Máscara Não Reinalante

A Máscara Não Reinalante é um dispositivo muito utilizado em salas de emergência e UTI, onde a princípio compõem por uma máscara facial com duas portas de exalações, uma delas contendo uma válvula unidirecional.

Conectada à máscara, há uma bolsa reservatório flexível com uma válvula unidirecional entre a bolsa e a máscara, e uma extensão de O2.

A FiO2 varia de 60 a 100%, com fluxo mínimo de 6L/min e com fluxo máximo de 15 l/min.

A Desvantagem

Alguns estudos relatam que o paciente pode reinalar o ar expirado, o que não faz jus ao seu nome. Além de que, não costuma ficar perfeitamente acoplada à face do paciente, portanto, é comum que não alcance uma FiO2 de 100%, ainda mais que a utilização prolongada pode ser desconfortável devido ao peso do equipamento sob o paciente e a vedação necessária, ou seja, muitas vezes pode lesionar o rosto do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Separar máscara facial de tamanho adequado para o paciente;
  • Monitorizar (oxímetro de pulso) e avaliar paciente;
  • Checar funcionamento da rede de oxigênio;
  • Acoplar umidificador de gases no fluxômetro de O2 previamente instalado na rede de gases;
  • Acoplar a máscara facial no paciente, envolvendo a boca e o nariz, e ajustar elástico ao redor da cabeça e clipe metálico no nariz;
  • Ajustar fluxo de O2 de modo que os valores de SpO2 sejam satisfatórios;
  • Certificar-se pela avaliação do paciente de que houve melhora do quadro;
  • Registrar no prontuário o início do suporte;

Quanto aos cuidados com o Dispositivo

  • A máscara de reservatório é de uso individual e descartável;
  • Certificar-se de que o equipamento esteja completo e em perfeito estado para sua utilização;
  • Manter fluxo mínimo de 6 l/min, para evitar o colabamento do reservatório;
  • Realizar o desmame da oxigenoterapia adequadamente, reduzindo gradativamente o fluxo de oxigênio ofertado;
  • Atenção contínua a sinais de toxicidade pelo uso prolongado e/ou em altas concentrações de oxigênio;
  • Na persistência de baixos níveis de SpO2 e/ou dispneia, comunicar a equipe médica e considerar a necessidade de outro sistema ou de suporte ventilatório;
  • Em caso de intercorrência clínica, comunicar a equipe médica, e registrar o ocorrido em prontuário;
  • Em caso de não funcionamento adequado do equipamento, cancelar o procedimento e solicitar troca e/ou reposição do mesmo.

Referências:

  1. Pebmed
  2. COSTA, A. P. B. M.; PERES, D.B. Aerossolterapia e oxigenoterapia em pediatria e neonatologia. In: Profisio Pediátrica e Neonatal: cardiorrespiratória e terapia intensiva, 2012, 1(1):107-151.
  3. LEAL, A.G.C.; SILVA, R.J.; ANDRADE, L.B. Aerossolterapia em pediatria e em neonatologia. In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva;
  4. MARTINS, J.A.; e org. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Pediátrica e Neonatal: Cardiorrespiratória e Terapia Intensiva: Ciclo 3. v. 1. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 9-28.
  5. PRADO, C.; VALE, L. A. Fisioterapia neonatal e pediátrica. REBELO, C. M.; HADDAD, L. B. Oxigenoterapia e ventilação manual. Barueri, SP : Manole, 2012.
  6. REBELO, C. M.; HADDAD, L. B. Oxigenoterapia e ventilação manual. In: PRADO, C.; VALE, L.A. Fisioterapia neonatal e pediátrica.. Barueri, SP : Manole, 2012.
  7. REIS, L.F.F. Uso terapêutico do oxigênio em terapia intensiva. In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva; DIAS, C.M.; MARTINS, J.A. (Org.). PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto: Ciclo4. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 69-96. (Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância, v. 3).
  8. SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia. Barueri, SP: Manole, 2007.

Capnografia

A Capnografia é uma tecnologia que permite ter uma imagem gráfica e uma medida objetiva do estado ventilatório de um doente.

É monitorado a concentração ou pressão parcial de dióxido de carbono nos gases respiratórios. Seu principal desenvolvimento tem sido uma ferramenta de monitoramento para uso durante anestesia e terapia intensiva. Geralmente é apresentado como um gráfico de CO expiratório durante o ciclo respiratório por um sensor aplicado nas vias áreas do paciente ou pela aspiração de uma amostra de ar nas vias aéreas processada por um sensor.

