
Vá direto ao ponto!
Ciclos menstruais irregulares, acne persistente e aumento de pelos no rosto podem ter uma origem em comum: a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Como suas manifestações variam bastante, o diagnóstico não deve ser baseado apenas em um ultrassom, e o acompanhamento precisa considerar também a saúde metabólica, emocional e reprodutiva.
O que é a SOP?
A SOP é uma condição hormonal e metabólica comum durante a idade reprodutiva. Pode estar associada ao excesso de andrógenos, à ovulação irregular e a alterações na aparência dos ovários. Também se relaciona a maior risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações dos lipídios e problemas de saúde mental, embora nem todas as mulheres apresentem as mesmas manifestações.
Principais sinais e sintomas
Os sintomas mais frequentes incluem menstruação irregular ou ausente, acne, aumento de pelos em regiões como queixo e tórax, queda de cabelo com padrão androgenético e dificuldade para engravidar. Algumas mulheres também apresentam alterações metabólicas, mas o peso corporal, isoladamente, não confirma nem exclui a síndrome.
Na prática, uma paciente pode procurar atendimento apenas porque passa meses sem menstruar, enquanto outra relata acne persistente e aumento de pelos. Essas apresentações diferentes podem levar à mesma hipótese diagnóstica, desde que os critérios clínicos e laboratoriais sejam avaliados adequadamente.
Como é feito o diagnóstico?
Em adultas, o diagnóstico geralmente exige a presença de pelo menos dois dos três critérios seguintes, após a exclusão de outras causas:
- Disfunção ovulatória, manifestada por ciclos irregulares ou ausência de menstruação.
- Hiperandrogenismo clínico, como hirsutismo, ou laboratorial, demonstrado por alterações dos andrógenos.
- Morfologia ovariana policística identificada por ultrassonografia ou, em adultas selecionadas, avaliação da hormona anti-Mülleriana (AMH), conforme os critérios recomendados.
Quando já existem irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, o ultrassom ou a dosagem de AMH não são necessários para estabelecer o diagnóstico em adultas. Na adolescência, os critérios são mais restritos, e o ultrassom e a AMH não devem ser utilizados para diagnosticar SOP devido à baixa especificidade nessa fase.
Tratamento: depende dos sintomas e dos objetivos
Não existe um único tratamento indicado para todas as pacientes. A escolha considera os sintomas predominantes, as condições clínicas, as contraindicações e o desejo de engravidar.
Anticoncepcionais hormonais combinados: podem ser utilizados para regular o ciclo menstrual e melhorar manifestações relacionadas ao excesso de andrógenos, como acne e hirsutismo, quando não há contraindicações. A escolha deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios.
Metformina: pode ser indicada principalmente para objetivos metabólicos, como melhora de parâmetros glicêmicos e resistência à insulina em contextos selecionados. Não é obrigatória para todas as mulheres com SOP e não substitui a avaliação individualizada.
Indução da ovulação: quando existe desejo de engravidar e infertilidade relacionada à anovulação, o letrozol é recomendado como tratamento farmacológico de primeira linha em muitas pacientes, desde que não existam outros fatores de infertilidade que mudem a conduta. A avaliação e o acompanhamento devem ser realizados por profissional habilitado.
A cirurgia ovariana não é o tratamento habitual da SOP. Intervenções específicas podem ser consideradas em situações selecionadas, conforme a resposta aos tratamentos e a avaliação especializada.
Alimentação, atividade física e saúde metabólica
A adoção de hábitos sustentáveis, incluindo alimentação equilibrada, atividade física regular e sono adequado, faz parte do cuidado em todas as pacientes com SOP. Essas medidas podem favorecer a saúde metabólica e a qualidade de vida, independentemente da perda de peso. Dietas restritivas não devem ser prescritas indiscriminadamente, e o cuidado precisa evitar estigmatização relacionada ao peso.
Durante o acompanhamento, é importante avaliar fatores como pressão arterial, perfil lipídico e glicemia, além de investigar sintomas de ansiedade, depressão e possíveis alterações do sono. A frequência e o tipo de avaliação dependem dos fatores de risco e da situação clínica de cada paciente.
Cuidados de enfermagem
A enfermagem pode contribuir identificando alterações menstruais, manifestações de hiperandrogenismo, dificuldades relacionadas à fertilidade e fatores de risco metabólico. Também é importante orientar sobre a continuidade do acompanhamento, o uso correto dos medicamentos prescritos e a necessidade de comunicar efeitos adversos.
Uma paciente que relata longos intervalos sem menstruar, por exemplo, precisa ser orientada a procurar avaliação, pois a ausência prolongada de menstruação pode exigir investigação e proteção endometrial. O atendimento deve ser acolhedor, sem atribuir todos os sintomas ao peso corporal ou presumir que a paciente deseja engravidar.
O que não deve ser ignorado
A SOP pode acompanhar a mulher por diferentes fases da vida, e as necessidades de tratamento podem mudar ao longo do tempo. O acompanhamento não deve se limitar à regularização menstrual: saúde metabólica, bem-estar emocional, prevenção de complicações e objetivos reprodutivos também precisam ser considerados.
SOP: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
- Ciclos irregulares e hiperandrogenismo são sinais importantes
- O ultrassom isolado não confirma SOP
- O tratamento depende dos sintomas e dos objetivos
- Acompanhe também a saúde metabólica e emocional
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome de Ovários Policísticos. Portaria Conjunta nº 6, de 2 de julho de 2019. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: Conitec: PCDT SOP.
- TEEDE, Helena J. et al. Recommendations from the 2023 international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Human Reproduction, v. 38, n. 9, p. 1655-1679, 2023. DOI: 10.1093/humrep/dead156.











Você precisa fazer login para comentar.