Bactérias: Formas e Flagelos

As bactérias, esses microrganismos unicelulares onipresentes, exibem uma diversidade surpreendente em suas formas e estruturas. Para nós, estudantes de enfermagem e futuros profissionais, entender essa variedade é fundamental, pois ela influencia a forma como as bactérias se movem, interagem com o ambiente e, em alguns casos, causam doenças.

Vamos explorar juntos essa rica taxonomia bacteriana, focando em sua morfologia básica e na presença e arranjo de flagelos.

Desvendando as Formas: Um Universo de Cocos, Bacilos e Espirais

A forma de uma bactéria é uma de suas características mais distintivas e uma das primeiras maneiras pelas quais elas são classificadas. Existem basicamente três formas principais, com algumas variações interessantes:

  • Cocos: Essas bactérias possuem uma forma esférica ou oval, lembrando pequenas bolinhas. Elas podem ocorrer isoladamente (cocos), aos pares (diplococos, como Neisseria gonorrhoeae), em cadeias (estreptococos, como Streptococcus pyogenes), em agregados irregulares semelhantes a cachos de uva (estafilococos, como Staphylococcus aureus) ou em grupos de quatro (tétrades) ou oito (sarcinas).
  • Bacilos: As bactérias com essa forma são alongadas e cilíndricas, como pequenos bastões. Assim como os cocos, podem se apresentar isoladamente (bacilos, como Escherichia coli), aos pares (diplobacilos), em cadeias (estreptobacilos, como Bacillus anthracis) ou em um formato mais curto e ovalado, sendo então denominados cocobacilos (como Haemophilus influenzae).
  • Espirais: Este grupo engloba bactérias com um formato helicoidal. Dentro dessa categoria, encontramos algumas subdivisões:
    • Vibriões: Bactérias que se assemelham a uma vírgula, apresentando uma curvatura em sua forma (como Vibrio cholerae).
    • Espirilos: Bactérias com um corpo espiralado rígido, que geralmente se movem utilizando flagelos (como algumas espécies do gênero Spirillum).
    • Espiroquetas: Bactérias espiraladas mais longas e flexíveis, que possuem filamentos axiais (fibrilas internas semelhantes a flagelos) responsáveis por seu movimento ondulatório característico (como Treponema pallidum, causador da sífilis, e Leptospira interrogans, causadora da leptospirose).

A Importância dos Flagelos: Apêndices para a Locomoção e Mais

Muitas bactérias possuem flagelos, estruturas filamentosas longas que se projetam da superfície celular e atuam como propulsores, permitindo a motilidade bacteriana. A presença e o arranjo dos flagelos são outra característica importante na classificação e identificação bacteriana:

  • Monotríquia: A bactéria possui um único flagelo em uma das extremidades da célula (por exemplo, Vibrio cholerae).
  • Anfitríquia: A bactéria apresenta um flagelo em cada extremidade da célula (por exemplo, Campylobacter jejuni).
  • Lofotríquia: A bactéria possui um tufo de flagelos em uma das extremidades (por exemplo, algumas espécies de Pseudomonas).
  • Peritríquia: A bactéria é coberta por flagelos que se distribuem por toda a sua superfície (por exemplo, Escherichia coli e Salmonella).

A motilidade conferida pelos flagelos é crucial para a sobrevivência de muitas bactérias, permitindo que elas se movam em direção a nutrientes, se afastem de substâncias tóxicas e, em alguns casos, colonizem seus hospedeiros. O movimento flagelar ocorre através da rotação do flagelo, impulsionando a célula através do ambiente líquido.

O Olhar da Enfermagem: Implicações Clínicas e Cuidados Essenciais

Compreender a forma e a presença de flagelos nas bactérias pode ter implicações indiretas em nossa prática de enfermagem:

