
Vá direto ao ponto!
- 1. Monitorização com 5 eletrodos
- 1.1. Padrão AHA
- 1.2. Padrão IEC
- 2. Onde colocar o eletrodo precordial?
- 3. AHA x IEC: o que realmente muda?
- 4. Monitorização não é ECG de 12 derivações
- 5. Por que o preparo da pele importa?
- 6. Duas situações concretas da assistência
- 7. Cuidados de enfermagem
- 8. ✓ Decore para a Prova Para decorar antes da prova
Na UTI, decorar a cor dos eletrodos ajuda na prova, mas saber por que cada eletrodo está naquele lugar é o que realmente faz diferença na assistência. Uma conexão invertida, uma derivação mal posicionada ou um eletrodo solto pode produzir um traçado inadequado e dificultar justamente aquilo que a monitorização deveria detectar: arritmias, alterações do segmento ST ou deterioração do paciente.
Monitorização com 5 eletrodos
O sistema de cinco eletrodos utiliza quatro eletrodos dos membros e um eletrodo precordial. Os monitores podem utilizar diferentes configurações, mas dois padrões de identificação por cores são encontrados com frequência: AHA e IEC.
Padrão AHA
No padrão AHA, a identificação tradicional é:
| Eletrodo | Cor | Localização |
| RA | Branco | Região superior direita do tórax |
| LA | Preto | Região superior esquerda do tórax |
| RL | Verde | Região inferior direita do tórax |
| LL | Vermelho | Região inferior esquerda do tórax |
| V | Marrom | Posição precordial escolhida |
Um mnemônico conhecido é “White on right, smoke over fire”, relacionado às cores branco, preto, verde e vermelho. O eletrodo marrom corresponde ao eletrodo precordial.
Padrão IEC
No padrão IEC, as cores mudam:
| Eletrodo | Cor | Localização |
| R | Vermelho | Região superior direita |
| L | Amarelo | Região superior esquerda |
| N | Preto | Região inferior direita |
| F | Verde | Região inferior esquerda |
| C | Branco | Posição precordial escolhida |
Por isso, não é seguro decorar somente a cor. O profissional precisa reconhecer qual sistema o monitor e os cabos estão utilizando. A IEC 60601-2-27 estabelece requisitos específicos para equipamentos de monitorização eletrocardiográfica, incluindo equipamentos hospitalares e sistemas de telemetria.
Onde colocar o eletrodo precordial?
O eletrodo precordial pode ser posicionado em diferentes pontos de acordo com o objetivo da monitorização e o protocolo utilizado.
V1 é uma escolha frequente quando o objetivo principal é acompanhar o ritmo e facilitar a identificação de determinadas arritmias, especialmente por permitir melhor visualização da atividade atrial em algumas situações.
V5 é frequentemente utilizado quando há interesse maior na detecção de alterações relacionadas à isquemia, embora a escolha da derivação deva considerar o objetivo clínico e a configuração do monitor.
A posição não deve ser escolhida simplesmente porque “V1 é para arritmia e V5 é para infarto”. A monitorização hospitalar deve ser planejada de acordo com o risco e a condição do paciente.
AHA x IEC: o que realmente muda?
A principal diferença para quem está preparando o paciente é a identificação por cores e letras.
No padrão AHA, lembre-se de:
Branco – RA
Preto – LA
Verde – RL
Vermelho – LL
Marrom – V
No padrão IEC:
Vermelho – R
Amarelo – L
Preto – N
Verde – F
Branco – C
O erro clássico é olhar apenas para a cor e aplicar a posição aprendida no outro padrão. Como as cores mudam, conferir a identificação impressa no cabo ou no próprio equipamento é uma barreira simples contra erro.
Monitorização não é ECG de 12 derivações
Esse é um ponto que merece destaque para estudantes e profissionais: A monitorização contínua é utilizada principalmente para acompanhar frequência, ritmo e alterações eletrocardiográficas selecionadas, podendo também auxiliar na detecção de isquemia e prolongamento do QT conforme a configuração e o objetivo clínico. Já o ECG diagnóstico convencional utiliza 12 derivações e possui uma finalidade diferente.
Portanto, se um paciente monitorizado apresenta dor torácica nova, alteração do segmento ST no monitor ou outra suspeita de síndrome coronariana aguda, o monitor não deve ser tratado como substituto automático do ECG de 12 derivações. O exame diagnóstico deve ser obtido conforme a indicação clínica.
Por que o preparo da pele importa?
Eletrodo mal aderido, excesso de pelos, suor, oleosidade ou movimentação podem aumentar artefatos e dificultar a interpretação do traçado. Antes da aplicação, a pele deve estar limpa e seca; quando necessário, os pelos podem ser removidos conforme a rotina institucional e a condição do paciente.
