Regra de Naegele

Hoje vamos conversar sobre uma ferramenta clássica e muito utilizada na obstetrícia para estimar a data em que um novo serzinho está prestes a chegar ao mundo: a Regra de Naegele.

Tenho certeza que vocês já ouviram falar dela, mas vamos entender direitinho como ela funciona e qual a nossa importância nesse cálculo tão especial. Preparados para desvendar esse “segredo”?

O Que Raios é a Regra de Naegele? Uma Fórmula Simples com um Significado Enorme

A Regra de Naegele é um método simples e rápido para calcular a Data Provável do Parto (DPP) em gestações com ciclo menstrual regular de 28 dias. Ela foi criada pelo obstetra alemão Franz Karl Naegele no século XIX e, apesar dos avanços da medicina, continua sendo uma ferramenta valiosa na prática clínica para fornecer uma estimativa inicial aos pais e à equipe de saúde.

A fórmula básica da Regra de Naegele é a seguinte:

  1. Identifique o primeiro dia da última menstruação (DUM). Essa é a data de referência para o cálculo.
  2. Adicione 7 dias à data do primeiro dia da última menstruação.
  3. Subtraia 3 meses ao mês da última menstruação.
  4. Se o resultado da subtração dos meses for um número negativo, adicione 1 ano ao ano da última menstruação.

Parece um pouco confuso assim na teoria, mas com um exemplo prático fica bem mais fácil de entender.

Exemplo Prático:

Imagine que a última menstruação de uma gestante começou no dia 10 de março de 2025.

  1. Primeiro dia da última menstruação (DUM): 10/03/2025
  2. Adicionar 7 dias: 10 + 7 = 17. Então, o dia seria 17.
  3. Subtrair 3 meses: Março é o mês 3. 3 – 3 = 0. Como o resultado é 0, precisamos adicionar 12 meses (referente ao ano anterior) e ajustar o ano. Então, o mês seria dezembro do ano anterior, mas como estamos calculando a DPP para o ano seguinte, consideramos o mês 12 (dezembro) do ano atual, ajustando o ano na próxima etapa.
  4. Ajustar o ano: Como subtraímos 3 meses e “voltamos” no calendário, adicionamos 1 ano ao ano da DUM. 2025 + 1 = 2026.

Resultado: A Data Provável do Parto (DPP) seria 17 de dezembro de 2025.

Perceberam como funciona? É uma manipulação simples das datas para chegar a uma estimativa.

Por Que Essa Regra Funciona (Mais ou Menos)? A Lógica por Trás do Cálculo

A Regra de Naegele se baseia na premissa de que a gestação dura em média 280 dias (ou 40 semanas) a partir do primeiro dia da última menstruação, considerando um ciclo menstrual regular de 28 dias e que a ovulação ocorre por volta do 14º dia desse ciclo.

Ao adicionar 7 dias ao primeiro dia da última menstruação, estamos aproximadamente considerando o período da ovulação. Ao subtrair 3 meses, estamos ajustando para os nove meses de gestação (já que adicionar nove meses diretamente à data da última menstruação pode ser um pouco mais complicado de calcular mentalmente).

A adição de um ano se torna necessária quando a subtração dos meses resulta em um mês anterior ao da última menstruação no mesmo ano.

É importante lembrar que essa é apenas uma estimativa. A data real do parto pode variar em torno de duas semanas para mais ou para menos. Fatores como a duração real do ciclo menstrual da mulher podem influenciar a data da ovulação e, consequentemente, a data da concepção.

Nossas Observações Importam: As Limitações da Regra de Naegele

Como profissionais de enfermagem, precisamos entender que a Regra de Naegele tem suas limitações e nem sempre será totalmente precisa. Algumas situações em que ela pode ser menos confiável incluem:

  • Ciclos Menstruais Irregulares: Mulheres com ciclos menstruais mais curtos ou mais longos que 28 dias terão uma data de ovulação diferente do 14º dia, o que afeta a precisão da regra.
  • Dificuldade em Lembrar a DUM: Nem sempre a gestante se lembra com precisão do primeiro dia da sua última menstruação.
  • Uso de Contraceptivos Hormonais Recentes: O ciclo menstrual pode estar irregular após a interrupção do uso de contraceptivos hormonais.
  • Concepção Ocorrida Durante a Amamentação: Em mulheres que ainda não menstruaram após o parto e engravidam durante a amamentação, a data da última menstruação não estará disponível.

