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Tipos de Reações de Hipersensibilidade
As reações de hipersensibilidade são respostas imunológicas exageradas a antígenos geralmente inofensivos. Classificadas em quatro tipos principais pelo sistema de Gell e Coombs, essas reações variam desde manifestações alérgicas imediatas até doenças autoimunes.
Hipersensibilidade Tipo I (Imediata)
Características:
Mecanismo: Mediado por IgE
Tempo de resposta: Minutos a horas
Exemplos clínicos:
Anafilaxia (alimentos, venenos, medicamentos)
Rinite alérgica
Asma alérgica
Urticária
Cuidados de Enfermagem:
Monitorar sinais vitais e sintomas respiratórios
Manter epinefrina (adrenalina) acessível para emergências
Orientar sobre evitamento de alérgenos conhecidos
Ensinar técnica de autoaplicação de epinefrina
Registrar detalhes da reação no prontuário
Hipersensibilidade Tipo II (Citotóxica)
Características:
Mecanismo: IgG/IgM contra antígenos de superfície celular
Tempo de resposta: Horas a dias
Exemplos clínicos:
Anemia hemolítica autoimune
Pênfigo vulgar
Doença hemolítica do recém-nascido
Reação transfusional ABO
Cuidados de Enfermagem:
Monitorar hemoglobina e bilirrubina em reações hemolíticas
Observar sinais de anemia (palidez, taquicardia)
Coletar amostras para testes de Coombs quando indicado
Registrar histórico detalhado de transfusões
Hipersensibilidade Tipo III (Complexos Imunes)
Características:
Mecanismo: Deposição de complexos antígeno-anticorpo
Tempo de resposta: 1-3 semanas
Exemplos clínicos:
Lúpus eritematoso sistêmico
Artrite reumatoide
Glomerulonefrite pós-estreptocócica
Doença do soro
Cuidados de Enfermagem:
Avaliar função renal (proteinúria, creatinina)
Monitorar articulações quanto a edema e dor
Observar lesões cutâneas características
Orientar sobre proteção solar no lúpus
Hipersensibilidade Tipo IV (Tardia)
Características:
Mecanismo: Mediado por células T
Tempo de resposta: 48-72 horas
Exemplos clínicos:
Dermatite de contato (níquel, látex)
Teste tuberculínico (PPD)
Rejeição de enxerto
Doença celíaca
Cuidados de Enfermagem:
Identificar e eliminar agentes causadores
Aplicar compressas frias em dermatites
Educar sobre evitamento de alérgenos de contato
Monitorar área de teste cutâneo (PPD)
O reconhecimento precoce do tipo de hipersensibilidade é crucial para o manejo adequado. A enfermagem desempenha papel fundamental na identificação de sintomas, implementação de medidas terapêuticas e educação do paciente para prevenção de novas reações.
Referências:
ABBAS, A. K. et al. Imunologia Celular e Molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Disponível em: https://www.elsevier.com.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo de Anafilaxia. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
JANEWAY, C. A. et al. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. 9. ed. New York: Garland Science, 2016. Disponível em: https://www.garlandscience.com.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Anafilaxia. 2021. Disponível em: https://www.sbai.org.br.
Pulseiras de Risco Hospitalares
As pulseiras de risco hospitalares são identificadores coloridos utilizados para alertar a equipe de saúde sobre condições específicas de um paciente, como risco de queda, alergias, lesão por pressão e necessidade de preservação de membro.
Elas desempenham um papel fundamental na prevenção de incidentes e na garantia da segurança do paciente durante a hospitalização.
Tipos de Pulseiras e seus Significados
A padronização das cores e símbolos utilizados nas pulseiras varia de acordo com cada instituição, mas a ideia central é a mesma: comunicar de forma rápida e eficiente os riscos associados a cada paciente.
Risco de Queda
Cor: Geralmente amarela ou laranja.
Símbolo: Um ícone representando uma pessoa caindo ou um símbolo de equilíbrio.
Indica: Pacientes com maior probabilidade de cair, como idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou que utilizam medicamentos que podem causar tontura.
Alergia
Cor: Vermelha ou rosa.
Símbolo: Um ícone de exclamação dentro de um triângulo ou um símbolo de alergia.
Indica: Pacientes com alergia a medicamentos, alimentos, látex ou outras substâncias. A pulseira pode especificar a substância causadora da alergia.
Lesão por Pressão
Cor: Roxa ou lilás.
Símbolo: Um ícone representando uma ferida ou uma área sob pressão.
Indica: Pacientes com risco aumentado de desenvolver úlceras por pressão, como aqueles que permanecem acamados por longos períodos ou com problemas de circulação.
Preservação de Membro
Cor: Azul ou verde.
Símbolo: Um ícone representando um membro (braço ou perna) ou uma faixa em torno de um membro.
Indica: Pacientes com risco de perda de um membro, como aqueles com problemas circulatórios graves ou que necessitam de enxertos, pacientes mastectomizadas que precisam preservar o lado do membro, não puncionar membro em que irá realizar exame de cateterismo.
