Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

Ilustração da síndrome dos ovários policísticos: sintomas e alterações hormonais

🔄
Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/10/2026.

Ciclos menstruais irregulares, acne persistente e aumento de pelos no rosto podem ter uma origem em comum: a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Como suas manifestações variam bastante, o diagnóstico não deve ser baseado apenas em um ultrassom, e o acompanhamento precisa considerar também a saúde metabólica, emocional e reprodutiva.

O que é a SOP?

A SOP é uma condição hormonal e metabólica comum durante a idade reprodutiva. Pode estar associada ao excesso de andrógenos, à ovulação irregular e a alterações na aparência dos ovários. Também se relaciona a maior risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações dos lipídios e problemas de saúde mental, embora nem todas as mulheres apresentem as mesmas manifestações.

Principais sinais e sintomas

Os sintomas mais frequentes incluem menstruação irregular ou ausente, acne, aumento de pelos em regiões como queixo e tórax, queda de cabelo com padrão androgenético e dificuldade para engravidar. Algumas mulheres também apresentam alterações metabólicas, mas o peso corporal, isoladamente, não confirma nem exclui a síndrome.

Na prática, uma paciente pode procurar atendimento apenas porque passa meses sem menstruar, enquanto outra relata acne persistente e aumento de pelos. Essas apresentações diferentes podem levar à mesma hipótese diagnóstica, desde que os critérios clínicos e laboratoriais sejam avaliados adequadamente.

Como é feito o diagnóstico?

Em adultas, o diagnóstico geralmente exige a presença de pelo menos dois dos três critérios seguintes, após a exclusão de outras causas:

  • Disfunção ovulatória, manifestada por ciclos irregulares ou ausência de menstruação.
  • Hiperandrogenismo clínico, como hirsutismo, ou laboratorial, demonstrado por alterações dos andrógenos.
  • Morfologia ovariana policística identificada por ultrassonografia ou, em adultas selecionadas, avaliação da hormona anti-Mülleriana (AMH), conforme os critérios recomendados.

Quando já existem irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, o ultrassom ou a dosagem de AMH não são necessários para estabelecer o diagnóstico em adultas. Na adolescência, os critérios são mais restritos, e o ultrassom e a AMH não devem ser utilizados para diagnosticar SOP devido à baixa especificidade nessa fase.

Tratamento: depende dos sintomas e dos objetivos

Não existe um único tratamento indicado para todas as pacientes. A escolha considera os sintomas predominantes, as condições clínicas, as contraindicações e o desejo de engravidar.

Anticoncepcionais hormonais combinados: podem ser utilizados para regular o ciclo menstrual e melhorar manifestações relacionadas ao excesso de andrógenos, como acne e hirsutismo, quando não há contraindicações. A escolha deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios.

Metformina: pode ser indicada principalmente para objetivos metabólicos, como melhora de parâmetros glicêmicos e resistência à insulina em contextos selecionados. Não é obrigatória para todas as mulheres com SOP e não substitui a avaliação individualizada.

Indução da ovulação: quando existe desejo de engravidar e infertilidade relacionada à anovulação, o letrozol é recomendado como tratamento farmacológico de primeira linha em muitas pacientes, desde que não existam outros fatores de infertilidade que mudem a conduta. A avaliação e o acompanhamento devem ser realizados por profissional habilitado.

A cirurgia ovariana não é o tratamento habitual da SOP. Intervenções específicas podem ser consideradas em situações selecionadas, conforme a resposta aos tratamentos e a avaliação especializada.

Alimentação, atividade física e saúde metabólica

A adoção de hábitos sustentáveis, incluindo alimentação equilibrada, atividade física regular e sono adequado, faz parte do cuidado em todas as pacientes com SOP. Essas medidas podem favorecer a saúde metabólica e a qualidade de vida, independentemente da perda de peso. Dietas restritivas não devem ser prescritas indiscriminadamente, e o cuidado precisa evitar estigmatização relacionada ao peso.

