Dominando as Bombas de Infusão: Tipos, Funções e o Toque Essencial da Enfermagem

No cenário moderno da assistência à saúde, a administração manual de fluidos e medicamentos por gotejamento se tornou, em muitos casos, um método obsoleto e impreciso. Entra em cena a Bomba de Infusão (BI), um equipamento que garante a entrega precisa e controlada de volumes líquidos ao paciente, minuto a minuto.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, a bomba de infusão é uma ferramenta indispensável. Ela é a guardiã da segurança do paciente, especialmente em terapia intensiva ou na administração de medicamentos de alto risco (como vasopressores, sedativos e quimioterápicos).

Entender os diferentes tipos de bombas, suas especificidades e os cuidados essenciais de manejo é o que transforma a nossa prática de boa para excelente. Vamos detalhar os principais tipos e a importância do nosso toque humano na operação dessas máquinas.

Por Que a Precisão é Crucial? A Necessidade da BI

A bomba de infusão não existe para facilitar o nosso trabalho, mas sim para garantir a segurança terapêutica.

  • Medicamentos de Alto Risco (Ação Imediata): Drogas vasoativas (como a Noradrenalina ou Dopamina) exigem doses exatas, tituladas em mililitros por hora (mL/h) ou microgramas por quilo por minuto (ug/kg/min). Uma variação mínima pode causar hipotensão grave ou hipertensão perigosa.
  • Volume Controlado: Em neonatologia ou em pacientes com insuficiência cardíaca/renal, onde cada mililitro conta, a BI previne a sobrecarga volêmica.

Os Principais Tipos de Bombas de Infusão

Embora existam variações de marca e modelo, as bombas de infusão são classificadas em dois grandes grupos baseados no seu mecanismo de funcionamento:

Bombas de Infusão Volumétricas

São o tipo mais comum e versátil, utilizadas para administrar grandes volumes de soluções (soros, nutrição parenteral) e medicamentos em doses contínuas.

  • Mecanismo: Elas usam um sistema peristáltico (semelhante a um “dedo” que aperta o equipo) ou um mecanismo de cassete para empurrar o fluido através da linha em uma taxa definida pelo operador (ex: 100 mL/h).
  • Aplicações principais: Pacientes em UTI, administração de medicamentos contínuos e manutenção de hidratação.
  • Uso Principal: Infusão de hidratação venosa, antibióticos intermitentes e Nutrição Parenteral Total (NPT).
  • Cuidados de Enfermagem: A calibração (ajuste inicial) é essencial. É crucial garantir que o equipo específico da bomba seja instalado corretamente no canal, sem bolhas de ar e sem estar tensionado.

Bombas de Infusão de Seringa (Bomba de Seringa)

São utilizadas para a administração de pequenos volumes com altíssima precisão, geralmente em ritmos lentos.

  • Mecanismo: A bomba utiliza um motor para empurrar o êmbolo de uma seringa em uma taxa controlada.
  • Uso Principal: Infusão de medicamentos potentes e titulados em unidades de terapia intensiva (UTI), como sedativos, analgésicos e vasopressores, ou em neonatologia, e clínicas de veterinária.
  • Vantagem: Permitem a infusão de volumes minúsculos de forma exata (ex: 0,5 mL/h).
  • Cuidados de Enfermagem: É vital usar o tamanho de seringa correto (ex: 10 mL, 20 mL, 50 mL) e garantir que o tamanho selecionado na programação da bomba corresponda ao tamanho físico da seringa inserida.

Tipos Específicos e Funções Avançadas

Além das categorias básicas, algumas bombas possuem funcionalidades específicas:

Bomba Elastômerica (“Bola”)

Não é eletrônica, mas atua como um antiespasmódico mecânico. É uma bola plástica flexível que se esvazia em uma taxa de fluxo pré-determinada pela tensão da sua parede. Uso comum em administração de antibióticos ambulatoriais ou em quimioterapia domiciliar.

Vantagens:
Portabilidade, simplicidade e baixo risco de falha técnica.

Desvantagens:
Taxa de infusão fixa e menor precisão em comparação às bombas eletrônicas.

PCA (Patient-Controlled Analgesia)

Permite que o paciente, dentro de limites de segurança programados, administre doses extras de analgésicos (como morfina) pressionando um botão. O enfermeiro programa a dose base (infusão contínua), a dose de reforço (bolus) e o tempo de bloqueio (intervalo mínimo entre doses).

Vantagens:
Melhor controle da dor, autonomia do paciente e menor risco de overdose devido à programação de bloqueios de segurança.

Desvantagens:
Necessidade de orientação detalhada e vigilância contínua da equipe de enfermagem.

Cuidados de enfermagem com bombas de infusão

O profissional de enfermagem tem papel fundamental na manipulação e monitoramento das bombas de infusão. A segurança do paciente depende diretamente da correta programação e do acompanhamento constante.

Conferência da Programação

O “duplo check” (conferência por dois profissionais) é obrigatório para medicamentos de alto risco. Conferir:

  • Droga: Qual medicamento está sendo infundido.
  • Dose/Concentração: Garante que a diluição (mL de droga em mL de solução) está correta.
  • Velocidade (mL/h): Garante a taxa correta.

Monitoramento do Local de Infusão

 Verificar frequentemente o acesso venoso para sinais de flebite, infiltração ou extravasamento, que podem alterar a entrega da medicação.

Alarmes: Nunca ignore um alarme!

Um alarme de “oclusão” pode significar que o cateter está obstruído ou que o paciente fez uma dobra no membro. Um alarme de “ar na linha” exige a remoção imediata da bolha.

Troca de Linhas

 Seguir rigorosamente o protocolo institucional para troca de equipos e linhas (geralmente a cada 72-96 horas, exceto em NPT ou lipídios, que são mais frequentes) para prevenir infecções.

Outros cuidados

  • Verificar a integridade do equipo e da bomba antes de cada uso.
  • Programar corretamente a taxa de infusão e o volume total, conforme prescrição médica.
  • Inspecionar o local da punção venosa regularmente, observando sinais de infiltração, flebite ou extravasamento.
  • Garantir que o equipamento esteja ligado à energia elétrica ou bateria carregada.
  • Documentar todas as infusões realizadas e registrar alarmes ou intercorrências.
  • Educar o paciente e familiares sobre a importância de não manipular o dispositivo sem orientação profissional.

O domínio das bombas de infusão é a marca do profissional de enfermagem moderno. A máquina faz o trabalho de precisão, mas a nossa inteligência, vigilância e atenção aos detalhes garantem que o cuidado seja seguro e humanizado.

Referências:

  1. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre administração de medicamentos e terapia intravenosa).
  2. INSTITUTO PARA PRÁTICAS SEGURAS NO USO DE MEDICAMENTOS (ISMP Brasil). Segurança na Administração de Medicamentos de Alto Alerta. Disponível em: https://www.ismp-brasil.org/. (Consultar as diretrizes sobre bombas de infusão e duplos checks). 
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de segurança na administração de medicamentos. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Segurança na utilização de bombas de infusão. Brasília: COFEN, 2021. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/.
  5. INFUSION NURSES SOCIETY (INS). Infusion Therapy Standards of Practice. 8ª ed. Massachusetts: INS, 2021. Disponível em: https://www.ins1.org/.
  6. ANVISA. Boas práticas para o uso de bombas de infusão. Brasília: ANVISA, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/.

Cadeira de Banho

A cadeira de banho é um dos aparelhos indispensáveis para pacientes com limitações na locomoção ou que apresentam dificuldades para permanecerem na posição ereta durante a higienização corporal.

A sua utilização

A cadeira de banho é um equipamento que facilita a higiene e o conforto de pessoas com limitações na locomoção, equilíbrio ou força muscular, como idosos, deficientes ou pacientes em reabilitação.

Ela permite que o banho seja feito com mais segurança, evitando quedas, lesões e infecções.

Existem diversos modelos de cadeiras de banho, cada um adequado para uma necessidade específica. Algumas cadeiras têm rodas, braços escamoteáveis, cintos de segurança ou caixas coletoras de resíduos.

Outras são simples, dobráveis ou adaptadas para obesos. A escolha da cadeira de banho deve levar em conta o tamanho, o peso, a condição clínica e a preferência do usuário.

