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Em um AVC, alguns minutos de avaliação podem mudar a conduta. E existe um detalhe que costuma passar despercebido por quem está começando: a NIHSS não serve apenas para dizer se o paciente está “bem ou mal”. Ela organiza déficits neurológicos de forma padronizada, permitindo comparar a condição do paciente ao longo do atendimento e acompanhar mudanças durante a evolução. A escala é composta por 15 itens, com pontuação total de 0 a 42, e quanto maior o resultado, maior a gravidade neurológica medida pela escala.
O que é a escala NIHSS?
A NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) é uma escala neurológica padronizada utilizada principalmente na avaliação de pacientes com suspeita ou diagnóstico de AVC. Ela examina consciência, linguagem, movimentos oculares, campos visuais, força dos membros, sensibilidade, coordenação, fala e negligência/inatenção.
A aplicação precisa seguir uma sequência padronizada. O avaliador deve registrar aquilo que o paciente realmente executa, evitando oferecer pistas ou “ajudar” a resposta. Um princípio importante da escala é não voltar posteriormente para modificar uma pontuação já atribuída, salvo quando a própria metodologia do instrumento determinar alguma condição específica.

Os 15 itens da NIHSS
A escala é organizada da seguinte maneira:
1a. Nível de consciência: 0 a 3 pontos. Avalia o grau de alerta e responsividade.
1b. Perguntas de nível de consciência: 0 a 2 pontos. O paciente deve responder corretamente às perguntas padronizadas, incluindo mês e idade.
1c. Comandos de nível de consciência: 0 a 2 pontos. Avalia a capacidade de executar comandos simples.
- Melhor olhar conjugado: 0 a 2 pontos. Verifica alterações do olhar, desde normalidade até desvio forçado.
- Campos visuais: 0 a 3 pontos. Avalia perda visual, incluindo hemianopsia.
- Paralisia facial: 0 a 3 pontos. Observa simetria dos movimentos faciais.
- Motor do braço: 0 a 4 pontos para cada lado. O braço esquerdo e o direito são avaliados separadamente.
- Motor da perna: 0 a 4 pontos para cada lado, também individualmente.
- Ataxia de membros: 0 a 2 pontos. Verifica alteração da coordenação atribuível a déficit neurológico.
- Sensibilidade: 0 a 2 pontos. Avalia perda sensitiva, principalmente ao estímulo doloroso.
- Melhor linguagem: 0 a 3 pontos. Investiga presença e intensidade de afasia.
- Disartria: 0 a 2 pontos. Avalia a articulação da fala.
- Extinção e inatenção: 0 a 2 pontos. Identifica negligência ou extinção em diferentes modalidades sensoriais.

Como interpretar o resultado?
A pontuação pode variar de 0 a 42 pontos. Uma classificação frequentemente utilizada divide os resultados em: 0, sem sintomas de AVC; 1–4, AVC menor; 5–15, AVC moderado; 16–20, moderado a grave; 21–42, grave. Essas faixas ajudam a comunicar a intensidade do déficit, porém não devem ser usadas isoladamente para definir prognóstico ou excluir uma condição grave.
Um ponto que merece atenção é o paciente com NIHSS baixo. Um resultado pequeno não significa automaticamente que o quadro seja clinicamente irrelevante. Déficits como afasia, alteração visual ou outras manifestações potencialmente incapacitantes podem receber poucos pontos. Por isso, a escala deve ser interpretada junto ao exame neurológico completo, história clínica e exames de imagem.

