Dreno de Kehr

O dreno de Kehr é introduzido nas vias biliares extra-hepáticas, recomendado para a drenagem externa, descompressão ou após anastomia biliar, como prótese modeladora, devendo ser fixado por meio de pontos na parede duodenal lateral ao dreno, tanto quanto na pele, impedindo sua saída espontânea.

A Principal finalidade é determinar ou criar um percurso artificial, com menor resistência, entre uma cavidade/ferida e o meio externo, pelo qual as secreções possam ser exteriorizadas, percorrendo uma trajetória mais curta.

Características

O dreno de Kehr é constituído de duas hastes tubulares, sendo uma vertical com 30 centímetros e outra haste horizontal com 10 centímetros, a qual se une à porção mediana da haste vertical, conferindo-lhe a forma de “T”, sendo que seu uso repousa nas indicações médicas, considerando as possíveis vantagens e desvantagens ou complicações, lembrando que o mesmo é indicado para drenar a via biliar principal.

Ressalta-se que para o dreno cumprir a finalidade mestra para a qual foi inserido, são necessários cuidados para se obter os benefícios de sua utilização desde a sua colocação até a sua retirada.

O seu uso na Colangiografia

A Colangiografia permite a visualização do caminho da bile, partindo do fígado até o duodeno, sendo possível identificar eventuais obstruções dos canais por onde a bile passa, assim como possíveis lesões, estenose ou dilatação destes dutos.

O paciente é sedado para evitar qualquer desconforto, sendo utilizado um tubo fino e flexível que porta uma microcâmera na extremidade, ou seja, um endoscópio, que introduzido por via oral possibilita a visualização da papila por onde os dutos biliares, pancreáticos e do fígado fluem para o duodeno.

Por meio deste tubo que é injetado o contraste radiológico. No caso da colangiografia intra-operatória, o contraste é administrado diretamente na árvore biliar, sendo que durante o procedimento cirúrgico de remoção da vesícula são realizadas imagens radiográficas diversas que permitem a visualização dos dutos biliares.

Os Tipos de Colangiografia

Quanto aos tipos de colangiografia, destaca-se dos tipos endovenosa ou intravenosa, consiste em aplicar um contraste na corrente sanguínea, para ser eliminado pela bile, com o intuito de obter
imagens em postura anteroposterior (AP) com encerramento do exame a critério médico, assim sendo:

Colangiografia pré-operatória

Na colangiografia pré-operatória com administração de contraste iodado, pode ser realizada por via transcística, onde o ducto cístico é cateterizado e injetado contraste iodado diretamente no ducto biliar principal, geralmente o colédoco, por uma agulha ou dreno de Kehr, neste caso para diagnóstico de coledocolitíase residual.

Colangiografia pós-operatória

A colangiografia pós-operatória por dreno em “T” ou dreno de Kehr é realizada em situações nas quais ocorrem abordagem cirúrgica da via biliar principal, sendo necessária a descompressão da via biliar, diminuindo o risco de fístulas, além de moldar a via biliar no local abordado, prevenindo eventual estenose.

Geralmente a colangiografia é realizada no sétimo dia pós-operatório, período onde se espera ter ocorrido a cicatrização do colédoco e bloqueio em torno do dreno. Antes de iniciar o exame deve ser realizada a assepsia do dreno e a retirada do ar, com o intuito de evitar uma possível pseudo-imagem ou imagem falsa, se possível observar o refluxo da bile, assim que o refluxo da bile atravessar todo o cateter, conecta-se uma seringa com contraste iodado.

A indicação

O procedimento mais indicado para a colangiografia pelo tubo de Kehr é a fluoroscopia, porém quando são realizados em aparelhos de Raios-X convencionais, sem imagem de TV, a procedência deverá contemplar três etapas, iniciando com a injeção de 3 a 5 mililitros de contraste iodado e radiografar as vias biliares, aguardar cerca de três minutos, para que o contraste se encaminhe para o duodeno e radiografar novamente as vias biliares, finalizando com a injeção do restante do contraste, cerca de dez ml e radiografar as vias biliares.