Nesses casos, outras ferramentas como a ultrassonografia obstétrica precoce (realizada no primeiro trimestre) são mais precisas para determinar a idade gestacional e a data provável do parto. A ultrassonografia mede o comprimento crânio-caudal (CCC) do embrião/feto, fornecendo uma estimativa mais confiável.

O Olhar da Enfermagem: Nosso Papel na Estimativa da DPP

Embora o cálculo da DPP seja simples, nosso papel como profisionais de enfermagem no processo é fundamental:

  • Coleta Precisa da DUM: Durante a consulta de enfermagem pré-natal, devemos questionar a gestante sobre a data do primeiro dia da sua última menstruação de forma clara e objetiva, auxiliando-a a lembrar com precisão. Documentar essa informação de forma correta no prontuário.
  • Cálculo da DPP: Aplicar a Regra de Naegele para obter uma estimativa inicial da DPP e compartilhar essa informação com a gestante e a equipe médica.
  • Explicação e Orientações: Explicar à gestante que a DPP é apenas uma estimativa e que o parto pode ocorrer algumas semanas antes ou depois dessa data. Tranquilizá-la e fornecer informações sobre os sinais de trabalho de parto.
  • Identificação de Ciclos Irregulares: Questionar sobre a regularidade dos ciclos menstruais da gestante. Se houver irregularidade, informar a equipe médica para que outros métodos de datação da gestação, como a ultrassonografia, sejam considerados.
  • Registro de Informações Relevantes: Anotar no prontuário qualquer informação que possa influenciar a datação da gestação, como uso recente de contraceptivos hormonais ou amamentação.
  • Apoio Emocional: A data provável do parto é um momento de grande expectativa para a família. Oferecer apoio emocional e responder às dúvidas da gestante e seus familiares sobre esse período.

Nosso cuidado atencioso e a coleta precisa de informações são essenciais para fornecer uma estimativa da DPP o mais confiável possível e para preparar a gestante para a chegada do seu bebê.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_prenatal_baixo_risco.pdf.
  2. CUNNINGHAM, F. G. et al. Obstetrícia de Williams. 24. ed. Porto Alegre: AMGH Editora, 2016.
  3. LOWDERMILK, D. L.; PERRY, S. E.; CASSIDY, P. T. Maternity Nursing. 9. ed. St. Louis: Mosby, 2014.

Entendendo sobre o Fator RH

No vasto universo da hematologia, um conceito se destaca pela sua importância clínica, especialmente quando falamos sobre transfusões sanguíneas e a saúde materno-fetal: o Fator Rh.

Embora possa parecer um tanto técnico à primeira vista, entender o Fator Rh é crucial para nós, profissionais e futuros profissionais de enfermagem, pois ele influencia diretamente a compatibilidade sanguínea e pode ter implicações significativas na prática clínica.

Vamos desmistificar esse tema de forma clara e detalhada.

O Que Raios é o Fator Rh? Uma Proteína na Membrana Vermelha

Imagine nossas células vermelhas do sangue, os glóbulos vermelhos, como pequenos veículos transportando oxigênio pelo corpo. Na superfície desses “veículos”, existem diversas proteínas, como se fossem “bandeirinhas” que identificam o tipo sanguíneo de cada pessoa (sistema ABO, por exemplo). O Fator Rh é justamente uma dessas “bandeirinhas”, uma proteína específica chamada antígeno D.

Se uma pessoa possui essa proteína D na superfície de suas hemácias, dizemos que ela é Rh positiva (Rh+). É como se o “veículo” tivesse essa “bandeirinha” do Rh. Por outro lado, se essa proteína está ausente, a pessoa é classificada como Rh negativa (Rh-), ou seja, o “veículo” não possui essa “bandeirinha” específica.

Essa simples presença ou ausência dessa proteína tem implicações importantes, principalmente quando se trata de misturar sangue de diferentes pessoas, como em transfusões, ou durante a gestação, quando o sangue da mãe e do bebê podem entrar em contato.