Durante o acompanhamento, é importante avaliar fatores como pressão arterial, perfil lipídico e glicemia, além de investigar sintomas de ansiedade, depressão e possíveis alterações do sono. A frequência e o tipo de avaliação dependem dos fatores de risco e da situação clínica de cada paciente.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem pode contribuir identificando alterações menstruais, manifestações de hiperandrogenismo, dificuldades relacionadas à fertilidade e fatores de risco metabólico. Também é importante orientar sobre a continuidade do acompanhamento, o uso correto dos medicamentos prescritos e a necessidade de comunicar efeitos adversos.

Uma paciente que relata longos intervalos sem menstruar, por exemplo, precisa ser orientada a procurar avaliação, pois a ausência prolongada de menstruação pode exigir investigação e proteção endometrial. O atendimento deve ser acolhedor, sem atribuir todos os sintomas ao peso corporal ou presumir que a paciente deseja engravidar.

O que não deve ser ignorado

A SOP pode acompanhar a mulher por diferentes fases da vida, e as necessidades de tratamento podem mudar ao longo do tempo. O acompanhamento não deve se limitar à regularização menstrual: saúde metabólica, bem-estar emocional, prevenção de complicações e objetivos reprodutivos também precisam ser considerados.

Resumo para salvar

SOP: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

  • Ciclos irregulares e hiperandrogenismo são sinais importantes
  • O ultrassom isolado não confirma SOP
  • O tratamento depende dos sintomas e dos objetivos
  • Acompanhe também a saúde metabólica e emocional

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome de Ovários Policísticos. Portaria Conjunta nº 6, de 2 de julho de 2019. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: Conitec: PCDT SOP.
  2. TEEDE, Helena J. et al. Recommendations from the 2023 international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Human Reproduction, v. 38, n. 9, p. 1655-1679, 2023. DOI: 10.1093/humrep/dead156.

Prolapso Uterino: Como Classificar Corretamente

Prolapso Uterino

🔄
Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/10/2026.

A sensação de peso na vagina ou a impressão de que algo está descendo pode ser um sinal de prolapso dos órgãos pélvicos. Reconhecer o problema exige avaliar não apenas a posição do útero, mas também possíveis alterações na bexiga, no reto e nas paredes vaginais.

O que é prolapso uterino?

O prolapso uterino ocorre quando o útero desce em direção ao canal vaginal devido à perda de sustentação dos músculos, ligamentos e tecidos do assoalho pélvico. Pode estar associado ao envelhecimento, partos vaginais, obesidade, constipação crônica, tosse persistente e outras condições que aumentam a pressão abdominal.

A paciente pode relatar sensação de peso ou pressão pélvica, abaulamento vaginal, dificuldade para urinar ou evacuar, desconforto nas relações sexuais e, em alguns casos, perda urinária. A intensidade dos sintomas não depende exclusivamente do grau de descida. (NICE, 2019; NICE, 2021).

Classificação do prolapso

A classificação clínica pode utilizar o sistema POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification), que mede a posição de pontos específicos da vagina em relação ao hímen durante o exame físico. O resultado permite registrar a extensão do prolapso de maneira padronizada, incluindo os compartimentos anterior, apical e posterior.

De forma simplificada, os estágios são:

  • Estágio 0: ausência de prolapso significativo.
  • Estágio I: a descida permanece acima de 1 cm do hímen.
  • Estágio II: a parte mais baixa do prolapso fica entre 1 cm acima e 1 cm abaixo do hímen.
  • Estágio III: a descida ultrapassa 1 cm além do hímen, sem exteriorização quase completa.
  • Estágio IV: exteriorização praticamente completa ou completa dos órgãos prolapsados.

Essa classificação considera medidas específicas do exame, e não apenas a impressão visual. Por isso, não é adequado converter automaticamente os antigos graus 1 a 4 em estágios POP-Q. (NICE, 2019).

Na avaliação clínica, uma mulher pode relatar que o abaulamento aparece principalmente ao tossir, fazer força ou permanecer muito tempo em pé. Se os sintomas não corresponderem ao primeiro exame, o profissional pode considerar uma nova avaliação em outra posição, conforme indicação clínica.

