Conhecendo o Nursing Activities Score (NAS)

escore nas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

Na UTI, dois pacientes com diagnósticos semelhantes podem exigir quantidades muito diferentes de trabalho da equipe de enfermagem. É justamente essa diferença que o Nursing Activities Score (NAS) ajuda a tornar mensurável.

O NAS é um instrumento utilizado para avaliar a carga de trabalho de enfermagem em pacientes críticos, considerando as atividades realizadas ou exigidas nas últimas 24 horas. Ele foi desenvolvido a partir do TISS-28 e ampliou a avaliação para contemplar atividades assistenciais, administrativas e de suporte ao paciente e à família. O instrumento possui 23 itens distribuídos em sete categorias e pode atingir 176,8 pontos.

O que o NAS representa?

A pontuação final é expressa em porcentagem do tempo de trabalho de enfermagem necessário para aquele paciente nas 24 horas.

Um NAS de 100% corresponde a aproximadamente 24 horas de trabalho de um profissional de enfermagem. Como cada ponto equivale a cerca de 14,4 minutos, um paciente com NAS de 50% representa aproximadamente 12 horas de assistência no período de 24 horas.

Por exemplo, imagine uma UTI em que um paciente permaneceu em ventilação mecânica, recebeu drogas vasoativas, realizou terapia renal substitutiva e precisou de mobilizações frequentes. Mesmo que algumas dessas intervenções ocorram por poucos minutos, o conjunto delas aumenta consideravelmente a carga de trabalho registrada pelo NAS.

As 7 categorias do NAS

O instrumento está dividido em:

  1. Atividades básicas — monitorização e controles, exames laboratoriais, administração de medicamentos, higiene, cuidados com drenos, mobilização e posicionamento, suporte ao paciente e familiares e tarefas administrativas.
  2. Suporte ventilatório — suporte respiratório, cuidados com vias aéreas artificiais e intervenções para melhorar a função pulmonar.
  3. Suporte cardiovascular — uso de medicamentos vasoativos, reposição de grandes volumes, monitorização específica e reanimação cardiorrespiratória.
  4. Suporte renal — técnicas dialíticas e monitorização quantitativa do débito urinário.
  5. Suporte neurológico — monitorização da pressão intracraniana.
  6. Suporte metabólico — tratamento de alterações metabólicas e suporte nutricional parenteral ou enteral.
  7. Intervenções específicas — procedimentos realizados dentro ou fora da UTI que demandam participação da equipe de enfermagem.

Como funciona a pontuação?

Os 23 itens possuem valores específicos. Alguns apresentam subitens, como 1a, 1b e 1c, escolhidos de acordo com a intensidade ou o tempo dedicado à atividade. Esses subitens são mutuamente excludentes, portanto não devem ser somados entre si.

Os principais valores do instrumento incluem:

Item Atividade Pontuação
1a Monitorização e controles de rotina 4,5
1b Presença/observação ativa ≥ 2 h 12,1
1c Presença/observação ativa ≥ 4 h 19,6
2 Investigações laboratoriais 4,3
3 Medicação, exceto vasoativos 5,6
4a–4c Procedimentos de higiene 4,1–20,0
5 Cuidados com drenos 1,8
6a–6c Mobilização e posicionamento 5,5–17,0
7a–7b Suporte ao paciente/família 4,0–32,0
8a–8c Tarefas administrativas/gerenciais 4,2–30,0
9 Suporte respiratório 1,4
10 Vias aéreas artificiais 1,8
11 Melhora da função pulmonar 4,4
12 Medicação vasoativa 1,2
13 Grandes perdas de fluidos 2,5
14 Cateter de artéria pulmonar 1,7
15 Reanimação cardiorrespiratória 7,1
16 Hemofiltração/técnicas dialíticas 7,7
17 Controle quantitativo da diurese 7,0
18 Monitorização da pressão intracraniana 1,6
19 Tratamento de acidose/alcalose metabólica 1,3
20 Nutrição parenteral 2,8
21 Nutrição enteral 1,3
22 Intervenções específicas dentro da UTI 2,8
23 Intervenções específicas fora da UTI 1,9

A soma dos itens selecionados determina o NAS final do paciente. A estrutura e os valores permanecem baseados no instrumento original e na versão validada para o português.

Um exemplo que facilita entender

Se determinado paciente apresenta NAS de 80%, isso significa que suas necessidades de assistência corresponderam a aproximadamente 80% do tempo de um profissional durante as 24 horas, ou cerca de 19,2 horas de trabalho.