A Genética por Trás do Rh: Uma Herança Familiar

A presença ou ausência do Fator Rh é determinada geneticamente, sendo herdada dos nossos pais. O gene responsável pelo Fator Rh pode apresentar duas formas principais, ou alelos: o alelo D (dominante) e o alelo d (recessivo).

Uma pessoa será Rh positiva (Rh+) se herdar pelo menos um alelo D (podendo ter as combinações DD ou Dd). Já para ser Rh negativa (Rh-), a pessoa precisa herdar dois alelos d (combinação dd). Essa herança genética explica por que pais Rh+ podem ter filhos Rh- e vice-versa, dependendo das combinações genéticas que eles possuem.

A Importância Clínica: Transfusões Sanguíneas e a Incompatibilidade Rh

A principal relevância do Fator Rh reside na compatibilidade sanguínea durante as transfusões. Assim como no sistema ABO, onde é crucial transfundir sangue compatível para evitar reações transfusionais graves, o mesmo se aplica ao Fator Rh.

  • Receptor Rh+: Uma pessoa Rh positiva pode receber sangue tanto de doadores Rh+ quanto Rh-, pois seu organismo já reconhece a proteína D como “própria” e não irá atacá-la.
  • Receptor Rh-: Uma pessoa Rh negativa, por outro lado, não possui a proteína D. Se receber sangue Rh+, seu sistema imunológico reconhecerá essa proteína como “estranha” e poderá desenvolver anticorpos anti-D. Em uma transfusão subsequente com sangue Rh+, essa pessoa poderá apresentar uma reação hemolítica transfusional, uma complicação grave. Portanto, receptores Rh- devem idealmente receber apenas sangue Rh-.

Essa necessidade de compatibilidade Rh é fundamental na prática transfusional para garantir a segurança do paciente.

A Incompatibilidade Rh na Gestação: Um Risco para o Bebê

A incompatibilidade Rh também assume um papel crucial durante a gestação, quando uma mãe Rh negativa (Rh-) carrega um feto Rh positivo (Rh+), herdando o fator Rh do pai. Essa situação, conhecida como incompatibilidade Rh materno-fetal, pode levar a complicações sérias para o bebê.

Durante a primeira gestação de um feto Rh+ por uma mãe Rh-, geralmente não há problemas significativos, pois o sangue da mãe e do feto normalmente não se misturam em grande quantidade. No entanto, durante o parto ou em procedimentos invasivos durante a gravidez (como amniocentese), pode ocorrer uma pequena passagem de sangue fetal Rh+ para a circulação materna Rh-.

O sistema imunológico da mãe Rh- reconhecerá as hemácias Rh+ do feto como “estranhas” e começará a produzir anticorpos anti-D. Esses anticorpos são como “soldados” de defesa. Na primeira gestação, a produção desses anticorpos geralmente é lenta e em quantidade insuficiente para causar grandes problemas ao feto.

O problema surge em gestações subsequentes de fetos Rh+. Os anticorpos anti-D já produzidos na primeira gestação (a “memória” imunológica) podem atravessar a placenta e atacar as hemácias Rh+ do novo feto. Essa destruição das hemácias fetais leva à Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN), também conhecida como eritroblastose fetal.

A DHRN pode variar de leve a grave, causando anemia, icterícia (pele e olhos amarelados), hidropisia fetal (inchaço generalizado) e, em casos extremos, levar ao óbito do feto ou do recém-nascido.

A Prevenção é a Chave: A Imunoglobulina Anti-Rh (Matergam)

Felizmente, existe uma forma eficaz de prevenir a DHRN: a administração de imunoglobulina anti-Rh (IgG anti-D), popularmente conhecida como Matergam. Essa imunoglobulina é uma solução contendo anticorpos anti-D prontos.

A administração da IgG anti-D à mãe Rh- em momentos estratégicos da gravidez (geralmente por volta da 28ª semana de gestação) e dentro de 72 horas após o parto de um bebê Rh+ impede que o sistema imunológico materno seja sensibilizado e comece a produzir seus próprios anticorpos anti-D. A IgG anti-D age como uma “capa” nas hemácias fetais que possam ter entrado na circulação materna, “escondendo-as” do sistema imune da mãe.