A capnografia é utilizada como parâmetro indicativo de acidose respiratória incipiente e como ferramenta no auxilio ao desmame do respirador. Uma capnografia com valor zero significa que o paciente não está respirando, ou algumas vezes pode também representar uma desconexão do equipamento ou mau funcionamento.

Valores Normais

O valor normal do capnógrafo é de 35 a 45 mmHg. Uma diminuição da capnografia indica hipotermia, choque hipovolêmico, diminuição da atividade muscular, hipotireoidismo, anestesia geral, hiperventilação alveolar ou até um mau funcionamento do equipamento.

Um aumento da capnografia indica hipertermia ou sepse, aumento da atividade muscular, hipertireoidismo, hipoventilação alveolar e também pode ser mau funcionamento do equipamento.

Devemos estar atento não apenas aos valores apresentados em monitores, mas sim na clínica do paciente, permitindo distinguir uma alteração clínica de uma “monitorite”.

Curvas (Ondas) da Capnografia

Vamos conhecer uma curva de capnografia normal. No ponto marcado :

– A-B = Linha de base, fase inspiratória;
– B-C = Começo da expiração;
– C-D = Platô da expiração (pico máximo expiratório);
– D = Concentração final expiratória, ETCO2;
– D-E = Começo da fase inspiratória.

Através da curva do capnógrafo, podemos identificar e intervir rapidamente nas complicações respiratórias.

1. Uma diminuição de CO2 por um período prolongado pode estar ligado ao:

• Aumento da freqüência respiratória;
• Aumento do volume corrente;
• Diminuição do metabolismo e diminuição do consumo O2;
• Queda da temperatura corporal.

2. Um aumento de CO2 por um tempo prolongado pode estar ligado ao:

• Diminuição da freqüência respiratória;
• Diminuição do volume corrente;
• Aumento do metabolismo e aumento do consumo O2;
• Rápido aumento da temperatura corporal (hipertermia maligna).

3. Uma elevação da linha basal indica reinalação do CO2:

• Defeito da válvula respiratória;
• Tempo respiratório curto;
• Fluxo inspiratório inadequado;
• Funcionamento inadequado do sistema de absorção do CO2.

4. Obstrução do Fluxo por:

• Broncoespasmo;
• Oclusão da Vias Aéreas Superiores;
• Oclusão do Circuito Ventilatório.

5. Quando começa a terminar o efeito do relaxante muscular, e o paciente retorna a ventilação espontânea, aparecem umas ranhuras nas ondas da capnografia;

6. Há um escape de ar devido a má insuflação ou perfuração do cuff;

7. Intubação esofágica;

Cuidados de enfermagem

• Alguns equipamentos necessitam de calibração do capnógrafo, antes da instalação na cânula traqueal do paciente, deve-se proceder conforme o fabricante;
• Realizar higiene do sensor com álcool a 70% a cada troca do equipamento por paciente;
• Evitar obstrução do capilar do capnógrafo por muco em condensação, com o tempo o valor CO2 diminui;
• Evitar a condensação de vapor de água no circuito do ventilador, para que as leituras não sejam falsamente elevadas;
• Ao encontrar valores alterados comunicar imediatamente ao médico e/ou a enfermeira.

Referências:

1. Miller RD. Miller’s Anesthesia 7th Ed. Churchill Livingstone.
2. West JB. The Essentials of Respiratory Physiology 9th Ed. Lippincott Williams & Wilkins.
3. N Engl J Med. 2012 Nov 8;367(19):e27. doi: 10.1056/NEJMvcm1105237.
4. Reich DL. Monitoring in Anesthesia and Perioperative Care 1st Ed. Cambridge University Press.
5. Gravenstein JS, Jaffe MB, Gravenstein N, Paulus DA. Capnography 2nd Ed. Cambridge University Press.
6. Soto RG, Fu ES, Vila H Jr, Miguel RV. Capnography accurately detects apnea during monitored anesthesia care. Anesth Analg. 2004. Aug;99(2):379-82.

Escova Higiênica Aspirativa

A princípio, há diversas ferramentas tecnológicas para o auxílio na higienização íntima do paciente. Porém, não é diferente no caso dos cuidados com a higiene oral do mesmo.