Causas e fatores de risco

O prolapso pode estar relacionado ao enfraquecimento dos tecidos de sustentação após a gestação e o parto, ao envelhecimento, à menopausa, à obesidade e ao aumento crônico da pressão abdominal. Entretanto, nem toda mulher com esses fatores desenvolverá a condição.

O diagnóstico é feito principalmente pela história clínica e pelo exame pélvico. Exames de imagem não são necessários de rotina quando o prolapso já foi identificado ao exame físico, mas podem ser solicitados se houver suspeita de outra alteração ou sintomas que não sejam explicados pelos achados clínicos. (NICE, 2019; NICE, 2021).

Tratamento: nem todo caso exige cirurgia

A escolha do tratamento depende dos sintomas, do estágio, das condições de saúde, das preferências da paciente e do impacto na qualidade de vida. Quando os sintomas são leves, pode ser possível acompanhar clinicamente sem intervenção imediata.

Entre as opções estão o treinamento supervisionado dos músculos do assoalho pélvico, mudanças de hábitos para reduzir constipação e esforço excessivo, uso de pessário vaginal e cirurgia em casos selecionados. O estrogênio vaginal pode ser considerado quando existem sintomas geniturinários relacionados à menopausa, mas não reposiciona sozinho os órgãos prolapsados.

O pessário é um dispositivo removível colocado na vagina para oferecer sustentação. Ele precisa de ajuste adequado, orientação sobre os cuidados e acompanhamento periódico para identificar desconforto, sangramento, secreção ou lesões. A cirurgia pode ser discutida quando os sintomas persistem ou quando a paciente prefere essa opção após conhecer benefícios e riscos. (NICE, 2019).

Prolapso uterino na gravidez

O prolapso durante a gestação é incomum e requer avaliação obstétrica individualizada. A conduta depende do estágio, dos sintomas e de possíveis complicações, como dificuldade para urinar, irritação ou lesão dos tecidos expostos. Não se deve presumir que haverá perda gestacional ou parto prematuro em todos os casos.

Cuidados de enfermagem

A assistência deve incluir acolhimento sem julgamentos, preservação da privacidade, avaliação dos sintomas urinários e intestinais, observação de dor, sangramento, secreção e alterações na mucosa, além de orientação para acompanhamento ginecológico.

Quando a paciente utiliza pessário, é importante reforçar o retorno programado e orientar que dor persistente, sangramento, dificuldade para urinar, secreção com odor desagradável ou lesões precisam ser avaliados. A retirada, inserção e higienização devem seguir a orientação profissional e o plano individual, pois nem todas as pacientes devem manejar o dispositivo da mesma forma.

O prolapso pode afetar mobilidade, atividade física, sexualidade e autoestima. Por isso, escutar a paciente e compreender quais sintomas mais interferem na rotina também ajuda a direcionar o cuidado.

Resumo para salvar

Prolapso Uterino

  • O POP-Q classifica a descida dos órgãos pélvicos
  • Os sintomas incluem pressão e abaulamento vaginal
  • O tratamento depende dos sintomas e da avaliação clínica
  • Pessários exigem ajuste e acompanhamento periódico

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management. NICE Guideline NG123. Londres: NICE, 2019. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng123/chapter/recommendations.
  2. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Pelvic floor dysfunction: prevention and non-surgical management. NICE Guideline NG210. Londres: NICE, 2021. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng210/chapter/Recommendations. 

O Aleitamento Materno e seus tipos

Aleitamento Materno

O leite materno é importante para o crescimento e desenvolvimento da criança, trazendo benefícios para a vida toda.

O aleitamento materno possibilita a formação de uma ligação afetiva entre mãe-filho, através do contato físico, o que facilita a união entre eles. A criança pode começar a mamar logo após o nascimento ainda na sala de parto, só trazendo vantagens para a mãe e recém-nascido.

 

O leite materno é livre de impurezas, fresco, disponível na temperatura ideal e facilmente digerido pela criança.Nas primeiras 72 horas após o parto as mamas produzem um leite que é chamado de colostro, é amarelado e grosso, sai em pequenas quantidades. É o que a criança necessita nos primeiros dias de vida, pois contém nutrientes necessários para ela nesta fase.