  • Identificação e Diagnóstico: Embora a identificação específica das bactérias seja realizada em laboratório por meio de coloração, cultura e testes bioquímicos, o conhecimento da morfologia básica pode fornecer pistas iniciais sobre o tipo de microrganismo envolvido em uma infecção.
  • Mecanismos de Patogenicidade: A motilidade conferida pelos flagelos pode ser um fator de virulência em algumas bactérias, facilitando a adesão a células hospedeiras e a disseminação da infecção.
  • Prevenção da Disseminação: Nossos cuidados de higiene, como a lavagem rigorosa das mãos, a desinfecção de superfícies e o uso adequado de equipamentos de proteção individual, são cruciais para interromper a cadeia de transmissão de bactérias, independentemente de sua forma ou motilidade.
  • Coleta de Amostras: Ao coletar amostras para exames microbiológicos (por exemplo, secreções, urina, sangue), é importante seguir as técnicas corretas para garantir a integridade da amostra e a identificação precisa do microrganismo causador da infecção.
  • Educação do Paciente: Informar os pacientes sobre a importância da higiene pessoal e das medidas preventivas para evitar a propagação de infecções bacterianas, independentemente da forma ou se possuem flagelos.

O estudo da bacteriologia, incluindo a morfologia e a motilidade bacteriana, é um componente essencial da nossa formação como enfermeiros, capacitando-nos a entender melhor o mundo microbiano e a fornecer um cuidado mais seguro e eficaz aos nossos pacientes.

Referências:

  1. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
  2. KONEMAN, E. W. et al. Diagnóstico Microbiológico: Texto e Atlas Colorido. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
  3. MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; BENDER, K. S.; BUCKLEY, D. H.; SATTLER, W. C. Brock Biology of Microorganisms. 15. ed. Boston: Pearson, 2018. 

Entendendo sobre o Fator RH

No vasto universo da hematologia, um conceito se destaca pela sua importância clínica, especialmente quando falamos sobre transfusões sanguíneas e a saúde materno-fetal: o Fator Rh.

Embora possa parecer um tanto técnico à primeira vista, entender o Fator Rh é crucial para nós, profissionais e futuros profissionais de enfermagem, pois ele influencia diretamente a compatibilidade sanguínea e pode ter implicações significativas na prática clínica.

Vamos desmistificar esse tema de forma clara e detalhada.

O Que Raios é o Fator Rh? Uma Proteína na Membrana Vermelha

Imagine nossas células vermelhas do sangue, os glóbulos vermelhos, como pequenos veículos transportando oxigênio pelo corpo. Na superfície desses “veículos”, existem diversas proteínas, como se fossem “bandeirinhas” que identificam o tipo sanguíneo de cada pessoa (sistema ABO, por exemplo). O Fator Rh é justamente uma dessas “bandeirinhas”, uma proteína específica chamada antígeno D.

Se uma pessoa possui essa proteína D na superfície de suas hemácias, dizemos que ela é Rh positiva (Rh+). É como se o “veículo” tivesse essa “bandeirinha” do Rh. Por outro lado, se essa proteína está ausente, a pessoa é classificada como Rh negativa (Rh-), ou seja, o “veículo” não possui essa “bandeirinha” específica.

Essa simples presença ou ausência dessa proteína tem implicações importantes, principalmente quando se trata de misturar sangue de diferentes pessoas, como em transfusões, ou durante a gestação, quando o sangue da mãe e do bebê podem entrar em contato.

A Genética por Trás do Rh: Uma Herança Familiar

A presença ou ausência do Fator Rh é determinada geneticamente, sendo herdada dos nossos pais. O gene responsável pelo Fator Rh pode apresentar duas formas principais, ou alelos: o alelo D (dominante) e o alelo d (recessivo).

Uma pessoa será Rh positiva (Rh+) se herdar pelo menos um alelo D (podendo ter as combinações DD ou Dd). Já para ser Rh negativa (Rh-), a pessoa precisa herdar dois alelos d (combinação dd). Essa herança genética explica por que pais Rh+ podem ter filhos Rh- e vice-versa, dependendo das combinações genéticas que eles possuem.

A Importância Clínica: Transfusões Sanguíneas e a Incompatibilidade Rh

A principal relevância do Fator Rh reside na compatibilidade sanguínea durante as transfusões. Assim como no sistema ABO, onde é crucial transfundir sangue compatível para evitar reações transfusionais graves, o mesmo se aplica ao Fator Rh.