A administração da IgG anti-D também é recomendada após eventos que possam levar à mistura de sangue materno e fetal, como aborto, gravidez ectópica, amniocentese ou sangramento vaginal durante a gestação.

Cuidados de Enfermagem Essenciais Relacionados ao Fator Rh

Como profissionais de enfermagem, precisamos estar atentos aos aspectos relacionados ao Fator Rh em diversas situações:

  • Na assistência pré-natal: Identificar gestantes Rh- e verificar o fator Rh do parceiro. Realizar o Coombs indireto na gestante para verificar a presença de anticorpos anti-D. Administrar a imunoglobulina anti-Rh profilaticamente conforme o protocolo.
  • Durante o trabalho de parto e parto: Estar atento ao fator Rh da mãe e do recém-nascido. Administrar a imunoglobulina anti-Rh à mãe Rh- com recém-nascido Rh+ dentro do prazo recomendado.
  • Em transfusões sanguíneas: Garantir a compatibilidade Rh entre doador e receptor, seguindo rigorosamente os protocolos de segurança transfusional.
  • Na coleta de amostras: Identificar corretamente o fator Rh do paciente nos exames laboratoriais.
  • Na educação do paciente e da família: Explicar a importância do Fator Rh, especialmente para gestantes Rh- e pacientes que necessitam de transfusão.

A nossa atenção e conhecimento sobre o Fator Rh são cruciais para prevenir complicações graves e garantir a segurança e o bem-estar dos nossos pacientes.

O Fator Rh, embora seja uma característica simples das nossas células sanguíneas, possui implicações profundas na prática clínica da enfermagem. Compreender sua genética, sua importância na compatibilidade sanguínea e seu papel na gestação nos capacita a prestar um cuidado mais seguro, informado e humanizado.

Ao longo da nossa jornada como estudantes e futuros profissionais, o conhecimento sobre o Fator Rh será um aliado indispensável em diversas situações de cuidado.

Referências:

  1. ABO Blood Group System. (2023, December 1). In Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/ABO_blood_group_system
  2. Rh blood group system. (2024, March 28). In Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Rh_blood_group_system
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual de atenção à mulher no ciclo gravídico-puerperal. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_mulher_ciclo_gravidico_puerperal.pdf
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Técnico de Hemoterapia. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  5. AMERICAN PREGNANCY ASSOCIATION. Rh Factor. 2023. Disponível em: https://americanpregnancy.org.
  6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEMOTERAPIA. Diretrizes para Transfusão Sanguínea. 2022. Disponível em: https://www.sbht.org.br.

Classificação de Robson

A Classificação de Robson, também conhecida como Classificação dos 10 Grupos, é um sistema padronizado utilizado em todo o mundo para categorizar gestantes e analisar as taxas de cesáreas. Criada pelo médico irlandês Michael Robson em 2001, essa classificação tem como objetivo principal fornecer uma ferramenta para:

  • Avaliar: A necessidade de cesáreas em diferentes grupos de gestantes.
  • Monitorar: As taxas de cesáreas ao longo do tempo em um mesmo local ou entre diferentes locais.
  • Comparar: As taxas de cesáreas entre diferentes populações.

Como funciona a Classificação de Robson?

A classificação divide todas as gestantes em 10 grupos, levando em consideração cinco características obstétricas:

  1. Paridade: A mulher já teve parto de um bebê com pelo menos 500 gramas?
  2. Idade gestacional: A gestação é de termo (37 semanas ou mais), pré-termo (antes de 37 semanas) ou pós-termo (após 42 semanas)?
  3. Número de fetos: A gestação é de um único feto ou múltiplos fetos?
  4. Apresentação fetal: O bebê está em apresentação cefálica (de cabeça) ou outra apresentação?
  5. Complicações obstétricas: Existem complicações como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou outras?

Cada gestante se encaixa em apenas um dos 10 grupos, permitindo uma análise detalhada das indicações para cesárea em cada categoria.