O colostro também é considerado a primeira vacina do bebê, pois contém anticorpos maternos que vão ajudá-lo a não contrair infecções como sarampo, entre outras, que nesta fase seriam fatais para ele. Também é rico em substâncias que favorecem o crescimento, estimulam o desenvolvimento do intestino do bebê, preparando-o para digerir e absorver o leite maduro, e impedem a absorção de proteínas não digeridas. O colostro é laxativo e auxilia a eliminação do mecônio (primeiras fezes do recém-nascido).

Em uma ou duas semanas, o leite aumenta em quantidade e muda sua aparência e composição. Este é o leite maduro que contém todos os nutrientes necessários para a criança crescer. Ele parece mais ralo que o leite de vaca, o que pode levar a pensar que o leite é fraco. Mas esta aparência aguada é normal, por que ele fornece água suficiente para a criança.

A composição do leite maduro muda durante a mamada. No começo, parece acizentado e aguado, sendo rico em proteína, vitaminas, minerais e água. No fim, parece mais branco do que no começo e contém mais gordura, que vai fornecer energia. A criança necessita tanto do leite do começo quanto do final para poder crescer e desenvolver-se bem. É importante deixar que o bebê pare de mamar espontaneamente, pois se interrompermos a amamentação, podemos fazer com que a criança não receba quantidade suficiente do leite energético.

O aleitamento materno deve ser exclusivo, em livre demanda, até os seis meses de vida, pois o leite fornece tudo que a criança precisa neste período.

Os Tipos de Aleitamento Materno

– Aleitamento materno exclusivo – somente LM, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos (gotas ou xaropes – vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos);
– Aleitamento materno predominante – além do LM, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões) e sucos de frutas;
– Aleitamento materno complementado – além do LM, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar;
– Aleitamento materno misto ou parcial – quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite.
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007a)

 

Algumas Recomendações da Amamentação pelo Ministério da Saúde

A Amamentação deve ser exclusiva nos 6 primeiros meses, sendo continuada até os 2 anos de idade ou mais.

[Button id=”230″]

A Placenta Prévia

placentaprevia_Novo

A Placenta Prévia é uma patologia onde a placenta implanta-se no colo do útero, isto é, no fundo do útero. Isso não é nada bom. É caracterizada por um sangramento vaginal indolor nas últimas 12 semanas de gestação, mas pode acontecer antes.

O posicionamento inadequado da placenta provoca sangramentos, afetando a oxigenação do bebê, colocando-o em perigo.

Tipos de Placenta Prévia

Existem quatro tipos de placenta prévia. O tipo de placenta prévia define o tratamento mais indicado e se a mãe deve fazer uma cesárea ou poderá optar pelo parto  normal. É importante ressaltar que todos os tipos de placenta prévia podem causar hemorragia intensa em algum momento, implicando na necessidade de cesárea de emergência.

– Placenta baixa – A placenta apresenta inserção baixa, mas não chega a encobrir a saída do útero;
– Placenta prévia marginal – A borda da placenta chega a encostar na abertura do colo do útero, mas não chega a obstruí-lo.
– Placenta prévia parcial – A placenta cobre parcialmente a saída do útero;
– Placenta prévia total – A placenta cobre totalmente a saída do útero.

Atualmente, porém, a classificação da placenta prévia foi reduzida para apenas 2 categorias, que acabam por ditar a forma de parto a ser escolhida.

[Button id=”21″]

O Ciclo Menstrual

Ciclo Menstrual

O ciclo menstrual é o conjunto de mudanças periódicas que ocorrem no ovário e no útero da mulher, nesse processo, o corpo da mulher é preparado para a liberação de um óvulo e sua possível fecundação.

Cada ciclo menstrual tem a duração aproximada de 28 dias. Até a metade do ciclo ocorre a ovulação – o processo de liberação de um óvulo de um ovário até a tuba uterina.