  • Receptor Rh+: Uma pessoa Rh positiva pode receber sangue tanto de doadores Rh+ quanto Rh-, pois seu organismo já reconhece a proteína D como “própria” e não irá atacá-la.
  • Receptor Rh-: Uma pessoa Rh negativa, por outro lado, não possui a proteína D. Se receber sangue Rh+, seu sistema imunológico reconhecerá essa proteína como “estranha” e poderá desenvolver anticorpos anti-D. Em uma transfusão subsequente com sangue Rh+, essa pessoa poderá apresentar uma reação hemolítica transfusional, uma complicação grave. Portanto, receptores Rh- devem idealmente receber apenas sangue Rh-.

Essa necessidade de compatibilidade Rh é fundamental na prática transfusional para garantir a segurança do paciente.

A Incompatibilidade Rh na Gestação: Um Risco para o Bebê

A incompatibilidade Rh também assume um papel crucial durante a gestação, quando uma mãe Rh negativa (Rh-) carrega um feto Rh positivo (Rh+), herdando o fator Rh do pai. Essa situação, conhecida como incompatibilidade Rh materno-fetal, pode levar a complicações sérias para o bebê.

Durante a primeira gestação de um feto Rh+ por uma mãe Rh-, geralmente não há problemas significativos, pois o sangue da mãe e do feto normalmente não se misturam em grande quantidade. No entanto, durante o parto ou em procedimentos invasivos durante a gravidez (como amniocentese), pode ocorrer uma pequena passagem de sangue fetal Rh+ para a circulação materna Rh-.

O sistema imunológico da mãe Rh- reconhecerá as hemácias Rh+ do feto como “estranhas” e começará a produzir anticorpos anti-D. Esses anticorpos são como “soldados” de defesa. Na primeira gestação, a produção desses anticorpos geralmente é lenta e em quantidade insuficiente para causar grandes problemas ao feto.

O problema surge em gestações subsequentes de fetos Rh+. Os anticorpos anti-D já produzidos na primeira gestação (a “memória” imunológica) podem atravessar a placenta e atacar as hemácias Rh+ do novo feto. Essa destruição das hemácias fetais leva à Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN), também conhecida como eritroblastose fetal.

A DHRN pode variar de leve a grave, causando anemia, icterícia (pele e olhos amarelados), hidropisia fetal (inchaço generalizado) e, em casos extremos, levar ao óbito do feto ou do recém-nascido.

A Prevenção é a Chave: A Imunoglobulina Anti-Rh (Matergam)

Felizmente, existe uma forma eficaz de prevenir a DHRN: a administração de imunoglobulina anti-Rh (IgG anti-D), popularmente conhecida como Matergam. Essa imunoglobulina é uma solução contendo anticorpos anti-D prontos.

A administração da IgG anti-D à mãe Rh- em momentos estratégicos da gravidez (geralmente por volta da 28ª semana de gestação) e dentro de 72 horas após o parto de um bebê Rh+ impede que o sistema imunológico materno seja sensibilizado e comece a produzir seus próprios anticorpos anti-D. A IgG anti-D age como uma “capa” nas hemácias fetais que possam ter entrado na circulação materna, “escondendo-as” do sistema imune da mãe.

A administração da IgG anti-D também é recomendada após eventos que possam levar à mistura de sangue materno e fetal, como aborto, gravidez ectópica, amniocentese ou sangramento vaginal durante a gestação.

Cuidados de Enfermagem Essenciais Relacionados ao Fator Rh

Como profissionais de enfermagem, precisamos estar atentos aos aspectos relacionados ao Fator Rh em diversas situações:

  • Na assistência pré-natal: Identificar gestantes Rh- e verificar o fator Rh do parceiro. Realizar o Coombs indireto na gestante para verificar a presença de anticorpos anti-D. Administrar a imunoglobulina anti-Rh profilaticamente conforme o protocolo.
  • Durante o trabalho de parto e parto: Estar atento ao fator Rh da mãe e do recém-nascido. Administrar a imunoglobulina anti-Rh à mãe Rh- com recém-nascido Rh+ dentro do prazo recomendado.
  • Em transfusões sanguíneas: Garantir a compatibilidade Rh entre doador e receptor, seguindo rigorosamente os protocolos de segurança transfusional.
  • Na coleta de amostras: Identificar corretamente o fator Rh do paciente nos exames laboratoriais.
  • Na educação do paciente e da família: Explicar a importância do Fator Rh, especialmente para gestantes Rh- e pacientes que necessitam de transfusão.