Do mesmo modo, o maior fator de complicação em um paciente internado, com más condições higiênicas orais independente do grau de criticidade, é a Pneumonia, onde a placa bacteriana acaba atuando como reservatório para a colonização das bactérias respiratórias, e assim ocasionando o que chamamos de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM), bem como outras complicações comuns como herpes Simples, dermatite de contato, queilite actínica, leucoplaquia, líquen plano, a candidíase, a estomatite aftosa, e o sarcoma de Kaposi, entre outros.

Ainda assim, foi lançado no mercado escovas higiênicas aspirativas, utilizadas principalmente em âmbito hospitalar, onde provém de dois tipos, a escova com cerdas macias e escova tipo swab.

Assim como, ambos possuem em sua extremidade uma válvula adaptada para a conexão com sistema de aspiração, seja a vácuo ou ar comprimido, onde o profissional pode realizar a escovação dentária com produtos próprios, e ao mesmo tempo aspirar conteúdo bucal como restos de comida, saliva, etc, facilitando a higienização corretamente.

Por outro lado, pacientes com disfagia, intubados, onde possuem extrema dificuldade na deglutição, são os mais indicados ao uso deste dispositivo.

Escova Higiênica Aspirativa com Cerdas Macias

Este tipo de escova aspirativa é composto por cerdas macias, alguns contém esponja livre de látex com alto absorvente de água e tubo que é plástico branco.

Escova Higiênica Aspirativa Tipo Swab

Este tipo de escova é desenvolvida com esponja de alta absorção, indicado para pacientes que usam prótese dentária, somente com gengivas expostas, evitando o lesionamento da mucosa.

Cuidados de Enfermagem

  • Esta escova é de uso único e descartável, tem como validade de 24 horas, deve ser trocado a cada banho diário;
  • Deve identificar a escova higiênica com o nome do paciente e número do leito;
  • Higienizar adequadamente a escova higiênica em água corrente, e armazenar em um ambiente limpo;
  • Atentar à escovação em cantos da boca;
  • Utilizar produtos antissépticos bucais próprios para âmbito hospitalar;
  • Por fim, ao terminar de utilizar o sistema de aspiração, lavar com soro ou água destilada o sistema de aspiração.

Veja também:

Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)

Ventilação Mecânica

Importância da Higiene Oral em Âmbito Hospitalar

 

Conheça os Tipos de Estetoscópio!

Você já reparou que há tipos diferentes de estetoscópios que são vendidos no mercado?

Mas quais são as diferenças básicas nelas?

  • No esteto duplo possui auscultador duplo, podendo variar a ausculta entre sons de alta e baixa frequência. Basta girar a cabeça do auscultador para alterar a ausculta entre alta frequência (diafragma) e baixa frequência (sino)!;
  • No esteto simples possui auscultador simples, sendo assim, a ausculta é de um menor espectro de sons;
  • No esteto master possui uma única membrana flexível que alterna entre sons de alta e baixa frequência conforme o auscultador é pressionado;
  • No esteto rappaport é conhecido pela sua versatilidade, possui auscultador duplo e dois tubos, além de acompanhar vários acessórios (diafragmas, sinos e olivas) para conversão em diferentes formas de uso.

Antes de adquirir o seu, saiba exatamente o tipo que necessita!

Extensor Polifix Multivias

Hoje em dia são disponibilizados diversos dispositivos essenciais no auxílio à terapia medicamentosa por via intravenosa.

E uma delas, é o extensor intermediário de duas ou quatro vias para administração de medicações parenterais compatíveis, que podem substituir em algumas situações, as tradicionais dânulas (three-way).

Chamadas de Extensores Polifix, Multivias Ou Extensores Valvulados, elas podem aumentar e prolongar as vias de infusão a partir de um único acesso venoso, permitindo infusões simultâneas de medicações compatíveis a partir de um único acesso venoso, Facilitando a mobilidade do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • O Extensor é de uso único e descartado, deve-se respeitar o tempo de uso através de protocolos de troca de dispositivos preconizados nos hospitais;
  • O Extensor deve ser trocado antes do prazo caso haja sujidades como grumos de sangue, medicamentoso, que possam obstruir toda a extensão do cateter;
  • Ao vencimento do prazo do Extensor, deve-se trocar o cateter intravenoso periférico flexível, para evitar a disseminação de infecção na corrente sanguínea;
  • Deve-se guardar as tampas em um local limpo e livre de contaminação para posterior uso;
  • Não deixar as vias de acesso dos extensores que não estão sendo infundidas no momento SEM AS TAMPAS!;
  • Em Extensores valvulados, devem ser feitas antissepsias com álcool 70% friccionando-as 3 vezes em movimentos rotativos, também serve no caso dos extensores com saída luer distal fêmea;
  • Caso haja perda das tampas, providenciar tampas valvuladas, caso não há disponibilidade, deve descartar a o extensor realizando uma nova troca;
  • Atentar ao rosqueamento do extensor com a via de acesso dos equipos, para evitar a desconexão acidental de todo o sistema;
  • Ao término de uma infusão, deve-se salinizar toda a extensão e clampear o extensor para que evite extravasamento de fluídos.

