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Uma área da pele que fica vermelha, quente e dolorida pode evoluir rapidamente, especialmente quando há febre ou aumento do inchaço. Para a enfermagem, observar a extensão da lesão e reconhecer sinais de agravamento ajuda a identificar quem precisa de reavaliação urgente. A erisipela e a celulite infecciosa são infecções bacterianas da pele e dos tecidos subcutâneos, com características que se sobrepõem.
Qual é a diferença entre erisipela e celulite?
A erisipela costuma atingir camadas mais superficiais da pele e os vasos linfáticos superficiais. É comum apresentar vermelhidão intensa, edema e bordas bem delimitadas, podendo ser acompanhada de febre e calafrios.
A celulite infecciosa envolve camadas mais profundas da derme e o tecido subcutâneo. A vermelhidão tende a ter limites menos definidos, com dor, calor e inchaço. Os estreptococos estão entre os agentes mais comuns nas duas condições; o Staphylococcus aureus também pode estar envolvido, sobretudo quando há pus ou abscesso. Como os sinais podem se sobrepor, a aparência da pele não deve ser usada isoladamente para definir o diagnóstico.
Sinais de alerta e fatores de risco
Pequenas fissuras, feridas, picadas, micoses entre os dedos, edema crônico e alterações da circulação podem facilitar a entrada de bactérias. Diabetes e imunossupressão também merecem atenção. Febre, calafrios, progressão rápida da vermelhidão ou piora importante da dor exigem avaliação clínica; dor desproporcional ao aspecto da pele, bolhas, áreas arroxeadas ou escurecidas, confusão e hipotensão levantam suspeita de infecção grave e requerem atendimento emergencial.
Imagine um paciente que chega com a perna avermelhada e quente, e cuja lesão parece maior algumas horas depois. Delimitar a borda com marcador apropriado, quando indicado, e registrar o horário permite acompanhar a evolução. Essa comparação precisa ser associada à avaliação da dor, da temperatura e do estado geral, pois a vermelhidão pode ser menos evidente em peles escuras.
Tratamento e acompanhamento
O tratamento costuma incluir antibióticos prescritos conforme a gravidade, o local da infecção, as condições do paciente e os agentes prováveis. Casos leves podem ser tratados por via oral quando o paciente consegue tomar medicamentos e não apresenta critérios de gravidade; quadros graves, sinais sistêmicos importantes ou suspeita de infecção profunda podem exigir hospitalização e tratamento intravenoso. A resposta deve ser reavaliada, e a ausência de melhora inicial ou a piora rápida exige nova avaliação, sem troca ou interrupção do antibiótico por conta própria.
A elevação do membro afetado pode ajudar a reduzir o edema. Também é importante investigar e tratar possíveis portas de entrada, como fissuras e micoses interdigitais, além de controlar condições que favorecem recorrências. Se houver suspeita de abscesso, pode ser necessária avaliação para drenagem, pois a conduta depende do tipo de infecção presente.
Cuidados de enfermagem
Avalie e registre a extensão da lesão, dor, edema, temperatura corporal e sinais sistêmicos. Observe a pele, mantenha os cuidados prescritos, administre os medicamentos nos horários indicados e acompanhe a resposta ao tratamento. Se houver antibiótico intravenoso, monitore o acesso e possíveis reações, seguindo o protocolo institucional.
Durante a reavaliação, se o paciente apresentar dor crescente, expansão rápida da área afetada ou piora do estado geral, a equipe deve ser comunicada prontamente. A demarcação da lesão auxilia no acompanhamento, mas não substitui a avaliação clínica nem deve atrasar o atendimento diante de sinais de gravidade.
Erisipela ou Celulite: Saiba Diferenciar
- Erisipela costuma ter bordas mais delimitadas; celulite tende a ser mais difusa
- As duas são infecções bacterianas e podem apresentar sinais semelhantes
- Piora rápida, dor desproporcional ou alterações sistêmicas exigem avaliação urgente
- A enfermagem deve acompanhar a lesão e a resposta ao tratamento
Referências:
- NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Cellulitis and erysipelas: antimicrobial prescribing. Guideline NG141. Londres: NICE, 2019. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng141/chapter/Recommendations.
- STEVENS, Dennis L. et al. Practice guidelines for the diagnosis and management of skin and soft tissue infections: 2014 update by the Infectious Diseases Society of America. Clinical Infectious Diseases, v. 59, n. 2, p. e10-e52, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1093/cid/ciu296.
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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