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No recém-nascido, uma alteração aparentemente pequena no umbigo merece atenção. Vermelhidão que se espalha pela pele ao redor do coto, edema ou secreção purulenta/fétida não deve ser tratada como simples atraso na queda do cordão, porque a infecção pode progredir rapidamente e alcançar tecidos profundos ou a corrente sanguínea.
O que é onfalite?
Onfalite é uma infecção bacteriana do coto umbilical e dos tecidos ao redor do umbigo, mais relevante no período neonatal. Entre os microrganismos envolvidos estão Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes e bactérias Gram-negativas, como Escherichia coli, Klebsiella e Proteus.
A apresentação pode incluir eritema e calor na região umbilical, edema, sensibilidade, secreção purulenta ou odor desagradável. O RN também pode apresentar sinais gerais de infecção, como dificuldade para mamar, letargia, alteração de temperatura ou piora do estado geral.
Como diferenciar infecção de cicatrização?
O coto normalmente seca, escurece e se desprende espontaneamente. Pequena quantidade de sangue no momento da queda pode ocorrer, mas eritema progressivo, secreção purulenta ou mau cheiro não devem ser considerados parte normal da cicatrização.
Um cenário que merece atenção no plantão é encontrar o coto aparentemente seco, mas observar uma área avermelhada que avança para a pele abdominal. Nesse momento, não basta registrar “umbigo inflamado”: é importante delimitar e descrever o eritema, verificar secreção, edema e o estado geral do bebê, comunicando prontamente qualquer sinal de deterioração.
Diagnóstico e risco de sepse
O diagnóstico é predominantemente clínico. A avaliação deve incluir o aspecto do umbigo e da pele adjacente, além de temperatura, frequência respiratória, perfusão, nível de atividade e capacidade de alimentação. Exames laboratoriais e culturas podem ser solicitados conforme a gravidade e o protocolo, principalmente quando existe suspeita de infecção sistêmica.
A onfalite pode funcionar como porta de entrada para disseminação bacteriana. Por isso, sinais como hipoatividade, dificuldade importante para mamar, alteração de temperatura, apneia, desconforto respiratório ou outros sinais de doença grave aumentam a urgência da avaliação.
Tratamento: não existe um único esquema para todos
A suspeita de onfalite neonatal exige avaliação médica rápida. Quando há indicação de antimicrobiano, a escolha deve considerar o quadro clínico, os microrganismos prováveis, resistência local, culturas quando disponíveis e o protocolo da unidade. Em recém-nascidos, a antibioticoterapia é frequentemente parenteral, especialmente diante de doença mais extensa ou sinais sistêmicos.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda duração de tratamento de 7 a 14 dias para onfalite, dependendo da extensão da doença e da presença de complicações, como fasceíte necrosante ou choque séptico. Portanto, esquemas antigos apresentados como dose, combinação e duração obrigatórias não devem ser reproduzidos como regra universal.
Se houver suspeita de fasceíte necrosante, abscesso ou outra complicação profunda, a avaliação cirúrgica e exames de imagem podem ser necessários. Não é preciso solicitar tomografia ou outros exames de imagem rotineiramente para toda onfalite.
Cuidados com o coto umbilical
A prevenção começa antes da infecção. Em condições adequadas de higiene, a recomendação da OMS é manter o cordão limpo e seco, evitando aplicar substâncias sem indicação. A clorexidina a 4% tem recomendação específica para contextos nos quais práticas tradicionais potencialmente nocivas são comuns, e não como aplicação rotineira para todos os recém-nascidos.
Por isso, álcool, pomadas, pós, óleos, ervas ou outras substâncias não devem ser utilizados indiscriminadamente no coto. A higiene das mãos antes e depois do contato com o bebê também é uma medida essencial.
Em outro cenário comum, durante a avaliação de um RN após o banho, pode haver umidade acumulada na região do coto pela fralda. Mais importante do que “passar alguma coisa” é manter a área limpa e seca, posicionar a fralda de modo a não cobrir o umbigo e orientar o cuidador sobre os sinais que exigem avaliação.
Cuidados de enfermagem
A enfermagem deve observar o coto e a região periumbilical, registrar características da secreção, extensão do eritema, presença de edema, odor e condições da pele, além de acompanhar sinais vitais e estado geral do RN.
Diante de vermelhidão associada a edema e secreção fétida, especialmente quando há progressão para a parede abdominal, o bebê deve ser encaminhado rapidamente para avaliação e tratamento. A orientação à família deve incluir higiene das mãos, manutenção do coto limpo e seco e reconhecimento dos sinais de alerta.
A atenção também deve se estender à resposta ao tratamento. Redução do eritema, melhora do estado geral, aceitação das mamadas e ausência de progressão das alterações locais são informações importantes para acompanhar a evolução.
Onfalite Neonatal
- Vermelhidão e secreção podem indicar infecção
- Onfalite pode evoluir para sepse
- O cuidado do coto deve priorizar higiene e secagem
- Sinais de infecção exigem avaliação rápida
Referências:
- BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Primeira consulta do recém-nascido. Linhas de Cuidado. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – Primeira consulta do recém-nascido.
- BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Volume I – Cuidados gerais. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – Guia de atenção à saúde do recém-nascido.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Diretrizes para uso racional de antibióticos em unidades neonatais. Rio de Janeiro: SBP, 2025. Disponível em: SBP – Diretrizes para uso racional de antibióticos em unidades neonatais.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO recommendations on maternal and newborn care for a positive postnatal experience. Geneva: WHO. Disponível em: WHO – Recomendações sobre cuidados maternos e neonatais.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Caring for a newborn. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: WHO – Caring for a newborn.
Gastroenterite
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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