Veja também:

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

O que é “Salinizar” um Cateter?

Torneira de 3 Vias: “Dânula” ou “Three-way”

Torneira de 3 Vias: “Dânula” ou “Three-way”

Popularmente chamado de “Torneirinha” ou “Torneira” de 3 vias, além da “Dânula” e também “Three-way”, é um dispositivo muito utilizado pela enfermagem para diversos tipos de propósitos.

Entre eles, muito utilizada para conexão de acesso intravenoso para monitoração invasiva de pressão e administração de líquido, fármacos e retirada de amostras, sendo desenvolvidas para a aplicação de medicamentos em terapias intra-venosas contínuas e intermitentes.

Nada mais que um duplicador de acesso venoso. Com este dispositivo, pode conectar e controlar o direcionamento do fluxo de soluções de 03 linhas distintas em suas extremidades fêmea e macho.

Eu posso reutilizá-los?

Não! Este dispositivo além de ser de uso único, sendo descartável após um período pré-determinado pelo fabricante ou por meio de protocolos operacionais padrões (POPs), ele é confeccionado de forma estéril, não podendo de forma alguma a sua re-utilização.

Como funciona seu Sistema?

Seu sistema é constituído por um volante giratório em forma de “T” com setas indicativas, onde as 3 setas indicam que a via é aberta para a infusão. Contudo quando a via está fechada, é direcionado onde não há uma seta indicativa, sendo então fechado a via desejada.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • A Torneira é de uso único e descartado, deve-se respeitar o tempo de uso através de protocolos de troca de dispositivos preconizados nos hospitais;
  • A Torneira deve ser trocada antes do prazo caso haja sujidades como grumos de sangue, medicamentoso, que possam obstruir toda a extensão do cateter;
  • Ao vencimento do prazo da Torneira, deve-se trocar TODAS as torneiras em conexão ao cateter, para evitar a disseminação de infecção na corrente sanguínea;
  • Deve-se guardar as tampas em um local limpo e livre de contaminação para posterior uso;
  • Não deixar as vias de acesso das torneiras que não estão sendo infundidas no momento SEM AS TAMPAS!;
  • Caso haja perda das tampas, providenciar tampas valvuladas, caso não há disponibilidade, deve descartar a torneira.
  • Atentar ao rosqueamento da torneira com a via de acesso e entre outras torneiras, para evitar a desconexão acidental de todo o sistema.

Tipos e Indicações das Agulhas

Agulhas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 29/09/2026.

Na enfermagem, escolher uma agulha não é simplesmente olhar a cor do canhão. O que realmente importa é relacionar calibre, comprimento, via de administração, tipo de procedimento, característica do paciente e orientação do fabricante. A cor ajuda na identificação do calibre, mas não deve ser usada isoladamente para decidir a técnica. A ISO 6009 estabelece a codificação por cores para agulhas hipodérmicas de uso único em diferentes tamanhos métricos.

Partes da agulha

A agulha hipodérmica possui três componentes básicos: canhão, que realiza a conexão com a seringa; haste ou cânula, a parte metálica de comprimento e calibre definidos; e bisel, a extremidade inclinada responsável pela penetração no tecido.

Na prática, a identificação deve considerar principalmente a medida descrita na embalagem. Uma agulha 25 × 0,7 mm, por exemplo, possui 25 mm de comprimento e 0,7 mm de diâmetro, correspondendo a 22G em especificações usuais de materiais hospitalares.

Agulhas

Calibre e comprimento fazem diferença

O sistema Gauge (G) merece atenção: quanto maior o número G, menor tende a ser o diâmetro externo da agulha. Por isso, 30G é mais fina que 21G.