A nossa atenção e conhecimento sobre o Fator Rh são cruciais para prevenir complicações graves e garantir a segurança e o bem-estar dos nossos pacientes.

O Fator Rh, embora seja uma característica simples das nossas células sanguíneas, possui implicações profundas na prática clínica da enfermagem. Compreender sua genética, sua importância na compatibilidade sanguínea e seu papel na gestação nos capacita a prestar um cuidado mais seguro, informado e humanizado.

Ao longo da nossa jornada como estudantes e futuros profissionais, o conhecimento sobre o Fator Rh será um aliado indispensável em diversas situações de cuidado.

Referências:

  1. ABO Blood Group System. (2023, December 1). In Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/ABO_blood_group_system
  2. Rh blood group system. (2024, March 28). In Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Rh_blood_group_system
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual de atenção à mulher no ciclo gravídico-puerperal. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_mulher_ciclo_gravidico_puerperal.pdf
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Técnico de Hemoterapia. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  5. AMERICAN PREGNANCY ASSOCIATION. Rh Factor. 2023. Disponível em: https://americanpregnancy.org.
  6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEMOTERAPIA. Diretrizes para Transfusão Sanguínea. 2022. Disponível em: https://www.sbht.org.br.

Biomarcadores Cardíacos

Você já se perguntou como os médicos conseguem diagnosticar doenças cardíacas com tanta precisão?

Uma das ferramentas mais importantes nesse processo são os biomarcadores cardíacos. Essas substâncias, liberadas na corrente sanguínea em resposta a danos ou alterações no coração, funcionam como verdadeiros detetives, revelando pistas valiosas sobre a saúde do órgão.

O que são biomarcadores cardíacos?

Biomarcadores cardíacos são moléculas ou substâncias que podem fornecer informações importantes sobre a saúde do coração. Eles são liberados na corrente sanguínea em resposta a danos ou alterações no músculo cardíaco ou vasos e podem ser medidos por meio de exames de sangue.

Por que os biomarcadores são importantes?

Diagnóstico

 Os biomarcadores ajudam a confirmar o diagnóstico de doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio (IAM), miocardites e insuficiência cardíaca.

Prognóstico

 Ao avaliar os níveis de biomarcadores, os médicos podem estimar a gravidade da doença e prever o risco de complicações futuras.

Monitoramento

Os biomarcadores permitem acompanhar a evolução da doença e a resposta ao tratamento.

Principais tipos de biomarcadores cardíacos

Troponina

Considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, a troponina é uma proteína específica do músculo cardíaco.

Peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP)

 Essas substâncias são liberadas em resposta ao estiramento dos ventrículos cardíacos e são utilizadas no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca.

Mioglobina

 Uma proteína muscular que pode ser liberada rapidamente após uma lesão cardíaca, mas não é específica do coração.

CK-MB

Uma enzima que, embora não seja específica do coração, pode ser útil no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio quando combinada com outros marcadores.

Outros biomarcadores

 Existem outros biomarcadores em estudo, como a proteína C reativa, que podem fornecer informações adicionais sobre o risco cardiovascular.

Como os biomarcadores são utilizados na prática clínica?

A dosagem dos biomarcadores cardíacos é realizada através de um simples exame de sangue. Os resultados são interpretados pelo médico em conjunto com outras informações clínicas, como o histórico médico do paciente, os sintomas e os resultados de outros exames.

Cuidados de Enfermagem

A coleta de biomarcadores cardíacos é um procedimento fundamental para o diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças cardiovasculares. O enfermeiro desempenha um papel crucial nessa etapa, garantindo a qualidade da amostra e o conforto do paciente.

Preparo do Paciente

  • Jejum: Orientar o paciente sobre o período de jejum necessário antes da coleta, geralmente de 8 a 12 horas.
  • Hidratação: Incentivar a ingestão de água nas horas que antecedem a coleta, a menos que haja restrição médica.
  • Medicamentos: Verificar se o paciente está fazendo uso de algum medicamento que possa interferir nos resultados do exame, como anticoagulantes.
  • Explicar o procedimento: Informar o paciente sobre o objetivo do exame, a forma como será realizado e a importância de seguir as orientações.