A mulher é mais fértil no período de ovulação, ou seja, é quando tem maior probabilidade de gerar filhos.
Uma vez ocorrida a ovulação, podem suceder duas coisas:

 – Se depois de transcorridas 24 horas o óvulo não for fecundado, 14 dias depois ocorre a menstruação: o desprendimento de parte do endométrio, camada vascularizada que recobre o útero preparada para abrigar o embrião. Essa expulsão do endométrio envolve uma hemorragia e dura cerca de 5 dias.

– Se o óvulo é fecundado, ocorre a gravidez e o ciclo menstrual é interrompido até que a gestação seja concluída.

Os ciclos menstruais vão se sucedendo periodicamente desde o início da puberdade até a menopausa (excetuando-se os períodos de gravidez, se ocorrerem). Os ciclos são regulados pela ação combinada dos hormônios sexuais produzidos no ovário e de hormônios produzidos na hipófise.

Fases do ciclo menstrual

Na realidade, do ciclo menstrual participam três ciclos diferentes:

  • O ciclo dos hormônios da hipófise. Na hipófise são produzidos dois hormônios: o estimulante do folículo (FSH) e o luteinizante (LH). A concentração desses hormônios varia periodicamente.
  • O ciclo ovariano. É controlado pelo ciclo dos hormônios hipofisários. Ocorre no ovário: a cada período de 28 dias começa a maturação de um folículo imaturo, que se transforma em um folículo maduro e libera um óvulo. Depois disso, a parte restante do folículo forma o corpo lúteo (amarelo).
  • O ciclo menstrual. Depende do ciclo ovariano e tem sua origem nas mudanças da camada interna do útero – o endométrio. Em cada ciclo, o endométrio aumenta de tamanho e fica repleto de vasos sanguíneos; torna-se, então, apto para abrigar o embrião, produto da fecundação. Quando não ocorre fecundação, há desprendimento de grande parte do endométrio por meio da vagina, o que constitui a menstruação.

FASE FOLICULAR

Ocorre entre o 1º e o 14º dia do ciclo, aproximadamente. O aumento da concentração de FSH faz com que um ou vários folículos comecem a crescer e a se desenvolver até se converterem em folículos ováricos vesiculosos. O começo dessa fase é quando se dá a menstruação, a descamação de parte do endométrio, aumentado durante o ciclo anterior. É o início da menstruação que marca o primeiro dia do ciclo.

O folículo em desenvolvimento produz estrógenos, hormônios que determinam novamente o espessamento do endométrio, preparando-o para alojar um novo embrião.

OVULAÇÃO

O aumento da concentração do hormônio hipofisário LH provoca a ovulação, isto é, a expulsão do óvulo do folículo. Como consequência, a parte restante que permanece no ovário forma o corpo lúteo.

A ovulação ocorre aproximadamente no 14º dia do ciclo. O óvulo passa para a tuba uterina, na qual sobrevive por cerca de 24 horas; depois disso, sem a ocorrência de fecundação, o óvulo degenera.

FASE LÚTEA

O corpo lúteo segrega o hormônio progesterona. Esse hormônio permite que o endométrio atinja a máxima espessura, com abundantes vasos sanguíneos e capacidade de receber o embrião. No final dessa etapa, se não ocorrer fecundação, o corpo lúteo degenera e deixa de produzir a progesterona. A falta de progesterona determina o desaparecimento de parte do endométrio (menstruação), marcando o início do ciclo seguinte.

Ciclos irregulares

O ciclo menstrual não ocorre sempre da mesma forma. Pode ser mais ou menos longo; a ovulação pode adiantar ou atrasar alguns dias. Além disso, é frequente que os primeiros ciclos menstruais, na puberdade, sejam mais irregulares. Por outro lado, algumas mulheres têm os ciclos menstruais mais irregulares que outras.

A duração total do ciclo pode oscilar entre 23 e 35 dias, sem que seja considerado anormal. É frequente que a mulher tenha dor antes da menstruação. Nesse caso, deve buscar atendimento médico.