Algumas medidas frequentemente encontradas na rotina são 13 × 4,5 mm (26G), 20 × 0,55 mm (24G), 25 × 0,7 mm (22G), 25 × 0,8 mm (21G), 30 × 0,8 mm (21G) e 40 × 1,2 mm. A escolha, entretanto, não deve ser feita apenas pela tabela: o comprimento e o calibre precisam ser compatíveis com a via, volume, viscosidade da solução e características do paciente.

A cor não define a via

Esse é um ponto importante para provas e para a prática: não existe uma regra segura do tipo “agulha de determinada cor é sempre para determinada via”.

A cor do canhão é uma forma de identificação padronizada do tamanho da agulha. A indicação clínica depende do conjunto de características do dispositivo e do procedimento que será realizado. Por isso, antes de preparar uma medicação, confira a embalagem, o calibre, o comprimento, a via prescrita e o protocolo da instituição.

Segurança vem antes da técnica

Agulhas são materiais perfurocortantes e representam risco ocupacional importante. A NR-32 estabelece que o profissional que utiliza o perfurocortante deve realizar seu descarte e proíbe expressamente o reencape e a desconexão manual de agulhas. Sempre que disponíveis e indicados, dispositivos de segurança devem ser utilizados conforme treinamento e instruções do fabricante.

Depois do uso, a agulha deve ser descartada imediatamente no recipiente apropriado para perfurocortantes, que deve ser rígido, identificado e resistente à punctura, ruptura e vazamento. A RDC nº 222/2018 também estabelece regras específicas para o gerenciamento desses resíduos.

Dois exemplos que acontecem na prática

Situação 1 — preparo de medicamento: durante o preparo de uma medicação intramuscular, é comum o profissional encontrar diferentes calibres disponíveis na bandeja. Escolher automaticamente pela cor pode levar a uma seleção inadequada. A conferência da medida impressa na embalagem e a comparação com o protocolo institucional são atitudes simples que reduzem esse risco.

Situação 2 — após a aplicação: em uma rotina movimentada, o maior risco pode surgir depois que a medicação já foi administrada. Deixar a seringa sobre a bancada para “descartar depois” ou tentar recolocar o protetor na agulha cria uma oportunidade desnecessária para acidente. O descarte imediato no coletor, sem reencape, faz parte da técnica segura. A OMS recomenda que dispositivos usados sejam descartados imediatamente e que agulhas não sejam reencapadas de forma convencional.

Cuidados de enfermagem

Antes do procedimento, confirme a prescrição, a via, a dose, o paciente e a validade e integridade da embalagem. Escolha o dispositivo conforme o procedimento e protocolo institucional, faça higiene das mãos e mantenha técnica asséptica.

Após o uso, não reencape, não dobre e não desconecte manualmente a agulha. Descarte imediatamente no coletor adequado e comunique qualquer acidente com perfurocortante conforme o protocolo do serviço. A segurança não termina quando a medicação é administrada.

Resumo para salvar

Agulhas: Você Sabe Escolher a Certa?

  • Calibre e comprimento devem ser escolhidos conforme o procedimento
  • A cor identifica o tamanho da agulha e não determina sozinha sua via de administração
  • Quanto maior o número Gauge, menor tende a ser o diâmetro da agulha
  • Após o uso, a agulha deve ser descartada sem reencape no coletor de perfurocortantes

 

Referências:

  1. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32): Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Brasília, DF: MTE. Acessar NR-32
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Perguntas e respostas: RDC nº 222/2018 — gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa. Acessar documento da Anvisa
  3. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 6009:2016: Hypodermic needles for single use — Colour coding for identification. Geneva: ISO, 2016. Consultar ISO 6009:2016
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO best practices for injections and related procedures toolkit. Geneva: WHO, 2010. Consultar publicação da OMS
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guideline on the use of safety-engineered syringes for intramuscular, intradermal and subcutaneous injections in health care settings. Geneva: WHO, 2016. Consultar diretriz da OMS

Veja também:

Angulações de Injeções e seus Tipos

Seringas: Tipos e Indicações

Traqueostomia: O que é, e como é feito?

Traqueostomia

A Traqueostomia consiste em um procedimento cirúrgico que objetiva criar uma abertura na parede anterior da traqueia comunicando-se com o meio exterior, sendo mantido aberto com o auxílio de uma cânula.

Este procedimento é indicado em casos como:

  • Obstrução das vias aéreas superiores;
  • Permitir a higiene das vias aéreas;
  • Fornecer oxigênio para os pulmões, por meio de ventilação mecânica;
  • Em casos de Intubação prolongada.