Os 10 grupos são os seguintes:

  1. Nulípara, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, parto espontâneo: Mulheres que estão grávidas pela primeira vez, com um único bebê em posição cefálica (de cabeça), com 37 semanas ou mais de gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente.
  2. Nulípara, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, indução ou cesárea anterior ao trabalho de parto: Mulheres nas mesmas condições do grupo 1, mas que têm o parto induzido ou que já realizaram uma cesárea em gestações anteriores.
  3. Multípara sem cesárea prévia, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, parto espontâneo: Mulheres que já tiveram um parto vaginal, estão grávidas de um único bebê em posição cefálica, com 37 semanas ou mais de gestação e que entram em trabalho de parto espontaneamente.
  4. Multípara sem cesárea prévia, gestação única, cefálica, ≥ 37 semanas, indução ou cesárea anterior ao trabalho de parto: Mulheres nas mesmas condições do grupo 3, mas que têm o parto induzido ou que já realizaram uma cesárea em gestações anteriores.
  5. Todos os partos pélvicos em nulíparas: Todas as mulheres grávidas pela primeira vez com o bebê em apresentação pélvica (de bumbum).
  6. Todos os partos pélvicos em multíparas (incluindo cesárea prévia): Todas as mulheres que já tiveram um parto, independentemente da via, com o bebê em apresentação pélvica.
  7. Todas as gestações múltiplas (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações gemelares ou múltiplas.
  8. Todas as apresentações anormais (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações com apresentação fetal diferente da cefálica ou pélvica.
  9. Todas as gestações únicas, cefálicas, < 37 semanas (incluindo cesárea prévia): Todas as gestações de um único bebê em posição cefálica com menos de 37 semanas.
  10. Todas as gestações únicas, cefálicas, ≥ 37 semanas, com complicações obstétricas (pré-eclâmpsia, diabetes, etc.): Todas as gestações de um único bebê em posição cefálica com 37 semanas ou mais, mas com alguma complicação obstétrica.

Por que a Classificação de Robson é importante?

  • Padronização: Permite comparar dados de diferentes instituições e regiões.
  • Identificação de tendências: Ajuda a identificar grupos de gestantes com maior risco de cesárea.
  • Melhora da qualidade da assistência: Auxilia na tomada de decisões sobre a indicação de cesárea.
  • Redução de cesáreas desnecessárias: Incentiva a busca por parto normal em casos indicados.

Quais as vantagens da Classificação de Robson?

  • Facilidade de uso: A classificação é simples e objetiva.
  • Abrangência: Inclui todas as gestantes.
  • Relevância clínica: Os grupos são definidos com base em características clínicas importantes.
  • Suporte à tomada de decisões: Auxilia na definição de estratégias para reduzir as taxas de cesáreas.

Onde a Classificação de Robson é utilizada?

A Classificação de Robson é adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e utilizada em diversos países, incluindo o Brasil. Ela é aplicada em hospitais, maternidades e serviços de saúde que buscam monitorar e melhorar a qualidade da assistência obstétrica.

Quais as limitações da Classificação de Robson?

Embora seja uma ferramenta poderosa, a Classificação de Robson possui algumas limitações:

  • Não considera todos os fatores: A classificação não leva em conta todos os fatores que podem influenciar a decisão de realizar uma cesárea, como as preferências da gestante.
  • Pode não ser suficiente: A classificação deve ser utilizada em conjunto com outras informações clínicas para tomar a melhor decisão.

Referências:

  1. Prefeitura de São Paulo
  2. Fiocruz
  3. Moresi, EHC; Moreira, PP; Ferrer, IL; Baptistella, MCS; Bolognani, CV. Classificação de Robson para cesárea em um Hospital Público do Distrito Federal. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant., Recife, 22 (4): 1043-1050 out-dez., 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/Gc9HYhr3rQzypC7fSPZDHXP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 04 set. 2024.

Fator Rh na Gestação: A Vacina ROGAN

A imunoglobulina anti Rh(D) (conhecida como vacina Rogan) é utilizada para prevenir a sensibilização materna ao fator sanguíneo de um bebê Rh positivo quando a mãe possui o fator Rh negativo. Esta condição também é conhecida por incompatibilidade sanguínea.

Com a vacina, que contém anticorpos IgG específicos contra antígenos Rh(D) de eritrócitos humanos, a gestante de fator sanguíneo Rh negativo, previne a produção de anticorpos que combatem o Rh positivo do feto e a gravidez transcorre normalmente sem risco para a mãe e para o bebê.