 

Tipos de Gestações Gemelares

Gestações Gemelares

[Button id=”81″]

Síndrome de HELLP

Síndrome de HELLP

A Síndrome de Hellp é uma complicação obstétrica grave, pouco conhecida e de difícil diagnóstico, que pode causar a morte da mãe e também do bebê. É chamada de síndrome porque envolve um conjunto de sinais e sintomas, e hellp, em razão da abreviação dos termos em inglês que querem dizer: H: hemólise (fragmentação das células do sangue); EL: elevação das enzimas hepáticas, e LP: baixa contagem de plaquetas. É importante lembrar que as plaquetas são células que auxiliam na coagulação sanguínea, e por isso um dos sintomas dessa síndrome é a hemorragia.

Embora ocorra isoladamente, a Síndrome de Hellp geralmente aparece como sendo uma complicação da pré-eclâmpsia, que é a hipertensão gerada pela gravidez. Especialistas calculam que cerca de 8% das mulheres que sofrem de pré-eclâmpsia, desenvolvem a Síndrome de Hellp. Quando uma gestante com pré-eclâmpsia apresenta alterações laboratoriais e exames clínicos compatíveis com hemólise, alteração das enzimas hepáticas e queda na contagem das plaquetas, ela está com Síndrome de Hellp.

Os sinais e sintomas da Síndrome de Hellp podem ser facilmente confundidos com os da pré-eclâmpsia grave, que são dor na parte alta ou central do abdome, cefaleia, náuseas, vômitos e mal estar generalizado. Quanto não é feita uma correta avaliação laboratorial, esses sintomas podem passar despercebidos, sendo feito o diagnóstico apenas quando a Síndrome de Hellp se agrava, provocando edema agudo dos pulmões, insuficiência renal, falência cardíaca, hemorragias e ruptura do fígado, podendo ocasionar a morte materna.

Mulheres que sofrem de doenças crônicas do coração e rim, e pacientes com lúpus e diabetes têm mais predisposição para desenvolver a síndrome. Infelizmente não existem meios de evitá-la, sendo que somente as mulheres que já desenvolveram essa síndrome, ao engravidarem novamente, poderão se prevenir para diminuir o risco.

O único tratamento capaz de frear os efeitos da Síndrome de Hellp é o término da gestação, que pode ser feito através de uma cesariana ou indução do parto. Caso a gestante apresente um quadro estável, o médico pode optar por ministrar medicamentos para induzir o amadurecimento pulmonar fetal, reduzindo as complicações neonatais e o tempo de internação na Unidade de Terapia Intensiva.

Como já dissemos, não há prevenção para essa doença, mas o diagnóstico precoce aumentam as chances de que mãe e bebê sobrevivam.

Pré-Eclâmpsia

Pré-Eclâmpsia

A Pré-eclâmpsia (também conhecida por Toxemia e, quando o quadro é acrescido de convulsão e coma constitui-se a eclâmpsia), é caracterizada por hipertensão (alta pressão arterial), edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20ª semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta.

No meio médico, o termo usado é MHEG – Moléstia Hipertensiva Específica da Gravidez ou SHEG- Síndrome Hipertensiva Específica da Gravidez. O termo toxemia, apesar de consagrado, não é tão fiel, pois nunca se demonstrou a existência de uma toxina que levasse a esta moléstia.

A pré-eclâmpsia pode ser leve ou severa (grave). Pode restringir severamente a circulação sanguínea para a placenta, o bebê pode ser perigosamente afetado. Se não tratada, a pré-eclâmpsia pode se desenvolver em uma eclâmpsia, o que pode ser ainda mais perigoso tanto para a mãe quanto para o bebê.

A retenção de líquidos ocorre porque a toxemia tem menor capacidade de excretar sódio e portanto, o retém, mesmo sob dietas hipossódicas.

Os recém-nascidos de mulheres pré-eclâmpsias têm 4 a 5 vezes mais probabilidades de ter problemas pouco depois do parto do que os de mulheres que não sofram dessa doença. Os recém-nascidos podem ser pequenos porque a placenta funciona mal ou porque são prematuros.

Qual é a causa?

Não se conhece a causa.

Quais os riscos de desenvolver tal quadro?