Coleta da Amostra

  • Identificação: Confirmar a identidade do paciente por meio de duas vias de identificação (pulseira de identificação e verbalmente).
  • Escolha do local da punção: Preferir veias de fácil acesso, como a fossa cubital.
  • Assepsia: Realizar a assepsia do local da punção com antisséptico adequado.
  • Punção venosa: Utilizar agulha e seringa apropriadas para a coleta, realizando a punção de forma rápida e segura.
  • Ordem de coleta: Seguir a ordem de coleta dos tubos, conforme as orientações do laboratório.
  • Volume adequado: Coletar o volume de sangue necessário para cada tubo, evitando hemólise.
  • Enxágue do tubo: Enxaguar o tubo com o anticoagulante, invertendo-o suavemente.
  • Remoção da agulha: Retirar a agulha e aplicar pressão no local da punção com gaze.
  • Etiquetagem: Identificar os tubos com os dados do paciente, data e hora da coleta.

Cuidados após a Coleta

  • Monitorização: Observar o local da punção, verificando a presença de hematomas ou sangramentos.
  • Compressão: Manter compressão no local da punção por alguns minutos.
  • Disposição do material: Descartar o material utilizado de acordo com as normas de biossegurança.

Transporte e Armazenamento

  • Transporte: Transportar os tubos com a amostra em recipiente adequado, protegido da luz e em temperatura ambiente.
  • Armazenamento: Armazenar a amostra no laboratório conforme as recomendações do fabricante do kit.

Prevenção de Erros

  • Verificar a solicitação médica: Confirmar a solicitação médica antes de realizar a coleta.
  • Identificação correta do paciente: Evitar erros na identificação do paciente.
  • Ordem de coleta: Respeitar a ordem de coleta dos tubos.
  • Volume adequado: Coletar o volume correto de sangue para cada tubo.
  • Hemólise: Evitar a hemólise da amostra, manipulando o material com cuidado.

Considerações Adicionais

  • Biosegurança: Utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) durante todo o procedimento.
  • Conforto do paciente: Oferecer suporte emocional ao paciente durante a coleta.
  • Registro: Registrar o procedimento no prontuário do paciente.

Referências:

  1. Martinez, P. F., Oliveira-Junior, S. A., Polegato, B. F., Okoshi, K., & Okoshi, M. P.. (2019). Biomarkers in Acute Myocardial Infarction Diagnosis and Prognosis. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 113(1), 40–41. https://doi.org/10.5935/abc.20190131
  2. Spineti, P. P. de M.. (2019). Biomarkers in Heart Failure. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 113(2), 205–206. https://doi.org/10.5935/abc.20190167
  3. PARECER TÉCNICO COREN/PR Nº 12/2023
  4. MENDES, Gustavo Silva. O papel do enfermeiro no cuidado do paciente com infarto agudo do miocárdio. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013. Disponível em: <https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-9JMN3K/1/o_papel_do_enfermeiro_no_cuidado_do_paciente_com_infarto_agudo_do__mioc_rdio.pdf&gt;

As vitaminas e seus tipos

As vitaminas são nutrientes essenciais que o organismo não consegue produzir, mas que precisa consumir através dos alimentos. Elas desempenham diversas funções no metabolismo, na imunidade, na visão, na pele, nos ossos, nos músculos, no sistema nervoso e na prevenção de doenças.

Os tipos

Existem dois tipos de vitaminas: as lipossolúveis e as hidrossolúveis.

As vitaminas lipossolúveis são as que se dissolvem em gordura e podem ser armazenadas no fígado e no tecido adiposo. São elas: A, D, E e K.

As vitaminas hidrossolúveis são as que se dissolvem em água e não são armazenadas no corpo, sendo eliminadas pela urina. São elas: C e as do complexo B (B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9 e B12).

Cada vitamina tem suas fontes alimentares específicas e seus sintomas de deficiência ou excesso. Por isso, é importante ter uma alimentação variada e equilibrada, que inclua frutas, verduras, legumes, cereais integrais, oleaginosas, carnes, ovos e laticínios.