A cadeira de banho deve ser resistente à água, ter assento e encosto confortáveis e antiderrapantes, e pés de borracha ou ventosas para fixar no chão ou na banheira. É um item essencial para garantir a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas que precisam de auxílio para se higienizar.

Vantagens

Melhora a higienização dos pacientes

A limpeza corporal diária é um hábito comum dos brasileiros se comparado às pessoas residentes em países europeus. Por isso, os pacientes que estão debilitados de forma temporária ou permanentemente sentem falta de uma higienização completa.

Além disso, a remoção da sujicidade corporal previne formação de úlceras de decúbito, a proliferação de fungos em pregas cutâneas e garante um frescor e vitalidade após o procedimento.

Adicionalmente, ao utilizar a cadeira de banho os pacientes poderão desfrutar de momentos relaxantes e higiênicos dentro das limitações físicas encontradas, diminuindo o suor e o mau cheiro provenientes de outras partes íntimas.

Promove a segurança do indivíduo

Existem diversos tipos de cadeiras de banho e cada uma tem uma indicação clínica específica. Cadeiras simples são recomendadas para indivíduos que precisarão dela por um período curto, pois apresentam menos funcionalidades.

Existem cadeiras mais complexas, que são acopladas a caixas coletoras de resíduos corporais (fezes e urina principalmente) e aquelas com braços escamoteáveis, que facilitam o transporte entre os cômodos da casa.

Também é possível adquirir cadeiras de banho para deficientes confeccionadas em PVC, que garantem conforto de praticidade no momento da higienização corporal além de serem seguras e convenientes para o paciente.

Outra novidade é a cadeira de banho para obesos, que tem um layout adaptado para esses pacientes e suporta até 150 kg, sendo indicada para qualquer faixa etária.

Nos modelos mais simples, não existem rodinhas embaixo, enquanto nas cadeiras mais complexas existem travas dianteiras, o que facilita a fixação em qualquer piso.

Algumas, ainda, têm cintos de segurança ao longo de sua estrutura para imobilizar os pacientes vítimas de traumatismos na coluna vertebral, situação que exige cuidados específicos.

Melhora a autoestima do paciente

A cadeira de banho facilitará a higienização dos pacientes que se sentem desmotivados após a situação que resultou na necessidade desse aparelho ou que ainda não tiverem experiências positivas durante o uso.

Pessoas que ainda estão assimilando a condição clínica permanente, frequentemente se sentem depressivas e sem ânimo para fazer algumas atividades, inclusive a higienização, enquanto outras se tornam resistentes porque não foi indicada a cadeira mais adequada à sua condição física.

Por isso, retornam à rotina sem o uso desse artefato, o que pode comprometer seriamente a limpeza corporal e a segurança do paciente.

Sendo assim, os acompanhantes, profissionais de saúde e familiares devem incentivar o paciente a iniciar ou retomar o uso da cadeira do banho para melhorar a autoestima e aceitar a nova condição clínica.

Possibilita um banho mais completo

Antigamente o banho dos pacientes acamados ou com restrições para ficarem em posição ereta era feito com panos umedecidos passados ao longo do corpo, deixando a limpeza completa somente para as partes íntimas.

Com a evolução tecnológica, surgiram as cadeiras com diversas funcionalidades que proporcionaram uma limpeza corporal mais adequada e embaixo do chuveiro — condição permitida atualmente devido ao material usado na confecção dos equipamentos.

Dessa forma, é possível incluir a higienização frequentemente e torná-la um hábito prazeroso e contínuo. Basta apenas selecionar o modelo que atende às necessidades clínicas do paciente.

Facilita a adaptação à nova rotina

A utilização da cadeira de banho proporciona emoções conflitantes nos pacientes que necessitam dela: de um lado, observa-se a autonomia para realizar a atividade higiênica por conta própria, enquanto do outro percebe-se a dependência de familiares para a limpeza corporal, que para alguns é um fato constrangedor.

No primeiro caso, verifica-se uma excitação do paciente em poder desfrutar do momento do banho de forma independente, utilizando os produtos de higiene calmamente e aproveitando esse momento.

No segundo caso, percebe-se uma tristeza do indivíduo ao saber que necessita de cuidados de outras pessoas para seus hábitos de higiene. Todavia, com intervenções de caráter positivo, esse tempo pode ser divertido para ambos.

O mais importante nessas situações é adaptar a nova rotina de maneira que não se torne estressante e cause novas complicações clínicas no paciente. Por isso, recomendações dos especialistas são bem-vindas nesse quesito para mostrar os benefícios da utilização desse aparelho.

Garante mais qualidade de vida

Qualidade de vida é a percepção do indivíduo em relação à sua condição atual. Nesse contexto, são englobadas as intervenções clínicas para o conforto do paciente e os sentimentos dos doentes em relação ao processo.

Sendo assim, as intervenções terapêuticas devem propiciar menor risco de problemas clínicos, ausência ou eliminação de dor e todas devem ser discutidas com o paciente e seus familiares.

Nesse cenário, os profissionais de enfermagem são os profissionais que podem ajudar nessa situação. Eles serão responsáveis por indicar a cadeira de banho mais condizente ao estado do paciente e fornecer as informações sobre o uso correto, além de promover um atendimento humanizado e integral.

Também deverá acompanhar essa adaptação no ambiente residencial e se certificar da segurança dos procedimentos e de avaliar a percepção do paciente em relação ao problema.

A cadeira de banho é um aparelho imprescindível para pacientes com dificuldade de locomoção, para aqueles que não se sentem confortáveis para permanecerem na posição ereta ou em situações temporárias que a exigem.

Sendo assim, a escolha do equipamento deve ser feita por um especialista no assunto, analisando quesitos como conforto, segurança e qualidade de vida do paciente.

Referência:

  1. Mobiloc

Tipos de drenos cirúrgicos: o que todo estudante de enfermagem precisa saber

Os drenos cirúrgicos são dispositivos utilizados para remover líquidos, secreções ou ar acumulados em cavidades ou feridas após procedimentos cirúrgicos. Sua finalidade principal é prevenir complicações, como infecções, hematomas, seromas ou até mesmo o colapso pulmonar, dependendo do local onde estão instalados.

Para a enfermagem, compreender os tipos de drenos, seus mecanismos de funcionamento e os cuidados necessários é fundamental para garantir uma assistência segura e eficaz ao paciente.

Por que Usamos Drenos?

O acúmulo de fluidos no local da cirurgia (conhecido como seroma) pode ser um ambiente ideal para o crescimento de bactérias, levando a infecções e atrasando a cicatrização. Os drenos agem como um “aspirador”, removendo o excesso de líquido ou ar, permitindo que os tecidos se recuperem adequadamente.

Tipos de Drenos: Um Guia Prático

Os drenos podem ser classificados de várias formas, mas a maneira mais simples de entendê-los é por seu mecanismo de ação: por gravidade ou por sucção.

Drenos por Gravidade

Esses drenos funcionam com a ajuda da gravidade para que o líquido saia do corpo.

  • Dreno de Penrose: É um dos mais antigos e simples. É um tubo de látex, fino e macio, que fica aberto nas duas extremidades. Ele não tem reservatório e o líquido é coletado em uma gaze ou bolsa. É frequentemente usado em cirurgias menores, como abscessos.
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a quantidade e o aspecto do líquido drenado. Proteger a pele ao redor do dreno, pois o líquido pode ser irritante. Trocar o curativo frequentemente.
  • Dreno Tubular Aberto: São drenos simples, em formato de tubo, que podem ser conectados a sistemas bolsa de coleta. São bastante versáteis, podendo ser utilizados em procedimentos abdominais, ortopédicos e de partes moles.

Drenos por Sucção

Esses drenos utilizam uma força de vácuo para “puxar” o líquido para fora do corpo, sendo mais eficientes.