A pré-eclâmpsia verifica-se em 5 % das mulheres grávidas. É mais frequente na primeira gravidez e nas mulheres que já têm a tensão arterial elevada ou que sofrem de um problema nos vasos sanguíneos. A eclâmpsia surge em 1 de cada 200 mulheres que têm pré-eclâmpsia e, em geral, é mortal, a menos que seja tratada com rapidez. No entanto, desconhecem-se as causas da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia . O risco mais importante da pré-eclâmpsia é o desprendimento prematuro da placenta da parede uterina.

Na pré-eclâmpsia, a tensão arterial é superior a 140/90 mmHg, aparecem edemas (no rosto, pernas ou nas mãos e são detectados valores anormalmente elevados de proteínas na urina. Também se considera que tem pré-eclâmpsia uma mulher cuja tensão arterial aumenta consideravelmente, mas mantém-se abaixo dos 140/90 mmHg durante a gravidez.

A ocorrência também fica mais restrita à primeira gravidez e, embora a gestante possa desenvolver a pré-eclâmpsia mesmo que nunca tenha tido problemas de hipertensão antes, ela está em maior risco se já tiver problemas de pressão alta antes da gravidez ou se há casos na família.

Como se faz o diagnóstico?

Através da pressão arterial diastólica (mínima) igual ou superior a 90 mmHg ou o aumento da pressão arterial acima de 15 mmHg do valor medido antes de 20 semanas de gestação.

Quando a hipertensão na gravidez estiver associada a perda de proteínas pela urina (proteinúria), teremos um quadro chamado PRÉ -ECLÂMPSIA ou TOXEMIA GRAVÍDICA.

Como prevenir?

A pré-eclâmpsia é relativamente rara e embora não haja exatamente como se prevenir, o que pode-se fazer é assegurar bons cuidados pré-natais, visando detectar o problema ainda nos primeiros estágios, podendo assim realizar o tratamento preventivo à eclâmpsia. São utilizados testes de urina e acompanhamento da pressão arterial ao longo da gravidez visando detectar problemas arteriais.

Como tratar?

Ao contrário da tensão arterial elevada (hipertensão), a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia não respondem aos diuréticos (fármacos que eliminam o excesso de líquido) nem às dietas de baixo teor em sal. Aconselha-se a mulher a que consuma uma quantidade normal de sal e que beba mais água. O repouso na cama é importante. Em geral, também é aconselhada a virar-se sobre o lado esquerdo, visto que assim é exercida menor pressão sobre a grande veia do abdômen (veia cava inferior), que devolve o sangue ao coração, e melhora o fluxo sanguíneo.Em certos casos, pode ser administrado sulfato de magnésio por via endovenosa para fazer descer a tensão arterial e evitar as convulsões.

Em caso de pré-eclâmpsia ligeira, acamamento pode ser suficiente, mas a mulher deverá consultar o seu médico de 2 em 2 dias. Se não melhorar com rapidez, deve ser hospitalizada e, se o problema continuar, o parto deve ser provocado quanto antes.

Uma mulher que sofra de pré-eclâmpsia grave deve ser hospitalizada e permanecer na cama. O fato de administrar líquidos e sulfato de magnésio por via endovenosa muitas vezes alivia os sintomas. Em 4 a 6 horas a tensão arterial costuma baixar até atingir valores normais e pode-se proceder ao parto sem correr nenhum risco. Se a tensão arterial continuar alta, são administrados mais fármacos antes de se tentar provocar o parto.

Uma importante complicação da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia graves é a síndrome HELLP, que consiste no seguinte:

  • Hemólise (destruição de glóbulos vermelhos);
  • Aumento dos enzimas hepáticos (liver), que indicam lesão hepática;
  • Baixa (low, em inglês) contagem de plaquetas, o que indica uma deficiente capacidade de coagulação do sangue (um problema potencialmente grave durante e depois do parto).

A síndrome HELLP é mais provável que apareça quando se atrasa a instituição do tratamento da pré-eclâmpsia. Se surgir a síndrome, deve-se fazer uma cesariana, o método disponível mais rápido, a não ser que o colo uterino esteja suficientemente dilatado para permitir um rápido nascimento pela vagina.

