Escolhendo a Seringa Certa: As Indicações de uso

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das habilidades básicas, mas crucial, é a administração de medicamentos injetáveis. E para cada tipo de medicação, dose e via de administração, existe um tamanho de seringa mais adequado.

Usar a seringa correta não só garante a precisão da dose, mas também a segurança e o conforto do paciente. Parece simples, mas entender as nuances de cada tamanho pode fazer toda a diferença na sua prática. Vamos desmistificar o mundo das seringas juntos?

O Que Define o Tamanho da Seringa? Volume e Precisão

Basicamente, o tamanho de uma seringa é determinado pela sua capacidade de volume, medida em mililitros (mL) ou, às vezes, em unidades (como no caso das seringas de insulina). Essa capacidade varia desde as seringas bem pequenas, de 1 mL ou menos, até as maiores, de 50 ou 60 mL. A escolha do tamanho ideal depende de dois fatores principais:

  • Volume da Medicação a ser Administrada: A seringa deve ter capacidade suficiente para conter toda a dose prescrita do medicamento. O ideal é que a dose ocupe uma porção significativa do corpo da seringa, evitando erros de leitura e garantindo maior precisão.
  • Precisão da Dose: Algumas medicações exigem uma precisão muito maior na dose administrada. Nesses casos, seringas menores, com graduações mais finas (as “marquinhas” na seringa), são preferíveis, pois permitem uma leitura mais exata do volume.

O “Tamanho Não é Tudo”, Mas Importa Muito: As Indicações de Cada Seringa

Vamos agora detalhar os tamanhos de seringa mais comuns e suas principais indicações na prática da enfermagem:

  • Seringas de 1 mL (ou Seringas de Tuberculina): Essas seringas são pequenas e possuem graduações bem finas, geralmente em centésimos de mililitro (0,01 mL). Sua principal indicação é para administrar doses muito pequenas e que exigem alta precisão, como a vacina BCG (que geralmente tem um volume de 0,1 mL) e alguns testes intradérmicos, como o PPD (derivado proteico purificado) para teste de tuberculina. A agulha utilizada com essa seringa geralmente é curta e fina, adequada para a via intradérmica.
  • Seringas de Insulina (0,3 mL, 0,5 mL e 1 mL): Embora tecnicamente sejam seringas de 1 mL ou menos, as seringas de insulina merecem uma categoria à parte devido à sua especificidade. Elas são calibradas em unidades de insulina (U), e não em mililitros. Existem tamanhos diferentes (0,3 mL para até 30 unidades, 0,5 mL para até 50 unidades e 1 mL para até 100 unidades), e a escolha depende da dose de insulina prescrita. É crucial utilizar apenas seringas de insulina para administrar insulina, pois a conversão de unidades para mililitros em seringas comuns pode levar a erros graves de dosagem. As agulhas para insulina são geralmente curtas e finas, para injeção subcutânea.
  • Seringas de 3 mL: Essa é uma das seringas mais versáteis e utilizadas na prática da enfermagem. Ela é adequada para administrar volumes médios de medicamentos por via intramuscular (IM) . A maioria das medicações IM em adultos (como algumas vacinas, analgésicos e antibióticos) pode ser administrada com uma seringa de 3 mL.  A escolha da agulha (calibre e comprimento) dependerá da via de administração, do tipo de medicamento e das características do paciente (idade, massa muscular, quantidade de tecido adiposo).
  • Seringas de 5 mL e 10 mL: Essas seringas são utilizadas para administrar volumes maiores de medicamentos por via intramuscular em adultos com maior massa muscular ou para algumas medicações intravenosas (IV) em bolus (administração rápida de uma dose concentrada). Elas também podem ser usadas para aspirar líquidos, como em coletas de sangue ou aspiração de secreções (embora seringas específicas para coleta a vácuo sejam mais comuns para sangue). A escolha da agulha segue os mesmos princípios da seringa de 3 mL, variando conforme a via e as características do paciente.
  • Seringas de 20 mL: Essas seringas são mais utilizadas para administrar grandes volumes de medicamentos por via intravenosa de forma lenta (em infusão contínua ou intermitente) ou para irrigação de feridas e cateteres. Elas também podem ser usadas para aspirar grandes volumes de líquidos. Geralmente, são utilizadas com agulhas de calibre maior, adequadas para a via intravenosa ou para aspiração de líquidos mais viscosos.
  • Seringas de 50 mL e 60 mL: Essas são as maiores seringas de uso comum e são frequentemente utilizadas para administrar grandes volumes de fluidos por via intravenosa (geralmente acopladas a bombas de infusão), para alimentação enteral (através de sondas) ou para irrigação vesical contínua. Para a administração intravenosa, elas são conectadas diretamente ao acesso venoso do paciente ou à linha de infusão. Para alimentação enteral, são utilizadas para infundir a dieta pela sonda.