  • Dreno de Portovac: É um sistema fechado que utiliza um reservatório em formato de sanfona ou de pera. Quando o reservatório é comprimido, ele cria um vácuo que suga o líquido para dentro. É muito utilizado em cirurgias de grande porte, como mamoplastias e cirurgias abdominais.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter a sucção do reservatório. Esvaziar o reservatório periodicamente, medir o volume drenado e registrar as características do líquido. Observar se há vazamentos ou obstruções no tubo.
  • Dreno de Blake: Similar ao Portovac, mas com um tubo de silicone que tem múltiplos canais. Ele também usa um sistema de sucção e é menos propenso a obstruções.
  • Dreno de Sucção Seca: É um sistema de sucção que utiliza um regulador de pressão de parede, sem a necessidade de um reservatório manual. É comumente usado em drenagem de tórax.
  • Dreno de Tórax: É um dreno tubular que é inserido no espaço pleural (entre o pulmão e a parede torácica) para remover ar (pneumotórax), líquido ou sangue. Ele é conectado a um sistema de selo d’água, que impede que o ar volte para o tórax.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter o sistema de drenagem abaixo do nível do tórax do paciente. Observar o borbulhamento no selo d’água (que indica saída de ar) e as oscilações da coluna d’água, que mostram que o dreno está funcionando. Nunca clampear (fechar) o dreno de tórax sem uma prescrição médica rigorosa.

Outros tipos de drenos utilizados em procedimentos médicos

Além dos já citados, existem outros drenos bastante comuns na prática clínica:

  • Dreno de Kehr: em forma de “T”, usado principalmente em cirurgias das vias biliares para drenagem de bile.
  • Dreno Malecot: com extremidade alargada em “asas”, muito usado em urologia, como na drenagem vesical ou renal.
  • Dreno de Pezzer: semelhante ao Malecot, mas com extremidade em formato de cogumelo, também empregado em drenagem urinária ou gástrica.
  • Drenos de aspiração fechada (como Jackson-Pratt): semelhantes ao Portovac, mas com reservatório em forma de bulbo, comuns em cirurgias de pequeno porte.

Cuidados de enfermagem com drenos

A nossa atuação é o elo entre a técnica e a segurança do paciente. Para o cuidado com os drenos, devemos seguir alguns passos:

  1. Avaliação: A cada plantão, avaliar o local de inserção do dreno, buscando sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, calor, dor).
  2. Monitoramento: Medir o volume do líquido drenado a cada 6 ou 12 horas, dependendo do protocolo, e registrar as características do líquido (cor, odor, consistência).
  3. Higiene: Realizar a limpeza da pele ao redor do dreno com técnica asséptica e trocar o curativo, se necessário.
  4. Manutenção do Sistema: Em drenos de sucção, garantir que o vácuo seja mantido. Em drenos de tórax, verificar o borbulhamento e a oscilação.
  5. Fixação: Certificar-se de que o dreno esteja bem fixado à pele para evitar que ele seja puxado acidentalmente.
  6. Educação do Paciente: Explicar ao paciente a função do dreno, a importância de não puxá-lo e como ele pode ajudar a manter o sistema seguro.

Os drenos cirúrgicos são recursos indispensáveis na prática médica e de enfermagem, pois garantem a cicatrização adequada e previnem complicações graves. Cada tipo de dreno possui características próprias e é indicado para situações específicas.

Para o estudante de enfermagem, compreender os diferentes modelos e os cuidados necessários é um passo essencial para prestar uma assistência segura, qualificada e humanizada no período pós-operatório.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde. 2. ed. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_reprocessamento_produtos.pdf
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre cirurgia e cuidados com drenos).
  3. BRUNNER, Lillian Sholtis; SUDDARTH, Doris Smith. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  5. COELHO, Maria Sílvia. Drenos cirúrgicos: indicações e cuidados de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, Coimbra, v. 4, n. 5, p. 133-140, 2012. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/referencia/article/view/1462

Classificação de Fios de Sutura

Os fios de sutura são materiais essenciais em procedimentos cirúrgicos, utilizados para aproximar tecidos e promover a cicatrização.

Com uma variedade de tipos disponíveis, a escolha do fio de sutura adequado depende das características do tecido, do tipo de cirurgia e do tempo necessário para a cicatrização.

Nesta publicação, vamos explorar a classificação dos fios de sutura, citando exemplos de acordo com sua origem (sintéticos e naturais), estrutura (monofilamentares e multifilamentares) e capacidade de absorção (absorvíveis e não absorvíveis).

Classificação dos Fios de Sutura

Fios Sintéticos vs. Fios Naturais

Os fios de sutura podem ser classificados de acordo com sua origem em sintéticos ou naturais.

Fios Sintéticos

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Polidioxanona (PDS), Polipropileno (Prolene), Nylon.
  • Características: Produzidos a partir de materiais artificiais, são menos propensos a causar reações alérgicas e têm maior consistência em termos de força e durabilidade.
  • Aplicações: Amplamente utilizados em cirurgias gerais, plásticas e ortopédicas.

Fios Naturais

  • Exemplos: Seda, Catgut (feito a partir de submucosa intestinal de animais).
  • Características: São biodegradáveis e têm boa manipulação, mas podem causar reações inflamatórias em alguns pacientes.
  • Aplicações: Usados em cirurgias onde a reabsorção natural é desejada, como em tecidos subcutâneos.

Fios Monofilamentares vs. Fios Multifilamentares

A estrutura do fio de sutura também é um critério importante para sua classificação.

Fios Monofilamentares

  • Exemplos: Polipropileno (Prolene), Polidioxanona (PDS), Nylon.
  • Características: Compostos por um único filamento, são lisos e menos propensos a abrigar microrganismos.
  • Aplicações: Ideais para suturas em tecidos sensíveis, como vasos sanguíneos e pele.

Fios Multifilamentares

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Seda.
  • Características: Compostos por múltiplos filamentos trançados, oferecem maior força tênsil e facilidade de manipulação.
  • Aplicações: Usados em tecidos que exigem maior sustentação, como músculos e fáscia.

Fios Absorvíveis vs. Fios Não Absorvíveis

A capacidade de absorção do fio de sutura é outro fator crucial na escolha do material.

Fios Absorvíveis

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Polidioxanona (PDS), Catgut.
  • Características: São degradados pelo organismo ao longo do tempo, eliminando a necessidade de remoção.
  • Aplicações: Usados em tecidos internos, como músculos, submucosa e órgãos, onde a remoção do fio seria difícil ou desnecessária.

Fios Não Absorvíveis

  • Exemplos: Polipropileno (Prolene), Nylon, Seda.
  • Características: Não são degradados pelo organismo e precisam ser removidos após a cicatrização.
  • Aplicações: Utilizados em suturas cutâneas, onde a remoção é fácil, ou em tecidos que exigem suporte prolongado, como tendões.

Escolha do Fio de Sutura Adequado

A seleção do fio de sutura depende de vários fatores, incluindo:

  • Tipo de Tecido: Tecidos delicados, como pele e vasos, exigem fios monofilamentares, enquanto tecidos mais resistentes, como músculos, podem ser suturados com fios multifilamentares.
  • Tempo de Cicatrização: Fios absorvíveis são ideais para tecidos que cicatrizam rapidamente, enquanto fios não absorvíveis são usados quando o suporte prolongado é necessário.
  • Risco de Infecção: Fios sintéticos e monofilamentares são preferíveis em áreas com maior risco de infecção.

Cuidados de Enfermagem no Manejo de Suturas

A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental no cuidado pós-operatório de pacientes com suturas. Aqui estão algumas orientações:

  1. Monitoramento da Ferida: Observe sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço ou secreção.
  2. Troca de Curativos: Realize a troca de curativos conforme orientação médica, mantendo a ferida limpa e seca.
  3. Remoção de Suturas: Em caso de fios não absorvíveis, siga o cronograma de remoção indicado pelo médico.
  4. Educação do Paciente: Oriente sobre os cuidados com a ferida e sinais de alerta que exigem retorno ao médico.

A classificação dos fios de sutura é essencial para garantir o sucesso de procedimentos cirúrgicos e a recuperação adequada dos pacientes. Compreender as características de cada tipo de fio permite aos profissionais de saúde escolher o material mais adequado para cada situação.

Referência:

  1. UNIFASE. “Suturas: tipos, definições, técnicas e mais um resumo de tudo que um estudante de medicina precisa saber.” Disponível em: https://www.unifase-rj.edu.br/suturas-tipos-definicoes-tecnicas-e-mais-um-resumo-de-tudo-que-um-estudante-de-medicina-precisa-saber.

