RASS: Saiba Avaliar a Sedação na UTI

RASS

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 08/10/2026.

Na UTI, dizer que um paciente está “sedado” não é suficiente. É preciso saber quanto ele está sedado — e isso muda a forma de monitorar, mobilizar, avaliar delirium e até interpretar uma piora neurológica. A RASS transforma essa observação em uma pontuação objetiva, que pode ser acompanhada ao longo do plantão.

O que é a escala RASS?

A Richmond Agitation-Sedation Scale (RASS) é uma escala validada para avaliar o nível de agitação e sedação em adultos, especialmente no ambiente de terapia intensiva. Ela possui 10 níveis, variando de +4, agitação intensa, até −5, ausência de resposta. O zero representa o paciente alerta e calmo.

A lógica é simples: quanto maior o número positivo, maior a agitação; quanto mais negativo, maior a profundidade da sedação.

Entenda as pontuações

RASS Classificação Como reconhecer
+4 Combativo Violento ou combativo, com perigo imediato para a equipe
+3 Muito agitado Remove ou tenta remover tubos/cateteres ou apresenta comportamento agressivo
+2 Agitado Movimentos frequentes e sem propósito ou assincronia paciente-ventilador
+1 Inquieto Ansioso ou apreensivo, sem movimentos agressivos
0 Alerta e calmo Acordado, tranquilo e interagindo normalmente
−1 Sonolento Desperta à voz e mantém contato visual por mais de 10 segundos
−2 Sedação leve Desperta brevemente à voz, mantendo contato visual por menos de 10 segundos
−3 Sedação moderada Apresenta algum movimento à voz, mas sem contato visual
−4 Sedação profunda Não responde à voz, mas apresenta movimento ao estímulo físico
−5 Não despertável Não responde à voz nem ao estímulo físico

Essa graduação é a estrutura original da RASS e continua sendo utilizada nas ferramentas da SCCM.

Como aplicar a RASS

A avaliação começa pela observação do paciente. Se ele está alerta e calmo, a pontuação pode ser 0. Se apresenta comportamento compatível com agitação, avaliam-se os critérios positivos.

Quando não está alerta, utiliza-se a voz: chamar o paciente pelo nome, solicitar que abra os olhos e estabeleça contato visual. O tempo de manutenção desse contato ajuda a diferenciar −1 de −2, enquanto uma resposta motora sem contato visual corresponde a −3.

Se não houver resposta à voz, passa-se ao estímulo físico. Movimento diante desse estímulo corresponde a −4; ausência de resposta à voz e ao estímulo físico corresponde a −5.

Um detalhe importante no plantão é não começar imediatamente pelo estímulo físico em um paciente sonolento. A própria sequência da escala prioriza observação, voz e somente depois estímulo físico.

RASS não é Glasgow

As duas escalas avaliam aspectos diferentes. A Escala de Coma de Glasgow foi desenvolvida para avaliação do nível de consciência por abertura ocular, resposta verbal e resposta motora, enquanto a RASS foi construída especificamente para graduar agitação e sedação.

Por isso, uma pontuação RASS não deve simplesmente ser convertida em um valor de Glasgow. Em pacientes críticos, cada instrumento responde a uma pergunta clínica diferente.

Também não se deve usar a RASS como escala de dor ou como diagnóstico de delirium. Para dor e delirium existem ferramentas específicas, como NRS, CPOT/BPS e CAM-ICU/ICDSC, conforme a capacidade do paciente e o protocolo utilizado.

A meta não é deixar todos profundamente sedados

Esse é um dos pontos mais importantes da atualização da assistência em UTI. A sedação deve ter uma meta individualizada, e a equipe precisa comparar o RASS observado com o alvo definido para aquele paciente.

As diretrizes PADIS recomendam, quando clinicamente apropriado, sedação leve em vez de sedação profunda para adultos criticamente enfermos em ventilação mecânica. A atualização de 2025 também sugere dexmedetomidina em vez de propofol quando a prioridade é sedação leve e/ou redução do delirium, embora a escolha do sedativo dependa do contexto clínico.