Também é importante observar se os eletrodos permanecem bem aderidos durante a permanência do paciente no leito. Trocas, higiene corporal e mobilização podem deslocar os sensores sem que isso seja percebido imediatamente.
Duas situações concretas da assistência
A primeira: durante a mobilização de um paciente crítico para higiene no leito, o monitor começa a apresentar um traçado irregular que não coincide com o pulso palpável. Antes de interpretar aquilo como uma nova arritmia, a equipe verifica cabos, eletrodos e aderência à pele. Um eletrodo parcialmente descolado era responsável pelo artefato. A conferência do paciente antes de reagir ao monitor evitou transformar um problema técnico em uma falsa alteração clínica.
A segunda: um paciente internado por dor torácica permanece em monitorização contínua e surge alteração sugestiva no segmento ST. A equipe não utiliza apenas a tela do monitor para concluir que se trata de uma síndrome coronariana. O paciente é reavaliado, os eletrodos são conferidos e é realizado ECG de 12 derivações conforme o protocolo. Nesse cenário, o monitor funciona como sinal de alerta, enquanto o ECG diagnóstico complementa a investigação.
Cuidados de enfermagem
Antes da instalação, confirme o padrão utilizado pelo equipamento, prepare adequadamente a pele e posicione cada eletrodo conforme a configuração escolhida. Após conectar os cabos, confira se o traçado está adequado e se a frequência exibida corresponde ao paciente.
Durante a monitorização, observe ritmo, frequência, alarmes e mudanças em relação ao padrão anterior. Alarmes não devem ser simplesmente silenciados ou ignorados; precisam ser avaliados e ajustados conforme a condição clínica e os parâmetros definidos pelo serviço. A AHA destaca justamente a importância do gerenciamento de alarmes, treinamento da equipe e documentação na monitorização eletrocardiográfica hospitalar.
Também registre alterações relevantes e comunique prontamente achados associados a instabilidade clínica, como arritmia nova, alteração importante do ritmo, dor torácica, alteração hemodinâmica ou deterioração do estado geral.
✓ Decore para a Prova Para decorar antes da prova
- AHA: branco, preto, verde, vermelho + marrom precordial.
- IEC: vermelho, amarelo, preto, verde + branco precordial.
O ponto mais importante é não decorar somente as cores: identifique primeiro se o sistema é AHA ou IEC.
E lembre-se de outra diferença que costuma confundir: monitorização contínua não substitui automaticamente o ECG diagnóstico de 12 derivações. O monitor acompanha tendências e alerta para alterações; quando existe indicação diagnóstica, o ECG de 12 derivações deve ser realizado.
Monitorização Cardíaca: Não Erre os Eletrodos
- O padrão AHA e o IEC utilizam cores diferentes para identificar os eletrodos
- Na AHA: branco RA, preto LA, verde RL, vermelho LL e marrom precordial
- Na IEC: vermelho R, amarelo L, preto N, verde F e branco precordial
- Monitorização contínua não substitui automaticamente o ECG diagnóstico de 12 derivações
Veja também:
Referências:
- SANDAU, Kristin E. et al. Update to practice standards for electrocardiographic monitoring in hospital settings: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation, v. 136, p. e273-e344, 2017. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000527. Disponível em: American Heart Association – Practice Standards for ECG Monitoring.
- INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 60601-2-27:2011: Medical electrical equipment – Part 2-27: Particular requirements for the basic safety and essential performance of electrocardiographic monitoring equipment. Geneva: IEC, 2011. Disponível em: IEC 60601-2-27.
- KATZ, Richard et al. Recommendations for standardization and interpretation of the electrocardiogram: Part I: The electrocardiogram and its technology. Circulation, 2007. Disponível em: AHA/ACC/HRS – Standardization and Interpretation of the ECG.
- GULATI, Martha et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR guideline for the evaluation and diagnosis of chest pain. Circulation, 2021. Disponível em: American Heart Association – Chest Pain Guideline.
- AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY; AMERICAN HEART ASSOCIATION et al. 2024 AHA/ACC guideline for perioperative cardiovascular management for noncardiac surgery. Journal of the American College of Cardiology, 2024. Disponível em: JACC – 2024 Perioperative Cardiovascular Guideline. Acesso em: 4 set. 2026.
- DUBIN, Dale. Interpretação rápida do ECG. Rio de Janeiro: Publicações Científicas, 1993;
- MEDTRONIC PHYSIO-CONTROL CORP. LIFEPAK 12 3D Biphasic Defibrillator/Monitor Operating Instructions, 2000.
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Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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