Em outro cenário, três pacientes com NAS de 40%, 60% e 90% totalizam 190%. Somados, eles representam uma demanda equivalente a aproximadamente 1,9 profissional em 24 horas. Isso ajuda o enfermeiro a visualizar a carga assistencial acumulada da unidade.

É nesse ponto que o NAS ganha importância gerencial. Durante um plantão com um paciente em ventilação mecânica, outro em terapia renal substitutiva e um terceiro dependente de mobilização por vários profissionais, observar apenas o número de leitos ocupados pode esconder uma carga de trabalho muito maior do que a quantidade de pacientes sugere.

NAS não é escala de gravidade

Essa diferença é fundamental. O NAS não foi criado para determinar diretamente a gravidade clínica, o risco de morte ou o prognóstico do paciente. Seu objetivo é mensurar a quantidade de trabalho de enfermagem relacionada ao cuidado.

Por isso, um paciente pode apresentar NAS elevado devido à grande demanda de cuidados mesmo sem necessariamente apresentar o maior risco de mortalidade da unidade. Estudos brasileiros demonstraram a validade do NAS como instrumento de mensuração da carga de trabalho em UTI, enquanto outros indicadores possuem finalidades diferentes.

NAS e dimensionamento da equipe

O resultado do NAS pode contribuir para o planejamento da força de trabalho, distribuição dos pacientes e avaliação da carga assistencial, mas não deve ser utilizado isoladamente como sinônimo de dimensionamento de enfermagem.

No Brasil, o planejamento da força de trabalho deve considerar diferentes características do serviço, incluindo complexidade, estrutura, tecnologia, atribuições profissionais e necessidades assistenciais. O Parecer Normativo Cofen nº 1/2024 estabelece parâmetros para esse planejamento, após a revogação da Resolução Cofen nº 543/2017.

Na prática, isso faz diferença durante a distribuição dos pacientes. Um enfermeiro pode perceber que a divisão aparentemente “igual” de três pacientes para cada profissional não significa necessariamente uma divisão equilibrada: a soma dos NAS pode revelar que um dos profissionais recebeu uma carga assistencial muito maior.

Cuidados de enfermagem na aplicação do NAS

A aplicação deve ser padronizada na instituição, com profissionais capacitados e critérios claros para interpretação dos itens. O registro deve representar as atividades efetivamente realizadas ou enquadradas segundo as definições do instrumento no período avaliado.

Também é importante evitar pontuar uma mesma atividade de maneira duplicada, respeitar os subitens mutuamente excludentes e conferir os registros assistenciais antes de fechar o escore. A confiabilidade do NAS depende diretamente da compreensão uniforme de seus critérios.

O NAS continua sendo uma ferramenta útil para transformar uma percepção subjetiva — “este paciente está dando muito trabalho” — em uma medida objetiva de carga de trabalho. Estudos recentes mostram que a ferramenta permanece amplamente utilizada para avaliar a demanda da enfermagem em unidades de terapia intensiva, inclusive em pesquisas multicêntricas e análises internacionais.

Resumo para salvar

Nursing Activities Score (NAS)

  • Avalia a carga de trabalho de enfermagem em UTI
  • Possui 23 itens divididos em 7 categorias
  • 100 pontos representam 100% do tempo de um profissional em 24 horas
  • O NAS auxilia no planejamento da força de trabalho

Referências:

  1. MIRANDA, D. R. et al. Nursing activities score. Critical Care Medicine, v. 31, n. 2, p. 374-382, 2003. DOI: 10.1097/01.CCM.0000045567.78801.CC. PubMed – Nursing Activities Score
  2. QUEIJO, A. F.; PADILHA, K. G. Nursing Activities Score (NAS): cross-cultural adaptation and validation to Portuguese language. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 43, número especial 1, p. 1018-1025, 2009. DOI: 10.1590/S0080-62342009000500004. Revista da Escola de Enfermagem da USP
  3. COFEN. Parecer Normativo nº 1/2024/COFEN: parâmetros para o planejamento da força de trabalho da Enfermagem pelo Enfermeiro. Brasília: Conselho Federal de Enfermagem, 2024. Cofen – Parecer Normativo nº 1/2024
  4. COFEN. Resolução Cofen nº 743, de 12 de março de 2024. Revoga a Resolução Cofen nº 543/2017. Brasília: Conselho Federal de Enfermagem, 2024. Cofen – Resolução nº 743/2024
  5. LI, L.; ZOU, X.; CHEN, H. Workload in ICU nurses: a systematic review and meta-analysis of the Nursing Activities Score. Intensive and Critical Care Nursing, v. 91, 104086, 2025. DOI: 10.1016/j.iccn.2025.104086. PubMed – revisão sistemática sobre NAS
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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