Monitorização Cardíaca: Padrão AHA e IEC

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Na UTI, decorar a cor dos eletrodos ajuda na prova, mas saber por que cada eletrodo está naquele lugar é o que realmente faz diferença na assistência. Uma conexão invertida, uma derivação mal posicionada ou um eletrodo solto pode produzir um traçado inadequado e dificultar justamente aquilo que a monitorização deveria detectar: arritmias, alterações do segmento ST ou deterioração do paciente.

Monitorização com 5 eletrodos

O sistema de cinco eletrodos utiliza quatro eletrodos dos membros e um eletrodo precordial. Os monitores podem utilizar diferentes configurações, mas dois padrões de identificação por cores são encontrados com frequência: AHA e IEC.

Padrão AHA

No padrão AHA, a identificação tradicional é:

Eletrodo Cor Localização
RA Branco Região superior direita do tórax
LA Preto Região superior esquerda do tórax
RL Verde Região inferior direita do tórax
LL Vermelho Região inferior esquerda do tórax
V Marrom Posição precordial escolhida

Um mnemônico conhecido é “White on right, smoke over fire”, relacionado às cores branco, preto, verde e vermelho. O eletrodo marrom corresponde ao eletrodo precordial.

Padrão IEC

No padrão IEC, as cores mudam:

Eletrodo Cor Localização
R Vermelho Região superior direita
L Amarelo Região superior esquerda
N Preto Região inferior direita
F Verde Região inferior esquerda
C Branco Posição precordial escolhida

Por isso, não é seguro decorar somente a cor. O profissional precisa reconhecer qual sistema o monitor e os cabos estão utilizando. A IEC 60601-2-27 estabelece requisitos específicos para equipamentos de monitorização eletrocardiográfica, incluindo equipamentos hospitalares e sistemas de telemetria.

Onde colocar o eletrodo precordial?

O eletrodo precordial pode ser posicionado em diferentes pontos de acordo com o objetivo da monitorização e o protocolo utilizado.

V1 é uma escolha frequente quando o objetivo principal é acompanhar o ritmo e facilitar a identificação de determinadas arritmias, especialmente por permitir melhor visualização da atividade atrial em algumas situações.

V5 é frequentemente utilizado quando há interesse maior na detecção de alterações relacionadas à isquemia, embora a escolha da derivação deva considerar o objetivo clínico e a configuração do monitor.

A posição não deve ser escolhida simplesmente porque “V1 é para arritmia e V5 é para infarto”. A monitorização hospitalar deve ser planejada de acordo com o risco e a condição do paciente.

AHA x IEC: o que realmente muda?

A principal diferença para quem está preparando o paciente é a identificação por cores e letras.

No padrão AHA, lembre-se de:

Branco – RA
Preto – LA
Verde – RL
Vermelho – LL
Marrom – V

No padrão IEC:

Vermelho – R
Amarelo – L
Preto – N
Verde – F
Branco – C

O erro clássico é olhar apenas para a cor e aplicar a posição aprendida no outro padrão. Como as cores mudam, conferir a identificação impressa no cabo ou no próprio equipamento é uma barreira simples contra erro.

Monitorização não é ECG de 12 derivações

Esse é um ponto que merece destaque para estudantes e profissionais: A monitorização contínua é utilizada principalmente para acompanhar frequência, ritmo e alterações eletrocardiográficas selecionadas, podendo também auxiliar na detecção de isquemia e prolongamento do QT conforme a configuração e o objetivo clínico. Já o ECG diagnóstico convencional utiliza 12 derivações e possui uma finalidade diferente.

Portanto, se um paciente monitorizado apresenta dor torácica nova, alteração do segmento ST no monitor ou outra suspeita de síndrome coronariana aguda, o monitor não deve ser tratado como substituto automático do ECG de 12 derivações. O exame diagnóstico deve ser obtido conforme a indicação clínica.

Por que o preparo da pele importa?

Eletrodo mal aderido, excesso de pelos, suor, oleosidade ou movimentação podem aumentar artefatos e dificultar a interpretação do traçado. Antes da aplicação, a pele deve estar limpa e seca; quando necessário, os pelos podem ser removidos conforme a rotina institucional e a condição do paciente.

Também é importante observar se os eletrodos permanecem bem aderidos durante a permanência do paciente no leito. Trocas, higiene corporal e mobilização podem deslocar os sensores sem que isso seja percebido imediatamente.

