de emese persistente, o profissional de saúde deve prescrever drogas antieméticas, por via oral ou intravenosa, além de hidratação.

Referências:

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hiper%C3%AAmese_grav%C3%ADdicahttp://www.gestantes.net/hiperemese-gravidica/http://brasil.babycenter.com/pregnancy/complicacoes/hiperemese/
  2. http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,EMI1891-10566,00.html
  3. http://www.consultormedico.com/consultar-doencas/outras/hiperemese-gravidica.html