Conhecendo o Carrinho de Anestesia

O carrinho de anestesia é um equipamento essencial no centro cirúrgico, funcionando como uma verdadeira estação de suporte para o anestesista e a equipe durante os procedimentos operatórios. Para o estudante e profissional de enfermagem, entender sua composição e organização é fundamental para garantir segurança, agilidade e apoio eficiente à anestesia.

Embora muitas vezes passe despercebido, esse carrinho carrega insumos e medicamentos que podem ser determinantes em situações críticas. Neste post, vamos explorar em detalhes como ele é composto externamente, o que contém em suas gavetas e quais os cuidados que a equipe de enfermagem deve ter.

O que é o carrinho de anestesia?

O carrinho de anestesia é um móvel com rodízios, geralmente posicionado ao lado do aparelho de anestesia, que contém compartimentos, gavetas e superfícies para organização dos materiais utilizados pelo anestesista. Ele facilita o acesso rápido a medicamentos, dispositivos e materiais de emergência, promovendo mais fluidez no atendimento ao paciente anestesiado.

Estrutura externa do carrinho

À primeira vista, o carrinho de anestesia parece um móvel robusto com rodas. E ele é! Projetado para ser móvel e resistente, ele precisa suportar o peso dos equipamentos e ser facilmente transportado. Mas sua parte externa já revela muito de sua funcionalidade:

  • Aparelho de Anestesia/Máquina de Anestesia: Este é o coração do sistema. É nele que os gases medicinais (oxigênio, óxido nitroso, ar comprimido) são conectados, onde os anestésicos inalatórios são vaporizados e onde o ventilador mecânico acoplado permite que o paciente respire. Ele possui monitores integrados para os parâmetros ventilatórios.
  • Monitores Multiparamétricos: Geralmente acoplados ou ao lado do carrinho, esses monitores exibem em tempo real os sinais vitais do paciente: eletrocardiograma (ECG), pressão arterial (invasiva e não invasiva), oximetria de pulso (SpO2), capnografia (CO2 exalado), temperatura e, por vezes, monitor de profundidade anestésica (BIS).
  • Bandeja Superior: É a área de trabalho imediata. Nela, o anestesista e nós da enfermagem preparamos e organizamos os medicamentos que serão utilizados na indução e manutenção da anestesia. Costuma ter espaço para seringas, agulhas, equipos e ampolas.
  • Suporte para Soro/Bombas de Infusão: Geralmente um mastro acoplado ao carrinho, onde são pendurados os soros e fixadas as bombas de infusão, que controlam a velocidade e o volume dos medicamentos administrados.
  • Rodas com Trava: Essenciais para garantir que o carrinho fique estável durante os procedimentos, evitando movimentos indesejados.
  • Lixeira: Pequenas lixeiras para descarte rápido de materiais, otimizando o fluxo de trabalho.
  • Caixa de Descarte de Perfurocortantes (Descartex): Fundamental para a segurança, permitindo o descarte imediato de agulhas e ampolas.

O que há nas gavetas do carrinho de anestesia?

As gavetas do carrinho de anestesia são verdadeiros cofres de medicamentos e materiais. E a ordem aqui não é apenas estética; é uma questão de segurança e agilidade. Em uma emergência, não há tempo para procurar. Por isso, a organização e a padronização do conteúdo são cruciais, e essa é uma das grandes responsabilidades da enfermagem no centro cirúrgico.

Embora o conteúdo possa variar ligeiramente entre hospitais, a lógica de organização é geralmente a mesma: os medicamentos de emergência ficam sempre à mão, na primeira gaveta.

Gaveta 1: A Emergência na Ponta dos Dedos 

Esta é a gaveta mais importante e deve estar sempre acessível e com os itens devidamente checados antes de cada cirurgia. Ela contém os medicamentos para intercorrências graves e ressuscitação.

Vasoativos/Drogas de Emergência Cardíaca:

    • Adrenalina (Epinefrina): Para parada cardíaca, choque anafilático.
    • Noradrenalina (Norepinefrina): Para choque séptico, hipotensão refratária.
    • Atropina: Para bradicardia (coração muito lento).
    • Efedrina/Fenilefrina: Para hipotensão.
    • Amiodarona/Lidocaína: Para arritmias cardíacas.

Anti-histamínicos/Corticosteroides:

    • Dexametasona/Hidrocortisona: Para reações alérgicas graves, choque anafilático.
    • Prometazina/Dexclorfeniramina: Anti-histamínicos.

Diuréticos:

    • Furosemida: Para edema agudo de pulmão, sobrecarga hídrica.
  • Glicose 50%: Para hipoglicemia (açúcar baixo no sangue).
  • Bicarbonato de Sódio: Para acidose metabólica grave.
  • Sulfato de Magnésio: Para arritmias, crises convulsivas, eclâmpsia.
  • Soluções para Volume: Pequenos frascos de soro fisiológico ou glicosado para diluições rápidas.
  • Seringas e Agulhas: Vários tamanhos para preparo imediato.

Gaveta 2: Indução e Manutenção da Anestesia 

Aqui encontramos os medicamentos que induzem e mantêm o paciente dormindo e sem dor.

Anestésicos Intravenosos:

    • Propofol: Para indução rápida e manutenção da anestesia.
    • Etomidato: Opção para indução em pacientes instáveis.
    • Midazolam/Diazepan: Benzodiazepínicos para sedação, ansiólise.

Relaxantes Musculares (Bloqueadores Neuromusculares):

    • Rocurônio, Atracúrio, Cisatracúrio, Succinilcolina: Para paralisar os músculos e facilitar a intubação e o campo cirúrgico.

Reversores de Bloqueio Neuromuscular:

    • Sugamadex, Neostigmina + Atropina/Glicopirrolato: Para reverter o efeito dos relaxantes musculares ao final da cirurgia.

Analgésicos Opioides:

    • Fentanil, Remifentanil, Sufentanil, Morfina: Para controle da dor intensa durante e após a cirurgia.

Anticolinérgicos:

    • Atropina: Usada aqui para pré-medicação ou junto com Neostigmina.

Gaveta 3: Analgesia e Outros Suportes (O Conforto Pós-Cirurgia)

Esta gaveta guarda medicamentos para controle da dor leve a moderada, náuseas e outros suportes.

AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides):

    • Diclofenaco, Cetoprofeno, Tenoxicam, Dipirona: Para controle da dor e inflamação.

Anti-eméticos:

    • Ondansetrona, Dexametasona (também usada para anti-inflamação), Bromoprida: Para prevenir e tratar náuseas e vômitos pós-operatórios.

Outros Analgésicos:

    • Paracetamol (Acetaminofeno) EV: Analgésico e antipirético.

Anti-hipertensivos/Vasodilatadores:

    • Nipride (Nitroprussiato de Sódio), Nitroglicerina: Para controle de picos hipertensivos.

Antipiréticos: Além da dipirona e paracetamol, outros para controle de febre.

Gavetas Inferiores: Materiais e Equipamentos Complementares

As gavetas de baixo geralmente armazenam materiais de uso menos imediato, mas igualmente importantes.

Material para Via Aérea:

    • Laringoscópios com lâminas de diferentes tamanhos, tubos orotraqueais de diversos tamanhos, cânulas de Guedel, máscaras laríngeas, guias para intubação.

Material para Punção Venosa:

    • Cateteres intravenosos (jelcos) de vários calibres, garrotes, algodão, álcool 70%, esparadrapo.
  • Seringas e Agulhas: Em maior quantidade e variedade de tamanhos.
  • Scalps e Extensores: Para conexões.
  • Luvas: De procedimento e estéreis.
  • Fitas Adesivas/Micropore: Para fixação de tubos e cateteres.
  • Outros: Soluções para limpeza, gaze, algodão, protetores oculares.

Cuidados de enfermagem com o carrinho de anestesia

A equipe de enfermagem tem papel crucial no cuidado, organização e reposição dos materiais do carrinho de anestesia. Alguns cuidados importantes incluem:

  • Verificar diariamente se todos os medicamentos e materiais estão disponíveis e dentro do prazo de validade
  • Conferir o funcionamento de dispositivos como laringoscópios e oxímetros
  • Repor itens imediatamente após o uso, evitando desabastecimento
  • Garantir que os rótulos estejam legíveis
  • Realizar higienização do carrinho e de suas superfícies ao final de cada turno ou cirurgia
  • Documentar o uso de medicações, especialmente as de controle rígido como opióides

Manter o carrinho bem organizado e abastecido pode literalmente salvar vidas em situações emergenciais.