Vitaminas Lipossolúveis

Vitamina A (Retinol/Beta-Caroteno)

  • Funções: Crescimento e desenvolvimento dos tecidos; ação antioxidante; funções reprodutivas; integridade dos epitélios;importante para a visão.
  • Fontes: Fígado, rim, nata, manteiga, leite integral, gema de ovo, queijo e peixes oleosos. Fontes de carotenos presentes na cenoura, abobrinha, batata doce, manga, melão, mamão, pimentão vermelho, brócolis, agrião, espinafre.
  • Hipovitaminose: Queratinização das membranas de mucosas que revestem o trato respiratório, tubo digestivo e trato urinário. Queratinização da pele e do epitélio do olho. Alterações na pele, insônia, acne, pele seca com descamações, diminuição do paladar e apetite, cegueira noturna, úlceras na córnea, perda de apetite, inibição do crescimento, fadiga, anormalidades ósseas, perda de peso, aumento da incidência de infecções.
  • Hipervitaminose: Dores nas articulações, afinamento de ossos longos, perda de cabelo e icterícia.

Vitamina D

  • Funções: Absorção de cálcio e fósforo. Auxilia o crescimento e a resistência dos ossos, dentes, músculos e nervos;
  • Fontes: Leite e derivados, margarinas e cereais enriquecidas, peixes gordos, ovos, levedo de cerveja.
  • Hipovitaminose: Anormalidades ósseas, raquitismo, osteomalácia;
  • Hipervitaminose: Hipercalemia, dor óssea, enfraquecimento, falhas no desenvolvimento, depósito de cálcio nos rins;

Vitamina E (Tocoferol)

  • Funções: Ação antioxidante, protege as células dos danos provocados pelos radicais livres, auxiliando na prevenção de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
  • Fontes: Óleos vegetais, nozes, amêndoa, avelã, gérmen de trigo, abacate, aveia, batata doce, vegetais verde-escuros.
  • Hipovitaminose: Anemia hemolítica, distúrbios neurológicos, neuropatia periférica e miopatia esquelética.
  • Hipervitaminose: Não existe toxicidade conhecida.

Vitamina K

  • Funções: Catalisar a síntese dos fatores de coagulação do sangue no fígado. A vitamina K atua na produção de protrombina, que combina com o cálcio para ajudar a produzir o efeito coagulante, além de ser necessária na manutenção da saúde dos ossos.
  • Fontes: Vegetais verdes folhosos, fígado, feijão, ervilha e cenoura.
  • Hipovitaminose: Tendência a hemorragias.
  • Hipervitaminose: Dispnéia e Hiperbilirrubinemia.

Vitaminas Hidrossolúveis

Vitamina C

  • Funções: Antioxidante, cicatrizante, atua no crescimento e manutenção dos tecidos corporais, incluindo matriz óssea, cartilagem, colágeno e tecido conjuntivo.
  • Fontes alimentares: Frutas cítricas, frutas vermelhas, maçã, tomate, batata inglesa, batata doce, repolho, brócolis.
  • Hipovitaminose: Pontos hemorrágicos na pele e nos ossos, capilares fracos, articulações frágeis, dificuldade de cicatrização de feridas, sangramento de gengivas.

As frutas exóticas também são excelentes fontes de vitamina C.

Vitaminas do Complexo B

As vitaminas do complexo B compreendem oito vitaminas, são elas:

Tiamina (B1)

  • Funções: Liberação de energia dos carboidratos, gorduras e álcool.
  • Fontes: Gérmen de trigo, ervilha, levedura, cereais matinais fortificados, amendoim, fígado, batata, carne de porco e vaca, fígado, grãos, leguminosas.
  • Hipovitaminose: Beribéri (dor e paralisia das extremidades, alterações cardiovasculares e edema), anorexia, indigestão, constipação, atonia gástrica, secreção insuficiente de ácido clorídrico, fadiga, apatia geral, enfraquecimento do músculo cardíaco, edema, insuficiência cardíaca e dor crônica no sistema músculo-esquelético.
  • Hipervitaminose: Pode interferir na absorção de outras vitaminas do complexo B.