Principais complicações

Sobre as possíveis intercorrências e complicações relacionadas ao uso do dreno de Kehr, após a exploração cirúrgica do colédoco em usuários com afecções benignas, estão relacionadas com a formação de coleções biliares localizadas ou difusas, com consequente extravasamento de bile em torno do dreno, ou após o escape parcial ou total do tubo em “T” do interior da via biliar. Portanto, este procedimento, não é isento de complicações, porém os benefícios frente a determinadas situações justificam a sua utilização.

Contra-indicações

Sobre as contra-indicações para este tipo de procedimento, compreendem os casos de hipersensibilidade ao contraste iodado, infecção aguda do sistema biliar e altos níveis de creatinina e/ou uréia.

O seu uso na Colecistectomia

O tratamento cirúrgico tem o objetivo de proporcionar para você o alívio de seus sintomas por meio da remoção da principal causa, que neste caso é a vesícula biliar. Então a colecistectomia, nada mais é que a retirada da vesícula biliar cirurgicamente.

Colecistecomia Convencional

Colecistectomia convencional É a remoção da vesícula biliar através de um corte abdominal, é popularmente conhecida como “técnica aberta”. Esta intervenção é indicada nos casos de inflamação da vesícula.

Colecistectomia laparoscópica

É conhecida como “cirurgia por vídeo”, realizada através de um pequeno corte na cicatriz umbilical. Podem ser realizados diversos outros cortes pequenos ao longo do abdômen para a introdução de outros instrumentos cirúrgicos.

O abdômen é insuflado com um gás, para que o cirurgião consiga enxergar as estruturas abdominais. Um dos instrumentos cirúrgicos utilizado é o laparoscópio.

Ele possui uma câmera que passa a imagem para um visor que fica dentro da sala de cirurgia. Com isso, o cirurgião consegue enxergar dentro do abdômen. As duas técnicas cirúrgicas têm a mesma finalidade, porém só são realizadas de maneiras diferentes, de acordo com a necessidade apresentada pela condição clínica do paciente.

Assistência de Enfermagem

A assistência ao usuário que necessita do dreno, exige que o grupo profissional o prepare física e emocionalmente para o procedimento, visando um processo de reabilitação adequado.

A ferida de contra-abertura é classificada como drenante, a qual se trata de uma abertura cirúrgica, com presença de drenagem e exteriorizada por um conduto especial, o dreno.

O usuário deve ser avaliado frequentemente e receber cuidados específicos. Dentre as possíveis complicações da drenagem, destacam os efeitos orgânicos em resposta ao corpo estranho, como erosão em vasos, aparecimento de fístulas, hemorragias, dentre outros, aumentando, nestes casos, a possibilidade de infecção. Também podem ocorrer problemas mecânicos, como a perda do
dreno por deslocamento, obstrução do dreno, resultando na perda de sua função, assim como podem surgir transtornos fisiológicos devido a perda de líquidos.

A permanência do dreno depende do tipo de cirurgia realizada, no caso das colecistectomias combinadas à coledocotomias com drenagem à Kehr, onde este período é dado por indicação médica. Devem ser aplicadas ações que visem prevenir o deslocamento e facilitar a evolução do processo de cicatrização, após a retirada do dreno.

Referências:

  1. ALBUQUERQUE, Roberto. Clínica Cirúrgica. Montes Claros: Centro de Ciências Biológicas da Saúde – CCBS, 2012
  2. ALVES, José Galvão. Emergências em Gastrenterologia. Rio de Janeiro: Rubio, 2009.
  3. AMATO, Alexandre Campos Moraes. Procedimentos Médicos: técnica e tática. São Paulo: Roca, 2008.
  4. BRESCANI, Cláudio; GAMA-RODRIGUES, Joaquim; VERROTI, Maurício; COSER, Roger. ColangiografiaIntra-Operatória: Custos e Tempo gastos na sua realização durante a Colecistectomia Laparoscópica. Revista Sobracil. Ano 04 nº 7 – Maio, 2001. 1-4.
  5. CESARETTI, Isabel Umbelina Ribeiro; SAAD, Sarhan Sydney. Drenos Laminares e Tubulares em Cirurgia Abdominal: Fundamentos Básicos e Assistência. Acta Paul. Enf. v. 15, n. 3, jul/set., 2002. 97-106.

Comentários