Conhecer o carrinho de anestesia e seu conteúdo é um aprendizado essencial para quem atua ou pretende atuar em centro cirúrgico. Para a enfermagem, é mais do que saber onde estão os itens — é garantir um ambiente seguro, eficiente e preparado para qualquer situação.

Cada detalhe conta: desde a organização das gavetas até a atenção aos prazos de validade. O carrinho de anestesia é uma extensão da prática segura e do cuidado centrado no paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização das mãos. Brasília: ANVISA, 2013.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/seguranca-do-paciente/publicacoes/higienizacao-das-maos
  2. MORAES, R. B. et al. Carrinho de emergência e medicamentos: organização e rotinas. Revista de Enfermagem Atual In Derme, v. 94, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/1045
  3. KAPLAN, J. A. Kaplan’s Cardiac Anesthesia: The Echo Era. 7. ed. Philadelphia: Elsevier, 2017.
  4. BARASH, P. G.; CULLEN, B. F.; STOELTING, R. K.; CAUDA, E. V.; LANDELL, B. F. Anestesia Clínica de Stoelting e Miller. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. (Consultar capítulos sobre equipamento de anestesia e farmacologia anestésica).
  5. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. (Consultar capítulo sobre carrinho de emergência e organização do centro cirúrgico).

Escolhendo a Seringa Certa: As Indicações de uso

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das habilidades básicas, mas crucial, é a administração de medicamentos injetáveis. E para cada tipo de medicação, dose e via de administração, existe um tamanho de seringa mais adequado.

Usar a seringa correta não só garante a precisão da dose, mas também a segurança e o conforto do paciente. Parece simples, mas entender as nuances de cada tamanho pode fazer toda a diferença na sua prática. Vamos desmistificar o mundo das seringas juntos?

O Que Define o Tamanho da Seringa? Volume e Precisão

Basicamente, o tamanho de uma seringa é determinado pela sua capacidade de volume, medida em mililitros (mL) ou, às vezes, em unidades (como no caso das seringas de insulina). Essa capacidade varia desde as seringas bem pequenas, de 1 mL ou menos, até as maiores, de 50 ou 60 mL. A escolha do tamanho ideal depende de dois fatores principais:

  • Volume da Medicação a ser Administrada: A seringa deve ter capacidade suficiente para conter toda a dose prescrita do medicamento. O ideal é que a dose ocupe uma porção significativa do corpo da seringa, evitando erros de leitura e garantindo maior precisão.
  • Precisão da Dose: Algumas medicações exigem uma precisão muito maior na dose administrada. Nesses casos, seringas menores, com graduações mais finas (as “marquinhas” na seringa), são preferíveis, pois permitem uma leitura mais exata do volume.

O “Tamanho Não é Tudo”, Mas Importa Muito: As Indicações de Cada Seringa

Vamos agora detalhar os tamanhos de seringa mais comuns e suas principais indicações na prática da enfermagem:

  • Seringas de 1 mL (ou Seringas de Tuberculina): Essas seringas são pequenas e possuem graduações bem finas, geralmente em centésimos de mililitro (0,01 mL). Sua principal indicação é para administrar doses muito pequenas e que exigem alta precisão, como a vacina BCG (que geralmente tem um volume de 0,1 mL) e alguns testes intradérmicos, como o PPD (derivado proteico purificado) para teste de tuberculina. A agulha utilizada com essa seringa geralmente é curta e fina, adequada para a via intradérmica.
  • Seringas de Insulina (0,3 mL, 0,5 mL e 1 mL): Embora tecnicamente sejam seringas de 1 mL ou menos, as seringas de insulina merecem uma categoria à parte devido à sua especificidade. Elas são calibradas em unidades de insulina (U), e não em mililitros. Existem tamanhos diferentes (0,3 mL para até 30 unidades, 0,5 mL para até 50 unidades e 1 mL para até 100 unidades), e a escolha depende da dose de insulina prescrita. É crucial utilizar apenas seringas de insulina para administrar insulina, pois a conversão de unidades para mililitros em seringas comuns pode levar a erros graves de dosagem. As agulhas para insulina são geralmente curtas e finas, para injeção subcutânea.
  • Seringas de 3 mL: Essa é uma das seringas mais versáteis e utilizadas na prática da enfermagem. Ela é adequada para administrar volumes médios de medicamentos por via intramuscular (IM) . A maioria das medicações IM em adultos (como algumas vacinas, analgésicos e antibióticos) pode ser administrada com uma seringa de 3 mL.  A escolha da agulha (calibre e comprimento) dependerá da via de administração, do tipo de medicamento e das características do paciente (idade, massa muscular, quantidade de tecido adiposo).
  • Seringas de 5 mL e 10 mL: Essas seringas são utilizadas para administrar volumes maiores de medicamentos por via intramuscular em adultos com maior massa muscular ou para algumas medicações intravenosas (IV) em bolus (administração rápida de uma dose concentrada). Elas também podem ser usadas para aspirar líquidos, como em coletas de sangue ou aspiração de secreções (embora seringas específicas para coleta a vácuo sejam mais comuns para sangue). A escolha da agulha segue os mesmos princípios da seringa de 3 mL, variando conforme a via e as características do paciente.
  • Seringas de 20 mL: Essas seringas são mais utilizadas para administrar grandes volumes de medicamentos por via intravenosa de forma lenta (em infusão contínua ou intermitente) ou para irrigação de feridas e cateteres. Elas também podem ser usadas para aspirar grandes volumes de líquidos. Geralmente, são utilizadas com agulhas de calibre maior, adequadas para a via intravenosa ou para aspiração de líquidos mais viscosos.
  • Seringas de 50 mL e 60 mL: Essas são as maiores seringas de uso comum e são frequentemente utilizadas para administrar grandes volumes de fluidos por via intravenosa (geralmente acopladas a bombas de infusão), para alimentação enteral (através de sondas) ou para irrigação vesical contínua. Para a administração intravenosa, elas são conectadas diretamente ao acesso venoso do paciente ou à linha de infusão. Para alimentação enteral, são utilizadas para infundir a dieta pela sonda.

A Agulha Certa para Cada Seringa (Um Breve Parênteses)

Embora o foco principal seja o tamanho da seringa, é impossível falar sobre administração de injetáveis sem mencionar as agulhas. A escolha da agulha (calibre – medido em G, sendo que quanto maior o número, menor o calibre – e comprimento – medido em polegadas ou milímetros) é tão importante quanto a escolha da seringa e depende de:

  • Via de Administração: Intradérmica, subcutânea, intramuscular ou intravenosa exigem agulhas com características diferentes.
  • Viscosidade do Medicamento: Medicamentos mais viscosos exigem agulhas de calibre maior para facilitar a aspiração e a administração.
  • Tamanho e Condição do Paciente: Bebês, crianças e adultos com pouca massa muscular ou tecido adiposo exigem agulhas mais curtas.

Geralmente, seringas menores (1 mL e insulina) já vêm com agulhas fixas ou com um encaixe específico para agulhas menores. Para as seringas maiores (3 mL, 5 mL, 10 mL, 20 mL, 50/60 mL), as agulhas são acopladas separadamente, permitindo a escolha do calibre e comprimento mais adequados para a situação.