Depois do nascimento, controla-se exaustivamente a mulher para detectar sinais de eclâmpsia. Uma quarta parte dos casos de eclâmpsia acontece depois do parto, em geral nos primeiros 2 a 4 dias. À medida que o estado da mulher melhora de forma gradual, é incentivada a caminhar um pouco. Mesmo assim, pode ser-lhe administrado um sedativo suave para controlar a tensão arterial. A hospitalização pode durar de poucos dias a algumas semanas, conforme a gravidade da doença e suas complicações. Mesmo depois de ter sido dada alta, é possível que a mulher tenha que tomar medicamentos para reduzir a tensão arterial. Em geral, deve consultar o médico, pelos menos de 2 em 2 semanas durante os primeiros meses depois do parto. A sua tensão arterial pode, no entanto, manter-se elevada durante 6 a 8 semanas, mas, caso mantenha-se alta durante mais tempo, talvez a sua causa se deva a outro problema e não à pré-eclâmpsia.

Quanto ao recém-nascido, encontram-se altos índices de prematuridade (80%), muitas vezes motivada pela própria antecipação do parto, e em 30% dos casos eles são pequenos para idade gestacional

Cuidados de Enfermagem à Mulher em Pré-Eclâmpsia

  • Explicar à paciente e ao seu acompanhante o processo patológico e a necessidade de períodos de repouso em decúbito lateral esquerdo.
  • Permitir tempo para perguntas da paciente ou acompanhante.
  • Manter o ambiente tranqüilo.
  • Monitorar os sinais vitais de hora em hora, de acordo com a prescrição médica.
  • Coletar sangue para realização de exames, caso seja solicitado pela equipe médica.
  • Instruir quanto à importância de relatar sintomas como cefaléia, alterações visuais, tonteira e dor epigástrica.
  • Puncionar e manter acesso venoso periférico, de acordo com a prescrição médica.
  • Aplicar medicações conforme prescrição médica.
  • Manter grades laterais elevadas para evitar lesão em caso de convulsão.
  • Preparar a unidade da paciente mantendo material para oxigenoterapia (fluxômetro, catéteres, umidificador, máscara de Hudson e macronebulizador) prontos para utilização.
  • Preparar e manter próximo ao leito material para uma possível parada cardiorrespiratória.
  • Tomar as medidas para a possibilidade de cesariana (preparação da sala cirúrgica, materiais e equipamentos necessários).
  • Reunir os equipamentos e materiais necessários para os cuidados imediatos e possível reanimação do RN.

[Button id=”65″]

Regra de Naegele (Cálculo da Data Provável do Parto DPP)

Regra de Naegele

Regra de Naegele é uma forma padronizada de calcular a data provável do parto (DPP) de uma gestante, subtraindo três meses e adicionando sete dias à data da última menstruação (DUM) relatada pela mulher.

O resultado é aproximadamente 280 dias (40 semanas) após o último período menstrual. Outro método consiste em adicionar nove meses e 7 dias à data da última menstruação.

A regra de Naegele recebeu este nome por causa de Franz Karl Naegele (1778–1851), o obstetra alemão que a desenvolveu. Naegele nasceu em 17 de julho de 1778, em Düsseldorf, Alemanha. Em 1806, Naegele se tornou professor e diretor da maternidade de Heidelberg. Sua obra Lehrbuch der Geburtshilfe foi publicada pela primeira vez em 1830 para assistentes de parto e reeditada mais 14 vezes.

Esta regra estima a data provável do parto (DPP) a partir do primeiro dia do último período menstrual da mulher (data da última menstruação – DUM). Deve-se subtrair três meses e adicionar sete dias à DUM, ajustando o ano. O resultado é de aproximadamente 280 dias (40 semanas) após a DUM.

Exemplo:
O primeiro dia do período foi 5 de maio de 2009.
Menos três meses: 5 de fevereiro de 2009.
Mais sete dias: 12 de fevereiro.
Mais um ano: 12 de fevereiro de 2010.

#Paranaoesquecer
#Compartilheconhecimento

Regra de Naegele