Riboflavina (B2)

  • Funções: Disponibiliza a energia dos alimentos, crescimento em crianças, restauração e manutenção dos tecidos.
  • Fontes: Iogurte, leite, queijo, fígado, rim, coração, gérmen de trigo, cereais matinais vitaminados, grãos, peixes oleosos, levedura, ovos, siri, amêndoa, semente de abóbora, vegetais.
  • Hipovitaminose: Queilose (rachaduras nos cantos da boca), glossite (edema e vermelhidão da língua), visão turva, fotofobia, descamação da pele, dermatite seborréica.

Niacina (B3)

  • Funções: Necessária para a produção de energia nas células. Desempenha papel nas ações das enzimas no metabolismo dos ácidos graxos, respiração dos tecidos e eliminação de toxinas.
  • Fontes: Carnes magras, fígado, peixes oleosos, amendoim, cereais matinais vitaminados, leite, queijo cogumelo, ervilha, vegetais folhosos verdes, ovos, alcachofra, batata, aspargos.
  • Hipovitaminose: Fraqueza, pelagra, anorexia, indigestão, erupções na pele, confusão mental, apatia, desorientação, neurite.

Ácido Pantotênico (B5)

  • Funções: Transformação da energia de gorduras, proteínas e carboidratos em substâncias essenciais como hormônios e ácidos graxos.
  • Fontes: Fígado, rim, gema do ovo, leite, gérmen de trigo, amendoim, nozes, cereais integrais, abacate.
  • Hipovitaminose: Doenças neurológicas, cefaleia, cãibras e náuseas.

Piridoxina (B6)

  • Funções: Desempenha papel no sistema nervoso central, participa no metabolismo dos lipídios, na estrutura da fosforilase e no transporte de aminoácidos através da membrana celular.
  • Fontes: Gérmen de trigo, batata, banana, vegetais crucíferos, castanhas, nozes, peixe, abacate, semente de gergelim.
  • Hipovitaminose: Anomalias do sistema nervoso central, desordens da pele, anemia, irritabilidade e convulsões.
  • Hipervitaminose: Ataxia e neuropatia sensorial.

Biotina (B8)

  • Funções: Produção de energia através dos alimentos, síntese de gorduras, excreção dos resíduos de proteínas.
  • Fontes: Gema de ovo, fígado, rim, coração, tomate, levedura, aveia, feijão, soja, nozes, alcachofra, ervilha e cogumelo.
  • Hipovitaminose: Alterações cutâneas.

Folato (B9) – Ácido Fólico

  • Funções: Atua como coenzima no metabolismo dos carboidratos, mantém a função do sistema imunológico, juntamente com a vitamina B12, está presente na síntese de DNA e RNA, além de participar na formação e maturação de células do sangue.
  • Fontes: Vegetais folhosos verdes, fígado, beterraba, gérmen de trigo, cereais vitaminados, nozes, amendoim, grãos, leguminosas.
  • Hipovitaminose: Anemia megaloblástica, lesões de mucosas, má formação do tubo neural, problemas de crescimento, transtornos gastrointestinais, alterações na morfologia nuclear celular.

Cobalamina (B12)

  • Funções: Atua como coenzima no metabolismo dos aminoácidos e na formação da porção heme da hemoglobina; essencial para a síntese de DNA e RNA; participa na formação de células vermelhas do sangue.
  • Fontes: Alimentos de origem animal, fígado, rim, carne magra, leite, ovos, queijo, leveduras.
  • Hipovitaminose: Anemia perniciosa, anemia megaloblástica, distúrbios gastrointestinais.

Referências:

  1. “REECE, Jane B.; URRY, Lisa A.; CAIN, Michael L. ; WASSERMANN, Steven A.; MINOR, Peter V. Biologia de Campbell. 10 edição. Artmed. Pág. 894.
  2. BVS. Como utilizar o ácido fólico no período gestacional? Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/como-utilizar-o-acido-folico-no-periodo-gestacional/.
  3. UFRGS. Vitaminas hidrossolúveis. https://www.ufrgs.br/lacvet/site/wp-content/uploads/2013/10/vitam_hidroRodrigo.pdf&#8221;
  4. Veja mais sobre “Vitaminas” em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/vitaminas.htm

Ciclo de Krebs

O Ciclo de Krebs, também conhecido como Ciclo dos Ácidos Tricarboxílicos e Ciclo do Ácido Cítrico, refere-se a uma série de reações anfibólica, ou seja, anabólica e catabólica, com objetivo de produzir energia para as células. Essa é uma das três etapas do processo de respiração celular.