Nossos Cuidados Essenciais: Segurança em Primeiro Lugar

A administração de medicamentos injetáveis é uma responsabilidade grande e exige atenção a diversos cuidados de enfermagem:

  • Verificação da Prescrição Médica: Sempre confira a prescrição médica com atenção, certificando-se do nome correto do medicamento, dose, via de administração, horário e paciente. Em caso de dúvidas, consulte o enfermeiro ou o médico.
  • Escolha da Seringa e Agulha Adequadas: Selecione o tamanho da seringa que acomode a dose prescrita com precisão e a agulha apropriada para a via de administração e as características do paciente.
  • Técnica Asséptica: Mantenha a técnica asséptica rigorosa durante todo o preparo e administração do medicamento para prevenir infecções. Isso inclui a higiene das mãos, o uso de luvas estéreis (em alguns casos), a limpeza da ampola ou frasco-ampola e a não contaminação da agulha e da seringa.
  • Preparo Correto da Medicação: Aspire a dose correta do medicamento, evitando a formação de bolhas de ar na seringa. Se necessário, troque a agulha utilizada para aspirar pela agulha adequada para a administração.
  • Administração Segura: Escolha o local de aplicação correto de acordo com a via de administração e a idade do paciente, respeitando os rodízios de locais quando necessário. Utilize a técnica de injeção adequada para cada via.
  • Descarte Seguro de Materiais Perfurocortantes: Descarte as agulhas e seringas imediatamente após o uso em recipientes apropriados (caixas amarelas para materiais perfurocortantes) para prevenir acidentes.
  • Registro da Administração: Registre no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via de administração, o horário, o local da aplicação e sua assinatura.

Dominar a arte de escolher a seringa certa é um passo fundamental para uma prática de enfermagem segura e eficaz. Lembre-se sempre de buscar conhecimento, seguir os protocolos institucionais e, em caso de dúvidas, não hesite em perguntar aos seus supervisores e colegas mais experientes.

Referências:

  1. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  2. TIMBY, B. K. Enfermagem Médico-Cirúrgica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 

Cuba Redonda vs. Cuba Rim: Entenda as Diferenças e Aplicações na Enfermagem

Se você está trilhando os caminhos da enfermagem, certamente já se deparou com diversos instrumentais e materiais utilizados nos cuidados aos pacientes.

Dentre eles, a cuba redonda e a cuba rim são itens bastante comuns, mas você sabe exatamente quando e por que utilizar cada uma delas?

Compreender as particularidades de cada uma é fundamental para otimizar os procedimentos e garantir a segurança e o conforto do paciente. Vamos explorar juntos as características e as aplicações dessas duas importantes aliadas na prática assistencial.

A Versátil Cuba Redonda

A cuba redonda, como o próprio nome sugere, possui um formato circular e geralmente apresenta uma profundidade considerável. Essa característica a torna ideal para armazenar líquidos, soluções antissépticas e outros materiais que precisam ser mantidos em maior volume ou que necessitam de imersão.

Aplicações Comuns:

  • Armazenamento de soluções: Frequentemente, a cuba redonda é utilizada para conter soluções como soro fisiológico, água destilada ou soluções de limpeza que serão utilizadas em curativos ou outros procedimentos.
  • Descarte de materiais não perfurocortantes: Após a realização de um curativo ou outro procedimento, gazes, algodões e outros materiais não perfurocortantes podem ser descartados na cuba redonda, facilitando a organização e a higiene do ambiente.
  • Realização de banho no leito: Em algumas situações específicas, a cuba redonda pode ser utilizada para auxiliar no banho no leito, contendo a água para a higiene do paciente.
  • Assepsia: Em alguns casos, podem ser usadas para realizar a assepsia de pequenos materiais ou áreas.
  • Coleta de amostras: Pequenas cubas redondas podem servir para coletar amostras biológicas em procedimentos específicos.
  • Organização: Ajudam a manter os materiais organizados e de fácil acesso durante um procedimento.

Cuidados de Enfermagem:

  • Certifique-se de que a cuba redonda esteja limpa e desinfetada antes de cada uso para evitar a contaminação.
  • Ao descartar materiais, observe sempre a separação correta de resíduos, destinando materiais infectantes ou perfurocortantes para recipientes adequados.
  • Ao utilizar para soluções, verifique o prazo de validade e as condições de armazenamento da solução.

A Anatômica Cuba Rim

A cuba rim, com seu formato característico que lembra um rim, possui uma borda mais alta em um dos lados e uma curvatura que se adapta bem ao corpo do paciente. Essa anatomia peculiar a torna especialmente útil para coletar líquidos ou materiais expelidos pelo paciente durante determinados procedimentos.

Aplicações Comuns:

  • Coleta de fluidos e secreções: Devido ao seu formato anatômico, são ideais para coletar fluidos corporais como urina, sangue, vômito e outras secreções durante ou após procedimentos médicos.
  • Acomodação de instrumentais durante procedimentos: Em alguns casos, a cuba rim pode servir como um apoio temporário para instrumentais cirúrgicos ou outros materiais utilizados durante um procedimento, mantendo-os próximos e organizados.
  • Acondicionamento de materiais contaminados: Servem para descartar materiais utilizados em procedimentos que possam estar contaminados, como curativos sujos, gazes com sangue, etc., evitando a contaminação do ambiente.
  • Suporte durante procedimentos: Podem ser utilizadas para apoiar instrumentos durante um procedimento, mantendo-os próximos e evitando que rolem.
  • Coleta de urina em pacientes acamados: Em situações específicas, a cuba rim pode ser utilizada para auxiliar na coleta de urina de pacientes que não conseguem utilizar o comadre ou o papagaio.
  • Higiene pessoal: Em alguns casos, podem ser usadas para auxiliar na higiene pessoal de pacientes acamados.

Cuidados de Enfermagem:

  • Assim como a cuba redonda, a higiene da cuba rim é crucial. Realize a limpeza e desinfecção adequadas antes e após cada uso.
  • Ao utilizar para coleta de fluidos corporais, utilize luvas de procedimento e siga as precauções padrão para evitar a exposição a agentes infecciosos.
  • Ao posicionar a cuba rim para o paciente, garanta o seu conforto e segurança, evitando movimentos bruscos que possam causar derramamentos.

Compreender as diferenças entre a cuba redonda e a cuba rim, bem como suas aplicações específicas, é um passo importante para aprimorar suas habilidades na enfermagem. Ao utilizar cada uma delas de forma consciente e seguindo os cuidados necessários, você contribui para uma assistência mais segura, eficiente e humanizada.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 690: documentação: referências: conteúdo, forma e estrutura. Rio de Janeiro, 2013.
  2. Prolab
  3. CF Care Hospitalar

Desvendando a Pressão Arterial Invasiva (PAI)

Se você está entrando no universo da enfermagem em unidades de terapia intensiva (UTI) ou em cenários de cuidado crítico, prepare-se para se familiarizar com um dispositivo que nos dá uma leitura da pressão arterial do paciente de forma contínua e incrivelmente precisa: a Pressão Arterial Invasiva (PAI).

Pode parecer um pouco intimidador no começo, com tantos componentes e cuidados envolvidos, mas acredite, entender a PAI é fundamental para o manejo hemodinâmico de pacientes graves.

Vamos juntos desmistificar esse sistema e descobrir como ele funciona?

Por Que “Invadir” para Medir a Pressão? A Precisão em Primeiro Lugar

Você já sabe como medir a pressão arterial de forma não invasiva com aquele manguito (esfigmomanômetro) tradicional, certo? Ele é ótimo para monitorização de rotina. Mas em pacientes criticamente enfermos, onde cada milímetro de mercúrio (mmHg) conta e as variações de pressão podem ser rápidas e significativas, a precisão e a monitorização contínua se tornam cruciais. É aí que a PAI entra em cena.

Ao inserir um cateter fino diretamente em uma artéria (geralmente a radial, mas também podem ser utilizadas a femoral, umeral ou pediosa), conseguimos uma leitura direta da pressão dentro do vaso sanguíneo.

Isso elimina as interferências que podem ocorrer com a medição não invasiva, como o tamanho do manguito inadequado, a movimentação do paciente ou a dificuldade em obter leituras em pacientes com perfusão periférica comprometida. A PAI nos oferece um panorama em tempo real das variações da pressão sistólica, diastólica e média (PAM), permitindo ajustes rápidos e precisos no tratamento.