Duas situações concretas da assistência

A primeira: durante a mobilização de um paciente crítico para higiene no leito, o monitor começa a apresentar um traçado irregular que não coincide com o pulso palpável. Antes de interpretar aquilo como uma nova arritmia, a equipe verifica cabos, eletrodos e aderência à pele. Um eletrodo parcialmente descolado era responsável pelo artefato. A conferência do paciente antes de reagir ao monitor evitou transformar um problema técnico em uma falsa alteração clínica.

A segunda: um paciente internado por dor torácica permanece em monitorização contínua e surge alteração sugestiva no segmento ST. A equipe não utiliza apenas a tela do monitor para concluir que se trata de uma síndrome coronariana. O paciente é reavaliado, os eletrodos são conferidos e é realizado ECG de 12 derivações conforme o protocolo. Nesse cenário, o monitor funciona como sinal de alerta, enquanto o ECG diagnóstico complementa a investigação.

Cuidados de enfermagem

Antes da instalação, confirme o padrão utilizado pelo equipamento, prepare adequadamente a pele e posicione cada eletrodo conforme a configuração escolhida. Após conectar os cabos, confira se o traçado está adequado e se a frequência exibida corresponde ao paciente.

Durante a monitorização, observe ritmo, frequência, alarmes e mudanças em relação ao padrão anterior. Alarmes não devem ser simplesmente silenciados ou ignorados; precisam ser avaliados e ajustados conforme a condição clínica e os parâmetros definidos pelo serviço. A AHA destaca justamente a importância do gerenciamento de alarmes, treinamento da equipe e documentação na monitorização eletrocardiográfica hospitalar.

Também registre alterações relevantes e comunique prontamente achados associados a instabilidade clínica, como arritmia nova, alteração importante do ritmo, dor torácica, alteração hemodinâmica ou deterioração do estado geral.

Decore para a Prova Para decorar antes da prova

  • AHA: branco, preto, verde, vermelho + marrom precordial.
  • IEC: vermelho, amarelo, preto, verde + branco precordial.

O ponto mais importante é não decorar somente as cores: identifique primeiro se o sistema é AHA ou IEC.

E lembre-se de outra diferença que costuma confundir: monitorização contínua não substitui automaticamente o ECG diagnóstico de 12 derivações. O monitor acompanha tendências e alerta para alterações; quando existe indicação diagnóstica, o ECG de 12 derivações deve ser realizado.

Resumo para salvar

Monitorização Cardíaca: Não Erre os Eletrodos

  • O padrão AHA e o IEC utilizam cores diferentes para identificar os eletrodos
  • Na AHA: branco RA, preto LA, verde RL, vermelho LL e marrom precordial
  • Na IEC: vermelho R, amarelo L, preto N, verde F e branco precordial
  • Monitorização contínua não substitui automaticamente o ECG diagnóstico de 12 derivações

Veja também:

Entendendo a Monitorização Multiparâmetros

Referências:

  1. SANDAU, Kristin E. et al. Update to practice standards for electrocardiographic monitoring in hospital settings: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation, v. 136, p. e273-e344, 2017. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000527. Disponível em: American Heart Association – Practice Standards for ECG Monitoring
  2. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 60601-2-27:2011: Medical electrical equipment – Part 2-27: Particular requirements for the basic safety and essential performance of electrocardiographic monitoring equipment. Geneva: IEC, 2011. Disponível em: IEC 60601-2-27
  3. KATZ, Richard et al. Recommendations for standardization and interpretation of the electrocardiogram: Part I: The electrocardiogram and its technology. Circulation, 2007. Disponível em: AHA/ACC/HRS – Standardization and Interpretation of the ECG
  4. GULATI, Martha et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR guideline for the evaluation and diagnosis of chest pain. Circulation, 2021. Disponível em: American Heart Association – Chest Pain Guideline
  5. AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY; AMERICAN HEART ASSOCIATION et al. 2024 AHA/ACC guideline for perioperative cardiovascular management for noncardiac surgery. Journal of the American College of Cardiology, 2024. Disponível em: JACC – 2024 Perioperative Cardiovascular Guideline. Acesso em: 4 set. 2026.
  6. DUBIN, Dale. Interpretação rápida do ECG. Rio de Janeiro: Publicações Científicas, 1993;
  7. MEDTRONIC PHYSIO-CONTROL CORP. LIFEPAK 12 3D Biphasic Defibrillator/Monitor Operating Instructions, 2000.

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
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