Como funciona a pontuação motora?
Nos braços, por exemplo, o paciente é solicitado a manter o membro elevado durante o tempo determinado pela escala. 0 significa ausência de queda; 1 corresponde à presença de drift; pontuações maiores representam perda progressiva da capacidade de manter o membro contra a gravidade, chegando a 4 quando não há movimento.
Nas pernas, a lógica é semelhante, porém o tempo de sustentação é diferente. É importante não somar os dois lados como se fossem um único item: braço esquerdo e direito recebem pontuações próprias, assim como as duas pernas.
NIHSS e paciente intubado
Esse é um detalhe que aparece bastante na prática e também pode confundir quem está estudando. Determinados itens podem receber classificação UN (untestable) quando existe uma condição que impede adequadamente a avaliação. Na disartria, por exemplo, a escala prevê UN quando o paciente está intubado ou possui outra barreira física que impossibilite produzir fala, devendo a justificativa ser registrada.
Isso não significa simplesmente atribuir zero. Não avaliável e normal são situações diferentes.
Vivência prática: Como a pontuação é usada
Em um atendimento de AVC, a NIHSS raramente é aplicada uma única vez. Considere um cenário comum: um paciente chega falando algumas palavras, movimentando o braço direito com dificuldade e apresentando assimetria facial. A equipe realiza a NIHSS inicial e registra a pontuação.
Após a intervenção e durante o período de observação, uma nova avaliação pode mostrar melhora ou piora de determinados itens. É justamente nessa comparação que a escala ganha força: uma alteração de pontuação ao longo do tempo pode sinalizar mudança neurológica e precisa ser comunicada rapidamente à equipe responsável.
Outro cenário frequente é o paciente que inicialmente responde adequadamente, mas horas depois apresenta piora da fala e redução de força em um membro. Mesmo antes de recalcular toda a escala, a enfermagem já identifica uma mudança objetiva em relação ao estado anterior — e essa percepção clínica deve ser comunicada de imediato. A reavaliação padronizada, quando indicada pelo protocolo do serviço, ajuda a documentar essa evolução de forma mais confiável.
Cuidados de enfermagem na NIHSS
A enfermagem tem papel importante na identificação precoce de alterações neurológicas e na comunicação da evolução do paciente. Durante a avaliação, mantenha o ambiente organizado, reduza estímulos desnecessários e observe cuidadosamente fala, nível de consciência, força, simetria facial, pupilas, sensibilidade e comportamento.
O resultado deve ser registrado com horário, permitindo comparação com avaliações posteriores. Se houver piora súbita do nível de consciência, nova alteração de fala, perda de força, mudança pupilar ou outro déficit neurológico, a equipe deve ser comunicada imediatamente, sem esperar apenas pela próxima avaliação programada.
Também é fundamental conhecer o protocolo institucional. A NIHSS é uma ferramenta padronizada e a aplicação adequada depende de treinamento; programas de certificação da American Heart Association são utilizados para capacitação e manutenção da proficiência na aplicação da escala.
NIHSS não substitui o exame neurológico
A NIHSS é excelente para quantificar determinados déficits, acompanhar sua evolução e padronizar a comunicação entre profissionais. Porém, possui limitações, especialmente em alguns AVCs da circulação posterior, nos quais determinados déficits podem ser sub-representados pela escala. Estudos recentes continuam discutindo formas de complementar a avaliação nesses casos.
Para quem está estudando enfermagem, vale guardar uma ideia simples: não memorize apenas os números; entenda o que cada item está procurando. Quando você sabe por que está avaliando consciência, olhar, campo visual, força, sensibilidade, linguagem e negligência, a aplicação da escala fica muito mais lógica.
NIHSS: saiba calcular a pontuação
- A NIHSS possui 15 itens e pontuação total de 0 a 42
- A escala avalia consciência, olhar, visão, face, força, coordenação, sensibilidade, linguagem, fala e negligência
- Quanto maior a pontuação, maior o déficit neurológico identificado pela escala
- A NIHSS deve ser aplicada de forma padronizada e não substitui o exame neurológico completo
Referências:
- NATIONAL INSTITUTE OF NEUROLOGICAL DISORDERS AND STROKE. NIH Stroke Scale: instructions. Bethesda: NINDS, 2025. Disponível em: NIH Stroke Scale – NINDS.
- NATIONAL INSTITUTE OF NEUROLOGICAL DISORDERS AND STROKE. Assess and Treat: Stroke. Bethesda: NINDS. Disponível em: NINDS – Assess and Treat.
- NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. NIH Stroke Scale (NIHSS). Bethesda: National Library of Medicine. Disponível em: NIH Common Data Elements – NIHSS.
- AMERICAN HEART ASSOCIATION. NIH Stroke Scale Training Program. Dallas: American Heart Association. Disponível em: AHA – NIH Stroke Scale.
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.



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