Conhecendo os “Ingredientes”: Os Componentes do Sistema de PAI

O sistema de PAI é composto por alguns elementos essenciais que trabalham em conjunto para nos fornecer essa leitura contínua. Vamos conhecer cada um deles:

  • Cateter Arterial: É um tubo fino e flexível, geralmente feito de teflon ou poliuretano, que é inserido na artéria do paciente por meio de uma punção percutânea (com agulha) ou através de uma dissecção cirúrgica (em casos mais complexos). O tamanho e o tipo de cateter variam dependendo da artéria escolhida e do tamanho do paciente.
  • Linha de Pressão (ou Tubo Extensor): É um tubo não complacente (rígido) que conecta o cateter arterial ao transdutor de pressão. Essa não complacência é crucial para garantir que a onda de pressão arterial seja transmitida com precisão até o transdutor, sem perdas ou distorções. Geralmente, essa linha possui um lúmen único e é preenchida com uma solução salina heparinizada sob pressão.
  • Transdutor de Pressão: É o “coração” do sistema de PAI. Esse dispositivo eletrônico converte a energia mecânica da pressão arterial em um sinal elétrico. Existem diferentes tipos de transdutores, mas o princípio básico é o mesmo: um diafragma sensível à pressão se move conforme as variações da pressão arterial, e essa movimentação é convertida em um sinal elétrico que será exibido no monitor. Muitos transdutores modernos são descartáveis e vêm em um conjunto fechado com a linha de pressão.
  • Cabo do Transdutor: É um cabo elétrico que conecta o transdutor ao monitor multiparâmetros. Ele transmite o sinal elétrico gerado pelo transdutor para o monitor, onde a pressão arterial é processada e exibida em forma de números e ondas.
  • Bolsa de Infusão sob Pressão: Contém a solução salina heparinizada que preenche a linha de pressão e o cateter arterial. Essa bolsa é pressurizada (geralmente a 300 mmHg) para garantir um fluxo lento e contínuo da solução (cerca de 3-5 mL/hora). Esse fluxo contínuo impede que o sangue reflua para o cateter e oclua, mantendo o sistema pérvio e garantindo leituras precisas.
  • Sistema de Lavagem Contínua (Flush Contínuo): Geralmente integrado ao transdutor, esse sistema permite a lavagem rápida do cateter com a solução salina heparinizada. Isso é essencial para remover coágulos ou bolhas de ar que possam interferir na leitura da pressão. Um dispositivo manual ou automático permite liberar um volume maior de solução para essa lavagem rápida.
  • Suporte do Transdutor: O transdutor precisa ser posicionado corretamente em relação ao nível do coração do paciente (mais especificamente, no nível do átrio direito, que em decúbito dorsal corresponde aproximadamente à linha axilar média, no quarto espaço intercostal). Um suporte fixo e ajustável garante que o transdutor permaneça nessa posição de referência para leituras precisas.

Montando o Quebra-Cabeça: Como Montar o Sistema de PAI Passo a Passo

A montagem do sistema de PAI requer atenção aos detalhes e técnica asséptica para evitar infecções. Embora o procedimento exato possa variar ligeiramente dependendo do fabricante e do protocolo institucional, os passos gerais são os seguintes:

  1. Reúna os materiais: Certifique-se de ter todos os componentes necessários: cateter arterial estéril, linha de pressão estéril com transdutor (se descartável), cabo do transdutor, bolsa de infusão com solução salina heparinizada, equipo de infusão, bolsa pressurizadora, suporte do transdutor estéril, material para fixação do cateter e EPIs (luvas estéreis, avental, máscara e óculos).
  2. Prepare a solução salina heparinizada: Conecte o equipo de infusão à bolsa de solução salina heparinizada e purgue o ar do sistema. Insira a bolsa na bolsa pressurizadora e ajuste a pressão para 300 mmHg.
  3. Conecte a linha de pressão ao transdutor: Se o transdutor não vier pré-conectado à linha, realize a conexão de forma estéril, preenchendo a linha com a solução salina heparinizada e removendo todas as bolhas de ar. As bolhas de ar podem amortecer a onda de pressão e levar a leituras imprecisas.
  4. Conecte o cabo do transdutor ao transdutor: Encaixe o cabo do transdutor na porta apropriada do transdutor.
  5. Posicione e fixe o transdutor: Utilize o suporte estéril para fixar o transdutor na altura do átrio direito do paciente. Marque essa referência no paciente para garantir a consistência nas leituras, especialmente em caso de mudança de decúbito.
  6. Zere o transdutor: Essa etapa é crucial para calibrar o sistema e eliminar a influência da pressão atmosférica. Para zerar, abra o sistema para a pressão atmosférica (geralmente abrindo uma torneirinha do transdutor para o ar) e pressione a função “zero” ou “calibrar” no monitor. O monitor deve exibir “0 mmHg”. Após zerar, feche o sistema para o ar novamente.
  7. Conecte a linha de pressão ao cateter arterial: Após a inserção do cateter arterial pelo médico (que também é um procedimento estéril), conecte a extremidade da linha de pressão à conexão do cateter, utilizando técnica asséptica.
  8. Verifique a onda de pressão: No monitor, você deverá visualizar uma onda de pressão arterial nítida e com características normais (onda sistólica, incisura dicrótica e onda diastólica). Observe os valores numéricos da pressão sistólica, diastólica e média.
  9. Fixe o cateter arterial: Utilize curativos estéreis e dispositivos de fixação adequados para garantir que o cateter permaneça no lugar e evitar deslocamentos ou infecções.
  10. Documente o procedimento: Registre no prontuário a data e hora da inserção, o local, o tipo e calibre do cateter, o profissional que realizou o procedimento, o tipo de sistema de PAI utilizado, a solução de infusão, a pressão da bolsa, a presença de ondas adequadas e a resposta do paciente.

Nossos Olhos Atentos: Cuidados de Enfermagem Essenciais com a PAI

Uma vez instalado, o sistema de PAI exige cuidados contínuos e rigorosos da equipe de enfermagem para garantir a precisão das leituras, prevenir complicações e manter a segurança do paciente:

  • Manutenção da Perviedade do Sistema: Garanta que a bolsa de infusão esteja sempre pressurizada a 300 mmHg e que haja fluxo contínuo da solução salina heparinizada. Verifique regularmente se há bolhas de ar ou coágulos na linha de pressão e realize o flush rápido conforme necessário.
  • Monitorização Contínua da Onda de Pressão e dos Valores: Observe atentamente a morfologia da onda de pressão no monitor. Uma onda amortecida pode indicar problemas no sistema (ar, coágulo, dobra na linha). Registre os valores da pressão arterial em intervalos regulares e sempre que houver alterações significativas no estado clínico do paciente.
  • Manutenção da Posição Correta do Transdutor: Verifique regularmente se o transdutor está posicionado na altura do átrio direito do paciente, especialmente após mudanças de decúbito. Qualquer alteração na altura do transdutor pode levar a leituras imprecisas.
  • Cuidados com o Sítio de Inserção do Cateter: Inspecione diariamente o local de inserção do cateter em busca de sinais de infecção (vermelhidão, calor, edema, secreção), hematoma ou sinais de flebite. Realize a troca do curativo conforme o protocolo institucional, utilizando técnica asséptica.
  • Prevenção de Complicações: Esteja atento a sinais de complicações como sangramento no local de inserção, trombose arterial, embolia gasosa ou lesão nervosa durante a inserção ou manutenção do cateter.
  • Educação da Equipe: Garanta que toda a equipe de enfermagem esteja devidamente treinada para manipular e monitorar o sistema de PAI, compreendendo a importância da técnica correta e dos cuidados contínuos.
  • Documentação Precisa: Registre todos os dados relevantes no prontuário do paciente, incluindo a data e hora de cada intervenção, as leituras da pressão arterial, as condições do sítio de inserção e qualquer intercorrência.

A Pressão Arterial Invasiva é uma ferramenta poderosa no cuidado ao paciente crítico, fornecendo informações valiosas para a tomada de decisões clínicas. Como futuros profissionais de enfermagem, dominar os princípios, a montagem e os cuidados com esse sistema nos permitirá contribuir de forma significativa para a segurança e o bem-estar dos nossos pacientes.

Lembre-se sempre da importância da técnica asséptica e da vigilância constante para garantir a precisão das leituras e prevenir complicações.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Manual de ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support). [S. l.]: AHA.
  2. BARASH, P. G.; CULLEN, B. F.; STOELTING, R. K.; ORAL, J. A.; SWAN, J. T. Anesthesiology Clinical Pharmacology. 8th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.
  3. IRWIN, R. S.; RIPPE, J. M. Irwin and Rippe’s Intensive Care Medicine. 9th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2024.
  4. NANDA INTERNATIONAL. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: Definições e Classificação 2021-2023. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. 