Nas eucariontes, o Ciclo de Krebs ocorre em grande parte na matriz da mitocôndria, já nos organismos procariontes esse etapa acontece no citoplasma. Essas reações são parte do metabolismo dos organismos aeróbicos – que utilizam oxigênio na respiração celular.

Respiração celular

Na perspectiva da bioquímica, a respiração celular é momento em que acontecem reações de quebra das ligações entre as moléculas gerando energia, a qual é aproveitada pelas células para realização de atividades vitais ao organismo.

Na respiração aeróbica, utilizada pela maioria dos seres vivos, é realizada a quebra da glicose, gerada na fotossíntese pelos organismos produtores e adquirida por meio da alimentação pelos consumidores. Esse processo pode ser resumido na equação abaixo:

C6H12O6 + 6 O2 –> 6 CO2 + 6 H2O + Energia

Mas não se engane com essa pequena equação. O processo de respiração celular é bastante complexo e há participação de várias enzimas e coenzimas, que realizam sucessivas oxidações da glicose.

Tudo isso é realizado em três etapas: a Glicólise, o Ciclo de Krebs e a Fosforilação Oxidativa ou Cadeia Respiratória, que levam à produção de gás carbônico, água e moléculas de adenosina trisfofato (ATP).

Fases do Ciclo de Krebs

O ciclo de Krebs é um circuito fechado, isto é, a molécula formada na última fase será utilizada na primeira. Veja abaixo o resumo dessas reações:

  • Primeira etapa: o acetilcoenzima A (acetil CoA), gerado na glicólise, se liga a uma molécula com quatro carbonos denominada de oxaloacetato, liberando o grupo CoA e gerando uma molécula com seis carbonos chamada de citrato.
  • Segunda etapa: o citrato é convertido no isômero isocitrato. Na verdade, essa fase ainda subdivide-se em duas: a remoção (2a) e a adição (2b) de uma molécula de água. Por isso é comum um Ciclo de Krebs com nove fases.
  • Terceira etapa: o isocitrato que foi gerado passa por oxidação e gera uma molécula de dióxido de carbono, restando então uma molécula com cinco carbonos chamada de alfacetoglutarato. Nessa etapa, a nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+) é reduzida e gera a NADH.
  • Quarta etapa: essa etapa é semelhante a anterior, porém o alfacetoglutarato sofre oxidação e o NAD+ é reduzido à NADH, fornecendo uma molécula de dióxido de carbono. A molécula que sobrou com quatro carbonos se liga à Coenzima A, gerando a succinol CoA.
  • Quinta etapa: o CoA do succinil CoA é substituído por um grupo de fosfato, que logo após é movido para o difosfato de adenosina (ADP) para formar o trifosfato de adenosina (ATP).
  • Algumas células utilizam a guanosina disfofato (GDP) no lugar da AD, formando como produto a guanosina trifosfato (GTP). A molécula de quatro carbonos formada nessa etapa é chamada de succinato.
  • Sexta etapa: consequentemente, o succinato gera mais uma molécula de quatro carbonos chamada de fumarato. Nessa reação, dois átomos de hidrogênio são transportados para FAD, gerando FADH2.
  • O FADH2 pode transferir seus elétrons imediatamente para a cadeia transportadora, pois a enzima que atua nessa etapa está localizada na membrana interna da mitocôndria.
  • Sétima etapa: nessa etapa, água é adicionada à molécula de fumarato que, consequentemente, é transformada em outra molécula de quatro carbonos denominada de malato.
  • Oitava etapa: dando fim ao ciclo de Krebs, o oxaloacetato, o composto de quatro carbonos inicial, é regenerado através da oxidação do malato. Além disso, uma nova molécula de NAD+ é reduzida para NADH. Um novo ciclo recomeça.
Referências:
  1. Junqueira, L. C. & Carneiro, J. Biologia Celular e Molecular. 9ª Edição. Editora Guanabara Koogan. 338 páginas. 2012.
  2. Guyton, A.C. & Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª Edição. Editora Elsevier. 1115 páginas. 2006