Outras informações que podem constar na pulseira
Nome do paciente: Essencial para a identificação correta.
Data de nascimento: Ajuda a evitar erros de identificação, especialmente em pacientes com nomes comuns.
Alergias específicas: Lista detalhada das substâncias às quais o paciente é alérgico.
Restrições dietéticas: Indicações sobre a dieta especial do paciente.
Nome do médico: Facilita a comunicação entre a equipe de enfermagem e o médico responsável.
Importância das pulseiras de risco
Melhora na comunicação: As pulseiras garantem que todas as informações relevantes sobre o paciente sejam facilmente acessíveis a todos os profissionais de saúde envolvidos.
Prevenção de erros: Reduz o risco de administrar medicamentos errados, realizar procedimentos inadequados ou causar lesões ao paciente.
Melhora na qualidade do cuidado: Permite que a equipe de saúde forneça um cuidado mais individualizado e seguro, adaptando as intervenções às necessidades específicas de cada paciente.
Empoderamento do paciente: Ao usar a pulseira, o paciente se sente mais seguro e confiante na equipe de saúde.
As pulseiras de risco hospitalares são ferramentas simples, mas eficazes, que contribuem significativamente para a segurança do paciente. Ao utilizar essas pulseiras de forma correta e consistente, as instituições de saúde podem reduzir o número de eventos adversos e garantir que todos os pacientes recebam o cuidado de alta qualidade que merecem.
Referências:
HOFFMEISTER, Louíse Viecili; MOURA, Gisela Maria Schebella Souto de. Uso de pulseiras de identificação em pacientes internados em um hospital universitário. Rev. Latino-Am. Enfermagem, jan.-fev. 2015, v. 23, n. 1, p. 36-43. DOI: 10.1590/0104-1169.0144.2522.
A aspirina é fundamental no tratamento de pacientes com SCA (Síndrome Coronariana Aguda), podendo-se lançar mão de protocolos de dessensibilização em pacientes alérgicos.
O AAS bloqueia a formação de tromboxano A2 (substância vasoconstritora e pró-trombótica), interferindo no metabolismo do ácido araquidônico e inibindo a formação da ciclo-oxigenase 1 (COX-1), enzima fundamental no processo de agregação plaquetária.
O plantonista então se depara com um grande problema quando está com um paciente coronariano e com alergia à aspirina. Esta pode manifestar-se desde alterações cutâneas e respiratórias até choque anafilático.
Para pacientes que apresentam reações de hipersensibilidade ao AAS, pode-se lançar mão de protocolos de dessensibilização, que consistem na administração oral de doses sucessivamente crescentes de AAS até atingir a dose terapêutica pretendida.
Tais protocolos consistem em administração crescente gradual de doses de AAS em um período que demandam dias para serem completados, tempo precioso que o paciente com SCA não possui. Por esta razão, entende-se a importância de novos protocolos de dessensibilização mais rápidos, passíveis de conclusão em poucas horas, visando iniciar tratamento antiplaquetário no paciente em questão ainda no próprio dia do evento cardiovascular.
O protocolo
Para o procedimento, é diluído um comprimido de 100mg em SF0,9% 100 ml –> ficando com a Solução 1mg/ml.
Os cuidados e recomendações
Quando optado por dessensibilização nos pacientes com história de anafilaxia, esta deve ser realizada em ambiente de terapia intensiva com monitorização dos sinais vitais e possibilidade de tratamento imediato das reações;
Orientar os pacientes a não interromperem o uso do AAS após a dessenbilização, pois intervalos maiores que 7 dias sem o medicamento pode reativar reações e necessitar de novas dessensibilizações;
Preferir angioplastia com Stent convencional, pois a duração mínima da dupla antiagregação é mais curta quando comparada aos Stents farmacológicos e nos casos de uso isolado de inibidores do recepetor P2Y12 existe a possibilidade de se tentar a dessensibilização durante o primeiro mês após a ATC;
Não associar dois tienopiridínicos já que não existe evidencia para tal conduta sendo a mesma contraindicada pelos guidelines.
A hipersensibilidade ao AAS é um achado comum na população geral, e frente à alta incidência de SCA no nosso meio, frequentemente nos deparamos com pacientes que necessitam do seu uso, porém, relatam reações alérgicas.
O procedimento de dessensibilização nesses casos mostra-se seguro, de baixo custo e com alta taxa de sucesso, devendo-se cada vez mais sua implementação ser encoraja.
Referências:
Wong JT, Nagy CS, Krinzman SJ, Maclean JA, Bloch KJ. Rapid oral challenge-desensitization for patients with aspi rin-related urticaria-angioedema. J Allergy Clin Immunol. 2000; 105: 997-1001
Rossini R, Iorio A, Pozzi R, Bianco M, Musumeci G, LeonardiS, et al. Aspirin desensitization in patients with coronary artery disease: results of the multicenter ADAPTED registry (Aspirin Desensitization in Patients With Coronary Artery Disease). Circ Cardiovasc Interv. 2017;10(2):1-6.
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