Por que colocar certos medicamentos em bomba de infusão?

A bomba de infusão é um dispositivo médico utilizado para administrar medicamentos intravenosos (IV) de forma controlada e precisa. Ela é amplamente utilizada em hospitais e clínicas para tratar uma variedade de condições médicas, como dor, infecções, câncer e problemas cardíacos.

Por que usar uma bomba de infusão?

Existem várias razões pelas quais os médicos podem optar por administrar medicamentos em bomba de infusão. Algumas das razões mais comuns incluem:

Precisão

 A bomba de infusão permite que os médicos administrem medicamentos com precisão milimétrica, o que é importante para garantir que o paciente receba a dose correta.

Segurança

A bomba de infusão ajuda a evitar erros de dosagem, que podem ser perigosos ou até mesmo fatais.

Conforto

A bomba de infusão é uma maneira confortável e indolor de administrar medicamentos.

Conveniência

 A bomba de infusão permite que os pacientes recebam medicamentos por um longo período de tempo, sem a necessidade de frequentes visitas ao hospital.

Existem vários tipos diferentes de bombas de infusão disponíveis, cada uma com suas próprias vantagens e desvantagens. A escolha da bomba de infusão certa depende do tipo de medicamento que está sendo administrado, da dose e da frequência da administração.

Por que alguns medicamentos são administrados em bomba de infusão?

Alguns medicamentos são administrados em bomba de infusão porque são irritantes para as veias ou porque precisam ser administrados em doses muito pequenas. Outros medicamentos são administrados em bomba de infusão porque precisam ser administrados por um longo período de tempo.

Exemplos de medicamentos que podem ser administrados em bomba de infusão

  • Antibióticos: Os antibióticos são frequentemente administrados em bomba de infusão para tratar infecções graves.
  • Drogas Vasoativas e Sedativas: estes medicamentos são amplamente utilizados em setores de Terapia Intensiva, Centro Cirúrgico e unidades de sala de emergência, com dosagem controlada.
  • Quimioterapia: A quimioterapia é um tipo de tratamento para o câncer que pode ser administrado em bomba de infusão.
  • Analgésicos: Os analgésicos são medicamentos usados para aliviar a dor. Eles podem ser administrados em bomba de infusão para controlar a dor crônica.
  • Insulina: A insulina é um hormônio que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue. Ela pode ser administrada em bomba de infusão para pessoas com diabetes tipo 1.

Como a bomba de infusão funciona?

A bomba de infusão é programada para administrar uma determinada dose de medicamento em um determinado período de tempo. A bomba monitora continuamente a taxa de infusão e ajusta a velocidade de infusão conforme necessário para garantir que a dose correta seja administrada.

Quais são os riscos da bomba de infusão?

A bomba de infusão é um procedimento seguro, mas existem alguns riscos associados, como:

Infecção

Existe um pequeno risco de infecção no local da infusão.

Extravasamento

 O medicamento pode extravasar para fora da veia, causando dor e irritação.

Reações alérgicas

 Algumas pessoas podem ter reações alérgicas ao medicamento administrado em bomba de infusão.

Cuidados de Enfermagem

O profissional de enfermagem desempenha um papel crucial na monitorização e manejo desse dispositivo, garantindo a segurança do paciente e a eficácia da terapia.

Cuidados Essenciais

  1. Verificação da Prescrição Médica:
    • Confirmar a prescrição médica quanto ao medicamento, dose, tempo de infusão e via de administração.
    • Comparar a prescrição com a bula do medicamento para garantir a compatibilidade.
  2. Preparo da Solução:
    • Realizar a higienização das mãos antes e após o preparo da solução.
    • Verificar a integridade do frasco ou bolsa, a data de validade e a compatibilidade da solução com o equipo e a bomba.
    • Calcular a taxa de infusão, utilizando a fórmula adequada.
  3. Conexão da Bomba:
    • Conectar a bomba de infusão ao equipo, seguindo as instruções do fabricante.
    • Verificar se todas as conexões estão seguras e livres de vazamentos.
    • Programar a bomba com a taxa de infusão correta e o volume total a ser infundido.
  4. Monitorização do Paciente:
    • Monitorar o local da punção quanto a sinais de infiltração, extravasamento ou infecção.
    • Observar a presença de reações adversas ao medicamento, como vermelhidão, dor, coceira ou febre.
    • Acompanhar os sinais vitais do paciente regularmente.
    • Avaliar a eficácia da terapia e ajustar a dose ou a taxa de infusão, conforme necessário.
  5. Manutenção da Bomba:
    • Limpar a bomba de infusão de acordo com as instruções do fabricante.
    • Verificar o funcionamento da bomba antes de cada uso.
  6. Documentação:
    • Registrar na prescrição de enfermagem todos os procedimentos realizados, incluindo a hora do início e término da infusão, qualquer ajuste na taxa de infusão e as reações adversas observadas.

Cuidados Específicos

Prevenção de Complicações

  • Obstrução do Equipo:
    • Verificar regularmente se o equipo está obstruído.
    • Trocar o equipo, se necessário.
  • Desconexão Acidental:
    • Fixar bem o equipo ao braço do paciente.
    • Evitar que o paciente puxe o equipo.
  • Alarmes da Bomba:
    • Responder prontamente aos alarmes da bomba e identificar a causa.

Referências:

  1. https://www.ivenix.com/
  2. https://wtcs.pressbooks.pub/nursingskills/chapter/15-2-basic-concepts-of-administering-medications/
  3. https://www.ivwatch.com/2020/05/27/iv-infiltrations-and-extravasations-causes-signs-side-effects-and-treatment/
  4. https://www.researchgate.net/figure/Flowchart-of-nursing-care-with-patient-controlled-analgesia-epidural-IV-and-epidural_fig2_384634142

Seringa Excêntrica

Uma seringa excêntrica é um dispositivo médico usado para administrar fluidos ou medicamentos por via injetável. Ela difere das seringas tradicionais por ter um êmbolo deslocado lateralmente.

As suas Características

  • Êmbolo excêntrico: O bico excêntrico não está alinhado com o eixo do cano da seringa, criando uma excentricidade. Isso reduz o atrito entre o pistão e o cano, tornando mais fácil empurrar o pistão.
  • Cilindro menor: O cilindro da seringa é menor que o de uma seringa tradicional, o que permite maior pressão.
  • Alta pressão: A seringa excêntrica pode gerar pressões muito altas, tornando-a adequada para injetar fluidos espessos ou viscosos.
  • Sem agulha: As seringas excêntricas geralmente não são usadas com agulhas, pois a alta pressão pode causar danos aos tecidos.
  • Descartável: As seringas excêntricas são geralmente descartáveis após um único uso.
  • Aumentar a precisão: A excentricidade do bico direciona a força de empurrão para o centro do pistão. Isso melhora a precisão da dosagem, evitando que o pistão se incline ou deslize durante o movimento.
  • Facilitar o manuseio: O bico excêntrico pode ser girado para diferentes ângulos, permitindo que o usuário posicione a seringa confortavelmente e evite a fadiga das mãos durante o uso prolongado.
  • Evitar vazamentos: O design excêntrico cria uma vedação mais confiável entre o pistão e o cano, reduzindo o risco de vazamentos durante o uso ou armazenamento.
  • Acomodar líquidos viscosos: O bico excêntrico oferece maior torque para empurrar líquidos viscosos com menos esforço, tornando mais fácil a dispensação de fluidos espessos.

Aplicações de uso

As seringas excêntricas são usadas em uma ampla gama de aplicações médicas, incluindo:

  • Injeções intra-articulares: Para injetar medicamentos nas articulações.
  • Injeções epidurais: Para injetar medicamentos no espaço epidural.
  • Preenchimentos dérmicos: Para injetar substâncias preenchedoras na pele.
  • Injeções de colágeno: Para injetar colágeno em áreas da pele danificadas.
  • Cirurgia plástica: Para injetar anestésicos locais ou outros fluidos durante a cirurgia.

Desvantagens

  • Pressão excessiva: A alta pressão pode danificar os tecidos se não for usada corretamente.
  • Requer treinamento: O uso adequado requer treinamento especializado.

Referência:

  1. MedicalExpo