Imagine um paciente intubado cujo alvo é RASS −1 a −2, mas que aparece repetidamente em −4. O número não deve ser apenas registrado. Ele sinaliza uma diferença entre a sedação observada e a meta, exigindo avaliação da equipe e revisão da estratégia conforme prescrição e protocolo.

Em outra situação, um paciente que vinha em RASS 0 passa repentinamente para +2, começa a puxar o circuito do ventilador e apresenta movimentos constantes. Antes de simplesmente aumentar o sedativo, é necessário investigar causas de agitação, como dor, hipóxia, retenção de CO₂, delirium, desconforto, retenção urinária ou outras alterações clínicas.

RASS e delirium caminham juntos

A RASS não diagnostica delirium, mas o nível de consciência influencia sua avaliação. Na prática, a RASS pode ser utilizada como parte da sequência de avaliação com ferramentas específicas de delirium, como o CAM-ICU.

Um paciente com RASS diferente de zero pode apresentar alteração do nível de consciência no CAM-ICU, mas o diagnóstico de delirium depende do conjunto dos critérios da ferramenta, não apenas da pontuação RASS.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve avaliar e registrar a RASS conforme a rotina institucional, observando também a tendência das pontuações.

  • Compare o RASS atual com o anterior.
  • Confira a meta de sedação prescrita ou definida no protocolo.
  • Observe agitação, assincronia, retirada de dispositivos e mudanças súbitas do comportamento.
  • Em sedação profunda, avalie a necessidade de métodos objetivos adicionais quando a avaliação clínica estiver limitada.
  • Investigue alterações inesperadas antes de simplesmente aumentar ou reduzir sedativos.
  • Registre a pontuação e comunique mudanças relevantes.

A SCCM inclui RASS entre as ferramentas validadas para avaliação de sedação em adultos e recomenda que a profundidade e a qualidade da sedação sejam avaliadas rotineiramente. Em pacientes sob bloqueio neuromuscular, medidas objetivas da função cerebral podem ser necessárias como complemento, porque a resposta motora da RASS fica limitada.

Para memorizar rapidamente

! Atenção na Prova

+4 a +1 = agitação
0 = alerta e calmo
−1 a −2 = sedação leve
−3 = sedação moderada
−4 = sedação profunda
−5 = não despertável

A RASS é simples de aplicar, mas ganha valor quando a pontuação deixa de ser apenas um número no prontuário e passa a orientar a avaliação contínua do paciente crítico.

Resumo para salvar

RASS: Saiba Avaliar a Sedação na UTI

  • A RASS varia de +4 a -5
  • Zero representa paciente alerta e calmo
  • Pontuações negativas indicam diferentes níveis de sedação
  • RASS auxilia no acompanhamento da meta de sedação

Referências:

  1. SESSLER, C. N. et al. The Richmond Agitation-Sedation Scale: validity and reliability in adult intensive care unit patients. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, v. 166, n. 10, p. 1338-1344, 2002. PubMed — RASS: validade e confiabilidade.
  2. LEWIS, K. et al. A focused update to the clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 53, n. 3, p. e711-e727, 2025. SCCM — PADIS Focused Update 2025.
  3. DEVLIN, J. W. et al. Clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Critical Care Medicine, v. 46, n. 9, p. e825-e873, 2018. SCCM — PADIS Guidelines.
  4. FUCHITA, M. et al. Inter-rater Agreement of Richmond Agitation Sedation Scale Assessments in Adult Patients Receiving Mechanical Ventilation in the ICU: A Cross-Sectional Study. Critical Care Explorations, v. 7, n. 9, e1302, 2025. PubMed — RASS em pacientes sob ventilação mecânica.
  5. SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. ICU Liberation Bundle: A-F. Mount Prospect: SCCM. SCCM — ICU Liberation Bundle

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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