O fator Rh pode afetar o curso da primeira gestação?

O Rh negativo da mãe não vai gerar doenças genéticas no bebê ou aborto durante a primeira gravidez. A maioria dos abortos do primeiro trimestre ocorrem devido a uma alteração cromossômica, por isso, é importante analisar o material de aborto e conversar com o médico de sua confiança sobre outros exames para auxiliá-la a prevenir a repetição da perda em uma próxima gestação.

Indicações para a vacina Rogan

A administração da imunoglobulina anti Rh(D) em mulheres Rh(D)negativas é indicada nos seguintes casos:

  • Gravidez/parto de criança Rh(D) positiva;
  • Aborto /ameaça de aborto, gravidez ectópica ou mola hidatiforme;
  • Hemorragia transplacentária resultante de hemorragia anteparto, amniocentese, biópsia coriônica, procedimentos de manipulação obstétrica, por exemplo, versão externa ou trauma abdominal;
  • Tratamento de pessoas Rh(D)negativas após transfusões incompatíveis de sangue Rh(D)positivo ou outros produtos contendo células vermelhas do sangue.

Rogan e interações com medicamentos

A imunoglobulina anti Rh(D) não apresenta interações com outros medicamentos conhecidos até o momento, porém sabe-se que ela pode prejudicar a eficácia de vacinas de vírus vivos atenuados, tais como: sarampo, rubéola, caxumba e catapora, por períodos de 6 semanas a 3 meses. Com o uso de altas doses, este efeito pode persistir por mais de um ano.

Reações adversas

Como geralmente ocorre na administração de preparações de imunoglobulina, reações alérgicas moderadas e passageiras, incluindo as sensações de calor, dor de cabeça, calafrios e náuseas, podem ocorrer ocasionalmente. É importante avisar seu médico sobre qualquer mal-estar.

Referência:

  1. DE MEDEIROS, Raquel Trovão et al. USE OF ROGAN VACCINE DURING PRENATAL CARE IN RH NEGATIVE WOMEN: THE HEALTHCARE PROFESSIONALS’KNOWLEDGE. Journal of Nursing UFPE/Revista de Enfermagem UFPE, v. 5, n. 6, 2011.

Linha Nigra: Por que aparece?

A linha nigra é uma marca vertical que aparece na barriga de 90% das gestantes e pode ter uma coloração mais suave e quase imperceptível, ou escura e bem marcada. Ela pode aparecer apenas na parte inferior ao umbigo ou em toda a extensão abdominal, e geralmente possui uma espessura de aproximadamente 1 cm.

Quais as principais causas?

A marca é uma mudança completamente normal e a principal causa são as alterações hormonais durante a gravidez, como o aumento da produção de melanina, que faz com que essa área da barriga, onde a pele é distendida, fique hiperpigmentada.

Além da linha nigra, outras regiões do corpo podem apresentar mudanças no tom da pele e manchas, como a face, os seios, as axilas e a parte interna das coxas.

Quando acontece?

A linha nigra costuma surgir no segundo trimestre de gestação. A partir da oitava semana, é possível notar uma sombra que vai escurecendo até virar a linha divisória na barriga da mamãe.

Quando desaparece?

Geralmente, a linha nigra tende a sumir de forma natural até 12 semanas após o parto. Entretanto, mulheres morenas demoram um pouco mais para perder a marca vertical, com a possibilidade de que não suma.

Que cuidados deve ter?

Mesmo sendo uma mudança natural, é importante ter alguns cuidados com a linha nigra durante a gravidez:

  • Exposição solar: evite tomar sol entre 10h e 16h, e nos outros momentos utilize bastante protetor solar.
  • Pele hidratada: passe creme hidratante na pele todos os dias, para ajudar a manter a elasticidade e facilitar a recuperação após o parto. Além disso, beba bastante água.

Se a mamãe achar necessário, pode consultar um médico dermatologista após o nascimento do bebê para informar-se sobre os tratamentos indicados.