O procedimento é simples e segue os seguintes passos: primeiramente a região cervical onde será realizado o procedimento é limpa e, subsequentemente, é realizada uma incisão para expor os anéis de cartilagem que compõem a parede externa da traqueia. Por conseguinte, o cirurgião realização uma incisão em dois desses anéis e introduz a cânula, que pode ser metálica ou de plástico, permitindo uma comunicação da traqueia com a região cervical.

O acesso cirúrgico pode ser realizado em diferentes níveis:

  • Cricotireoidostomia: feita na região da transmembrana cricotireoidiana.
  • Traqueostomia alta: é feita acima do ístimo da tireoide.
  • Traqueostomia transístmica: feito através do ístimo da tireoide, sendo preciso realizar sua secção e sutura.
  • Traqueostomia baixa: feita abaixo do ístimo da tireoide após ser tracionado cranialmente.
  • Traqueostomia mediastinal anterior: é feita no mediastino anterior depois de realizada uma ressecção do manúbrio do osso externo.
  • Traqueostomia percutânea: nesta realiza-se a técnica de Seldinger adapatada.

Embora a morbidade resultante de traqueostomia seja baixa, entre 4% a 10%, assim como qualquer procedimento cirúrgico, a mesma envolve potenciais complicações. Os maiores riscos de ocorrência de complicações estão em pacientes muito doentes ou que necessitam de uma traqueostomia de emergência. Dentre elas estão:

  • Obstrução da cânula por secreções;
  • Hemorragia;
  • Danos às cordas vocais, levando à mudança permanente da voz;
  • Infecção;
  • Pneumotórax;
  • Lesão de esôfago;
  • Prejuízo à deglutição;
  • Cicatrização hipertrófica.

A recuperação da realização do procedimento fica na dependência de diferentes fatores, como a durabilidade da traqueostomia, as condições dos tecidos ao redor da incisão e as condições físicas do paciente.

A remoção da cânula deve ser feita assim que o paciente já possa respirar normalmente por via aérea fisiológica. A dificuldade de remoção da cânula pode ocorrer nas seguintes situações:

  • Persistência da causa que levou ao procedimento de traqueostomia;
  • Deslocamento da parede anterior da traqueia, ocasionando obstrução da luz da mesma;
  • Edema de mucosa;
  • Intolerância ao aumento da resistência do ar, resultante da necessidade do ar passar pelas narinas;
  • Estenoses;
  • Traqueomalácea.

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A Cânula Orofaríngea: Guedel

Cânula Guedel

A Cânula Orofaríngea, também conhecida como Cânula de Guedel, é um dispositivo destinado a manter pérvia a via aérea superior em pacientes inconscientes ou com rebaixamento do nível de consciência.

É um dispositivo utilizado para o manejo das vias aéreas. Ela evita que a base da língua de pacientes com depressão do sensório obstrua a orofaringe e, consequentemente, permite uma melhor oxigenação.

Por ser um dispositivo considerado invasivo no manejo das vias aéreas, deve-se somente usar em pacientes inconscientes, devido ao potencial de induzir náuseas, vômitos e uma possível bronco aspiração.

Não devemos colocar o dispositivo ou devemos retirá-lo caso o paciente tenha o reflexo do vômito presente!

Atentar ao cuidado na inserção!

É necessário cuidado na colocação da cânula, porque a inserção incorreta pode empurrar a língua para trás, na faringe, e produzir obstrução de via aérea, manifestada por troca insuficiente de ar, indicada por tosse ineficaz e fraca, ruídos respiratórios estridentes, dificuldade respiratória acentuada e até mesmo cianose (cor azulada de pele, unhas e lábios).

A cânula orofaríngea está disponível em medidas para recém-natos, crianças e adultos.

Cada fabricante disponibiliza um sistema de cores para a identificação dos tamanhos (os fabricados mais modernos), e também para identificar o tamanho certo é visualizar numeração acoplada ao dispositivo, e também há um outro método melhor para identificar o tamanho adequado da cânula: Segurá-la ao lado da face da vítima, com a extremidade inferior tocando o ângulo da mandíbula, logo abaixo do lóbulo da orelha e estender a outra extremidade até a comissura labial.