A Agulha Certa para Cada Seringa (Um Breve Parênteses)

Embora o foco principal seja o tamanho da seringa, é impossível falar sobre administração de injetáveis sem mencionar as agulhas. A escolha da agulha (calibre – medido em G, sendo que quanto maior o número, menor o calibre – e comprimento – medido em polegadas ou milímetros) é tão importante quanto a escolha da seringa e depende de:

  • Via de Administração: Intradérmica, subcutânea, intramuscular ou intravenosa exigem agulhas com características diferentes.
  • Viscosidade do Medicamento: Medicamentos mais viscosos exigem agulhas de calibre maior para facilitar a aspiração e a administração.
  • Tamanho e Condição do Paciente: Bebês, crianças e adultos com pouca massa muscular ou tecido adiposo exigem agulhas mais curtas.

Geralmente, seringas menores (1 mL e insulina) já vêm com agulhas fixas ou com um encaixe específico para agulhas menores. Para as seringas maiores (3 mL, 5 mL, 10 mL, 20 mL, 50/60 mL), as agulhas são acopladas separadamente, permitindo a escolha do calibre e comprimento mais adequados para a situação.

Nossos Cuidados Essenciais: Segurança em Primeiro Lugar

A administração de medicamentos injetáveis é uma responsabilidade grande e exige atenção a diversos cuidados de enfermagem:

  • Verificação da Prescrição Médica: Sempre confira a prescrição médica com atenção, certificando-se do nome correto do medicamento, dose, via de administração, horário e paciente. Em caso de dúvidas, consulte o enfermeiro ou o médico.
  • Escolha da Seringa e Agulha Adequadas: Selecione o tamanho da seringa que acomode a dose prescrita com precisão e a agulha apropriada para a via de administração e as características do paciente.
  • Técnica Asséptica: Mantenha a técnica asséptica rigorosa durante todo o preparo e administração do medicamento para prevenir infecções. Isso inclui a higiene das mãos, o uso de luvas estéreis (em alguns casos), a limpeza da ampola ou frasco-ampola e a não contaminação da agulha e da seringa.
  • Preparo Correto da Medicação: Aspire a dose correta do medicamento, evitando a formação de bolhas de ar na seringa. Se necessário, troque a agulha utilizada para aspirar pela agulha adequada para a administração.
  • Administração Segura: Escolha o local de aplicação correto de acordo com a via de administração e a idade do paciente, respeitando os rodízios de locais quando necessário. Utilize a técnica de injeção adequada para cada via.
  • Descarte Seguro de Materiais Perfurocortantes: Descarte as agulhas e seringas imediatamente após o uso em recipientes apropriados (caixas amarelas para materiais perfurocortantes) para prevenir acidentes.
  • Registro da Administração: Registre no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via de administração, o horário, o local da aplicação e sua assinatura.

Dominar a arte de escolher a seringa certa é um passo fundamental para uma prática de enfermagem segura e eficaz. Lembre-se sempre de buscar conhecimento, seguir os protocolos institucionais e, em caso de dúvidas, não hesite em perguntar aos seus supervisores e colegas mais experientes.

Referências:

  1. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  2. TIMBY, B. K. Enfermagem Médico-Cirúrgica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 

Seringa Excêntrica

Uma seringa excêntrica é um dispositivo médico usado para administrar fluidos ou medicamentos por via injetável. Ela difere das seringas tradicionais por ter um êmbolo deslocado lateralmente.

As suas Características

  • Êmbolo excêntrico: O bico excêntrico não está alinhado com o eixo do cano da seringa, criando uma excentricidade. Isso reduz o atrito entre o pistão e o cano, tornando mais fácil empurrar o pistão.
  • Cilindro menor: O cilindro da seringa é menor que o de uma seringa tradicional, o que permite maior pressão.
  • Alta pressão: A seringa excêntrica pode gerar pressões muito altas, tornando-a adequada para injetar fluidos espessos ou viscosos.
  • Sem agulha: As seringas excêntricas geralmente não são usadas com agulhas, pois a alta pressão pode causar danos aos tecidos.
  • Descartável: As seringas excêntricas são geralmente descartáveis após um único uso.
  • Aumentar a precisão: A excentricidade do bico direciona a força de empurrão para o centro do pistão. Isso melhora a precisão da dosagem, evitando que o pistão se incline ou deslize durante o movimento.
  • Facilitar o manuseio: O bico excêntrico pode ser girado para diferentes ângulos, permitindo que o usuário posicione a seringa confortavelmente e evite a fadiga das mãos durante o uso prolongado.
  • Evitar vazamentos: O design excêntrico cria uma vedação mais confiável entre o pistão e o cano, reduzindo o risco de vazamentos durante o uso ou armazenamento.
  • Acomodar líquidos viscosos: O bico excêntrico oferece maior torque para empurrar líquidos viscosos com menos esforço, tornando mais fácil a dispensação de fluidos espessos.

Aplicações de uso

As seringas excêntricas são usadas em uma ampla gama de aplicações médicas, incluindo:

  • Injeções intra-articulares: Para injetar medicamentos nas articulações.
  • Injeções epidurais: Para injetar medicamentos no espaço epidural.
  • Preenchimentos dérmicos: Para injetar substâncias preenchedoras na pele.
  • Injeções de colágeno: Para injetar colágeno em áreas da pele danificadas.
  • Cirurgia plástica: Para injetar anestésicos locais ou outros fluidos durante a cirurgia.