Referência:

  1.  Mandelbaum SH. Dermatologia na gestante. In: Cuce LC, Festa Neto C. Manual de dermatologia. 2a. ed. São Paulo: Atheneu; 2001. Cap. 31. p. 549-53.

Tipos de Gestações Gemelares

Gestações Gemelares

Pré-Eclâmpsia

Pré-Eclâmpsia

A Pré-eclâmpsia (também conhecida por Toxemia e, quando o quadro é acrescido de convulsão e coma constitui-se a eclâmpsia), é caracterizada por hipertensão (alta pressão arterial), edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20ª semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta.

No meio médico, o termo usado é MHEGMoléstia Hipertensiva Específica da Gravidez ou SHEG- Síndrome Hipertensiva Específica da Gravidez. O termo toxemia, apesar de consagrado, não é tão fiel, pois nunca se demonstrou a existência de uma toxina que levasse a esta moléstia.

A pré-eclâmpsia pode ser leve ou severa (grave). Pode restringir severamente a circulação sanguínea para a placenta, o bebê pode ser perigosamente afetado. Se não tratada, a pré-eclâmpsia pode se desenvolver em uma eclâmpsia, o que pode ser ainda mais perigoso tanto para a mãe quanto para o bebê.

A retenção de líquidos ocorre porque a toxemia tem menor capacidade de excretar sódio e portanto, o retém, mesmo sob dietas hipossódicas.

Os recém-nascidos de mulheres pré-eclâmpsias têm 4 a 5 vezes mais probabilidades de ter problemas pouco depois do parto do que os de mulheres que não sofram dessa doença. Os recém-nascidos podem ser pequenos porque a placenta funciona mal ou porque são prematuros.

Qual é a causa?

Não se conhece a causa.

Quais os riscos de desenvolver tal quadro?

A pré-eclâmpsia verifica-se em 5 % das mulheres grávidas. É mais frequente na primeira gravidez e nas mulheres que já têm a tensão arterial elevada ou que sofrem de um problema nos vasos sanguíneos. A eclâmpsia surge em 1 de cada 200 mulheres que têm pré-eclâmpsia e, em geral, é mortal, a menos que seja tratada com rapidez. No entanto, desconhecem-se as causas da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia . O risco mais importante da pré-eclâmpsia é o desprendimento prematuro da placenta da parede uterina.

Na pré-eclâmpsia, a tensão arterial é superior a 140/90 mmHg, aparecem edemas (no rosto, pernas ou nas mãos e são detectados valores anormalmente elevados de proteínas na urina. Também se considera que tem pré-eclâmpsia uma mulher cuja tensão arterial aumenta consideravelmente, mas mantém-se abaixo dos 140/90 mmHg durante a gravidez.

A ocorrência também fica mais restrita à primeira gravidez e, embora a gestante possa desenvolver a pré-eclâmpsia mesmo que nunca tenha tido problemas de hipertensão antes, ela está em maior risco se já tiver problemas de pressão alta antes da gravidez ou se há casos na família.

Como se faz o diagnóstico?

Através da pressão arterial diastólica (mínima) igual ou superior a 90 mmHg ou o aumento da pressão arterial acima de 15 mmHg do valor medido antes de 20 semanas de gestação.

Quando a hipertensão na gravidez estiver associada a perda de proteínas pela urina (proteinúria), teremos um quadro chamado PRÉ -ECLÂMPSIA ou TOXEMIA GRAVÍDICA.

Como prevenir?

A pré-eclâmpsia é relativamente rara e embora não haja exatamente como se prevenir, o que pode-se fazer é assegurar bons cuidados pré-natais, visando detectar o problema ainda nos primeiros estágios, podendo assim realizar o tratamento preventivo à eclâmpsia. São utilizados testes de urina e acompanhamento da pressão arterial ao longo da gravidez visando detectar problemas arteriais.

Como tratar?

Ao contrário da tensão arterial elevada (hipertensão), a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia não respondem aos diuréticos (fármacos que eliminam o excesso de líquido) nem às dietas de baixo teor em sal. Aconselha-se a mulher a que consuma uma quantidade normal de sal e que beba mais água. O repouso na cama é importante. Em geral, também é aconselhada a virar-se sobre o lado esquerdo, visto que assim é exercida menor pressão sobre a grande veia do abdômen (veia cava inferior), que devolve o sangue ao coração, e melhora o fluxo sanguíneo.Em certos casos, pode ser administrado sulfato de magnésio por via endovenosa para fazer descer a tensão arterial e evitar as convulsões.