A Cânula Orofaríngea e os Pacientes Intubados

Você sabia? Além do uso em vítimas de rebaixamento de nível de consciência (RNC), este dispositivo é muito utilizado em UTI para pacientes intubados no manejo da ventilação mecânica, pois previne a mordedura do tubo endotraqueal em pacientes intubados, e também a prevenir fissuras e lesões orais, principalmente lesões na língua dos pacientes intubados, como a troca e adequação do tamanho da cânula de Guedel.

COMO COLOCÁ-LA?

Há dois métodos:

  1. (Método 1): Deprima a língua com um abaixador de língua;
  2. (Método 1): Insira o dispositivo com a concavidade para baixo com cuidado para não empurrar a língua para trás, o que poderia bloquear a via aérea;
  3. (Método 2): Uma forma alternativa e uma das mais utilizadas é colocar de maneira invertida, ou seja, com a concavidade voltada para cima. Após a inserção até o véu palatino, devemos girar o dispositivo 180°, colocando a concavidade para baixo e inserindo-o na cavidade oral.

Alguns cuidados:

– Não inserir a Guedel invertida em crianças, devido a um potencial dano ao palato;

– Cuidar para não empurrar a língua para trás e provocar uma obstrução da via aérea;

– Cuidar para não causar trauma nos lábios e dentes do paciente;

– Não usar esse dispositivo em pacientes acordados!

É importante ressaltar que a cânula de Guedel é usada para auxiliar na ventilação mas não protege a via aérea, e só deve permanecer enquanto não se obtêm uma via aérea definitiva.

REFERÊNCIA

  1. Baskett, T. F. (2004). Arthur Guedel and the oropharyngeal airway, 63, 3–5.http://doi.org/10.1016/j.resuscitation.2004.07.004

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A Máscara Laríngea (ML)

A Máscara Laríngea, ou “ML”, foi inicialmente empregada apenas para acessar a via aérea em anestesias convencionais, rapidamente se consagrou como equipamento indispensável na manipulação da via aérea difícil. A primeira máscara laríngea (ML) foi inventada pelo Dr. A.I.J. Brain anestesiologista inglês, em 1981, a partir de exaustivos estudos anatômicos da laringe humana.

Pode ser considerado como funcionalmente intermediário entre a máscara facial e o tubo traqueal, dispensando o uso de laringoscópio, ou instrumentos especiais para sua inserção.

Corretamente posicionada, a face convexa posterior da ML estará em contato com a parede da faringe e a anterior, sobreposta às estruturas supraglóticas (laringe), de forma a permitir a ventilação. Sua ponta se aloja sobre o esfíncter esofagiano superior. As MLs se apresentam nas formas reutilizável e descartável, esta última em embalagem individual esterilizada.

Na equipe de Enfermagem, o Enfermeiro é habilitado a introduzir a ML!

Quanto a legalidade da utilização por profissional Enfermeiro diversos Conselhos Regionais, já emitiram parecer onde recomendam que o Enfermeiro prefira o uso de dispositivos supra glóticos como a Máscara Laríngea e o Combitube ao invés de proceder a intubação com tubo orotraqueal é o caso do COREN-BA que emitiu o PARECER COREN-BA Nº 013/2013, e o COREN-DF através do Parecer Coren Nº 022/2011 que abordam o assunto e concluem pela legalidade da ação quando praticada por enfermeiro.

No entanto outros conselhos emitiram parecer favoráveis mas, condicionados à ausência do médico ou impossibilidade deste executar o procedimento como é o caso do COREN-SC que emitiu o PARECER COREN/SC Nº 018/CT/2013 e COREN-RS que publicou a DECISÃO COREN-RS nº 128/09.

Como regra geral utiliza-se o bom senso e a avaliação da capacidade técnica e conhecimento cientifico para realização do procedimento, bem como a correta e completa documentação do mesmo no prontuário do paciente.

Quais são as indicações da Máscara Laríngea?

  1. como conduto para intubação traqueal com fibra óptica no paciente acordado;
  2. na situação de não emergência (paciente anestesiado que não pode ser intubado, mas pode ser ventilado), como via aérea definitiva para prosseguir o caso;
  3. como conduto para intubação traqueal com fibra óptica no paciente anestesiado que pode ser ventilado mas não intubado;
  4. na situação de emergência “não intubo, não ventilo”, como um dispositivo salva-vidas;
  5. como conduto para intubação traqueal nos casos “não intubo, não ventilo”.

Veja mais sobre a Máscara Laríngea em nosso canal YouTube!

 

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