Desvantagens

  • Pressão excessiva: A alta pressão pode danificar os tecidos se não for usada corretamente.
  • Requer treinamento: O uso adequado requer treinamento especializado.

Referência:

  1. MedicalExpo

Seringas: Tipos e Indicações

Seringas

As seringas são equipamentos usados por profissionais da área da saúde para inserir substâncias líquidas por vias: intravenosa, intramuscular, intracardíaca, intratecal, subcutânea, intradérmica e intramuscular.

Contudo, sendo também muito utilizada para retirar sangue e etc,  trata-se de um dispositivo que antigamente era produzido em vidro, e hoje em dia com material plástico, sendo que esta primeira forma era bastante usual e pela dificuldade de esterilizar a seringa, ocasionando grandes problemas com contaminação, infecções cruzadas, foi descontinuada a sua fabricação, sendo assim a mais utilizada as seringas de uso único, de material plástico, e descartáveis.

Como é formado o corpo de uma seringa?

Os componentes básicos de uma seringa são:

  • bico:  É o local onde se conecta a agulha;
  • O êmbolo: É feito de material de borracha, cujo papel é de selar a medicação internamente, para que não vaze pelo corpo da seringa, e ao empurrar, a mesma auxilia a injetar a medicação;
  • O corpo: É o local que será preenchido pela medicação ou outro líquido;
  • A Haste: É onde puxamos para aspirar empurramos para injetar;
  • A empunhadura: É onde seguramos, para realizar a introdução da medicação.
  • As linhas de graduação: É formado por linhas, para auxilar na dosagem que é necessário para tais medicamentos.

Os tipos de bicos

Vocês sabiam que existem dois tipos de Bico no mercado?

Podemos encontrar seringas tipo Luer Lockluer slip que nada mais é seringas com pontas rosqueadas ou com pontas bicudas.

A Seringa de bico Luer Slip tem um design que permite o encaixe facilitado da agulha e promove durante a manipulação o encaixe em cateteres,  aplicações de vacina,  coleta de sangue, e até em cateteres periféricos, além de infusão de medicações líquidas e menos viscosas.

Diferente da Seringa de bico Luer Lock que apresenta em sua ponta uma rosca dupla dificultando desprendimento da agulha, proporcionando assim maior segurança durante a manipulação da agulha no corpo humano.

Especialmente quando é administrado medicamentos oleosos tanto em vias subcutâneas, quanto musculares ou intravenosas.

Com certeza a preferência pelo tipo de conexão a ser usada independentemente do procedimento, é individual para cada profissional ou pela instituição nos protocolos assistenciais sendo que poucos procedimentos são efetivos como só certos tipos de seringa.

Seringas

Que graduações as seringas têm e para que indicações elas têm?

As graduações das seringas são variadas podendo ser encontrada sob a forma de:

  • A seringa de 1ml:  Geralmente usada para insulina intradérmica e subcutânea, a seringa de 1ml é dividida em cem partes iguais que correspondem a 1 para 100 por 1 ml = 100 unidades internacionais;
  • A seringa de 3ml:  É geralmente usada para administração de soluções intramusculares, é graduada e dividida em milímetros cúbicos, que significa que 3ml foram divididos em partes iguais com graduação de identificação que correspondem a 3 por 30 que é igual a 0,1 ml ou seja,  essa seringa é dividida de 0,5 em 0,5 ml,  e cada 0,5 ml é dividido em 0,1 ml;
  • A seringa de 5ml: É geralmente usada para administração de soluções intramusculares,  é graduado é dividida em milímetros cúbicos,  que significa que 5ml foram divididos em partes iguais com graduação de identificação que correspondem a 5 por 25 que é igual a 0,2 ml ou seja, essa seringa é dividida de 1ml, cada 1 ml é dividido em 0,2 ml;
  • A seringa de 10ml:  É geralmente usada para administração de soluções endovenosas, é graduado é dividida em milímetros cúbicos,  que significa que 10ml foram divididos em partes iguais com graduação de identificação, divididos em 10 por 50 que é igual a 0,2 ml ou seja essa seringa dividida de 1 ml, e cada 1 ml é dividido em 0,2 ml;
  • A seringa de 20ml: É geralmente usada para administração de soluções endovenosas, é graduada e dividida em milímetros cúbicos, que significa que 20 ml foram divididos em partes iguais com graduação de identificação, uma seringa de 20 ml possui números inteiros, pois 20 por 20 é igual a 1 ml, ou seja essa seringa é dividida em 1ml;
  • A seringa de 60ml: É geralmente usada para aspiração e injeção de grandes volumes líquidos e soluções, e alimentação enteral, durante procedimentos médicos, a sua escala de graduação de 1 em 1 ml.

OBSERVAÇÃO!

Não se esqueça a cada 1 ml é igual a 1 centímetro cúbico que corresponde a 1 CC, sendo que a unidade é igual a 0,01 ml.

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