Em caso de pré-eclâmpsia ligeira, acamamento pode ser suficiente, mas a mulher deverá consultar o seu médico de 2 em 2 dias. Se não melhorar com rapidez, deve ser hospitalizada e, se o problema continuar, o parto deve ser provocado quanto antes.

Uma mulher que sofra de pré-eclâmpsia grave deve ser hospitalizada e permanecer na cama. O fato de administrar líquidos e sulfato de magnésio por via endovenosa muitas vezes alivia os sintomas. Em 4 a 6 horas a tensão arterial costuma baixar até atingir valores normais e pode-se proceder ao parto sem correr nenhum risco. Se a tensão arterial continuar alta, são administrados mais fármacos antes de se tentar provocar o parto.

Uma importante complicação da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia graves é a síndrome HELLP, que consiste no seguinte:

  • Hemólise (destruição de glóbulos vermelhos);
  • Aumento dos enzimas hepáticos (liver), que indicam lesão hepática;
  • Baixa (low, em inglês) contagem de plaquetas, o que indica uma deficiente capacidade de coagulação do sangue (um problema potencialmente grave durante e depois do parto).

A síndrome HELLP é mais provável que apareça quando se atrasa a instituição do tratamento da pré-eclâmpsia. Se surgir a síndrome, deve-se fazer uma cesariana, o método disponível mais rápido, a não ser que o colo uterino esteja suficientemente dilatado para permitir um rápido nascimento pela vagina.

Depois do nascimento, controla-se exaustivamente a mulher para detectar sinais de eclâmpsia. Uma quarta parte dos casos de eclâmpsia acontece depois do parto, em geral nos primeiros 2 a 4 dias. À medida que o estado da mulher melhora de forma gradual, é incentivada a caminhar um pouco. Mesmo assim, pode ser-lhe administrado um sedativo suave para controlar a tensão arterial. A hospitalização pode durar de poucos dias a algumas semanas, conforme a gravidade da doença e suas complicações. Mesmo depois de ter sido dada alta, é possível que a mulher tenha que tomar medicamentos para reduzir a tensão arterial. Em geral, deve consultar o médico, pelos menos de 2 em 2 semanas durante os primeiros meses depois do parto. A sua tensão arterial pode, no entanto, manter-se elevada durante 6 a 8 semanas, mas, caso mantenha-se alta durante mais tempo, talvez a sua causa se deva a outro problema e não à pré-eclâmpsia.

Quanto ao recém-nascido, encontram-se altos índices de prematuridade (80%), muitas vezes motivada pela própria antecipação do parto, e em 30% dos casos eles são pequenos para idade gestacional

Cuidados de Enfermagem à Mulher em Pré-Eclâmpsia

  • Explicar à paciente e ao seu acompanhante o processo patológico e a necessidade de períodos de repouso em decúbito lateral esquerdo.
  • Permitir tempo para perguntas da paciente ou acompanhante.
  • Manter o ambiente tranqüilo.
  • Monitorar os sinais vitais de hora em hora, de acordo com a prescrição médica.
  • Coletar sangue para realização de exames, caso seja solicitado pela equipe médica.
  • Instruir quanto à importância de relatar sintomas como cefaléia, alterações visuais, tonteira e dor epigástrica.
  • Puncionar e manter acesso venoso periférico, de acordo com a prescrição médica.
  • Aplicar medicações conforme prescrição médica.
  • Manter grades laterais elevadas para evitar lesão em caso de convulsão.
  • Preparar a unidade da paciente mantendo material para oxigenoterapia (fluxômetro, catéteres, umidificador, máscara de Hudson e macronebulizador) prontos para utilização.
  • Preparar e manter próximo ao leito material para uma possível parada cardiorrespiratória.
  • Tomar as medidas para a possibilidade de cesariana (preparação da sala cirúrgica, materiais e equipamentos necessários).
  • Reunir os equipamentos e materiais necessários para os cuidados imediatos e possível reanimação do RN.